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Agência Senado, 17
de dezembro de 2009
Congresso flexibiliza
superávit para incluir Minha Casa, Minha Vida e aprova novos
créditos ao Orçamento
Projeto aprovado em sessão do Congresso Nacional, nesta quarta-feira
(16) altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de
2010 para permitir a ampliação do valor que o governo
poderá abater da meta de superávit primário deste
ano, ajuste decorrente da inclusão do programa Minha Casa, Minha
Vida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O acordo de votação com a oposição possibilitou
ainda a aprovação de mais sete dos quase 60 pedidos de
créditos adicionais ao Orçamento vigente solicitados
pelo governo nos últimos meses. (PLN 90/09)
Fixado na LDO em até R$ 22,5 bilhões, o valor a ser
reduzido do superávit poderá chegar agora a R$ 29,8
bilhões. As despesas do PAC não contam para o cumprimento
da meta de economia que o governo deve fazer para pagar os juros
da dívida pública, mas o orçamento do Minha
Casa, Minha Vida estava fora do montante que poderia ser abatido
porque a inclusão desse programa o PAC só ocorreu depois
que a LDO já vigorava.
Nos debates, o líder do PSDB na Comissão Mista de
Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização
(CMO), deputado Otávio Leite (RJ), condicionou o apoio de
seu partido à flexibilização do superávit
para incluir o programa Minha Casa, Minha Vida diante de "compromisso
público" do governo ao atendimento de demandas no Orçamento
de 2010. Um dos pleitos diz respeito a recursos para compensar estados
exportadores pelas isenções tributárias nos
termos da Lei Kandir.
Outros dois pontos se relacionam à previsão de recursos
para aquisições de produtos agrícolas como parte
da política de preços mínimos e, ainda, dotações
extras para ações na área de saúde, inclusive
para o pagamento de atendimento hospitalar de média e alta
complexidade.
Como a reunião começou ainda sem consenso sobre o
PLN 90/09, a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti
(PT-SC), chegou a tirar essa proposta da lista dos que seriam examinados.
Ao fim, depois de consultas ao relator-geral do projeto do Orçamento
de 2010, deputado Geraldo Magela (PT-DF), sobre os pontos reivindicados,
a análise da proposta para flexibilizar o superávit
em razão do projeto habitacional para a baixa renda foi retomada
e confirmada sua aprovação.
Não houve acordo, no entanto, para votação
de dois pedidos de créditos que eram negociados, um desses
o PLN 53/09, que prevê crédito especial de R$ 23,4 milhões
em favor do Ministério da Fazenda e na rubrica encargos financeiros
da União. No Ministério da Fazenda, R$ 15,8 milhões
devem ser aplicados entre outros fins, para pagamento de tarifas
ao Banco Central, por parte da Secretaria do Tesouro Nacional, pelo
uso do chamado Sistema de Transferência de Reservas (STR).
O outro (PLN 86/09) autoriza gastos de R$ 98,7 milhões nos
ministérios da Previdência Social e do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome.
Na noite de terça-feira (15), um primeiro acordou permitiu
a aprovação de sete pedidos de crédito que liberaram
para diversos órgãos R$ 282,8 milhões esse ano.
Nesta quarta-feira, entre os sete projetos com autorização
para despesas, há propostas que viabilizam a execução
de emendas parlamentares. Depois da aprovação desse
conjunto de projetos, a reunião foi suspensa, devendo ser
reaberta à noite,
a partir das 20h, para exame de novos projetos desse tipo.
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MPAS, 17 de dezembro
de 2009
PREVIDÊNCIA:
Proteção previdenciária atinge marca de 27 milhões
de beneficiários
A Previdência Social alcança, neste mês de dezembro,
a marca de 27 milhões de beneficiários em todo o Brasil.
A garantia de proteção social a um número tão
expressivo de trabalhadores foi destacada nesta terça-feira
(15), em Brasília, na abertura da reunião do Conselho
Nacional de Previdência Social (CNPS). O segurado Damião
Armando de Souza, 53 anos - que acaba de se aposentar como contribuinte
individual -, recebeu um certificado do presidente do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS), Valdir Simão.
Simão afirmou que a garantia do pagamento de benefícios
a mais de 27 milhões de beneficiários em todo o Brasil é uma
marca que deve ser registrada. Ele destacou que o principal objetivo
da previdência vem sendo cumprido: pagar uma folha desse porte
com a responsabilidade devida. “Temos cumprido nossa função
de pagar às pessoas certas, nos valores corretos e em dia,
em todos os municípios mais distantes do país”,
disse.
Damião de Souza, mineiro de Januária, chegou a Brasília
com os pais, em 1968. Ele trabalhou com carteira assinada, entre
1973 e 1996, e, após esse período, tornou-se autônomo – vendedor
ambulante de lanches - e manteve o vínculo com a previdência
como contribuinte individual. Ao somar 35 anos de contribuição,
procurou uma Agência da Previdência Social e obteve o
benefício. “Foi tudo muito simples, pois eu tinha todos
os comprovantes dos pagamentos”, destacou.
Ele afirmou que sempre manteve suas contribuições em
dia, por considerar a proteção previdenciária
uma garantia de futuro seguro. “Trabalhei desde cedo para construir
minha vida e cuidar da família – esposa e três
filhos – e me esforcei ainda mais para manter o pagamento das
contribuições como autônomo, mas valeu a pena.
Agora terei um futuro tranqüilo, com a renda do benefício
e ainda os recursos que vêm do meu trabalho”, finalizou.
Antes de ser autônomo, Damião manteve vínculo
empregatício durante 25 anos.
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InfoMoney, 17
de dezembro de 2009
CNI prevê forte
aceleração em 2010 e estima PIB brasileiro na casa
de 5,5%
Apesar de mostrar sinais de recuperação, o PIB (Produto
Interno Bruto) brasileiro durante o terceiro trimestre ficou aquém
das expectativas na variação trimestral, ao marcar crescimento
de 1,3%.
Quando postada a média dos três trimestres do ano,
verifica-se recuou de 1,7% frente ao mesmo período do ano
passado, queda que só será revertida no último
trimestre deste ano, segundo aponta relatório da CNI (Confederação
Nacional da Indústria). A expectativa é de crescimento
nulo para o acumulado de 2009.
A recuperação prevista pela confederação
reflete o otimismo para o resultado do PIB no quarto trimestre. Segundo
os economistas, a economia brasileira crescerá 5,1% no próximo
trimestre, com a recuperação do varejo e da construção
civil, que deverá mitigar o fraco desempenho do setor industrial.
Caso se confirme o forte crescimento no quarto trimestre, a CNI
prevê um 2010 de forte aceleração para o Brasil,
com crescimento anual de 5,5%, aproximando-se do desempenho verificado
entre 2007 e 2008.
Componentes
Com a recuperação do mercado de trabalho e um
cenário de inflação controlada na faixa de 4,7%,
haverá um incremento real na renda do trabalhador, prospecta
a CNI, que garantirá uma expansão mais intensa da massa
salarial.
Neste cenário ótimo, os economistas acreditam que
haverá uma expansão de 5,6% do consumo das famílias
no ano que vem, subsidiado pelo aumento do fluxo de crédito
e pelos gastos do governo, que estará em ano de eleição.
Sustentado pelo consumo interno e pela Formação Bruta
de Capital Fixo, que deve saltar para 14% em 2010 ante uma variação
negativa de 10,8% neste ano, a economia brasileira terá potencial
para crescer 5,5%, sem a dependência direta do setor externo,
que terá contribuição negativa no ano que vem,
segundo a CNI.
Junto ao setor de varejo, a indústria será o motor
do crescimento do PIB em 2010, acredita a confederação,
diante o ajuste dos estoques por parte das empresas e consequente
aceleração da produção industrial, que
deve proporcionar um crescimento de 7,0%.
A maior atividade econômica contribuirá na expansão
dos investimentos na produção, uma vez que os investimentos
que foram interrompidos com a crise voltem a fluir. Além disso,
o aumento da confiança dos empresários será importantíssimo
para o viés positivo, revela a CNI.
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Agência Diap, 17
de dezembro de 2009
Senado aprova projeto
(PLS 248/06) que regulamenta taxa assistencial
O projeto regulamenta a taxa assistencial em favor dos sindicatos
por ocasião da assinatura dos acordos e convenções
coletivas de trabalho. Foi uma vitória do movimento sindical
Em votação simbólica, o plenário do Senado
aprovou no início da noite desta quarta-feira (16), o PLS
248/06, do senador Paulo Paim (PT/RS), que regulamenta a taxa assistencial
em favor dos sindicatos por ocasião da assinatura dos acordos
e convenções coletivas de trabalho.
O projeto vai ao exame da Câmara dos Deputados - Casa revisora.
Méritos
O senador Paim, autor deste importante projeto recebe os méritos
e os aplausos do movimento sindical, porque atendeu um apelo das
entidades para apresentar a matéria para discussão
no Senado.
O mérito também é do FST (Fórum Sindical
dos Trabalhadores) que trabalhou incansavelmente pela aprovação
do projeto, nas comissões temáticas, e no plenário.
"Fizemos o dever de casa", disse o coordenador nacional
do FST, José Augusto, que contribui efetivamente para aprovação
do projeto.
Cerca de 70 líderes sindicais estiveram no Senado, entre
esta terça-feira (15) e hoje para conversar como os líderes
partidários e os senadores, que foram procurados um por um
para tratar da votação da matéria.
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Agência Brasil, 17
de dezembro de 2009
Caged: número
de empregos criados em novembro é recorde
O mês de novembro foi responsável pela geração
de 246.695 vagas de emprego formal, informou nesta quarta-feira o ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, com dados do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged). A cifra é a melhor para o mês
de nomembro da série histórica e representa quase o dobro
do último recorde registrado em novembro de 2007, com 124.554
vagas.
No acumulado do ano, já foram criados 1,41 milhão de
postos de trabalho com carteira assinada. Em 2008, no acumulado de
11 meses, haviam sido gerados 2,107 milhões de empregos formais.
O saldo de 246.685 vagas de emprego de novembro é resultado
de um volume de 1.413.043 pessoas admitidas contra 1.166.348 desligados
no mesmo período. Desde janeiro de 2003, início do primeiro
mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram geradas
9.131.274 vagas formais de emprego.
O ministro Lupi estima que dezembro de 2009 será o melhor
para o período, com a menor demissão da história
para o último mês do ano, com estimativa de 200 mil
desligamentos contra uma média de 300 mil demissões.
Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva afirmou que, em 2009, o saldo de geração de posto
de trabalho com carteira assinada deveria superar o patamar de 1,3
milhão.
"É o melhor novembro da história e um comportamento
que não é do padrão normal. Teve uma precipitação
de demissões, o mercado interno está aquecido, e as
empresas contrataram mais para atender a demanda. Vamos ter um dezembro
fenomenal para o comércio. Será o melhor dezembro do
governo Lula para o comércio e o melhor Natal de todo o governo
Lula por causa do aquecimento da economia. Vamos ter um aquecimento
da economia no final do ano e no início do ano. O Brasil hoje é o
puxador de empregos", comentou o ministro.
"Minha previsão para o final de ano vai ser mais de
1,1 milhão. Prevejo que vai ser o dezembro com o menor saldo
negativo da história", disse Carlos Lupi, voltando a
estimar em 2 milhões o saldo de geração de empregos
para o próximo ano.
O recorde de geração de empregos em novembro é justificado
pela expansão dos setores de comércio, com criação
de 116,57 mil vagas; de serviços, com 87,25 mil postos; e
da indústria de transformação, com 39,59 mil
novas vagas de emprego com carteira assinada.
O setor de construção civil, com 17,79 mil postos,
completa o rol de setores positivos em novembro. Em sentido contrário
e justificado pela entressafra, o setor agropecuário teve
redução de 16,62 mil vagas, ainda menos desfavorável
que a média histórica do Caged para o setor no período
(saldo negativo de 34,9 mil).
Na avaliação do ministro do Trabalho, o resultado
positivo de 2009 na geração de empregos demonstra que
houve uma precipitação de setores da economia por conta
da crise financeira mundial. "Houve uma precipitação
da indústria, muita gente indo no 'oba-oba' e aproveitando
a crise internacional para aumentar sua margem de lucro, mas a economia
brasileira reagiu rápido, tem um mercado interno muito forte",
comentou.
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Congresso em Foco, 17 de
dezembro de 2009
Senado aprova projeto
que cria vale-cultura
Mário Coelho Os senadores aprovaram na noite desta quarta-feira (16) o projeto
do Executivo que cria o vale-cultura. Segundo o projeto, o vale-cultura
deverá ser oferecido preferencialmente a trabalhadores com
renda mensal de até cinco salários mínimos (R$
2.325). Quando o benefício estiver garantido aos empregados
que recebem até esse teto, o vale-cultura poderá ser
estendido aos demais servidores. Como foi aprovada uma emenda estendendo
o benefício para compra de revistas e jornais, o texto voltará para
análise da Câmara.
o vale-cultura deverá ser oferecido preferencialmente a trabalhadores
com renda mensal de até cinco salários mínimos
(R$ 2.325). Quando o benefício estiver garantido aos empregados
que recebem até esse teto, o vale-cultura poderá ser
estendido aos demais servidores.
O valor mensal do vale-cultura, por usuário, será de
R$ 50. Para trabalhadores com renda mensal até cinco salários
mínimos, poderá ser descontado percentual máximo
de 10% desse valor. Acima dessa faixa de renda, o desconto poderá ficar
entre 20% e 90%, de acordo com a respectiva faixa salarial, na forma
do regulamento. O vale-cultura deverá ser oferecido, preferencialmente,
por meio magnético, e ficará a critério do trabalhador
receber ou não o benefício.
O valor despendido a título de aquisição do
vale-cultura poderá ser deduzido do imposto de renda devido
pela pessoa jurídica beneficiária tributada com base
no lucro real. A dedução será limitada a 1%
do imposto sobre a renda devido.
Para que o programa seja implementado, a proposição
prevê que o valor absoluto das deduções do imposto
de renda deverá ser fixado anualmente na Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO), com base em percentual do imposto
devido pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro
real.
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Gazeta do Povo, 17 de dezembro
de 2009
Pesquisa
Trabalho infantil cai 42% em 15 anos
Relatório da Organização Internacional do Trabalho
elogia iniciativas brasileiras e mostra que renda na vida adulta cai
para quem trabalhou na infância
Brasília - A quantidade
de crianças e adolescentes inseridos no mercado de trabalho
caiu cerca de 40% em 15 anos. De acordo com a pesquisa Perfil do
trabalho decente no Brasil, publicada ontem pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT), em 1992 havia 8,42 milhões
de trabalhadores com idade entre 5 e 17 anos. Uma década e
meia depois, em 2007, o número caiu para 4,85 milhões.
As informações são da Agência Brasil.
O relatório considerou que a experiência brasileira
de prevenção e eliminação do trabalho
infantil é reconhecida internacionalmente e que os resultados
alcançados são expressivos. Entre crianças de
10 e 14 anos, os índices caíram de 20,5% para 8,5%
entre 1992 e 2007. Mas os dados da última Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílio (Pnad) revelam uma desaceleração
na trajetória de redução do trabalho infantil
nos últimos anos. De acordo com o estudo, essa desaceleração
se deve à manutenção no nível de ocupação
de crianças entre 5 e 13 anos de idade (em torno de 4,5%),
desde 2004, mas que o mesmo não ocorre com as demais faixas
etárias (14-15 e 16-17 anos).
Acidentes
Os dados mostram ainda que o trabalho infantil no Brasil recruta
mais meninos do que meninas – 66% contra 34%. As crianças
estão mais expostas aos riscos no trabalho do que os adultos,
uma vez que ainda estão em processo de formação
e as condições em que as atividades laborais ocorrem
são frequentemente insalubres. As consequências, de
acordo com o relatório, não se resumem a acidentes,
mas também a doenças osteomusculares, já que
os instrumentos não foram dimensionados para crianças.
Entre menores acidentados, o principal tipo de problema foi corte
(50%), seguido por fraturas ou torções (14%) e por
dor muscular, cansaço, fadiga, insônia ou agitação
(9,7%).
A OIT classifica o trabalho infantil como um grande obstáculo
ao trabalho decente e ao desenvolvimento humano, não apenas
pelos efeitos imediatos, mas também pelos reflexos no futuro.
Um estudo elaborado pela própria entidade em 2005 indica que
a incidência do trabalho infantil resulta em menor renda na
idade adulta. Pessoas que começaram a trabalhar antes dos
14 anos têm uma probabilidade muito baixa de obter rendimentos
superiores a R$ 1 mil mensais ao longo da vida, enquanto a maioria
das que entraram no mercado antes dos 9 anos tem baixa probabilidade
de receber rendimentos superiores a R$ 500 mensais. As possibilidades
de obter rendimentos superiores ao longo da vida laboral são
maiores para aqueles que começam depois dos 20 anos. Um dos
fatores que, segundo o estudo, podem explicar essa relação é a
probabilidade de que as pessoas tenham níveis superiores de
escolaridade e qualificação.
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Gazeta do Povo, 17 de dezembro
de 2009
PIB
Cinco cidades têm 44% da
riqueza do Paraná
Dados do IBGE referentes a 2007 revelam
que concentração
regional e dependência do setor público persistem na economia
brasileira Apenas cinco municípios
do Paraná concentraram 44% de toda a riqueza produzida no
estado em 2007. Sozinha, Curitiba ficou com uma fatia de 23,4% do
Produto Interno Bruto (PIB) estadual daquele ano. No Brasil, o fenômeno é parecido:
cinco cidades detiveram um quarto do PIB nacional em 2007. Os números
constam da pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), que revela, além da
concentração regional, outra persistência antiga
da economia brasileira: a alta dependência do setor público.
Há dois anos, 34% dos municípios do país tinham
mais de um terço de suas riquezas geradas pela administração
pública. Além disso, segundo o levantamento, o peso
do setor público no PIB brasileiro cresceu de 12,6% em 2004
para 13,3% em 2007. Nesse quesito, entretanto, Curitiba se destaca
como uma das três capitais com menor participação
econômica do Estado, com apenas 7,3% do seu PIB atrelado aos
serviços públicos.
Naquele ano, as capitais com maior dependência da máquina
estatal foram Brasília (48,3%), Boa Vista (39,7%) e Macapá (39,0%).
Por outro lado, a menor participação do serviço
público na formação do PIB ocorreu em Vitória
(4,5%) e São Paulo (5,9%). “Concentrar toda a capacidade
de geração de riquezas em uma única atividade é prejudicial.
Principalmente quando essa atividade é o setor público.
Se as finanças públicas vão mal, toda a economia
pode ser comprometida. Nesse aspecto, Curitiba apresenta uma posição
bem menos menos frágil do que outras capitais”, avalia
o doutor em economia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
Marcelo Curado.
No plano nacional, a pesquisa do IBGE também confirma um velho
retrato de concentração econômica: apenas cinco
cidades abocanham 25% da economia do país. As 50 cidades de
maior PIB produzem metade de todas as riquezas do país. Pelos
dados do IBGE, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília,
Belo Horizonte e Curitiba eram, nessa ordem, os de maior produção
de riquezas.
Em termos regionais, Curitiba contribuiu com 23,4% da economia paranaense.
Araucária veio em seguida, com participação
de 5,9%. São José dos Pinhais (5,3%), Londrina (4,9%)
e Paranaguá (4,3%) completam a lista dos municípios
que produziram a maior parte das riquezas no estado.
O economista Masimo Della Justina, professor da Escola de Negócios
da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR),
ressalta que a concentração de riqueza é um
aspecto estrutural e contínuo na economia brasileira. “O
problema é que, quanto mais concentrada for, mais
difícil fica para se descentralizar e levar o desenvolvimento
para outras regiões do estado ou do país. Não
vejo, dentro dos esforços do governo, nenhuma iniciativa que
leve à desconcentração”, avalia.
O economista ressalta ainda que, mais importante do que a própria
geração de riquezas dessas regiões, é como
essa população usufrui da riqueza gerada. “O
que interessa, efetivamente, é quanto do que é gerado
fica nas mãos de cada cada brasileiro. E essa distribuição
só é possível por meio de políticas públicas
eficientes, que garantam acesso à saúde, educação
e segurança – além de uma justiça tributária
que ajude a diminuir essas diferenças”, argumenta.
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Gazeta do Povo, 17 de
dezembro de 2009
Investimento
FGTS permitirá aplicação
em infraestrutura
Os trabalhadores com contas do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço
(FGTS) terão no ano que vem uma chance de aumentar seus rendimentos
com a aplicação de até 30% do saldo em um fundo
de infraestrutura gerido pela Caixa Econômica Federal. O investimento
apresenta uma rentabilidade próxima de 10% ao ano e, como
está ligado a projetos do próprio governo, tem risco
baixo. “Não há dúvida de que é uma
opção melhor do que deixar o dinheiro parado. O retorno
do FGTS é muito baixo, de 3% ao ano mais a TR”, comenta
o economista Jackson Sandrini, professor da Universidade Federal
do Paraná (UFPR).
A Caixa deve abrir uma oferta pública até março
para captar R$ 2 bilhões dos depósitos do FGTS. O dinheiro
entrará no Fundo de Investimento em Cotas do FGTS (FIC-FGTS),
que administra a aplicação e ainda precisa do aval
da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os recursos
serão então emprestados para a construção
de obras de grande porte nos setores de saneamento, portos, aeroportos,
entre outros. O rendimento vem da taxa de juros aplicada nos financiamentos,
da qual são retirados encargos e provisões por causa
da inadimplência.
“É uma forma do trabalhador fugir da TR, um indicador
muito baixo, que não repõe a inflação”,
diz Sandrini. Neste ano, o rendimento das contas do FGTS está abaixo
de 4%, ou seja, não vai repor nem a inflação
do ano, que ficará na casa dos 4,5%, segundo o IPCA.
Na última vez em que houve uma alternativa de aplicação
do FGTS, os cotistas puderam comprar ações da Vale – a
opção deu um retorno de aproximadamente 1.000% desde
2002. A captação será feita através de
uma oferta pública gerida pela Caixa. Se a adesão for
maior do que os R$ 2 bilhões, haverá um rateio das
cotas, que precisam ser mantidas por pelo menos 12 meses. O resgate
do dinheiro obedece às mesmas regras do FGTS: pode ser feito
em caso de demissão sem justa causa, compra da casa própria,
entre outras ocorrências. Caso o modelo funcione, o Conselho
Curador do Fundo poderá lançar outras ofertas, totalizando
R$ 5 bilhões.
Passo a passo
Veja como funciona a aplicação
no FIC-FGTS:
1 - A Caixa fará uma oferta pública dizendo
os prazos e a forma da adesão ao fundo.
2 - O cotista do FGTS dirá quanto quer aplicar, até o
limite de 30% do saldo.
3 - Se a demanda for acima dos R$ 2 bilhões, haverá um
rateio das cotas entre os interessados.
4 - A aplicação precisa ser mantida por pelo
menos 12 meses.
5 - O resgate ocorre sob as mesmas regras que regem as contas
do FGTS.
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Folha de S.Paulo, 17 de
dezembro de 2009
PT vota proposta de
plebiscito sobre Constituinte em 2010
Consulta, que precisa ser aprovada
pelo Congresso, seria feita no mesmo dia da eleição
Objetivo é transformar a reforma política
em tema da campanha; deputados devem usar tempo na TV para falar
sobre o
assunto
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PT decidiu transformar a reforma política em tema da campanha
eleitoral de 2010 e, em seu congresso nacional, em fevereiro, votará uma
proposta de realizar um plebiscito sobre o tema no mesmo dia da eleição
presidencial do ano que vem. Nesse mesmo congresso será lançada
oficialmente a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff.
O autor da ideia do plebiscito é Francisco Rocha, um dos principais
ideólogos da ala que controla o partido, a Construindo um
Novo Brasil (CNB).
A CNB acaba de vencer com folga a eleição para renovação
da direção petista e, na prática, controlará a
campanha de Dilma. A esse grupo, além do presidente Lula,
pertence o ex-senador José Eduardo Dutra, que em fevereiro
será empossado presidente do PT e coordenador da campanha.
Recentemente, uma proposta semelhante de plebiscito para reforma
política foi apresentada pelo deputado federal Raul Jungmann
(PPS-PE).
Além da proposta do plebiscito, o congresso deverá votar
e aprovar uma sugestão do próprio Dutra de reservar
parte do horário eleitoral de rádio e TV para que deputados
da legenda defendam a reforma política."
Esse assunto [reforma política] o Congresso Nacional só vai
votar se houver pressão de fora para dentro", diz Dutra.
Nos últimos três anos, a Câmara dos Deputados
por duas vezes colocou em pauta temas como financiamento público
de campanhas, voto em listas partidárias, fim das coligações
proporcionais, cláusula de barreira e fidelidade partidária.
Nas duas vezes, as propostas foram derrubadas por forte oposição
suprapartidária.
O PT, desde 2007, defende uma Constituinte exclusiva para tratar
do assunto, mas sempre pela via parlamentar, ou seja, a partir da
aprovação de uma emenda constitucional.
Vários de seus líderes vêm chegando à conclusão
de que apenas o caminho congressual não basta. "Já apoiamos
a tese da reforma política há algum tempo, mas não
prosperou muito. Tem que haver um movimento que inclua a sociedade
civil", afirma Francisco Rocha.
Ele diz que ainda está fazendo consultas dentro e fora do
partido sobre os termos exatos da pergunta, que possivelmente faria
referência à tese de uma Constituinte só para
a reforma.
Para que o plebiscito ocorra, é necessária a aprovação
de um projeto de decreto legislativo pelo Congresso, por maioria
simples na Câmara e no Senado. Apesar de a proposta ser realizá-lo
no mesmo dia do primeiro turno (3 de outubro), a consulta não
interfere diretamente na eleição. É desnecessário,
portanto, aprová-lo com um ano de antecedência.
O prazo também não é tão exíguo
quanto parece. Da última vez em que houve um plebiscito, sobre
a proibição da venda de armas, a aprovação
pelo Congresso se deu em julho de 2005, e a consulta foi feita em
outubro do mesmo ano."
Reforma política só acontece com o envolvimento da
população. Ou a gente busca uma forma de envolver a
população, ou a reforma não sai", diz o
deputado José Genoino (PT-SP).
Nos bastidores do partido, admite-se que é difícil
um plebiscito ser aprovado pelo Congresso no ano que vem.
O PT pretende fazer um gesto político já na campanha,
atrelando o tema à imagem de Dilma. E apostando que sua representação
e a de aliados vai crescer na próxima legislatura, quando
então seria mais realista aprovar as propostas.
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Folha de S.Paulo, 17 de
dezembro de 2009
GRATIFICAÇÃO
Empresas
têm de pagar amanhã 2ª parcela do 13º
DA REPORTAGEM LOCAL
As empresas têm de pagar amanhã a segunda parcela do
13º salário deste ano a seus empregados. Esse prazo vale
para quem faz depósito em conta bancária. Para quem
paga em dinheiro -caso dos empregadores domésticos, em sua
maioria-, o prazo final é sábado, dia 19.
O valor a ser recebido amanhã (ou no sábado) será menor
do que o da primeira parcela, paga em 30 de novembro. É que
a segunda parcela tem os descontos da contribuição
ao INSS e do IR, se for o caso.
A contribuição ao INSS pode ser de 8%, 9% ou 11% -o
desconto máximo é de R$ 354,08 (11% sobre R$ 3.218,90,
que é o teto do salário de contribuição).
O desconto do IR na fonte só é feito quando a renda
líquida mensal tributável for superior a R$ 1.434,59.
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Folha de S.Paulo, 17 de
dezembro de 2009
Contribuição
assistencial terá limite
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A contribuição assistencial, descontada do salário
dos trabalhadores, sindicalizados ou não, uma vez por ano,
não poderá ultrapassar 1% do salário-base.
Pelo projeto aprovado ontem por unanimidade no Senado, o percentual
terá que ser decidido em assembleia dos trabalhadores, que
podem optar até pela não cobrança, desde que
essa seja a vontade da maioria.
Será considerado crime do empregador a fraude, o desvio ou
a recusa arbitrária do desconto da contribuição
na folha salarial. As empresas que estiverem em situação
irregular não poderão pedir empréstimos ou participar
de concorrências públicas.
O texto demorou três anos para ser votado no Senado e ainda
tem de passar pela Câmara para virar lei. Prevista na CLT,
a contribuição é usada no financiamento da negociação
coletiva e em outras atividades sindicais.
O senador Paulo Paim (PT-RS), autor do projeto, disse que alguns
sindicatos extrapolam e cobram até 4% da remuneração
do trabalhador, o que justificou o projeto. "Esse percentual é mais
do que um dia de trabalho." Além da contribuição assistencial, os trabalhadores,
sindicalizados ou não, também contribuem uma vez por
ano com o imposto sindical, equivalente a um dia de trabalho.
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Folha de S.Paulo, 17 de
dezembro de 2009
Até 22 mi de
famílias terão luz subsidiada
Câmara aprova projeto que permite descontos de luz para família
com renda per capita de até meio salário mínimo
Texto, aprovado com o apoio da oposição, será sancionado
por Lula e deve custar ao Tesouro cerca de R$ 300 milhões
por ano
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Câmara dos Deputados aprovou ontem projeto de lei que estabelece
descontos na conta de luz para famílias que tenham renda per
capita de até meio salário mínimo, o que pode
elevar dos atuais 14 milhões para cerca de 22 milhões
o número de famílias que hoje estão aptas a
receber o benefício.
Hoje os 11,9 milhões de famílias cadastradas no Bolsa
Família já têm direito a descontos, mas esse
universo está restrito às que tenham renda per capita
de até R$ 140. Pelo projeto, a redução de tarifa
valerá para aquelas com renda familiar per capita de até R$
232,50 -ou de R$ 250 no ano que vem.
O texto, aprovado com apoio da oposição, vai agora
para sanção do presidente Lula. Sua tramitação
se encerra a nove meses das eleições de outubro de
2010, apesar de sua versão inicial ter sido apresentada em
1999 pelo hoje prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).
Durante os dez anos de tramitação, o projeto passou
por várias alterações, tendo sido relatado ontem
pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP).
O texto modifica a lei que trata da "Tarifa Social de Energia" e
prevê que as famílias que se enquadrarem no critério
de renda terão descontos de 65% na tarifa -para consumo mensal
de até 30 kWh- a 10% -para consumo entre 101 kWh e 220 kWh-,
além de isenção total de PIS/Pasep e de Cofins
cobrado nas contas.
Segundo Zarattini, a renúncia do governo na arrecadação
desses tributos está calculada em R$ 300 milhões ao
ano.
As famílias que se enquadrem nas regras precisarão,
caso o projeto seja sancionado e entre em vigor, procurar as prefeituras
para se inscrever no cadastro único dos programas sociais
do governo -ou o Ministério do Desenvolvimento Social caso
a prefeitura não efetue o cadastro. Após isso, receberão
um código com o qual solicitarão o desconto nas concessionárias
de energia.
O projeto prevê que a inclusão de novos beneficiários
só deverá ocorrer após seis meses da entrada
em vigor da lei.
Hoje aqueles que apresentem consumo médio mensal de até 80
kWh têm descontos na tarifa que podem chegar a 65%, independentemente
de serem de baixa renda.
Com isso, dizem os defensores da proposta aprovada ontem, são
beneficiados consumidores de classe média que possuem casas
de veraneio, por exemplo. "Eu, que moro em um flat aqui em Brasília,
posso ser beneficiado, o que é um tremendo absurdo",
disse o relator do projeto.
Pelo projeto, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)
definirá os procedimentos para, em um prazo de dois anos,
excluir do rol dos beneficiários os consumidores que não
se enquadrem no limite de até meio salário mínimo
de renda familiar per capita.
O projeto também beneficia famílias com renda superior,
mas que tenham integrantes com doenças "cujo tratamento
necessite do uso continuado de aparelhos e equipamentos elétricos".
Há também a redução da tarifa a zero
para famílias indígenas e quilombolas inscritas nos
programas sociais do governo que tenham consumo de até 50
kWh/mês.
De acordo com Zarattini, o projeto foi negociado com os ministérios
do Desenvolvimento Social, de Minas e Energia e com a Casa Civil.
Segundo ele, o presidente Lula deve sancioná-lo sem vetos.
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Folha de S.Paulo,
17 de dezembro de 2009
RACHA
Entidade da construção
civil recusa vaga para o Codefat
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de as quatro maiores confederações patronais
terem abandonado o Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo
ao Trabalhador) alegando ingerência do ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, na escolha da presidência do órgão,
o governo enfrenta dificuldades para recompor o colegiado.
A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção
Civil), uma das entidades nomeadas na semana passada pelo presidente
Lula para integrar a nova formação do órgão,
recusou a indicação do Executivo por impossibilidade
de "bem cumprir com os encargos relacionados ao cargo".
No último dia 9, um decreto assinado pelo presidente Lula
nomeou como substitutas, além da CBIC, a CNT (Confederação
Nacional do Transporte), CNS (Confederação Nacional
de Saúde, Hospitais, Estabelecimentos e Serviços) e
Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros
Privados e de Capitalização). A previsão é que
os novos conselheiros tomem posse em janeiro.
O Codefat gere um patrimônio de R$ 158 bilhões.
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Consultor Jurídico,
17 de dezembro de 2009
Longe do Judiciário
OIT
vê progresso em acordos coletivos no Brasil
Por Alessandro Cristo
O
sucesso contínuo na reposição salarial por meio
de acordos coletivos nos últimos anos abre caminho para formas
não judiciais de solução de conflitos. Acordos
e convenções coletivas cada vez mais efetivos, firmados
longe dos tribunais, refletem o amadurecimento de empresas, empregados
e sindicatos na negociação de interesses, o que pavimenta
o caminho para a aceitação da arbitragem e da conciliação
para resolver divergências trabalhistas.
A opinião é de especialistas no Direito do Trabalho
que se depararam com os números mais recentes da Organização
Internacional do Trabalho sobre a qualidade de trabalho no Brasil.
Em relatório divulgado nesta quarta-feira (16/12), a entidade
aponta que, em 2007, 88% dos acordos e convenções coletivas
acompanhadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos) asseguraram a recomposição
de perdas salariais ao menos referentes ao ano-base anterior. Foi
o melhor resultado desde 1996, sendo 2007 o quarto ano seguido em
que as perdas foram compensadas dessa forma, o maior período
em que essas negociações garantiram reposições
e aumento real de salários. A pesquisa avaliou dados de 1992
a 2007.
Os acordos foram mais frequentes na indústria (94%), em seguida
no comércio (85%) e no setor de serviços (81%). Entre
os reajustes que superaram a inflação, 70% ficaram
abaixo de 2% de ganho real, e 2,5% conseguiram superar os 4% de aumento.
“Há um amadurecimento de ambos os lados”, diz
o advogado Geraldo Baraldi, do escritório Demarest & Almeida
Advogados. Na sua opinião, trabalhadores, empresas e sindicatos
demonstram entender que é mais fácil lavar a roupa
suja dentro de casa do que ter de chamar um terceiro distante do
assunto. “Às vezes a decisão da Justiça
não agrada nem o empregador, nem o trabalhador. Ninguém
melhor do que as próprias partes para saber o que lhes interessa”,
diz.
Para Orlando Almeida, do Homero Costa Advogados, o que existe é uma
especialização nas discussões. “O costume
em negociar está ensinando negociação”,
afirma. Segundo ele, o hábito pode abrir caminho para derrubar
a resistência contra a arbitragem na área trabalhista.
O meio é muito usado na área civil e comercial por
ser mais rápido, mas ainda não é bem visto principalmente
pela Justiça, que entende que essa é uma forma de transacionar
direitos, o que é ilegal. “Quando as partes começam
a verificar que negociar é evitar litígios, a tendência é que
formas alternativas de solução ganhem espaço”,
diz ele.
A Justiça também é responsável por esse
resultado, segundo o juiz Rogério Neiva Pinheiro, da 20ª Vara
do Trabalho de Brasília. Ele explica que a Emenda Constitucional
45/04 introduziu o parágradfo 2º ao artigo 114 da Constituição
Federal, determinando que, para o prosseguimento dos julgamentos
de dissídios coletivos na Justiça, é necessária
a concordância entre as partes. “A intenção
do legislador foi de que houvesse acordo, caso contrário,
não existiria solução”, diz. O próprio
Tribunal Superior do Trabalho, segundo ele, também vem flexibilizando
antigas determinações, o que tem ajudado nas negociações. “A
corte já admite que o adicional de periculosidade seja pago
em valor abaixo do legal, e que o intervalo entre as jornadas sejam
fracionados, por exemplo”.
O Perfil do Trabalho Decente no Brasil, relatório divulgado
nesta quarta, foi construído pela OIT com base em dados apurados
até 2007 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
do IBGE. O estudo analisou oportunidades de emprego, jornada de trabalho,
combinação entre trabalho e vida familiar, trabalho
infantil e forçado e ambiente de trabalho seguro. O relatório é um
dos projetos-piloto para avaliar os programas de Trabalho Decente.
O Brasil participa como voluntário juntamente com Áustria,
Ucrânia, Malásia e Tanzânia. O projeto foi financiado
pela União Europeia.
O estudo foi apresentado no Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada pelo especialista da OIT José Ribeiro, coordenador
nacional do projeto Monitorando e Avaliando o Progresso do Trabalho
Decente, e teve a participação do diretor de Estudos
e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro.
Entre as boas notícias estão a diminuição
do trabalho infantil, o maior número de trabalhadores registrados
e a maior quantidade de idosos que recebem benefícios como
aposentadoria ou pensão, o que contribui para a aceleração
da economia. De 2003 e 2007, a queda na taxa de desemprego foi constante.
Entre as ruins, a persistência de trabalho forçado,
a constante diferença no salário pago a homens e mulheres
e a negros e brancos na mesma função, e o alto número
de jovens e adolescentes que não estudam nem trabalham.
Embora tenha registrado uma queda na quantidade de horas trabalhadas
acima do permitido semanalmente, o levantamento ainda aponta números
expressivos. Até 2007, a jornada semanal de trabalho era maior
que 44 horas para 35% dos empregados com carteira assinada, e estava
acima de 48 horas para 20% deles. De acordo com Pinheiro, no entanto,
essa realidade tem mudado visivelmente nos últimos dois anos. “A
quantidade de processos sobre horas extras caiu bastante, principalmente
em relação a bancos e supermercados”, diz. “As
Casas Bahia são a única exceção no segmento,
já que esse comportamento hoje é mais comum em médias
e pequenas empresas. Não são raras médias de
quatro horas extras diárias nesses casos”.
Clique aqui para ler a pesquisa.
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Notícias do
Tribunal Superior do Trabalho
17/12/2009
Rejeitada alteração
contratual lesiva a trabalhador
A empresa paulista Comgás terá de pagar diferenças
salariais decorrentes de horas a um empregado que foi prejudicado
por suposta promoção. A Seção I Especializada
em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho
considerou prejudicial a alteração contratual que elevou
o trabalhador da categoria de atendente comercial para a de técnico
de comercialização, com duas horas diárias a
mais de trabalho, mas sem remuneração correspondente.
A Quarta Turma do TST havia decidido contrariamente a esse entendimento
e mantido a sentença do Tribunal Regional da 2ª Região
que, além de ter rejeitado seus embargos, multou-o por litigância
de má-fé. Para o Regional não era possível
comparar as duas funções desempenhadas pelo empregado,
pois uma estabelecia jornada especial de seis horas e a outra jornada
ordinária de oito horas.
Ao analisar o recurso do atendente, sustentando que a alteração
contratual serviu apenas para aumentar a sua jornada de trabalho,
sem compensação salarial, a relatora concluiu que ele
tinha razão, retirou a multa e determinou que lhe fossem pagas
a sétima e oitava horas como extras, com os reflexos deferidos
na sentença, relativas ao período de jan/07 a jul/08,
quando ele estava no suposto cargo de técnico de comercialização
e orientação.
Segundo a relatora, ministra Rosa Maria Weber, o Tribunal Regional
equivocou-se ao empregar o cálculo do divisor 180 para o período
em que o trabalhador exerceu o cargo de técnico comercial,
quando trabalhava, então, 30 horas semanais, sendo que o cálculo
correto do divisor deve ser feito da seguinte forma: 30/6 x 30 =
150. Dessa forma, “cai por terra o argumento de que houve majoração
do salário-hora quando do elastecimento da jornada de empregado
de seis para oito horas.
Quanto à impossibilidade de se comparar as referidas funções,
defendida pelo Regional, a relatora explicou que o “que está em
debate no caso é a possibilidade de ser considerada lícita
a alteração contratual que, a pretexto de ‘promoção’,
ampliou a jornada do empregado, sem aumento proporcional da remuneração”.
O assunto não diz respeito apenas a alteração
contratual lesiva, mas a afronta ao dispositivo constitucional da
irredutibilidade salarial, informou a relatora. A decisão
foi por maioria de votos dos integrantes do colegiado da SDI-1. (E-RR-2935-2001-045-02-00.0)
(Mário Correia)
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17/12/2009
Município de Belém é condenado
por verbas trabalhistas de empregada terceirizada
O município de Belém foi responsabilizado subsidiariamente
pelas verbas trabalhistas devidas a uma empregada terceirizada, contratada
por meio da Federação Metropolitana de Centros Comunitários
e Associações de Moradores – Femecam, para prestar
serviços ao Programa Família Saudável. A condenação
regional foi confirmada pela Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho.
O município se defendeu, sustentando que não seria
o caso de terceirização de serviços públicos,
mas de assistência subsidiada pelo Estado e implementada pela
iniciativa privada. O município teria atuado apenas como mediador
da verba fornecida pela União para implementação
de programa do SUS – Sistema Único de Saúde.
O convênio foi firmado entre a Secretaria Municipal de Saúde
e Meio Ambiente – Sesma e a CCB – Comissão de
Bairros de Belém.
De acordo com o relator na Terceira Turma, ministro Horácio
Senna Pires, uma vez provado que a empregada foi contratada pela
instituição para prestar serviços na área
de saúde, “mediante convênio firmado com o município
de Belém, com quem se configurou o vínculo de emprego,
e não com o ente público, ao qual foi imputada somente
a referida responsabilidade”, não há como avalizar
a alegação municipal de que a decisão violou
o artigo 37, II, da Constituição, e contrariou a Súmula
363 do TST.
O que aconteceu, prossegue o relator, foi que o município
de Belém, por meio de convênio, delegou atribuições
de interesse público a entidade inidônea, que não
pagou as verbas devidas à trabalhadora, apesar de ter recebido
repasses para essa finalidade. Assim o município deve responder
subsidiariamente pelos créditos trabalhistas devidos à empregada,
pois “não foi diligente o suficiente na escolha da entidade
e na fiscalização da aplicação do numerário
transferido”, concluiu o relator, acrescentando que “nesses
casos o município figura como verdadeiro tomador de serviços”.
(RR-642-2007-014-08-00.2) (AIRR-642-2007-014-08-40.7)
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17/12/2009
Norma coletiva de bancário não pode proibir recebimento
de gratificação de função com horas extras
É
inválida norma coletiva de bancário que proíbe
o recebimento cumulativo de gratificação de função
e horas extraordinárias. Por esse motivo, a Seção
I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho, à unanimidade, rejeitou (não conheceu)
recurso de embargos do Banco do Estado do Paraná S/A contra
ex-empregada da empresa.
O relator, ministro Guilherme Caputo Bastos, explicou que, embora
seja um defensor do instituto da negociação coletiva,
a inserção de determinada cláusula em convenção
ou acordo coletivo de trabalho não a torna imune ao crivo
do Poder Judiciário. Em sua avaliação, não
houve ofensa ao artigo 7º, XXVI, da Constituição
que assegura o reconhecimento das convenções e acordos
coletivos de trabalho, como alegado pela parte.
A Terceira Turma do TST também havia rejeitado recurso de
revista do banco nesse tema. O colegiado levou em consideração
a análise das provas feita pelo Tribunal do Trabalho da 9ª Região
(PR), no sentido de que a empregada exercia função
técnica, e não de confiança bancária,
de modo a enquadrá-la na exceção do artigo 224,
parágrafo 2º, da CLT, que autoriza a jornada diária
de oito horas. Na opinião do Regional, a norma coletiva que
afastava o recebimento das horas extras era nula, pois desrespeitava
os comandos legais sobre a matéria.
Na interpretação do ministro Caputo Bastos, de fato,
a norma coletiva não pode prejudicar o trabalhador quando
a lei assegura garantias mínimas (como a jornada do bancário
de seis horas diárias). No caso, a cláusula que estipulou
que a mera percepção de gratificação
retiraria do empregado o direito ao pagamento da sétima e
oitava horas trabalhadas era inválida, até por que
o exercício de função de confiança não
ficou provado.
Ainda de acordo com o relator, as normas coletivas não se
sobrepõem à lei, salvo quando mais benéficas
para o empregado. A jornada especial do bancário é assegurada
por lei devido às peculiaridades dessa atividade profissional
e tem natureza indisponível (sobre a qual não se permite
negociações), porque se refere à segurança
e higiene do trabalho. (E-RR-9898/2002-900-09-00.6)
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FETRACONSPAR, 17 de dezembro de 2009 | Eventos
Campanha Salarial/ Construção
Civil
FETRACONSPAR e SINDUSCON/PR iniciam
negociações para a próxima CCT
Na manhã desta quinta-feira
(17/12), GERALDO RAMTHUN, presidente da Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário do Estado do Paraná - FETRACONSPAR e
DOMINGOS OLIVEIRA DAVIDE, presidente do Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Curitiba -
SINTRACON, participaram na sede do Sindicato
da Indústria
da Construção Civil no Estado do Paraná – SINDUSCON/PR,
de reunião para dar início as negociações para a renovação
da Convenção
Coletiva de Trabalho (CCT) 2010/2011, cuja data base é no
mês
de junho.
Na oportunidade foi apresentada
a Comissão de Negociação para 2010/2011.
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Representantes
do SINDUSCON/PR
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