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| Índice
de Notícias |
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29/08/2006
- Justiça eleitoral rejeita 1.535 candidaturas
em todo o país
29/08/2006
- Cristovam Buarque admite não ter chances
de ganhar
28/08/2006
- Revista Isto É/Eleições 2006:
A Política e a Religião
28/08/2006
- Revista Isto É/Eleições 2006:
Convênios da Reeleição
28/08/2006
- Revista Isto É/Eleições 2006:
Do Palácio ao Parlamento 28/08/2006
- Revista Isto É/Eleições 2006:
A Riqueza dos Políticos
28/08/2006
- Revista Isto É/Eleições 2006:
Em tempos de Requião
28/08/2006
- Pastores estariam ganhando dnheiro para pedir
votos
28/08/2006
- Programas de governo de Lula e Alckmin são
semelhantes
28/08/2006
- Campanha: Propostas iguais
28/08/2006
- Heloísa Helena resgata propostas radicais
do PT
28/08/2006
- Lula consolida vantagem com horário eleitoral,
diz Ibope
27/08/2006
- 18% do eleitorado pretende anular voto para deputado
26/08/2006
- Heloísa afirma ser a única capaz
de derrotar Lula
25/08/2006
- TRE impugna candidatura de borba
25/08/2006
- Lula agora fala em reduzir juros e impostos
24/08/2006
- Requião sobe a 43%; Osmar, a 26%
24/08/2006
- Alckmin diz que adiantar 13.º salário
“é eleitoreiro”
24/08/2006
- Heloísa decide atacar Alckmin na televisão
23/08/2006
- No Datafolha, Lula sobe após início
de propaganda
23/08/2006
- Só um candidato apresentou plano de governo
23/08/2006
- Central ligada a tucanos decide apoiar candidato
petista
23/08/2006
- Lula de novo, sem casa para o povo
22/08/2006
- Lula muda agenda para tentar "salvar"
PT
21/08/2006
- Internet ajuda eleitor a fiscalizar e escolher
em quem votar
21/08/2006
- Brasil tem 11,5 milhões de filiados a partidos
20/08/2006
- Lula já pensa como eleito e quer menos
PT no 2º governo
19/08/2006
- Ibope mostra quadro estável, com vitória
de Lula no 1º turno
18/08/2006
- Tribunal arquiva processos contra Lula
18/08/2006
- PMDB aposta nas urnas para exigir mais cargos
de Lula
18/08/2006
- TSE condena Lula a pagar R$ 900 mil
18/08/2006
- Na TV, Alckmin pulveriza ataques a Lula
17/08/2006
- Propaganda de Lula sem menção ao
PT incomoda partido, que teme perder votos
16/08/2006
- Lula e Alckmin estréiam na TV com fórmulas
parecidas
16/08/2006
- Partidos possuem 11,6 milhões de filiados;
maioria está no PMDB
15/08/2006
- Minirreforma reduz poluição visual
em época de campanha
15/08/2006
- Eleição vai adiar horário
de verão deste ano para novembro
15/08/2006
- Emissoras não deveriam receber pelo horário
eleitoral, defende especialista
14/08/2006
- Revista Isto É/Eleições 2006:
O Dinheiro sumiu
13/08/2006
- 47% do eleitorado diz ter posição
política de direita
12/08/2006
- Paraná/Eleições 2006: Desiludido?
Tome Généreux
11/08/2006
- Ibope confirma queda de Alckmin e avanço
de Lula
11/08/2006
- Sindicatos rurais com Osmar
11/08/2006
- Partidos buscam apoio junto aos trabalhadores
10/08/2006
- Serra vence no primeiro turno, mostra Datafolha
10/08/2006
– Para analistas, candidatura de Lula parece
imbatível
10/08/2006
- Eleições 2006: Cabral vai a 42%
e pode vencer no 1º turno no Rio
09/08/2006
- TRE anula coligação PSDB–PMDB
09/08/2006
- Recurso contra decisão divide peemedebistas
09/08/2006
- Hermas pode assumir o governo até dezembro
09/08/2006
- Pesquisa mostra queda de Alckmin
08/08/2006
- Requião tem mais votos na RMC
08/08/2006
- Satisfação: Para 50%, governo é
bom ou ótimo
08/08/2006
- Em São Paulo, 47% das candidaturas são
impugnadas
07/08/2006
- Ibope mostra Requião com 39%; Osmar tem
24%
07/08/2006
- Alvaro Dias tem 54% das intenções
de voto
07/08/2006
- Lula está 7 pontos à frente de Alckmin
07/08/2006
- Lula gasta mais que o dobro do que Alckmin no
1º mês
04/08/2006
- PMDB é o partido com mais candidatos; PT
vem em 3º
03/08/2006
- Comissão do Senado aprova fim da reeleição
a partir de 2010
03/08/2006
- Presidente do TSE elogia aprovação
02/08/2006
- Requião e Osmar empatam em Ponta Grossa
02/08/2006
- PT testará discurso ético de Lula
antes de colocá-lo na TV
02/08/2006
- Heloísa Helena será a primeira a
aparecer no horário gratuito
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Folha de São Paulo,
31 de agosto de 2006
VINICIUS TORRES FREIRE
O FGTS e os fundos de Lula 2006
Governo planeja aumentar investimento com dinheiro
do Fundo; problema é quem controla o risco do negócio
O DINHEIRO do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é
barato. Relativamente barato para quem consegue um empréstimo
via FGTS. Caro para quem tem fundos trancados lá, corrigidos
à taxa de 3% mais TR (uns 2%). Por lei, o FGTS financia basicamente
habitação popular e saneamento. Desde junho, o governo
pensa em dirigir parte do Fundo para investimentos em ferrovias, estradas,
portos, aeroportos e energia elétrica. Anteontem, obteve um aval
simbólico do conselho curador do FGTS para um projeto de lei
que muda a destinação de parte dos recursos "livres"
para investimento do Fundo, cerca de R$ 21 bilhões. O programa
de governo de Lula menciona a criação de "fundos
setoriais" para bancar infra-estrutura e investimentos em indústrias
de longa maturação.
Se os fundos do FGTS financiam gente
pobre, o subsídio implícito é compreensível.
De outro modo, os empréstimos via Fundo teriam de render mais
para os trabalhadores, com garantia de risco ao menos semelhante à
dos empréstimos para casas e esgoto. O plano do governo Lula
é permitir que os trabalhadores virem cotistas de fundos de investimento
em negócios de infra-estrutura. Outra parte do dinheiro financiaria
30% dos empreendimentos. Motivo: os investimentos públicos estão
à míngua por causa do aumento de gastos, da lei fiscal
e do superávit primário. O FGTS seria uma alternativa
atraente para investimentos: não exigiria mais controle de despesas.
No caso de eventuais perdas, a conta
não cairia no Tesouro, mas na dos trabalhadores e de seu Fundo
de Garantia. Nos anos 80 e 90, empréstimos com dinheiro do FGTS
acabaram em calotes monstruosos, bancados pelo Tesouro. Subsidiaram
compra de casas pelo Sistema Financeiro da Habitação.
Estados e municípios tomaram recursos via FGTS. O calote, em
valores de 2001, foi de R$ 34 bilhões. Mas a polêmica não
pára aí.
Os representantes da Confederação
Nacional do Comércio e da Confederação Nacional
da Indústria (CNI) votaram contra a inovação do
governo no conselho curador (tripartite, composto de oito membros do
governo, quatro de associações empresariais e quatro de
centrais sindicais). Motivo: riscos financeiros e desvio de finalidade.
O representante da CNI vem sempre da construção civil.
Agora é Roberto Kaufmann, presidente do sindicato da indústria
da construção do Rio. Kaufmann diz que as garantias de
investimentos em infra-estrutura são menores que as das obras
em habitação, as quais de resto, seriam socialmente prioritárias.
O dinheiro do Fundo para crédito
imobiliário está dobrando este ano, para R$ 10 bilhões.
Foram de R$ 5 bilhões em 2005. A indústria da construção
civil está contente, mas quer R$ 15 bilhões anuais e que
a maior parte vá para obras novas, não para imóveis
usados e material de construção. Sobraria pouco para os
fundos de infra-estrutura de Lula. O problema é: quem banca e
controla o risco? A parte do FGTS que seria utilizada para o investimento
não compromete o dinheiro devido aos trabalhadores. Mas, se uma
ferrovia for à breca, como o foram algumas privatizadas? Vai
haver socialização de prejuízos?
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Diário Vermelho, 31 de agosto de 2006
Novas pesquisas causam pico de desânimo
na campanha de Alckmin
A campanha do médico Geraldo Alckmin à Presidência
da República atingiu um quadro clínico de desânimo
generalizado entre os aliados. As duas pesquisas divulgadas na terça-feira
(29) mostraram o candidato praticamente imóvel nas intenções
de voto e provocaram uma apatia sintomática na cúpula
de PFL e PSDB.
Sondagens do Datafolha e do Instituto Sensus apontaram um cenário
sem grandes alterações. Em ambos, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva ganharia a disputa no primeiro turno, já com 50
por cento dos votos. O plenário do Senado, um dos termômetros
para avaliar o ânimo da campanha nesta eleição,
mediu a frustração de parlamentares da oposição
ao longo do dia de ontem.
O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), incomodado
com o tom ameno de seu candidato, extrapolou nos ataques ao petista
e fez, da tribuna, o que disse esperar que Alckmin fizesse: dizer que
''o lugar de Lula era na cadeia''. ''Fiz o meu discurso mais duro hoje'',
disse ele sorrindo. ''Era assim que o Alckmin devia tratar'', completou.
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), lamentou o crescimento
dos beneficiários do Bolsa Família às vésperas
das eleições, revelando a dificuldade de superar um adversário
que tem a ''máquina para conquistar votos''.
''Não existe paixão. Ao contrário, é uma
frieza total essa campanha. Não existe entusiasmo, dos dois lados.
A única coisa que me dá ânimo é que não
existe paixão pelo Lula'', desabafou o senador à imprensa.
À tarde, Jereissati tomava um café na companhia de jornalistas
quando ACM chegou. Convidado a juntar-se ao grupo, o senador baiano
começou a disparar, bem-humorado. ''Estou aqui falando na frente
dos jornalistas, como o melhor amigo que você tem aqui no Senado,
para dizer que Alckmin não empolgou porque não atacou'',
disse ACM ao dirigente tucano, falando no tempo pretérito, como
se a eleição já tivesse terminado.
''Eu não mando no programa (de TV)'', respondeu Tasso, visivelmente
constrangido. O diálogo, sempre esboçado com sorrisos
de canto de boca, refletiu, em público, a insatisfação
interna. O líder do PSDB prometeu um programa eleitoral mais
incisivo a partir da segunda quinzena de setembro. ACM reagiu com ironia:
''Aí dá tempo para virar''. Nos bastidores do Congresso,
as avaliações projetavam um prognóstico negativo,
mas ainda mantido em sigilo.
''O paciente está na UTI, e não dá sinais de que
quer sobreviver'', disse um deputado do PFL, ligado à cúpula
da campanha. Mesmo com o desânimo, aliados prometem não
abandonar o barco, mas suas declarações revelam que a
virada do candidato está condicionada a uma surpresa ou à
mudança de estratégia que Alckmin e seus auxiliares diretos
resistem em adotar.
''Acho que já tivemos surpresas em outras eleições.
Não há porque abandonarmos a luta. Temos um mês
para, quem sabe, mudar a estratégia, o discurso e a postura'',
afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos membros do conselho
político de Alckmin.
Lembo: Lula vai ganhar no primeiro turno
Outro integrante do PFL, o governador de São Paulo, Cláudio
Lembo, também lamentou a baixa performance de Alckmin, mas ao
contrário de seu desafeto, o senador ACM, Lembo elogiou o presidente
Lula. Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, o governador
reafirmou sua convicção na vitória do presidente
Lula e condenou as declarações do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, que pediu, na última terça-feira, que
Alckmin baixasse o nível da campanha.
“Ele (FHC) atrapalha o Alckmin. Democracia não se faz com
agressividade”, disse Lembo. O governador disse também
que não concorda com a declaração de FHC de que
o marqueteiro de Alckmin precisaria “pôr fogo no palheiro”.
“Não precisa por fogo em nada”, completou o governador
na entrevista ao jornalista do site Conversa Afiada.
Além disso, Lembo, que foi vice-governador de Alckmin, durante
três anos e meio, afirmou que Lula deve vencer as eleições
no primeiro turno. “As pesquisas mostram que o presidente está
em uma situação privilegiada. Eu já havia dito
que se não houver nenhum fato novo ele vence no primeiro turno
e como até agora não houve o fato novo ele deve ser reeleito
no dia primeiro de outubro”, disse Lembo. Segundo o governador,
Lula tem raízes populares “e uma história épica,
muito bonita”.
Cientista político critica mudança de tática
O comportamento de FHC também foi criticado pelo cientista político
Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação
Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). Segundo ele, a mudança
de tom do PSDB na campanha eleitoral, deixando de lado a postura branda,
para atacar ao PT no campo da ética e da corrupção,
materializada na quinta-feira pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
quando propôs ao partido "botar fogo no palheiro" e
que foi acompanhada pelo candidato Geraldo Alckmin, demonstra "desespero".
"O ex-presidente Fernando Henrique foi extremamente agressivo e
não é possível dizer se isso trará algum
benefício para a candidatura Alckmin", disse Teixeira à
Agência Estado. "É o desespero, pois quando soltou
a frase, FHC já sabia dos resultados da pesquisa CNT/Sensus,
mais tarde corroborados pelo Datafolha", complementou o especialista,
ao citar os números que indicam a consolidação
da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva já no primeiro turno da eleição.
Na visão do cientista político, o ex-presidente prestou
um "desserviço eleitoral ao País", acrescentando
que o PSDB parece ter sucumbido à proposta do PFL de que Alckmin
só crescerá na preferência do eleitorado quando
passar a atacar as deficiências de Lula e sua administração.
"O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o prefeito
do Rio, César Maia (PFL) defendiam há algum tempo a linha
de ataques e agora parece haver uma pefelização das teses
da campanha", observou.
Teixeira desconfia dos resultados que a postura conflituosa poderá
trazer à campanha tucana. Isso porque, alertou, a tentativa de
trazer o tema da ética e da corrupção de volta
à campanha provoca uma "sensação coletiva",
a ser identificada no eleitorado, de "chover no molhado".
"Se o presidente Lula esteve imune aos ataques até agora,
inclusive no momento de artilharia mais pesada, quando se falou em impeachment,
o que levaria o eleitor a mudar de idéia agora, a um mês
do voto?", indagou. "A campanha eleitoral está pautada
pela discussão de nomes e não de propostas. Ora, se é
para discutir nome, o eleitorado tende a preferir aquele que melhor
lhe agrada e as pesquisas confirmam ser Lula", justificou, acrescentando
que é "assustadora a incapacidade da oposição
em ser propositiva até o momento".
Para ele, caminho mais promissor para o futuro do PSDB nas urnas seria
o de apresentar um programa de governo alternativo ao PT. "Primeiro,
devemos deixar bem claro que é obrigação dos oposicionistas
apresentarem um programa alternativo, já que o governo pode perfeitamente
manter o discurso do mais do mesmo e manter a linha administrativa adotada
nos últimos quatro anos", ponderou. "Depois, porque,
de fato, FHC é um ator sem influência nessa eleição.
Alckmin deveria se mostrar como um projeto diferente de Lula e FHC,
com propostas próprias, inovadoras e sem comparação
com os antecessores", opinou.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 30
de agosto de 2006 | Brasil
PESQUISA-Novos levantamentos mostram crescimento
de petista e tucano
Lula vence no 1.º turno, confirmam
pesquisas
São Paulo – Novas pesquisas
de intenção de voto Datafolha e CNT/Sensus confirmam que,
se as eleições fossem hoje, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva seria reeleito no primeiro turno.
No Datafolha, Lula passou de 49% para
50% da preferência do eleitorado. Em seguida, aparece o candidato
do PSDB, Geraldo Alckmin, cuja taxa de intenção de voto
oscilou de 25% para 27%. A candidata do PSol, Heloísa Helena,
caiu de 11% para 10%.Num eventual segundo turno, segundo o Datafolha,
Lula venceria com 55% das intenções de voto contra 37%
de Alckmin. Na pesquisa anterior, Lula tinha 55% das intenções
de voto de um possível segundo turno contra 36% do tucano.
O levantamento CNT/Sensus mostra Lula
com uma vantagem de mais de 30 pontos porcentuais em relação
a seu principal adversário, o tucano Geraldo Alckmin. Se as eleições
fossem hoje, Lula seria reeleito no primeiro turno com 51,4% das intenções
de votos (62,3% dos votos válidos). Alckmin teria 19,6% (23,8%
dos votos válidos), Heloísa Helena 8,6% e Cristovam Buarque
1,6%.
“O presidente Lula tem hoje em
votos válidos porcentual equivalente ao que tinha no segundo
turno de 2002 (61,3%). O Alckmin tem hoje em votos válidos percentual
equivalente ao que teve José Serra no primeiro turno de 2002
(23,2%)”, disse o cientista político Ricardo Guedes, do
Sensus, ao apresentar o resultado da pesquisa. Lula também venceria
em caso de segundo turno (veja quadro ao lado).
Regiões
O presidente Lula, segundo a pesquisa
CNT/Sensus, lidera as intenções de voto em todas as regiões,
com destaque para seu desempenho no Nordeste, onde tem 71,4% contra
9,6% de Alckmin, e no Sudeste onde Lula tem o dobro do tucano: 44,4%
contra 22,7%. Na Região Sul, o placar é 34,8% contra 26,4%
em favor do petista, e nas regiões Norte e Centro-Oeste a vantagem
é de 49,8% contra 23,2%.
No Datafolha, a rejeição
ao nome de Lula, que vinha em queda, desde julho, passou de 26% para
27%. A rejeição a Heloísa Helena mantém
tendência de alta: de 24% para 26%. Alckmin se manteve em 24%.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 30
de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Alckmin vai aumentar ataques ao presidente
São Paulo – O comitê
de campanha do PSDB-PFL pretende aumentar de forma gradual, ao longo
de setembro, o nível de críticas ao governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que seria reeleito hoje, segundo
as últimas pesquisas de intenção de voto. A “primeira
fase” do horário eleitoral teria se encerrado em outubro
– com a apresentação do candidato Geraldo Alckmin
– e começaria uma “segunda fase”: a etapa das
críticas.
Integrantes da campanha tucana comparam
a evolução do horário eleitoral a uma “rampa”,
mas com “cautela”. O comitê ainda não revelou
se pretende utilizar imagens dos escândalos ocorridos nos últimos
anos no horário eleitoral tucano.
O líder do PFL na Câmara,
Rodrigo Maia (RJ), defendeu o uso de propaganda negativa para tentar
reduzir o que chama de “gordura” de intenção
de voto no presidente Lula indicada nas pesquisas. O pefelista verifica
uma distância entre os índices de preferência eleitoral
e de aprovação do governo.
“Se você não mostrar
porque o governante atual tem que sair, ele não sai. Isso tem
quer ser uma agenda do candidato adversário”, afirmou.
Utilizando números de pesquisa
realizada pela campanha no Rio de Janeiro, o deputado afirma que, no
estado, aumentou a intenção de voto em Alckmin e na candidata
do PSol, Heloísa Helena, entre os que viram os programas do horário
eleitoral.
O candidato à reeleição
ao governo de Minas Gerais, Aécio Neves, disse acreditar na possibilidade
de haver segundo turno.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de agosto de 2006 | Brasil
GOVERNADORES-Levantamento mostra as chances
de cada partido
PMDB é favorito para o governo
de 9 estados
Curitiba – O PMDB lidera as eleições para governador
em nove estados. O segundo lugar no ranking é do PSDB, favorito
em seis, seguido do PFL, provável vencedor em quatro unidades
da federação. O PT está em quarto lugar, na frente
em três estados, seguido do PPS e do PSB, líderes em dois,
e o PTB, em apenas um.
Se o quadro permanecer como está,
o PMDB terá o comando em mais dois estados em comparação
aos sete que governa hoje. E, mesmo sendo a maior bancada de um Congresso
desmoralizado com as crises de corrupção descobertas na
metade do ano passado, o partido deve ser de novo a maioria em 2007
graças à sua força política nas regiões.
“Os governadores são peças importantes no jogo político
brasileiro e, muitas vezes, têm capacidade de influenciar a bancada
respectiva do seu estado no Congresso”, lembra Maria D’alva
Kinzo, professora do departamento de ciência política da
Universidade de São Paulo (USP). “O PMDB é um partido
regional. Se por um lado não tem lideranças nacionais
capazes de conseguir fazer um presidente nacional, criou uma capilaridade
que favorece esse cenário”, continua.
Isso indica que o próximo presidente
não poderá dispensar a participação do PMDB
no governo para ter sustentação no jogo político.
“O PT, porque perdeu força política com a corrupção
da base aliada, terá de contar com a oposição.
O presidente Lula está preparado com o que ele chama de proposta
de governabilidade”, diz Roberto Romano, professor de Ética
Política da Universidade de Campinas (Unicamp). “E o PMDB,
se mantiver o prognóstico das pesquisas, é quem vai mandar
e essa proposta de governabilidade passará pela repartição
de cargos em ministérios, companhias estatais e outros cargos
de comissão”, lembra.
Lulismo
Levantamento publicado no site Congresso
em Foco, demonstrou que, enquanto o PT deverá vencer a eleição
em três estados (Acre, Piauí e Sergipe), o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, se reeleito, terá apoio em pelo
menos outras sete unidades da federação. Isso reforça
a tese de que o carisma do PT está ofuscado com os escândalos
de corrupção, enquanto o presidente é absolvido
pelo povo.
Entre os aliados políticos e prováveis
vencedores das eleições em outubro estão o governador
paranaense Roberto Requião (PMDB); Sérgio Cabral Filho
(PMDB), no Rio de Janeiro; Maguito Vilela (PMDB), em Goiás; Roseana
Sarney (PFL), no Maranhão; Paulo Hartung (PMDB), no Espírito
Santo; Eduardo Braga (PMDB), no Amazonas; João Lyra (PTB), em
Alagoas.
Outros candidatos, mesmo na oposição,
na prática não presentam esse perfil: Germano Rigotto
(PMDB-RS), Blairo Maggi (PPS-MT), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
e Siqueira Campos (PSDB-TO).
Os favoritos
Apenas cinco candidatos estão
na marca de 60% ou acima nas intenções de voto nos estados
e devem vencer as eleições no primeiro turnos: Aécio
Neves (PSDB), com 71% em Minas Gerais; Paulo Hartung (PMDB), com 65%
no Espírito Santo; Roseana Sarney, com 63% no Maranhão;
André Puccinelli (PMDB), com 62% no Mato Grosso do Sul e Blairo
Maggi (PPS), com 60% no Mato Grosso.
Denise Drechsel
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006
Justiça eleitoral rejeita
1.535 candidaturas em todo o país
Brasília – Mais de 1.500 candidaturas foram indeferidas
nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do país, segundo dados
divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De um total de 20.705
solicitações de candidaturas, 7,4%, ou 1.535 candidatos,
tiveram seus registros indeferidos.
Os dados mostram ainda que entre o requerimento
de registro e o julgamento do pedido, oito candidatos faleceram e 791
renunciaram.
Segundo o TSE, 754 candidatos e o Ministério
Público já protocolaram recursos tanto contra o indeferimento,
como contra o deferimento das candidaturas.
O levantamento destaca que, dos que renunciaram,
465 eram candidatos a deputado estadual, 234 a deputado federal, 30
a segundo suplente de senador, 18 a primeiro suplente a senador, 14
a vice-governador, 13 a deputado distrital e 10 a senador.
Os estados com os maiores números
de candidaturas impugnadas até o momento são São
Paulo (449), Minas Gerais (121) e Maranhão (99). Já os
menores números de impugnações foram verificados
na Paraíba (11), em Roraima (11), Alagoas (15), Santa Catarina
(17),e Mato Grosso (18) .
No Paraná foram pedidos 919 registros
de candidaturas. Destes, 28 foram impugnados.
O TSE tem prazo até o dia 20 de
setembro para julgar todos os recursos contra indeferimento e contra
o deferimento de candidaturas.
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Folha de São Paulo,
29 de agosto de 2006
PRESIDÊNCIA 1
Cristovam Buarque admite não ter
chances de ganhar
DA SUCURSAL DO RIO
Cristovam Buarque, candidato do PDT à
Presidência da República, admitiu ontem, no Rio, que praticamente
não tem chances de chegar ao segundo turno e vencer as eleições.
Ele disse ser um "guerrilheiro", que marca posição
por uma boa causa, a educação, mas reconhece estar frustrado
por não passar de 1% nas intenções de voto. Ele
fez a afirmação durante sabatina no jornal "O Globo",
contrariando recomendação de assessores e reconhecendo
que pode perder mais votos ao falar nisso.
"Podem até morrer todos os
outros [em tom de brincadeira, e ri]. Sou guerrilheiro, não é
só para ganhar, é para marcar posição. O
cara com 1% falar em ganhar é mentira", disse, lembrando
que já é senador e continua com mandato, se perder. "Sou
vitorioso, por ter dois minutos diários para falar em educação
é uma vitória não eleitoral, mas política."
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REVISTA ISTO É, 28
de agosto de 2006
O pastor: enquanto perde apoio de católicos
progressistas, Lula avança no rebanho evangélico
Eleições 2006
A Política e a Religião
Mais de 100 milhões de brasileiros afirmam
ser religiosos. O voto deles pode levar um candidato do paraíso
da vitória ao purgatório do fracasso
Por Chico Silva
Fé e política, eleição e religião.
No Brasil, esses elementos sempre tiveram uma ligação
umbilical. O País tem 100 milhões de pessoas adultas que
se declaram praticantes de algum tipo de religião. Ignorar esse
contingente é dar as costas ao voto. Cometer deslizes pode ser
fatal. A história recente conta casos de candidatos favoritos
que perderam disputas por terem se declarado agnósticos ou, suprema
heresia, ateus. Até uma simples vacilação no momento
de professar a própria fé traz conseqüências
nas urnas. Não é diferente agora. Em cima dos púlpitos,
à sombra da cruz ou com o terço nas mãos, os candidatos
têm procurado os templos e os líderes religiosos para buscar
apoios e deixar claro que, sim, são crentes. Líder nas
pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se mostrado
o mais ecumênico dos concorrentes. Católico que se diz
fervoroso, mas, também, um frio estrategista, ele vai estendendo
as mãos para todos os grupos religiosos, sobretudo os evangélicos,
cuja tradição no controle dos votos de seu rebanho se
amplia a cada eleição. Nos próximos dias, Lula
vai divulgar uma carta aos evangélicos, em que pedirá
orações e, diretamente, votos. Além disso, sua
equipe de campanha irá criar comitês especiais para esses
religiosos. Acredita-se entre os petistas que o voto religioso pode
ser o diferencial para a realização ou não de um
segundo turno eleitoral. A preocupação é antiga.
O primeiro passo na peregrinação do candidato à
reeleição rumo aos evangélicos foi o acordo do
PT com o PRB, partido do vice-presidente José Alencar e de influentes
lideranças de igrejas pentecostais. O mais forte aliado de Lula
nessa cruzada é o senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal
do Reino de Deus, e candidato a governador do Rio de Janeiro. Pesquisas
recentes apontam que Lula tem mais de 40% dos votos dos pentecostais,
a fatia mais numerosa dos evangélicos, e está empatado
com Geraldo Alckmin, do PSDB, entre os não-pentecostais.
No périplo para diminuir a distância nas pesquisas, Alckmin
tenta descolar sua imagem da conservadora Opus Dei, uma das correntes
mais fechadas do catolicismo. Fundada no início do século
passado pelo padre espanhol Josemaria Escrivá, a ordem ficou
famosa pela rigidez e pela aversão aos avanços propostos
por alas mais progressistas da Igreja. Alckmin nega fazer parte dos
seus quadros. Incomodado com a associação, o tucano sai
em busca de apoio de outras crenças. Recentemente esteve na Comunidade
da Graça, uma igreja evangélica que nasceu na periferia
de São Paulo e se espalhou pelos quatro cantos do País.
Seu colega de partido e candidato ao governo de São Paulo, José
Serra, foi mais longe ainda. A pedido de um pastor, chegou a ajoelhar
no palco da Comunidade Paz e Vida, também em São Paulo.
Antagonismo: Alckmin tem a simpatia dos católicos conservadores.
Heloísa Helena atraiu a igreja, que pede mudança
Devota de São Francisco de Assis e ex-aluna de um colégio
de padres, Heloísa Helena ainda não visitou nenhuma igreja
nem líder religioso. Mas recebeu um importante reforço
em sua campanha. Desiludidos com os rumos e escândalos associados
ao PT, antigos militantes petistas ligados às alas progressistas
da Igreja Católica migraram para o palanque de HH. Um dos fundadores
da Pastoral Operária, Wagner Rossi está entre os que subiram
à arca do PSOL. Ex-filiado petista, o dirigente votará
em Heloísa Helena no primeiro turno e anulará o voto no
segundo, se houver. “O PT se afastou dos seus ideais. Tornou-se
um aliado do capital e das vaidades de seus líderes. Privilegiou
um projeto de poder em vez de um projeto de sociedade, fraterno e humano”,
ataca Rossi, que deixou o PT em 2004. O socialista católico Plínio
de Arruda Sampaio, um dos símbolos da aliança PT e Igreja,
também debandou. Hoje é candidato de Heloísa Helena
ao governo de São Paulo.
O professor e teólogo Fernando Altmeyer tem uma explicação
curiosa para o sucesso do presidente nesse grupo. “Eles votam
no Lula pelo carisma e por uma espécie de força messiânica
que ele tem. Ele mexe com a emoção das pessoas e isso
de alguma forma o aproxima desse eleitorado”, atesta Altmeyer.
Estratégias e táticas de aproximação à
parte, nenhum candidato pode garantir que carregará para as urnas
os votos maciços de católicos e evangélicos. Essa
é a avaliação do cientista político Cesar
Romero Jacob, da PUC do Rio de Janeiro. Ele é um dos autores
do estudo Religião e sociedade em capitais brasileiras, que mostrou
a perda de fiéis pela Igreja Católica na última
década e o conseqüente avanço dos pentecostais na
periferia das maiores regiões metropolitanas do País.
Agora, Jacob acompanha os movimentos dos candidatos para conquistar
esse voto religioso. “Dessa vez, o voto virá dividido”,
acredita Jacob. A Igreja Católica, personificada em sua militância
leiga (oficialmente, a Igreja não assume uma candidatura), deve
vir dividida entre Lula, Heloísa Helena e Geraldo Alckmin. Os
dois primeiros herdariam os votos progressistas e o último aqueles
vindos da ala mais conservadora. Oficialmente, a Igreja Católica
não manifesta apoio a candidatos ou partidos.
Porém, o bispado de Itaici, cidade do interior de São
Paulo que abriga a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,
está atento ao desenrolar dos acontecimentos políticos.
Em abril, a CNBB divulgou o documento “Eleições
2006 – Orientações”. Trata-se de um manual
de boa conduta eleitoral para partidos e candidatos envolvidos no pleito
de outubro. O livreto traz algumas estocadas no governo Lula. Em um
trecho diz: “O resultado das eleições de 2002 despertou
grandes expectativas de transformação social. Aos poucos,
o projeto de poder se sobrepõe à busca de um projeto de
nação socialmente mais justa.” Sem querer entrar
em polêmicas, o secretário-geral da entidade, dom Odílio
Pedro Scherer, traça o perfil do candidato ideal. Seria alguém
“honesto e reto, com uma história pessoal coerente com
os valores éticos, sobretudo o amor à verdade e à
justiça; defensor da dignidade da pessoa e do direito à
vida; é idealista e deseja sinceramente servir à sociedade,
sobretudo àquela parte da sociedade que mais tem necessidades
das atenções do setor público”. Esse candidato
seria Alckmin? Para o círculo mais fechado da CNBB, sim. Ali
o conservadorismo do tucano é visto com bons olhos e a aproximação
de Lula de igrejas como Universal do Reino de Deus é acompanhada
com desconfiança.
Católico, evangélico, budista ou islâmico, o certo
é que a cada eleição o voto religioso vem ganhando
mais importância. Em 1989, enquanto a Igreja Católica progressista
apoiava Lula, os pentecostais ajudaram a eleger Fernando Collor de Mello.
Em 1994 e 1998, isso se repetiu, com os pentecostais dessa vez apoiando
Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, pela primeira vez o voto evangélico
pôde ser comprovado com a candidatura de Anthony Garotinho à
Presidência. Recebeu 15 milhões de votos (17% dos votos
válidos), ficando em terceiro lugar no primeiro turno. Garotinho
teve mais votos em áreas da periferia de predominância
evangélica. Resta saber quem será o bem-aventurado que
subirá ao púlpito presidencial. Façam suas orações.
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REVISTA ISTO É, 28
de agosto de 2006
Bom para o MST: este ano, o governo repassou R$ 111 milhões a
entidades ligadas aos movimentos sociais
Dinheiro público: o pouco controle sobre o uso das verbas
mostra que muitas prestações de contas trazem inadimplência
antiga
Eleições 2006
Convênios da Reeleição
Governo injetou r$ 605 milhões em instituições
privadas ligadas aos movimentos sociais
Por Hugo Marques
O silêncio dos movimentos sociais nas vésperas da eleição
pode ser medido em números. Desde seu início, o governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva repassou R$ 605 milhões
do Ministério do Desenvolvimento Agrário para “instituições
privadas sem fins lucrativos”. Associações, cooperativas
e outras instituições ficaram responsáveis por
boa parte do investimento da verba oficial. Só no ano passado,
foram repassados R$ 280 milhões, que beneficiaram 535 instituições.
É um crescimento de 300% em relação às transferências
no último ano de Fernando Henrique Cardoso. ISTOÉ teve
acesso com exclusividade à lista completa de convênios
do Incra com instituições privadas. Alguns deles têm
duração até 2010, fim do próximo mandato
presidencial. Até sexta-feira 18, as instituições
privadas tinham recebido R$ 111 milhões do governo neste ano
eleitoral. Por trás da maior parte delas estão os movimentos
dos trabalhadores sem terra, como o MST, de João Pedro Stedile,
o MSLT, de Bruno Maranhão, e a Contag de Manoel José dos
Santos, engajados na campanha da reeleição do presidente
Lula. “O pessoal do MST vai votar no Lula”, diz o deputado
Adão Pretto, do PT gaúcho, um dos fundadores do MST.
Intriga entender como estão sendo usados, no detalhe, esses R$
605 milhões transferidos dos cofres públicos para entidades
privadas. Há autoridades que tentam descobrir – e acabam
chegando a casos de inadimplência, desvios e indícios de
fraude. Auditores do Ministério do Desenvolvimento Agrário
estão neste momento escarafunchando os repasses. Já descobriram
62 convênios inadimplentes assinados na gestão Lula. Destes,
34 foram fechados com associações e cooperativas de assentados.
A lista de problemas vai desde a não prestação
de contas até irregularidades na execução financeira.
É o caso de um dos convênios assinados com uma tal de Aspta
(sigla de Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa),
com sede na rua da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Tem
o objetivo de promover “mobilização social e desenvolvimento
agrícola sustentável, fortalecendo sinergias interinstitucionais
para a disseminação de experiências inovadoras voltadas
à conversão agroecológica de sistemas agrícolas”.
Deu para entender? Os auditores estão tentando. Foi o segundo
convênio inadimplente da associação com o governo.
“Estamos devolvendo dinheiro”, diz Jean Marc, filho de suíços
e coordenador dessa associação. Ele atribui a inadimplência
à alteração de procedimentos de prestação
de contas sugerida pelo Tribunal de Contas da União.
O TCU tem 15 processos contra as principais associações,
todas ligadas aos sem-terra, conhecidas pelas siglas de Anca, Concrab
e Anara. As duas primeiras são ligadas ao MST. A Anara é
do MLST e foi apontada como a associação que financiou
o quebra-quebra no Congresso, em julho. Sua sede nacional fica na cidade-satélite
do Guará, Distrito Federal. Quem está exercendo o cargo
de presidente da Anara é Edmilson de Oliveira Lima. Ele é
também da direção nacional do MLST. Ficou 34 dias
preso. Em dezembro, assinou convênio com o Incra no valor de R$
2,247 milhões. Equivalia na época a exatos US$ 1 milhão
de dólares. A Anara precisava entrar com a contrapartida de R$
224 mil (US$ 99,9 mil), mas está inadimplente desde 8 de junho.
Numa amostra de 100 convênios, os auditores concluíram
que os acordos são muito abrangentes, sem objetivos definidos.
Não há quadros técnicos gerenciais nem operacionais
para cumprir os convênios. Não existe comparação
dos preços conveniados com os de mercado nem comprovação
de regularidade fiscal. A segunda parcela de dinheiro é liberada
sem a aprovação parcial de contas relativa à primeira
etapa. Em nenhum dos convênios, as contrapartidas foram depositadas
nas contas correntes acordadas. Em convênio fechado pelo Fundo
Nacional de Desenvolvimento da Educação com a Anca, o
dinheiro saiu da conta da associação para as contas das
secretarias regionais do MST em 23 unidades da Federação.
Foi “redistribuído” um montante de R$ 7,3 milhões,
uma descentralização não acordada. Os auditores
da Secretaria de Controle Externo em São Paulo sugeriram audiência
com o ex-presidente do Conselho Deliberativo do FNDE, o ministro das
Relações Institucionais, Tarso Genro, por grave infração
à norma legal.
Os pagamentos com dinheiro destes convênios são feitos
por cheques sacados diretamente na boca do caixa. Os desvios de finalidade
começaram em convênios fechados no outro governo. Um convênio
do Incra, de 1999, tinha como objeto principal “nenhuma trabalhadora
rural sem documentos”. Descobriu-se que, durante a Jornada Socialista
realizada com dinheiro público, os sem-terra tiveram aulas de
volante, técnicas de massagem e relaxamento. Enquanto isso, a
liberação de recursos do Pronaf trouxe para dentro do
governo as instituições ligadas à agricultura familiar,
como Contag e Fetraf. Os empréstimos do Pronaf nesta última
safra totalizaram R$ 7,5 bilhões, 240% acima do período
de FHC. O secretário de Agricultura Familiar, Valter Bianchini,
já começou a redigir um grande plano agrícola para
um eventual segundo mandato do presidente Lula. “Você sabe
que lideranças dos movimentos são petistas e estão
contribuindo conosco”, diz Bianchini. “Os movimentos são
movimentos, mas as lideranças dos movimentos, as direções,
estão ligadas ao PT.”
“Há uma obsessão do governo em cooptar os movimentos
sociais, assim como cooptou o sindical”, diz o deputado Augusto
Carvalho, do PPS de Brasília, fundador do sítio de internet
Contas Abertas, que acompanha os gastos do governo. “Essa conquista
do silêncio dos movimentos merece maior fiscalização,
sob pena de desmoralizar a reforma agrária.” Uma das coordenadoras
nacionais do MST, Marina dos Santos, diz que cabe às instituições
sem fins lucrativos se posicionar sobre eventuais irregularidades nos
convênios. “Mas temos convicção de sua idoneidade”,
registrou. Ela reclama que o governo federal repassa mais dinheiro às
multinacionais que aos pequenos agricultores. Na noite de quinta-feira
24, o Incra informou que todos os convênios são auditados
pelo TCU e pela Controladoria Geral da União. De fato –
e é por isso que começam a vir a público tantas
irregularidades.
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REVISTA ISTO É, 28 de agosto de 2006
Marconi Perillo: campeão de intenções
de voto - 76,6% em Goiás
Eleições 2006
Do Palácio ao Parlamento
Ex-governadores candidatos ao senado estão
com eleição garantida porque os eleitores aprovaram suas
gestões
Por Ana Carvalho
Os ex-governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE),
Joaquim Roriz (PMDB-DF) e Ronaldo Lessa (PDT-AL) carregam a fama de
ser bons de voto. Mas tudo indica que o fato de estarem em alta com
o eleitor depois de oito anos de administração vai muito
além da fama. Foi preciso investir na saúde, focar a educação,
priorizar a infra-estrutura, atrair investimentos e diminuir o fosso
da desigualdade em seus Estados. Perillo, Jarbas, Roriz e Lessa se afastaram
do cargo para disputar uma vaga no Senado e estão, como indicam
as pesquisas, com a vaga praticamente garantida.
O instituto goiano Serpes, no início de agosto, mostrou que o
tucano Marconi Perillo, por exemplo, tem a preferência de 76,60%
dos eleitores. Dos quatro ex-governadores, é o campeão
de intenções de voto. A soma de seus adversários
em Goiás não chega a 9%. Os outros que estão de
bem com o eleitorado, segundo números recentes do Ibope, são
o peemedebista pernambucano Jarbas Vasconcelos (69%), seguido de perto
pelo companheiro de partido no Distrito Federal Joaquim Roriz (52%)
e pelo pedetista alagoano Ronaldo Lessa (44%). O fato é que esses
governadores venceriam as eleições para o Senado sem preocupação
alguma de olhar pelo retrovisor.
Jarbas Vasconcelos: prestígio político
e 69% nas pesquisas em Pernambuco
O motivo do sucesso são muitas ações e poucas promessas.
O tucano Perillo que o diga. Ele, que tinha 38 anos ao ser eleito pela
primeira vez para governar Goiás, aumentou a força do
Estado em oito anos de gestão. Redesenhou o perfil agrícola,
criou pólos industriais, gerou empregos, redistribuiu renda e
atraiu bilhões em investimentos. Mesmo com uma dianteira impressionante
de 73 pontos porcentuais sobre o segundo colocado na disputa –
Ney Moura (PMDB), com 3,7% –, Perillo não se dá
por satisfeito. Corre o Estado para angariar votos e virar o tabuleiro
eleitoral goiano em favor do atual governador e candidato à reeleição,
Alcides Rodrigues (PP), que está em segundo lugar.
No fim da noite de quinta-feira 24, o ex-governador falou a ISTOÉ,
depois de uma maratona de campanha pelo Estado, quais são os
seus principais projetos quando chegar ao Senado. “É preciso
fortalecer o pacto federativo, descentralizar os recursos em poder da
União, que giram em torno de 73%.” As reformas políticas
e tributárias “são prioritárias” e
contarão com seu apoio. “Mas meu primeiro projeto como
senador será o de uma emenda constitucional que vincule 12% dos
recursos do orçamento da União e dos Estados para a segurança
pública”, anuncia. Habitação, saneamento
e infra-estrutura também estão na pauta do ex-governador.
“Precisamos melhorar as rodovias, ferrovias e hidrovias. Mas o
mais importante de tudo é combinar estabilidade com crescimento
econômico. Só assim poderemos vencer o desafio da inclusão,
da geração de emprego e renda.” No campo regional,
Perillo vai trabalhar pela Ferrovia Norte-Sul e pelo alcoolduto Paulínia-Senador
Canedo. Mais universidades federais para Goiás e créditos
mais baratos para o produtor rural também estão entre
suas prioridades. “Vou brigar, e muito, pelo agronegócio”,
adverte.

Joaquim Roriz: um tocador de obras com 52% de aprovação
Em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos também não descansa.
Respaldado pelos números, tem percorrido o Estado ao lado de
Mendonça Filho, candidato do PFL que assumiu seu lugar e agora
disputa a reeleição. Conhecido pela sua trajetória
política de oposição à ditadura militar
no antigo MDB, Jarbas elegeu-se duas vezes prefeito do Recife. Suas
duas gestões no governo do Estado foram marcadas por grandes
obras de infra-estrutura, principalmente após a privatização
da Companhia Energética de Pernambuco, que rendeu aos cofres
públicos cerca de R$ 2 bilhões. ;
Bom de popularidade e de obras, também se encaixa nesse perfil
o ex-governador Joaquim Roriz, do PMDB. Sua votação estará
relacionada, admite, às ações de governo que promoveram
grandes transformações em Brasília. “Acabei
com todas as favelas. Minha missão é cuidar do pobre.
Uma cidade não pode ser só dos ricos”, ensina. Outras
obras do governo mudaram a cara do DF. Entre elas, os 26 quilômetros
de metrô, centenas de vias e viadutos e a ponte JK, eleita a mais
bonita do mundo em 2003. É por essas e outras que Roriz não
se preocupa em olhar pelo retrovisor. Seu adversário Agnelo Queiroz
(PCdoB) tem 17% das intenções de voto, 35 pontos porcentuais
a menos do que ele.
Ronaldo Lessa: em Alagoas, o apoio de 44% dos eleitores
O alagoano Ronaldo Lessa deixou o governo no início do ano com
índices de aprovação em torno de 75%. O pedetista
colocou em oito anos mais alunos em sala de aula do que os governos
dos últimos 31 anos, assegura sua assessoria. Outra vitória
foi a redução da mortalidade infantil. “As intenções
de voto que tenho são fruto de uma administração
que correspondeu às aspirações do povo de Alagoas.
Não fiz milagres. Mobilizei a sociedade para enfrentar os desafios.
Foi assim que baixamos a mortalidade infantil de 69 para cada mil nascidos
para 28.” Com relação à sua bandeira para
o Senado, Lessa adverte: “Vou brigar para que não tratem
desigualdades de forma igual. Desse jeito, não haverá
Pátria com respeito.” Como se pode constatar, não
é por acaso que os ex-governadores Perillo, Jarbas, Roriz e Lessa
disparam em céu de brigadeiro na corrida eleitoral para ocupar
uma cadeira no Senado.
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REVISTA ISTO É, 28
de agosto de 2006
Os eleitos e o autor: em cinco anos de pesquisas, Fernando
Rodrigues (acima) levantou todas as declarações de bens
dos vitoriosos em 1998 e 2002
Eleições 2006
A Riqueza dos Políticos
Livro revela patrimônio de todos
os vencedores das duas últimas eleições, divulga
seus cpfs e demonstra o enriquecimento da classe política
Por Marco Damiani
Uma detalhada prestação de serviço ao eleitor está
chegando às livrarias. Políticos do Brasil (Editora Publifolha,
424 páginas, R$ 39,90), resultado de cinco anos de pesquisas
feitas pelo jornalista Fernando Rodrigues, traz à luz o patrimônio
pessoal de todos os homens e mulheres eleitos para cargos públicos
em 1998 e 2002. Lá estão os bens e os valores declarados
de 1.059 deputados estaduais e distritais, 513 deputados federais, 81
senadores e seus 162 suplentes, 27 governadores e seus 27 vices, dois
presidentes da República e dois vices. Os prefeitos são
a exceção. Descobre-se, diante dos cruzamentos de informações
promovidos pelo autor, repórter e colunista do jornal Folha de
S. Paulo, que os encarregados pelo povo para dirigir o País têm,
na média, um patrimônio pessoal 1.138% maior do que a média
dos declarantes à Receita Federal. Enquanto os 13,9 milhões
de contribuintes informaram bens, rendimentos e poupanças que
resultaram num patrimônio médio per capita, em 2002, de
R$ 123,5 mil, dois anos antes o corte entre os políticos apontou
para R$ 1,53 milhão, cifra quase 13 vezes maior.
E descobre-se muito mais. A maior variação patrimonial
média positiva entre as eleições de 1998 e 2002
foi verificada entre políticos do PT. Diante de uma inflação
de 27,2% no período, os integrantes das bancadas petistas em
todos os níveis registraram uma elevação de patrimônio
que resultou numa média 83,7% superior em 2002 à notificada
em 1998. “Isso pode ser explicado pelo fato de muitos petistas
chegarem à política realmente com pouco patrimônio”,
lembra Fernando Rodrigues. “Os vencimentos como mandatários
fazem, em casos assim, muita diferença.” Sempre se desconfiou,
por outro lado, que os integrantes do PFL são ricos. Agora, com
o livro, fixa-se a certeza de que são riquíssimos, com
um patrimônio médio de R$ 3,19 milhões, de acordo
com as declarações entregues à Receita em 2002.
Os mais humildes, no arco partidário, são os comunistas
do PCdoB, com média patrimonial naquele ano de R$ 119 mil. Os
tucanos? No meio do caminho entre os extremos, mas na confortável
zona do patrimônio médio de R$ 1,46 milhão. “O
maior mérito do livro é tornar mais transparente a vida
política do País”, registra, no prefácio,
o cientista político Leôncio Martins Rodrigues.
Foram necessários cinco anos de trabalho, com apurações
in loco em todas as 27 sedes de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs)
do País, para Fernando Rodrigues completar o levantamento. A
idéia era ter em mãos todas as declarações
patrimoniais e de rendimentos apresentadas pelos políticos à
Justiça. A meta foi atingida – e com ganhos. O livro traz
mais de 50 tabelas com dados socioeconômicos dessa categoria.
E, pela primeira vez num mesmo volume, divulgam-se os números
de CPF de todos os políticos brasileiros. Com esse número
em mãos, qualquer cidadão pode consultar os órgãos
públicos sobre a vida fiscal dos principais atores da política
nacional. “Acho que os políticos não vão
gostar muito dessa parte, mas tenho certeza de que o leitor sai ganhando”,
diz o autor. Em razão do grande volume de informações
apuradas, o livro tem desdobramento num portal de internet: www.politicosdobrasil.com.br
. Neste endereço, tem-se acesso a todos os números e tabelas
da obra, com janelas para a entrada em outros sítios.
A editora Publifolha aposta que Políticos do Brasil será
um sucesso de público. A primeira edição sai com
dez mil exemplares. A julgar pela qualidade, a presença nas listas
de mais vendidos está garantida. O jornalista Fernando Rodrigues,
em seguida à realização da mais exaustiva e minuciosa
pesquisa em arquivos oficiais dos últimos tempos, contextualizou
praticamente todas as informações levantadas. Surge, daí,
um livro político, com a memória dos últimos anos
da democracia brasileira, emblemáticas histórias de bastidores
e análise apurada. Fica claro que o autor – dono de três
prêmios Esso, uma sólida carreira na Folha e uma legião
de leitores fiéis – critica as distorções
do sistema político do País, baseado no voto obrigatório
dos pobres em benefício de uma elite rica e com essa riqueza
em expansão. Mas seu juízo de valor é suavizado
diante da profusão de informações objetivas, incontestáveis,
que suas pesquisas nos proporcionam. Políticos é um verdadeiro
atlas sobre a situação financeira dos homens públicos,
que certamente será atualizado a cada nova eleição.
Quem vota, agradece.
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REVISTA ISTO É, 28
de agosto de 2006
Profissional: em período eleitoral, Requião
é um devorador de pesquisas e faz qualitativas diariamente
Eleições 2006
Em tempos de Requião
Na contramão do neoliberalismo e da globalização,
governador do paraná segue favorito rumo à reeleição
Por Tão Gomes Pinto
A primeira surpresa, para um mortal habituado ao clima e aos hábitos
em vigor no Distrito Federal, é chegar ao Palácio Iguaçu,
em Curitiba, Paraná, às 8h30 de uma segunda-feira gelada
e encontrar um governador trabalhando. Ele começou às
oito em ponto, reunido com o grupo chamado “mãos limpas”.
Todos os responsáveis por áreas direta e indiretamente
ligadas à segurança e à Justiça participam.
Eu já sabia algumas coisas sobre Roberto Requião. Sua
mania de andar sempre na contramão da história sem ser
multado. Quando todo mundo só falava de neoliberalismo e globalização,
ele tornou-se um estatizante obstinado. Hoje, quando até velhos
comunas adotam posturas liberais, ele lembra as excelências do
marxismo. Quando o Brasil inteiro passou a adorar a soja transgênica
como a salvação da lavoura, ele proibiu a saída
dos grãos dourados pelo porto de Paranaguá. A soja era,
até outro dia, o grande responsável pelo badalado sucesso
do chamado “agribusiness” nacional. Mas continua a ser severamente
combatida. A Sadia mandou colocar um cartaz enorme na porta do depósito
no Paraná: não trabalhamos com transgênicos. Na
Europa, os movimentos ambientalistas já ganharam a guerra contra
a transgenia. “E, no porto do Rio Grande, os armazéns estão
estufados de soja sem comprador no Exterior”, comemora Requião.
Ele lembra que as filas de caminhões com carga de soja sumiram
da rodovia que leva ao porto. E revela que eles carregavam não
apenas soja. Muitos truques eram usados para dar mais volume às
cargas. Requião conta que no primeiro ano de seu governo recebeu
mais de três mil reclamações de importadores de
Paranaguá. No ano passado, foram só três as reclamações.
O governador resistirá até onde puder à manobra
para entregar o porto para a gestão do governo federal. Seria
o primeiro passo para “eles” cumprirem um acordo feito com
seu antecessor, o arquiteto Jaime Lerner, que governou o Paraná
por oito anos, e efetivarem a privatização do porto, que
na mídia ganhou o título de jóia da coroa da administração
Requião. É jóia mesmo. E autêntica. Nas mãos
do Estado do Paraná , sustentando uma batalha sem tréguas
contra as pressões das grandes cooperativas, a receita cambial
do porto passou de US$ 4,2 bilhões para US$ 9,2 bilhões.
Tornou-se um porto múltiplo, que funciona independentemente da
safra. E 40% da sua receita veio dessa modificação.
Em época de eleição, Requião vira um “expert”
em pesquisa, seja quantitativa, seja qualitativa. Na semana passada,
ele constatou, por exemplo, que perdia para Osmar Dias, do PDT, na área
central da cidade de Londrina. Quando a pesquisa se espalhava pelos
bairros, Requião recuperava a ponta mesmo em um território
desfavorável para ele: 42% a 38%. Pouco informado sobre as mumunhas
políticas do Paraná, indago se a força do candidato
Osmar Dias não estaria localizada na agricultura. Sua atuação
no Senado tem sido muito marcada pela defesa desse setor.
Requião me corrige: ele defende os interesses dos grandes, das
grandes cooperativas. “Eu tenho o voto dos pequenos e médios
agricultores.” Requião faz pesquisa qualitativa todo dia,
seja do horário eleitoral – onde tem esquálidos
2 minutos e 55 segundos por culpa do vacilo do PSDB em apoiar abertamente
sua candidatura –, seja dos comerciais. E já descobriu,
por exemplo, que a campanha sobre o nepotismo no seu governo não
alcança o chamado povão. É um filmete baseado na
série americana Os Waltons. Mostra o palácio do governo
à noite, com algumas luzes acesas. As luzes vão se apagando
uma a uma, ao som de frases tipo “boa noite, tia”, “boa
noite, sobrinho”, como se ali morasse uma família numerosa
e unida. Até a última luz se apagar, com uma voz de homem
rosnando: “Dorme, mulher.” As pesquisas qualitativas mostram
que o pessoal mais humilde acha que o sujeito que vira governador tem
é mais que ajudar os parentes. De qualquer forma, a questão
do nepotismo virou outro “cavalo de batalha” da campanha.
Com a mídia, o relacionamento de Requião está longe
de ser um casamento perfeito. Muito longe, aliás. Sobre sua mesa
de trabalho, ele tem uma ratazana modelada em barro com a cara do ex-deputado
Severino Cavalcanti. Ele pega no Severino, ou melhor, na ratazana, com
todo o cuidado. Afinal trata-se de um troféu. Regularmente o
governador outorga esse troféu ao melhor veículo de comunicação
da imprensa que ele considera “marrom” no Paraná.
A ratazana Severino Cavalcanti é de posse transitória.
O troféu só será entregue em definitivo ao veículo
que o conquistar por cinco vezes seguidas.
Afinal, quem esse governador, que já foi chamado de “desconcertante”,
“atípico”, “doidão” – e
que o seu então colega Orestes Quércia costumava tratar
como “Maria Louca” –, apoiará para presidente
da República? Seu partido, o PMDB, como se sabe, subiu no muro.
Requião diz que no muro ele não fica: “Não
sou homem de ficar no muro. Se ainda não desci, não foi
por culpa minha. Foi por culpa deles”, diz. Eles, é claro,
são Lula e Alckmin. Sobre Lula ele diz o seguinte: “Eu
trabalhei com o Lula quatro anos. Sou amigo pessoal do Lula. Mas amizade
é uma coisa, o País é outra. Eu sempre tive uma
escala de prioridades comportamentais. Em primeiro lugar, a minha consciência;
em segundo, o País; em terceiro, o partido e a política.”
Com o Alckmin, ele conta que teve um problema há um mês.
O governo de São Paulo ia leiloar o sistema de transmissão
de energia elétrica que interessava ao Paraná. “A
nossa Copel quis comprar o sistema, mas São Paulo fez um edital
que proibia a participação de empresas estatais de outro
Estado”, conta Requião. E acrescenta: “Venderam para
a Colômbia, o país do narcotráfico. E a nossa Copel,
que é considerada hoje pelos especialistas do Financial Times
a terceira melhor empresa do mundo, ficou de fora. Nós temos
caixa. No primeiro semestre demos um lucro de R$ 758 milhões.
Tão grande que eu baixei a tarifa. Baixei em 12%. Então
esses posicionamentos todos têm de ser discutidos.”
“Eu disse ao Alckmin: quero saber o que você propõe
e o que o Lula propõe. Porque até agora é a mesma
coisa, os dois estão com a mesma proposta.” Para mim ele
explicou sua posição da seguinte forma: “O Lula
não avançou em privatizações. Mas a política
econômica é a mesma. Isso nós temos que discutir.”
E mais uma vez a “jóia da coroa” entra em cena: “Veja
o caso do porto de Paranaguá. O Lerner comprometeu-se com o Fernando
Henrique que em seis meses o porto estaria privatizado. Tem um compromisso,
uma cláusula que transfere o porto para a esfera federal e depois
eles entregariam para algum grupo econômico. O que o Lula devia
ter feito? Era sentar comigo e mudar a cláusula. Ele me mandou
fazer isso com o Anderson Adauto, que era ministro dos Transportes.
Estando as partes de acordo, era só mudar a cláusula.
O Lula não privatizou, não fez a intervenção
que a quadrilha queria, mas não mudou a cláusula. Nós
temos uma pendência com o banco Itaú. Ganhamos na Justiça.
Um despacho maravilhoso do Marco Aurélio Mello. Não adiantou.
A Secretaria do Tesouro está me multando em R$ 10 milhões
por mês. Faço uma reunião lá em Brasília
com a Dilma, o Paulo Bernardo, o Tarso Genro e o Mantega. Todo mundo
concorda comigo. Mas não adianta. Os ministros não têm
mais opinião. Parece que o Lula gosta mais do banco Itaú
do que de mim. Ou que o governo coloca o banco Itaú acima da
lei e do Estado do Paraná.”
Quanto aos métodos políticos, Requião se mostra
absolutamente cético: “Eles não mudaram nada. Só
o Serjão (ministro Sergio Motta, falecido), que foi substituído
por outros operadores. E quando me falam em moralidade eu não
esqueço que o Fernando Henrique comprou uma fazenda em Minas
com sobras de campanha e pagou 75 centavos de dólar o alqueire.”
Requião, sempre na contramão, vai comparecer aos debates
de televisão, dos quais os líderes das pesquisas fogem
como o diabo da cruz. Sabe que vão levantar contra ele várias
acusações e que vão bater no nepotismo. Vai responder
que avisou na campanha que seu secretário de Educação
seria seu irmão Maurício, “o melhor secretário
de Educação do País, sem a menor sombra de dúvida.”
Requião considera o nepotismo uma praga da administração
pública brasileira. Mas acrescenta que parentesco não
é uma cláusula infamante.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 28
de agosto de 2006
Pastores estariam ganhando dnheiro para pedir votos
A campanha eleitoral tem mudado a rotina de diversas igrejas evangélicas,
que passaram a ser palco de disputas ferrenhas entre candidatos “oficiais”
e acusações de que os concorrentes de fora pagam pastores
para que eles peçam votos.
Com 100 mil membros no Paraná,
a Igreja Quadrangular tem dois representantes disputando a eleição:
o candidato oficial Fernando Guimarães e o deputado estadual
Ailton Araújo (PPS). Ambos travam uma concorrida busca por votos
da própria igreja. Mas o deputado reclama mesmo é da “invasão”
de candidatos de fora. “Eles ajudam com areia, cimento, ofertas
em dinheiro, mas depois fazem a cobrança. Os pastores estão
recebendo para dar apoio a candidatos e eu não tenho como financiar.
Quem tem dinheiro está pagando muito bem. A gente fica decepcionado
porque você faz e, na hora que pensa que vai colher alguma coisa,
tem outro na frente”, diz Araújo.
Outras igrejas mudaram a rotina
durante a campanha para evitar problemas com a Justiça Eleitoral.
A Assembléia de Deus, que tem cerca de 300 mil membros no Paraná,
suspendeu os cultos ao ar livre porque poderiam ser interpretados como
showmícios quando há presença de candidatos. A
Igreja também decidiu promover reuniões políticas
fora das igrejas, em hotéis e restaurantes. Alguns pastores estão
proibindo também a distribuição de material de
campanha na rua em frente das igrejas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 28
de agosto de 2006 | Brasil
CAMPANHA-PT e PSDB apresentam plataforma social-democrata
para conquistar o eleitor
Programas de governo de Lula e
Alckmin são semelhantes
Brasília – Os programas dos dois principais candidatos
à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e
Geraldo Alckmin (PSDB), mostrarão mais semelhanças do
que diferenças entre as suas diretrizes partidárias. O
presidente e o ex-governador se apresentam com uma plataforma de figurino
“social-democrata”, defendendo a ação do Estado
para estimular a atividade econômica e promover a justiça
social. Eles também falam em reduzir a carga tributária,
controlar, racionalizar o gasto público, aumentar os investimentos
e melhorar os serviços de saúde e educação.
Lula lançará o programa
de governo amanhã e Alckmin promete para esta semana um pacote
com medidas de combate à corrupção. Os dois optaram
por textos mais genéricos, que abordam temas, mas não
explicitam ações concretas.
Em muitos casos, o discurso se choca com a prática, como a defesa
que Lula fez na semana passada de uma carga de impostos “mais
leve”. Em três anos, a carga na esfera federal cresceu cerca
de R$ 40 bilhões, mas o PT argumenta que o aumento foi maior
no governo FHC.
Alckmin tem mostrado que no governo de
São Paulo reduziu o peso dos impostos e promete fazer o mesma
no Planalto. No documento “Caminhos para o Desenvolvimento”,
o PSDB destaca que “é necessário extinguir muitas
contribuições e impostos”, mas não explica
como e em que prazo faria isso, sem pôr em risco o equilíbrio
fiscal.
O coordenador da campanha tucana, João
Carlos Meirelles, admite que 2007 será “extremamente apertado”
e será preciso definir prioridades. “Não existe
mágica, a não ser em discursos levianos e irresponsáveis,
o que não é o nosso caso.”
A cúpula do PT também trocou
metas numéricas por compromissos genéricos, para evitar
posteriores cobranças, como neste mandato “Nosso programa
é um texto mais político, mostrando a situação
em que encontramos o país e o que faremos nos próximos
anos. São compromissos gerais de governo. Não haverá
detalhamento”, afirma o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini
(SP).
Uma ambigüidade dos presidenciáveis
é sobre a armadilha fiscal em que o país está:
o gasto que mais cresce é justamente o de programas assistenciais,
como os benefícios pagos a pobres, aposentados rurais, idosos
e deficientes. Mas nenhum deles ousa, pelo menos agora, propor medidas
impopulares para lidar com o problema.
Na economia há pequena diferença
de tom. O PSDB ousa um pouco mais, bombardeando o assistencialismo que
Lula adota. Alckmin critica a valorização excessiva do
real e seus efeitos sobre o agronegócio. Mas mudança mesmo
na política econômica, nenhum deles propõe.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 28
de agosto de 2006 | Brasil
CAMPANHA
Propostas iguais
• Redução da carga tributária.
• Controle
e racionalização do gasto público.
• Aumento
dos investimentos e melhoria dos serviços de saúde e educação.
Contradições
• Alckmin
promete ser duro no combate à violência e criminalidade.
São Paulo, que foi governado por ele nos últimos anos,
vive um caos na segurança pública, com rebeliões
e ataques de criminosos a delegacias, ônibus, agências bancárias
e civis. O PSDB culpa o governo federal.
• Lula defende
uma carga de impostos “mais leve”. Nos três primeiros
anos do seu governo, a carga tributária na esfera federal cresceu
cerca de R$ 40 bilhões. O PT argumenta que o aumento foi maior
no governo FH.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 28
de agosto de 2006 | Brasil
CAMPANHA
Heloísa Helena resgata propostas
radicais do PT
Brasília – Sem a mesma cautela de seus adversários
na disputa presidencial, a candidata Heloísa Helena (PSol), resgatou
em sua campanha propostas radicais antes defendidas pelo PT, como a
auditoria nas dívida externa e interna e um plebiscito sobre
a reestatização de empresas que foram controladas pelo
governo. O programa de governo da candidata ainda não foi divulgado,
mas o Manifesto da Frente de Esquerda preparado pelos líderes
do PSol, PSTU e PCB, dá o tom das medidas. “A Frente de
Esquerda quer libertar o país das garras do capital financeiro
e do imperialismo”, diz o documento, de 27 de julho de 2006.
Entre as medidas concretas apresentadas
pelos aliados de Heloísa para promover a “libertação”
do Brasil está a suspensão do pagamento da dívida
externa, uma das principais bandeiras da esquerda na década de
80. Mas, como hoje a dívida externa já perdeu importância
para a interna, o manifesto do PSol defende uma auditoria com a finalidade
de identificar os especuladores e as grandes empresas que ganham com
os títulos da dívida pública. Para eles, o manifesto
prevê calote.
Ao tentar mensurar o que poderia fazer
com a economia proveniente da suspensão do pagamento dos juros
da dívida pública, o manifesto infla os números.
“Com os R$ 520 bilhões das dívidas que Lula terá
pago aos banqueiros em seu mandato, seria possível fazer um grande
mutirão nacional para resolver problemas sociais gravíssimos.”
Na prática, Lula não
vai pagar R$ 520 bilhões de juros até o fim do mandato.
A economia efetivamente realizada pelo governo para pagar juros nos
últimos três anos e meio, o chamado superávit primário,
soma R$ 188 bilhões.
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Folha de São Paulo,
28 de agosto de 2006
PESQUISA
Lula consolida vantagem com horário
eleitoral, diz Ibope
DA REDAÇÃO
Pesquisa Ibope divulgada ontem pelo jornal
"O Estado de S. Paulo" mostra que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) consolidou sua vantagem após o início
do horário eleitoral, em 15 de agosto. No levantamento, realizado
entre 23 e 25 de agosto, Lula aparece com 49% das intenções
de voto contra 22% de Geraldo Alckmin (PSDB) e 9% de Heloísa
Helena (PSOL).
Os números são bem próximos
aos do levantamento do Datafolha realizado nos dias 21 e 22 de agosto,
que apontou Lula com 49%, Alckmin com 25% e Heloísa com 11%.
Em relação à pesquisa Ibope anterior, Lula oscilou
positivamente de 47% para 49%, Alckmin também oscilou positivamente
de 21% para 22%, enquanto Heloísa Helena caiu de 12% para 9%.
Heloísa Helena perdeu pontos em
todas as regiões: caiu de 15% para 9% no Norte/Centro-Oeste,
de 10% para 7% no Nordeste, de 12% para 10% no Sudeste e de 14% para
12% no Sul. Lula apresenta agora 15 pontos de vantagem em relação
à soma de todos os seus adversários (49% contra 34%).
Se as eleições fossem hoje, ele seria reeleito no primeiro
turno com 60% dos votos válidos. Num eventual segundo turno,
ele venceria Alckmin por 54% a 32% (contra 53% a 32%, no levantamento
anterior). A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
com o nº 14.400/ 2006.
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Folha
de São Paulo, 27 de agosto de 2006
18% do eleitorado pretende anular
voto para deputado
Índice apontado pelo Datafolha é
6 vezes o registrado em 2002, quando 3% votaram nulo
Se comparecer às urnas não fosse obrigatório,
49% não votariam; maioria não se lembra em quem votou
para deputado federal e estadual
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O desânimo do brasileiro com a
eleição para deputados federais e estaduais pode resultar
numa taxa além do normal de votos nulos no pleito de 1º
de outubro. Segundo pesquisa do Datafolha, 18% dos eleitores pretendem
votar nulo na hora de escolher o legislador federal e 16% dizem que
podem anular o voto para deputado estadual. As taxas são altas
se comparadas aos apenas 2,9% de votos nulos nas eleições
para deputados federais e estaduais em 2002 -o percentual foi idêntico
para as duas votações. Se a intenção do
eleitor for confirmada nas urnas, a nulidade dos votos deste ano será
equivalente a seis vezes à registrada na eleição
passada. Mesmo levando em conta os votos brancos para deputado federal
em 2002, a soma de votos inválidos (7,6%) não chega à
metade da taxa apontada pela pesquisa.
A pesquisa Datafolha foi realizada com
6.279 eleitores de 272 municípios de 24 Estados e o Distrito
Federal, nos dias 21 e 22 de agosto. A margem de erro é de dois
pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa resultou de
parceria entre a Folha e a Rede Globo. Não há pesquisas
semelhantes de eleições anteriores. Por essa razão,
não é possível afirmar se essa intenção
de votar nulo para cargos do Legislativo ocorreu em outros pleitos nesta
fase da campanha -e se isso se concretizou nas urnas.
Há um dado a ser considerado:
a Justiça Eleitoral nunca ensina em suas campanhas didáticas
como se faz para votar nulo. Os meios de comunicação também
informam de maneira modesta como é essa operação
(basta digitar um número que não esteja relacionado a
nenhum candidato -como 99-, e apertar a tecla "confirma").
É possível que muitos que queiram votar nulo não
saibam como fazê-lo e acabem votando em branco ou em uma legenda.
A única propaganda a favor do
voto nulo se deu de maneira informal, por meio de correntes na internet.
O Brasil tem cerca de 32 milhões de pessoas com acesso à
rede, para um eleitorado de 126 milhões. Na campanha pela internet
propagou-se uma informação falsa: a de que a eleição
seria anulada se mais de 50% dos votos fossem nulos. A legislação
não contém essa determinação. Se mais da
metade dos votos forem nulos, todos os eleitos tomarão posse
da mesma forma.
Voto obrigatório
Outro fato descoberto pelo Datafolha
é a estabilidade dos que não iriam votar se esse ato não
fosse obrigatório: 49% não votariam se não houvesse
a determinação legal -quem não vota é multado
e não consegue obter determinados documentos. Desde 1989, quando
essa pergunta sobre o voto obrigatório passou a ser feita pelo
Datafolha, a taxa dos que não iriam votar oscilou de 44% a 49%.
Já os que se dizem favoráveis à manutenção
da obrigatoriedade do voto oscilaram de 42%, em 1994, para 45%, neste
ano.
Segundo a cientista política Luzia
Helena Herrmann de Oliveira, da Universidade Estadual de Londrina, autora
do estudo "Voto obrigatório e eqüidade", "os
dados de 2006 mostram que os escândalos políticos do último
ano não alteraram a motivação dos eleitores em
participar da política. A suposta desilusão, a suposta
idéia de que as pessoas se desencantariam com a política
de um modo amplo, não parece se confirmar, o que é bom".
A pesquisa também perguntou ao
eleitor se ele se lembrava em quem havia votado para deputado em 2002.
A taxa de lembrança foi bem pequena: 57% não se recordam
dos políticos escolhidos para Câmara dos Deputados e Assembléia
Legislativa. A lembrança aumenta conforme cresce a escolaridade
do pesquisado. Entre os que têm nível superior, 48% dizem
lembrar o nome do deputado escolhido há quatro anos.
Também há diferença
entre os eleitores que declaram alguma preferência partidária:
55% dos que se dizem simpatizantes do PFL afirmam lembrar em quem votaram
para deputado federal. No caso de eleitores do PSDB, a taxa é
de 46%. Entre os eleitores do PT, a taxa é de 29%.
Vergonha do eleitor
Para o cientista político Alberto
Carlos Almeida, diretor da Ipsos Public Affairs e autor do estudo "Amnésia
eleitoral", os dados do Datafolha convergem com os da sua própria
pesquisa, realizada em 2002: "O nível de lembrança
era de 28% para deputado federal".
Na realidade a taxa de lembrança
deve ser ainda menor, esclarece Almeida, porque o entrevistado tende
a dar uma resposta positiva para "agradar o entrevistador ou porque
sente vergonha de admitir que não se lembra em quem votou".
Para Almeida, o sistema eleitoral brasileiro, no qual o eleitor é
induzido a escolher um indivíduo entre centenas de candidatos,
dificulta muito que o eleitor se recorde em quem votou: "O fato
de não lembrar significa que você não pode acompanhar
o seu deputado. O sistema não te dá o direito de controlar
o seu deputado".
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Folha
de São Paulo, 26 de agosto de 2006
Heloísa afirma ser a única
capaz de derrotar Lula
Para ela, a oposição errou ao poupar
o presidente
DA REPORTAGEM LOCAL
A candidata à Presidência
Heloísa Helena (PSOL) disse ser a única capaz de derrotar
o presidente Lula num eventual segundo turno e culpou o PSDB, o PFL
e a "estatização" dos movimentos sociais pelo
favoritismo do petista. "Imagine um segundo turno: o cinismo do
Lula e aquela gentileza do Alckmin. Vai ser uma tragédia, né?
Sobrou para mim derrotar a majestade barbuda", disse, em sabatina
promovida pelo jornal "O Estado de S.Paulo" ontem.
Heloísa falava da popularidade
do presidente, que continua alta mesmo com a série de escândalos
envolvendo o seu governo. Para ela, a "oposição de
direita" errou ao poupar o adversário. "Cada vez que
nós falávamos, éramos rancorosos. O PSDB e o PFL
pouparam o presidente Lula muito tempo", disse a candidata, que
rechaçou a idéia de impeachment.
Movimentos sociais
Nessa conta, a candidata também
incluiu os movimentos sociais. Para ela, foi uma "aberração"
a forma como eles foram utilizados na defesa do governo Lula. "Imagina
se isso acontecesse -mensalão, sanguessuga- no governo passado.
Eu não sairia das ruas. Todo dia faria mobilização:
fora isso, fora aquilo", afirmou ela. E completou: "Toda a
estrutura do movimento social foi paralisada. Ela foi incorporada ao
aparelho de Estado, à máquina pública. Houve claramente
uma atenuação das tensões que pudessem resistir."
Durante a sabatina, Heloísa
também repetiu várias vezes em suas respostas que seu
governo primará pelo respeito "às leis e as instituições"
e não haverá calotes. "Ninguém terá
surpresas", disse a senadora. (ROGÉRIO
PAGNAN)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25
de agosto de 2006 | Política
JUSTIÇA
TRE impugna candidatura de borba
Ex-deputado envolvido no mensalão
e dois ex-prefeitos tiveram registro negado; ainda cabe recurso
por DANIELA NEVES

Renúncia para fugir de processo
José Borba renunciou ao mandato de deputado federal no fim do
ano passado, para fugir de processo no Conselho de Ética da Câmara
Federal por envolvimento no esquema de corrupção chamado”valerioduto”.
Com a renúncia, o processo não foi instaurado e o parlamentar
manteve seus direitos políticos, podendo concorrer novamente.
O ex-deputado foi acusado de receber
R$ 2,1 milhões do empresário Marcos Valério Fernandes
de Souza. Em junho, Borba afirmou para a Gazeta do Povo que abriu mão
do seu mandato porque foi o caminho que encontrou para ter condições
de “deixar que os eleitores do Paraná decidissem sobre
o seu futuro”. Mas desde as denúncias, ele enfrenta oposição
do PMDB no estado para conseguir espaço. A decisão de
não deixar Borba ser candidato teria saído do próprio
governador, Roberto Requião.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acatou ontem, por unanimidade, o
pedido de impugnação da candidatura do ex-deputado federal
José Borba (PMDB), feito pelo diretório regional do partido.
Além de Borba, dois ex-prefeitos tiveram o registro negado pelo
TRE por não terem tido as contas de suas gestões aprovadas.
Em todas essas deciões cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE).
O juiz relator João Pedro Gebran
Neto votou pelo acolhimento do pedido de impugnação entendendo
que Borba perdeu ao menos três oportunidades de pedir a inclusão
do seu nome na chapa do partido, de acordo com o estatuto do PMDB. Primeiro,
ele poderia ter declarado que queria ter seu nome incluído na
chapa no período anterior à convenção partidária.
Se esse pedido não fosse acatado, poderia requerer a inclusão
até 48 horas antes. Se mesmo assim o diretório do partido
não aceitasse, Borba poderia ter disputado durante a convenção.
O ex-deputado alegou em sua defesa que,
em uma lista que corria internamente no partido, dias antes da convenção,
seu nome constava e foi retirado de forma arbitrária. O argumento
não foi aceito pelo relator. “Mesmo que houvesse uma lista
paralela, não afasta a responsabilidade dele de verificar se
seu nome constava na chapa oficial. (...) Ele não compareceu
à convenção do seu partido para votar ou para lutar
no sentido de seu nome ser incluído”, disse Gebran Neto,
na leitura do voto.
De acordo com o juiz relator, o presidente
da comissão executiva do PMDB, Wilson Santiago, não tem
autonomia para tomar uma decisão monocrática. Santiago
enviou ao TRE uma carta pedindo a inclusão do nome de Borba na
lista de candidatos. Gebran citou artigos do estatuto do partido que
falam que, mesmo em caso de urgência, uma decisão liminar
deve ser decidida no colegiado da comissão e que essa função
não pode ser delegada a um de seus membros.
O advogado de Borba, Itapoã Prestes
Messias, que não compareceu ao julgamento, disse por telefone
que Santiago tem sim autonomia para decidir e que essa deve ser considerada
uma questão interna do partido. O advogado ingressou com uma
ação na Justiça Comum. Também entrará
com recurso da decisão no TSE. “Dá para reverter
essa decisão porque é uma questão de organização
hierárquica do partido”, disse.
O advogado do PMDB Cézar Ziliotto
disse que o argumento jurídico levantado para o pedido
de impugnação é o fato do nome de Borba não
ter passado por convenção partidária. Mas admitiu
que as denúncias sobre mensalão também incentivaram
o pedido. “Não dá para saber se o nome dele seria
ou não aprovado em convenção, mas ele teve oportunidades
de fazer isso.”
Além de Borba, o TRE indefiriu
25 pedidos de registro, até ontem. Entre eles, dos ex-prefeitos
de Bocaiúva do Sul, Élcio Berti, que pretende ser candidato
a deputado estadual pelo PFL, e de Paranaguá, Mário Roque,
que estava inscrito como candidato a deputado estadual pelo PSB. Os
dois foram barrados pelo tribunal porque tiveram as contas desaprovadas
pelo Tribunal de Contas (TC) do estado e, em seguida, pelas respectivas
câmaras municipais. Berti entrou com recurso da decisão
no TSE.
Mais dois registros de candidatura
esperam julgamento. O do ex-prefeito de Arapongas, José Aparecido
Bisca (pretende disputar uma vaga na Assembléia Legislativa pelo
PFL), que foi adiado por pedido de vistas e volta à pauta do
TRE na segunda-feira; e do deputado estadual Geraldo Cartário
(PMDB), que quer disputar a reeleição. Ele teve pedido
de impugnação de registro pelo PPS.
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Folha
de São Paulo, 25 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula agora fala em reduzir juros e impostos
Após ouvir queixas de empresários
durante jantar, presidente pede tempo para superar os "grandes pecados
nacionais" | Petista diz que seu sonho é "contribuir
humildemente" para que o Brasil cresça de forma sustentada
e se torne "uma nação rica e justa"
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em discurso ontem no Palácio do
Planalto a integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou o tom
que costuma usar nos palanques políticos. Fez promessas, pediu
mais tempo para superar os "grandes pecados nacionais" e agradeceu
pelo apoio que recebeu na crise do mensalão do ano passado.
"Precisamos ter juros menores e
uma carga de impostos mais leves", declarou cerca de 12 horas após
ter jantado com um grupo de 27 empresários, alguns deles integrantes
do Conselhão. Ontem, a Receita Federal anunciou que a carga tributária
chegou ao nível recorde de 37,37% do PIB. No jantar, Lula ouviu
queixas e sugestões para um eventual segundo mandato. Ciente
das demandas, tratou de distribuir promessas aos integrantes do Conselhão,
formado em sua maioria por empresários, banqueiros e sindicalistas.
A eles pediu em várias ocasiões, implicitamente, mais
quatro anos no Planalto.
Primeiro, disse que precisa de "mais
tempo": "Avançamos bem nos últimos três
anos e meio, mas precisamos de muito mais tempo e muito mais trabalho
para superar esses grandes pecados nacionais", que segundo ele
são a má distribuição de renda e as carências
educacionais. "Meu sonho continua sendo o de contribuir humildemente
para que o Brasil encontre, definitivamente, o caminho do desenvolvimento
sustentado, transformando-se numa nação rica e justa".
Lula agradeceu os presentes, cerca de
80 conselheiros, por não ter sido abandonado em meio à
crise do mensalão (sem citar essa palavra). "Em nenhum momento,
em todas as reuniões de que eu participei, senti em vocês
qualquer sintoma além daquele que era de indignação
com o que estava acontecendo no Brasil." Ontem, o conselho apresentou
a Lula um plano pelo qual, a partir de 2008 o Brasil possui condições
de crescer a taxas anuais de 6%. Após ouvir dez conselheiros,
que mesclaram elogios e cobranças, Lula exaltou as ações
do governo, como o aumento das exportações e da geração
de emprego, e fez promessas para um segundo mandato na exata linha que
os empresários queriam ouvir.
Ele disse que é preciso melhorar
a qualidade dos gastos e diminuir despesas de custeio. "Vamos precisar
também promover um grau de abertura maior da economia em setores
indutores de avanços tecnológicos e continuar reduzindo
nosso déficit em infra-estrutura." Para ele, a redução
dos impostos "não é uma missão impossível",
mas insinuou o perigo de uma mudança de comando do país:
"Não podemos perder a grande oportunidade que nós
mesmos criamos. Chega de crises a cada dois ou três anos".
Reforma política
Questionado sobre as prioridades de um
segundo mandato, Lula defendeu a reforma política: "A organização
partidária está apodrecida", disse em entrevista
à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre. Ele defendeu o
financiamento público de campanhas: "Não tem coisa
mais humilhante que um candidato pedir dinheiro a um empresário,
e o empresário ter que dar com medo de que, se não der,
vai acontecer alguma coisa". Lula também quer rediscutir
a duração do mandato dos senadores, de oito anos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24
de agosto de 2006 | Política
Requião sobe a 43%; Osmar, a 26%
Se a eleição fosse hoje, governador
seria reeleito no primeiro turno com 54% dos votos válidos
O governador Roberto Requião (PMDB) lidera com 43% dos votos
a segunda rodada de pesquisas RPC–Gazeta do Povo/Ibope. O candidato
à reeleição subiu quatro pontos e aumentou em dois
pontos porcentuais a diferença entre ele o segundo colocado,
Osmar Dias (PDT), que aparece com 26% dos votos. Na pesquisa anterior,
divulgada no último dia 6, antes do início do horário
eleitoral gratuito, Requião tinha 39%, contra 24% de Osmar Dias.
Se a eleição fosse hoje,
Requião seria reeleito já no primeiro turno, com 54% dos
votos válidos.
Ibope ouviu 1.008 eleitores
A segunda pesquisa RPC–Gazeta do Povo/Ibope – registrada
no Tribunal Regional Eleitoral sob o número 18534/2006 –
foi realizada de 20 a 22 de agosto. Foram entrevistados 1.008 eleitores,
em 55 cidades paranaenses.
Até as eleições
de 1.º de outubro serão divulgadas outras duas sondagens
do Ibope sobre intenções de voto no Paraná, além
da pesquisa de boca-de-urna no dia da votação. De acordo
com o instituto, a margem de erro máximo estimada é de
três pontos porcentuais para mais ou para menos sobre o resultado.
ndagem do Ibope, o governador tinha 52% dos votos válidos –
considerando a margem de erro de três pontos porcentuais, não
estava descartado um segundo turno.
A pesquisa estimulada revelou ainda pequena
oscilação no desempenho dos demais candidatos em relação
ao ínicio do mês. Rubens Bueno (PPS) caiu dois pontos porcentuais,
passando de 7% para 5% das intenções de voto. O petista
Flávio Arns manteve 3%, e Ana Lúcia Pires (PRTB) repetiu
1%.
O candidato do PSDC, Luiz Adão,
aparece pela primeira vez na pesquisa, com 1%. Os outros candidatos
– Ivo Souza (PCO), Jorge Martins (PRP), Luiz Felipe (PSOL), Antônio
Roberto Forte (PSL) e Melo Viana (PV) – não foram citados.
O número de indecisos caiu de
18% para 14%, e o porcentual de eleitores que desejam votar nulo ou
branco teve redução de 1 ponto porcentual, ficando em
7%.
Na pesquisa espontânea, em que
não é apresentada a lista de nomes dos candidatos ao entrevistado,
Requião também aparece em primeiro lugar, com 14 pontos
porcentuais à frente de Osmar Dias. O governador tem 29%, contra
15% do pedetista. Rubens Bueno tem 2% e Flávio Arns, 1%.
Os outros candidatos não foram
lembrados pelos entrevistados na pesquisa espontânea. O índice
de indecisos é de 46%, e os votos brancos e nulos somam 5%. Na
pesquisa espontânea anterior, uma fatia maior – 59% –
respondeu que não sabia em quem votar, e os brancos e nulos chegavam
a 7%.
Nas simulações de segundo
turno, Roberto Requião também venceria a eleição.
O governador aparece com 51%, contra 36% de Osmar Dias. Na primeira
pesquisa, Requião tinha 49% e o senador, 33%.
Se o adversário de Requião
no segundo turno fosse Rubens Bueno, o governador seria reeleito com
uma diferença ainda maior: 61% contra 19%. Numa eventual disputa
com Flávio Arns, Requião teria 63% e o petista, 16%. O
porcentual de entrevistados que anulariam o voto é maior nas
simulações entre Requião com Rubens Bueno ou Flávio
Arns, em torno de 14%. No caso do governador contra Osmar Dias, 8% respondeu
que pretende votar em branco ou anular o voto.
Rejeição
A pesquisa RPC–Gazeta do
Povo/Ibope revela que Requião continua líder em rejeição.
Dos entrevistados, 16% afirmaram não votar de jeito nenhum no
candidato do PMDB. Na pesquisa anterior, ele aparecia com 17%. Única
mulher na disputa, Ana Lúcia Pires tem o segundo maior índice:
12%. A pesquisa mostra que a rejeição do petista Flávio
Arns aumentou de 8% para 10%, empatado com Luiz Adão e Ivo Souza.
Já Osmar Dias e Rubens Bueno se mantiveram com 8%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24
de agosto de 2006 | Brasil
OPOSIÇÃO-Candidado do PSDB ataca
decisão que beneficia aposentados
Alckmin diz que adiantar 13.º
salário “é eleitoreiro”
Brasília – O candidato do PSDB à Presidência,
Geraldo Alckmin, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
de adotar medidas eleitoreiras para garantir a sua reeleição.
Ele citou como exemplo a promessa feita ontem por Lula de antecipar
para setembro o pagamento de metade do 13.º salário dos
aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Com isso, o repasse será feito às vésperas das
eleições de outubro.
O tucano lembra que essa é
a primeira vez na história da Previdência que os benefícios
serão antecipados. Alckmin disse que Lula faz a política
do “atraso”. “É muito bom antecipar o 13.º.
Em São Paulo, há oito anos pagamos metade no aniversário
do funcionário. A diferença é que fazemos isso
há oito anos. (O Lula) faz essa política atrasada de fazer
as coisas em véspera de eleição”, afirmou.
O candidato do PSDB citou ainda o reajuste do salário mínimo
concedido neste ano pelo governo, que superou todos os valores desde
o início do mandato. “O governo concedeu reajuste de 16,67%.
Nos três primeiros anos de governo o reajuste ficou em 1%”,
disparou. Para Alckmin, a lógica do presidente Lula é
ter “poder” e para isso ele “subestima a inteligência
das pessoas, com medidas eleitoreiras”. À tarde, o candidato
apresentou parte de seu programa de governo para a área da saúde
em um congresso com entidades filantrópicas.
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Folha
de São Paulo, 24 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Heloísa decide atacar Alckmin na
televisão
Intenção do PSOL é polarizar
disputa pelo segundo lugar e atrair votos de descontentes com o presidente
para senadora | Coordenador de campanha de candidata diz que sigla vai
explorar "contradições" de tucano, como economia
sob FHC e crise na segurança
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO
JOSÉ DOS CAMPOS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
O PSOL decidiu aumentar os ataques contra
o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, a partir
da próxima semana. A estratégia tem como objetivo acirrar
a disputa pela segunda posição na corrida eleitoral entre
o tucano e a candidata da sigla, Heloísa Helena. Segundo o coordenador
da campanha da senadora, Martiniano Cavalcante, a partir da semana que
vem a propaganda de Heloísa irá explorar com mais força
"as contradições do PSDB e de Alckmin".
Entre as "contradições",
disse Cavalcante, estão a crise na segurança pública
em São Paulo, as semelhanças entre a política econômica
do PT, no governo Lula, e do PSDB, no governo Fernando Henrique Cardoso,
além das CPIs contra a gestão Alckmin barradas na Assembléia
de São Paulo. "Nós queremos explorar essas contradições.
Como é que o Alckmin diz que vai baixar a taxa de juros se o
PSDB tem a paternidade dessa política, o DNA dessa política
econômica que privilegia o sistema financeiro?", disse Cavalcante.
Para o coordenador, a campanha do PSDB
passa por uma crise devido ao desempenho de Alckmin e o momento é
de "aumentar o nível de polarização".
Na visão dele, se a senadora conseguir se aproximar a ponto de
colocar em risco a segunda posição de Alckmin, parte dos
votos daqueles que se opõem ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva deverá migrar para a candidatura de Heloísa
Helena.
Ontem, porém, Heloísa continuou
mirando em Lula. A senadora disse em Porto Alegre que os ""moleques
de recado" do governo (ministros e ex-ministros) pregam mentiras
a seu respeito. Acompanhada da deputada Luciana Genro (PSOL-RS), filha
do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), Heloísa
preferiu não dizer quais são os ministros que define como
""moleques". As mentiras seriam que ela é contra
o Bolsa-Família e ProUni. (FÁBIO
AMATO E LÉO GERCHMANN)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2006 | Brasil
PESQUISA-Novo levantamento mostra que presidente
teria 56% dos votos válidos se eleição fosse hoje
No Datafolha, Lula sobe após
início de propaganda
São Paulo – A primeira pesquisa
de intenção de voto para a Presidência realizada
pelo Datafolha após o início da exibição
do horário eleitoral gratuito, no último dia 15, mostra
os primeiros efeitos da propaganda na tevê. O presidente, e candidato
à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
oscilou de 47% das intenções de voto na pesquisa realizada
nos dias 7 e 8 de agosto, para 49% no levantamento realizado segunda-feira
e ontem. Se a eleição fosse realizada hoje, Lula seria
eleito no primeiro turno, com 56% dos votos válidos, isto é,
excluídos os votos nulos, em branco, e os eleitores que se declaram
indecisos.
A pesquisa também mostra que o
governo do petista atinge aprovação recorde: Lula obtém
a maior taxa de aprovação a um presidente desde que o
Datafolha começou a fazer pesquisas nacionais de avaliação
do governo federal, em 1990, durante o governo de Fernando Collor de
Mello.
O segundo colocado na disputa, Geraldo Alckmin (PSDB), também
oscilou positivamente, de 24% para 25% das preferências. Já
Heloísa Helena (PSol) viu sua curva ascendente ser interrompida,
e oscilou para baixo, de 12% para 11% .
Nanicos
Cristovam Buarque (PDT), mais uma vez,
obtém 1% das intenções de voto. José Maria
Eymael (PSDC), Luciano Bivar (PSL) e Rui Costa Pimenta (PCO) não
atingem 1% das menções, como já ocorria no levantamento
anterior.
Avaliação do governo
Quanto à avaliação
do governo federal, a taxa dos que consideram o desempenho do petista
ótimo ou bom, que já havia crescido sete pontos porcentuais
entre julho e o início de agosto, tendo passado de 38% para 45%,
voltou a subir, e é hoje de 52%. A taxa dos que classificam o
governo Lula como regular caiu de 36% para 31% e a dos que acham que
ele vem sendo ruim ou péssimo passou de 18% para 16%.
O antecessor de Lula, Fernando Henrique
Cardoso (1995– 2002), atingiu sua melhor marca em dezembro de
1996, quando estava prestes a completar dois anos de governo, e era
aprovado por 47%. Itamar Franco (1992– 1994) obteve 41% ao deixar
o governo, em dezembro de 1994. A melhor marca de Fernando Collor de
Mello (1990–1992) foi registrada após três meses
de governo, em junho de 1990, quando 36% aprovavam seu desempenho à
frente do governo.
A nota média atribuída
ao presidente, em uma escala de 0 a 10, é 6,7. Na pesquisa anterior
ela era 6,3. Cerca de um quinto (19%) atribui nota 10 ao presidente.
Porcentual idêntico acha que ele merece nota 8.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Só um candidato apresentou
plano de governo
Brasília – A 40 dias das eleições, apenas
um dos seis concorrentes a presidente da República divulgou oficialmente
sua proposta de programa de governo. José Maria Eymael (PSDC)
lançou seu programa durante a convenção que o indicou
candidato, no dia 17 de junho. Com 27 itens, em alusão ao número
do seu partido, o candidato diz que o programa consiste em “uma
visão sintetizada de grandes idéias”.
O PT do presidente e candidato a reeleição
Luiz Inácio Lula da Silva tinha inicialmente previsto a divulgação
de seu plano de governo para hoje, mas adiou para terça-feira
da semana que vem. Segundo a assessoria de imprensa do partido, por
questões de agenda a primeira data foi inviabilizada.
Já o PSDB de Geraldo Alckmin informou
através da assessoria de imprensa da campanha que não
vai apresentar “por agora” um programa fechado. O candidato
vem apresentando publicamente propostas pontuais. À medida que
Alckmin for divulgando os pontos do seu programa – que tem mais
de 30 temas –, eles serão disponibilizados no site do candidato.
Cristovam Buarque (PDT) deve lançar
o seu programa no dia 1.º de setembro. De acordo com um dos coordenadores
do programa de governo do partido, Elimar Pinheiro do Nascimento, o
documento é dividido em duas partes. A primeira contém
as diretrizes e está em fase final de revisão. A segunda,
que aponta como executar essas diretrizes, está sendo finalizada.
O PSL de Luciano Bivar disponibilizou 13 propostas no site do candidato
(www.lucianobivar17.can.br). Já o PSol de Heloísa Helena
deve apresentar o seu programa de governo no fim do mês.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Central ligada a tucanos decide
apoiar candidato petista
Brasília – A Social Democracia Sindical (SDS), central
sindical formada em 1997 por tucanos e pefelistas, decidiu pela primeira
vez não apoiar um candidato a presidente do PSDB e oficialmente
está reforçando a campanha pela reeleição
de Luiz Inácio Lula da Silva.
“É a primeira vez que não
apoiaremos o candidato do PSDB, pois tivemos muitos problemas com Alckmin
enquanto governador, principalmente no processo de privatização
das empresas de energia. Decidimos oficializar o apoio ao Lula”,
afirmou o presidente da SDS, Enilson Simões de Moura, o Alemão.
Com este apoio inusitado, o atual presidente
conta agora com o apoio oficial de três centrais sindicais: Central
Única dos Trabalhadores (CUT) – que representa 22,5 milhões
de trabalhadores; a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB),
que reúne 4,8 milhões de trabalhadores; e a SDS, que representa
4,2 milhões de pessoas.
Já o candidato tucano Geraldo
Alckmin, que oficialmente não recebe o apoio de nenhuma central,
tem a simpatia da maior parte dos sindicalizados da Confederação
Geral dos Trabalhadores (CGT), que tem 2,6 milhões de sindicalizados.
A Força Sindical, a segunda maior
central do país com 7,1 milhões de trabalhadores na base,
se diz oficialmente neutra, porém a maior parte de seus dirigentes
e militantes apóia Cristovam Buarque (PDT).
Heloísa Helena (Psol) conta
com o apoio informal da Coordenação Nacional de Lutas
(Conlutas), central sindical de extrema esquerda com cerca de 1,8 milhão
de trabalhadores na base.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de agosto de 2006

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Folha
de São Paulo, 22 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula muda agenda para tentar "salvar"
PT
Reformulação de material gráfico,
gravação de inserções e presença de
ministros fazem parte da estratégia nos Estados
Presidente grava inserções para os
programas de TV de todos os candidatos a governador; sigla é
favorita só em Sergipe, Acre e Piauí
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em situação confortável
nas pesquisas e já fazendo planos para o segundo mandato, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vai mudar sua campanha a partir de
setembro para tentar evitar um vexame de seu partido nas disputas estaduais.
A 40 dias da eleição, os candidatos a governador do PT
não decolaram. São a dor de cabeça de uma campanha
que é mais tranqüila do que as mais otimistas projeções
petistas previam. Em apenas três Estados periféricos o
PT é favorito: Acre, Sergipe e Piauí.
Juntos, são meros 2,9% do eleitorado.
Muito pouco para um partido que almeja, além de eleger o presidente,
fazer uma bancada de 80 deputados federais e elevar os senadores de
12 para 15. A mudança virá na agenda de Lula, na participação
de ministros nas campanhas estaduais e na reformulação
do material gráfico. "O que o nosso pessoal nos Estados
precisa para crescer é vitamina L [de Lula]", diz Romênio
Pereira, que cuida da estratégia no interior do Brasil.
Até agora, Lula privilegiou grandes
centros populacionais do Sul e Sudeste, onde sua dianteira sobre Geraldo
Alckmin é menor. E ignorou Norte e Centro-Oeste. Isso agora mudará.
O PT calcula que tem grande possibilidade de chegar a um segundo turno
em mais quatro Estados: Rio Grande do Sul, Pernambuco, Pará e
Rondônia. Há chances menores em Mato Grosso do Sul, São
Paulo e Bahia. No resto, fará figuração.
"A presença de Lula pode
fazer a diferença entre haver segundo turno aqui ou não",
diz Charles Alcântara, da campanha de Ana Júlia no Pará.
O último Ibope deu a ela 26% das intenções de voto,
20 pontos atrás de Almir Gabriel (PSDB). Lula deve ir ao Pará
em setembro. Incluirá Piauí e Sergipe na agenda. O presidente
termina nessa semana de gravar inserções para os programas
de TV de todos os petistas. Ministros como Dilma Rousseff, Fernando
Haddad, Marina Silva e Tarso Genro foram escalados, além do vice
José Alencar. Há ainda orientação para aumentar
o destaque dado ao nome de Lula, à sua imagem e ao número
13 no material gráfico.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de agosto de 2006
Internet ajuda eleitor a fiscalizar e
escolher em quem votar
Exercício da cidadania ganha sites
especializados que acompanham candidatos e instituições
por BIA MORAES especial para a Gazeta
do Povo Online
Dezesseis anos depois da primeira eleição
direta para presidente, após a redemocratização
do país, os brasileiros são mais uma vez chamados para
ir às urnas. Desta vez, com uma diferença. O movimento
pelo “voto consciente” sai do plano do discurso e ganha
contornos práticos. As informações e a fiscalização
estão ao alcance de todos que tenham aceso à internet.
Para as eleições 2006,
o eleitor já dispõe de ferramentas eficientes para fiscalizar
e acompanhar a vida política dos candidatos e instituições
públicas. Agora, é possível escolher em quem votar
levando em conta critérios bem definidos, e checar como os políticos
estão se comportando – em resumo, encontrar diferenças
entre o que falam e prometem, e o que realmente fazem e já realizaram.
É na internet que o eleitor pode
encontrar ajuda, e também se manifestar. Bastam alguns cliques
para entrar no mundo do voto consciente. Entidades da sociedade civil,
formadas por líderes empresariais, jornalistas, estudantes, representantes
classistas e formadores de opinião, arregaçaram as mangas
e foram à luta. Surgiram sites apartidários, criados especialmente
para essa
finalidade, que oferecem dados, acompanhamento da carreira de políticos
e partidos, abrem espaço para discussões e promovem a
prática da cidadania.
Dá para saber, por exemplo, qual
o patrimônio declarado de um determinado candidato, o que ele
fez durante seu mandato, quais projetos apresentou, se participou das
sessões de votação, e quem doou dinheiro para campanhas
passadas dele; acompanhar o calendário eleitoral enotícias
sobre política; ganhar um guia sobre o voto consciente e aprender
como funcionam as instituições.
Histórico
Um desses sites, e que mais vem ganhando
repercussão, é o Transparência Brasil. Nele, foi
implantado recentemente o projeto Excelências, que oferece ao
internauta o histórico completo de políticos que se candidatam
à eleição para deputado federal este ano.
O Transparência Brasil é
uma entidade fundada no Brasil em 2000, ligada ao movimento mundial
Transparency International, cujo mote é o combate à corrupção.
No início de 2006, o jornalista gaúcho Marcelo Soares
– que atuava no escritório da Associação
Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) - foi convidado pelo
diretor-executivo do Transparência, o jornalista Claudio Weber
Abramo, e começou a trabalhar no levantamento de informações
sobre políticos. No início de agosto, foi inaugurado o
Projeto Excelências. Nele, o eleitor pode conhecer o perfil e
a vida pregressa dos parlamentares de seu estado que concorrem à
reeleição na Câmara federal.
Também entram no site do Excelências
ex-ministros, ex-senadores, ex-governadores e ex-prefeitos que concorrem
a vaga de deputado federal. As informações incluem dados
pessoais básicos e funções públicas que
os candidatos exerceram; informações sobre o desempenho
legislativo (faltas, votações, uso de verbas de gabinete,
emendas ao Orçamento apresentadas); declaração
de bens; os doadores das campanhas eleitorais passadas; e ainda, menções
publicadas na imprensa, em que o candidato aparece ligado a algum caso
de corrupção.
O site também informa processos
judiciais, a partir da segunda instância, em que o candidato é
indiciado como réu. Todas as informações foram
recolhidas a partir de bancos de dados públicos.
Guia do voto
Outro site inaugurado recentemente, por
entidades representativas da sociedade civil, também com o objetivo
de promover a cidadania e incentivar o voto consciente, é o Portal
da Democracia, sediado no Paraná. Nele, é possível
baixar um manual bastante prático com orientações
sobre as eleições 2006. O “Guia Voto Responsável”
aparece em um link logo na página de abertura do portal. O download
é rápido: vale a pena baixar e imprimir.
O Portal da Democracia se apresenta como
apartidário, e “um espaço para o diálogo
sobre a melhoria das práticas políticas do país”.
Um dos objetivos é apresentar propostas e projetos para saúde,
educação, infra-estrutura, reforma política e reforma
administrativa. As entidades participantes são a Associação
Médica do Paraná, Associação Comercial do
Paraná, conselhos regionais de Contabilidade, Corretores de Imóveis
e Odontologia, Federações das Indústrias e das
Associações Comerciais e Empresariais do Paraná,
o Instituto de Engenharia do Paraná e a Ordem dos Advogados do
Paraná.
Verbas públicas
Outro endereço interessante na
web é o Contas Abertas. Nele também é possível
acompanhar orçamentos de verbas públicas federais e saber
como estão sendo aplicados os recursos. O site traz notícias
sobre políticos e corrupção acompanhando os acontecimentos
mais recentes.
Nesta semana, por exemplo, o mestre em
Direito Administrativo e especialista em licitações, Edgar
Guimarães, explica, em entrevista ao Contas Abertas, que o país
não precisa de novas leis para combater a corrupção
na administração pública. Analisando a máfia
das sanguessugas – “o maior esquema de corrupção
da história brasileira” – Guimarães afirma
que o caso mostrou a fragilidade do sistema administrativo público
do país. O motivo de tantas irregularidades, defende o especialista,
está na “cultura da corrupção” presente
na administração pública e não na falta
de lei. Ele sugere medidas práticas para reduzir as fraudes em
processos licitatórios.
Outra notícia do Contas
Abertas informa, ironicamente, que “fazer sauna é recomendado
a quem deseja relaxar” e mostra que a Presidência da República
empenhou cerca de R$ 8 mil para a aquisição e instalação
de um gerador de vapor para saunas. “O gerador tem capacidade
de aquecer saunas de até 24m2. A metragem é cerca de seis
vezes maior do que o recomendado para saunas residenciais”, aponta
a notícia.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
21 de agosto de 2006
Brasil tem 11,5 milhões de filiados
a partidos
Brasília - Cerca de um a cada dez
eleitores brasileiros é filiado a um partido político.
O levantamento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela
que há 11,560 milhões de eleitores filiados a partidos
no Brasil e no exterior. O número de brasileiros filiados a partidos
aumentou em 429 mil nos últimos quatros anos. Em relação
ao total de eleitores, a parcela de filiados diminuiu.
O número corresponde a 9,18% do
total de eleitores habilitados a votar neste ano: 125,91 milhões.
Em 2002, quando 115,25 milhões de eleitores estavam aptos a votar
nas eleições gerais, o número de eleitores filiados
era de 11,131 milhões (9,65%).
O PMDB detém o maior número
de filiados: são 2,02 milhões (17,5% do total). Em segundo
lugar, aparece o PP, com 1,26 milhão de filiados, seguido pelo
PSDB, que apresentou 1,09 milhão. O PT surge em quarto lugar,
com 1,04 milhão e, em quinto, vem o PFL, que registrou 1,02 milhão.
Em contrapartida, o PRB tem a menor quantidade
de filiados, apenas 3.295, ou 0,02% do total. Na penúltima colocação,
está o Partido da Causa Operária (PCO), com 3.414 eleitores.
O Psol tem 5.556 filiados. Logo em seguida, aparece o PSTU, que tem
13.621 eleitores. O PCB tem 13.917 filiados.
A estatística também
mostrou que 601 eleitores que moram fora do país são filiados
a partidos políticos. Desse total, o PT é a legenda que
mais possui filiados: são 135. Já o PCO, o Partido Republicano
Brasileiro (PRB) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não
registraram filiados no exterior.
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Folha
de São Paulo, 20 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula já pensa como eleito e quer
menos PT no 2º governo
Se reeleito, presidente pretende montar ministério
com mais peemedebistas; Mantega deve ser mantido na Fazenda
Dilma, Fernando Haddad e Paulo Bernardo estão
entre os atuais ministros que devem permanecer no governo em caso de
vitória
Caio Guatelli/Folha Imagem
Lula segura a menina Giovana Carvalho Picin, de sete meses, durante
evento com cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende
(RJ)
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em conversas reservadas, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva já fala como reeleito no primeiro
turno e faz planos para um segundo mandato. Diz que não pagará
"pedágio" para formar o novo ministério, o que
pretende "fazer sozinho", e que diminuirá o poder do
PT, que tem hoje 18 dos 34 ministros. "Pagar pedágio"
é expressão que Lula usa quando toma decisões com
relutância para atender pressões políticas. Em 2002,
nomeou candidatos do PT derrotados nas eleições.
Lula deve aumentar a participação
do PMDB na equipe. Com a possível redução das bancadas
do PT e dos aliados PL, PP e PTB -todos atingidos pela crise do mensalão-,
é com os peemedebistas que ele conta para montar uma base de
sustentação no Congresso. A Folha apurou que Lula não
pretende mudar a equipe econômica. Planeja dar mais força
à pasta da Educação e reformular a da Saúde,
por avaliar que teve política errática nessa área.
Dilma Rousseff (Casa Civil) desponta
como o nome mais forte de uma segunda etapa no Palácio do Planalto,
segundo demonstrações de prestígio dadas por Lula
nas reuniões. Visto como revelação, Fernando Haddad
(Educação) tem conquistado espaço. Guido Mantega
(Fazenda) é uma grata surpresa, nas palavras de Lula, que não
pretende tirá-lo da pasta.
Paulo Bernardo (Planejamento) também deve ficar. Mantega obedece
à risca ao presidente e estabeleceu aliança com Dilma.
Lula aprova o rigor de Dilma no trato com os ministros. Ele justifica
o "estilo Dilma" dizendo que é eficiente e faz com
que suas ordens sejam cumpridas.
Na área econômica, deverá
mudar um pouco o discurso, mas não a prática. Lula avalia
que o maior sacrifício foi feito no primeiro mandato e que haverá
espaço para o PIB (Produto Interno Bruto) crescer a taxas de
4% sem novo aperto monetário ou redução da meta
de superávit primário -esta será mantida em 4,25%
do PIB. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve ser
convidado a continuar, bem como o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).
Se o ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, não recuar do desejo de deixar a pasta, há
dois candidatos na agenda de Lula, nessa ordem: o peemedebista Nelson
Jobim, ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), e o petista
Tarso Genro, hoje ministro das Relações Institucionais.
O general Jorge Armando Félix deverá sair do Gabinete
de Segurança Institucional. Lula julga fraco seu desempenho.
Ciro
A ex-prefeita de São Paulo
Marta Suplicy é um dos poucos nomes do PT que poderão
estrear no primeiro escalão. Lula pretende trabalhar para que
o ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE), candidato a deputado federal, presida
a Câmara em 2007. O atual presidente, Aldo Rebelo (PC do B-SP),
voltaria à liderança do governo na Casa. Ciro, aliás,
é uma aposta de Lula para 2010. Na lista de eventuais candidatos
petistas constam Marta, Tarso, Dilma e Aloizio Mercadante -este último
é opção para a Saúde, não mais para
a Fazenda.
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Folha
de São Paulo, 19 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Ibope mostra quadro estável, com
vitória de Lula no 1º turno
Vantagem do petista sobre seu principal adversário
é de 26 pontos percentuais; 41% consideram governo ótimo
ou bom | Segundo o instituto, presidente tem 47% das intenções
de voto, contra 21% de Alckmin e 12% de Heloísa Helena
DA REPORTAGEM LOCAL
DA REDAÇÃO
Pesquisa Ibope/Rede Globo divulgada ontem
no "Jornal Nacional" mostra que se manteve praticamente estável
a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre
seus oponentes na corrida ao Planalto, mesmo após o início
do horário eleitoral gratuito. Segundo o levantamento, Lula obteve
47% das intenções de voto, um ponto acima da marca alcançada
por ele na pesquisa anterior da série, divulgada dia 11 deste
mês. O petista oscilou positivamente dentro da margem de erro,
de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O presidenciável tucano Geraldo
Alckmin está com 21%, e a candidata do PSOL, Heloísa Helena,
com 12%, os mesmos índices apresentados por eles na pesquisa
anterior. Dessa forma, Lula seria eleito ainda no primeiro turno, com
57% dos votos válidos. A pesquisa Ibope foi realizada entre terça-feira,
dia em que teve início a propaganda para presidente, e ontem,
segunda rodada de programas. Foram ouvidas 2002 pessoas em 140 municípios.
O levantamento está registrado no TSE sob o número 13.290.
De acordo com Márcia Cavallari,
diretora-executiva do Ibope, ainda é cedo para afirmar se houve
influência da TV no resultado. Mas já é possível
avaliar o impacto das entrevistas feitas na semana passada com os candidatos
no "JN" e do debate realizada na segunda-feira pela TV Bandeirantes,
ao qual Lula não compareceu. Em um eventual segundo turno, Lula
bateria Alckmin por 53% a 32%. Cristovam Buarque (PTB), Luciano Bivar
(PSL) e José Maria Eymael (PSDC) obtiveram 1% cada um. A soma
de votos brancos, nulos e de eleitores indecisos alcançou 17%.
Frustração
Reservadamente, integrantes do comando
da campanha de Alckmin ficaram frustrados com o resultado, ainda que,
em público, todos façam a ressalva de que ainda é
muito cedo para avaliar o impacto da TV. Havia uma expectativa entre
os tucanos de que o desempenho de Lula no "JN", considerado
por eles "ruim", ajudasse Alckmin a diminuir a vantagem. Lapsos
do petista, como a afirmação de que "combateu a ética",
foram repetidos nas entrevistas do candidato do PSDB e no site de sua
campanha.
Para os petistas, o quadro estável
de Lula deve-se em parte à boa avaliação de seu
governo. Segundo a pesquisa do Ibope, 41% dos entrevistados acham a
administração atual ótima ou boa, mesmo índice
do levantamento anterior. Já o índice dos que a consideram
regular subiu de 35% para 37%. (JOSÉ ALBERTO BOMBIG E RODRIGO
RÖTZSCH)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18
de agosto de 2006 | Brasil
CONGRESSO
Tribunal arquiva processos contra
Lula
São Paulo – Duas petições do candidato a
deputado federal no Rio de Janeiro pelo PTB, Luiz Fernando D’Ávila,
sobre os reajustes salariais de servidores públicos concedidos
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à
reeleição, foram arquivadas por determinação
do ministro Cézar Peluso, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com informações
do site do TSE, nas petições, Luiz Fernando D’Ávila
imputava responsabilidade aos governos federal e estaduais e ao Congresso
Nacional pela concessão de reajustes salariais a servidores depois
de iniciado o período eleitoral e, também, “pela
utilização eleitoreira” do programa Bolsa–
Família.
O ministro afirmou, na decisão
do último dia 15, que “o requerente, que não é
advogado, pretende postular em causa própria. Mas não
tem capacidade para fazê-lo”. Peluso acrescentou, ainda,
que as petições são requerimentos “manuscritos,
com palavras cortadas em cada linha, e não foram expressos de
modo que se compreenda o pedido e a causa de pedir”.
Na avaliação do ministro
Cézar Peluso, o candidato não atendeu aos requisitos do
Artigo 282 do Código de Processo Civil e do Artigo 96 da Lei
das Eleições que dispõem sobre aspectos formais
de uma petição.
Jucá
O candidato ao governo de Roraima
pelo PMDB, senador Romero Jucá, recorreu ontem ao TSE contra
decisão do Tribunal Regional Eleitoral do estado que o condenou
a pagar multa de R$ 30 mil por propaganda eleitoral antecipada. O fato
teria ocorrido no dia 13 de junho, em entrevista de Jucá à
Rádio Equatorial.
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Folha
de São Paulo, 18 de agosto de 2006
PMDB aposta nas urnas para exigir mais cargos
de Lula
Lula Marques/Folha Imagem
Lula se deixa fotografar pelo governador
Rigotto ao lado de funcionário da Petrobras que segura camisa do
Internacional no RS
Governistas já falam em pedir até oito
ministérios para assegurar governabilidade
Partido vai pedir o controle integral de algumas
áreas da administração, mas quer esperar resultado
da eleição para negociar com petista
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e representantes da cúpula governista do PMDB já
começaram a discutir o modelo de coalizão num eventual
segundo mandato. Na semana passada, Lula pediu ao presidente do Senado,
Renan Calheiros, durante evento no Itamaraty,que apresente por escrito
qual é o modelo de coalizão imaginado pelo partido. Confiantes
no poder político que o PMDB vai adquirir após a eleição
de outubro, com a possibilidade de eleger o maior número de governadores
do país e as maiores bancadas de deputados federais e senadores,
os governistas acreditam que terão cacife para pedir muito. Evitam
tratar abertamente do assunto, mas nos bastidores já falam em
oito ministérios.
A decisão de aguardar o resultado
das urnas para negociar com o presidente Lula revela a dificuldade de
mapear o próprio PMDB e o humor do partido, sempre dividido,
após a eleição. O PMDB "lulista" não
terá vitória homogênea nos Estados, o que dificulta
ainda mais a coalizão sonhada por Lula. Ainda assim, na ambição
peemedebista de poder o ponto central da demanda não é
apenas a quantidade, mas a qualidade. A coalizão imaginada pelo
PMDB governista envolve "responsabilidade integral" por determinadas
áreas.
Ou seja, se couber ao PMDB o setor da
saúde, por exemplo, o partido quer controlá-lo por inteiro,
tendo poder para nomear todos os principais auxiliares do ministro e
dirigentes de autarquias e fundações. Em contrapartida,
a legenda responderia pelos deslizes na área. O que o partido
quer evitar é uma situação como a do Ministério
de Minas e Energia, em que Silas Rondeau, da cota do ex-presidente José
Sarney, foi nomeado ministro, mas é Dilma Rousseff (Casa Civil)
quem dá as cartas no setor.
Outro exemplo é o Ministério
das Comunicações, hoje comandado pelo senador Hélio
Costa (PMDB-MG), em que, para o PMDB, o PT continua com poder excessivo.
Sem contar o Ministério da Saúde. Saraiva Felipe (PMDB-MG)
deixou a pasta em março para poder disputar a reeeleição
a deputado federal. A cúpula governista do PMDB não conseguiu,
depois disso, indicar um novo titular. Permanece como ministro Agenor
Álvares. No primeiro mandato, a base de sustentação
de Lula no Congresso foi destroçada pelas denúncias de
corrupção. Por isso, Lula dependerá do PMDB num
eventual segundo mandato.
Correios
Os caciques governistas do PMDB tem sido
tratados com reverência por Lula. Logo no início da campanha,
receberam cargos nos Correios, estatal que foi a origem do escândalo
de corrupção que levou à descoberta do mensalão.
Na costura de alianças nos Estados, Lula articulou pessoalmente
o apoio do PT mineiro à candidatura do ex-governador Newton Cardoso
(PMDB) ao Senado. O deputado federal Jader Barbalho (PA), obrigado a
renunciar ao mandato de senador em 2001 em meio às denúncias
de corrupção na Sudam (Superintendência de Desenvolvimento
da Amazônia), hoje integra o Conselho Político da campanha
Lula, ao lado de Sarney.
Os peemedebistas -e parte do PT- acham
possível copiar o modelo chileno de coalizão e suas variações
contemporâneas, com a chegada de Michelle Bachelet à Presidência.
A concertação chilena, criada na década de 90,
é composta por quatro partidos, cujo poder se altera conforme
o quadro político. Na cabeça do PMDB, em 2007 o PT não
será mais o principal partido da coalizão.
O presidente do PT, Ricardo Berzoini,
diz que o desenho da coalizão não está sendo tratado.
"Estamos discutindo a campanha. Questão de governo vem depois.
Evidentemente temos claro que o grupo que tem se reunido tem papel importante,
também após a campanha. Mas o foco do debate hoje é
vencer a eleição." Para o presidente do PC do B,
Renato Rabelo, do conselho político, todas as legendas estão
cientes do papel relevante do PMDB num segundo mandato.
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Folha
de São Paulo, 18 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
TSE condena Lula a pagar R$ 900 mil
Presidente, que vai recorrer, foi considerado
responsável por jornal de caráter eleitoral distribuído
em janeiro
Multa tem de ser paga com dinheiro do candidato;
se mantida, advogado afirma que tentará transferir pagamento
para comitê
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) condenou
ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pagamento de
multa de R$ 900 mil pela distribuição de um jornal tablóide
de caráter eleitoral pela Casa Civil da Presidência, em
janeiro último.
A maioria dos ministros considerou Lula diretamente responsável
pela publicação, que tinha 36 páginas e 1 milhão
de exemplares. Por quatro votos contra dois, o tribunal afirmou que
houve propaganda de sua candidatura à reeleição
antes do prazo legal, que é 6 de julho.
Os dois votos favoráveis ao presidente
foram de Gerardo Grossi e Henrique Lewandowski. Para eles, o jornal
"Brasil, Um País de Todos" não fez promoção
pessoal do presidente, só comparou o governo atual com o anterior.
Na corrente pela condenação, o relator, José Delgado,
afirmou: "É uma cartilha com louvor aos feitos do chefe
do Executivo, longe de se caracterizar como propaganda de cunho educativo."
O jornal foi feito pela Casa Civil, em
parceria com o Ministério do Planejamento e Secretaria Geral
da Presidência.
O advogado de Lula, José Antonio Toffoli, disse que recorrerá
ao Supremo Tribunal Federal alegando que a tramitação
do processo no TSE violou princípios constitucionais como o devido
processo legal. Também afirmará que o valor da multa,
que o candidato tem de pagar do próprio bolso, é excessivo
-supera o patrimônio declarado por Lula ao TSE.
Ele disse que, em tese, Lula poderá
transferir a multa ao comitê, dando-lhe tratamento de despesa
de campanha. O valor equivale ao custo estimado com a produção
do tablóide. O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello,
não votou sobre a condenação -só precisaria
se manifestar em caso de empate. Ele fez, porém, defesa veemente
do prosseguimento do processo quando Gerardo Grossi sugeriu o arquivamento,
alegando motivo processual.
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Folha
de São Paulo, 18 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Na TV, Alckmin pulveriza ataques a Lula
Tucano não aparece falando contra presidente,
mas inserções do PSDB e fala de agricultor paranaense criticam
petista
Produtor rural, que só apareceu no programa
da noite, diz que Brasil não é "filé mignon"
ao qual Lula se referiu no início da tarde
MICHELE OLIVEIRA
DA REDAÇÃO
A campanha na TV de Geraldo Alckmin,
que começou com referências sutis à corrupção
no programa do início da tarde de ontem, partiu para o ataque
à noite, no segundo dia de propaganda dos candidatos a presidente.
Logo no início do programa tucano, um homem identificado como
Álvaro Liceski, agricultor do Paraná, apareceu dizendo:
"A gente vê a reportagem do Lula dizendo que o Brasil é
o filé mignon. Mas será que é esse aqui o filé
mignon?", afirmou, olhando para uma plantação atrás
dele. "Ninguém tá aqui na roça junto com nós,
vendo o outro lado: que é você produzir, você lutar
e trabalhar e não ter recompensa por isso."
O programa reagiu a uma fala de Lula
exibida sete horas antes, na qual ele dizia que tinha ficado "emocionado"
ao saber que "um trabalhador" tinha comido filé mignon
pela primeira vez na vida em seu governo. O PT também exibiu
a declaração à noite. A crítica do agricultor
foi veiculada antes mesmo da vinheta de abertura do programa de Alckmin
-estratégia de marketing para desvincular o tucano do ataque
a Lula.
A seguir, o agricultor disse que é
preciso mudar. Toda a declaração foi exibida entre duas
barras vermelhas na tela, com a inscrição "Por um
Brasil decente", nome da coligação PSDB-PFL que apóia
Alckmin. No programa da tarde -o mesmo de terça à noite-,
Alckmin não fez referências diretas ao tema da corrupção.
O locutor do programa destacou sua "história limpa".
Seu jingle usou as palavras "honesto" e "competente"
e os versos: "Quem conhece sabe que ele fala e faz. Quem acreditou,
nunca se enganou". Em seu discurso, repetiu palavras como "seriedade"
e "verdade".
Dólar na cueca
O tom do PSDB já vinha subindo
ao logo do dia, com a exibição de inserções
de candidatos a deputado federal da sigla, exibidas ao longo da programação
normal de TV. O partido falou de crise claramente, citando o mensalão,
nas peças publicitárias de 30 segundos, com fundo vermelho
e o jingle: "Não pro mensalão. Pra dólar na
cueca, mentiroso, eu digo não". Somente no final apareceu
o selo "deputados federais do PSDB".
Curtas e exibidas quase sem identificação,
as inserções são valorizadas pelos partidos porque
atingem até os telespectadores arredios à propaganda eleitoral.
No rádio, a campanha de Alckmin também havia citado Lula,
reclamando de sua ausência no debate da Band, na última
segunda-feira. "Lula não foi para fugir de responder por
que ele abandonou o Brasil na questão da segurança pública."
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Folha
de São Paulo, 17 de agosto de 2006
Propaganda de Lula sem menção
ao PT incomoda partido, que teme perder votos
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O desaparecimento do PT, de sua estrela,
seu número 13 e sua cor vermelha do primeiro programa de Luiz
Inácio Lula da Silva na TV causou desconforto dentro do partido,
que teme ver fragilizado o voto de legenda, importante para eleger deputados.
Lula, porém, classificou como bobagem essa discussão.
"Isso é uma bobagem. Primeiro
porque todo o mundo sabe que eu sou do PT e todo o mundo sabe que o
PT tem a bandeira vermelha, tem estrela. Nós estamos trabalhando
em programa de televisão, não estamos trabalhando para
vender a camisa do PT ou a estrela do PT", disse ele em Brasília.
Lula disse estranhar as alegações
de que tenta "esconder" o PT: "Como sou candidato, todo
mundo vai saber que eu sou a cara do PT e o PT é a minha cara.
Tenho muito orgulho disso, não abro a mão disso, até
porque fui eu quem criei o partido". O marqueteiro de Lula, João
Santana, já avisou que não abre mão de sua política
de "descolar" Lula do PT, atingido duramente pelo mensalão.
O distanciamento de Lula do PT é
uma necessidade: ele está decidido a fazer um governo de coalizão
num eventual segundo mandato. Para isso, criou um conselho político
de campanha com seis partidos (PT, PMDB, PSB, PC do B, PRB e PTB). "Lula
é um presidente suprapartidário", diz o presidente
do PC do B, Renato Rabelo. Para compensar os petistas inquietos, o presidente
deverá fazer aparições no horário reservado
para deputados federais e governadores.
A preocupação é
manifestada reservadamente: ninguém quer trombar de frente com
Santana agora. Um coordenador da campanha disse, sob reserva, que há
um "sentimento" de que é preciso "fazer todos
os sacrifícios para reeleger Lula". Um dos poucos a vir
a público ontem foi o secretário-geral do partido, Raul
Pont, criticando de forma sutil: "É necessário reforçar
o voto na legenda. Com as restrições à propaganda
em camisetas e faixas, a TV ganhou ainda mais importância para
puxar o voto no PT".
"Não há como desconhecer
o fato de que nosso voto se baseia muito mais na figura do Lula do que
no partido", disse a deputada Maria do Rosário, uma das
vice-presidentes do PT. João Felício, coordenador de mobilização,
espera avanços nos próximos programas: "É
importante que apareça uma referência. O PT ajuda o Lula,
não é apenas o Lula que ajuda o PT".
Os novos programas do presidente devem
passar a incluir uma rápida referência à estrela
petista. Mas uma "invasão vermelha" na campanha está
descartada. O azul continuará. "Nós não temos
nenhuma necessidade adolescente de reforçar o vermelho. O povo
sabe que Lula é o principal representante do PT", disse
o presidente do PT, Ricardo Berzoini.
A ligação de Lula
com o PT, diz Berzoini,é tão óbvia que nem precisa
ser mencionada: "Isso pode até ser tratado, mas não
achamos que seja um tema prioritário de campanha". Questionado
se iria falar de temas éticos na campanha, Lula se irritou: "É
melhor nós falarmos sobre o que nós fizemos no Brasil.
O povo está querendo que a gente mostre o que fez. Quando alguém
não tem o que mostrar, não precisa falar sobre isso. Aliás,
não quer falar".
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Folha
de São Paulo, 16 de agosto de 2006
Lula e Alckmin estréiam na TV com
fórmulas parecidas
Programas destacam biografia de candidatos e prometem
governo para os pobres
Tucano e petista coincidem até no encerramento
de suas aparições no horário eleitoral com execução
de jingles em ritmo nordestino
MICHELE OLIVEIRA
DA REDAÇÃO
No primeiro dia de propaganda eleitoral
na TV, os dois principais candidatos à Presidência, Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), apresentaram
ontem à noite programas muito semelhantes na forma, no tom e
nos conteúdos veiculados. Os dois presidenciáveis privilegiaram
mostrar suas biografias e realizações na estréia
na TV. Em seguida, vieram os discursos em estúdio e o final com
um jingle de ritmo nordestino.
As duas falas promoveram o Bolsa-Família,
programa de transferência de renda do governo federal, e prometeram
governar para os pobres. Enquanto o petista repetiu a propaganda que
tinha exibido na hora do almoço, o tucano preferiu mudar e mostrou
um programa mais parecido com o de Lula. Incluiu um jingle, forma como
o presidente encerrou, e fez um discurso em estúdio diferente.
Seu marqueteiro é o jornalista Luiz Gonzalez.
Alckmin, que apareceu antes de Lula,
destacou seus "30 anos de vida pública, uma história
limpa". Falou da "família simples", da carreira
política, do trabalho ao lado do governador Mario Covas, morto
em 2001. Mostrou suas realizações no Estado de São
Paulo. À noite, as críticas ao mensalão e à
corrupção foram substituídas por um discurso contra
os juros altos. Também incluiu sua proposta para segurança
-a de integrar as polícias.
O programa de Lula, por último,
teve a mesma estrutura. Começou com imagens de obras para depois
contar sua biografia. Tanto à tarde como à noite, destacou
sua viagem "em cima do pau-de-arara". O marqueteiro João
Santana é o responsável pela TV.
Quando falou, citou indicadores econômicos,
prometeu educação de qualidade e disse que pretende "cuidar
ainda mais dos pobres", tom adotado seguido por Alckmin à
noite. Entre os que têm menos tempo, Heloísa Helena, do
PSOL, falou de mensalão e contou sua biografia. Cristovam Buarque
(PDT) começou homenageando Leonel Brizola (1922-2004) e falou
do seu único assunto: educação. Já Luciano
Bivar (PSL) usou todo o seu tempo para atacar a imprensa. José
Maria Eymael (PSDC) exibiu, à tarde, em suas legendas dois erros
de português: "empobresse" e "obcessão".
À noite, somente a primeira palavra foi corrigida.
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Folha
de São Paulo, 16 de agosto de 2006
Partidos possuem 11,6 milhões de
filiados; maioria está no PMDB
PT é o que mais cresceu desde posse de
Lula e tem mais filiações no exterior
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Brasil têm 11.560 milhões
pessoas filiadas aos 29 partidos políticos -9,18% dos 125.913
milhões de eleitores inscritos para votar em outubro. A sigla
com maior número de filiações é o PMDB,
seguida por PP, PSDB, PT e PFL. Apesar de se manter na liderança,
com quase o dobro de adeptos que PP, PSDB, PT e PFL, o PMDB foi quem
mais perdeu filiados desde outubro de 2002, data das últimas
eleições presidenciais, caindo de 2.217 milhões
para 2.023 milhões em abril.
O PT foi o que mais cresceu após
a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em três anos e meio, saltou de 828.781 filiados para 1.091 milhão
(219.383 a mais). Outro partido que cresceu é o PTB, que era
presidido pelo deputado cassado Roberto Jefferson. A sigla tinha 985.204
filiados em abril deste ano, contra 823.178 em outubro de 2002. Entre
os dez partidos com maior número de filiados houve perda de adeptos
no PMDB, no PL e no PP, aumento no PT, no PTB e no PPS e estabilidade
no PSDB, no PFL, no PDT e no PSB. Entre os chamados "nanicos",
o PRB, do vice-presidente, José Alencar, registrou o menor número
de filiados: 3.295.
Já o PDT, do presidenciável
Cristovam Buarque, está em sétimo lugar em número
de filiações, com 957.711 nomes.
Os dados foram divulgados ontem pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral),
com base em informações prestadas pelos partidos em abril
deste ano. O número de filiações sofreu pequena
elevação em três anos e meio. Em outubro de 2002,
havia 11,131 milhões de inscritos.
Apesar de esses números serem
oficiais do TSE, os partidos políticos têm dificuldades
para contabilizar um número exato de filiados já que muitos
podem deixar o partido sem informar. Dos brasileiros filiados a partidos,
601 moram em outros países. O PT é a sigla que tem mais
adeptos nesse grupo (135 nomes), seguido pelo PMDB (79), PSDB (54) e
PFL (53). Na distribuição por Estados, 2,339 milhões
dos filiados estão em São Paulo, 1,283 milhão em
Minas Gerais, 1,063 milhão no Rio Grande do Sul, 832.019 no Rio
de Janeiro e 755.814 no Paraná. O Estado com menos filiados é
Roraima (24.645).
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 15 de agosto de
2006
Minirreforma reduz poluição
visual em época de campanha
Mesmo estando liberada há mais de um
mês, propaganda eleitoral ainda é pouco vista pelas ruas
de Londrina
A partir de hoje, os eleitores poderão
conhecer as faces e as propostas dos 852 candidatos que disputam o pleito
de 1º de outubro no Paraná, no horário eleitoral
gratuito de rádio e televisão. Apesar da propaganda eleitoral
estar liberada desde o dia 6 de julho, o eleitorado está verificando
este ano uma campanha atípica, diferenciada das anteriores. Em
Londrina, segundo colégio eleitoral do Estado, em que são
disputados os votos de 332.086 eleitores, não há outdoors,
cartazes fixados em postes, viadutos, e são poucas as bandeiras
e faixas nas ruas.
A sensível redução
da poluição visual em época de eleição
é um dos reflexos da minirreforma eleitoral introduzida pelo
Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O artigo 37 da lei 11.300, editada em
maio, diz que ‘‘nos bens cujo uso dependa de cessão
ou permissão do Poder Público, ou que a ele pertençam,
e nos de uso comum, inclusive postes de iluminação pública
e sinalização de tráfego, viadutos, passarelas,
pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos, é
vedada a veiculação de propaganda de qualquer natureza,
inclusive a pichação, inscrição a tinta,
fixação de placas, estandartes, faixas e assemelhados’’.
A lei prevê multas de R$ 2 mil
a R$ 8 mil caso o responsável pela propaganda irregular não
restaure o bem após notificado. A lei permite a ‘‘colocação
de bonecos e de cartazes não fixos ao longo das vias públicas,
desde que não dificultem o bom andamento do trânsito’’.
‘‘A questão
é que um candidato não é produto de marketing.
Ele tem que ser votado pelos seus méritos. Com o excesso de propaganda,
ele acaba se elegendo pelo marketing’’, argumentou o promotor
da 189ªZona Eleitoral de Londrina, Sérgio Correa de Siqueira.
Apesar do pouco material de campanha
nas ruas, o promotor relatou que estão sendo realizadas de três
a quatro inspeções ou buscas e apreensões por dia,
originadas por denúncias. ‘‘As irregularidades mais
encontradas são as de antigamente. É um estilo de fazer
campanha dos que se vendem pelo marketing’’, afirmou, sem
citar nomes e as infrações verificadas. ‘‘Quando
averiguadas, os procedimentos administrativos são instaurados
em dois ou três dias.’’
Para Siqueira, as restrições
impostas pela minirreforma para tentar nivelar os candidatos, independentemente
do poder econômico, pode não ser o ‘‘caminho
mais correto’’. ‘‘Acredito que se deve facilitar
o financiamento das campanhas, condicionado à comprovação
(da origem dos recursos). Todas as vezes que se restringe, acaba incentivando
o uso de caixa dois’’, opinou.
Na opinião do deputado estadual
Barbosa Neto (PDT), que nestas eleições disputa a Câmara
Federal, a minirreforma ‘‘nivela um pouco’’
os candidatos, mas deixa espaço para ‘‘compra de
lideranças’’. ‘‘Chegava a ser desleal
(a diferença quantitativa de material entre os candidatos), mas
a lei deixou uma brecha e alguns estão investindo esses recursos
na compra de lideranças’’, ressaltou. Barbosa ainda
acredita que dura pouco o cumprimento da lei. ‘‘Já
tem gente esperando para colocar o ‘bloco na rua’’’,
avisou.
Frente às novas regras eleitorais,
candidatos experientes e novatos recorrem ao velho corpo a corpo para
conquistar o eleitorado. ‘‘Já vinha fazendo campanhas
sem comício, sem uso de artifícios políticos.
Gosto de apresentar o meu trabalho,
minha prestação de contas e vou ao encontro do eleitor,
tenho adotado com muito sucesso esse modo de trabalho eleitoral’’,
disse Luiz Carlos Hauly (PSDB), que tenta o seu quinto mandato na Câmara
dos Deputados. ‘‘Minha estratégia de campanha são
reuniões com lideranças, mas não necessariamente
políticas’’, relatou o candidato à Assembléia
Legislativa, Cleyton Cruz (PP), que disputa pela# primeira vez o cargo.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
15 de agosto de 2006 | Economia
Eleição vai adiar horário
de verão deste ano para novembro
O horário de verão deste
ano vai começar com atraso por causa das eleições.
O Ministério de Minas e Energia ainda vai discutir o assunto
com o Tribunal Superior Eleitoral, mas o ministro Silas Rondeau disse
hoje que neste ano os relógios só deverão ser adiantados
no início de novembro, provavelmente, a partir da 0h do primeiro
domingo do mês, dia 5.
Normalmente, o horário de verão
tem início em meados de outubro, mas esse adiamento não
é uma novidade pois já ocorreu em outros anos eleitorais
para evitar problemas no sistema de votação.
Isso porque, se a mudança de horário
ocorresse entre um turno e outro, as urnas eletrônicas precisariam
ser reprogramadas antes do segundo turno, o que provocaria um transtorno
de logística para os tribunais eleitorais.
Os dois turnos das eleições
deste ano, para presidente, governador, senador, deputados federais
e estaduais, estão marcados para o dia 1º e 29 de outubro.
O ministro afirmou hoje a reportagem
do jornal "Folha de S.Paulo", que a tendência é
adiar o horário de verão porque a sua antecipação
poderia prejudicar a população, inclusive no que diz respeito
à segurança, já que o último domingo antes
das eleições é o dia 24 de setembro, quando a luminosidade
ainda não seria suficiente para adiantar os relógios em
uma hora.
Em sua última edição,
o horário de verão vigorou entre o dia 16 de outubro de
2005 e 18 de fevereiro de 2006 (125 dias) em dez Estados brasileiros
(Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo,
Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato
Grosso do Sul, Mato Grosso) e no Distrito Federal.
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Agência Radiobrás,
15 de agosto de 2006
Emissoras não deveriam receber
pelo horário eleitoral, defende especialista
MARCELA REBELO
REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL
Brasília - A legislação
que prevê a compensação fiscal para emissoras de
rádio e televisão que veiculam o horário eleitoral
obrigatório deveria ser revista, avalia o pesquisador Samuel
Possebon, do Núcleo de Pesquisa de Políticas de Comunicação
da Universidade de Brasília (UnB). Nas eleições
deste ano, a Receita Federal deixará de arrecadar R$ 191,6 milhões
das empresas de comunicação por causa dessa isenção
fiscal.
Para o pesquisador, as emissoras poderiam
transmitir o horário eleitoral de forma realmente gratuita, isto
é, sem receber, em troca, nenhuma isenção fiscal.
Possebon destaca que, apesar de serem empresas privadas, as emissoras
de rádio e televisão são concessões públicas.
Isso significa que elas só funcionam porque receberam uma autorização
do governo para utilizar um espaço que é público
(no caso, o espectro eletromagnético, por onde trafegam as ondas
do rádio e da televisão).
“Será que o fato de a emissora
ser obrigada a passar esse horário eleitoral gratuito não
seria uma forma de compensar o patrimônio público pela
concessão que lhes foi dada?”, questiona o pesquisador.
Ele afirmou que “não seria um absurdo” exigir que
as emissoras transmitissem o horário eleitoral gratuitamente,
como forma de compensar a concessão que receberam.
“Quando você tem uma concessão
pública, você tem que devolver uma parte do que você
recebeu na forma de bens que possam ser de interesse público”,
disse. “Simplesmente estariam devolvendo uma parte daquilo que
receberam de graça.”
Possebon defende que haja um “debate
sério” para revisar a legislação que regula
as emissoras de rádio e televisão, de modo que sejam estabelecidos
os direitos e deveres das empresas. “Pode ser que você conclua
nesse ambiente regulatório claro, preciso, transparente e democrático
que realmente as empresas precisam ser ressarcidas pela transmissão
desse horário, senão quebram – do que eu duvido”,
diz ele. “Pode ser também que esse ambiente normativo diga
que as emissoras têm essa obrigação, como acontece
com as outras concessionárias públicas que têm de
ser seguir uma série de regras.”
Em 2005, as emissoras de televisão
aberta receberam aproximadamente R$ 13 bilhões somente em publicidade,
de acordo com o estudo Inter-Meios, divulgado pela “Meio e Mensagem”,
uma publicação especializada do setor. Isso quer dizer
que a isenção fiscal pelo horário eleitoral corresponde
a menos de 2% desse faturamento com os comerciais.
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REVISTA ISTO É, 14
de agosto de 2006
Eleições 2006
O dinheiro sumiu
Nova legislação eleitoral e crise
política deixam partidos na pendura
Composta para o Carnaval de 1959, a marchinha “Ei, você
aí/ me dá um dinheiro aí/me dá um dinheiro
aí”, do trio Ivan, Homero e Glauco Ferreira, bem que poderia
ser a trilha sonora oficial das próximas eleições.
A nova legislação eleitoral, que endureceu as regras para
doações financeiras às candidaturas, aliada à
descrença causada pelos escândalos políticos, está
secando os cofres dos grandes partidos. No domingo 6, o Tribunal Superior
Eleitoral divulgou a primeira parcial sobre as doações
e gastos da campanha 2006. O campeão de arrecadação
até aqui é o comitê do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, que contabilizou R$ 5.686.558,00. Mas nem o líder
nas pesquisas e na captação de recursos parece satisfeito
com o dinheiro que entrou em sua conta.
Antes do início da corrida eleitoral, o PT definiu que o teto
de gastos de sua candidatura à Presidência seria de R$
89 milhões. Mas nem em delírio a legenda espera levantar
esse dinheiro. O PT trabalha com a expectativa de arrecadar para o primeiro
turno cerca de R$ 45 milhões. Mas o encarregado de passar o chapéu
não parece muito otimista com a meta. “Não vai ser
fácil chegar a esse valor. Nossa arrecadação está
um pouco abaixo do esperado”, admite o tesoureiro petista José
di Filippi Júnior. O problema do PT é que muitas de suas
fontes secaram. Empresários que apoiaram Lula em 2002 não
subiram no barco da reeleição. Entre os poderosos que
se distanciaram do presidente estão Eugênio Staub, da Gradiente
e Ivo Rosset, dono das marcas Valisère e Cia Marítima.
Ninguém assume, mas os últimos escândalos tiveram
papel decisivo na debandada.
O cofre petista não é o único a sofrer de inanição.
Até mesmo o PSDB, um partido com forte vinculação
com a elite econômica do País, passa por sufoco. Na primeira
prestação de contas, a campanha de Geraldo Alckmin arrecadou
R$ 1.322.697,68 e gastou R$ 1.889.387,48, um déficit de R$ 566.689,80.
O rombo, no entanto, não chega a desplumar os tucanos. O comando
da campanha informa que nos próximos dias deverão desembarcar
R$ 15 milhões nas contas de Alckmin. Enquanto o dinheiro não
chega, só resta lamentar. “Até agora arrecadamos
só a metade do que esperávamos. Parece que o pessoal (empresários)
está com receio de doar”, diz um dos assessores próximos
ao presidenciável.
A pendura está produzindo situações curiosas. Na
primeira parcial, o comitê da campanha de José Serra, candidato
a governador em São Paulo, arrecadou R$ 4,4 milhões, mais
que o dobro do de Geraldo Alckmin. Nem mesmo Ronaldo Cézar Coelho
(PSDB), candidato ao Senado pelo Rio e o mais rico participante da campanha,
segundo dados do TSE, está disposto a abrir a mão. “Dinheiro
eu não ponho. O que faço é colaborar indiretamente,
financiando comitês de campanha conjuntos e auxiliando os candidatos
a deputado que me ajudam”, diz Coelho.
Se a coisa está difícil no andar de cima da campanha dos
presidenciáveis, no andar de baixo a situação é
crítica. O candidato do PDT, Cristovam Buarque, arrecadou até
agora R$ 150 mil. Já o colega do PSDC, José Maria Eymael,
obteve a franciscana quantia de R$ 16,5 mil. Luciano Bivar, do nanico
PSL, registra melhores resultados. Já declarou R$ 260 mil de
doação, bem mais do que o valor arrecadado por Heloísa
Helena, terceira colocada na corrida pela Presidência da República.
No entanto, o PSOL da senadora transforma a dureza em instrumento de
divulgação de princípios e ética política.
Até aqui, Heloísa Helena gastou módicos R$ 105
mil. Martiniano Cavalcante, tesoureiro da legenda, dá o tom da
campanha. “Não queremos o dinheiro de banqueiros e grandes
empreiteiras. O abuso do poder econômico é o grande gerador
de corrupção. Faremos uma campanha decente, humilde e
sem comprometimentos”, brada Cavalcante. A dureza beneficiará
as cidades, que finalmente se verão livres do lixo que entupia
seus bueiros e da poluição visual que irritava seus habitantes.
Eleitores ou não.
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Folha
de São Paulo, 13 de agosto de 2006
47% do eleitorado diz ter posição
política de direita
Pesquisa Datafolha mostra que perfil conservador
do brasileiro continua forte
Questões sobre aborto, pena de morte, maconha
e maioridade penal revelam mentalidade ainda mais fortemente conservadora
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Pesquisa Datafolha revela que 47% do
eleitorado brasileiro se define com sendo de "direita". Outros
23% de "centro" e apenas 30% de "esquerda". Apesar
de menos da metade se definir como de "direita", é
esmagadora a maioria que adota posições geralmente associadas
ao conservadorismo, como a condenação ao aborto, às
drogas e a defesa de medidas mais duras de combate ao crime.
A pesquisa mostra que são contra
a descriminalização da maconha 79%. Do aborto, 63%. Outros
84% defendem a redução da maioridade penal de 18 para
16 anos e 51% querem a instituição da pena de morte. Os
percentuais gerais acima não diferem muito mesmo isoladamente
em cada um dos grupos de eleitores ("direita", "centro"
e "esquerda"). Exemplo: entre os que se dizem de "esquerda",
87% (mais do que a média) são favoráveis à
redução da maioridade penal.
Em alguns temas, como aborto, drogas
e pena de morte, os eleitores mais jovens se mostram até um pouco
mais conservadores que os mais velhos. No geral, também são
pequenas as diferenças de opinião entre os eleitores de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Geraldo Alckmin (PSDB). Os
simpatizantes ao tucano são ligeiramente mais conservadores apenas
em relação à maioridade penal e à pena de
morte.
A pesquisa, feita na semana passada,
ouviu 6.969 eleitores pelo país. Comparados aos resultados de
levantamentos semelhantes nos últimos anos, os dados mostram
que o perfil conservador do eleitor permanece forte desde a década
de 90. Para o cientista político Leôncio Martins Rodrigues,
embora boa parte do eleitorado não consiga discernir exatamente
o que vem a ser "esquerda" ou "direita", o posicionamento
mais conservador do brasileiro "faz sentido". "Há
elementos culturais que mudam com muita dificuldade no Brasil. Entre
as pessoas menos sofisticadas, a busca de "soluções
simples", como a redução da maioridade penal, têm
muitos atrativos", afirma.
Walter Maierovitch, ex-secretário
nacional antidrogas no governo FHC e especialista em assuntos de segurança,
vê nos resultados da pesquisa "uma falta de informação
generalizada" entre a população. "O brasileiro
é muito mal informado sobre esses temas polêmicos e geralmente
acaba se alinhando com posições que emanam dos EUA, onde
essas discussões são mais profundas e conservadoras",
diz. O cientista político norte-americano David Fleischer, professor
da Universidade de Brasília, concorda. "A televisão
é a grande fonte de informação do brasileiro. O
imperialismo cultural e de costumes norte-americano, que ficou muito
conservador nos últimos 20 anos, é uma forte referência."
Newton Bignotto, professor de filosofia
da Universidade Federal de Minas Gerais, afirma que os resultados contraditórios
da pesquisa atestam "a cacofonia da sociedade brasileira".
"Causa perplexidade a desconexão entre a percepção
sobre os costumes, os costumes de fato e a cultura política."
Para o psicanalista e colunista da Folha Contardo Calligaris "causa
surpresa" o alto percentual (47%) dos que se dizem de "direita".
"Ser de "esquerda" geralmente traz uma posição
mais gloriosa de si mesmo. Mas, que o brasileiro seja conservador, apenas
confirma o fato de ele, em geral, não tomar posições
de enfrentamento."
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JORNAL GAZETA DO POVO, 12 de agosto de 2006 | Paraná

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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de agosto de 2006 | Brasil
PESQUISA-Novo levantamento de intenção
de voto mostra que presidente seria reeleito no primeiro turno
Ibope confirma queda de Alckmin
e avanço de Lula
São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
venceria no primeiro turno se as eleições presidenciais
fossem realizadas agora, mostra nova pesquisa do Ibope, divulgada ontem
a noite pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.
Lula, que pontuou em 44% na última
pesquisa Ibope, há 10 dias, tem agora 46%.
O candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que tinha 25%, perdeu 4 pontos porcentuais
e caiu para 21%, e a senadora Heloísa Helena (PSol) subiu um
ponto (tinha 11% e agora tem 12%).
O cientista político Antônio
Lavareda atribuiu a queda de Alckmin aos novos ataques do crime organizado
em São Paulo. “No momento em que o PCC descobrir que pode
influenciar diretamente a eleição do futuro presidente,
estaremos numa situação muito delicada. E se tivermos
nova onda de ataques em fins de setembro, às vésperas
da eleição, o que dizer?”
Lavareda cobrou um novo posicionamento
de Alckmin sobre os ataques: “O discurso dele tem sido insuficiente”.
Paradoxo
Segundo Lavareda, quando Alckmin diz
que os ataques são uma resposta à dureza com que seu governo
tratava o crime, cria um paradoxo na cabeça do eleitor, o que
se repetiu quando ele falou em “terrorismo”.
“Os ataques transmitem a todo o
país a idéia de que São Paulo – o cartão
de visitas de Alckmin – tem problemas e isso não ajuda
a carrear votos”, diz Lavareda.
De fato, Alckmin teve uma queda de 20
pontos entre os eleitores que ganham mais de 10 salários mínimos
– de 52% para 32% – o mais atemorizado pelos ataques criminosos,
e deu a Lula, pela primeira vez, a liderança no segmento.
Assessores do candidato admitem a queda
e explicam: como Alckmin não é carismático e é
pouco conhecido, precisa de suporte publicitário constante, o
que voltará a ocorrer a partir de terça-feira, com o início
da propaganda eleitoral gratuita.
Na simulação de segundo
turno (hipotética, porque Lula venceria no primeiro) o presidente
chega aos 51% contra 33% de Alckmin, que perdeu 3 pontos (há
10 dias, Lula tinha 50% e Alckmin, 36%). Mas Lula já teve vantagem
maior a seu favor: em junho, tinha 53% e Alckmin, 29%. Nos votos válidos,
Lula tem 57% e 7 pontos porcentuais a garantir sua vitória no
primeiro turno. Segundo a pesquisa, 40% (38% na anterior) ainda não
escolheram candidato.
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JORNAL DO ESTADO, 11 de agosto
de 2006
Sindicatos rurais com Osmar
Entidades reclamam da falta de diálogo
com o governo atual
Em reunião ontem, em Castro, líderes dos 16 sindicatos
rurais que compõem o Núcleo Sindical Rural dos Campos
Gerais, decidiram, por unanimidade, dar apoio à candidatura do
senador Osmar Dias (PDT) ao governo do estado. O Núcleo é
composto pelos sindicatos das cidades de Ponta Grossa, Arapoti, Carambeí,
Castro, Imbituva, Teixeira Soares, Ivaí, Ipiranga, Curiúva,
Jaguariaíva, Ortigueira, Palmeira, Piraí do Sul, Reserva,
Telêmaco Borba e Tibagi..
“Reunimos todo o nosso grupo, fizemos
um balanço de todas as nossas ações, em especial
a ocorrida no último dia 16 de maio, o chamado ‘Grito do
Ipiranga’, e decidimos optar pelo apoio a Osmar”, ratifica
o presidente do Núcleo Sindical Rural dos Campos Gerais, José
Fernando de Paula.
O presidente do Núcleo destacou a insatisfação
do setor rural com o atual governo que, classifica José Fernando
de Paula, tem se mostrado “insensível às causas
do campo”. Os agricultores, afirma, “estão passando
por uma crise gravíssima. Para sermos ouvidos, fizemos passeatas,
fechamos estradas em todo o Paraná, fizemos protestos, e não
conseguimos, sequer, falar com o atual governador”, reclama.
A opção por Osmar, segundo
José Fernando, foi feita em função dos compromissos
assumidos pelo candidato com o setor produtivo. “Osmar Dias é
engenheiro agrônomo, já foi secretário de Agricultura
do Paraná e, como senador, tem sido a nossa voz, nosso canal
em Brasília”, destaca. “Sabemos que com Osmar o agronegócio
vai avançar. E com o setor caminhando, o Brasil caminha junto”.
Ao agradecer aos agricultores,
Osmar Dias afirmou que o apoio definido pelo Núcleo Sindical
Rural dos Campos Gerais representa não só o reconhecimento
pelo trabalho que vem desenvolvendo há mais de duas décadas,
mas também a decisão do setor de trabalhar em parceria
com o governo. “Porque um governo de verdade, ouve a população,
debate propostas e projetos com os diferentes setores e segmentos da
sociedade e trabalha em parceria”, afirmou.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
11 de agosto de 2006
Partidos buscam apoio junto aos trabalhadores
Rhodrigo Deda
Foto: Arquivo/O Estado
De olho no voto dos trabalhadores, os partidos negociam com dirigentes
de sindicatos apoio a seus candidatos.
Na busca de sustentação para suas candidaturas ao governo
do Estado, pretendentes ao Palácio Iguaçu estão
articulando o apoio de lideranças sindicais. Um dos coordenadores
do PMDB junto à centrais sindicais, Núncio Manalla, entende
que a obtenção do apoio de sindicalistas contribui para
fazer com que a mensagem do governador Roberto Requião (PMDB)
chegue com mais facilidade aos trabalhadores e suas famílias.
“Quando diretores e presidentes sindicais afirmam apoio político,
eles estão pedindo também o apoio a seus representados”,
disse.
Segundo Manalla, Requião já conseguiu a confiança
de cerca de 210 sindicatos e deve obter, pelos seus cálculos,
o apoio de no mínimo mais 50 entidades, que devem confirmar nos
próximos dias. Entre as centrais, Manalla cita a Força
Sindical, a Confederação Geral dos Trabalhadores e a Força
Trabalhista do Paraná, além da Federação
dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná, Federação
dos Bancários do Paraná e Federação dos
Empregados do Comércio do Paraná.
Contudo, Manalla pondera que o importante não é somente
a declaração formal de apoio, mas sim a realização
de um trabalho junto às bases. “Se todo mundo entendesse
a formalização de apoio, não haveria porque se
mobilizar. Mas uma coisa é um dirigente falar que representa
trabalhadores, outra é isso realmente acontecer”, disse
ele, avaliando que há uma possibilidade de que 80% dos associados
a sindicatos sigam suas lideranças. Para Manalla, o trabalho
de um dirigente sindical vale quase por duzentos militantes pagos.
Campo
Já o apoio de sindicatos à candidatura de Osmar Dias,
segundo um dos integrantes da coordenação da campanha,
José Tavares, vêm principalmente do setor agrícola.
“O fato de Osmar ter sido um grande secretário da agricultura
trouxe a ele muito prestígio. Em relação a sindicatos,
o apoio é espontâneo. A grande base é de trabalhadores
rurais.”
Tavares afirmou que não há uma contabilização
do número de entidades que apoiam Osmar. Porém, citou
o apoio das lideranças do Núcleo Sindical Rural dos Campos
Gerais, que envolvem 16 entidades. Entre outros grupos de apoio, Tavares
afirma que parte da Força Sindical em Londrina também
está com Osmar. “Recebemos ontem em Londrina o apoio de
dezenas de entidades sindicais”, disse.
Iniciando
O coordenador de mobilização da candidatura de Flávio
Arns (PT), Florisvaldo Souza, afirmou que haverá hoje reunião
com dirigentes de diversas categorias sindicais. Souza disse que as
entidades que devem compor apoio a Arns estão, em sua maior parte,
ligadas à Central Única de dos Trabalhadores. “Temos
apoios vindo de todas as regiões, principalmente região
metropolitana. Estamos começando a discutir o assunto de forma
oficial”, declarou.
Na campanha de Rubens Bueno (PPS), quem está cuidando da articulação
junto aos sindicatos é o presidente da Federação
dos Trabalhadores das Indústrias do Estado do Paraná (Fetiep),
Luiz Gin. Segundo ele, dos 36 sindicatos filiados à Fetiep, 30
estão com Bueno. “São lideranças de vários
setores como: químico, de papel e celulose, gráfico, vestuário,
extrativismo de borracha.” Gin afirmou também que agricultores
do setor fumageiro no Estado estão declarando seu apoio a Bueno
para o governo do Estado.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10 de agosto de 2006
| Brasil
SÃO PAULO
Serra vence no primeiro turno,
mostra Datafolha
Nova pesquisa Datafolha mostra que o ex-prefeito tucano e candidato
a governador de São Paulo José Serra tem 49% das intenções
de voto. Em julho, ele tinha 48%. O candidato do PT, o senador Aloízio
Mercadante, aparece em seguida, com 17% das intenções
de voto – em julho ele tinha 15%. O peemedebista Orestes Quércia
aparece em seguida, com 11% das intenções de voto. Em
julho, Quércia tinha 11% das intenções de voto.
O candidato do PDT, Carlos Apolinário, tem 2%. Plínio
de Arruda Sampaio, do PSol, não pontuou na pesquisa de agosto.
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Diário Vermelho, 10 de agosto de
2006
Para analistas, candidatura de Lula
parece imbatível
Parece cada vez mais difícil derrotar
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição
presidencial, dizem especialistas, depois que novas pesquisas mostraram
vantagem ainda maior do petista sobre o principal adversário,
o tucano Geraldo Alckmin. Mas a divulgação deste tipo
de opinião, apesar de soar como uma notícia alvissareira,
é o tipo de discurso que Lula e a coordenação
de sua campanha querem evitar. Temem que o clima de “já
ganhou” desmobilize a militância e abra o flanco para
novas investidas dos adversários.
Duas pesquisas apuradas no início
do mês e divulgadas na terça-feira apontaram que Lula tinha
vantagem entre 23 e 28 pontos percentuais sobre Alckmin. Anteriormente,
o candidato à reeleição estava 16 pontos à
frente. Lula agora teria maioria confortável dos votos para evitar
o segundo turno. "As pesquisas são uma surpresa e um desapontamento",
disse o deputado tucano Gustavo Fruet (PR). As sondagens indicaram um
retrocesso para a campanha do ex-governador de São Paulo, cujas
intenções de voto recuaram apesar das expectativas de
que sua candidatura ganharia impulso.
"A corrida está quase terminada, será muito difícil
para Alckmin reverter isso", afirmou Ricardo Ribeiro, analista
político da consultoria MCM, em São Paulo. Analistas dizem
que a queda de 7,5 pontos de Alckmin na pesquisa CNT/Sensus se deve
parcialmente ao avanço da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL),
cujas intenções de voto subiram de 5,4 para 9,3 por cento.
De acordo com o Datafolha, ela foi de 10 para 12 por cento da preferência
dos eleitores, dentro da margem de erro.
A senadora, que foi expulsa do PT por criticar reformas propostas pelo
governo, era considerada uma ameaça maior a Lula do que a Alckmin.
No entanto, as pesquisas mostraram que Heloísa Helena ganha mais
terreno entre os eleitores mais bem educados e de maior renda que apoiariam
o tucano. Segundo analistas, enquanto Lula colhe frutos do avanço
real do salário mínimo e do crescimento econômico,
Alckmin perde muitos eleitores indecisos e "votos de protesto"
que tinha atraído na televisão.
Apesar da forte presença na televisão em junho, a queda
de Alckmin se deve, em parte, ao fato de ter conseguido divulgar seu
nome mas não ter conquistado eleitores fiéis. Para Chris
Garman, analista político da consultoria Eurasia Group, em Nova
York, a onda de violência em São Paulo no mês passado
pode ter afetado a imagem de Alckmin como governador eficiente.
O tucano está convencido de que pode se recuperar porque tem
42 por cento mais de tempo de televisão do que Lula na propaganda
eleitoral gratuita, que terá início dia 15. O tempo de
cada candidato é concedido de acordo com o tamanho da bancada
da sua aliança no Congresso."A corrida ainda não
acabou", disse Fruet. A televisão é a única
forma de atingir a maioria dos 125 milhões de eleitores e boa
parte dos analistas acredita que essa exposição pode dar
uma ajuda a um candidato numa disputa apertada, mas não determina
o resultado de uma eleição.
A TV não reverteu nenhuma das três eleições
anteriores, diz a Arko Advice, consultoria de Brasília. "Depender
apenas da campanha no rádio e na TV não é suficiente
para vencer", escreveu a consultoria em um relatório desta
semana. A campanha televisiva nas próximas semanas deve ajudar
Alckmin e prejudicar Heloísa Helena, que tem apenas 10 por cento
do tempo de televisão do tucano, mas não será suficiente
para ameaçar Lula, segundo Garman.
"Seja no primeiro ou no segundo turno, Lula deve vencer. As pessoas
estão numa situação melhor do que há quatro
anos e isso é difícil de superar", disse o analista.
Arrecadação e expectativa de vitória
O comentarista político do Jornal O Globo, Ilmar Franco, publicou
ontem (8) em seu blog no portal Globo.com que corrobora para esta avaliação
otimista. Segundo o jornalista, um bom indicativo para apontar quem
são os candidatos com mais chances de ganhar a eleição
é o nível de arrecadação de recursos para
a campanha. “Como todos sabem são as grandes corporações
empresariais que fazem as doações mais gordas para os
candidatos. Estas não costumam jogar dinheiro fora e avaliam
o atendimento dos pedidos, de contribuições, pelos resultados
das pesquisas de opinião. Não é à toa que
a derrota eleitoral sempre vem acompanhada do dissabor das dívidas
de campanha.”, diz Ilmar.
Ele listou as informações sobre arrecadação
de campanha divulgadas pelo TSE nesta primeira fase da disputa eleitoral.
Nas eleições presidenciais, o presidente Lula arrecadou
R$ 5,6 milhões, o tucano Geraldo Alckmin R$ 1,3 milhão.
O candidato favorito ao governo de São Paulo, o tucano José
Serra arrecadou R$ 3,6 milhões. O candidato à reeleição
ao governo de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, também
favorito, já arrecadou R$ 2,4 milhões. A lista dos candidatos
que mais receberam contribuições revela que as doações,
de forma geral, acompanham a liderança nas pesquisas e a maior
probabilidade de vitória: Sérgio Cabral (PMDB-RJ) R$ 2,1
milhões, Roseana Sarney (PFL-MA) R$ 1,9 milhão, Paulo
Souto (PFL-BA) R$ 1,8 milhão, André Puccinelli (PMDB-MS)
R$ 1,4 milhão, Eduardo Braga (PMDB-AM) R$ 1,2 milhão.
O jornalista também faz comparações de pesquisas
eleitorais das últimas quatro disputas para a presidência
da República (1989, 1994, 1998 e 2002). Ele apresenta os dados
das pesquisas divulgadas no mês de agosto de cada um destes anos
e conclui que o candidato que chega na frente no início da propaganda
eleitoral obrigatória em geral vence as eleições.
Confira abaixo
os números:
1989 (Entrevistas realizadas nos dias 19 e 20 de agosto)
Fernando Collor – 41
Leonel Brizola – 14
Luiz Inácio Lula da Silva – 8
Mario Covas –
Ulysses Guimarães - 5
1994 (Entrevistas realizadas nos dias 16, 17 e 18 de agosto)
Fernando Henrique Cardoso – 41
Luiz Inácio Lula da Silva – 24
Leonel Brizola – 5
Orestes Quércia - 5
1998 (Entrevistas realizadas no dia 14 de agosto)
Fernando Henrique Cardoso – 42
Luiz Inácio Lula da Silva – 26
Ciro Gomes – 7
Enéas Carneiro - 4
2002 (Entrevistas realizadas nos dias 15 e 16 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva – 37
Ciro Gomes – 27
José Serra – 13
Anthony Garotinho - 12
2006 (pesquisas realizadas em agosto.)
Sensus (Entrevistas realizadas nos dias 1, 2, 3 e 4 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva - 47,9
Geraldo Alckmin - 19,7
Heloísa Helena - 9,3
Cristovam Buarque - 0,6
Datafolha (Entrevistas realizadas nos dias 7 e 8 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva – 47
Geraldo Alckmin – 24
Heloísa Helena – 12
Cristovam Buarque – 1
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Folha
de São Paulo, 10 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / ESTADOS
Cabral vai a 42% e pode vencer no 1º
turno no Rio
Peemedebista sobe, mas não supera o empate
técnico com o total de seus adversários | Na disputa pela
única vaga do Rio ao Senado, Jandira Feghali (PC do B) lidera com
21%; Francisco Dornelles (PP), 14%, está em segundo
PLÍNIO FRAGA
DA SUCURSAL DO RIO
A uma semana do início do horário
eleitoral gratuito no rádio e na TV, o candidato do PMDB ao governo
do Rio, Sérgio Cabral, está 23 pontos à frente
do segundo colocado -Marcelo Crivella (PRB), com 19%- e atinge 42% das
intenções de voto contra 37% da soma total de seus adversários,
mostra o Datafolha. Na pesquisa anterior, a vantagem de Cabral era de
21 pontos. Como a margem de erro é de três pontos percentuais,
Cabral pode ter entre 39% e 45%, e seus concorrentes somados, entre
34% e 40%. Ou seja, não é certo hoje que seus votos superem
os dos adversários, condição para vencer no primeiro
turno. Mas sua situação melhorou. Em julho, Cabral tinha
41% contra 39% dos demais.
Descontados os votos nulos, brancos e
indecisos, Cabral atinge 53% dos votos válidos. Depois de Cabral
e Crivella, aparecem Denise Frossard (PPS), com 9%; Eduardo Paes (PSDB),
3%; Vladimir Palmeira (PT) e Luiz Novaes (PSDC), 2%; e Carlos Lupi (PDT)
e Milton Temer (PSOL), com 1%. Dos entrevistados, 53% afirmaram não
ter nenhum interesse em assistir ao horário eleitoral que começa
na próxima terça-feira, contra 46% que dizem ter algum
interesse.
A pesquisa mostra que é alto o
índice de eleitores (55%) que declaram não saber em quem
votar, quando não é apresentado um cartão com os
nomes dos candidatos. Na chamada pesquisa espontânea, Cabral tem
20% contra 5% de Crivella. Na disputa pela única vaga do Rio
ao Senado, Jandira Feghali (PC do B) segue à frente, com 21%,
seguida por Francisco Dornelles (PP), que tem 14%. O Datafolha ouviu
1.246 eleitores nos dias 7 e 8 de agosto. A pesquisa foi registrada
no TRE-RJ sob o número 51816/2006.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de agosto de 2006 | Política
JUSTIÇA ELEITORAL-Hermas Brandão
deixa de ser candidato a vice; Requião perde tempo no horário
gratuito
TRE anula coligação
PSDB–PMDB
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu ontem, por três votos
a dois, pela retirada do PSDB da coligação Paraná
Forte, formada pelo PMDB e PSC. A decisão segue o voto do relator
do processo, João Pedro Gebran Neto, favorável ao pedido
do diretório nacional do PSDB, que pedia a anulação
da aliança com o PMDB, que tem o governador Roberto Requião
como candidato à reeleição.
Além da retirada do nome de Hermas
Brandão da vice, outra conseqüência do fim da coligação
é o tempo de horário eleitoral. O TRE divulgou ontem a
nova tabela de tempo no rádio e televisão, já com
o tempo do PSDB dividido entre os demais partidos. Com o PSDB, o governador
Requião teria 4 minutos e 26 segundos de propaganda. Sem os tucanos,
esse tempo passa para 2 minutos e 54 segundos.
De acordo com a assessoria de comunicação do TRE, com
a decisão, mesmo que haja recurso, os dois partidos devem agir
separadamente, retirando o nome de Hermas Brandão (PSDB) da vice
e a sigla tucana do material de propaganda. O TRE vai comunicar hoje
os partidos e emissoras de rádio sobre as conseqüências
da decisão.
O advogado que defende a coligação,
Guilherme Gonçalves, não tem o mesmo entendimento sobre
o processo daqui para frente. Ele disse que vai recorrer da decisão
no TSE, mas que até o julgamento em Brasília tudo permanece
como está. “Pretendemos recorrer ao TSE e eventualmente
ao STF. A coligação permanece, enquanto não houver
uma palavra final da Justiça em Brasília”, disse
Gonçalves. Ele afirma que enquanto estiver sub judice o tempo
de televisão é o tempo da coligação.
O texto da decisão (teor do acórdão)
será publicado hoje, quando passa valer o tempo de três
dias para recurso. O TSE tem até 20 de setembro para julgar o
recurso.
Já o advogado do diretório
regional do PSDB, Nilson Sguarezzi, afirma que, até decisão
em contrário, os dois partidos seguem cada um para seu lado.
“A partir dessa decisão do TRE, o tribunal vai cumprir
a sua decisão”, disse.
Segundo o advogado, Hermas deve se conformar
com o fato de não poder ser candidato. “Ele deve ter avaliado
os riscos e as conseqüências da tentativa de ser candidato
a vice”, disse Sguarezzi.
Além de Gebran Neto, votaram contra
a homologação da coligação PMDB–PSDB
os juízes Renato Braga Bettega e José Carlos Dalacqua.
A favor da coligação votaram os juízes Munir Abagge
e Renato de Almeida Andrade. O vice-presidente do TRE, desembargador
José Antônio Vidal Coelho, presidiu a sessão de
segunda-feira, interrompida pelo pedido de vistas do processo, e por
isso não votou, já que encerrou essa pauta ontem presidindo
a sessão.
Munir Abagge, que pediu vistas
ao processo na segunda-feira, disse que o argumento da democracia exercida
durante a convenção do PSDB, que pela maioria decidiu
pela coligação, era o argumento mais forte pela manutenção
da escolha dos delegados. “Meu bom senso não admite que
uma decisão legitimamente votada por umas de 400 convencionais
seja cassada por uma pessoa que não deu direito de defesa à
outra parte”, disse Abagge. Ele se referiu à decisão
do presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, de anular o resultado
da convenção, por não atender aos interesses da
candidatura à Presidência da República do partido.
Daniela Neves
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de agosto de 2006 | Política
JUSTIÇA ELEITORAL
Recurso contra decisão divide
peemedebistas
O PMDB passou a viver uma confusão com a decisão do Tribunal
Regional Eleitoral (TRE) contra a coligação com o PSDB.
Enquanto os advogados do partido estudavam, ontem, entrar com o recurso
suspensivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os líderes do
PMDB articulavam pela desistência do recurso.
“Se depender de mim, não
vamos recorrer. Só toleramos o PSDB por respeito ao Hermas Brandão”,
afirmou o deputado Dobrandino da Silva, presidente do PMDB no Paraná.
“A nossa campanha está nas ruas e essa decisão não
muda nada. Só perdemos um pouco do tempo de televisão.
Por mim, o nosso candidato a vice-governador seria o Orlando Pessuti
(PMDB).”
A opinião de Dobrandino, no entanto,
pode ser modificada dentro do próprio PMDB. Segundo o vice-presidente
do partido, deputado Nereu Moura, o governador Roberto Requião
está analisando, além do recurso em Brasília, a
possibilidade de lançar chapa pura na disputa eleitoral. Pessuti
está sim no páreo para vice.
Mas há outro nome sendo cogitado:
o de Renato Adur. Ele é coordenador da campanha de Requião
no interior e foi secretário estadual de Desenvolvimento Urbano.
Nesse caso, Pessuti seria candidato ao Senado. Segundo peemedebistas,
Adur considera a idéia interessante e estaria disposto a assumir
a responsabilidade. Porém, se não tiver de disputar com
Pessuti. Já Requião, oficialmente, segundo sua assessoria,
disse confiar nos advogados da coligação e que está
com os democratas do PSDB e não crê que a aliança
seja abalada.
Do lado do PSDB, a decisão do
TRE sinalizou como libertação. De acordo com o presidente
estadual do partido, deputado Valdir Rossoni, os tucanos agora retomam
sua trilha normal. “Essa aliança era descabida. Sofremos
em 2004 tendo de brigar com Requião”, disse o parlamentar,
contando que os correligionários tucanos estavam angustiados
em não poder apoiar Osmar Dias (PDT) para governador.
Segundo Rossoni, agora todos poderão
aderir à campanha do pedetista, inclusive o prefeito Beto Richa.
Osmar Dias ficou animado com a
decisão do TRE. “Sei que cabe recurso. Mas o TRE tomou
a decisão correta. O partido nacionalmente é que manda”,
disse. “Agora há liberdade total para o PSDB me dar apoio,
mesmo que informal. Estão liberados para ser manifestar publicamente
sem ser infiéis. Espero o apoio, que só é consolidado
quando é público.”
Caio Castro Lima
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de agosto de 2006 | Política
JUSTIÇA ELEITORAL
Hermas pode assumir o governo até
dezembro
O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão
(PSDB), pode virar governador do Paraná até dezembro.
Segundo o vice-presidente do PMDB no Paraná, deputado Nereu Moura,
que ontem estava com Roberto Requião quando soube da decisão
do TRE, essa é uma alternativa que o governador está analisando
para caso o partido resolva não recorrer da posição
contra a coligação.
Se PMDB e PSDB levarem a história
ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a derrota for confirmada, Hermas
ficaria sem a chance de ser candidato a qualquer vaga nestas eleições.
De acordo com a legislação eleitoral, a troca de candidatos
na proporcional (deputados estaduais e federais) só poderia ter
ocorrido até o último dia 2. O tucano, portanto, não
poderia disputar o pleito para tentar sua continuação
no Legislativo paranaense.
“Por enquanto, cabe recurso suspensivo.
Mas vamos analisar com as lideranças do partido se vale ou se
acabamos logo com isso. O Requião está refletindo sobre
qual a melhor alternativa. Ele já falou com Hermas e pode se
licenciar. O vice-governador, Orlando Pessuti, também se licenciaria
e o Hermas assumiria o governo. Essa chance existe”, disse Nereu
Moura.
Hermas Brandão disse que vai se
reunir com sua equipe e com o governador.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de agosto de 2006 | Brasil
CNT/SENSUS-Lula amplia vantagem, segundo novo
levantamento de intenção de voto
Pesquisa mostra queda de Alckmin
Brasília – Depois de atingir um patamar próximo
dos 30% das intenções de voto, o que vinha animando seus
aliados e reforçando a tendência de a eleição
presidencial ser decidida só no segundo turno, o candidato do
PSDB, Geraldo Alckmin, caiu 7,5 pontos porcentuais de acordo com pesquisa
do Instituto Sensus, divulgada pela Confederação Nacional
dos Transportes (CNT).
O tucano saiu dos 27,2% registrados em
julho para 19,7%. Já o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva subiu de 44,1% para 47,9%, enquanto a candidata do PSol, senadora
Heloísa Helena (AL), saltou de 5,4% para 9,3%.
Com esses números, Lula seria reeleito no primeiro turno com
60,5% dos votos válidos, seguido por Alckmin com 24,9% e Heloísa
Helena com 11,7%.
Alckmin registrou queda nas intenções
de votos em todas as regiões do país, sendo que a mais
significativa foi no Sudeste, onde caiu de 34,1% para 21,6%. No Nordeste,
a queda foi de 15,8% para 11%, no Sul de 32,1% para 27,7%, no Norte
e Centro-Oeste de 29,1% para 22,8%. Já o presidente Lula registrou
crescimento em todas as regiões.
Cautela
O comando das campanhas do PT e do PSDB
decidiram adotar um tom de cautela em relação à
pesquisa. Até mesmo o coordenador da campanha da reeleição
do presidente Lula, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), evitou comemorar
o resultado.
“A pesquisa mostra uma mudança
de tendência, mas temos que ter cautela. Não houve modificação
no quadro político. O que estamos percebendo é um quadro
de consolidação do voto no presidente Lula. Temos que
esperar pelo resultado de outras pesquisas”, disse Berzoini.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)
disse que os números auferidos pelo Instituto Sensus diferem
das pesquisas internas encomendadas pelo partido. “Não
há nada de novo que justifique uma queda dessa. Não sou
de desacreditar em pesquisas, mas essa não bate com a que temos
à nossa disposição”, argumentou.
O líder do PSDB no Senado,
Arthur Virgílio (AM), também deixou transparecer suas
suspeitas em relação aos números da pesquisa da
CNT/Sensus: “Se o DataFolha confirmar estes números, vou
levar a sério essa pesquisa”, disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 08
de agosto de 2006 | Política
PESQUISA-Diferença entre o primeiro
e o segundo colocados ao governo cai no interior e aumenta na grande
curitiba
Requião tem mais votos na RMC
Mais da metade dos eleitores da região metropolitana de Curitiba
(RMC) pretende votar no governador Roberto Requião (PMDB), candidato
à reeleição. Segundo a pesquisa RPC–Gazeta
do Povo/Ibope, o governador tem 54% das intenções de voto
nos arredores da capital, seguido de Osmar Dias (PDT), com 15%.
A diferença de 39 pontos entre
os dois primeiros colocados na RMC é bem maior do que em todo
o estado. No Paraná, Requião tem 39% das intenções
de voto, contra 25% de Osmar, 7% de Rubens Bueno (PPS) e 3% de Flávio
Arns (PT).
No interior do estado, a situação é um pouco mais
confortável para o segundo colocado na pesquisa. Requião
ainda está na frente, mas a diferença em relação
ao primeiro adversário cai para 10 pontos. Popular no meio agrícola,
Osmar Dias – que é produtor rural – tem 27% dos votos
em municípios do interior, contra 37% de Requião.
Em Curitiba, o principal adversário
do governador nas urnas é Rubens Bueno (PPS), com 18% das intenções
de voto, de acordo com o Ibope. O governador tem 37% na capital. Osmar
Dias cai para a terceira colocação, com 16% das intenções
de voto dos eleitores de Curitiba.
Além de atrair o voto da região
metropolitana, Requião tem maior aceitação entre
eleitores de baixo nível de instrução. Dos entrevistados
com escolaridade até oitava série do ensino fundamental,
43% declararam intenção de votar no governador. Já
entre os eleitores de nível superior, Requião tem 32%
dos votos.
Osmar Dias, por sua vez, tem maior popularidade
entre os eleitores com ensino médio completo. Nessa faixa de
escolaridade, a diferença entre ele (31%) e Requião (35%)
é de apenas quatro pontos porcentuais.
Estratégia
O coordenador da campanha de Requião
no interior, Renato Adur – ex-secretário estadual de Desenvolvimento
Urbano – admitiu ontem que há mesmo uma diferenciação
de eleitorado de uma região para outra no Paraná. Segundo
ele, a partir do dia 15, a coligação vai intensificar
a movimentação no interior do estado. “Já
detectamos que no interior há uma maior divisão dos votos
e a eleição se polariza”, disse Adur. “Os
pequenos municípios farão a diferença nas urnas,
já que temos dificuldades nas médias e grandes cidades.”
Segundo o coordenador, o bom desempenho
do candidato do PMDB na região metropolitana se explica pelas
prioridades do atual governo. “Requião segue os princípios
da Carta de Puebla, de opção preferencial pelos pobres”,
disse.
O presidente do conselho político
da campanha de Osmar Dias, Euclides Scalco, considerou positivos os
números da pesquisa para o candidato do PDT. “Estamos em
início de campanha e o anúncio da candidatura do Osmar
foi feito recentemente.”
Scalco disse que os números mostram
que Osmar é o candidato que mais tem chances de crescimento durante
a campanha. “Assim que comece o horário eleitoral no rádio
e na tevê e o eleitor conheça todos os candidatos, devemos
crescer nas pesquisas.”
O candidato ao governo pelo PPS, Rubens
Bueno, diz que a divulgação da primeira pesquisa Ibope
no estado não vai modificar o andamento de sua campanha. De acordo
com o levantamento, Bueno tem um desempenho bem melhor em Curitiba –
onde aparece em segundo lugar, com 18%. No interior, Bueno aparece com
apenas 4%. “A pesquisa neste ponto, de início de campanha,
mostra apenas o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos. Vamos
manter a nossa programação de viagens, sem nos ater à
pesquisa. Tenho absoluta certeza que estarei no segundo turno”,
afirmou.
Para Bueno, seu desempenho no estado
é bom. Pelo Ibope, ele tem 7% das intenções de
voto. Esse porcentual corresponde ao total de votos válidos que
ele obteve nas eleições de 2002, quando também
concorreu ao governo do estado. “Naquelas eleições
terminei em quinto. Agora saio em terceiro e isso significa que já
saio vencendo.”
Flávios Arns disse que ficou
decepcionado com o resultado, mas admite que a sondagem reflete a realidade
do momento eleitoral. Ele aposta no trabalho de militância do
PT para subir nas próximas pesquisas. “É um porcentual
ainda baixo, mas tenho tido uma boa receptividade e agora é uma
questão de tempo.”
Audrey Possebom/Caio Castro Lima/Daniela
Neves/Rosana Felix
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JORNAL GAZETA DO POVO, 08
de agosto de 2006 | Política
SATISFAÇÃO
Para 50%, governo é bom
ou ótimo
Segundo a pesquisa RPC–Gazeta do Povo/Ibope, 50% dos eleitores
fazem uma avaliação positiva da atual administração
de Roberto Requião (PMDB) – 9% acham ótima e 41%
boa. Na região metropolitana de Curitiba, o grau de satisfação
é ainda maior: 58% dos entrevistados classificam a gestão
como ótima e boa.
A avaliação do governo
Requião melhorou nos últimos dois anos em Curitiba. De
acordo com a sondagem divulgada no fim de semana, 54% dos entrevistados
na capital avaliam como ótima (11%) e boa (43%) a atual gestão
do estado. Em uma pesquisa feita pelo Ibope, em julho de 2004, 39% dos
eleitores de Curitiba classificaram dessa forma a administração
de Requião.
De acordo com a sondagem atual, 67% dos
eleitores paranaenses aprovam a forma como o governador administra o
estado. Quanto maior o grau de escolaridade do eleitor, menor o grau
de satisfação com o governo Requião. Entre os entrevistados
com nível superior, 33% desaprovam a forma como o atual governador
administra o estado, enquanto que apenas 12% dos eleitores com baixo
grau de escolaridade – até a quarta-série –
se queixam da atual administração.
De acordo com a sondagem, 79% dos moradores
da região metropolitana concordam com a maneira de Requião
conduzir o estado. Em Curitiba, esse índice cai para 60% e, no
interior, para 66%. Outros 11% não souberam ou não quiseram
opinar. (AP)

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Folha
de São Paulo, 8 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / JUSTIÇA
Em São Paulo, 47% das candidaturas
são impugnadas
Entre elas, estão a do ex-prefeito da capital
Celso Pitta a do presidente nacional do PT; cabe recurso da decisão
ao TRE | Berzoini não teria votado em referendo; também
foram atingidos coronel do massacre do Carandiru e quatro deputados do
PSDB
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério Público Federal
divulgou ontem a lista completa de 1.348 candidaturas impugnadas no
Estado de São Paulo a seu pedido, cerca de 47% do total registrado.
Os candidatos têm prazo de sete dias para recorrer da decisão.
O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) analisará o recurso e decidirá,
até o final de agosto, se acolherá ou não o registro
definitivo da candidatura. Os motivos elencados pelo Ministério
Público são diversos, da simples falta de assinatura do
candidato a omissões na declaração de bens. O grosso
dos pedidos aponta ausência de documentos exigidos em lei.
Além do ex-governador paulista
Paulo Maluf (PP) e do ex-presidente da Câmara João Paulo
Cunha (PT-SP), aparecem na lista o presidente do PT, Ricardo Berzoini,
o ex-prefeito paulistano Celso Pitta (PTB), quatro deputados federais
do PSDB (Antonio Carlos Pannunzio, Carlos Sampaio, Walter Barelli e
Zulaiê Cobra), dois do PTB (Arnaldo Faria de Sá e Luiz
Antonio Fleury Filho), um do PDT (João Herrmann), um do PL (Luiz
Medeiros) e um do PSOL (Orlando Fantazzini). Também costa da
lista o deputado estadual Ubiratan Guimarães (PTB), acusado de
ter comandado o massacre no presídio do Carandiru em 1992.
Segundo o Ministério Público,
Berzoini, candidato à reeleição na Câmara,
está em situação irregular: o registro anexado
apontou "ausência às urnas". A assessoria do
candidato informou que ele recorreu e que "é possível"
que a ausência de voto se refira ao referendo sobre o desarmamento.
Sobre Carlos Sampaio, ele não teria se afastado do cargo de promotor
de Justiça em tempo hábil. Medeiros, Ubiratan e Herrmann
disseram já ter recorrido. Zulaiê, Pitta e Sampaio não
foram localizados.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou
que tinha registro em sua base de dados da entrega de prestação
de contas parcial de apenas 11.157 candidatos, que correspondem a 55,9%
dos concorrentes. No entanto, o próprio TSE esclareceu que o
número de candidatos supostamente omissos não está
consolidado, porque os tribunais regionais eleitorais ainda podem enviar
os dados que receberam. O candidato à Presidência pelo
PCO, Rui Costa Pimenta, será notificado a apresentar os comprovantes
de votação da eleição de 2004 e a prestação
de contas da campanha de 2002.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de agosto de 2006 | Política
PESQUISA-Primeira sondagem revela intenções
de voto para governador, senador e presidente no Paraná
Ibope mostra Requião com
39%; Osmar tem 24%
Se a eleição fosse hoje, o governador Roberto Requião
(PMDB), candidato à reeleição, teria 39% dos votos,
seguido de Osmar Dias (PDT), com 24%, de acordo com a pesquisa RPC–Gazeta
do Povo/ Ibope. O candidato do PPS, Rubens Bueno, aparece na terceira
colocação, com 7% das intenções de voto.
Flávio Arns (PT) teria 3%, seguido de Ana Lúcia Pires
(PRTB) – única mulher na disputa pelo governo do Paraná
–, com 1%. Os demais candidatos não chegaram a obter 1%.
Se forem considerados apenas os votos
válidos, em tese Requião poderia ser reeleito já
no primeiro turno, com 52%. De acordo com a análise dos pesquisadores,
porém, o porcentual de votos válidos do governador está
dentro da margem de erro de três pontos porcentuais para menos
ou mais, o que não descarta a possibilidade de segundo turno.
De acordo com a sondagem, Osmar Dias é o candidato mais forte
para enfrentar Requião em uma disputa direta. Nas simulações
feitas pela pesquisa, Requião teria 49%, contra 33% do senador
em um eventual segundo turno entre os dois.
Caso Rubens Bueno seja o adversário
do governador no segundo turno, a diferença aumentaria: 57% para
Requião e 20% para o candidato do PPS. Contra Flávio Arns,
Requião teria 59%, e o petista, 16%.
A pesquisa também simula um segundo
turno entre Osmar Dias e Rubens Bueno. De acordo com as intenções
de voto, Osmar seria eleito governador com 53% dos votos, contra 17%
de Rubens.
O candidato do PMDB também lidera
a pesquisa espontânea, em que os entrevistados dizem em quem pretendem
votar sem um cartão com nomes. Entre os candidatos, Requião
segue na frente, com 21% dos votos espontâneos, seguido de Osmar
Dias, com 9%. Rubens Bueno é apontado espontaneamente por 2%
dos entrevistados, contra 1% de Flávio Arns. Cerca de 6 em cada
10 entrevistados (59%) afirmaram que ainda não sabem em quem
votarão para o governo do estado.
Apesar de liderar a pesquisa de intenção
de votos, o governador Roberto Requião é o campeão
de rejeição, segundo a pesquisa do Ibope no Paraná.
Quando questionados sobre os candidatos ao governo em quais não
votariam de jeito nenhum, 17% dos entrevistados citaram Requião.
Outros 14% responderam que poderiam votar em todos os candidatos ao
governo e 40% não opinaram. Ana Lúcia Pires tem o segundo
maior índice de rejeição entre os candidatos, com
9%. Osmar Dias, Rubens Bueno, Flávio Arns e Luiz Adão
vêm em seguida, com 8%.
O índice de rejeição
dos candidatos é maior entre os eleitores com maior nível
de instrução. Entre os entrevistados com ensino superior,
27% disseram não votar de jeito nenhum em Roberto Requião.
Outros 20% declararam rejeição ao senador Osmar Dias.
De acordo com a sondagem do Ibope,
Requião tem melhor desempenho entre os eleitores menos escolarizados
– até oitava série –, entre os quais tem 43%
das intenções de voto. Outra curiosidade da pesquisa é
a popularidade do governador entre os evangélicos: 44% declararam
intenção de votar no candidato do PMDB.
Audrey Possebom
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de agosto de 2006 | Política
PESQUISA-Senador tucano foi o único citado
na resposta espontânea
Alvaro Dias tem 54% das intenções
de voto
O senador Alvaro Dias (PSDB) lidera a primeira pesquisa RPC–Gazeta
do Povo/Ibope para o Senado no Paraná com 54% das intenções
de voto. A candidata do PT, Gleisi Hoffmann, aparece em segundo lugar,
com 2%.
Os candidatos Ivan Barnardo (PSTU), José
Roberto Sandoval (PSC), Sandra Borges (PSL), Luiz Felipe Haj Mussi (PPS)
e Custódio da Silva (PRTB) tiveram 1% dos votos válidos.
Os outros três concorrentes a uma vaga no Senado não obtiveram
nem 1%. Os eleitores que votariam branco e nulo, se as eleições
fossem hoje, somam 2%. Os que não souberam ou não quiseram
opinar somam 26%, na pesquisa estimulada.
Já em relação à
pesquisa espontânea, os que não sabem em quem votar representam
78% da população. Os votos brancos e nulos somam 10%.
Entre os votos espontâneos, Alvaro Dias soma 11%. Outros concorrentes
não foram sequer citados pelos entrevistados.
Alvaro Dias lidera em todos os segmentos
analisados na pesquisa estimulada. No entanto, entre os eleitores com
nível superior, o senador tucano tem o seu pior desempenho, conquistando
45% da preferência dessa faixa de eleitor. Porém cresce
para 57% entre o eleitorado com ensino médio e 56% com ensino
fundamental, de 5.ª a 8.ª série. Entre os eleitores
com ensino superior, Gleisi tem 6% das intenções de voto,
e Ivan, 4%.
Quando o assunto é rejeição,
o candidato do PSDB também está na frente, com um índice
de 10%. Os demais candidatos têm índices de rejeição
inferiores a 10%. Dentre o eleitorado masculino, Alvaro Dias tem 57%
dos votos válidos e, entre as mulheres, 51%. Já Gleisi
Hoffmann possui 2% das preferências tanto entre homens quanto
entre mulheres. Mussi e Sandoval têm 2% dos votos masculinos e
1% do feminino. Sandra Borges e o professor Ivan aparecem com 1% da
votação masculina e 2% da feminina.
Gleisi, Sandoval e Sandra Borges
só melhoram um pouco seus índices quando os votos significam
os das famílias com renda superior a cinco salários mínimos.
Os candidatos aparecem, respectivamente, com 4%, 3% e 2%. Neste segmento,
Alvaro Dias tem 57% dos votos válidos.
Caio Castro Lima
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de agosto de 2006 | Política
PESQUISA
Lula está 7 pontos à
frente de Alckmin
A pesquisa estimulada RPC–Gazeta do Povo/Ibope para a Presidência
da República no Paraná mostra que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, está
na frente com 35% da preferência do eleitorado paranaense. Geraldo
Alckmin (PSDB) vem em segundo lugar, com 28%. A senadora Heloísa
Helena (PSOL) aparece na terceira colocação, com 12%.
Cristovam Buarque (PDT) e Rui Costa Pimenta
(PCO) tiveram 1% das intenções de voto. Os demais postulantes
ao cargo de presidente não chegaram a 1%.
O candidato tucano melhora seu desempenho
à medida em que se eleva o grau de escolaridade dos entrevistados.
Entre os eleitores que possuem nível superior, Geraldo Alckmin
tem 36% das preferências, o que representa o dobro do adversário
petista. Nesse grupo, Lula fica atrás de Heloísa Helena
no estado. Ela tem 19% e o petista, 18%.
O tucano também melhora seu índice
em relação ao candidato do PT quando a pesquisa avalia
o eleitorado jovem, com idades entre 16 e 24 anos. Os presidenciáveis
do PSDB e do PT têm, respectivamente, 34% e 31%.
Lula tem um desempenho melhor entre os
homens, com 42% contra 30% de Alckmin. Quanto menor o grau de instrução
dos eleitores, melhor também para o petista, que tem 44% dos
votos entre o eleitorado com até a 4.ª série. O adversário
do PSDB tem nesse segmento apenas 18%.
A pesquisa mostra ainda que o candidato
à reeleição vence o tucano também na periferia
de Curitiba, aparecendo com 29 pontos porcentuais mais que o concorrente
do PSDB. Lula tem 46% contra 17% de Alckmin. Já em Curitiba há
um empate entre o petista e o candidato tucano. Os dois têm 30%.
Em um eventual segundo turno, no
Paraná, o candidato do PSDB aparece com 42%, e o do PT com 40%,
o que se caracteriza como empate técnico. Lula é o candidato
à Presidência da República com maior rejeição
por parte dos paranaenses. Ele tem 35% de rejeição, contra
12% de Heloísa Helena e 11% de Geraldo Alckmin. (CCL)
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Folha de São Paulo,
07 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Lula gasta mais que o dobro do que Alckmin
no 1º mês
Campanha petista já consumiu R$ 4,2 milhões
contra R$ 1,9 milhão de tucano | Na primeira prestação
de contas ao TSE, comitê do presidente informa ter arrecadado
R$ 5,7 mi; PSDB teve R$ 1,3 mi em doações
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O comando da campanha de reeleição
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou ao TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) ter gasto R$ 4,2 milhões no primeiro mês
da corrida eleitoral, valor que corresponde a mais que o dobro do montante
declarado pelo seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB),
cujas despesas foram de R$ 1,9 milhão. Os dados correspondem
à primeira prestação de contas oficial -do candidato
e do comitê financeiro- que os presidenciáveis foram obrigados
a apresentar ao TSE ontem. O próximo informe deverá ser
no dia 6 de setembro. As parciais, entretanto, relacionam despesas e
receitas das campanhas, mas não informam nomes de doadores. Esse
detalhamento só constará da declaração final,
30 dias após a eleição.
De acordo com o relatório da campanha
do presidente Lula, que lidera as pesquisas, o comitê financeiro
gastou até agora R$ 4.196.168,07, contra uma arrecadação
de R$ 5.686.558,00. Em tese, o comitê petista teria hoje R$ 1.490.389,93
em caixa, mas o tesoureiro da campanha, José de Filippi Júnior,
argumenta que esse valor já está comprometido para quitar
contas pendentes.
A discriminação das despesas
mostra que a maior parte da arrecadação foi gasta com
publicidade (faixas, folhetos e placas), gravação de programas
de rádio e TV e pesquisas eleitorais. O principal gasto, por
exemplo, aparece sob a rubrica "publicidade por materiais impressos":
R$ 1 milhão. "À medida que se aproxima o pleito e
as pesquisas indicam um candidato mais ou menos forte, independentemente
do candidato, o ritmo de arrecadação aumenta", disse
o advogado do PT Márcio Luiz Silva, que protocolou o documento.
No segundo relatório, que corresponde
somente ao candidato Lula, constam gastos de R$ 3.496.396,68 e arrecadação
de R$ 3.650.980,52. Segundo o partido, esses valores estão contidos
na prestação de contas do comitê. No caso da campanha
de Alckmin, todos os valores estão centralizados somente na prestação
do comitê.
Déficit
O tucano informou ter arrecadado R$ 1.322.697,68,
embora o comando da campanha afirme haver doações comprometidas
que somam R$ 15 milhões até o próximo dia 10. Pelos
números atuais, entretanto, há déficit de R$ 566.689,80.
A maior despesa dos tucanos foi com "serviços prestados
por terceiros": R$ 989.698,67. Há ainda R$ 172.272,88 de
"bens permanentes", a maior fatia usada para a compra de equipamentos
(computadores, mesas, telefones) do comitê central da campanha,
em Brasília.
Última candidata a apresentar
sua prestação de contas, às 18h14 de ontem, a senadora
Heloísa Helena, candidata pelo PSOL, informou que "estima"
ter arrecadado R$ 105.099,41. Mas, segundo o tesoureiro da campanha,
Martiniano Cavalcante, esse valor é referente a passagens aéreas,
hospedagem e alimentação "doados" à candidata,
ou seja, não entraram no caixa em espécie. Por isso, a
prestação da candidata diz não ter gasto nenhum
centavo.
"A despesa é exatamente o
que foi arrecadado. Quem solicita a Heloísa paga passagem, alimentação
etc", disse ele. O candidato do PDT, Cristovam Buarque (DF), informou
ter gasto R$ 70.209,72 até agora e arrecadado R$ 150 mil. O candidato
a presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, não havia entregue sua
prestação de contas até as 19h de ontem, horário
limite para o funcionamento do protocolo.
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Folha
de São Paulo, 04 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / RETRATO ELEITORAL
PMDB é o partido com mais candidatos;
PT vem em 3º
PSDC e PSOL são os que lançaram
mais candidatos a governador e a senador | O PRB, do vice-presidente José
Alencar, é a legenda com menos candidatos: excluído o próprio
vice, são apenas 103 concorrentes
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PMDB foi o partido que lançou
mais candidatos nestas eleições, seguido pelo PDT e pelo
PT, segundo levantamento divulgado ontem pelo TSE (Tribunal Superior
Eleitoral). Dos 19.619 candidatos cujos nomes constavam nos tribunais
eleitorais ontem, 1.334 são do PMDB. O PDT vem em segundo, com
1.330, seguido do PT, com 1.207; do PSDB, com 1.155; e do PSB, com 1.130.
Esses números podem mudar se alguns
políticos forem cassados. Até 23 de agosto, todos os pedidos
de registro de candidatura deverão ter sido julgados pela Justiça
Eleitoral. A quantidade de candidaturas de cada sigla não é
proporcional ao êxito nas últimas eleições.
O PMDB, que em 2002 ficou em terceiro lugar em número de deputados
federais eleitos, é o partido com maior número de candidatos
aos cargos em disputa, sendo que, dos 1.334, 375 concorrem a uma vaga
na Câmara. O maior número de concorrentes a deputado federal
é do PDT (435), que em 2002 só elegeu 21 à Câmara.
O PSDC, que nas eleições
daquele ano elegeu apenas um deputado federal, é hoje o partido
com maior número de candidatos a governador (27) e a senador
(19). Depois vem o PSOL, com 24 candidatos a governador e 17 candidatos
ao Senado.
PRB
O PRB, partido pelo qual o vice-presidente
da República, José Alencar, disputa a sua reeleição,
foi a sigla com menor número de candidatos. Excluído Alencar,
são 103 concorrentes: um a governador, um a senador, 28 a deputado
federal, 70 a deputado estadual e três a deputado distrital (em
Brasília). Os partidos de esquerda em geral lançaram poucos
candidatos: o PCB aparece apenas um pouco à frente do PRB, com
106; o PSTU lançou 127; o PCO, 129; e o PC do B, 367.
Outro levantamento do TSE mostrou que
há pelo menos 49 candidatos com mais de 80 anos de idade, sendo
que dois deles têm mais de 100 anos. São eles José
de Souza Pinto, do PAN (Partido dos Aposentados da Nação),
que é viúvo e militar reformado, e Deodata Pereira Borges,
do PSDC. Ambos têm 101 anos, são da Bahia e concorrem a
deputado federal. No outro extremo, há cinco candidatos a deputado
estadual com 18 anos e outros seis com 19. Se eleitos, eles não
poderão assumir o cargo público em 1º de fevereiro,
porque não têm a idade mínima para exercer mandato
legislativo, de 21 anos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 03 de agosto de 2006
| Brasil
ELEIÇÕES 2006-Proposta ainda tem
de ser votada em plenário, o que deve ocorrer em 2007
Comissão do Senado aprova
fim da reeleição a partir de 2010
J.Freitas/Ag. Senado
Parlamentares participam da reunião da CCJ, que aprovou o fim
da reeleição para prefeitos, governadores e presidente
Brasília – A Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem, por unanimidade, Proposta
de Emenda Constitucional (PEC) que proíbe a reeleição
de prefeitos, governadores e presidente a partir de 2010. A PEC, de
autoria do senador Sibá Machado (PT-AC), foi apresentada em 2003
e sugeria que o mandato dos governantes fosse ampliado para cinco anos.
Ontem, no entanto, até Machado concordou com o substitutivo do
presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que mantém
os atuais quatro anos de mandato.
Para que a nova regra eleitoral passe
a valer, será preciso aprová-la nos plenários do
Senado e da Câmara, com dois turnos de votação em
cada Casa. Mas isto só deverá ocorrer em 2007.
O entendimento geral é de que, em ano de eleição
e Congresso vazio, fica quase impossível aprovar uma proposta
de emenda que exige o voto favorável de dois terços dos
513 deputados e 81 senadores.
Não é por acaso que só
agora, no esforço concentrado em meio ao recesso eleitoral, a
proposta constitucional foi aprovada na CCJ. A decisão de votar
a proposta só foi tomada depois que Alckmin disse que não
interferiria na decisão do Congresso sobre o assunto. A declaração
foi interpretada como manifestação favorável à
reeleição, contrariando os dois principais presidenciáveis
do PSDB até então – José Serra, atual candidato
a governador de São Paulo, e o governador de Minas Gerais, Aécio
Neves, candidato à reeleição, que aspiram a disputar
o governo federal em 2010.
Pefelistas e tucanos afirmam que a questão
interna do PSDB estava resolvida, com Serra e Aécio engajados
na campanha de Alckmin. Mas o fato concreto é que a votação
foi apressada para agradar à dupla tucana, por recomendação
do conselho político de Alckmin, do qual participam representantes
do PSDB, PFL e PPS.
A emenda constitucional que acaba
com a reeleição apenas em 2010 preserva o direito ao segundo
mandato dos prefeitos que se elegerem em 2008. Dessa forma, fica reduzida
a resistência dos líderes municipais à mudança.
No parecer, Jereissati argumentou que “os atuais quatro anos,
nos níveis federal, estadual e municipal, são tempo suficiente
para que o titular do cargo possa cumprir seus projetos administrativos”.
A proposta também conta com o apoio do PT, uma vez que o presidente
Lula diz ser contra a reeleição.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 03
de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Presidente do TSE elogia aprovação
Brasília – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), Marco Aurélio Mello, elogiou ontem a aprovação
pelo Senado de proposta de emenda constitucional que acaba com a reeleição.
Ele disse que quem disputa a reeleição e permanece no
cargo confunde os papéis de governante e candidato, acaba cometendo
abusos, o que pode desequilibrar a disputa.
“O próprio presidente Luiz
Inácio Lula da Silva diz que não sabe quando é
candidato e quando é presidente. Aí surgem os incidentes”,
afirmou.
Para exemplificar abusos, Marco Aurélio
citou decisão recente do TSE que multou a CUT por ter feito propaganda
em favor do Lula em período vedado pela legislação.
“A prática tem demonstrado
que a reeleição não é salutar. Por que não
é salutar? Se imagina tratamento igualitário entre os
candidatos. Inegavelmente, quem ocupa a cadeira e caminha no sentido
da reeleição acaba por confundir os papéis”,
disse.
“A legislação
viabiliza a candidatura permanecendo na cadeira. Talvez o defeito esteja
aí”, acrescentou.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 02 de agosto de 2006
| Política
PESQUISA
Requião e Osmar empatam em Ponta
Grossa
Uma pesquisa encomendada ao Ibope por uma rádio de Ponta Grossa
mostra empate técnico entre Roberto Requião (PMDB) e Osmar
Dias (PDT) no município. Requião tem 35% das intenções
de voto dos eleitores de Ponta Grossa, seguido de Osmar, com 33%. A
margem de erro da pesquisa é de 4 pontos porcentuais.
Rubens Bueno (PPS) e Flávio Arns
(PT) possuem, respectivamente, 8% e 3% dos votos na cidade. Os demais
candidatos não foram mencionados por terem apenas 1%. Os votos
brancos e nulos representam 11%, e os indecisos, 9%. A pesquisa foi
realizada entre os dias 22 e 24 de julho, e foram ouvidos 504 eleitores
de Ponta Grossa.
A coligação de Requião entrou ontem com uma representação
no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra a pesquisa feita em Ponta
Grossa, alegando que ela não havia sido registrada, como determina
a lei. O TRE informou que a pesquisa foi devidamente registrada, sob
o número 15.666/2006. A confusão ocorreu porque o pedido
só foi publicado no site do tribunal no fim do dia.
Apesar de contestar a pesquisa, a assessoria
de Requião divulgou o resultado no site do candidato, divulgando
inclusive o número do registro no TRE. Muitos políticos
só souberam da pesquisa pelo site. No início da noite
o texto foi retirado do ar pelos coordenadores da campanha à
reeleição.
Osmar Dias também enviou
mensagens via e-mail lembrando que, com a margem de erro, há
um empate técnico entre ele e o governador. Rubens Bueno afirmou
que o resultado mudará quando a propaganda eleitoral gratuita
começar, no dia 15. Segundo ele, a população conhece
pouco os candidatos. Já Flávio Arns disse que é
melhor iniciar “por baixo” e crescer. A pesquisa, para o
petista, indica que ele tem de trabalhar mais junto à população
de Ponta Grossa.
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Folha
de São Paulo, 02 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
PT testará discurso ético
de Lula antes de colocá-lo na TV
Gravações do candidato passarão
por pesquisas qualitativas na tentativa de avaliar o tom ideal para tratar
tema polêmico | Marqueteiro de petista crê que combate à
corrupção deva ser tratado de forma secundária; destaque
será dado às realizações de Lula
VALDO CRUZ, DIRETOR-EXECUTIVO DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
FÁBIO ZANINI, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PT vai submeter a pesquisas qualitativas
cerca de 30 minutos de gravações feitas pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva para seu programa de TV, com o objetivo
de testar, entre outros pontos, o tom e o formato do discurso sobre
a ética na campanha pela reeleição. A dosagem exata
de como Lula abordará o assunto é um tema delicado para
a campanha petista. Segundo a Folha apurou, o marqueteiro do petista,
João Santana, tem defendido que o tema seja tratado de forma
secundária, mas sem ficar escondido. A abordagem deve ser feita
"no atacado", de acordo com Santana. Ou seja, sem referências
específicas ao escândalo do mensalão.
O comando de campanha realizará
as pesquisas a partir da semana que vem, para avaliar essa tese a tempo
de corrigir a rota, caso necessário, antes da estréia
do programa de TV, em 15 de agosto. O presidente gravou os trechos na
última quinta-feira, em um estúdio alugado por Santana
em Brasília. O tema da ética é minoritário
na fala de Lula e ocupa cerca de cinco minutos. O restante das gravações
(cerca de 25 minutos) trata do assunto com o qual os petistas hoje se
sentem mais confortáveis: as realizações do governo,
com ênfase na comparação com os dois mandatos de
Fernando Henrique Cardoso, do PSDB (1995-2002).
As pesquisas analisam também como
a apresentação das realizações do governo
repercute entre eleitores de diferentes segmentos. Existem ainda cinco
horas de material bruto à disposição do marqueteiro
de Lula, entre imagens do presidente no cargo e de eventos de campanha.
A edição final só ficará pronta no último
momento, após os resultados das pesquisa serem conhecidos. O
PT está gastando R$ 3 milhões com a contratação
de dois institutos de pesquisas, o Vox Populi e o Criterium.
O pacote inclui qualitativas feitas simultaneamente
em diferentes regiões do país, além de um "tracking"
(acompanhamento) domiciliar diário para avaliar a qualidade dos
programas. Ao tratar da ética "no atacado", o presidente,
conforme relatos obtidos pela Folha, segue duas linhas básicas.
Cita dados para dizer que nunca a Polícia Federal e a Controladoria-Geral
da União trabalharam tanto, e com tanta liberdade, para desbaratar
esquemas de corrupção -caso da Operação
Sanguessuga.
Além disso, faz uma crítica
sutil à oposição. Diz que nenhum adversário
tem "moral" para criticar o compromisso do seu governo com
a ética, porque historicamente essa sempre foi uma bandeira empunhada
pelo PT. Figuras-símbolo do escândalo, como o ex-tesoureiro
do PT Delúbio Soares e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto,
ou a revelação de quem "traiu" o presidente
durante o mensalão, passam longe do discurso petista. As pesquisas
dirão se isso basta, ou se será preciso Lula se explicar
durante mais tempo e com mais ênfase. Santana, segundo apurou
a Folha, aposta que está próximo do tom ideal. Na avaliação
dos lulistas, a tônica deve ser a prestação de contas
do governo, com a promessa de manutenção e ampliação
de programas sociais na próxima gestão.
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Folha de São Paulo,
02 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006
Heloísa Helena será a primeira
a aparecer no horário gratuito
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A candidata do PSOL à Presidência,
Heloísa Helena, será a primeira a aparecer na estréia
da propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio, no dia 15,
e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá fechar o
programa desse dia. O TSE fez ontem o sorteio da ordem de aparição
dos oito candidatos ao Palácio do Planalto, incluindo Ana Maria
Rangel (PRP), que deverá ter o seu registro rejeitado, a pedido
do próprio partido.
A seqüência do dia 15 será:
Heloísa, José Maria Eymael (PSDC), Geraldo Alckmin (PSDB-PFL),
Rui Costa Pimenta (PCO), Cristovam Buarque (PDT), Luciano Bivar (PSL),
Lula (PT-PRB-PC do B) e Ana Maria Rangel. Antes, o TSE irá decidir
sobre o cancelamento da candidatura de Ana Maria e a tendência
é que a exclua da disputa. A regra vale para os dois programas
em bloco da eleição presidencial, de 25 minutos cada,
veiculados às terças, quintas e sábados.
Diariamente haverá 30 minutos
de propaganda eleitoral para todos os cargos em disputa em inserções
ao longo da programação, sendo 6 minutos dos presidenciáveis.
A ordem de aparição mudará a cada dia da propaganda
presidencial, por sistema de rodízio. O último a aparecer
em um dia será o primeiro no programa seguinte.
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