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FOLHA
DE SÃO PAULO, 03 de julho de 2009 | Dinheiro
Indústria reage
e cresce 1,3% em maio
IBGE e analistas veem recuperação mais firme; mas, em 12
meses, produção cai 5,1% até maio, pior marca desde
1991 | Crescimento de 7,8% nos cinco primeiros meses do ano ainda é insuficiente
para compensar a retração de 20% do fim de 2008
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Aos
poucos, a indústria começa a reagir com mais força à maior
crise recente da sua história e a produção passa
a crescer de modo mais firme e generalizado, embora num nível
ainda baixo se comparado ao bom desempenho registrado em 2007 e em 2008.
Tal retrato surge dos números do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística). Pelos dados de maio, a produção
da indústria cresceu 1,3% na comparação livre de
influências sazonais com abril. Foi o quinto crescimento consecutivo
e atingiu a maioria dos setores pesquisados -20 de 27.
Para Isabela Nunes Pereira, economista da coordenação de
indústria do IBGE, o setor industrial vive uma fase "gradual
e contínua de recuperação". Tal tendência,
afirma, teve início em janeiro deste ano e se intensificou agora
em maio.
Apesar da melhora, o setor se mantém fragilizado e num patamar
de produção ainda muito distante do de setembro do ano
passado, quando bateu no topo histórico. Desde então, a
indústria brasileira desceu ladeira abaixo e alcançou o
fundo do poço em dezembro, quando o patamar produtivo voltou aos
níveis de 2004.
De janeiro a maio, a indústria cresceu 7,8% na taxa com ajuste
sazonal -expansão insuficiente para compensar, porém, a
retração de 20% entre setembro e dezembro de 2008.
Segundo o IBGE, a perda de fôlego desde o fim do ano passado resultou
numa queda de 5,1% no acumulado dos 12 meses encerrados em maio -pior
desempenho da série da pesquisa, iniciada em 1991.
Agora, com o crescimento registrado na margem, o ritmo de produção
das fábricas está no patamar de 2006 -ou seja, a crise
jogou por terra dois anos de expansão do setor.
Em maio, a produção caiu 11,3% na comparação
com igual mês de 2008. Em abril, a queda havia sido maior: 14,9%.
Nessa base de comparação, a indústria registrou
a sétima taxa negativa mensal.
De um lado, estoques menores do que ao final de 2008, crédito
mais farto e com prazos maiores e rendimento intacto -mesmo durante o
auge da crise- impulsionam a melhora da indústria. Nesse rol,
está ainda a redução do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) -que ajudou especialmente o setor de veículos,
mas impulsionou também toda a sua cadeia de fornecedores.
Do outro lado, as exportações em queda por causa da retração
da demanda global e a freada dos investimentos no Brasil seguram ainda
a indústria.
Segundo Nunes Pereira, os dados mostram que o mercado interno proporciona
a maior fonte de dinamismo à indústria, que reage de forma
moderada, mas contínua. "O que é muito importante
porque o crescimento é lento, mas não há interrupção."
Em suas análises, Tendências Consultoria, LCA e Rosenberg & Associados
compartilham da opinião de que os dados de maio indicam que a
indústria vive uma fase de recuperação mais firme,
sustentada na melhora do crédito, no benefício fiscal do
IPI e na demanda interna.
Setores
Para Marcela Prada, da Tendências, os veículos são
os destaques desse início de recuperação, beneficiados
pela redução do IPI. De janeiro a maio, acumulam um crescimento
de 64,9%. Apesar de expressiva, tal expansão é ainda insuficiente,
porém, para recompor as perdas do pós-crise. No saldo de
setembro a maio, o setor registra queda de 24,9%, um dos piores desempenhos
entre todos os ramos. "O IPI ajudou e impulsionou a produção
de uma série de outros setores que fornecem para a indústria
automotiva", diz ela.
Ainda entre os piores resultados desde o agravamento da crise, em setembro,
estão os de máquinas e equipamentos (-37%), material eletrônico
e de comunicações (-36,1%) e metalurgia (-24,1%).
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O ESTADO DO PARANÁ, 03
de julho de 2009 | Economia
Lupi propõe reduzir
juro para crédito com recurso do FAT
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, anunciou hoje uma
proposta para que os bancos públicos, que operam empréstimos com recursos
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), reduzam em média em 50%
os juros cobrados nas linhas de crédito do Programa de Geração
de Emprego e Renda (Proger). Segundo o ministro, a proposta será submetida
a voto no Conselho Deliberativo do FAT (Codefat), na próxima terça-feira
(dia 7).
"Em o Conselho aprovando a proposta, os agentes operadores, que
são bancos públicos, terão de cumprir", disse
Lupi. A proposta atinge seis linhas de crédito que beneficiam
desde profissionais liberais, micro e pequenas empresas até cooperativas
e associações. A redução proposta fará com
que as taxas de juros finais caiam do intervalo de 6% a 3% ao ano para
entre 2,5% e 1,5% ao ano.
Segundo Lupi, um grupo
técnico formado há dois meses no
ministério identificou que, nessas linhas do Proger, os bancos
estariam embutindo nos juros um porcentual de inadimplência e de
custo com os depósitos compulsórios (parte dos recursos
captados pelos bancos junto aos clientes que têm de ser recolhidos
ao Banco Central). No entanto, de acordo com o ministro, as linhas do
Proger contam com a cobertura de um fundo de aval, formado por recursos
do próprio FAT, que cobre até 80% do valor do financiamento. "Portanto,
não há inadimplência", disse. Quanto aos compulsórios,
os recursos do FAT, segundo o ministério, estariam livres dos
recolhimentos obrigatórios definidos pelo Banco Central.
De acordo com Lupi, a
avaliação detalhada dos custos desses
empréstimos permite a redução dos spreads (diferença
entre os juros que os bancos pagam na captação de recursos
e o que cobrem dos clientes) e, para garantir que os bancos cumpram a
possível resolução do Codefat, o texto da norma
trará a nomenclatura de "taxa final efetiva" que poderá ser
cobrada pelos bancos. Até hoje, segundo o ministro, a norma em
vigor permite aos bancos driblarem a fixação desse spread
porque a nomenclatura usada é "taxa nominal de juros".
Lupi lembrou que essa proposta está em linha com a orientação
do governo de reduzir ao máximo os spreads bancários.
Emprego formal
O ministro do Trabalho
afirmou ainda que o saldo de empregos formais a ser registrado no Cadastro
Geral de Empregados
e Desempregados (Caged)
de junho será positivo e deverá ser melhor que o de maio,
quando o resultado foi de 130 mil novos postos de trabalho.
Lupi disse que a previsão reflete seu otimismo em relação à recuperação
da economia, já que os dados sobre contratações
e demissões feitas pelas empresas no mês passado começaram
a chegar ao ministério ontem. O prazo legal para as empresas informarem
ao governo as movimentações em sua folha de pagamentos
termina sempre no dia 7.
Segundo o ministro, a informação divulgada hoje pelo IBGE
de que houve um crescimento de 1,3% na produção industrial
nacional em maio ante abril confirma a percepção de que
o setor industrial está se recuperando dos efeitos da crise. "Todos
esses indicadores vão continuar melhorando com o início
do segundo semestre", afirmou. Lupi acrescentou que mantém
sua previsão de que o ano de 2009 registrará abertura de
1 milhão de novos empregos com carteira assinada.
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AGÊNCIA DIAP, 03 de julho
de 2009
Empresas que demitiram
no auge da crise já começam a recontratar
Empresas que demitiram no auge da crise já começaram a
recontratar funcionários, especialmente no setor automotivo.
A MWM International Motores cortou um
dia por semana com 15% de desconto para os 800 funcionários
da unidade de Canoas de fevereiro a abril, informou o diretor de
recursos humanos, Paulo Borba.
O acordo, que incluiu os 2 mil trabalhadores
da fábrica de São
Paulo, fez parte de um programa para reduzir despesas e evitou demissões
na empresa.
"Em Canoas já contratamos 28 pessoas",
afirmou.
Segundo o executivo, os descontos serão devolvidos aos funcionários
assim que a produção das duas fábricas chegar à média
mensal de 10,8 mil motores num período de seis meses.
Hoje ela está em pouco mais de 9 mil unidades por mês,
ante a média de 12,5 mil antes da crise.
A fabricante de silos e equipamentos para
armazenagem de grãos
Kepler Weber paralisou a fábrica de Panambi durante sete dias
em março, com desconto de 16% nos salários, mas em abril
demitiu 173 dos quase 1,2 mil empregados da unidade à época.
"Mas pelo menos o quadro se estabilizou e agora a produção
está aumentando", disse o secretário-geral do sindicato
dos metalúrgicos local, Olívio da Silva Oliveira.
Segundo o diretor-presidente da companhia,
Anastácio Fernandes
Filho, o quadro de pessoal da unidade está "ajustado" e
algumas contratações poderão ocorrer nos próximos
meses.
Entre as montadoras, a Volkswagen anunciou
contratações
significativas para a região do ABC e do interior paulista. No
ABC, na semana passada, a Volkswagen contratou 200 trabalhadores e efetivou
outros 600, devendo efetivar mais 600 nos próximos meses.
"Os acordos foram extremamente importantes para segurar o emprego
em um momento de caos. Agora as montadoras normalizaram a produção
e há problemas localizados nos setores de autopeças e de
caminhões, que dependem mais do mercado externo", diz o presidente
do sindicato, Sérgio Nobre.
Em Taubaté, a montadora
renovou ou contratou em torno de 1 mil trabalhadores, sendo 50 na semana
passada. (Fonte: Valor Econômico)
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O
ESTADO DO PARANÁ,
03 de julho de 2009 | Economia
Nível de ocupação
caiu mais entre as mulheres com a crise
Agência Brasil
O estudo A Crise Econômica Internacional e os (Possíveis)
Impactos sobre a Vida das Mulheres, lançado hoje (2) pela Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres do governo federal, mostra
que de outubro de 2008 a abril deste ano houve queda de 1,6% no nível
de ocupação entre os homens e de 3,1% entre as mulheres.
A maior queda na ocupação feminina ocorreu entre as empregadas
sem carteira assinada no setor privado (-13,53%, contra uma queda de10,1%
entre homens na mesma situação). Entre os trabalhadores
com carteira assinada, a taxa de ocupação caiu 0,6% entre
mulheres e cresceu 0,82% entre homens.
Por outro lado, cresceu 8,9% a ocupação feminina sem remuneração,
contra uma queda de 13,7% nesse tipo de trabalho executado por homens.
"Uma das hipóteses é a de que as mulheres antes empregadas
em outras ocupações, desempregadas ou inativas tenham tido
que se inserir nos empreendimentos familiares - talvez substituindo trabalhadores
que tiveram que ser desligados - na condição de colaboradoras,
que trabalham, mas não têm renda própria", conclui
a pesquisa..
Na análise dos setores mais atingidos pela crise, a indústria
de transformação teve redução de 7,41% na
mão de obra masculina e de 4,22% na feminina, mas com grandes
variações entre os diferentes segmentos da indústria.
Na construção civil, houve queda de 3,54% na ocupação
masculina e elevação de 2,96% na ocupação
feminina. Na agropecuária, foi registrada redução
de 22,48% nos postos de trabalho femininos e de 10,71% entre os homens.
Os setores de comércio e serviços foram aparentemente
menos afetados pela crise econômica internacional, com crescimento
do emprego formal, ainda que em menor ritmo do que nos meses anteriores à crise.
No comércio, entre outubro de 2008 e abril de 2009 foram criadas
52.278 vagas, contra 247.568 entre outubro de 2007 e abril de 2008. No
setor de serviços, foram abertos 126.839 postos de trabalho, contra
399.394 no ano anterior.
As mulheres ficaram com 88,8% das novas
vagas no comércio e 78,29%
dos novos postos de trabalho em serviços. "Como o estoque
de emprego nesses setores é grande, a "feminização" do
emprego formal não acarretou grande alteração percentual
na composição do emprego segundo sexo", diz o estudo.
Na prática, a participação feminina cresceu 0,36%
no comércio e 0,34% no setor de serviços.
Uma das conclusões da pesquisa é que "parece existir
um movimento de freio na feminização do mercado de trabalho",
caracterizado pela retirada das mulheres do mercado em direção à inatividade,
enquanto os homens seguem buscando emprego, assim contribuindo para a
ampliação das taxas de desemprego masculinas.
"Ademais, reforça-se a precariedade do trabalho feminino,
pois os novos postos gerados no contexto de crise estão concentrados
entre aqueles sem remuneração, enquanto para os homens
este tipo de trabalho mais precário se reduz no período",
diz o texto.
O estudo foi feito em parceria com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e a Organização Internacional do Trabalho
(OIT).
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AGÊNCIA
DIAP, 03 de julho de 2009
2007/2008: renda disponível
para consumo das famílias cresceu R$ 99
Agência DIAP
A renda
disponível para consumo das famílias brasileiras
aumentou R$ 99 entre 2007 e 2008, segundo indicou uma pesquisa da Cetelem
divulgada nesta quarta-feira (1º).
No ano
passado, as famílias brasileiras tinham em média
R$ 251 disponíveis para o consumo, contra R$ 152 no ano anterior.
Segundo
o vice-presidente da entidade, Marcos Etchegoyen, essa quantia representa
o dinheiro que sobra no fim do
mês, após o pagamento
das contas da família.
"É uma oportunidade de poupança ou de consumo. Mas
há mais consumo, porque muitos não tinham alguns bens ou
estão trocando", explica.
A renda
média da família brasileira, em 2008, foi de R$
1.162, contra R$ 1.047 um ano antes. A pesquisa é feita anualmente
e, nesta edição, teve como base 1,5 mil entrevistas domiciliares
em 70 cidades.
Classes sociais
No total, o aumento da renda para consumo foi de 65,13%, porém,
o crescimento não foi igual para todas as classes sociais.
As famílias da "classe D" apresentaram o maior crescimento,
de 213,6%, embora continuem com uma quantia inferior à registrada
nas outras classes. Entre 2007 e 2008, o valor disponível para
consumo no final do mês passou de R$ 22 para R$ 69, sendo que a
renda média dessas pessoas era de R$ 650 no ano passado.
Em relação a 2005, o aumento na renda disponível
foi ainda mais intenso, já que naquele ano não tinham dinheiro
sobrando, mas faltando (- R$ 17).
Entre
as famílias da classe C, com rendimento médio de
R$ 1.201 em 2008, o aumento na quantia disponível no fim do mês
foi de 44,22%, o menor entre as diferentes classes sociais.
Em 2007,
essas pessoas tinham em média R$ 147 para gastar ou
guardar no fim do mês, enquanto, no ano passado, esse valor era
de R$ 212.
Já as famílias da "classe A/B" registraram alta
de 64,82%. Com uma renda média de R$ 2.586, essas pessoas tinham
R$ 834 para gastar ou poupar em cada mês do ano passado.
Regiões
Entre as regiões brasileiras, as famílias do Sul apresentam
a maior renda média disponível, de R$ 358, sendo que o
ganho médio delas é de R$ 1.404.
Já no Norte/Centro-Oeste, com renda média de R$ 1.408,
a quantia disponível é de R$ 330 no final do mês.
Nos últimos lugares, estão o Sudeste e o Nordeste, porém,
a última região apresenta um valor significativamente inferior
ao das outras localidades.
Enquanto no Sudeste o salário
médio das famílias é de
R$ 1.317 e a renda disponível é de R$ 313, no Nordeste,
esses valores são de R$ 706 e R$ 50, respectivamente. (Fonte:
InfoMoney)
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AGÊNCIA
DIAP, 03 de julho de 2009
Redução da
jornada divide aliados e enfrenta dificuldade na Câmara
A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais deve
enfrentar dificuldades para chegar ao plenário da Câmara,
embora tenha recebido apoio de todos os integrantes da comissão
destinada à sua análise, na terça-feira (30).
A pressão do empresariado é grande, a proposta é polêmica
entre os partidos até na base governista.
As centrais sindicais e os deputados da
comissão especial pretendiam
apresentar pedido de urgência ao presidente da Câmara, Michel
Temer (PMDB/SP), para que a proposta fosse colocada na pauta de votações
antes do recesso legislativo, que começa dia 18 de julho.
Essa possibilidade, no entanto, é descartada pelos líderes
partidários. Muitos deles nem acreditam em votação
este ano.
"O assunto enseja boa discussão, porque interessa muito à população,
mas há controvérsia. Quem radicalizar perderá",
disse o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que prevê dificuldades
de consenso entre os partidos até para incluir a PEC na ordem
do dia. O PMDB, diz, não firmou posição.
O Governo é favorável à redução da
jornada, segundo o líder do Governo, Henrique Fontana (PT/RS).
Para ele, a crise não deve atrapalhar a votação,
já que está sendo proposta uma "reforma estrutural
das relações de trabalho".
Ele minimiza as resistências e diz que a aprovação
unânime na comissão mostra "o grau de convicção
que o Parlamento tem na matéria".
O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), argumenta, a favor
da PEC, que em São Paulo, hoje, a média da jornada de trabalho
praticada já é de 40 horas e meia.
"Houve brutal aumento dos ganhos de produtividade e isso nos permite
reduzir a jornada. Esses ganhos não podem ficar só com
as empresas. Têm que ir também para os trabalhadores. Além
disso, a redução da jornada pode criar milhões de
empregos", afirmou.
Avaliações reservadas no PT preveem dificuldade de aprovação.
Argumentam que setores do Governo não estimulam a aprovação
enquanto durar a crise.
Os deputados recebem pressão do empresariado, contrários à redução
no texto constitucional. Alegam que o assunto deveria ser tratado em
acordos coletivos, sem amarras legais.
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto, é "ingenuidade" achar
que serão criados empregos.
"Não vejo como é possível gerar emprego aumentando
os custos de produção das empresas em plena crise, na qual
o Brasil está perdendo competitividade", disse.
Segundo ele, a redução da jornada e o aumento da hora
extra de 50% para 75% da hora trabalhada, sem ajustes nos salários
(também prevista na PEC) vão aumentar os custos de 10%
a 15% nas grandes empresas intensivas de mão-de-obra, como as
indústrias de confecção.
As mais prejudicadas serão as de pequeno porte, que terão
de diminuir a produção e demitir.
Ele afirma que as exportações de manufaturados caíram
quase 40% e a competição está ainda mais acirrada.
"Nesta hora, em que é preciso reduzir os custos das empresas,
está sendo decretada elevação de custos por força
de lei", afirmou.
A PEC foi apresentada em 1995 pelo então deputado Inácio
Arruda (PCdoB/CE), hoje senador. Teve lenta tramitação
até 2008, quando o então presidente, Arlindo Chinaglia
(PT/SP), a desengavetou e criou comissão especial para sua análise.
Durante as discussões, a proposta
recebeu apoio de PT, PDT, PSB, PCdoB, PV e PTB.
O deputado Carlos Sampaio (PSDB/SP) integrou
a comissão e votou
a favor. Como secretário de movimentos sindicais do partido, Sampaio
disse que defenderá adesão dos tucanos à proposta,
que é reivindicação das centrais sindicais.
O líder do PSDB,
José Aníbal (SP), no entanto,
afirmou que o assunto terá que ser discutido pela bancada. O líder
do DEM, Ronaldo Caiado (GO), por sua vez, submeterá à executiva
nacional. (Fonte: Valor Econômico)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de julho
de 2009
Marcos Verlaine*: A redução
da jornada e as tarefas dos trabalhadores
Agora é preciso convencer parcela expressiva da sociedade brasileira
sobre a justeza dessa mudança na Constituição. Depois,
será preciso convencer a parcela mais progressista do empresariado
nacional e, por fim, mas não menos importante, o Congresso Nacional
Depois
de quase uma geração, finalmente foi possível
aprovar na comissão especial da Câmara a PEC 231/95, que
reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais,
sem redução de salário.
O dia 30 de junho deve ser lembrado como
data histórica daqui
para frente, pois, para chegar até ali, os trabalhadores e suas
entidades tiveram que lutar muito.
Lembro dois fatos recentes e significativos
nesse período - a
grande campanha de mais de um milhão de assinaturas pela aprovação
da PEC e, também, o importante e profundo debate feito em 2008
no plenário da Câmara (comissão geral) que tratou
da redução da jornada.
Mas, como foi dito pelo relator da proposta,
deputado Vicentinho (PT/SP), a aprovação na comissão especial foi apenas o "primeiro
passo". Muitos passos ainda terão de ser dados para a materialização
dessa proposta do movimento sindical.
Para isso, é preciso convencer parcela expressiva da sociedade
brasileira sobre a justeza dessa mudança importante na Constituição
Federal.
Depois, será preciso convencer a parcela mais progressista do
empresariado nacional e, por fim, mas não menos importante, o
Congresso Nacional.
Representantes dos trabalhadores
Outra tarefa prioritária do movimento sindical deve ser eleger
seus representantes para o Congresso em 2010, pois, do contrário
teremos mais dificuldades de êxito para viabilizar a agenda dos
trabalhadores na "Casa do Povo".
Nesta legislatura, os empresários colocaram 219 representantes
na Câmara e 27 no Senado. Esses números são do início
das atividades do Congresso (2007).
Certamente esses números aumentaram de lá para cá.
Ao mesmo tempo que a bancada empresarial
aumentou exponencialmente nesta legislatura, a bancada sindical ou
dos trabalhadores diminuiu e perdeu
parlamentares de peso como Sérgio Miranda (MG) e Jandira Feghali
(RJ), por exemplo.
Para enfrentar à altura essas e outras demandas, o movimento
sindical precisa aumentar sua representação no Congresso.
Assim, numa conjuntura econômica melhor e com uma correlação
de forças mais equilibrada poderemos fazer avançar a agenda
dos trabalhadores no Parlamento.
Tarefas dos trabalhadores
Para cumprir o estágio sugerido acima não será fácil. É preciso
organização, profissionalismo, recursos financeiros e,
sobretudo, unidade do movimento sindical - das centrais ao mais remoto
sindicato no País, passando pelas confederações
e federações.
Tem que ter organização, pois, sem essa ferramenta que
serve à política, não teremos condições
de vencer os obstáculos desta batalha que se coloca para o movimento
sindical.
É preciso recursos financeiros, porque, sem eles, não
teremos condições de organizar as lutas que certamente
ainda temos pela frente.
E aproveito para dizer que não é à toa que o DEM
quer tirar recursos das centrais, com a Adin que questiona o repassa
da contribuição sindical às essas entidades gerais.
Sem recursos financeiros, as entidades
não terão fôlego
para empreender essa e outras batalhas.
Os patrões sabem muito bem disso!
E, ainda, é preciso unidade política, porque assim somos
mais fortes e seremos mais capazes de enfrentar o inimigo que moverá muitos
recursos - de toda ordem - para barrar qualquer possibilidade de aprovação
da proposta no Congresso.
Oposição
Duas notícias demonstram que as forças contrárias à proposta
se movem de maneira vigorosa.
A primeira vem da CNI, que em tom ameaçador já deu seu
recado: "Redução da jornada de trabalho será obstáculo
ao emprego, alerta CNI".
A segunda vem do Congresso: "Redução da jornada divide
aliados e enfrenta dificuldade na Câmara".
Os empresários não aceitarão sem resistência
o avanço desse debate e, para isso, vão combater em todas
as frentes possíveis, inclusive elegendo seus representantes para
barrar essa matéria no Parlamento.
(*) Jornalista, analista político
e assessor parlamentar do Diap
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GAZETA
DO POVO, 03 de julho de 2009 | Opinião
Editorial 1
Redução de jornada, aposta
arriscada
A redução da jornada
de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais deu mais um passo, com
a aprovação, na Comissão Especial da Câmara
dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) que examina o assunto. Trata-se de luta antiga dos sindicatos de
trabalhadores, sob o argumento de que a jornada de 44 horas é pesada
e causa redução da produtividade do trabalho humano.
Junto da redução da jornada semanal deve ser aprovado
também um aumento no porcentual de acréscimo no valor da
hora extra, como forma de desestimular os empregadores a fazer uso rotineiro
do trabalho além da jornada diária. A proposta prevê que
esse acréscimo, hoje em 50% sobre a remuneração
da hora normal, seja elevado para 75%. A medida torna a hora extra bem
mais cara e, se aprovada, certamente induzirá os empregadores
a diminuírem o uso desse recurso. Para os defensores das mudanças,
essa redução da hora extra abre espaço para o aumento
das contratações e, consequentemente, para a redução
do desemprego.
Mas uma questão que precisa ser levada em consideração é que
a redução da jornada pode produzir efeitos inflacionários,
já que os salários permanecerão os mesmos para uma
jornada de trabalho menor. Se isso ocorrer, o trabalhador será onerado,
em função da redução do poder de compra dos
salários pela elevação do nível geral de
preços. Esse efeito negativo somente não ocorreria se a
economia conseguisse adaptar-se imediatamente, elevando a produtividade
do trabalho. Ainda que a jornada menor estimule as empresas a promover
ganhos de produtividade, o problema reside na sincronização
entre a implantação da nova jornada e as mudanças
tecnológicas necessárias para aumentar a produtividade.
Os custos da redução da jornada serão sentidos de
imediato por toda a cadeia produtiva, enquanto o aumento de produtividade
só ocorre, em geral, de forma gradativa e em proporções
diferentes nos diversos setores da economia.
Além da inflação, outro risco é a perda
de competitividade no mercado global. A França fez redução
mais drástica na jornada, que ficou em 35 horas semanais, e isso
levou o país a se envolver em polêmica recente diante de
reivindicações para aumentar a jornada semanal máxima.
A proposta resultou da constatação de que estaria havendo
perda de competitividade em relação aos países vizinhos
que têm jornada semanal maior. Embora, no Brasil, a proposta seja
de uma modificação menos drástica, pela redução
de quatro horas semanais, não há como garantir que isso
eliminaria efeitos parecidos com os que foram observados na França.
Lembremos ainda que muitas empresas privadas
e os órgãos
públicos já adotam o limite de 40 horas semanais, por exemplo,
não dariam contribuição para aumento de produtividade
porque, para eles, não haveria modificação. Toda
a melhoria de eficiência produtiva necessária para compensar
a redução da jornada no país teria de vir somente
das empresas nas quais o processo produtivo é, atualmente, feito
com jornada semanal de 44 horas.
Todos os aspectos da questão colocam em dúvida a afirmação
de que a redução da jornada semanal não prejudicaria
a economia e ainda levaria à criação de 2 milhões
de empregos. Com a elevação certeira dos custos de produção
para as empresas, pode ocorrer justamente o oposto. Não existe
metodologia capaz de fazer previsão confiável sobre os
efeitos de uma mudança dessa magnitude. Em momento de crise, quando
a produção está em baixa, modificações
legais que onerem ainda mais as unidades produtivas são desaconselháveis.
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AGÊNCIA DIAP, 03 de julho
de 2009
FST convoca mobilização
para aprovar o PLS 248/06, taxa assistencial
Agência DIAP
A Coordenação Nacional do Fórum Sindical dos Trabalhadores
(FST) realiza reunião ordinária no dia 6 de julho, às
14 horas, tendo como pauta prioritária a "Campanha pela Aprovação
do PLS 248/06", que dispõe sobre a contribuição
assistencial.
O projeto está em discussão na Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE) do Senado Federal.
Dirigentes do FST tiveram
audiência com o presidente da CAE, Garibaldi
Alves Filho (PMDB/RN), que atendeu à reivindicação
e designou o senador Inácio Arruda (PCdoB/CE) relator da matéria.
Também se reuniram no último dia 30 com o relator do projeto,
para apresentar sugestões.
"A campanha continua companheiros, vamos cada um de nós
nos empenharmos para alcançar a nossa vitória!", enfatiza
o coordenador nacional do FST, José Augusto.
Na pauta da reunião
está incluída, também,
uma breve análise de conjuntura, por Sérgio Miranda, assessor
parlamentar e político do FST, e discussão e definição
da estratégia de atuação de forma unitária
com os senadores que compõem a CAE.
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FOLHA
DE LONDRINA, 03 de julho de 2009 | Política
Parlamentar brasileiro só ganha
menos que o americano
Estudo mostra que gastos com salários e verbas de representação
e de gabinete de congressistas superam R$ 1 milhão ao ano
São Paulo - Levantamento da ONG Transparência Brasil indica
que os parlamentares brasileiros são os que mais pesam no bolso
dos cidadãos na comparação com sete outros países:
Chile, México, Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha
e Itália.
O estudo mostra que, no total, o salário e as verbas -para representação,
viagens e contratação de assessores - a que têm direito
os deputados federais e senadores brasileiros superam R$ 1 milhão
ao ano, colocando os congressistas do Brasil como os mais bem pagos,
excetuando-se os deputados dos Estados Unidos - cerca de R$ 3 milhões.
O levantamento informa que, no Brasil,
deputado e senador recebem mais do que um parlamentar alemão (R$ 860 mil), francês (R$ 770
mil) ou britânico (R$ 760 mil).
No entanto, segundo a ONG, quando se faz
a correção pelo
indicador da renda per capita, os benefícios do congressista brasileiro
ultrapassam os do deputado norte-americano e chegam ao topo da escala.
Os montantes a que um senador brasileiro
tem direito representam 83 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) per
capita do Brasil - isso significa,
de acordo com a Transparência Brasil, que, em média, um único
senador se apropria de uma quantia equivalente à riqueza produzida
por 83 brasileiros. No caso do deputado federal brasileiro, o número é 68.
O deputado dos EUA se apropria de um montante equivalente a 32 vezes
o PIB per capita local.
O estudo indica ainda que, quando se analisam
apenas os salários,
os ganhos do deputado federal e do senador no Brasil são quase
treze vezes o PIB per capita. Nos EUA, esse número não
chega a quatro.
Folhapress
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FOLHA DE SÃO PAULO, 03
de julho de 2009 | Brasil
Enquadrado, PT faz defesa
de Sarney por "governabilidade"
Petistas agora dizem que senador não é responsável
por "14 anos de atos secretos" | Após ter pedido a licença
de Sarney, partido recua diante da ameaça de perder o apoio dos
líderes do PMDB no Senado
e na eleição de 2010
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de ter sido enquadrado pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, os senadores do PT liderados por Aloizio Mercadante (SP) se
revezaram por três horas e meia no plenário para defender
que a aliança com o PMDB é fundamental para garantir a
governabilidade, isentar o senador José Sarney (PMDB-AP) de ser
o único responsável por "14 anos de atos secretos" e
dizer que a crise política não pode se reduzir a uma única
pessoa.
"
Não há governabilidade sem aliança do PMDB. PSDB
e DEM nunca nos deram espaço e é verdade que também
nunca demos a eles, mas queremos ter aliança e queremos que ela
continue", disse Mercadante.
Anteontem, o partido havia sugerido o afastamento de Sarney do cargo
por 30 dias, mas recuou de formalizar o pedido como uma posição
de bancada diante da ameaça do peemedebista de renunciar, o que,
para o governo, representaria perder o apoio dos caciques do PMDB no
Senado e na disputa de 2010.
Mercadante, líder do PT, usou no plenário a tática
de jogar para outros senadores a responsabilidade pela crise.
"
Disse publicamente e quero repetir da tribuna: não me parece uma
boa atitude a que estamos assistindo, por exemplo, a atitude da bancada
do DEM [de pedir afastamento de Sarney]. Estiveram na Primeira Secretaria
durante todo o período em que estive nesta Casa. Como simplesmente
se retirar neste momento e dizer que a responsabilidade da crise é exclusivamente
do presidente? Isso não ajuda", disse.
Dez senadores apartearam Mercadante, a maioria do PT e no mesmo tom.
O senador Delcídio Amaral (PT-MS), que empregou uma sobrinha de
Sarney, foi um dos que o defendeu.
A bancada petista se reuniria com Lula ontem à noite. Desde o
início da crise, Lula já defendeu Sarney cinco vezes. É a
primeira vez que o presidente recebe a bancada para um jantar no Alvorada
neste mandato.
Mercadante tentou em vários momentos explicar que a sugestão
para que Sarney se afastasse não significava uma imposição
e que o partido nunca defendeu a renúncia, mas uma licença.
Ressaltou ainda que é preciso assegurar um clima político
favorável a Sarney pela "importância histórica
que ele tem na vida democrática do país e para esta Casa."
A instituição está mergulhada numa crise política
e administrativa desde fevereiro, quando Sarney assumiu a presidência.
Foram exonerados cinco diretores, entre eles Agaciel Maia, que era diretor-geral
há 14 anos.
O presidente da Casa também passou por outros constrangimentos
ao admitir que recebia auxílio-moradia irregularmente e que emprestou
apartamento funcional a um ex-senador e a uma funcionária do gabinete,
algo proibido.
Numa ação articulada, os caciques do PMDB não acompanharam
o discurso. O líder do partido, Renan Calheiros (AL), passou pelo
plenário, concedeu entrevistas e foi embora.
Coube ao senador Wellington Salgado (PMDB-MG) representar o partido. "Surge
um movimento para tirar Sarney e quem vai assumir, o vice, do PSDB? Podemos
reclamar, brigar e discutir, mas a partir desse momento temos de caminhar
juntos", disse. Peemedebistas vêm tratando a defesa pela saída
de Sarney como briga entre governo e oposição.
Considerado ao lado da senadora Marina Silva (PT-AC) a principal resistência
no partido ao apoio a Sarney, o senador Tião Viana (AC) disse
que "Lula terá que dividir com a bancada a responsabilidade" por
essa decisão de manter Sarney no comando do Senado. "Não
há dúvida de que existe esse risco para o governo [de prejudicar
a governabilidade]. É esse o dilema que vive a bancada do PT."
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 03 de julho de 2009 | Brasil
Lula diz a Sarney que crise é guerra
contra seu governo
Para presidente, situação no Senado se deve à tentativa
da oposição de desestabilizar aliança entre PMDB e
PT em 2010 | Após conversa com o petista, senador disse que, diante
da mudança
no discurso do PT, ficaria "fora de cogitação" deixar
a presidência da Casa
VALDO CRUZ
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de ameaçar renunciar ao cargo, o presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP), disse ontem ao presidente Lula que o PT
precisa assumir sua responsabilidade política e dar apoio ao PMDB
-dando sequência à sua estratégia para se manter
no comando da Casa. Disposto a enquadrar seu partido, Lula concordou
com Sarney e prometeu cobrar dos senadores petistas respaldo ao peemedebista
contra o que classifica de "guerra política" visando
enfraquecer seu governo e desestabilizar uma aliança entre PMDB
e PT para 2010.
Os dois se falaram no final da manhã por telefone,
quando Lula avisou a Sarney que o receberia hoje. O encontro, a princípio
agendado para ontem, foi adiado para que o presidente tivesse tempo de
costurar o enquadramento de seu partido -estava programado um jantar,
ainda ontem, entre Lula e a bancada dos senadores do PT no Palácio
da Alvorada.
Segundo a Folha apurou, o presidente fez questão
de lembrar a Sarney que defendeu sua permanência no cargo em duas
entrevistas durante sua viagem à África. O peemedebista
agradeceu e ouviu de Lula um apelo para se manter na presidência.
Após conversar com o presidente, Sarney confidenciou a aliados
que, diante da mudança de tom no discurso petista e caso o partido
passe a apoiá-lo, ficaria "fora de cogitação" renunciar.
Nos últimos dias, diante da pressão familiar, ele chegou
a cogitar deixar o cargo. Na conversa, Lula e Sarney fizeram a mesma
avaliação dos últimos lances da crise: a oposição
(DEM e PSDB) aproveitou a revelação de desvios administrativos
da Casa para fragilizar governo e peemedebistas que apoiam o presidente.
O cenário começou a mudar quando Sarney ameaçou
renunciar, fazendo questão de destacar sobretudo a petistas que
sua saída criaria sérias dificuldades para o governo Lula
no Senado, além de pôr em risco o apoio do PMDB à candidatura
da ministra Dilma Rousseff a presidente em 2010. O PT fez um recuo tático
e passou a dar declarações em defesa de sua permanência.
Além disso, senadores de PSDB e DEM começaram a ligar dizendo
que estavam do seu lado.
Nas contas do PMDB, ao menos 7 dos 14 senadores
democratas e 5 dos 13 tucanos não concordam com a posição
de seus partidos. Ao todo, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL),
contabiliza 53 ou 54 votos a favor de Sarney. Ontem, Renan disse que "Sarney
botou a bola no chão e o jogo voltou ao campo da política",
tendo a seu lado o apoio mais importante, de Lula. Ontem, o peemedebista
procurou dar um ar de normalidade em sua agenda.
Esteve na Casa pela
manhã. Na chegada e na saída, seguranças impediram
que a imprensa se aproximasse ao instalarem na passagem cordões
de isolamento.
Colaborou KENNEDY ALENCAR,
da Sucursal de Brasília
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 03 de julho de 2009 | Brasil
ELEIÇÕES
Definição de prévias para 2010 é "vitória
do partido", diz Aécio
DA AGÊNCIA FOLHA,
EM BELO HORIZONTE
O governador de Minas, Aécio Neves, disse ontem que foi vitória "do
partido" a definição do modelo das prévias
para a escolha do candidato do PSDB à Presidência, caso
haja "realmente necessidade da disputa". Aécio disse
que o consenso é possível.
"
Mas essa [definição] é uma sinalização
importante, principalmente para as bases", disse Aécio,
que disputa a indicação com o governador de São
Paulo, José Serra.
Ele disse ser "óbvio" que há chance de consenso. "Ninguém
sabe ainda qual será o quadro no final do ano. Pode ser que
haja entendimento. Não sei ainda qual será o caminho
decidido pelo governador Serra, o meu próprio dependerá do
percurso até o final do ano."
Os dois retomarão viagens para falar às bases. No dia
13, estarão em Goiás. A viagem seguinte será para
o Ceará.
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FOLHA DE LONDRINA, 03 de
julho de 2009 | Política
Comissão divulga
ações para melhorar transparência
Brasília
- A Comissão Diretora do Senado emitiu ontem um
comunicado no qual lista as 36 ações adotadas pela atual
gestão para dar maior eficiência e transparência às
decisões administrativas da Casa. O senador Mão Santa (PMDB-PI),
ao abrir a sessão da tarde de ontem, leu o comunicado em plenário.
Entre as ações listadas, estão: mudanças
na regulamentação das cotas de passagens aéreas
dos senadores; nova regulamentação de uso da verba indenizatória
relativa ao fretamento de meios de locomoção; redução
de 10% das despesas gerais do Senado; redução da taxa
de juros dos empréstimos consignados para o patamar máximo
de 1,6% ao mês; redução da cota de telefones celulares
dos diretores; determinação de levantamento detalhado
sobre contratos de prestação de serviço com execução
direta ou indireta do Senado; extinção de 11 secretarias
com exoneração dos respectivos diretores; designação
de comissão para o levantamento e a averiguação
de atos e boletins administrativos sem publicação; divulgação
das despesas parlamentares com verba indenizatórias na página
do Senado na internet; determinação para normalizar situações
de servidores terceirizados que tenham características de nepotismo
em conformidade com a Súmula do Supremo Tribunal Federal (STF);
inauguração do portal da transparência.
A lista cita ainda a nomeação de novos diretores, como
o diretor-geral e a diretora da Secretaria de Recursos Humanos. Aponta
também a abertura de sindicância destinada a apurar as
responsabilidades pelos atos secretos com acompanhamento do Tribunal
de Contas da União (TCU) e do Ministério Público
Federal; e a solicitação à Polícia Federal
que investigue todos os empréstimos consignados a servidores
da Casa, além das empresas que os operaram.
Agência Estado
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AGÊNCIA
DIAP, 03 de julho de 2009
Projeto de Manuela D'Ávila
pretende renovação no movimento sindical
Eleições sindicais poderão
contar com o voto dos jovens com idade superior a 16 anos.
A iniciativa é da deputada Manuela D'Ávila (PCdoB/RS),
que apresentou o Projeto de Lei 5.193/09, que altera o artigo 529 do
Decreto-Lei 5.452, de 1º de maio de 1943, e dispõe sobre
as condições para o exercício do direito do voto
nas eleições sindicais, e, ainda, fixa em 16 anos a idade
mínima para o exercício do direito do voto.
A intenção da deputada, que tem em seu estado uma maioria
de eleitores jovens, é atrair esse eleitorado para o movimento
sindical na busca de renovar as lideranças nesse segmento.
Segundo a deputada, ela sente essa necessidade na juventude que pretende
ingressar na carreira sindical.
A atual redação do artigo 529 da CLT impõe como
condição para o exercício do direito do voto e para
a investidura em cargo de administração ou representação
econômica ou profissional que o trabalhador tenha idade superior
a 18 anos.
Isso não será alterado pela proposta em curso, apenas
a idade mínima para votar nas chapas sindicais.
Para ocupar cargos nas entidades, continuará valendo a idade
mínima de 18 anos.
Para a deputada, a alteração na CLT vem com objetivo de
que as eleições sindicais possam contar com a participação
dos jovens para o fortalecimento dessas entidades.
A matéria está em
discussão na Comissão
de Trabalho da Câmara dos Deputados, anexado ao PL
4.430/08, do
ex-deputado pestita Tarcísio Zimmermnn (RS).
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AGÊNCIA DIAP, 03 de julho
de 2009
Mais de 20 mil processos
tratam de questões trabalhistas no STF
Agência DIAP
Aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) 20.189 processos
que tratam do Direito do Trabalho e de temas referentes à legislação
processual civil e do trabalho.
São 3.105 temas questionados junto à Corte, sendo os mais
comuns aqueles que tratam de precatórios alimentares, aposentadoria,
verbas rescisórias, multa de 40% do FGTS, vencimentos, insalubridade,
acidente do trabalho, entre outros.
Quando o critério de pesquisa se refere ao ramo de Processo Civil
aplicável ao Direito do Trabalho - já que não existe
um Código de Processo do Trabalho no Brasil - aparecem 14.969
ações judiciais em andamento na Corte.
Apenas sobre Direito do
Trabalho, são 5.220 processos em tramitação.
(Fonte: STF)
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AGÊNCIA DIAP, 03 de julho
de 2009
Votação da
emenda de Paim que corrige benefícios do INSS fica para agosto
Em reunião realizada, nesta quarta-feira (1º), com o líder
do Governo na Câmara, Henrique Fontana (PT/RS), as lideranças
nacionais e estaduais dos aposentados resolveram aceitar a proposta do
Executivo de adiar a votação da matéria para agosto
Ficou para o início do mês de agosto a votação
em plenário da emenda do senador Paulo Paim (PT/RS) ao PL 1/07,
do Executivo, que estabelece a correção das aposentadorias
e pensões de acordo com a política de recuperação
e atualização do salário mínimo.
O PL 1/07 estabelece diretrizes para uma
política de valorização
do salário mínimo de 2008 a 2023. Pelo projeto, negociado
com as centrais sindicais, com base no crescimento do PIB (Produto Interno
Bruto).
Numa reunião realizada, nesta quarta-feira (1º), com o líder
do Governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT/RS), as lideranças
nacionais e estaduais dos aposentados resolveram aceitar a proposta do
Governo de adiar a votação da matéria para agosto.
O deputado Darcísio Perondi (PMDB/RS), que vem liderando as negociações
na Câmara, disse que a reunião foi dura. "O Governo
está sentindo o cutuque e quer acertar com os aposentados",
disse.
O Governo pediu um prazo até oito de agosto para chegar a um
acordo com os aposentados. Enquanto isso fica adiada a votação
do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à extensão
do reajuste de 16,67% concedido ao salário mínimo, em 2006,
para todas as aposentadorias e pensões.
Segundo informou Darcísio Perondi, foi um recuo tático
dos aposentados.
As negociações vão começar e terão
a participação de ministros e lideranças da categoria,
sob a mediação de Perondi, e do senador Paim.
"Se até dez de agosto não chegarmos a um entendimento,
tenho certeza que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP),
tomará uma atitude e colocará o PL 1/07 na pauta para votação.
Na minha avaliação, o Governo não vai ceder e aí a
força dos aposentados vai falar mais alto na votação
em plenário", disse.
Reajuste
dos benefícios e fator
Outros dois projetos importantes para os aposentados tramitam na Câmara,
mas ainda em nível de comissões.
Um é o PL 4.434/08, que cria um índice de correção
previdenciária para garantir o reajuste dos benefícios
da previdência de acordo com o aumento do valor mínimo pago
pelo Regime Geral da Previdência.
O outro é o PL 3.299/08, que acaba com o chamado Fator Previdenciário,
que calcula o valor das aposentadorias com base na idade e no tempo de
contribuição. Essa sistemática reduz o valor dos
benefícios em até 40%.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
03/07/2009
Trabalhador acidentado em refinaria receberá indenização
e pensão mensal
A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto relatado
pelo ministro Ives Gandra Martins Filho, manteve a condenação
imposta à Montreal Engenharia S/A e a Petroléo Brasileiro
S/A (de forma solidária) em razão do acidente de trabalho
que incapacitou um trabalhador de forma irreversível, acarretando
sua aposentadoria por invalidez pelo INSS aos 37 anos de idade. O acidente
ocorreu na área de refinaria da Petrobras em Cubatão
(SP). O trabalhador exercia a função de rigger (sinaleiro
de guindaste) e atuava sobre uma estrutura de metal (conhecida como
pipe-deck) a uma altura de oito metros, sinalizando ao operador de
guindaste o local em que ele deveria soltar as peças transportadas.
No dia 29/02/97, ao tentar alcançar o pipe-deck com o auxílio
de um andaime, sofreu uma queda quando o tubo que dava sustentação à estrutura
se soltou.
A ação de indenização por ato ilícito,
na qual cobrou pagamento de indenização por danos morais
e materiais da Montreal e da Petrobras, foi ajuizada na Justiça
Comum (Estadual) e migrou para a Justiça do Trabalho após
a reforma do Judiciário (Emenda Constitucional nº 45/2004).
Foi julgada parcialmente procedente pela 3ª Vara do Trabalho de
Cubatão (SP), cuja sentença responsabilizou a empregadora
(Montreal) e a Petrobras (de forma solidária) ao pagamento de
pensão mensal no valor de dois salários mínimos
desde o acidente até a data em que o aposentado completar 65
anos de idade. Também foi imposta condenação ao
pagamento de indenização por danos morais correspondente
a 250 salários mínimos. A decisão de primeiro
grau foi mantida integralmente pelo Tribunal Regional do Trabalho da
2ª Região (SP).
No recurso ao TRT/SP, a Montreal e a
Petrobras confirmaram os fatos ocorridos, mas alegaram que o acidente
foi inesperado, “uma fatalidade”.
A Petrobras pediu sua exclusão do processo alegando que não
teve qualquer participação, responsabilidade, culpa ou
dolo no episódio. A sentença constatou que a Petrobras
contratou a Montreal para lhe prestar serviços nas suas dependências
e exercia, de forma muito atuante, a fiscalização do
local de trabalho, mas não atuou com a eficiência necessária
no dia do acidente, já que o andaime utilizado pelo trabalhador
não foi montado de acordo com as especificações
recomendadas e ainda apresentava defeito inadmissível em um
dos tubos que o sustentava. O andaime não tinha guarda-corpo,
roda-pé nem piso antiderrapante, itens obrigatórios de
acordo com a norma regulamentadora do Ministério do Trabalho
para evitar quedas.
Quanto à Montreal, a sentença considerou comprovada
a conduta ilícita do empregador que ocasionou o acidente e o
dano físico que levou o trabalhador à aposentadoria por
invalidez, na medida em que a empresa deixou de observar normas de
segurança ao montar o andaime de forma ineficiente. O TRT/SP
considerou não haver dúvida de que ambas as empresas,
de alguma forma, concorreram para o acidente. No recurso ao TST, a
defesa da Petrobras alegou que a responsabilidade pela montagem dos
andaimes era da Montreal e que seria impossível constatar, de
longe, o problema que ocasionou o acidente (braçadeira frouxa
no tubo superior do andaime). Para isso, um funcionário da Petrobras
teria de subir no andaime e experimentar tubo por tubo para ver se
estavam firmes. O recurso da Petrobras não foi conhecido pela
Sétima Turma. ( RR 428/2006-253-02-00.7)
(Virginia Pardal)
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FETRACONSPAR, 03 de julho
de 2009 | Eventos
Reunião
Presidente da FETRACONSPAR reúne-se
com Jorge Moraes e o Dr. Sandro Lunard
|
Da
esq.: JORGE MORAES (Sintracom Maringá), DR.
SANDRO LUNARD NICOLADELI (Advogado Trabalhista) e GERALDO
RAMTHUN (Fetraconspar) |
Foi realizado nesta sexta-feira (03/06),
na sede da FETRACONSPAR, reunião
entre o presidente da entidade Sr. GERALDO RAMTHUN, o Sr.
JORGE MORAES (Presidente do SINTRACOM Maringá) e o Advogado
Trabalhista DR. SANDRO LUNARD NICOLADELI.
Na pauta da reunião foi discutido o encaminhamento de processos
envolvendo o Ministério Público do Trabalho – MPT.
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