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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de fevereiro de 2010 | Política
Governo quer correção permanente
do mínimo
Elizabete Castro
Junto com o projeto que reajusta o piso salarial regional, o vice-governador
Orlando Pessuti (PMDB) também apresentou ontem aos deputados
uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que torna permanente a
correção anual do salário mínimo regional,
adotado em 2006.
Na semana passada, o governo
já havia remetido à Assembleia Legislativa uma mensagem
tornando obrigatório o pagamento do piso regional aos trabalhadores
das empresas que prestam serviços terceirizados ao poder público.
A ida do vice-governador Orlando
Pessuti à Assembleia mereceu tratamento de grande evento. A dois
meses de tomar posse com governador, devido ao afastamento do governador
Roberto Requião (PMDB) para disputar as eleições,
em abril, o vice foi à Assembleia acompanhado de representantes
de centrais sindicais (CUT e Força Sindical), que ocuparam as
galerias para manifestar apoio aos projetos.
Aplaudido, o vice e pré-candidato do PMDB ao governo disse que
a participação dos dirigentes e associados das centrais
sindicais na sessão de ontem foi conseqüência natural
das negociações que vinham comandando com as entidades
sobre o projeto do governo. “Nós temos mantido conversas
permanentes com as centrais. A vinda deles é uma manifestação
de apoio à política salarial deste governo”, justificou.
Para sempre
O projeto de reajuste do piso
salarial prevê correções que variam entre 9,25%
a 21,5%, dependendo da faixa salarial. Concebido para servir de referência
para trabalhadores dos setores que não dispõem convenção
coletiva de trabalho, a nova proposta de piso oscila entre R$ 663 e
R$ 765.
O líder do governo, Luiz
Claudio Romanelli (PMDB), disse que os novos valores poderão
vigorar já no mês de abril se houver esforço coletivo
dos deputados para as propostas serem votadas até o final de
março.
Originalmente, o governo estabeleceu
que o piso deveria ser pago a partir de 1º.de maio. O projeto terá
que ser aprovado ainda na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ), antes de chegar ao plenário.
A PEC do governo estipula critérios
de correção dos valores do piso anualmente. Atualmente,
o governo adota algumas medidas de referência para estabelecer
o valor.
A principal é a média
dos salários pagos para os trabalhadores que dispõem de
acordou ou convenção coletiva de trabalho, cujas negociações
são conduzidas por sindicatos.
Conforme o projeto encaminhado
ontem, o reajuste do mínimo regional seria feito a partir da
variação do Produto Interno Bruto (PIB) da economia paranaense
nos dois anos anteriores e a inflação do ano anterior.
Se a PEC for aprovada,
em 2010, o novo governador teria de considerar a variação
do PIB do Paraná do ano de 2009 e a inflação de
2010, que é medida a partir do Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) para estabelecer o novo valor do piso regional.
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AEN - PARANÁ, 09
de fevereiro de 2010
Piso regional vai movimentar por mês
R$ 150 milhões na economia do Paraná
A proposta de reajuste entre 9,5% e 21,5% do piso regional paranaense
foi encaminhada à Assembleia Legislativa nesta segunda-feira
(8) pelo vice-governador Orlando Pessuti. Se aprovado, o piso regional
passará a variar entre R$ 663 e R$ 765 – valores até
50% maiores que o novo salário mínimo nacional (R$ 510).
A estimativa do Departamento Intersindical de Estatísticas e
Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que o aumento cause
um impacto de R$ 150 milhões por mês na economia paranaense.
“A proposta vai fomentar
o desenvolvimento, criando um círculo virtuoso na economia. Com
maiores salários, há mais consumo e, portanto, a indústria,
a agropecuária, a pecuária, o comércio e a prestação
de serviço precisam produzir mais para atender a demanda, gerando
mais emprego e mais renda”, afirmou Pessuti.
O piso regional é aplicado
para os trabalhadores assalariados cujas categorias não possuem
acordo ou convenção coletiva de trabalho. Dados do Instituto
Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostram
que o projeto atinge diretamente 350 mil trabalhadores. Segundo o Dieese,
o piso serve como base também para os segmentos que não
têm convenções coletivas de trabalho. Sendo assim,
influencia direta e indiretamente 1,2 milhão de pessoas.
EMPREGOS –
Para Pessuti, o piso regional tem sido um dos importantes fatores de
geração de emprego no Paraná. A última pesquisa
do Caged, divulgada em janeiro, mostra que, em 2009, o Paraná
fechou o ano com mais de 2,2 milhões de trabalhadores com carteira
assinada. O resultado foi o melhor da Região Sul e a taxa de
crescimento no Estado, de 3,23%, ficou acima da média nacional
(3,11%) e de estados como São Paulo (2,64%), Rio de Janeiro (2,8%)
e Minas Gerais (2,65%).
“O Paraná tem o
maior índice de geração de empregos com carteira
assinada, e altos índices de crescimento na comparação
com outros Estados. Portanto, vemos que o aumento do piso regional não
causará desemprego”, disse Pessuti. “Estamos propondo
índices de reajustes com base em avaliações técnicas
do Ipardes e do Dieese. Queremos assegurar aos trabalhadores não
sindicalizados o salário médio que já vem sendo
praticado pelo mercado. Não estamos criando uma situação
de risco para o empregador, mas dando segurança aos trabalhadores”,
argumentou Pessuti.
O secretário do Trabalho,
Emprego e Promoção Social, Nelson Garcia, afirmou que
o aumento na renda fomenta a economia paranaense, como se pode perceber
desde 2006, quando a política do piso regional foi implantada
pelo governador Roberto Requião. “Se o Paraná hoje
é recordista em geração de empregos, há
forte participação do mínimo regional porque o
dinheiro circulou no Paraná, deu poder de compra aos trabalhadores,
e de venda e produção aos empresários. O mínimo
não vai onerar os empresários, nem mesmo na área
rural, já que haverá aumento na produção”,
afirmou.
INFLAÇÃO
– Estudos do Ipardes e do Dieese mostram ainda que o
aumento do piso regional não causará aumento da inflação.
“O maior aumento proposto é de 21,5%, e que ainda está
abaixo dos preços praticados pelo mercado. Uma série de
políticas – como a do piso regional e a da redução
do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)
sobre os produtos da cesta básica – fez com que a inflação
em Curitiba ficasse, no ano passado, em 3,88% – a mais baixa desde
1987. No Brasil, a inflação foi de 4,67%. Portando, os
pisos regionais paranaenses não são inflacionários”,
afirmou o presidente do Ipardes, Carlos Manuel dos Santos.
O supervisor técnico
do Dieese, Cid Cordeiro, argumenta ainda que com o crescimento da demanda
– resultado do aumento do poder de compra do trabalhador –
há redução de custos para as empresas e o consequente
aumento da produtividade. “Temos uma nova dinâmica da economia,
baseada no mercado interno com o aumento dos consumos pelas famílias
de menor renda. Aliado a isso está a redução da
carga tributária para pequenas e médias empresas. Por
isso não haverá impacto na inflação e no
desemprego, como está confirmado em todos estes anos em que o
piso regional está em vigência”, frisou.
APROVAÇÃO
– De acordo com o presidente da Assembleia, Nelson Justos, o projeto
será lido “imediatamente” e encaminhado ao presidente
da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ),
deputado Durval Amaral, mas ainda não há prazo para votação.
“O deputado Durval Amaral vai nomear o relator e a matéria
será discutida na CCJ, que pode promover audiências com
empregados, empregadores, Fiep, sindicatos patronais, enfim, conversar
sobre a matéria. Mas a CCJ vai agilizar a votação”,
afirmou Justos.
“A Assembleia já
nos deu demonstrações do compromisso que tem com os trabalhadores
quando aprovou a proposta do piso regional em 2006. Não tenho
dúvida de que os deputados estaduais, de todos os partidos, votarão
em favor do novo piso regional. A proposta demonstra o compromisso com
a melhor renda do trabalhador, com políticas públicas
de geração de emprego e de desenvolvimento da economia”,
afirmou Pessuti.
PROPOSTA –
Segundo o Ipardes, o percentual de reajuste foi construído com
base nos salários médios de admissão pagos pelos
empregadores em novembro de 2009, de acordo com registros do Ministério
do Trabalho. A proposta deste ano reduz de seis para quatro as faixas
utilizadas para definir o piso de cada um dos grupos de ocupações.
O grupo I, formado por trabalhadores
na agricultura, que recebem R$ 605,52, passaria a ter como piso R$ 663
– variação de 9,5%. Com o reajuste, os rendimentos
nesta primeira faixa ficariam 30% maiores que o salário mínimo
brasileiro.
No grupo II estão enquadrados
os antigos grupos 2, 3 e 4, trabalhadores em serviços administrativos,
domésticos e gerais, vendedores e trabalhadores de reparação.
O piso estadual aumentaria 11,9%, passando de R$ 615,10 para R$ 688,50.
Na comparação com o nacional, o valor proposto é
35% maior.
Para o grupo III, trabalhadores
na produção de bens e serviços industriais, o mínimo
regional vai de R$ 625,06 para R$ 714 – variação
de 14,2%. Se aceito, o novo salário será 40% a mais que
o brasileiro.
O grupo IV, composto por
técnicos de nível médio, que hoje tem previsto
em lei salários de R$ 629,45, passaria a ter por direito piso
salarial de R$ 765, aumento de 21,5%. Significa que o maior valor do
piso estadual seria 50% mais alto que o salário mínimo
nacional.
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AEN - PARANÁ, 09 de
fevereiro de 2010
Governo propõe piso regional permanente
O vice-governador Orlando Pessuti
entregou à Assembleia Legislativa nesta segunda-feira (8) a Proposta
de Emenda Constitucional (PEC) que torna permanente o piso regional
paranaense e estabelece critérios para o cálculo de reajuste.
“Com a proposta asseguramos aos trabalhadores a correção
dos salários com índices justos, e permitimos aos empregados
se programar, para que possam fazer ainda mais investimentos”,
afirmou Pessuti.
Além de garantir os aumentos
anuais aos trabalhadores assalariados cujas categorias não possuem
acordo ou convenção coletiva de trabalho, a PEC propõe
que, para o cálculo do reajuste, seja usada a variação
do Produto Interno Bruto (PIB) da economia paranaense referente a dois
anos anteriores e a inflação de um ano anterior. Isso
significa que, para reajustes em 2011, será considerada a variação
do PIB do Paraná do ano de 2009 e a inflação de
2010, que é medida a partir do Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo o presidente da Assembleia
Legislativa, deputado Nelson Justos, para a aprovação
da PEC será formada uma comissão específica. Justos
afirmou ainda que poderão ser feitas audiências públicas
para a discussão do projeto com os vários segmentos envolvidos,
como empregadores, empregados, centrais sindicais, Fiep, entre outros.
TERCEIRIZADOS
– Outra proposta foi entregue por Pessuti à Assembleia.
Trata-se do projeto de lei que vincula os salários de funcionários
terceirizados prestadores de serviço ao Estado – como serventes,
faxineiras e copeiras – ao salário mínimo regional
do Paraná. O projeto pretende exigir que todas as pessoas, físicas
ou jurídicas, que venham participar ou já participaram
de processo licitatório para prestarem serviços em órgãos
e empresas públicas da administração direta e indireta
do Estado deverão remunerar seus funcionários com, no
mínimo, o valor atribuído ao piso regional do Estado do
Paraná.
“É uma proposta
promotora da cidadania e da justiça social, com resgate de direitos
não considerados atualmente”, afirmou Pessuti. O vice-governador
esteve na Assembleia para entregar a proposta de reajuste do piso regional
paranaense. Se aprovado, os novos valores aumentarão entre 9,5%
e 21,5% o piso regional, e passarão a variar entre R$ 663 e R$
765 – até 50% maiores que o novo salário mínimo
nacional (R$ 510).
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AEN - PARANÁ, 09
de fevereiro de 2010
Trabalhadores pedem para que deputados
aprovem os projetos do Governo
Representantes do movimento sindical, trabalhadores e membros da sociedade
civil organizada lotaram as galerias da Assembleia Legislativa do Paraná,
na tarde desta segunda-feira (8), para defender o reajuste e permanência
do salário minimo regional. Mais de 800 pessoas acompanharam
o vice-governador Orlando Pessuti na entrega das propostas do Governo
do Estado aos deputados. O objetivo, segundo líderes sindicais,
é pressionar os parlamentares para aprovar os projetos de lei
e, com isso, aumentar em até 21,5% os valores do piso estadual,
além de criar uma política salarial permanente.
“O apoio da classe trabalhadora
mostra que estamos no caminho certo. O governador Roberto Requião
mantém uma relação muito próxima com os
sindicatos, baseada no diálogo franco e aberto. Junto com eles,
discutimos e buscamos novas soluções para problemas antigos.
Todos os anos chamamos os trabalhadores para participar da elaboração
dos reajustes para o salário mínimo, que acreditamos ser
uma política de distribuição de renda. Este ano
a participação se estendeu e deve aumentar até
a aprovação das propostas, que eu acredito que serão
aceitas pelos deputados estaduais”, revela o secretário
do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Nelson Garcia.
Segundo o representante da Federação
dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep),
Jairo Correa de Almeida, as famílias que moram no campo sentem
mais rápido o impacto positivo e aumentam o consumo nas pequenas
e médias cidades do Interior. “Os trabalhadores ganham
mais e podem gastar mais, seja na vendinha da esquina, na compra de
uma máquina nova, ou de roupa para os filhos. Assim que o salário
cai na conta, já tem destino certo e movimenta a economia local”,
explica.
Para o presidente da Força
Sindical do Paraná, Sérgio Butka, este ciclo de consumo
e produção, impulsionado pelo aumento no poder aquisitivo,
é a maior vantagem do piso regional. “O mais interessante
é que o salário minimo paranaense não favorece
apenas quem tem direito a ele, ou seja, os trabalhadores não
organizados em classe ou sem acordo coletivo de trabalho. O piso estadual
gera emprego, renda e qualidade de vida para todos. Basta pensar que
se um fabricante de bicicleta vende mais, porque agora tem mais pessoas
com dinheiro para comprar seu produto, ele vai ter que produzir mais.
Para isso, terá que contratar mais empregados e esse novo funcionário
vai poder comprar outras coisas e assim por diante”, ressalta
ele.
O presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT-PR), Roni Barbosa, lembra que o salário
mínimo paranaense também contribui para as negociações
salariais das mais diversas categorias “puxando para cima”
os valores pagos. “Com o piso, todos os trabalhadores, mesmo os
que têm salário definido em convenção, ganham
mais. Usamos o piso estadual como referencia para os aumentos anuais
e somos indiretamente beneficiados”, conta.
De acordo com o diretor da Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-PR), Zenir Teixeira,
tornar o piso regional permanente é garantir que os avanços
alcançados com ele não sejam perdidos. “Quando o
salário paranaense foi criado, muitos empresários ameaçaram
demitir. Isto não aconteceu. Ao contrário, o Estado bateu
recordes em geração de empregos e hoje somos lideres em
criação de vagas de trabalho com carteira assinada. Nossos
deputados não podem permitir retrocessos neste sentido”,
defendeu ele.
Para o presidente da Nova
Central Sindical de Trabalhadores do Paraná (NCST), Denilson
Pestana, a Proposta de Emenda Constitucional que cria uma política
salarial e determina os critérios a serem usados nos reajustes
futuros favorecem empregados e empregadores. “Hoje temos um governador
com visão em defesa da classe trabalhadora. Amanhã ou
depois podemos ter um governante com outra posição. Com
a PEC teremos direitos garantidos e regras claras. O trabalhador fica
mais seguro e o empresário terá como se adaptar com antecedência”,
disse Pestana.
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FOLHA
DE LONDRINA, 09 de fevereiro de 2010 | Política
Governo monta ‘palanque’ na
entrega do novo mínimo à AL
O vice-governador Orlando Pessuti - pré-candidato
à sucessão de Roberto Requião - entregou pessoalmente
o ‘pacote’ de propostas aos deputados
Curitiba - Pré-candidato do PMDB ao governo do Paraná nas
eleições de outubro, Orlando Pessuti, vice-governador do
Estado, foi pessoalmente ontem à Assembleia Legislativa entregar
o ''pacote'' de propostas relacionadas ao salário mínimo
regional. Membros de centrais de trabalhadores lotaram galerias e até
o plenário da Casa, espaço normalmente restrito aos parlamentares,
para aplaudir o discurso do peemedebista. Depois do discurso, em entrevista
à imprensa, Pessuti negou que se tratasse de um ''palanque'' pré-eleitoral.
''Minha presença era uma reivindicação das centrais
e do próprio governador Requião'', comentou ele. Inicialmente,
a entrega das propostas ao Legislativo estava prevista para o dia 2 de
fevereiro, dia da primeira sessão plenária depois do recesso
parlamentar, mas acabou adiada porque, naquela data, as centrais de trabalhadores
estavam em Brasília.
As três propostas devem entrar hoje na
pauta da Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ). Uma delas prevê um reajuste de até 21,5% no salário
mínimo regional, conforme já anunciado no início
do ano. O piso estadual hoje em vigor varia entre R$ 605,52 e R$ 629,45,
dependendo da categoria de trabalho. Se a proposta do Estado for sancionada,
a variação pode ficar entre R$ 663,00 e R$ 765,00. O mínimo
regional só vale para trabalhador que não possui representação
formal, como o empregado doméstico.
Outra proposta prevê a criação
de um mecanismo que obrigue todas as empresas que têm contrato
com o governo do Estado a pagar para seus funcionários o valor
estabelecido pelo piso regional, no mínimo.
Por último, foi protocolada uma Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) que, no entendimento
da atual gestão, garantiria a permanência de reajustes
semelhantes aos que já foram aplicados. Se aprovada, a Emenda
à Constituição obrigaria o Estado a adotar a mesma
base de cálculo para todos os reajustes futuros do piso regional.
A atual gestão acredita que para se chegar ao índice de
reajuste é preciso levar em conta a variação do
Produto Interno Bruto (PIB) da economia paranaense referente a dois
anos anteriores e a variação da inflação
de um ano anterior. Ou seja, para um reajuste em 2011, por exemplo,
seriam consideradas a variação do PIB do Paraná
do ano de 2009 e a inflação de 2010.
A classe empresarial já se manifestou
contra os índices de reajustes propostos. Ontem, o coordenador
do Conselho Temático de Relações do Trabalho da
Federação das Indústrias do Estado do Paraná
(Fiep), Amilton Stival, reforçou o entendimento: ''O empresário
não é contra o reajuste, e sim os índices anunciados.
E gostaríamos que a classe patronal fosse ouvida''.
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 9 de fevereiro
de 2010
Iniciativa privada
Requião quer eternizar o reajuste
real do piso
Governo do estado envia à Assembleia
emenda constitucional estabelecendo um cálculo imutável
para os aumentos do mínimo regional

Pessuti, em meio a integrantes do governo e sindicalistas, na caminhada
para entregar o pacotão de projetos que beneficiam os trabalhadores
O governador Roberto Requião (PMDB) decidiu “eternizar”
sua política de reajuste acima da inflação para
o salário mínimo regional. Ele quer incluir na Constituição
Estadual a obrigação de a iniciativa privada paranaense
pagar o piso paranaense reajustado todos os anos acima da inflação
aos trabalhadores assalariados cujas categorias não possuem acordo
ou convenção coletiva de trabalho. O porcentual de reajuste
seria definid o por um cálculo que passaria a constar da Constituição:
a variação do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná,
referente a dois anos anteriores, somado ao porcentual da inflação
do ano anterior.
A proposta de emenda constitucional
(PEC) do salário mínimo regional foi encaminhada ontem
à Assembleia Legislativa, juntamente com o projeto de lei que
reajusta o piso deste ano – cujo porcentual de reajuste vai variar
de 9,5% a 21,5%, dependendo da categoria profissional (o piso passa
a variar entre R$ 663 e R$ 765 – o salário das empregadas
domésticas, por exemplo, passaria de R$ 615,10 para R$ 688,50).
Se a PEC for aprovada, portanto,
só terá efeitos para os governadores que vieram depois
dele. Na matemática da emenda constitucional proposta pelo governo,
o cálculo para o aumento salarial em 2011, por exemplo, deve
levar em conta a variação positiva do PIB do Paraná
do ano de 2009 e a inflação de 2010, medida a partir do
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Outro projeto de lei, enviado
por Requião na semana passada à Assembleia, vincula os
salários de funcionários terceirizados prestadores de
serviço ao governo paranaense – como serventes, faxineiras
e copeiras – ao salário mínimo regional do Paraná.
Nenhuma empresa terceirizada vencedora de licitação para
trabalhar para o governo poderá pagar menos que o piso a seus
funcionários.
Debate antes do voto
Os três projetos ainda
não têm data para serem votados. O presidente da Assembleia,
Nelson Justus (DEM), disse que as propostas, por serem polêmicas,
deverão ser debatidas antes da votação por meio
de audiências públicas com trabalhadores, centrais sindicais
e empresários.
O pacotão já enfrenta
resistência dos próprios deputados. Reni Pereira (PSB)
diz que nenhum parlamentar vai querer votar contra os trabalhadores,
mas que é preciso debater a capacidade que empresas e profissionais
autônomos terão de pagar o novo piso, com reajustes automáticos
anuais. “Não é por estarmos num ano de eleição
que temos que votar no impulso do clamor dos dirigentes sindicais. É
preciso cautela nessa votação para ver se esse aumento
significa melhoria para os trabalhadores ou desemprego”, alerta
Reni Pereira.
Pacotão ajuda a impulsionar Pessuti
Patinando em torno de 5% a 9% de intenção de voto nas
pesquisas para o governo do estado, o vice-governador e pré-candidato
do PMDB Orlando Pessuti foi o enviado especial do governo para levar
à Assembleia o pacotão de projetos que beneficiam
os trabalhadores da iniciativa privada. A formalidade normalmente
cabe ao governador Roberto Requião. Mas, em ano eleitoral, a
tarefa foi repassada a Pessuti.
O governo reuniu em torno do
vice representantes de centrais sindicais, membros do governo, políticos
e trabalhadores, que participaram de uma caminhada entre o Palácio
das Araucárias, sede do governo, até a Assembleia,
no Centro Cívico, em Curitiba. Dentro do Legislativo,
os apoiadores de Pessuti lotaram as galerias do plenário.
Em tom de discurso de campanha,
Pessuti disse que o governo desenvolve uma política que valoriza
o trabalhador e que beneficia os micro e pequenos empresários
com redução de impostos, o que faz do Paraná um
dos estados com maior geração de empregos do país.
O vice negou que a mobilização
das centrais de trabalhadores tivesse cunho eleitoral e afirmou que
foi uma manifestação favorável à política
salarial do governo e não à sua candidatura.
Pronto para assumir o governo
em 3 de abril com a saída de Requião, que vai concorrer
ao Senado, Pessuti disse ainda que está vencendo as
resistências internas do PMDB ao seu nome. Segundo ele,
isso ocorre porque as lideranças estão vendo que sua candidatura
é para valer. “Havia uma incerteza, mas agora até
o Requião, que não deixava claro lá atrás
que o candidato dele era o Pessuti, tem dito isso”, afirmou ele.
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TRIBUNA DE CIANORTE, 07 de
fevereiro de 2010
Cianorte tem mais de 700 apartamentos
em obras

O ramo de construção
civil tem crescido notavelmente em Cianorte. O primeiro prédio
foi construído na cidade em 1982, de acordo com dados da prefeitura,
e de lá pra cá, as obras não cessaram. Hoje, a
cidade conta com de 65 edifícios com mais de quatro pavimentos,
dos quais 22 ainda estão em construção. Em breve
serão 791 novos apartamentos lançados no mercado.
Os preços variam de R$
80 mil até R$ 270 mil, segundo levantamento realizado pela Tribuna.
Aí aparece uma dúvida: de onde surgem tantos compradores?
De acordo com a responsável por uma construtora em Cianorte,
Noely Abreu, grande parte dos imóveis é adquirida como
investimento. “Percebemos que quando se trata de apartamentos
menores, menos luxuosos, a pessoa compra como um investimento, seja
para revenda ou para alugar. Já quando se trata de apartamentos
mais elaborados, em regiões nobres da cidade, os compradores
adquirirem o imóvel com o intuito de morar”, comentou.
A empresária destaca
também que há considerável investimento estrangeiro
no mercado imobiliário de Cianorte. “Existem ainda brasileiros
que estão trabalhando no exterior e investem em imóveis
aqui na cidade. Assim eles têm a garantia de retorno, pois o imóvel
é dos investimentos mais seguros hoje em dia”, frisou.
Há também muitas
pessoas que apostam em financiamentos para realizar o sonho do imóvel
próprio. Exemplo disso é o Edifício Mirante da
América, que tem 96 apartamentos e todos já estão
vendidos, bem antes da conclusão das obras. “Conseguimos
fechar uma parceria com a Caixa Econômica Federal e já
vendemos todas as unidades por meio do programa Minha Casa, Minha Vida.
O perfil das pessoas que vão morar nesses apartamentos é
da família que está se livrando do aluguel e investindo
em algo que será seu”, disse o advogado e empresário
Deolindo Novo, também responsável por uma construtora
na cidade.
Ainda de acordo com dados de
cadastro técnico da Prefeitura de Cianorte, em 2008 foram aprovadas
as obras de onze edifícios, a maior quantidade dos últimos
anos. Em 2007 e 2009 foram aprovadas seis construções
por ano.
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Folha de S.Paulo, 9 de fevereiro
de 2010
TRABALHO
Fiesp rejeita redução da
jornada no país para 40 horas semanais
DA REDAÇÃO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgou nota ontem
dizendo que a redução da jornada de trabalho de 44 para
40 horas semanais não é capaz de criar mais empregos no
país. A federação diz que há uso eleitoral
do debate sobre a carga horária.
Segundo a Fiesp, o tema já é discutido entre trabalhadores
e empresários e não deve ser imposto pelo governo.
Hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP),
recebe representantes de centrais sindicais e de empresários
para tentar chegar a um acordo sobre a votação da proposta
de emenda constitucional que reduz a jornada.
Antes do encontro, sindicalistas da Força Sindical, CUT, CGTB,
Nova Central, CTB e UGTT se reúnem para pressionar congressistas.
A intenção de Temer é colocar o assunto em pauta
neste semestre, já que depois de julho o Congresso deve ficar
esvaziado.
As centrais dizem que, com menos horas por semana, serão criados
cerca de 2 milhões de empregos.
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Portal Terra, 9 de fevereiro
de 2010
Serra mantém silêncio diante
de briga entre FHC e Dilma
Em meio ao embate entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
e a pré-candidata do PT à Presidência, ministra
Dilma Rousseff, o possível presidenciável tucano, governador
de São Paulo José Serra, calou-se.
Questionado nesta segunda-feira, 8, sobre o artigo de FHC publicado
no jornal O Estado de S. Paulo - e as reações acaloradas
que o texto provocou entre petistas -, Serra manteve o silêncio,
sua estratégia desde que passou a ser cotado como candidato tucano
à Presidência da República. Virou as costas para
os repórteres e encerrou a entrevista coletiva. "Eu não
vou falar sobre isso", acrescentou pouco depois, diante da insistência
dos jornalistas, enquanto visitava a recém-inaugurada Biblioteca
de São Paulo, no Carandiru, zona norte da capital paulista.
Restou ao próprio Fernando
Henrique seguir no papel de porta-voz do discurso tucano. O ex-presidente,
que não participava de eventos do governo do Estado há
cinco meses, foi à inauguração da biblioteca estadual
e deu o recado.
"Precisamos de gente competente,
que não roube e que inspire confiança. Ela (Dilma) não
é líder. É reflexo de um líder. Serra, está
provado, tem competência, é um líder e inspira confiança.
A outra, para mim, ainda não", disse antes da cerimônia.
"Se (o PT) quiser comparar, a gente compara, desde que seja no
contexto. Não há o que temer." O ex-presidente apoiou
até o silêncio de Serra. "O PSDB é que tem
de se posicionar. O governador tem de esperar um pouco."
A aparição de
Fernando Henrique ocorre uma semana depois de uma pesquisa de intenção
de voto ter mostrado crescimento de Dilma. De acordo com levantamento
da CNT/Sensus, a diferença entre Serra e a petista caiu de 10,1
pontos porcentuais em novembro para 5,4 pontos em janeiro.
Os petistas prometem, para atingir
Serra, criticar o governo FHC (1995-2002) durante a campanha eleitoral
deste ano. Mesmo assim, o ex-presidente havia se mantido calado até
agora.
Fernando Henrique negou que
sua presença na inauguração faça parte de
uma estratégia política. "Não vou geralmente
a inaugurações porque não tenho tempo. Eu vim porque
o João Sayad, secretário estadual da Cultura, me mandou
um convite amável."
Fonte: Terra
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Agência Câmara,
9 de fevereiro de 2010
Projeto define prazo para prescrição
de indenização trabalhista
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 6476/09, do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), que estabelece
em dez anos o prazo de prescrição para o pedido de indenização
civil referente a acidente de trabalho. O período deverá
ser contado a partir do exame pericial que comprovar a enfermidade.
"Muitas lesões ou
enfermidades laborais apenas são verificadas muito tempo após
a exposição do trabalhador aos diversos fatores de risco
decorrentes do desempenho da relação de emprego",
diz o parlamentar.
A proposta dá maior clareza
à legislação, uma vez que, segundo o deputado,
há uma indefinição sobre o tema no Código
Civil (Lei 10.406/02). O código determina a prescrição
em três anos para a pretensão de reparação
civil - natureza da indenização por acidente de trabalho.
Em outro artigo, no entanto, o mesmo código prevê a prescrição
em dez anos quando a lei não tenha fixado prazo menor.
"Além de ampliar
o prazo de prescrição, é importante fixar o termo
inicial de sua fluência, que deve se dar a partir da inequívoca
constatação da enfermidade ou da incapacidade laboral
mediante exame pericial", afirma Carlos Bezerra.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pela Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania (CCJ).
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Agência Câmara,
9 de fevereiro de 2010
Relatório sobre licença-maternidade
poderá ser votado na quarta
A Comissão Especial sobre a Licença-Maternidade marcou
para quarta-feira (10) o início da discussão e votação
do parecer da relatora, deputada Rita Camata (PMDB-ES). A comissão
analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
30/07, da deputada Angela Portela (PT-RR), que aumenta o período
obrigatório de licença maternidade de quatro para seis
meses.
Atualmente, a licença-maternidade
já pode ser estendida para seis meses no caso das empresas que
aderirem ao Programa Empresa Cidadã, criado pela Lei 11.770/08.
O governo federal e alguns governos estaduais também estenderam
o período para seis meses.
O parecer recomenda a aprovação
da proposta, na forma de substitutivo que também torna constitucional
o direito de licença-maternidade às adotantes e o pagamento
de salário-maternidade durante a licença. O texto da relatora
também aumenta de cinco para sete meses a proibição
de dispensa arbitrária ou sem justa causa após o parto
ou após a adoção ou obtenção de guarda
judicial.
A reunião está
marcada para as 14h30 no plenário 14.
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
fevereiro de 2010 | Economia
Justiça garante dinheiro nos bancos
Curitiba - O abastecimento nos bancos e caixas eletrônicos do
Paraná começou a voltar ao normal ontem à tarde.
A greve dos vigilantes, que começou no início do mês,
ainda não chegou ao fim, mas decisões judiciais estão
garantindo a volta à normalidade no atendimento aos clientes
bancários. Ontem, ainda havia falta de dinheiro em caixas externos
localizados em supermercados. Na última sexta-feira, a vice-presidente
do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, Rosemarie Pimpão,
determinou que duas transportadoras colocassem seus carros-forte de
volta ao trabalho, sob pena de multa diária. O retorno de 40%
dos funcionários das outras duas empresas também foi determinado.
Segundo o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana
as determinações judiciais foram cumpridas ontem.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
09/02/2010
Emater pagará multa do FGTS a empregada
pelo período trabalhado após aposentadoria
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reformou decisão, com base na OJ nº
361 da SDI1- a aposentadoria espontânea não é causa
da extinção do contrato de trabalho - para determinar
o pagamento a uma ex-empregada da Empresa Paranaense de Assistência
Técnica e Extensão Rural - Emater da multa de 40% do FGTS
sobre os depósitos efetuados no período que ela trabalhou,
após a concessão da aposentadoria por tempo de serviço.
Em seu voto, o relator do processo
na Turma, ministro Pedro Paulo Manus, destacou que esse não era
o entendimento do TST, mas com a posição do Supremo Tribunal
Federal de que a aposentadoria espontânea não é
causa da extinção do pacto trabalhista, houve o cancelamento
de OJ anterior, prevalecendo, atualmente, o estabelecido na OJ nº
361.
Com o argumento de que a aposentadoria
espontânea não é causa de extinção
do contrato de trabalho, a empregada buscou, na ação trabalhista,
ser reintegrada ou indenizada, com o consequente pagamento das verbas
do período em que trabalhou após ter-se aposentado por
tempo de serviço. Requerida em 11/05/2000, a aposentadoria foi
concedida na mesma data, quando teve início o pagamento do benefício.
A sentença foi favorável
à empregada, com a condenação da Emater ao pagamento
das verbas requeridas. Todavia, o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná
(9ª Região) reformou-a com a seguinte justificativa: havendo
a extinção do contrato de trabalho quando da aposentadoria
espontânea, é imprescindível a prestação
de novo concurso público para o início de nova relação
empregatícia.
De acordo com o Regional, a
ausência desse requisito, estipulado no art. 37, II, da Constituição
Federal, no presente caso, o levou a concluir que a dispensa se deu
por motivo justo, devido à ilegalidade do novo contrato de trabalho,
não se cogitando garantia de emprego e verbas legais, pelo que
absolveu a Emater da condenação em Primeiro Grau.
A Turma votou, à unanimidade,
com o ministro Pedro Paulo Manus, e deferiu, parcialmente, o recurso
da empregada, para restabelecer a sentença somente quanto à
multa de 40% do FGTS sobre todo o período trabalhado. Tanto a
Emater quanto a empregada recorreram da decisão com embargos
declaratórios. (RR-29139/2000-016-09-40.4, atual RR-2913940-51.2000.5.09.0016)
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09/02/2010
Herdeiro menor não é atingido
pela prescrição bienal da justiça trabalhista
O espólio de um empregado
da empresa agropecuária paulista (José Salomão
Gibran S. A.) vai receber as verbas atrasadas que não foram pagas
à época do falecimento do trabalhador. A empresa alegou
que o direito dos herdeiros havia prescrevido, mas a Sexta Turma do
Tribunal Superior do Trabalho rejeitou seu recurso e manteve a sentença
regional que afirmou não incidir prescrição contra
herdeiro menor.
A questão surgiu quando
a sentença da primeira instância não reconheceu
o direito do espólio às pretendidas verbas, ao entendimento
de que já havia transcorrido o prazo legal de dois anos para
interpor reclamação. O espólio recorreu e o Tribunal
Regional da 15ª Região modificou a decisão, ao entendimento
de que não há prescrição quando se trata
de herdeiro menor. O filho do empregado tinha dezesseis anos de idade
quando o pai faleceu, em julho de 2002. O empregado trabalhava na empresa
desde jun/87.
A empresa entrou com recurso,
mas a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao verificar o motivo
de o Tribunal Regional ter afastado a prescrição, concordou
com a decisão regional que garantiu ao espólio receber
gratificação natalina proporcional de 97 e 98, FGTS incidente,
férias e 1/3, reflexos das horas extras pagas e dobra das férias
anteriores a 98/99.
O relator na Sexta Turma, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, explicou que a decisão é
embasada na visão do legislador que procurou “proteger
os direitos daqueles que ainda não atingiram a completa capacidade
para os atos da vida civil”. É o que extrai da jurisprudência
do TST, baseada no artigo 198, I, do Código Civil de 2002.
O ministro esclareceu ainda
que, naquele caso, o prazo prescricional, que se iniciou com a extinção
do contrato de trabalho, suspendeu-se com a morte do trabalhador e voltaria
somente quando os herdeiros atingissem a maioridade civil. A partir
daí é que a contagem do prazo, para se reivindicar as
verbas trabalhistas, recomeçaria até completar os dois
anos previstos no artigo 7º, XXIX, da Constituição.
(E-ED-AIRR-740-2006-059-02-40.7)
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09/02/2010
JT multa Vivo por atraso no pagamento de
dívida trabalhista
A Vivo S.A. foi multada por
atraso no pagamento de verbas rescisórias a ex-empregado da empresa,
nos termos do artigo 477, § 8ª, da CLT. Por maioria de votos,
a Seção I Especializada em Dissídios Individuais
do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento ao recurso de embargos
da operadora e manteve a condenação estabelecida pelo
Tribunal do Trabalho da 1ª Região (RJ).
Segundo o relator, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, não existia controvérsia
quanto à relação de emprego, no caso, que justificasse
o pagamento dos créditos trabalhistas somente depois de reconhecido
o direito em juízo. Para o relator, a multa era devida porque
ocorreu fraude na contratação do empregado, ou seja, houve
terceirização ilícita de mão de obra.
A multa prevista nessa norma
celetista assegura ao empregado, quando não existir prazo estipulado
para o fim do contrato, e sem que ele dê motivos para o seu término,
o pagamento de uma indenização com base na maior remuneração
que tenha recebido.
A Terceira Turma do TST já
havia rejeitado (não conheceu) recurso de revista da empresa.
O colegiado observou que a prestação de serviços
de teleatendimento fora implantada e gerenciada pela Universidade Estadual
do Rio de Janeiro (UERJ) com pessoal contratado pela própria
UERJ para prestar serviços à Telerj Celular.
Apesar de convênio celebrado
entre Vivo e UERJ para implantação e contratação
de pessoal para executar os serviços de teleatendimento, a Turma
entendeu, da mesma forma que o Regional, que ocorrera fraude, pois o
contrato na realidade era diretamente com a tomadora dos serviços
mascarado pelo repasse de verbas entre empresa e fundação
que se associaram para impedir a aplicação dos preceitos
contidos na CLT.
Durante o julgamento dos embargos
na SDI-1, a ministra Maria Cristina Peduzzi divergiu do relator e defendeu
a tese de que a aplicação da multa era indevida porque
o reconhecimento e deferimento das verbas rescisórias ocorreu
apenas em juízo. Na opinião da ministra, como existia
controvérsia judicial sobre o próprio vínculo,
não se justificava a condenação. Também
votou nesse sentido o ministro João Batista Brito Pereira.
Mas o relator, ministro Aloysio
Corrêa, destacou que a relação direta do empregado
com o prestador dos serviços era clara, uma vez que ele trabalhava
nas dependências da Vivo, com subordinação e sob
a fiscalização da empresa. Ao final, a maioria dos ministros
da SDI-1 concordou com os argumentos do relator e negou provimento ao
recurso da Vivo contra a aplicação da multa. (E-RR-1234/2001-068-01-00.2)
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