Eleições 2006
 
Índice de Notícias

29/08/2006 - Justiça eleitoral rejeita 1.535 candidaturas em todo o país

29/08/2006 - Cristovam Buarque admite não ter chances de ganhar

28/08/2006 - Revista Isto É/Eleições 2006: A Política e a Religião

28/08/2006 - Revista Isto É/Eleições 2006: Convênios da Reeleição

28/08/2006 - Revista Isto É/Eleições 2006: Do Palácio ao Parlamento

28/08/2006 - Revista Isto É/Eleições 2006: A Riqueza dos Políticos

28/08/2006 - Revista Isto É/Eleições 2006: Em tempos de Requião

28/08/2006 - Pastores estariam ganhando dnheiro para pedir votos

28/08/2006 - Programas de governo de Lula e Alckmin são semelhantes

28/08/2006 - Campanha: Propostas iguais

28/08/2006 - Heloísa Helena resgata propostas radicais do PT

28/08/2006 - Lula consolida vantagem com horário eleitoral, diz Ibope

27/08/2006 - 18% do eleitorado pretende anular voto para deputado

26/08/2006 - Heloísa afirma ser a única capaz de derrotar Lula

25/08/2006 - TRE impugna candidatura de borba

25/08/2006 - Lula agora fala em reduzir juros e impostos

24/08/2006 - Requião sobe a 43%; Osmar, a 26%

24/08/2006 - Alckmin diz que adiantar 13.º salário “é eleitoreiro”

24/08/2006 - Heloísa decide atacar Alckmin na televisão

23/08/2006 - No Datafolha, Lula sobe após início de propaganda

23/08/2006 - Só um candidato apresentou plano de governo

23/08/2006 - Central ligada a tucanos decide apoiar candidato petista

23/08/2006 - Lula de novo, sem casa para o povo

22/08/2006 - Lula muda agenda para tentar "salvar" PT

21/08/2006 - Internet ajuda eleitor a fiscalizar e escolher em quem votar

21/08/2006 - Brasil tem 11,5 milhões de filiados a partidos

20/08/2006 - Lula já pensa como eleito e quer menos PT no 2º governo

19/08/2006 - Ibope mostra quadro estável, com vitória de Lula no 1º turno

18/08/2006 - Tribunal arquiva processos contra Lula

18/08/2006 - PMDB aposta nas urnas para exigir mais cargos de Lula

18/08/2006 - TSE condena Lula a pagar R$ 900 mil

18/08/2006 - Na TV, Alckmin pulveriza ataques a Lula

17/08/2006 - Propaganda de Lula sem menção ao PT incomoda partido, que teme perder votos

16/08/2006 - Lula e Alckmin estréiam na TV com fórmulas parecidas

16/08/2006 - Partidos possuem 11,6 milhões de filiados; maioria está no PMDB

15/08/2006 - Minirreforma reduz poluição visual em época de campanha

15/08/2006 - Eleição vai adiar horário de verão deste ano para novembro

15/08/2006 - Emissoras não deveriam receber pelo horário eleitoral, defende especialista

14/08/2006 - Revista Isto É/Eleições 2006: O Dinheiro sumiu

13/08/2006 - 47% do eleitorado diz ter posição política de direita

12/08/2006 - Paraná/Eleições 2006: Desiludido? Tome Généreux

11/08/2006 - Ibope confirma queda de Alckmin e avanço de Lula

11/08/2006 - Sindicatos rurais com Osmar

11/08/2006 - Partidos buscam apoio junto aos trabalhadores

10/08/2006 - Serra vence no primeiro turno, mostra Datafolha

10/08/2006 – Para analistas, candidatura de Lula parece imbatível

10/08/2006 - Eleições 2006: Cabral vai a 42% e pode vencer no 1º turno no Rio

09/08/2006 - TRE anula coligação PSDB–PMDB

09/08/2006 - Recurso contra decisão divide peemedebistas

09/08/2006 - Hermas pode assumir o governo até dezembro

09/08/2006 - Pesquisa mostra queda de Alckmin

08/08/2006 - Requião tem mais votos na RMC

08/08/2006 - Satisfação: Para 50%, governo é bom ou ótimo

08/08/2006 - Em São Paulo, 47% das candidaturas são impugnadas

07/08/2006 - Ibope mostra Requião com 39%; Osmar tem 24%

07/08/2006 - Alvaro Dias tem 54% das intenções de voto

07/08/2006 - Lula está 7 pontos à frente de Alckmin

07/08/2006 - Lula gasta mais que o dobro do que Alckmin no 1º mês

04/08/2006 - PMDB é o partido com mais candidatos; PT vem em 3º

03/08/2006 - Comissão do Senado aprova fim da reeleição a partir de 2010

03/08/2006 - Presidente do TSE elogia aprovação

02/08/2006 - Requião e Osmar empatam em Ponta Grossa

02/08/2006 - PT testará discurso ético de Lula antes de colocá-lo na TV

02/08/2006 - Heloísa Helena será a primeira a aparecer no horário gratuito

 

 

Folha de São Paulo, 31 de agosto de 2006
VINICIUS TORRES FREIRE
O FGTS e os fundos de Lula 2006

Governo planeja aumentar investimento com dinheiro do Fundo; problema é quem controla o risco do negócio

O DINHEIRO do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é barato. Relativamente barato para quem consegue um empréstimo via FGTS. Caro para quem tem fundos trancados lá, corrigidos à taxa de 3% mais TR (uns 2%). Por lei, o FGTS financia basicamente habitação popular e saneamento. Desde junho, o governo pensa em dirigir parte do Fundo para investimentos em ferrovias, estradas, portos, aeroportos e energia elétrica. Anteontem, obteve um aval simbólico do conselho curador do FGTS para um projeto de lei que muda a destinação de parte dos recursos "livres" para investimento do Fundo, cerca de R$ 21 bilhões. O programa de governo de Lula menciona a criação de "fundos setoriais" para bancar infra-estrutura e investimentos em indústrias de longa maturação.

Se os fundos do FGTS financiam gente pobre, o subsídio implícito é compreensível. De outro modo, os empréstimos via Fundo teriam de render mais para os trabalhadores, com garantia de risco ao menos semelhante à dos empréstimos para casas e esgoto. O plano do governo Lula é permitir que os trabalhadores virem cotistas de fundos de investimento em negócios de infra-estrutura. Outra parte do dinheiro financiaria 30% dos empreendimentos. Motivo: os investimentos públicos estão à míngua por causa do aumento de gastos, da lei fiscal e do superávit primário. O FGTS seria uma alternativa atraente para investimentos: não exigiria mais controle de despesas.

No caso de eventuais perdas, a conta não cairia no Tesouro, mas na dos trabalhadores e de seu Fundo de Garantia. Nos anos 80 e 90, empréstimos com dinheiro do FGTS acabaram em calotes monstruosos, bancados pelo Tesouro. Subsidiaram compra de casas pelo Sistema Financeiro da Habitação. Estados e municípios tomaram recursos via FGTS. O calote, em valores de 2001, foi de R$ 34 bilhões. Mas a polêmica não pára aí.

Os representantes da Confederação Nacional do Comércio e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) votaram contra a inovação do governo no conselho curador (tripartite, composto de oito membros do governo, quatro de associações empresariais e quatro de centrais sindicais). Motivo: riscos financeiros e desvio de finalidade. O representante da CNI vem sempre da construção civil. Agora é Roberto Kaufmann, presidente do sindicato da indústria da construção do Rio. Kaufmann diz que as garantias de investimentos em infra-estrutura são menores que as das obras em habitação, as quais de resto, seriam socialmente prioritárias.

O dinheiro do Fundo para crédito imobiliário está dobrando este ano, para R$ 10 bilhões. Foram de R$ 5 bilhões em 2005. A indústria da construção civil está contente, mas quer R$ 15 bilhões anuais e que a maior parte vá para obras novas, não para imóveis usados e material de construção. Sobraria pouco para os fundos de infra-estrutura de Lula. O problema é: quem banca e controla o risco? A parte do FGTS que seria utilizada para o investimento não compromete o dinheiro devido aos trabalhadores. Mas, se uma ferrovia for à breca, como o foram algumas privatizadas? Vai haver socialização de prejuízos?

Diário Vermelho, 31 de agosto de 2006
Novas pesquisas causam pico de desânimo na campanha de Alckmin

A campanha do médico Geraldo Alckmin à Presidência da República atingiu um quadro clínico de desânimo generalizado entre os aliados. As duas pesquisas divulgadas na terça-feira (29) mostraram o candidato praticamente imóvel nas intenções de voto e provocaram uma apatia sintomática na cúpula de PFL e PSDB.

Sondagens do Datafolha e do Instituto Sensus apontaram um cenário sem grandes alterações. Em ambos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganharia a disputa no primeiro turno, já com 50 por cento dos votos. O plenário do Senado, um dos termômetros para avaliar o ânimo da campanha nesta eleição, mediu a frustração de parlamentares da oposição ao longo do dia de ontem.

O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), incomodado com o tom ameno de seu candidato, extrapolou nos ataques ao petista e fez, da tribuna, o que disse esperar que Alckmin fizesse: dizer que ''o lugar de Lula era na cadeia''. ''Fiz o meu discurso mais duro hoje'', disse ele sorrindo. ''Era assim que o Alckmin devia tratar'', completou. O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), lamentou o crescimento dos beneficiários do Bolsa Família às vésperas das eleições, revelando a dificuldade de superar um adversário que tem a ''máquina para conquistar votos''.

''Não existe paixão. Ao contrário, é uma frieza total essa campanha. Não existe entusiasmo, dos dois lados. A única coisa que me dá ânimo é que não existe paixão pelo Lula'', desabafou o senador à imprensa. À tarde, Jereissati tomava um café na companhia de jornalistas quando ACM chegou. Convidado a juntar-se ao grupo, o senador baiano começou a disparar, bem-humorado. ''Estou aqui falando na frente dos jornalistas, como o melhor amigo que você tem aqui no Senado, para dizer que Alckmin não empolgou porque não atacou'', disse ACM ao dirigente tucano, falando no tempo pretérito, como se a eleição já tivesse terminado.

''Eu não mando no programa (de TV)'', respondeu Tasso, visivelmente constrangido. O diálogo, sempre esboçado com sorrisos de canto de boca, refletiu, em público, a insatisfação interna. O líder do PSDB prometeu um programa eleitoral mais incisivo a partir da segunda quinzena de setembro. ACM reagiu com ironia: ''Aí dá tempo para virar''. Nos bastidores do Congresso, as avaliações projetavam um prognóstico negativo, mas ainda mantido em sigilo.

''O paciente está na UTI, e não dá sinais de que quer sobreviver'', disse um deputado do PFL, ligado à cúpula da campanha. Mesmo com o desânimo, aliados prometem não abandonar o barco, mas suas declarações revelam que a virada do candidato está condicionada a uma surpresa ou à mudança de estratégia que Alckmin e seus auxiliares diretos resistem em adotar.

''Acho que já tivemos surpresas em outras eleições. Não há porque abandonarmos a luta. Temos um mês para, quem sabe, mudar a estratégia, o discurso e a postura'', afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos membros do conselho político de Alckmin.

Lembo: Lula vai ganhar no primeiro turno


Outro integrante do PFL, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, também lamentou a baixa performance de Alckmin, mas ao contrário de seu desafeto, o senador ACM, Lembo elogiou o presidente Lula. Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, o governador reafirmou sua convicção na vitória do presidente Lula e condenou as declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que pediu, na última terça-feira, que Alckmin baixasse o nível da campanha.

“Ele (FHC) atrapalha o Alckmin. Democracia não se faz com agressividade”, disse Lembo. O governador disse também que não concorda com a declaração de FHC de que o marqueteiro de Alckmin precisaria “pôr fogo no palheiro”. “Não precisa por fogo em nada”, completou o governador na entrevista ao jornalista do site Conversa Afiada.

Além disso, Lembo, que foi vice-governador de Alckmin, durante três anos e meio, afirmou que Lula deve vencer as eleições no primeiro turno. “As pesquisas mostram que o presidente está em uma situação privilegiada. Eu já havia dito que se não houver nenhum fato novo ele vence no primeiro turno e como até agora não houve o fato novo ele deve ser reeleito no dia primeiro de outubro”, disse Lembo. Segundo o governador, Lula tem raízes populares “e uma história épica, muito bonita”.

Cientista político critica mudança de tática


O comportamento de FHC também foi criticado pelo cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). Segundo ele, a mudança de tom do PSDB na campanha eleitoral, deixando de lado a postura branda, para atacar ao PT no campo da ética e da corrupção, materializada na quinta-feira pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando propôs ao partido "botar fogo no palheiro" e que foi acompanhada pelo candidato Geraldo Alckmin, demonstra "desespero".

"O ex-presidente Fernando Henrique foi extremamente agressivo e não é possível dizer se isso trará algum benefício para a candidatura Alckmin", disse Teixeira à Agência Estado. "É o desespero, pois quando soltou a frase, FHC já sabia dos resultados da pesquisa CNT/Sensus, mais tarde corroborados pelo Datafolha", complementou o especialista, ao citar os números que indicam a consolidação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno da eleição.

Na visão do cientista político, o ex-presidente prestou um "desserviço eleitoral ao País", acrescentando que o PSDB parece ter sucumbido à proposta do PFL de que Alckmin só crescerá na preferência do eleitorado quando passar a atacar as deficiências de Lula e sua administração. "O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o prefeito do Rio, César Maia (PFL) defendiam há algum tempo a linha de ataques e agora parece haver uma pefelização das teses da campanha", observou.

Teixeira desconfia dos resultados que a postura conflituosa poderá trazer à campanha tucana. Isso porque, alertou, a tentativa de trazer o tema da ética e da corrupção de volta à campanha provoca uma "sensação coletiva", a ser identificada no eleitorado, de "chover no molhado".

"Se o presidente Lula esteve imune aos ataques até agora, inclusive no momento de artilharia mais pesada, quando se falou em impeachment, o que levaria o eleitor a mudar de idéia agora, a um mês do voto?", indagou. "A campanha eleitoral está pautada pela discussão de nomes e não de propostas. Ora, se é para discutir nome, o eleitorado tende a preferir aquele que melhor lhe agrada e as pesquisas confirmam ser Lula", justificou, acrescentando que é "assustadora a incapacidade da oposição em ser propositiva até o momento".

Para ele, caminho mais promissor para o futuro do PSDB nas urnas seria o de apresentar um programa de governo alternativo ao PT. "Primeiro, devemos deixar bem claro que é obrigação dos oposicionistas apresentarem um programa alternativo, já que o governo pode perfeitamente manter o discurso do mais do mesmo e manter a linha administrativa adotada nos últimos quatro anos", ponderou. "Depois, porque, de fato, FHC é um ator sem influência nessa eleição. Alckmin deveria se mostrar como um projeto diferente de Lula e FHC, com propostas próprias, inovadoras e sem comparação com os antecessores", opinou.

JORNAL GAZETA DO POVO, 30 de agosto de 2006 | Brasil
PESQUISA-Novos levantamentos mostram crescimento de petista e tucano
Lula vence no 1.º turno, confirmam pesquisas

São Paulo – Novas pesquisas de intenção de voto Datafolha e CNT/Sensus confirmam que, se as eleições fossem hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria reeleito no primeiro turno.

No Datafolha, Lula passou de 49% para 50% da preferência do eleitorado. Em seguida, aparece o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, cuja taxa de intenção de voto oscilou de 25% para 27%. A candidata do PSol, Heloísa Helena, caiu de 11% para 10%.Num eventual segundo turno, segundo o Datafolha, Lula venceria com 55% das intenções de voto contra 37% de Alckmin. Na pesquisa anterior, Lula tinha 55% das intenções de voto de um possível segundo turno contra 36% do tucano.

O levantamento CNT/Sensus mostra Lula com uma vantagem de mais de 30 pontos porcentuais em relação a seu principal adversário, o tucano Geraldo Alckmin. Se as eleições fossem hoje, Lula seria reeleito no primeiro turno com 51,4% das intenções de votos (62,3% dos votos válidos). Alckmin teria 19,6% (23,8% dos votos válidos), Heloísa Helena 8,6% e Cristovam Buarque 1,6%.

“O presidente Lula tem hoje em votos válidos porcentual equivalente ao que tinha no segundo turno de 2002 (61,3%). O Alckmin tem hoje em votos válidos percentual equivalente ao que teve José Serra no primeiro turno de 2002 (23,2%)”, disse o cientista político Ricardo Guedes, do Sensus, ao apresentar o resultado da pesquisa. Lula também venceria em caso de segundo turno (veja quadro ao lado).

Regiões

O presidente Lula, segundo a pesquisa CNT/Sensus, lidera as intenções de voto em todas as regiões, com destaque para seu desempenho no Nordeste, onde tem 71,4% contra 9,6% de Alckmin, e no Sudeste onde Lula tem o dobro do tucano: 44,4% contra 22,7%. Na Região Sul, o placar é 34,8% contra 26,4% em favor do petista, e nas regiões Norte e Centro-Oeste a vantagem é de 49,8% contra 23,2%.

No Datafolha, a rejeição ao nome de Lula, que vinha em queda, desde julho, passou de 26% para 27%. A rejeição a Heloísa Helena mantém tendência de alta: de 24% para 26%. Alckmin se manteve em 24%.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 30 de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Alckmin vai aumentar ataques ao presidente

São Paulo – O comitê de campanha do PSDB-PFL pretende aumentar de forma gradual, ao longo de setembro, o nível de críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que seria reeleito hoje, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto. A “primeira fase” do horário eleitoral teria se encerrado em outubro – com a apresentação do candidato Geraldo Alckmin – e começaria uma “segunda fase”: a etapa das críticas.

Integrantes da campanha tucana comparam a evolução do horário eleitoral a uma “rampa”, mas com “cautela”. O comitê ainda não revelou se pretende utilizar imagens dos escândalos ocorridos nos últimos anos no horário eleitoral tucano.

O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), defendeu o uso de propaganda negativa para tentar reduzir o que chama de “gordura” de intenção de voto no presidente Lula indicada nas pesquisas. O pefelista verifica uma distância entre os índices de preferência eleitoral e de aprovação do governo.

“Se você não mostrar porque o governante atual tem que sair, ele não sai. Isso tem quer ser uma agenda do candidato adversário”, afirmou.

Utilizando números de pesquisa realizada pela campanha no Rio de Janeiro, o deputado afirma que, no estado, aumentou a intenção de voto em Alckmin e na candidata do PSol, Heloísa Helena, entre os que viram os programas do horário eleitoral.

O candidato à reeleição ao governo de Minas Gerais, Aécio Neves, disse acreditar na possibilidade de haver segundo turno.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 29 de agosto de 2006 | Brasil
GOVERNADORES-Levantamento mostra as chances de cada partido
PMDB é favorito para o governo de 9 estados

Curitiba – O PMDB lidera as eleições para governador em nove estados. O segundo lugar no ranking é do PSDB, favorito em seis, seguido do PFL, provável vencedor em quatro unidades da federação. O PT está em quarto lugar, na frente em três estados, seguido do PPS e do PSB, líderes em dois, e o PTB, em apenas um.

Se o quadro permanecer como está, o PMDB terá o comando em mais dois estados em comparação aos sete que governa hoje. E, mesmo sendo a maior bancada de um Congresso desmoralizado com as crises de corrupção descobertas na metade do ano passado, o partido deve ser de novo a maioria em 2007 graças à sua força política nas regiões.

“Os governadores são peças importantes no jogo político brasileiro e, muitas vezes, têm capacidade de influenciar a bancada respectiva do seu estado no Congresso”, lembra Maria D’alva Kinzo, professora do departamento de ciência política da Universidade de São Paulo (USP). “O PMDB é um partido regional. Se por um lado não tem lideranças nacionais capazes de conseguir fazer um presidente nacional, criou uma capilaridade que favorece esse cenário”, continua.

Isso indica que o próximo presidente não poderá dispensar a participação do PMDB no governo para ter sustentação no jogo político. “O PT, porque perdeu força política com a corrupção da base aliada, terá de contar com a oposição. O presidente Lula está preparado com o que ele chama de proposta de governabilidade”, diz Roberto Romano, professor de Ética Política da Universidade de Campinas (Unicamp). “E o PMDB, se mantiver o prognóstico das pesquisas, é quem vai mandar e essa proposta de governabilidade passará pela repartição de cargos em ministérios, companhias estatais e outros cargos de comissão”, lembra.

Lulismo

Levantamento publicado no site Congresso em Foco, demonstrou que, enquanto o PT deverá vencer a eleição em três estados (Acre, Piauí e Sergipe), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se reeleito, terá apoio em pelo menos outras sete unidades da federação. Isso reforça a tese de que o carisma do PT está ofuscado com os escândalos de corrupção, enquanto o presidente é absolvido pelo povo.

Entre os aliados políticos e prováveis vencedores das eleições em outubro estão o governador paranaense Roberto Requião (PMDB); Sérgio Cabral Filho (PMDB), no Rio de Janeiro; Maguito Vilela (PMDB), em Goiás; Roseana Sarney (PFL), no Maranhão; Paulo Hartung (PMDB), no Espírito Santo; Eduardo Braga (PMDB), no Amazonas; João Lyra (PTB), em Alagoas.

Outros candidatos, mesmo na oposição, na prática não presentam esse perfil: Germano Rigotto (PMDB-RS), Blairo Maggi (PPS-MT), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Siqueira Campos (PSDB-TO).

Os favoritos

Apenas cinco candidatos estão na marca de 60% ou acima nas intenções de voto nos estados e devem vencer as eleições no primeiro turnos: Aécio Neves (PSDB), com 71% em Minas Gerais; Paulo Hartung (PMDB), com 65% no Espírito Santo; Roseana Sarney, com 63% no Maranhão; André Puccinelli (PMDB), com 62% no Mato Grosso do Sul e Blairo Maggi (PPS), com 60% no Mato Grosso.

Denise Drechsel

JORNAL GAZETA DO POVO, 29 de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006
Justiça eleitoral rejeita 1.535 candidaturas em todo o país

Brasília – Mais de 1.500 candidaturas foram indeferidas nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do país, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De um total de 20.705 solicitações de candidaturas, 7,4%, ou 1.535 candidatos, tiveram seus registros indeferidos.

Os dados mostram ainda que entre o requerimento de registro e o julgamento do pedido, oito candidatos faleceram e 791 renunciaram.

Segundo o TSE, 754 candidatos e o Ministério Público já protocolaram recursos tanto contra o indeferimento, como contra o deferimento das candidaturas.

O levantamento destaca que, dos que renunciaram, 465 eram candidatos a deputado estadual, 234 a deputado federal, 30 a segundo suplente de senador, 18 a primeiro suplente a senador, 14 a vice-governador, 13 a deputado distrital e 10 a senador.

Os estados com os maiores números de candidaturas impugnadas até o momento são São Paulo (449), Minas Gerais (121) e Maranhão (99). Já os menores números de impugnações foram verificados na Paraíba (11), em Roraima (11), Alagoas (15), Santa Catarina (17),e Mato Grosso (18) .

No Paraná foram pedidos 919 registros de candidaturas. Destes, 28 foram impugnados.

O TSE tem prazo até o dia 20 de setembro para julgar todos os recursos contra indeferimento e contra o deferimento de candidaturas.

 

Folha de São Paulo, 29 de agosto de 2006
PRESIDÊNCIA 1
Cristovam Buarque admite não ter chances de ganhar
DA SUCURSAL DO RIO

Cristovam Buarque, candidato do PDT à Presidência da República, admitiu ontem, no Rio, que praticamente não tem chances de chegar ao segundo turno e vencer as eleições. Ele disse ser um "guerrilheiro", que marca posição por uma boa causa, a educação, mas reconhece estar frustrado por não passar de 1% nas intenções de voto. Ele fez a afirmação durante sabatina no jornal "O Globo", contrariando recomendação de assessores e reconhecendo que pode perder mais votos ao falar nisso.

"Podem até morrer todos os outros [em tom de brincadeira, e ri]. Sou guerrilheiro, não é só para ganhar, é para marcar posição. O cara com 1% falar em ganhar é mentira", disse, lembrando que já é senador e continua com mandato, se perder. "Sou vitorioso, por ter dois minutos diários para falar em educação é uma vitória não eleitoral, mas política."

 

REVISTA ISTO É, 28 de agosto de 2006

O pastor: enquanto perde apoio de católicos progressistas, Lula avança no rebanho evangélico

Eleições 2006
A Política e a Religião

Mais de 100 milhões de brasileiros afirmam ser religiosos. O voto deles pode levar um candidato do paraíso da vitória ao purgatório do fracasso
Por Chico Silva

Fé e política, eleição e religião. No Brasil, esses elementos sempre tiveram uma ligação umbilical. O País tem 100 milhões de pessoas adultas que se declaram praticantes de algum tipo de religião. Ignorar esse contingente é dar as costas ao voto. Cometer deslizes pode ser fatal. A história recente conta casos de candidatos favoritos que perderam disputas por terem se declarado agnósticos ou, suprema heresia, ateus. Até uma simples vacilação no momento de professar a própria fé traz conseqüências nas urnas. Não é diferente agora. Em cima dos púlpitos, à sombra da cruz ou com o terço nas mãos, os candidatos têm procurado os templos e os líderes religiosos para buscar apoios e deixar claro que, sim, são crentes. Líder nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se mostrado o mais ecumênico dos concorrentes. Católico que se diz fervoroso, mas, também, um frio estrategista, ele vai estendendo as mãos para todos os grupos religiosos, sobretudo os evangélicos, cuja tradição no controle dos votos de seu rebanho se amplia a cada eleição. Nos próximos dias, Lula vai divulgar uma carta aos evangélicos, em que pedirá orações e, diretamente, votos. Além disso, sua equipe de campanha irá criar comitês especiais para esses religiosos. Acredita-se entre os petistas que o voto religioso pode ser o diferencial para a realização ou não de um segundo turno eleitoral. A preocupação é antiga. O primeiro passo na peregrinação do candidato à reeleição rumo aos evangélicos foi o acordo do PT com o PRB, partido do vice-presidente José Alencar e de influentes lideranças de igrejas pentecostais. O mais forte aliado de Lula nessa cruzada é o senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, e candidato a governador do Rio de Janeiro. Pesquisas recentes apontam que Lula tem mais de 40% dos votos dos pentecostais, a fatia mais numerosa dos evangélicos, e está empatado com Geraldo Alckmin, do PSDB, entre os não-pentecostais.

No périplo para diminuir a distância nas pesquisas, Alckmin tenta descolar sua imagem da conservadora Opus Dei, uma das correntes mais fechadas do catolicismo. Fundada no início do século passado pelo padre espanhol Josemaria Escrivá, a ordem ficou famosa pela rigidez e pela aversão aos avanços propostos por alas mais progressistas da Igreja. Alckmin nega fazer parte dos seus quadros. Incomodado com a associação, o tucano sai em busca de apoio de outras crenças. Recentemente esteve na Comunidade da Graça, uma igreja evangélica que nasceu na periferia de São Paulo e se espalhou pelos quatro cantos do País. Seu colega de partido e candidato ao governo de São Paulo, José Serra, foi mais longe ainda. A pedido de um pastor, chegou a ajoelhar no palco da Comunidade Paz e Vida, também em São Paulo.



Antagonismo: Alckmin tem a simpatia dos católicos conservadores. Heloísa Helena atraiu a igreja, que pede mudança

Devota de São Francisco de Assis e ex-aluna de um colégio de padres, Heloísa Helena ainda não visitou nenhuma igreja nem líder religioso. Mas recebeu um importante reforço em sua campanha. Desiludidos com os rumos e escândalos associados ao PT, antigos militantes petistas ligados às alas progressistas da Igreja Católica migraram para o palanque de HH. Um dos fundadores da Pastoral Operária, Wagner Rossi está entre os que subiram à arca do PSOL. Ex-filiado petista, o dirigente votará em Heloísa Helena no primeiro turno e anulará o voto no segundo, se houver. “O PT se afastou dos seus ideais. Tornou-se um aliado do capital e das vaidades de seus líderes. Privilegiou um projeto de poder em vez de um projeto de sociedade, fraterno e humano”, ataca Rossi, que deixou o PT em 2004. O socialista católico Plínio de Arruda Sampaio, um dos símbolos da aliança PT e Igreja, também debandou. Hoje é candidato de Heloísa Helena ao governo de São Paulo.

O professor e teólogo Fernando Altmeyer tem uma explicação curiosa para o sucesso do presidente nesse grupo. “Eles votam no Lula pelo carisma e por uma espécie de força messiânica que ele tem. Ele mexe com a emoção das pessoas e isso de alguma forma o aproxima desse eleitorado”, atesta Altmeyer.

Estratégias e táticas de aproximação à parte, nenhum candidato pode garantir que carregará para as urnas os votos maciços de católicos e evangélicos. Essa é a avaliação do cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC do Rio de Janeiro. Ele é um dos autores do estudo Religião e sociedade em capitais brasileiras, que mostrou a perda de fiéis pela Igreja Católica na última década e o conseqüente avanço dos pentecostais na periferia das maiores regiões metropolitanas do País. Agora, Jacob acompanha os movimentos dos candidatos para conquistar esse voto religioso. “Dessa vez, o voto virá dividido”, acredita Jacob. A Igreja Católica, personificada em sua militância leiga (oficialmente, a Igreja não assume uma candidatura), deve vir dividida entre Lula, Heloísa Helena e Geraldo Alckmin. Os dois primeiros herdariam os votos progressistas e o último aqueles vindos da ala mais conservadora. Oficialmente, a Igreja Católica não manifesta apoio a candidatos ou partidos.

Porém, o bispado de Itaici, cidade do interior de São Paulo que abriga a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, está atento ao desenrolar dos acontecimentos políticos. Em abril, a CNBB divulgou o documento “Eleições 2006 – Orientações”. Trata-se de um manual de boa conduta eleitoral para partidos e candidatos envolvidos no pleito de outubro. O livreto traz algumas estocadas no governo Lula. Em um trecho diz: “O resultado das eleições de 2002 despertou grandes expectativas de transformação social. Aos poucos, o projeto de poder se sobrepõe à busca de um projeto de nação socialmente mais justa.” Sem querer entrar em polêmicas, o secretário-geral da entidade, dom Odílio Pedro Scherer, traça o perfil do candidato ideal. Seria alguém “honesto e reto, com uma história pessoal coerente com os valores éticos, sobretudo o amor à verdade e à justiça; defensor da dignidade da pessoa e do direito à vida; é idealista e deseja sinceramente servir à sociedade, sobretudo àquela parte da sociedade que mais tem necessidades das atenções do setor público”. Esse candidato seria Alckmin? Para o círculo mais fechado da CNBB, sim. Ali o conservadorismo do tucano é visto com bons olhos e a aproximação de Lula de igrejas como Universal do Reino de Deus é acompanhada com desconfiança.

Católico, evangélico, budista ou islâmico, o certo é que a cada eleição o voto religioso vem ganhando mais importância. Em 1989, enquanto a Igreja Católica progressista apoiava Lula, os pentecostais ajudaram a eleger Fernando Collor de Mello. Em 1994 e 1998, isso se repetiu, com os pentecostais dessa vez apoiando Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, pela primeira vez o voto evangélico pôde ser comprovado com a candidatura de Anthony Garotinho à Presidência. Recebeu 15 milhões de votos (17% dos votos válidos), ficando em terceiro lugar no primeiro turno. Garotinho teve mais votos em áreas da periferia de predominância evangélica. Resta saber quem será o bem-aventurado que subirá ao púlpito presidencial. Façam suas orações.

 

REVISTA ISTO É, 28 de agosto de 2006

Bom para o MST: este ano, o governo repassou R$ 111 milhões a entidades ligadas aos movimentos sociais

Dinheiro público: o pouco controle sobre o uso das verbas mostra que muitas prestações de contas trazem inadimplência antiga


Eleições 2006
Convênios da Reeleição
Governo injetou r$ 605 milhões em instituições privadas ligadas aos movimentos sociais
Por Hugo Marques

O silêncio dos movimentos sociais nas vésperas da eleição pode ser medido em números. Desde seu início, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva repassou R$ 605 milhões do Ministério do Desenvolvimento Agrário para “instituições privadas sem fins lucrativos”. Associações, cooperativas e outras instituições ficaram responsáveis por boa parte do investimento da verba oficial. Só no ano passado, foram repassados R$ 280 milhões, que beneficiaram 535 instituições. É um crescimento de 300% em relação às transferências no último ano de Fernando Henrique Cardoso. ISTOÉ teve acesso com exclusividade à lista completa de convênios do Incra com instituições privadas. Alguns deles têm duração até 2010, fim do próximo mandato presidencial. Até sexta-feira 18, as instituições privadas tinham recebido R$ 111 milhões do governo neste ano eleitoral. Por trás da maior parte delas estão os movimentos dos trabalhadores sem terra, como o MST, de João Pedro Stedile, o MSLT, de Bruno Maranhão, e a Contag de Manoel José dos Santos, engajados na campanha da reeleição do presidente Lula. “O pessoal do MST vai votar no Lula”, diz o deputado Adão Pretto, do PT gaúcho, um dos fundadores do MST.

Intriga entender como estão sendo usados, no detalhe, esses R$ 605 milhões transferidos dos cofres públicos para entidades privadas. Há autoridades que tentam descobrir – e acabam chegando a casos de inadimplência, desvios e indícios de fraude. Auditores do Ministério do Desenvolvimento Agrário estão neste momento escarafunchando os repasses. Já descobriram 62 convênios inadimplentes assinados na gestão Lula. Destes, 34 foram fechados com associações e cooperativas de assentados. A lista de problemas vai desde a não prestação de contas até irregularidades na execução financeira. É o caso de um dos convênios assinados com uma tal de Aspta (sigla de Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), com sede na rua da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Tem o objetivo de promover “mobilização social e desenvolvimento agrícola sustentável, fortalecendo sinergias interinstitucionais para a disseminação de experiências inovadoras voltadas à conversão agroecológica de sistemas agrícolas”. Deu para entender? Os auditores estão tentando. Foi o segundo convênio inadimplente da associação com o governo. “Estamos devolvendo dinheiro”, diz Jean Marc, filho de suíços e coordenador dessa associação. Ele atribui a inadimplência à alteração de procedimentos de prestação de contas sugerida pelo Tribunal de Contas da União.

O TCU tem 15 processos contra as principais associações, todas ligadas aos sem-terra, conhecidas pelas siglas de Anca, Concrab e Anara. As duas primeiras são ligadas ao MST. A Anara é do MLST e foi apontada como a associação que financiou o quebra-quebra no Congresso, em julho. Sua sede nacional fica na cidade-satélite do Guará, Distrito Federal. Quem está exercendo o cargo de presidente da Anara é Edmilson de Oliveira Lima. Ele é também da direção nacional do MLST. Ficou 34 dias preso. Em dezembro, assinou convênio com o Incra no valor de R$ 2,247 milhões. Equivalia na época a exatos US$ 1 milhão de dólares. A Anara precisava entrar com a contrapartida de R$ 224 mil (US$ 99,9 mil), mas está inadimplente desde 8 de junho.

Numa amostra de 100 convênios, os auditores concluíram que os acordos são muito abrangentes, sem objetivos definidos. Não há quadros técnicos gerenciais nem operacionais para cumprir os convênios. Não existe comparação dos preços conveniados com os de mercado nem comprovação de regularidade fiscal. A segunda parcela de dinheiro é liberada sem a aprovação parcial de contas relativa à primeira etapa. Em nenhum dos convênios, as contrapartidas foram depositadas nas contas correntes acordadas. Em convênio fechado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação com a Anca, o dinheiro saiu da conta da associação para as contas das secretarias regionais do MST em 23 unidades da Federação. Foi “redistribuído” um montante de R$ 7,3 milhões, uma descentralização não acordada. Os auditores da Secretaria de Controle Externo em São Paulo sugeriram audiência com o ex-presidente do Conselho Deliberativo do FNDE, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, por grave infração à norma legal.

Os pagamentos com dinheiro destes convênios são feitos por cheques sacados diretamente na boca do caixa. Os desvios de finalidade começaram em convênios fechados no outro governo. Um convênio do Incra, de 1999, tinha como objeto principal “nenhuma trabalhadora rural sem documentos”. Descobriu-se que, durante a Jornada Socialista realizada com dinheiro público, os sem-terra tiveram aulas de volante, técnicas de massagem e relaxamento. Enquanto isso, a liberação de recursos do Pronaf trouxe para dentro do governo as instituições ligadas à agricultura familiar, como Contag e Fetraf. Os empréstimos do Pronaf nesta última safra totalizaram R$ 7,5 bilhões, 240% acima do período de FHC. O secretário de Agricultura Familiar, Valter Bianchini, já começou a redigir um grande plano agrícola para um eventual segundo mandato do presidente Lula. “Você sabe que lideranças dos movimentos são petistas e estão contribuindo conosco”, diz Bianchini. “Os movimentos são movimentos, mas as lideranças dos movimentos, as direções, estão ligadas ao PT.”

“Há uma obsessão do governo em cooptar os movimentos sociais, assim como cooptou o sindical”, diz o deputado Augusto Carvalho, do PPS de Brasília, fundador do sítio de internet Contas Abertas, que acompanha os gastos do governo. “Essa conquista do silêncio dos movimentos merece maior fiscalização, sob pena de desmoralizar a reforma agrária.” Uma das coordenadoras nacionais do MST, Marina dos Santos, diz que cabe às instituições sem fins lucrativos se posicionar sobre eventuais irregularidades nos convênios. “Mas temos convicção de sua idoneidade”, registrou. Ela reclama que o governo federal repassa mais dinheiro às multinacionais que aos pequenos agricultores. Na noite de quinta-feira 24, o Incra informou que todos os convênios são auditados pelo TCU e pela Controladoria Geral da União. De fato – e é por isso que começam a vir a público tantas irregularidades.


REVISTA ISTO É, 28 de agosto de 2006

Marconi Perillo: campeão de intenções de voto - 76,6% em Goiás

Eleições 2006
Do Palácio ao Parlamento
Ex-governadores candidatos ao senado estão com eleição garantida porque os eleitores aprovaram suas gestões
Por Ana Carvalho

Os ex-governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Joaquim Roriz (PMDB-DF) e Ronaldo Lessa (PDT-AL) carregam a fama de ser bons de voto. Mas tudo indica que o fato de estarem em alta com o eleitor depois de oito anos de administração vai muito além da fama. Foi preciso investir na saúde, focar a educação, priorizar a infra-estrutura, atrair investimentos e diminuir o fosso da desigualdade em seus Estados. Perillo, Jarbas, Roriz e Lessa se afastaram do cargo para disputar uma vaga no Senado e estão, como indicam as pesquisas, com a vaga praticamente garantida.

O instituto goiano Serpes, no início de agosto, mostrou que o tucano Marconi Perillo, por exemplo, tem a preferência de 76,60% dos eleitores. Dos quatro ex-governadores, é o campeão de intenções de voto. A soma de seus adversários em Goiás não chega a 9%. Os outros que estão de bem com o eleitorado, segundo números recentes do Ibope, são o peemedebista pernambucano Jarbas Vasconcelos (69%), seguido de perto pelo companheiro de partido no Distrito Federal Joaquim Roriz (52%) e pelo pedetista alagoano Ronaldo Lessa (44%). O fato é que esses governadores venceriam as eleições para o Senado sem preocupação alguma de olhar pelo retrovisor.


Jarbas Vasconcelos: prestígio político e 69% nas pesquisas em Pernambuco

O motivo do sucesso são muitas ações e poucas promessas. O tucano Perillo que o diga. Ele, que tinha 38 anos ao ser eleito pela primeira vez para governar Goiás, aumentou a força do Estado em oito anos de gestão. Redesenhou o perfil agrícola, criou pólos industriais, gerou empregos, redistribuiu renda e atraiu bilhões em investimentos. Mesmo com uma dianteira impressionante de 73 pontos porcentuais sobre o segundo colocado na disputa – Ney Moura (PMDB), com 3,7% –, Perillo não se dá por satisfeito. Corre o Estado para angariar votos e virar o tabuleiro eleitoral goiano em favor do atual governador e candidato à reeleição, Alcides Rodrigues (PP), que está em segundo lugar.

No fim da noite de quinta-feira 24, o ex-governador falou a ISTOÉ, depois de uma maratona de campanha pelo Estado, quais são os seus principais projetos quando chegar ao Senado. “É preciso fortalecer o pacto federativo, descentralizar os recursos em poder da União, que giram em torno de 73%.” As reformas políticas e tributárias “são prioritárias” e contarão com seu apoio. “Mas meu primeiro projeto como senador será o de uma emenda constitucional que vincule 12% dos recursos do orçamento da União e dos Estados para a segurança pública”, anuncia. Habitação, saneamento e infra-estrutura também estão na pauta do ex-governador. “Precisamos melhorar as rodovias, ferrovias e hidrovias. Mas o mais importante de tudo é combinar estabilidade com crescimento econômico. Só assim poderemos vencer o desafio da inclusão, da geração de emprego e renda.” No campo regional, Perillo vai trabalhar pela Ferrovia Norte-Sul e pelo alcoolduto Paulínia-Senador Canedo. Mais universidades federais para Goiás e créditos mais baratos para o produtor rural também estão entre suas prioridades. “Vou brigar, e muito, pelo agronegócio”, adverte.


Joaquim Roriz:
um tocador de obras com 52% de aprovação

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos também não descansa. Respaldado pelos números, tem percorrido o Estado ao lado de Mendonça Filho, candidato do PFL que assumiu seu lugar e agora disputa a reeleição. Conhecido pela sua trajetória política de oposição à ditadura militar no antigo MDB, Jarbas elegeu-se duas vezes prefeito do Recife. Suas duas gestões no governo do Estado foram marcadas por grandes obras de infra-estrutura, principalmente após a privatização da Companhia Energética de Pernambuco, que rendeu aos cofres públicos cerca de R$ 2 bilhões. ;

Bom de popularidade e de obras, também se encaixa nesse perfil o ex-governador Joaquim Roriz, do PMDB. Sua votação estará relacionada, admite, às ações de governo que promoveram grandes transformações em Brasília. “Acabei com todas as favelas. Minha missão é cuidar do pobre. Uma cidade não pode ser só dos ricos”, ensina. Outras obras do governo mudaram a cara do DF. Entre elas, os 26 quilômetros de metrô, centenas de vias e viadutos e a ponte JK, eleita a mais bonita do mundo em 2003. É por essas e outras que Roriz não se preocupa em olhar pelo retrovisor. Seu adversário Agnelo Queiroz (PCdoB) tem 17% das intenções de voto, 35 pontos porcentuais a menos do que ele.


Ronaldo Lessa:
em Alagoas, o apoio de 44% dos eleitores

O alagoano Ronaldo Lessa deixou o governo no início do ano com índices de aprovação em torno de 75%. O pedetista colocou em oito anos mais alunos em sala de aula do que os governos dos últimos 31 anos, assegura sua assessoria. Outra vitória foi a redução da mortalidade infantil. “As intenções de voto que tenho são fruto de uma administração que correspondeu às aspirações do povo de Alagoas. Não fiz milagres. Mobilizei a sociedade para enfrentar os desafios. Foi assim que baixamos a mortalidade infantil de 69 para cada mil nascidos para 28.” Com relação à sua bandeira para o Senado, Lessa adverte: “Vou brigar para que não tratem desigualdades de forma igual. Desse jeito, não haverá Pátria com respeito.” Como se pode constatar, não é por acaso que os ex-governadores Perillo, Jarbas, Roriz e Lessa disparam em céu de brigadeiro na corrida eleitoral para ocupar uma cadeira no Senado.


REVISTA ISTO É, 28 de agosto de 2006

Os eleitos e o autor: em cinco anos de pesquisas, Fernando Rodrigues (acima) levantou todas as declarações de bens dos vitoriosos em 1998 e 2002

Eleições 2006

A Riqueza dos Políticos
Livro revela patrimônio de todos os vencedores das duas últimas eleições, divulga seus cpfs e demonstra o enriquecimento da classe política
Por Marco Damiani

Uma detalhada prestação de serviço ao eleitor está chegando às livrarias. Políticos do Brasil (Editora Publifolha, 424 páginas, R$ 39,90), resultado de cinco anos de pesquisas feitas pelo jornalista Fernando Rodrigues, traz à luz o patrimônio pessoal de todos os homens e mulheres eleitos para cargos públicos em 1998 e 2002. Lá estão os bens e os valores declarados de 1.059 deputados estaduais e distritais, 513 deputados federais, 81 senadores e seus 162 suplentes, 27 governadores e seus 27 vices, dois presidentes da República e dois vices. Os prefeitos são a exceção. Descobre-se, diante dos cruzamentos de informações promovidos pelo autor, repórter e colunista do jornal Folha de S. Paulo, que os encarregados pelo povo para dirigir o País têm, na média, um patrimônio pessoal 1.138% maior do que a média dos declarantes à Receita Federal. Enquanto os 13,9 milhões de contribuintes informaram bens, rendimentos e poupanças que resultaram num patrimônio médio per capita, em 2002, de R$ 123,5 mil, dois anos antes o corte entre os políticos apontou para R$ 1,53 milhão, cifra quase 13 vezes maior.

E descobre-se muito mais. A maior variação patrimonial média positiva entre as eleições de 1998 e 2002 foi verificada entre políticos do PT. Diante de uma inflação de 27,2% no período, os integrantes das bancadas petistas em todos os níveis registraram uma elevação de patrimônio que resultou numa média 83,7% superior em 2002 à notificada em 1998. “Isso pode ser explicado pelo fato de muitos petistas chegarem à política realmente com pouco patrimônio”, lembra Fernando Rodrigues. “Os vencimentos como mandatários fazem, em casos assim, muita diferença.” Sempre se desconfiou, por outro lado, que os integrantes do PFL são ricos. Agora, com o livro, fixa-se a certeza de que são riquíssimos, com um patrimônio médio de R$ 3,19 milhões, de acordo com as declarações entregues à Receita em 2002. Os mais humildes, no arco partidário, são os comunistas do PCdoB, com média patrimonial naquele ano de R$ 119 mil. Os tucanos? No meio do caminho entre os extremos, mas na confortável zona do patrimônio médio de R$ 1,46 milhão. “O maior mérito do livro é tornar mais transparente a vida política do País”, registra, no prefácio, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues.

Foram necessários cinco anos de trabalho, com apurações in loco em todas as 27 sedes de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do País, para Fernando Rodrigues completar o levantamento. A idéia era ter em mãos todas as declarações patrimoniais e de rendimentos apresentadas pelos políticos à Justiça. A meta foi atingida – e com ganhos. O livro traz mais de 50 tabelas com dados socioeconômicos dessa categoria. E, pela primeira vez num mesmo volume, divulgam-se os números de CPF de todos os políticos brasileiros. Com esse número em mãos, qualquer cidadão pode consultar os órgãos públicos sobre a vida fiscal dos principais atores da política nacional. “Acho que os políticos não vão gostar muito dessa parte, mas tenho certeza de que o leitor sai ganhando”, diz o autor. Em razão do grande volume de informações apuradas, o livro tem desdobramento num portal de internet: www.politicosdobrasil.com.br . Neste endereço, tem-se acesso a todos os números e tabelas da obra, com janelas para a entrada em outros sítios.



A editora Publifolha aposta que Políticos do Brasil será um sucesso de público. A primeira edição sai com dez mil exemplares. A julgar pela qualidade, a presença nas listas de mais vendidos está garantida. O jornalista Fernando Rodrigues, em seguida à realização da mais exaustiva e minuciosa pesquisa em arquivos oficiais dos últimos tempos, contextualizou praticamente todas as informações levantadas. Surge, daí, um livro político, com a memória dos últimos anos da democracia brasileira, emblemáticas histórias de bastidores e análise apurada. Fica claro que o autor – dono de três prêmios Esso, uma sólida carreira na Folha e uma legião de leitores fiéis – critica as distorções do sistema político do País, baseado no voto obrigatório dos pobres em benefício de uma elite rica e com essa riqueza em expansão. Mas seu juízo de valor é suavizado diante da profusão de informações objetivas, incontestáveis, que suas pesquisas nos proporcionam. Políticos é um verdadeiro atlas sobre a situação financeira dos homens públicos, que certamente será atualizado a cada nova eleição. Quem vota, agradece.


REVISTA ISTO É, 28 de agosto de 2006

Profissional: em período eleitoral, Requião é um devorador de pesquisas e faz qualitativas diariamente


Eleições 2006
Em tempos de Requião
Na contramão do neoliberalismo e da globalização, governador do paraná segue favorito rumo à reeleição
Por Tão Gomes Pinto

A primeira surpresa, para um mortal habituado ao clima e aos hábitos em vigor no Distrito Federal, é chegar ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, Paraná, às 8h30 de uma segunda-feira gelada e encontrar um governador trabalhando. Ele começou às oito em ponto, reunido com o grupo chamado “mãos limpas”. Todos os responsáveis por áreas direta e indiretamente ligadas à segurança e à Justiça participam. Eu já sabia algumas coisas sobre Roberto Requião. Sua mania de andar sempre na contramão da história sem ser multado. Quando todo mundo só falava de neoliberalismo e globalização, ele tornou-se um estatizante obstinado. Hoje, quando até velhos comunas adotam posturas liberais, ele lembra as excelências do marxismo. Quando o Brasil inteiro passou a adorar a soja transgênica como a salvação da lavoura, ele proibiu a saída dos grãos dourados pelo porto de Paranaguá. A soja era, até outro dia, o grande responsável pelo badalado sucesso do chamado “agribusiness” nacional. Mas continua a ser severamente combatida. A Sadia mandou colocar um cartaz enorme na porta do depósito no Paraná: não trabalhamos com transgênicos. Na Europa, os movimentos ambientalistas já ganharam a guerra contra a transgenia. “E, no porto do Rio Grande, os armazéns estão estufados de soja sem comprador no Exterior”, comemora Requião.

Ele lembra que as filas de caminhões com carga de soja sumiram da rodovia que leva ao porto. E revela que eles carregavam não apenas soja. Muitos truques eram usados para dar mais volume às cargas. Requião conta que no primeiro ano de seu governo recebeu mais de três mil reclamações de importadores de Paranaguá. No ano passado, foram só três as reclamações.

O governador resistirá até onde puder à manobra para entregar o porto para a gestão do governo federal. Seria o primeiro passo para “eles” cumprirem um acordo feito com seu antecessor, o arquiteto Jaime Lerner, que governou o Paraná por oito anos, e efetivarem a privatização do porto, que na mídia ganhou o título de jóia da coroa da administração Requião. É jóia mesmo. E autêntica. Nas mãos do Estado do Paraná , sustentando uma batalha sem tréguas contra as pressões das grandes cooperativas, a receita cambial do porto passou de US$ 4,2 bilhões para US$ 9,2 bilhões. Tornou-se um porto múltiplo, que funciona independentemente da safra. E 40% da sua receita veio dessa modificação.

Em época de eleição, Requião vira um “expert” em pesquisa, seja quantitativa, seja qualitativa. Na semana passada, ele constatou, por exemplo, que perdia para Osmar Dias, do PDT, na área central da cidade de Londrina. Quando a pesquisa se espalhava pelos bairros, Requião recuperava a ponta mesmo em um território desfavorável para ele: 42% a 38%. Pouco informado sobre as mumunhas políticas do Paraná, indago se a força do candidato Osmar Dias não estaria localizada na agricultura. Sua atuação no Senado tem sido muito marcada pela defesa desse setor.

Requião me corrige: ele defende os interesses dos grandes, das grandes cooperativas. “Eu tenho o voto dos pequenos e médios agricultores.” Requião faz pesquisa qualitativa todo dia, seja do horário eleitoral – onde tem esquálidos 2 minutos e 55 segundos por culpa do vacilo do PSDB em apoiar abertamente sua candidatura –, seja dos comerciais. E já descobriu, por exemplo, que a campanha sobre o nepotismo no seu governo não alcança o chamado povão. É um filmete baseado na série americana Os Waltons. Mostra o palácio do governo à noite, com algumas luzes acesas. As luzes vão se apagando uma a uma, ao som de frases tipo “boa noite, tia”, “boa noite, sobrinho”, como se ali morasse uma família numerosa e unida. Até a última luz se apagar, com uma voz de homem rosnando: “Dorme, mulher.” As pesquisas qualitativas mostram que o pessoal mais humilde acha que o sujeito que vira governador tem é mais que ajudar os parentes. De qualquer forma, a questão do nepotismo virou outro “cavalo de batalha” da campanha.

Com a mídia, o relacionamento de Requião está longe de ser um casamento perfeito. Muito longe, aliás. Sobre sua mesa de trabalho, ele tem uma ratazana modelada em barro com a cara do ex-deputado Severino Cavalcanti. Ele pega no Severino, ou melhor, na ratazana, com todo o cuidado. Afinal trata-se de um troféu. Regularmente o governador outorga esse troféu ao melhor veículo de comunicação da imprensa que ele considera “marrom” no Paraná. A ratazana Severino Cavalcanti é de posse transitória. O troféu só será entregue em definitivo ao veículo que o conquistar por cinco vezes seguidas.

Afinal, quem esse governador, que já foi chamado de “desconcertante”, “atípico”, “doidão” – e que o seu então colega Orestes Quércia costumava tratar como “Maria Louca” –, apoiará para presidente da República? Seu partido, o PMDB, como se sabe, subiu no muro. Requião diz que no muro ele não fica: “Não sou homem de ficar no muro. Se ainda não desci, não foi por culpa minha. Foi por culpa deles”, diz. Eles, é claro, são Lula e Alckmin. Sobre Lula ele diz o seguinte: “Eu trabalhei com o Lula quatro anos. Sou amigo pessoal do Lula. Mas amizade é uma coisa, o País é outra. Eu sempre tive uma escala de prioridades comportamentais. Em primeiro lugar, a minha consciência; em segundo, o País; em terceiro, o partido e a política.” Com o Alckmin, ele conta que teve um problema há um mês. O governo de São Paulo ia leiloar o sistema de transmissão de energia elétrica que interessava ao Paraná. “A nossa Copel quis comprar o sistema, mas São Paulo fez um edital que proibia a participação de empresas estatais de outro Estado”, conta Requião. E acrescenta: “Venderam para a Colômbia, o país do narcotráfico. E a nossa Copel, que é considerada hoje pelos especialistas do Financial Times a terceira melhor empresa do mundo, ficou de fora. Nós temos caixa. No primeiro semestre demos um lucro de R$ 758 milhões. Tão grande que eu baixei a tarifa. Baixei em 12%. Então esses posicionamentos todos têm de ser discutidos.”

“Eu disse ao Alckmin: quero saber o que você propõe e o que o Lula propõe. Porque até agora é a mesma coisa, os dois estão com a mesma proposta.” Para mim ele explicou sua posição da seguinte forma: “O Lula não avançou em privatizações. Mas a política econômica é a mesma. Isso nós temos que discutir.” E mais uma vez a “jóia da coroa” entra em cena: “Veja o caso do porto de Paranaguá. O Lerner comprometeu-se com o Fernando Henrique que em seis meses o porto estaria privatizado. Tem um compromisso, uma cláusula que transfere o porto para a esfera federal e depois eles entregariam para algum grupo econômico. O que o Lula devia ter feito? Era sentar comigo e mudar a cláusula. Ele me mandou fazer isso com o Anderson Adauto, que era ministro dos Transportes. Estando as partes de acordo, era só mudar a cláusula. O Lula não privatizou, não fez a intervenção que a quadrilha queria, mas não mudou a cláusula. Nós temos uma pendência com o banco Itaú. Ganhamos na Justiça. Um despacho maravilhoso do Marco Aurélio Mello. Não adiantou. A Secretaria do Tesouro está me multando em R$ 10 milhões por mês. Faço uma reunião lá em Brasília com a Dilma, o Paulo Bernardo, o Tarso Genro e o Mantega. Todo mundo concorda comigo. Mas não adianta. Os ministros não têm mais opinião. Parece que o Lula gosta mais do banco Itaú do que de mim. Ou que o governo coloca o banco Itaú acima da lei e do Estado do Paraná.”

Quanto aos métodos políticos, Requião se mostra absolutamente cético: “Eles não mudaram nada. Só o Serjão (ministro Sergio Motta, falecido), que foi substituído por outros operadores. E quando me falam em moralidade eu não esqueço que o Fernando Henrique comprou uma fazenda em Minas com sobras de campanha e pagou 75 centavos de dólar o alqueire.” Requião, sempre na contramão, vai comparecer aos debates de televisão, dos quais os líderes das pesquisas fogem como o diabo da cruz. Sabe que vão levantar contra ele várias acusações e que vão bater no nepotismo. Vai responder que avisou na campanha que seu secretário de Educação seria seu irmão Maurício, “o melhor secretário de Educação do País, sem a menor sombra de dúvida.” Requião considera o nepotismo uma praga da administração pública brasileira. Mas acrescenta que parentesco não é uma cláusula infamante.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 28 de agosto de 2006
Pastores estariam ganhando dnheiro para pedir votos


A campanha eleitoral tem mudado a rotina de diversas igrejas evangélicas, que passaram a ser palco de disputas ferrenhas entre candidatos “oficiais” e acusações de que os concorrentes de fora pagam pastores para que eles peçam votos.

Com 100 mil membros no Paraná, a Igreja Quadrangular tem dois representantes disputando a eleição: o candidato oficial Fernando Guimarães e o deputado estadual Ailton Araújo (PPS). Ambos travam uma concorrida busca por votos da própria igreja. Mas o deputado reclama mesmo é da “invasão” de candidatos de fora. “Eles ajudam com areia, cimento, ofertas em dinheiro, mas depois fazem a cobrança. Os pastores estão recebendo para dar apoio a candidatos e eu não tenho como financiar. Quem tem dinheiro está pagando muito bem. A gente fica decepcionado porque você faz e, na hora que pensa que vai colher alguma coisa, tem outro na frente”, diz Araújo.

Outras igrejas mudaram a rotina durante a campanha para evitar problemas com a Justiça Eleitoral. A Assembléia de Deus, que tem cerca de 300 mil membros no Paraná, suspendeu os cultos ao ar livre porque poderiam ser interpretados como showmícios quando há presença de candidatos. A Igreja também decidiu promover reuniões políticas fora das igrejas, em hotéis e restaurantes. Alguns pastores estão proibindo também a distribuição de material de campanha na rua em frente das igrejas.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 28 de agosto de 2006 | Brasil
CAMPANHA-PT e PSDB apresentam plataforma social-democrata para conquistar o eleitor
Programas de governo de Lula e Alckmin são semelhantes

Brasília – Os programas dos dois principais candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), mostrarão mais semelhanças do que diferenças entre as suas diretrizes partidárias. O presidente e o ex-governador se apresentam com uma plataforma de figurino “social-democrata”, defendendo a ação do Estado para estimular a atividade econômica e promover a justiça social. Eles também falam em reduzir a carga tributária, controlar, racionalizar o gasto público, aumentar os investimentos e melhorar os serviços de saúde e educação.

Lula lançará o programa de governo amanhã e Alckmin promete para esta semana um pacote com medidas de combate à corrupção. Os dois optaram por textos mais genéricos, que abordam temas, mas não explicitam ações concretas.

Em muitos casos, o discurso se choca com a prática, como a defesa que Lula fez na semana passada de uma carga de impostos “mais leve”. Em três anos, a carga na esfera federal cresceu cerca de R$ 40 bilhões, mas o PT argumenta que o aumento foi maior no governo FHC.

Alckmin tem mostrado que no governo de São Paulo reduziu o peso dos impostos e promete fazer o mesma no Planalto. No documento “Caminhos para o Desenvolvimento”, o PSDB destaca que “é necessário extinguir muitas contribuições e impostos”, mas não explica como e em que prazo faria isso, sem pôr em risco o equilíbrio fiscal.

O coordenador da campanha tucana, João Carlos Meirelles, admite que 2007 será “extremamente apertado” e será preciso definir prioridades. “Não existe mágica, a não ser em discursos levianos e irresponsáveis, o que não é o nosso caso.”

A cúpula do PT também trocou metas numéricas por compromissos genéricos, para evitar posteriores cobranças, como neste mandato “Nosso programa é um texto mais político, mostrando a situação em que encontramos o país e o que faremos nos próximos anos. São compromissos gerais de governo. Não haverá detalhamento”, afirma o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

Uma ambigüidade dos presidenciáveis é sobre a armadilha fiscal em que o país está: o gasto que mais cresce é justamente o de programas assistenciais, como os benefícios pagos a pobres, aposentados rurais, idosos e deficientes. Mas nenhum deles ousa, pelo menos agora, propor medidas impopulares para lidar com o problema.

Na economia há pequena diferença de tom. O PSDB ousa um pouco mais, bombardeando o assistencialismo que Lula adota. Alckmin critica a valorização excessiva do real e seus efeitos sobre o agronegócio. Mas mudança mesmo na política econômica, nenhum deles propõe.

JORNAL GAZETA DO POVO, 28 de agosto de 2006 | Brasil
CAMPANHA
Propostas iguais

Redução da carga tributária.

Controle e racionalização do gasto público.

Aumento dos investimentos e melhoria dos serviços de saúde e educação.

Contradições

Alckmin promete ser duro no combate à violência e criminalidade. São Paulo, que foi governado por ele nos últimos anos, vive um caos na segurança pública, com rebeliões e ataques de criminosos a delegacias, ônibus, agências bancárias e civis. O PSDB culpa o governo federal.

Lula defende uma carga de impostos “mais leve”. Nos três primeiros anos do seu governo, a carga tributária na esfera federal cresceu cerca de R$ 40 bilhões. O PT argumenta que o aumento foi maior no governo FH.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 28 de agosto de 2006 | Brasil
CAMPANHA
Heloísa Helena resgata propostas radicais do PT

Brasília – Sem a mesma cautela de seus adversários na disputa presidencial, a candidata Heloísa Helena (PSol), resgatou em sua campanha propostas radicais antes defendidas pelo PT, como a auditoria nas dívida externa e interna e um plebiscito sobre a reestatização de empresas que foram controladas pelo governo. O programa de governo da candidata ainda não foi divulgado, mas o Manifesto da Frente de Esquerda preparado pelos líderes do PSol, PSTU e PCB, dá o tom das medidas. “A Frente de Esquerda quer libertar o país das garras do capital financeiro e do imperialismo”, diz o documento, de 27 de julho de 2006.

Entre as medidas concretas apresentadas pelos aliados de Heloísa para promover a “libertação” do Brasil está a suspensão do pagamento da dívida externa, uma das principais bandeiras da esquerda na década de 80. Mas, como hoje a dívida externa já perdeu importância para a interna, o manifesto do PSol defende uma auditoria com a finalidade de identificar os especuladores e as grandes empresas que ganham com os títulos da dívida pública. Para eles, o manifesto prevê calote.

Ao tentar mensurar o que poderia fazer com a economia proveniente da suspensão do pagamento dos juros da dívida pública, o manifesto infla os números. “Com os R$ 520 bilhões das dívidas que Lula terá pago aos banqueiros em seu mandato, seria possível fazer um grande mutirão nacional para resolver problemas sociais gravíssimos.”

Na prática, Lula não vai pagar R$ 520 bilhões de juros até o fim do mandato. A economia efetivamente realizada pelo governo para pagar juros nos últimos três anos e meio, o chamado superávit primário, soma R$ 188 bilhões.

 

Folha de São Paulo, 28 de agosto de 2006
PESQUISA
Lula consolida vantagem com horário eleitoral, diz Ibope
DA REDAÇÃO

Pesquisa Ibope divulgada ontem pelo jornal "O Estado de S. Paulo" mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolidou sua vantagem após o início do horário eleitoral, em 15 de agosto. No levantamento, realizado entre 23 e 25 de agosto, Lula aparece com 49% das intenções de voto contra 22% de Geraldo Alckmin (PSDB) e 9% de Heloísa Helena (PSOL).

Os números são bem próximos aos do levantamento do Datafolha realizado nos dias 21 e 22 de agosto, que apontou Lula com 49%, Alckmin com 25% e Heloísa com 11%. Em relação à pesquisa Ibope anterior, Lula oscilou positivamente de 47% para 49%, Alckmin também oscilou positivamente de 21% para 22%, enquanto Heloísa Helena caiu de 12% para 9%.

Heloísa Helena perdeu pontos em todas as regiões: caiu de 15% para 9% no Norte/Centro-Oeste, de 10% para 7% no Nordeste, de 12% para 10% no Sudeste e de 14% para 12% no Sul. Lula apresenta agora 15 pontos de vantagem em relação à soma de todos os seus adversários (49% contra 34%). Se as eleições fossem hoje, ele seria reeleito no primeiro turno com 60% dos votos válidos. Num eventual segundo turno, ele venceria Alckmin por 54% a 32% (contra 53% a 32%, no levantamento anterior). A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o nº 14.400/ 2006.

 

Folha de São Paulo, 27 de agosto de 2006
18% do eleitorado pretende anular voto para deputado
Índice apontado pelo Datafolha é 6 vezes o registrado em 2002, quando 3% votaram nulo

Se comparecer às urnas não fosse obrigatório, 49% não votariam; maioria não se lembra em quem votou para deputado federal e estadual

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O desânimo do brasileiro com a eleição para deputados federais e estaduais pode resultar numa taxa além do normal de votos nulos no pleito de 1º de outubro. Segundo pesquisa do Datafolha, 18% dos eleitores pretendem votar nulo na hora de escolher o legislador federal e 16% dizem que podem anular o voto para deputado estadual. As taxas são altas se comparadas aos apenas 2,9% de votos nulos nas eleições para deputados federais e estaduais em 2002 -o percentual foi idêntico para as duas votações. Se a intenção do eleitor for confirmada nas urnas, a nulidade dos votos deste ano será equivalente a seis vezes à registrada na eleição passada. Mesmo levando em conta os votos brancos para deputado federal em 2002, a soma de votos inválidos (7,6%) não chega à metade da taxa apontada pela pesquisa.

A pesquisa Datafolha foi realizada com 6.279 eleitores de 272 municípios de 24 Estados e o Distrito Federal, nos dias 21 e 22 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa resultou de parceria entre a Folha e a Rede Globo. Não há pesquisas semelhantes de eleições anteriores. Por essa razão, não é possível afirmar se essa intenção de votar nulo para cargos do Legislativo ocorreu em outros pleitos nesta fase da campanha -e se isso se concretizou nas urnas.

Há um dado a ser considerado: a Justiça Eleitoral nunca ensina em suas campanhas didáticas como se faz para votar nulo. Os meios de comunicação também informam de maneira modesta como é essa operação (basta digitar um número que não esteja relacionado a nenhum candidato -como 99-, e apertar a tecla "confirma"). É possível que muitos que queiram votar nulo não saibam como fazê-lo e acabem votando em branco ou em uma legenda.

A única propaganda a favor do voto nulo se deu de maneira informal, por meio de correntes na internet. O Brasil tem cerca de 32 milhões de pessoas com acesso à rede, para um eleitorado de 126 milhões. Na campanha pela internet propagou-se uma informação falsa: a de que a eleição seria anulada se mais de 50% dos votos fossem nulos. A legislação não contém essa determinação. Se mais da metade dos votos forem nulos, todos os eleitos tomarão posse da mesma forma.

Voto obrigatório

Outro fato descoberto pelo Datafolha é a estabilidade dos que não iriam votar se esse ato não fosse obrigatório: 49% não votariam se não houvesse a determinação legal -quem não vota é multado e não consegue obter determinados documentos. Desde 1989, quando essa pergunta sobre o voto obrigatório passou a ser feita pelo Datafolha, a taxa dos que não iriam votar oscilou de 44% a 49%. Já os que se dizem favoráveis à manutenção da obrigatoriedade do voto oscilaram de 42%, em 1994, para 45%, neste ano.

Segundo a cientista política Luzia Helena Herrmann de Oliveira, da Universidade Estadual de Londrina, autora do estudo "Voto obrigatório e eqüidade", "os dados de 2006 mostram que os escândalos políticos do último ano não alteraram a motivação dos eleitores em participar da política. A suposta desilusão, a suposta idéia de que as pessoas se desencantariam com a política de um modo amplo, não parece se confirmar, o que é bom".

A pesquisa também perguntou ao eleitor se ele se lembrava em quem havia votado para deputado em 2002. A taxa de lembrança foi bem pequena: 57% não se recordam dos políticos escolhidos para Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa. A lembrança aumenta conforme cresce a escolaridade do pesquisado. Entre os que têm nível superior, 48% dizem lembrar o nome do deputado escolhido há quatro anos.

Também há diferença entre os eleitores que declaram alguma preferência partidária: 55% dos que se dizem simpatizantes do PFL afirmam lembrar em quem votaram para deputado federal. No caso de eleitores do PSDB, a taxa é de 46%. Entre os eleitores do PT, a taxa é de 29%.

Vergonha do eleitor

Para o cientista político Alberto Carlos Almeida, diretor da Ipsos Public Affairs e autor do estudo "Amnésia eleitoral", os dados do Datafolha convergem com os da sua própria pesquisa, realizada em 2002: "O nível de lembrança era de 28% para deputado federal".

Na realidade a taxa de lembrança deve ser ainda menor, esclarece Almeida, porque o entrevistado tende a dar uma resposta positiva para "agradar o entrevistador ou porque sente vergonha de admitir que não se lembra em quem votou". Para Almeida, o sistema eleitoral brasileiro, no qual o eleitor é induzido a escolher um indivíduo entre centenas de candidatos, dificulta muito que o eleitor se recorde em quem votou: "O fato de não lembrar significa que você não pode acompanhar o seu deputado. O sistema não te dá o direito de controlar o seu deputado".

 

Folha de São Paulo, 26 de agosto de 2006
Heloísa afirma ser a única capaz de derrotar Lula
Para ela, a oposição errou ao poupar o presidente

DA REPORTAGEM LOCAL

A candidata à Presidência Heloísa Helena (PSOL) disse ser a única capaz de derrotar o presidente Lula num eventual segundo turno e culpou o PSDB, o PFL e a "estatização" dos movimentos sociais pelo favoritismo do petista. "Imagine um segundo turno: o cinismo do Lula e aquela gentileza do Alckmin. Vai ser uma tragédia, né? Sobrou para mim derrotar a majestade barbuda", disse, em sabatina promovida pelo jornal "O Estado de S.Paulo" ontem.

Heloísa falava da popularidade do presidente, que continua alta mesmo com a série de escândalos envolvendo o seu governo. Para ela, a "oposição de direita" errou ao poupar o adversário. "Cada vez que nós falávamos, éramos rancorosos. O PSDB e o PFL pouparam o presidente Lula muito tempo", disse a candidata, que rechaçou a idéia de impeachment.

Movimentos sociais

Nessa conta, a candidata também incluiu os movimentos sociais. Para ela, foi uma "aberração" a forma como eles foram utilizados na defesa do governo Lula. "Imagina se isso acontecesse -mensalão, sanguessuga- no governo passado. Eu não sairia das ruas. Todo dia faria mobilização: fora isso, fora aquilo", afirmou ela. E completou: "Toda a estrutura do movimento social foi paralisada. Ela foi incorporada ao aparelho de Estado, à máquina pública. Houve claramente uma atenuação das tensões que pudessem resistir."

Durante a sabatina, Heloísa também repetiu várias vezes em suas respostas que seu governo primará pelo respeito "às leis e as instituições" e não haverá calotes. "Ninguém terá surpresas", disse a senadora. (ROGÉRIO PAGNAN)

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de agosto de 2006 | Política
JUSTIÇA
TRE impugna candidatura de borba
Ex-deputado envolvido no mensalão e dois ex-prefeitos tiveram registro negado; ainda cabe recurso
por DANIELA NEVES


Renúncia para fugir de processo


José Borba renunciou ao mandato de deputado federal no fim do ano passado, para fugir de processo no Conselho de Ética da Câmara Federal por envolvimento no esquema de corrupção chamado”valerioduto”. Com a renúncia, o processo não foi instaurado e o parlamentar manteve seus direitos políticos, podendo concorrer novamente.

O ex-deputado foi acusado de receber R$ 2,1 milhões do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Em junho, Borba afirmou para a Gazeta do Povo que abriu mão do seu mandato porque foi o caminho que encontrou para ter condições de “deixar que os eleitores do Paraná decidissem sobre o seu futuro”. Mas desde as denúncias, ele enfrenta oposição do PMDB no estado para conseguir espaço. A decisão de não deixar Borba ser candidato teria saído do próprio governador, Roberto Requião.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acatou ontem, por unanimidade, o pedido de impugnação da candidatura do ex-deputado federal José Borba (PMDB), feito pelo diretório regional do partido. Além de Borba, dois ex-prefeitos tiveram o registro negado pelo TRE por não terem tido as contas de suas gestões aprovadas. Em todas essas deciões cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O juiz relator João Pedro Gebran Neto votou pelo acolhimento do pedido de impugnação entendendo que Borba perdeu ao menos três oportunidades de pedir a inclusão do seu nome na chapa do partido, de acordo com o estatuto do PMDB. Primeiro, ele poderia ter declarado que queria ter seu nome incluído na chapa no período anterior à convenção partidária. Se esse pedido não fosse acatado, poderia requerer a inclusão até 48 horas antes. Se mesmo assim o diretório do partido não aceitasse, Borba poderia ter disputado durante a convenção.

O ex-deputado alegou em sua defesa que, em uma lista que corria internamente no partido, dias antes da convenção, seu nome constava e foi retirado de forma arbitrária. O argumento não foi aceito pelo relator. “Mesmo que houvesse uma lista paralela, não afasta a responsabilidade dele de verificar se seu nome constava na chapa oficial. (...) Ele não compareceu à convenção do seu partido para votar ou para lutar no sentido de seu nome ser incluído”, disse Gebran Neto, na leitura do voto.

De acordo com o juiz relator, o presidente da comissão executiva do PMDB, Wilson Santiago, não tem autonomia para tomar uma decisão monocrática. Santiago enviou ao TRE uma carta pedindo a inclusão do nome de Borba na lista de candidatos. Gebran citou artigos do estatuto do partido que falam que, mesmo em caso de urgência, uma decisão liminar deve ser decidida no colegiado da comissão e que essa função não pode ser delegada a um de seus membros.

O advogado de Borba, Itapoã Prestes Messias, que não compareceu ao julgamento, disse por telefone que Santiago tem sim autonomia para decidir e que essa deve ser considerada uma questão interna do partido. O advogado ingressou com uma ação na Justiça Comum. Também entrará com recurso da decisão no TSE. “Dá para reverter essa decisão porque é uma questão de organização hierárquica do partido”, disse.

O advogado do PMDB Cézar Ziliotto disse que o argumento jurídico levantado para o pedido de impugnação é o fato do nome de Borba não ter passado por convenção partidária. Mas admitiu que as denúncias sobre mensalão também incentivaram o pedido. “Não dá para saber se o nome dele seria ou não aprovado em convenção, mas ele teve oportunidades de fazer isso.”

Além de Borba, o TRE indefiriu 25 pedidos de registro, até ontem. Entre eles, dos ex-prefeitos de Bocaiúva do Sul, Élcio Berti, que pretende ser candidato a deputado estadual pelo PFL, e de Paranaguá, Mário Roque, que estava inscrito como candidato a deputado estadual pelo PSB. Os dois foram barrados pelo tribunal porque tiveram as contas desaprovadas pelo Tribunal de Contas (TC) do estado e, em seguida, pelas respectivas câmaras municipais. Berti entrou com recurso da decisão no TSE.

Mais dois registros de candidatura esperam julgamento. O do ex-prefeito de Arapongas, José Aparecido Bisca (pretende disputar uma vaga na Assembléia Legislativa pelo PFL), que foi adiado por pedido de vistas e volta à pauta do TRE na segunda-feira; e do deputado estadual Geraldo Cartário (PMDB), que quer disputar a reeleição. Ele teve pedido de impugnação de registro pelo PPS.

Folha de São Paulo, 25 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula agora fala em reduzir juros e impostos
Após ouvir queixas de empresários durante jantar, presidente pede tempo para superar os "grandes pecados nacionais" | Petista diz que seu sonho é "contribuir humildemente" para que o Brasil cresça de forma sustentada e se torne "uma nação rica e justa"

EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em discurso ontem no Palácio do Planalto a integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou o tom que costuma usar nos palanques políticos. Fez promessas, pediu mais tempo para superar os "grandes pecados nacionais" e agradeceu pelo apoio que recebeu na crise do mensalão do ano passado.

"Precisamos ter juros menores e uma carga de impostos mais leves", declarou cerca de 12 horas após ter jantado com um grupo de 27 empresários, alguns deles integrantes do Conselhão. Ontem, a Receita Federal anunciou que a carga tributária chegou ao nível recorde de 37,37% do PIB. No jantar, Lula ouviu queixas e sugestões para um eventual segundo mandato. Ciente das demandas, tratou de distribuir promessas aos integrantes do Conselhão, formado em sua maioria por empresários, banqueiros e sindicalistas. A eles pediu em várias ocasiões, implicitamente, mais quatro anos no Planalto.

Primeiro, disse que precisa de "mais tempo": "Avançamos bem nos últimos três anos e meio, mas precisamos de muito mais tempo e muito mais trabalho para superar esses grandes pecados nacionais", que segundo ele são a má distribuição de renda e as carências educacionais. "Meu sonho continua sendo o de contribuir humildemente para que o Brasil encontre, definitivamente, o caminho do desenvolvimento sustentado, transformando-se numa nação rica e justa".

Lula agradeceu os presentes, cerca de 80 conselheiros, por não ter sido abandonado em meio à crise do mensalão (sem citar essa palavra). "Em nenhum momento, em todas as reuniões de que eu participei, senti em vocês qualquer sintoma além daquele que era de indignação com o que estava acontecendo no Brasil." Ontem, o conselho apresentou a Lula um plano pelo qual, a partir de 2008 o Brasil possui condições de crescer a taxas anuais de 6%. Após ouvir dez conselheiros, que mesclaram elogios e cobranças, Lula exaltou as ações do governo, como o aumento das exportações e da geração de emprego, e fez promessas para um segundo mandato na exata linha que os empresários queriam ouvir.

Ele disse que é preciso melhorar a qualidade dos gastos e diminuir despesas de custeio. "Vamos precisar também promover um grau de abertura maior da economia em setores indutores de avanços tecnológicos e continuar reduzindo nosso déficit em infra-estrutura." Para ele, a redução dos impostos "não é uma missão impossível", mas insinuou o perigo de uma mudança de comando do país: "Não podemos perder a grande oportunidade que nós mesmos criamos. Chega de crises a cada dois ou três anos".

Reforma política

Questionado sobre as prioridades de um segundo mandato, Lula defendeu a reforma política: "A organização partidária está apodrecida", disse em entrevista à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre. Ele defendeu o financiamento público de campanhas: "Não tem coisa mais humilhante que um candidato pedir dinheiro a um empresário, e o empresário ter que dar com medo de que, se não der, vai acontecer alguma coisa". Lula também quer rediscutir a duração do mandato dos senadores, de oito anos.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de agosto de 2006 | Política
Requião sobe a 43%; Osmar, a 26%
Se a eleição fosse hoje, governador seria reeleito no primeiro turno com 54% dos votos válidos

O governador Roberto Requião (PMDB) lidera com 43% dos votos a segunda rodada de pesquisas RPC–Gazeta do Povo/Ibope. O candidato à reeleição subiu quatro pontos e aumentou em dois pontos porcentuais a diferença entre ele o segundo colocado, Osmar Dias (PDT), que aparece com 26% dos votos. Na pesquisa anterior, divulgada no último dia 6, antes do início do horário eleitoral gratuito, Requião tinha 39%, contra 24% de Osmar Dias.

Se a eleição fosse hoje, Requião seria reeleito já no primeiro turno, com 54% dos votos válidos.

Ibope ouviu 1.008 eleitores


A segunda pesquisa RPC–Gazeta do Povo/Ibope – registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o número 18534/2006 – foi realizada de 20 a 22 de agosto. Foram entrevistados 1.008 eleitores, em 55 cidades paranaenses.

Até as eleições de 1.º de outubro serão divulgadas outras duas sondagens do Ibope sobre intenções de voto no Paraná, além da pesquisa de boca-de-urna no dia da votação. De acordo com o instituto, a margem de erro máximo estimada é de três pontos porcentuais para mais ou para menos sobre o resultado.

ndagem do Ibope, o governador tinha 52% dos votos válidos – considerando a margem de erro de três pontos porcentuais, não estava descartado um segundo turno.

A pesquisa estimulada revelou ainda pequena oscilação no desempenho dos demais candidatos em relação ao ínicio do mês. Rubens Bueno (PPS) caiu dois pontos porcentuais, passando de 7% para 5% das intenções de voto. O petista Flávio Arns manteve 3%, e Ana Lúcia Pires (PRTB) repetiu 1%.

O candidato do PSDC, Luiz Adão, aparece pela primeira vez na pesquisa, com 1%. Os outros candidatos – Ivo Souza (PCO), Jorge Martins (PRP), Luiz Felipe (PSOL), Antônio Roberto Forte (PSL) e Melo Viana (PV) – não foram citados.

O número de indecisos caiu de 18% para 14%, e o porcentual de eleitores que desejam votar nulo ou branco teve redução de 1 ponto porcentual, ficando em 7%.

Na pesquisa espontânea, em que não é apresentada a lista de nomes dos candidatos ao entrevistado, Requião também aparece em primeiro lugar, com 14 pontos porcentuais à frente de Osmar Dias. O governador tem 29%, contra 15% do pedetista. Rubens Bueno tem 2% e Flávio Arns, 1%.

Os outros candidatos não foram lembrados pelos entrevistados na pesquisa espontânea. O índice de indecisos é de 46%, e os votos brancos e nulos somam 5%. Na pesquisa espontânea anterior, uma fatia maior – 59% – respondeu que não sabia em quem votar, e os brancos e nulos chegavam a 7%.

Nas simulações de segundo turno, Roberto Requião também venceria a eleição. O governador aparece com 51%, contra 36% de Osmar Dias. Na primeira pesquisa, Requião tinha 49% e o senador, 33%.

Se o adversário de Requião no segundo turno fosse Rubens Bueno, o governador seria reeleito com uma diferença ainda maior: 61% contra 19%. Numa eventual disputa com Flávio Arns, Requião teria 63% e o petista, 16%. O porcentual de entrevistados que anulariam o voto é maior nas simulações entre Requião com Rubens Bueno ou Flávio Arns, em torno de 14%. No caso do governador contra Osmar Dias, 8% respondeu que pretende votar em branco ou anular o voto.

Rejeição

A pesquisa RPC–Gazeta do Povo/Ibope revela que Requião continua líder em rejeição. Dos entrevistados, 16% afirmaram não votar de jeito nenhum no candidato do PMDB. Na pesquisa anterior, ele aparecia com 17%. Única mulher na disputa, Ana Lúcia Pires tem o segundo maior índice: 12%. A pesquisa mostra que a rejeição do petista Flávio Arns aumentou de 8% para 10%, empatado com Luiz Adão e Ivo Souza. Já Osmar Dias e Rubens Bueno se mantiveram com 8%.



 

JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de agosto de 2006 | Brasil
OPOSIÇÃO-Candidado do PSDB ataca decisão que beneficia aposentados
Alckmin diz que adiantar 13.º salário “é eleitoreiro”

Brasília – O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de adotar medidas eleitoreiras para garantir a sua reeleição. Ele citou como exemplo a promessa feita ontem por Lula de antecipar para setembro o pagamento de metade do 13.º salário dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com isso, o repasse será feito às vésperas das eleições de outubro.

O tucano lembra que essa é a primeira vez na história da Previdência que os benefícios serão antecipados. Alckmin disse que Lula faz a política do “atraso”. “É muito bom antecipar o 13.º. Em São Paulo, há oito anos pagamos metade no aniversário do funcionário. A diferença é que fazemos isso há oito anos. (O Lula) faz essa política atrasada de fazer as coisas em véspera de eleição”, afirmou.

O candidato do PSDB citou ainda o reajuste do salário mínimo concedido neste ano pelo governo, que superou todos os valores desde o início do mandato. “O governo concedeu reajuste de 16,67%. Nos três primeiros anos de governo o reajuste ficou em 1%”, disparou. Para Alckmin, a lógica do presidente Lula é ter “poder” e para isso ele “subestima a inteligência das pessoas, com medidas eleitoreiras”. À tarde, o candidato apresentou parte de seu programa de governo para a área da saúde em um congresso com entidades filantrópicas.

Folha de São Paulo, 24 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Heloísa decide atacar Alckmin na televisão
Intenção do PSOL é polarizar disputa pelo segundo lugar e atrair votos de descontentes com o presidente para senadora | Coordenador de campanha de candidata diz que sigla vai explorar "contradições" de tucano, como economia sob FHC e crise na segurança

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

O PSOL decidiu aumentar os ataques contra o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, a partir da próxima semana. A estratégia tem como objetivo acirrar a disputa pela segunda posição na corrida eleitoral entre o tucano e a candidata da sigla, Heloísa Helena. Segundo o coordenador da campanha da senadora, Martiniano Cavalcante, a partir da semana que vem a propaganda de Heloísa irá explorar com mais força "as contradições do PSDB e de Alckmin".

Entre as "contradições", disse Cavalcante, estão a crise na segurança pública em São Paulo, as semelhanças entre a política econômica do PT, no governo Lula, e do PSDB, no governo Fernando Henrique Cardoso, além das CPIs contra a gestão Alckmin barradas na Assembléia de São Paulo. "Nós queremos explorar essas contradições. Como é que o Alckmin diz que vai baixar a taxa de juros se o PSDB tem a paternidade dessa política, o DNA dessa política econômica que privilegia o sistema financeiro?", disse Cavalcante.

Para o coordenador, a campanha do PSDB passa por uma crise devido ao desempenho de Alckmin e o momento é de "aumentar o nível de polarização". Na visão dele, se a senadora conseguir se aproximar a ponto de colocar em risco a segunda posição de Alckmin, parte dos votos daqueles que se opõem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá migrar para a candidatura de Heloísa Helena.

Ontem, porém, Heloísa continuou mirando em Lula. A senadora disse em Porto Alegre que os ""moleques de recado" do governo (ministros e ex-ministros) pregam mentiras a seu respeito. Acompanhada da deputada Luciana Genro (PSOL-RS), filha do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), Heloísa preferiu não dizer quais são os ministros que define como ""moleques". As mentiras seriam que ela é contra o Bolsa-Família e ProUni. (FÁBIO AMATO E LÉO GERCHMANN)

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de agosto de 2006 | Brasil
PESQUISA-Novo levantamento mostra que presidente teria 56% dos votos válidos se eleição fosse hoje
No Datafolha, Lula sobe após início de propaganda

São Paulo – A primeira pesquisa de intenção de voto para a Presidência realizada pelo Datafolha após o início da exibição do horário eleitoral gratuito, no último dia 15, mostra os primeiros efeitos da propaganda na tevê. O presidente, e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), oscilou de 47% das intenções de voto na pesquisa realizada nos dias 7 e 8 de agosto, para 49% no levantamento realizado segunda-feira e ontem. Se a eleição fosse realizada hoje, Lula seria eleito no primeiro turno, com 56% dos votos válidos, isto é, excluídos os votos nulos, em branco, e os eleitores que se declaram indecisos.

A pesquisa também mostra que o governo do petista atinge aprovação recorde: Lula obtém a maior taxa de aprovação a um presidente desde que o Datafolha começou a fazer pesquisas nacionais de avaliação do governo federal, em 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello.
O segundo colocado na disputa, Geraldo Alckmin (PSDB), também oscilou positivamente, de 24% para 25% das preferências. Já Heloísa Helena (PSol) viu sua curva ascendente ser interrompida, e oscilou para baixo, de 12% para 11% .

Nanicos

Cristovam Buarque (PDT), mais uma vez, obtém 1% das intenções de voto. José Maria Eymael (PSDC), Luciano Bivar (PSL) e Rui Costa Pimenta (PCO) não atingem 1% das menções, como já ocorria no levantamento anterior.

Avaliação do governo

Quanto à avaliação do governo federal, a taxa dos que consideram o desempenho do petista ótimo ou bom, que já havia crescido sete pontos porcentuais entre julho e o início de agosto, tendo passado de 38% para 45%, voltou a subir, e é hoje de 52%. A taxa dos que classificam o governo Lula como regular caiu de 36% para 31% e a dos que acham que ele vem sendo ruim ou péssimo passou de 18% para 16%.

O antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso (1995– 2002), atingiu sua melhor marca em dezembro de 1996, quando estava prestes a completar dois anos de governo, e era aprovado por 47%. Itamar Franco (1992– 1994) obteve 41% ao deixar o governo, em dezembro de 1994. A melhor marca de Fernando Collor de Mello (1990–1992) foi registrada após três meses de governo, em junho de 1990, quando 36% aprovavam seu desempenho à frente do governo.

A nota média atribuída ao presidente, em uma escala de 0 a 10, é 6,7. Na pesquisa anterior ela era 6,3. Cerca de um quinto (19%) atribui nota 10 ao presidente. Porcentual idêntico acha que ele merece nota 8.


 

JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Só um candidato apresentou plano de governo

Brasília – A 40 dias das eleições, apenas um dos seis concorrentes a presidente da República divulgou oficialmente sua proposta de programa de governo. José Maria Eymael (PSDC) lançou seu programa durante a convenção que o indicou candidato, no dia 17 de junho. Com 27 itens, em alusão ao número do seu partido, o candidato diz que o programa consiste em “uma visão sintetizada de grandes idéias”.

O PT do presidente e candidato a reeleição Luiz Inácio Lula da Silva tinha inicialmente previsto a divulgação de seu plano de governo para hoje, mas adiou para terça-feira da semana que vem. Segundo a assessoria de imprensa do partido, por questões de agenda a primeira data foi inviabilizada.

Já o PSDB de Geraldo Alckmin informou através da assessoria de imprensa da campanha que não vai apresentar “por agora” um programa fechado. O candidato vem apresentando publicamente propostas pontuais. À medida que Alckmin for divulgando os pontos do seu programa – que tem mais de 30 temas –, eles serão disponibilizados no site do candidato.

Cristovam Buarque (PDT) deve lançar o seu programa no dia 1.º de setembro. De acordo com um dos coordenadores do programa de governo do partido, Elimar Pinheiro do Nascimento, o documento é dividido em duas partes. A primeira contém as diretrizes e está em fase final de revisão. A segunda, que aponta como executar essas diretrizes, está sendo finalizada. O PSL de Luciano Bivar disponibilizou 13 propostas no site do candidato (www.lucianobivar17.can.br). Já o PSol de Heloísa Helena deve apresentar o seu programa de governo no fim do mês.


JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Central ligada a tucanos decide apoiar candidato petista

Brasília – A Social Democracia Sindical (SDS), central sindical formada em 1997 por tucanos e pefelistas, decidiu pela primeira vez não apoiar um candidato a presidente do PSDB e oficialmente está reforçando a campanha pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

“É a primeira vez que não apoiaremos o candidato do PSDB, pois tivemos muitos problemas com Alckmin enquanto governador, principalmente no processo de privatização das empresas de energia. Decidimos oficializar o apoio ao Lula”, afirmou o presidente da SDS, Enilson Simões de Moura, o Alemão.

Com este apoio inusitado, o atual presidente conta agora com o apoio oficial de três centrais sindicais: Central Única dos Trabalhadores (CUT) – que representa 22,5 milhões de trabalhadores; a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), que reúne 4,8 milhões de trabalhadores; e a SDS, que representa 4,2 milhões de pessoas.

Já o candidato tucano Geraldo Alckmin, que oficialmente não recebe o apoio de nenhuma central, tem a simpatia da maior parte dos sindicalizados da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), que tem 2,6 milhões de sindicalizados.

A Força Sindical, a segunda maior central do país com 7,1 milhões de trabalhadores na base, se diz oficialmente neutra, porém a maior parte de seus dirigentes e militantes apóia Cristovam Buarque (PDT).

Heloísa Helena (Psol) conta com o apoio informal da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), central sindical de extrema esquerda com cerca de 1,8 milhão de trabalhadores na base.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de agosto de 2006

 

Folha de São Paulo, 22 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula muda agenda para tentar "salvar" PT
Reformulação de material gráfico, gravação de inserções e presença de ministros fazem parte da estratégia nos Estados

Presidente grava inserções para os programas de TV de todos os candidatos a governador; sigla é favorita só em Sergipe, Acre e Piauí

FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em situação confortável nas pesquisas e já fazendo planos para o segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai mudar sua campanha a partir de setembro para tentar evitar um vexame de seu partido nas disputas estaduais. A 40 dias da eleição, os candidatos a governador do PT não decolaram. São a dor de cabeça de uma campanha que é mais tranqüila do que as mais otimistas projeções petistas previam. Em apenas três Estados periféricos o PT é favorito: Acre, Sergipe e Piauí.

Juntos, são meros 2,9% do eleitorado. Muito pouco para um partido que almeja, além de eleger o presidente, fazer uma bancada de 80 deputados federais e elevar os senadores de 12 para 15. A mudança virá na agenda de Lula, na participação de ministros nas campanhas estaduais e na reformulação do material gráfico. "O que o nosso pessoal nos Estados precisa para crescer é vitamina L [de Lula]", diz Romênio Pereira, que cuida da estratégia no interior do Brasil.

Até agora, Lula privilegiou grandes centros populacionais do Sul e Sudeste, onde sua dianteira sobre Geraldo Alckmin é menor. E ignorou Norte e Centro-Oeste. Isso agora mudará. O PT calcula que tem grande possibilidade de chegar a um segundo turno em mais quatro Estados: Rio Grande do Sul, Pernambuco, Pará e Rondônia. Há chances menores em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia. No resto, fará figuração.

"A presença de Lula pode fazer a diferença entre haver segundo turno aqui ou não", diz Charles Alcântara, da campanha de Ana Júlia no Pará. O último Ibope deu a ela 26% das intenções de voto, 20 pontos atrás de Almir Gabriel (PSDB). Lula deve ir ao Pará em setembro. Incluirá Piauí e Sergipe na agenda. O presidente termina nessa semana de gravar inserções para os programas de TV de todos os petistas. Ministros como Dilma Rousseff, Fernando Haddad, Marina Silva e Tarso Genro foram escalados, além do vice José Alencar. Há ainda orientação para aumentar o destaque dado ao nome de Lula, à sua imagem e ao número 13 no material gráfico.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 21 de agosto de 2006
Internet ajuda eleitor a fiscalizar e escolher em quem votar
Exercício da cidadania ganha sites especializados que acompanham candidatos e instituições
por BIA MORAES especial para a Gazeta do Povo Online

Dezesseis anos depois da primeira eleição direta para presidente, após a redemocratização do país, os brasileiros são mais uma vez chamados para ir às urnas. Desta vez, com uma diferença. O movimento pelo “voto consciente” sai do plano do discurso e ganha contornos práticos. As informações e a fiscalização estão ao alcance de todos que tenham aceso à internet.

Para as eleições 2006, o eleitor já dispõe de ferramentas eficientes para fiscalizar e acompanhar a vida política dos candidatos e instituições públicas. Agora, é possível escolher em quem votar levando em conta critérios bem definidos, e checar como os políticos estão se comportando – em resumo, encontrar diferenças entre o que falam e prometem, e o que realmente fazem e já realizaram.

É na internet que o eleitor pode encontrar ajuda, e também se manifestar. Bastam alguns cliques para entrar no mundo do voto consciente. Entidades da sociedade civil, formadas por líderes empresariais, jornalistas, estudantes, representantes classistas e formadores de opinião, arregaçaram as mangas e foram à luta. Surgiram sites apartidários, criados especialmente para essa
finalidade, que oferecem dados, acompanhamento da carreira de políticos e partidos, abrem espaço para discussões e promovem a prática da cidadania.

Dá para saber, por exemplo, qual o patrimônio declarado de um determinado candidato, o que ele fez durante seu mandato, quais projetos apresentou, se participou das sessões de votação, e quem doou dinheiro para campanhas passadas dele; acompanhar o calendário eleitoral enotícias sobre política; ganhar um guia sobre o voto consciente e aprender como funcionam as instituições.

Histórico

Um desses sites, e que mais vem ganhando repercussão, é o Transparência Brasil. Nele, foi implantado recentemente o projeto Excelências, que oferece ao internauta o histórico completo de políticos que se candidatam à eleição para deputado federal este ano.

O Transparência Brasil é uma entidade fundada no Brasil em 2000, ligada ao movimento mundial Transparency International, cujo mote é o combate à corrupção. No início de 2006, o jornalista gaúcho Marcelo Soares – que atuava no escritório da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) - foi convidado pelo diretor-executivo do Transparência, o jornalista Claudio Weber Abramo, e começou a trabalhar no levantamento de informações sobre políticos. No início de agosto, foi inaugurado o Projeto Excelências. Nele, o eleitor pode conhecer o perfil e a vida pregressa dos parlamentares de seu estado que concorrem à reeleição na Câmara federal.

Também entram no site do Excelências ex-ministros, ex-senadores, ex-governadores e ex-prefeitos que concorrem a vaga de deputado federal. As informações incluem dados pessoais básicos e funções públicas que os candidatos exerceram; informações sobre o desempenho legislativo (faltas, votações, uso de verbas de gabinete, emendas ao Orçamento apresentadas); declaração de bens; os doadores das campanhas eleitorais passadas; e ainda, menções publicadas na imprensa, em que o candidato aparece ligado a algum caso de corrupção.

O site também informa processos judiciais, a partir da segunda instância, em que o candidato é indiciado como réu. Todas as informações foram recolhidas a partir de bancos de dados públicos.

Guia do voto

Outro site inaugurado recentemente, por entidades representativas da sociedade civil, também com o objetivo de promover a cidadania e incentivar o voto consciente, é o Portal da Democracia, sediado no Paraná. Nele, é possível baixar um manual bastante prático com orientações sobre as eleições 2006. O “Guia Voto Responsável” aparece em um link logo na página de abertura do portal. O download é rápido: vale a pena baixar e imprimir.

O Portal da Democracia se apresenta como apartidário, e “um espaço para o diálogo sobre a melhoria das práticas políticas do país”. Um dos objetivos é apresentar propostas e projetos para saúde, educação, infra-estrutura, reforma política e reforma administrativa. As entidades participantes são a Associação Médica do Paraná, Associação Comercial do Paraná, conselhos regionais de Contabilidade, Corretores de Imóveis e Odontologia, Federações das Indústrias e das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná, o Instituto de Engenharia do Paraná e a Ordem dos Advogados do Paraná.

Verbas públicas

Outro endereço interessante na web é o Contas Abertas. Nele também é possível acompanhar orçamentos de verbas públicas federais e saber como estão sendo aplicados os recursos. O site traz notícias sobre políticos e corrupção acompanhando os acontecimentos mais recentes.

Nesta semana, por exemplo, o mestre em Direito Administrativo e especialista em licitações, Edgar Guimarães, explica, em entrevista ao Contas Abertas, que o país não precisa de novas leis para combater a corrupção na administração pública. Analisando a máfia das sanguessugas – “o maior esquema de corrupção da história brasileira” – Guimarães afirma que o caso mostrou a fragilidade do sistema administrativo público do país. O motivo de tantas irregularidades, defende o especialista, está na “cultura da corrupção” presente na administração pública e não na falta de lei. Ele sugere medidas práticas para reduzir as fraudes em processos licitatórios.

Outra notícia do Contas Abertas informa, ironicamente, que “fazer sauna é recomendado a quem deseja relaxar” e mostra que a Presidência da República empenhou cerca de R$ 8 mil para a aquisição e instalação de um gerador de vapor para saunas. “O gerador tem capacidade de aquecer saunas de até 24m2. A metragem é cerca de seis vezes maior do que o recomendado para saunas residenciais”, aponta a notícia.

 

JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 21 de agosto de 2006
Brasil tem 11,5 milhões de filiados a partidos

Brasília - Cerca de um a cada dez eleitores brasileiros é filiado a um partido político. O levantamento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que há 11,560 milhões de eleitores filiados a partidos no Brasil e no exterior. O número de brasileiros filiados a partidos aumentou em 429 mil nos últimos quatros anos. Em relação ao total de eleitores, a parcela de filiados diminuiu.

O número corresponde a 9,18% do total de eleitores habilitados a votar neste ano: 125,91 milhões. Em 2002, quando 115,25 milhões de eleitores estavam aptos a votar nas eleições gerais, o número de eleitores filiados era de 11,131 milhões (9,65%).

O PMDB detém o maior número de filiados: são 2,02 milhões (17,5% do total). Em segundo lugar, aparece o PP, com 1,26 milhão de filiados, seguido pelo PSDB, que apresentou 1,09 milhão. O PT surge em quarto lugar, com 1,04 milhão e, em quinto, vem o PFL, que registrou 1,02 milhão.

Em contrapartida, o PRB tem a menor quantidade de filiados, apenas 3.295, ou 0,02% do total. Na penúltima colocação, está o Partido da Causa Operária (PCO), com 3.414 eleitores. O Psol tem 5.556 filiados. Logo em seguida, aparece o PSTU, que tem 13.621 eleitores. O PCB tem 13.917 filiados.

A estatística também mostrou que 601 eleitores que moram fora do país são filiados a partidos políticos. Desse total, o PT é a legenda que mais possui filiados: são 135. Já o PCO, o Partido Republicano Brasileiro (PRB) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não registraram filiados no exterior.

Folha de São Paulo, 20 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula já pensa como eleito e quer menos PT no 2º governo
Se reeleito, presidente pretende montar ministério com mais peemedebistas; Mantega deve ser mantido na Fazenda

Dilma, Fernando Haddad e Paulo Bernardo estão entre os atuais ministros que devem permanecer no governo em caso de vitória

Caio Guatelli/Folha Imagem

Lula segura a menina Giovana Carvalho Picin, de sete meses, durante evento com cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ)

KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em conversas reservadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já fala como reeleito no primeiro turno e faz planos para um segundo mandato. Diz que não pagará "pedágio" para formar o novo ministério, o que pretende "fazer sozinho", e que diminuirá o poder do PT, que tem hoje 18 dos 34 ministros. "Pagar pedágio" é expressão que Lula usa quando toma decisões com relutância para atender pressões políticas. Em 2002, nomeou candidatos do PT derrotados nas eleições.

Lula deve aumentar a participação do PMDB na equipe. Com a possível redução das bancadas do PT e dos aliados PL, PP e PTB -todos atingidos pela crise do mensalão-, é com os peemedebistas que ele conta para montar uma base de sustentação no Congresso. A Folha apurou que Lula não pretende mudar a equipe econômica. Planeja dar mais força à pasta da Educação e reformular a da Saúde, por avaliar que teve política errática nessa área.

Dilma Rousseff (Casa Civil) desponta como o nome mais forte de uma segunda etapa no Palácio do Planalto, segundo demonstrações de prestígio dadas por Lula nas reuniões. Visto como revelação, Fernando Haddad (Educação) tem conquistado espaço. Guido Mantega (Fazenda) é uma grata surpresa, nas palavras de Lula, que não pretende tirá-lo da pasta.
Paulo Bernardo (Planejamento) também deve ficar. Mantega obedece à risca ao presidente e estabeleceu aliança com Dilma. Lula aprova o rigor de Dilma no trato com os ministros. Ele justifica o "estilo Dilma" dizendo que é eficiente e faz com que suas ordens sejam cumpridas.

Na área econômica, deverá mudar um pouco o discurso, mas não a prática. Lula avalia que o maior sacrifício foi feito no primeiro mandato e que haverá espaço para o PIB (Produto Interno Bruto) crescer a taxas de 4% sem novo aperto monetário ou redução da meta de superávit primário -esta será mantida em 4,25% do PIB. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve ser convidado a continuar, bem como o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).

Se o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, não recuar do desejo de deixar a pasta, há dois candidatos na agenda de Lula, nessa ordem: o peemedebista Nelson Jobim, ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), e o petista Tarso Genro, hoje ministro das Relações Institucionais. O general Jorge Armando Félix deverá sair do Gabinete de Segurança Institucional. Lula julga fraco seu desempenho.

Ciro

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy é um dos poucos nomes do PT que poderão estrear no primeiro escalão. Lula pretende trabalhar para que o ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE), candidato a deputado federal, presida a Câmara em 2007. O atual presidente, Aldo Rebelo (PC do B-SP), voltaria à liderança do governo na Casa. Ciro, aliás, é uma aposta de Lula para 2010. Na lista de eventuais candidatos petistas constam Marta, Tarso, Dilma e Aloizio Mercadante -este último é opção para a Saúde, não mais para a Fazenda.

Folha de São Paulo, 19 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Ibope mostra quadro estável, com vitória de Lula no 1º turno
Vantagem do petista sobre seu principal adversário é de 26 pontos percentuais; 41% consideram governo ótimo ou bom | Segundo o instituto, presidente tem 47% das intenções de voto, contra 21% de Alckmin e 12% de Heloísa Helena

DA REPORTAGEM LOCAL
DA REDAÇÃO

Pesquisa Ibope/Rede Globo divulgada ontem no "Jornal Nacional" mostra que se manteve praticamente estável a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre seus oponentes na corrida ao Planalto, mesmo após o início do horário eleitoral gratuito. Segundo o levantamento, Lula obteve 47% das intenções de voto, um ponto acima da marca alcançada por ele na pesquisa anterior da série, divulgada dia 11 deste mês. O petista oscilou positivamente dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O presidenciável tucano Geraldo Alckmin está com 21%, e a candidata do PSOL, Heloísa Helena, com 12%, os mesmos índices apresentados por eles na pesquisa anterior. Dessa forma, Lula seria eleito ainda no primeiro turno, com 57% dos votos válidos. A pesquisa Ibope foi realizada entre terça-feira, dia em que teve início a propaganda para presidente, e ontem, segunda rodada de programas. Foram ouvidas 2002 pessoas em 140 municípios. O levantamento está registrado no TSE sob o número 13.290.

De acordo com Márcia Cavallari, diretora-executiva do Ibope, ainda é cedo para afirmar se houve influência da TV no resultado. Mas já é possível avaliar o impacto das entrevistas feitas na semana passada com os candidatos no "JN" e do debate realizada na segunda-feira pela TV Bandeirantes, ao qual Lula não compareceu. Em um eventual segundo turno, Lula bateria Alckmin por 53% a 32%. Cristovam Buarque (PTB), Luciano Bivar (PSL) e José Maria Eymael (PSDC) obtiveram 1% cada um. A soma de votos brancos, nulos e de eleitores indecisos alcançou 17%.

Frustração

Reservadamente, integrantes do comando da campanha de Alckmin ficaram frustrados com o resultado, ainda que, em público, todos façam a ressalva de que ainda é muito cedo para avaliar o impacto da TV. Havia uma expectativa entre os tucanos de que o desempenho de Lula no "JN", considerado por eles "ruim", ajudasse Alckmin a diminuir a vantagem. Lapsos do petista, como a afirmação de que "combateu a ética", foram repetidos nas entrevistas do candidato do PSDB e no site de sua campanha.

Para os petistas, o quadro estável de Lula deve-se em parte à boa avaliação de seu governo. Segundo a pesquisa do Ibope, 41% dos entrevistados acham a administração atual ótima ou boa, mesmo índice do levantamento anterior. Já o índice dos que a consideram regular subiu de 35% para 37%. (JOSÉ ALBERTO BOMBIG E RODRIGO RÖTZSCH)

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 18 de agosto de 2006 | Brasil
CONGRESSO
Tribunal arquiva processos contra Lula

São Paulo – Duas petições do candidato a deputado federal no Rio de Janeiro pelo PTB, Luiz Fernando D’Ávila, sobre os reajustes salariais de servidores públicos concedidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, foram arquivadas por determinação do ministro Cézar Peluso, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com informações do site do TSE, nas petições, Luiz Fernando D’Ávila imputava responsabilidade aos governos federal e estaduais e ao Congresso Nacional pela concessão de reajustes salariais a servidores depois de iniciado o período eleitoral e, também, “pela utilização eleitoreira” do programa Bolsa– Família.

O ministro afirmou, na decisão do último dia 15, que “o requerente, que não é advogado, pretende postular em causa própria. Mas não tem capacidade para fazê-lo”. Peluso acrescentou, ainda, que as petições são requerimentos “manuscritos, com palavras cortadas em cada linha, e não foram expressos de modo que se compreenda o pedido e a causa de pedir”.

Na avaliação do ministro Cézar Peluso, o candidato não atendeu aos requisitos do Artigo 282 do Código de Processo Civil e do Artigo 96 da Lei das Eleições que dispõem sobre aspectos formais de uma petição.

Jucá

O candidato ao governo de Roraima pelo PMDB, senador Romero Jucá, recorreu ontem ao TSE contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do estado que o condenou a pagar multa de R$ 30 mil por propaganda eleitoral antecipada. O fato teria ocorrido no dia 13 de junho, em entrevista de Jucá à Rádio Equatorial.

Folha de São Paulo, 18 de agosto de 2006
PMDB aposta nas urnas para exigir mais cargos de Lula

Lula Marques/Folha Imagem

Lula se deixa fotografar pelo governador Rigotto ao lado de funcionário da Petrobras que segura camisa do Internacional no RS

Governistas já falam em pedir até oito ministérios para assegurar governabilidade

Partido vai pedir o controle integral de algumas áreas da administração, mas quer esperar resultado da eleição para negociar com petista

MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes da cúpula governista do PMDB já começaram a discutir o modelo de coalizão num eventual segundo mandato. Na semana passada, Lula pediu ao presidente do Senado, Renan Calheiros, durante evento no Itamaraty,que apresente por escrito qual é o modelo de coalizão imaginado pelo partido. Confiantes no poder político que o PMDB vai adquirir após a eleição de outubro, com a possibilidade de eleger o maior número de governadores do país e as maiores bancadas de deputados federais e senadores, os governistas acreditam que terão cacife para pedir muito. Evitam tratar abertamente do assunto, mas nos bastidores já falam em oito ministérios.

A decisão de aguardar o resultado das urnas para negociar com o presidente Lula revela a dificuldade de mapear o próprio PMDB e o humor do partido, sempre dividido, após a eleição. O PMDB "lulista" não terá vitória homogênea nos Estados, o que dificulta ainda mais a coalizão sonhada por Lula. Ainda assim, na ambição peemedebista de poder o ponto central da demanda não é apenas a quantidade, mas a qualidade. A coalizão imaginada pelo PMDB governista envolve "responsabilidade integral" por determinadas áreas.

Ou seja, se couber ao PMDB o setor da saúde, por exemplo, o partido quer controlá-lo por inteiro, tendo poder para nomear todos os principais auxiliares do ministro e dirigentes de autarquias e fundações. Em contrapartida, a legenda responderia pelos deslizes na área. O que o partido quer evitar é uma situação como a do Ministério de Minas e Energia, em que Silas Rondeau, da cota do ex-presidente José Sarney, foi nomeado ministro, mas é Dilma Rousseff (Casa Civil) quem dá as cartas no setor.

Outro exemplo é o Ministério das Comunicações, hoje comandado pelo senador Hélio Costa (PMDB-MG), em que, para o PMDB, o PT continua com poder excessivo. Sem contar o Ministério da Saúde. Saraiva Felipe (PMDB-MG) deixou a pasta em março para poder disputar a reeeleição a deputado federal. A cúpula governista do PMDB não conseguiu, depois disso, indicar um novo titular. Permanece como ministro Agenor Álvares. No primeiro mandato, a base de sustentação de Lula no Congresso foi destroçada pelas denúncias de corrupção. Por isso, Lula dependerá do PMDB num eventual segundo mandato.

Correios

Os caciques governistas do PMDB tem sido tratados com reverência por Lula. Logo no início da campanha, receberam cargos nos Correios, estatal que foi a origem do escândalo de corrupção que levou à descoberta do mensalão. Na costura de alianças nos Estados, Lula articulou pessoalmente o apoio do PT mineiro à candidatura do ex-governador Newton Cardoso (PMDB) ao Senado. O deputado federal Jader Barbalho (PA), obrigado a renunciar ao mandato de senador em 2001 em meio às denúncias de corrupção na Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), hoje integra o Conselho Político da campanha Lula, ao lado de Sarney.

Os peemedebistas -e parte do PT- acham possível copiar o modelo chileno de coalizão e suas variações contemporâneas, com a chegada de Michelle Bachelet à Presidência. A concertação chilena, criada na década de 90, é composta por quatro partidos, cujo poder se altera conforme o quadro político. Na cabeça do PMDB, em 2007 o PT não será mais o principal partido da coalizão.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, diz que o desenho da coalizão não está sendo tratado. "Estamos discutindo a campanha. Questão de governo vem depois. Evidentemente temos claro que o grupo que tem se reunido tem papel importante, também após a campanha. Mas o foco do debate hoje é vencer a eleição." Para o presidente do PC do B, Renato Rabelo, do conselho político, todas as legendas estão cientes do papel relevante do PMDB num segundo mandato.

Folha de São Paulo, 18 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
TSE condena Lula a pagar R$ 900 mil
Presidente, que vai recorrer, foi considerado responsável por jornal de caráter eleitoral distribuído em janeiro

Multa tem de ser paga com dinheiro do candidato; se mantida, advogado afirma que tentará transferir pagamento para comitê

SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) condenou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pagamento de multa de R$ 900 mil pela distribuição de um jornal tablóide de caráter eleitoral pela Casa Civil da Presidência, em janeiro último.
A maioria dos ministros considerou Lula diretamente responsável pela publicação, que tinha 36 páginas e 1 milhão de exemplares. Por quatro votos contra dois, o tribunal afirmou que houve propaganda de sua candidatura à reeleição antes do prazo legal, que é 6 de julho.

Os dois votos favoráveis ao presidente foram de Gerardo Grossi e Henrique Lewandowski. Para eles, o jornal "Brasil, Um País de Todos" não fez promoção pessoal do presidente, só comparou o governo atual com o anterior. Na corrente pela condenação, o relator, José Delgado, afirmou: "É uma cartilha com louvor aos feitos do chefe do Executivo, longe de se caracterizar como propaganda de cunho educativo."

O jornal foi feito pela Casa Civil, em parceria com o Ministério do Planejamento e Secretaria Geral da Presidência.

O advogado de Lula, José Antonio Toffoli, disse que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal alegando que a tramitação do processo no TSE violou princípios constitucionais como o devido processo legal. Também afirmará que o valor da multa, que o candidato tem de pagar do próprio bolso, é excessivo -supera o patrimônio declarado por Lula ao TSE.

Ele disse que, em tese, Lula poderá transferir a multa ao comitê, dando-lhe tratamento de despesa de campanha. O valor equivale ao custo estimado com a produção do tablóide. O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, não votou sobre a condenação -só precisaria se manifestar em caso de empate. Ele fez, porém, defesa veemente do prosseguimento do processo quando Gerardo Grossi sugeriu o arquivamento, alegando motivo processual.

 

Folha de São Paulo, 18 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Na TV, Alckmin pulveriza ataques a Lula
Tucano não aparece falando contra presidente, mas inserções do PSDB e fala de agricultor paranaense criticam petista

Produtor rural, que só apareceu no programa da noite, diz que Brasil não é "filé mignon" ao qual Lula se referiu no início da tarde

MICHELE OLIVEIRA
DA REDAÇÃO

A campanha na TV de Geraldo Alckmin, que começou com referências sutis à corrupção no programa do início da tarde de ontem, partiu para o ataque à noite, no segundo dia de propaganda dos candidatos a presidente. Logo no início do programa tucano, um homem identificado como Álvaro Liceski, agricultor do Paraná, apareceu dizendo: "A gente vê a reportagem do Lula dizendo que o Brasil é o filé mignon. Mas será que é esse aqui o filé mignon?", afirmou, olhando para uma plantação atrás dele. "Ninguém tá aqui na roça junto com nós, vendo o outro lado: que é você produzir, você lutar e trabalhar e não ter recompensa por isso."

O programa reagiu a uma fala de Lula exibida sete horas antes, na qual ele dizia que tinha ficado "emocionado" ao saber que "um trabalhador" tinha comido filé mignon pela primeira vez na vida em seu governo. O PT também exibiu a declaração à noite. A crítica do agricultor foi veiculada antes mesmo da vinheta de abertura do programa de Alckmin -estratégia de marketing para desvincular o tucano do ataque a Lula.

A seguir, o agricultor disse que é preciso mudar. Toda a declaração foi exibida entre duas barras vermelhas na tela, com a inscrição "Por um Brasil decente", nome da coligação PSDB-PFL que apóia Alckmin. No programa da tarde -o mesmo de terça à noite-, Alckmin não fez referências diretas ao tema da corrupção. O locutor do programa destacou sua "história limpa". Seu jingle usou as palavras "honesto" e "competente" e os versos: "Quem conhece sabe que ele fala e faz. Quem acreditou, nunca se enganou". Em seu discurso, repetiu palavras como "seriedade" e "verdade".

Dólar na cueca

O tom do PSDB já vinha subindo ao logo do dia, com a exibição de inserções de candidatos a deputado federal da sigla, exibidas ao longo da programação normal de TV. O partido falou de crise claramente, citando o mensalão, nas peças publicitárias de 30 segundos, com fundo vermelho e o jingle: "Não pro mensalão. Pra dólar na cueca, mentiroso, eu digo não". Somente no final apareceu o selo "deputados federais do PSDB".

Curtas e exibidas quase sem identificação, as inserções são valorizadas pelos partidos porque atingem até os telespectadores arredios à propaganda eleitoral. No rádio, a campanha de Alckmin também havia citado Lula, reclamando de sua ausência no debate da Band, na última segunda-feira. "Lula não foi para fugir de responder por que ele abandonou o Brasil na questão da segurança pública."

 

Folha de São Paulo, 17 de agosto de 2006
Propaganda de Lula sem menção ao PT incomoda partido, que teme perder votos

FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O desaparecimento do PT, de sua estrela, seu número 13 e sua cor vermelha do primeiro programa de Luiz Inácio Lula da Silva na TV causou desconforto dentro do partido, que teme ver fragilizado o voto de legenda, importante para eleger deputados. Lula, porém, classificou como bobagem essa discussão.

"Isso é uma bobagem. Primeiro porque todo o mundo sabe que eu sou do PT e todo o mundo sabe que o PT tem a bandeira vermelha, tem estrela. Nós estamos trabalhando em programa de televisão, não estamos trabalhando para vender a camisa do PT ou a estrela do PT", disse ele em Brasília.

Lula disse estranhar as alegações de que tenta "esconder" o PT: "Como sou candidato, todo mundo vai saber que eu sou a cara do PT e o PT é a minha cara. Tenho muito orgulho disso, não abro a mão disso, até porque fui eu quem criei o partido". O marqueteiro de Lula, João Santana, já avisou que não abre mão de sua política de "descolar" Lula do PT, atingido duramente pelo mensalão.

O distanciamento de Lula do PT é uma necessidade: ele está decidido a fazer um governo de coalizão num eventual segundo mandato. Para isso, criou um conselho político de campanha com seis partidos (PT, PMDB, PSB, PC do B, PRB e PTB). "Lula é um presidente suprapartidário", diz o presidente do PC do B, Renato Rabelo. Para compensar os petistas inquietos, o presidente deverá fazer aparições no horário reservado para deputados federais e governadores.

A preocupação é manifestada reservadamente: ninguém quer trombar de frente com Santana agora. Um coordenador da campanha disse, sob reserva, que há um "sentimento" de que é preciso "fazer todos os sacrifícios para reeleger Lula". Um dos poucos a vir a público ontem foi o secretário-geral do partido, Raul Pont, criticando de forma sutil: "É necessário reforçar o voto na legenda. Com as restrições à propaganda em camisetas e faixas, a TV ganhou ainda mais importância para puxar o voto no PT".

"Não há como desconhecer o fato de que nosso voto se baseia muito mais na figura do Lula do que no partido", disse a deputada Maria do Rosário, uma das vice-presidentes do PT. João Felício, coordenador de mobilização, espera avanços nos próximos programas: "É importante que apareça uma referência. O PT ajuda o Lula, não é apenas o Lula que ajuda o PT".

Os novos programas do presidente devem passar a incluir uma rápida referência à estrela petista. Mas uma "invasão vermelha" na campanha está descartada. O azul continuará. "Nós não temos nenhuma necessidade adolescente de reforçar o vermelho. O povo sabe que Lula é o principal representante do PT", disse o presidente do PT, Ricardo Berzoini.

A ligação de Lula com o PT, diz Berzoini,é tão óbvia que nem precisa ser mencionada: "Isso pode até ser tratado, mas não achamos que seja um tema prioritário de campanha". Questionado se iria falar de temas éticos na campanha, Lula se irritou: "É melhor nós falarmos sobre o que nós fizemos no Brasil. O povo está querendo que a gente mostre o que fez. Quando alguém não tem o que mostrar, não precisa falar sobre isso. Aliás, não quer falar".

Folha de São Paulo, 16 de agosto de 2006
Lula e Alckmin estréiam na TV com fórmulas parecidas
Programas destacam biografia de candidatos e prometem governo para os pobres

Tucano e petista coincidem até no encerramento de suas aparições no horário eleitoral com execução de jingles em ritmo nordestino

MICHELE OLIVEIRA
DA REDAÇÃO

No primeiro dia de propaganda eleitoral na TV, os dois principais candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), apresentaram ontem à noite programas muito semelhantes na forma, no tom e nos conteúdos veiculados. Os dois presidenciáveis privilegiaram mostrar suas biografias e realizações na estréia na TV. Em seguida, vieram os discursos em estúdio e o final com um jingle de ritmo nordestino.

As duas falas promoveram o Bolsa-Família, programa de transferência de renda do governo federal, e prometeram governar para os pobres. Enquanto o petista repetiu a propaganda que tinha exibido na hora do almoço, o tucano preferiu mudar e mostrou um programa mais parecido com o de Lula. Incluiu um jingle, forma como o presidente encerrou, e fez um discurso em estúdio diferente. Seu marqueteiro é o jornalista Luiz Gonzalez.

Alckmin, que apareceu antes de Lula, destacou seus "30 anos de vida pública, uma história limpa". Falou da "família simples", da carreira política, do trabalho ao lado do governador Mario Covas, morto em 2001. Mostrou suas realizações no Estado de São Paulo. À noite, as críticas ao mensalão e à corrupção foram substituídas por um discurso contra os juros altos. Também incluiu sua proposta para segurança -a de integrar as polícias.

O programa de Lula, por último, teve a mesma estrutura. Começou com imagens de obras para depois contar sua biografia. Tanto à tarde como à noite, destacou sua viagem "em cima do pau-de-arara". O marqueteiro João Santana é o responsável pela TV.

Quando falou, citou indicadores econômicos, prometeu educação de qualidade e disse que pretende "cuidar ainda mais dos pobres", tom adotado seguido por Alckmin à noite. Entre os que têm menos tempo, Heloísa Helena, do PSOL, falou de mensalão e contou sua biografia. Cristovam Buarque (PDT) começou homenageando Leonel Brizola (1922-2004) e falou do seu único assunto: educação. Já Luciano Bivar (PSL) usou todo o seu tempo para atacar a imprensa. José Maria Eymael (PSDC) exibiu, à tarde, em suas legendas dois erros de português: "empobresse" e "obcessão". À noite, somente a primeira palavra foi corrigida.

 

Folha de São Paulo, 16 de agosto de 2006
Partidos possuem 11,6 milhões de filiados; maioria está no PMDB
PT é o que mais cresceu desde posse de Lula e tem mais filiações no exterior

SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Brasil têm 11.560 milhões pessoas filiadas aos 29 partidos políticos -9,18% dos 125.913 milhões de eleitores inscritos para votar em outubro. A sigla com maior número de filiações é o PMDB, seguida por PP, PSDB, PT e PFL. Apesar de se manter na liderança, com quase o dobro de adeptos que PP, PSDB, PT e PFL, o PMDB foi quem mais perdeu filiados desde outubro de 2002, data das últimas eleições presidenciais, caindo de 2.217 milhões para 2.023 milhões em abril.

O PT foi o que mais cresceu após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em três anos e meio, saltou de 828.781 filiados para 1.091 milhão (219.383 a mais). Outro partido que cresceu é o PTB, que era presidido pelo deputado cassado Roberto Jefferson. A sigla tinha 985.204 filiados em abril deste ano, contra 823.178 em outubro de 2002. Entre os dez partidos com maior número de filiados houve perda de adeptos no PMDB, no PL e no PP, aumento no PT, no PTB e no PPS e estabilidade no PSDB, no PFL, no PDT e no PSB. Entre os chamados "nanicos", o PRB, do vice-presidente, José Alencar, registrou o menor número de filiados: 3.295.

Já o PDT, do presidenciável Cristovam Buarque, está em sétimo lugar em número de filiações, com 957.711 nomes.
Os dados foram divulgados ontem pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com base em informações prestadas pelos partidos em abril deste ano. O número de filiações sofreu pequena elevação em três anos e meio. Em outubro de 2002, havia 11,131 milhões de inscritos.

Apesar de esses números serem oficiais do TSE, os partidos políticos têm dificuldades para contabilizar um número exato de filiados já que muitos podem deixar o partido sem informar. Dos brasileiros filiados a partidos, 601 moram em outros países. O PT é a sigla que tem mais adeptos nesse grupo (135 nomes), seguido pelo PMDB (79), PSDB (54) e PFL (53). Na distribuição por Estados, 2,339 milhões dos filiados estão em São Paulo, 1,283 milhão em Minas Gerais, 1,063 milhão no Rio Grande do Sul, 832.019 no Rio de Janeiro e 755.814 no Paraná. O Estado com menos filiados é Roraima (24.645).

 

JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 15 de agosto de 2006
Minirreforma reduz poluição visual em época de campanha
Mesmo estando liberada há mais de um mês, propaganda eleitoral ainda é pouco vista pelas ruas de Londrina

A partir de hoje, os eleitores poderão conhecer as faces e as propostas dos 852 candidatos que disputam o pleito de 1º de outubro no Paraná, no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão. Apesar da propaganda eleitoral estar liberada desde o dia 6 de julho, o eleitorado está verificando este ano uma campanha atípica, diferenciada das anteriores. Em Londrina, segundo colégio eleitoral do Estado, em que são disputados os votos de 332.086 eleitores, não há outdoors, cartazes fixados em postes, viadutos, e são poucas as bandeiras e faixas nas ruas.

A sensível redução da poluição visual em época de eleição é um dos reflexos da minirreforma eleitoral introduzida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O artigo 37 da lei 11.300, editada em maio, diz que ‘‘nos bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do Poder Público, ou que a ele pertençam, e nos de uso comum, inclusive postes de iluminação pública e sinalização de tráfego, viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos, é vedada a veiculação de propaganda de qualquer natureza, inclusive a pichação, inscrição a tinta, fixação de placas, estandartes, faixas e assemelhados’’.

A lei prevê multas de R$ 2 mil a R$ 8 mil caso o responsável pela propaganda irregular não restaure o bem após notificado. A lei permite a ‘‘colocação de bonecos e de cartazes não fixos ao longo das vias públicas, desde que não dificultem o bom andamento do trânsito’’.

‘‘A questão é que um candidato não é produto de marketing. Ele tem que ser votado pelos seus méritos. Com o excesso de propaganda, ele acaba se elegendo pelo marketing’’, argumentou o promotor da 189ªZona Eleitoral de Londrina, Sérgio Correa de Siqueira.

Apesar do pouco material de campanha nas ruas, o promotor relatou que estão sendo realizadas de três a quatro inspeções ou buscas e apreensões por dia, originadas por denúncias. ‘‘As irregularidades mais encontradas são as de antigamente. É um estilo de fazer campanha dos que se vendem pelo marketing’’, afirmou, sem citar nomes e as infrações verificadas. ‘‘Quando averiguadas, os procedimentos administrativos são instaurados em dois ou três dias.’’

Para Siqueira, as restrições impostas pela minirreforma para tentar nivelar os candidatos, independentemente do poder econômico, pode não ser o ‘‘caminho mais correto’’. ‘‘Acredito que se deve facilitar o financiamento das campanhas, condicionado à comprovação (da origem dos recursos). Todas as vezes que se restringe, acaba incentivando o uso de caixa dois’’, opinou.

Na opinião do deputado estadual Barbosa Neto (PDT), que nestas eleições disputa a Câmara Federal, a minirreforma ‘‘nivela um pouco’’ os candidatos, mas deixa espaço para ‘‘compra de lideranças’’. ‘‘Chegava a ser desleal (a diferença quantitativa de material entre os candidatos), mas a lei deixou uma brecha e alguns estão investindo esses recursos na compra de lideranças’’, ressaltou. Barbosa ainda acredita que dura pouco o cumprimento da lei. ‘‘Já tem gente esperando para colocar o ‘bloco na rua’’’, avisou.

Frente às novas regras eleitorais, candidatos experientes e novatos recorrem ao velho corpo a corpo para conquistar o eleitorado. ‘‘Já vinha fazendo campanhas sem comício, sem uso de artifícios políticos.

Gosto de apresentar o meu trabalho, minha prestação de contas e vou ao encontro do eleitor, tenho adotado com muito sucesso esse modo de trabalho eleitoral’’, disse Luiz Carlos Hauly (PSDB), que tenta o seu quinto mandato na Câmara dos Deputados. ‘‘Minha estratégia de campanha são reuniões com lideranças, mas não necessariamente políticas’’, relatou o candidato à Assembléia Legislativa, Cleyton Cruz (PP), que disputa pela# primeira vez o cargo.

JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS, 15 de agosto de 2006 | Economia
Eleição vai adiar horário de verão deste ano para novembro

O horário de verão deste ano vai começar com atraso por causa das eleições. O Ministério de Minas e Energia ainda vai discutir o assunto com o Tribunal Superior Eleitoral, mas o ministro Silas Rondeau disse hoje que neste ano os relógios só deverão ser adiantados no início de novembro, provavelmente, a partir da 0h do primeiro domingo do mês, dia 5.

Normalmente, o horário de verão tem início em meados de outubro, mas esse adiamento não é uma novidade pois já ocorreu em outros anos eleitorais para evitar problemas no sistema de votação.

Isso porque, se a mudança de horário ocorresse entre um turno e outro, as urnas eletrônicas precisariam ser reprogramadas antes do segundo turno, o que provocaria um transtorno de logística para os tribunais eleitorais.

Os dois turnos das eleições deste ano, para presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais, estão marcados para o dia 1º e 29 de outubro.

O ministro afirmou hoje a reportagem do jornal "Folha de S.Paulo", que a tendência é adiar o horário de verão porque a sua antecipação poderia prejudicar a população, inclusive no que diz respeito à segurança, já que o último domingo antes das eleições é o dia 24 de setembro, quando a luminosidade ainda não seria suficiente para adiantar os relógios em uma hora.

Em sua última edição, o horário de verão vigorou entre o dia 16 de outubro de 2005 e 18 de fevereiro de 2006 (125 dias) em dez Estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e no Distrito Federal.

 

Agência Radiobrás, 15 de agosto de 2006
Emissoras não deveriam receber pelo horário eleitoral, defende especialista
MARCELA REBELO
REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Brasília - A legislação que prevê a compensação fiscal para emissoras de rádio e televisão que veiculam o horário eleitoral obrigatório deveria ser revista, avalia o pesquisador Samuel Possebon, do Núcleo de Pesquisa de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Nas eleições deste ano, a Receita Federal deixará de arrecadar R$ 191,6 milhões das empresas de comunicação por causa dessa isenção fiscal.

Para o pesquisador, as emissoras poderiam transmitir o horário eleitoral de forma realmente gratuita, isto é, sem receber, em troca, nenhuma isenção fiscal. Possebon destaca que, apesar de serem empresas privadas, as emissoras de rádio e televisão são concessões públicas. Isso significa que elas só funcionam porque receberam uma autorização do governo para utilizar um espaço que é público (no caso, o espectro eletromagnético, por onde trafegam as ondas do rádio e da televisão).

“Será que o fato de a emissora ser obrigada a passar esse horário eleitoral gratuito não seria uma forma de compensar o patrimônio público pela concessão que lhes foi dada?”, questiona o pesquisador. Ele afirmou que “não seria um absurdo” exigir que as emissoras transmitissem o horário eleitoral gratuitamente, como forma de compensar a concessão que receberam.

“Quando você tem uma concessão pública, você tem que devolver uma parte do que você recebeu na forma de bens que possam ser de interesse público”, disse. “Simplesmente estariam devolvendo uma parte daquilo que receberam de graça.”

Possebon defende que haja um “debate sério” para revisar a legislação que regula as emissoras de rádio e televisão, de modo que sejam estabelecidos os direitos e deveres das empresas. “Pode ser que você conclua nesse ambiente regulatório claro, preciso, transparente e democrático que realmente as empresas precisam ser ressarcidas pela transmissão desse horário, senão quebram – do que eu duvido”, diz ele. “Pode ser também que esse ambiente normativo diga que as emissoras têm essa obrigação, como acontece com as outras concessionárias públicas que têm de ser seguir uma série de regras.”

Em 2005, as emissoras de televisão aberta receberam aproximadamente R$ 13 bilhões somente em publicidade, de acordo com o estudo Inter-Meios, divulgado pela “Meio e Mensagem”, uma publicação especializada do setor. Isso quer dizer que a isenção fiscal pelo horário eleitoral corresponde a menos de 2% desse faturamento com os comerciais.

 

REVISTA ISTO É, 14 de agosto de 2006
Eleições 2006
O dinheiro sumiu
Nova legislação eleitoral e crise política deixam partidos na pendura

Composta para o Carnaval de 1959, a marchinha “Ei, você aí/ me dá um dinheiro aí/me dá um dinheiro aí”, do trio Ivan, Homero e Glauco Ferreira, bem que poderia ser a trilha sonora oficial das próximas eleições. A nova legislação eleitoral, que endureceu as regras para doações financeiras às candidaturas, aliada à descrença causada pelos escândalos políticos, está secando os cofres dos grandes partidos. No domingo 6, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou a primeira parcial sobre as doações e gastos da campanha 2006. O campeão de arrecadação até aqui é o comitê do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que contabilizou R$ 5.686.558,00. Mas nem o líder nas pesquisas e na captação de recursos parece satisfeito com o dinheiro que entrou em sua conta.

Antes do início da corrida eleitoral, o PT definiu que o teto de gastos de sua candidatura à Presidência seria de R$ 89 milhões. Mas nem em delírio a legenda espera levantar esse dinheiro. O PT trabalha com a expectativa de arrecadar para o primeiro turno cerca de R$ 45 milhões. Mas o encarregado de passar o chapéu não parece muito otimista com a meta. “Não vai ser fácil chegar a esse valor. Nossa arrecadação está um pouco abaixo do esperado”, admite o tesoureiro petista José di Filippi Júnior. O problema do PT é que muitas de suas fontes secaram. Empresários que apoiaram Lula em 2002 não subiram no barco da reeleição. Entre os poderosos que se distanciaram do presidente estão Eugênio Staub, da Gradiente e Ivo Rosset, dono das marcas Valisère e Cia Marítima. Ninguém assume, mas os últimos escândalos tiveram papel decisivo na debandada.

O cofre petista não é o único a sofrer de inanição. Até mesmo o PSDB, um partido com forte vinculação com a elite econômica do País, passa por sufoco. Na primeira prestação de contas, a campanha de Geraldo Alckmin arrecadou R$ 1.322.697,68 e gastou R$ 1.889.387,48, um déficit de R$ 566.689,80. O rombo, no entanto, não chega a desplumar os tucanos. O comando da campanha informa que nos próximos dias deverão desembarcar R$ 15 milhões nas contas de Alckmin. Enquanto o dinheiro não chega, só resta lamentar. “Até agora arrecadamos só a metade do que esperávamos. Parece que o pessoal (empresários) está com receio de doar”, diz um dos assessores próximos ao presidenciável.

A pendura está produzindo situações curiosas. Na primeira parcial, o comitê da campanha de José Serra, candidato a governador em São Paulo, arrecadou R$ 4,4 milhões, mais que o dobro do de Geraldo Alckmin. Nem mesmo Ronaldo Cézar Coelho (PSDB), candidato ao Senado pelo Rio e o mais rico participante da campanha, segundo dados do TSE, está disposto a abrir a mão. “Dinheiro eu não ponho. O que faço é colaborar indiretamente, financiando comitês de campanha conjuntos e auxiliando os candidatos a deputado que me ajudam”, diz Coelho.

Se a coisa está difícil no andar de cima da campanha dos presidenciáveis, no andar de baixo a situação é crítica. O candidato do PDT, Cristovam Buarque, arrecadou até agora R$ 150 mil. Já o colega do PSDC, José Maria Eymael, obteve a franciscana quantia de R$ 16,5 mil. Luciano Bivar, do nanico PSL, registra melhores resultados. Já declarou R$ 260 mil de doação, bem mais do que o valor arrecadado por Heloísa Helena, terceira colocada na corrida pela Presidência da República. No entanto, o PSOL da senadora transforma a dureza em instrumento de divulgação de princípios e ética política. Até aqui, Heloísa Helena gastou módicos R$ 105 mil. Martiniano Cavalcante, tesoureiro da legenda, dá o tom da campanha. “Não queremos o dinheiro de banqueiros e grandes empreiteiras. O abuso do poder econômico é o grande gerador de corrupção. Faremos uma campanha decente, humilde e sem comprometimentos”, brada Cavalcante. A dureza beneficiará as cidades, que finalmente se verão livres do lixo que entupia seus bueiros e da poluição visual que irritava seus habitantes. Eleitores ou não.

Folha de São Paulo, 13 de agosto de 2006
47% do eleitorado diz ter posição política de direita
Pesquisa Datafolha mostra que perfil conservador do brasileiro continua forte

Questões sobre aborto, pena de morte, maconha e maioridade penal revelam mentalidade ainda mais fortemente conservadora

FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL

Pesquisa Datafolha revela que 47% do eleitorado brasileiro se define com sendo de "direita". Outros 23% de "centro" e apenas 30% de "esquerda". Apesar de menos da metade se definir como de "direita", é esmagadora a maioria que adota posições geralmente associadas ao conservadorismo, como a condenação ao aborto, às drogas e a defesa de medidas mais duras de combate ao crime.

A pesquisa mostra que são contra a descriminalização da maconha 79%. Do aborto, 63%. Outros 84% defendem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e 51% querem a instituição da pena de morte. Os percentuais gerais acima não diferem muito mesmo isoladamente em cada um dos grupos de eleitores ("direita", "centro" e "esquerda"). Exemplo: entre os que se dizem de "esquerda", 87% (mais do que a média) são favoráveis à redução da maioridade penal.

Em alguns temas, como aborto, drogas e pena de morte, os eleitores mais jovens se mostram até um pouco mais conservadores que os mais velhos. No geral, também são pequenas as diferenças de opinião entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Geraldo Alckmin (PSDB). Os simpatizantes ao tucano são ligeiramente mais conservadores apenas em relação à maioridade penal e à pena de morte.

A pesquisa, feita na semana passada, ouviu 6.969 eleitores pelo país. Comparados aos resultados de levantamentos semelhantes nos últimos anos, os dados mostram que o perfil conservador do eleitor permanece forte desde a década de 90. Para o cientista político Leôncio Martins Rodrigues, embora boa parte do eleitorado não consiga discernir exatamente o que vem a ser "esquerda" ou "direita", o posicionamento mais conservador do brasileiro "faz sentido". "Há elementos culturais que mudam com muita dificuldade no Brasil. Entre as pessoas menos sofisticadas, a busca de "soluções simples", como a redução da maioridade penal, têm muitos atrativos", afirma.

Walter Maierovitch, ex-secretário nacional antidrogas no governo FHC e especialista em assuntos de segurança, vê nos resultados da pesquisa "uma falta de informação generalizada" entre a população. "O brasileiro é muito mal informado sobre esses temas polêmicos e geralmente acaba se alinhando com posições que emanam dos EUA, onde essas discussões são mais profundas e conservadoras", diz. O cientista político norte-americano David Fleischer, professor da Universidade de Brasília, concorda. "A televisão é a grande fonte de informação do brasileiro. O imperialismo cultural e de costumes norte-americano, que ficou muito conservador nos últimos 20 anos, é uma forte referência."

Newton Bignotto, professor de filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais, afirma que os resultados contraditórios da pesquisa atestam "a cacofonia da sociedade brasileira". "Causa perplexidade a desconexão entre a percepção sobre os costumes, os costumes de fato e a cultura política." Para o psicanalista e colunista da Folha Contardo Calligaris "causa surpresa" o alto percentual (47%) dos que se dizem de "direita". "Ser de "esquerda" geralmente traz uma posição mais gloriosa de si mesmo. Mas, que o brasileiro seja conservador, apenas confirma o fato de ele, em geral, não tomar posições de enfrentamento."

JORNAL GAZETA DO POVO, 12 de agosto de 2006 | Paraná

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 11 de agosto de 2006 | Brasil
PESQUISA-Novo levantamento de intenção de voto mostra que presidente seria reeleito no primeiro turno
Ibope confirma queda de Alckmin e avanço de Lula

São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceria no primeiro turno se as eleições presidenciais fossem realizadas agora, mostra nova pesquisa do Ibope, divulgada ontem a noite pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.

Lula, que pontuou em 44% na última pesquisa Ibope, há 10 dias, tem agora 46%.
O candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que tinha 25%, perdeu 4 pontos porcentuais e caiu para 21%, e a senadora Heloísa Helena (PSol) subiu um ponto (tinha 11% e agora tem 12%).

O cientista político Antônio Lavareda atribuiu a queda de Alckmin aos novos ataques do crime organizado em São Paulo. “No momento em que o PCC descobrir que pode influenciar diretamente a eleição do futuro presidente, estaremos numa situação muito delicada. E se tivermos nova onda de ataques em fins de setembro, às vésperas da eleição, o que dizer?”

Lavareda cobrou um novo posicionamento de Alckmin sobre os ataques: “O discurso dele tem sido insuficiente”.

Paradoxo

Segundo Lavareda, quando Alckmin diz que os ataques são uma resposta à dureza com que seu governo tratava o crime, cria um paradoxo na cabeça do eleitor, o que se repetiu quando ele falou em “terrorismo”.

“Os ataques transmitem a todo o país a idéia de que São Paulo – o cartão de visitas de Alckmin – tem problemas e isso não ajuda a carrear votos”, diz Lavareda.

De fato, Alckmin teve uma queda de 20 pontos entre os eleitores que ganham mais de 10 salários mínimos – de 52% para 32% – o mais atemorizado pelos ataques criminosos, e deu a Lula, pela primeira vez, a liderança no segmento.

Assessores do candidato admitem a queda e explicam: como Alckmin não é carismático e é pouco conhecido, precisa de suporte publicitário constante, o que voltará a ocorrer a partir de terça-feira, com o início da propaganda eleitoral gratuita.

Na simulação de segundo turno (hipotética, porque Lula venceria no primeiro) o presidente chega aos 51% contra 33% de Alckmin, que perdeu 3 pontos (há 10 dias, Lula tinha 50% e Alckmin, 36%). Mas Lula já teve vantagem maior a seu favor: em junho, tinha 53% e Alckmin, 29%. Nos votos válidos, Lula tem 57% e 7 pontos porcentuais a garantir sua vitória no primeiro turno. Segundo a pesquisa, 40% (38% na anterior) ainda não escolheram candidato.

 

JORNAL DO ESTADO, 11 de agosto de 2006
Sindicatos rurais com Osmar
Entidades reclamam da falta de diálogo com o governo atual

Em reunião ontem, em Castro, líderes dos 16 sindicatos rurais que compõem o Núcleo Sindical Rural dos Campos Gerais, decidiram, por unanimidade, dar apoio à candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do estado. O Núcleo é composto pelos sindicatos das cidades de Ponta Grossa, Arapoti, Carambeí, Castro, Imbituva, Teixeira Soares, Ivaí, Ipiranga, Curiúva, Jaguariaíva, Ortigueira, Palmeira, Piraí do Sul, Reserva, Telêmaco Borba e Tibagi..

“Reunimos todo o nosso grupo, fizemos um balanço de todas as nossas ações, em especial a ocorrida no último dia 16 de maio, o chamado ‘Grito do Ipiranga’, e decidimos optar pelo apoio a Osmar”, ratifica o presidente do Núcleo Sindical Rural dos Campos Gerais, José Fernando de Paula.
O presidente do Núcleo destacou a insatisfação do setor rural com o atual governo que, classifica José Fernando de Paula, tem se mostrado “insensível às causas do campo”. Os agricultores, afirma, “estão passando por uma crise gravíssima. Para sermos ouvidos, fizemos passeatas, fechamos estradas em todo o Paraná, fizemos protestos, e não conseguimos, sequer, falar com o atual governador”, reclama.

A opção por Osmar, segundo José Fernando, foi feita em função dos compromissos assumidos pelo candidato com o setor produtivo. “Osmar Dias é engenheiro agrônomo, já foi secretário de Agricultura do Paraná e, como senador, tem sido a nossa voz, nosso canal em Brasília”, destaca. “Sabemos que com Osmar o agronegócio vai avançar. E com o setor caminhando, o Brasil caminha junto”.

Ao agradecer aos agricultores, Osmar Dias afirmou que o apoio definido pelo Núcleo Sindical Rural dos Campos Gerais representa não só o reconhecimento pelo trabalho que vem desenvolvendo há mais de duas décadas, mas também a decisão do setor de trabalhar em parceria com o governo. “Porque um governo de verdade, ouve a população, debate propostas e projetos com os diferentes setores e segmentos da sociedade e trabalha em parceria”, afirmou.

 

JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 11 de agosto de 2006
Partidos buscam apoio junto aos trabalhadores
Rhodrigo Deda

Foto: Arquivo/O Estado

De olho no voto dos trabalhadores, os partidos negociam com dirigentes de sindicatos apoio a seus candidatos.


Na busca de sustentação para suas candidaturas ao governo do Estado, pretendentes ao Palácio Iguaçu estão articulando o apoio de lideranças sindicais. Um dos coordenadores do PMDB junto à centrais sindicais, Núncio Manalla, entende que a obtenção do apoio de sindicalistas contribui para fazer com que a mensagem do governador Roberto Requião (PMDB) chegue com mais facilidade aos trabalhadores e suas famílias. “Quando diretores e presidentes sindicais afirmam apoio político, eles estão pedindo também o apoio a seus representados”, disse.

Segundo Manalla, Requião já conseguiu a confiança de cerca de 210 sindicatos e deve obter, pelos seus cálculos, o apoio de no mínimo mais 50 entidades, que devem confirmar nos próximos dias. Entre as centrais, Manalla cita a Força Sindical, a Confederação Geral dos Trabalhadores e a Força Trabalhista do Paraná, além da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná, Federação dos Bancários do Paraná e Federação dos Empregados do Comércio do Paraná.

Contudo, Manalla pondera que o importante não é somente a declaração formal de apoio, mas sim a realização de um trabalho junto às bases. “Se todo mundo entendesse a formalização de apoio, não haveria porque se mobilizar. Mas uma coisa é um dirigente falar que representa trabalhadores, outra é isso realmente acontecer”, disse ele, avaliando que há uma possibilidade de que 80% dos associados a sindicatos sigam suas lideranças. Para Manalla, o trabalho de um dirigente sindical vale quase por duzentos militantes pagos.

Campo

Já o apoio de sindicatos à candidatura de Osmar Dias, segundo um dos integrantes da coordenação da campanha, José Tavares, vêm principalmente do setor agrícola. “O fato de Osmar ter sido um grande secretário da agricultura trouxe a ele muito prestígio. Em relação a sindicatos, o apoio é espontâneo. A grande base é de trabalhadores rurais.”

Tavares afirmou que não há uma contabilização do número de entidades que apoiam Osmar. Porém, citou o apoio das lideranças do Núcleo Sindical Rural dos Campos Gerais, que envolvem 16 entidades. Entre outros grupos de apoio, Tavares afirma que parte da Força Sindical em Londrina também está com Osmar. “Recebemos ontem em Londrina o apoio de dezenas de entidades sindicais”, disse.

Iniciando

O coordenador de mobilização da candidatura de Flávio Arns (PT), Florisvaldo Souza, afirmou que haverá hoje reunião com dirigentes de diversas categorias sindicais. Souza disse que as entidades que devem compor apoio a Arns estão, em sua maior parte, ligadas à Central Única de dos Trabalhadores. “Temos apoios vindo de todas as regiões, principalmente região metropolitana. Estamos começando a discutir o assunto de forma oficial”, declarou.

Na campanha de Rubens Bueno (PPS), quem está cuidando da articulação junto aos sindicatos é o presidente da Federação dos Trabalhadores das Indústrias do Estado do Paraná (Fetiep), Luiz Gin. Segundo ele, dos 36 sindicatos filiados à Fetiep, 30 estão com Bueno. “São lideranças de vários setores como: químico, de papel e celulose, gráfico, vestuário, extrativismo de borracha.” Gin afirmou também que agricultores do setor fumageiro no Estado estão declarando seu apoio a Bueno para o governo do Estado.


JORNAL GAZETA DO POVO, 10 de agosto de 2006 | Brasil
SÃO PAULO
Serra vence no primeiro turno, mostra Datafolha

Nova pesquisa Datafolha mostra que o ex-prefeito tucano e candidato a governador de São Paulo José Serra tem 49% das intenções de voto. Em julho, ele tinha 48%. O candidato do PT, o senador Aloízio Mercadante, aparece em seguida, com 17% das intenções de voto – em julho ele tinha 15%. O peemedebista Orestes Quércia aparece em seguida, com 11% das intenções de voto. Em julho, Quércia tinha 11% das intenções de voto. O candidato do PDT, Carlos Apolinário, tem 2%. Plínio de Arruda Sampaio, do PSol, não pontuou na pesquisa de agosto.

 

Diário Vermelho, 10 de agosto de 2006
Para analistas, candidatura de Lula parece imbatível

Parece cada vez mais difícil derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial, dizem especialistas, depois que novas pesquisas mostraram vantagem ainda maior do petista sobre o principal adversário, o tucano Geraldo Alckmin. Mas a divulgação deste tipo de opinião, apesar de soar como uma notícia alvissareira, é o tipo de discurso que Lula e a coordenação de sua campanha querem evitar. Temem que o clima de “já ganhou” desmobilize a militância e abra o flanco para novas investidas dos adversários.

Duas pesquisas apuradas no início do mês e divulgadas na terça-feira apontaram que Lula tinha vantagem entre 23 e 28 pontos percentuais sobre Alckmin. Anteriormente, o candidato à reeleição estava 16 pontos à frente. Lula agora teria maioria confortável dos votos para evitar o segundo turno. "As pesquisas são uma surpresa e um desapontamento", disse o deputado tucano Gustavo Fruet (PR). As sondagens indicaram um retrocesso para a campanha do ex-governador de São Paulo, cujas intenções de voto recuaram apesar das expectativas de que sua candidatura ganharia impulso.

"A corrida está quase terminada, será muito difícil para Alckmin reverter isso", afirmou Ricardo Ribeiro, analista político da consultoria MCM, em São Paulo. Analistas dizem que a queda de 7,5 pontos de Alckmin na pesquisa CNT/Sensus se deve parcialmente ao avanço da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), cujas intenções de voto subiram de 5,4 para 9,3 por cento. De acordo com o Datafolha, ela foi de 10 para 12 por cento da preferência dos eleitores, dentro da margem de erro.

A senadora, que foi expulsa do PT por criticar reformas propostas pelo governo, era considerada uma ameaça maior a Lula do que a Alckmin. No entanto, as pesquisas mostraram que Heloísa Helena ganha mais terreno entre os eleitores mais bem educados e de maior renda que apoiariam o tucano. Segundo analistas, enquanto Lula colhe frutos do avanço real do salário mínimo e do crescimento econômico, Alckmin perde muitos eleitores indecisos e "votos de protesto" que tinha atraído na televisão.

Apesar da forte presença na televisão em junho, a queda de Alckmin se deve, em parte, ao fato de ter conseguido divulgar seu nome mas não ter conquistado eleitores fiéis. Para Chris Garman, analista político da consultoria Eurasia Group, em Nova York, a onda de violência em São Paulo no mês passado pode ter afetado a imagem de Alckmin como governador eficiente.

O tucano está convencido de que pode se recuperar porque tem 42 por cento mais de tempo de televisão do que Lula na propaganda eleitoral gratuita, que terá início dia 15. O tempo de cada candidato é concedido de acordo com o tamanho da bancada da sua aliança no Congresso."A corrida ainda não acabou", disse Fruet. A televisão é a única forma de atingir a maioria dos 125 milhões de eleitores e boa parte dos analistas acredita que essa exposição pode dar uma ajuda a um candidato numa disputa apertada, mas não determina o resultado de uma eleição.

A TV não reverteu nenhuma das três eleições anteriores, diz a Arko Advice, consultoria de Brasília. "Depender apenas da campanha no rádio e na TV não é suficiente para vencer", escreveu a consultoria em um relatório desta semana. A campanha televisiva nas próximas semanas deve ajudar Alckmin e prejudicar Heloísa Helena, que tem apenas 10 por cento do tempo de televisão do tucano, mas não será suficiente para ameaçar Lula, segundo Garman.

"Seja no primeiro ou no segundo turno, Lula deve vencer. As pessoas estão numa situação melhor do que há quatro anos e isso é difícil de superar", disse o analista.

Arrecadação e expectativa de vitória

O comentarista político do Jornal O Globo, Ilmar Franco, publicou ontem (8) em seu blog no portal Globo.com que corrobora para esta avaliação otimista. Segundo o jornalista, um bom indicativo para apontar quem são os candidatos com mais chances de ganhar a eleição é o nível de arrecadação de recursos para a campanha. “Como todos sabem são as grandes corporações empresariais que fazem as doações mais gordas para os candidatos. Estas não costumam jogar dinheiro fora e avaliam o atendimento dos pedidos, de contribuições, pelos resultados das pesquisas de opinião. Não é à toa que a derrota eleitoral sempre vem acompanhada do dissabor das dívidas de campanha.”, diz Ilmar.

Ele listou as informações sobre arrecadação de campanha divulgadas pelo TSE nesta primeira fase da disputa eleitoral. Nas eleições presidenciais, o presidente Lula arrecadou R$ 5,6 milhões, o tucano Geraldo Alckmin R$ 1,3 milhão. O candidato favorito ao governo de São Paulo, o tucano José Serra arrecadou R$ 3,6 milhões. O candidato à reeleição ao governo de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, também favorito, já arrecadou R$ 2,4 milhões. A lista dos candidatos que mais receberam contribuições revela que as doações, de forma geral, acompanham a liderança nas pesquisas e a maior probabilidade de vitória: Sérgio Cabral (PMDB-RJ) R$ 2,1 milhões, Roseana Sarney (PFL-MA) R$ 1,9 milhão, Paulo Souto (PFL-BA) R$ 1,8 milhão, André Puccinelli (PMDB-MS) R$ 1,4 milhão, Eduardo Braga (PMDB-AM) R$ 1,2 milhão.

O jornalista também faz comparações de pesquisas eleitorais das últimas quatro disputas para a presidência da República (1989, 1994, 1998 e 2002). Ele apresenta os dados das pesquisas divulgadas no mês de agosto de cada um destes anos e conclui que o candidato que chega na frente no início da propaganda eleitoral obrigatória em geral vence as eleições.

Confira abaixo os números:

1989 (Entrevistas realizadas nos dias 19 e 20 de agosto)
Fernando Collor – 41
Leonel Brizola – 14
Luiz Inácio Lula da Silva – 8
Mario Covas –
Ulysses Guimarães - 5

1994 (Entrevistas realizadas nos dias 16, 17 e 18 de agosto)
Fernando Henrique Cardoso – 41
Luiz Inácio Lula da Silva – 24
Leonel Brizola – 5
Orestes Quércia - 5

1998 (Entrevistas realizadas no dia 14 de agosto)

Fernando Henrique Cardoso – 42
Luiz Inácio Lula da Silva – 26
Ciro Gomes – 7
Enéas Carneiro - 4

2002 (Entrevistas realizadas nos dias 15 e 16 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva – 37
Ciro Gomes – 27
José Serra – 13
Anthony Garotinho - 12

2006 (pesquisas realizadas em agosto.)
Sensus (Entrevistas realizadas nos dias 1, 2, 3 e 4 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva - 47,9
Geraldo Alckmin - 19,7
Heloísa Helena - 9,3
Cristovam Buarque - 0,6

Datafolha (Entrevistas realizadas nos dias 7 e 8 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva – 47
Geraldo Alckmin – 24
Heloísa Helena – 12
Cristovam Buarque – 1

 

Folha de São Paulo, 10 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / ESTADOS
Cabral vai a 42% e pode vencer no 1º turno no Rio
Peemedebista sobe, mas não supera o empate técnico com o total de seus adversários | Na disputa pela única vaga do Rio ao Senado, Jandira Feghali (PC do B) lidera com 21%; Francisco Dornelles (PP), 14%, está em segundo

PLÍNIO FRAGA
DA SUCURSAL DO RIO

A uma semana do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, o candidato do PMDB ao governo do Rio, Sérgio Cabral, está 23 pontos à frente do segundo colocado -Marcelo Crivella (PRB), com 19%- e atinge 42% das intenções de voto contra 37% da soma total de seus adversários, mostra o Datafolha. Na pesquisa anterior, a vantagem de Cabral era de 21 pontos. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, Cabral pode ter entre 39% e 45%, e seus concorrentes somados, entre 34% e 40%. Ou seja, não é certo hoje que seus votos superem os dos adversários, condição para vencer no primeiro turno. Mas sua situação melhorou. Em julho, Cabral tinha 41% contra 39% dos demais.

Descontados os votos nulos, brancos e indecisos, Cabral atinge 53% dos votos válidos. Depois de Cabral e Crivella, aparecem Denise Frossard (PPS), com 9%; Eduardo Paes (PSDB), 3%; Vladimir Palmeira (PT) e Luiz Novaes (PSDC), 2%; e Carlos Lupi (PDT) e Milton Temer (PSOL), com 1%. Dos entrevistados, 53% afirmaram não ter nenhum interesse em assistir ao horário eleitoral que começa na próxima terça-feira, contra 46% que dizem ter algum interesse.

A pesquisa mostra que é alto o índice de eleitores (55%) que declaram não saber em quem votar, quando não é apresentado um cartão com os nomes dos candidatos. Na chamada pesquisa espontânea, Cabral tem 20% contra 5% de Crivella. Na disputa pela única vaga do Rio ao Senado, Jandira Feghali (PC do B) segue à frente, com 21%, seguida por Francisco Dornelles (PP), que tem 14%. O Datafolha ouviu 1.246 eleitores nos dias 7 e 8 de agosto. A pesquisa foi registrada no TRE-RJ sob o número 51816/2006.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de agosto de 2006 | Política
JUSTIÇA ELEITORAL-Hermas Brandão deixa de ser candidato a vice; Requião perde tempo no horário gratuito
TRE anula coligação PSDB–PMDB

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu ontem, por três votos a dois, pela retirada do PSDB da coligação Paraná Forte, formada pelo PMDB e PSC. A decisão segue o voto do relator do processo, João Pedro Gebran Neto, favorável ao pedido do diretório nacional do PSDB, que pedia a anulação da aliança com o PMDB, que tem o governador Roberto Requião como candidato à reeleição.

Além da retirada do nome de Hermas Brandão da vice, outra conseqüência do fim da coligação é o tempo de horário eleitoral. O TRE divulgou ontem a nova tabela de tempo no rádio e televisão, já com o tempo do PSDB dividido entre os demais partidos. Com o PSDB, o governador Requião teria 4 minutos e 26 segundos de propaganda. Sem os tucanos, esse tempo passa para 2 minutos e 54 segundos.

De acordo com a assessoria de comunicação do TRE, com a decisão, mesmo que haja recurso, os dois partidos devem agir separadamente, retirando o nome de Hermas Brandão (PSDB) da vice e a sigla tucana do material de propaganda. O TRE vai comunicar hoje os partidos e emissoras de rádio sobre as conseqüências da decisão.

O advogado que defende a coligação, Guilherme Gonçalves, não tem o mesmo entendimento sobre o processo daqui para frente. Ele disse que vai recorrer da decisão no TSE, mas que até o julgamento em Brasília tudo permanece como está. “Pretendemos recorrer ao TSE e eventualmente ao STF. A coligação permanece, enquanto não houver uma palavra final da Justiça em Brasília”, disse Gonçalves. Ele afirma que enquanto estiver sub judice o tempo de televisão é o tempo da coligação.

O texto da decisão (teor do acórdão) será publicado hoje, quando passa valer o tempo de três dias para recurso. O TSE tem até 20 de setembro para julgar o recurso.

Já o advogado do diretório regional do PSDB, Nilson Sguarezzi, afirma que, até decisão em contrário, os dois partidos seguem cada um para seu lado. “A partir dessa decisão do TRE, o tribunal vai cumprir a sua decisão”, disse.

Segundo o advogado, Hermas deve se conformar com o fato de não poder ser candidato. “Ele deve ter avaliado os riscos e as conseqüências da tentativa de ser candidato a vice”, disse Sguarezzi.

Além de Gebran Neto, votaram contra a homologação da coligação PMDB–PSDB os juízes Renato Braga Bettega e José Carlos Dalacqua. A favor da coligação votaram os juízes Munir Abagge e Renato de Almeida Andrade. O vice-presidente do TRE, desembargador José Antônio Vidal Coelho, presidiu a sessão de segunda-feira, interrompida pelo pedido de vistas do processo, e por isso não votou, já que encerrou essa pauta ontem presidindo a sessão.

Munir Abagge, que pediu vistas ao processo na segunda-feira, disse que o argumento da democracia exercida durante a convenção do PSDB, que pela maioria decidiu pela coligação, era o argumento mais forte pela manutenção da escolha dos delegados. “Meu bom senso não admite que uma decisão legitimamente votada por umas de 400 convencionais seja cassada por uma pessoa que não deu direito de defesa à outra parte”, disse Abagge. Ele se referiu à decisão do presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, de anular o resultado da convenção, por não atender aos interesses da candidatura à Presidência da República do partido.

Daniela Neves

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de agosto de 2006 | Política
JUSTIÇA ELEITORAL
Recurso contra decisão divide peemedebistas

O PMDB passou a viver uma confusão com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra a coligação com o PSDB. Enquanto os advogados do partido estudavam, ontem, entrar com o recurso suspensivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os líderes do PMDB articulavam pela desistência do recurso.

“Se depender de mim, não vamos recorrer. Só toleramos o PSDB por respeito ao Hermas Brandão”, afirmou o deputado Dobrandino da Silva, presidente do PMDB no Paraná. “A nossa campanha está nas ruas e essa decisão não muda nada. Só perdemos um pouco do tempo de televisão. Por mim, o nosso candidato a vice-governador seria o Orlando Pessuti (PMDB).”

A opinião de Dobrandino, no entanto, pode ser modificada dentro do próprio PMDB. Segundo o vice-presidente do partido, deputado Nereu Moura, o governador Roberto Requião está analisando, além do recurso em Brasília, a possibilidade de lançar chapa pura na disputa eleitoral. Pessuti está sim no páreo para vice.

Mas há outro nome sendo cogitado: o de Renato Adur. Ele é coordenador da campanha de Requião no interior e foi secretário estadual de Desenvolvimento Urbano. Nesse caso, Pessuti seria candidato ao Senado. Segundo peemedebistas, Adur considera a idéia interessante e estaria disposto a assumir a responsabilidade. Porém, se não tiver de disputar com Pessuti. Já Requião, oficialmente, segundo sua assessoria, disse confiar nos advogados da coligação e que está com os democratas do PSDB e não crê que a aliança seja abalada.

Do lado do PSDB, a decisão do TRE sinalizou como libertação. De acordo com o presidente estadual do partido, deputado Valdir Rossoni, os tucanos agora retomam sua trilha normal. “Essa aliança era descabida. Sofremos em 2004 tendo de brigar com Requião”, disse o parlamentar, contando que os correligionários tucanos estavam angustiados em não poder apoiar Osmar Dias (PDT) para governador.

Segundo Rossoni, agora todos poderão aderir à campanha do pedetista, inclusive o prefeito Beto Richa.

Osmar Dias ficou animado com a decisão do TRE. “Sei que cabe recurso. Mas o TRE tomou a decisão correta. O partido nacionalmente é que manda”, disse. “Agora há liberdade total para o PSDB me dar apoio, mesmo que informal. Estão liberados para ser manifestar publicamente sem ser infiéis. Espero o apoio, que só é consolidado quando é público.”

Caio Castro Lima

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de agosto de 2006 | Política
JUSTIÇA ELEITORAL
Hermas pode assumir o governo até dezembro

O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), pode virar governador do Paraná até dezembro. Segundo o vice-presidente do PMDB no Paraná, deputado Nereu Moura, que ontem estava com Roberto Requião quando soube da decisão do TRE, essa é uma alternativa que o governador está analisando para caso o partido resolva não recorrer da posição contra a coligação.

Se PMDB e PSDB levarem a história ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a derrota for confirmada, Hermas ficaria sem a chance de ser candidato a qualquer vaga nestas eleições. De acordo com a legislação eleitoral, a troca de candidatos na proporcional (deputados estaduais e federais) só poderia ter ocorrido até o último dia 2. O tucano, portanto, não poderia disputar o pleito para tentar sua continuação no Legislativo paranaense.

“Por enquanto, cabe recurso suspensivo. Mas vamos analisar com as lideranças do partido se vale ou se acabamos logo com isso. O Requião está refletindo sobre qual a melhor alternativa. Ele já falou com Hermas e pode se licenciar. O vice-governador, Orlando Pessuti, também se licenciaria e o Hermas assumiria o governo. Essa chance existe”, disse Nereu Moura.

Hermas Brandão disse que vai se reunir com sua equipe e com o governador.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de agosto de 2006 | Brasil
CNT/SENSUS-Lula amplia vantagem, segundo novo levantamento de intenção de voto
Pesquisa mostra queda de Alckmin

Brasília – Depois de atingir um patamar próximo dos 30% das intenções de voto, o que vinha animando seus aliados e reforçando a tendência de a eleição presidencial ser decidida só no segundo turno, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, caiu 7,5 pontos porcentuais de acordo com pesquisa do Instituto Sensus, divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

O tucano saiu dos 27,2% registrados em julho para 19,7%. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 44,1% para 47,9%, enquanto a candidata do PSol, senadora Heloísa Helena (AL), saltou de 5,4% para 9,3%.
Com esses números, Lula seria reeleito no primeiro turno com 60,5% dos votos válidos, seguido por Alckmin com 24,9% e Heloísa Helena com 11,7%.

Alckmin registrou queda nas intenções de votos em todas as regiões do país, sendo que a mais significativa foi no Sudeste, onde caiu de 34,1% para 21,6%. No Nordeste, a queda foi de 15,8% para 11%, no Sul de 32,1% para 27,7%, no Norte e Centro-Oeste de 29,1% para 22,8%. Já o presidente Lula registrou crescimento em todas as regiões.

Cautela

O comando das campanhas do PT e do PSDB decidiram adotar um tom de cautela em relação à pesquisa. Até mesmo o coordenador da campanha da reeleição do presidente Lula, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), evitou comemorar o resultado.

“A pesquisa mostra uma mudança de tendência, mas temos que ter cautela. Não houve modificação no quadro político. O que estamos percebendo é um quadro de consolidação do voto no presidente Lula. Temos que esperar pelo resultado de outras pesquisas”, disse Berzoini.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que os números auferidos pelo Instituto Sensus diferem das pesquisas internas encomendadas pelo partido. “Não há nada de novo que justifique uma queda dessa. Não sou de desacreditar em pesquisas, mas essa não bate com a que temos à nossa disposição”, argumentou.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), também deixou transparecer suas suspeitas em relação aos números da pesquisa da CNT/Sensus: “Se o DataFolha confirmar estes números, vou levar a sério essa pesquisa”, disse.


 

JORNAL GAZETA DO POVO, 08 de agosto de 2006 | Política
PESQUISA-Diferença entre o primeiro e o segundo colocados ao governo cai no interior e aumenta na grande curitiba
Requião tem mais votos na RMC


Mais da metade dos eleitores da região metropolitana de Curitiba (RMC) pretende votar no governador Roberto Requião (PMDB), candidato à reeleição. Segundo a pesquisa RPC–Gazeta do Povo/Ibope, o governador tem 54% das intenções de voto nos arredores da capital, seguido de Osmar Dias (PDT), com 15%.

A diferença de 39 pontos entre os dois primeiros colocados na RMC é bem maior do que em todo o estado. No Paraná, Requião tem 39% das intenções de voto, contra 25% de Osmar, 7% de Rubens Bueno (PPS) e 3% de Flávio Arns (PT).

No interior do estado, a situação é um pouco mais confortável para o segundo colocado na pesquisa. Requião ainda está na frente, mas a diferença em relação ao primeiro adversário cai para 10 pontos. Popular no meio agrícola, Osmar Dias – que é produtor rural – tem 27% dos votos em municípios do interior, contra 37% de Requião.

Em Curitiba, o principal adversário do governador nas urnas é Rubens Bueno (PPS), com 18% das intenções de voto, de acordo com o Ibope. O governador tem 37% na capital. Osmar Dias cai para a terceira colocação, com 16% das intenções de voto dos eleitores de Curitiba.

Além de atrair o voto da região metropolitana, Requião tem maior aceitação entre eleitores de baixo nível de instrução. Dos entrevistados com escolaridade até oitava série do ensino fundamental, 43% declararam intenção de votar no governador. Já entre os eleitores de nível superior, Requião tem 32% dos votos.

Osmar Dias, por sua vez, tem maior popularidade entre os eleitores com ensino médio completo. Nessa faixa de escolaridade, a diferença entre ele (31%) e Requião (35%) é de apenas quatro pontos porcentuais.

Estratégia

O coordenador da campanha de Requião no interior, Renato Adur – ex-secretário estadual de Desenvolvimento Urbano – admitiu ontem que há mesmo uma diferenciação de eleitorado de uma região para outra no Paraná. Segundo ele, a partir do dia 15, a coligação vai intensificar a movimentação no interior do estado. “Já detectamos que no interior há uma maior divisão dos votos e a eleição se polariza”, disse Adur. “Os pequenos municípios farão a diferença nas urnas, já que temos dificuldades nas médias e grandes cidades.”

Segundo o coordenador, o bom desempenho do candidato do PMDB na região metropolitana se explica pelas prioridades do atual governo. “Requião segue os princípios da Carta de Puebla, de opção preferencial pelos pobres”, disse.

O presidente do conselho político da campanha de Osmar Dias, Euclides Scalco, considerou positivos os números da pesquisa para o candidato do PDT. “Estamos em início de campanha e o anúncio da candidatura do Osmar foi feito recentemente.”

Scalco disse que os números mostram que Osmar é o candidato que mais tem chances de crescimento durante a campanha. “Assim que comece o horário eleitoral no rádio e na tevê e o eleitor conheça todos os candidatos, devemos crescer nas pesquisas.”

O candidato ao governo pelo PPS, Rubens Bueno, diz que a divulgação da primeira pesquisa Ibope no estado não vai modificar o andamento de sua campanha. De acordo com o levantamento, Bueno tem um desempenho bem melhor em Curitiba – onde aparece em segundo lugar, com 18%. No interior, Bueno aparece com apenas 4%. “A pesquisa neste ponto, de início de campanha, mostra apenas o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos. Vamos manter a nossa programação de viagens, sem nos ater à pesquisa. Tenho absoluta certeza que estarei no segundo turno”, afirmou.

Para Bueno, seu desempenho no estado é bom. Pelo Ibope, ele tem 7% das intenções de voto. Esse porcentual corresponde ao total de votos válidos que ele obteve nas eleições de 2002, quando também concorreu ao governo do estado. “Naquelas eleições terminei em quinto. Agora saio em terceiro e isso significa que já saio vencendo.”

Flávios Arns disse que ficou decepcionado com o resultado, mas admite que a sondagem reflete a realidade do momento eleitoral. Ele aposta no trabalho de militância do PT para subir nas próximas pesquisas. “É um porcentual ainda baixo, mas tenho tido uma boa receptividade e agora é uma questão de tempo.”

Audrey Possebom/Caio Castro Lima/Daniela Neves/Rosana Felix

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 08 de agosto de 2006 | Política
SATISFAÇÃO
Para 50%, governo é bom ou ótimo

Segundo a pesquisa RPC–Gazeta do Povo/Ibope, 50% dos eleitores fazem uma avaliação positiva da atual administração de Roberto Requião (PMDB) – 9% acham ótima e 41% boa. Na região metropolitana de Curitiba, o grau de satisfação é ainda maior: 58% dos entrevistados classificam a gestão como ótima e boa.

A avaliação do governo Requião melhorou nos últimos dois anos em Curitiba. De acordo com a sondagem divulgada no fim de semana, 54% dos entrevistados na capital avaliam como ótima (11%) e boa (43%) a atual gestão do estado. Em uma pesquisa feita pelo Ibope, em julho de 2004, 39% dos eleitores de Curitiba classificaram dessa forma a administração de Requião.

De acordo com a sondagem atual, 67% dos eleitores paranaenses aprovam a forma como o governador administra o estado. Quanto maior o grau de escolaridade do eleitor, menor o grau de satisfação com o governo Requião. Entre os entrevistados com nível superior, 33% desaprovam a forma como o atual governador administra o estado, enquanto que apenas 12% dos eleitores com baixo grau de escolaridade – até a quarta-série – se queixam da atual administração.

De acordo com a sondagem, 79% dos moradores da região metropolitana concordam com a maneira de Requião conduzir o estado. Em Curitiba, esse índice cai para 60% e, no interior, para 66%. Outros 11% não souberam ou não quiseram opinar. (AP)

 

Folha de São Paulo, 8 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / JUSTIÇA
Em São Paulo, 47% das candidaturas são impugnadas
Entre elas, estão a do ex-prefeito da capital Celso Pitta a do presidente nacional do PT; cabe recurso da decisão ao TRE | Berzoini não teria votado em referendo; também foram atingidos coronel do massacre do Carandiru e quatro deputados do PSDB

RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL

O Ministério Público Federal divulgou ontem a lista completa de 1.348 candidaturas impugnadas no Estado de São Paulo a seu pedido, cerca de 47% do total registrado. Os candidatos têm prazo de sete dias para recorrer da decisão. O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) analisará o recurso e decidirá, até o final de agosto, se acolherá ou não o registro definitivo da candidatura. Os motivos elencados pelo Ministério Público são diversos, da simples falta de assinatura do candidato a omissões na declaração de bens. O grosso dos pedidos aponta ausência de documentos exigidos em lei.

Além do ex-governador paulista Paulo Maluf (PP) e do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), aparecem na lista o presidente do PT, Ricardo Berzoini, o ex-prefeito paulistano Celso Pitta (PTB), quatro deputados federais do PSDB (Antonio Carlos Pannunzio, Carlos Sampaio, Walter Barelli e Zulaiê Cobra), dois do PTB (Arnaldo Faria de Sá e Luiz Antonio Fleury Filho), um do PDT (João Herrmann), um do PL (Luiz Medeiros) e um do PSOL (Orlando Fantazzini). Também costa da lista o deputado estadual Ubiratan Guimarães (PTB), acusado de ter comandado o massacre no presídio do Carandiru em 1992.

Segundo o Ministério Público, Berzoini, candidato à reeleição na Câmara, está em situação irregular: o registro anexado apontou "ausência às urnas". A assessoria do candidato informou que ele recorreu e que "é possível" que a ausência de voto se refira ao referendo sobre o desarmamento. Sobre Carlos Sampaio, ele não teria se afastado do cargo de promotor de Justiça em tempo hábil. Medeiros, Ubiratan e Herrmann disseram já ter recorrido. Zulaiê, Pitta e Sampaio não foram localizados.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou que tinha registro em sua base de dados da entrega de prestação de contas parcial de apenas 11.157 candidatos, que correspondem a 55,9% dos concorrentes. No entanto, o próprio TSE esclareceu que o número de candidatos supostamente omissos não está consolidado, porque os tribunais regionais eleitorais ainda podem enviar os dados que receberam. O candidato à Presidência pelo PCO, Rui Costa Pimenta, será notificado a apresentar os comprovantes de votação da eleição de 2004 e a prestação de contas da campanha de 2002.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de agosto de 2006 | Política
PESQUISA-Primeira sondagem revela intenções de voto para governador, senador e presidente no Paraná
Ibope mostra Requião com 39%; Osmar tem 24%

Se a eleição fosse hoje, o governador Roberto Requião (PMDB), candidato à reeleição, teria 39% dos votos, seguido de Osmar Dias (PDT), com 24%, de acordo com a pesquisa RPC–Gazeta do Povo/ Ibope. O candidato do PPS, Rubens Bueno, aparece na terceira colocação, com 7% das intenções de voto. Flávio Arns (PT) teria 3%, seguido de Ana Lúcia Pires (PRTB) – única mulher na disputa pelo governo do Paraná –, com 1%. Os demais candidatos não chegaram a obter 1%.

Se forem considerados apenas os votos válidos, em tese Requião poderia ser reeleito já no primeiro turno, com 52%. De acordo com a análise dos pesquisadores, porém, o porcentual de votos válidos do governador está dentro da margem de erro de três pontos porcentuais para menos ou mais, o que não descarta a possibilidade de segundo turno.

De acordo com a sondagem, Osmar Dias é o candidato mais forte para enfrentar Requião em uma disputa direta. Nas simulações feitas pela pesquisa, Requião teria 49%, contra 33% do senador em um eventual segundo turno entre os dois.

Caso Rubens Bueno seja o adversário do governador no segundo turno, a diferença aumentaria: 57% para Requião e 20% para o candidato do PPS. Contra Flávio Arns, Requião teria 59%, e o petista, 16%.

A pesquisa também simula um segundo turno entre Osmar Dias e Rubens Bueno. De acordo com as intenções de voto, Osmar seria eleito governador com 53% dos votos, contra 17% de Rubens.

O candidato do PMDB também lidera a pesquisa espontânea, em que os entrevistados dizem em quem pretendem votar sem um cartão com nomes. Entre os candidatos, Requião segue na frente, com 21% dos votos espontâneos, seguido de Osmar Dias, com 9%. Rubens Bueno é apontado espontaneamente por 2% dos entrevistados, contra 1% de Flávio Arns. Cerca de 6 em cada 10 entrevistados (59%) afirmaram que ainda não sabem em quem votarão para o governo do estado.

Apesar de liderar a pesquisa de intenção de votos, o governador Roberto Requião é o campeão de rejeição, segundo a pesquisa do Ibope no Paraná. Quando questionados sobre os candidatos ao governo em quais não votariam de jeito nenhum, 17% dos entrevistados citaram Requião. Outros 14% responderam que poderiam votar em todos os candidatos ao governo e 40% não opinaram. Ana Lúcia Pires tem o segundo maior índice de rejeição entre os candidatos, com 9%. Osmar Dias, Rubens Bueno, Flávio Arns e Luiz Adão vêm em seguida, com 8%.

O índice de rejeição dos candidatos é maior entre os eleitores com maior nível de instrução. Entre os entrevistados com ensino superior, 27% disseram não votar de jeito nenhum em Roberto Requião. Outros 20% declararam rejeição ao senador Osmar Dias.

De acordo com a sondagem do Ibope, Requião tem melhor desempenho entre os eleitores menos escolarizados – até oitava série –, entre os quais tem 43% das intenções de voto. Outra curiosidade da pesquisa é a popularidade do governador entre os evangélicos: 44% declararam intenção de votar no candidato do PMDB.

Audrey Possebom


 

JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de agosto de 2006 | Política
PESQUISA-Senador tucano foi o único citado na resposta espontânea
Alvaro Dias tem 54% das intenções de voto

O senador Alvaro Dias (PSDB) lidera a primeira pesquisa RPC–Gazeta do Povo/Ibope para o Senado no Paraná com 54% das intenções de voto. A candidata do PT, Gleisi Hoffmann, aparece em segundo lugar, com 2%.

Os candidatos Ivan Barnardo (PSTU), José Roberto Sandoval (PSC), Sandra Borges (PSL), Luiz Felipe Haj Mussi (PPS) e Custódio da Silva (PRTB) tiveram 1% dos votos válidos. Os outros três concorrentes a uma vaga no Senado não obtiveram nem 1%. Os eleitores que votariam branco e nulo, se as eleições fossem hoje, somam 2%. Os que não souberam ou não quiseram opinar somam 26%, na pesquisa estimulada.

Já em relação à pesquisa espontânea, os que não sabem em quem votar representam 78% da população. Os votos brancos e nulos somam 10%. Entre os votos espontâneos, Alvaro Dias soma 11%. Outros concorrentes não foram sequer citados pelos entrevistados.

Alvaro Dias lidera em todos os segmentos analisados na pesquisa estimulada. No entanto, entre os eleitores com nível superior, o senador tucano tem o seu pior desempenho, conquistando 45% da preferência dessa faixa de eleitor. Porém cresce para 57% entre o eleitorado com ensino médio e 56% com ensino fundamental, de 5.ª a 8.ª série. Entre os eleitores com ensino superior, Gleisi tem 6% das intenções de voto, e Ivan, 4%.

Quando o assunto é rejeição, o candidato do PSDB também está na frente, com um índice de 10%. Os demais candidatos têm índices de rejeição inferiores a 10%. Dentre o eleitorado masculino, Alvaro Dias tem 57% dos votos válidos e, entre as mulheres, 51%. Já Gleisi Hoffmann possui 2% das preferências tanto entre homens quanto entre mulheres. Mussi e Sandoval têm 2% dos votos masculinos e 1% do feminino. Sandra Borges e o professor Ivan aparecem com 1% da votação masculina e 2% da feminina.

Gleisi, Sandoval e Sandra Borges só melhoram um pouco seus índices quando os votos significam os das famílias com renda superior a cinco salários mínimos. Os candidatos aparecem, respectivamente, com 4%, 3% e 2%. Neste segmento, Alvaro Dias tem 57% dos votos válidos.

Caio Castro Lima


 

JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de agosto de 2006 | Política
PESQUISA
Lula está 7 pontos à frente de Alckmin

A pesquisa estimulada RPC–Gazeta do Povo/Ibope para a Presidência da República no Paraná mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, está na frente com 35% da preferência do eleitorado paranaense. Geraldo Alckmin (PSDB) vem em segundo lugar, com 28%. A senadora Heloísa Helena (PSOL) aparece na terceira colocação, com 12%.

Cristovam Buarque (PDT) e Rui Costa Pimenta (PCO) tiveram 1% das intenções de voto. Os demais postulantes ao cargo de presidente não chegaram a 1%.

O candidato tucano melhora seu desempenho à medida em que se eleva o grau de escolaridade dos entrevistados. Entre os eleitores que possuem nível superior, Geraldo Alckmin tem 36% das preferências, o que representa o dobro do adversário petista. Nesse grupo, Lula fica atrás de Heloísa Helena no estado. Ela tem 19% e o petista, 18%.

O tucano também melhora seu índice em relação ao candidato do PT quando a pesquisa avalia o eleitorado jovem, com idades entre 16 e 24 anos. Os presidenciáveis do PSDB e do PT têm, respectivamente, 34% e 31%.

Lula tem um desempenho melhor entre os homens, com 42% contra 30% de Alckmin. Quanto menor o grau de instrução dos eleitores, melhor também para o petista, que tem 44% dos votos entre o eleitorado com até a 4.ª série. O adversário do PSDB tem nesse segmento apenas 18%.

A pesquisa mostra ainda que o candidato à reeleição vence o tucano também na periferia de Curitiba, aparecendo com 29 pontos porcentuais mais que o concorrente do PSDB. Lula tem 46% contra 17% de Alckmin. Já em Curitiba há um empate entre o petista e o candidato tucano. Os dois têm 30%.

Em um eventual segundo turno, no Paraná, o candidato do PSDB aparece com 42%, e o do PT com 40%, o que se caracteriza como empate técnico. Lula é o candidato à Presidência da República com maior rejeição por parte dos paranaenses. Ele tem 35% de rejeição, contra 12% de Heloísa Helena e 11% de Geraldo Alckmin. (CCL)


 

Folha de São Paulo, 07 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Lula gasta mais que o dobro do que Alckmin no 1º mês
Campanha petista já consumiu R$ 4,2 milhões contra R$ 1,9 milhão de tucano | Na primeira prestação de contas ao TSE, comitê do presidente informa ter arrecadado R$ 5,7 mi; PSDB teve R$ 1,3 mi em doações
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O comando da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter gasto R$ 4,2 milhões no primeiro mês da corrida eleitoral, valor que corresponde a mais que o dobro do montante declarado pelo seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), cujas despesas foram de R$ 1,9 milhão. Os dados correspondem à primeira prestação de contas oficial -do candidato e do comitê financeiro- que os presidenciáveis foram obrigados a apresentar ao TSE ontem. O próximo informe deverá ser no dia 6 de setembro. As parciais, entretanto, relacionam despesas e receitas das campanhas, mas não informam nomes de doadores. Esse detalhamento só constará da declaração final, 30 dias após a eleição.

De acordo com o relatório da campanha do presidente Lula, que lidera as pesquisas, o comitê financeiro gastou até agora R$ 4.196.168,07, contra uma arrecadação de R$ 5.686.558,00. Em tese, o comitê petista teria hoje R$ 1.490.389,93 em caixa, mas o tesoureiro da campanha, José de Filippi Júnior, argumenta que esse valor já está comprometido para quitar contas pendentes.

A discriminação das despesas mostra que a maior parte da arrecadação foi gasta com publicidade (faixas, folhetos e placas), gravação de programas de rádio e TV e pesquisas eleitorais. O principal gasto, por exemplo, aparece sob a rubrica "publicidade por materiais impressos": R$ 1 milhão. "À medida que se aproxima o pleito e as pesquisas indicam um candidato mais ou menos forte, independentemente do candidato, o ritmo de arrecadação aumenta", disse o advogado do PT Márcio Luiz Silva, que protocolou o documento.

No segundo relatório, que corresponde somente ao candidato Lula, constam gastos de R$ 3.496.396,68 e arrecadação de R$ 3.650.980,52. Segundo o partido, esses valores estão contidos na prestação de contas do comitê. No caso da campanha de Alckmin, todos os valores estão centralizados somente na prestação do comitê.

Déficit

O tucano informou ter arrecadado R$ 1.322.697,68, embora o comando da campanha afirme haver doações comprometidas que somam R$ 15 milhões até o próximo dia 10. Pelos números atuais, entretanto, há déficit de R$ 566.689,80. A maior despesa dos tucanos foi com "serviços prestados por terceiros": R$ 989.698,67. Há ainda R$ 172.272,88 de "bens permanentes", a maior fatia usada para a compra de equipamentos (computadores, mesas, telefones) do comitê central da campanha, em Brasília.

Última candidata a apresentar sua prestação de contas, às 18h14 de ontem, a senadora Heloísa Helena, candidata pelo PSOL, informou que "estima" ter arrecadado R$ 105.099,41. Mas, segundo o tesoureiro da campanha, Martiniano Cavalcante, esse valor é referente a passagens aéreas, hospedagem e alimentação "doados" à candidata, ou seja, não entraram no caixa em espécie. Por isso, a prestação da candidata diz não ter gasto nenhum centavo.

"A despesa é exatamente o que foi arrecadado. Quem solicita a Heloísa paga passagem, alimentação etc", disse ele. O candidato do PDT, Cristovam Buarque (DF), informou ter gasto R$ 70.209,72 até agora e arrecadado R$ 150 mil. O candidato a presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, não havia entregue sua prestação de contas até as 19h de ontem, horário limite para o funcionamento do protocolo.

 

Folha de São Paulo, 04 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / RETRATO ELEITORAL
PMDB é o partido com mais candidatos; PT vem em 3º
PSDC e PSOL são os que lançaram mais candidatos a governador e a senador | O PRB, do vice-presidente José Alencar, é a legenda com menos candidatos: excluído o próprio vice, são apenas 103 concorrentes

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O PMDB foi o partido que lançou mais candidatos nestas eleições, seguido pelo PDT e pelo PT, segundo levantamento divulgado ontem pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dos 19.619 candidatos cujos nomes constavam nos tribunais eleitorais ontem, 1.334 são do PMDB. O PDT vem em segundo, com 1.330, seguido do PT, com 1.207; do PSDB, com 1.155; e do PSB, com 1.130.

Esses números podem mudar se alguns políticos forem cassados. Até 23 de agosto, todos os pedidos de registro de candidatura deverão ter sido julgados pela Justiça Eleitoral. A quantidade de candidaturas de cada sigla não é proporcional ao êxito nas últimas eleições. O PMDB, que em 2002 ficou em terceiro lugar em número de deputados federais eleitos, é o partido com maior número de candidatos aos cargos em disputa, sendo que, dos 1.334, 375 concorrem a uma vaga na Câmara. O maior número de concorrentes a deputado federal é do PDT (435), que em 2002 só elegeu 21 à Câmara.

O PSDC, que nas eleições daquele ano elegeu apenas um deputado federal, é hoje o partido com maior número de candidatos a governador (27) e a senador (19). Depois vem o PSOL, com 24 candidatos a governador e 17 candidatos ao Senado.

PRB

O PRB, partido pelo qual o vice-presidente da República, José Alencar, disputa a sua reeleição, foi a sigla com menor número de candidatos. Excluído Alencar, são 103 concorrentes: um a governador, um a senador, 28 a deputado federal, 70 a deputado estadual e três a deputado distrital (em Brasília). Os partidos de esquerda em geral lançaram poucos candidatos: o PCB aparece apenas um pouco à frente do PRB, com 106; o PSTU lançou 127; o PCO, 129; e o PC do B, 367.

Outro levantamento do TSE mostrou que há pelo menos 49 candidatos com mais de 80 anos de idade, sendo que dois deles têm mais de 100 anos. São eles José de Souza Pinto, do PAN (Partido dos Aposentados da Nação), que é viúvo e militar reformado, e Deodata Pereira Borges, do PSDC. Ambos têm 101 anos, são da Bahia e concorrem a deputado federal. No outro extremo, há cinco candidatos a deputado estadual com 18 anos e outros seis com 19. Se eleitos, eles não poderão assumir o cargo público em 1º de fevereiro, porque não têm a idade mínima para exercer mandato legislativo, de 21 anos.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 03 de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006-Proposta ainda tem de ser votada em plenário, o que deve ocorrer em 2007
Comissão do Senado aprova fim da reeleição a partir de 2010

J.Freitas/Ag. Senado

Parlamentares participam da reunião da CCJ, que aprovou o fim da reeleição para prefeitos, governadores e presidente


Brasília – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem, por unanimidade, Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que proíbe a reeleição de prefeitos, governadores e presidente a partir de 2010. A PEC, de autoria do senador Sibá Machado (PT-AC), foi apresentada em 2003 e sugeria que o mandato dos governantes fosse ampliado para cinco anos. Ontem, no entanto, até Machado concordou com o substitutivo do presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que mantém os atuais quatro anos de mandato.

Para que a nova regra eleitoral passe a valer, será preciso aprová-la nos plenários do Senado e da Câmara, com dois turnos de votação em cada Casa. Mas isto só deverá ocorrer em 2007.
O entendimento geral é de que, em ano de eleição e Congresso vazio, fica quase impossível aprovar uma proposta de emenda que exige o voto favorável de dois terços dos 513 deputados e 81 senadores.

Não é por acaso que só agora, no esforço concentrado em meio ao recesso eleitoral, a proposta constitucional foi aprovada na CCJ. A decisão de votar a proposta só foi tomada depois que Alckmin disse que não interferiria na decisão do Congresso sobre o assunto. A declaração foi interpretada como manifestação favorável à reeleição, contrariando os dois principais presidenciáveis do PSDB até então – José Serra, atual candidato a governador de São Paulo, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, candidato à reeleição, que aspiram a disputar o governo federal em 2010.

Pefelistas e tucanos afirmam que a questão interna do PSDB estava resolvida, com Serra e Aécio engajados na campanha de Alckmin. Mas o fato concreto é que a votação foi apressada para agradar à dupla tucana, por recomendação do conselho político de Alckmin, do qual participam representantes do PSDB, PFL e PPS.

A emenda constitucional que acaba com a reeleição apenas em 2010 preserva o direito ao segundo mandato dos prefeitos que se elegerem em 2008. Dessa forma, fica reduzida a resistência dos líderes municipais à mudança. No parecer, Jereissati argumentou que “os atuais quatro anos, nos níveis federal, estadual e municipal, são tempo suficiente para que o titular do cargo possa cumprir seus projetos administrativos”. A proposta também conta com o apoio do PT, uma vez que o presidente Lula diz ser contra a reeleição.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 03 de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Presidente do TSE elogia aprovação

Brasília – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, elogiou ontem a aprovação pelo Senado de proposta de emenda constitucional que acaba com a reeleição. Ele disse que quem disputa a reeleição e permanece no cargo confunde os papéis de governante e candidato, acaba cometendo abusos, o que pode desequilibrar a disputa.

“O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que não sabe quando é candidato e quando é presidente. Aí surgem os incidentes”, afirmou.

Para exemplificar abusos, Marco Aurélio citou decisão recente do TSE que multou a CUT por ter feito propaganda em favor do Lula em período vedado pela legislação.

“A prática tem demonstrado que a reeleição não é salutar. Por que não é salutar? Se imagina tratamento igualitário entre os candidatos. Inegavelmente, quem ocupa a cadeira e caminha no sentido da reeleição acaba por confundir os papéis”, disse.

“A legislação viabiliza a candidatura permanecendo na cadeira. Talvez o defeito esteja aí”, acrescentou.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 02 de agosto de 2006 | Política
PESQUISA
Requião e Osmar empatam em Ponta Grossa

Uma pesquisa encomendada ao Ibope por uma rádio de Ponta Grossa mostra empate técnico entre Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PDT) no município. Requião tem 35% das intenções de voto dos eleitores de Ponta Grossa, seguido de Osmar, com 33%. A margem de erro da pesquisa é de 4 pontos porcentuais.

Rubens Bueno (PPS) e Flávio Arns (PT) possuem, respectivamente, 8% e 3% dos votos na cidade. Os demais candidatos não foram mencionados por terem apenas 1%. Os votos brancos e nulos representam 11%, e os indecisos, 9%. A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 24 de julho, e foram ouvidos 504 eleitores de Ponta Grossa.

A coligação de Requião entrou ontem com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra a pesquisa feita em Ponta Grossa, alegando que ela não havia sido registrada, como determina a lei. O TRE informou que a pesquisa foi devidamente registrada, sob o número 15.666/2006. A confusão ocorreu porque o pedido só foi publicado no site do tribunal no fim do dia.

Apesar de contestar a pesquisa, a assessoria de Requião divulgou o resultado no site do candidato, divulgando inclusive o número do registro no TRE. Muitos políticos só souberam da pesquisa pelo site. No início da noite o texto foi retirado do ar pelos coordenadores da campanha à reeleição.

Osmar Dias também enviou mensagens via e-mail lembrando que, com a margem de erro, há um empate técnico entre ele e o governador. Rubens Bueno afirmou que o resultado mudará quando a propaganda eleitoral gratuita começar, no dia 15. Segundo ele, a população conhece pouco os candidatos. Já Flávio Arns disse que é melhor iniciar “por baixo” e crescer. A pesquisa, para o petista, indica que ele tem de trabalhar mais junto à população de Ponta Grossa.

 

Folha de São Paulo, 02 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
PT testará discurso ético de Lula antes de colocá-lo na TV
Gravações do candidato passarão por pesquisas qualitativas na tentativa de avaliar o tom ideal para tratar tema polêmico | Marqueteiro de petista crê que combate à corrupção deva ser tratado de forma secundária; destaque será dado às realizações de Lula

VALDO CRUZ, DIRETOR-EXECUTIVO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
FÁBIO ZANINI, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O PT vai submeter a pesquisas qualitativas cerca de 30 minutos de gravações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para seu programa de TV, com o objetivo de testar, entre outros pontos, o tom e o formato do discurso sobre a ética na campanha pela reeleição. A dosagem exata de como Lula abordará o assunto é um tema delicado para a campanha petista. Segundo a Folha apurou, o marqueteiro do petista, João Santana, tem defendido que o tema seja tratado de forma secundária, mas sem ficar escondido. A abordagem deve ser feita "no atacado", de acordo com Santana. Ou seja, sem referências específicas ao escândalo do mensalão.

O comando de campanha realizará as pesquisas a partir da semana que vem, para avaliar essa tese a tempo de corrigir a rota, caso necessário, antes da estréia do programa de TV, em 15 de agosto. O presidente gravou os trechos na última quinta-feira, em um estúdio alugado por Santana em Brasília. O tema da ética é minoritário na fala de Lula e ocupa cerca de cinco minutos. O restante das gravações (cerca de 25 minutos) trata do assunto com o qual os petistas hoje se sentem mais confortáveis: as realizações do governo, com ênfase na comparação com os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB (1995-2002).

As pesquisas analisam também como a apresentação das realizações do governo repercute entre eleitores de diferentes segmentos. Existem ainda cinco horas de material bruto à disposição do marqueteiro de Lula, entre imagens do presidente no cargo e de eventos de campanha. A edição final só ficará pronta no último momento, após os resultados das pesquisa serem conhecidos. O PT está gastando R$ 3 milhões com a contratação de dois institutos de pesquisas, o Vox Populi e o Criterium.

O pacote inclui qualitativas feitas simultaneamente em diferentes regiões do país, além de um "tracking" (acompanhamento) domiciliar diário para avaliar a qualidade dos programas. Ao tratar da ética "no atacado", o presidente, conforme relatos obtidos pela Folha, segue duas linhas básicas. Cita dados para dizer que nunca a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União trabalharam tanto, e com tanta liberdade, para desbaratar esquemas de corrupção -caso da Operação Sanguessuga.

Além disso, faz uma crítica sutil à oposição. Diz que nenhum adversário tem "moral" para criticar o compromisso do seu governo com a ética, porque historicamente essa sempre foi uma bandeira empunhada pelo PT. Figuras-símbolo do escândalo, como o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, ou a revelação de quem "traiu" o presidente durante o mensalão, passam longe do discurso petista. As pesquisas dirão se isso basta, ou se será preciso Lula se explicar durante mais tempo e com mais ênfase. Santana, segundo apurou a Folha, aposta que está próximo do tom ideal. Na avaliação dos lulistas, a tônica deve ser a prestação de contas do governo, com a promessa de manutenção e ampliação de programas sociais na próxima gestão.

Folha de São Paulo, 02 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006
Heloísa Helena será a primeira a aparecer no horário gratuito
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A candidata do PSOL à Presidência, Heloísa Helena, será a primeira a aparecer na estréia da propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio, no dia 15, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá fechar o programa desse dia. O TSE fez ontem o sorteio da ordem de aparição dos oito candidatos ao Palácio do Planalto, incluindo Ana Maria Rangel (PRP), que deverá ter o seu registro rejeitado, a pedido do próprio partido.

A seqüência do dia 15 será: Heloísa, José Maria Eymael (PSDC), Geraldo Alckmin (PSDB-PFL), Rui Costa Pimenta (PCO), Cristovam Buarque (PDT), Luciano Bivar (PSL), Lula (PT-PRB-PC do B) e Ana Maria Rangel. Antes, o TSE irá decidir sobre o cancelamento da candidatura de Ana Maria e a tendência é que a exclua da disputa. A regra vale para os dois programas em bloco da eleição presidencial, de 25 minutos cada, veiculados às terças, quintas e sábados.

Diariamente haverá 30 minutos de propaganda eleitoral para todos os cargos em disputa em inserções ao longo da programação, sendo 6 minutos dos presidenciáveis. A ordem de aparição mudará a cada dia da propaganda presidencial, por sistema de rodízio. O último a aparecer em um dia será o primeiro no programa seguinte.