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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de 2006 | Política
PRESTAÇÃO-TSE divulga contas de 50 dos 54 eleitos para
a Assembléia
Deputados gastaram R$ 12,7 mi para se eleger
Para conseguir uma vaga na Assembléia Legislativa nos próximos
quatro anos, os deputados estaduais eleitos no Paraná gastaram,
juntos, R$ 12,7 milhões na campanha. O valor representa a soma
das despesas declaradas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de 50
dos 54 parlamentares eleitos. As prestações de contas
dos outros quatro – Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), Jocelito
Canto (PTB), Edgar Bueno (PDT) e Ênio Verri (PT) – não
estavam disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os candidatos gastaram praticamente tudo o que
arrecadaram, segundo as prestações de contas. Os recursos obtidos em três
meses pelos deputados estaduais eleitos somam quase R$ 12,8 milhões – valor
equivalente à verba destinada ao Hospital Municipal de Gerontologia,
construído em parceria entre o governo do estado e a prefeitura
de Curitiba. O dinheiro aplicado na campanha eleitoral é proveniente,
principalmente, de empresas como Nutrimental e Paraná Banco
ou até mesmo do próprio bolso dos parlamentares.
O deputado estadual mais votado no Paraná foi também
o campeão em arrecadação. Alexandre Curi (PMDB),
que conquistou 131.988 votos, declarou uma receita de R$ 1.165.419.
Do valor apresentado, Curi gastou quase tudo: R$ 1.165.265,24 – uma
média de R$ 8,82 por eleitor. Se o deputado tivesse investido
esse valor apenas com recursos do próprio bolso, precisaria
de um novo mandato para cobrir as despesas com o salário de
parlamentar. Isso porque um deputado estadual recebe uma remuneração
bruta de R$ 1,4 milhão nos quatro anos de mandato, somando o
salário à verba mensal de gastos com funcionários
e manutenção de gabinete.
A dobradinha “mais votado – caixa maior” valeu também
para o segundo colocado no ranking, o deputado estadual reeleito Nereu
Moura (PMDB). O parlamentar teve uma receita de R$ 616.503,12, da qual
sobraram apenas R$ 511,68.
Já Caíto Quintana (PMDB), terceiro mais votado, não
precisou fazer esforço financeiro tão grande. Os recursos
declarados pelo parlamentar foram menores que o de candidatos menos
votados: conquistou 85.352 votos gastando R$ 215.392,26 – uma
média de R$ 2,52 por voto. O deputado estadual Reinhold Stephanes
Júnior, por exemplo, gastou, em média, R$ 11,39 por voto
conquistado e apareceu apenas na 39.ª posição na
lista dos mais votados.
Entre os dez campeões de voto, o ex-prefeito de Londrina Antônio
Belinati foi o que declarou o menor gasto. A campanha de Belinati foi
ainda a mais barata entre os eleitos: segundo a prestação
de contas, investiu R$ 31.037,44, exatamente o mesmo valor declarado
na receita. Seguido dele, o mais econômico foi o deputado eleito
Felipe Lucas (PPS). Ele gastou R$ 38.646 e conquistou 31.636 votos.
O valor foi exatamente o apresentado em caixa.
Déficit
Se a capacidade administrativa dos candidatos
dependesse da contabilidade apresentada ao TRE, seis deputados seriam
reprovados. De acordo com
a prestação de contas, Valdir Rossoni (PSDB), Nelson
Garcia (PSDB), Ney Leprevost (PP), Luiz Fernandes Litro (PSDB), Luiz
Eduardo Cheida (PMDB) e Osmar Bertoldi (PFL) gastaram mais do que arrecadaram
e terminaram a campanha “no vermelho”. O maior rombo no
orçamento é o de Litro, que contabilizou uma dívida
de R$ 10.150,05.
Os relatórios de despesas e receitas foram entregues ao TRE
no último dia 31. O Tribunal terá até oito dias
antes da diplomação dos candidatos, previsto para o dia
19 de dezembro, para julgar e aprovar as prestações de
contas. Caso os parlamentares eleitos sejam reprovados pela corte do
TRE, podem perder o direito de serem diplomados.
A prestação de contas dos candidatos está disponível
no site www.tse.gov.br.
Tineke Bronkhorst

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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Política
CÂMARA
Paranaenses no topo da lista
Brasília – Entre os deputados federais eleitos em todo
o país, dois paranaenses encabeçam a lista dos que arrecadaram
mais de R$ 1 milhão. O primeiro colocado é Alfredo Kaefer
(PSDB), cuja candidatura conseguiu uma receita de R$ 2,951 milhões.
Em segundo lugar, com R$ 2,923 milhões de arrecadação,
vem Rodrigo da Rocha Loures (PMDB). Nos dois casos, as candidaturas
foram custeadas basicamente com recursos próprios e de suas
empresas. Kaefer é dono do figorífico Diplomata, dedicado à produção
de aves, que atualmente tem cerca de 5 mil funcionários. Rocha
Loures é dono da empresa de alimentos Nutrimental, que emprega
cerca de mil funcionários. Ao todo, as campanhas dos 479 novos
integrantes da Câmara dos Deputados – a prestação
de contas de 34 deles não foi divulgada até ontem – somaram
R$ 247,8 milhões em receita.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 07 de novembro de 2006
Senador reeleito gastou R$ 1,5 milhão
na campanha
Empreiteiras e bancos estão entre os maiores financiadores dos
candidatos nas eleições majoritárias no Paraná
Curitiba
- Dos quase 900 candidatos que disputaram o primeiro turno das eleições de outubro no Paraná, menos de
600 apresentaram as prestações de contas finais das
suas campanhas políticas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O prazo terminou no dia 31 de outubro. No Paraná, os candidatos
Osmar Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB), que foram para
o segundo turno na disputa pelo governo do Estado, têm um prazo
maior para fechar as contas - até o dia 28 de novembro. Entre
os nove candidatos ao governo do Paraná que concorreram somente
no primeiro turno, Rubens Bueno (PPS), Luiz Adão (PSDC) e
Antônio Roberto Forte (PSL) apresentaram saldos negativos.
Ou seja, gastaram mais do que arrecadaram nas suas campanhas eleitorais.
O candidato do PSL, porém, gastou apenas 24 centavos a mais
do que permitiria sua receita, no valor de R$ 43.300,00. O candidato
do PPS, que ficou em quarto lugar na disputa, gastou mais de R$ 130
mil do que deveria levando em conta sua arrecadação,
no valor de R$ 257.050,00. Já o candidato do PSDC tinha uma
receita de R$ 25.602,21, mas gastou R$ 27.814,55. As prestações
de contas dos candidatos Jorge Martins (PRP), Ivo Souza (PCO) e Luiz
Felipe Bergmann (Psol) não estavam disponíveis, até ontem,
no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet. A assessoria
de imprensa do TRE também não pôde confirmar se
as contas chegaram a ser entregues ao órgão.
Entre os candidatos a senador, Álvaro Dias, reeleito pelo PSDB,
foi o único que apresentou saldo negativo. A receita do tucano
foi de R$ 1.523.384,21, mas sua despesa foi de R$ 1.556.472,56. Entre
os dez candidatos ao cargo, porém, seis ainda não tiveram
suas contas disponibilizadas no site do TSE: Custódio da Silva
(PRTB), Ivan Bernardo (PSTU), José Roberto Sandoval (PSC), Ney
Betin (PCO), Paulo Salamuni (PV) e Sandra Borges (PSL).
Nas contas do senador reeleito, R$ 196.896,86
foram inseridos na receita pelo próprio candidato. A maior doação, de R$
400 mil, foi feita pela Unimed do Paraná. Entre as maiores quantias
doadas para a campanha eleitoral do tucano, figuram R$ 80 mil da Klabin,
R$ 75 mil do Paraná Banco, R$ 50 mil da Norberto Odebrecht e
R$ 25 mil da J. Malucelli Construtora de Obras. Álvaro havia
informado ao TRE que poderia gastar durante sua campanha eleitoral
até R$ 3,5 milhões.
Adversária do candidato tucano, a petista Gleisi Hoffmann também
havia informado ao órgão um gasto máximo de R$
3,5 milhões, mas acabou gastando R$ 1.532.889,86. A maior doação
foi feita pelo diretório nacional do PT, R$ 430 mil. Entre as
maiores contribuições de ''pessoa jurídica'',
estão as doações da Sodepa (R$ 100 mil), Construtora
OAS (R$ 100 mil), Associação Brasileira da Indústria
do Café (R$ 72 mil), Banco Itaú (R$ 50 mil), Unibanco
(R$ 30 mil) e BM&F (R$ 30 mil). Gleisi obteve 45,14% dos votos
válidos.
O candidato ao governo do Estado pelo PT, Flávio Arns, recebeu
R$ 200 mil do diretório nacional do seu partido. Arns também
recebeu R$ 200 mil da Construtora OAS e R$ 100 mil da UTC Engenharia,
duas das maiores doações à sua campanha eleitoral.
Apesar de ter informado ao TRE que gastaria até R$ 6,5 milhões,
a despesa do petista foi de R$ 838.579,65. Arns, que ficou em terceiro
lugar na disputa, arrecadou R$ 847.391,73.
Já o candidato do PPS, Rubens Bueno, poderia arrecadar até R$
6 milhões, conforme informado ao TRE. Entre as maiores doações
recebidas pelo candidato, estão R$ 100 mil do Banco Itaú e
R$ 10 mil da BS Colway Pneus.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Paraná
EMPREGO-Redução no número de trabalhadores feridos
e mortos garantiu economia de R$ 2 milhões
Paraná tem queda de 14%
no total de acidentes de trabalho
O número de acidentes de trabalho caiu neste ano no mercado
formal do Paraná. Indicadores da Previdência Social mostram
que foram emitidos 14% menos auxílios-acidente aos trabalhadores.
Enquanto entre janeiro e outubro do ano passado 73.548 benefícios
foram concedidos, em 2006, no mesmo período, houve 62.934 concessões.
O volume de trabalhadores mortos no local de trabalho também
apresentou queda. Nos primeiros 10 meses deste ano houve 63 mortes,
enquanto que no mesmo período do ano anterior, 71 pessoas perderam
a vida enquanto trabalhavam.
A gerência regional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
de Curitiba, que tem o maior volume de casos, teve 26.250 benefícios
emitidos a trabalhadores no ano passado, contra 24.640 no mesmo período
analisado em 2006. Na gerência de Cascavel, a queda foi de pouco
mais de 3 mil benefícios desde o ano passado. Na gerência
de Ponta Grossa, que responde por 74 municípios, nos primeiros
10 meses deste ano, a emissão de auxílio-acidente ficou
em 10.329 casos. No mesmo período do ano passado, esse número
foi de 13.223.
A queda no total de acidentes representa redução de gastos.
Dentro do período analisado, em 2005, a Previdência pagou
R$ 46.698.054,61 aos trabalhadores afastados. Neste ano, a economia
já chega a R$ 2 milhões.
Na avaliação do delegado regional do Trabalho do Paraná,
Geraldo Serathiuk, há três fatores principais para a queda. “O
primeiro fator é a retomada do crescimento econômico,
ou seja, as empresas investem mais em planos de prevenção
de acidentes de trabalho do que em período de recessão.
O segundo ponto é que os órgãos ligados ao setor
produtivo, como o Senac e o Senai, estão mais integrados em
treinamentos na área da saúde do trabalhador. O terceiro é que
as empresas estão exportando mais e o mercado internacional
exige essa postura, de indústrias mais preocupadas com a segurança
do trabalhador”, aponta o delegado.
Para o vice-presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Paraná (Fiep), Álvaro Scheffer, o tema prevenção
já faz parte da rotina das empresas. Scheffer aponta que a queda
na contratação de novos funcionários favoreceu
a segurança nas indústrias. “O setor contratou
pouco nesse ano e por isso temos trabalhadores antigos que já vêm
de um processo contínuo de treinamento de prevenção
a acidentes de trabalho”, observou, considerando ainda que os
dispositivos dos maquinários estão mais seguros. O empresário
discorda que essa nova postura seja uma exigência do mercado. “As
empresas estão reduzindo os acidentes de trabalho não
por uma exigência do mercado, mas por uma questão de conscientização.
Ninguém gosta de ver um amigo ou um funcionário ferido
no trabalho”, argumenta.
Os indicadores da redução referem-se apenas ao mercado
formal. O engenheiro de segurança da Universidade Estadual de
Ponta Grossa (UEPG), Luiz Carlos Lavalle Filho, lamenta que existam
trabalhadores do mercado informal, como o da construção
civil, acidentados sem que haja registros estatísticos. O engenheiro
defende que as pequenas empresas precisam se incluir na política
de prevenção.
Maria Gizele da Silva
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Paraná
NOTIFICAÇÕES
Estado ainda é o 4.º em ocorrências
Apesar da tendência de redução, o Paraná ainda
se mantém entre os quatro estados com maiores índices
de acidentes de trabalho. Em 2003, conforme o Anuário Estatístico
de Acidentes de Trabalho, emitido pelo Ministério do Trabalho
e Emprego, o Paraná registrou 29.180 acidentes com trabalhadores.
No ano seguinte, foram 33.266 registros. O levantamento referente ao
ano passado ficará pronto apenas no mês que vem.
Na avaliação do delegado regional do Trabalho do Paraná,
Geraldo Serathiuk, a tendência é de que o Paraná caia
nesse ranking. Para o vice-presidente da Fiep, Álvaro Scheffer,
a expectativa é de que os índices sofram redução
ano a ano. “Em 2008 queremos ter menos acidentes que em 2007”,
comenta.
O Anuário do Ministério do Trabalho
aponta que a atividade hospitalar foi o setor mais perigoso em 2004,
com 1.840 acidentes.
Em segundo lugar aparece o setor automotivo, com 1.458 casos e, em
terceiro, a atividade de desdobramento de madeira, com 1.227 acidentes.
O acidente de trabalho pode ser provocado por
causas naturais ou falta de medidas de proteção. Neste último caso, conforme
prevê o artigo 132 do Código Penal Brasileiro, o empregador
pode ser julgado e punido com detenção variando entre
três meses e um ano. A situação, conforme o delegado
chefe da 18.ª Subdivisão Policial de Telêmaco Borba
(nos Campos Gerais), Jorge Luiz Wolker, é vista sob o prisma
da negligência, imperícia ou imprudência do empregador. “Normalmente,
os casos de acidentes de trabalho são punidos com pagamento
de indenização, que varia conforme a idade da pessoa
vitimada”, afirma. (MGS)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Paraná
ACIDENTES DE TRABALHO
Marcados por tragédias
Miguel Andrade Pires trabalhava havia 15 dias como pedreiro em Ponta
Grossa. Ele construía uma marquise quando ela desabou. Um colega
de 22 anos morreu. O acidente aconteceu em 1992 e hoje, aos 61 anos,
ele toca sua vida. Somente em 2004, no Paraná, os acidentes
de trabalho deixaram 968 pessoas incapacitadas e 212 mortas.
“Percebi que tinha perdido as pernas no terceiro dia de internação.
Senti uma coceira no vão dos dedos dos pés e olhei para
meu corpo, mas não vi minhas pernas. Foi um choque muito grande”,
revela. Com mulher e três filhos, ele foi indenizado. Hoje, anda
de cadeira de rodas e integra a Associação dos Deficientes
Físicos de Ponta Grossa. “Temos que ter muita fé”,
diz.
Fé é o que nutre Maria Irce Pereira Padilha. Na tarde
de 18 de maio de 2005, ela perdeu o filho caçula, Maurício
Laroca Padilha, de 14 anos. Contrariando o Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA), ele trabalhava no silo de uma fábrica
de Imbituva, nos Campos Gerais, quando caiu dentro do silo. Sem equipamentos
de segurança, nem registro em carteira, Padilha se submeteu
ao serviço para ajudar a mãe, que é viúva,
a realizar um desejo: comprar um celular. “Não fazia nem
um mês que ele estava trabalhando, mas ele pediu um dinheiro
adiantado para comprar o celular, que custou R$ 150. Ele pediu para
que a minha filha do meio fosse até a loja. A compra aconteceu
no mesmo dia em que ele morreu, meu neném não chegou
nem a ver o celular”, afirma Maria Irce. Ela está processando
a empresa. (MGS)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Paraná
ECONOMIA
Impacto é de U$ 2 bi por ano
Os acidentes de trabalho provocam impacto financeiro de US$ 20 bilhões
anuais no Brasil e de US$ 2 bilhões no Paraná. As informações,
do delegado regional do Trabalho do Paraná, Geraldo Serathiuk,
mostram ainda que para cada R$ 1 investido em segurança do trabalho
nas empresas, gera-se uma economia de R$ 5.
Apesar da economia que pode ser gerada e, principalmente,
dos danos aos trabalhadores que podem ser evitados, muitas empresas
ainda resistem
aos programas de segurança do trabalho. No Paraná, segundo
informações da Delegacia Regional do Trabalho, entre
as 14 mil empresas que têm mais de 20 funcionários, somente
7 mil têm Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes de Trabalho (Cipa).
Desde 1990, o Ministério Público do Paraná tem
a promotoria especializada em casos referentes a acidentes de trabalho.
Há em andamento 594 ações judiciais. A promotora
Elaine Sanches explica que a atuação se dá na
fiscalização sobre o cumprimento de normas de segurança
e na apuração de eventuais irregularidades cometidas
por empregadores. No ano passado, por exemplo, 88 ações
indenizatórias e execuções foram propostas pela
promotoria. (MGS)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Paraná
LEVANTAMENTO
Ponta Grossa apresenta o maior
número de mortos
Levantamento da Polícia Civil do Paraná revela que Ponta
Grossa superou Curitiba, que tem o maior pólo industrial do
estado, no número de acidentes fatais de trabalho. A cidade
sede dos Campos Gerais teve 10 mortes até o início de
outubro, enquanto Curitiba teve seis óbitos. Em números
globais, o Paraná contabilizou 71 mortes em 2005 e, nesse ano,
de acordo com o período analisado, os acidentes causaram a morte
de 63 pessoas.
Em 2005, Ponta Grossa estava em terceiro lugar
na lista das cidades com maiores índices de acidentes com morte de trabalhadores,
atrás apenas de Londrina, com sete casos, e Curitiba, também
com sete mortes.
Espírito Santo
Números da gerência regional da Previdência Social
de Ponta Grossa mostram que entre janeiro e outubro ocorreram 10.329
acidentes de trabalhadores na cidade, porém, o quantitativo
de mortes não é computado pelo sistema do INSS. O índice,
no entanto, supera o total de acidentes anual do estado do Espírito
Santo, que em 2004, conforme levantamento do Ministério do Trabalho,
teve 9.610 casos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Economia
PESQUISA-Utilização da capacidade instalada das empresas
se mantém entre julho e setembro
Vendas sobem e indústria
retoma atividade no terceiro trimestre
Brasília – Depois do fraco desempenho do segundo trimestre,
a indústria de transformação brasileira recuperou
o fôlego e registrou uma retomada da atividade no terceiro trimestre.
Os dados divulgados ontem pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI) mostram que as vendas reais cresceram 1,90%
e as horas trabalhadas na produção subiram 1,51% em relação
ao trimestre anterior, descontado os efeitos sazonais.
Os dados da CNI mostram também que todos os indicadores foram
positivos em setembro deste ano. As vendas reais tiveram uma alta de
1,82% em relação a agosto e de 4,06% na comparação
com setembro de 2005, favorecidas por uma base de comparação
mais baixa. As horas trabalhadas na produção cresceram
0,20% em setembro na comparação com agosto deste ano
e 1,94% ante setembro de 2005. A utilização da capacidade
instalada na indústria foi de 81,9% em setembro, descontados
os efeitos sazonais. O número de empregos industriais subiu
0,24% ante agosto e 2,68% na comparação com setembro
de 2005.
A boa notícia, segundo o economista da CNI Paulo Mol, é que
a utilização da capacidade instalada das empresas não
foi afetada, o que afasta riscos de restrição da oferta
de produtos e uma eventual pressão inflacionária. “Isso
dá uma sinalização de que houve maturação
de investimentos que aumentaram a produtividade das empresas”,
avaliou Mol.
A utilização da capacidade instalada ficou em 81,8%
no terceiro trimestre, depois de, por três trimestres consecutivos,
ter se mantido em 81,6%. Para a CNI, a intensificação
da atividade industrial vai se manter no quarto trimestre. “O
fim de ano estará melhor do que a média do ano”,
afirmou Mol.
Ele destacou, no entanto, que o crescimento ainda
será moderado
quando comparado com um período de forte expansão, como
em 2004. “Mas existe um movimento de crescimento em curso”,
disse. Ele não sabe avaliar se o ritmo será mantido em
2007.
A recuperação do terceiro trimestre melhorou os indicadores
da indústria, mas não foi suficiente ainda para delinear
um situação de expansão mais robusta no acumulado
do ano. Tanto assim que, de janeiro a setembro, as vendas reais registraram
uma alta de apenas 0,38% na comparação com o mesmo período
do ano passado. As horas trabalhadas na produção subiram
1,05%. Melhor desempenho teve o indicador do emprego gerado, que aumentou
1,73%.
Câmbio
Embora tenha sido o quarto período consecutivo de expansão
nas vendas, Mol destacou que, no terceiro trimestre deste ano, o ritmo
de crescimento foi mais de duas vezes superior ao verificado no segundo
trimestre, de 0,87% ante o primeiro trimestre. Segundo ele, a recuperação
nas vendas poderia ter sido ainda maior, não fosse a valorização
do real ter limitado o faturamento das empresas exportadoras.
O indicador de vendas reais mostra o comportamento
do faturamento das empresas. O emprego industrial teve alta de 0,72%
em relação
ao segundo trimestre. Segundo o economista, o indicador é a
grande surpresa deste ano porque demonstrou crescimento em oito dos
nove primeiros meses de 2006. O emprego industrial vem se expandindo
a uma taxa média de 0,9% ao trimestre, ritmo que se aproxima
de períodos de forte crescimento econômico.
Mol alertou, no entanto, que o bom desempenho
dos indicadores industriais não é uma radiografia da indústria como um todo.
Ele explicou que o crescimento é muito heterogêneo. Enquanto
vários setores têm apresentado crescimento, outros vêm
registrando queda nos indicadores. “O indicador médio
esconde essa heterogeneidade da indústria brasileira”,
ressaltou.
O gerente-executivo da área de pesquisa da CNI, Renato da Fonseca,
disse que os setores afetados pelo real valorizado enfrentam problemas
de competitividade, além do fato de o crescimento da atividade
industrial ainda não ter alcançado as pequenas e médias
empresas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Economia
INDICADORES
No Paraná, vendas têm
queda de 6,8%
Ao contrário do registrado na média nacional, as vendas
na indústria paranaense tiveram queda de 6,8% em setembro na
comparação com agosto. Os dados são da pesquisa
Indicadores Conjunturais, do Departamento Econômico da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), divulgada
ontem. A redução se deve ao declínio de atividade
observado em 10 dos 18 gêneros pesquisados e indica que a perspectiva
para os próximos meses é pouco otimista.
O boletim divulgado informa que “apenas nos momentos de desaceleração
econômica foram verificadas reduções no mês
de setembro”, lembrando que nos mesmos meses de 2005 e 2004 as
quedas registradas foram de 5,24% e 1,06%. Isso mostra, segundo a Fiep,
que a indústria do estado ainda não estabeleceu um processo
de desenvolvimento sustentado.
Apesar da queda em setembro, nos primeiros nove
meses deste ano o Paraná registra aumento de 4,43% nas vendas reais em comparação
com o mesmo período do ano passado, ficando 0,10 pontos porcentuais
abaixo dos 4,53% registrados no acumulado do ano até o mês
de agosto.
Os três gêneros de maior participação relativa
na indústria paranaense apresentaram queda de vendas em setembro:
Material de Transporte (14,69%), Produtos Alimentares (7,31%) e Química
(6,43%). O declínio é ainda maior em função
do crescimento expressivo registrado em agosto por Material de Transportes
e Química (que detêm a segunda e terceira maiores participações
relativas nas vendas), respectivamente 22,13% e 24,53%. O gênero
Produtos Alimentares, o de maior peso relativo, apresentou redução
devido ao baixo volume exportado.
Quando se analisa o desempenho das vendas por
por destino, na comparação
com agosto, houve queda nas vendas dentro do estado (4.58%), nas vendas
para outros estados (4.67%) e nas vendas para o exterior (15.29%).
Da redação
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de novembro de
2006 | Brasil
CONGRESSO
Câmara vota hoje a MP do reajuste
dos aposentados
Passada a eleição, o presidente reeleito Luiz Inácio
Lula da Silva terá a oportunidade de fazer o primeiro teste
da base de apoio na Câmara com a votação da medida
provisória (MP) que reajusta em 5,01% as aposentadorias acima
de um salário mínimo pagas pela Previdência Social.
O PFL insistirá em tentar aprovar um índice maior, 16,67%.
A MP dos Aposentados é o terceiro item da pauta da sessão
de hoje do plenário da Casa.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 07 de novembro de 2006
200 milhões de americanos vão às
urnas
Hoje, eleitores irão às urnas para renovar toda a Câmara
dos Representantes (deputados), um terço do Senado e 36 governadores
nos EUA
São Paulo - Pesquisa divulgada pelo Pew Research Center ontem
mostra que a diferença entre as intenções de
voto nas eleições americanas de hoje é de apenas
quatro pontos percentuais (47% para democratas e 43% para republicanos).
Há duas semanas, a vantagem democrata era de 11 pontos percentuais:
50% contra 39%.
O resultado da nova pesquisa pode ou não ter sofrido influência
da decisão judicial que condenou o ex-ditador iraquiano Saddam
Hussein à forca, no último domingo, mas a notícia é animadora
para os republicanos, partido do presidente George W. Bush - que vem
sendo duramente criticado por sua estratégia de condução
da Guerra do Iraque.
Entre os eleitores registrados, que devem mesmo
comparecer às
urnas, a diferença é de oito pontos percentuais - 48%
preferem democratas e 40% republicanos. Nos EUA, o voto não é obrigatório.
A diminuição da diferença entre os dois partidos
lança dúvidas sobre as previsões de que o Partido
Democrata receberá votos suficientes para reconquistar o controle
da Câmara dos Representantes (deputados). A pesquisa foi feita
com 2.912 possíveis eleitores, entre os dias 1º e 4 de
novembro. A margem de erro é de três pontos percentuais,
para mais ou para menos.
Bush e Saddam- O anúncio do veredicto de Saddam Hussein (condenado à forca)
foi feito dois dias antes das eleições americanas, mas
Bush negou relação entre as datas. Segundo a Casa Branca,
a data do veredicto foi escolhida por processos da própria corte
iraquiana que julgou o ex-ditador.
Ainda assim, após a condenação, declarações
de Bush soaram diretamente voltadas para eleitores republicanos, ao
tocar na questão da segurança nacional. Segundo reportagem
publicada ontem pelo jornal ''The New York Times'' (NYT), Bush se aproveitou
rapidamente do anúncio para reforçar sua estratégia
central de tentar convencer eleitores republicanos a participarem da
votação.
Apesar de negarem a relação entre as datas do julgamento
e as eleições, candidatos republicanos também
sugeriram que a decisão de domingo (a condenação
de Saddam) pode se converter em benefícios políticos
nas urnas. Um alto oficial do Partido Republicano, que pediu anonimato,
disse que a condenação iria revigorar os eleitores republicanos
que estavam desanimados com o Iraque.
Já os democratas, apesar de também comemorarem a condenação
de Saddam, tentaram minimizar a impressão do veredicto e seu
suposto efeito de gerar estabilidade ao Iraque.
Para o senador democrata Charles E. Schumer, de
Nova York, um dos principais agentes da tentativa da oposição de reconquistar
o controle do Senado, ''as pessoas estão preocupadas com o futuro
do Iraque, não com seu passado''.
Hoje, cerca de 200 milhões de eleitores nos EUA irão às
urnas para renovar toda a Câmara dos Representantes (deputados),
um terço do Senado e 36 governadores dos 50 Estados do país.
O voto nos EUA não é obrigatório.
Andrea Murta
Folhapress
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 07 de novembro
de 2006
Aumento do gás preocupa indústria
Lyrian
Saiki e agências
Foto: João de Noronha/O
Estado

Indústria de cerâmica é uma das mais atingidas
no Estado.
O possível aumento do preço do gás natural no
mercado interno preocupa as indústrias que utilizam o produto
como fonte de energia. Elas reclamam dos sucessivos aumentos - que
têm elevado os custos de produção - e da instabilidade,
desde que o governo boliviano decidiu nacionalizar os campos petrolíferos.
No Paraná, algumas plantas industriais já estudam,
inclusive, alternativas de fontes de energia.
É
o caso da Berneck, segunda maior indústria de madeira aglomerada
do país, que utiliza gás natural na linha de produção
há cerca de cinco anos. Segundo o gerente de negócios
Edgar Martins, o gás representava cerca de 3,5% dos custos
de produção. Hoje esse índice chega a 11% ou
12%. “O cálculo do preço do gás natural é um
monstro. Se o dólar sobe, o preço sobe. Também
entram neste cálculo o frete, óleo”, apontou.
Diante das incertezas, Martins admite que a empresa já estuda
uma alternativa de fonte energética. “A Berneck estuda
a instalação de uma caldeira de cogeração
de energia, talvez até mesmo para as linhas já existentes”,
disse. Quando a Berneck optou pelo gás natural, investiu cerca
de R$ 1,5 milhão nas instalações. Hoje, a empresa
consome cerca de 45 mil metros cúbicos de gás diariamente.
Outro setor que também teme nova alta do preço do gás
natural é o da cerâmica. Segundo o presidente do Sindicato
da Indústria de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmicas,
de Louça e Porcelana do Paraná (Sindilouça-PR),
José Canisso, o gás responde por quase 35% do custos
do setor. “Qualquer reajuste, por menor que seja, traz um grande
impacto. O problema é que o Paraná tem o gás
mais caro do país e isso tira a nossa competitividade”,
apontou. Segundo Canisso, das 36 indústrias do setor instaladas
em Campo Largo, oito utilizam o gás natural como única
fonte de energia - entre elas a Tiroleza, Incepa, Bordignon. Outras,
como a Schmidt e a Germer, utilizam gás e lenha. Quando optaram
pelo gás natural, cada indústria investiu cerca de
R$ 1 milhão por forno, de acordo com Canisso.
Aumento
O aumento do preço do gás se tornou mais evidente com
as declarações feitas pelo presidente da Agência
Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, e do presidente
da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, admitindo possível
reajuste.
“
Penso que a Petrobras, provavelmente, ao aumentar o preço
pago pelo produto da Bolívia, vai fazer um reajuste interno”,
declarou Haroldo Lima, ontem, ressaltando, no entanto, que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva já determinou que os reajustes
internos não devem ser substanciais. “Ele insiste que
não haja aumentos substanciais”, disse Lima.
De acordo com Lima, a negociação com a Bolívia está sendo
encaminhada de forma positiva para os dois países e, até agora,
as sinalizações do governo Evo Morales tem sido positivas. “Há sinalizações
avançadas no terreno de um acordo que leve em conta os interesses bilaterais.”
Na mesma linha, a Petrobras divulgou ontem nota de esclarecimento, informando
que “o preço do gás natural no Brasil está defasado
em relação aos combustíveis que veio a substituir, provocando
desequilíbrio entre a oferta e a demanda.” “Uma das razões
para a defasagem decorre do crescimento da demanda, mais rápido do que
seria sustentável. É importante lembrar que a Petrobras vende
o gás para as distribuidoras estatais e são elas que definem
os preços finais e os reajustes para os consumidores residenciais, veiculares,
industriais e para as termelétricas”, informou.
Ainda segundo a nota, a companhia “manteve os preços do gás
vendido às distribuidoras estaduais estáveis durante dois anos
(de 2003 a 2005), como forma de incentivar o consumo e ampliar o mercado do
combustível. O que significa dizer que a Petrobras não repassou,
para as distribuidoras, os reajustes ocorridos no preço do gás
da Bolívia.”
No Paraná, a distribuidora Compagás informou através da
assessoria de imprensa que a Petrobras deverá honrar o contrato feito
com as distribuidoras e não subir o preço do gás importado
da Bolívia além do previsto a cada três meses - o último
foi em 1.º de outubro, mas não foi repassado pela distribuidora.
Com isso, a aposta é que não haja reajuste para os consumidores
até o final do ano.
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Diário Vermelho, 7 de novembro de
2006
Serra cogita criar novo partido com oposicionistas do PMDB
O governador eleito de São Paulo, José Serra, cogita
liderar a criação de um novo partido de centro. Em conversas
reservadas, ele avalia que há um "vácuo político" no
país depois do acirramento das divisões internas do PSDB
e dos episódios e campanha midiática negativa que comprometeram
o apoio da classe média ao PT.
Serra diz ter contatos em todos
os partidos, em todos os Estados. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, ele
já começou a mapear informalmente deputados, senadores
e líderes regionais que possam integrar a nova legenda. O principal
foco seria de lideranças do PMDB que fazem oposição
ao governo Lula. É uma alternativa para um rearranjo partidário
que imagina que terá início a partir das eleições
de 2006 e como saída para o caso de a disputa interna no PSDB
pela candidatura a presidente em 2010 chegar a um nível de racha
extremo.
Serra tem um desejo obsessivo de ser candidato
a presidente e acha que pode não ter forças para emplacar seu nome como "candidato
natural" da legenda, pois o governador de Minas, Aécio
Neves, e o próprio ex-governador paulista, Geraldo Alckmin,
que foi candidato neste ano, também têm os mesmos planos
de se candidatarem à presidência em 2010.
Serra e Aécio têm conversado e acertado uma espécie
de pacto de boa convivência, mas os próprios tucanos
apostam que Serra e Aécio devem ter posição
moderada em relação a Lula no início do segundo
mandato, devendo, porém, tomar caminhos diferentes até 2010.
Ainda segundo a Folha, o perfil desse partido que Serra pretende
criar seria "nacionalista, mas moderno". Seria uma legenda "desenvolvimentista" que
deixaria claro que não deseja colocar em risco a estabilidade.
Defenderia um Estado ajustado do ponto de vista fiscal, mas ativo
e forte nas relações de indução do crescimento
econômico.
Pretencioso, Serra considera que se firmou nacionalmente como "a
esquerda moderna", capaz de assumir um projeto desenvolvimentista
para o país, sem criar a sensação de descontrole
das contas públicas e de leniência com a inflação
--ou seja, sem aventuras e sem assustar o mercado financeiro.
Ele também tem defendido o retorno de um discurso nacionalista,
que o PSDB, comprometido com as idéias do neoliberalismo,
nunca assumiu. Na versão de Serra, o "nacionalismo moderno" não
abandonaria totalmente as teses neoliberais mas as amenizaria. Seria
caracterizado por abertura ao mercado internacional, mas com fortes
doses de proteção ao interesse brasileiro em alguns
setores.
Os quadros desse novo partido dos sonhos do futuro governador de
São Paulo viriam de praticamente todas as legendas, desde
o próprio PSDB até o PP gaúcho --que está à direita
no espectro político--, passando por PMDB, PPS, PSB, PDT,
PV e sem descartar parlamentares e ex-parlamentares do PT.
Entre os nomes citados, estão o ex-governador e agora senador
eleito Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), os deputados federais Fernando
Gabeira (PV-RJ), Roberto Freire (PPS-PE), Jutahy Magalhães
Jr. (PSDB-BA), Eduardo Paes (PSDB-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG).
Serra não descartaria, também, nomes sem mandato, como
o ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson
Jobim, cotado para uma pasta no segundo mandato do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
Na versão de Serra a seus interlocutores, o quadro partidário
está esgotado depois da chegada do PT ao poder e da vitória
da reeleição de Lula, que completariam um ciclo político
no país depois do fim da ditadura militar, em 1985.
Serra quer se preservar como líder do centro anti-Lula, enquanto
Aécio apontaria para uma posição de maior aproximação
e conciliação com o Planalto e com forças políticas
de centro, como o PMDB governista.
A outra ponta peemedebista, de oposição a Lula no primeiro
mandato, é também conhecida como "PMDB serrista".
Esse grupo é integrado, por exemplo, pelo presidente do partido,
Michel Temer (SP) --aliás, outro candidato a se filiar à nova
legenda.
Questionado se já havia conversado com o governador eleito
de São Paulo sobre o assunto, Temer desconversou: "Não
recebi nenhuma notícia mais concreta, nem recebi nenhum convite." E
afirmou que existe espaço no cenário político
para os partidos atuarem ou revelarem um discurso desenvolvimentista. "Os
partidos precisam tomar conta desta palavra para trazer benefícios
ao País. Mas se os partidos (atuais) não fizerem isso,
acho que há espaço para a criação de
um partido de natureza desenvolvimentista."
Em determinado momento nos próximos quatro anos, mais perto
da eleição de 2010, Serra deverá assumir posição
forte como anti-Lula, explicitando divergências num tom maior
do que de Aécio, que aposta num caminho de conciliação
pelo centro do espectro político.
Da redação,
com informações das agências.
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Folha de São Paulo, 7 de novembro
de 2006
Lula admite erro em 2002 e prevê mais
poder ao PMDB
Em reunião com ministros, presidente diz que PT deve perder
espaço para aliados
Petista quer conduzir ele mesmo as mudanças, mas agenda de
viagens pode atrapalhar; Thomaz Bastos e Gil têm saídas
quase certas
KENNEDY ALENCAR, PEDRO DIAS LEITE
EDUARDO SCOLESE, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião com auxiliares sobre a formação do
ministério do segundo mandato, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse ontem que não vai "repetir os erros
de 2002". O petista pretende reduzir no primeiro escalão
o espaço que deu ao PT quatro anos atrás e os candidatos
derrotados nas eleições estaduais. Em dezembro de 2002,
19 dos 33 ministros eram filiados ao PT. Dos 19, 8 haviam sido derrotados
nas eleições estaduais. Agora, Lula pretende ampliar
o espaço do PMDB, partido que já tem três pastas.
O presidente deseja também trazer nomes de peso do empresariado,
como Jorge Gerdau.
Participaram da reunião os ministros Guido Mantega (Fazenda),
Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Luiz Dulci (Secretaria
Geral da Presidência) e o vice-presidente José Alencar.
Bastos deve oficializar em conversa hoje com Lula o pedido para deixar
o governo. São remotas as chances de ele reconsiderar. Ele também
considera que cumpriu sua tarefa. Quer dedicar mais tempo à família,
que vive em São Paulo, e retornar à advocacia criminal.
O ministro Gilberto Gil (Cultura) também já disse a
Lula que não gostaria de continuar. Segundo a Folha apurou,
ele argumentou que teria cumprido sua missão e desejaria voltar à carreira
artística. Os ministros Tarso Genro (Relações
Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil) não participaram
da reunião de ontem com Lula. Tarso está em férias,
e Dilma teve um princípio de pneumonia. Mesmo depois de encerrada
a campanha eleitoral e com um novo ministério para montar, o
presidente disse na reunião de ontem que vai continuar a viajar
pelo Brasil, para vistoriar obras de infra-estrutura.
O objetivo é enviar um sinal inequívoco de que o rumo
de seu segundo mandato será o do desenvolvimento. A intensa
agenda de viagens, no entanto, pode prejudicar a intenção
do petista de conduzir ele próprio a montagem do ministério.
Lula marcou para hoje uma reunião com os ministérios
dos Transportes e de Minas e Energia para saber em que estágio
estão os principais projetos do governo. A idéia é que
as visitas comecem em breve, pelas obras de maior importância,
como portos e estradas federais. Depois dessa reunião, o presidente
deve chamar o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente para tratar
especificamente de entraves ao prosseguimento de obras.
Durante todo o primeiro mandato, o petista reclamou
que as duras leis ambientais atrasam seus projetos, apesar de dizer
sempre que elas tinham
de ser cumpridas. Em muitos casos, a batalha por problemas ambientais
de fato atrapalha o ritmo das obras, e Lula quer ver onde é possível
chegar a um acordo mais rapidamente, sem burlar os impedimentos judiciais.
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Folha de São Paulo, 7 de novembro
de 2006
CONGRESSO
PMDB quer disputar presidência da câmara
O PMDB deixou clara ontem sua disposição de lançar
um candidato para presidir a Câmara. "O PMDB entende que
tem direito à presidência da Câmara por ter feito
a maior bancada nas eleições", diz Michel Temer,
presidente da legenda. A sigla elegeu 89 deputados, seis a mais do
que o PT. O favorito no partido para disputar o cargo é Geddel
Vieira Lima (BA).
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Folha de São Paulo, 7 de novembro
de 2006
RESTITUIÇÃO DO IR
Novo lote sairá nesta semana com "excluídos" de
outubro
DA FOLHA ONLINE
A Receita Federal vai liberar nesta semana a consulta
ao sexto lote deste ano de restituições do Imposto de Renda das pessoas
físicas. O supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, disse que
a data mais provável de liberação da consulta é amanhã,
mas se o processamento atrasar a liberação será feita
na quinta-feira.
Ainda não há informação sobre quantas
pessoas serão incluídas no novo lote. Adir confirmou,
no entanto, que o lote vai incluir os 105 mil contribuintes que chegaram
a entrar no lote de outubro mas depois foram "excluídos" pela
Receita. Os 105 mil contribuintes foram incluídos no quinto
lote devido "a uma falha operacional do Serviço Federal
de Processamento de Dados (Serpro), empresa responsável pelo
processamento das declarações", afirmou a Receita
Federal em nota.
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Folha
de São
Paulo, 7 de novembro de 2006
Inflação pode triplicar até o
fim do ano
Í
ndice da Fipe acumulado até outubro está em 1,07% e, se reajustes
previstos se concretizarem, pode chegar a 3%
Entre os aumentos de preço que podem causar pressão, estão
os de ônibus, metrô, trem urbano e integração,
todos na faixa de 15%
DA REDAÇÃO
A inflação volta com força neste final de ano,
e a taxa do último bimestre pode ser o dobro da acumulada de janeiro
a outubro. Dados divulgados ontem pela Fipe (Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas) indicam que a inflação acumulada
do ano está em 1,07% até outubro. Neste mês e no
próximo, a taxa pode atingir 1,9%, se confirmados todos os aumentos
previstos para o período.
Paulo Picchetti, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor
da Fipe, avisa, no entanto, que "nunca foi tão arriscado
fazer uma projeção como a destes meses". O economista
explica o porquê. Há uma série de aumentos anunciados
para este final de ano, mas que podem não se concretizar. Se não
se concretizarem, a taxa acumulada da inflação de janeiro
a dezembro ficaria em apenas 1,6%, a menor desde a deflação
de 1,8% de 1998. No início do ano, as estimativas indicavam 2,5%.
Entre os reajustes previstos para este final de
ano, Picchetti coloca como os de maior pressão os de ônibus, metrô, trem
urbano e integração, todos na faixa de 15%. Se concretizados,
vão gerar inflação de 0,76% nos 30 dias após
o reajuste. Outro aumento que pode ocorrer, segundo Picchetti, é o
de cigarro, que já subiu em praticamente todas as grandes cidades,
mas não em São Paulo. Se na capital paulista for mantida
a média de 9% de reajuste praticado nas demais capitais, a inflação
gerada será de 0,13%.
O setor de pães e de biscoitos também anunciou reajustes
de 10%. Conforme cálculos da Folha, se os aumentos forem confirmados
para o consumidor, a inflação gerada será de 0,30%.
A pressão desses possíveis reajustes, somada à inflação
corrente mensal, próxima de 0,30% ao mês, poderia gerar
1,9% neste último bimestre. Nesse caso, a inflação
ficaria entre 2% e 3% no ano.
Mas essa pressão inflacionária é passageira e não
preocupa, diz Picchetti. "Tudo é choque de oferta e não
muda a dinâmica da inflação [que é de perda
de ritmo]". A própria pesquisa do boletim Focus, do Banco
Central, acaba de apontar taxa menor para 2007, afirma ele. "O cenário
ainda é extremamente favorável."
Outubro
A taxa de inflação de outubro surpreendeu e foi a 0,39%.
As previsões iniciais da Fipe eram de 0,20% para o período,
reajustadas no meio do mês para 0,30%. Habitação
-devido ao reajustes de água e esgoto- e alimentação
pressionaram. No setor de alimentos, as maiores altas foram de carnes,
o que já era previsto. A surpresa veio por conta de verduras.
Com o aumento de preços nas granjas, a carne de frango de ficou
14% mais cara para os consumidores no mês passado; a de boi subiu
4,5%, e a suína, 1,5%.
A pressão das carnes não deve continuar neste mês.
O preço pago aos produtores desses produtos está em queda.
Mas o item alimentação deve continuar pressionando a inflação.
O arroz, na entressafra, está em alta. A redução
na oferta de feijão faz o produto subir, e o trigo registra preço
maior no mercado externo. A demanda mundial por milho também aumenta,
elevando os preços do produto, que, por sua vez, puxa os da soja.
(MAURO ZAFALON)
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ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 07 de novembro de 2006 | Economia
Feira de construção em
Dubai gera US$ 19 mi para o Brasil
O valor é resultado de mais de 1.200 reuniões entre empresários
brasileiros e compradores estrangeiros que estiveram no evento, que terminou
no último dia 1º
Pedro Henrique França
SÃO PAULO - A feira de construção civil dos Emirados Árabes,
que aconteceu de 28 de outubro a 1º de novembro em Dubai, no Oriente
Médio, gerou para o Brasil US$ 19 milhões em negócios.
O valor é o resultado de mais de 1.200 reuniões entre empresários
brasileiros e compradores estrangeiros que estiveram no evento.
No total, 30 empresas brasileiras do ramo de construção
civil - dos setores de rochas, cerâmicas para revestimento e aparelhos
de refrigeração - estiveram na feira, que tem o nome de
Big Five.
Como forma de acentuar o potencial do mercado brasileiro,
foram utilizadas estratégias de marketing para introduzir o Brasil como uma "nova
alternativa" de compra. Outdoors e anúncios de produtos nacionais
circularam em Dubai para auxiliar na divulgação.
Durante os cinco dias da feira, 58 países estiveram presentes
como compradores. A ida das empresas brasileiras ao evento contou com
o apoio da Agência de Promoção de Exportações
e Investimentos (APEX)Brasil, da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira
e de outras entidades do setor de construção civil.
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CONSULTOR
JURÍDICO,
07 de novembro de 2006
Liberdade de filiação
Contribuição assistencial ou federativa é facultativa
por Fernando Porfírio
A
contribuição assistencial ou federativa é facultativa.
Somente pode ser cobrada se houver expressa autorização
dos trabalhadores filiados ao sindicato. A imposição da
cobrança, pela entidade, viola as garantias constitucionais da
liberdade de filiação e de associação. E,
nesse caso, é devida aos contribuintes a restituição
dos valores recolhidos, com juros e correção monetária.
Com esse fundamento, a Justiça decretou a penhora de um dos imóveis
do Sindicato dos Bancários de São Paulo. O imóvel,
com mais de mil metros quadrados de área, ocupa um andar inteiro
do edifício Matinelli, na rua São Bento (região
central paulista). O motivo da penhora foi o não pagamento de
multa de R$ 312 mil. A determinação foi dada pelo juiz
da 17ª Vara Cível Central da Capital.
Em ação civil pública, o sindicato foi condenado
a restituir a contribuição assistencial cobrada de trabalhadores
não sindicalizados. O sindicato diz representar cerca de 100 mil
bancários, dos quais 40 mil não são associados.
A multa
O valor é referente apenas a execução da multa,
de um período de 208 dias – 13 de maio do ano passado a
6 de dezembro de 2005, sem levar em conta o valor da dívida com
os trabalhadores a ser apurada em execução.
Ainda com o pagamento de multa, em outra ação de execução
a ser proposta, o sindicato deverá ser intimado a retirar de seus
cofres mais cerca de R$ 547 mil correspondentes ao período de
dezembro do ano passado até hoje.
A multa fixada no valor diário de R$ 1,5 mil foi estabelecida
em sentença transitada em julgado, onde a entidade é obrigada
a devolver contribuição sindical cobrada, desde 1991, de
trabalhadores não filiados.
A sentença transitou em julgado e o Ministério Público
entrou com ação de execução. O sindicato
tinha prazo de 30 dias para intimar os trabalhadores e mais 45 dias para
devolver o dinheiro, sob pena de multa diária. O prazo terminou
e a entidade não cumpriu a decisão.
Defesa
Quando entrou com recurso contra a sentença, o sindicato argumentou
que a competência para julgar ação ou acordos coletivos
de trabalho seria da Justiça do Trabalho e não da Justiça
Comum. A entidade acrescentou que a lei dá ao sindicato o poder
de impor contribuições a todos.
A Justiça entendeu de forma contrária. O TJ paulista decidiu
que compete à Justiça Comum processar e julgar ações
relativas à contribuição sindical, decisão
confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Para a Justiça, o desconto depende de consentimento explícito
do empregado. “Obrigar os não associados a recolher determinada
percentagem de seus salários, a título de contribuição
assistencial, equivale a renegar os princípios da liberdade de
filiação a sindicato e da liberdade de associação”,
afirmou a relatora do recurso, desembargadora Zélia Maria Antunes
Alves.
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CONSULTOR
JURÍDICO,
07 de novembro de 2006
Conflito de trabalho
Justiça estadual julga ação sobre vínculo estatutário
Compete à Justiça estadual
processar e julgar ação
de servidor estadual decorrente de direitos e vantagens estatutárias
no exercício de cargo em comissão. A 3ª Turma do Superior
Tribunal de Justiça reforçou esse entendimento, fixado
pela Súmula 218, ao julgar conflito de competência suscitado
pela Vara do Trabalho de Barreiras, na Bahia.
No julgamento, a ministra Maria Thereza de Assis
Moura, relatora, declarou que a Vara da Fazenda Pública de Barreiras (BA) é competente
para processar e julgar a reclamação trabalhista proposta
por Eduardo Luiz D’Andrea Espinheira. Ele propôs a reclamação
contra o município de Barreiras para pedir o pagamento de verbas
rescisórias, decorrentes de cargo comissionado, que não
foram pagas. Espinheira foi nomeado para exercer cargo em comissão
na prefeitura e estava sujeito às regras do regime jurídico
dos servidores locais.
A Vara do Trabalho de Barreiras suscitou o conflito
de competência
com o argumento de que não cabe à Justiça do Trabalho
julgar esse tipo de reclamação. De acordo com a liminar
citada, cabe à Justiça comum dirimir conflitos trabalhistas
de servidores estatutários e celetistas.
A Vara da Fazenda Pública de Barreiras declarou-se incompetente
para julgar a questão, com base na Emenda Constitucional 45 ao
artigo 114 da Constituição Federal. O dispositivo estabelece
que qualquer litígio de caráter trabalhista é de
competência da Justiça especializada.
Ao decidir, a ministra verificou que o vínculo estabelecido entre
o poder público e o funcionário era estatutário.
Assim, mesmo em face da alteração no texto do artigo 114
da Constituição Federal, pela EC 45, persiste a orientação
firmada pelo STJ na Súmula 218: cabe à Justiça estadual
julgar relação de trabalho entre servidores e o poder público.
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CONSULTOR
JURÍDICO,
07 de novembro de 2006
Custo da mão-de-obra
Terceirização e Direito
do Trabalho ainda precisam se acertar
por Maria Carolina La Motta Araújo
Aniz
O
tema sempre recorrente da terceirização de serviços,
especialmente em pequenas e médias empresas, e o direito do trabalho
vem sendo debatido novamente, considerando-se, inclusive, as recentes
discussões sobre o baixo crescimento da economia e as próximas
eleições.
A reforma da legislação trabalhista é sempre assunto
espinhoso em discussões políticas, sobretudo considerando-se
o passado sindical do atual presidente da República e seus compromissos
morais com os direitos dos trabalhadores. É compreensível
que ele encontre dificuldades na discussão desses direitos no
Brasil — tarefa sempre árdua —, mas não podemos
ignorar a discussão nem tampouco seus efeitos nos atuais índices
de desemprego.
O setor produtivo brasileiro, em especial o de serviços e desenvolvimento
tecnológico, encontra no custo trabalhista e na permanente contingência — representada
pelas incontáveis ações trabalhistas atualmente
em curso perante a Justiça Trabalhista — grande entrave
para seu crescimento.
Empresas que têm grande necessidade de mão-de-obra para
desenvolvimento e customização de aplicações
nem sempre conseguem arcar com os custos da contratação
pela CLT, apelando para a contratação sem registro, em
desacordo com as leis vigentes no país.
Nesse cenário, a terceirização de serviços
mostra-se como alternativa para pequenas e médias empresas, que
não têm a intenção de empregar mão-de-obra
de forma irregular nem tampouco de lesar seus funcionários.
Mas apesar de ser a melhor alternativa do ponto
de vista financeiro e comercial, a terceirização de serviços esbarra
na legislação vigente. Conforme disposto nas Súmulas
256 e 331 do Tribunal Superior do Trabalho, a contratação
de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se
o vínculo empregatício diretamente entre o tomador do serviço
e o trabalhador.
Neste caso, só é permitida a terceirização
ou contratação de trabalhador por empresa interposta, com
redação da própria Súmula 331 em caso de
serviços de vigilância e conservação e limpeza,
bem como nos casos de serviços que estejam ligados à atividade
meio da empresa, desde que a pessoalidade e a subordinação
direta seja inexistente.
É justamente na última parte do disposto na Súmula
331, com relação às atividades meio, que tem sido
aberta a possibilidade para pequenas e médias empresas de terceirizar
seus serviços administrativos, financeiros, de contabilidade e
de recursos humanos. Porém, mesmo com relação a
tais serviços, as empresas têm sofrido fiscalizações
por parte da Delegacia Regional do Trabalho, no intuito de coibir a terceirização
de serviços, exceto os de vigilância e conservação
e limpeza, a chamada terceirização clássica.
Considerando-se as recentes fiscalizações, alguns sindicatos
patronais e de empregados têm feito esforços para encerrar
um longo ciclo de terceirizações, oferecendo às
empresas a possibilidade de uma anistia com relação aos
atos passados, ficando tais empresas protegidas contra eventuais fiscalizações
e autuações.
Nesse sentido, o Sindicado dos Trabalhadores em
Processamento de Dados (SINDPD) e o Sindicado das Empresas de Processamento
de Dados (Seprosp)
do estado de São Paulo firmaram acordo coletivo para formalização
dos profissionais prestadores de serviços, com anuência
da Delegacia Regional do Trabalho e Emprego. Tal acordo visa a formalizar
(i) todos os profissionais prestadores de serviços nas áreas
administrativas e (ii) todos os profissionais prestadores de serviços
nas áreas técnicas e/ou operacionais que emitam notas ficais
de até R$ 5 mil.
O acordo denota justamente a situação descrita acima,
deixando claro o alto grau de informalidade existente em empresas de
pequeno e médio porte (aqui representadas pelas empresas ligadas à área
de informática) com a terceirização de serviços
administrativos. Estes podem ser considerados como atividades meio da
empresa, e ainda assim são também desaconselhados pelos órgãos
de classe e sujeitos a fiscalizações, bem como o esforço
pela formalização.
Infelizmente, como se tem visto em casos semelhantes,
as empresas vêm
se regularizando com receio de eventuais fiscalizações
e crescimento de contingências trabalhistas, o que muitas vezes
tem custado inúmeros empregos, pois o custo com empregados contratados
pelo regime da CLT é crescente. Muitas vezes, os acordos coletivos
não são observados pela DRT, que autua as empresas, ainda
que as mesmas estejam regularizando seus funcionários observando
os termos do acordo.
Não há solução simples para a questão
trabalhista no Brasil. Os custos com a contratação de funcionários
pelo regime da CLT inibem tal contratação por pequenas
e médias empresas, que optam pelo regime da terceirização
como opção mais interessante para ambas as partes. Esperemos
que a questão seja abordada no próximo governo com a merecida
atenção e consideração para ambos os lados
envolvidos.
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CONSULTOR
JURÍDICO,
07 de novembro de 2006
Escola de julgamento
Escola de juízes do trabalho forma
a primeira turma
por Maria Fernanda Erdelyi
Depois
de um mês com oito horas de atividades diárias,
72 juízes do trabalho substitutos, de sete regiões diferentes
do país, concluíram o primeiro curso de formação
inicial da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento
de Magistrados do Trabalho (Enamat). Esta foi a primeira turma da escola.
O diretor da escola, ministro
do Tribunal Superior do Trabalho Ives Gandra Martins Filho, avalia
que a partir
de agora todos os novos juízes
do país terão uma formação mais uniforme,
nacional, com aprofundamento teórico e vivência prática
da atividade. Técnicas de conciliação e visitas
aos conselhos e tribunais superiores foram algumas das atividades desenvolvidas
pelos alunos.
A Enamat foi criada por
determinação da Emenda Constitucional
45 (Reforma do Judiciário). A partir de sua instalação,
no início deste ano, todos os juízes aprovados em concursos
públicos deverão passar pela escola antes de começar
a julgar. O próximo curso deverá ter início em fevereiro
de 2007. A previsão do diretor da escola é de 120 alunos
por semestre.
O curso, que é financiado pelo TST, tem entre seus professores
o ministro Gilmar Ferreira Mendes, do Supremo Tribunal Federal e os ministros
do TST Milton de Moura França, Ives Gandra da Silva Martins Filho,
Antônio José de Barros Levenhagen e Maria Cristina Irigoyen
Peduzzi, entre outros.
Entre as disciplinas estudadas
estão a Deontologia Jurídica — estudo
dos aspectos éticos que envolvem a atividade judicante, a postura
do magistrado e os fundamentos jusfilosóficos da ordem jurídica;
a Lógica Jurídica — estudo do procedimento lógico-jurídico
para tomada de decisão, em suas várias vertentes (lógica
formal, tópica, dialética, retórica e filosofia
da linguagem); o Sistema Judiciário; a Administração
Judiciária; Técnica de Juízo Conciliatório,
além de Psicologia e Comunicação.
A Enamat já tem um site que disponibiliza outras informações
sobre o curso, os professores e as atividades desenvolvidas pelos alunos
do primeiro curso.
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho
07/11/2006
TST admite incidência concomitante
de adicionais
A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
considerou válida
a incidência concomitante dos adicionais de penosidade e de periculosidade
pagos a um empregado da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).
O entendimento da relatora do processo, juíza convocada Maria
do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro, seguido pela unanimidade
dos ministros, foi no sentido de que a acumulação de
ambos os adicionais não viola os artigos 7°, XXIII da Constituição
Federal e 193 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
conforme alegado em recurso pela empresa.
O empregado da RFFSA garantiu na Justiça do Trabalho o direito
ao adicional de periculidade. Ele trabalhava na estação
de trem de Sete Lagoas (MG) e era responsável por fazer as manobras
de vagões de tanques de combustíveis. A empresa pediu
que fossem compensados os valores pagos a título de adicional
de penosidade.
O adicional de penosidade é destinado à remuneração
das atividades profissionais penosas, tais como aquelas que exigem
o emprego de força excessiva, elevada concentração,
atenção permanente ou imutabilidade da tarefa. Já o
adicional de periculosidade é aquele que se destina à remuneração
das atividades profissionais que, por sua natureza ou métodos
de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis,
explosivos, radiações ionizantes e alguns casos de trabalho
com eletricidade, em condições de risco acentuado.
Em resposta ao pedido da empresa, o Tribunal Regional
do Trabalho da 3a Região (Minas Gerais) afirmou ser impossível a
compensação por se tratar de parcelas de naturezas distintas.
Insatisfeita, a RFFSA dirigiu recurso de revista ao TST, que foi trancado
no TRT/MG. Em agravo de instrumento, a Rede alegou ofensa aos artigos
7°, XXIII da Constituição Federal e 192, § 2°,
da CLT.
A juíza relatora entendeu pela não configuração
das alegadas violações. Segunda ela, o artigo 193 da
CLT dispõe especificamente sobre o adicional de periculosidade,
facultando ao empregado optar pela remuneração relativa
ao adicional de insalubridade, nos termos do parágrafo 2º,
sem se referir ao adicional de penosidade.
De outra parte, no artigo 7º, XXIII, da Constituição
Federal, está previsto o direito ao adicional de remuneração
para as atividades penosas, insalubres ou perigosas aos trabalhadores
urbanos e rurais, na forma da lei, sem ser estabelecida a forma desse
pagamento.
“Não há como reconhecer violados os preceitos
invocados, na medida em que neles não há referência
acerca da cumulatividade de percepção de adiconais”,
concluiu a juíza.
A decisão da Primeira Turma do TST firma precedente sobre a
penosidade, que ainda não foi objeto de lei específica.
No mesmo sentido decidiu a Quarta Turma do Tribunal, em recurso de
revista julgado em abril do ano passado. (AIRR 677988/2000.5)
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07/11/2006
TST afirma prerrogativa
da substituição processual a sindicato
A Seção Especializada em Dissídios Individuais – 1
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho assegurou, com base em voto
do ministro João Batista Brito Pereira, o exame de recurso proposto
por sindicato na condição de substituto processual da
sua categoria profissional. A decisão unânime da SDI-1
concedeu embargos em recurso de revista ao Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria de Ladrilhos Hidráulicos, Produtos de Cimento
e Artefatos de Cimento Armado de Curitiba, que acionou a Eternit S/A
a fim de reivindicar o pagamento de horas extras.
O posicionamento da SDI-1 reforma decisão tomada anteriormente
pela Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em abril de 2001, à época
em que ainda estava em vigor a Súmula nº 310 do TST. Esse
item da jurisprudência do TST restringia a possibilidade de substituição
processual pelo sindicato a algumas hipóteses, como a discussão
sobre reajustes salariais previstos em lei.
Com base nessa jurisprudência, a Quarta Turma deferiu recurso
de revista à Eternit para cancelar decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná) favorável
ao sindicato. O julgamento determinou a extinção do processo
sem julgamento de mérito, conforme previsão da legislação
processual civil (artigo 267, inciso VI, CPC).
Um novo exame sobre o tema foi submetido à SDI-1 pela entidade
sindical, que interpôs embargos em recurso de revista. A alegação
foi a de violação ao artigo 8º, inciso III, do texto
constitucional. O dispositivo estabelece que “ao sindicato cabe
a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria,
inclusive em questões judiciais ou administrativas”.
Durante o julgamento da SDI-1, o ministro Brito
Pereira registrou a mudança de entendimento do Tribunal Superior do Trabalho,
o que levou ao cancelamento posterior da Súmula nº 310. “A
jurisprudência desta SDI-1 firmou-se no sentido de que a substituição
processual, tal como prevista no referido dispositivo (artigo 8º,
inciso III), abrange os direitos ou interesses individuais homogêneos,
reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal como subespécie de
interesses coletivos”, explicou o relator.
“O sindicato tem legitimidade para atuar na qualidade de substituto
processual, no caso, em que se busca o pagamento de horas extras”,
acrescentou o ministro Brito Pereira, ao votar pelo retorno dos autos à Quarta
Turma do TST a fim de que, afastada a ilegitimidade sindical, examine
o direito ou não da categoria profissional às horas extras.(ERR
509819/1998.0)

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