Como está a educação das crianças na crise do Covid-19?

Na quarentena, em que pais e filhos estão confinados em seus lares para preservação da vida, entre muitas questões, uma ficou evidente: a importância do papel do professor! São muitos os relatos e manifestações nas redes sociais nesse sentido: de uma hora para outra os pais se viram obrigados a cumprir o papel de todos os profissionais da escola, agora dentro de suas próprias casas. Muitos dos pais, sem a devida capacitação, em tom de desespero, expõem que ensinar aos filhos por atividades remotas se tornou uma das ações mais exasperantes da epidemia.

O uso do ensino remoto como substituição ao ensino convencional, dada a excepcionalidade da pandemia, trouxe à tona algumas constatações e contradições no ensino brasileiro: 1 – Os professores são os profissionais capacitados para o ato de ensinar; 2- O despreparo da maioria dos pais para ensinar aos filhos; 3- A grande exclusão digital: dados do IBGE informam que 42% dos estudantes não têm acesso à internet. 4 – Não houve a prévia organização do MEC, nem a capacitação dos professores, para a nova realidade, o que impera é o improviso. 5 – Amentou o tempo de trabalho do professor com preparação de aulas e acompanhamento quase individualizado, maior cobrança dos coordenadores, e maior incidência de doença como depressão e ansiedade; 6 – Maior desemprego: muitos governos se aproveitam da crise para retirar direitos, como a redução dos salários e a suspensão dos contratos dos professores temporários.

A aplicação das atividades remotas, se justifica pela situação emergencial, causada pela epidemia, deve ser usada como forma de solidariedade e acolhimento, de manter os laços e vínculos da escola com os alunos. Mas não deve ser utilizada de forma obrigatória. Muitos alunos e professores não tem acesso à internet. As plataformas e aulas utilizadas, inclusive da Globo, sem nenhuma interação, não garante em nada a aprendizagem. O aprendizado na educação básica se dá principalmente na convivência social, nas atividades interativas, lúdicas e afetivas. Além de que, nessa fase da vida, crianças e adolescentes apresentam pouca autonomia didática. Nesse momento, o mais importante é o cuidado com a vida, professoras, professores e a família devem cultivar valores como a solidariedade, a empatia e o amor.

No entanto, grupos empresarias, que enxergam a educação como mercadoria, com o apoio do MEC, já ambicionam expandir, pós-pandemia, o modelo de EaD para à Educação Básica. As novas tecnologias devem ser usadas como ferramentas de apoio, mas os protagonistas do ato de educar devem ser professores e alunos. Aplicar EaD na Educação Básica, como quer esse governo, significará um rebaixamento da qualidade do ensino no Brasil.

Vermelho