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FETRACONSPAR, 16 de abril
de 2007
Convite
Abertura do Comitê de Combate a
Informalidade em Umuarama
O
Sinduscon-Nor/PR e o Sintricomu convidam Vossa Senhoria para participar
da abertura
do Comitê a Informalidade na cidade de Umuarama.
Café da
manhã
Data: 20/04/2007
Horário:
8h30min
Local: Prefeitura Municipal de Umuarama
Avenida Rio Branco 3717 – 2º piso (Anfiteatro)
Este convênio de cooperação para combater a informalidade
no mercado de trabalho da construção civil, visa o cumprimento
da legislação trabalhista e previdenciária, as condições
de segurança no ambiente de trabalho, de modo a incrementar o
aumento da produtividade e qualidade no setor da construção
civil de Umuarama e região.
No canteiro de obras,
os membros do Comitê Diretor (Fetraconspar,
Crea-PR e Sinduscon-PR) fazem o levantamento das condições
básicas de segurança, seguindo o ceck-list estabelecido
pela Norma Regulamentadora 18 e observam itens da legislação
trabalhista, como o registro em carteira do pessoal da obra.
As empresas ou donos
das obras são orientados a corrigir possíveis
falhas existentes no cumprimento das normas de segurança, bem
como a proceder ao registro de todos os empregados. Os relatórios
das visitas são apresentados nas reuniões mensais do Comitê Diretor,
que analisa as providências tomadas pelas empresas, espacialmente
o registro de seus empregados.
O Comitê de Informalidade não adota medidas punitivas contra
as empresas ou donos das obras, mas sim orientativas, sendo que aqueles
que não cumprem a legislação de segurança,
trabalhista e previdenciária, são denunciados aos órgãos
competentes e ficarão sujeitos a punições que envolvem
desde a imposição de multas, cobrança de contribuições
sociais até o embargo da obra. A contratação de
trabalhador sem registro em carteira é crime previsto pela Lei
9.983/2000.
Sinduscon-Nor/PR – possui técnicos capacitados que atendem
as empresas associadas oferecendo palestras, Programa de Saúde
e Segurança, atendendo às normas de saúde e de segurança
nos canteiros de obras conforme a NR18 gratuitamente aos seus associados.
Estamos à disposição das empresas para prestar toda
orientação sobre legislação trabalhista,
contratação de subempreiteiros, e obediência a NR18.
Informações:
Sinduscon-Nor/PR – (44) 3224-4230
Rosângela Pereira Coutinho
Sintricomu – (44)
3622-2239
Marcos Antonio Beraldo
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NCST, 16 de abril de 2007
SINTRAG decide filiar-se a Nova Central
Hoje à tarde, a diretoria do SINTRAG - Sindicato dos Trabalhadores Gráficos
de Jornais e Revistas do Estado do Paraná, reuniu-se com o 3º Vice-Presidente
da Nova Central Sindical de Trabalhadores, Geraldo Ramthun, para discutirem a
possibilidade de filiar-se a NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores.
Após amplos debates e esclarecimentos, sobre os princípios que
norteiam a Nova Central, a diretoria deliberou o encaminhamento da filiação
do sindicato junto a esta nova organização.
O companheiro José Carlos Ardizzone Xavier, presidente do SINTRAG afirmou
que o sindicato vai sentir-se bem representado pela NCST. |
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O
presidente da NCST PARANÁ, Epitácio Antonio dos
Santos e demais diretores, dão as boas vindas à nova
filiada.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 16 de abril de 2007 | Economia
Censo vai mostrar o tamanho do Brasil urbano e rural
82 mil pesquisadores vão visitar 30 mi de casas e 5,7
mi de estabelecimentos agropecuários
A partir de hoje, 82 mil recenseadores do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) começam a percorrer 30 milhões
de domicílios e 5,7 milhões de estabelecimentos agropecuários
em todo o Brasil para a produção do Censo Agropecuário
2007 e da Contagem da População. Durante três meses,
o IBGE pretende entrevistar 99 milhões de pessoas, o que corresponde
a 52% da população brasileira. O levantamento tem um custo
estimado de R$ 560 milhões e será feito em 5.435 cidades
brasileiras com menos de 170 mil habitantes.
Tecnologia Contagem será informatizada
Pela primeira vez, um levantamento do IBGE será feito com uso de
computadores de mão. Serão 82 mil “palm tops” utilizados
simultaneamente. O projeto do computador que será usado pelo IBGE
foi feito especialmente para a instituição e custou R$ 996
cada um. São equipados com tecnologia GPS e levam, além dos
questionários, análises críticas que limitam os erros
de preenchimento. “Se o equipamento for roubado, os entrevistados
podem ficar tranqüilos, os dados estão criptografados”,
explica o coordenador de informática do censo, Heleno Mansoldo.
A transmissão das informações será feita por
banda larga ou via modem, conectado em linha telefônica.
Com a informatização dos questionários, os resultados
serão divulgados mais rapidamente. Os primeiros resultados da
contagem serão divulgados no fim de agosto e os do censo, em outubro.
Além do levantamento agropecuário, um dos objetivos principais é atualizar
a população de cidades com menos de 170 mil habitantes,
informação importante para a repartição dos
recursos do Fundo de Participação dos Municípios
(FPM). Acima desse número, as alíquotas se mantêm
iguais. Outro objetivo é atualizar o cadastro nacional de endereços
para o censo populacional de 2010.
No Paraná, 2.862 pesquisadores farão o levantamento para
o IBGE. Os últimos dados disponíveis sobre a situação
das criações, das lavouras e dos estabelecimentos rurais
brasileiros são de 1996. De acordo com o Censo Agropecuário
de 1996, o estado tem 369 mil propriedades agrícolas. “O
questionário demora cerca de duas horas para ser preenchido. Parece
muito tempo, mas serão duas horas que valerão por uma década,
quando deve ser feito o próximo censo”, afirma o gerente
do Censo Agropecuário, Antonio Carlos Simões Florido.
Além da missão de medir a atividade agropecuária,
que ocupa mais de 5 milhões de pessoas, a pesquisa trará indicadores
sociais, de saúde e meio ambiente. Será o termômetro
esperado por diversos setores do governo para avaliar as políticas
públicas em vigor, como por exemplo o Programa Nacional de Agricultura
Familiar (Pronaf), criado em 1996. O Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra) espera ansioso o resultado dos assentamentos
que serão investigados. A estimativa é de que haja 600
mil a 700 mil assentados, número hoje desconhecido e que é uma
das novidades incluídas na pesquisa.
O censo investigará o uso de energia elétrica, dado já esperado
pelo Ministério de Minas e Energia, por causa do Programa Luz
para Todos, que tem a meta de atingir 10 milhões de pessoas em
2008, mas que só chegou a cerca de 5,4 milhões. Até o
trabalho infantil – medido somente na Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad), também do IBGE – terá um
indicador obtido a partir do censo, que vai apurar a situação
dos trabalhadores com menos de 14 anos. O censo será recurso importante
ainda para avaliar questões de caráter ambiental, por considerar
fatores como a forma de criação de bovinos (confinados
ou não) e os tipos de adubo e de irrigação usados. “Com
isso, será possível saber o nível de emissão
de poluentes da agropecuária brasileira”, diz Florido.
Criações novas vão figurar na pesquisa, como a
de camarões, um dos mais competitivos do mundo que já mereceu
até barreiras americanas, além de peixes e ostras. Na aspecto
da saúde, o alvo são os agrotóxicos, um dos principais
motivos de envenenamento entre trabalhadores no campo. Os recenseadores
vão apurar qual o gasto com agrotóxicos, de que forma são
aplicados, para onde vão as embalagens e se já houve intoxicação
de trabalhadores
O novo censo vai verificar também a desigualdade na agricultura
brasileira, além do pessoal ocupado, dos salários e da
receita dos empreendimentos. A concentração de renda, uma
característica da sociedade brasileira, é repetida na repartição
das terras. Pelo último censo, de 1996, 1,02% dos estabelecimentos
concentrava 45,1% da área, percentual que aumentou em relação
a 1985.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 16 de abril de 2007 | Paraná
Há dinheiro, mas falta projeto para desfavelização
no Paraná
Prefeituras têm até agosto
para elaborar propostas e obter recursos do pac
por ANDRÉ GONÇALVES, correpondente em Brasília,
e Jorge Olavo, da reportagem local
Brasília – Seis cidades paranaenses, além de Curitiba
e região metropolitana, possuem menos projetos do que verbas federais
disponíveis para habitação, saneamento e regularização
de favelas. Elas têm até agosto para apresentar propostas
e entrar, por exemplo, na divisão dos R$ 65 milhões só em
realocação de famílias, previstos no Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) para o estado. “Os grandes municípios
têm uma oportunidade excelente para fazer grandes parcerias, se tiverem
competência para fazer bons projetos”, diz o ministro do
Planejamento, Paulo Bernardo.
Prioridades
Os investimento do PAC em favelas devem ser destinados principalmente para:
• Obras de grande porte;
• Obras articuladas e integradas no território;
• Obras de recuperação
ambiental;
• Obras que eliminam gargalos na infra-estrutura logística.
Critérios de seleção:
• Possuir projeto básico;
• Possuir projeto executivo;
• Áreas sujeitas a fatores de risco, insalubridade ou degradação
ambiental;
• Fazer parte de região metropolitana,
aglomerado urbano ou capital estadual;
• Demanda de movimentos sociais, associações e grupos
representativos de segmentos da população.
Ele está hoje em Curitiba para realizar uma palestra sobre os
efeitos do PAC no Paraná. A passagem pela capital também
pode marcar um encontro, até agora informal, entre o ministro
e representantes da prefeitura para tratar do metrô. Na última
quinta-feira, o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano
de Curitiba, Augusto Canto Neto, afirmou que a visita de Bernardo poderia
significar um sinal verde para a liberação de metade dos
R$ 1,25 bilhão que financiariam o projeto do novo sistema de transporte.
Um dia depois, o ministro desmentiu a informação, alegando
que a proposta ainda não passa de um estudo de pré-viabilidade.
Bernardo disse que se sentiu desconfortável com a situação,
que parecia colocá-lo em uma “saia-justa”. Segundo
ele, sem um projeto final não é possível falar sobre
liberação de recursos. “Não somos máquina
de fazer dinheiro”, afirmou.
Aeroporto e ponte estão no pacote
Brasília – Apesar do metrô de Curitiba estar fora
do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), duas obras
de vulto para o estado devem ser finalizadas nos próximos quatro
anos. A primeira delas é a ampliação do Aeroporto
Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região
metropolitana de Curitiba. A outra é a construção
de uma segunda ponte entre o Brasil e o Paraguai, em Foz do Iguaçu.
“Estamos licitando o projeto para a obra do aeroporto. É a
mesma coisa do metrô, que também deve ter o projeto financiado,
mas nesse caso já temos um estudo de viabilidade. Depois disso,
vamos licitar a obra”, diz Paulo Bernardo. Neste ano, o investimento
previsto é de R$ 10 milhões.
Os trabalhos compreendem a ampliação da pista de pouso,
do pátio de aeronaves, implantação de táxis
e balizamento luminoso. Também estão previstas a macrodrenagem
das pistas e a ampliação do terminal de cargas em 5 mil
metros quadrados. O serviço deve ser concluído em 2009.
Para o ministro, outra obra importante é a pavimentação
da BR-153, entre Ventania e Alto do Amparo, na Região Central.
A obra já está em andamento e deve ser concluída
em dezembro do ano que vem. Ao todo, o governo federal investirá R$
60 milhões. “É uma estrada importante, que liga o
Paraná ao Rio Grande do Sul e que só não estava
pavimentada no Paraná”, justifica o ministro.
A obra mais cara prevista no PAC, entretanto, é o Corredor Ferroviário
do Oeste do Paraná. Segundo Bernardo, ela irá consumir
cerca de R$ 400 milhões. Parte dessa verba será financiada
pela iniciativa privada e o projeto ainda está em fase de avaliação.
Prioridades
De acordo com o previsto no PAC, nove regiões metropolitanas
de capitais brasileiras são prioridades do governo federal na
atuação em favelas. A de Curitiba é a oitava, na
frente apenas da de Porto Alegre. As três primeiras estão
no Nordeste: Belém, Fortaleza e Recife. Os demais focos do programa
no Paraná para os próximos quatro anos são Ponta
Grossa, Londrina, Guarapuava, Foz do Iguaçu e Cascavel.
Apesar de dizer que há poucos projetos, Bernardo procura isentar
as prefeituras, que foram informadas sobre a disponibilidade dos recursos
em fevereiro e agora precisam se apressar para formular propostas. “É até explicável
porque também não havia dinheiro disponível. Mas
a partir de agora, na medida em que vamos colocando o dinheiro, precisamos
de projetos maiores, mais elaborados”, ressalta.
A notícia agradou ao prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo
Mac Donald Ghisi. Ele lembrou que já tem um projeto pedindo R$
5 milhões ao Fundo Nacional de Habitação. “Nós
temos uma programação bastante intensa para a construção
de casas populares. Nossa meta são 2 mil casas neste ano. Se tiver
esse recurso é excelente, para nós é ótimo.
Temos um projeto para gastar muito mais que isso”, afirma o prefeito.
Entretanto, ele desconhece que procedimentos deve tomar para conseguir
os recursos. “Não sei como é que entra para pegar
esse dinheiro. Nós vamos nos informar sobre isso e vamos apresentar
os nossos (projetos), pode ter certeza disso.”
O prefeito de Ponta Grossa, Pedro Wosgrau
Filho, já tinha conhecimento
da oportunidade. “Nós estamos acelerando ao máximo
os projetos nessa área (habitação). Não há uma
planta só, são diversos projetos que vão totalizar
a ordem de R$ 40 milhões”, conta o prefeito. Wosgrau Filho
lembra que outros programas que não poderiam ser incluídos
no PAC foram encaminhados à Caixa Econômica Federal.
Curitiba já enviou ao governo federal projetos de desfavelização
que somam R$ 136 milhões em investimentos. “Contaríamos
com recursos do município e do PAC, através do Ministério
das Cidades”, conta o presidente da Companhia de Habitação
Popular de Curitiba (Cohab), Mounir Chaowiche. “Inclusive, esses
projetos já foram pré-avaliados pela Caixa Econômica
Federal e estamos otimistas com essa proposta do PAC para que Curitiba
seja contemplada”, afirma. Chaowiche explica que são todos
projetos voltados à regularização fundiária
que prevêem a regularização de áreas e o reassentamento
de famílias que moram em subabitações em zonas de
risco.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
16 de abril de 2007
Jovens são principais atingidos
pelo desemprego
Estudo do economista Márcio Pochman,
aponta que um em cada dois desempregados tem menos de 25 anos de idade

Desemprego
já atinge 9 milhões de brasileiros; chances
de encontrar recolocação no mercado são cada
vez menores
São Paulo - O desemprego, que já atinge mais de 9 milhões
de brasileiros, afeta principalmente os jovens. Um em cada dois desempregados
tem menos de 25 anos de idade, segundo estudo do economista Márcio
Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O administrador
de empresas desempregado João Boaventura dos Santos, de 24 anos,
ilustra as dificuldades enfrentadas pelo jovem brasileiro no mercado
de trabalho. Santos saiu da faculdade em 2004 e acaba de iniciar um
MBA em gestão estratégica empresarial. ''Espero que
o MBA funcione como diferencial na disputa pelo emprego.''
Ele diz que tem conhecimentos básicos de inglês e experiência
na área de logística, onde trabalhou no Grupo Pão
de Açúcar até novembro de 2005. Depois disso, começou
a prestar concursos públicos em busca de estabilidade e de um
salário melhor. ''Prestei exame para Receita Federal e para a
Caixa Econômica Federal, mas não tive êxito. No caso
da Receita, o salário era de R$ 4,5 mil, bem acima dos R$ 750
que recebia na empresa privada. Cansado de procurar alternativas mais
vantajosas, em maio de 2006 foi contratado por uma pequena gráfica
como auxiliar de vendas. Ele ganhava R$ 700 e trabalhou até fevereiro.
As chances de encontrar uma colocação no mercado são
cada vez mais remotas. Segundo José Ricardo Roriz, diretor do
Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), investimentos
do setor, que poderiam ampliar a oferta de trabalho, hoje são
defensivos.
''Ninguém está investindo em aumento de produção
e sim de produtividade, com o objetivo de ganhar competitividade ante
o ataque dos produtos estrangeiros, que são beneficiados pela
valorização do real em relação ao dólar.''
Por esse motivo, o investimento tem de
ser cada vez mais vultoso para gerar um número razoável de empregos. De acordo com a Fiesp,
para cada R$ 1 milhão investido, são abertos 22 postos
de trabalho em na pequena empresa industrial e apenas cinco, numa grande.
''A globalização exige empresas cada vez maiores, com ganhos
de escala e produtividade. Estamos saindo da média de 22 empregos
para 5.''
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria
Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, com a
valorização do real as indústrias do setor estão
investido em aumento de produtividade, trazendo do exterior equipamentos
automatizados. ''Por isso, o emprego e as vendas não crescem no
mesmo ritmo.''
O setor prevê um crescimento de 13% nas vendas este ano e vai
ampliar o emprego em apenas 7%. ''Isso é natural, pois temos ociosidade
nas fábricas.'' Em 2006, também houve um descompasso entre
o crescimento do setor e o número de vagas abertas. No ano passado,
o faturamento aumentou 12% e o emprego 8,5%.
Na produção de máquinas e equipamentos, o número
de trabalhadores recuou 1,4% em fevereiro, em relação a
igual período de 2006. Segundo a Associação Brasileira
das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor
empregava 209 mil trabalhadores em fevereiro deste ano, ante 212 mil
no mesmo mês de 2006.
A situação do emprego chega a ser dramática em
empresas que sofrem concorrência direta das importações
chinesas, como no setor de escovas para cabelo. Das 30 fábricas
que existiam no País há cinco anos, restaram apenas duas.
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JORNAL
FOLHA DE LONDRINA, 16 de abril de 2007
Vagas crescem menos que o PIB
São Paulo - Se o País crescer 4% neste ano, a ocupação
deve aumentar, no máximo, 3%, segundo o diretor da RC Consultores,
Fábio Silveira. Ele lembra que, quando o Produto Interno Bruto (PIB)
cresceu 5,7% em 2004, a ocupação avançou 3,3%. ''O
crescimento da ocupação está sistematicamente abaixo
do PIB.'' De um lado, diz o economista, esse desempenho mostra um lado
positivo, isto é, há uma modernização da estrutura
produtiva, com ganhos de eficiência. O problema é que o Brasil
cresce pouco para absorver quem chega ao mercado de trabalho. Nas suas
contas, se o PIB crescesse 6%, seria possível ampliar a ocupação
entre 4% e 4,5%. ''Esta seria uma excelente taxa'', observa.
Mas, na avaliação de Silveira, uma ampliação
mais acelerada do PIB e do emprego não deverá ocorrer porque
há uma questão estrutural que impede que esse movimento
ocorra. Não existe um modelo de crescimento voltado para ampliação
do emprego. ''Ao Brasil coube um papel específico na economia
mundial de grande fornecedor de commodities.'' Como fornecedor de commodities,
as cadeias de produção são curtas e não empregam
muita gente.
De acordo com economista, o descolamento
entre o ritmo de crescimento da economia e do emprego tende a se agravar
com aumento das importações.
Em setores como calçados, eletroeletrônicos, autopeças,
material plástico e metalurgia, intensivos em mão-de-obra,
a perspectiva é de uma oferta modesta de empregos, com o aumento
da produtividade para enfrentar a concorrência dos importados asiáticos.
O que tem impedido que o desempenho do
emprego piore é o estímulo
dado pelo governo à construção civil, um segmento
intensivo em mão-de-obra, pondera Silveira. ''É preciso
ter um plano de relançamento da indústria para crescermos
mais rapidamente.'' Ele observa que, apesar de a participação
dos serviços no PIB ser expressiva, o motor da economia continua
sendo a indústria. ''A indústria está no mais completo
abandono frente ao importados.''
Marcelo Rehder e Márcia De Chiara
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JORNAL
FOLHA DE LONDRINA, 16 de abril de 2007
Projeto prevê extinção
de leis ultrapassadas
Levantamento aponta que no Brasil são
contabilizados mais de 181 mil ordenamentos jurídicos, mas apenas
53 mil leis estão
em vigor
Brasília - Berço esplêndido da impunidade, o Brasil é também
um país de muitas leis. O ordenamento jurídico brasileiro
tem um total de 181.318 normas legais, segundo levantamento efetuado pela
Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência
da República. O impressionante é que, desse universo, 53
mil leis estão realmente em vigor. Um leque onde há um pouco
de tudo: leis que colidem até com a própria Constituição,
outras que já foram revogadas, algumas que o tempo tornou obsoletas
e tantas outras que servem apenas para confundir.
O pior desse cenário é que o Brasil vive uma fúria
legiferante. Diante da pressão do eleitorado por serviço,
deputados e senadores estão sempre redigindo mais leis, muitas
vezes sem a menor necessidade. Para se ter uma idéia, só na última
legislatura foram aprovadas 14 emendas constitucionais, oito leis complementares,
762 leis ordinárias e 3.687 decretos legislativos. ''Se cada deputado
aprovar duas leis por ano, teremos um movimento de mais de mil leis'',
observa o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP).
Vacarezza comanda, a pedido do presidente
da Câmara, Arlindo Chinaglia
(PT-SP), uma frente de parlamentares para transformar essa confusão
jurídica em um ordenamento. A Comissão de Consolidação
das Leis, como é chamado o grupo de deputados, está recolhendo
dados junto ao governo e aos Tribunais Superiores para consolidar as
leis vigentes.
A idéia é eliminar as normas que contradizem a Constituição
e as que já foram alvo de Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin). Também serão riscadas do mapa legal as leis que,
com o tempo, ficaram naturalmente ultrapassadas. Outras leis, algumas
não mais que jocosas, estão sendo agrupadas por tema e
deverão desaparecer para sempre.
Depois de consolidado, o projeto de extinção de leis será encaminhado
para apreciação da Comissão de Constituição
e Justiça. Após aprovação pelo plenário
da Câmara, caberá ao Senado examinar as mudanças
feitas. ''A conclusão desse trabalho é necessária
para o fortalecimento da democracia, uma contribuição ao
desenvolvimento do País e à estabilidade da ordem jurídica. É também
uma forma de promover a defesa dos interesses do cidadão'', afirma
Vacarezza.
À frente de seu projeto de consolidação das leis,
Vacarezza já esteve com o presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), Gilmar Mendes, e com ministros dos Tribunais Superiores. Os juristas
têm contribuído para apontar as distorções
legais existentes. Um deles chegou a enviar um e-mail à comissão
com o alerta de que, embora alguns artigos do Código do Processo
Penal (de números 26 e 531) tenham sido considerados inconstitucionais,
a Lei de Falências insiste na sua aplicação.
O problema é que pelo direito brasileiro a simples retificação é considerada
lei nova. Mesmo tendo vigorado por um dia, houve pedidos e decisões
judiciais com base no dispositivo.
Entre os oposicionistas, há a desconfiança de que o projeto
do petista pode ter um viés ideológico. O medo é que
a faxina legal proposta acabe por restringir ainda mais os direitos das
minorias na Câmara. ''Os princípios podem ser nobres, mas
os resultados podem ter um viés político. O PT quer também
mexer no Regimento da Câmara dos Deputados'', desconfia o deputado
Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), que foi convidado por
Vacarezza para participar do grupo, mas não aceitou.
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JORNAL
O ESTADO DO PARANÁ,
15 de abril de 2007
Quem ganha ou perde com o dólar?
Lyrian Saiki
A queda do dólar esta semana - na sexta-feira, a moeda fechou
cotada a R$ 2,0220 para venda, o menor patamar desde março de
2001 - está obrigando muitas empresas a repensar a gestão
para continuarem competitivas. Por outro lado, companhias que trabalham
com matéria-prima importada estão tendo a oportunidade
de aumentar a margem de lucro, com o dólar mais baixo. Afinal,
quem ganha e quem perde com a atual cotação da moeda norte-americana?
“
Quem ganha, em primeiro lugar, é o importador, que consegue comprar
com menos reais mais mercadorias no exterior”, apontou Nelson de
Oliveira, vice-presidente de Relações Institucionais do
Ibef/PR (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Paraná).
Nesse grupo estão produtos como fertilizantes, defensivos, derivados
de petróleo, além de insumos de informática de alta
tecnologia que não têm similares nacionais. “O real
valorizado faz com que o fluxo de produtos e serviços entre com
preço mais baixo no País”, apontou.
Por outro lado, a indústria tradicional exportadora, como de calçados,
têxtil e de madeira, vem amargando prejuízos. No caso do
setor têxtil, a crise se agrava quando acrescida a concorrência
de produtos vindos da China e da Índia. “Esses produtos
importados vêm de países em que o custo de produção é mais
baixo do que no Brasil. Eles chegam com preços bem mais baixos,
causando sérios problemas”, apontou.
Agregando valor
Para Nelson de Oliveira, empresas devem se ajustar para não se
tornarem reféns do ‘modelo antigo’ nem do câmbio. “A
empresa tem que oferecer produtos com maior valor agregado, mais tecnologia,
e não ser muito dependente da commodity”, afirmou. Nesse
sentido, o setor agropecuário é outro que perderia com
a valorização do real, se não fosse o aumento do
preço internacional em dólar. Além disso, o grande
volume produzido consegue contrabalançar a desvalorização
da moeda estrangeira.
“
A empresa tem que estar se reinventando sempre, seja na tecnologia, na
gestão, na busca de novos produtos e mercado. Não é uma
tarefa fácil num mundo dinâmico em que vivemos, mas a verdade é que
hoje ninguém mais está numa situação tranqüila”,
afirmou o analista.
Câmbio
Para Nelson de Oliveira, são poucas as chances de que o dólar
volte a subir em curto ou médio prazo. “Enquanto a remuneração
da renda fixa no Brasil for alta como é em relação
a qualquer outro lugar do mundo, é difícil que haja valorização
do dólar no atual modelo de fluxos internacionais”, acredita.
Em outros países, lembrou, o baixo rendimento da renda fixa leva
muitos investidores a optarem pelo mercado de ações. “Ninguém
vai querer investir na produção para ganhar menos”,
lamentou. Para ele, o Brasil está apenas ‘surfando a boa
onda da economia mundial’, mas poderia aproveitar melhor o momento
atual da economia.
Turismo comemora desvalorização
Se há um setor que tem pouco a reclamar do câmbio atual é o
de turismo. Com o dólar cotado a R$ 2,02, esta está sendo
a oportunidade para muitos brasileiros viajarem para o exterior pela
primeira vez. Os pacotes de viagens estão com preços bem
interessantes, e o mercado interno está precisando rever os valores
para não perder a competitividade.
“
A queda do dólar é a esperança para que as agências
e operadoras recuperem os prejuízos da ‘crise aérea,” apontou
o presidente da Associação Brasileira de Agências
de Viagens no Paraná (Abav-PR), Antônio Azevedo. Segundo
ele, o prejuízo para o setor é de aproximadamente 40%.
Só no feriado da Páscoa, afirmou, agências do Paraná tiveram
perdas de 15%, já que muitos preferiram viajar de carro a enfrentar
possíveis transtornos nos aeroportos.
De acordo com Azevedo, as vendas de pacotes de viagens devem aumentar
entre 10% e 15% em relação ao mesmo período do ano
passado, por conta do dólar mais baixo, mas poderia aumentar ainda
mais. “Não será aquela explosão de vendas.
O problema é que há um limite na capacidade do transporte
aéreo”, explicou, referindo-se à falta de aeronaves
em rotas para o exterior.
Por outro lado, o destino Brasil se tornou mais caro para os turistas
estrangeiros, o que é negativo para o turismo receptivo. “O
País vai perder competitividade porque os custos são mais
altos. Há muitos turistas desistindo de vir ao Brasil e preferindo
o destino asiático, por exemplo”, apontou. De maneira geral,
porém, Azevedo acredita que o câmbio atual mais favorece
do que prejudica o setor. “Quase 80% das agências de viagens
são emissivas (vendem pacotes de viagens) e apenas 10% são
receptivas (recebem turistas de fora)”, explicou. Em todo o Paraná,
há aproximadamente 1,1 mil agências de viagens.
Quase 70%
Na operadora de turismo CVC, pacotes internacionais estão respondendo
por quase 70% das vendas, segundo o representante da empresa em Curitiba,
Ricardo Luz. Segundo ele, com o câmbio atual é possível,
por exemplo, passar 4 noites e 5 dias em Paris por US$ 928,00, aproximadamente
R$ 1.870,00. Já um pacote para a Costa do Sauípe, na Bahia,
também de 5 dias, custa R$ 1,5 mil. “Por causa de R$ 300,00,
muitos preferem ir para Paris”, exemplificou. Ele lembrou, no entanto,
que os custos na ‘Capital da Luz’ são muito maiores
do que no Brasil.
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JORNAL
O ESTADO DO PARANÁ, 16 de abril de 2007
Comissão propõe mudanças
para reduzir custos trabalhistas
Agência Estado
Brasília - Congresso e governo abriram discussão sobre
um modelo alternativo de relações de trabalho que permita
redução dos custos trabalhistas e crie perspectivas de
ampliação de empregos no País. Na quarta-feira,
o presidente da Comissão de Trabalho da Câmara, Nelson Marquezelli
(PTB-SP), entregou ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, um esboço
de proposta que cria um sistema optativo, em que os trabalhadores receberiam
pagamento por tarefa executada, ganhando o salário bruto, sem
descontos de qualquer espécie, como o previdenciário, por
meio de cartão magnético. A proposta, porém, não
extinguiria o atual regime de trabalho feito pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), uma vez que o modelo alternativo funcionaria
como optativo.
Na próxima quarta-feira, Lupi irá à Comissão
do Trabalho para se encontrar com os parlamentares pela primeira vez
desde a posse no cargo, há cerca de 15 dias. Ele é um dos
ministros que se manifestaram contra a proposta, vista como corte de
conquistas históricas. “Não vou defender reformas
que tiram os direitos do trabalhador”, avisou.
A idéia é abrir esse debate. “Na conversa que tivemos,
o ministro foi receptivo a discutir o assunto. Porque, já que
existe essa resistência geral a mexer com a CLT, inclusive do próprio
ministro, a idéia é apresentar um modelo alternativo de
caráter optativo”, afirma Marquezelli. “O modelo atual
das relações trabalhistas é obsoleto, ultrapassado
e não ajuda em nada na geração de empregos.”
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JORNAL
O ESTADO DO PARANÁ, 15 de abril de 2007
Indústria já cresceu
7,1% neste ano
Redação O Estado
do Paraná
De acordo com os indicadores econômicos da Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq),
o consumo aparente do setor, que representa a produção
mais a importação, descontada a exportação,
registrou aumento de 7,1% no comparativo entre os dois primeiros meses
do ano, ao passar de R$ 8,46 bilhões, em 2006 para R$ 9 bilhões,
em 2007.
Para o presidente da Abimaq, Newton de Mello, o aquecimento reflete a
ampliação de investimentos realizados pela indústria
já no início do ano. Os segmentos que impulsionaram o crescimento
do setor foram o de maquinário agrícola, bombas e motobombas
e válvulas industriais, com incremento produtivo de 38%, 23% e
20%, respectivamente.
Na área de comércio exterior, a indústria de bens
de capital mecânicos (descartando veículos de transporte
e tratores agrícolas) registrou aceleração nas importações
da ordem de 20,9%, ao totalizar US$ 1,97 milhão nesse primeiro
bimestre do ano, em relação aos dois primeiros meses de
2006.
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JORNAL
O ESTADO DO PARANÁ, 15 de abril de 2007
Os cinco eixos da reforma política
Edésio
Passos
Os cinco eixos constantes da proposta
do movimento das entidades da sociedade civil para a reforma política são (1) fortalecimento
da democracia direta (2) fortalecimento da democracia participativa (3)
fortalecimento da democracia representativa (4) democratização
da comunicação e informação (5) transparência
e democratização do Poder Judiciário.
Eis os pontos assinalados na plataforma apresentada dia 27 de março
na Câmara dos Deputados, firmados, entre outras entidades, pela
OAB e CNBB: “A plataforma apresentada tem cinco eixos. O primeiro
deles propõe o fortalecimento da democracia direta, começando
pela regulamentação e ampliação de mecanismos
como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular, previstos na Constituição.
O segundo eixo trata do fortalecimento da democracia participativa, por
meio, inclusive, da participação da sociedade na definição
das prioridades de pauta do Congresso Nacional. O terceiro eixo é o
aperfeiçoamento da democracia representativa. Os movimentos sociais
apóiam os pontos principais da proposta elaborada pela Comissão
Especial de Reforma Política: - financiamento público de
campanhas; - fidelidade partidária; -voto de legenda em listas
partidárias pré-ordenadas; - a criação das
federações partidárias, em substituição às
atuais coligações. Só que os movimentos vão
além, e defendem ainda o fim da reeleição para os
cargos executivos, com ampliação dos mandatos; o limite
dos mandatos legislativos a dois consecutivos; e a manutenção
dos partidos exclusivamente pela contribuição dos filiados
e pelo fundo partidário. O quarto eixo é o da democratização
da comunicação e da informação, através
de um sistema público de comunicação, do fortalecimento
da comunicação comunitária, e da instituição
de mecanismos de controle público sobre os meios de comunicação.
Por fim, o quinto eixo preocupa-se com a transparência e a democratização
do Poder Judiciário e defende a exigência de concursos públicos
para o acesso aos cargos” (Agência Câmara).
Frente Parlamentar: O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia,
participou de ato promovido pela Frente Parlamentar pela Reforma Política
com Participação Popular para divulgar a plataforma, afirmando
que “há um clima favorável para aprovar, em prazo
relativamente curto, uma reforma política que contemple pontos
fundamentais para a democratização do País, como
o financiamento público das campanhas eleitorais e a fidelidade
partidária”, destacando a importância da contribuição
das entidades da sociedade civil que se organizaram em um movimento pela
reforma política com participação popular. A coordenadora
da frente, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), anunciou que 257 parlamentares
já aderiram à frente parlamentar, em apoio às iniciativas
na Câmara e no Senado que tentam regulamentar o artigo 14 da Constituição
em relação aos plebiscitos e referendos. O grupo também
defende a democratização da comunicação e
a transparência do Poder Judiciário. A deputada Luiza Erundina
quer a mobilização contra a proposta elaborada pela Comissão
Especial da Reforma Política - Projeto de Lei 2679/03, que está pronto
para entrar na ordem do dia do Plenário. No entender de Erundina,
esse projeto “não será um passo à frente se
não vier acompanhado de avanços no campo da participação
popular”. A coordenadora pediu aos movimentos sociais que façam “onda
de pressão que impeça a votação de uma reforma
fatiada e incompleta”.
Ampla e profunda ação: Verifica-se, portanto, que as ações
organizadas da sociedade civil têm como alvo (1) o sistema partidário,
eleitoral e de representação parlamentar (2) o sistema
democrático de representação e implementação
administrativa do setor público (3) o sistema de um efetivo controle
das contas, gastos e investimentos públicos e a destinação
dos recursos públicos (4) o sistema de controle da participação
dos grandes grupos econômicos na vida político-partidária
(5) o sistema de organização da empresa, dos trabalhadores
e de suas organizações representativas (6) o aperfeiçoamento
do sistema no plano do Judiciário. Mas o movimento popular pela
reforma política está diante de muitos obstáculos
e já tem ciência que será necessária ampla
e profunda ação contra vícios histórico-estruturais
que debilitam os sistemas apontados. Trata-se de reconstruir o conjunto
desses sistemas, de modo a extrair da velha condição o
que se provou de saudável e de introduzir o novo colhido das experiências
do mundo em transformação. A análise teórico-prática
de cada setor se impõe como condição necessária
ao diagnóstico social. Pesquisa do Ibope desde agosto de 2005
assinalava a fragilidade das instituições diante dos olhos
do povo: 9% confiavam nos políticos, rejeitados por 90% da população;
os partidos políticos rejeitados por 88%; a Câmara dos Deputados
por 81%; o Senado Federal por 76% e o Poder Judiciário por 51%,
números que pouco se alteraram em quase dois anos.
Frentes estaduais: No dia 20 de abril serão lançadas frentes
estaduais em todo o Brasil, com o mesmo perfil da frente nacional, composta
pelas entidades da sociedade civil e parlamentares. Os organizadores
buscam estender a rede de mobilização em um amplo arco
social, com mecanismos locais de pressão. No dia 31 de maio, será realizado
ato a nível nacional com ampla participação popular.
Assinalam, ainda, os organizadores principais que “a plataforma
não representa o fim dos processos de articulação
e debate. O diálogo com o Congresso e com outras frentes que tratam
da temática continua como pauta fundamental da Mobilização” (in “Reforma
política por uma transformação social”, de
Flávia Mattar e Jamile Chequer, Ibase)
OAB e a Reforma Política: Destaco a análise resumida da
OAB nacional sobre fatores políticos: (1) “A esses fatores
patogênicos de ordem econômica, deve-se acrescentar um conjunto
de causas diretamente ligadas ao sistema político,a saber: A persistente
marginalização do povo, impedido de tomar diretamente as
grandes decisões políticas, não só na esfera
nacional, mas também no plano local; Uma representação
popular falseada, que acabou criando um pequeno mundo político
irresponsável, cada vez mais distanciado da realidade social;
A incapacidade institucional do Estado brasileiro de elaborar e conduzir
programas de ação de longo prazo, com base num projeto
de desenvolvimento nacional”. (2) “A Ordem dos Advogados
do Brasil tem em vista, como não poderia deixar de ser, os objetivos
fundamentais da nossa República, proclamados no art. 3.º da
Constituição Federal: Construir uma sociedade livre, justa
e solidária; Garantir o desenvolvimento nacional; Erradicar a
pobreza e a marginalização, e reduzir as desigualdades
sociais e regionais; Promover o bem de todos, sem preconceitos ou discriminações
de qualquer espécie. Para tanto, classificou as propostas de reforma
em três capítulos, correspondentes aos três grandes
defeitos do nosso sistema político, acima apontados: a efetivação
da soberania popular, com integral proteção dos direitos
humanos; a correção substancial das normas eleitorais e
partidárias; e a reforma do Estado, com a reorganização
dos Poderes Públicos. Em sua sessão plenária de
10 de dezembro, o Conselho Federal deliberou sobre as duas primeiras
séries de propostas ..., reservando-se para discutir e decidir
aquelas concernentes à reforma do Estado em sua próxima
sessão plenária...”
A crise política: considero que a atual crise política
não é apenas de conduta, no âmbito do Executivo,
do Parlamento e do Judiciário, como muitos apontam. Vai muito
além, pois envolve o conjunto do sistema político-partidário-eleitoral,
assim como o sistema de organização econômico-social.
Os cenários que devem ser avaliados indicam que as organizações
da sociedade civil, em especial as representações dos empresários
e dos trabalhadores, deverão se movimentar para fortalecer as
propostas formuladas pelo fórum nacional constituído para
levar à frente as idéias da reconstrução
nacional, com sólidas bases econômico-sociais e de firme
sustentação política. Os dias que se seguirão
vão demarcar a linha de construção apontada pela
sociedade civil, em especial de como será recepcionada no Parlamento,
no Executivo e no Judiciário. Nossa imperfeita Democracia tem
tido seus instrumentos institucionais testados diariamente. O encontro
do povo como a ação político-eleitoral sempre tem
sido uma escola de ensinamentos. Um deles é o que estamos diante
da necessidade da quebra de barreiras corporativas, possibilitando identidades
básicas das representações de todos os segmentos
sociais.
O novo nasce do velho: Sabemos que o novo nasce do velho. Ao focar a
necessária ultrapassagem do velho, para seguir a transformação
para o novo, citamos novamente a velha lição de Maquiavel: “Costumam
dizer os homens prudentes, e não é por acaso nem sem mérito,
que quem deseje ver aquilo que há de ser, considere aquilo que
foi porque todas as coisas do mundo, em cada tempo, têm seu próprio
embate com os antigos tempos. O que nasce porque, sendo elas operadas
pelos homens, que têm e tiveram sempre as mesmas paixões,
convém por necessidade que lhe suscitem o mesmo efeito”. É o
que se tem denominado de aprender com as lições emanadas
de nossos erros. O processo eleitoral de 2006 foi a nova lição
dada pelo povo brasileiro a ser apreendida. A formação
de um governo de coalizão nacional é experiência
a ser desenvolvida visando a consolidação do eixo básico
da democracia, rumo a igualdade social. Mas se as proposições
da sociedade civil não foram atendidas com rapidez, planos fundamentais
como o PAC, no setor da economia, e o PDE, no setor da educação,
poderão ficar comprometidos pela lentidão das transformações
na área política. Sem que essa avance, o melhor dos quadros
econômicos poderá não se definir como permanente,
pela falta das bases de sua sustentação política.
Edésio Passos é advogado, ex-deputado federal (PT/PR).
E.mail: edesiopassos@terra.com.br
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REVISTA
ISTO É,
16 de abril de 2007
Pedro Bruzzi
O novo Chico Mendes
O coordenador do centro dos trabalhadores
da amazônia diz que a corrupção é uma
das causas da devastação
Por Luciana Sgarbi
Enquanto governantes assinam protocolos e ensaiam leis que prometem
conter o desmatamento na Amazônia, são ainda os trabalhadores e a
população local que defendem, como podem, cada árvore
da maior floresta do planeta. Esses trabalhadores e seus novos líderes
são seringueiros que herdaram o legado do ativista ambiental Chico
Mendes, assassinado em 1988 porque se opunha abertamente àqueles
que tratam a Floresta Amazônica como uma fonte de lucros desenfreados – os
relatórios ambientais alertam que, até 2080, a mata pode
virar uma grande savana. Para mudar esse quadro, o engenheiro florestal
Pedro Bruzzi desponta como o atual Chico Mendes, menos radical no discurso,
mas nem por isso menos combativo em suas ações. Ele coordena
os projetos do Centro dos Trabalhadores da Amazônia, uma espécie
de escola para formar novos Chico Mendes. Já foram formados 300
líderes comunitários que atuam como guardiães da floresta
para defender o berço mundial da biodiversidade.
ISTOÉ – Quais as dificuldades que os seringueiros
enfrentam atualmente?
Pedro Bruzzi – As principais carências estão relacionadas
aos serviços básicos de saúde, educação
e habitação que ainda não chegam aos seringais. A
produção extrativista centrada em dois produtos básicos,
borracha e castanha, não vem oferecendo as condições
mínimas de qualidade de vida. Por isso a opção pela
pecuária ganha espaço.
ISTOÉ – O modelo de reservas extrativistas não era
um dos centros de luta do líder Chico Mendes?
Bruzzi – Sim. E foi uma grande vitória do movimento seringueiro
liderado por Chico Mendes. Pena que hoje essas reservas estejam em colapso.
A reprodução socio econômica desses modelos de assentamento
e de reserva extrativista não está sendo assegurada. O desmatamento,
a pecuária e a lavoura de grãos vêm substituindo a
floresta e o extrativismo, os seringueiros estão sendo substituídos
pelos agricultores.
ISTOÉ – Quais os principais problemas gerados
por isso?
Bruzzi – Na verdade existe uma cascata de problemas. Os mais graves
são a venda das propriedades rurais dos seringueiros, o que chamamos
de colocações, a conversão da floresta em pasto, a
corrupção, a migração para favelas nas
periferias urbanas e a perda da cultura extrativista.
ISTOÉ – A luta travada por Chico Mendes continua? Os problemas
ainda são os mesmos?
Bruzzi – Diria que sim. Apesar da vitória da conquista da
terra com a criação das reservas extrativistas e dos assentamentos
agroextrativistas, observamos que essas áreas estão sofrendo
desmatamentos desenfreados, êxodo das populações e,
em contrapartida, há a chegada de agricultores do sul do País
para aumentar esse desflorestamento. A terra foi conquistada, mas a territorialidade,
o domínio sobre ela e a capacidade de produção em
equilíbrio com a floresta, gerando qualidade de vida digna às
populações tradicionais, isso ainda não se conquistou.
ISTOÉ – Existe apoio do governo?
Bruzzi – Os governos do Amazonas e do Acre realizaram, nos últimos
anos, um grande esforço para trazer ao âmbito das políticas
públicas grande parte das propostas defendidas por Chico Mendes,
desde o investimento na valorização do extrativismo, através
de incentivos econômicos e do fortalecimento das cooperativas seringueiras,
até a busca por novas alternativas de valorização
do recurso florestal. Nesse momento o grande desafio é de como a
sociedade se apodera dessas políticas, como ela, em vez do Estado,
pode ser a grande força motriz dessa mudança. É necessário
ir além da floresta e realizar investimentos na base social. Realizar
mudanças consistentes nos indicadores educacionais que permitam
a seringueiros, índios e colonos assumirem a autogestão de
seus recursos e, em última análise, de seus destinos.
ISTOÉ – Mesmo com denúncias sobre a extração
ilegal pelas indústrias madeireiras, a devastação
da Amazônia continua. Por quê?
Bruzzi – Há uma tendência global de hegemonia e proliferação
do capital que o neoliberalismo acolhe com carinho. Caímos naquela
questão levantada por Frei Beto: se o mundo é uma grande
espaçonave, por que alguns viajam de primeira classe e outros não?
Para que toda a população da Terra possa ter o nível
de consumo de Nova York, de Paris ou das elites de nossas grandes capitais
seriam necessárias mais umas quatro ou cinco Terras que suportassem
essa sede estabelecida pelas elites, que, diga-se de passagem, são
menos de 1% dos seis bilhões de habitantes do planeta.
ISTOÉ – E o Brasil nisso?
Bruzzi – O Brasil adota medidas eficientes e eficazes para um real
aprofundamento no problema do desmatamento, mas não adota uma abordagem
do problema ambiental do desmatamento em conjunto com as questões
socioeconômicas.
ISTOÉ – Existe fiscalização?
Bruzzi – Sim. Mas não é a melhor alternativa para se
preservar e conservar os recursos naturais, que devido a sua extensão
praticamente inviabiliza ações de comando e controle ambiental
do ponto de vista orçamentário e da infra-estrutura necessária.
Vale ressaltar que é fundamental a fiscalização, que
devem ser investidos cada vez mais esforços nesse sentido, fortalecendo
e ampliando a capacidade do Ibama e das secretarias estaduais de meio ambiente.
Existem esforços do atual governo em implantar uma política
de valorização da floresta, como é o caso do projeto
de lei de Gestão de Florestas Públicas e da estratégia
dos Distritos Florestais.
ISTOÉ – Fala-se muito na valorização da floresta.
O que é isso?
Bruzzi – Para que possamos entender a valorização da
floresta devemos pensá-la como um ativo qualquer. A pecuária
extensiva na Amazônia rende anualmente, em média, segundo
informações do Instituto Socioambiental, de R$ 150 a R$ 200
líquidos por hectare. Um hectare de pasto vale bem mais do que um
hectare de floresta, logo se torna mais interessante desmatar. A lógica
predominante é: o capital migra para onde ele se reproduz com mais
eficiência. Se for mais eficiente na soja, ele vai para a soja, se
for no mercado de valores, é para lá que ele vai, se
for no boi, vai para o boi, e, se for mais eficiente na floresta, ele
migra
para a atividade florestal.
ISTOÉ – Quais são as falhas dos órgãos
públicos?
Bruzzi – Falta uma visão integrada de atuação
do setor público. O Estado brasileiro foi e é ainda o
maior financiador do desmatamento.
ISTOÉ – Como isso se dá?
Bruzzi – Através de crédito subsidiado, investimentos
em infra-estrutura sem um planejamento adequado e o descontrole da base
fundiária da região. A aplicação da lei é outro
fator importante, pois ainda temos regiões onde não há a
presença do Estado e muitas vezes seus representantes se investem
de tal poder que comandam todos os esquemas relacionados a atividades ilegais
de grilagem de terra e exploração irracional dos recursos.
A exemplo do problema da corrupção na política, a
falta de punições exemplares contribui para o sentimento
de impunidade na floresta.
ISTOÉ – Áreas de pastagem para gados e extração
ilegal de madeira são as principais causas da devastação?
Bruzzi – As duas não existiriam sem um conjunto de fatores
que as potencializa e gera as condições para que operem sem
nenhum padrão ou compromisso socioambiental. O problema não é a
atividade econômica em si, mas o ambiente no qual os segmentos descompromissados
de determinados setores prosperam. Há uma associação
muito forte das políticas que promovem o agronegócio – pecuária,
soja e agora cana – com a insegurança fundiária e ambiental,
e a incapacidade dos órgãos públicos em garantir o
controle fundiário e ambiental no País. É uma complementação
negativa e cruel onde a impunidade, corrupção e morosidade
do setor público geram um ambiente propício para a atuação
de determinados segmentos do setor privado que operam sem nenhum tipo de
critério de responsabilidade ambiental e social.
ISTOÉ – Como engenheiro florestal, qual seria
o seu projeto?
Bruzzi – Para um projeto dar certo na Amazônia e conter o desmatamento é necessário
que se incentive um modelo de desenvolvimento adaptado à região,
que as populações tradicionais tenham voz e sejam incluídas
efetivamente nesse modelo, que as alternativas de produção
tradicionais ligadas ao extrativismo e as alternativas modernas ligadas
ao Manejo Florestal Sustentável sejam priorizadas. As comunidades
têm de se organizar em redes sociais de sindicatos, cooperativas
e ONGs. A partir disso, organizações de capital social legítimo
podem se fortalecer e protagonizar os processos de desenvolvimento.

“
O governo ainda não percebeu a importância de relacionar
o problema ambiental com questões socioeconômicas
ISTOÉ – Ainda existe trabalho escravo na Amazônia?
Bruzzi – Não há dúvida e freqüentemente
assistimos a operações da Polícia Federal e Delegacias
do Trabalho para libertar trabalhadores em condições degradantes.
Mas, assim como o desmatamento, essa atividade não prosperaria sem
que houvesse uma forte indústria de grilagem de terra, pistolagem
e extração ilegal de recursos naturais por trás. O
Acre deu um exemplo: a luta de Chico Mendes gerou uma forte base de organização
social, moldada para a luta e o enfrentamento pacífico. Isso propiciou
diversos avanços políticos e institucionais. Mazelas tão
comuns em outros Estados, como trabalho escravo e assassinato de lideranças
rurais, foram praticamente erradicadas no Acre.
ISTOÉ – Seringueiros ainda são vítimas do
coronelismo?
Bruzzi – Não como eram no passado, mas ainda sofrem com a
atuação de fazendeiros. Seja na pressão por ocupar
suas terras e transformar as florestas em pastagens, seja na influência
cultural que exercem desfilando em suas caminhonetes Hilux, mostrando para
os seringueiros que a pecuária é a única alternativa
que pode dar qualidade de vida.
ISTOÉ – O que vem a ser o Centro dos Trabalhadores na Amazônia?
Bruzzi – O centro tem diversas atividades, mas a principal delas é a
formação de novos líderes seringueiros, novos Chico
Mendes, porque a defesa da floresta e da população que
vive nela tem de ser uma luta constante.
ISTOÉ – Quantos novos líderes seringueiros o centro
já criou?
Bruzzi – Já formamos, no mínimo, 300 líderes
que se tornam agentes multiplicadores na defesa de nossos interesses socioeconômicos.
Atualmente podemos ser menos radicais no discurso, mas somos igualmente
determinados nas ações como foi Chico Mendes.
ISTOÉ – O centro segue uma linha econômica?
Bruzzi – Apoiamos o fortalecimento de cooperativas locais como a
Cooperfloresta e a Cootaf, que atuam diretamente na cadeia produtiva florestal
no Acre. O centro é uma organização pioneira assessorando
também as redes de produtores que trabalham com o Manejo Florestal
Comunitário.
ISTOÉ – Quais os principais obstáculos enfrentados
pelo Centro dos Trabalhadores da Amazônia?
Bruzzi – A morosidade e a baixa capacidade de ação
no comando e no controle de órgãos fundamentais como o Incra
e o Ibama, que demoram a responder às pressões sobre a terra
e sobre os recursos naturais dentro das reservas extrativistas e dos assentamentos.
Isso facilita o desmatamento, o abandono dos seringais e abre um espaço
irracional à pecuária e ao cultivo de grãos.
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Diário
Vermelho, 14 de abril de 2007
Emenda 3: centrais convocam Paralisação
Nacional para dia 23
Por Carla Santos*
Nesta quinta-feira (12),
em reunião na capital paulista, lideranças
de sete centrais sindicais, entre elas a CUT e a Força Sindical,
decidiram intensificar as mobilizações pela manutenção
do veto presidencial a Emenda 3. A principal decisão foi por um
Dia Nacional de Paralisação para 23 de abril (segunda-feira).
As sindicais querem endurecer ainda mais a pressão dos trabalhadores
contra o veto. Por outro lado, parlamentares ameaçam votá-lo
e derrubá-lo. Governo insiste em uma possível negociação
entre patrões e trabalhadores por um projeto alternativo à Emenda.

Manifestações e greves do dia 10 parou milhares
A Emenda 3, apresentada no projeto de lei
(PL) que criou a Super Receita, foi aprovada com amplo apoio de senadores
e deputados no Congresso Nacional.
Porém, ao chegar no Palácio do Planalto o presidente Lula
a vetou apedido das centrais sindicais do país. Como a emenda
foi vetada, ela voltará à pauta de votações
do Congresso que pode ratificar ou derrubar o veto presidencial.
As lideranças sindicais são unânimes em afirmar
que a derrubada do veto pelo Congresso Nacional abrirá caminho à flexibilização
dos direitos sociais, configurando um sério retrocesso para
a classe trabalhadora brasileira. Se o veto for derrubado, as empresas
poderão transformar trabalhadores registrado em pessoas jurídicas
(PJs) levando a perca de 13º salário, FGTS, seguro desemprego,
entre outros direitos.
Paralisação de 2 horas
dia 23
O desafio da reunião com as sete centrais sindicais (Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores
Brasileiros (CGTB), Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Social Democracia
Sindical (SDS), Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e a
Nova Central.) foi o de tomar medidas para ampliar a mobilização
contra o veto. Tarefa nada fácil, uma vez que na quarta-feira
da semana passada milhares de trabalhadores cruzaram os braços
em mais de 20 estados do Brasil. Somente em São Paulo, mais
de 120 mil trabalhadores foram mobilizados. Em Caxias do Sul (RS) a
cidade viu a maior manifestação dos últimos 20
anos, com mais de 10 mil pessoas marchando pela manutenção
do veto a Emenda 3.
Neste sentido, a reunião apontou para três medidas de
intensificação das mobilizações. Primeiro,
garantir maior articulação de pressão em todos
os estados junto aos parlamentares que defendem o veto.
Segundo, criar um Grupo de Trabalho (GT) para formatação
de uma proposta substitutiva ao projeto da Emenda 3. O GT será composto
por representantes das centrais sindicais, DIEESE (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos), especialistas
em fiscalização do trabalho, previdência e leis
tributárias. A primeira reunião do GT já está marcada
para o dia 19 de abril, quinta-feira.
E terceiro, convocar uma nova paralisação, desta vez
nacional e de 2 horas, envolvendo todas as centrais nos estados e todos
os ramos, para o dia 23 de abril, segunda-feira, o Dia Nacional de
Paralisação pela manutenção do veto à Emenda
3.
O vice-presidente da CUT e também membro da coordenação
nacional da Corrente Sindical Classista (CSC), Wagner Gomes, declarou
que é fundamental, “partir para uma ampla mobilização
das bases, convocar assembléias, conscientizar os trabalhadores
sobre os perigos embutidos na Emenda 3 e viabilizar as paralisações”.
Em São Paulo, os trabalhadores em transportes deverão
aderir à paralisação. Wagner apelou aos sindicalistas
da CSC para “pôr mãos às obras desde já com
o objetivo de envolver todos os sindicatos dirigidos pelos classistas
e suas respectivas bases no movimento. Temos de seguir o exemplo dos
companheiros e companheiras de Caxias do Sul (RS), que realizaram uma
manifestação histórica contra a Emenda 3 no último
dia 10.”
Governo e centrais buscam soluções
O impasse a respeito da Emenda 3 entre trabalhadores e empresários
e a difícil co-relação de forças dentro
do Congresso Nacional, levou o Governo a chamar uma nova reunião
com as centrais no dia 23. Uma primeira reunião, realizada nas
manifestações do dia 10 de abril já foi realizada,
porém, centrais e governo não chegaram a um acordo.
“
Estamos dispostos a negociar um novo projeto, mas não estamos
otimistas com esta possibilidade. A nova proposta do governo quer manter
a contratações de pessoas jurídicas (PJs), não
vamos aceitar isto em hipótese alguma”, disse Wagner.
Com o GT criado pelas centrais se renovam as esperanças de que
as entidades possam apresentar alguma proposta ao governo que o contemple.
Embora, este seja o melhor cenário para entidades e governo
as centrais não descartam uma possível votação
do veto na semana que vem, conforme ameaças de parlamentares
na grande mídia. “Se o veto for votado, vamos exigir que
a votação seja aberta, a sociedade tem direito de saber,
um a um, quem serão os traidores do povo”, disse o vice-presidente
da CUT.
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Folha
de São Paulo,
14 de abril de 2007
GOVERNO
Evento do PAC no ABC vira ato pró-Marinho
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Em pré-campanha pela Prefeitura de São Bernardo do Campo,
o ministro Luiz Marinho (Previdência) foi a grande estrela de um
evento que reuniu cerca de 500 pessoas ontem e teve as presenças
do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), e da ministra
Dilma Rousseff. O tema do seminário, patrocinado pelo governo
e pela Petrobras, era o impacto do PAC na região. A organização
ficou a cargo do jornal "ABCD Maior", que tem o jornalista
Celso Horta, ex-assessor de Marinho, como diretor.
"O assunto [PAC] é importante, mas houve, infelizmente,
uma tendência partidária na composição do
evento", disse o prefeito tucano Kiko Teixeira, de Rio Grande da
Serra. Nas rodinhas de bate-papo, o deputado Vicentinho (PT) não
escondia as pretensões eleitorais do ministro: "O Marinho é a
nossa grande esperança de vencer", afirmou. Questionado sobre
isso, Marinho foi breve: "Não sei, vocês têm
de perguntar aos presidentes dos diretórios do PT na região".
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Folha
de São Paulo,
14 de abril de 2007
PARANÁ
Vereador perde o mandato por trocar de sigla
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
O
vereador Osdival Gomes da Costa, 64, de Guarapuava (PR), que trocou
o PMDB pelo PP, perdeu ontem o mandato por infidelidade partidária.
Com base na decisão do TSE de que o mandato pertence ao partido,
e não ao eleito, o presidente da Câmara Municipal, Admir
Strechar (PMDB), 38, atendeu a um pedido do seu partido e, por ato administrativo,
cassou o mandato de Costa. Segundo o filho do vereador, ele estudar recorrer.
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Folha
de São Paulo,
14 de abril de 2007
Lula evita ser "pai" do fim da reeleição
Após conversa com presidente, líderes governistas afirmam
que debate não é do Executivo e deve ser feito via reforma
política
| Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB) diz que
presidente não quer parecer "patrocinador" de uma emenda
constitucional DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a líderes
governistas que é a favor do fim da reeleição, mas
pretende transferir ao Congresso a paternidade da proposta, temendo comparações
com o colega venezuelano Hugo Chávez. Ontem, após reunião
com o presidente, líderes deixaram o Palácio do Planalto
admitindo a inclusão do fim da reeleição na reforma
política. Estavam na reunião os líderes do governo
no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
e na Câmara, José Múcio (PTB-PE).
Segundo Jucá, o presidente "não quer parecer patrocinador" de
uma emenda constitucional para acabar com a reeleição,
apesar de, "historicamente", já ter se manifestado contra.
A Folha publicou reportagem ontem sobre as articulações
em curso entre governistas e dirigentes do PSDB para votação
de uma emenda.
"Essa questão da reeleição não está na
pauta do presidente", disse Jucá. "Na hora que bota
a mão patrocinando, parece que está fazendo em proveito
próprio.Tem que ser por aqui [pelo Congresso]", justificou,acrescentando: "Se
o governo entra num negócio desse, e já tem gente dizendo
que ele está fazendo isso para se candidatar de novo, cria um
tumulto que não interessa". Segundo ele, o fim da reeleição,
com mandato de cinco anos, não vigoraria a partir de 2010, para
não parecer casuísmo.
A exemplo de Lula, o governador de São Paulo, José Serra,
evita figurar como padrinho da proposta. "Diretamente, não
tive nenhuma conversação com ninguém do governo
federal a esse respeito. Nem do PT. Eu tenho uma posição
antiga de que, inclusive, não houvesse reeleição
no Brasil. Mas, eu não participei de nenhuma tratativa",
disse Serra, que foi sondado sobre o tema, segundo a Folha apurou. O
líder da minoria na Câmara, Júlio Redecker (PSDB-RS),
vai defender a emenda pelo fim da reeleição na próxima
reunião de líderes.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, levará ao conselho
político de Lula, dia 23, a proposta de reforma política
que inclui o fim da reeleição. O presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que apoia o fim da reeleição. "Isso
exigiria uma emenda à Constituição. Pode ser que
durante a discussão da reforma política o tema apareça." O
tema divide o Congresso. Líder do DEM, ex-PFL, Onyx Lorenzoni
(RS) disse que o partido ainda não tem posição.
Ele tem simpatia pela idéia, desde que não seja aplicada
em 2010. Já José Múcio vê com ressalvas o
fim da reeleição. "Você não pode proibir
o uso da faca porque a faca matou alguém."
O deputado Luciano Castro (RR), líder do PR, aprova o fim da
reeleição a partir de 2014 e com unificação
de pleitos. De fato, a mudança exigiria uma delicada engenharia
para compatibilização de mandatos e eleições.
As fórmulas são diversas. Jucá defende que todas
as eleições de Legislativo sejam num mesmo ano e as de
Executivo, em outro. Nesse caso, os governantes teriam cinco anos de
mandato. Deputados e vereadores, quatro. Só assim seria possível
driblar um problema no Senado, onde os mandatos são de oito anos.
|
Folha
de São Paulo,
14 de abril de 2007
Fim da reeleição é idéia
para acomodar interesses, diz FHC
Ex-presidente defende que eleitor tem direito
de escolher se governante continua no cargo
| Sobre intenção do governo de conversar com líderes
da oposição, tucano afirma que o presidente não
quer um diálogo, mas "tirar proveito"
DA SUCURSAL DO RIO
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
(PSDB) classificou a negociação
para dar fim à reeleição como uma proposta para "acomodar
interesses". FHC conseguiu aprovar a emenda 16, que permitiu a reeleição
para presidente durante o seu governo, em 1997. "O Brasil tem mania
de mudar toda hora tudo. Nós mal introduzimos a reeleição.
(...) Não sou favorável a mudanças institucionais
a cada instante. O país não é um laboratório
experimental", disse. Segundo FHC, o povo precisa ter o direito
de escolher se prefere que um governante continue no cargo.
O ex-vice-presidente Marco Maciel também manifestou a mesma opinião: "Ainda é muito
cedo para fazer uma avaliação definitiva e cogitar alterações
no instituto da reeleição". FHC já defendia
a reeleição antes mesmo de ser eleito, em 1994. No início
de seu mandato, porém, dizia que não pensava no assunto: "Estou
fora". É só a partir de 1996 que ele passa a apoiar
abertamente a reeleição. A proposta em discussão
ampliaria o período de mandato no Executivo de quatro para cinco
anos. FHC disse não estar convencido de que cinco anos sejam suficientes
para que um governante consiga fazer uma gestão inovadora. Em
compensação, afirma que caso a gestão não
obtenha êxito, o prazo pode se tornar longo demais.
"Por que nós vamos agora inventar a roda quadrada e mudar
o sistema outra vez? No fundo isso é para acomodar interesses.
Mais gente poderá ser candidata, com mais chances de se tornar
presidente", disse. FHC fez a palestra de encerramento do seminário "A
reinvenção do futuro das grandes metrópoles e a
nova agenda de desenvolvimento econômico e social da América
Latina", na sede da Associação Comercial do Rio de
Janeiro.
Aproximação
Sobre a intenção do governo de conversar com líderes
da oposição, ele disse: "Como é que vamos dialogar,
se o presidente todo dia me ataca à toa, sem mais nem menos? Então
ele não quer diálogo nenhum, quer é tirar proveito",
disse. Ele afirmou não ser contrário à conversa,
mas que ela precisa de uma base definida. Segundo o ex-presidente, os
partidos de oposição precisam discutir com os da base governista
no Congresso. Fora desse cenário, ele disse que a proposta "tem
cheiro de cooptação, de chamar para amortecer".
O ex-presidente classificou o PAC (Programa
de Aceleração
do Crescimento) como uma "carta de intenções". "É um
conjunto de projetos que já estavam por lá. Infelizmente,
o governo Lula descontinuou os eixos de desenvolvimento e as formas de
gestão que tínhamos montado para dar prioridade a esses
projetos", disse.
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Folha
de São Paulo,
16 de abril de 2007
Tucanos não aceitam articular fim da reeleição
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Um jogo de empurra entre
tucanos e governistas ameaça deixar
sem patrocínio a emenda que põe fim à reeleição
no país. Sob críticas e a acusação de casuísmo,
tucanos não aceitam a proposta do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva para que assumam a paternidade da emenda. Segundo a Folha
apurou, Lula afirma que só encamparia a idéia com o aval
dos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas,
Aécio Neves. Assumidamente contrário à reeleição,
Serra já disse que não vai liderar a articulação,
sob argumento de que tem de se dedicar ao governo.
Procurado pela Folha, Aécio -outro crítico da reeleição-
não se manifestou. Para o líder do PSDB no Senado, Arthur
Virgílio Neto (AM), Lula "se equivoca com essa fulanização". "Não
tem nada a ver com Aécio, Serra ou ele", reagiu o líder,
acrescentando: "Lula tem papel capital nisso. Sempre foi contra
a reeleição. Está na hora de colocar isso na prática".
Líder da minoria na Câmara, Júlio Redecker (PSDB-RS)
afirma que "o governo é o principal interessado".
Hoje, Aécio recebe líderes tucanos num almoço.
Na pauta, projetos de interesse de Minas. Mas o gesto é encarado
como uma demarcação de espaço. Aécio teria
até autorizado o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) para o lançamento,
em Londrina, do slogan "Aécio em 10", numa alusão
a 2010. Seria em maio. Mas "deu tanto problema que é melhor
adiar", disse Hauly.
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Folha
de São Paulo,
15 de abril de 2007
Benefício social é bomba-relógio
fiscal
Valores destinados a idosos a partir de 65 anos
e a portadores de deficiência
praticamente quadruplicaram nos últimos dez anos
| Em 2006, benefícios foram pagos a 2,477 milhões e custaram
R$ 9,718 bi ao governo; previsão é que, em 20 anos, custem
R$ 50 bi JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os benefícios assistenciais pagos a idosos a partir de 65 anos
e a portadores de deficiência praticamente quadruplicaram nos últimos
dez anos e podem se tornar a nova bomba-relógio fiscal que o governo
precisará desarmar. As últimas projeções
do Ministério da Previdência Social indicam que em 20 anos
o número de beneficiários continuará crescendo a
passos largos e, ao final de duas décadas, consumirá quase
R$ 50 bilhões por ano.
No ano passado, os benefícios da Loas (Lei Orgânica da
Assistência Social), também conhecidos por BPCs (Benefícios
de Prestação Continuada), foram pagos a 2,477 milhões
de brasileiros e custaram aos cofres públicos R$ 9,718 bilhões
-mais do que o principal programa social do governo, o Bolsa Família.
Somente nos dois primeiros meses deste ano o estoque de benefícios
já incorporou mais 23 mil pessoas.
No final de 1997, o total de atendidos
pela Loas não chegava
a 650 mil idosos e portadores de deficiência, e o gasto era inferior
a R$ 800 milhões por ano. "Há realmente um crescimento
do estoque de benefícios. Há sempre a entrada de pessoas
e a saída não ocorre na mesma proporção.
A expectativa de vida do brasileiro aumentou. Por isso, é natural
que o número seja crescente", afirma a diretora do Departamento
de Benefícios Assistenciais do Ministério de Desenvolvimento
Social, Maria José de Freitas.
A avaliação do ministério é que a taxa de
concessão não está crescendo. A previsão é que
o número de benefícios cresça 6% em 2007. Nos últimos
três anos, porém, o governo assistiu a um boom de concessões
devido à criação do Estatuto do Idoso. Com a nova
lei, em vigor em 2004, houve redução na idade exigida para
recebimento do benefício -de 67 para 65 anos. No primeiro ano
da vigência do estatuto, o volume de BPCs cresceu 21%. Em 2005,
a taxa de crescimento foi menor (de 10%) e, no ano passado, menor ainda
(8%).
Técnicos da Previdência explicam que o efeito do estatuto
já foi totalmente absorvido e atribuem o contínuo crescimento
do estoque a dois outros fatores: o crescimento vegetativo da folha e
a política de reajustes para o mínimo. Um dos requisitos
para o acesso ao BPC é a renda per capita familiar mensal ser
de até um quarto do mínimo (hoje, R$ 95). Com os aumentos
reais para o mínimo, há uma ampliação no
número de famílias cujos idosos se enquadram na regra.
Bomba-relógio
Especialistas ouvidos pela Folha alertam,
porém, que a tendência
de aumento do estoque dos benefícios deve se acelerar nos próximos
anos e chegam a considerar subestimadas as projeções da
Previdência para o médio prazo. Uma das explicações é o
envelhecimento da população, aumentando o universo de elegíveis
ao BPC. "A população está envelhecendo e acredito
que as estatísticas estejam subestimadas. O sistema assistencial
e o contributivo [Previdência] precisam ser consistentes",
afirma o especialista da OIT (Organização Internacional
do Trabalho) e ex-secretário de Previdência Social Vinícius
Pinheiro.
Segundo o economista José Márcio Camargo, a bomba-relógio
do ponto de vista fiscal está sendo armada porque, além
de a população brasileira estar envelhecendo, o governo
vem reajustando o valor dos benefícios acima da inflação.
Camargo diz que a atual regra do BPC estimula a informalidade, deixando
mais gente de fora da Previdência. Um estudo de sua co-autoria
traz evidências de que, desde a criação da Loas,
houve redução na entrada de jovens de pouca qualificação
no mercado de trabalho.
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Folha
de São Paulo,
15 de abril de 2007
Cuidados evitam que a declaração do IR caia na malha fina
e adota parâmetros para apanhar os que estão sonegando
Contribuinte deve ficar atento, pois a Receita
cruza dados
| Fontes de renda, despesas médicas, dependentes e aumento de patrimônio
injustificado são dados a que o leão presta atenção MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Malha fina. Essas duas palavras costumam
tirar o sono de milhares de contribuintes a cada ano. São aqueles cujas declarações
do Imposto de Renda ficam retidas pela Receita Federal para uma verificação
mais detalhada -por algum erro ou por suspeita de sonegação.
O contribuinte que comete algum erro, ainda que involuntário,
ou aquele que pretende enganar o leão do IR precisa ter em mente
o seguinte: a malha fina não é um sistema aleatório,
do tipo "a cada dez declarações processadas uma fica
retida".
A Receita Federal não trabalha dessa forma. Ela usa dois sistemas
básicos: cruzamento de informações e parâmetros.
No primeiro caso, a Receita cruza as diversas informações
existentes em seus cadastros com as de outros órgãos. Um
exemplo: verificar se um mesmo CPF tem rendimento pago por uma empresa
e pelo INSS.
Os parâmetros são "bases" que a Receita usa a
cada ano, no processamento das declarações, com o objetivo
de apanhar os "espertinhos" que têm a intenção
de sonegar -seja pagando menos ou restituindo mais. As "bases" desses
parâmetros são decididas somente depois que as declarações
são entregues. Assim, eles serão usados a partir do momento
que começa o processamento das declarações. Detalhe:
a Receita não divulga quais são esses parâmetros
-para não dar chance aos "espertos"- e alguns deles
são mudados a cada ano.
Um parâmetro pode recair sobre os gastos médicos. É provável
que a Receita defina que toda declaração de um contribuinte
com mulher e filho fique retida se as despesas médicas superarem
R$ 15 mil, por exemplo. Ou então, se forem maiores do que 10%
da renda anual (em geral, esses gastos ficam abaixo desses limites).
Outro parâmetro podem ser os dependentes. Nesse caso, a "base" para
reter a declaração pode ser, por exemplo, o número:
cinco, seis ou mais dependentes. É que, na maioria dos casos,
os contribuintes têm dois ou três dependentes.
Não omitir renda
Para evitar que a sua declaração fique presa na malha
fina, o contribuinte deve adotar alguns cuidados na hora de prestar contas
ao fisco. O primeiro deles é não omitir nenhuma fonte de
renda (no caso de ter mais de uma, como salário e aposentadoria). É que,
nesse caso, a Receita descobre o "golpe" ao cruzar os dados
recebidos das fontes pagadoras. O cruzamento é simples, pois é feito
através do número do CPF do contribuinte. Deixar de informar
uma fonte pagadora é malha fina na certa.
Omitir renda dos dependentes também deixa a declaração
presa. Há contribuintes que adotam essa estratégia, especialmente
quando o dependente (um filho, por exemplo) ainda estuda e é jovem.
Só que, se a fonte pagadora informou o pagamento na Dirf, a Receita
cruza os dados e pega a falcatrua. Deixar de declarar renda com aluguel
também é uma estratégia muito usada por quem quer
passar a perna no leão. Mas descobrir essa fraude não é difícil,
uma vez que quem paga aluguel tem de declarar o valor, mesmo não
resultando em dedução. Com o CPF informado pelo inquilino,
fica fácil saber se o contribuinte que recebeu declarou o valor
ou não.
As despesas médicas são um dos principais focos de irregularidades
nas declarações. Motivo: é mais difícil a
fraude ser descoberta pela Receita. A dificuldade para descobri-la ocorre
porque, na maioria dos casos, os contribuintes usam diferentes artifícios.
O primeiro consiste em aumentar o valor do recibo -por exemplo, um gasto
de R$ 200 ser declarado por R$ 300. Outro é lançar uma
despesa inexistente. Nesse caso, tendo o nome e o CPF do profissional
(para isso basta ter um recibo de anos anteriores) é lançado
um valor sem que ele de fato tenha sido gasto.
Embora seja mais difícil detectar essas fraudes referentes a
gastos médicos, a Receita tem como detectá-las, através
do cruzamento da renda informada pelo profissional com o total declarado
pelos contribuintes.
Erros de digitação
Outra providência que os contribuintes devem adotar é verificar,
antes de entregar a declaração, se não cometeram
erros na digitação de números (valores, CPF e CNPJ).
Um erro fácil de ocorrer é a troca de posição
de um número no valor da renda declarada -como R$ 59.405 por R$
54.905.
Embora o programa da Receita na internet detecte erros de CPF e CNPJ,
ele não "pega" um como o citado. Assim, todo cuidado é pouco,
pois esse tipo de falha também retém a declaração
na malha fina.
As informações prestadas pelos bancos também ajudam
a Receita a detectar sonegação. Os informes das aplicações
financeiras de cada contribuinte trazem o valor da CPMF retida. Basta
cruzar esse valor com a movimentação financeira para saber
se há ou não sonegação. Se o banco reteve
R$ 380 de CPMF de um correntista, é sinal de que ele movimentou
R$ 100 mil no ano. Se declarar renda muito menor do que isso, pode ser
indício de sonegação. A declaração
de bens também requer cuidados. Aumento de patrimônio sem
renda compatível -o chamado sinal exterior de riqueza- também
pode ser um indício de sonegação.
|
Folha
de São Paulo,
16 de abril de 2007
Expectativa do mercado é nova redução
da taxa Selic
Inflação norte-americana será divulgada
amanhã
DA REPORTAGEM LOCAL
O mercado doméstico terá na reunião do Copom (Comitê de
Política Monetária) o principal evento desta semana. Nos
Estados Unidos, a divulgação do CPI (índice de preços
ao consumidor americano) amanhã vai ser o mais relevante evento
a ser acompanhado pelo mercado financeiro. Entre amanhã e quarta-feira,
o Copom vai decidir como fica a taxa básica de juros da economia
brasileira, a Selic, que está em 12,75% anuais.
A esmagadora maioria
de investidores e analistas espera que a taxa seja reduzida em 0,25
ponto percentual, para 12,50%.
O cenário externo
ainda incerto -especialmente devido à economia americana- não
daria espaços para que o Copom fosse mais ousado neste momento.
Uma parada técnica -ou seja, a manutenção da Selic
no atual patamar- também tem sido descartada pelo mercado nesse
momento.
Para o Departamento de
Economia do Santander Banespa essa reunião
do Copom "será realizada sob forte consenso de que a Selic
sofrerá um corte de 0,25 ponto". "Dificilmente o resultado
será diferente, mas o mercado buscará na nota divulgada
após a reunião e na ata motivos para acreditar que o Banco
Central venha, em algum momento do ano, a cortar a taxa em 0,50 ponto
percentual."
A Selic serve de referência para as outras taxas praticadas no
mercado. Em períodos de alta da Selic, os juros cobrados em diferentes
modalidades de crédito tendem a subir. Em momentos de redução
da taxa básica, os outros juros tendem a recuar. Na semana passada,
as taxas futuras dos contratos DI (Depósito Interfinanceiro) negociados
na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) recuaram moderadamente.
De segunda para sexta,
a taxa do DI de prazo de vencimento mais curto, que espelha as projeções para a reunião do Copom,
recuou de 12,52% para 12,46% -o que indica expectativa de redução
de 0,25 ponto na Selic. A saída do diretor de Política
Monetária do BC, Rodrigo Azevedo, na semana passada aumentou as
expectativas do mercado em relação aos juros poderem recuar
de forma mais forte no segundo semestre do ano. Azevedo -ao lado de Afonso
Beviláqua, que deixou o BC no mês passado- era visto como
um dos mais conservadores diretores da autoridade monetária.
Maristella Ansanelli,
economista-chefe do banco Fibra, diz que o BC "deve
manter o ritmo de flexibilização da política monetária,
reduzindo a taxa Selic em 0,25 ponto". "Estimamos que a taxa
de juros encerre 2007 em 11,25%, o que implica reduções
de 0,25 pontos em todas as reuniões do Copom daqui até o
final do ano", diz a economista. Segundo o último boletim
Focus, feito a partir de pesquisa do BC com cem bancos, a Selic deve
encerrar o ano em 11,50%.
Inflação
Nos Estados Unidos será conhecido amanhã um importante
indicador, que é o CPI do mês de março. O mercado
espera que o índice de preços ao consumidor americano fique
em torno de 0,6%. Em fevereiro, esse índice de preços marcou
alta de 0,4%. Para o núcleo do índice, que exclui as variações
de preços de energia e alimentos, a expectativa é que demonstre
uma alta de 0,2%. Amanhã também serão conhecidos
dados do mercado imobiliário americano, levantados pelo MBA (Associação
de Bancos de Hipoteca dos EUA, na sigla em inglês).
|
AGÊNCIA
BRASIL, 14 de abril de 2007
Representante de aposentados considera “desrespeito” reajuste
de 3,30% no benefício
Clara Mousinho
Da Agência Brasil
Brasília - O representante da Confederação Brasileira
de Aposentados e Pensionistas (Cobap) no Conselho Nacional Dos Direitos
do Idosos (CNDI), Emídio Rebelo Filho, disse hoje (13), em entrevista à Agência
Brasil, que o reajuste de 3,30% nas aposentadorias e pensões superiores
a um salário mínimo é um “desrespeito” com
os aposentados.
Desde o dia 1º de abril os aposentados e pensionistas que recebem
um salário mínimo tiveram aumento de 8,57% em seus benefícios.
Segundo Rebelo Filho, a Cobap luta pelo mesmo reajuste para os demais
benefícios.
“Consideramos que isso é uma desigualdade e até um
desrespeito com os aposentados, poque os dividem em duas categorias.
Uma que ganha o salário mínimo e recebe o percentual acima
e o aposentado que ganha acima do salário mínimo recebe
um índice menor”, explicou.
Segundo ele, mais de 12 milhões de aposentados, que contribuíram
para a Previdência Social, estão marginalizados com essa
situação. O representante disse também que desde
1995 há uma defasagem de 80% na comparação dos reajustes
do salário mínimo com os das aposentadorias. Rebelo Filho
disse também que não acredita que a equiparação
vá quebrar a Previdência Social.
Ele aftrmou que o déficit vem do desvio autorizado por lei de
recursos da Previdência para pagamentos de compromissos do governo
federal, com o por exemplo o chamado superávit primário
- a economia que o governo faz para pagar juros da dívida externa. “Assim
os aposentados que construíram a Previdência estão
sendo penalizados de uma forma indigna”.
O representante da Cobap também afirmou que o reajuste de 3,30%
não melhora o poder de compra dos aposentados e pensionistas.
Desde 1994, o reajuste dos benefícios da Previdência superiores
a um salário é desvinculado do aumento do salário
mínimo.
O aumento de aposentadorias e pensões tem por base a inflação
oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA). A Cobap quer a aprovação no Congresso do Projeto
de Lei 58, de 2003, que reunifica os aumentos. Rebelo Filho participa
da reunião do CNDI, que começou na quarta-feira (11) para
discutir diversos assuntos de interesse dos idosos, como recursos para
políticas públicas, assistência social, saúde
e lazer.
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REVISTA ÂMBITO JURÍDICO,
14 de abril de 2007
Consolidação é remédio
para uns e problema para outros
Uma
forma de dar maior racionalidade ao conjunto de normas federais,
estaduais e municipais é a sua consolidação. Mas
essa tarefa está longe de ser pacífica: a legitimidade
dos órgãos encarregados do trabalho muitas vezes é questionada,
apesar de a própria Constituição de 1988 prever
essa consolidação. Mas há experiências bem-sucedidas
em estados, como São Paulo, e em países como Grã-Bretanha,
Bélgica, França, Grécia, Espanha e Alemanha.
As tentativas de organizar a legislação federal no Brasil
vêm de longe. Em 1970, já incomodado pelo estado de desordem
das leis, o então deputado Henrique Turner (SP) apresentou projeto
de lei para alterar o "processo legislativo, as normas para numeração,
alteração, redação e controle das leis".
Mas ficou por aí.
Mais recentemente, o princípio da Constituição
de 1988 foi detalhado pela primeira vez na Lei Complementar 95, de 1998,
e, em seguida, a Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil
iniciou um processo de "consolidação das normas com
objeto idêntico, análogo ou conexo, a fim de eliminar eventuais
divergências, colisões ou repetições, e, assim,
conferir unidade, simplicidade e coerência ao corpo legislativo
federal". Mais tarde, o Congresso aprovou a Lei Complementar 107/01,
que prevê a codificação e a consolidação
da legislação federal, reunindo leis sobre uma mesma área.
Enquanto o Executivo e os adeptos da tese
de que se trata de um trabalho técnico defendem que os parlamentares possam apresentar apenas
emendas de redação, o Congresso reagiu à limitação
de sua prerrogativa de legislar.
Para o juiz Rodrigo Collaço, é preciso enfrentar e realizar
a "limpeza de leis" já revogadas para que haja maior
clareza e precisão nos textos em vigor. Esse trabalho de consolidação
das leis é, na sua opinião, mais administrativo e técnico
que político.
Até lei sobre processo legislativo é polêmica
A constitucionalidade da Lei 95/98, por
exemplo, é questionada
pelo professor Menelick de Carvalho Netto, da UFMG, sempre zeloso com
a legitimidade do processo político que dá origem às
leis, principalmente as que determinam as bases de uma nação,
como a própria Constituição.
– Tenho sérias dúvidas quanto à constitucionalidade
da própria lei complementar sobre o papel do processo legislativo.
Todo conteúdo é político – afirmou.
Outra dúvida é como identificar a legislação
federal que se limita a esse nível de governo e a que tem impacto
nos estados e municípios, o que influenciaria a consolidação
das leis dos entes federados. Até que uma metodologia seja definida,
o trabalho continua na longa fila das prioridades nacionais.
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REVISTA ÂMBITO JURÍDICO,
14 de abril de 2007
Especialistas condenam “cultura
reformista”
As sucessivas iniciativas
dos governos eleitos de propor reformas legais são criticadas tanto por parlamentares quanto por especialistas.
Além de aumentar a quantidade de leis, as grandes reformas, ao
buscarem resolver os problemas tidos como prioritários pelos governantes,
afetam a própria organização institucional da sociedade.
Em análise feita em 2003, Geraldo Mesquita Júnior encontrou
entre as razões da baixa popularidade do Legislativo a grande
quantidade, a má qualidade e a falta de serventia da maioria das
leis aprovadas. Ele considerou ainda que o quadro legal é confuso
e facilita inclusive a corrupção no país, já que
muitas leis são feitas, mas não serão cumpridas.
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros
(AMB), juiz Rodrigo Collaço, pondera que, apesar de gozarem de
simpatia junto à mídia e aos brasileiros de modo geral,
as reformas não permitem que haja estabilidade das instituições
e da legislação. Para ele, é preciso deixar que
as relações sociais e as leis amadureçam para que
sejam mais bem conhecidas pela população e pelos operadores
do Direito.
Para o consultor legislativo do Senado
Gilberto Guerzoni, o Congresso é influenciado
por uma visão da política pela qual o Legislativo só trabalha
quando está reunido produzindo leis – produtividade medida
pelo número de atos legais editados e de reuniões realizadas.
Guerzoni também identifica que os incentivos por reformas têm
por base a premissa de que a mudança legislativa é capaz
de levar à mudança social. Dessa forma, senadores e deputados
são instados a permanecer em reunião quase permanente,
o que exigia seguidas convocações extraordinárias
e, recentemente, até a diminuição do recesso parlamentar.
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Antônio
de Pádua Ribeiro lembra que os interesses do momento trabalham
pela alteração das regras do jogo. Os sucessivos planos
econômicos e mudanças na Previdência, citou, provocaram
e provocam graves conflitos legais, abarrotando de ações
os tribunais.
|
CONSULTOR
JURÍDICO,
15 de abril de 2007
Direitos da mão-de-obra
Empresa responde por direitos de empregado terceirizado
Empresa que terceiriza serviços também responde por ação
trabalhista de funcionários terceirizados. O entendimento foi
reafirmado pela 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. A Turma
confirmou decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo), que reconheceu a responsabilidade subsidiária
de uma empresa que terceirizava serviços de limpeza e manutenção.
A ação trabalhista foi movida por uma ex-empregada contra
as empresas Mavec Comércio e Manutenção de Obras
e Ultrafértil, ambas de São Paulo. De acordo com os autos,
a ex-empregada foi contratada pela Mavec como ajudante de limpeza, deixou
de receber dois meses de salário, além de horas extras,
férias, 13º salário, aviso prévio e outras
verbas indenizatórias. Por isso, ajuizou ação contra
seu ex-empregador, já em processo de falência, e a Ultrafértil,
empresa onde ela prestava serviços.
A Ultrafértil contestou a reclamação, alegando
ser parte ilegítima. A 4ª Vara do Trabalho de Cubatão
(SP) acolheu o pedido. A trabalhadora recorreu. O TRT paulista condenou
a Mavec e, subsidiariamente, a Ultrafértil ao pagamento das verbas
rescisórias.
As duas partes apelaram ao TST. O relator
do processo, ministro Barros Levenhagen, refutou a tese de inexistência de responsabilidade
subsidiária levantada pela Ultrafértil. O relator citou
o fundamento do TRT de origem, que concluiu se tratar de simples terceirização
de mão de obra, enquadrando-se o caso do Enunciado 331 do TST.
De acordo com o texto, “sendo a segunda reclamada, tomadora e beneficiária
dos serviços da reclamante, subsidiariamente responsável
pelos termos da condenação”.
RR 271/2001-254-02-00.1
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
16 de abril de 2007
Mesmo com justa causa, empresa não pode demitir durante auxílio-doença
Não é possível despedir empregado por justa causa
no curso de benefício auxílio-doença. A decisão é da
3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho que reintegrou um ex-funcionário
do Banco do Brasil, demitido com acusações de fraude e
apropriação indébita.
De acordo com o TST, a decisão mantém entendimento do
Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS). O escriturário,
admitido em 2000, foi licenciado pelo INSS por apresentar sintomas de
uma doença identificada como “neurose de caráter”.
Em julho de 2005, quando ainda recebia auxílio-doença,
foi demitido, por justa causa, acusado de fraude e apropriação
indébita de valores pertencentes a um cliente do banco.
Em 26 de agosto de 2005 o empregado ajuizou
reclamação
trabalhista pleiteando a anulação do ato de demissão
e a imediata reintegração, por ter sido demitido enquanto
se encontrava em licença médica.
O Banco do Brasil alegou que o funcionário foi demitido após
minuciosa apuração de fatos delituosos em inquérito
administrativo especialmente aberto para apuração de falta
grave. O resultado apontou a prática de furto de talonário
de cheques, falsificação de assinaturas e apropriação
indébita de R$ 76.498 da conta-corrente de um dos clientes.
Na documentação juntada aos autos pelo empregador, consta
uma confissão feita pelo empregado, de próprio punho, em
que descreve seu desvio de caráter. “Desde a infância
tenho esse tipo de problema de roubar qualquer coisa que me chame a atenção.
Quando criança, roubava dos meus parentes. No mercado, ficava
com o troco das compras que fazia”, disse.
Segundo a defesa apresentada pelo empregador, “o banco já foi
severamente prejudicado pela conduta do empregado, tanto em sua imagem
perante seus clientes quanto em não ter conseguido até o
momento o retorno integral dos valores desviados, sendo portanto, profundamente
temerária a reintegração pretendida”.
No recurso do banco ao TRT, o entendimento
foi o de que “somente
a falta grave praticada durante o período de suspensão
do contrato autoriza a dispensa motivada, e, no caso, a falta cuja prática é atribuída
ao autor é anterior à concessão do benefício”.
O banco recorreu ao TST insistindo na tese
de que, mesmo suspenso o contrato de trabalho, o empregado pode ser
dispensado por justa causa.
A 3ª Turma negou provimento ao agravo, seguindo voto do relator,
juiz convocado Ricardo Machado, porque não foi comprovada divergência
jurisprudencial que amparasse o recurso, nem violação de
lei ou da Constituição Federal.
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho
16/04/2007
Farmácia terá que pagar multa por não
empregar menor aprendiz
A vedação ao exercício da profissão de
vendedor de produtos farmacêuticos a menor de 18 anos, prevista
no artigo 3º da Lei nº 6.224/75, não impede a contratação
de menor aprendiz para trabalhar em farmácia. A decisão
foi proferida pela unanimidade dos ministros da Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, no julgamento de ação movida pela
rede de drogarias Araújo S/A.
A rede de farmácias impetrou mandado de segurança, com
pedido de liminar, contra ato do delegado regional do Trabalho em Belo
Horizonte (MG) que, por duas vezes multou os 38 estabelecimentos pertencentes à rede
por descumprimento do artigo 429 (caput), da CLT. O artigo regula a
contratação de menores aprendizes no comércio,
determinando que “os estabelecimentos de qualquer natureza são
obrigados a empregar e matricular nos cursos dos Serviços Nacionais
de Aprendizagem número de aprendizes equivalente a cinco por
cento, no mínimo, e quinze por cento, no máximo, dos
trabalhadores existentes em cada estabelecimento, cujas funções
demandem formação profissional”.
Segundo contou o dono da rede farmacêutica, suas lojas foram
multadas em dezembro de 2004 e maio de 2005 por não cumprir
o número mínimo de contratações de aprendizes
exigido pela lei. Disse que seus estabelecimentos não têm
condições de receber os aprendizes pois não dispõem
de instrutores para acompanhar os menores na área de vendas.
Alegou, ainda, em sua defesa, que sendo a atividade-fim da empresa
a venda de medicamentos, “é temerário que o processo
de aprendizagem se desenvolva nesse setor de comércio, cujo
equívoco poderá acarretar prejuízos à saúde
e à vida dos consumidores”.
Defendeu-se, ainda, o comerciante, destacando
que o Estatuto da Criança
e do Adolescente veda o trabalho penoso aos menores de idade e que,
no caso das farmácias, o vendedor permanece todo o tempo de
pé, agachando-se e levantando-se constantemente, a fim de buscar
mercadorias requisitadas pelos clientes. “Vê-se, pois,
que é impossível, se não ilegal, a aprendizagem
nessas condições”. Por fim, alegou que a Lei n° 6.224/75,
artigo 3°, veda o exercício de propagandista e vendedor
de produtos farmacêuticos ao menor de 18 anos.
Indeferido o pedido de liminar, a 18ª Vara do Trabalho de Belo
Horizonte negou a segurança requerida sob o fundamento de que
a autoridade tida como coatora (delegado regional do Trabalho) agiu
dentro dos limites da legalidade e com legitimidade, tendo em vista
cumprir seu poder de polícia em defesa dos interesses da coletividade.
A empresa interpôs recurso ordinário, insistindo na concessão
da segurança para impedir novas autuações até decisão
final dos processos administrativos em andamento. Novamente a decisão
foi desfavorável à rede farmacêutica. O acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais)
entendeu não haver direito líquido e certo a amparar
a segurança requerida, no intuito de impedir fiscalizações
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) enquanto pendentes
recursos administrativos.
Diante da decisão desfavorável, a Drogaria Araújo
recorreu ao TST. O juiz convocado Ricardo Machado, relator do processo,
negou provimento ao agravo de instrumento interposto. Sobre o pedido
de impedimento de novas autuações, o relator disse que
não há litispendência entre autuações
administrativas porque não se trata de processo judicial, estando
correta a decisão do TRT/MG que negou a pretensão.
Quanto à contratação de menor aprendiz em estabelecimentos
farmacêuticos, o juiz Ricardo Machado destacou que a Classificação
Brasileira de Ocupações, elaborada pelo MTE, define as
funções que demandem formação profissional
e, dentre elas, encontram-se as de atendente de farmácia (balconista);
auxiliar de farmácia de manipulação; auxiliar
técnico em laboratório de farmácia; técnico
em farmácia e técnico em laboratório de farmácia,
podendo os menores serem enquadrados em qualquer uma dessas funções.
Sobre a vedação ao exercício da profissão
de vendedor de produtos farmacêuticos a menor de 18 anos, o juiz
explicou que esta não impede a contratação de
menor aprendiz para trabalhar em farmácia, porque suas atividades
deverão ser executadas de forma compatível com o seu
desenvolvimento físico, moral e psicológico. (AIRR-1086/2005-018-03-40.7).
(Cláudia Valente)

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