FETRACONSPAR, 27 de abril de 2009
Imbituva
SINDICOMP: Chapa Renovação é Eleita

Em eleição realizada na última sexta-feira (24/04), no SINDICOMP – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Madeira de Imbituva, a chapa denominada RENOVAÇÃO, encabeçada pelo companheiro CORNÉLIO FERREIRA, foi eleita com 618 dos 1.000 votos válidos para o mandato de 2009/2013.


A Diretoria eleita é formada pelos seguintes companheiros:

DIRETORIA EFETIVA
Presidente: Cornélio Ferreira
Secretário: Valderi Stadler
Tesoureiro: Adelar Alves Correa

DIRETORIA SUPLENTES
Antonio Miguel Biscaia de Oliveira
Roseli da Aparecida Mariano de Macedo
Celso Adalto de Castro

CONSELHO FISCAL – EFETIVOS:
Jorge Ribeiro
Lourival Aparecido Leiria
Marlene Vaz de Oliveira

CONSELHO FISCAL - SUPLENTES:
Janete Silva Seniuk
João Adevino dos Santos
Vilmar Nogoceki

DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO A FETRACONSPAR - EFETIVOS:
Cornélio Ferreira
Valderi Stadler

DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO A FETRACONSPAR – SUPLENTES:
Adelar Alves Correa
Jorge Ribeiro
























































 

 


(Informe Publicitário) - 1ª PÁGINA DE JORNAL

Do Sindcomp e da Fetraconspar ao povo Imbituvense
Mario Fragoso
Jornalista


Após 10 anos de luta contra o “peleguismo” e a injustiça, consequência nefasta de tal prática, o trabalhador da madeira de Imbituva, com o apoio da Fetraconspar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Paraná), conquistou a dignidade e o direito de decidir coletivamente o seu destino.

Apesar das manobras do grupo que há mais de 15 anos prejudicava os operários, mil eleitores, ou seja, trabalhadores associados ao Sindicato, foram às urnas no dia 24 de abril, sexta-feira, e 618 votaram e elegeram a Chapa 2 – Renovação, para um mandato de quatro anos à frente do Sindcomp.

Agora, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Madeira, Compensados, Laminados, Aglomerados, Serrados, Acessórios de Madeira e Assemelhados de Imbituva, será presidido pelo Auxiliar de Produção Cornélio Ferreira, 30 anos de vida e 10 de chão de fábrica. Será um novo tempo. Um tempo de democracia e transparência no Sindcomp.

A união dos trabalhadores em torno do objetivo comum de resgatar a dignidade usurpada pelo ex-presidente da entidade foi, sem dúvida, o fator decisivo da vitória da Chapa 2, com o inquestionável percentual de 61,8% dos votos apurados. Índice que não admite qualquer tipo de dúvida em relação à vontade do trabalhador.

O que se espera, agora, é que o sonho de dias melhores desses trabalhadores imbituvenses se torne realidade. Para concretizar o desejo manifestado nas urnas, o Sindcomp terá o apoio dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Paraná, da Fetraconspar e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, a CNTI.

Mais do que isso, a diretoria eleita e já empossada do Sindicomp e a Fetraconspar, acreditam que será fundamental o apoio da população imbituvense e do poder público constituído. Por isso, aproveitam o espaço e agradecem calorosa acolhida do povo de Imbituva durante a campanha eleitoral que elegeu a Chapa 2 – Renovação.

Juntos, trabalhadores, empresários que respeitam a lei, Federação, Confederação, poder público e o povo imbituvense poderão iniciar a construção de um tempo de justiça salarial e respeito à saúde e a segurança de quem produz o progresso e leva, através dos produtos que fabrica, o nome de Imbituva até para o exterior.

Esse é o desejo das diretorias do Sindcomp, da Fetraconpar, dos sindicatos filiados e da CNTI.

Geraldo Ramthun
Presidente da Fetraconspar

Cornélio Ferreira
Presidente do SINDICOMP

PS – assim que teve acesso aos documentos do Sindcomp, a diretoria eleita e empossada constatou que a contabilidade da entidade sindical simplesmente inexiste.

Da mesma forma, teve que apressar o passo e realizar assembléia dos trabalhadores para aprovar a pauta de reivindicações visando a Campanha Salarial 2009-2010, pois a diretoria anterior não cumpriu essa obrigação.




A batalha de Imbituva (*)

Denílson Pestana da Costa
Carpinteiro
Presidente do Sintracom-Londrina

Imbituva é uma cidade pequena, como é a maioria dos 399 municípios paranaenses. Localizada a cerca de 60 quilometros de Ponta Grossa, na Região dos Campos Gerais, é habitada por um povo educado, hospitaleiro, trabalhador e temente a Deus.

São cerca de 28 mil imbituvenses que ganham o sustento da família trabalhando na agricultura, na fabricação de malhas, no comércio e nas indústrias de laminados, compensados e outros derivados da madeira.

No setor madeireiro, são cerca de três mil trabalhadores e trabalhadoras que pulam da cama cedo e trabalham de Sol a Sol. Essa gente, estava sendo prejudicada há mais de 15 anos pelo então presidente do Sindcomp, Sindicato dos Trabalhadores da Madeira, o senhor Antonio Oto Beuter.

Essa pessoa causava até a sexta-feira última, quando seu grupo foi derrotado nas eleições sindicais, um prejuízo mensal aos trabalhadores estimado em cerca de R$ 300 mil.

Fazendo as contas, a gente constata que, em um ano, mais de R$ 4 milhões, que deveriam ir para o bolso do trabalhador, engordavam o lucro dos patrões que agiam em conluio com o ex-presidente do Sindicato da Madeira de Imbituva.

Há cerca de 10 aos, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Paraná, Fetraconspar, começou a receber denúncias da prática lesiva adotada pelo ex-presidente do Sindcomp.

Se não bastasse o prejuízo financeiro, os cerca de três mil trabalhadores ainda eram obrigados a trabalhar sem equipamentos de proteção individual, sem segurança alguma e sem uniforme.

Ciente dos problemas, a Fetraconspar passou a denunciar publicamente o pelego para tentar modificar sua prática sindical que só interessava aos maus patrões, que não são todos, de Imbituva.

Há seis anos atrás, a Federação publicou e distribuiu naquela cidade um jornal que deixava bem claro que estava sabendo o que se passava em Imbituva, estava acompanhando o mau trabalho realizado pelo Oto e que, na primeira oportunidade, iria articular uma oposição.

O problema é que ele publicava os editais de convocação das eleições em jornais que não circulavam na cidade. Desta forma, ficava difícil rastrear as tramóias eleitorais que o mantinham no poder.

Em dezembro do ano passado, a Fetraconspar tomou conhecimento de uma eleição fraudulenta realizada pelo Oto e acionou o Ministério Público do Trabalho que, imediatamente, cancelou o pleito, impediu sua posse e o obrigou a reiniciar o processo eleitoral e agisse de forma pública e transparente.

Foi o que bastou para que a Federação conseguisse articular uma chapa de oposição. Jornais foram editados e distribuídos, não só nas fábricas, mas, também, a toda a população imbituvense.

Desta forma, não só os trabalhadores se mobilizaram, mas toda a cidade participou do processo eleitoral que se referia, contando os operários e seus familiares, a cerca de 12 mil pessoas de um universo de 28 mil habitantes.

Durante a campanha eleitoral, não faltaram tentativas do Oto de intimidar membros da chapa de oposição e dos sindicalistas de 38 entidades filiadas à Fetraconspar, que se deslocaram àquela cidade com o objetivo de resgatar a dignidade do trabalhador da madeira.

Apesar de todas as dificuldades, do receio de agressões e, até, de assassinatos, como ocorreu com o companheiro Oscar Fanchini, no dia 24, sexta-feira última, os trabalhadores foram às urnas e elegeram a Chapa 2, Renovação, para um mandato de quatro anos na direção do Sindcomp.

O resultado eleitoral, não deixa dúvidas de que o tempo do pelego Oto tinha terminado. Dos mil trabalhadores que votaram, 618 cravaram Chapa 2 na cédula. Assim, terminou a eleição, ou melhor, a batalha travada em Imbituva entre o sindicalismo do Século 21, que defende o trabalhador com unhas e dentes, e o peleguismo, que deve ser, definitivamente, banido do ambiente de trabalho brasileiro.

(*) Este texto foi lido ao final do Programa Sua Vez, Sua Voz – Jornal Falado do Sintracom-Londrina – edição do dia 26 de abril. O programa vai ao ar todos os domingos das 9 às 10 horas, na Rádio Brasil Sul AM 1290 – www.radiobrasilsul.com.br.

 


Sobre deuses e humanos em Imbituva
Mario Fragoso
Jornalista

A sexta-feira amanheceu cinzenta. Uma névoa úmida e fria cobria Imbituva. O primeiro despertar fora antes das 4 horas. Um dirigente sindical, viera apanhar uns panfletos de última hora que seriam usados na boca de urna. No chão, num improvisado colchão feito de cobertores sobrepostos, um sindicalista dormia a sono solto. Roncava quase tão alto quanto o outro militante, que tinha na cama ao lado o sono de anjo de um negro, legítimo representante da porção africana componente da raça brasileira.

O quarto 107 do Hotel Estrela, minutos depois foi tomado pelo burburinho de combatentes que pulavam da cama, meia hora antes que o despertador do telefone celular os despertasse. Estavam tomados pela ansiedade da batalha que se avizinhava. Ansiedade que se justificava pela tarefa que iriam cumprir durante a sexta-feira do dia 24 de abril de 2009. Um dia que, tempos depois, dependendo do resultado da refrega eleitoral, poderia servir de tema para registros históricos analíticos e prospecções sociológicas sobre o sindicalismo paranaense.

Do outro lado da trincheira, o grupo liderado por um ex-empresário falido em duas cidades do interior do Paraná, que se apossara do Sindicato dos Trabalhadores da Madeira de Imbituva havia mais de 15 anos. Na imaginária terra de ninguém da guerra declarada seis anos antes pela Fetraconspar (1), humildes trabalhadores que geravam aos patrões, por obra e graça do pelego Antonio Oto Beuter, o fabuloso lucro extra anual na casa dos R$ 4 milhões, fruto dos R$ 100 a menos do que recebiam os trabalhadores da categoria nas demais 398 cidades paranaenses.

Duas horas antes que o dia amanhecesse, sindicalistas de entidades de todas as regiões do Paraná, se agasalharam com pesadas blusas, mais o calor da solidariedade sindical e trabalhista, e foram para as portas das fábricas fazer a última panfletagem antes que as urnas, com o aval da Justiça, circulassem pelos locais de trabalho, contrariando o desejo do pelego de dificultar o processo de coleta de votos. Ninguém tomou café da manhã, mas isso não fazia a menor diferença.

A fome de justiça era maior do que o desejo biológico de se alimentar. De repor as energias consumidas nas andanças dos dias anteriores na distribuição do Jornal da Chapa 2 - Renovação, das noites mal dormidas e da preocupação de que, a qualquer momento, alguém fosse agredido pelas ruas de Imbituva. De que alguém fosse assassinado como ocorrera alguns anos antes com um militante petista que tentara mobilizar trabalhadores imbituvenses para confrontar o pacto diabólico entre patrões e os pelegos do Sindcomp.

Quando o dia começou a clarear, apesar do frio e da água que descia dos céus de forma quase invisível, os madrugadores começaram a retornar ao CN “Centro Nervoso” da oposição sindical. No estacionamento do Hotel, que virou quartel na semana que antecedeu a eleição que iria virar a página da corrupção e da injustiça que predominava no setor da madeira de Imbituva, canários da terra, democraticamente, circulavam pelo local ao lado de pardais, em busca de alimento. Sem saber, as aves de diferentes espécies mostravam aos humanos ao redor que a coexistência pacífica é, sim, possível.

A adrenalina começou a subir. A batalha da conquista do voto, tantas vezes escamoteada pelos pelegos, ia, finalmente, começar. Sexta-feira. Em inglês, Friday, dia da deusa Vênus, do amor e da beleza. Seria do amor fraternal, pregado por todas as religiões modernas, dos irmãos trabalhadores de todo o Estado do Paraná pelos espoliados operários e operárias do setor madeireiro de Imbituva? Seria da beleza da conquista, por tantos anos adiada, da democracia e do fim da exploração do homem pelo homem naquele pedaço dos Campos Gerais?

Na quarta-feira, quando o batalhão de sindicalistas saíra às ruas para distribuir o último jornal de campanha da Chapa 2, chovera o dia inteiro. Mas a água fria que descia dos céus e devolvia a esperança aos agricultores, até então temerosos com o destino da safra de milho que ansiava pela irrigação vinda do alto, não conseguiu arrefecer o ânimo da tropa. Pelo contrário, ativou a circulação sanguínea e fez com que, apesar do sono acumulado pelas longas viagens e o cansaço das andanças em meio à chuva, todos custaram a dormir naquela madrugada.

Quarta-feira. Em inglês, Wednesday, dia dedicado a Mercúrio, o deus mensageiro, do comércio e da eloquência. Portanto, dia mais do que apropriado para a população imbituvense e, principalmente, os trabalhadores da madeira da cidade, serem bombardeados, por todos os lados, com a mensagem da mudança proposta pela Chapa 2 – Renovação. Renovação de dirigentes e, sobretudo, renovação na atitude do sindicalismo local. Contra o velho, na idade e na prática, Oto; o jovem, em anos vividos e em compromissos, Cornélio, um operário.

Na quinta-feira, véspera da batalha, como é normal acontecer nas trincheiras de todas as guerras, desde o tempo em que os confrontos eram decididos a pauladas e pedradas, o despertar se deu de forma natural. Apenas um que outro precisou do ruído do despertador para acordar. Ainda havia fábricas a visitar. Jornais a distribuir. Conversas a serem entabuladas do lado de fora dos portões das empresas; pois, tudo o que pelegos e patrões habituados ao lucro fácil e inescrupuloso não queriam era o contato dos trabalhadores com os sindicalistas.

Quinta-feira. Em inglês, Thursday, o dia de Thor, o deus do trovão na mitologia nórdica. Trovão que, na tradição dos Orixás, que chegou ao Brasil nos porões dos navios negreiros, representa Xangô, a divindade da justiça com seu machado de pedra, idêntico à ferramenta de Thor. Coincidências arquetípicas que podem ser exploradas à luz da teoria do Inconsciente Coletivo formulada por Carl Jung. A quinta-feira seria o último dia em que o peleguismo e a exploração andariam de mãos dadas pelas ruas e fábricas de Imbituva.

Rompidas as teias de aranha das tramóias urdidas pelo opressor advogado Oto, que sonhava perpetuar-se na engorda de seu patrimônio econômico e financeiro à custa do suor e da saúde do trabalhador, as urnas foram para as fábricas famintas de votos. Ávidas em cumprir a tarefa de depositárias dos sonhos e das esperanças dos cerca de três mil operários e operárias da madeira de Imbituva. Alea jact est. Sim, a sorte fora lançada e, quando o a Terra completasse seu movimento de rotação em torno do Sol, a noite seria o prenúncio de um novo tempo na cidade.

Por volta das 16 horas, o comandante em chefe da tropa sindical, deu uma rápida passada pelo CN. Trazia boas novas. Ainda melhores do que as do dia anterior, quando conseguira a liminar na Justiça que garantiu a itinerância das urnas. Naquele meio de tarde, tranqüilo como devem ser os dias imbituvenses, anunciou que, faltando uma hora para encerrar a coleta de votos, quase mil associados do Sindcomp tinham exercido o sagrado e inalienável direito de decidirem o futuro.

O quorum, a mais doce palavra que podia ser proferida naquele momento, fora atingido e com sobras. Daí em diante, o frio na barriga passou a ser provocado pelo resultado da votação. A apuração dos votos seria iniciada imediatamente após o fechamento das urnas. A Justiça fora clamada por muitas vozes, gritadas a partir de todos os rincões do Paraná. O trabalho fora executado a muitas mãos. Por trabalhadores da construção, do mobiliário e de mais de uma dezena de profissionais que deixaram seus lares e afazeres para lutar por Justiça. E Justiça se fez.

A noite de sexta-feira, serviu como prévia do sábado início de um novo , tempo para o trabalhador da madeira de Imbituva. Em inglês, Saturday, o dia de Saturno, deus que na mitologia grega era denominado Cronos, o senhor do tempo. Expulso do céu por seu filho Júpiter, refugiou-se no Lácio, atual Itália, onde exerceu a soberania e fez reinar a idade do ouro, cheia de paz e abundância, tendo ensinado aos homens a agricultura. No Lácio, criou uma família e uma conduta novas. Oxalá, o sábado seguinte à eleição deflagre um tempo de paz, de justiça e de prosperida em Imbituva.

Exército do Sindicalismo Autêntico
Comandante em Chefe – Sindicalistas comprometidos com os trabalhadores.