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Entrevista de emprego por telefone pode eliminar candidatos; veja dicas

Algumas empresas costumam adotar as entrevistas por telefone para fazer uma pré-seleção dos candidatos, checar algumas informações que não estão no currículo e até para saber se os concorrentes preenchem alguns requisitos técnicos para o cargo. A prática também tem o objetivo de poupar tempo, já que as empresas, na maioria das vezes, têm urgência na contratação. Segundo profissionais de RH ouvidos pelo G1, é grande o índice de eliminação de candidatos, já que são convocados para as fases seguintes do processo seletivo apenas os candidatos dentro do perfil desejado.


Carmen Benet, gerente de recrutamento e seleção da Trabalhando.com, diz que as empresas usam esse método por ser mais rápido e avalia que pode ser uma triagem definitiva. “As perguntas são mais aprofundadas para se ter a certeza de que o candidato está falando a verdade.”


De acordo com Sandra Assis, consultora da Luandre, empresa de RH, no telefone costuma ser perguntado, por exemplo, se o candidato possui conhecimento em algum aplicativo, CNH, disponibilidade para viagens e até sua pretensão salarial. “Quando a vaga é para uma cidade diferente da que a empresa está alocada, pode-se fazer a entrevista pelo telefone. De qualquer forma, dificilmente o processo é finalizado sem que ocorra a entrevista presencial com o gestor da área requisitante”, diz.


Janaína Andrade, coordenadora de recrutamento & seleção da Talent Group, empresa de recrutamento, seleção e terceirização de mão de obra, afirma que as empresas querem verificar se o candidato possui ou não os requisitos imprescindíveis solicitados. “A partir dessa pré-triagem, é possível validar se há aderência ao perfil para agendar a entrevista presencial”, afirma.


As perguntas são mais aprofundadas para se ter a certeza de que o candidato está falando a verdade"
Carmen Benet

Segundo Cezar Tegon, presidente da Elancers, empresa de sistemas de recrutamento e seleção, a entrevista por telefone normalmente é utilizada nas etapas iniciais do processo seletivo, no qual já foram identificados os candidatos que atendem ao perfil mínimo exigido pela vaga, mas no qual o volume de candidatos ainda é grande. “Nesta entrevista, normalmente, a empresa informa mais detalhes sobre a vaga, verifica o real interesse do candidato em participar do processo e confirma o salário atual, benefícios atuais, se está trabalhando, checa experiências, escolaridade e as expectativas do candidato perante a oportunidade oferecida. Como em todas as etapas, mesmo por telefone, a pessoa responsável pela entrevista avalia a maneira de o candidato se portar, as palavras que ele emprega, a correta utilização do idioma”, explica.


“A entrevista por telefone ainda não é utilizada por todas as empresas, no entanto, é uma tendência a ser seguida. O mercado anda muito aquecido e, muitas vezes, o profissional que enviou o currículo para a oportunidade não possui os pré-requisitos imprescindíveis, porém, isso só poderá ser confirmado através de uma análise detalhada do currículo e tirando todas as dúvidas com o candidato no contato telefônico”, acrescenta Janaína.


Para Sandra, é preciso ser educado, cordial, participativo e demonstrar o interesse pela proposta.Como chamar a atenção?


Os consultores afirmam que é possível chamar a atenção do interlocutor no telefone, já que não há contato físico, e o entrevistador não está vendo as expressões faciais do candidato. “A entrevista por telefone não tem objetivo de fazer avaliações detalhadas sobre o comportamento do candidato, mas com certeza, as avaliações básicas são feitas. Por isso, é importante manter um tom de voz firme e constante, falar corretamente, não utilizar palavras chulas ou gírias e procurar falar corretamente o idioma”, aconselha Cezar.


Para Cezar, apesar de ser rápida e básica, a entrevista telefônica é muito importante, pois dela saem os candidatos que participarão das etapas mais decisivas. “E aí está o perigo, por ser mais rápida e fácil, muitos candidatos dão pouca atenção a ela e cometem erros básicos, erram no português, na postura e, com essa atitude, perdem ótimas chances”, diz.


Por ser mais rápida e fácil, muitos candidatos dão pouca atenção a ela e cometem erros básicos, erram no português, na postura e, com essa atitude, perdem ótimas chances"
Cezar Tegon

Janaína orienta o candidato ser o mais claro e objetivo possível. Segundo ela, o fato de não poder ver a expressão um do outro torna a entrevista por telefone mais difícil. “Por isso, saber se comunicar bem verbalmente é fundamental para essa etapa. Nenhuma entrevista de emprego é fácil, seja por telefone, Skype ou presencial. Acontece que algumas pessoas se saem melhor na entrevista por telefone, outras na entrevista presencial. A entrevista por telefone é apenas uma pré-triagem que deverá ser validada pessoalmente, portanto, entendo que uma é complemento da outra”, diz Janaína.


Carmen indica que o candidato demonstre expressões de aceitação, concordância, dizendo que tem interesse, que se motivou com a oportunidade e, principalmente, agradecendo o contato.


Contato surpresa


Segundo os especialistas, o contato telefônico é feito sem aviso prévio. “Geralmente, o contato telefônico tende a ser surpresa, pois, conforme recebemos um currículo, entramos em contato para tirar dúvidas após análise dos dados. Caso o candidato esteja aderente à oportunidade, no mesmo contato telefônico agendamos a entrevista presencial ou por Skype”, diz Janaína.


“O entrevistador liga, se apresenta, fala que precisa falar por no máximo 10 minutos e pergunta se o candidato pode conversar naquele momento ou se é melhor falar em outro horário específico”, diz Cezar.


Segundo os consultores, o candidato deve procurar um local silencioso para responder às perguntas. “É importante que o candidato informe ao entrevistador se estiver em algum lugar barulhento, como rua, bar ou loja, e verifique a possibilidade de agendar um outro horário para a entrevista. Caso isso não seja possível, o candidato deve buscar um local mais silencioso para atender”, diz Sandra.


É importante que o candidato informe ao entrevistador se estiver em algum lugar barulhento, como rua, bar ou loja, e verifique a possibilidade de agendar um outro horário para a entrevista"
Sandra Assis

“Como a ligação é surpresa, pode acontecer de o candidato estar almoçando, no metrô, no trabalho, enfim, inúmeros lugares. Se for possível, o ideal é que ele se desloque para outro lugar e informe ao recrutador que vai para um lugar silencioso. Caso não seja possível, o ideal é que ele anote o telefone do recrutador e retorne o contato quando puder falar, demonstrando interesse na oportunidade”, diz Janaína.


“O ideal é que o candidato fale em local tranquilo, onde possa ouvir e falar com clareza, e precisa se concentrar na conversa. Mas como a entrevista é simples e rápida, se o candidato puder falar, mesmo que esteja em um local um pouco barulhento e movimentado, pode ir em frente, mas é importante que ela avise o entrevistador dessas condições”, afirma Cézar.


Já em casa, o candidato deve desligar TV, aparelho de som ou computador, além de não ficar perto de outras pessoas e, principalmente, crianças e animais de estimação, para não se distrair. “Foco e concentração total na entrevista é fundamental para que ela seja bem sucedida, assim como deve ser na entrevista presencial. Caso contrário, o candidato irá passar para o entrevistador uma imagem de total falta de interesse e, certamente, será desclassificado do processo”, alerta Sandra.


De acordo com Cézar, quando o candidato está participando de processos seletivos, deve estar preparado para ser acionado a qualquer momento. “As empresas sempre ligam em horários comerciais, normalmente entre 10h e 16h, portanto, se o candidato estiver participando de processos seletivos e receber uma ligação de um número desconhecido quando estiver dormindo, é melhor não atender, pois atender com voz de sono e fora de sintonia, principalmente em horário comercial, pode não soar bem. Quando a ligação não é atendida, o entrevistador normalmente deixa um recado e meios de contato”, diz.


Segundo Carmen, o candidato deve sinalizar que está em um lugar inapropriado, e não existe problema nenhum em pedir para o entrevistador ligar em outro momento.


Janaína alerta que se o profissional estiver dormindo na hora do telefonema ele pode anotar o número do telefone do recrutador e informar que ligará assim que for possível, pois é importante que esteja atento no momento do contato para não deixar passar informações importantes, como um detalhamento melhor do perfil da vaga.


“Geralmente, o entrevistador questiona se o candidato pode atender naquele momento, sobretudo se o contato foi pelo celular, então, é importante que o candidato se recomponha rapidamente ou sinalize que gostaria de agendar um horário mais adequado para a entrevista”, diz Sandra.


Preparação
Sandra alerta que é importante que o candidato se informe sobre a empresa e, no momento da entrevista, demonstre ao entrevistador que pesquisou e que está interessado. “Se o candidato está participando de um processo, deve estar sempre preparado para ser entrevistado. As entrevistas têm como base o currículo do candidato, que motivou a entrevista, portanto, deve-se ter em mente as experiências, formação, atuações em projetos relevantes”, diz César.


“Hoje em dia, os candidatos tentam diversas vagas e, muitas vezes, não têm a oportunidade de conhecer a empresa para a qual está se candidatando, portanto, não há a necessidade de conhecer a empresa até que seja agendada uma entrevista presencial”, afirma Janaína.


É importante que o candidato mantenha-se atento ao telefone, preferencialmente no horário comercial, que é quando as empresas costumam ligar. Não é necessário ficar em casa esperando a ligação"
Janaína Andrade

Os especialistas dizem que não é necessário ficar preso em casa esperando pelas ligações.


“O importante é deixar sempre uma forma de contato disponível: secretária eletrônica, pessoas de recado, celular, e-mail”, diz Sandra. “É importante que o candidato mantenha-se atento ao telefone, preferencialmente no horário comercial, que é o horário que as empresas costumam ligar. Além disso, não é necessário ficar em casa esperando a ligação, pois normalmente as empresas ligam para o celular dos candidatos”, diz Janaína.


Segundo os especialistas, o candidato precisa saber as próprias competências técnicas adquiridas, empresas que atuou, cargos e atividades realizadas, em caso de ser questionado e não tiver como acessar o currículo.


“O mais importante é preparar-se, avaliar, estruturar de forma organizada e cronológica a trajetória profissional e ter em mente as principais realizações, conhecimentos e experiências”, diz Sandra.


Para Carmen, é bom estar com o currículo à mão. “Para ele poder responder com mais exatidão a respeito de datas e de ordem dos empregos anteriores.”


Segundo Sandra, as perguntas feitas por telefone costumam ser as mesmas de uma entrevista presencial. “Porém, quando não há a entrevista presencial, o entrevistador irá explorar mais a fundo algumas questões para que possa ter uma ideia mais clara sobre as competências e perfil comportamental do candidato.”


“As perguntas por telefone normalmente são mais diretas e relacionadas ao perfil técnico da vaga, e o contato por telefone tende a ser breve, diferente de uma entrevista presencial”, explica Janaína.


Pode fazer perguntas?


Janaína diz que o candidato pode perguntar quanto tempo vai durar a entrevista. “Com o mercado aquecido, muitos candidatos estão trabalhando e algumas vezes não têm disponibilidade para falar, sendo possível flexibilizar o melhor momento para a pré-triagem.”


O candidato pode ainda pedir mais esclarecimentos ou explicações ao entrevistador em caso de não entender algo que seja perguntado.



“O importante nesse contato é que as informações sejam as mais claras possíveis, tanto do lado do recrutador, quanto do candidato”, diz Janaína. “Sempre que o candidato não entender a pergunta ou tiver dúvidas deve informar ao entrevistador, tudo com muita calma e de maneira delicada”, ressalta Cezar.


E o candidato pode e deve fazer perguntas sobre a oportunidade, segundo os especialistas, pois mostra interesse. “Assim como na entrevista presencial, sempre que o candidato tiver alguma dúvida ou queira alguma informação complementar, pode questionar. Fazer perguntas sobre a empresa, como por exemplo, quem são os maiores concorrentes, filiais, área de atuação, demonstra o interesse do profissional”, diz Sandra.


Para Janaína, o candidato deve demonstrar interesse na oportunidade, realizando perguntas que podem vir a mudar o seu interesse na oportunidade como atividades a serem realizadas, local de trabalho, forma de contratação, benefícios, entre outras.


“Até para que ele avalie se a oportunidade está de acordo com suas pretensões, algumas perguntas que podem ser feitas, como detalhes sobre a atuação e responsabilidades da vaga, oportunidade de carreira, salário, benefício, local físico, entre outras”, diz Cezar.


Para Carmen, o candidato pode perguntar como chegaram até ele, qual o tempo de retorno da entrevista, nome do cargo, local de trabalho e  caso o entrevistador não fale, qual a faixa salarial para a posição. Carmen diz que o candidato deve utilizar o bom senso para fazer perguntas, e em situações que realmente ele não entendeu. “Não deve perguntar a todo momento”, diz.


Fonte: G1, 06 de agosto de 2013


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