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Agência Diap, 20 de
agosto de 2009
Lupi: ministro do Trabalho é
contra desonerar folha de pagamento
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi afirmou, nesta quarta-feira (19), que é contra a proposta
de desoneração da folha de pagamento, iniciativa já
prometida pelo Ministério da Fazenda e amplamente defendida por
empresários brasileiros.
Em entrevista à Reuters,
Lupi disse opor-se a qualquer projeto que mexa nos direitos do trabalhador.
A Fazenda chegou a prometer apresentar uma proposta ainda este ano,
sem antecipar o modelo da redução de impostos.
"Eu não defendo
a desoneração da folha de pagamento. Defendo uma reforma
tributária que não signifique perda de direito para o
trabalhador", argumentou o ministro.
Segundo ele, os tributos atuais
são fundamentais para garantir benefícios, como aposentadoria,
pensão e seguro-desemprego.
"Como vamos desonerar fundo
de garantia, por exemplo?", questionou o ministro. Presidente licenciado
do PDT, herdeiro direto do PTB de Getúlio Vargas, Lupi mostra-se
menos sensível aos apelos por um ambiente de negócios
mais atrativo.
Declarando-se um "otimista",
Lupi fez previsões sobre a economia. Disse que a taxa de desemprego
no Brasil ficará entre 7,6% e 7,7% este ano, patamar próximo
do período pré-crise - por volta de 7,5%, de acordo com
ele.
Para o ministro, a taxa de julho
- que será divulgada nesta quinta-feira - ficará entre
7,9% e 8%, ante 8,1% em junho.
"Pelos dados que eu tenho,
acredito que continue caindo", disse o ministro. "Há
muito tempo que o pior (da crise) já passou - disse.
Ele afirmou que buscará
adeptos no Congresso à proposta de reduzir a jornada de trabalho
no País para 40 horas semanais, frente às atuais 44 horas.
Diversos projetos versam sobre o tema no Congresso, todos apresentados
por parlamentares ligados à política de esquerda.
Apesar da polêmica, o
governo pode usar sua folgada maioria para aprovar o projeto na Câmara.
O problema, porém, está no Senado, onde a base governista
é mais frágil.
"Estou pagando para ver
um senador votando contra o trabalhador", afirmou Lupi.
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FETRACONSPAR, 20 de agosto
de 2009
Brasília/DF
Presidente da FETRACONSPAR participa de
reunião da diretoria da CNTI
O presidente da FETRACONSPAR,
DEPACOM e Secretário Regional da CNTI/PR - GERALDO RAMTHUN,
está em Brasília/DF, onde participa hoje e amanhã
(20 e 21/08) de reunião da Diretoria da CNTI – Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de agosto de 2009 | Economia
Comércio e construção
lideram novas contratações em julho
SMCS
Os setores do comércio e da construção civil foram
os principais responsáveis pela abertura de novos empregos formais
em Curitiba em julho, com 1.002 vagas. Os dados são do balanço
do emprego formal, elaborado pelo Observatório do Trabalho de
Curitiba, da Prefeitura de Curitiba. O município registrou 1.267
novas vagas formais de emprego em julho de 2009, o que representa um
aumento de 0,21% do emprego no município em relação
ao mês de junho.
No ano, o emprego em Curitiba
apresenta aumento de 1,27% e saldo positivo de 7.652 vagas. O saldo
total de trabalhadores com carteira de trabalho assinada elevou-se para
609.118 em julho, a quarta posição entre as capitais que
possuem mais de um milhão de habitantes. "Esperamos que
a economia mantenha esse ritmo e assim possamos atingir nossa estimativa
inicial de atingir entre 12 e 15 mil novos empregos em Curitiba em 2009",
afirmou o secretário municipal do Trabalho e Emprego, Jorge Bernardi.
Em julho também foram
criadas 2.130 vagas (variação de 0,24%) na Região
Metropolitana de Curitiba e 6.922 vagas (variação de 0,32%)
no Paraná. Em relação às capitais do Sul
do Brasil, observou-se aumento de 0,10% no nível de emprego em
Porto Alegre (RS) e redução de -0,01% em Florianópolis.
Nos primeiros sete meses do ano, o setor de serviços - responsável
por quase 80% do Produto Interno Bruto do Município - foi o que
mais gerou empregos, com saldo de 6.803 postos de trabalho. A construção
civil segue como o setor que mais aumentou a participação,
que chega a 6,90% entre janeiro e julho de 2009 sobre o mesmo período
do ano de 2008.
O Observatório
do Trabalho é resultado de convênio entre a Secretaria
Municipal do Trabalho e Emprego e o Dieese. As informações
do Balanço do Emprego são do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego.
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Agência Brasil, 20
de agosto de 2009
Crise já passou, mas recuperação
pode demorar, diz professor da Unicamp
"A crise econômica no Brasil já passou, mas o país
ainda precisará de cerca de seis meses para voltar a conquistar
os empregos e a produção que perdeu no período".
A opinião é do professor Júlio Sérgio Gomes
Almeida, da Universidade de Campinas (Unicamp).
"Digamos que, pela dinâmica
da economia, a crise passou. Mas temos de ter alguns cuidados. Por exemplo:
não vamos pensar que está tudo bem, que vamos voltar a
contratar 1 milhão de pessoas. É um processo. Segundo
o professor, isso significa dizer que a economia reencontrou um eixo
para voltar a crescer.
"Como perdeu muito devido
à crise, até recuperar o que perdeu vai levar um tempo.
Vai dar uma sensação de que a economia está crescendo,
mas ainda não voltou ao nível que era", disse Almeida.
O professor comparou esse tempo
de recuperação da economia brasileira àquele trabalhador
que perdeu metade do seu salário durante a crise e que, mês
a mês, vai recuperando o seu rendimento.
Almeida afirmou que ainda vai
levar uns seis meses para que se tenha de novo o emprego, a produção
da indústria, o Produto Interno Bruto (a soma de bens e serviços
produzidos no país) que foram perdidos por conta desse processo
de crise.
"Digamos que, olhando para
o período como um todo, significa que o Brasil, mesmo saindo
bem dessa crise, vai ficar um ano procurando recuperar o que perdeu
devido ao impacto da crise", afirmou.
Apesar da perspectiva positiva
de cenário para o ano que vem - ele acredita em taxa de crescimento
em torno de 4% ou 4,5% no País -, Almeida ressaltou que o Brasil
deve ter duas grandes preocupações para esse período
de recuperação: as exportações e o desejo
de outras economias pelo nosso mercado interno.
Mercado
interno
"O Brasil perdeu muito a exportação, especialmente
nos seus setores industriais. A exportação de calçados
caiu 40%, foi de quase 50% a queda na exportação de automóveis
e de aço e, em alguns setores de bens de capital, a queda pode
ter chegado a 60%. É muita coisa", disse.
Almeida destacou que isso foi
reflexo da dos mercados internacionais.
"Mas vamos imaginar que
amanhã esses mercados voltem a crescer e já tenha algum
sinal nessa direção, também devagar. Há
um desafio. Seremos nós que vamos de novo abastecer esses mercados
na dimensão que fazíamos? Esse é um jogo ainda
a ser jogado", afirmou.
Quanto ao mercado interno, Almeida
acredita que o desafio seria tentar controlar a ambição
das outras economias do mundo.
"Significa um desafio para
o Brasil porque, com esse padrão mundial de muito excesso de
capacidade, uma parcela dessa produção adicional vem para
cá sob a forma de importações maiores. Tem muita
gente querendo entrar no Brasil e participar desse mercado interno.
Isso pode subtrair condição de abastecimento por parte
da nossa indústria", advertiu.
Crédito
Para o professor, o que pode afetar o Brasil não depende de um
processo interno, mas da ocorrência de uma "nova rodada da
crise internacional", o que ele vê como uma possibilidade,
mas não acredita que vá acontecer.
"Quando se fala que a crise
no Brasil acabou é porque as forças internas deram a volta
por cima, restabeleceram o dinamismo, é um fator muito interno.
Mas o Brasil pertence a um conjunto internacional e pode voltar a sofrer
os impactos caso a crise lá fora volte a afetar o mundo. Eu não
acredito nisso, mas é uma possibilidade", disse.
Almeida lembrou que no exterior
a crise ainda não mostrou superação completa.
"Ela recuperou, ela melhorou
em função de gasto público, de programas oficiais
de investimento na área de crédito, mas a prova dos nove,
de uma recuperação maior da economia mundial, só
virá quando o crédito se restabelecer, quando a confiança
das pessoas se restabelecer, quando o desemprego (que baixou) mas ainda
é muito grande, diminuir mais intensamente o seu ritmo",
afirmou.
A população brasileira,
no entanto, só perceberá que a crise passou ou que está
no caminho da melhora quando o país voltar a recuperar o emprego
que foi perdido.
"A crise só vai
ser superada quando nós recuperarmos aquele emprego e o produto
que perdemos durante a crise. E isso vai levar um certo tempo",
disse o professor.
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Gazeta do Povo, 20 de agosto
de 2009
Conjuntura
América Latina entrou em fase de
recuperação, diz pesquisa
Brasil é o principal responsável
pela melhora no cenário da região. Peru, Colômbia
e Chile são outros países que estão superando a
crise
Rio de Janeiro - A melhora da
expectativa de recuperação da economia brasileira contribuiu
em boa parte para a previsão mais otimista em relação
a toda a região constatada na última Sondagem Econômica
da América Latina, pesquisa qualitativa trimestral da Fundação
Getulio Vargas (FGV) e do Instituto de Pesquisa Econômica da Universidade
de Munique (IFO), da Alemanha.
A pesquisa, que ouviu em julho
146 acadêmicos, consultores e empresários em 16 países,
mostra que a avaliação do estado da economia é
em geral muito ruim, mas que melhorou o ânimo para o futuro.
A economista Lia Valls, da FGV,
diz que a América Latina entrou em fase de “recuperação
do ciclo econômico”, embora a medição feita
pelo Índice de Clima Econômico (ICE) esteja ainda abaixo
de 5, numa escala de 1 a 9. É de 4 pontos, ante 3,6 em abril.
Brasil e México tiveram
peso grande na recuperação do ICE latino-americano, porque
a média dos ICEs nacionais é ponderada segundo a participação
no comércio mundial. O ICE do Brasil foi de 5,5, longe dos 7,2
apurados em 2007, antes de estourar a crise, mas quase o dobro do de
janeiro (3,9).
Para Lia, o maior otimismo sobre
a economia brasileira está ligado às previsões
de alta em investimentos estrangeiros. Fora da região, apenas
parte dos Brics tiveram em julho ICE acima de 5. O maior foi o da Índia
(6,7), seguido pela China (5,7).
Boa opção
Para a pesquisadora, de abril
para julho, houve divulgações de relatórios estrangeiros
apontando o Brasil como boa opção na carteira de investimentos
de longo prazo – como no setor de petróleo, devido às
possibilidades nos projetos na área de pré-sal.
Além do Brasil, outros
quatro países da região estão em recuperação.
É o caso de Chile, Colômbia, México e Peru. De acordo
com a FGV, Chile e México já se encontravam em trajetória
de recuperação econômica em abril deste ano. Além
disso, desses países, quase todos apresentam melhora nas expectativas
para a economia nos próximos meses, com exceção
do México. A Venezuela, por sua vez, mantém o índice
mais baixo dos onze países pesquisados – 2,2. O país
comandado por Hugo Chávez está em situação
desfavorável desde outubro de 2008, logo após o estouro
da crise mundial, que derrubou também o preço do petróleo
– principal produto na pauta de exportações venezuelana.
A pesquisa mostrou, porém,
que a avaliação do cenário econômico atual
na maioria desses países ainda é desfavorável.
Com exceção do Peru, os outros três apresentam avaliação
negativa do ambiente atual na economia.
Indicadores
Deflação preocupa
analistas
Folhapress
São Paulo - Apesar do
maior otimismo na América Latina, a economia global ainda está
debilitada. Um sinal disso foi a divulgação ontem de que
os preços ao produtor na Alemanha, que apontam as variações
no atacado, registraram queda anualizada de 7,8% em julho, maior recuo
desde 1949, segundo dados divulgados pelo Escritório Federal
de Estatística da Alemanha. Na comparação com junho,
os preços tiveram queda de 1,5%. Para economistas, a deflação
mostra que a demanda dos consumidores ainda está fraca no país.
A queda foi maior que a esperada
pelos analisas: na comparação com junho, a expectativa
era de deflação de 0,2% e, em relação a
julho de 2008, era prevista uma retração de 6,6%. Excluindo
os preços da energia, os preços tiveram queda de 0,2%
em relação a junho e de 3,6% na comparação
anual.
A economia da Alemanha teve
crescimento modesto no segundo trimestre deste ano, de 0,3%, na comparação
com o primeiro trimestre do ano – igual ao resultado da França.
A alta, no entanto, colocou fim a uma sequência de quatro trimestres
de desempenho negativo e tirou as duas economias da recessão.
Índices baixos de inflação,
em especial nos Estados Unidos, vêm gerando preocupações
entre os analistas, que temem que a economia americana possa entrar
em um processo deflacionário. A deflação pode acelerar
a paralisia da economia, já que, com a perspectiva de que os
preços ficarão ainda menores, os consumidores tendem a
adiar as compras, desacelerando ainda mais o consumo e afetando os lucros
das empresas.
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Jornal da Band, 20 de agosto
de 2009
Pesquisa Vox Populi: Serra 30%,
Dilma 21%, Ciro 17%
O Jornal da Band da noite desta
terça-feira (18) divulgou os resultados de uma pesquisa do Vox
Populi em que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB),
tem 30% dos votos para presidente da República em 2010; e a ministra
Dilma Rousseff tem 21%. É a primeira vez que um instituto de
pesquisa aponta apenas 9 pontos de distância entre Serra e Dilma.
No mesmo cenário, Ciro
Gomes (PSB) aparece em terceiro, com 17%, e Heloisa Helena (PSOL) tem
12%. Com entrevistas coletadas entre 31 de julho e 4 de agosto, a pesquisa
não testou o nome da senadora Marina da Silva, que anunciou hoje
seu desligamento do PT e deve se candidatar à Presidência
pelo PV.
Em um segundo cenário,
sem Ciro, Serra alcança 36%, Dilma 24%, e Heloisa Helena 16%.
Dilma Rousseff aparece em primeiro
lugar, com 25% das intenções de voto, quando o candidato
tucano é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).
Aécio fica em segundo, com 21%, seguido por Heloisa Helena, com
18%
Em um cenário com Aécio
e Ciro, Dilma aparece com 21%, em um empate técnico com Ciro,
que tem 20%. Outros 17% dos entrevistados preferem Aécio, e 12%,
Heloísa Helena.
A margem de erro da pesquisa
encomendada pela Band é de 2,2 pontos percentuais. Dois mil eleitores
foram ouvidos em 24 Estados. Por ser a primeira pesquisa da série,
não é possível apontar tendências ao recuo
ou avanço das intenções de voto em cada candidato.
A pesquisa Datafolha, publicada
pela Folha de S.Paulo no último domingo (16) – porém
com entrevistas coletadas há menos tempo, entre os dias 11 e
13 – mostra os presidenciáveis nas mesmas posições,
porém com números bem diferentes.
No cenário com Serra,
Dilma, Ciro e Heloísa, o governador paulista aparece com 37%
(7 pontos a mais que no Vox Populi) e a ministra com 16% (5 pontos a
menos). Ciro figura com 15% (2 pontos a menos). Apenas Heloísa
Helena tem os mesmos 12% nas pesquisas dos dois institutos. O Datafolha
ouviu os eleitores sobre dois cenários em que aparece o nome
de Marina, que tevem em ambos 3% das intenções de voto.
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Folha de S.Paulo, 20 de
agosto de 2009
PMDB e PT apoiam criação
de nova CPMF
Bancada do PMDB fecha posição
após reunião com o ministro Temporão pela criação
de contribuição específica para a saúde
| Alíquota da CSS seria de 0,1%; gasto com gripe suína
é usado para justificar nova contribuição, em momento
de queda na arrecadação
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Num momento em que a arrecadação
de tributos federais está em queda, o PMDB, maior partido do
Congresso e principal aliado do governo, decidiu apoiar a recriação
da CPMF, batizada agora de CSS (Contribuição Social para
a Saúde). Em reunião com o ministro José Gomes
Temporão (Saúde), ontem, no Congresso, toda a bancada
peemedebista fechou questão favorável ao término
da votação do projeto que regulamenta a emenda constitucional
29, destinando mais recursos para a saúde e que ao mesmo tempo
cria a CSS, com alíquota de 0,1%.
No ano passado, o governo chegou a votar o texto base do projeto, mas,
correndo o risco de derrota, decidiu deixar o último destaque,
apresentado pelo DEM -que suprime o artigo que estabelece a base de
cálculo da contribuição-, para depois. Agora, o
discurso oficial do PMDB é que a saúde precisa de mais
recursos devido à gripe suína. O compromisso do partido,
que conta com o apoio também do PT, é votar a proposta
no máximo até setembro na Câmara. Caso passe, o
texto ainda segue para votação no Senado.
Foi lá que foi barrada, no final de 2007, a prorrogação
da CPMF, cuja alíquota de 0,38% deixou de ser cobrada em 1º
de janeiro do ano passado.
"Desta vez vamos aprovar porque o quadro da saúde piora.
Essa é a última alternativa para salvar o SUS. Temos muita
necessidade, ainda mais com os gastos excepcionais com a gripe. Se o
presidente Lula não acordar, a saúde será o maior
desgaste desta gestão", afirmou o deputado Darcísio
Perondi (PMDB-RS), coordenador da Frente Parlamentar da Saúde.
A oposição é contra a recriação.
Caso a CPMF volte, eles ameaçam ir à Justiça, alegando
ser inconstitucional criar um novo imposto dessa forma, por meio de
projeto de lei -a antiga contribuição foi criada e prorrogada
por meio de emenda à Constituição.
Alíquota
menor
Caso venha a ser aprovado, o novo tributo, com alíquota de 0,1%
sobre as movimentações financeiras, seria integralmente
repassado para a saúde. Com esse argumento, procura-se vencer
a natural resistência dos parlamentares em aprovar um novo tributo
a menos de um ano das eleições.
Dados do ministério mostram que toda a regulamentação
da emenda 29 destinará à área mais R$ 15 bilhões
por ano, o equivalente a pelo menos um quarto do orçamento atual
da pasta.
Desse montante, R$ 10 bilhões viriam da União por meio
da CSS. Os R$ 5 bilhões restantes viriam dos cofres estaduais,
já que a regulamentação da emenda dirá o
que pode e o que não pode ser considerado gasto em saúde.
A Constituição estabelece que os Estados devem gastar
12% do seu orçamento na área, mas, atualmente, muitos
Estados contabilizam como investimento em saúde despesas com
planos de saúde do funcionalismo e assistência social,
por exemplo. De acordo com análise do Ministério da Saúde,
18 Estados usaram expedientes como esse em 2006.
O orçamento atual da pasta é de R$ 54 bilhões,
um aumento de 9,5% sobre os R$ 49,3 bilhões do ano passado.
Receita em queda
Na primeira tentativa de recriar a CPMF, no primeiro semestre do ano
passado, a base governista perdeu o argumento da necessidade de recursos
para a saúde -afinal, mesmo sem a contribuição,
a arrecadação federal batia recordes mensais sucessivos.
Desde o agravamento da crise econômica global, em setembro, porém,
a receita passou a cair.
A receita esperada com a CSS é pequena diante do impacto da recessão
nas contas públicas: o Orçamento deste ano, que originalmente
contava com R$ 805 bilhões, já sofreu uma redução
na casa dos R$ 60 bilhões. Dados prestes a serem divulgados pela
Receita Federal indicam nova queda na arrecadação tributária
federal no mês de julho.
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Congresso em Foco,
20 de agosto de 2009
Depois de Marina, Flávio
Arns diz que deixa o PT
Fábio Góis
“Envergonhado”
com o comportamento dos companheiros de partido, o senador Flávio
Arns (PT-PR) anunciou há pouco que se desfiliará
da legenda. Para Arns, o fato de que seus correligionários
tenham ajudado o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP),
a se salvar da degola no Conselho de Ética foi o que faltava
para sacramentar a decisão.
"As pessoas às
vezes me perguntam se eu estou nervoso, ou aborrecido. Eu digo
que não estou nem nervoso, nem triste, nem aborrecido:
eu estou envergonhado, que é muito mais forte e difícil
de ser dito, mas o que a gente tem de sentir nessa hora",
desabafou o senador.
Mais cedo, a ex-ministra
do Meio Ambiente e atualmente senadora Marina Silva também
anunciou que deixará a legenda.
“Pretendo sair do
PT, e vou entrar na Justiça para esta finalidade”,
adiantou Arns, que pretende criar jurisprudência ao consultar
o Tribunal Superior Eleitoral com o objetivo de se desligar do
PT graças a divergências ideológicas. “Que
a Justiça possa analisar no sentido de que a fidelidade
tem que ser do parlamentar com o partido, sem dúvida alguma,
mas também do partido com seu ideário.”
Logo após a confirmação
do arquivamento de todos os pedidos de investigação
contra Sarney, com votos de senadores do PT, Arns classificou
como “uma vergonha” o fato de petistas terem, por
mais de uma vez, assinado nota de bancada pedindo o afastamento
de Sarney e, na audiência de hoje, votarem favoravelmente
ao peemedebista.
“Como podemos confiar
em pessoas que têm um posicionamento no documento e outro
quando é para colocar em prática ?”, questionou
o senador. "Eu entrei no partido acreditando que certas bandeiras,
como a da ética e do diálogo com a sociedade, seriam
obedecidas."
Ao Congresso em Foco,
o senador paranaense disse que esperava outro resultado no Conselho
de Ética, uma vez que seguidas reuniões da bancada
petista foram realizadas - e todas com o consenso, ao menos oficialmente,
em torno do afastamento de Sarney. "Tivemos reuniões
demoradas no Partido dos Trabalhadores, notas por escrito dizendo
'olha, [Sarney] tem de ser afastado e tem de investigar', ninguém
queria colocar culpa antes da investigação. Achava
que os senadores seriam fiéis àquilo que foi deliberado
dentro do partido", reclamou Arns, com críticas direcionadas
ao comando da legenda.
"O que me estranhou
mais ainda foi o próprio presidente do partido [Ricardo
Berzoini] orientar pelo arquivamento", disse Arns, em referência
à nota assinada por Berzoini e apresentada aos membros
do Conselho de Ética (veja íntegra abaixo). "As
coligações, as eleições, o ano eleitoral...
Nós estamos subvertendo, infelizmente, valores no Brasil.
O PT sairia muito mais forte desse episódio dizendo não."
Leia a íntegra nota
do PT:
"A crise
do Senado e os recursos no Conselho de Ética
A crise política
pela qual passa o Senado Federal tem raízes em práticas
administrativas inaceitáveis, que colidem com princípios
constitucionais que fundamentam a administração
pública.
Nos últimos
meses, tomamos conhecimento de uma série de distorções
que demonstram que a necessária estrutura de garantia da
ação parlamentar converteu-se em uma série
de privilégios e desmandos que exigem reparação
e mudanças na estrutura da Casa.
É urgente a
reformulação da gestão do Senado Federal,
criando mecanismos modernos de gestão e instrumentos regulares
de transparência. Também é necessária
a apuração das irregularidades que se referem aos
atos praticados por servidores e parlamentares que tenham ferido
a legislação. Para tanto, Ministério Público
e Polícia Federal, que já estão investigando,
têm instrumentos e metodologia apropriados para apurar de
forma isenta as irregularidades apontadas.
No entanto, não
podemos ignorar que essa mesma crise é alimentada pela
disputa política relacionada às eleições
de 2010. A forma como as denúncias concentram-se no presidente
do Senado, José Sarney, não deixa dúvidas
de que, mais que apurar e reformar, a pretensão é
incidir nas relações entre partidos, que apoiam
o governo ou que podem constituir alianças para as eleições
nacionais e estaduais do próximo ano. Ignoram ou minimizam
ilegalidades graves de determinados parlamentares ou partidos
e concentram na desconstituição do presidente da
mesa, como se ele tivesse responsabilidade exclusiva pelos problemas
de todo o Senado.
O PT apresentou ao
Senado a candidatura do senador Tião Viana para presidir
a instituição, com uma plataforma de reformas que
poderiam ser um passo adiante. Nossa candidatura não foi
vencedora e reconhecemos o resultado.
Por entender que essa
crise tem raízes reais, mas é manipulada de forma
hipócrita para interesses eleitorais, e por defender a
estabilidade política e o estado democrático de
direito, como bases para um funcionamento pleno da democracia,
não há como reconhecer no Conselho de Ética,
com os ânimos da radicalização política
atual, condições para encaminhar uma investigação
isenta e equilibrada, seja sobre o senador Sarney ou sobre o Senador
Virgílio, sem falar em outros casos sobre os quais caberia
representação ao órgão.
Ricardo Berzoini
Presidente Nacional do PT"
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Folha de S.Paulo, 20 de
agosto de 2009
"O PV não está
preparado para receber Marina"
DA REPORTAGEM LOCAL
Em sabatina da Folha realizada
ontem, em São Paulo, o ministro da Cultura, Juca Ferreira (PV-BA),
afirmou que seu partido "não está preparado para
receber Marina" ao ser questionado sobre a possibilidade de a senadora
ingressar no Partido Verde.
A afirmação foi feita no fim da manhã, no Teatro
Folha, antes do anúncio da saída deMarina Silva do PT.
"O PV é mais problemático que a Marina, porque pagou
um tributo às regras da política do Brasil e perdeu muito
da qualidade inicial", argumentou Ferreira, citando a "profunda
crise" pela qual passa o partido.
Minutos antes, o ministro havia avaliado a possível candidatura
de Marina como "legítima e positiva", ressaltando o
fato de ela ser uma "senadora qualificada".
"Ela é hoje o signo mais forte da luta por padrões
ambientais de qualidade e por um desenvolvimento sustentável
no país", afirmou. Mas fez a ressalva de que a questão
ambiental ainda não é capaz de, sozinha, mobilizar o eleitorado.
Questionado por Gilberto Dimenstein, membro do Conselho Editorial da
Folha, se votaria nela para presidente, Ferreira não deu resposta.
"Prefiro trabalhar com a ideia de alianças."
O ministro foi entrevistado ainda pela editora da Ilustrada, Sylvia
Colombo, e pelos repórteres Marcio Aith e Ana Paula Sousa.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
20/08/2009
Oitava Turma confirma legitimidade de sindicato
em Franca (SP)
O Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias de Calçados do Município de Franca,
no interior paulista, é o legítimo representante dos empregados
do setor na região. Na prática, esse é o resultado
do julgamento da Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao rejeitar
(não conhecer) recurso de revista do Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias de Calçados e Confecções
de Roupas, Saltos, Solas, Formas, Bolsas, Cintos e Vestuário
de Franca e Região contra decisão regional que admitiu
a representação do novo sindicato da categoria.
De acordo com a relatora do
processo e presidente da Turma, ministra Maria Cristina Peduzzi, a Constituição
consagra três princípios básicos em matéria
de direito sindical: liberdade, autonomia e democracia interna. Se,
por um lado, a Constituição Federal proíbe a ingerência
do Estado na organização dos sindicatos, por outro impõe
a criação de uma única entidade por categoria numa
mesma base territorial (artigo 8º). No entanto, explicou a relatora,
a existência da unicidade sindical não impede o desmembramento
territorial de um sindicato para a formação de outro,
com área de atuação menor.
Ainda segundo a ministra, o
Supremo Tribunal Federal julgou conflitos semelhantes e concluiu que
a regra da unicidade sindical não garante à entidade já
constituída a intangibilidade de sua base territorial. Ao contrário,
a jurisprudência do STF está consolidada no sentido de
que é possível o desmembramento territorial de um sindicato
para constituir outro desde que o território de ambos não
seja reduzido a área inferior à de um município.
No caso analisado, a ministra
lembrou que o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) reformou a sentença da 2ª Vara do Trabalho
de Franca para considerar legítima a representação
da categoria pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de
Calçados do Município de Franca e autorizar o resgate
dos depósitos de contribuições sindicais recolhidas.
O TRT concordou com o desmembramento com base em acórdão
do Tribunal de Justiça de São Paulo, que verificara que
o novo sindicato era exclusivo dos trabalhadores da indústria
calçadista, enquanto que o antigo, fundado há mais de
60 anos, englobava diversos segmentos, como o de confecção
de roupas.
Por essas razões, a relatora
concluiu que não houve desrespeito ao artigo 8º da Constituição,
como alegara o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de
Calçados e Confecções de Roupas, Saltos, Solas,
Formas, Bolsas, Cintos e Vestuário de Franca e Região.
Assim, na opinião da ministra, o recurso de revista do sindicato
nem merecia ser conhecido, ou seja, ter o mérito analisado. Esse
entendimento foi acompanhado, por unanimidade, pelos ministros da Oitava
Turma. Contra esta decisão, o sindicato já interpôs
embargos declaratórios, que serão julgados pela mesma
Turma ( RR-1.756/1997-076-15-01.8)
(Lilian Fonseca)
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