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O
ESTADO DO PARANÁ, 08 de outubro de 2008 | Economia
Microempresas lideram empregos
formais em 2008
AE Notícias
As microempresas, com até quatro funcionários, foram responsáveis
por quase metade dos 137.492 empregos formais criados no Paraná entre
janeiro e agosto de 2008. Elas contrataram 67.913 pessoas no período
e responderam por 49,4% do total das vagas abertas no Estado.
Os dados são da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção
Social, baseados nos últimos registros do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.
O Paraná teve o melhor resultado da série histórica
do Caged para o período e apresentou crescimento de 17,2% em relação
ao ano anterior, quando foram gerados 117.319 postos de trabalho.
Os estabelecimentos de pequeno porte, com entre 20 e 49 empregados,
inseriram 10.073 trabalhadores, o correspondente a 7,3% dos empregos
paranaenses.
Número bem próximo ao das empresas que empregam de 100
a 249 funcionários, que contrataram 10.690 pessoas e foram responsáveis
por 7,8% do total. Aquelas que tinham entre 500 a 999 funcionários
geraram 12.081 postos de trabalho formais, o equivalente a 8,8% das vagas
abertas.
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FETRACONSPAR, 8 de outubro de 2008
Brasília/DF
Centrais se reúnem com Secretário do Trabalho para
discutir a Terceirização
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As Centrais Sindicais,
se reuniram hoje (08/10), às 10:00
horas na sede do Ministério do Trabalho em Brasília/DF,
com o Secretário de Relações do Trabalho, LUIZ
ANTONIO DE MEDEIROS, para darem andamento as discussões sobre
o pré-projeto que trata da terceirização de
serviços no Brasil.
Ficou agendada
nova reunião entre as centrais para o dia
21/10 às 10:00 horas, na sede da CUT em São Paulo/SP.
Representando a NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores,
participaram os diretores GERALDO RAMTHUN e JAIRO
JOSÉ DA
SILVA, assessorados pela representante técnica KARLA CRISTINA
DA COSTA BRAZ da Sub-Seção do Dieese na CNTI.
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Geraldo Ramthun
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Jairo
José da Silva |
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O ESTADO DO PARANÁ, 08
de outubro de 2008 | Economia
Indústria do Paraná tem
a 2ª maior queda do País
Lyrian Saiki
A produção industrial do Paraná recuou 4,8% em agosto
na comparação com julho, a segunda maior taxa negativa do
País; em Goiás, a queda foi ainda mais acentuada, de 6,1%.
Ao todo, seis dos 14 locais pesquisados
registraram queda na produção,
com destaque para São Paulo e Minas Gerais (ambos com -1,8%),
Rio de Janeiro (-2,7%), além do Paraná.
Já as taxas mais elevadas foram verificadas em Pernambuco (5,3%),
Bahia (4,4%) e Ceará (2,4%). Na média nacional, houve queda
de 1,3% na produção da indústria, segundo dados
divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Na comparação com agosto do ano passado, a produção
industrial paranaense cresceu apenas 1,7% - resultado bem abaixo do índice
de julho, que foi de 15,2%, e de junho, quando a variação
havia sido de 12,44%.
O indicador acumulado nos primeiros oito
meses do ano cresceu 10,4% e o acumulado nos últimos doze meses reduziu o ritmo de expansão,
de 9,3% em julho para 8,8% em agosto.
O indústria de veículos automotores foi quem puxou a produção
industrial em agosto no Paraná, na comparação com
igual mês do ano passado, com crescimento de 26,6% - em grande
parte, por conta da produção de caminhões.
Também merecem destaque as indústrias de minerais não-metálicos,
com crescimento de 61,5% - puxado pela fabricação de cimento
-; edição e impressão, com alta de 27,6%, por conta
de livros, brochuras ou impressos didáticos; máquinas e
equipamentos, com crescimento de 17,5%, puxado pela fabricação
de refrigeradores e congeladores.
Por outro lado, as influências negativas mais importantes vieram
de alimentos (-11,0%), outros produtos químicos (-47,1%) e refino
de petróleo e produção de álcool (-17,1%),
decorrentes sobretudo dos recuos em açúcar cristal; adubos
ou fertilizantes e gasolina, respectivamente.
O indicador acumulado no ano mostrou crescimento
de 10,4%, com dez ramos apresentando taxas positivas. Os produtos que
puxaram o crescimento da
indústria paraense foram caminhões; livros, brochuras ou
impressos didáticos; máquinas para colheita e tratores
agrícolas; e cartolina. Por outro lado, houve redução
na fabricação de adubos ou fertilizantes e de açúcar
cristal.
País
Na média nacional, a produção industrial cresceu
2% na comparação com agosto do ano passado, com aumento
no ritmo de expansão no Pará (10,3%), Espírito Santo
(7,1%), Bahia (7,0%) e Goiás (6,7%), beneficiadas pelo desempenho
positivo das indústrias extrativas, celulose e papel e produtos
químicos.
Por sua vez, Amazonas (-3,0%) e Santa Catarina
(-1,8%) foram os únicos
locais que reduziram a produção nessa comparação,
influenciados, principalmente, pelo recuo dos setores de alimentos e
bebidas e madeira, respectivamente.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 08 de outubro de 2008 | Economia
Comércio de materiais
de construção cresce no País
Redação
Dados da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de
Material de Construção) apontam que o comércio de
materiais de construção no País cresceu 9,5% em volume
de vendas entre os meses de janeiro e agosto, na comparação
com o mesmo período de 2007.
Num momento em que o varejo comemora
os bons resultados, a Expocon - 11.ª Feira de Fornecedores da Construção Civil mostra
que está se consolidando como o segundo maior evento do setor
no Brasil.
O número de expositores confirmados para a feira já é de
150 indústrias. A Expocon acontece entre os dias 15 a 18 de outubro,
no Expotrade Convention Center, em Pinhais, Região Metropolitana
de Curitiba (RMC). Informações: (41) 3075-1100 ou www.feiraexpocon.com.br.
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de
outubro de 2008 | Economia
Queda das ações
aumenta medo do desemprego
Empresas já freiam investimentos e precisam de crédito para
giro dos negócios
Curitiba - Caso a crise econômica dos Estados Unidos se estenda por
mais dois ou três meses vai trazer redução de produção
para as empresas, de investimentos e corte de empregos. Uma fonte de captação
de recursos para as companhias é ter o capital aberto com ações
negociadas na bolsa de valores. Com a queda geral dos papéis que
vem ocorrendo na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) as ações
das principais companhias do Paraná caíram até 58%.
''Fechada a torneira da capitalização (bolsa) e a do crédito
internacional por conta da crise, as empresas vão ter que recorrer
ao mercado interno'', disse o coordenador do curso de Economia da FAE
Business School, Gilmar Mendes Lourenço. Com isso, para capital
de giro, as empresas terão que recorrer a linhas de bancos comerciais
e, para investimento, linhas de bancos comerciais e do BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social). ''O crédito está minguando
no mundo e no Brasil. No curto prazo, a capacidade das empresas crescerem é bastante
reduzida'', destacou.
Ele lembrou que o cenário mundial é de apreensão
e de expectativa. ''Por enquanto, as medidas dos EUA preservam as contas
correntes, a poupança e as aplicações em geral'',
disse. Lourenço destacou que ''as empresas já colocaram
o pé no freio dos investimentos e precisam de crédito para
giro dos negócios.
''O grande problema de uma crise como essa
dos EUA é que gera
outra crise - a de credibilidade das análises econômicas
que são feitas'', alertou.
Segundo ele, a crise com essa magnitude
e profundidade não pode
virar o ano de 2008. Lourenço prevê que o problema dificilmente
vai ser resolvido enquanto o governo Bush estiver no comando porque ele
não tem credibilidade política.
A empresa de telefonia GVT informou que
não poderia comentar
a queda das ações (de -32%) porque está em período
de silêncio até a divulgação do balanço
do terceiro trimestre que acontece no dia 15 de outubro. Essa restrição é imposta
pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa esclareceu
apenas que não há possibilidade de demissões. A
companhia emprega 4.100 funcionários, atua em 80 cidades de 14
Estados e cresce cerca de 35% ao ano.
O superintendente de relações com investidores da América
Latina Logística (ALL), Rodrigo Campos, disse que a empresa tem
um ''colchão de caixa para crescer nos bons e maus momentos''.
Segundo levantamento da FOLHA, a queda nas ações da ALL
foi de 47%. Hoje a companhia dispõe de um caixa de R$ 2,5 bilhões
e, de acordo com Campos, pode crescer sem utilizar o mercado de crédito
nos próximos dois anos. Campos disse que a ALL não prevê revisão
de investimentos para baixo. ''Estamos preparados para crescer e não
precisamos de capital a médio prazo'', disse. A empresa emprega
5.300 funcionários e também não cogita demissões.
A Sanepar não tem procedimento de aumento de capital através
de bolsa como meio de financiar as atividades. A afirmação é do
diretor de relações com investidores da empresa, Germinal
Pocá. Segundo ele, a queda das ações, de 29,13%,
não tem efeito na parte econômica e financeira da empresa.
Os investimentos são realizados com financiamentos da Caixa Econômica
Federal, do BNDES e recursos próprios.
A Copel e a Positivo Informática foram procuradas pela reportagem,
mas não deram retorno até o fechamento desta edição.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 8 de outubro
de 2008
Demografia
População começará a
diminuir
Estudo prevê que Brasil terá 204 milhões de habitantes
em 2030. Depois, passará a perder população
Já há data marcada para o fim do crescimento da população
brasileira. Em 2030, o Brasil deve chegar ao número máximo
de habitante: 204,3 milhões. A partir dessa data, a taxa de crescimento
chega a zero e, em seguida, torna-se negativa. A tendência, então, é que
a população comece a encolher. Em 2035, seremos 200,1 milhões
de brasileiros. A projeção, divulgada ontem, faz parte da
terceira etapa do estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), feitos com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
(Pnad) 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Segundo estimativa do IBGE, hoje o Brasil tem 190 milhões
de habitantes.
“
Já sabíamos que isso iria acontecer em algum momento, mas
não tínhamos o cálculo de quando. Agora sabemos de
forma mais concreta: é em 2030. E 2030 não está longe”,
afirma a coordenadora de pesquisa da área de população
e cidadania do Ipea, Ana Amélia Camarano. Segundo a professora do
Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
Olga Firkowski, a tendência, em seguida, é que a população
se estabilize. “Os países europeus foram os primeiros a passar
por isso, depois a América. No futuro, será a vez da África. É uma
tendência que veio para ficar”, afirma.
Para a professora de Geografia da População da UFPR Gislene
Santos, os dados apresentados pelo Ipea quebram o mito em voga a partir
dos anos 70 de que os países do terceiro mundo sofreriam uma explosão
demográfica. “A previsão que se tinha, na época, é que
chegaríamos em 2000 com 205 milhões de habitantes. Isso
não aconteceu. De acordo com estudo, em 2030 teremos menos que
isso: 204,3 milhões de habitantes”, diz. A derrubada do
mito não causa surpresa, segundo Gislene. “A queda do crescimento
da população vem sendo verificada pelas Pnads e censos
desde a década de 70”, explica.
O estudo do Ipea mostra também que a população,
além de diminuir, deve se tornar mais envelhecida. A previsão
apresentada pelo instituto está intensamente ligada à queda
na taxa de fecundidade (número de filhos por mulher), à taxa
de natalidade e ao aumento da expectativa de vida.
Segundo Gislene, porém, o fato de o Brasil atingir essas metas
não significa a solução de problemas sociais. “Nos
anos 70, a receita dada era a da diminuição da taxa de
fecundidade. Nós atingimos a meta. E daí? O Brasil continua
desigual”, observa. “Temos, ainda, alta concentração
da população em alguns pontos do país, principalmente
nas capitais, municípios ligados à metrópole e alguns
pólos regionais”, exemplifica Gislene.
Para Ana Amélia, a questão, agora, é verificar as
conseqüências desse fenômeno e como a sociedade vai
se comportar. “Com uma população envelhecida e a
pirâmide etária (veja no gráfico) de cabeça
para baixo, precisamos que as condições de saúde
continuem melhorando; que acabe a aposentadoria compulsória; que
se adie a idade para se aposentar; que tenhamos mais cuidado com a saúde
ocupacional; treinamento para essa população mais idosa
trabalhar; e acabar com o preconceito em relação ao trabalho
do idoso”, diz Ana Amélia.
Nesse ponto, a diferença de cultura, estrutura e assistência
entre o Brasil e os países europeus podem fazer toda a diferença.
Embora o estudo do Ipea mostre uma redução da pobreza entre
os idosos brasileiros, os encargos sobre eles também aumentaram,
observa Olga. “Os idosos estão assumindo financeiramente
as suas famílias e estão tendo que continuar trabalhando.
Nosso idoso é muito diferente do idoso europeu. Lá, as
pessoas estão mais amparadas”, diz.

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O ESTADO DO PARANÁ, 08
de outubro de 2008 | Política
Alianças curiosas
movimentam segundo turno no Paraná
Roger Pereira
Os dois municípios paranaenses em que as eleições
serão decididas no segundo turno - Londrina e Ponta Grossa - podem
apresentar alianças, no mínimo, curiosas nestas três
semanas de campanha para a nova votação do próximo
dia 26. Não está descartada a possibilidade petistas e
peemedebistas serem vistos em palanques tucanos em Londrina e Ponta Grossa,
respectivamente.
O primeiro passo para essas alianças surpreendente foi dado pelo
atual prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), que já anunciou “apoio
pessoal” ao candidato Luiz Carlos Hauly, do PSDB.
O prefeito disse que tomou a decisão “em defesa da cidade”,
descartando qualquer possibilidade de apoiar Antonio Belinati (PP), a
quem sucedeu na Prefeitura em 2001 e sobre quem tem severas críticas.
O prefeito reforçou, no entanto, que seu apoio é uma decisão
pessoal e que o PT ainda reunirá a executiva para decidir se apoiará algum
dos candidatos neste segundo turno.
Já em Ponta Grossa, o governador Roberto Requião é esperado
no palanque do prefeito Pedro Wosgrau (PSDB). Apesar de tucano, Wosgrau
apoiou Requião nas eleições de 2006 e espera, agora,
retribuição.
Se no primeiro turno o governador estava
dividido já que também
recebeu apoio do deputado Jocelito Canto (PTB), que terminou a eleição
na terceira posição, agora ele não teria motivos
para não apoiar Wosgrau, já que seu adversário é Sandro
Alex (PPS), que, além de pertencer a um dos partidos que faz forte
oposição ao governo, é irmão do deputado
estadual Marcelo Rangel (PPS), adversário do governo na Assembléia.
Se Wosgrau aguarda a presença de Requião em sua campanha,
Sandro Alex também espera um reforço de peso na busca por
votos no segundo turno. O senador Osmar Dias (PDT) manteve-se afastado
da disputa em Ponta Grossa porque seu partido coligou-se ao PTB de Jocelito,
aliado de Requião. Agora, Osmar está livre para manifestar
sua preferência e é aguardado por Sandro Alex nos Campos
Gerais.
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Gazeta do Povo, 8 de outubro
de 2008
Reeleição
44% dos prefeitos se reelegeram
Das 395 cidades paranaenses em que a eleição já está definida,
em 175 o poder não vai trocar de mãos no ano que vem
Em 175 municípios paranaenses, o comando da cidade não vai
trocar de mãos no ano que vem, pois os prefeitos se reelegeram.
O índice de reeleição chega a 44,3% dos 395 municípios
do Paraná onde a eleição já foi definida. Em
duas cidades – Londrina e Ponta Grossa –, ainda haverá segundo
turno. E em outras duas – Ramilândia e Três Barras do
Paraná – todos os candidatos foram impugnados.
O levantamento foi realizado pela Gazeta do Povo a partir da comparação
do número de prefeitos eleitos em 2004 com a relação
dos vencedores do pleito deste ano. O cruzamento de dados revela que os
políticos que estão no poder, com a reeleição,
instituída no país em 1998, tendem a se manter.
Christian Rizzi/Gazeta do Povo

Mac Donald conseguiu manter-se por mais quatro anos em Foz do Iguaçu.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP),
Valentim Milleo (PMDB), atual prefeito de Piraí do Sul, diz que
o índice de reeleição deste ano está dentro
das estimativas previstas. Apesar de não haver números
oficiais da eleição de 2004, ele calcula que a quantidade
de reeleitos aumentou.
Para Milleo, que este ano não concorreu à eleição
por já estar no segundo mandato consecutivo, boa parte dos prefeitos
consegue se reeleger porque têm a máquina eleitoral à disposição
e, assim, acaba deixando o adversário em desvantagem. “Se
os prefeitos não pudessem usar a máquina, somente 20% se
reelegeriam”, calcula. O prefeito diz ser contra a reeleição
justamente pela facilidade de se usar a máquina administrativa.
O sociólogo e cientista político Ricardo Costa de Oliveira,
da UFPR, diz que neste pleito os prefeitos tinham condições
favoráveis para permanecer no cargo por dois motivos: o panorama
econômico positivo e as políticas sociais do governo federal.
Segundo Oliveira, os prefeitos administraram os municípios com
mais emprego, mais renda e orçamento em razão dos quatro
anos de crescimento econômico registrado no país. Ele também
salienta que os administradores que conseguiram aproveitar bem as políticas
sociais do governo federal, tais como o Bolsa Família, foram favorecidos. “Muitos
prefeitos se beneficiaram desta política”, diz.
Entre os quatro maiores colégios eleitorais do Paraná,
conseguiram se manter no cargo os prefeitos de Curitiba, Beto Richa (PSDB),
e de Maringá, Silvio Barros (PP). O pleito ainda será definido
em Londrina. Mas nesse caso o atual prefeito, Nedson Micheleti (PT) não
poderia ser candidato pois já havia sido reeleito em 2004. Em
Ponta Grossa, o prefeito Pedro Wosgrau (PSDB) pode aumentar as estatísticas
favoráveis à reeleição. Ele está no
segundo turno.
No Norte Pioneiro, dos 19 prefeitos que disputaram o cargo, 12 conseguiram
vencer. Outros sete não saíram para a reeleição
ou já estavam em seu segundo mandato. Na Região Noroeste,
pelo menos seis prefeitos asseguraram novamente a vaga. No Oeste, Paulo
Mac Donald (PDT), em Foz do Iguaçu, também se reelegeu.
Nas principais cidades da região de Ponta Grossa, pelo menos quatro
prefeitos continuarão administrando os municípios. Entre
eles, Fernando Ribas Carli (PP), de Guarapuava, Moacyr Fadel (PMDB),
de Castro. No Sudoeste, o prefeito de Pato Branco, Roberto Viganó (PDT),
se manteve no Executivo.
Colaboraram Kátia Brembati e Edson Gil Santos Jr., da sucursal
de Ponta Grossa, e Octavio Rossi e Marco Martins, correspondentes.
Tendência foi de renovação nas Câmaras
de Vereadores
Nas Câmaras Municipais das principais cidades do Paraná o índice
de renovação de vereadores foi elevado. Em Curitiba, 18
dos 38 vereadores que assumem em janeiro são novatos. Ou seja,
48% dos eleitos não estavam na Câmara.
No interior, a tendência de renovação da Câmara
foi mais alta ainda. Londrina, das grandes cidades paranaenses, teve
o menor índice de reeleição dos vereadores: 33,3%.
Apenas 6 dos 18 vereadores consseguiram votos suficientes para mais quatro
anos no Legislativo municipal. A Câmara de Londrina, aliás,
passou por um ano muito negativo, com diversas denúncias de corrupção,
que chegaram a levar vereadores à prisão, à cassação
ou à renúncia.
Em Maringá, dos 15 candidatos eleitos em 2008, 9 são novos
(60% de renovação). A próxima legislatura da Câmara
de Vereadores de Foz do Iguaçu, contará com um índice
de renovação também de 60%. Dos 15 parlamentares
eleitos no domingo, apenas seis alcançaram a reeleição
por mais quatro anos.
Em Ponta Grossa, a renovação na Câmara Municipal
foi um pouco menor do que no restante das grandes cidades. Ficou em 40%.
Nove dos quinze vereadores se reelegeram. (DP)
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Folha de S.Paulo, 8 de
outubro de 2008
ELEIÇÕES 2008 / MINAS GERAIS
Aécio
sofre perda de terreno para PT e PMDB
Além de o PSDB diminuir, governador assiste ao aumento
da força
dos ministros Patrus Ananias e Hélio Costa no Estado | Contrário à aliança
PT-PSDB em Belo Horizonte, Patrus é tido como o responsável
pelo salto petista de 85, em 2004, para 107 prefeituras FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
O governador Aécio Neves (PSDB) colecionou contratempos nas eleições
em Minas Gerais. Além do revés em Belo Horizonte, com a
presença inesperada de Leonardo Quintão (PMDB) no segundo
turno contra seu "afilhado" Marcio Lacerda (PSB), ele viu cair
o número de prefeituras comandadas por tucanos no Estado (de 170
para 159) e se fortalecerem justamente seus dois principais adversários
políticos.
Os ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), do PT, e Hélio
Costa (Comunicações), do PMDB, começam com vantagem
a corrida de 2010.
Líder da ala do PT avessa à aproximação com
Aécio e os tucanos, Patrus é apontado como o principal
responsável pelo salto de 85 para 107 no número de prefeituras
do partido em Minas. Ele percorreu 34 cidades em cinco finais de semana.
O PT foi o partido que mais avançou no Estado. Ampliou suas bases
sobretudo no Vale do Aço e no sul. Já conta com sete das
28 maiores cidades mineiras e tem boas chances de vencer em outras duas
(Contagem e Juiz de Fora, ambas em confronto com o PSDB). Também
recuperou o comando de prefeituras importantes, como a de Betim -segunda
maior arrecadação do Estado e hoje comandada por um tucano.
Quanto à Costa, o próprio PSDB mineiro acredita que os
peemedebistas saem das votações motivados a lançá-lo
como candidato ao governo em 2010 devido ao fato de Aécio e o
prefeito Fernando Pimentel (PT) não terem conseguido liquidar
a eleição em BH com Lacerda.
O PMDB ainda venceu em cinco (pode chegar a sete) cidades com mais de
100 mil habitantes -em algumas derrotou ex-secretários de Aécio.
Tucanos e assessores do governador se apegam aos números da eleição
anterior (150 prefeituras) para anunciar o crescimento do partido. Só que,
em 2007, antes da proibição do troca-troca partidário,
o PSDB havia feito uma filiação em massa e cresceu para
170 municípios.
Aécio perdeu até mesmo na terra natal de seu avô Tancredo
Neves. Em São João Del Rey, o PSDB ficou em terceiro lugar.
O xadrez de 2010, de todo modo, depende do segundo turno em Belo Horizonte.
E caciques peemedebistas estão dispostos a reforçar o interesse
de contar com Aécio nos quadros do PMDB para 2010.
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Vermelho, 8 de outubro
de 2008
'Cadê o FMI?', ironiza Lula ao
criticar EUA e Europa
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva fez ironia com a postura
recuada do FMI (Fundo Monetário Internacional) diante da crise
de Wall Street. ''Quando era o Brasil ou a Argentina que apresentava
uma crise, o FMI sempre dava palpite e ditava o que fazer ou não
fazer. Agora, cadê o FMI?'', indagou. Lula ressaltou que se a crise
chegar ao Brasil, ''chega mais leve'', ao lançar em Angra dos
Reis um programa de R$ 10 bilhões para investimento na indústria
naval.

Lula com os operários: crítica aos que 'não gostam
de pobre'
Lula acusou os EUA de terem feito a ''farra do boi'' com o dinheiro público.
''O trabalhador sabe que se fizer a farra do boi com seu salário,
quem vai pagar é o seu filho. E a gente não deve governar
um país, mas cuidar de um país, como se cuida de uma família,
sabendo que quem vai sofrer as conseqüências são os
nossos filhos'', disse.
Conforme o presidente, tanto os EUA quanto
a Europa ''fingiram que não
têm crise''. ''Eles são iguais àquelas pessoas que
não gostam de pobre. Vão para a reunião do G8, querem
falar da Amazônia, mas não falam de crise''.
''Se chegar, chega mais leve''
O presidente disse esperar que o ''pacote
americano ajude a resolver o problema deles''. ''Mas pelo amor de Deus,
agora que deixamos de comer
o pão que o diabo amassou e começamos a comer um pãozinho
com mortadela, eles que não venham querer se socializar com a
gente. Este tipo de socialismo não queremos. Queremos socializar
a bonança e não a miséria'', comentou.
''Esta é a primeira vez que um governo não precisa explicar
ao povo que a crise é internacional e não local. Todos
estão cansados de ouvir isso. Mas muitos acham que é prepotência
minha dizer que esta crise não chega ao Brasil. Digo e insisto:
se chegar, chega mais leve, mesmo que haja quem esteja torcendo para
ela chegar logo e causar estragos'', considerou o presidente.
EUA são ''cigarra'' e Brasil ''formiga''
Lula falou de um palanque montado em meio
ao estaleiro Brasfels, onde foi batizada a plataforma P-51 da Petrobras.
A platéia de 3 mil
pessoas tinha uma maciça maioria de operários metalúrgicos – antiga
base de apoio do presidente. Foi no mesmo estaleiro de Angra que Lula
gravou o seu primeiro programa de TV para a campanha que o elegeu em
2002; na ocasião, prometeu que a Petrobras passaria a encomendar
aqui e não no exterior as suas plataformas petrolíferas.
''Todo mundo sabe que o que está acontecendo se deve à especulação
financeira que começou nos Estados Unidos. Eles brincaram com
a economia mundial e, na hora que a porca entorta o rabo, sobra pra nós'',
disse Lula, para lembrar em seguida que ''desta vez será diferente'',
porque o país fez como ''na história da cigarra e da formiga:
enquanto eles cantavam, a gente trabalhava''. A citação
foi feita com relação ao fato de o Brasil ter se transformado
em credor externo (com reservas superiores a sua dívida internacional),
enquanto os EUA se tornaram o país mais endividado do planeta.
''Até agora estamos em pé''
''A crise americana é muito profunda. talvez seja a maior crise
nos últimos 50 anos. Só teve igual a esta em 1929. E ela
está chegando na Europa, porque os bancos europeus participaram
do cassino imobiliário dos EUA'', disse o presidente
Para Lula, os ''rombos'' atuais na economia sao bem maiores que os das
crises do México, Ásia e Rússia, na década
passada, que ficaram em torno de US$ 50 bilhões; mesmo assim o
Brasil ''quase quebra'', lembrou ele. ''Mas nesta, nos EUA, o rombo já é de
US$ 1 trilhão, só lá. A mágoa deles e de
alguns aqui dentro é de que o Brasil não quebrou. Eu não
estou dizendo que não teremos dificuldades, mas que até agora
estamos em pé'', disse o presidente, em uma comparação
implícita com seu antecessor, Fernando Henrique Vardoso, que culpa
fatores externos pelo mau desempenho da economia brasileira durante seus
oito anos de governo (1995-2002).
''Não haverá nenhum pacote''
Lula foi enfático ao afirmar que a atual crise econômica
mundial não levará o governo a lançar um pacote
econômico. ''Não haverá nenhum pacote econômico'',
disse. ''Todas as vezes em que houve um pacote econômico no Brasil,
o trabalhador é que foi prejudicado'', agregou.
O presidente ressaltou porém que foram tomadas medidas de apoio
aos bancos pequenos e aos exportadores. ''Cada medida será tomada
conforme ela for exigida no dia-a-dia'', disse.
Lula defendeu que ''ninguém se abale com a crise''. ''''Durante
muitas semanas vai se falar em crise no mundo. A bolsa vai subir e vai
descer... Não se abalem, porque esse país se encontrou
com seu destino e não há nada no mundo que vai fazer com
que reapareçam o desemprego, a miséria e o abandono. A
crise gera especulação, gera desconfiança e depois
cidadão fala que não vai gastar seu dinheiro e vai guardar.
Peço a vocês que não façam isso, e continuem
fazendo a mesma coisa que estavam fazendo.''
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Folha de S.Paulo, 8 de
outubro de 2008
Governos elevam intervenção,
mas mercados caem mais
Estados Unidos, Europa e Ásia lançam medidas bilionárias
para estimular crédito | Apesar da ação oficial, Bolsas
voltam a cair pelo mundo, com Nova York recuando 5,1% mesmo após
queda de 3,58% na véspera CLÓVIS
ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A MADRI
As autoridades americanas
e européias -ministros e bancos centrais-
abriram ontem todo um novo pacote de bondades para tentar domar o pânico
que assola os mercados financeiros, mas o resultado foi de novo pífio:
a principal Bolsa do mundo, a de Nova York, caiu muito de novo (mais
de 5%) e, na Europa, microganhos nem de longe compensaram o desastre
de segunda-feira.
Na maior economia européia, a Alemanha, nem isso: caiu de novo,
agora 1,12%. Paris subiu 0,55%; Londres, 0,35%; Madri, 1,2%. No Brasil,
quase 5% de queda.
O pacote inclui de novo recursos em grande escala, garantias igualmente
suculentas e palavras eloqüentes, como a da ministra francesa de
Finanças, Christine Lagarde: "Não toleraremos um Lehman
Brothers europeu", disse, ao término da reunião com
seus colegas de Economia dos 27 países europeus, em Luxemburgo.
É
uma alusão ao banco americano de investimentos cuja quebra é tida,
pelos europeus, como o ponto de partida para a viagem da crise financeira
ao outro lado do Atlântico.
Os ministros decidiram elevar de 20 mil para 50 mil a garantia para os
depósitos bancários no bloco, mas sem criar um fundo conjunto
para tanto. Cada país agirá conforme suas próprias
necessidades.
A Espanha já agiu ontem mesmo: elevou a garantia de 20 mil para
100 mil, coerente com a sua própria proposta, com apoio da França,
para que a Europa adotasse esse patamar em conjunto.
Os mercados e muitos acadêmicos vinham demandando há semanas
uma resposta coordenada, mas tudo o que os ministros conseguiram foi
uma "moldura coordenada" para "ações públicas
que têm que ser decididas no nível nacional", conforme
comunicado do governo alemão.
Decidiram também dar apoio à instituições
financeiras que representem um risco sistêmico -ou seja, cuja quebra
poderia pôr em risco todo o sistema financeiro. É a versão
técnica de não tolerar "um Lehman Brothers europeu".
O governo espanhol ontem mesmo anunciou a criação de um
fundo de 30 bilhões, ampliável a 50 bilhões, para
comprar ativos sadios de entidades financeiras, com o objetivo de "sustentar
a atividade produtiva e o crédito", como disse o presidente
do governo, José Luis Rodríguez Zapatero.
O premiê britânico, Gordon Brown, fez o mesmo: anunciou esquema,
a ser detalhado hoje, de usar até 50 bilhões de libras
(US$ 88 bilhões) para comprar ações preferenciais
de bancos relevantes.
Nos EUA, Ben Bernanke, presidente do Fed, anunciou o BC americano comprará "commercial
papers", títulos de curto prazo de grandes empresas. Com
isso, espera lubrificar os congelados mecanismos de crédito.
Já o BCE (Banco Central Europeu) anunciou a duplicação
dos recursos a emprestar a bancos comerciais por períodos de até seis
meses, elevando-os para 50 bilhões. Além disso, em operação
conjunta, o Fed e os BCs de Canadá, Reino Unido, Japão
e Suíça decidiram despejar mais US$ 450 bilhões
para os bancos destravarem os créditos.
Crédito
congelado
Muito mais que a queda nas Bolsas é o congelamento do crédito
que assusta as autoridades porque a economia não funciona sem
ele. Os bancos temem até emprestar dinheiro uns aos outros, quanto
mais a pessoas físicas ou jurídicas, o que trava a economia.
O resultado do pacote de bondades de ontem ainda não pode ser
devidamente avaliado porque as medidas foram pingando ao longo do dia.
De todo modo, um dado é relevante: a Libor (a taxa com a qual
os bancos emprestam uns aos outros) está no mais alto nível
em quase oito anos. Subiu a 3,94%, "taxa de parar o coração",
segundo a revista britânica "The Economist".
Sinal claro de que as instituições financeiras preferem
entesourar recursos em vez de emprestá-los ao mercado, embora
essa seja sua razão de viver.
Mas pânico é pânico, e se revela em outra taxa, a
Euribor, usada na maioria das hipotecas na Espanha: subiu ontem de novo,
até chegar aos 5,49%, o ponto mais alto de sua história.
Nesse cenário, é razoável supor que as autoridades
acabarão por seguir a decisão de ontem da Austrália
de reduzir sua taxa de juros de 7% para 6%, um corte que duplica o que
o mercado esperava.
Já há um pequeno coro se formando a favor do corte de juros,
começando pelo diretor da Câmara Britânica de Comércio,
David Frost, para quem "o Banco da Inglaterra [o BC britânico]
precisa reduzir as taxas de juros imediatamente".
É
uma idéia que tem o apoio do novo guru da economia, Nouriel Roubini,
da Universidade de Nova York, chamado de "Mr. Doom" (sr. catástrofe),
porque vivia prevendo uma baita crise.
Em entrevista ao "site" do Council on Foreign Relations, Roubini
disse que "a Europa, os Estados Unidos e outras economias líderes
deveriam coordenar grandes reduções de juros, para mostrar
que estão levando a sério o combate à crise e aos
problemas econômicos mais abrangentes que ela poderia gerar".
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Agência Diap, 8
de outubro de 2008
TRIPLA JORNADA
Mulheres chefiam mais famílias e concentram tarefas domésticas,
mostra Pnad
Cada vez
mais as mulheres brasileiras são chefes de família,
participam do mercado de trabalho e continuam acumulando a maioria
das tarefas domésticas. É o que mostra a série
Pnad 2007: Primeiras Análises que, desta vez, aborda os temas
população, família e gênero. De acordo com
a pesquisa, os resultados indicam “exaustivas” jornadas
de trabalho – remunerado e não-remunerado – para
as mulheres, além de um aumento das desigualdades de gênero
no País.
De acordo com o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea),
responsável pelo estudo, a proporção de famílias
chefiadas por mulheres passou de 24,9%, em 1997, para 33%, em 2007,
o que representa um total de 19,5 milhões de famílias
brasileiras que identificam a mulher como principal responsável.
Durante o mesmo período, famílias formadas por casais
com filhos e chefiadas por mulheres também representam um “fenômeno
em ascensão”. Entre 1997 e 2007, os números passaram
de 600 mil para quase 3,3 milhões. Em 1997, entre as famílias
formadas por casais com filhos, apenas 2,4% eram chefiadas por mulheres.
Em 2007, a proporção subiu para 11,2%.
A Pnad indica que o aumento de quase
8% pode estar relacionado à maior
longevidade das mulheres, aliada a um envelhecimento geral da população.
Em quase 27% dessas famílias, a mulher considerada chefe tem
60 anos ou mais e, em muitos casos, mora sozinha. O aumento da participação
feminina no mercado de trabalho também é um dos fatores
responsáveis pelos índices, pois permite que as mulheres
assumam, sozinhas ou com a presença de um companheiro, o sustento
de um lar.
O Ipea alerta, entretanto, que embora
uma maior presença no
mercado de trabalho indique maiores possibilidades de autonomia e emancipação,
o aumento do número de famílias chefiadas por mulheres
nas quais somente elas são as responsáveis pelo sustento
da casa e dos filhos “deve ser lido com cuidado”, uma vez
que o aumento pode estar relacionado tanto ao aumento da precariedade
da vida quanto do trabalho dessas mulheres.
Dados sobre o cuidado com os afazeres
domésticos mostram, de
acordo com a Pnad, “uma importante e persistente assimetria de
gênero”. A pesquisa indica que o tempo que as mulheres
dedicam ao trabalho doméstico é maior do que o dos homens,
independentemente da condição na família (chefe
ou cônjuge), da escolaridade, da renda ou da condição
de ocupação (ocupado, desocupado ou inativo).
Em famílias formadas por casais com filhos, os homens na posição
de chefe dedicam 10,05 horas semanais aos afazeres domésticos
e, na posição de cônjuges, não ultrapassam
10,44 horas semanais. Já as mulheres consideradas chefes de
famílias e que trabalham fora de casa, quando comparadas a homens
cônjuges desocupados, dedicam nove horas a mais por semana ao
trabalho doméstico.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE)
mostram que, em 2007, 50,5% dos homens ocupados afirmaram cuidar dos
afazeres domésticos, contra 89,6% das mulheres ocupadas.
Os dados, segundo o Ipea, confirmam que
as mulheres ainda são
as principais responsáveis por tarefas como cuidar da casa,
dos filhos, dos idosos, da manutenção da família
e de todas as atividades relacionadas ao âmbito doméstico.
(Fonte: Agência Brasil)
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Vermelho, 8 de outubro
de 2008
EUA: de ''terra das oportunidades'' à desigualdade
crescente Os EUA já foram a terra das oportunidades. Isto faz muito tempo.
No último meio século, a concentração de
renda cresceu no país, agravada pelo predomínio neoliberal.
Hoje, o índice de Gini, que já foi igual ao dos países
da Europa, ficou próximo ao dos chamados emergentes, como o Brasil,
a China ou o México
Por José Carlos Ruy
O predomínio neoliberal trouxe prejuízos e desigualdades
para o povo e os trabalhadores em todos os países. Inclusive nos
Estados Unidos, como mostram dados divulgados na edição
de junho do Le Monde Diplomatique por Walter Benn Michaels, professor
na Universidade de Illinois, Chicago (EUA), e autor do livro The Trouble
with Diversity. How we Learned to Love Identity and Ignore Inequality
(Os problemas com a diversidade: como aprender a gostar da identidade
e ignorar a desigualdade), de 2006, onde destaca a ênfase neoliberal
nas diferenças identitárias (culturais, étnicas
e até religiosas, que caracterizam o chamado multiculturalismo)
e, junto com ela, a maior tolerância em relação à desigualdade
e à disparidade de riqueza e renda.
Ele chama a atenção para o retrocesso que a igualdade sofreu
nos EUA nos últimos 60 anos. Em 1947, quando as leis segregacionistas
(chamadas Jim Crow, e que separavam radicalmente negros e brancos) estavam
no auge no sul do país, o índice de Gini era de 0,376;
sessenta anos depois, em 2006, a desigualdade piorou, e o índice
chegou a 0,464. O índice de Gini é uma medida de concentração:
próximo de zero significa uma distribuição mais
igualitária; quanto maior, isto é, mais distante de zero,
a concentração é maior. ''É um aumento significativo'',
diz Michaels.Em 1947, os EUA estavam em patamar semelhante (embora um
pouco mais desigual) que os países da Europa Ocidental; em 2006,
ombreava com países emergentes como o México e a China.
Só para comparar: hoje, na França, o índice é de
0,383; na Alemanha, 0,283; na Suécia, 0,250. Na China, em 2004,
era de 0,470 (igual ao dos EUA em 2006); no México, no mesmo ano,
era de 0,510. No Brasil, quando a marca chegou a 0,503, o fato foi comemorado
como uma melhoria histórica na distribuição de renda.
Vista a questão por outro lado, nos EUA, em 1947, os 20% mais
ricos da população dos EUA ficavam com 43% da renda anual;
em 2006, sua fatia aumentou, e passaram a ficar com 50,5% da renda. Em
2006, após anos de lutas (muitas vezes vitoriosas) contra o racismo,
o sexismo e o heterosexismo, diz ele, os ricos ficaram mais ricos.
Lá, apenas 7% das famílias tem renda anual superior a 150.000
dólares; 18% recebem mais de 100.000 ano ano, e o grosso das famílias
(mais de 50% do total) ganha menos de 50.000 dólares por ano -
cerca de 4.160 por mês (em torno de 8.300 reais), um salário
apertado para as condições estadunidenses (*).
No último meio século, a economia dos EUA cresceu muito
e a melhoria geral ocultou a desigualdade crescente que, na crise, volta
a aparecer com muita clareza. E amplifica o escândalo das indenizações
e demais benefícios pagos aos executivos de Wall Street, autores
da atual crise. A disparidade foi registrado inclusive em um editorial
recente do The New York Times: há três décadas, o
salário de um CEO (isto é, dos grandes executivos) era
30 a 40 vezes maior que o de um trabalhador médio. Agora, chega
a ser 344 maior! Isto é, um chefão ganha em um dia de especulação
quase o que um trabalhador ganha num ano de trabalho! Dá para
entender a resistência dos estadunidenses comuns contra a salvação
dos banqueiros com dinheiro do governo!
(*) São dados do censo americano, podem ser consultados no endereço
eletrônico
http://factfinder.census.gov/servlet/STTable?_bm=y&-geo_id=01000US&-qr_n...
G00_S1901&-ds_name=ACS_2006_EST_G00_
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Agência Diap, 8 de
outubro de 2008
CAMPANHA SALARIAL
Bancários fazem greve nacional a partir de hoje; adesão é maciça
Em
Brasília paralisação chega ao 9º dia
com disposição e força total

Mais de 3.500 bancários participaram da assembléia
do início da noite desta terça-feira (7)
“Agora somos 450 mil, juntos, para arrochar os banqueiros”,
comemora o Sindicato dos Bancários de Brasília, pois
a partir de hoje (8), os bancários dos estados que optaram pela
greve de 24h na semana passada somam-se aos grevistas de Brasília
e das demais bases sindicais que cruzaram os braços desde o último
dia 30. No DF, a categoria realiza nova assembléia hoje, às
18h, no Setor Bancário Sul (SBS).
A intransigência dos bancos na mesa de negociação
terá que dar lugar a propostas que contemplem as expectativas
dos trabalhadores. A organização e a disposição
de luta demonstradas pela categoria bancária não dá margem à continuidade
do descaso patronal.
Os bancários exigem aumento real de 5% (a proposta da Fenaban é de
apenas 0,35% acima da inflação), valorização
dos pisos salariais, participação nos lucros e resultados
(PLR) maior e simplificada, fim das metas abusivas e do assédio
moral.
Atividades da greve
Depois de oito dias parados, os bancários do Distrito Federal
já assimilaram as atividades de sustentação do
movimento, numa dinâmica que se consolida e se fortalece a cada
novo dia de greve. A disposição de luta é visível.
As assembléias maciças têm demonstrado esta assertiva.
Os grevistas se reúnem diariamente para café matinal
e organização dos piquetes, no Setor Bancários
Sul (Praça do Cebolão e Matriz da Caixa) e em vários
outros pontos do DF. No decorrer do dia, participam das atividades
culturais e dialogam com clientes e usuários que se dirigem às
agências bancárias.
“Estas ações impulsionam nossa mobilização
e envolvem um número cada vez maior de bancários no dia-a-dia
da luta. É importante que cada um dê sua contribuição
ao movimento, até a conquista de nossos objetivos”, frisa
Rodrigo Britto, presidente do Sindicato. (Com Sindicato dos Bancários
de Brasília)
Veja o resultados das assembléias realizadas, nesta terça-feira
(7) por todo País, com atualização da Contraf-CUT
até as 22h.
Greve por tempo indeterminado:
São Paulo - SP
Rio de Janeiro - RJ
Brasília (iniciada em 30/9)
Belo Horizonte - MG
Curitiba - PR
Porto Alegre - RS (exceto Banco do Brasil e Banrisul, que aprovou greve
de 24h no dia 10)
Bahia - Salvador (iniciada em 30/9)
Pernambuco (iniciada em 3/10)
Ceará
Florianópolis - SC
Mato Grosso
Alagoas
Piauí
Acre
Rondônia
Espírito Santo
Paraíba
Sergipe (iniciada em 1/10)
Pará e Amapá (iniciada em 7/10)
Maranhão (iniciada em 30/9)
Rio Grande do Norte (iniciada em 30/9)
Sul Fluminense - RJ
Campina Grande - PB
Criciúma - SC
Campo Grande - MS
Campo Mourão - PR
Itabuna - BA
Santo Ângelo - RS
Teresópolis - RJ
Vitória da Conquista - BA
Bauru (iniciada em 30/9)
Santa Cruz - RS
Teófilo Otoni - MG
Mogi das Cruzes - SP
Chapecó - SC
Ipatinga - MG
Feira de Santana - BA
Jacobina - BA
Concórdia - SC (apenas Caixa)
Joaçaba - SC
Araranguá - SC
Região do ABC - SP
Araraquara - SP
Assis - SP
Barretos - SP
Catanduva - SP
Guarulhos - SP
Jundiaí - SP
Limeira - SP
Presidente Prudente - SP
Taubaté - SP
Anradina - SP
Campinas - SP
Cornélio Procópio - PR
Dourados - MS
Franca - SP
Jaú - SP
Jequié - BA
Londrina - PR
Marília - SP
Oeste Catarinense - SC
Paranavaí - PR
Ribeirão Preto - SP
Rondonópolis - MT
Santa Maria - RS
São Borja e Itaqui - RS
São José dos campos - SP
Umuarama - PR
Vale do Araranguá - PR
Vale do Paranhana - PR
Zona da Mata e Sul de Minas - MG
Rejeitaram a greve:
Blumenau - SC
Videira - SC
São Carlos - SP
Estado de greve:
Vale do Ribeira - SP
Bragança Paulista - SP
Guarapuava - PR
Toledo - PR
|
Agência
Diap, 8 de outubro de 2008
SERVIDOR PÚBLICO
Contribuição sindical para
funcionalismo divide movimento sindical
CUT, CTB e Condsef são contrárias à taxação
dos empregados e servidores públicos. Nova Central, UGT e CSPB
defendem a contribuição
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em notas, se manifestaram contrárias à cobrança
da contribuição sindical dos empregados e servidores públicos
federais, estaduais e municipais. A cobrança foi instituída
por meio da instrução normativa (IN) 1, de 30 de setembro
de 2008, que “dispõe sobre a cobrança da contribuição
sindical dos servidores e empregados públicos”.
O presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou
que é contrário
a instrução normativa. “A central, que tem a maior
representatividade no setor público do País, não
foi consultada”, destaca a nota. “‘Temos o acúmulo
das discussões realizadas no Fórum Nacional do Trabalho
(FNT), onde já se propunha à câmara setorial a contribuição
negocial para o serviço público. Vamos entrar em contato
com as nossas entidades e com o Governo para traçar estratégias
e para acelerar o debate de regulamentação da contribuição
negocial’”, enfatizou.
“Tendo em vista que se trata de um assunto polêmico, a CTB
entende que o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) não
deve impor a cobrança da contribuição sindical compulsória
sem antes promover uma ampla consulta aos trabalhadores e trabalhadores
do setor público e às entidades que os representam”,
chama a atenção Wagner Gomes, presidente da central.
Decisão
unilateral
A Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço
Público Federal) também criticou a decisão do MTE
de editar a instrução normativa. A entidade reclamou que
a decisão foi tomada de forma unilateral.
A Condsef considera a cobrança de imposto sindical uma intromissão
do Estado na forma de organização dos trabalhadores. A
entidade defende a organização livre e quer uma audiência
com o ministro Carlos Luppi para reverter esse quadro. A entidade solicitou
também intervenção do Planejamento que também
não participou de qualquer discussão para determinar a
cobrança compulsória de imposto sindical aos servidores
públicos.
“Quem deve manter entidades sindicais são filiados que
contribuem voluntariamente”, disse Josemilton Costa, secretário-geral
da Condsef. “Nossos sindicatos gerais são dos trabalhadores,
construídos pelos trabalhadores e conduzimos essa luta há quase
duas décadas”, reforça. “Portanto, não
concordamos com a cobrança de imposto sindical uma vez que os
servidores devem escolher a forma como querem se organizar”, defende.
Ciclo completo
A Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), em sua página
na internet, exulta a decisão do ministro do Trabalho Carlos Lupi,
e destaca em conjunto com a CSPB (Confederação dos Servidores
Públicos do Brasil), que “A decisão do ministro Carlos
Lupi, (...) completa o ciclo da contribuição sindical,
que inicialmente vigorou só para os trabalhadores do setor privado,
depois para os empregados públicos e, mais recentemente, para
as centrais sindicais”.
Em nota, a UGT (União Geral dos Trabalhadores) defende a decisão
do Ministério do Trabalho e Emprego: “A instrução,
de autoria do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, considera
que a exclusão dos servidores estatutários do recolhimento
da contribuição, por vezes arbitrariamente praticada pelas
administrações públicas, viola o princípio
da isonomia tributária, previsto no artigo 150, inciso II da Constituição
Federal de 1988”. (Marcos Verlaine)
|
O
ESTADO DO PARANÁ, 08 de outubro de 2008 | Cidades
Justiça do Trabalho
do Paraná retoma expediente normal
Redação
O expediente da Justiça do Trabalho do Paraná volta ao normal
a partir de hoje. Os serviços estavam suspensos desde a última
sexta-feira para implantação, nos sistemas informatizados
do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, das Tabelas Processuais
Unificadas, conforme prevê a Resolução 46/2007 do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ).
O objetivo das Tabelas Unificadas é dar uniformidade à terminologia
utilizada e aos registros sobre a movimentação processual,
bem como sua padronização em modelos de informação,
em todo o Poder Judiciário.
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho
08/10/2008
Portuários avulsos de Paranaguá não
conseguem adicional de risco
O Órgão de Gestão de Mão-de-Obra do Serviço
Portuário Avulso do Porto de Paranaguá e Antonina – OGMO/PR
e a Multitrans Transportes e Armazéns Gerais conseguiram reverter
no Tribunal Superior do Trabalho decisão do Tribunal Regional
da 9ª Região (PR) que concedeu o adicional de risco a um
grupo de portuários avulsos. A Quarta Turma do TST considerou
correto o pedido, reformou a decisão e esclareceu que somente
mediante negociação entre as entidades representativas
dos trabalhadores avulsos e dos operadores portuários seria
possível deferir o referido adicional.
A ação começou em 2003, quando os trabalhadores
ajuizaram reclamação trabalhista pedindo, entre outros,
o adicional de risco percebido pelos portuários com vínculo
empregatício, alegando que trabalhavam em idêntico ambiente
de risco, perigoso e insalubre. O Tribunal Regional concedeu o adicional
por reconhecer a igualdade entre os trabalhadores. No recurso julgado
pelo TST, o relator, ministro Barros Levenhagen, afirmou que a igualdade
de direitos prevista no texto constitucional entre trabalhadores com
vínculo e avulsos (artigo 7º, inciso XXXIX) “qualifica-se
como igualdade ficta, por conta da manifesta distinção
da relação jurídica de ambos com o tomador do
serviço, na medida em que, no caso do trabalhador avulso, há mera
relação de trabalho, ao passo que, no caso do empregado
propriamente dito, vínculo de trabalho subordinado”.
O relator explicou que o adicional de
risco foi instituído
pela Lei nº 4.860/65 e, de acordo com o seu artigo 19, é aplicado
somente “ao regime de trabalho nos portos organizados, alcançando
especificamente os servidores ou empregados pertencentes às
administrações dos portos organizados sujeitos a qualquer
regime de exploração”. O artigo 29 da Lei nº 8.630/93,
que trata do regime jurídico da exploração dos
portos organizados e das instalações portuárias,
estabelece que “a remuneração, a definição
das funções, a composição dos termos e
as demais condições de trabalho avulso serão objeto
de negociação entre as entidades representativas dos
trabalhadores portuários avulsos e dos operadores portuários”.
Com base nesses dispositivos legais,
o relator concluiu que a norma do artigo 29 da Lei nº 8.630, por ser disposição
especial, não se choca com o princípio constitucional
da igualdade ficta, “estando, ao contrário em consonância
com o princípio maior da igualdade do artigo 5º, caput,
da Constituição, pois trata desigualmente os desiguais,
na medida da respectiva desigualdade, extraída da diversidade
de relação jurídica subjacente à relação
de trabalho avulso e à relação de trabalho subordinado”.
O ministro Levenhagen transcreveu precedentes do TST e lembrou o ensinamento
de Rui Barbosa a respeito de que “tratar como desiguais a iguais,
ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não
igualdade real”. ( RR-1874-2003-322-09-00.8)
(Mário Correia)
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08/10/2008
ECT: administrador postal não consegue benefícios da “curva
da maturidade”
A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso
em que um funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT) no Ceará que pedia a aplicação, para sua promoção,
do conjunto de procedimentos definidos como “curva de maturidade” aplicado
a todos os servidores de nível superior da administração
central em Brasília em março de 2001. O pedido já havia
sido negado pela Justiça do Trabalho da 7ª Região
(CE), sob o entendimento de que a avaliação de critérios
para progressão ou promoção é ato discricionário
da empregadora, atendendo-se à conveniência e oportunidade,
inclusive, a supressão.
Com o cargo de administrador postal júnior, o empregado ajuizou
reclamatória em que questionava o princípio da isonomia
na implantação, em março de 2001, da curva da maturidade,
forma de promoção estabelecida por regulamento da ECT,
mas que só os empregados de nível superior lotados em Brasília
receberam naquele ano. Para os demais, a implantação ocorreu
somente em junho de 2002. Segundo o trabalhador, a extensão se
deu com critérios distintos dos do Plano de Carreira, Cargos e
Salários (PCCS), em vigor desde 1995: o PCCS estabelecia um modelo
de avaliação da maturidade profissional dos empregados
de nível técnico e superior. O objetivo era atribuir posição
funcional e salarial compatível com a qualidade e a maturidade
de cada funcionário, a partir de um conjunto de fatores, como
formação acadêmica, capacitação funcional,
aperfeiçoamento e experiência profissional, tempo de serviço,
comissões de serviço/grupo de trabalho, docência,
consultorias e atividades gerenciais.
Na prática, de acordo com o funcionário, a empresa alterou,
em 2002, os critérios do PCCS e adotou como fator de avaliação
exclusivamente o tempo do empregado no cargo, o que lhe causou prejuízos.
Assim, ao submetê-lo a critério diverso do anteriormente
adotado em 2001, em Brasília, a empresa não o beneficiou
na progressão da referência salarial. Disse, ainda, que
a alteração do PCCS foi unilateral, o que contraria a CLT,
e que o tratamento desigual entre funcionários não encontra
respaldo legal.
Ao apreciar a ação, a 4ª Vara do Trabalho de Fortaleza
julgou improcedente o pedido, com o fundamento de que o empregado não
indicou um só elemento de progressão que teria preenchido
e que teria sido esquecido pela ECT, ou que, na aplicação
de critérios especificamente delineados no PCCS, premiaram-se
funcionários na sua mesma situação. Diante desse
resultado, o trabalhador recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da
7ª Região (CE), que manteve a sentença.
O Regional informou que não seria possível aplicar a isonomia,
porque ela só cabe quando decorre de lei. Além disso, indeferiu
a pretensão por entender que a aplicação do regulamento
da empresa quanto à progressão/promoção leva
em consideração vários critérios subjetivos,
sob o rótulo de “curva da maturidade”, cuja avaliação é privativa
da empresa, inserindo-se dentro de seu poder potestativo.
Ao recorrer ao TST, o empregado não conseguiu apresentar condições
para alterar o acórdão regional. O relator, ministro Pedro
Paulo Manus, então, decidiu negar provimento ao agravo de instrumento,
seguido pela Sétima Turma. Ele avaliou que a reforma do julgamento
do TRT implicaria, inevitavelmente, “o revolvimento dos elementos
fático-probatórios dos autos, providência vedada
de forma expressa pela Súmula nº 126 do TST”. ( AIRR
-1235/2004-004-07-40.2)
(Lourdes Tavares)

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