O ESTADO DO PARANÁ, 08
de maio de 2009 | Cidades
Marmorarias irregulares
em discussão
Leonardo Coleto
Ciciro Back

Renée Machado, do MPT: poeira
pode causar câncer e até matar.
Em todo o Paraná, existem cerca de 1.150 marmorarias que trabalham
com o corte e polimento de mármore, granito e ardósia.
No entanto, a maioria delas está irregular quando se trata do
quesito segurança dos trabalhadores.
A constatação foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias de Mármore e Granito do Paraná (Sindmármore)
e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) do Paraná.
Para tentar orientar e padronizar as empresas do
ramo, o MPT organizou ontem uma audiência coletiva com representantes de pelo menos cem
empresas notificadas pelo órgão. No encontro, foi discutida
a adequação das marmorarias, com prazo estabelecido até 13
de setembro, à Portaria 43 do Ministério do Trabalho e
Emprego.
“Estamos preocupados com a saúde daqueles que estão
ligados às atividades nesse ramo. A poeira gerada pelo corte das
pedras é rica em silício, uma substância cancerígena
e fatal, se inalada em grandes quantidades”, afirma a procuradora
do trabalho Renée Araújo Machado.
Ciciro Back

Kondratoski, do Sindimármore:
meios de evitar o pó e
aliviar peso.
Até o prazo dado pelo MPT, as marmorarias deverão fazer
duas alterações previstas na portaria. A primeira delas
será a umidificação do corte e a segunda, a instalação
de esteiras para transporte das pedras.
“Essas duas mudanças irão reduzir os problemas de
saúde dos operários. Assim, não haverá mais
poeira e nem problemas nas costas causados pelo levantamento excessivo
de peso, o que é comum na categoria”, afirma o presidente
do Sindmármore, Ilson Kondratoski.
Ao inalar a poeira gerada pelo corte das pedras,
os operários
correm risco de adquirir silicose. “É uma doença
pulmonar irreversível, sem cura, sem tratamento e que acontece
após a exposição do pulmão à poeira
por vários anos. Quando diagnosticada, a única solução
de tratamento é afastar o operário daquele local rico em
poeira de mármore”, explica o médico do trabalho
do MPT, Elver Moronte.
O barulho no ambiente de trabalho também preocupa as entidades.
O ruído, gerado principalmente pelas serras de corte e ferramentas
motorizadas, causa perda auditiva, também irreversível.
“As empresas devem instalar discos de corte silenciosos e enclausurar
fontes de ruído, como motores de máquinas. Além
disso, devem fornecer materiais de segurança como óculos,
respiradores e protetores de ouvido compatíveis às atividades
dos operários”, completa o médico.