 |
InfoMoney, 1 de outubro
de 2009
Desemprego registra queda e atinge
14,6% em agosto, mostra Dieese
A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas
do País registrou recuo entre julho e agosto, passando de 15%
para 14,6% da PEA (População Economicamente Ativa).
De acordo com os dados da PED
(Pesquisa de Emprego e Desemprego) divulgados, nesta quarta-feira (30),
pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos), no oitavo mês
do ano o contingente de desempregados foi estimado de 2,932 milhões
de pessoas, 79 mil a menos do que no mês anterior.
Desemprego por região
Em agosto, na análise regional mensal, a taxa de desemprego registrou
a maior baixa em Salvador, passando de 20,9% para 20%.
Por outro lado, a taxa aumentou
no Recife, de 18,9% para 19,5%, conforme é possível observar
na tabela a seguir:
|
Taxa
de desemprego total |
| Região
Metropolitana |
Julho
2009 |
Agosto
2009 |
| Distrito Federal |
15,9% |
15,5% |
| Belo Horizonte |
11% |
10,9% |
| Porto Alegre |
12% |
11,6% |
| Recife |
18,9% |
19,5% |
| Salvador |
20,9% |
20% |
| São Paulo |
14,8% |
14,2% |
| Total |
15% |
14,6% |
Fonte: Convênio Seade-Dieese, MTE/FAT e convênios regionais |
Tipos
de desemprego
Considerando as diferentes formas de desocupação,
nota-se que o nível de desemprego aberto, que representa o conjunto
de pessoas sem ocupação à procura de trabalho,
ficou menor, indo de 10,4% para 10,1%, na comparação mensal.
Já o desemprego oculto
passou de 4,6% para 4,5%.
População
ocupada
A população ocupada das áreas analisadas atingiu
17,145 milhões de pessoas no oitavo mês do ano, o que mostra
uma variação positiva de 0,7% em relação
a julho.
Na análise setorial,
o segmento de Serviços aparece ainda como o maior empregador,
com 9,343 milhões de pessoas atuando no setor no mês passado,
seguido pelo Comércio, com 2,770 milhões de trabalhadores,
e pela Indústria, com 2,482 milhões de empregados.
Os segmentos de Construção
Civil e Outros (serviços domésticos e outros ramos de
atividade) foram os que mantiveram o menor número de pessoas
ocupadas em agosto: 1,075 milhão e 1,475 milhão, respectivamente.
|
NCST, 1 de outubro de 2009
Brasil é reconhecido como
primeiro contrapeso real aos Estados Unidos
Uma reportagem publicada nesta quarta-feira na edição
online da revista americana Time diz que, ao mediar a crise hondurenha,
o Brasil se tornou "o primeiro contrapeso real" à influência
americana "no hemisfério ocidental".
Considerando que o Brasil foi
"trazido" para o coração do imbróglio
pelos vizinhos, mais especificamente pela Venezuela do presidente Hugo
Chávez, a revista diz que "Brasília se vê no
tipo de centro das atenções diplomático do qual
no passado procurou se afastar".
Entretanto, diz a Time, o País
"não deveria se surpreender" com o fato de ser chamado
a assumir tal responsabilidade.
Para a publicação
americana, "nos últimos anos, a potência sul-americana
tem sido reconhecida como o primeiro contrapeso real aos EUA no hemisfério
ocidental - e isto significa, pelo menos para outros países nas
Américas, assumir um papel maior e mais pró-ativo em ajudar
a resolver distúrbios políticos do Novo Mundo, como Honduras".
"Lula e Obama são
colegas e almas gêmeas de centro-esquerda, mas quando Obama disse,
no mês passado, que aqueles que questionam sua resolução
em Honduras são hipócritas, porque são 'os mesmos
que dizem que nós estamos sempre intervindo na América
Latina'", recorda a reportagem, "ele estava incluindo o Brasil,
que expressou sua preocupação em relação
aos esforços dos Estados Unidos".
Diplomacia
ativa
Citando a participação brasileira em crises regionais,
como os conflitos diplomáticos envolvendo Colômbia e Venezuela,
e a liderança das tropas do país no Haiti, a revista nota
que a diplomacia brasileira é "dificilmente ociosa"
na América Latina. "E Lula, um dos mais populares chefes
de Estado do mundo, se tornou talvez o mais efetivo intermediário
entre Washington e a ressurgente esquerda antiamericana latino-americana".
A reportagem discute a preferência
da diplomacia brasileira por atuar nos bastidores, e sua autodefinição
como sendo "decididamente não-intervencionista".
"Ao mesmo tempo, Lula está
em uma cruzada para tornar o Brasil, que tem a quinta maior população
mundial e a nona economia do mundo, um ator internacional sério",
diz o texto.
"É difícil
manter uma tradição não-intervencionista pristina
com ambições como estas - e, cada vez, o hemisfério
está dizendo ao Brasil que é um tanto ingênuo insistir
que é possível fazer as duas coisas."
Para a Time, "goste ou
não, agora o Brasil está enfiado até o pescoço
em Honduras, e o hemisfério está esperançoso de
que isto signifique melhores prospectos para um acordo negociado entre
Zelaya e os líderes golpistas".
"Porque acreditam que o
golpe hondurenho envia um recado perigoso para as nascentes democracias
da região, muitos analistas acham que ter o peso do Brasil jogado
mais diretamente na situação pode ajudar as negociações."
|
Agência Brasil, 1
de outubro de 2009
Desigualdade na distribuição
de terra é a mesma de 20 anos atrás
De acordo com dados do Censo Agropecuário
2006 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a desigualdade na distribuição de terras permaneceu
inalterada nos últimos 20 anos. Enquanto as unidades rurais com
até 10 hectares ocupam menos de 2,7% da área total dessas
unidades, a fatia ocupada pelas propriedades com mais de mil hectares
concentram mais de 43% da área total. Essa realidade é
a mesma indicada nos Censos Agropecuários de 1985, 1995-1996
e 2006.
Quando se observam os dados regionais, no entanto, há significativas
diferenças. A Região Sul, por exemplo, apresenta a menor
desigualdade na distribuição das terras entre os diferentes
extratos de área, especialmente nos municípios colonizados
por italianos e alemães situados no noroeste do Rio Grande do
Sul, na região vinícola da Serra Gaúcha, e aqueles
que se localizam na região da agroindústria de aves e
suínos, no oeste catarinense e sudoeste paranaense. De acordo
com o levantamento, isso se explica pela "estrutura fundiária
consolidada pela presença da produção colonial
do migrante europeu".
Na outra ponta, fica a Região
Nordeste, com elevados níveis de concentração de
terras na porção leste do Maranhão e em grande
parte do Piauí. O processo de ocupação do território
desde o período colonial, marcado pela economia escravista e
grandes propriedades pastoris do sertão, ajuda a explicar o panorama,
segundo o estudo.
Além disso, a Região
Centro-oeste também vem apresentando desigualdade na distribuição
de terras motivada, de acordo com os técnicos do IBGE, pela expansão
da soja, que também ocorre nas regiões de Cerrado do oeste
baiano. O cultivo desse produto exige emprego de tecnologia e articulação
com o comércio mundial de commodities agrícolas, o que
impõe uma escala de grande produção para garantir
a inserção no mercado.
Censo
do IBGE mostra que 1 milhão de crianças trabalhava na
agropecuária em 2006
Em 2006, havia mais de 1 milhão de crianças com menos
de 14 anos trabalhando na agropecuária. Além disso, oito
em cada 10 produtores rurais são analfabetos ou não concluíram
o ensino fundamental. O problema da baixa escolaridade entre as mulheres
é ainda mais grave. Enquanto entre os produtores o analfabetismo
chega a 38,1%, entre as produtoras, o índice é de 45,7%.
Urbanização
Os maiores percentuais de produtores
analfabetos ou sem nenhum estudo estão concentrados nas Regiões
Norte (38%) e Nordeste (58%). Já na Centro-Oeste (13%) e na Sudeste
(11%) aparecem os níveis mais elevados de produtores com grau
técnico agrícola ou ensino médio completo.
O levantamento mostra também
que com a urbanização do país o pessoal ocupado
nas propriedades rurais está diminuindo. Entre o censo de 1995-1996
e o de 2006, a queda foi de 7,2% - menos intensa, no entanto, do que
a observada na década anterior (-23,3%). Ainda assim, em 2006,
quase dois em cada dez trabalhadores do país estavam empregados
em propriedades agropecuárias. Desse total, 30,5% eram mulheres.
As pequenas unidades eram as
principais empregadoras, respondendo por 84,36% dos trabalhadores rurais.
O documento destaca que, embora cada uma delas gere poucos postos, essas
propriedades empregam 12,6 vezes mais trabalhadores por hectare do que
as médias (área entre 200 e 2 mil hectares) e 45,6 vezes
mais do que as grandes propriedades.
Apenas duas em cada 10 propriedades
rurais no país desenvolvem atividades com base em orientações
técnicas. Essas unidades ocupam 46% das terras e têm área
média de 228 hectares. As estruturas governamentais respondem
por esse tipo de apoio em 43% dos casos, sendo voltado principalmente
a unidades menores, com área média de 64 hectares. Já
as grandes propriedades, com área média de 506 hectares,
são atendidas, principalmente, por empresas privadas de planejamento.
Orientação técnica
Em toda a Região Norte
e Nordeste, além de Minas Gerais, de Mato Grosso do Sul, Mato
Grosso e do Distrito Federal, houve um grande avanço referente
a orientação técnica de origem governamental. Por
outro lado, os técnicos do IBGE destacaram que nos estados do
Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina,
e de Goiás foi observada significativa redução
de tal prática.
O estudo destaca, ainda, que
do total de produtores agropecuários, apenas dois em cada dez
tem pelo menos o ensino fundamental completo, e ressalta que o grau
de instrução da pessoa responsável pela propriedade
tem forte relação com o acesso à orientação
técnica. Entre aqueles com instrução igual ou inferior
ao ensino médio incompleto, apenas 16,8% receberam tais conhecimentos.
Por outro lado, entre os produtores com nível superior (excetuando-se
os com formação em ciências agrárias e veterinária)
a assistência técnica alcança 44,7% das unidades.
Outro aspecto que influenciou
a obtenção do auxílio foi o sexo do produtor. As
unidades rurais dirigidas por mulheres que não receberam instruções
técnicas somaram 87,3%, mais do que as dirigidas por homens na
mesa situação: 76,5%. O estudo revela que elas têm
níveis de escolaridade mais baixos do que os produtores.
Produção orgânica
A agricultura orgânica
ainda é pouco adotada nas propriedades rurais do país.
Apenas 1,8% do total de produtores brasileiros usam tal técnica.
Os ramos mais freqüentes nesse setor foram a pecuária e
criação de outros animais (41,7%) e a produção
das lavouras temporárias (33,5%). A maior parte dos produtos,
no entanto, é voltada à exportação (60%),
especialmente para o Japão, os EUA e a União Européia,
além de mais 30 países.
Segundo o IBGE, entre os principais
produtos orgânicos que seguem para o mercado externo são
produtos in natura e processados da soja, açúcar e arroz
(com origem na lavoura temporária), além do café
e do cacau (com origem na lavoura permanente), e os provenientes da
pecuária e da criação de pequenos animais (carnes,
leite e derivados do mel) e do extrativismo (principalmente palmito).
Organização social
No mercado nacional, o estudo
mostra que a agricultura orgânica está presente de forma
mais intensa no ramo da horticultura/floricultura (4,5%), que inclui
a produção de frutas, verduras e legumes. Esses itens,
conforme destaca o documento, têm peso significativo no mercado
interno e são comercializados em diferentes pontos de venda nas
grandes metrópoles, como redes de economia solidária entre
produtores e consumidores e feiras livres locais.
O levantamento traz ainda informações
sobre o perfil do agricultor que se dedica a essa prática. Na
maior parte dos casos, trata-se do proprietário das terras exploradas
(77,3%) - quatro em cada dez têm o ensino fundamental incompleto
(41,6%) e dois em cada dez não sabem ler nem escrever.
Além disso, mais da metade
deles não participa de qualquer organização social
(54,0%), mas entre os que têm vínculo organizacional, 36,6%
são ligados a associações, sindicatos e outras
entidades. Segundo os técnicos do IBGE, esse cenário indica
um resultado relevante ante os organizados em cooperativas, que representam
apenas 5,9% dos agricultores dedicados à agricultura orgânica.
Agrotóxicos
O uso de agrotóxicos
nas propriedades rurais brasileiras é mais comum em unidades
dirigidas pelos proprietários, esse número chega a 78,4%,
e o equipamento mais usado é o pulverizador costal (69,1%), que
tem maior potencial de exposição. Além disso, em
mais da metade das unidades onde a prática foi verificada, os
responsáveis não receberam orientação técnica
(56,3%) do governo, cooperativas ou da iniciativa privada.
O levantamento do IBGE traça
um perfil da atividade no país, desenvolvida em 5,2 milhões
de unidades rurais, incluindo entre outros dados aqueles sobre produtores,
estrutura fundiária, técnicas usadas e pessoal ocupado.
De acordo com o pesquisador da Coordenação de Recursos
Naturais do IBGE Eupídio Fontes, receber orientação
técnica é fundamental “não apenas para reduzir
o uso desses produtos, mas principalmente para diminuir os impactos
na saúde e no meio ambiente”.
Segundo ele, esse tipo de orientação
pode incentivar os produtores a adotarem técnicas como as da
agricultura orgânica. “Ele pode aos poucos adotar algumas
condutas, que também tem um retorno econômico crescente,
como a rotação de culturas e o controle biológico,
que são capazes de reduzir o nível de ataques de insetos
e pragas, sendo menos ofensivos à saúde do produtor e
do consumidor.
Ensino
Fontes lembrou que dados divulgados
recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) mostram que o Brasil lidera o ranking mundial de uso de agrotóxicos.
“É um mercado que movimenta cerca de US$ 7 bilhões
por ano com a comercialização do produto.
O pesquisador destacou ainda
que, na maioria das propriedades onde houve aplicação
de agrotóxicos, o responsável pela direção
dos trabalhos declarou ter ensino fundamental incompleto ou nível
de instrução menor (77,6%), o que de acordo com o pesquisador
do IBGE potencializa os riscos de intoxicação.
“Para usar os agrotóxicos
o produtor tem que ler a bula com as orientações de uso.
Se ele tem baixo nível de escolaridade, às vezes nenhuma
escolaridade, isso vai dificultar bastante a utilização
conforme o fabricante determina, o que aumenta muito o potencial de
intoxicação”, disse Fontes.
|
Folha de S.Paulo, 1 de outubro
de 2009
BC cogita alta de juro até
início de 2010
Em encontro com Lula, Meirelles diz que economia
pode estar aquecida demais em 2010 e ameaçar meta de inflação
| Alta mais cedo do que prevê mercado pode facilitar queda da
Selic antes da eleição e ainda desarmar mudança
na poupança
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião anteontem,
o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva que a recuperação econômica
do Brasil acontece acima das expectativas do mercado e que poderá
ser necessária uma elevação dos juros básicos
até o início de 2010 a fim de combater alta da inflação.
Segundo a Folha apurou, Lula ficou preocupado com eventual subida de
juros, mas também se mostrou positivamente surpreso, pois a avaliação
reservada de Meirelles foi otimista em relação ao crescimento
da economia. Normalmente, Meirelles é uma voz mais conservadora
no governo.
Publicamente, o presidente do BC tem dito que acha razoável a
estimativa do mercado de crescimento do PIB de 4,5% em 2010. Reservadamente,
porém, crê que a economia poderá estar crescendo,
no início do ano, a uma taxa anualizada superior a 5%.
Isso exigiria uma ação preventiva de elevação
dos juros, para sinalizar ao mercado austeridade monetária e
evitar remarcação de preços. É o movimento
do BC para interferir na chamada curva futura de juros. Ou seja, sinaliza
austeridade, e o mercado reduz sua previsão futura de Selic levando
em conta essa atitude.
Uma elevação da Selic feita até o início
de 2010 permitiria ao BC eventualmente voltar a reduzir a taxa no auge
da campanha eleitoral, entre julho e setembro do ano que vem. Hoje,
a Selic está em 8,75% ao ano, o menor patamar de juros básicos
reais e nominais desde a estabilidade econômica pós-Plano
Real (1994).
A última vez em que o BC elevou os juros foi em 10 de setembro
de 2008, na quarta-feira anterior à quebra do Lehman Brothers.
Subiu de 13% para 13,75% ao ano.
Na última pesquisa semanal feita pelo BC com analistas do mercado
financeiro, a previsão é de alta dos juros no segundo
semestre do próximo ano.
Filiação
ao PMDB
Anteontem, Meirelles se reuniu com Lula para obter o aval do presidente
à sua filiação ao PMDB. O presidente aprovou, e
Meirelles é cotado para disputar uma vaga de senador em 2010
por Goiás. É remota hoje a chance de ele virar candidato
a vice na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que deve disputar
o Palácio do Planalto pelo PT.
Além da filiação partidária, Lula e Meirelles
trataram do cenário econômico para o ano eleitoral. O presidente
do BC tem a preocupação de que um ritmo forte de crescimento
leve a uma taxa de inflação acima da meta de 4,5% ao ano.
Lula e Meirelles desejam combinar as medidas necessárias para
manter a economia nos eixos com o discurso político-eleitoral
mais vantajoso. Elevar juros gera protesto de empresários e sindicalistas,
mas não seria tema de debate popular. No entanto, o eleitorado
levaria mais em conta, avaliaram os dois, a inflação,
que se reflete nas compras cotidianas.
Durante a campanha eleitoral, se a oposição criticar o
governo por eventual alta dos juros, Lula e o PT julgam que poderiam
usar o argumento de que a taxa é baixa na comparação
histórica e que a medida seria necessária para evitar
alta da inflação, o que preservaria o poder de compra.
Uma eventual alta da Selic em ano eleitoral seria curta e pequena, de
acordo com a perspectiva apresentada a Lula pelo presidente do BC.
Para Lula, uma boa performance econômica em 2010 será um
grande ativo eleitoral, pois ainda estaria viva na memória da
população a lembrança da crise. Isso daria ao governo
discurso para dizer que teve competência para evitar um desastre.
A elevação dos juros, que tem sido motivo de tensão
nos quase sete anos de Lula no poder, poderia ajudar o governo a resolver
um problema político. A alta da Selic tornaria desnecessário
o envio ao Congresso de um projeto de lei para modificar as regras da
caderneta de poupança, que traz desgaste político.
|
Folha de S.Paulo, 1 de outubro
de 2009
Lula revê o projeto de taxar
as poupanças
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A possível elevação
dos juros básicos até o início de 2010 e a resistência
de sua base de apoio congressual levaram o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva a reavaliar a proposta de cobrar IR (Imposto de Renda)
a partir do ano que vem das cadernetas de poupança com saldo
superior a R$ 50 mil.
Por ora, Lula estuda se modifica ou abandona de vez a proposta de projeto
de lei elaborada pela Fazenda. Em reunião com auxiliares anteontem,
o presidente disse que voltaria a reexaminar o tema até o dia
20 a fim de tomar uma decisão definitiva.
Tem crescido no entorno de Lula a avaliação de que talvez
seja melhor do ponto de vista político-eleitoral não alterar
as regras da poupança e deixar o assunto para o próximo
governo.
Essa avaliação ganhou corpo depois de o presidente do
Banco Central, Henrique Meirelles, dizer a Lula que o BC poderia voltar
a elevar os juros básicos. Isso compraria tempo, diz um auxiliar
do presidente. O argumento principal para cobrar IR de poupadores acima
de R$ 50 mil é evitar que o ganho da caderneta se torne mais
vantajoso dos que os fundos de renda fixa que são remunerados
com base na Selic.
Trocando em miúdos: mantida a remuneração da poupança,
que é fixa, haveria um piso para a queda dos juros. Se o BC tiver
de elevar a taxa, adia-se o problema, pois ainda haveria um diferencial
que favorece o aplicador em renda fixa, evitando migração
para a poupança.
Em reuniões anteontem, Lula foi avisado de que é forte
a resistência de sua base de apoio no Congresso à ideia
de taxar a poupança. Aliados do presidente, como o senador Francisco
Dornelles (PP-RJ), sugeriram o aumento do piso para cobrança
de IR, de R$ 50 mil para R$ 100 mil. Um ministro de Lula fala em manter
os R$ 50 mil, mas cobrar apenas de novas poupanças. Ou seja,
as que forem abertas a partir de 2010, quando valeria o imposto, e que
fossem superiores aos R$ 50 mil. (KA)
|
Agência Câmara,
1 de outubro de 2009
Projeto torna obrigatória
identificação de madeira
A Câmara analisa o Projeto de Lei 5362/09, do deputado Vital do
Rêgo Filho (PMDB-PB), que torna obrigatória a identificação
de madeira extraída de áreas de floresta. A medida será
obrigatória desde as etapas de extração e transporte
da matéria-prima até a comercialização.
O projeto estabelece que a identificação
será executada por meio de técnica cientificamente confiável,
não sendo suficiente a declaração emitida pelo
responsável pela matéria-prima ou pelo produto comercializado.
Rêgo Filho explica que,
embora existam no Brasil exemplos de madeiras com selo e certificado
de procedência, muitas espécies nobres e em risco de extinção
ainda são retiradas e vendidas sem que o Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou
órgão fiscalizador estadual consigam impedir seu comércio
imediato.
Segundo o deputado, há
uma necessidade urgente de identificação rápida
de espécies de árvores nobres que são transformadas
em toras. "Quando uma árvore é transformada em uma
pilha de madeira ou mesmo num móvel, fica muito difícil
saber de qual espécie era", exemplifica.
O projeto estabelece que o prazo
para a identificação da madeira será definido em
regulamento posterior à aprovação da lei.
Nova
tecnologia
A proposta não especifica a técnica que será utilizada
para identificar a madeira. Rêgo Filho informa, no entanto, que
já existe uma tecnologia que identifica o DNA em animais e plantas
com um código de barras. A técnica foi desenvolvida em
2003, no Canadá, e já é adotada em alguns países
em áreas relacionadas à segurança alimentar, à
prevenção de doenças e ao controle ambiental.
Segundo o deputado, o código
de barras para o DNA é uma ferramenta rápida e de baixo
custo para identificar espécies de flora e fauna. Por meio dessa
técnica, as sequências de DNA extraídas e identificadas
podem ser comparadas com outras no Genbank, uma base de dados na internet
que contém quase 300 mil sequências genéticas.
O acesso ao banco de dados (Genbank)
não tem custo. O consórcio que o administra - integrado
por 160 organizações científicas e reguladoras
de 50 países e baseado na Smithsonian Institution, em Washington
- se comprometeu a manter essas bases gratuitas e abertas a todos.
A previsão do consórcio
é que, em pouco tempo, funcionários poderão contar
com leitores sem fio de código de barras de DNA em seus cinturões
para identificar as espécies instantaneamente.
Tramitação
A proposta será analisada em caráter
conclusivo pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
-
PL-5362/2009
|
Agência Câmara,
1 de outubro de 2009
Gestor do FGTS é contra
uso do fundo para capitalizar a Petrobras
Em debate sobre o projeto que prevê a capitalização
da Petrobras para exploração da camada do pré-sal,
secretário-executivo do Conselho Curador do fundo ressalta que
sua finalidade é ser um investidor social, e não investir
em ações.
O secretário-executivo
do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS), Paulo Eduardo Cabral Furtado, disse nesta quarta-feira na Câmara
que o colegiado que administra o fundo está preocupado com a
rentabilidade dos trabalhadores, mas que "a maior contribuição
que o fundo pode dar é fomentar a geração de empregos"
por meio do financiamento de projetos na área de habitação,
infraestrutura e saneamento.
Por isso, ele apoia a decisão
do governo de não autorizar novos aportes do FGTS na anunciada
capitalização da Petrobras para exploração
do pré-sal, prevista no Projeto de Lei 5941/09. O assunto foi
discutido em audiência pública na comissão especial
que examina a proposta.
"O fundo não foi
criado com essa finalidade [investimento em ações no mercado
financeiro]. Ele nasceu para ser um investidor social, para melhorar
a qualidade de vida da população brasileira", afirmou
Furtado. Ele lembrou que a Lei 11.491/07 autorizou o Conselho Curador
do FGTS a constituir um fundo de investimentos, administrado pela Caixa
Econômica Federal, para aplicar recursos em infraestrutura.
O secretário anunciou
que o conselho vai se reunir no dia 27 de outubro para decidir se autoriza
os trabalhadores a adquirir cotas desse fundo de investimentos com recursos
do FGTS. A primeira aplicação do fundo rendeu 10,6% entre
setembro de 2008 a setembro de 2009, contra uma rentabilidade de 5,7%
(TR mais 3%) das contas do FGTS no mesmo período. "E a tendência
é crescer, porque esse fundo tem uma gestão qualificada",
ressaltou.
O deputado Carlos Zarattini
(PT-SP) recomendou que o conselho adie a decisão para aguardar
o desfecho da tramitação dos projetos que tratam do pré-sal.
Para ele, é preciso ter muita cautela com medidas que podem descapitalizar
o FGTS.
O deputado Pedro Fernandes (PTB-MA)
também manifestou apreensão quanto ao esvaziamento do
fundo de garantia. "Todo trabalhador quer aplicar 10 para ganhar
90, mas perde-se a solidariedade do fundo. Preocupa-me muito quando
se pensa em tirar dinheiro do fundo, que faz um grande papel social,
para aplicar na Petrobras", afirmou.
Rentabilidade
negativa
Estudo da Comissão Mista de Orçamento aponta que entre
2000 e 2009 o rendimento dos trabalhadores titulares de contas vinculadas
do FGTS foi 13,7% inferior à inflação medida pelo
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Isso significa
que o trabalhador que tivesse R$ 100 no FGTS no início do período
analisado hoje teria apenas R$ 88,76.
Segundo o estudo, se os trabalhadores
tivessem investido essa mesmo quantia em ações da Petrobras
na Bolsa de Valores no ano 2000, para cada R$ 100 teriam hoje R$ 691,97.
Em 2000, os trabalhadores puderam aplicar até 50% de seus saldos
no FGTS em ações de estatais.
"O estudo mais adequado
para essa questão é aferir a rentabilidade do fundo durante
a existência da TR. De 1993 para cá, considerando o IPCA,
ganhamos da inflação em 22%", rebateu Furtado.
De acordo com o secretário-executivo
do FGTS, é correto o comprometimento dos recursos do fundo com
programas do governo. Segundo ele, só o programa Minha Casa,
Minha Vida receberá R$ 23 bilhões do FGTS em 2009. "Está
dando certo. O fundo tem 43 anos e está muito bem de saúde",
destacou.
|
Repórter Brasil,
1 de outubro de 2009
Senado: projeto de lei autoriza terceirização
rural e facilita ação de "gatos"
Por Maurício Hashizume, na Agência
Repórter Brasil
Senadores analisam proposta
de alteração na lei que abre brecha para a terceirização
indiscriminada do trabalho no meio rural. A mudança pode facilitar
a ação dos "gatos", como vulgarmente são
conhecidos os aliciadores que atuam no campo brasileiro.
O Projeto de Lei do Senado (PLS
171/04), do falecido senador Ramez Tebet (PMDB/MS), legaliza a contratação
rural temporária de até 90 dias, prorrogáveis pelo
mesmo período.
A matéria foi aprovada
na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e está
sendo discutida atualmente na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ).
A legalização
do trabalho rural temporário e terceirizado é defendida
com unhas e dentes pela bancada ruralista. Na CRA, a relatoria coube
à senadora Kátia Abreu (DEM/TO), que acumula as funções
de presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária
(CNA) e repete a mesma função na CCJ.
A despeito do empenho ruralista,
representantes do Governo federal e da sociedade civil não estão
de acordo com o conteúdo do PLS 171/04.
Na última quarta-feira
(23), a CCJ promoveu uma audiência pública sobre a matéria
e o placar entre os convidados para a mesa foi quase uma goleada: quatro
se mostraram contrários à mudança e dois foram
a favor.
Os dois apoiadores da proposta
- Henrique Soares, representante adicional da CNA, e Adriano Alves,
da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) - se
ancoraram basicamente no entendimento de que deve haver isonomia entre
trabalhadores rurais e urbanos e na necessidade de adaptação
da lei vigente (mais especificamente do artigo 4º da Lei 6.019,
de 3 de janeiro de 1974) diante da modernização ocorrida
no campo nas últimas décadas.
As questões da isonomia
e da modernização aparecem desde a justificação
do autor do projeto, em 2004. Antes de sua morte em 2006, Ramez alegava
que "o agronegócio não pode ser excluído desse
tipo de contratação [temporária e sujeita à
terceirização] se quisermos afastar todas as formas ilegais
a que os trabalhadores rurais são submetidos".
"A área rural tem
um enorme potencial em termos de geração de emprego e
a modernização da legislação vigente trará,
sem dúvida alguma, bons e rápidos resultados", pregou.
No mesmo texto de apoio ao projeto,
contudo, o então senador apresentou números reveladores
de pesquisa organizada pela própria CNA: 88,81% dos proprietários
rurais consultados contratavam apenas temporários; 6,48% empregavam
trabalhadores permanentes e temporários; e apenas 4,70% se valiam
apenas de empregados permanentes.
Em vez de buscar o aumento do
vínculo trabalhista permanente no campo, o que está sendo
proposto pelo projeto de lei é a legalização de
práticas precarizadas. Por essa e por outras razões, a
maioria dos participantes da audência pública da CCJ se
pronunciou abertamente de forma contrária à proposta.
De acordo com Marcelo Campos,
que representou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na ocasião,
Certamente abrirá espaço para um maior aprofundamento
de fraudes e supressão de direitos trabalhistas.
Marcelo lembra que a autorização
de trabalho temporário terceirizado já vem provocando
controvérsias no meio urbano, pois abre brechas para fraudes
às leis trabalhistas por meio de empresas de intermediação
de fachada.
A prevalência da subsidiaridade
- e não da solidariedade - na lei da terceirização
urbana acaba, na avaliação dele, por desobrigar empresas
diretamente beneficiadas pelos serviços prestados por intermediários
no que diz respeito ao pagamento dos direitos caso esses agentes não
cumpram seus deveres.
O representante do MTE ressalta
ainda que muitos "gatos" têm recorrido à abertura
de empresas individuais com o objetivo de executar legalmente essa intermediação.
Para ele, a interferência do "gato" será referendada
a partir da aprovação do referido projeto de lei.
O MTE, o Ministério Público
do Trabalho (MPT) e a Justiça do Trabalho vêm atuando justamente
no sentido de coibir a ação dos "gatos" e de
suas atividades criminosas de aliciamento.
"Querem igualar o trabalhador
urbano e o trabalhador rural sem levar em conta a garantia dos direitos.
Precisamos caminhar para assegurar mais, e não menos, direitos",
complementa Débora Farias, que representou a Associação
Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT) na audiência pública
da CCJ.
A permissão do trabalho
temporário terceirizado no campo tornará o trabalho de
quem está na base produtiva ainda mais instável e vulnerável.
Por causa da sazonalidade do setor agropecuário, já existem
formas específicas de contratação para safristas.
Inclusive, a MP 410/07, transformada
em lei, abriu a possibilidade de contratação por dois
meses sem a necessidade de assinatura da Carteira de Trabalho e Previdência
Social (CTPS).
Segundo Débora, o projeto
de lei apenas agrava esses problemas, pois vai na contramão da
busca histórica por instrumentos que possam garantir maior vinculação
- e não menor - entre empregado e empregador.
Como exemplo dessa busca, ela
cita iniciativas de usinas de cana-de-açúcar que têm
optado pela suspensão do contrato e pela capacitação
dos empregados - inclusive com ajuda de recursos do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT) - durante o período da entressafra, sem
rompimento de vínculos.
"Mesmo com a sazonalidade,
é possível manter o contrato de trabalho".
"Esse projeto vai no sentido
contrário. Ele oficializa a vulnerabilidade do peão de
trecho, que migra de região para região em busca de empreitadas",
completa Débora.
As motivações
econômicas dos empregadores são evidentes: ao final do
contrato temporário, o empregado tem direito apenas a uma pequena
parcela da verba rescisória e não recebe a parcela de
40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) relativo
ao período em que esteve ativo.
Apenas os patrões, na
visão dela, têm a ganhar. "O problema da informalidade
não está na falta de leis trabalhistas. Falta cumprir
o que a lei determina".
Durante a audiência pública,
a posição contrária dos representantes do MTE e
da ANPT foi corroborada por Ary Faria Marimon Filho, diretor de Assuntos
Legislativos da Associação Nacional dos Magistrados do
Brasil da Justiça do Trabalho (Anamatra), e por Antônio
Lucas, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
(Contag), único representante dos empregados na mesa.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
01 de outubro de 2009 | Economia
Greve dos bancários já conta
com mais de 500 agências fechadas no Estado
Flávio Laginski
A paralisação nacional dos bancários vem ganhando
cada vez mais força no Brasil e no Paraná. Ontem, o Sindicato
dos Bancários de Curitiba e Região informou que foram
registradas novas adesões.
Agora são 503 agências
bancárias fechadas em todo o estado e aproximadamente 16,5 mil
trabalhadores de braços cruzados. Permanecem com as atividades
suspensas seis centros administrativos.
O banco HSBC conseguiu na última
terça-feira interdito proibitório nos seus quatro centros,
contudo os bancários não estariam trabalhando e seguido
com o protesto, segundo informações do sindicato. O interdito
para as agências do Bradesco continuam vigorando.
Hoje pela manhã
está marcado um ato dos bancários no centro de Curitiba,
na Rua XV de Novembro, protestando contra os banqueiros. Às 10h,
ocorre a negociação entre a Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf) com a Federação
Brasileira dos Bancos (Febraban), em São Paulo. Conforme for
o resultado desse encontro, haverá uma assembleia para decidir
pela continuidade ou não da greve.
|
Gazeta do Povo, 1 de outubro
de 2009
Trabalho
8,6 mil podem ficar sem salário
durante a greve
Paralisação dos bancários
afeta funcionários públicos temporários,que precisam
receber na boca do caixa; sindicato diz que pode abrir “exceções”
para o atendimento
Cerca de 8,6 mil funcionários
públicos temporários do estado do Paraná estão
sujeitos a não receber salário em função
da greve dos bancos. Esse número de trabalhadores representa
45% do total contratado por meio do Processo de Seleção
Simplificado (PSS) e recebe os vencimentos diretamente na boca do caixa,
por meio de ordem de pagamento. A maior parte dos “PSS”,
como são chamados, trabalha na rede estadual de ensino.
A professora de Filosofia Débora
Teófilo conta que passou a manhã e a tarde de ontem procurando,
sem sucesso, uma agência aberta do Banco do Brasil para receber
os proventos. “Tenho cheque caução para resgatar,
aluguel para pagar, as contas do mês. Quem vai pagar isso tudo,
e os juros do atraso do pagamento?”, questiona Débora,
que trabalha no núcleo de educação do Cajuru. Ela
também destacou que, para os contratados em regime de PSS, o
próprio vale-transporte é recebido em dinheiro junto com
o salário. “Se eu não conseguir sacar o salário,
não vou poder pagar nem o ônibus para ir trabalhar.”
A dependência do serviço
bancário pessoal se aplica aos contratados do estado que não
têm conta no BB, instituição que faz os pagamentos
do governo. Débora afirma que tentou abrir uma conta no banco
para poder sacar o salário nas máquinas de autoatendimento,
mas a agência pede um comprovante de renda e uma carta da secretaria
de Educação confirmando o vínculo de emprego –
dois documentos difíceis de obter quando o contrato de trabalho
é temporário. “Já solicitei essa carta, mas
estou esperando desde abril”, diz a professora, que foi contratada
em março deste ano.
A secretaria de Educação,
no entanto, informa que os professores contratados recebem por ordem
de pagamento apenas o primeiro salário. Depois disso, uma conta
deve ser aberta no BB. A Secretaria de Administração,
responsável pelo pagamento dos servidores, informou que o pagamento
já foi feito ao banco, e – como não pode pagar em
espécie – falta esperar que seja feito o repasse ao trabalhador.
Até o início da noite de ontem, a assessoria informou
que não havia sido registrada reclamação de funcionários,
e que o órgão iria avaliar a ocorrência de problemas.
Aposentados
O diretor de finanças
do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Antônio
Luiz Fermino, informou que exceções à greve podem
ser abertas para atender a população. De acordo com ele,
o funcionalismo municipal foi atendido ontem na agência central
do banco Santander. “Abrimos uma única agência para
atender essa necessidade do trabalhador. Isso tudo pode ser negociado.
É preciso ver o volume da demanda e estudar uma ação
nesse sentido”, afirmou. Ainda segundo Fermino, o acesso aos caixas
automáticos da Caixa Econômica Federal estará livre
hoje para o pagamento dos aposentados do estado.
Serviço essencial
O poder público precisa
garantir a prestação dos serviços essenciais à
população, de acordo com a chefe da divisão jurídica
do Procon-PR, Marta Favreto Paim. Ela explica que o pagamento do trabalhador
é um desses serviços que se enquadram no artigo 11 da
Lei de Greve (7783/89). Ele define a obrigatoriedade de “garantir
a prestação dos serviços indispensáveis
ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade”,
mesmo durante uma paralisação.
“Não é justo
para o consumidor não conseguir este serviço, em um momento
inadiável, como o acesso ao seu salário por meio de um
caixa humano”, diz a advogada. Caso o cidadão se depare
com essa situação, a orientação é
procurar uma delegacia de polícia. “Ele precisa registrar
um Boletim de Ocorrência. E a polícia, na condição
de poder público, tem que garantir que o consumidor seja atendido”,
afirma.
Negociação
Na manhã de hoje, bancários
e representantes dos bancos devem se reunir para dar seguimento às
negociações salariais, paradas antes da deflagração
da greve. Uma assembleia dos bancários em Curitiba está
marcada para avaliar a possível nova proposta patronal às
17 horas e eventualmente pôr fim à paralisação.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
01/10/2009
Controle de idas do empregado ao banheiro
resulta em danos morais
A Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho negou provimento ao agravo de instrumento da Teleperformance
CRM S.A. e, na prática, manteve a condenação da
empresa de pagar indenização no valor de dez mil reais
a ex-empregada de telemarketing que teve as idas ao banheiro durante
o serviço divulgada entre os colegas.
Segundo o relator, ministro
Renato de Lacerda Paiva, não houve violação do
artigo 818 da CLT (que estabelece que a prova das alegações
incumbe à parte que as fizer) e do artigo 186 do Código
Civil (que trata de ato ilícito cometido contra outro), como
alegado pela defesa da Teleperformance. Por essa razão, o recurso
de revista da empresa não poderia ser admitido para rediscutir
a condenação imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 9ª Região (PR).
Ainda de acordo com o relator,
ficou comprovado no processo que a empresa produziu uma planilha para
controlar as idas ao banheiro dos empregados que prestavam serviços
de telemarketing – o que, em princípio, não seria
um ato abusivo. O problema, explicou o ministro, é que a empresa
distribuía a planilha entre os próprios funcionários.
A conduta da empresa de divulgar
essas informações deu margem a comentários e brincadeiras
que, no entender da trabalhadora, eram ofensivas a sua honra, sendo
este, portanto, o nexo causal que justificou a condenação
da Teleperformance.
|
01/10/2009
Auxílio do INSS não reduz valor
de indenização por danos materiais
O recebimento de auxílio-acidente
pela Previdência Social não impede que o trabalhador vítima
de acidente profissional receba também, de forma integral, pensão
vitalícia por dano material sofrido. A decisão é
da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho, em julgamento de recurso contra
o Banco Bradesco S.A., interposto por uma bancária, aposentada
por invalidez.
O ministro relator do processo
na SDI-I, Aloysio Corrêa da Veiga, ao fundamentar seu voto, acentuou
que “recebimento do benefício previdenciário não
implica a exclusão, em absoluto, da reparação pelo
dano causado ao reclamante em decorrência de ilícito praticado
pela empresa.”
Com 40 anos de idade e 15 anos no Bradesco,a trabalhadora foi aposentada
devido à Lesão por Esforço Repetitivo (LER). A
Oitava Turma do TST, em julgamento anterior, havia se manifestado pela
limitação da pensão vitalícia por dano material
à diferença entre o valor do benefício previdenciária
e o salário recebido à época do acidente, mantendo
o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG), no sentido de que a indenização devida pelo Bradesco,
no caso do acidente de trabalho em questão, seria apenas para
reparar perda de patrimônio, de forma a evitar a redução
salarial com a aposentadoria precoce.
Já os ministros da SDI-1,
seguindo o voto do relator, concluíram que a legislação
vigente estabelece a obrigação de reparo material, ante
a incapacitação ou redução da capacidade
de trabalho. “Mesmo percebendo benefício da aposentadoria
por invalidez, o acidente trouxe grandes infortúnios à
trabalhadora, dentre eles, o prejuízo financeiro, com a interrupção
do trabalho em plena produtividade”, concluiu o ministro relator
do processo na SDI-1. (E-RR-983/2005-097-03-00.0)
(Augusto Fontenele)
|
FETRACONSPAR, 01 de outubro de 2009 | Eventos
Visita
FETRACONSPAR recebe o Presidente da FETICOM/SÃO
PAULO
Na tarde desta quarta-feira
(30/09), o presidente da Federação dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção e do Mobiliário
de São Paulo – FETICOM/SÃO PAULO
- EMÍLIO ALVES FERREIRA JUNIOR, esteve na sede
da FETRACONSPAR, para visita ao presidente da entidade
GERALDO RAMTHUN.
A noite dará posse aos
membros da Comissão Nacional no Amianto - CNTA.
|
FETRACONSPAR, 01 de outubro de 2009 | Eventos
Assuntos Internacionais
Dirigentes Sindicais da FETRACONSPAR
participam de reunião com a ICM em São Paulo
|
| Da
esq,: ANTONIO BARROS FRANÇA (SITRACOCIFOZ
Foz do Iguaçu), ANTONIO SARTOR (SOMSJOP
São José dos Pinhais),
NILTON BETIM (SITIM Jaguariaíva) e JOÃO
MARIA VIANA (SOMPAR Paraná). |
Os dirigentes sindicais da Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário do Estado do Paraná – FETRACONSPAR
- ANTONIO BARROS FRANÇA (SITRACOCIFOZ Foz do
Iguaçu), NILTON BETIM (SITIM Jaguariaíva),
JOÃO MARIA VIANA (SOMPAR Paraná) e ANTONIO
SARTOR (SOMSJOP São José dos Pinhais), estiveram
em São Paulo, nos dias 09 e 10/09/2009, para participarem da
Reunião de Assuntos Internacionais com a ICM (Internacional de
Trabajadores de la Construcción y la Madera).
Nesta reunião em que
foi levantado como são feitas as certificações
das empresas internacionais como a Arauco, levando em consideração
todas as irregularidades (segurança, saúde, atraso de
pagamento, moradia, mão de obra informal e etc...).
Todas as empresas que são
certificadas assumem o compromisso de cumprir com as CCT´s da
OIT- Organização Internacional do Trabalho e são
fiscalizadas e se necessário autuadas.
Clique
e confira o Relatório da Reunião
|