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CFT/PR, 11 de setembro
de 2008
Movimento Sindical do Paraná
em audiência com Ministro do Trabalho
O movimento Sindical
do estado estará em audiência rápida
com o Ministro Lupi na tarde desta quinta-feira dia 11, no Aeroporto
Afonso Pena. A Audiência agendada pelo Superintendente do Trabalho
do Paraná, Dr. João Graça, terá como objetivo
entregar ao Ministro o documento aprovado por ocasião do Encontro
Regional do FST realizado no dia 05 de setembro, que consiste no seguinte:
Deliberações do Encontro do FST no Paraná
Com a participação de 225 dirigentes sindicais de todo
o Estado do Paraná, reunidos na FECEP, em Curitiba, no dia 05
de setembro de 2008, as entidades abaixo relacionadas, deliberaram:
Apoio total aos processos que tramitam
no Tribunal Superior do Trabalho e no Supremo Tribunal Federal referentes à revogação
do Precedente Normativo nº. 119 do TST e da Súmula 666
do STF;
Apoio total ao Projeto de Decreto Legislativo nº. 857/2008, apresentado
pelo Deputado Federal Nelson Marquezelli (PTB/SP), que susta a Portaria
nº. 186/2008 do MTE. Que as entidades sindicais articulem junto
aos parlamentares para que a Portaria 186 seja suspensa o mais breve
possível. Que o FST - Fórum Sindical dos Trabalhadores,
articule junto ao Senado Federal, a exemplo do que fez o senador Paulo
Paim quando da portaria 160, para que um Senador também apresente
decreto legislativo sustando a Portaria;
Que o FST - Fórum Sindical dos Trabalhadores, prepare um projeto
alternativo sobre a contribuição negocial para se contrapor
ao anteprojeto apresentado pelo governo, podendo ser utilizado como
subsídio os argumentos do PL nº. 4554/2004 do ex-Deputado
Federal Sérgio Miranda; e
Que os Encontros Nacionais sejam realizados
em apenas um dia e sejam articulados com as centrais sindicais próximas e que comungam
com os posicionamentos do FST - Fórum Sindical dos Trabalhadores.
NOTAS:
Foi
ratificada a CARTA DE BRASÍLIA na íntegra e por
unanimidade dos presentes. (Cópia em anexo)
Na oportunidade, além das entidades sindicais presentes, as
Centrais Sindicais que participaram do evento (NCST, CTB, UGT e CSP),
manifestaram de público seu apoio aos itens levantados.
DESTAQUE:
Com as revogações previstas no Projeto da Contribuição
Sindical (elaborado pelo governo e já encaminhado para a Casa
Civil da Presidência da República) os Artigos 602 ao 610
da CLT, além de todo esse prejuízo em nossa legislação,
a revogação do Artigo 608, desobriga as repartições
federais, estaduais ou municipais, de concederem registro ou licenças
para o funcionamento ou renovação de atividades aos estabelecimentos
de empregadores e aos escritórios ou congêneres dos agentes
ou trabalhadores autônomos e profissionais liberais e tampouco
de conceder alvarás de licenças ou localização.
Com a manutenção deste artigo, as repartições
citadas, obrigam que sejam exibidas as provas de quitação
da contribuição sindical, na forma do Art. 607 da CLT.
Com a revogação, portanto, a prova de quitação
da contribuição sindical e de seus respectivos recolhimentos
descontados dos respectivos empregados, não será mais
obrigatória sua apresentação como documento essencial
(previsto no Art. 607), principalmente na participação
de concorrências públicas ou administrativas.
Curitiba, 05 de setembro de 2008.
Coordenação Federativa de Trabalhadores – CFT/PR
Federação Nacional dos Empregados Vendedores e Viajantes
do Comércio, Propagandistas, Propagandistas-Vendedores e Vendedores
de Produtos Farmacêuticos - FENAVENPRO
Federação dos Trabalhadores nos Transportes Rodoviários
do Estado do Paraná - FETROPAR
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado
do Paraná - FETAEP
Federação dos Empregados em Turismo e Hospitalidade do
Estado do Paraná - FETHEPAR
Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações
e Operadores de Mesas Telefônicas - FENATTEL
Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação
no Estado do Paraná - FEACONSPAR
Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do
Estado do Paraná - FETIEP
Federação Nacional dos Trabalhadores na Movimentação
de Mercadorias - FENTRAMACAG
Federação dos Empregados em estabelecimentos de Saúde
do estado do Paraná - FESSEP
Federação dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação
e Afins do Estado do Paraná - FTIA/PR
Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários
do Estado do Paraná - FEEB/PR
Federação dos Empregados no Comércio do Estado
do Paraná - FECEP
Federação dos Trabalhadores em Educação
do Estado do Paraná - FETEPAR
Federação dos Trabalhadores na Indústria da Construção
e do Mobiliário do Estado do Paraná - FETRACONSPAR
Fórum Sindical dos Trabalhadores - FST
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria
- CNTI
Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio
- CNTC
Confederação Nacional das Profissões Liberais
- CNPL
Confederação Nacional dos Empregados em Empresas de Crédito
- CONTEC
Confederação Nacional dos Trabalhadoares em Turismo e
Hospitalidade - CONTRATUH
Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Industrias
de Alimentação e Afins - CNTA
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde
- CNTS
Nova Central Sindical dos Trabalhadores - NCST
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB
Central Sindical dos Profissionais – CSP
União Geral dos Trabalhadores - UGT
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FETRACONSPAR, 11 de setembro de 2008 | Eventos
Concidades Paraná
Diretores da FETRACONSPAR participam
do Seminário Regional
Projeto de Lei 3057/2000 |
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Da
esq.: SIRLEI CÉSAR
DE OLIVEIRA, diretor da FETRACONSPAR e Presidente do STICM de
Guarapuava e
DENÍLSON PESTANA DA COSTA, Secretário de Finanças
da FETRACONSPAR e Presidente do STICM Londrina
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Os companheiros
DENÍLSON PESTANA DA COSTA, Secretário
de Finanças da FETRACONSPAR e Presidente do Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e
do Mobiliário de Londrina, e SIRLEI CÉSAR DE OLIVEIRA,
diretor da FETRACONSPAR e Presidente do Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Guarapuava, representantes da FETRACONSPAR – Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário do Estado do Paraná, no CONCIDADES
PARANÁ, Conselho das Cidades, que é composto por representantes
da sociedade civil, eleitos na 3ª Conferência Estadual
das Cidades realizada em setembro/2007, estaram participando nos
dias 11 e 12 do corrente de um Seminário Regional Projeto
de Lei 3057/2000, com o obejtivo de Contribuir para a construção
de uma Lei que garanta a democratização do acesso ao
espaço urbano a toda a população, corrigindo
os passivos atualmente existentes.
Material de Apoio
PL 3057-2000 - Substitutivo
PL 3057-2000 - Texto ConCidades
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FETRACONSPAR, 11 de setembro de 2008 | Eventos
Federação
FETRACONSPAR recebe o Dr. Sandro Lunard Nicoladeli |
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Da
esq.: Geraldo Ramthun (FETRACONSPAR/ CNTI/ DEPACOM) e Dr.
Sandro Lunard Nicoladeli.
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Foi realizada na manhã desta quinta-feira (11/09), na sede
da FETRACONSPAR – Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
do Estado do Paraná, sito à Rua. Dr. Faivre, n.º 888,
Centro – Curitiba/PR, reunião entre o presidente da
entidade – Sr. Geraldo Ramthun e o Dr.
Sandro Lunard Nicoladeli,
para discutir processos de eleições sindicais e impugnações. |
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
setembro de 2008 | Economia
Massa salarial permite
mais gastos das famílias
IBGE aponta que continuidade na alta do consumo
responde a uma aceleração
no aumento do salário real
Rio de Janeiro - - O consumo das famílias registrou, no segundo
trimestre deste ano, aumento de 6,7%, o 19º aumento trimestral consecutivo,
segundo destacou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.
No primeiro trimestre de 2008, o consumo das famílias havia crescido
6,6% ante igual trimestre do ano passado, ou seja, o patamar de expansão
manteve-se estável de um trimestre para o outro. O consumo das famílias
passou de R$ 412 bilhões no primeiro trimestre deste ano para cerca
de R$ 430 bilhões no segundo trimestre. No primeiro semestre,
a alta foi de 6,7% e, em 12 meses, de 4,1%.
Segundo Rebeca, a continuidade no aumento
do consumo responde a uma aceleração no aumento da massa salarial real (8,1% no segundo
trimestre ante igual período do ano passado, sendo que no primeiro
trimestre o aumento da massa havia sido de 6,5%) e a um crescimento nominal
de 32,9% do saldo de operações de crédito do sistema
financeiro com recursos livres para pessoas físicas no segundo
trimestre, ante igual período de 2007.
Rebeca lembra que o aumento do saldo de
operações de crédito
''desacelerou um pouco'' em relação ao primeiro trimestre,
quando havia crescido 33,7% em termos nominais, mas prossegue ''muito
expressivo''.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou
ser ''muito bom'' a acomodação
do consumo das famílias. ''A desaceleração está dentro
do previsto'', afirmou. Apesar da menor demanda interna, Mantega disse
que o final do ano será bom para os brasileiros. ''Teremos um
excelente Natal para as famílias'', previu.
Juros
Rebeca avaliou falta de efeito da elevação dos juros sobre
o consumo das famílias no segundo trimestre, e observou que ''os
juros começaram a subir em abril e demora um tempo para que isso
tenha efeito sobre a economia. Além disso, houve outros fatores
que influenciaram o consumo, como a aceleração no aumento
da massa salarial''.
Rebeca também foi questionada sobre possíveis efeitos
das turbulências internacionais sobre o desempenho da economia
brasileira no primeiro semestre. Ela respondeu que ''a gente não
sabe quanto (a economia) poderia estar crescendo sem as turbulências,
mas de qualquer forma tivemos um crescimento bom e sustentado pelos investimentos,
que tiveram aumento recorde no segundo trimestre''.
Segundo ela, o aumento dos investimentos
''é muito importante,
porque aumenta a capacidade produtiva do País''.
Governo
O consumo do governo também continuou subindo, com aumento de
5,3% no período de abril a junho em relação aos
mesmos meses de 2007 e de 0,3% na comparação com janeiro
a março. No acumulado do primeiro semestre, a elevação
foi de 5,6% e em 12 meses de 4,1%. Em anos eleitorais, como o atual,
há tendência de aumento de gastos públicos.
Por outro lado, também é comum a antecipação
de gastos governamentais para o primeiro semestre, devido à legislação
eleitoral, que impede certos tipos de gastos três meses antes das
eleições, que serão realizadas em outubro. No primeiro
trimestre, o consumo do governo aumentou 5,8% ante o primeiro trimestre
do ano passado e 4,5% na margem.
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
setembro de 2008 | Economia
Pequenas empresas oferecem
47% dos empregos formais no PR
Isenção das microempresas do ICMS
e os benefícios
da Lei Geral contribuem para o aumento no número de vagas
Curitiba
- As micro e pequenas empresas (MPE) foram as responsáveis
por quase a metade das 122.797 novas vagas de trabalho formal abertas
no Paraná, de janeiro à julho deste ano. Os dados são
da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social,
com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os
estabelecimentos que possuíam entre 1 a 4 empregados contrataram
58.003 pessoas no período. O correspondente a 47,2% do total
disponibilizado.
As empresas com 500 a 999 empregados
criaram 12.133 postos com carteiras de trabalho assinadas, ou 9,9%
das vagas disponíveis no período
consultado. Aquelas com mais de 1 mil funcionários contrataram
14.595 trabalhadores, equivalendo a 11,9%.
A Get Shape, empresa de confecção esportiva, está em
plena contratação. A proprietária da marca, Raquel
Cesiuk afirma que até o final do ano, o quadro de funcionários
aumentará em 20% passando para 30 colaboradores. Há dois
anos, a empresa contava apenas com dois trabalhadores. Somente em agosto,
cinco vagas foram preenchidas. Para setembro, outras três ainda
estão em aberto. ''A expansão é o resultado de um
planejamento estratégico bem feito e de qualificação
profissional de todos os envolvidos desde o admistrativo à linha
de produção'', revela a empresária.
Para o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas
Empresas no Paraná (Sebrae/PR), os números refletem a realidade
nacional, onde o setor corresponde a mais de 60% das contratações.
No caso específico do Estado, a instituição afirma
que a isenção das Microempresas do Imposto por Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS), desde 2003, e os benefícios
da Lei Geral promulgada pelo governo federal, são os responsáveis
pelo aumento de empregos. ''Em vários municípios, este
tipo de empresa chega a 98%. A atual política pública fomenta
a criação e a expansão de empresas. A tendência é que
o setor se fortaleça ainda mais'', comenta o gerente regional
do Sebrae para o Norte do Estado, Heverson Feliciano.
Segundo ele, para que as MPE sejam ainda
mais competitivas, falta às
prefeituras regulamentarem a Lei Geral nos municípios. Feliciano
explica que desta maneira, além de possíveis descontos
fiscais, a MPE poderá aumentar as contratações e
gerar mais renda local. ''A lei corrige certas desvantagens dos pequenos
em relação aos grandes, em um momento de concorrência,
por exemplo'', diz. Ele afirma que no Brasil apenas 2% das MPE particpam
de compras governamentais, enquanto nos Estados Unidos, o percentual
chega a 20%. No Paraná, 138 municípios já estão
regulamentados. Londrina e Curitiba, de acordo com o Sebrae, ainda não
fazem parte deste volume.
Setores
O número de empregados na construção civil dobrou.
Nos sete primeiros meses de 2008 o crescimento foi de 101%, em comparação
ao período anterior. O setor gerou 14.236 novos postos de trabalho.
O comércio contratou 19.433 trabalhadores formais, alta de 41%.
No setor de serviços, onde foram abertas 32.887 novas vagas, a
expansão foi de 35,4%.
O estudo aponta retrações na indústria da transformação.
Apesar dos 42.290 empregos, houve queda de 9,7%. A agropecuária,
mesmo com a baixa de 2,4%, o setor criou 12.318 vagas.
Cláudia Palaci
Equipe da Folha
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BEM PARANÁ, 11 de setembro
de 2008 | Economia
Emprego em Curitiba
Em julho, 1.743 postos de trabalho foram abertos
Em julho, o setor de serviços — que 50,84% dos Curitibanos — liderou
no número de vagas abertas.
Em julho, o setor de serviços — que 50,84% dos Curitibanos — liderou
no número de vagas abertas. Foram 1.189 (16.000 contratações
e 14.811 demissões) em Curitiba. Já a indústria da
transformação — que emprega 16,42% do total de trabalhadores
formais da Capital — abriu 554 postos formais de trabalho (4.113
contratações e 3.559 demissões). No total, foram
1.743 postos formais.
De janeiro a julho de 2008 foram gerados
12.522 empregos formais nos Serviços em Curitiba — resultado de 103.533 admissões
e 91.011 desligamentos — registrando variação de
4,46%, é o maior crescimento do nível de emprego desde
o início da série histórica desse indicador (1999).
As ocupações dos Serviços que mais geraram empregos
entre janeiro e julho de 2008 foram para operador de telemarketing ativo
(1.317 novas vagas), auxiliar de escritório (970 vagas) e vigilante
(877 vagas).
Indústria — Já na indústria de transformação
em Curitiba encerrou os sete primeiros meses de 2008 com a abertura de
3.373 empregos formais, representando crescimento de 3,69%, com esses
números o município atinge um total de 94.820 empregos
na indústria. O saldo de 3.373 empregos foi resultado de 26.428
admissões e 23.055 desligamentos.
As informações são da Secretaria Municipal do Trabalho
e Emprego que acompanha mensalmente os índices do mercado de trabalho
na capital paranaense. Os setores que mais empregam mão-de-obra
na indústria de Curitiba foram indústria de alimentos e
bebidas (17.774 empregados), indústria mecânica (16.488
empregados) e indústria de material de transporte ( 12.907 empregados.
Os maiores saldos foram para alimentador da linha de produção
(492 novas vagas), operador da linha de montagem (283 vagas) e assistente
administrativo (279 vagas). (AE)
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
setembro de 2008 | Economia
Mulheres crescem no mercado
de trabalho
A contratação de mulheres atende por 38,8% das 122.797 postos
de trabalho formais gerados no Estado, de janeiro à julho deste
ano. A afirmação vem de um levantamento da Secretaria do
Trabalho, Emprego e Promoção Social, com base nos dados prévios
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A participação feminina no mercado de trabalho paranaense
vem crescendo ano a ano. Em 2003 elas eram 40,2% do total de empregados
formais no Estado. No ano seguinte este número subiu para 40,5%.
Em 2005 chegou a 41,1% e fechou 2006 em 41,9%. A expectativa é que
os dados consolidados de 2007 e 2008, que ainda não foram divulgados
pelo MTE, apontem a continuidade desta tendência.
A conquista do mercado de trabalho é um reflexo do aumento de
lares chefiados por mulheres. Em 13 anos, o total de famílias
formadas por casais com filhos e lideradas apenas por mulheres cresceu
nove vezes, passando de 3,4%, ou 247.795 famílias, em 1993, para
14,2%, ou 2.235.233 lares, em 2006. Os dados são do estudo do
Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça divulgado pela
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fundo de Desenvolvimento
das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).
De acordo com os números estaduais, neste ano já foram
contratadas 47.597 trabalhadoras. As mulheres já superaram a mão-de-obra
masculina nas vagas que exigem ensino superior completo. Em 2008, ocuparam
58% dos cargos com este perfil. ''A inclusão da mulher nos mais
diversos setores da economia se faz com cursos de qualificação
nas áreas que mais contratam e ainda são vistas como exclusivas
para homens, como metalurgia, construção civil e mecânica
de automóveis'', diz o secretário do Trabalho Nelson Garcia.
Baseado nos últimos
Registros Administrativos da Relação
Anual de Informações Sociais (Rais), elaborado pelo MTE,
o estudo mostra que as mulheres são maioria na administração
pública e ocuparam 63,8% dos postos criados em 2006. No setor
de serviços, a mão-de-obra feminina correspondia a 47,2%
dos empregos formalizados. No comércio, equivaliam a 41% e na
indústria de transformação correspondiam a 30,2%.
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BEM PARANÁ, 11 de setembro
de 2008 | Economia
Chance
Natal abre 8.465 vagas temporárias
no PR
Números foram divulgados ontem pela
Asserttem e referem-se apenas aos postos formais de trabalho
Ana Ehlert
Jonas Oliveira
O varejo de rua aparece como o segundo segmento que mais abre vagas temporárias
de fim de anoO setor de comércio e varejo prevê a contratação
temporária formal de 113 mil pessoas para atender a demanda de serviços
no Natal, considerada a melhor época do ano tanto para as vendas quanto
para geração de emprego temporário. Deste total, 8.465 postos
serão abertos no Paraná. Em 2007, foram cerca de 7.050 postos
no Estado.
De acordo com a entidade, a contratação formal para o Natal
neste ano será 8% maior que a verificada no ano passado, quando foram
abertas 105 mil vagas temporárias. Os dados são da Associação
Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho
Temporário (Asserttem) e Sindicato das Empresas de Prestação
de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração
de Mão-de-Obra e de Trabalho Temporário (Sindeprestem) e foram
divulgados ontem, em São Paulo.
Os setores que apresentarão um maior crescimento são as lojas
de departamento (10,7%), seguida do varejo de rua (8,8%), supermercados (7,6%)
e shoppings (4,9%). As funções mais solicitadas serão
fiscais de loja, empacotadores, atendentes, estoquistas, etiquetadores, operadores
de telemarketing, auxiliar de crédito e analista de crédito.
As contratações terão início na segunda quinzena
de outubro e seguem até o final da primeira quinzena de dezembro. A
média salarial será de R$ 665 e as mulheres representarão
55% dos temporários. Metade dos trabalhadores que serão contratados
possui o Ensino Fundamental e os outros 50%, o Ensino Médio.
O estudo também revela a perspectiva de efetivação de
37% dos temporários — ou cerca de 42 mil trabalhadores— um
aumento de 3% em relação a 2007. O aumento é explicado
por Morales como resultado do aquecimento da economia, liberação
de crédito e aumento do combate a informalidade.
Participação — O Paraná é o quarto estado
na criação de oportunidades de trabalho temporário. À frente
estão São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, segundo os dados
da Asserttem. Na Região Sul, o Paraná lidera com as 8.465 vagas.
Rio Grande do Sul gera 7.954 postos temporários e Santa Catarina, 6.568
postos. Por região, o Sul responde com 20,34% das vagas abertas pelo
comércio e varejo para as festas de fim de ano.
O levantamento mostra que 29% das pessoas contratadas
nunca haviam trabalhado antes. “As vagas que vão demandar no fim do ano não exigem
tanta qualificação, o que acaba sendo uma ótima oportunidade
para o jovem sem experiência entrar através desta modalidade de
contratação (temporária) no mercado de trabalho”,
afirmou o presidente da Asserttem, Vander Morales.
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O
ESTADO DO PARANÁ,
11 de setembro de 2008 | Economia
Exportações
registram bom desempenho
AE Notícias
O Paraná acumulou nos primeiros oito meses do ano exportações
de US$ 10,825 bilhões, evolução de 35,65% sobre mesmo
período de 2007. O resultado já se aproxima ao verificado
em todo ano passado, quando as vendas externas do Estado chegaram a US$
12,352 bilhões.
Nas importações, o Paraná registrou em 2008 compras
de US$ 9,636 bilhões, crescimento de 78,10%. Com isso, o saldo
da balança comercial do Estado neste ano é de US$ 1,188
bilhão. Os números foram divulgados pelo Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Segundo o secretário Virgílio Moreira Filho, a evolução é reflexo
de diversos fatores como o bom desempenho da agroindústria e de
produtos semifaturados, o aumento das vendas do setor automotivo e o
crescimento da movimentação de produtos via porto de Paranaguá.
Ainda segundo o secretário, o conjunto dos três fatores
- produção agrícola, produtos com alto valor agregado
(como carros) e eficiência portuária - devem colocar o Paraná entre
os principais estados exportadores do País.
Para o presidente do Sindicato de Exportação e Importação
do Paraná (Sindiexpar) e representante da Associação
do Comércio Exterior do Brasil (AEB), Zulfiro Antônio Bósio,
o Paraná está preparado para o aumento das exportações. “Se
o dólar atingir um patamar estável entre R$1,70 e R$1,80,
as exportações paranaenses serão ainda maiores”,
afirma.
Dos 10 principais produtos exportados pelo
Paraná, nove fazem
parte do segmento agronegócio, setor que envolve grãos,
carnes, congelados, óleo de soja e açúcar e que
apresentou forte recuperação no Estado. Entre as maiores
compras estaduais estão, além do petróleo, automóveis
e componentes químicos usados como fertilizante.
As exportações paranaenses cresceram 16,6% em agosto,
em comparação com o mesmo período do ano passado,
chegando aos US$ 1,373 bilhão. Já as importações
estaduais chegaram a US$ 1,368 bilhão, evolução
de 86,5%.
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FOLHA DE SÃO PAULO, 11
de setembro de 2008 | Dinheiro
Empresas privadas puxam
alta de 10% do PIB da construção civil no 2º tri
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Impulsionada pelos investimentos feitos no país pelo setor privado,
a indústria da construção civil cresceu 9,9% na
comparação do segundo trimestre com igual período
de 2007. Após o IBGE divulgar ontem o resultado do crescimento
do PIB (Produto Interno Bruto), o setor pode rever para cima sua projeção
de expansão neste ano -estimada em 10,2%.
O desempenho do segundo trimestre deste ano é resultado principalmente
das decisões de investimentos realizadas entre 6 e 18 meses atrás,
avalia o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo).
"
A expansão do crédito para a habitação e
os investimentos executados pela indústria, principalmente no
segmento petrolífero, e pelo comércio explicam o resultado
tão positivo do crescimento da construção civil
no segundo trimestre deste ano e no primeiro semestre de 2008",
afirma Eduardo Zaidan, diretor de economia do SindusCon-SP.
Na comparação dos primeiros seis meses deste ano com igual
período de 2007, a expansão do setor foi de 9,4%. "O
PAC contribui em parte para esse resultado, mas não foi o responsável
em sustentar esse crescimento", diz. No ano passado, a construção
civil cresceu 5%, segundo o IBGE. "Mas, como houve mudança
na metodologia, nossa avaliação é que o setor cresceu
7,9%."
As contratações também devem continuar em alta neste
ano, seguindo o ritmo da construção civil. De janeiro a
julho deste ano, foram contratados no país 271.441 trabalhadores
com carteira assinada - alta de 103% no número de novas vagas
em relação ao mesmo período de 2007, quando 133.757
pessoas foram admitidas.
Para 2009, o setor já espera uma expansão menor. "As
decisões de investimento devem levar em conta o impacto da inflação,
com a pressão de custos na produção, na matéria-prima,
além de haver mais dificuldades para o crédito, uma vez
que os juros aumentaram. Esses fatores devem afetar o fôlego do
setor", afirma Zaidan.
Para João Crestana, presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação),
o mercado imobiliário deve crescer entre 20% e 25% neste ano. "As
condições de financiamento, com prazos mais longos e juros
mais acessíveis, favoreceram principalmente os imóveis
para a classe média, com valores de R$ 50 mil a R$ 200 mil. Esse é o
grande mercado que tem sustentado o crescimento do setor", diz.
Crestana ressalta que os investimentos públicos ainda estão
longe das cifras necessárias para diminuir o déficit habitacional
do país -8 milhões de moradias. "Os recursos da poupança
para a habitação devem chegar a R$ 26 bilhões. Os
do FGTS, a R$ 10 bilhões. Mas os investimentos públicos,
necessários para atender as classes menos favorecidas e mais necessitadas,
devem chegar no máximo a R$ 3 bilhões."
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FOLHA
DE SÃO PAULO,
11 de setembro de 2008 | Dinheiro
Para indústria,
demanda interna justifica mais recursos
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
O setor industrial promete manter o investimento nos próximos
meses. A indústria avalia que a forte demanda interna justifica
a alocação de recursos para a construção
civil e a compra de máquinas e equipamentos para melhorar a performance
industrial.
A participação do investimento no PIB no 2º trimestre
foi de 18,7%, a maior fatia em igual trimestre desde 1995. Na ocasião,
a participação da Formação Bruta de Capital
Fixo no Produto Interno Bruto foi de 19,8%. Para os integrantes do Conselho
Superior da Fiesp, reunidos ontem em São Paulo, o desempenho do
PIB e do investimento deve ser mantido.
"
Muito bom", reagiu Roger Agnelli, presidente da Vale, ao saber do
resultado do segundo trimestre. A Vale administra um plano de investimento
de US$ 11 bilhões só para 2008. "Crescimento impressionante",
comentou Marcelo Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht. De acordo
com ele, o investimento industrial "está forte e vai continuar".
Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Administração da
Gerdau, não acredita que a instabilidade do mercado de capitais
possa influenciar a disposição de investimento na economia
real. "Há uma efeito psicológico apenas. Os investimentos
continuam", disse.
O avanço dos investimentos industriais é apontado como
fundamental para o afrouxamento da política monetária do
Banco Central. "Há três efeitos importantes no surpreendente
ritmo de investimento. Há aumento do parque industrial, há melhoria
da produtividade e há, sobretudo, uma expansão do PIB potencial",
diz Carlos Frederico Rocha, pesquisador do Grupo de Indústria
e Competitividade da UFRJ.
Segundo ele, o BC tem apontado que o PIB potencial brasileira é de
3,5%. "Qualquer crescimento acima disso gera inflação.
O que temos visto é que o país tem crescido mais e a inflação
está controlada. Isso significa que o PIB potencial cresceu",
disse. Com isso, o Copom já tem condições de reduzir
a carga de juros como mecanismo de controle da inflação.
"
Os resultados significam que há garantia por parte da oferta [de
bens] de que a demanda será atendida", afirma Rogério
Cesar Souza, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial). A manutenção do investimento está garantida,
de acordo com ele, em razão do ritmo da demanda das famílias,
que cresceu 6,7% no 2º trimestre deste ano em relação
ao mesmo período de 2007. "O consumo das famílias
continua a ser o alimento para a decisão de investimentos",
explica.
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FOLHA
DE SÃO PAULO,
11 de setembro de 2008 | Dinheiro
Brascan compra Company
por R$ 200 mi
Aquisição marca movimento acelerado de consolidação
do setor imobiliário e cria uma das maiores empresas da área
| Company tinha dificuldades de crédito e viu ações
caírem mais de 40% no ano; papéis valerão menos,
mas, para analista, acionista ganha CRISTIANE BARBIERI
DA REPORTAGEM LOCAL
O grupo Brascan anunciou ontem a compra
da construtora Company e a conseqüente
formação de uma das três maiores empresas imobiliárias
no país.
O setor está passando por um processo de consolidação,
acelerado nas últimas semanas em razão da queda no valor
das ações das companhias da área.
"
Há mais de 20 empresas do segmento imobiliário listadas
na Bovespa [Bolsa de Valores de São Paulo], enquanto que, nos
países desenvolvidos, o número não passa de 6 a
8", afirma Fabiana Fakhoury, diretora da consultoria Alvarez & Marsal. "O
processo de consolidação será forte e rápido."
A compra da Company envolveu um complexo esquema de troca de ações
entre as empresas, com a criação, inclusive, de uma subsidiária
da Brascan que será reincorporada imediatamente ao grupo. Pelo
acordo, a Brascan pagará R$ 200 milhões aos acionistas
da Company, sendo que cada ação Company valerá R$
2,775 mais 1,0690 ação da Brascan.
Pelas contas da Alvarez & Marsal, o acionista da Company, cuja ação
valia R$ 10,07 na quarta-feira, receberia R$ 9,1915 por ação.
Com a queda de 11,61% no valor dos papéis da empresa ontem, as
perdas seriam ainda maiores.
Mesmo assim, diz Fakhoury, o acionista deve ser beneficiado com a aquisição.
Isso porque as ações da Company caíram mais de 40%
desde janeiro, e a construtora enfrentava problemas.
Sem crédito
"A Company estava com dificuldades há algum tempo para obter crédito",
diz Fakhoury. "A velocidade de vendas não foi tão
alta quanto tinham projetado e prometido ao mercado, que puniu a empresa
[com a queda no valor dos papéis]."
A situação é comum a diversas construtoras que abriram
capital, usaram o dinheiro para comprar terrenos e contavam com o mercado
acionário para fazer novas emissões de papéis e
financiar também a construção. Com a crise nas Bolsas,
as empresas ficaram sem dinheiro para tocar as obras.
A criação de uma das maiores companhias do setor deverá reverter
o quadro de dificuldades, na expectativa dos controladores. "O mercado
vai perceber que a empresa combinada vale muito mais por ser maior, melhor,
estar num dos maiores mercados brasileiros [São Paulo] e ter capacidade
de crescimento", afirma Nicholas Reade, presidente da Brascan.
Apesar de a Brascan ser maior em lançamentos, vendas, receita
e, principalmente, lucro operacional e líquido do que a Company,
os papéis do grupo valiam quase metade dos da construtora. "A
ação da Brascan vai ser mais atrativa, o que se refletirá em
seu valor econômico", diz Reade. "Teremos outro tipo
de liquidez, e o desconto de 30% a 40% que o mercado dá aos papéis
hoje não será aplicado."
Além disso, de acordo com Reade, a empresa ganhará sinergia
na negociação com fornecedores, e o banco de terrenos das
duas empresas combinado, de R$ 17 bilhões, permitirá melhor
gestão de risco e de alavancagem da capacidade de construção.
Combinados os números, a nova empresa teria feito lançamentos
no valor de R$ 1,9 bilhão e teria vendas contratadas de R$ 1,3
bilhão em 2007. A margem de lucro operacional medido pelo Ebtida
(lucro antes de impostos juros e depreciação) seria de
30% e, a de lucro líquido, de 25%. A empresa discute se a marca
Company será mantida. Após a conclusão da transação,
as ações da Company deixarão de ser listadas.
Após a aquisição, que deve ser concluída
no fim de outubro, a empresa terá caixa de quase R$ 500 milhões
e recebíveis de R$ 600 milhões, até o fim de 2009.
Segundo os executivos, ela tem financiamentos contratados para todas
as obras lançadas e acordos similares previstos para os lançamentos.
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O ESTADO DO PARANÁ, 11
de setembro de 2008 | Política
Requião veta 172
leis aprovadas pela AL
Elizabete Castro
Do início de 2007 até agora, o governador Roberto Requião
(PMDB) vetou 172 leis aprovadas pela Assembléia Legislativa. Treze
delas foram leis de iniciativa do Executivo, que foram modificadas pelos
deputados por meio de emendas ao texto do governo.
O levantamento foi apresentado pelo deputado
Marcelo Rangel (PPS), que teve onze leis de sua autoria rejeitadas
pelo governo. Ele cobrou do
líder do governo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), uma posição
sobre uma lei assinada por ambos e que foi vetada pelo governador. E
apesar de ser um dos autores, Romanelli orientou a base governista a
manter o veto.
A lei autorizava o governo a estadualizar
a estrada que liga Rebouças
a Marmeleiro, no interior do Estado. Romanelli disse que mantinha a orientação
porque a medida pode ser implantada por meio de um convênio entre
as prefeituras das duas cidades e o Departamento Estadual de Estradas
de Rodagem (DER).
Os vetos, reconheceu Rangel, não são uma exclusividade
dos deputados de oposição. Romanelli teve quatro leis derrubadas
pelo Executivo. O deputado Alexandre Curi (PMDB), um dos peemedebistas
mais próximos ao governador, contabilizou sete leis vetadas.
E o presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (DEM),
apontado como aliado de Requião, também não está imune.
Requião vetou seis leis de autoria de Justus.
Branda demais
Para o líder do governo, o motivo dos vetos está localizado
na Assembléia Legislativa e não no Executivo. Ele disse
que a Comissão de Constituição e Justiça é “complacente” e
deixa passar projetos de lei que não resistem a uma análise
mais apurada da constitucionalidade e cujas falhas acabam sendo detectadas
no Executivo. “Muitas vezes, o projeto é inconstitucional
e a CCJ tem sido branda porque toma uma decisão política”,
disse o líder do governo.
Ele admite que a responsabilidade também é da bancada
governista, que tem o maior número de representantes na CCJ. “O
que acontece é que o deputado chega com aquele projeto achando
que é a proposta mais interessante do mundo e acaba passando”,
emendou.
Romanelli disse que um dos maiores obstáculos enfrentados pelos
deputados diante do Executivo é a restrição sobre
a geração de despesas. Toda proposta que altere a previsão
de gastos do Estado é considerada inconstitucional.
“A única coisa que o deputado tem competência para
mudar em matéria financeira é o orçamento. Mesmo
assim por emendas que podem ou não ser acatadas”, comentou.
O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (DEM),
disse que Rangel tem razão em se queixar dos vetos. Mas lembrou
que veto existe para ser derrubado ou mantido. E que essa decisão é uma
prerrogativa dos deputados. Se um veto é derrubado, a Assembléia
Legislativa promulga a lei, mesmo sem a anuência do Executivo.
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AGÊNCIA DIAP, 11 de setembro
de 2008
OPINIÃO
Artigo analisa veto à Lei 11.770, que amplia o benefício
para seis meses
Agora é oficial. Com a
sanção da Lei 11.770, a
licença-maternidade pode ser prorrogada para seis meses mediante
concessão de incentivo fiscal às empresas que aderirem
ao Programa Empresa Cidadã. O avanço da lei, entretanto,
foi parcial. Veto do presidente da República restringe a abrangência
do programa porque exclui as micro e pequenas empresas. Leia artigo da
socióloga e colaboradora do DIAP, Maria Lúcia de Santana
Braga, sobre o significado desta importante conquista para a agenda
dos direitos humanos, apesar do veto presidencial.
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GAZETA DO POVO, 11 de setembro
de 2008 | Economia
Benefício
Trabalhador nascido em outubro já pode
sacar abono do PIS
Começa nesta quarta-feira (10) o pagamento
do abono salarial do PIS-Pasep para os trabalhadores nascidos em outubro.
De acordo com a Caixa Econômica Federal, o benefício deve
ser pago a 537 mil trabalhadores pertencentes a este grupo.
Os saques de R$ 415 do abono salarial podem
ser feitos em qualquer agência
da Caixa ou nas casas lotéricas, desde que o trabalhador tenha
o Cartão Cidadão com senha cadastrada. O calendário
de pagamento prossegue até 18 de novembro, conforme o mês
de nascimento do trabalhador.
Quem tem direito
Para receber o abono salarial, que é o pagamento de um salário-mínimo
anual a partir da data do primeiro pagamento, o trabalhador ou servidor
deve estar cadastrado no PIS-Pasep há pelo menos cinco anos (desde
2003), ter trabalhado com carteira assinada durante pelo menos 30 dias
(consecutivos ou não) no ano-base (2007) e ter recebido em média
até dois salários-mínimos mensais no período.
O dinheiro não sacado pelos trabalhadores retorna ao FAT. Os
beneficiários são identificados pela Relação
Anual de Informações Sociais (Rais), declarada todos os
anos pelas empresas ao Ministério do Trabalho; por isso, é fundamental
que o trabalhador tenha tido seus dados corretamente informados por sua
empresa na Rais para receber o abono.
Mais beneficiários
De acordo com o ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, o número de
trabalhadores beneficiados é quase 10% maior do que no ano-base
anterior. Os recursos para pagamento do abono são do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT), que deve injetar R$ 6,4 bilhões na
economia brasileira.
Para os trabalhadores com carteira assinada
(PIS), os pagamentos acontecem na Caixa Econômica Federal. Os servidores públicos
(Pasep) recebem pelo Banco do Brasil.
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FOLHA DE SÃO PAULO, 11
de setembro de 2008 | Brasil
DIREITOS HUMANOS
Ministro
quer militância para acabar com trabalho escravo
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) se prepara para fazer
corpo-a-corpo no Congresso em defesa da aprovação de
proposta que destina à reforma agrária terras onde é flagrado
trabalho escravo. Parado há quatro anos na Câmara, o projeto,
aprovado pelo Senado em 2001, depende apenas da votação
em segundo turno dos deputados.
"
O corpo-a-corpo tem que ser feito não só por mim. É preciso
fazer visita a todos os deputados para criar um ambiente de convencimento",
defendeu ontem Vannuchi, durante o lançamento do 2º Plano
Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo.
O ministro quer também "o comprometimento pessoal do presidente
da República", Luiz Inácio Lula da Silva, para aprovar
a PEC e "garantir o acesso" das pessoas resgatadas do trabalho
escravo ao Bolsa Família.
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O ESTADO DO PARANÁ, 11
de setembro de 2008 | Economia
Campanha salarial fecha
agência bancária
Helio Miguel
A agência do Banco do Brasil na Rua Sete de Setembro, no bairro Seminário,
em Curitiba, ficou fechada durante todo o dia de ontem. O motivo foi uma
manifestação dos funcionários daquela unidade, que
pediam uma melhora nas condições de trabalho.
De acordo com uma nota divulgada pelo
Sindicato dos Bancários
de Curitiba, que apoiou a paralisação, o espaço
físico é “inadequado” e a agência - chamada
na nota de “portal para o inferno” - é “velha
conhecida” por causa de denúncias de assédio moral.
“Já há uma insatisfação generalizada
no Banco, devido às condições de trabalho. Mas aquela
agência é pior que as demais. É uma situação
de emergência”, diz o presidente do sindicato, Otávio
Dias.
Segundo ele, até mesmo os clientes reclamam das instalações
da unidade e é necessária, além da melhoria do espaço
físico, a contratação imediata de novos funcionários. “Há dezenas
de aprovados em concursos esperando para serem contratados”, informa.
A assessoria de imprensa do Banco do Brasil
informou que o gerente de Administração da Superintendência Regional da instituição,
José Antônio Kaspreski, foi até a agência pela
manhã, para negociar com os trabalhadores, e que algumas reivindiações
deverão ser atendidas.
Outras, como as referentes ao
reajuste salarial - ainda segundo a assessoria do Banco -, fogem da alçada
da Regional e devem ser discutidas entre a Federação Brasileira
de Bancos (Febraban) e o sindicato nacional dos funcionários.
A agência deve abrir normalmente
hoje.
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CONSULTOR JURÍDICO, 11
de setembro de 2008
Regra trabalhista
Chega ao STF ação contra
norma sobre registro sindical
Chegou ao Supremo Tribunal Federal mais uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade contra a Portaria 186/08, do Ministério do
Trabalho, que normatiza o registro sindical e as alterações
estatutárias dos sindicatos. Dessa vez, a norma é contestada
pela Confederação Nacional dos Transportes e pela Confederação
Nacional do Sistema Financeiro.
De acordo com a ação, compete ao Ministério do
Trabalho tratar do registro sindical, mas segundo as confederações,
a portaria questionada inovou o ordenamento jurídico trabalhista
e, desrespeitando o entendimento do próprio Supremo, autorizou
a pluricidade sindical.
Dessa forma, por violação ao artigo 8º, I, e II,
da Constituição Federal, entre outros dispositivos da Carta
Magna, as confederações pedem a declaração
da inconstitucionalidade da norma.
Já tramitam no Supremo outras três ADIs contra a Portaria
186 do Ministério do Trabalho: as ADIs 4.120, 4.126 e 4.128, todas
sob relatoria do ministro Menezes Direito.
ADI 4.139
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CONSULTOR
JURÍDICO,
11 de setembro de 2008
Sistema híbrido
Ministro sugere edição de súmula
sobre aposentadoria
O Plenário do Supremo Tribunal Federal negou, por maioria, pedido
de Reni Nunes Machado para que o INSS calculasse sua aposentadoria com
base em um sistema híbrido, usando os 36 últimos salários
de contribuição – conforme previa o artigo 202 da Constituição
Federal antes da Emenda Constitucional 20/98, mas acrescendo ao benefício
o tempo de serviço prestado após a edição
da emenda.
O ministro Ricardo Lewandowski afirmou
que é pacífico
no STF o entendimento de que não é possível, aos
segurados do INSS, beneficiar-se desse sistema misto, utilizando-se do
mais favorável de cada regime. Lewandowski sugeriu que, diante
de tantos precedentes, o Plenário poderia aprovar uma Súmula
Vinculante sobre o tema. Ele distribuiu entre os ministros presentes à sessão
uma proposta de texto para essa súmula, que deve ser analisada
em outro momento pelo Plenário.
Segundo Lewandowski, o segurado queria
se beneficiar de um sistema híbrido,
tentando tirar proveito do melhor de cada um dos regimes jurídicos.
Citando jurisprudência da Corte, o ministro afirmou, ainda, que
não se pode falar em direito adquirido quando se faz referência
a regime jurídico.
RE 575.089
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho
11/09/2008
TST e STF buscam meios de reduzir e agilizar
recursos extraordinários
O vice-presidente do Tribunal
Superior do Trabalho, ministro Milton de Moura França, reuniu-se com assessores do Supremo Tribunal
Federal e do TST para discutir formas de aprimorar o exame dos recursos
extraordinários e desafogar os tribunais superiores. Entre
os principais temas discutidos estavam a aplicação
da repercussão geral na admissibilidade dos recursos e a necessidade
de definição de matérias das quais dependem
milhares de processos tanto no TST, como recursos de revista, quanto
no STF, como recursos extraordinários.
O TST recebeu, em 2007, 9.311 recursos
extraordinários. Até agosto
de 2008, foram mais 7.948. São processos em que as partes, insatisfeitas
com a decisão do TST, tentam levá-la até o Supremo
Tribunal Federal, em busca de uma solução favorável,
quando se trata de matéria constitucional. Para que seja admitido
e remetido ao STF, porém, o recurso precisa preencher uma série
de pressupostos – e poucos são os que atendem aos requisitos
de admissibilidade. Em 2007, apenas 5% dos recursos foram remetidos
ao STF. Em 2008, até agosto, menos de 4%. Existe, porém,
outro aspecto: dos despachos que negam seguimento ao recurso extraordinário,
cabe agravo de instrumento ao STF. E a média de recorribilidade
fica em torno de 70%. Isso significa que, ainda que o TST restrinja
a subida de recursos para o STF, boa parte dos processos acaba chegando
lá como agravo de instrumento. O que os dois Tribunais buscam,
portanto, é o aprimoramento de mecanismos que cortem essa situação
de retroalimentação que sobrecarrega a ambos. Isso inclui
a edição de novas súmulas vinculantes pelo STF,
que, ao vincular as decisões de primeiro grau, eliminariam as
possibilidades de recurso já na origem.
O exame da admissibilidade dos recursos extraordinários cabe,
de acordo com o Regimento Interno do TST, ao ministro vice-presidente,
Milton de Moura França. Entre os vários pressupostos
examinados está a exigência de repercussão geral
da questão constitucional levantada. A repercussão geral
foi introduzida pela Emenda Constitucional nº 45/04 (Reforma do
Judiciário), e sua finalidade foi a de delimitar a competência
do STF às matérias constitucionais que tenham relevância
social, política ou jurídica que transcendam os interesses
particulares da causa – e evitar, assim, a necessidade de julgamento
de um enorme número de processos sobre o mesmo tema.
Entre os assuntos já definidos pelo STF como de repercussão
geral na área de Direito Processual Civil e do Trabalho estão
a substituição processual e a competência da Justiça
do Trabalho para recolher contribuições previdenciárias
e para apreciar ações de trabalhadores temporários
da administração pública. Há, porém,
muitas outras questões pendentes de definição. É o
caso, por exemplo, do adicional de insalubridade e da aplicação
da Súmula nº 228, suspensa liminarmente pelo STF, e da
condenação ao recolhimento de FGTS nos casos em que o
contrato de trabalho é considerado nulo. Ao todo, 1.172 processos
foram sobrestados pelo vice-presidente do TST até que a matéria
seja analisada pelo STF.
(Carmem Feijó)
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10/09/2008
Trabalho escravo, infantil e indígena
desafiam direitos humanos
No segundo dia do Seminário sobre os 60 Anos da Declaração
Universal dos Direitos Humanos, promovido pelo Tribunal Superior do
Trabalho, três painéis mostraram a distância que
separa uma declaração de princípios de sua efetividade
concreta: a existência do trabalho escravo, forçado ou
em condições degradantes, o trabalho infantil e a situação
do indígena ainda exigem profunda reflexão e, sobretudo,
ação política concreta para que os princípios
contidos na Declaração Universal cheguem efetivamente
a seus destinatários. Os temas foram tratados pelo subprocurador-geral
do Trabalho Luís Antônio Camargo de Melo, pela procuradora
regional do Trabalho Eliane Araque dos Santos e pelo especialista da
OIT Christian Ramos Veloz. A coordenação foi do ministro
Lelio Bentes Corrêa, do TST – que, quando procurador do
Trabalho, foi coordenador nacional de Combate à Exploração
do Trabalho da Criança e do Adolescente.
Trabalho escravo: avanços e resistências
Luís Antônio Camargo de Melo abriu sua exposição
com um documentário sobre a realidade de trabalhadores em condições
análogas às de escravo e, em seguida, buscou delinear
o quadro que se costuma chamar de “trabalho escravo” sob
a ótica contemporânea. Tecnicamente, a expressão
correta é “trabalho forçado”, definido pela
Convenção nº 29 da OIT como “todo trabalho
exigido de um indivíduo sob ameaça de qualquer penalidade”,
para o qual ele não tenha se oferecido espontaneamente ou no
qual tenha sido vítima de fraude ou promessas enganosas.
De acordo com o artigo 149 do Código Civil, reduzir alguém
a condição análoga à de escravo é submetê-lo
a trabalho forçado, a jornada exaustiva, a condição
degradante ou restringir sua locomoção em razão
de dívida contraída com o empregador. “Todas elas
identificam o ilícito penal, em conjunto ou separadas”,
observa o subprocurador. No trabalho forçado, o trabalhador é levado,
mediante falsas promessas, para lugares distantes de sua residência – geralmente
municípios sem perspectivas de emprego. “Aí começa
o calvário, porque começa também a dívida,
que vai se tornar impagável”. Contraída a dívida,
o trabalhador é mantido no local por coação – moral
ou psicológica – ou por meio de violência física. “Há casos
de surra de facão e surra com corrente de motosserra”,
afirma o Luís Antônio.
No trabalho em condição degradante, o trabalhador é abandonado à própria
sorte. “São situações de grande afronta à dignidade
da pessoa humana: no meio do mato, sem alojamento a não ser
quatro pedaços de pau cobertos com uma lona preta, sem água
potável (muitas vezes dividida com o gado), sem equipamentos
de proteção. Para o subprocurador, a jornada exaustiva
também pode se enquadrar na condição degradante. “Nem
sempre ela é medida em quantidade de horas trabalhadas, mas
pela atividade que leva o trabalhador à exaustão”,
explica, citando como exemplo o grande número de mortes entre
os cortadores de cana do Estado de São Paulo, que vem sendo
investigado pelo Ministério Público do Trabalho e pelo
Governo do Estado. “Hoje, exige-se do trabalhador que corte no
mínimo dez toneladas de cana por dia, para ganhar em média
R$ 700 no fim do mês”, assinala. “Há trabalhadores
que, para receber um pouco mais, chegam a cortar 16, 18 toneladas num
dia. Houve um caso em que o trabalhador cortou 18 toneladas num dia
da semana, em outro cortou 26 toneladas – e no mês seguinte
morreu, por exaustão”.
Apesar de essas situações estarem identificadas no Código
Penal e fazerem parte de diversos instrumentos internacionais dos quais
o Brasil é signatário, o subprocurador considera que
há uma resistência muito grande no reconhecimento, sobretudo,
das condições degradantes (nos casos de trabalho forçado,
a aplicação da lei é mais comum). “Não
sei por que, mas há uma falta de sensibilidade em relação às
condições degradantes, como se isso estivesse ali por
acaso”, questiona. “É como se observássemos
a situação apenas pelo o viés da liberdade de
ir e vir para fazer a analogia com a escravidão. É importante
estarmos atentos também para a liberdade de contratar, de o
trabalhador desistir do contrato de trabalho, de se desligar quando
quiser de uma situação degradante”, concluiu.
Os paradoxos do trabalho infantil
O trabalho de crianças e adolescentes, por sua vez, é cercado
de ambigüidades e também, de acordo com a procuradora Eliane
Araque, de falácias. A primeira delas considera que é razoável
que se comece muito cedo a trabalhar, sob o argumento de que crianças
e adolescentes “desocupados” ficam sujeitos à marginalidade,
a serem arregimentados pelo tráfico ou a se voltarem para atividades
ilícitas. Para essa linha de raciocínio, o trabalho infantil
seria uma solução, e não um problema. “Mas
essa solução só se aplica a crianças e
adolescentes carentes, pobres”, provocou a procuradora. “Nossos
filhos são preservados: não cogitamos colocá-los
para trabalhar aos 12 ou 14 anos porque queremos dar-lhes educação
para que adentrem na vida adulta com boas oportunidades.”
Coordenadora nacional de Combate à Exploração
do Trabalho da Criança e do Adolescente do Ministério
Público do Trabalho, Eliane rechaça veementemente as
tentativas de justificação do trabalho precoce. “Não é o ‘estar à toa’ que
leva o jovem à ilicitude: é a falta de perspectivas de
vida, é não vislumbrar que oportunidades se abram à sua
frente. É não ter escolhas”, defende. Sem escolhas,
os pequenos trabalhadores dão continuidade ao círculo
vicioso no qual sua família se insere há várias
gerações – a perpetuação do ciclo
da pobreza que alimenta, inclusive, o trabalho escravo.
Nas Constituições Brasileiras, a idade mínima
para ingresso no mercado de trabalho tradicionalmente se fixou nos
14 anos, desde a primeira Constituição da República.
A exceção – “num momento de exceção”,
ressalta Eliane – foi a de 1967, que a reduziu para 12 anos,
idade mantida pela emenda constitucional de 1969. A Constituição
de 1988 retomou o patamar histórico dos 14 anos, mas a Emenda
Constitucional nº 20, de 1990, elevou-o para 16 anos. Tanto ela
quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) têm
sido alvo de críticas: há quem considere a legislação “avançada
demais”, e há projetos de emendas constitucionais para
que se retorne aos 14 anos. Eliane rejeita também essas críticas. “O
ECA espelha efetivamente o que está na Constituição
Federal e nos diversos tratados internacionais que o Brasil assina”,
defende. “Para que possamos caminhar para uma sociedade justa
e solidária, e que efetivamente se garanta a dignidade da pessoa
humana, é preciso garantir os direitos das crianças e
adolescentes. Não seremos cidadãos somente porque exercemos
e sabemos dos nossos direitos. Seremos cidadãos se buscarmos
a realização e garantia dos direitos dos nossos parceiros
na sociedade“, concluiu.
Indígenas: maioria no mundo vive
abaixo da linha da pobreza
Christian Ramos Veloz, da OIT, tratou
não apenas do trabalho
indígena, mas do quadro geral de discriminação
e genocídio que marcaram e marcam a história da humanidade
em relação a esses povos. “Os genocídios
ainda acontecem em várias regiões do mundo - Austrália,
EUA, Índia, Nepal, Rússia. A discriminação
contra povos indígenas não é privilégio
de nenhum país”, afirma, lembrando que até em países
escandinavos, cuja legislação social é bastante
avançada, há leis contra o povo sami (ou lapões),
grupo indígena europeu com cerca de 70 mil pessoas.
Na América Latina, entre 8 e 10% dos habitantes são indígenas,
divididos em 671 povos reconhecidos pelos estados. “São
os excluídos dos excluídos”, afirma Christian. “Mesmo
se existe pobreza endêmica em países em que a população
indígena é elevada, como a Guatemala, ela é maior
entre os indígenas.” A Bolívia, por exemplo, tem
65% da população indígena. Destes, 80% estão
abaixo da linha da pobreza. No Brasil, o censo do IBGE aponta para
o percentual de 0,4% da população. “Mas é o
Brasil tem, também, o maior número de povos indígenas
isolados. Ainda ocorrem grandes matanças que não são
notícias, porque ocorrem sem que ninguém veja”,
diz o especialista. “Há relatos de assassinatos de tribos
inteiras envenenadas, para ocupação de terras.”
A questão indígena passou por três fases históricas
de maior destaque. “Na primeira, os índios eram considerados
seres sem alma, objetos”, explica. Na segunda, buscou-se uma
suposta igualdade, por meio da aculturação. O terceiro
marco histórico foi a Convenção 169 da OIT, de
1989, sobre povos indígenas e tribais em países independentes,
que veda o uso de qualquer tipo de força ou coerção
que viole os direitos humanos e as liberdades fundamentais desses povos
e garante a proteção de seus valores e práticas
culturais, sociais, religiosas e espirituais. “O indígena
tem uma cosmovisão diferente do mundo do trabalho, de sua relação
com a terra”, assinala Christian. “É uma relação
coletiva, e isso precisa ser respeitado mesmo no mundo capitalista,
que se baseia na propriedade privada.”
(Carmem Feijó)

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