Ano 5        -        Nº 1315        -        Curitiba (PR), 08 de janeiro de 2008.
FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Opinião
Eleição: exercício democrático e transtorno
Este é também o último ano de mandato de prefeitos e vereadores e um tempo de entediantes auto-elogios

São muitos os defensores da coincidência de eleições, evitando-se a periodicidade bienal ora vigorante, que para os brasileiros (e vale para qualquer campanha eleitoral) é mais um transtorno que um exercício democrático. Este 2008 é ano eleitoral e os pré-candidatos a prefeito já se movimentam. Reportagem de ontem da jornalista Catarina Scortecci, da sucursal da FOLHA em Curitiba, informa que duas dezenas de deputados estaduais já se habilitam a concorrer às prefeituras dos respectivos municípios. Em Londrina, pelo menos cinco candidatos potenciais já levantam suas bandeiras: os deputados estaduais Antonio Belinati e Luiz Eduardo Cheida e os federais Alex Canziani, André Vargas e Luiz Carlos Hauly. Eles são ''eternos'' candidatos em qualquer pleito que venha pela frente.

Este é também o derradeiro ano de mandato dos prefeitos e vereadores e poderá ser um período de esforço extra para mostrar realizações. No caso dos prefeitos, eles irão raspar o fundo do tacho das verbas disponíveis e aplicá-las onde for possível. Quem está no poder e não visa reeleição, foca suas vistas em outros cargos eletivos futuros, porque daqui a dois anos tem mais eleição, dessa vez para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. Ou, se não pensa nisso, pode desejar eleger um sucessor do mesmo partido, o que significa também uma forma de prestígio. A reportagem mostra sinais de que o ano será de pouca produtividade na Assembléia Legislativa por conta da faina eleitoral.

Se o rendimento já não era grande, os deputados tenderão a apresentar e discutir projetos de repercussão momentânea, no entender do analista Antonio Celso Mendes, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, citado na reportagem. Eles correrão para diante das câmeras e debaixo dos holofotes. Um novo palco de campanha dos deputados candidatos a prefeito ou que apóiam parceiros será a TV recentemente inaugurada na Assembléia. A disputa, como todas as outras, deverá ser ferrenha também com vista às câmaras municipais, não tanto por espírito público e o ideal de servir e sim porque se trata de um excelente emprego. Quem contestar que isto não é levado em conta (em muita conta) já começa mentindo ao eleitorado. Esse anseio primordial não é apenas desses candidatos específicos e sim de todos os que buscam eleger-se pela primeira vez ou reeleger-se.

O analista mencionado declara que a política se tornou uma atividade rentável e que a tendência é os políticos se eternizarem no poder, porque eles sempre têm mais chance que os candidatos estreantes. Ele propõe, e com sentido, uma reforma da legislação, de modo a evitar isso. O ideal seria que o mandato dos eleitos para cargos legislativos tivesse a mesma duração dos mandatos executivos. Estes nove meses que antecedem as eleições (que serão dia 5 de outubro, em primeiro turno) são um tempo precioso para os eleitores avaliarem seus candidatos. Prefeitos que tiveram fraco desempenho e vereadores carreiristas não merecem ser reeleitos.


FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Opinião
Participação Popular - Só o povo consegue mudar a cabeça dos políticos
Para o cientista político Ricardo Oliveira, da UFPR, Congresso só funciona sob pressão; ‘Boa parte dos parlamentares se considera super-homem, acima das Leis’

Arquivo FOLHA

‘ A questão do plebiscito para mudança de Constituição enfrenta desgaste na América do Sul, mais especificamente na Venezuela e na Bolívia’, afirma Oliveira


O Congresso Nacional deve discutir, assim que voltar do recesso, um projeto que prevê a realização de plebiscito para revisão constitucional ligada às reformas política e tributária. Segundo a proposta do deputado Flávio Dino (PCdoB/AL), parlamentares eleitos em 2010 teriam a tarefa de promover alterações na Carta Magna nacional, respeitando as cláusulas pétreas para não prejudicar direitos dos trabalhadores e sociais.

Em entrevista à FOLHA, o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Oliveira, mostrou-se contrário à realização do plebiscito, argumentando que a consulta popular não é o ponto principal da questão. Para ele, em primeiro lugar é preciso discutir a cultura política e uma série do comportamentos do brasileiro, que precisa cobrar mais dos seus representantes.

O que o senhor acha da idéia de fazer plebiscito para saber se a população aprova uma revisão na Constituição?

A questão do plebiscito para mudança da Constituição enfrenta um grande desgaste na América do Sul, mais especificamente na Venezuela e na Bolívia, que achavam que poderiam resolver graves problemas estruturais apenas modificando a Constituição. A idéia de que uma Constituinte irá refundar todo um país, achando que as Leis podem mudar toda uma realidade mostrou-se uma farsa. A grande questão não é alterar a Constituição. Além disso, dificilmente o atual governo teria espaço político para qualquer nova proposta de emenda constituicional. Já há um desgaste em função da derrota da CPMF, mostrando que o governo não tem a maioria para aprovar qualquer proposta.

O plebiscito traz uma falsa sensação de democracia?

Referendos e plebiscitos são extremamente importantes para o fortalecimento da democracia, mas antes você precisa preparar a população e discutir o assunto. Mais importante do que achar que um plebiscito vá resolver o problema é discutir toda uma cultura, uma série de comportamentos. No referendo do desarmamento, não estava em jogo apenas a questão das armas, mas todo um contexto social e estrutural que gera violência, corrupção na polícia, cultura da impunidade. É um processo político muito mais complexo do que uma falsa visão de que uma mudança no arcabouço jurídico ou constitucional irá, como em um passe de mágica, resolver problemas graves do país. Não é pela Lei que você transforma a realidade comportamental.

Como será possível mudar o sistema político do país então?

Com diálogo, entendimento. A própria Justiça Eleitoral é que está regulando e adequando Leis para tentar moralizar as eleições, já que o próprio poder legislativo não consegue fazer isso. Algumas coisas precisam mudar com urgência, como por exemplo a figura do suplente. É um absurdo. Muitas vezes o senador é eleito, ocupa outro cargo, e assume um suplente que não teve votação direta.

O que mais pode ser feito para moralizar a política nacional?

Outro ponto em que a Justiça Eleitoral pode ser mais rigorosa e efetiva para ajudar a controlar o Legislativo e os maus parlamentares é a questão patrimonial. Nós temos uma verdadeira casta de políticos profissionais, que começam a carreira como vereador, viram deputados, governadores, senadores, ministros, e o patrimônio tem um aumento completamente incompatível com a trajetória deles. Cada vez o parlamentar quer mais vantagens, mais salário, verba de gabinete, verbas indenizatórias, e ele tem uma movimentação financeira sem limite, porque não tem quem controle.

É possível sobrepor os interesses tanto de governo quanto de oposição para promover estas mudanças?

É preciso vontade não apenas dos partidos, situação e oposição, mas principalmente da sociedade civil organizada. Nós temos que ter um envolvimento de entidades como a OAB, movimentos sociais, estudantis, associações de empresários, sindicatos, ou seja, uma mobilização de verdade para coibir os excessos. A atividade parlamentar está se convertendo cada vez mais em uma atividade cara, que só beneficia o abuso do poder econômico, e aí vira uma plutocracia. Só se elege quem tem muito dinheiro ou é financiado, seja na esfera pública ou na esfera privada. Isso quando não entra financiamento de atividades como caixa dois - que de certa forma ainda é admitido quando tinha que ser pesadamente combatido - ou ainda financiamento de atividades criminosas como narcotráfico, roubo de cargas.

Sobre a participação das entidades, podemos dizer que o Congresso só funciona sob pressão?

Exatamente, tem que ser assim. Se não houver fiscalização, aquilo lá vira a casa dos privilégios. Boa parte dos parlamentares se considera super-homem, acima das Leis. Com a pressão da sociedade, isso muda. É a única forma de colocar um freio nestes abusos.


Marco Feltrin
Reportagem Local


FETRACONSPAR, 08 de janeiro de 2008
Perspectivas
Presidente da FETRACONSPAR se reúne com Supervisor Técnico do DIEESE/PR

Perspectivas na Construção Civil é o tema da reunião entre Geraldo Ramthun e Cid Cordeiro
 
Foi realizada na tarde desta terça-feira (08/01), na sede da FETRACONSPAR, reunião entre o presidente da entidade – Geraldo Ramthun e o Sr. Cid Cordeiro Silva - Economista e Supervisor Técnico do DIEESE Paraná.

Dentre os temas abordados destaque para a análise dos indicadores conjunturais da construção civil paranaense de 2007 e perspectivas para o ano de 2008.

 

FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Curitiba
Ano novo, emprego novo
Candidatos formam fila em Curitiba na busca por um trabalho formal em 2008

Contrariando a máxima segundo a qual o Brasil só começa a funcionar após a folia do Carnaval, candidatos a um emprego formal partiram para a busca por trabalho logo no início do ano. Na Agência do Trabalhador, a procura começou já na primeira semana e ontem os candidatos formavam fila na Agência Central, em Curitiba.

Depois de deixar por conta própria o emprego numa montadora em junho do ano passado para investir em um estabelecimento comercial, Otniel Alves, de 30 anos, decidiu adiar os planos de empreendedor e quer voltar a ter carteira assinada em 2008. ‘‘Virou o ano a pessoa tem que renovar’’, afirma Alves. Ele passou os últimos seis meses trabalhando com o pai, dono de uma loja de confecções, e pretendia abrir o próprio comércio mas precisou rever os planos. ‘‘Faltou investimento. Assim você acaba naufragando, não fica no mercado. Vou me preparar mais para voltar para isso aí. Vou fazer cursos no Sebrae’’, projeta.

Osmario Pereira Lima, de 43 anos, quer voltar ao mercado formal para recuperar a segurança de um salário fixo. Após perder o emprego no setor de pintura automotiva na metade de 2007, Lima honrou as contas da casa com serviços prestados no mercado informal, mas não quer mais depender da renda incerta de trabalhos esporádicos. ‘‘Com emprego fixo você não fica com medo de abrir uma prestação porque já está contando com aquilo’’, justifica.

Para Dagmar Pereira Neves, de 21 anos, o clima de virada de ano serviu como estímulo para buscar a independência financeira. ‘‘Agora tomei essa decisão: quero trabalhar. Sou casada e agora quero ter minha independência, ter meu dinheiro, ajudar em casa’’, explica. ‘‘No começo do ano dá mais ânimo. Tem mais vagas, estão procurando mais pessoas para trabalhar’’, avalia Dagmar.

Segundo a gerente da Agência Central do Trabalhador, em Curitiba, Elaine Ribeiro de Souza Anderle, a oferta de vagas em janeiro costuma ser a mesma dos demais meses do ano, a procura é que sofre uma diminuição, o que pode ser vantajoso para quem está concorrendo a um posto de trabalho. ‘‘A concorrência é menor porque muitos ainda estão na praia em trabalhos temporários. Com menos gente, as empresas acabam flexibilizando as exigências pela necessidade de preencher o quadro de funcionários’’, revela a gerente.

De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese/PR), Sandro Silva, o ano de 2008 deve manter a geração de empregos de 2007, embora em ritmo menos acelerado, porque a tendência é de manutenção do crescimento.

O balanço da geração de empregos no Paraná em 2007 ainda está sendo fechado mas a expectativa é de que o desempenho do ano que passou alcance um saldo próximo ao de 2004, quando foram gerados 122.648 empregos, o melhor desempenho registrado no Estado desde 1992. Em 2006, foram gerados 86.396 empregos. Até novembro de 2007 o saldo chegou a 153.579 vagas preenchidas. Segundo Silva, esse número deve cair no fechamento do ano porque tradicionalmente o saldo de demissões do mês de dezembro é superior ao de contratações.


Denise Ribeiro
Equipe da Folha


FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Curitiba
Registro em carteira para garantir aposentadoria

Confiante nas projeções que apontam a geração de mais empregos este ano, Rizonete Rosa Beltrão, de 31 anos, espera estrear sua carteira de trabalho em 2008. ''Com fôlego novo dá mais pique. Na verdade todo começo de ano tem que entrar pensando positivo. A promessa é que tenha mais emprego, principalmente aqui no Paraná. Então a gente tem que fazer a nossa parte de tentar e esperar'', afirma.

Filha de trabalhador rural, Rizonete passou a se preocupar com os benefícios de um emprego formal após observar a dificuldade do pai em comprovar os anos dedicados ao trabalho na lavoura para obter a aposentadoria. ''Nunca me preocupei com registro em carteira, mas vai chegar o dia em que vou precisar. A realidade bate e a gente tem que aceitar'', observa Rizonete, que sempre trabalhou como empregada doméstica. Há pouco tempo ela passou por uma fábrica de alimentos, na qual trabalhou por cinco meses sem registro por falta de informação. ''Minha carteira ficou guardadinha lá e não foi registrada. Quando descobri eu saí. Não sabia que tinha que assinar nada'', conta.

Quem tiver dúvidas, como Rizonete, sobre como deve firmar seus contratos de trabalho pode procurar a Agência do Trabalhador. Todos os serviços são gratuitos. Além da intermediação entre empresas e candidatos, a agência oferece cursos de capacitação, cadastra prestadores de serviços eventuais na Central do Profissional Autônomo e Pequenos Serviços, orienta sobre o seguro desemprego e mantém um programa voltado exclusivamente a pessoas com necessidades especiais.

Em Curitiba, o trabalhador pode fazer o seu cadastro pessoalmente nos postos da Agência do Trabalhador localizados nas Ruas da Cidadania ou na Rua Pedro Ivo, 744, Centro. A Agência também mantém postos nos municípios da Região Metropolitana e de todo o Estado. (D.R.)

Serviço

- O cadastro também pode ser feito via internet no www.setp.pr.gov.br. Mais informações pelo telefone (41) 3883-2244 ou no próprio site.


FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Economia
Novos investimentos impulsionam RMC
Municípios da região de Curitiba estão otimistas em 2008; previsão é de crescimento superior ao ano passado

Curitiba - Para alguns municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), 2008 chega com a perspectiva de ser um ano promissor. Com expectativa de novos (e grandes) investimentos, os administradores dessas cidades se mostram otimistas e prevêem um crescimento econômico superior ao de 2007. Entre os que vislumbram um ano positivo estão São José dos Pinhais e Araucária, dois dos municípios que já estão entre os que mais arrecadam no Estado.

Em São José, os novos investimentos chegaram já no fim de 2007, com a inauguração de um centro de distribuição da Aurora Alimentos, um dos maiores grupos agroindustriais do País. ''Por nossa localização privilegiada, estamos sendo procurados por centros de distribuição e esperamos atrair novos investimentos'', afirma o prefeito Leopoldo Meyer (PSDB). Além disso, a Renault, uma das montadoras de veículos instaladas no município, anunciou a ampliação de sua produção, com o início da fabricação de um novo modelo, o Sandero.

Segundo Meyer, a empresa pretende ainda implantar um centro de desenvolvimento de produtos no Brasil. ''Existem outras cidades pleiteando esse investimento, mas como São José já possui uma fábrica da Renault, acredito que podemos trazê-lo para cá'', declara. O prefeito aponta ainda um crescimento de outras empresas ligadas ao setor automotivo que estão instaladas na cidade. ''Todas as empresas que vieram para o município, há uma década, junto com as montadoras também estão ganhando novos mercados e se expandindo'', comemora.

Além do crescimento do setor industrial, Meyer aponta como fator de otimismo a construção do primeiro shopping center de São José, com inauguração prevista para setembro. ''Isso vai gerar empregos e contribuir até para uma mudança de cultura no município'', diz. Com custo estimado em R$ 60 milhões, o empreendimento terá 140 lojas e cinco salas de cinema.

Com todos esses investimentos, o prefeito diz acreditar que a arrecadação do município deve continuar em crescimento. ''Nossa receita com o ISS (Imposto Sobre Serviço), por exemplo, já vem crescendo acima de 10% ao ano e devemos manter essa tendência em 2008'', afirma. Meyer, no entanto, faz uma resalva. ''As perspectivas são boas, mas estamos crescendo também em população e com isso crescem os problemas a serem resolvidos pela prefeitura'', declara.

Em Araucária, o otimismo com 2008 se deve principalmente às obras de ampliação da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), já iniciadas pela Petrobras. Até 2011, serão investidos cerca de R$ 5 bilhões para praticamente duplicar a unidade. No total, estima-se que aproximadamente 17 mil postos de trabalho sejam criados durante o período de obras. Para Osvaldo Davanso, assessor especial da Companhia de Desenvolvimento de Araucária (Codar), órgão ligado à prefeitura, a expectativa é que a ampliação da Repar possa atrair ainda mais investimentos. ''Temos várias consultas de empresas interessadas em se instalar no município e acreditamos que 2008 deva ser um bom ano'', diz.

Para atender a demanda dessas empresas, Davanso afirma que uma das preocupações da administração municipal é investir em capacitação de mão-de-obra. ''Nos últimos três anos, já qualificamos mais de 11 mil pessoas para atender as empresas'', garante. ''Se for necessário, podemos ampliar a oferta de cursos de qualificação'', acrescenta.


Rodrigo Lopes
Equipe da Folha


Gazeta do Povo, 8 de Janeiro de 2008
ECONOMIA | PREÇOS
Cesta básica subiu 11,46% em Curitiba
Aumento na capital parananense foi o menor do país, mas ainda assim acima do reajuste do salário mínimo
por ROSANA FÉLIX


Números da alta nos preços de alimentos

Curitiba foi a capital que registrou o menor aumento da cesta básica em 2007, entre 16 cidades pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A alta foi de 11,46%, mas mesmo assim ficou acima do reajuste do salário mínimo concedido em abril do ano passado, de 8,57%. Com essa variação, Curitiba, que geralmente tem a quarta cesta básica mais cara do país, fechou 2007 com o 10.º maior valor dos alimentos: R$ 187,23. São Paulo tem a cesta básica mais cara (R$ 214,63) e João Pessoa (PB), a mais barata (R$ 155,09).

Os alimentos, tanto em Curitiba como nas outras 15 capitais pesquisadas pelo Dieese, tiveram aumento de preço principalmente no segundo semestre. De acordo com o economista Sandro Silva, entre agosto e dezembro a cesta básica na capital paranaense subiu 11,55%. A maioria dos produtos vinha apresentado deflação desde 2006. Naquele ano, o custo da cesta básica apresentou queda de 5%. O aumento registrado no ano passado ficou abaixo do de 2005, quando a cesta havia subido 13,48%.
Henri Milléo/Gazeta do Povo



Batata teve a maior alta de 2007: 82,5%.

Em 2007, o grande vilão da cesta básica foi a batata, que subiu 82,5%. No início do ano, isso parecia muito improvável de ocorrer, já que uma safra recorde havia derrubado os preços do produto. Alguns supermercados venderam o quilo da batata a menos de R$ 0,40. No entanto, uma forte estiagem nos meses seguintes reverteu a tendência de queda. “Em 2006, o preço da batata havia caído 53%. Era esperada uma recuperação, mas ela foi mais forte em função dos problemas climáticos”, disse Silva.

O feijão preto foi outro produto que apresentou forte alta (57,14%) em decorrência da estiagem. O aumento do preço se concentrou nos últimos meses do ano: entre outubro e dezembro, a alta foi de 43,9%. “A estiagem atrapalhou até a safra intermediária e atrasou o plantio para a próxima. Como a colheita ficará atrasada também, a oferta se manterá baixa e isso mantém os preços em patamares altos.”

Dos 13 produtos da cesta básica, apenas três tiveram redução de preço em Curitiba durante 2007. A maior queda foi registrada no preço do açúcar (-24,18%). De acordo com Silva, essa variação já era esperada, uma vez que em 2006 o produto havia subido 18,6%. “Além disso, houve maior produção no ano passado, enquanto que as exportações, prejudicadas pelo câmbio, não pressionaram o preço no mercado interno.”


O ESTADO DO PARANÁ, 08 de janeiro de 2008 | Política
Bancada do Paraná usa quase toda verba extra
Roger Pereira

Os deputados federais paranaenses gastaram, em 2007, mais de R$ 4,7 milhões em verba indenizatória, numa média de R$ 156,6 mil para cada um dos 30 parlamentares que formam a bancada do Estado, além dos salários e de outros benefícios que recebem, como verbas para gabinetes.

Com direito a R$ 15 mil mensais para pagar despesas de escritório, transporte, hospedagem e alimentação, entre outros gastos de gabinete, cada deputado teve direito a R$ 180 mil no ano, para os reeleitos, e R$ 165 mil, para os que estão em primeiro mandato, já que o mandato teve início em fevereiro.

Dois parlamentares paranaenses não economizaram um centavo da verba a que tiveram direito. O gabinete de Abelardo Lupion (DEM) teve de fazer muitas contas para não estourar o limite. Com os R$ 18.885,51 gastos no mês de dezembro, o deputado fechou o ano com a conta zerada, gastando exatos R$ 180.000,00. O mês em que mais gastou foi abril, quando utilizou mais de R$ 38 mil, sendo R$ 35 mil para um trabalho de consultoria técnica.

Já o gabinete de Chico da Princesa (PR) não precisou fazer tantas contas assim. De acordo com as informações do gasto com verba indenizatória da Câmara dos Deputados, o deputado gastou exatos R$ 15 mil em todos os meses do ano. E sempre da mesma forma: R$ 5 mil para assessoria técnica, R$ 7 mil para locomoção e hospedagem e R$ 3 mil para contratação de serviços de segurança. “Este recurso me é destinado por direito, não fui eu que pedi, mas como tenho à disposição, utilizo com planejamento, para melhor executar meu trabalho”, disse o deputado, que justificou a necessidade de usar todos os recursos pelo fato de manter escritórios em Brasília, Curitiba, Londrina, Santo Antônio da Platina e Piraí do Sul. “Esse é o problema do deputado do interior. Trabalho para uma região de mais de 70 pequenos municípios, tenho que manter assessores perto de todos esses prefeitos para que eles sejam atendidos pelo governo federal”, argumentou, dizendo que utiliza os recursos apenas para a locomoção de seus assessores, pagando muitas de suas despesas “do próprio bolso”.

Já Ricardo Barros (PP) adota estratégia diferente. “Tem gente que compromete o recurso em gastos mensais, eu utilizo para pesquisas, e divulgação de minha prestação de contas, geralmente, no final de cada semestre”, disse. O saldo da verba não utilizada em um mês acumula-se para o mês seguinte, dentro de cada semestre. Com saldo acumulado, Barros gastou R$ 37,4 mil em dezembro.

Dos deputados que estão em primeiro mandato, o que mais se aproximou do limite de gastos foi André Vargas (PT), que fechou o ano com R$ 164.795,00 dos R$ 165 mil que teria direito. O mês de junho foi o mais caro para o parlamentar, que gastou R$ 20.360,63, na “divulgação da atividade parlamentar”, fechando o mês com R$ 31.146,31 gastos.

Divulgação da atividade parlamentar foi um dos itens que mais consumiu a verba indenizatória dos deputados paranaenses. Além deste, serviço de assessoria ou consultoria e gastos com combustíveis foram o destino de grande parte dos recursos.

A verba indenizatória surgiu há sete anos para substituir um reajuste salarial que vinha sendo discutido na Casa e que foi muito criticado pela sociedade. Além do salário mensal e da verba para pagamento do pessoal de gabinete, os deputados passaram a ter direito ao ressarcimento dos gastos com as atividades parlamentares. Apesar de a Câmara divulgar em seu site os valores gastos pelos deputados com a verba indenizatória, a Casa não permite o acesso às notas fiscais apresentadas pelos parlamentares.

Alguns parlamentares não concordam com a liberação destas verbas e não utilizam tais recursos, como Fernando Lopes (PMDB/RJ) e Miro Teixeira (PDT/RJ), mas nenhum paranaense abriu mão do benefício em 2007. O deputado que menos recorreu à verba indenizatória foi Hermes Parcianello (PMDB), que utilizou R$ 108.846,00. Na média, Parcianello utilizou cerca de R$ 5 mil mensais, com aluguel de escritório, combustível e locomoção. No entanto, em abril, o deputado recorreu ao benefício para comprar R$ 31.151,75 em material de expediente e voltou a buscar recursos em novembro (R$ 22.215,60) para a divulgação da atividade parlamentar.


 

Gazeta do Povo, 8 de Janeiro de 2008
POLÍTICA | ELEIÇÃO
Apesar da lei, propaganda eleitoral segue nos muros
Publicidade teria de ser retirada até um mês depois da votação
por FABIANE PROHMANN

Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Muro no Xaxim com propaganda de 2006: moradora reclama dos ex-candidatos


A Lei Eleitoral estabelece um prazo de 30 dias após a eleição para que a propaganda eleitoral seja retirada das ruas. Mas como não há nenhum tipo de punição prevista na legislação, muitos políticos não cumprem a determinação. Mais de três anos após a eleição municipal de 2004 e um ano e dois meses após o pleito de 2006, ainda há vários muros de Curitiba pintados com propaganda eleitoral de candidatos que concorreram nesses anos.

As últimas eleições para vereador foram realizadas no início de outubro de 2004. Se fosse seguir a determinação, os candidatos a uma vaga na Câmara deveriam ter pintado os muros há três anos e três meses. Já a eleição para prefeito foi decidida em segundo turno, no fim de outubro de 2004. Com isso, os candidatos deveriam ter limpado os muros há três anos e dois meses. Porém, a reportagem da Gazeta do Povo encontrou nas ruas da cidade propaganda do então candidato Beto Richa (PSDB) e do atual vereador Sérgio Ribeiro (PV).

Já as últimas eleições para deputados estaduais e federais, senador, governador e presidente da República ocorreram em 2006. Ou seja, há mais de um ano os muros cedidos para a campanha deveriam ter sido novamente pintados. Mas, em Curitiba, a Gazeta do Povo constatou que ainda há propagandas do governador Roberto Requião (PMDB), do senador Alvaro Dias (PSDB), dos deputados federais Gustavo Fruet (PSDB) e Ratinho Júnior (hoje no PSC, eleito pelo PPS), dos deputados estaduais Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) e Professor Luizão, do então candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) e do suplente de deputado estadual Alisson Wandscheer (PPS).

Promessa

A dona de casa Ivan de Lara, moradora do Xaxim, cedeu o muro para propaganda de dois candidatos: Ratinho Júnior e Alisson Wandscheer. A promessa era de que, após a campanha de 2006, o muro seria pintado. “Eles falaram que iam limpar logo depois da eleição. Prometeram que iam apagar. E até agora nada”, lamenta ela. Essa foi a primeira vez que dona Ivan cedeu o muro para campanha. “E foi a última vez. Estou pensando em comprar tinta para eu mesma pintar.”

O aposentado Clemente dos Santos Lauton, morador do Novo Mundo, afirma que sempre empresta o muro para as campanhas, mas somente para candidatos que ele apóia. Em 2006, cedeu o muro para propaganda de Gustavo Fruet, que não foi apagada.

“Ele (Gustavo Fruet) me deu dinheiro para comprar tinta, mas ainda não comprei. Acho que vou pintar no fim de semana”, afirma Lauton. “Eu não me importo, sempre dou autorização para pintar o meu muro. Agora vem outra eleição. Então tenho que deixar ele branco de novo, para poder usar com um outro candidato.”

Publicidade não-apagada

Confira os locais de Curitiba onde a reportagem da Gazeta do Povo encontrou propaganda eleitoral em muros e quais são os candidatos que os utilizaram na campanha:

• 1. Avenida Marechal Floriano Peixoto, entre a Rua Chile e Rua Almirante Gonçalves, no Rebouças.
Candidatos: Gustavo Fruet (deputado federal, PSDB), Alvaro Dias (senador, PSDB) e Geraldo Alkmim (presidente, PSDB)

• 2. Praça Imer Collares Marques, esquina com a Rua Acindino Rosa Neves, no Xaxim
Candidato:Professor Luizão (deputado estadual, PT)

• 3. Rua José Brum, 509, no Xaxim
Candidato: Ratinho Júnior (deputado federal, PPS) e Alisson Wandscheer (deputado estadual, PPS)

• 4. Rua João Surian, esquina com a Rua Nair Costa Padilha, 42, no Novo Mundo
Candidato: Gustavo Fruet (deputado federal, PSDB)

• 5. Rua Maria Caron Joaquim, esquina com a Rua Carlos Blanck, no Portão
Candidatos: Luiz Cláudio Romanelli (deputado estadual, PMDB) e Roberto Requião (governador, PMDB)

• 6. Rua Carlos Blanck, em frente ao número 427, no Portão
Candidato: Beto Richa (prefeito, PSDB)

• 7. Rua Francisco Klentz, esquina com a Avenida Arthur Bernardes, no Portão
Candidato: Sérgio Ribeiro (vereador, PV)


Gazeta do Povo, 8 de Janeiro de 2008
POLÍTICA | ELEIÇÃO
Ex-candidatos alegam desconhecimento
por FABIANE PROHMANN

A maioria dos ex-candidatos que ainda têm propaganda em muros de Curitiba justifica o descumprimento à Lei Eleitoral informando que não sabia que ainda havia publicidade das campanhas passadas nas ruas da cidade.

O deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) afirmou que não tinha conhecimento de muros pintados com seu nome em Curitiba. “Na verdade, não fiz pintura de muro por iniciativa minha na cidade. Foram alguns amigos que fizeram, por iniciativa pessoal”, afirmou ele. “Não consigo ter controle de todos os muros, mas vou mandar apagar.”

A mesma justificativa foi usada pelo deputado estadual Professor Luizão (PT). Ele também afirmou que não sabia que ainda havia propaganda sua nos muros. “Mandei apagar todos os meus muros”, contou. “Vou mandar apagar esse muro o quanto antes”, garantiu Luizão. Para o deputado, deveria haver uma legislação proibindo a utilização de muros. “Eu uso porque os outros candidatos também usam. Mas acho que (a propaganda em muros) suja muito a cidade.”

O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) afirmou que o muro da Marechal Floriano faz parte de um terreno de seu avô. Por isso, a propaganda continua lá. “Se houver alguma determinação do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), eu tiro. Mas como o muro é da família e eu não estou disputando nenhuma eleição, eu deixei.” Fruet, porém, também concorda que este tipo de propaganda deveria acabar.

O deputado federal Ratinho Júnior garantiu que todos os seus muros foram pintados. “A mesma equipe que foi contratada para pintar os muros ficou encarregada de apagar. Mas pode ter havido uma falha”, admitiu Ratinho. “Vou verificar.” O suplente de deputado Alisson Wandscheer (PPS) também disse que todos seus muros foram pintados. “Pode ter ficado algum de fora, mas todos os que estavam na nossa relação foram repintados”, disse.

O senador Alvaro Dias (PSDB) contou que ainda há vários muros pintados com propaganda sua em Curitiba. “Isso é de responsabilidade do candidato. Toda vez que recebo uma comunicação, seja do morador ou do TRE, eu mando apagar.”

O vereador Sérgio Ribeiro (PV) e o deputado federal Ratinho Júnior foram procurados pela reportagem, mas não foram encontrados. A assessoria de imprensa da prefeitura de Curitiba informou que não se manifestaria sobre o assunto, já que os muros com propaganda de Beto Richa foram pintados antes de ele ser eleito.

Já Valdir Rossoni, presidente estadual do PSDB, partido de Richa, afirmou não ter conhecimento do fato. “Isso é uma novidade para mim”, disse. “Não sei qual deve ser a atitude do partido, mas o melhor é mandar pintar os muros. Não vamos fugir da nossa responsabilidade”, garantiu.

O secretário geral do PMDB do Paraná, João Arruda Júnior, também não tinha conhecimento de que ainda havia muros pintados com propaganda de Roberto Requião. “A coligação Paraná Forte é a responsável. A informação que eu tinha era de que todos os muros haviam sido pintados”, disse. “Vamos tomar providências.” A assessoria de imprensa do PPS informou que não tem informação de nenhuma pintura de muro pendente.


FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Política
'É preciso cortar na veia', diz Lula
Presidente disse que só conseguirá compensar a perda da CPMF com a redução de R$ 20 bilhões nos gastos dos três poderes

Brasília - Em meio às queixas de parlamentares e juízes dos tribunais com os cortes de despesas anunciados pelo governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que só conseguirá compensar a perda da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) com a redução de R$ 20 bilhões nos gastos dos três poderes. ''Resolvemos com muita seriedade e tranqulidade anunciar ao Brasil que temos que cortar na veia outra vez'', afirmou. ''Temos que cortar os gastos'', completou. ''Isso vale para o Poder Executivo, o Judiciário e o Legislativo.''

Numa entrevista divulgada ontem pelo programa de rádio ''Café com o Presidente'', Lula observou que os banqueiros, por exemplo, não reclamaram do aumento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) dos bancos, de 9% para 15%, uma das medidas anunciadas pelo governo. ''Não reclamaram porque os bancos tiveram muito lucro nesses últimos anos'', avaliou. ''Agora, os bancos estão ganhando, eles vão poder pagar um pouco mais.''

A Câmara, o Senado e os tribunais de Justiça planejavam uma farra de obras neste ano, com reformas de gabinetes e construções de anexo. As medidas anunciadas na semana passada pelo governo para compensar a perda de R$ 40 bilhões da receita do imposto do cheque não foram bem recebidas por parlamentares e ministros do Judiciário.

Nas contas de Lula, o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da contribuição dos bancos vão render ao governo ''por volta'' de R$ 10 bilhões e o corte de despesas mais R$ 20 bilhões. Ele pretende atingir os R$ 40 bilhões, receita anual estimada da CPMF, com o crescimento da economia.

O presidente comentou as obras previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), como a refinaria de petróleo em Pernambuco, a ferrovia Norte-Sul e a transposição das águas do rio São Francisco. Lula também citou o programa de financiamento de moradia da Caixa Econômica Federal, que já contratou R$ 17 bilhões. ''O governo está tranqulo com as coisas que estão acontecendo, porque fizemos sacrifício no primeiro mandato'', disse. ''Certamente, estaremos sempre muito vigilantes para que a gente não permita que haja nenhum desvio nas metas que nós já traçamos para chegar a 2010.''

Lula ressaltou que o governo pretende manter os programas sociais, mesmo com o suposto rombo no orçamento. Ele ainda destacou as ações na área do ensino, com a ampliação da rede universitária e de escolas técnicas. O governo está investindo na construção de dez novas universidades e 214 escolas de ensino profissionalizante.

À tarde, o presidente recebeu no gabinete do Palácio do Planalto a rainha e as princesas da Festa da Uva de Caxias do Sul, que acontece de 21 de fevereiro a 9 de março. Lula, que já participou de duas edições do evento como presidente, disse pretende retornar à serra gaúcha na abertura da festa neste ano, segundo organizadores.


Leonencio Nossa
Agência Estado

 

Gazeta do Povo, 8 de Janeiro de 2008
BRASIL | IMPOSTOS
PSDB tenta anular no Senado o aumento do IOF proposto por Lula
Alvaro Dias pede convocação da Comissão do Congresso, que pode suspender projeto
por KEYSE CALDEIRA E AGÊNCIAS

Curitiba – O senador paranaense Alvaro Dias (PSDB) apresenta hoje no Senado um decreto legislativo para anular o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no último dia 3. Essa é a primeira ação da oposição, leia-se PSDB e DEM, contra o pacote fiscal anunciado pelo governo para compensar a perda de R$ 40 bilhões com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), irá decidir se convoca a Comissão Representativa do Congresso Nacional. A Comissão pode colocar em votação o decreto que será apresentado hoje pela oposição.

“Se o presidente do Senado não convocar a Comissão, a votação fica para fevereiro. Acredito que ele não irá convocar porque não quer desagradar ao governo federal nesse momento”, disse o senador Alvaro Dias à Gazeta do Povo. Se a decisão ficar para fevereiro, Dias acha que no Senado será aprovada, mas na Câmara não teria tanta certeza. “Na Câmara, cerca de 150 deputados serão candidatos a prefeito. Muitos não querem sofrer desgaste eleitoral.”

A Comissão é composta por 17 deputados e oito senadores e tem o poder de sustar atos normativos do Poder Executivo.

O líder do DEM no Senado, senador José Agripino Maia (RN), disse que também quer apresentar um decreto legislativo com teor semelhante. “O ano começou com o quadro tenso, a corda esticada”, comenta o senador.

O pacote do governo enterrou de vez qualquer chance de aprovação da reforma tributária em 2008, disse Agripino.


FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Política
DEM entra na Justiça contra aumento do IOF
O argumento é que há cobrança dupla do imposto; presidente dos democratas diz que pacote do governo é um desrespeito com o Congresso

Brasília - O DEM entrou ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) com ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra as medidas que aumentaram a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Num segundo movimento contra o pacote tributário do governo, o DEM entra hoje com outra ação na Corte contra o aumento da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) para o setor financeiro. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), chamou de cínico o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que alegou que o compromisso do governo de não aumentar impostos era apenas até o dia 31 de dezembro de 2007.

''O ministro foi completamente cínico e fez uma coisa atrapalhada e desrespeitosa'', resumiu Maia. ''A nossa intenção é anular a decisão do governo em relação ao aumento da carga tributária'', explicou. No dia 2 de janeiro, o governo anunciou um pacote com o reajuste das alíquotas de impostos para compensar o fim da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada pelo Senado em dezembro. Para aprovar a Desvinculação das Receitas da União (DRU), o governo havia se comprometido a não baixar pacote com aumento de impostos.

No final da tarde de ontem, o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi ao Supremo e entrou com a Adin contra o aumento do IOF. O argumento do democratas é que há cobrança dupla do imposto. Além disso, alega o partido, a medida do governo feriu o princípio da isonomia uma vez que a alíquota para empréstimo a pessoa física dobrou, enquanto a da pessoa jurídica permaneceu inalterada, em 0,041%.

Hoje, o DEM deverá entrar no Supremo com Adin contra o aumento da CSLL, a partir de abril, para o setor financeiro. O argumento da oposição é que essa majoração tem de respeitar o princípio da anualidade, o qual estabelece que o aumento da contribuição só pode entrar em vigor no ano seguinte ao de sua implantação. Ou seja, o aumento do IOF só poderá ocorrer em 2009.

Em 1988, segundo explicou Maia, o Supremo considerou inconstitucional a criação e a cobrança no mesmo ano da CSLL. Mas, em 1989, o mesmo tribunal deu aval à contribuição. Os democratas estão esperançosos que agora o Supremo não deixe que o aumento da CSLL para os bancos comece a vigorar já este ano. Rodrigo Maia rebateu os argumento do governo de que apenas os bancos serão prejudicados com o aumento da CSLL. ''Só na cabeça do ministro da Fazenda e do presidente Lula é que banqueiros não assimilam custos de impostos. Ou seja, esses custos serão repassados ao cidadão'', previu Maia.

O presidente do DEM afirmou ainda que o pacote do governo é um ''desrespeito'' com o Congresso. Maia lembrou também que o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), havia dado sua palavra de que não haveria aumento de impostos para compensar o fim da CPMF. Além das ações de inconstitucionalidade, o DEM junto com o PSDB pretende apresentar decreto legislativo para tentar anular o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aumentou o IOF.

Maia anunciou ainda que o partido começará a recolher assinaturas para criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a revelação feita pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu que admitiu que recursos provenientes de caixa 2 financiaram a construção da sede do PT, em Porto Alegre. Segundo Maia, a idéia é criar uma CPI mista, formada por senadores e deputados federais. São necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores para que a instalação da CPI.

Eugênia Lopes
Agência Estado

FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Política
Para Bernardo, STF vai barrar questionamento

São Paulo - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem que não acredita que o governo terá problemas para manter as elevações de tributos anunciadas na semana passada. Para ele, a atitude da oposição de questionar as medidas na Justiça faz parte do processo político, mas ele acha que o questionamento vai terminar barrado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Bernardo afirmou que no caso do IOF está clara a prerrogativa do Executivo de elevar o imposto e lembrou que o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tomou tal decisão. Ele também disse que não considera que ocorra bitributação no IOF, como apontado pelo DEM. ''É só uma fórmula de cálculo. Não é bitributação.''

No caso da CSLL, o ministro destacou que a apuração do lucro dos bancos é trimestral e, por isso, não vê chance de prosperar a tese de que ela só poderá ser cobrada a partir de 2009. Bernardo reuniu-se ontem com o ministro da Articulação Política, José Múcio, para consolidar as informações e organizar a ação do governo ao longo da semana.

Ele informou que na quarta-feira, às 11 horas, ele fará reunião com o relator do Orçamento, deputado José Pimentel (PT-CE), e o presidente da Comissão do Orçamento, José Maranhão (PMDB-PB). Na quinta-feira, os três voltam a se encontrar junto com Múcio e líderes da base aliada.

Segundo Bernardo, o governo tem, sim, pressa para aprovar a peça orçamentária, para dar continuidade aos projetos do PAC e também para passar um sinal positivo aos agentes econômicos. Ele também afirmou que é um ''absurdo'' a notícia de que o governo cortaria emendas parlamentares apenas de partidos da oposição. Segundo ele, os cortes serão feitos independentemente de partido.


Fabio Graner
Agência Estado


FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Política
Aliados avisam que cortes devem piorar tensão

Brasília - Com o diagnóstico pronto sobre a situação da base aliada no Congresso depois do anúncio das medidas que buscam compensar a perda de arrecadação causada pelo fim da CPMF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai reunir a coordenação política na quinta-feira.

A idéia é traçar a estratégia a ser implementada pelo governo para garantir a execução das medidas e a aprovação do texto do Orçamento Geral da União. Antes, os assessores diretos de Lula receberam mensagens dos aliados de que o governo deverá evitar cortes de emendas parlamentares na tentativa de impedir o acirramento do clima no Senado e na Câmara.

Ontem os ministros José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Planejamento) receberam do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), um recado enviado por vários integrantes da base aliada. A reportagem apurou que deputados e senadores prevêem deterioração nas relações com o Congresso caso a equipe econômica resolva cortar emendas parlamentares de bancada e também individuais.

Apesar de os eventuais cortes terem de ser discutidos pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso, a possível recomendação do governo pesará sobre a posição assumida pelos partidos. Hoje, Múcio deverá fazer uma nova rodada de reuniões com Bernardo e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência). Na quinta-feira, Lula faz a reunião de coordenação. Segundo interlocutores, Jucá teria dito a Bernardo e Múcio que o descontentamento da base aliada aumentou também em decorrência da demora na nomeação de cargos para presidências e diretorias em várias estatais. Na quarta-feira, o presidente deve jantar com o comando do PMDB.

Folhapress

 

FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Política
Cassação de deputado pode levar Severino à Câmara

Brasília - O processo de cassação do mandato do deputado federal Marcos Antônio Ramos da Hora (PRB-PE) por infidelidade partidária poderá reconduzir o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti (PP) à Casa, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2005, Cavalcanti renunciou à presidência sob acusação de cobrar propina do empresário Sebastião Buani, dono de um restaurante na Câmara.

A petição contra Da Hora foi ajuizada no TSE no último dia 31. Nela, o suplente de deputado federal Fernando Antônio Rodovalho (PSC-PE) tenta reaver o cargo de Da Hora, que após ser eleito pelo PSC teria passado por outras duas legendas em menos de seis meses. De acordo com o TSE, Cavalcanti é o primeiro suplente da coligação que elegeu Marcos da Hora. O ministro Cezar Peluso será o relator do caso. O julgamento poderá esclarecer se o mandato pertence ao partido ou à coligação.


Elvis Pereira
Agência Estado

 

Gazeta do Povo, 8 de Janeiro de 2008
BRASIL | INSS
Governo suspende empréstimo consignado a aposentado

São Paulo – O governo suspendeu no último dia 2 as operações de crédito consignado a aposentados e pensionistas. A suspensão será mantida até que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) consolide todas as mudanças nas regras das operações. Em dezembro, o INSS ampliou o prazo máximo de pagamento dos empréstimos com desconto em folha de pagamento de 36 para 60 meses.

De acordo com a assessoria do Ministério da Previdência Social, o INSS deve agora mudar o valor da prestação. Atualmente, os aposentados e pensionistas podem comprometer até 30% do total do benefício no pagamento dos empréstimos, e o INSS deverá reduzir esse limite para 20%.

Os empréstimos ficarão suspensos até que o novo porcentual seja publicado, o que deve ocorrer ainda neste mês. A mudança no prazo foi estabelecida na Instrução Normativa N.º 24, publicada no dia 20 de dezembro no Diário Oficial da União. A taxa de juros aplicada às operações de empréstimos consignados para aposentados e pensionistas é de até 2,64% ao mês.

Nos últimos três anos, foram realizados 20,7 milhões de operações de empréstimo com desconto em folha por aposentados e pensionistas. De acordo com balanço do Ministério da Previdência Social, de maio de 2004 até agosto de 2007, 8,4 milhões de pessoas recorreram aos empréstimos e os recursos liberados totalizaram R$ 27,3 bilhões. Somente em agosto, o valor de empréstimos foi de R$ 904,1 milhões.

De acordo com a assessoria do Ministério da Previdência, as operações de empréstimo consignado – com desconto em folha – a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começaram a ser realizadas em maio de 2004.


GAZETA DO POVO, 08 de janeiro de 2008 | Cursos & Palestras
 

 

Agência Senado, 8 de Janeiro de 2008
Lúcia Vânia quer incluir na CLT medidas de proteção ao trabalhador idoso



Projeto de lei da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) visa incluir na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) capítulo com medidas de proteção ao trabalho do idoso. Os dispositivos reproduzem recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1980, destinadas a reduzir as dificuldades dos trabalhadores com mais de 60 anos. A proposta da parlamentar reitera ainda determinações do Estatuto do Idoso (Lei 8.842/94) quanto aos direitos do exercício de atividade profissional dessa faixa etária, desde que respeitadas as condições físicas, intelectuais e psíquicas desse trabalhador.

" As diferenças de tratamento em relação ao trabalhador idoso devem servir como forma de proteção e não para discriminar essa parcela da população", ressalta a senadora na justificação do projeto. Para Lúcia Vânia, ainda, o trabalhador idoso deve contar com a proteção do Estado em relação aos trabalhos penosos, insalubres, perigosos, "ou que sejam exercidos em ambientes com alta carga de pressão psicológica, sob pena de serem considerados atos atentatórios aos direitos ao trabalho e à igualdade do idoso".

De acordo com dispositivos do projeto, há possibilidade, mediante convenção ou acordo coletivo, de prorrogação do número de horas trabalhadas em até duas horas diárias, independentemente de acréscimo salarial, desde que o excesso de um dia seja compensado pela redução em outro. A jornada de trabalho dos idosos, determina ainda a proposta, não poderá exceder a 44 horas semanais ou outro limite inferior legalmente fixado.

Em situações excepcionais ou por motivo de força maior, e quando o trabalho do idoso for imprescindível ao funcionamento do estabelecimento, a prorrogação também poderá se dar até o máximo de 12 horas. Neste caso, a proposta exige acréscimo salarial de, pelo menos, 50% sobre a hora normal. E ainda, sempre que o trabalhador idoso tiver seu período de trabalho prorrogado por quaisquer motivos, deverá observar um descanso de 30 minutos antes de começar o trabalho extraordinário. Já os idosos que trabalham sob condições penosas, perigosas ou insalubres, determina o projeto de Lúcia Vânia, terão a jornada diária reduzida em 30 minutos, sem prejuízo do seu salário.

Ainda de acordo com a proposta, não podem ser admitidos idosos para trabalhos que exijam força muscular superior a 20 quilos em trabalho contínuo, ou 25 quilos, quando ocasional. Tal determinação não compreende o trabalhador idoso que utiliza vagonetes sobre trilhos ou carrinho de mão, bem como outros equipamentos ou máquinas para a execução do trabalho.

Qualificação

A proposta da senadora Lúcia Vânia também estabelece que 5% das vagas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), bem como do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) serão reservadas para profissionalização de idosos.

Estabelece ainda o projeto que o empregador deve realizar exames médicos, bem como de visão, na admissão, semestralmente e na demissão de trabalhadores com mais de 60 anos. Multa no valor de R$ 300 a R$ 3.000 poderá ser imposta ao infrator de quaisquer dos dispositivos. Na hipótese de ficar provado emprego de artifício ou simulação para fraudar a aplicação das medidas propostas, bem como em caso de reincidência, a multa será aplicada em seu valor máximo.

O projeto ((PLS 315/07) está em exame na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e, posteriormente, será encaminhado à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), para votação em decisão terminativa.


FOLHA DE LONDRINA, 08 de janeiro de 2008 | Cidades
Acidente deixa operário paraplégico

Um acidente de trabalho deixou Wesley Aparecido de França, 24 anos, paraplégico, ontem, em Londrina. Segundo o Corpo de Bombeiros, um carrinho de aproximadamente 700 quilos caiu sobre ele. O fato ocorreu no frigorífico Diplomata Agroindustrial (antiga Comaves), localizado no Parque das Indústrias Leves (Zona Leste), por volta de 12 horas.

O supervisor de Recursos Humanos da empresa, Maurício Chiesa Carvalho, disse que o rapaz trabalhava no departamento de produção e, no momento do acidente, empurrava um carrinho carregado de frangos congelados. ''Estamos apurando os detalhes e, provavelmente, em sete dias deveremos saber o motivo do acidente'', afirmou Carvalho, que desconhecia a gravidade do caso.

França foi encaminhado ao Hospital Evangélico (HE), onde realizou uma série de exames durante o dia. Conforme a assessoria de imprensa do hospital, até o final da tarde, nenhum funcionário do Diplomata ou parente do rapaz acompanhou os procedimentos médicos, embora residam na cidade. Hoje, ele será submetido a cirurgia na coluna e, por enquanto, não existe previsão de alta.

Há seis meses, Anderson Spandor, 18 anos, teve o braço direito arrancado por uma centrífuga de roupas dentro do frigorífico Diplomata. Sobre este fato, Carvalho atribuiu a responsabilidade à vítima, que era funcionário terceirizado de uma empresa catarinense. ''Cumprimos apenas o que diz a lei'', arrematou o supervisor de Recursos Humanos.

Betânia Rodrigues
Reportagem Local

CONSULTOR JURÍDICO, 08 de janeiro de 2008
Motorista e cobrador
Para PGR, estados não podem legislar sobre trabalho

Motorista de ônibus pode exercer também e simultaneamente a função de cobrador. A afirmação é do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, em parecer encaminhado pela inconstitucionalidade da Lei 12.252/06, de São Paulo, que proíbe os motoristas de veículos destinados ao transporte público de exercer ao mesmo tempo a atividade de cobrador.

A Ação Direita de Inconstitucionalidade foi proposta pelo governador do estado de São Paulo, José Serra. O procurador afirma que a lei viola o inciso XVI do artigo 22 da Constituição Federal, segundo o qual compete exclusivamente à União legislar sobre a organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de profissões.

“Ao vedar que certa categoria exerça uma específica atribuição está o estado de São Paulo a pretender regular determinada profissão. Ocorre, contudo, que pelo nosso modelo constitucional, as profissões devem receber tratamento jurídico planificado, uniforme em todo o território nacional”, afirma o MPF.

O parecer vai ser analisado pela ministra Carmem Lúcia, relatora do caso no STF.

ADI 3.960


Notícias do Tribunal Superior do Trabalho

08/01/2008
Prazos no TST estão suspensos até 31 de janeiro

Em função das férias coletivas dos ministros dos tribunais superiores, os prazos recursais no Tribunal Superior do Trabalho estão suspensos até o dia 31 de janeiro e voltam a contar a partir do início do ano judiciário, dia 1º de fevereiro.

A suspensão, prevista na Súmula nº 262 do TST, baseia-se no artigo 179 do CPC e no artigo 177 do Regimento Interno do TST.

 


08/01/2008
Acordo homologado judicialmente prevalece sobre convenção coletiva

A Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a embargos interpostos por um aposentado do Banco do Estado de São Paulo S. A. – Banespa que pretendia receber reajuste previsto em convenção coletiva não aplicada aos servidores da ativa. Anteriormente, a Segunda Turma do TST já havia rejeitado recurso de revista e embargos declaratórios do aposentado, que insistia na discussão da complementação de aposentadoria e na não prevalência de um acordo coletivo homologado nos autos de dissídio coletivo sobre a convenção coletiva anterior.

Segundo o aposentado, a decisão da Turma violou preceitos legais e constitucionais. Argumentou que o acordo coletivo de trabalho firmado pelo banco substituiu, para os empregados em atividade, o reajuste de 5,5% pela estabilidade no emprego para o período de 2002/2003, enquanto os aposentados ficaram sem o reajuste, por não se enquadrarem no requisito da garantia de emprego. Invocou a aplicação da convenção coletiva, norma mais favorável a ele.

O relator dos embargos, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, citou o acórdão da Segunda Turma, no julgamento do recurso de revista para lembrar que, segundo o Regulamento de Pessoal do Banespa, a complementação da aposentadoria tinha seu reajuste vinculado à majoração dos vencimentos da ativa. Destacou, ainda, que o artigo 620 da CLT dispõe que “as condições estabelecidas em convenção, quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em acordo”. No caso, os empregados da ativa não receberam o reajuste e o abono pretendidos pelo aposentado. “Se a convenção coletiva não é aplicável aos empregados em atividade, por força do acordo coletivo homologado judicialmente, também não será aplicável aos aposentados, que têm os reajustes salariais atrelados aqueles que se encontram em atividade”, afirmou o relator.

O ministro Aloysio Veiga destacou que a jurisprudência do TST baseia-se no princípio da unicidade das normas coletivas e na aplicação da teoria do conglobamento, que analisa de forma global as normas aplicáveis. “Não se interpretam as cláusulas coletivas de forma isolada, e sim sistemicamente”, ressaltou. Por unanimidade, a SDI-1 julgou manteve a decisão da Turma e julgou indevido o pagamento do reajuste de 5,5% ao aposentado do Banespa. (E-ED-RR-1009-2002-074-15-00.2)

(Mário Correia)