 |
FETRACONSPAR, 20 de abril
de 2007
Criado Comitê de Combate a Informalidade
em Umuarama 
Dirigentes dos sindicatos da região noroeste e demais membro do
Comitê.
Foi criado na manhã de hoje (20), em Umuarama, na sede da prefeitura,
o Comitê de Combate a Informalidade, contando com a presença
de diretores da FETRACONSPAR (Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
do Estado do Paraná) e do presidente do SINTRICOMU (Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e
do Mobiliário de Umuarama), Sr Marcos Antonio Beraldo.
Este comitê veio para combater a informalidade no mercado de trabalho
da construção civil, visando o cumprimento da legislação
trabalhista e previdenciária, as condições de segurança
no ambiente de trabalho, de modo a incrementar o aumento da produtividade
e qualidade no setor da construção civil de Umuarama e
região.
No canteiro de obras, os membros do Comitê Diretor (Fetraconspar,
Crea-PR e Sinduscon-PR) fazem o levantamento das condições
básicas de segurança, seguindo o check-list estabelecido
pela Norma Regulamentadora 18 e observam itens da legislação
trabalhista, como o registro em carteira do pessoal da obra.
As empresas ou donos das obras são orientados a corrigir possíveis
falhas existentes no cumprimento das normas de segurança, bem
como a proceder o registro de todos os empregados. Os relatórios
das visitas são apresentados nas reuniões mensais do Comitê Diretor,
que analisa as providências tomadas pelas empresas, especialmente
o registro de seus empregados.
O Comitê de Combate à Informalidade não adota medidas
punitivas contra as empresas ou donos das obras, mas sim orientativas,
sendo que aqueles que não cumprem a legislação de
segurança, trabalhista e previdenciária, são denunciados
aos órgãos competentes e ficarão sujeitos a punições
que envolvem desde a imposição de multas, cobrança
de contribuições sociais até o embargo da obra.
A contratação de trabalhador sem registro em carteira é crime
previsto pela Lei 9.983/2000.
Informações:
Sintricomu – (44) 3622-2239
Marcos Antonio Beraldo
Sinduscon-Nor/PR – (44)
3224-4230
Rosângela Pereira Coutinho
|
19/04/2007 | Economia
Arranjo Produtivo Local
Sudoeste se destaca na produção de móveis
O APL (Arranjo Produtivo Local) de Móveis do Sudoeste, criado recentemente,
começa a colher resultados. No início de março uma
caravana de empresários visitou a Feira de Móveis do Paraná (Movelpar
2007), em Arapongas. Neste mês de abril, a Rede de Tecnologia do
Paraná (Retec), do Sistema Federação das Indústrias
do Estado do Paraná (Fiep), realiza a Clínica Tecnológica
de Móveis do Sudoeste.
“Percebemos que os empresários tinham problemas em comum,
e que o sindicato, sozinho, não teria força para solucionar.
Foi aí que tivemos a idéia de realizar uma clínica
com foco em planejamento e controle de produção e técnicas
de pintura UV (processo para pintar aglomerado com tinta líquida
UV)”, afirma o coordenador do APL, Edgar Behne.
O APL de móveis do Sudoeste engloba oito municípios da
região, como Francisco Beltrão, Ampere e Pato Branco. É composto
por 30 empresas que produzem móveis em série para o mercado
interno e geram 2400 empregos. “Queremos ampliar as empresas envolvidas,
pois existem mais de 270 empresas na região”, afirma Behne.
O Sistema Federação das Indústrias do Estado do
Paraná, por meio do Senai, do IEL e do Sesi – apóia
o APL colocando sua estrutura e equipe a serviço do desenvolvimento
dos Arranjos. “As ações incluem mobilização
do setor industrial, oferta de serviços, consultorias e programas
de desenvolvimento tecnológico e coordenação de
planejamento estratégico, além de participação
na governança dos APLs”, afirma a coordenadora da área
de APLs do Sistema Fiep, Cristiane Stainsack.
De acordo com o presidente do Sindicato
das Indústrias de Madeira
de Francisco Beltrão (Sindimadmov), Ivan Simonetto, o grande crescimento
do ramo moveleiro propiciou a organização das empresas
em APL.
“Os principais benefícios para as empresas são
a compra integralizada de matéria-prima e desconto junto aos fornecedores”.
Para este ano, o APL tem como projetos criar uma central de compras,
investir em comércio exterior, melhorar a logística e distribuição
dos produtos e formar e capacitar mão-de-obra, com o apoio do
Senai.
|
JORNAL GAZETA DO POVO,
20 de abril de 2007 | Economia
Eleição da Fiep ainda tem três
chapas
Intensa disputa na Federação das Indústrias
provoca desmentidos de candidatos
O presidente da Federação das Indústrias do Estado
do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, distribuiu ontem carta
aos sindicatos filiados à federação reafirmando sua
candidatura à reeleição. “Alguns boatos têm
sido espalhados sobre possível desistência de minha candidatura à reeleição,
mediante composição com estes ou aqueles, o que, rigorosamente,
não é verdade”, diz o texto do documento. Ele afirmou
que ainda não foi procurado por outros candidatos para compor chapa única.
Três candidatos estão disputando os votos dos industriais
paranaenses, numa das campanhas mais acirradas da história da
Fiep. Um deles, o secretário de Indústria, Comércio
e Assuntos do Mercosul, Vergílio Moreira Filho, afirmou ao colunista
Reinaldo Bessa, da Gazeta do Povo, que pretende propor a Rocha Loures
que desista de tentar se reeleger. Também disse que vai procurar
o candidato Álvaro Scheffer para que componha com ele uma chapa única.
As afirmações foram feitas na terça-feira a noite,
mas ontem Vergílio voltou atrás e negou a entrevista. “Não
quero falar sobre a Fiep, não gosto de dar entrevista nem de aparecer
em jornal”, declarou.
Vice-presidente da Fiep e presidente licenciado
da Associação
Comercial do Paraná – cargo que pretendia ocupar juntamente
com a secretaria estadual, mediante alteração no estatuto
da ACP não aprovada pela diretoria –, Vergílio tem
o apoio do governador Roberto Requião e teve seu nome apresentado
pelo assessor especial do governador, Luís Mussi.
O candidato da chapa de oposição, Álvaro Scheffer,
disse que não foi procurado por Moreira Filho para desistir da
candidatura. “Eu conversei com o Vergílio esses dias, mas
não falamos sobre isso”. Scheffer e Rocha Loures, atual
presidente, concordam que este tipo de conversa é normal durante
o período pré-eleitoral, quando as chapas ainda não
estão homologadas. “É natural que se procure chegar
a uma chapa de consenso. Cada um tenta ver se se chega a um candidato
comum”, afirmou o presidente da Fiep.
“Mas o importante não é o nome do presidente, e
sim manter uma filosofia. O nosso grupo tem adotado a linha de procurar
todos os sindicatos patronais e trazer todos os setores para a federação.
Se vamos montar chapa única ou não, quem vai decidir não
sou eu, e sim o grupo todo”, afirmou Scheffer.
|
JORNAL
GAZETA DO POVO, 20 de abril de 2007 | Paraná
Acidentes crescem 10% no PR
Dados de 2006 da Delegacia Regional do Trabalho no Paraná (DRT-PR)
demonstram que houve aumento de 10% nos acidentes de trabalho e queda de
14% nas mortes nas empresas do estado. “É uma guerra surda.
Os últimos acontecimentos de Araucária (a explosão
na Imcopa), por exemplo, demonstram a fragilidade das relações
de trabalho. Por isso, é fundamental haver conscientização”,
indica o chefe do setor de Segurança do Trabalho e Saúde
da DRT-PR, Sérgio Barros. Os porcentuais foram apresentados na 1.ª Semana
Municipal de Curitiba de Segurança e Saúde do Trabalho (Sempat),
que se encerra hoje, na Câmara Municipal. Pela lei municipal, o evento
fica instituído a partir desse ano no calendário de eventos
oficiais. Em setembro, deverá ser realizada a semana estadual.
|
JORNAL
GAZETA DO POVO, 20 de abril de 2007 | Mundo
América Latina ausente da campanha
francesa
Programas de candidatos se restringem a questões
internas
Paris – A América Latina é pouco mencionada nos programas
de governo dos candidatos à Presidência da França,
que realizaram uma campanha quase que inteiramente dedicada às questões
internas do país.
“Não há nenhuma reflexão ou proposta dos
candidatos franceses sobre a América Latina. A política
exterior de maneira geral ficou de fora dessa campanha porque o estrangeiro é visto
pelos franceses como uma ameaça e os políticos evitam tocar
no assunto”, diz Jean Jacques Kourliandsky, especialista em América
Latina do Instituto Francês de Relações Internacionais
e Estratégias (IRIS).
O continente só foi citado pelos candidatos quando o tema era
os cinco anos do desaparecimento da política Ingrid Betancourt,
de nacionalidade franco-colombiana, seqüestrada pelas Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no dia 23 de
fevereiro de 2002.
No amplo programa do
favorito da eleição, o conservador
Nicolas Sarkozy, há apenas uma frase dedicada à América
Latina, na qual o candidato comemora o sucesso das recentes votações
em vários países do continente, mas faz um alerta a respeito
da “fragilidade da democracia”. “Devemos estar atentos
aos desvios autoritários e populistas, seja por parte de dirigentes
de direita ou de esquerda”, limita-se a comentar o candidato.
Sua adversária, a socialista Ségolène Royal, tem
uma imagem mais nítida da América Latina – graças,
em grande parte, à amizade com a presidente do Chile, Michele
Bachelet, com quem se reuniu em Santiago em janeiro de 2006 e uma das
figuras que “inspirou” sua campanha à Presidência
da França. “Se desejamos construir um mundo mais justo,
precisamos de uma América Latina forte e unida”, declarou
Royal ao receber embaixadores latino-americanos em Paris.
|
JORNAL
GAZETA DO POVO, 20 de abril de 2007 | Mundo
Propostas
EFE

Nicolas Sarkozy
Emprego
Contrato de trabalho único. Isenção de encargos
fiscais e sociais sobre as horas extras acrescidas às 35 horas
semanais. 5% de pessoas sem trabalho, em cinco anos.
Imigração
Criação de um ministério da “Imigração
e da Identidade Nacional”. Imigração seletiva.
Eric
Feferberg/Reuters
Ségolène
royal
Emprego
Aumento do salário mínimo mensal para 1.500 euros (cerca
de 2.000 dólares) em cinco anos. “Contrato de primeira oportunidade” para
os jovens não qualificados, auxiliados pelo Estado.
Imigração
Conceder a nacionalidade francesa para imigrantes após dez anos
de permanência no país.
Jean-Pierre Muller/AFP

François Bayrou
Emprego
Isenção tributária das horas suplementares. Possibilidade
para as empresas de criar certos empregos isentos de cargas fiscais .
Imigração
Reforçar a luta contra o trabalho clandestino.
Maya Vidon/EFE

Jean-marie Le Pen
Emprego
Supressão da semana de trabalho de 35 horas. Revisão das
normas de trabalho para favorecer a “preferência nacional”.
Imigração
Supressão do direito à terra e da dupla nacionalidade.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
20 de abril de 2007
Alíquota de 11% para a Previdência
entra em vigor
Especialista recomenda que, antes de optar
por qualquer das alíquotas,
os contribuintes avaliem as vantagens e desvantagens dos modelos
Celso Pacheco

A advogada tributarista Ana Carolina: ‘‘Com alíquota
de 11% a pessoa só se aposenta por idade’’
Os contribuintes autônomos e facultativos do sistema previdenciário
já podem optar entre as alíquotas de 11% e 20% do valor
do salário mínimo. O decreto 6042/2007, sancionado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em fevereiro, criou a
alíquota mínima de 11%, com o objetivo de incluir na
previdência pessoas de baixa renda e que trabalham na informalidade.
Segundo a advogada Ana Carolina Arnaldi,
especialista em direito previdenciário,
antes de optar por qualquer das alíquotas, os contribuintes precisam
avaliar as vantagens e desvantagens dos modelos. ''Quanto ao tempo para
se aposentar continua a mesma coisa. A principal diferença é que
quem pagar a alíquota de 11% tem direito a um benefício
de apenas um salário mínimo'', disse. As pessoas que contribuem
com alíquota de 20% podem se aposentar com um salário um
pouco maior.
Outra diferença, conforme a especialista, é que o pagamento
de 11% do salário mínimo não dá direito a
se aposentar por tempo de contribuição. ''Com alíquota
de 11% a pessoa só se aposenta por idade. Isso seria uma desvantagem'',
pontuou Ana Carolina. Ela disse, entretanto, que o contribuinte da alíquota
de 11% também tem direito aos outros benefícios sociais:
pensão, salário maternidade, auxílio doença,
aposentadoria por invalidez, por exemplo.
A advogada destacou, entretanto, que uma
pessoa que opta pela alíquota
mínima, tem direito de se aposentar por tempo de contribuição,
desde que pague o restante que ficou, os outros 9%, tudo de uma vez.
''A alíquota mínima é interessante para quem não
tem muitos recursos ou está passando por um situação
financeira complicada. Então, se a situação melhora,
ela tem a possibilidade de pagar os outros 9% e ter uma aposentadoria
maior'', comentou. A alternativa, segundo Ana Carolina, está prevista
em lei.
A advogada reiterou que a opção de se aposentar por tempo
de contribuição só é permitida para quem
pagar a alíquota de 20% do salário mínimo por mês.
Então são 35 anos para homens e 30 para mulher. E, por
idade, as regras são as mesmas: 65 anos homem e 60 mulher.
Na opinião de Ana Carolina, a criação da alíquota
mínima é uma vantagem para o governo. ''Não vai
haver um rombo na previdência como as pessoas estão pensando.
Pelo contrário, para o governo a vantagem é que aquela
pessoa que nunca contribuiu na vida porque não tinha recursos,
terá mais chances de fazer parte do sistema previdenciário'',
frisou.
Segundo a advogada, o objetivo do governo
ao aprovar o decreto foi realizar a inclusão social. Então, disse ela, é melhor que
a pessoa contribua pouco para ter direito a um benefício de um
salário mínimo, do que não contribua com nada. Ana
Carolina complementou que, atuarialmente o valor pago é suficiente
para custear a aposentadoria desse contribuinte. Pela alíquota
de 20%, o valor pago pelo contribuinte é de R$ 76, e pela de 11% é de
R$ 41,80 mensais.
Erika Zanon
|
JORNAL
FOLHA DE LONDRINA, 20 de abril de 2007
Atualmente, 18 milhões de trabalhadores não
contribuem
Brasília - O presidente do Instituto
Nacional de Seguro Social (INSS), Valdir Moisés Simão,
explicou que muitos trabalhadores ainda não contribuem para
a Previdência porque consideram
alto o valor da contribuição. ''Atualmente temos no Brasil
aproximadamente 18 milhões de trabalhadores que ganham uma remuneração
superior a um salário mínimo e não contribuem
para a Previdência Social, e são pessoas que precisam
ser inseridas no sistema de proteção oferecida pela Previdência
Social pelo valor oneroso. A partir de agora, com a alíquota
reduzida ficarão mais estimulados a contribuir e, assim, garantir
a cobertura previdenciária para a família e para si'',
disse.
Quem já teve registro em carteira, mas perdeu o emprego e agora
exerce alguma atividade por conta própria, deve manter a condição
de segurado. O trabalhador que se encontra em uma dessas situações
precisa se inscrever como contribuinte individual.
|
Agência
Diap, 20 de abril de 2007
Trabalhador contratado como pessoa
jurídica
tem rendimento diferente do celista
Para intensificar a mobilização a favor da manutenção
do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Emenda
3, da Super-Receita, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) comparou
a situação financeira de um assalariado que ganha R$ 3 mil
por mês, com carteira de trabalho assinada, com a de um trabalhador
que ganha o mesmo salário por mês, mas é contratado
como pessoa jurídica.
Os números não enganam. Enquanto um assalariado com a
carteira de trabalho assinada tem remuneração média
mensal de R$ 3.443,68, o trabalhador que é contrato sob a forma
de empresa jurídica recebe ao final de um mês o rendimento
líquido de apenas R$ 2.440,00, quando é pessoa jurídica
simples, e menos ainda, R$ 1.602,10, quando é pessoa jurídica
normal.
Ao final do mês, além de receber um salário menor,
o trabalhador que é obrigado a constituir empresa jurídica
deixa de ter direito e a receber 13º, férias remuneradas,
FGTS, vale-transporte, vale refeição, assistência
médica e aposentadoria.
Panfleto
A CUT elaborou também e vai distribuir na próxima segunda-feira,
23/04, durante o ato a favor da manutenção do veto presidencial à Emenda
3 da Super-Receita, um plafleto que explica os motivos da luta.
Segundo destaca a entidade, 370 deputados
e senadores, a serviço
dos patrões, criaram a tal Emenda 3 para roubar dos trabalhadores
o 13º, férias remuneradas, FGTS, vale-transporte, vale refeição,
assistência médica e a aposentadoria.
O presidente Lula, que não concorda com essa safadeza, vetou
a proposta no último dia 16. Pela decisão de Lula, esse
golpe contra os trabalhadores não vai acontecer.
Só que agora esses deputados e senadores ameaçam derrubar
a decisão do presidente e fazer a emenda 3 ressuscitar. Nós,
trabalhadores, sindicalizados ou não, não vamos permitir
que isso aconteça, conclama a entidade.
|
Nova Central, 20 de abril
de 2007
Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defende
não-obrigatoriedade de
flexibilização trabalhista
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, comentou o estudo do deputado federal
Nelson Marquezelli (PTB-SP), que sugere que os trabalhadores possam optar
por receber seu salário bruto e recolher o Imposto de Renda e a
contribuição previdenciária por conta própria.
A proposta seria uma opção de administrar diretamente
o recolhimento e a aplicação das contribuições.
Lupi defendeu a não-obrigatoriedade de os trabalhadores aderirem à nova
forma de contratação. Segundo ele, isso poderia incentivar
o empregador a não pagar imposto nenhum.
"Daqui a pouco, todo mundo vai para a opção, e a
opção passa a ser obrigatória. Você não
pode fazer uma opção obrigatória", afirmou
Lupi.
O ministro, no entanto, teme que a forma
como está escrito, o
projeto torne obrigatório para o trabalhador a adoção
do novo mecanismo. O ministro defende que o projeto seja discutido com
mais profundidade antes de ser colocado em votação. Pela
proposta de Marquezelli, o trabalhador deve ter a opção
de administrar diretamente o recolhimento e a aplicação
das contribuições previdenciárias e fundiárias,
inclusive as patronais.
Outro ponto apresentado no estudo é a substituição
do atual modelo de carteira profissional por cartão magnético,
que irá armazenar todos os dados do trabalhador.
|
Congresso em Foco, 20 de
abril de 2007
Eleições coincidentes
Parlamentares propõem fim das eleições
de dois em dois anos
Propostas prorrogam por dois anos o mandato dos atuais prefeitos e
vereadores para que o país tenha eleições coincidentes
a partir de 2010
O já apimentado caldeirão da reforma política,
no qual borbulham temas controversos como a fidelidade partidária,
o voto em lista partidária e o financiamento público de
campanha, acaba de ganhar mais um tempero de polêmica: o fim das
eleições de dois em dois anos.
Duas propostas de emenda constitucional (PEC) recém-apresentadas
na Câmara e no Senado cancelam as eleições municipais
de 2008 e prorrogam os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores por
dois anos para que o país tenha eleições coincidentes
a partir de 2010.
Com a mudança, o eleitor brasileiro só voltaria às
urnas daqui a três anos e meio para escolher, de uma só vez,
presidente, governador, prefeito, vereador, deputado estadual, deputado
federal e senador.
A unificação do processo eleitoral é vista com
bons olhos por alguns líderes partidários, mas a prorrogação
dos mandatos dos eleitos em 2004 enfrenta grande resistência
dos parlamentares. Boa ou não, a medida contraria, de cara,
o interesse dos congressistas que pretendem se candidatar a prefeito
no próximo ano.
De olho nas prefeituras
Nas últimas eleições municipais, 85 dos 513 deputados
concorreram ao cargo de prefeito. Desses, no entanto, apenas 18 conseguiram
se eleger. No Senado, dois dos sete candidatos daquelas eleições
saíram vencedores das urnas. Mas, na prática, ninguém
saiu perdendo, já que, além de ganharem visibilidade
no horário eleitoral gratuito, todos mantiveram sem prejuízos
os seus mandatos no Congresso.
Um dos deputados que disputaram as eleições de 2004,
o atual líder do Democratas (ex-PFL), Onyx Lorenzoni (RS), classifica
a PEC 6/07, do deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), como uma “viagem”. “Não
se muda a regra do jogo com ele acontecendo. Tenho profundo respeito
pelo deputado Flávio Dino, mas isso é uma invenção”,
disse Onyx, que concorreu à prefeitura de Porto Alegre.
Pior dos mundos
“
Essa proposta não vai nos levar ao paraíso”, admite
Dino. “Mas o pior dos mundos é o que temos hoje, com eleições
descasadas no tempo e politicamente”, rebate o autor da proposta.
Para ele, as “eleições de ponta a ponta” causariam
pelo menos três efeitos imediatos: a redução dos
custos de campanha, o fim da paralisia legislativa a cada dois anos
e a verticalização “natural” das correntes
partidárias.
“
O atual calendário é irracional, compromete a agenda
legislativa e dificulta uma ação mais profissionalizada
no serviço público”, avalia.
Levando em consideração o crescimento das despesas a
cada eleição, Dino estima que o país deixará de
gastar, só em 2008, R$ 1 bilhão, entre despesas de campanha
e da Justiça eleitoral, caso a PEC seja aprovada. A mudança,
segundo ele, também evitaria que os parlamentares paralisassem
o Congresso no meio do mandato por se envolverem diretamente com a
campanha eleitoral de prefeitos e vereadores, seus principais cabos
eleitorais.
O argumento econômico também é levantado pelo senador
Leomar Quintanilha (PMDB-TO), autor da PEC 28/07, que também
prevê o adiamento das eleições municipais. “É dever
do Congresso Nacional atentar para a falta de economicidade desta prática
e procurar, de uma vez por todas, estancar essa saída inútil
de recursos do povo”, afirma ele na justifica de sua proposta.
O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), também
defende o encaminhamento da proposta. “Primeiro, porque barateia
as eleições. Segundo, por ser mais fácil para
o eleitor, que se identifica mais com as opções políticas
de todos os candidatos, desde o vereador ao presidente da República.”
Custo da democracia
Mas a tese da economia é questionada por outros líderes
partidários e cientistas políticos. “Economizar
suprimindo eleições é como ter paz nos cemitérios”,
ironiza o líder do PSDB, deputado Antônio Carlos Pannunzzio
(SP), que também critica a prorrogação dos mandatos
dos eleitos em 2004. “Prorrogar mandato é sempre um drama,
começa a ter aparência de casuísmo.”
“
Os valores democráticos são mais fortes que os econômicos”,
diz o líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC), ao
ressaltar que a eleição municipal teria uma lógica
diferenciada das eleições estaduais e para presidente.
“A economia de R$ 1 bilhão numa eleição pode ser corrompida
por meia dúzia de prefeitos só com a prorrogação
dos mandatos”, afirma o professor José Rodrigues Filho, da Universidade
Federal da Paraíba (UFPB). “O povo precisa exercitar a democracia
e calcular o custo dessa democracia”, completa.
O cientista político Alexandre Barros não vê vantagens
no casamento das eleições. Na opinião dele, a ida do eleitor
a cada dois anos às urnas é um exercício de cidadania
e tem um caráter pedagógico. “Isso é um golpe. Não
há razão técnica ou política para haver eleições
coincidentes. Toda vez que se fala nisso alguém tenta pegar carona.
Agora é com a prorrogação dos mandatos dos prefeitos. É antidemocrático”,
acredita o professor do Centro Universitário Unieuro, de Brasília.
Mudanças, só no futuro
Para o líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), a prorrogação
dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores está descartada, mas
há chance de a unificação das eleições prosperar.
Porém, observa ele, de outra forma: “Ou se aumenta o mandato nas
próximas eleições ou se elegem mandatários para
mandatos tampão [por dois anos]”.
Flávio Dino diz também ter pensando nos dois cenários
traçados pelo petista ao elaborar sua proposição, mas
alega ter encontrado inconveniências tanto em um quanto em outro modelo.
“
Promover eleição para um mandato de dois anos é caro e
desestimulante para o eleitor e o candidato. No caso de adiarmos a unificação
para 2014, o problema seria inverso: tende a haver uma elevação
dos custos de campanha na medida em que os candidatos saberão de antemão
que estão disputando um mandato de seis anos.”
Os argumentos dos prefeitos
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM),
Paulo Ziulkoski, diz que a entidade não encampará a defesa da
prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores para
não ser acusada de casuísmo. “Nós não defendemos
prorrogação, mas apenas a coincidência de mandatos, que é uma
necessidade. Não queremos casuísmo”, afirma.
Segundo ele, há dois motivos fundamentais para se apoiar a unificação
do processo eleitoral. O primeiro, afirma o prefeito de Mariana Pimentel (RS), é que
as eleições de dois em dois anos engessam a administração
municipal e sobrecarregam o orçamento dos pequenos municípios.
“
Ainda estamos levantando os gastos municipais com o processo eleitoral. Mas
os prefeitos são constrangidos, muitas vezes, pelos promotores e pelos
juízes a cederem funcionários para a Justiça Eleitoral
a cada dois anos, por conta das eleições”, conta.
O outro motivo, aponta Ziulkoski, seria a maior possibilidade de haver uma
harmonização administrativa entre os entes federativos. “Os
orçamentos da União, dos estados e dos municípios não
se falam. Como só 15% dos recursos vão para os municípios,
somos atingidos por um verdadeiro Boeing toda que vez que há mudança
de governador e prefeito”, reclama.
Apesar de se manifestar contra a prorrogação dos mandatos municipais,
o líder do PSB na Câmara, Márcio França (SP), admite
que a falta de sintonia entre o calendário eleitoral e o administrativo
traz prejuízos ao país. “Eleição de dois
em dois anos quebra o ritmo dos mandatos. Acaba uma eleição estadual
e federal, e já começa a se pensar nas eleições
municipais. O calendário eleitoral come o calendário administrativo”,
avalia.
Para o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), o Congresso deve centrar fogo nos principais
tópicos da reforma política em vez de se ater a esse tipo de
discussão. “Acho que esse assunto não está na urgência
do país e do povo brasileiro. Não acho razoável transformá-lo
em debate nacional”, diz o deputado.
Chances reduzidas
Segundo o cientista político Paulo Kramer, professor da Universidade
de Brasília (UnB), o interesse dos prefeitos em unificar o calendário
eleitoral é antigo, mas arrefeceu após a aprovação
da emenda da reeleição, em 1997. Ressaltando que não tem
opinião formada sobre o assunto, Kramer vê poucas chances de a
proposta avançar no Parlamento.
“
A tendência, sobretudo dos deputados, é de não concordar
com a coincidência dos mandatos por pensarem que os candidatos a prefeito
e vereador vão pensar muito mais em suas próprias eleições
do que na deles [parlamentares]”, observa.
Esta não é a primeira vez que parlamentares propõem a
unificação do processo eleitoral. Desde 2004, está pronta
para ser votada no Plenário da Câmara uma PEC (3/99) de autoria
do ex-senador Paulo Octávio (DEM-DF) que prevê que os mandatos
de prefeitos e vereadores terão, excepcionalmente, a duração
de seis anos a partir da promulgação da proposta para que coincidam
com as eleições gerais.
No último dia 4, o deputado Gervásio Lima (DEM-BA) tentou desarquivar,
sem sucesso, uma proposta de emenda constitucional de sua autoria apresentada
ainda em 1999. A PEC 186/99 proíbe a reeleição para presidente,
governador e prefeito, e aumenta para cinco anos o mandato de deputados e vereadores
e estica para oito anos a legislatura dos senadores para estabelecer a coincidência
das eleições. O pedido de desarquivamento, no entanto, foi negado
pela Mesa Diretora, por questões regimentais.
|
Folha
de São Paulo,
20 de abril de 2007
Presidente do PSDB discute fim da reeleição
com Lula
Na saída, Tasso diz que papel da oposição "não é xingar,
não é gritar, não é ameaçar"
Senador tucano minimiza uma eventual crítica de FHC à reunião: "Quando
ele era presidente não convidava os outros para conversar?"
EDUARDO SCOLESE, FERNANDA KRAKOVICS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após conversar ontem por uma hora e meia com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, o presidente
nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse que o papel da
oposição não é "xingar", "gritar" e "ameaçar".
Na reunião, Lula e Tasso definiram a estratégia de votar
na reforma política os pontos de consenso entre governo e oposição,
como o fim da reeleição e a ampliação do
mandato presidencial para cinco anos. Discutiram também a prorrogação
da CPMF e da DRU (Desvinculação de Receitas da União),
além de projetos sobre a Sudam e a Sudene. Sobre CPI do Apagão
Aéreo, segundo Tasso, Lula disse: "Eu respeito a posição
da oposição de instalar a CPI".
"[O encontro] demonstra um certo momento de maior maturidade na
democracia do país quando a gente pode dialogar", disse Tasso
após a reunião: "Fazer oposição não é xingar,
não é gritar, não é ameaçar. Fazer
oposição é estar contra nos momentos certos naquilo
que a oposição não concorda". O convite ao
tucano foi feito ontem de manhã pela líder do governo no
Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). Roseana e o ministro Walfrido
Mares Guia (Relações Institucionais) participaram do encontro,
ontem à noite.
A reunião ocorreu dias após o petista ter recebido o senador
Antonio Carlos Magalhães (DEM, ex-PFL-BA). Segundo Tasso, a oposição
tem proporcionado uma vida tranqüila ao governo: "Até que
não está acirrada. O governo neste ano tem levado uma vida
tranqüila".
Lula falou de sua relação com Mário Covas (morto
em 2001), José Serra, Aécio Neves e o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso. Mencionou sua "admiração" e "respeito" por
FHC.
Tasso disse que não conseguiu avisar FHC da visita porque ele
estava viajando, mas minimizou uma reação negativa do ex-presidente à reunião: "Quando
ele era presidente não convidava os outros para conversar?" No
sábado, FHC descartou o diálogo do PSDB com o governo: "Como é que
vamos dialogar se o presidente todo dia me ataca à toa, sem mais
nem menos? Então ele não quer diálogo nenhum, quer é tirar
proveito".
|
Folha
de São Paulo,
20 de abril de 2007
Fazenda e Trabalho partem para embate sobre recursos do FAT
Mantega afasta hipótese de acabar com desvinculação
de recursos; Lupi insiste DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e
Carlos Lupi (Trabalho) partiram para o embate público sobre os recursos do FAT (Fundo de Amparo
ao Trabalhador). Mantega afastou ontem a hipótese de acabar com
a desvinculação dos recursos proposta por Lupi, que insistiu
em levar o projeto adiante.
Na quarta, o ministro do Trabalho apresentou
em audiência na Comissão
de Trabalho da Câmara a proposta de retirar o FAT da chamada DRU
(Desvinculação de Receitas da União). Segundo ele,
anualmente cerca de R$ 4 bilhões do fundo deixam de ser aplicados
na qualificação de trabalhadores porque são desvinculados.
Na prática, o dinheiro vai para o superávit primário
(economia para pagar os juros da dívida).
"Não vamos retirar [o FAT]. A DRU vai permanecer como está",
declarou Mantega. "Essa é a decisão da Fazenda e temos
opinião divergente. Vamos levá-la para dentro do governo",
rebateu Lupi depois de reunião com as centrais sindicais, quando
conseguiu o apoio unânime para levar a proposta em frente.
Companheiro de partido do ministro, o presidente
da Força Sindical,
deputado Paulo Pereira da Silva, afirmou que as centrais não aceitam
o contingenciamento de recursos do FAT para "pagar juros para banqueiros". "A
Fazenda está sempre contra, mas já ganhamos algumas.
Se o governo insistir, vamos entrar no
STF", adiantou. Desde que
assumiu, Lupi apresentou duas propostas que contrariam a equipe econômica.
Ontem, disse fazer questão de participar da discussão sobre
o projeto de lei que regulamenta o direito de greve no serviço
público. (JULIANNA SOFIA e CLÁUDIA DIANNI)
|
Folha
de São Paulo,
20 de abril de 2007
Móveis viram alvo de compra, após "boom" nas construções
Depois da reforma vem a fase da decoração; informática
e celular seguem na preferência do consumidor, diz pesquisa
Expectativa de compra refere-se a este trimestre;
disponibilidade para gastos extras caiu à metade, apesar de
a renda ter crescido 6%
DENISE BRITO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Após investir em material de construção para reformar
ou expandir sua casa -o tradicional "puxadinho"-, o consumidor
quer comprar móveis para substituir ou complementar os que já possui.
Essa é uma das conclusões da pesquisa sobre expectativas
de consumo para o segundo trimestre deste ano, divulgada ontem pelo Provar
-núcleo de pesquisa sobre varejo, da USP- e pela consultoria Canal
Varejo.
O ranking de bens duráveis na preferência do consumidor é liderado
por móveis, seguido de informática, telefonia e celulares,
linha branca e eletroeletrônicos. Material de construção,
que, nos dois trimestres anteriores, estava em quarto e terceiro lugares,
respectivamente, caiu para oitavo.
"As pessoas que gastam com reformas são impelidas naturalmente
a comprar móveis. Diante da necessidade de acomodar esses gastos
no orçamento, porém, eles aparecem dependendo do comprometimento
da renda do indivíduo", afirma Cláudio Felisoni, coordenador
do Provar.
O aumento da procura por móveis tem sido percebido desde o último
trimestre de 2006, segundo o superintendente da Abimóvel, associação
nacional de fabricantes do ramo, João Araújo. "Janeiro,
por exemplo, é um mês atípico, com vendas em queda
devido aos gastos de fim de ano, e o patamar de vendas se manteve estável.
Mas há outros fatores de influência, como o fato de as indústrias
que trabalham com móveis mais populares estarem perdendo espaço
para os chineses na exportação e se voltando para o mercado
interno. Por isso, com a maior oferta, o preço tende a cair, e
a qualidade, a subir."
Dia das Mães
Em relação ao mesmo período de 2006 e considerando
as datas comemorativas do período (Dia das Mães e Dia dos
Namorados), o percentual de pessoas com intenção de comprar
caiu de 69,2% para 54,8%, reflexo da saturação do crediário
para comprar bens duráveis.
Apesar de a renda média ter crescido 5,87% no último ano
(dado do IBGE), descontadas as despesas básicas, o consumidor
dispõe hoje de 11,7% de sua renda para gastos extras, ante 20,6%
no mesmo período em 2006. "Do ponto de vista estrutural,
a mudança não é grande, pois a renda da base da
pirâmide é muito baixa, e o fôlego das famílias,
curto", diz Felisoni.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 20 de abril de 2007 | Economia
Nível de emprego da indústria avança 0,72% em março
Com resultado de março, 1º trimestre
do ano acumula alta de 1,39% no emprego
Rodrigo Petry
SÃO PAULO - O nível de emprego regional da indústria
medido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo
(Ciesp) avançou 0,72% em março ante fevereiro. Segundo
a pesquisa, a indústria paulista criou, aproximadamente, 15.145
postos de trabalho em março de 2007, um resultado melhor do que
o apresentado no mesmo período do ano passado, quando foram criadas
cerca de 11.071 vagas.
No primeiro trimestre de 2007, o emprego
na indústria paulista
acumulou alta de 1,39%, resultado da criação de aproximadamente
28.993 postos de trabalho, 13.652 empregos a mais do que no mesmo período
do ano anterior. Já no acumulado dos últimos 12 meses,
o emprego na indústria paulista registrou alta de 1,17%.
O crescimento foi puxado positivamente
pelo interior do Estado. A criação
de vagas no interior registrou aumento de 1,37% em março ante
fevereiro, enquanto que no primeiro trimestre do ano apresenta alta de
2,62% e no acumulado dos últimos 12 meses crescimento de 2,91%.
Já a grande São Paulo registra índices negativos
na geração de empregos industriais de 0,07%, em março
ante fevereiro; 0,2%, no primeiro trimestre; e 1,42% nos últimos
12 meses.
Mão-de-obra
O diretor do Departamento de Economia do
Ciesp, Boris Tabacof, ressalta que o emprego na Grande São Paulo está concentrado em atividade
econômicas com maior valor agregado, que requerem mão-de-obra
mais qualificada. "Essa é uma tendência mundial. As
regiões metropolitanas estão se tornando grandes centros
de serviços", explica. Segundo ele, a geração
de empregos nos grandes centros é prejudicada por fatores conjunturais,
como câmbio e taxa de juros.
Para o economista-chefe do Ciesp, Carlos
Cavalcanti, o incremento positivo no emprego da indústria de transformação no Estado é resultado
da geração de vagas ligadas ao setor sucroalcooleiro. "O
aumento do emprego é determinado pelo crescimento do interior,
que apresenta um maior dinamismo", argumenta, destacando como indutores
os setores de produtos alimentares, máquinas e equipamentos e
destilação de álcool e refino de petróleo. "Todos
esses setores estão associados ao álcool e ao açúcar",
completa.
Setores
A pesquisa de emprego da Ciesp constata
ainda que 14 setores apresentaram desempenho positivo na geração de empregos em março
ante fevereiro deste ano. Entre os destaques estão: produtos alimentares,
com alta de 2,09% e a criação de 5.860 postos; máquinas
e equipamentos, com crescimento de 2,14% e geração de 3.673
vagas e destilação, álcool e refino de petróleo,
com saldo positivo de 13,42% e criação de 3.486 empregos.
Além disso, seis setores apresentaram desempenho negativo, com
destaque para artefatos de couro e artigos de viagem, que registraram
queda de 5,53% e eliminação de 1.303 postos.
2007
Tabacof elevou as projeções da entidade para a expansão
do emprego na indústria de transformação paulista
no acumulado de 2007, que deve ficar entre 1,17% e 1,83%. Segundo ele,
o aumento de 1,17% já estaria garantido pelo comportamento do
emprego industrial no primeiro trimestre, que, assim como fevereiro,
apresentou os maiores avanços desde 2000. A perspectiva inicial
do Ciesp para 2007 era de avanço de 1% a 1,2%, contra um crescimento
no emprego industrial de 0,52% em 2006.
"Um crescimento de 1,17% é assegurado pelos ganhos do primeiro
trimestre, mas dependendo dos fatores favoráveis ao longo do ano
pode se expandir mais", destacou Tabacof, acrescentando que isso
significaria um incremento entre 23 mil e 38,4 mil vagas sobre uma base
2,1 milhões de empregados na indústria paulista.
De acordo com Tabacof, os fatores que contribuíram para a reavaliação
dos resultados são as perspectivas de aumento da produção
industrial, das vendas industriais e do comércio varejista.
Ele explica que, apesar do câmbio prejudicar a indústria,
a expansão do mercado doméstico garantiria a aumento das
vagas geradas. "Há sinais macroeconômicos de que teremos
em 2007 uma expansão do emprego maior do que a registrada nos últimos
dois anos", afirmou, salientando que o aumento das operações
de crédito consignado estão ampliando a capacidade de consumo
das famílias brasileiras.
Déficit
O economista-chefe do Ciesp, Carlos Cavalcanti,
ressaltou ainda que há possibilidade do déficit registrado na geração
de empregos na indústria de transformação paulista,
que atinge 46.975 postos entre os anos de 2000 e 2006, pode ser revertido
no próximo ano.
"Se a economia continuar crescendo e os desenvolvimentistas continuarem
no governo, do ponto de vista do mercado de trabalho, em 2008, podemos
zerar esse déficit acumulado na geração de empregos
nessa década", projeta Cavalcanti, com base no aumento de
28.993 vagas no primeiro trimestre de 2007 e que reduz o saldo de vagas
perdidas para 17.982.
Segundo ele, não seria possível reverter o quadro em 2007
devido à dificuldade de manutenção dos resultados
positivos na geração de emprego nos três últimos
trimestres do ano, que não contêm o incremento de vagas
da indústria sucroalcooleira do início do ano. "O
emprego na indústria paulista está condicionado a açúcar
e álcool, que tem uma atividade sazonal e demitem no final do
ano", explica.
|
AGÊNCIA
BRASIL, 20 de abril de 2007
Emprego na construção
civil cresceu 1,35% no primeiro bimestre
Flávia Albuquerque
São Paulo - O número de empregos na construção
civil no país cresceu 1,35% no primeiro bimestre de 2007, de acordo
com dados divulgados hoje (19) pelo Sindicato da Construção
Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). Segundo o sindicato,
foram criados 21 mil novos postos de trabalho nos dois primeiros meses
do ano, totalizando 1,57 milhão de trabalhadores no setor.
Em fevereiro houve elevação de 0,47% sobre janeiro, com
7.421 novas vagas. No mesmo período do ano passado o setor gerou
36,6 mil empregos. No fim de fevereiro de 2006 a construção
civil registrava 1,49 milhão de trabalhadores com registro em
carteira.
Segundo o presidente do Sinduscon-SP, Eduardo
Zaidan, os resultados do bimestre se devem ao comportamento tipicamente
sazonal do setor. “Todo
fim de ano registra-se dispensa nos meses de novembro e dezembro e no
começo do ano há contratações. Se compararmos
o primeiro bimestre do ano com o último do ano anterior encontramos
um rearranjamento entre os setores”.
De acordo com os dados do Sinduscon-SP,
em novembro de 2006 o total de empregados formais no setor era de 1,53
milhão, com 9.561 demissões
(- 0,62% sobre outubro). Em dezembro, o total de trabalhadores com registro
em carteira foi de 1,49 milhão, com 37.735 demissões (-
2,46% sobre novembro).
“O que podemos dizer com certeza é que houve uma recuperação
do emprego nesses dois primeiros meses do ano. Quer dizer, o setor recuperou
a perda e isso é um bom sinal porque se houvesse uma situação
ruim no setor essa recuperação não se daria”.
Na avaliação de Zaidan, ainda é cedo para estimar
como será o decorrer do ano para o setor, que segundo ele, precisa
ser analisado em um horizonte de pelo menos seis meses. “Não
dá para pegar um mês ou outro porque o sistema produtivo
da construção civil é muito peculiar”. Mesmo
assim, ele disse esperar que o setor cresça no mínimo 4,6%,
como ocorreu em 2006.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 20 de abril de 2007 | Nacional
´Nem sei se estou vivo em 2014´, diz Lula sobre reeleição
Aliados que participaram da reunião do Conselho Político
afirmam que presidente, apesar de ser favorável ao fim do dispositivo,
negou ser o dono da proposta
Reuters
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva queixou-se
com veemência, nesta quinta-feira, das especulações
de que estaria negociando o fim da reeleição com o objetivo
de tentar um terceiro mandato nas eleições de 2014.
"Estão dizendo até que eu quero voltar em 2014. Eu
nem sei se estou vivo até lá", desabafou Lula durante
reunião com presidentes e líderes do Conselho Político
da coalizão no Palácio do Planalto.
Segundo três políticos presentes à reunião,
Lula abriu o encontro repetindo que, mesmo sendo historicamente contrário à reeleição,
acha que este é um tema que deve ser debatido no Congresso e não
no Planalto. "Estão querendo colocar esse negócio
da reeleição no meu colo. Eu sempre fui contra a reeleição",
disse o presidente, segundo relato dos aliados.
Na quarta-feira, o porta-voz Marcelo Baumbach
afirmou que a reeleição "não
está na pauta do governo", mas lembrou que Lula é favorável
a mandatos de cinco anos, sem reeleição.
O fim da regra constitucional é objeto de uma emenda proposta
pelo deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA) que tramita na Câmara.
Os governadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP)
apóiam a tese. No encontro desta manhã, o presidente pediu
que os aliados resolvam o assunto partidariamente, porque o tema já está servindo
para especulações na imprensa. "Resolvam isso. Esse é um
problema dos partidos e do Congresso", determinou o presidente.
O presidente pediu aos aliados prioridade à reforma política
após a votação das medidas do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC). Na avaliação do governo, a votação
no Parlamento tem avanços muito positivos, mas há problema
nas emendas às medidas provisórias.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, fará uma exposição
sobre a reforma política em uma reunião do Conselho na
próxima semana.
Os partidos pediram que a equipe econômica envie ao Congresso,
o quanto antes, as propostas de prorrogação da CPMF e da
DRU para que haja tempo hábil de aprová-las.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 20 de abril de 2007 | Economia
INSS reconvoca 71 mil beneficiários
para atualizar dados
Notificação será feita por carta ou por edital, publicado
em grandes jornais do País
SÃO PAULO - A Previdência Social começa a notificar
a partir desta quinta-feira, 19, 71.480 aposentados e pensionistas que
ainda não atualizaram seus dados no censo previdenciário.
A notificação será feita por carta ou, caso a pessoa
não tenha endereço atualizado no INSS, por edital que está será publicado
em jornais de grande circulação.
No Estado de São Paulo, serão chamados 11.388 beneficiários.
Desses, 272 receberão a notificação por carta e
11.116 por edital. Os documentos obrigatórios para o censo são
o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e um documento de identificação,
que pode ser a Carteira de Identidade (RG), Carteira de Trabalho e Previdência
Social (CTPS), passaporte, Carteira Nacional de Habilitação
(CNH) ou registro de conselho profissional. O INSS recomenda, também,
que o beneficiário apresente um comprovante de residência
e o Número de Inscrição do Trabalhador (NIT).
O aposentado ou pensionista tem prazo de
30 dias, após receber
a notificação por carta ou edital, para atualizar os dados
cadastrais na agência bancária que paga seu benefício.
Passado esse prazo, o pagamento mensal será suspenso e permanecerá assim
por 90 dias.
Para reativar o benefício, o interessado deverá comparecer
ao banco e apresentar os documentos exigidos. Se o beneficiário
não atualizar seus dados, o pagamento será definitivamente
cessado e só poderá ser reativado na agência da Previdência
Social responsável pelo seu controle.
|
AGÊNCIA
BRASIL, 20 de abril de 2007
Estudo de deputado propõe que
trabalhadores administrem diretamente seus encargos sociais
Sabrina Craide
Brasília - Uma nova opção de relação
trabalhista começa a ser discutida pelo Congresso Nacional. Um
estudo, apresentado pelo deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP)
ao Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica
da Câmara dos Deputados propõe, entre outros pontos, que
os trabalhadores possam optar por receber seu salário bruto e
recolher o Imposto de Renda e a contribuição previdenciária
por conta própria.
Pela proposta de Marquezelli, o trabalhador
deve ter a opção
de administrar diretamente o recolhimento e a aplicação
das contribuições previdenciárias e fundiárias,
inclusive as patronais. O parlamentar argumenta que o Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS), por exemplo, tem rendimento atual
entre 1,5% e 3%, enquanto, se esse dinheiro fosse aplicado em caderneta
de poupança, renderia em média 12%.
“O trabalhador, de posse de todos os seus encargos sociais, vai
poder fazer as aplicações que achar melhor, como poupança
ou comprar ações”, exemplifica o parlamentar. No
entanto, Marquezelli faz questão de ressaltar que sua proposta
não é de mudar a legislação trabalhista,
e sim oferecer uma nova opção aos trabalhadores brasileiros “Eu
não quero que mude nada na CLT”, ressalta o deputado.
Outro ponto apresentado no estudo é a substituição
do atual modelo de carteira profissional por cartão magnético,
que irá armazenar todos os dados do trabalhador. Na justificativa
da proposta, Marquezelli argumenta que o atual modelo brasileiro de relações
trabalhistas é um entrave ao aumento da produtividade e da renda
do trabalho. “É uma barreira ao desenvolvimento nacional,
e coloca o Brasil em posição difícil no contexto
internacional, longe dos países desenvolvidos e distanciando-se
as demais economias emergentes”, explica.
A proposta de Marquezelli foi apresentada
hoje ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, durante audiência pública da Comissão
de Trabalho, de Administração e Serviço Público,
na Câmara dos Deputados. O ministro defendeu a não-obrigatoriedade
dos trabalhadores de aderirem à nova forma de contratação
trabalhista.
|
www.esquerda.net, 20 de abril de 2007
Organizações anunciam criação
do primeiro sindicato mundial Duas
grandes organizações sindicais britânicas
e uma norte-americana lançaram quarta-feira as bases para a
criação do primeiro e maior sindicato mundial, com o
objectivo de proteger os direitos dos trabalhadores das políticas
de exploração das multinacionais. O acordo foi celebrado
ontem no Canadá, entre a Amicus, a União Geral dos Trabalhadores
do Transporte (TGWU, na sigla inglesa) e o Sindicato dos Trabalhadores
Unidos do Aço (USW, em inglês).
Os representantes das três organizações consideram
que estão estabelecidas as condições para a fundação
do primeiro e maior sindicato do mundo, que representará mais
de 3,4 milhões de trabalhadores dos Estados Unidos, Canadá,
Reino Unido e Irlanda. A estrutura poderá estar formalizada
dentro de um ano, sendo que as conversações deverão
iniciar-se, nos próximos meses, na Grã-Bretanha.
«Uma das nossas tarefas enquanto sindicatos é defender,
melhorar as condições de vida dos trabalhadores e isto é cada
vez mais difícil nos limites das fronteiras nacionais»,
justificou, em conferência de imprensa, o secretário-geral
do sindicato Amicus, Derek Simpson. E acrescentou: «As multinacionais
estão a reduzir salários e a piorar as condições
dos trabalhadores, tentando virá-los uns contra os outros. Os únicos
beneficiados desta globalização são os exploradores
da força de trabalho e a única forma que os trabalhadores
de todo o mundo têm para resistir a isto é precisamente
unirem-se.
Por seu turno, Leo W. Gerard, Presidente
da USW afirmou que o novo sindicato se propõe «reforçar as posições
e o poder dos trabalhadores e responder às pressões das
multinacionais», esclarecendo ainda que «o tempo do sindicalismo
global chegou. Precisamos de estratégias que cruzem fronteiras
para proteger os trabalhadores contra a mobilidade do capital que não
tem fronteiras. Devemos aceitar este desafio e defender os direitos
humanos para todos.
Tony Woodley, da TGWU afirmou que «este é um
passo histórico
para o sindicalismo global, no sentido de travar as estratégias
patronais de colocar trabalhadores de países diferentes uns
contra os outros.
|
Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho
20/04/2007
TST mantém decisão que rejeitou atestado médico
do advogado da VW
A Terceira Turma do
Tribunal Superior do Trabalho rejeitou agravo de instrumento da Volkswagen
do Brasil Ltda., no
qual alegou cerceamento
de defesa por não ter sido dada a seu preposto, durante audiência
trabalhista, a oportunidade de apresentar defesa oral. O agravo foi
rejeitado com base no artigo 795 da CLT. O dispositivo estabelece que
as nulidades devem ser argüídas mediante provocação
das partes na primeira vez em que tiverem de falar nos autos ou em
audiência. Se a parte não se manifesta na primeira audiência,
não pode alegar ausência de oportunidade para apresentar
defesa oral, afirmou a relatora do agravo, ministra Maria Cristina
Peduzzi.
O advogado da VW não compareceu à audiência trabalhista.
Alegou que teve um “mal súbito”. Ele não
enviou outro representante nem comunicou ao preposto da empresa ou à Vara
do Trabalho. Apresentou atestado médico constando estado febril
e, “pela leitura médica, o estado situa-se entre 37,5
a 38,5 graus celsius, temperatura que os médicos sequer recomendam
antipiréticos“. O Regional alegou que “o atestado
fornecido pode ser considerado de favor, sem valor de prova”,
já que foi assinado pelo médico da VW.
No TST, a Volkswagen
pretendeu modificar a decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo), que
não aceitou o atestado médico do advogado como justificativa
para a realização de nova instrução da
ação movida pelo ex-empregado da VW. O empregado contou
que foi “injusta e arbitrariamente” despedido, sem direito à adesão
ao Plano de Demissão Voluntária e ao recebimento das
verbas rescisórias. Ao decidir sobre a ação, a
3ª Vara do Trabalho de São Bernardo do Campo (SP) entendeu
como injustificada a ausência do advogado à audiência, à qual
compareceu o preposto/representante da empresa. O juiz afirmou que “o
preposto tinha capacidade postulatória e poderia ter aproveitado
a oportunidade para defesa”. Mantida a instrução,
foi decretada a revelia da VW, e julgado procedente em parte o pedido
do empregado, condenando a Volkswagen a pagar as verbas de rescisão.
A defesa da Volkswagen
levou atestado médico no dia seguinte
e afirmou que não daria tempo hábil para outro advogado
deslocar-se até a audiência. Além disso, o advogado
adoentado acompanhou a ação desde a citação,
o que o tornou mais capacitado para a defesa. Afirmou ainda que não
tinha o número de telefone da Vara do Trabalho, razão
pela qual não comunicou sua ausência, pedindo a nulidade
da sentença e o adiamento da audiência para apresentação
de defesa oral.
O TRT/SP manteve a
decisão de primeiro grau, após verificar
que nem o preposto da empresa soube esclarecer por que o advogado não
foi à audiência. O Regional apontou incongruências
nos argumentos da defesa: o advogado tem escritório em São
Paulo, foi atendido por médico em São Caetano do Sul,
e a audiência era em São Bernardo do Campo. “Traçando-se
uma linha reta e lógica, tem-se que não havia motivo
algum para ele dirigir-se à outra cidade, fora do seu percurso,
para atendimento de emergência”. O TRT lembrou que atendimentos
emergenciais, por lei, podem ser realizados em qualquer clínica
ou hospital. (AIRR 623/2002-463-02-40.1)
(Léa Paula)
|
20/04/2007
TST manda usina indenizar
empregada demitida com LER
A Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho deu provimento a recurso de revista de uma ex-empacotadora
da Usina
da Barra S.A. Açúcar
e Álcool, garantindo-lhe indenização pelo fato
de ter sido demitida mesmo sendo portadora de síndrome do túnel
do carpo. A empregada foi demitida antes que pudesse obter o benefício
do auxílio-doença do INSS, o que lhe garantiria estabilidade
provisória de 12 meses.
A trabalhadora foi
contratada pela Usina da Barra – tradicional
fabricante de açúcar e álcool localizada na cidade
de Barra Bonita (SP) – em fevereiro de 1991 como auxiliar de
empacotamento no setor de refinaria, e dispensada em outubro de 2002.
Segundo a inicial da reclamação trabalhista, a empresa,
visando impedir que ela recebesse o auxílio beneficiário,
não permitia, por meio de seus médicos, que seus afastamentos
superassem o prazo de 15 dias. Os sintomas se agravaram a partir do
fim de 1999, e mesmo assim a empresa não emitiu a CAT – Comunicação
de Acidente de Trabalho ao INSS, e demitiu-a. A doença foi comprovada
pelo INSS, que, logo após o término do seguro-desemprego,
afastou-a pelo período de fevereiro de 2003 a julho de 2004.
Ao ajuizar a ação contra a usina, em julho de 2004,
a empacotadora afirmou que a doença era decorrente de sua atividade
profissional. A síndrome do túnel do carpo, informou
na inicial, é uma “lesão por esforço repetitivo
desencadeada em virtude do conjunto de condições propiciadas
pelo trabalho: postura inadequada, repetitividade dos movimentos, compressão
mecânica, exigência do uso de força e repouso insuficiente
para a devida recuperação dos tecidos.” Pediu indenização
de 12 meses, relativos à estabilidade garantida pelo artigo
118 da Lei nº 8.213/1991, alegando que sua demissão foi
obstativa à aquisição da estabilidade provisória.
Na contestação, a usina negou que a doença tivesse
relação com o trabalho, afirmando que a empacotadora
não trabalhava em jornadas penosas, dispunha de 2h20min de intervalo
e realizava exercícios físicos preventivos. Alegou que
a ação foi proposta após o término do prazo
de 12 meses previsto para a estabilidade em caso de acidente de trabalho,
e que, se a empregada “deixou escoar quase dois anos para pedir
a indenização, isso significa que não era portadora
de doença alguma, ou que sua omissão não pode
gerar benefício”.
A 2ª Vara do Trabalho de Jaú (SP), examinando as conclusões
do perito judicial, entendeu que a trabalhadora, ao ser dispensada, “era
portadora de males que guardavam relação de causa e efeito
com o trabalho que realizava na usina”, sendo, portanto, detentora
da estabilidade provisória. Para a juíza, o fato de a
empregada não ter usufruído do auxílio-doença
não impede o reconhecimento da estabilidade. “Para que
se reconheça a estabilidade para os que adquirem, no curso do
contrato de trabalho, doença ocupacional incapacitante, se deve
exigir apenas que haja a constatação, através
de perícia médica, da existência da doença
profissional ou do trabalho e do nexo de causalidade, pois tais enfermidades
se equiparam ao acidente de trabalho, para todos os efeitos”,
explicou.
A sentença rejeitou ainda as alegações da usina
quanto ao fato de a empacotadora ter pedido somente indenização,
e não reintegração, “porque a empresa não
demonstrou qualquer ânimo para reintegrá-la”. A
usina foi condenada ao pagamento da indenização correspondente
a salários, férias e abono, 13º salário e
FGTS referentes ao período estabilitário de 12 meses.
O Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas),
porém, reformou a sentença para excluir da condenação
os valores relativos à indenização. O Regional
considerou que o fato de a empregada ter ajuizado a ação
somente após expirado o prazo de estabilidade, sem pedido de
reintegração, apenas de indenização, “demonstra
nítida incorreção de conduta, tornando abusiva
a pretensão formulada”, não havendo previsão
legal para deferir a indenização substitutiva decorrente
da estabilidade provisória.
No julgamento do recurso
de revista da empregada no TST, o relator, ministro Horácio Senna Pires, esclareceu em seu voto que, “se
a ação trabalhista foi proposta dentro do biênio
prescricional – prazo que, além de tudo, é constitucional
-, não há de se penalizar o empregado por isso, ainda
que já exaurido o período estabilitário”.
Segundo o ministro, “deve ser considerado que, não raro,
a tramitação das ações trabalhistas excede
o prazo de estabilidade e, mais ainda, não existe lei que imponha
ao empregado o ônus de ajuizar a ação antes de
terminado o período de estabilidade a que entende ter direito”.
Concluiu que, “se o empregador, violando a garantia, despede
o empregado estabilizado, a sanção é a reintegração
ou a indenização supletiva, como aqui assegurada”.
(RR 1653/2004-055-15-00.4)

|
|