A demissão de Ricardo Vélez e a nomeação de Abraham Weintraub no cargo de ministro da Educação do governo Bolsonaro não é uma mera troca de seis por meia dúzia como já se ventilou diante do quadro caótico que vive a educação brasileira. 

Por Iram Alfaia

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É o que pensa o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, para quem há uma mudança de agenda significativa que levará ao sucateamento do Ministério da Educação (MEC).

Segundo ele, os dois nomes foram indicação de Olavo de Carvalho, sendo que Vélez, sob forte influência dos militares, defendia como fundamental a militarização das escolas. 

Já o novo ministro, que não entende nada de educação, estará alinhado com o programa ultraliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. 

“Ele vai se submeter a essa ideia absurda de Paulo Guedes que não é preciso mais ter as vinculações constitucionais, despesas obrigatórias na educação, saúde e demais áreas sociais”, diz Daniel Cara.

Na opinião dele, trata-se de um ultraliberal no MEC, economista articulador da Reforma da Previdência. “O mundo empresarial terá livre acesso aos mais de R$ 100 bilhões da pasta. O direito à educação está ainda mais distante de ser consagrado”, diz ele no Twitter.

O especialista e ativista na área não tem dúvida do caminho a ser percorrido pelo novo ministro. Para ele, o contexto favorável começa com emenda 95, conhecida como a PEC do Tetos dos Gastos, aprovada no governo de Michel Temer, que estabeleceu gastos mínimos com a educação.

“Agora no governo Bolsonaro, Paulo Guedes quer algo pior: é o fim total das vinculações constitucionais, dos recursos obrigatórios para educação e também do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação)”, alertou.

Daniel Cara diz que vai sobrar como política educacional a guerra Olavista (Olavo de Carvalho). “A guerra cultural tão defendida por Bolsonaro que se baseia no suposto marxismo cultural que só existe na cabeça de quem acredita que a terra é plana”, argumentou.

O problema concreto, na opinião dele, é que não vai ter política educacional. “Vai ter um movimento de disputa empresarias para ocupar a agenda do ministro (...) Os dias vão ser muito duro, a gente terá que continuar a batalhar”, previu.

Por último, o especialista avalia que a nomeação significa o primeiro revés dos militares, até porque o novo ministro tem se comprometido a retirar o poder dos militares na pasta. 
“Então o governo que já está em quase colapso, dá um passo além nesse compasso de desorganização geral da educação brasileira”, diz.
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