Em maio, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, já havia alertado sobre esse problema iminente. As empresas reagiram: 75% desenvolveram ações de apoio psicológico aos funcionários, segundo a pesquisa Gestão de Pessoas na Crise de Covid-19, divulgada recentemente pela Fundação Instituto de Administração (FIA).

Mesmo quem já tinha uma estrutura de suporte estabelecida viu a demanda crescer nos últimos meses. Na Gerdau, o programa +Cuidado, que oferece sessões com psicólogos, consultores financeiros e assistentes sociais, teve um salto de 30%, segundo a gerente técnica de desenvolvimento humano Adriana Monsueto. “Nós tivemos que intensificar nosso serviço e incluir atendimento online”, afirma.

A Ambev até mesmo inaugurou uma nova área, voltada para saúde mental, bem-estar, diversidade e inclusão. “Percebemos um aumento nos números de notificações em que as pessoas se disseram mais estressadas, mais cansadas e mais ansiosas”, afirma Mariana Holanda, escolhida para comandar o novo setor. Assim como a Gerdau, a cervejaria também oferece uma sistema de apoio 24 horas por dia.

Só psicólogos não bastam

De acordo com Georgia Matos, psicóloga especialista do Serviço Social da Indústria (SESI) e coordenadora do guia de saúde mental para empresas lançado pela entidade, oferecer consultas terapêuticas é só parte da solução. Muitas vezes, o colaborador precisa ser ouvido por outro profissional: seu próprio chefe.

“Os gestores não estão preparados para lidar com problemas pessoais e agora estão precisando fazer isso”, afirma. “É essencial capacitá-los para criar um ambiente acolhedor, no qual as pessoas possam compartilhar suas dificuldades pessoais”.

Outra recomendação é incentivar funcionários a cuidar do bem-estar de maneira geral, com exercícios, boa alimentação e meditação. A Ambev, por exemplo, passou a oferecer aulas virtuais com um personal trainer, todos os dias, às 9h. “Também implementamos aulas de ioga e meditação duas vezes por semana”, afirma Mariana.

Apoio ao home office vai além de cadeira adequada

No guia oferecido pelo SESI, Georgia reforça também a necessidade de ferramentas e equipamentos adequados para que se trabalhar com segurança (para quem não pode ficar em casa) ou com eficiência e conforto (no caso dos que fazem home office).

Cesar Nanci, CEO da Pulses, plataforma de pesquisa de clima organizacional em tempo real, vai além. “Muitas empresas já tinham mandado cadeiras para os funcionários. Agora, algumas estão montando ambientes. Oferecendo verba para comprar mesa, pintar parede, criar um ambiente de trabalho em casa. É uma tendência interessante”.

Seja em casa, de volta ao escritório ou no trabalho externo, manter a motivação também é essencial. “Estudos mostram que é preciso conectar as equipes ao propósito. Esse senso de propósito faz as pessoas ganharem uma resiliência muito grande”, afirma Dulce Brito, coordenadora médica de saúde populacional do Hospital Israelita Einstein e docente do curso “Saúde Mental nas Organizações em Tempos de Pandemia”.

Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar é uma iniciativa do UOL e da Fundação Instituto de Administração (FIA) que vai destacar as empresas brasileiras com os mais altos níveis de satisfação entre os seus colaboradores. Os vencedores serão definidos a partir dos resultados da pesquisa FIA Employee Experience, que vai medir o ambiente de trabalho, a cultura organizacional, a atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. As inscrições estão abertas até o dia 12/9 e podem ser feitas, gratuitamente, no site da pesquisa FIA Employee Experience.

Fonte: UOL