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Agência Câmara, 28
de março de 2009
Trabalhador que estuda poderá ter horário
especial
Elton Bonfim
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4475/08, do deputado Cândido
Vaccarezza (PT-SP), que concede horário especial ao trabalhador
que estuda. Pela proposta, o empregado que seja estudante dos ensinos
fundamental, médio, tecnológico ou superior poderá sair
até uma hora mais cedo ou entrar até uma hora mais tarde
durante o período de aulas.
Para se beneficiar do horário especial, o estudante deverá apresentar
ao empregador atestado de matrícula. Por outro lado, terá de
compensar o horário não cumprido, podendo fazê-lo
em um único dia com jornada máxima de dez horas.
A regra geral é que essas horas sejam compensadas ainda no
mesmo ano ou nos dois primeiros meses do ano seguinte. Nada impede,
no entanto, que a compensação ocorra no mesmo dia em
que o estudante entrou ou saiu mais cedo do trabalho, desde que não
haja alteração na carga horária diária
contratada.
A compensação não será considerada hora
extra. Porém, no caso de ocorrer à noite, será pago
adicional noturno ao trabalhador.
Incentivo
Vaccarezza argumenta que a flexibilidade no horário de trabalho
facilita e incentiva o desenvolvimento educacional do trabalhador
brasileiro.
"Os empresários mais esclarecidos sabem da importância
do conhecimento e dos benefícios gerados por um trabalhador
qualificado. Entendem sua participação neste processo
e autorizam uma flexibilização do horário de
entrada ou saída do trabalhador", afirma.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pelas comissões de Educação e Cultura; de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; e
de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-4475/2008
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Dieese, 28
de março de 2009
Dieese analisa relação de trabalho
formal no País nos últimos anos
Até novembro de 2008, os resultados do mercado de trabalho brasileiro
eram extremamente positivos e recordes de contratação
formal vinham sendo anunciados reforçando uma trajetória
exuberante do emprego formal que o país mostrava desde 2003.
Os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) de dezembro,
porém, marcaram a inversão do quadro de boas notícias,
com o registro de 655 mil demissões.
Demissões
Em todos os anos, desde 2000, dezembro é um mês de -
ajuste geral da mão-de-obra - no mercado de trabalho brasileiro,
com demissões generalizadas de trabalhadores que atinge quase
todos os setores da atividade econômica e regiões geográficas
do país.
Devido ao forte crescimento registrado ao longo de 2008, seria de
se esperar que este ajuste resultasse em cerca de 350 mil dispensas.
No entanto, com o impacto da crise internacional a queda foi muito
maior e o desempenho negativo continuou em janeiro. Em fevereiro,
o Caged mostrou dados positivos, mas grande parte dos segmentos do
mercado continuou demitindo.
Considerando-se dezembro de 2008 como o mês do início
da crise capitalista sobre o mercado de trabalho, o DIEESE mostra,
na Nota Técnica 80 - Mercado de trabalho formal brasileiro
nos anos recentes - que desde novembro houve uma queda de 2,3% no
total de empregos celetistas, o que corresponde à dispensa
de cerca de 750 mil trabalhadores.
Atividade econômica
Tomando-se novembro de 2008 como base 100, três setores (Serviço
Industrial de Utilidade Pública; Serviços de Alojamento,
Alimentação, Reposição e Manutenção;
e Serviços Médicos e Odontológicos) já retomaram,
em fevereiro, o nível do estoque de novembro de 2008.
Alguns segmentos e setores igualaram o estoque de dezembro de 2008,
são eles: Borracha, Fumo e Couros; Calçados; Construção
Civil; Comércio Atacadista; Comércio, Administração
de Imóveis, Serviços Técnicos Profissionais;
Ensino e Administração Pública.
A Agropecuária foi o setor mais atingido com queda de 7,9%
dos empregos em dezembro e de 8,6% no acumulado até fevereiro.
Em segundo lugar, as demissões tiveram impacto de 3,6% na
Indústria de Transformação, em dezembro, e de
5,0% no acumulado até fevereiro.
A crise atinge o Brasil em um momento de recuperação
do mercado de trabalho, com crescimento do emprego, da renda e da
massa salarial, fatores que se tornaram estratégicos para
a dinâmica do crescimento econômico dos últimos
anos.
Mercado interno
O fortalecimento do mercado interno contribuiu, de forma decisiva,
para a trajetória do crescimento recente, e poderá continuar
sendo uma dimensão importante de uma estratégia de
combate à crise. Se o país passava por uma fase positiva,
ainda estava muito longe de ter uma situação ideal,
no que diz respeito ao mercado de trabalho.
No Brasil, um grande contingente da população encontra-se
ainda em condições de trabalho precário, as
taxas de desemprego ainda são muito altas comparadas às
de outros países, e a população em idade ativa é crescente,
requerendo a criação de novos postos de trabalho.
Estimular o mercado interno produtivo, proteger o mercado de trabalho,
assegurar e ampliar a proteção social são os
principais desafios para a sociedade brasileira, e em especial para
o movimento sindical, nesse momento de crise.
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Agência Diap, 28
de março de 2009
Contribuição assistencial: MTE regula
cobrança pelos sindicatos
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) editou, na última
terça-feira (24), uma Ordem de Serviço (OS) 1, que trata
da cobrança da contribuição (taxa) assistencial
pelas entidades sindicais.
A OS determina que é possível a cobrança da
contribuição de todos os trabalhadores, desde que instituída
em assembleia geral, com ampla participação dos trabalhadores
da categoria.
E, ainda, se estiver prevista em convenção ou acordo
coletivo de trabalho; e se for garantido ao empregado não
sindicalizado o direito de oposição ao desconto no
salário.
Oposição
A OS determina também, em caso de oposição,
que o trabalhador não sindicalizado deve exercer seu direito
por meio de apresentação de carta ao sindicato, no
prazo de 10 dias.
Para o trabalhador não sindicalizado pedir ao empregador
que não desconte em folha a taxa deverá apresentar-lhe
comprovante de recebimento de carta-oposição recebida
pelo sindicato.
Clique aqui e
veja a Ordem de Serviço na íntegra.
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Monitor Mercantil, 28
de março de 2009
Quem perde e quem ganha com a crise financeira internacional
Em plena recessão, as vendas no mercado brasileiro de carros
de luxo, com preços acima de R$ 120 mil, das quatro marcas
mais representativas - udi, BMW, Mercedes-Benz e Volvo - resceram
31%, nos primeiros dois meses do ano, ante o mesmo período
do ano passado, de 1.115 para 1.461 unidades.
Nos demais segmentos, a retração foi puxada pelos
carros populares, cujas vendas desabaram 6,3%, segundo dados do Departamento
Nacional de Trânsito (Denatran). Em igual período, os
negócios com automóveis em geral caíram 4,5%,
para 313,5 mil unidades.
"É para mostrar quem está perdendo renda com
a crise", salienta Marcos Arruda, economista do Instituto de
Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs).
Arruda, que acaba de chegar de participar de debates na Malásia
e na Suíça, considera que os pacotes anticrise da maioria
dos países não tomam em consideração
o fator chave: toda crise de crédito é uma crise de
endividamento.
"A solução que estão dando é canalizar
recursos públicos para os bancos, para que estes financiem
o consumo. Ou seja, aumentar a dívida de quem já está endividado",
afirmou.
O caminho, segundo ele, seria adotar medidas de redistribuição
da renda e da riqueza, como as reformas agrária e fiscal,
auditoria das dívidas, entre outras, para enfrentar as raízes
da crise mundial.
Frisando que a má distribuição estende-se a
setores como Saúde e Educação, Arruda considera "espantoso
uma pessoa como o presidente Lula não estar comprometida com
a redistribuição verdadeira, em vez de programas assistencialistas".
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Gazeta Mercantil, 28
de março de 2009
Taxa de desemprego atinge 8,5% da PEA; antes de
Lula era 12%
A taxa de desemprego reduziu o ritmo de alta em fevereiro. Após
saltar de 6,8% em dezembro para 8,2% em janeiro, o nível de
desocupação atingiu 8,5% da População
Economicamente Ativa (PEA) no mês passado.
A taxa é inferior à registrada em fevereiro do ano
passado (8,7%), de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego,
divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
"A taxa seguiu a tendência do final de 2008, mas em velocidade
menor na comparação com janeiro. O que surpreendeu
foi o aumento de dezembro para janeiro, que foi o maior da série",
afirma o técnico do IBGE William Kratochwill.
Segundo o técnico do instituto, a elevação
do nível de desemprego em fevereiro foi puxada pela queda
de 3,2% na população ocupada na indústria, o
que representou 117 mil postos a menos em relação a
janeiro. O destaque foi a retração registrada pelo
setor em Porto Alegre, 6,3%. "Os demais segmentos se mantiveram
praticamente estáveis", afirma o técnico do IBGE.
Analistas se surpreendem
O resultado da pesquisa surpreendeu os analistas de mercado, que
esperavam uma taxa de desocupação mais elevada em
fevereiro, em torno de 9%. "Contudo, não há reversão
do movimento de afrouxamento do mercado de trabalho, que deve continuar
se aprofundando nos próximos meses", afirmam os analistas
da Rosenberg & Associados, em relatório.
Para os economistas da LCA Consultores, a pesquisa reforça
a avaliação de que o principal do ajuste do mercado
de trabalho tem sido feito na categoria formal e no setor industrial,
com menor participação nas áreas metropolitanas.
A expectativa da consultoria é que a desaceleração
no setor de serviços se dará em menor nível
do que o registrado pela indústria. Para março a LCA
prevê que a taxa de desocupação fique em 8,6%.
Em termos dessazonalizados, isso representaria uma queda de 8,3%
em fevereiro para 8,0% em março. "A velocidade de crescimento
da taxa de desemprego caiu em relação a dezembro, mas
só saberemos se vai haver uma inflexão no mês
que vem", comenta o técnico do IBGE.
A população desocupada atingiu em fevereiro 1,9 milhão
pessoas, um acréscimo de 2,7% em relação a janeiro.
A população ocupada recuou 1,0% em relação
ao mês anterior, para 20,9 milhões. O número
de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (9,4 milhões)
caiu 1,1% na comparação mensal, mas cresceu 3,4% no
ano.
Rendimento
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou em
R$ 1.321,30), sem alteração significativa (-0,1%) no
mês e subiu 4,6% frente a fevereiro de 2008.
A massa de rendimento real habitual dos ocupados somou R$ 27,9 bilhões,
queda de 1,1% no mês e alta de 6,2% em relação
a fevereiro de 2008.
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Agência Senado, 28
de março
de 2009
CAE analisa projeto que permite deduzir
do IR doações
para construção de moradia de empregados
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) analisa na próxima
terça-feira (31), às 10h, o projeto (PLS 77/08) que permite
deduzir do IR de pessoas físicas e jurídicas doações
feitas pelo empregador ao empregado para a construção
de moradia. A proposta, de autoria do senador Gilberto Goellner (DEM-MT),
recebeu substitutivo do relator, senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS),
e será apreciada em decisão terminativa na comissão.
Na justificação do projeto, Gilberto Goelner lembra
que a crise de moradia no Brasil está associada à falta
de habitações populares e é consequência
da pouca renda do trabalhador, do desemprego, e do subemprego massivo.
"Nenhum incentivo é concedido a empresários interessados
na redução do déficit de moradias. Em decorrência
disso, há um agravamento da crise de moradia, cujas manifestações
são a especulação imobiliária, o alto
custo dos imóveis e a elevação dos preços
dos alugueis, entre outras", diz Gilberto Goelnner em sua justificativa.
Fundo de Garantia-Safra
A CAE examina ainda o PLS 266/03, de autoria do senador Tasso Jereissati
(PSDB-CE), que inclui os proprietários rurais de áreas
inferiores a quatro módulos fiscais, denominados "parceiros
outorgantes" em contratos agrários, como beneficiários
do Fundo de Garantia-Safra.
A proposta altera a lei que criou o fundo e instituiu o Seguro-Safra
(Lei 10.420/02) para agricultores familiares do Nordeste, do semi-árido
de Minas Gerais e do norte do Espírito Santo. A proposição
garante também a agricultores organizados em consórcios
e condomínios o direito de contratarem o Seguro-Safra.
Outra matéria a ser analisada pela CAE é o PLS 160/07,
do senador José Agripino (DEM-RN), que dispõe sobre
a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) incidente em produtos escolares e estabelece alíquota
zero na Contribuição para o PIS/Pasep e na Contribuição
para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a importação
e as receitas decorrentes da venda desses produtos.
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MTE, 28 de março
de 2009
Acordos coletivos somente via internet
Instrução Normativa publicada no Diário Oficial
disciplina procedimentos para registro no Sistema Mediador, além
de reiterar que registro de convenções deverão
ser feitos eletronicamente.
Desde janeiro deste ano, todos os Instrumentos Coletivos de Trabalho,
assinados entre sindicatos de trabalhadores e entidades patronais,
têm sido registrados eletronicamente por meio do Sistema Mediador,
disponivel no site do Minsitério do Trabalho e Emprego (MTE).
Até o final de 2008, era facultativa a opção
por registro via papel ou internet.
A Instrução Normativa n° 11, de 24 de março
e publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta
quarta-feira, reitera que tais procedimentos deverão ser efetuados
somente por meio do Sistema Mediador, além de disciplinar
os depósito, registro e arquivo de convenções
e acordos coletivos de trabalho nos órgãos do MTE.
Antes e depois - O Sistema Mediador informatizou o processo de depósito
dos Instrumentos Coletivos de Trabalho, assinados entre sindicatos
de trabalhadores e entidades patronais. No sistema tradicional as
Convenções e Acordos só têm valor legal
a partir do "Depósito no Protocolo", procedimento
que pode demorar de 30 a 90 dias para ser registrado. Esse prazo
pode ir além para os acordos ou convenções cuja
base territorial vai além dos municípios abrangidos
por uma única Gerência Regional do Trabalho.
Com o novo instrumento, o tempo mínimo de "depósito" passou
a ser de um dia, com um máximo de 15 dias. O que antes era
feito através de papel, agora é feito pela internet,
com armazenamento dos documentos por tempo indefinido, permitindo
a consulta pelas entidades envolvidas, além da consulta por
parte de organismos de estudos e pesquisas das relações
do trabalho, da atividade econômica e social, ou seja, a todos
que tiverem interesse.
No início da implantação, o Sistema Mediador
foi disponibilizado em projeto piloto para a capital paulista. No
entanto, uma ação conjunta da SRTE/SP e as cinco maiores
regiões estaduais (São José do Rio Preto, Ribeirão
Preto, Campinas, Santos e Capital), conseguiu acelerar a implantação
do sistema em todo o estado.
Sistema Mediador - O sistema foi desenvolvido pela Secretaria de
Relações do Trabalho, na busca por maior transparência
no tocante ao depósito dos instrumentos coletivos do trabalho
no Ministério, conforme determina o artigo 614 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) e tem como objetivo a constituição
de um banco de dados com os acordos e convenções coletivas
de trabalho em vigor no país.
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Valor Online, 28 de março
de 2009
Brasil perdeu 750 mil empregos em
três
meses, aponta Dieese
O mercado de trabalho nacional perdeu 750 mil vagas de emprego formal
de dezembro a fevereiro, segundo um estudo divulgado hoje pelo Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). O levantamento da entidade mostra que a perda representa
um corte de 2,3% do total de postos de trabalho do país e é um
dos impactos da crise mundial na economia brasileira.
"
Estes três meses [dezembro, janeiro e fevereiro] são,
tradicionalmente, meses de ajustes sazonais no nível de emprego.
Geralmente, temos mais demissões que contratações.
Mas, este ano, a crise agravou a situação", disse
o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre,
em entrevista à Agência Brasil.
Só em dezembro, por exemplo, a crise aumentou em 305 mil o
número de demissões no país, de acordo com o
Dieese. Nas previsões da entidade, o Brasil perderia 350 mil
vagas de trabalho naquele mês. Porém, o Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged) acabou apontando um corte de
655 mil vagas.
O estudo do Dieese aponta ainda que boa parte das vagas eliminadas
desde dezembro são do setor de agropecuária e da
indústria de transformação, os mais prejudicados
em termos percentuais. Só agropecuária demitiu 8,6%
dos seus empregados durante esse período. Já a indústria
de transformação demitiu 5%.
Silvestre afirmou, porém, que pelo menos uma parcela de todas
essas demissões poderia ter sido evitada, independentemente
do agravamento da crise no mundo ou no Brasil. Segundo ele, existe
uma grande facilidade para se demitir no país e alguns empresários
se aproveitam dessa facilidade para cortar mais vagas que o necessário.
"É
difícil mensurar o que foram demissões causadas pela
crise e o que foram ajustes antecipados promovidos pelos próprios
empresários", afirmou Silvestre, citando casos de companhias
que anunciaram demissões em massa ao mesmo tempo que anunciaram
um aumento de sua produção para 2009.
Silvestre disse que o corte desnecessário de vagas tem outro
efeito negativo: a precarização do trabalho. Ele disse
que o país, desde 2002, apresenta melhorias neste sentido,
com o aumento do salário mínimo e do salário
dos recém-contratados. Essas melhorias, porém, estão
comprometidas pela crise e pela falta de regras rígidas sobre
as demissões injustificadas.
De acordo com Silvestre, o Brasil deveria criar leis que impeçam
as demissões sem justa causa, assim como o previsto pela Convenção
158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). " O
custo da demissão já está embutido no custo
do trabalhador. Enquanto não tivermos uma lei que iniba as
demissões, vamos ter esta alta rotatividade " , afirmou.
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Vermelho, 28 de março
de 2009
Programa habitacional: a mão visível
do Estado
Pode-se dizer que, no capitalismo, o problema
do déficit habitacional é algo
sem solução. É a lógica da escassez como
condição para que um bem tenha um preço acima
do seu valor. Essa constatação faz do programa habitacional
anunciado pelo governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva
uma ação política de significado ainda incalculável.
Por Osvaldo Bertolino
Além dos benefícios sociais, é preciso considerar
o potencial de dinamismo que o programa representa para toda a cadeia
produtiva — desde produtores de materiais de construção
até lojas de móveis — e para o conjunto da economia.
A expectativa é de que finalmente o país passe a ter
uma política habitacional — até agora o que nós
tínhamos era um mosaico com medidas isoladas e paliativas.
A última vez que se fez política para a habitação
no Brasil foi na década de 1960, com o Sistema Financeiro
da Habitação (SFH). O impacto do pacote no combate
ao déficit habitacional do país, estimado em 7,2 milhões
de moradias, tem reflexo também na disponibilidade de crédito
para as camadas com rendas mais baixas da população.
Mesmo com o agravamento da crise, a demanda é líquida
e certa. Além de contar com prestações e juros
subsidiados, o plano prevê um seguro que, no caso de famílias
com renda entre três e cinco salários mínimos,
garante até 36 prestações. Para famílias
com renda entre cinco e oito salários mínimos, a proteção
será de 24 prestações e, para as famílias
com renda de oito a dez salários mínimos, de 12 prestações.
Os custos com documentação serão reduzidos,
chegando à gratuidade para famílias com renda entre
zero e três salários mínimos.
Manancial de oportunidades
Outra diferença significativa desse plano em relação
aos demais é que ele não se baseia em subsídios
para as construtoras — ele oferece segurança para as
famílias assumirem um crédito de longo prazo. O programa
mexe até com a lógica de funcionamento das construtoras
ao determinar a predominância de construção de
moradias para a baixa renda. Há previsões também
de que com a queda da taxa básica de juros do Banco Central
(BC), a Selic, o setor imobiliário se torne mais atrativo
para bancos e investidores.
Pode-se dizer, portanto, que o plano do governo abriu as portas
de um manancial de oportunidades e de dinamização da
economia, que começa a ser efetivamente explorado. Aí é preciso
considerar o papel do Estado. O governo tem dito que o plano habitacional é,
acima de tudo, mais uma ação de resgate da cidadania.
O que significa isso? Cidadania é uma idéia que tem
raízes na antiguidade greco-latina.
Sucessão presidencial
Às portas do processo de sucessão do presidente Luis
Inácio da Silva, esse debate está posto hoje no Brasil.
E ele pode ser definido por uma pergunta básica: que tipo
de Estado o país precisa? O economista Alfred Marshall tratou
do assunto numa conferência que fez em Cambridge, em 1873.
A pergunta sobre o tipo de Estado que queremos está na base
das questões que angustiavam Marshall. Seu grande questionamento
era se apesar das desigualdades de renda e de riqueza, que considerava
inevitáveis, a sociedade moderna chegaria a proporcionar a
todos os indivíduos uma sensação de mútuo
reconhecimento como membros de uma mesma coletividade.
Conseguiria a sociedade inglesa, por exemplo, diluir os sentimentos
de distância e de humilhação decorrentes da estratificação
social pré-capitalista, que pareciam permanecer, sob nova
roupagem, nas diferenças de classe social engendradas pela
própria economia capitalista? Seria possível imaginar
que um dia todo indivíduo pudesse se ver como um cavalheiro,
pelo menos no sentido de não se sentir humilhado por exercer
um trabalho menos qualificado e menos bem remunerado?
Evolução histórica
Outro Marshall (o Thomas) respondeu afirmativamente e de maneira
abrangente às indagações do primeiro (Alfred).
Seu célebre ensaio Citizenship and Social Class pode ser lido
como uma ode ao desenvolvimentismo capitalista. O que ele pretende
mostrar é a evolução histórica e, por
meio dela, o enriquecimento e a crescente eficácia de três
conjuntos de direitos: os civis, os políticos e os sociais.
Direitos civis são aqueles em que se baseiam as liberdades
individuais. Direitos políticos são aqueles que conferem
a cada cidadão uma parcela de influência na formação
do poder político, por meio do voto e da participação
em partidos e associações. E, finalmente, os direitos
sociais: um mínimo de bem-estar econômico, seguridade
social e a participação mais plena possível
na herança cultural da sociedade.
Concreto e abstrato
No mundo dos economistas, esses conceitos são denominados
como keynesianos. O ponto é: há espaços para
um Estado keynesiano no Brasil atual? Todos os dias somos convidados
a pensar por que o capitalismo neoliberal chegou ao fim tão
precocemente. Pouco se diz, no entanto, sobre o novo sistema econômico
que precisa nascer. Mas a morte do neoliberalismo não parece
oferecer dúvidas.
O futuro não é um jogo de cartas marcadas, uma fotografia
já revelada, imutável. O futuro, pelo contrário,
se constrói no presente. São os passos que damos que
vão inventando o caminho, como no provérbio. Partindo
do concreto para o abstrato, é possível ver em iniciativas
como a do programa habitacional do governo uma ótima oportunidade
para se debater o futuro econômico e político do Brasil.
Inclusão social
Em entrevista ao Portal Vermelho no dia 18 de julho de 2005, o economista
Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Econômico e Social Brasileiro
(BNDES), disse que o Estado deveria ter como prioridade a inclusão
social. E uma das medidas prioritárias para isso seria um
programa de habitação. “A inclusão social
para o povo brasileiro é o quê? É programa de
habitação, de educação, de saúde,
de segurança, de justiça, de defesa...”, disse
ele.
Carlos Lessa cita como pode haver um programa conjugado de educação
e construção civil. “O que eu preciso para fazer,
por exemplo, educação? Cimento, tijolo, telha, material
hidráulico, para fazer a escola. Preciso de papel e gráfica
para fazer o livro. Preciso de tecido para fazer a roupa da criança.
Preciso de comida para fornecer o alimento. E preciso de muito professor”,
diz ele.
Um grande país
O economista destaca que tudo isso é produzido dentro do
país. “Se eu ampliar o programa de educação,
eu vou gerar muito emprego para professor, para servente, para pedreiro,
para pintor, para gráficos, para escritor. Se eu tiver que
fazer um programa de habitação popular, eu preciso
de areia, cimento, tijolo, telha, madeira, ferro... e muita mão-de-obra.
Se eu fizer um grande programa social, eu dou ao povo melhor educação,
melhor saúde, melhor casa, e ao mesmo tempo gero emprego em
massa para os brasileiros”, afirma.
Carlos Lessa enfatiza que esse pode ser um grande país. Um
imenso país. “Mas nós precisamos empurrar esses
juros obscenos, indecentes, para baixo. Precisamos fazer uma política
voltada para o interesse social do povo brasileiro”, enfatiza.
Pode-se dizer que são medidas simples, ao alcance do governo
brasileiro. Elas ganham mais relevância ainda diante dos sinais
de que a crise mundial se agrava numa velocidade estonteante. O Brasil,
no entanto, tem grande chances de potencializar o consumo interno
e se resguardar dos efeitos mais perversos da crise.
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Gazeta do Povo, 28 de março
de 2009
Administração municipal
Plano de metas prevê ampliação
de 74% na oferta de moradias
Prefeitura de Curitiba define os objetivos
que os secretários
têm de cumprir até o fim do ano. As da habitação
são ambiciosas
Atrair pelo menos oito empresas multinacionais
para Curitiba. Ampliar em 74% o acesso da população
de baixa renda à moradia, aumentando a oferta de moradia dos
atuais 6,1 mil lotes e casas por ano para 10,6 mil. Licitar as linhas
de transporte coletivo. Iniciar a implantação do metrô em
Curitiba. Cortar 15% dos gastos de custeio. Essas são algumas
das metas que devem ser cumpridas ainda neste ano pelos secretários
municipais de Curitiba.
Ontem, todos os secretários e diretores de fundações
municipais assinaram um contrato de gestão com a prefeitura – no
qual foram estabelecidos os resultados que a administração
espera que cada secretário alcance ao fim deste ano. São
275 metas, que se não forem cumpridas, podem resultar até na
demissão do secretário.
As metas fixadas em cada contrato setorial foram baseadas nos compromissos
do Plano de Governo para o período 2009-2012, registrado em
cartório pelo prefeito Beto Richa (PSDB) no ano passado. A
cada ano os contratos serão revistos e atualizados, de acordo
com as demandas da população.
“Na esfera municipal, a prefeitura de Curitiba é a
primeira no Brasil a implementar essa política de contratos
de gestão. Demonstra a coragem, modernidade e ousadia da nossa
administração”, disse o prefeito. “Contrariamos
assim a lógica de que toda a administração pública é ineficiente
e incompetente.”
A cada quatro meses, cada secretaria terá de apresentar um
relatório de avaliação do trabalho que está sendo
desenvolvido. Foi montada uma equipe composta pelos secretários
Alceni Guerra (Planejamento), Luiz Eduardo Sebastiani (Finanças),
Carlos Homero Giacomini (Instituto Municipal de Administração
Pública) e Deonílson Rodo (Chefia de Gabinete) para
avaliar o andamento dos trabalhos em cada pasta.
Os contratos de gestão já estavam prontos desde a
primeira quinzena de março. No entanto, Richa fez algumas
mudanças, intensificando metas de algumas secretarias. “Ainda
não estava satisfeito com as metas propostas para algumas
secretarias. Acreditava que, apesar da dificuldade e do cenário
econômico mundial, temos de ser ousados para estabelecer metas,
mesmo que difíceis, para garantir avanços para a nossa
cidade”, explicou.
Uma das alterações feitas pelo prefeito foi na lista
de metas estabelecidas para a Secretaria de Educação. “Percebi
que deveríamos disponibilizar mais contraturnos e gerar mais
vagas em creches, por exemplo”, disse Richa. Pelo contrato,
a secretária Eleonora Fruet tem de ofertar para todos os alunos
da rede municipal, quase 110 mil estudantes, atividades complementares
de contraturno. Além disso, terá de criar 700 vagas
para a educação integral. “Esse contrato de gestão é um
belo desafio para mim e para os 15 mil servidores da educação.
Estamos todos prontos e preparados para cumprir essas metas”,
avaliou Eleonora. Quanto ao número de creches, a meta é abrir
2.285 novas vagas – hoje são, segundo a secretária,
pouco mais de 37 mil.
Outra mudança feita por Richa foi a criação
de um índice de qualidade do atendimento nas unidades de saúde,
medindo a satisfação dos usuários. Ainda na área
da saúde, o secretário Luciano Ducci tem como meta,
entre outras coisas, reformar, construir e ampliar 24 equipamentos
da rede municipal de saúde e ter 70% do Hospital do Idoso
construído até dezembro.
A íntegra dos contratos de gestão de cada secretaria,
com a relação das metas para 2009, estão disponíveis
no site da prefeitura (www.curitiba.pr.gov.br).
Objetivos
Confira algumas das principais metas
Creches - Criar 2.285 novas vagas até o fim de 2009. Com isso,
haverá creches para 80% das pessoas que entram na fila por uma
vaga. Hoje, o índice de atendimento é de 75%.
Atividades complementares - Ter a totalidade das escolas preparadas
para atividades complementares. E ter 110 mil estudantes no contraturno
escolar.
Internet - Ampliar para 10,5% o número de salas de aula com
internet. O índice hoje é de 8,6%.
Ideb - Melhorar a nota de Curitiba no Índice de Desenvolvimento
da Educação Básica (Ideb), de 5,1 para 5,5.
Habitação
Acesso à moradia - Ampliar para 10.657 o número de famílias
beneficiadas por programas habitacionais do município. Atualmente,
6.127 são atendidas pelos programas anualmente.
Urbanização e reassentamento - Reassentar mil famílias,
regularizar 28 áreas de ocupação e dar a 4,5 mil
famílias o título de propriedade definitivo.
Economia
Empresas - Incentivar a instalação de oito novas multinacionais
na cidade.
Empregos - Ampliar para 2.082 o número de empregos gerados
por incentivos do programa Bom Negócio.
Transporte público
Licitação - Licitar o transporte público.
Terminais - Reformar e ampliar os terminais do Pinheirinho, Hauer
e Cabral.
Ligeirão - Implantar o ligeirão na Avenida Marechal
Floriano.
Obras Públicas
Manutenção - Diminuir de 41 para 37 dias o tempo para
atendimento das demandas por manutenção na cidade.
Asfalto - Implantar, recuperar e instalar sinalização
em 94 quilômetros de vias.
Calçadas - Implantar e recuperar 50 quilômetos de calçadas,
rampas e pistas táteis.
Rede elétrica - Instalar 25 quilômetros de redes elétricas
e substituir 44,5 mil pontos de iluminação pública.
Saúde
Infraestrutura - Reformar, construir e ampliar 24 equipamentos da
rede municipal de saúde.
Mutirões - Realizar 6 mil atendimentos em três mutirões
para consultas e exames.
Segurança
Atendimento - Ampliar para 7,2 mil o número de atendimentos
a ocorrências de pertubação ao sossego (reclamação
de barulho). O número atual é de 6,5 mil.
Policiamento - Ter nove comunidades com o policiamento comunitário
e 200 guardas municipais capacitados para esse serviço. Criar
uma nova central de monitoramento eletrônico e instalar 58 novas
câmeras de vigilância.
Segurança Alimentar
Armazéns da Família - Criar seis novos Armazéns
da Família e com isso ampliar para109,2 mil o número
de famílias atendidas.
Restaurante Popular - Inaugurar mais dois Restaurantes Populares e
ampliar de 2 mil para 4 mil o número de refeições
por dia.
Finanças
Reduzir os gastos com custeio em 15%.
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Gazeta do Povo, 28 de
março de 2009
Minha Casa, Minha Vida
Curitiba quer subsídio para
50 sobrados
Conjunto no Tatuquara pode ser o primeiro
empreendimento atendido pelo programa de habitação
do governo federal
Um termo de compromisso de parceria
assinado ontem, entre a Companhia de Habitação de Curitiba
(Cohab) e o Grupo Borges dos Reis, para a construção
de 50 sobrados no bairro Tatuquara, destinados a famílias
com renda mensal entre três e seis salários mínimos,
pode ser o primeiro empreendimento a ser feito dentro do novo programa
de habitação do governo federal. O “Minha Casa,
Minha Vida” foi lançado na última quarta-feira
e entra em funcionamento no próximo dia 13. Até lá,
o Moradias Laguna II pode ser confirmado dentro do pacote.
Os sobrados, localizados na Avenida Antônio Zanon, ao lado
da Escola Leonel Brizola, terão dois quartos e 43 metros quadrados
de área privativa. As obras começam em 30 dias e os
sobrados devem ficar prontos cinco meses depois. Cada unidade custará R$
48 mil e os subsídios, caso o empreendimento seja admitido
dentro do programa, podem variar entre R$ 2 mil e R$ 10 mil. Para
adquirir uma unidade desse empreendimento é necessária
a inscrição na Cohab. “Curitiba está saindo
na frente nesta parceira com o governo federal”, afirma o presidente
da Cohab, Mounir Chaowiche.
Pelo programa federal, 1 milhão de moradias (14% do déficit
nacional) devem ser feitas ao custo de R$ 34 bilhões para
famílias com renda de até dez salários mínimos
(R$ 4.650). Destas, 44.172 devem ser construídas no Paraná,
sendo 12 mil em Curitiba. Entre os benefícios, que variam
de acordo com a faixa de renda familiar mensal, previstos pelo programa,
estão: subsídios, um fundo garantidor para o pagamento
das prestações em caso de perda da renda, redução
de custo cartorial, juros reduzidos, barateamento do seguro, entre
outros.
Acesso
Mecanismos criados no novo programa de habitação do
governo federal para facilitar o acesso e baratear o custo da casa
própria podem se tornar permanentes. É o que disse
ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “Nós
colocamos alguns instrumentos que podem se tornar permanentes”,
afirma, referindo-se aos benefícios oferecidos.
Para o ministro, o principal mecanismo é o do fundo garantidor.
Por esse instrumento, mutuários que percam o emprego têm
as prestações garantidas por um período entre
12 e 36 meses. “Achamos que esse fundo garantidor tem de ficar,
independentemente de o programa ser mantido, assim como barateamento
de seguro, simplificação do cartório, da questão
ambiental. Essas coisas não podem ser só para esse
programa. Tem de ser incorporado”, disse.
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Folha de S.Paulo,
28 de março de 2009
Pacote habitacional exclui 60,4 milhões
de pessoas
Programa de construção de moradias só atende
cidades com mais de 100 mil habitantes
Em ocasiões especiais, municípios que têm entre
50 mil e 100 mil serão elegíveis; inadimplência
também é fator de exclusão
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O pacote habitacional lançado pelo governo deixará de
atender a mais de 60,4 milhões de pessoas que vivem em cidades
que foram excluídas do programa federal. A soma dos moradores
nos municípios que serão beneficiados chega a 111,5
milhões de pessoas, de acordo com levantamento da CNM (Confederação
Nacional dos Municípios).
A promessa do governo é construir 1 milhão de moradias
em cidades com mais de 100 mil habitantes, que estão em regiões
metropolitanas ou capitais. Das mais de 5.000 cidades brasileiras,
573 se enquadram nesse perfil.
"
Só 120 dos municípios elegíveis ao programa
estão em condições de assinar contratos. Os
outros 453 estão inscritos no cadastro de inadimplentes do
governo federal. O pacote é fundamental, mas é preciso
ver como aperfeiçoar o programa", afirma o presidente
da CNM, Paulo Ziulkoski.
O número de excluídos pode subir para 70 milhões,
se for somada a população dos 254 municípios
que têm entre 50 mil e 100 mil habitantes. O programa federal
prevê que apenas em situações especiais, como
o caso de cidades que tenham crescido muito por causa do impacto
de grandes obras, esses municípios sejam atendidos.
O percentual da população brasileira que mora nas cidades
atendidas pelo programa federal é de 59%. Outros 9% dos brasileiros
estão em municípios com 50 mil a 100 mil habitantes,
e 32%, em cidades com menos de 50 mil pessoas.
Mas a intenção do governo pode ficar só no papel.
O Congresso, que tem de aprovar a MP do pacote habitacional, deu
sinais de que estenderá o plano para todos os municípios.
O relator do projeto, Henrique Alves (RN), líder do PMDB na
Câmara, quer beneficiar as cidades de até 50 mil habitantes.
A oposição também já apresentou emenda
para ampliar o pacote para todas as cidades e suspender a oferta
de contrapartidas pelas prefeituras.
A secretária de Habitação do Ministério
das Cidades, Inês Magalhães, diz que o critério
do governo leva em conta o déficit habitacional e a necessidade
de gerar empregos. "
[O pedido dos municípios menores] é uma questão
legítima, mas a questão fundamental é que queremos
aplicar o dinheiro, não onde é mais fácil, mas
onde está o maior problema", afirma a secretária.
Segundo ela, metade da necessidade de moradia nas áreas urbanas
está concentrada nas regiões metropolitanas. Se forem
consideradas as cidades com mais de 100 mil habitantes, o percentual
de déficit sobe para 60%.
Terrenos
O professor Nabil Bonduki, da USP e coordenador técnico no
Plano Nacional de Habitação, diz que a decisão
do governo de construir as casas em cidades maiores é correta.
Para ele, a solução habitacional para os municípios
menores passa por concessão de lotes, financiamento a material
de construção e assessoria técnica para a construção
de casas, e não pela entrega de moradias prontas.
"
Não teria sentido que o programa lançado pelo governo
fosse destinado a municípios menores. Seria gastar muito dinheiro,
quando se pode resolver o problema com soluções mais
simples. Precisamos de novos programas [para as cidades pequenas],
mas isso não invalida o que foi feito agora."
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Última Instância,
28 de março de 2009
ONU não está imune à legislação
trabalhista brasileira, diz TST
A ONU (Organização das Nações Unidas) está sujeita à legislação
trabalhista brasileira e, portanto, deve cumprir as obrigações
legais na contratação e demissão de funcionários. Com esse entendimento, a 8ª Turma do TST (Tribunal Superior
do Trabalho) condenou a organização multilateral ao
pagamento de verbas trabalhistas a um programador de computadores.
Segundo o tribunal, o empregado foi contratado pela PNUD (Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento) para trabalhar
na execução de um projeto junto à Sefaz (Secretaria
de Estado da Fazenda de Sergipe). Para tanto, foram celebrados cinco
contratos de prestação de serviço, que se estenderam
de setembro de 2001 a dezembro de 2003, quando o programador foi
despedido.
O programador, por sua vez, procurou a Justiça. A 3ª Vara
do Trabalho de Aracaju (SE) rejeitou a imunidade de jurisdição
e condenou a ONU e o Estado de Sergipe a pagar horas extras, férias
em dobro, 13º salário durante todo o pacto, aviso prévio
e indenização substitutiva pela ausência de depósitos
do FGTS. A ONU ainda foi condenada a assinar e dar baixa na carteira
de trabalho do empregado e ao pagamento da quantia de R$ 5 mil.
No TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Sergipe este valor foi
aumentado para R$ 67 mil para R$ 67.097,39, que negou provimento
aos recursos da ONU e do Estado de Sergipe e ainda determinou que
o INSS fosse pago exclusivamente por ambos, isentando o programador
da parcela previdenciária, uma vez que ele já contribuía
pelo teto.
O tribunal fundamentou sua decisão em precedentes do STF
(Supremo Tribunal Federal), segundo o qual os Estados estrangeiros
não dispõem de imunidade de jurisdição
perante o Poder Judiciário brasileiro nas causas de natureza
trabalhista. Para o STF, essa prerrogativa de direito internacional
público tem caráter meramente relativo.
No TST, a relatora do processo, ministra Dora Maria da Costa, negou
recurso por entender que a jurisprudência da Corte também
se firmou no mesmo sentido do STF. “Os organismos internacionais
não gozam de imunidade de jurisdição quando
atuam no âmbito das relações privadas, especialmente
na área do Direito do Trabalho”, concluiu.
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