 |
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de março de 2010 | Economia
Setores da indústria dão
sinais de recuperação
Joyce Carvalho
Os setores de metalúrgica, mecânica e material elétrico
estão voltando a contratar. A crise econômica mundial afetou
o segmento, que precisou demitir muita mão-de-obra.
O estímulo para a aquisição
de produtos da linha branca, com a redução do Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI), e a retomada das exportações
de alguns componentes geram demanda nas indústrias.
O aquecimento teve início
no final do ano passado nas fábricas de veículos pesados.
A retomada está se espalhando, como nas empresas de auto peças
e de material elétrico voltado para a construção
civil.
Segundo o presidente do Sindicato
das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material
Elétrico do Paraná (Sindimetal/PR), Roberto Sotomaior
Karam, muitas empresas europeias estão recompondo seus estoques,
o que reflete nas indústrias do Estado.
Mas ainda vai demorar para que
o segmento volte ao nível de contratações e de
número de empregados no período pré-crise. Um levantamento
feito pela entidade, com 35 empresas, mostrou que estas demitiram cerca
de 1,4 mil trabalhadores no ano passado. No início de 2010, estas
mesmas empresas empregaram somente 369 pessoas.
“A retomada está
aí, mas vai acontecer devagar. Já está melhor do
que no ano passado. Muitas empresas ainda estão cautelosas. Se
continuar neste ritmo, 70% do quadro de empregos deve se recompor ainda
no primeiro semestre deste ano”, avalia. Algumas fábricas
partem para as contratações somente diante da demanda
e de acordo com o número de pedidos.
Em 2010, o foco das empresas
está no profissional já experiente, que não gere
gastos com cursos e treinamentos. Karam acredita que possa haver dificuldades
nesta procura.
“Com esta crise, as empresas
foram obrigadas a investir em competitividade e, para isto, precisam
de mão-de-obra qualificada. Algumas empresas que estão
mais otimistas e apostando mais estão investindo em cursos e
projetos de capacitação para funcionários”,
afirma Karam.
|
FOLHA DE LONDRINA, 02 de
março de 2010 | Economia
Indústria e varejo devem crescer
juntos este ano
Ritmo de expansão nos dois setores será
favorecido pelo aumento no consumo doméstico
Rio de Janeiro - Passada a pior fase da crise global, a evolução
da indústria e do comércio deve voltar a convergir este
ano, após a forte discrepância nos dados dos dois setores
no ano passado. As reações à crise foram distintas:
o varejo terminou 2009 com alta de 5,9% nas vendas, enquanto a indústria
desabou 7,4%.
A retração das
exportações e a queda da confiança das indústrias,
em contraste com o crescente aquecimento da demanda doméstica,
explica o verdadeiro abismo que se formou entre os dois setores. O relatório
Focus divulgado ontem prevê para 2010, porém, crescimento
de 8,6% na produção industrial, exatamente a mesma variação
projetada pela Confederação Nacional do Comércio
(CNC) para o varejo.
Segundo o economista-chefe da
MB Associados, Sérgio Vale, a redução nas exportações
e nos investimentos fez a diferença entre a indústria
e o varejo em 2009. ''Antes não havíamos tido tantas diferenças
entre um e outro setor, já que as crises passadas foram geradas
internamente e, por isso, afetavam indústria e comércio
diretamente.''
De acordo com Vale, passada
a crise e o com o mercado doméstico liderando o crescimento,
o que deverá se repetir este ano, ''teremos os dois setores de
volta a um ritmo forte de expansão''.
Para o economista Alexandre
Andrade, da Tendências Consultoria, o que possibilitará
à indústria crescer em magnitude similar ao varejo em
2010, além da base de comparação deprimida, é
que a produção industrial crescerá em linha com
a demanda doméstica, após a crise de confiança
de 2009.
Andrade atribui a forte discrepância
no desempenho da indústria e comércio, em 2009, às
incertezas e estoques elevados que levaram o setor industrial a derrubar
a produção no fim de 2008. Ele lembra que, logo após
o início dos efeitos da crise no País, houve forte desconfiança
em relação ao potencial de crescimento do mercado doméstico
e, quando ficou claro que a demanda interna continuaria elevada, a indústria
já tinha feito um ajuste intenso.
Jacqueline Farid
Agência Estado
|
VERMELHO, 02 de março
de 2010
Centrais sindicais fecham acordo sobre
agenda unitária de lutas
Foram discutidos três pontos de pauta
durante a reunião do Fórum das Centrais Sindicais (CTB,
CUT, CGTB, Força, NCST e UGT), ocorrida na manhã desta
segunda-feira (1º), na sede da CTB, em São Paulo: os encaminhamentos
para a realização da Conferência Nacional da Classe
Trabalhadora, a Adin 4067 e a votação da PEC da Redução
da Jornada em Brasília.
Por Cinthia Ribas, no Portal CTB
Durante a reunião — que contou com a presença dos
representantes das centrais sindicais que compõem o Fórum
e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos
(Dieese) —, ficou definida a criação de um grupo
de trabalho (GT) composto por dirigentes e assessores das centrais que,
em parceria com o Dieese, vai elaborar o documento unitário com
a pauta da classe trabalhadora.
A intenção é
apresentar o documento na íntegra para os trabalhadores e trabalhadoras
no dia 1º de junho, na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora.
Coordenando a mesa, Wagner Gomes,
presidente da CTB, destacou que é prioritária a manutenção
da unidade entre as centrais. “Temos mais pontos em comum do que
divergências. A manutenção dessa união fortalecerá
o conjunto dos trabalhadores. Vamos concentrar esforços na realização
da Conferência, que consolidará essa união dando
origem a um documento unitário das centrais que coroe os interesses
da classe trabalhadora”, reforçou o presidente da CTB.
Para Artur Henrique, presidente
da CUT, o objetivo é que o GT comece a trabalhar o mais rápido
possível para a elaboração do documento e organização
da atividade.
Para o secretário-geral
da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, Juruna,
que assim como os demais defende a entrega do documento a todos os candidatos
e todas as candidatas à Presidência da República,
a prioridade é manter a unidade acerca da agenda da classe trabalhadora,
deixando as divergências de lado. “O que nos une são
as questões dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. Acreditamos
na democracia que vai acontecer”, ressaltou Juruna.
Em sua intervenção
Ubiracy Dantas (Bira), vice-presidente da CGTB, além de lembrar
a importância do posicionamento das centrais frente ao atual cenário
de conjuntura nacional, visto o problema da desnacionalização,
com a entrada do capital financeiro internacional, também reforçou
o papel que a atividade desempenhará nacional e internacionalmente.
“A Conferência será uma demonstração
de unidade do movimento sindical para a América Latina”,
declarou Bira.
José Calixto Ramos, presidente
da NCST, ratificou esse pensamento. “Farão parte do documento
os pontos de interesse da nação, da classe trabalhadora”,
afirmou.
Engessamento do movimento sindical
Outro ponto de pauta da reunião
foi a “Adin do DEM”, popularmente chamada. Com o claro interesse
de engessar o movimento sindical e dificultar a organização
da classe trabalhadora, continua tramitando no Supremo Tribunal Federal
a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4067, movida pelos
Democratas (DEM), que questiona o repasse da contribuição
sindical às centrais sindicais brasileiras.
A Adin, que constantemente vem
sendo colocada na pauta do STF pelo ministro Gilmar Mendes, já
recebeu cinco votos (três favoráveis e dois contrários).
Cinco ministros ainda não votaram.
Os líderes sindicais
decidiram pela intensificação da mobilização
da campanha pela defesa do repasse, como forma de conscientizar os ministros
sobre a importância de sua utilização como instrumento
de luta do conjunto da classe trabalhadora.
Vigília em Brasília
Ponto de discórdia entre
o movimento sindical e a bancada dos empresários no Congresso
Nacional, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
da Redução da Jornada de Trabalho, de 44 para 40 horas,
finalizou as discussões no encontro desta segunda-feira.
Semanalmente as centrais têm
realizado pressão sobre os parlamentares e se reunido com o presidente
da Câmara dos Deputados, Michel Temer, em Brasília, com
o objetivo de que a PEC 231/95, da Redução da Jornada,
vá a Plenário para votação.
Resolução da reunião,
as centrais intensificarão as manifestações em
Brasília e visitarão os gabinetes dos parlamentares para
explicitar a relevância da votação para a classe
trabalhadora e para o movimento sindical. “Precisamos informar
aos parlamentes sobre os ínfimos impactos que a adoção
da medida vai gerar para os empresários, diante do grande numero
de postos que serão abertos no mercado de trabalho. Alguns deputados
não têm conhecimentos desse estudo. Temos que fazer um
trabalho para reverter esse quadro”, revelou Joílson Cardoso,
secretário de Política Sindical e Relações
Institucionais da CTB.
Em meados de fevereiro, o Dieese
lançou uma nota divulgando, mais uma vez, os benefícios
que a adoção da redução da jornada para
40 horas semanais, associada à coibição das horas
extras, pode gerar: mais de 2,5 milhões de postos de trabalho.
Segundo o estudo do instituto o custo do trabalho no Brasil é
baixíssimo em comparação com outros países
e o impacto da medida sobre os custos totais da indústria seria
inferior a 2%.
Durante os meses de março
e abril, os sindicalistas farão vigília em Brasília
intensificando a campanha da Redução da Jornada com a
entrega do material explicativo criado pelo Dieese, que exemplifica
os benefícios citados a adoção da medida trará
aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de março de 2010 | Economia
Temer vê clima favorável
para aprovar redução de jornada
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP),
disse hoje em São Paulo que, se for à votação
este ano, a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada de
trabalho de 44 horas para 40 horas semanais será aprovada. "Tenho
sentido lá na Câmara que, em um ano como este, se a matéria
for ao plenário, aprovam-se as 40 horas. Eu não tenho
dúvida disso", afirmou, em palestra a empresários.
Contrário ao projeto,
Temer defende uma redução gradativa: em 2011, a jornada
passaria para 43 horas; e, em 2012, para 42 horas semanais. Não
haveria aumento no valor da hora extra. A PEC 231/95 prevê a redução
da jornada para 40 horas e o aumento do adicional por hora extra de
50% para 75%. A proposta já foi aprovada por uma comissão
especial da Câmara e precisa ser votada em dois turnos pelo plenário.
Além do peso do ano eleitoral,
Temer vê como impulso para a aprovação do projeto
a pressão das entidades sindicais. "As centrais sindicais
têm uma capacidade de mobilização extraordinária.
Eles fazem passeatas e depois vão 200 líderes sindicais
na minha sala numa pressão pessoal, quase física."
De acordo com o deputado, a
jornada de 40 horas traria "dificuldades" aos empresários
e "problemas" ao País. "Temperança é
a marca da minha gestão. A função de quem está
na vida pública não é radicalizar a favor de um
ou outro, mas contemporizar, encontrar uma solução intermediária
que possa satisfazer a todos."
Popularidade
Temer disse ver com "naturalidade"
o resultado da pesquisa do Instituto Datafolha sobre a avaliação
da população a respeito do Legislativo, divulgado hoje.
De acordo com o levantamento, 39% dos brasileiros classificam como ruim
ou péssimo o trabalho dos parlamentares. "Isso não
me assusta. O Legislativo é o poder mais sujeito a chicoteamento
popular", disse. "O que posso dizer é que estamos legislando
bastante e bem."
Temer deu como exemplo
de transparência do Congresso a investigação da
Polícia Legislativa divulgada na semana passada que identificou
fraude em benefícios de vale-transporte e auxílio-creche.
A apuração de sete meses resultou em 16 inquéritos,
enviados ao Ministério Público Federal. Segundo o presidente
da Câmara, até 70 funcionários estão envolvidos
no esquema.
|
VERMELHO, 02 de março
de 2010
Path: Modernizar o país com redução
da jornada de trabalho
O Brasil vive desafios que vão, há
anos, muito além do gerenciamento de frustrações
como as criadas pela falta de liberdade, pela inflação
galopante, pelas consequências de uma crise financeira global.
Por isso, temos agora a legitimidade de trazer para o debate a redução
da jornada de trabalho.
Por Ricardo Path*
Hoje, respiramos democracia com seus atores (empresários, sindicalistas,
parlamento e executivo) agindo de maneira transparente dentro do Congresso
Nacional, nas páginas dos jornais e revistas e nas mídias
eletrônicas através de blogs, sites e troca constante de
informações.
É nesse contexto de civilização
que nos antecipamos às tendências que nos permitem, independentemente
da posição que ocupemos no espectro de classe ou político,
humanizar nossas relações sociais e de produção.
A redução da jornada
de trabalho para 40 horas (ou até mesmo para 42 horas como algumas
propostas) é boa para o Brasil como o foi a redução
de 48 horas para 44 horas semanais adotada na Constituinte de 1988.
De lá para cá,
o Brasil aumentou a produtividade e fortaleceu seu mercado interno e
no meio do caminho ainda gerenciamos a inflação. Contestando
os argumentos de que a redução da jornada para 44 horas
semanais seria inflacionária.
Agora, alguns setores empresariais
apostam em argumentos que fazem parte do jogo político, mas que
no seu conteúdo, acredito, está fora da realidade. Por
exemplo, alguns empresários defendem a ideia de que o trabalhador
brasileiro custa caro. Uma carteira assinada com R$ 1 mil custa, em
média, R$ 1.229,10 por mês, de acordo com o Dieese (Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos),
com a inclusão no custo total do 13º salário, do
adicional de 1/3 de férias e do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço, além da proporção mensal do que
receberia em caso de demissão sem justa causa.
O custo da mão de obra
manufatureira no Brasil, de acordo com o U.S Department of Labor, Bureau
of Labor Statistics, com dados de 2009, é de 5,96 dólares
por hora. Enquanto nos Estados Unidos o custo é de 24,59 dólares
e na Alemanha chega a 37,66 dólares, por hora.
Mas voltemos aos ganhos sociais
e humanitários de uma jornada reduzida. Primeiro, sobrará
mais tempo para o trabalhador e trabalhadora cuidar deles e de suas
famílias. Cuidar de si através de investimento de mais
horas na requalificação, absolutamente necessária
neste ambiente de ameaça de apagão de mão de obra
qualificada.
A família trabalhadora,
responsável pela renovação da força de trabalho,
terá mais atenção dos pais na educação
dos filhos. Pais que hoje consomem um tempo enorme na rotina produtiva
e no deslocamento entre suas residências e postos de trabalho,
nos grandes centros.
Além disso, segundo o
Dieese, a redução da jornada terá um impacto perceptível
na oferta de novos empregos, agregando de um milhão a dois milhões
de novos trabalhadores, que com seus salários ampliarão
a base de consumo e permitirá ao Brasil enfrentar com algum sucesso
uma das piores distribuições de renda no mundo.
Há ganhos para todos:
empresários que se beneficiarão com um mercado interno
mais forte. Trabalhadores com a geração de mais vagas
e com a possibilidade de se inserirem produtivamente na economia.
E, principalmente, ganhará
a família trabalhadora e seus filhos, que, com os pais mais próximos,
terão ganhos imediatos na qualidade da educação
e se tornarão aptos a ajudar na consolidação de
uma economia moderna. Que será, naturalmente, liderada pelos
empresários que hoje sabem que a redução da jornada
é um excelente investimento social, político e econômico
do país.
* Ricardo Patah é presidente
nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT)
|
FOLHA DE SÃO PAULO, 02 de fevereiro
de 2010 | Dinheiro
Maquiagem camufla os atrasos nas obras
do PAC
Obras têm prazo estendido de um balanço
a outro e aparecem como dentro do prazo | Há casos em que conclusão
fica para próximo governo, de fatiamento da obra para que parte
ocorra no prazo e de sumiço de obra atrasada
EDUARDO SCOLESE
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo federal maquiou balanços
oficiais para encobrir um mega-atraso nas principais obras do PAC.
Três de cada quatro ações destacadas no primeiro
balanço do programa não foram cumpridas no prazo original.
Lançado em 2007 com o objetivo de impulsionar a economia, o
Programa de Aceleração do Crescimento é usado
hoje pelo presidente Lula para certificar o que seria a capacidade
de gerenciamento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Pré-candidata
ao Planalto, foi apelidada por Lula de "mãe do PAC".
No início do mês passado, Dilma comandou a divulgação
do balanço de três anos do programa afirmando que 40%
das ações previstas haviam sido cumpridas até
aquele momento. Nas principais obras, apontava conclusão de
36%.
Mas esse documento oficial, fartamente ilustrado, passa ao largo dos
gargalos de calendário: nele é divulgada uma profusão
de carimbos verdes com a palavra "adequado" para cada uma
das principais obras, com pequenas exceções de carimbos
amarelos ("atenção") e vermelhos ("preocupante").
A maquiagem das informações fica evidente em consultas
ao primeiro balanço oficial do PAC, de maio de 2007, e aos
oito seguintes. Neles, descobre-se que muitas das obras que ostentam
o carimbo verde passaram por uma revisão de metas e tiveram
o seu prazo de conclusão dilatado, sendo que, para algumas
delas, o desfecho foi postergado para a próxima gestão.
Isso sem que o governo fizesse menção, de um balanço
a outro, à mudança dos prazos. Além da manutenção
do carimbo verde em obras com cronograma estendido, os balanços
oficiais exibem outras manobras de maquiagem.
Uma delas consiste no fatiamento da obra para que a conclusão
de ao menos parte da ação ocorra no prazo. Outra mantém
prazo de entrega, mas troca o objeto: em vez de conclusão da
obra física, a meta passa a ser só "entrega do
projeto".
Além disso, há casos de a ação atrasada
simplesmente desaparecer nos balanços seguintes.
O primeiro balanço oficial do PAC se refere ao quadrimestre
que vai de janeiro a abril de 2007. Destaca 76 grandes obras e ações,
todas com metas estabelecidas. Ao confrontar esse documento com os
balanços seguintes -principalmente com o último, o de
três anos do programa-, constata-se que 75% dessas obras (57)
sofreram atraso no cronograma, sendo 11 delas empurradas para o próximo
governo, que assume em janeiro de 2011.
Desse montante de 57 ações que não cumpriram
a meta inicial, 38 ainda estão em andamento. Novos cronogramas
apontam atraso médio de um ano e meio em relação
ao prometido em 2007, mas nos balanços o governo reserva carimbos
amarelo e vermelho para apenas seis (16%) delas.
O governo sustenta que o sistema de carimbos é só um
referencial para o risco de execução das obras e atribui
os atrasos a fatores como chuvas, problemas na emissão dos
licenciamentos e adaptações nos projetos.
Entre as obras que o governo prometeu e entregou no prazo estão
a Usina Hidrelétrica Salto Pilão (SC), a Petroquímica
Paulínea (SP) e o campo de Frade, na bacia de Campos.
Ao lançar a pré-candidatura de Dilma no congresso do
PT, no mês passado, Lula elogiou a condução do
PAC. "Posso dizer que nunca antes na história do país
houve programa de investimento em infraestrutura tão organizado,
tão discutido e tão planejado como nós fizemos
o PAC."
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Os balanços oficiais do PAC podem ser acessados em www.brasil.gov.br/pac/balancos
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
02 de fevereiro de 2010 | Dinheiro
Outro Lado
Prazo é só um dos
aspectos avaliados, afirma o governo
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Casa Civil da Presidência,
responsável pela coordenação do PAC, informou que
o sistema de avaliação das obras se concentra na "identificação
dos riscos à realização dos empreendimentos"
e que o cronograma é "apenas um dos elementos considerados
na avaliação".
"Obras com riscos potenciais, relacionados a entraves administrativos,
ambientais, de projeto, quando ocorrem, levam o empreendimento ao selo
de "atenção" ou "preocupante" ",
afirmou a Casa Civil, em nota. "Quando o entrave é solucionado",
prossegue, "o cronograma é obviamente ajustado e, se novos
riscos não surgirem, o seu andamento passa a ser considerado
como "adequado", como em qualquer avaliação
realizada no setor público ou privado", prossegue a nota.
A Casa Civil diz que apenas ações excluídas do
PAC deixaram de ser publicadas. Sobre o desmembramento de obras, afirma
ser uma forma de aprimorá-las. Ela reafirmou o dado de 40% das
obras concluídas e disse que "analisar os resultados por
qualquer outro recorte pode gerar distorções".
Segundo o Ministério dos Transportes, a incidência de chuvas
"por período acima do esperado", a busca de financiamento
pelas empresas vencedoras e dificuldades na obtenção do
licenciamento ambiental explicam os atrasos nas estradas e ferrovias.
Já em relação ao trem-bala ligando São Paulo
ao Rio, houve extensão do período de consulta pública.
Por meio de sua assessoria, a Infraero atribuiu atrasos nos aeroportos
a ajustes nos projetos, alguns determinados pelo Tribunal de Contas
da União.
Para a Secretaria Especial de Portos, processos de licitação
e de autorização ambiental contribuíram para atrasos.
"Tem que levar em consideração que algumas licitações
e licenças ambientais são mais demoradas", disse
o subsecretário de Planejamento e Desenvolvimento Portuário,
Fabrízio Pierdomenico.
A Petrobras nega atrasos. Fala em "redefinição dos
prazos" e elenca uma série de motivos, entre eles o incremento
de projetos, renegociações de valores -"nas obras
da refinaria Abreu e Lima, os contratos renegociados refletiram redução
de R$ 6,7 bilhões nos custos"-, volume de chuvas e situações
adversas, como a da construção do gasoduto Urucu-Coari-Manaus.
"Pela primeira vez uma obra de gasodutos terrestres foi executada
em parte sob os rios, usando metodologia similar à adotada para
dutos marítimos."
|
FOLHA DE SÃO PAULO, 02 de fevereiro
de 2010 | Dinheiro
Estradas, ferrovias, aeroportos e petroleiros
estão atrasados
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um exemplo do atraso não reconhecido nos balanços é
o reforço da frota nacional de petroleiros. Um dos lotes previa
originalmente a construção e entrega de quatro navios
até este ano. Hoje, o governo fala na conclusão do primeiro
deles em 31 de dezembro. Mesmo assim, ganhou o carimbo verde.
Já a construção de linhas de transmissão
de energia entre Amazonas, Pará e Amapá, que segundo
o primeiro balanço deveria ser concluída em dezembro,
foi esticada para 2013.
Das 134 ações destacadas no primeiro ano do PAC (2007),
77% (103) não foram ou não serão concluídas
no prazo original. Das 11 obras em aeroportos, 9 (82%) não
estão no prazo original. Nas rodovias, também foram
11 ações, sendo 9 descumpridas. Nas ferrovias, 5 das
6 tiveram prazos estendidos.
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
02 de fevereiro de 2010 | Brasil
TSE deve votar hoje regras de doação
a campanhas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) deve votar na noite de hoje as regras para as eleições
de outubro. Entre outros pontos, o tribunal deve esclarecer como se
dará a doação de recursos pela internet e pode
também restringir a possibilidade de financiamento oculto dos
candidatos.
O tribunal tem até a sexta-feira para aprovar todas as regras
da disputa.
Um dos pontos controversos é o que trata da possibilidade de
os eleitores doarem aos candidatos usando o cartão de crédito,
novidade aprovada pelo Congresso no ano passado. Depois de questionamento
dos partidos e das operadoras de cartão, o tribunal deve deixar
clara a possibilidade de doação também por cartão
de débito. O TSE ainda não esclareceu como as operadoras
deverão proceder, já que elas levam um tempo para repassar
o recurso aos candidatos, que têm prazo definido para a captação.
Em relação às doações ocultas -usadas
frequentemente pelas empresas para que não tenham o nome vinculado
diretamente ao candidato-, o tribunal quer acabar com duas de suas modalidades,
mas há forte pressão contrária dos partidos.
O TSE deve discutir também a possibilidade de redefinir o número
de vagas por Estado na Câmara dos Deputados, de acordo com a estimativa
populacional mais recente. Os Estados que perdem deputados federais
fazem lobby para derrubar a medida. Outra possibilidade é a de
o TSE exigir dos candidatos que eles informem quais são os processos
a que respondem na Justiça. A AMB (Associação dos
Magistrados Brasileiros) é uma das principais defensoras da medida.
|
AGÊNCIA DIAP, 02 de
março de 2010
Eleições 2010: Tasso passa
a ser 'plano B' tucano para vice de Serra
Por Catia Seabra,
Na Folha de S.Paulo
A redução da vantagem
de 14 para 4 pontos sobre a ministra Dilma Rousseff (PT), registrada
pelo último Datafolha, reforça a pressão do PSDB
sobre o governador José Serra para que manifeste o quanto antes
sua candidatura à Presidência.
Os números amplificam
o assédio ao governador de Minas, Aécio Neves, para que
aceite ocupar a vice de Serra, mas estimulam um plano B saído
do Nordeste -o senador Tasso Jereissati (CE) - para a chapa.
Para os tucanos, Tasso é
alternativa adequada a Aécio. Vendo em Serra sua única
chance de vitória, o comando do PSDB espera que o governador
avise logo que é candidato.
No sábado, o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso disse que a escolha de Tasso atrairia votos
no Nordeste - onde Dilma, que tinha 3 pontos de vantagem em dezembro,
agora tem 14 - e neutralizaria os ataques de Ciro Gomes.
Em 2002, Tasso abriu uma ferida
no PSDB ao apoiar Ciro Gomes (então no PPS) em vez de Serra para
presidente. Na época, justificou que sua prioridade era o Ceará,
onde PPS e PSDB se aliaram para eleger Lucio Alcântara ao governo.
Segundo a pesquisa publicada
ontem pela Folha, Serra caiu de 37% para 32% com relação
ao último levantamento, em dezembro. A candidata do PT cresceu
de 23% para 28%. Ciro Gomes (12%) e Marina Silva (8%) ficaram estagnados.
O vice-governador Alberto Goldman
chamou de "heroico" o desempenho de Serra, enfatizando que
o levantamento ocorreu depois do lançamento da candidatura de
Dilma.
"É surpreendente,
é heroico que Serra tenha mais de 30% depois da exposição
de Dilma".
O presidente nacional do PSDB,
Sérgio Guerra (PE), se vale do mesmo argumento. "Serra não
tem campanha nem a exposição de Dilma. Foi o tempo deles.
Haverá o nosso."
Para o deputado Jutahy Magalhães,
Serra voltará a crescer a partir do lançamento de sua
candidatura. "Este período, até abril, é o
mais difícil", admitiu.
Mas, a um mês do prazo
fatal para o anúncio de sua candidatura, Serra expõe a
aliados angústia acerca de sua decisão.
Ao mesmo tempo em que atua como
candidato - patrocinando alianças estaduais e avalizando a montagem
de uma estrutura de pré-campanha - consulta conselheiros sobre
a conveniência de abrir mão das chances de reeleição
para concorrer à Presidência. De um colaborador, ouviu
que é preferível tentar a reeleição.
Pela lei, Serra tem até
3 de abril para se afastar do governo para concorrer a outro cargo eletivo
que não a reeleição.
No ano passado, Serra pediu
ao PSDB suporte eleitoral nos Estados como condição para
uma vitória em outubro. Mas, até hoje, o partido não
definiu candidatos nem onde estão os seus principais líderes,
como Ceará e Amazonas.
E sinais - como o fato de o
deputado Ciro Gomes e Dilma terem sido convidados para a comemoração,
organizada pelo governo mineiro, do centenário de Tancredo Neves,
quinta-feira, em Belo Horizonte - só alimentam essa insegurança.
Enquanto o PT sacrifica seus
candidatos em nome de uma aliança com o PMDB, a governadora Yeda
Crusius não desiste da reeleição por um acordo
com o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB).
Além da fragilidade dos
palanques, Serra não esconde sua preocupação com
a comunicação do partido. Com menor tempo na TV, ele não
vê como o PSDB pode blindá-lo de boatos disseminados pelos
petistas.
Outro alvo de apreensão
é o risco de explosão de gastos do governo federal no
próximo mandato. No PSDB, há quem defenda como ideal que
Dilma assuma a conta para que o tucanato volte ao poder em 2014.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de março de 2010 | Política
Ciro comemora queda de Serra em pesquisa
O deputado federal e pré-candidato a presidente da República
pelo PSB, Ciro Gomes (CE), disse hoje, em João Pessoa (PB), que
a última pesquisa do Instituto Datafolha "começa
a anunciar que a ameaça da volta ao passado está diminuindo".
Ele se referia à queda do governador paulista e possível
candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra (PSDB),
nas intenções de voto.
Segundo o Datafolha, Serra caiu
cinco pontos em relação à pesquisa anterior. A
ministra e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, cresceu cinco
pontos. O tucano aparece com 32%, a petista com 28% e Ciro aparece com
12% das intenções de votos. Na pesquisa anterior, o pessebista
tinha 13%.
"Apesar de eu ter a menor
estrutura de poder, sou um candidato que frequenta a faixa dos 12% estáveis,
o que significa quase 20 milhões de brasileiros dando a este
modesto nordestino a oportunidade de participar do debate eleitoral",
disse Ciro Gomes. Segundo ele, o resultado da pesquisa do Datafolha
em nada vai alterar sua candidatura ao Palácio do Planalto. Ciro
esteve hoje em João Pessoa para apoiar a pré-candidatura
do prefeito Ricardo Coutinho (PSB) ao governo da Paraíba.
Ele criticou o que chama de desejo da grande mídia paulista de
reduzir a política a um choque de pesquisas. "Não
podemos, a pretexto do que deseja a grande mídia de São
Paulo, reduzir a política a um choque de pesquisas, nem a tratativas
de Brasília. Se pesquisa fosse suficiente, o povo não
teria que resolver. A gente apenas contrataria os institutos de pesquisa",
disse o deputado.
Segundo ele, a campanha
é mais importante do que as pesquisas. O pré-candidato
disse que tem 30 anos de vida pública limpa e que ajudou a implantar
o real e a concretizar o projeto de governo do presidente Lula. "Tenho
contribuição a dar ao País", afirmou.
|
GAZETA DO POVO, 02 dee março
de 2010 | Vida Pública
Racha governista
PT ameaça deixar o governo Requião
Partido anuncia hoje se deixa a administração
estadual em desagravo ao ministro Paulo Bernardo, acusado pelo governador
de propor o superfaturamento de uma obra
O PT ameaça romper com o governo de Roberto Requião (PMDB)
e entregar os cargos dos secretários de estado petistas, Valter
Bianchini (Agricultura) e Lygia Pupato (Ciência e Tecnologia).
O anúncio oficial deve ser feito hoje. No caso de ser confirmada
a ruptura, marcaria o fim de uma parceria de sete anos entre o PMDB
e o PT no Paraná.
A Executiva Estadual do PT fez
ontem duas reuniões – uma pela manhã e outra à
noite – para discutir uma reação oficial às
acusações feitas pelo governador Roberto Requião
ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT). De tarde,
alguns integrantes do PT chegaram a anunciar o rompimento com o governador,
mas o presidente estadual do PT, o deputado estadual Ênio Verri,
negou que a decisão tivesse sido tomada.
Desagravo
A possível ruptura pode
ser interpretada como um sinal de desagravo do partido ao ministro do
Planejamento, acusado por Requião de propor o superfaturamento
da construção do desvio ferroviário entre Guarapuava
e Ipiranga – obra que nunca saiu do papel.
Na semana passada, o governador
acusou Bernardo de propor a construção do ramal por R$
500 milhões, quando o valor real da obra, segundo Requião,
seria de apenas R$ 150 milhões. Ou seja, Bernardo, de acordo
com o governador, teria proposto um superfaturamento de R$ 350 milhões.
Sem descartar alianças
Apesar dos atritos entre Requião
e os petistas, o presidente do PT no Paraná, Ênio Verri,
foi diplomático. Disse que o partido está discutindo o
“relacionamento com o governador”. Mas, segundo ele, uma
possível saída do governo não deve ser interpretada
como um descarte definitivo de uma aliança entre os dois partidos
na eleição deste ano, embora PMDB e PT caminhem hoje em
direções opostas: o vice-governador deve ser o candidato
peemedebista ao Palácio Iguaçu enquanto os petistas tendem
a apoiar a candidatura do senador Osmar Dias (PDT).
Verri ontem afirmou que o partido
aguarda a vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Paraná,
no próximo dia 12, para dar o primeiro passo nos vários
“estágios” da aliança com o senador Osmar.
Embora não tenha dito claramente, especula-se que um desses estágios
seja a tentativa de agregar o PMDB na coligação PT-PDT.
Mas nem todos petistas foram
tão diplomáticos. Membro da direção nacional
do PT, o deputado federal André Vargas defendeu a saída
imediata do partido do governo estadual. “Foi o Requião
que saiu da aliança”, disse. “Depois que ele atacou
o Paulo Bernardo, não tem mais sentido ficar no governo.”
Ao saber que os petistas poderiam
deixar o governo, deputados do PMDB ironizaram. Lembraram que falta
um mês para o prazo final da renúncia do próprio
Requião, que pretende disputar as eleições deste
ano e terá de se desincompatibilizar do cargo até o início
de abril.
Os peemedebistas também
ironizaram a possibiliade de os dois secretários estaduais do
PT deixarem o governo neste período, já que muitos integrantes
do primeiro escalão do governo também vão ter de
renunciar se quiserem concorrer nas eleições. “Será
que eles vão cumprir aviso prévio”, provocou um
parlamentar, que não quis ter seu nome divulgado. O deputado
Reinhold Stephanes Júnior (PMDB) emendou: “O pessoal do
PT é tudo cachorro magro. Depois de oito anos, saem
do governo na véspera do prazo final”.
Sete anos
O PT do Paraná
ajudou Requião a chegar à cadeira de governador nas eleições
de 2002 e 2006, principalmente com o apoio eleitoral do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Os dois partidos trabalharam em conjunto
nas duas eleições, mas a aliança foi fundamental
na última campanha eleitoral, quando o governador conseguiu reeleger-se
ao vencer Osmar Dias pela diferença de 10.479 votos. Contraditoriamente,
a “briga” entre Requião e Paulo Bernardo deve acelerar
a oficialização de uma aliança dos petistas com
Osmar.
Reunião petista
Aliança com Osmar está na
pauta
Uma possível decisão
do PT no Paraná de deixar a base de apoio do governo Roberto
Requião (PMDB) pode vir seguida do anúncio de uma aproximação
ainda maior com o PDT, que tem o senador Osmar Dias como pré-candidato.
Além de avaliarem ontem
o abandono do governo estadual, os dirigentes da executiva estadual
também discutiram a “carta de princípios”
que irá basear a construção de um programa de governo
conjunto com Osmar.
A elaboração do
programa conjunto foi definida no início de fevereiro na casa
do senador Osmar Dias, em Brasília, na presença do presidente
nacional do PT, José Eduardo Dutra e do presidente do PT-PR,
Ênio Verri.
A carta de princípios
deve ser elaborada pelos dois partidos e trazer definições
ou metas de governo. A partir delas, os líderes das duas legendas
devem se reunir para discutir quais diretrizes poderão ser integradas
numa possível aliança para as eleições deste
ano e quais cada partido terá que abrir mão.
Ontem, ninguém da executiva
estadual do PT deu detalhes sobre a carta nem quando poderá ser
finalizada.
Já o presidente do PDT
no Paraná, deputado Augustinho Zucchi, tentou minimizar a importância
da carta de princípios, documento de intenções
que serviria para determinar uma aliança entre os dois partidos.
Segundo ele, tanto não seria determinante para as alianças
que o PDT estaria aberto a outras possíveis alianças.
“Na sexta-feira à noite, estive com o (vice-governador
Orlando) Pessutti (PMDB) no Sudoeste. É um sinal claro que estamos
abertos a conversa sobre a sucessão estadual.”
Palanque para Dilma
A coligação com
o PDT interessa ao PT para dar um bom palanque, no Paraná, à
ministra da Casa Civil e pré-candidata à Presidência
da República, Dilma Rousseff. O PDT faz parte da base
de sustentação política do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no Congresso desde 2003. (HC)
|
DIAP, 02 de fevereiro de
2010
Sindicatos: proteção do
assalariado contra trabalho temporário e terceirizado
"O resultado é de vital importância para os trabalhadores
posto que elimina a precarização da mão-de-obra
e garante a aplicação dos benefícios alcançados
pelos acordos coletivos da categoria (...)", afirmou Antonio Rosella,
advogado do sindicato
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) examinando recurso do Sindicato
da Construção Civil de São Paulo garantiu a prerrogativa
de proteção dos trabalhadores para não se submeterem
ao trabalho temporário e o terceirizado.
A Convenção Coletiva de 2006 acordada com os patrões
pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção
Civil de São Paulo estabeleceu que as empresas devem manter trabalhadores
registrados com contrato na Carteira Profissional, "não
podendo haver funcionários autônomos, trabalhadores de
cooperativa de mão-de-obra, bem como trabalhadores temporários".
O Sindicato das Empresas de
Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação
e Administração de Mão-de-Obra e de Trabalho Temporário
no estado de São Paulo (Sindeprestem) impugnou com uma ação
no TRT/SP (Tribunal Regional de São Paulo/SP) para anular a cláusula
tendo sido adotado o entendimento pelo TRT/SP, de que em convenção
coletiva não pode afetar direitos assegurados às categorias
que não participaram das negociações.
O Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil recorreu ao TST que acolhendo o recurso
assegurou a vigência da cláusula reformando a decisão
Regional, ou seja, que as empresas não podem contratar terceirizados
ou temporários respeitando as negociações intersindicais.
"O resultado é
de vital importância para os trabalhadores posto que elimina a
precarização da mão-de-obra e garante a aplicação
dos benefícios alcançados pelos acordos coletivos da categoria,
a exemplo de piso salarial, vale alimentação, isonomia
salarial entre outros", afirmou Antonio Rosella, advogado do Sindicato
dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil
de São Paulo. (Fonte: Força
Sindical)
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
02/03/2010
Banco pode compensar horas extras sem critério
mensal
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho autorizou o Banco Banestado a descontar as horas extras
efetivamente pagas a uma ex-empregada sem observância do critério
de competência mensal. A decisão, unânime, foi baseada
em voto relatado pelo presidente do colegiado, ministro Barros Levenhagen.
No entendimento do Tribunal
do Trabalho do Paraná (9ª Região), o abatimento dos
valores pagos somente podia ser feito no respectivo mês em que
as diferenças fossem apuradas. Se em determinado mês o
empregador remunerasse horas extras em valor superior ao devido, ainda
que a título de complemento de trabalho suplementar realizado
em outros meses, esse fato não podia ter repercussão para
efeito de diminuição do crédito de período
diverso.
Para o TRT, portanto, nessas
situações, haveria pagamento por mera liberalidade da
parte do empregador, pois as horas extras deveriam ser abatidas na sua
totalidade. Por consequência, o Regional negou provimento ao recurso
ordinário do Banestado quanto a esse ponto.
Mas, ao analisar o recurso de
revista da empresa, o ministro Barros Levenhagen concluiu que, quando
se trata de dedução de horas extras pagas a menor, essa
deve observar o universo do sobretrabalho quitado, sem a limitação
imposta pelo critério da competência mensal, de modo a
evitar o enriquecimento sem causa do trabalhador.
Ainda de acordo com o relator,
pode ocorrer de as horas extras prestadas em determinado mês terem
sido pagas conjuntamente com outras no mês subseqüente. Desse
modo, se prevalecesse o critério da dedução mês
a mês, as horas prestadas em determinado mês, e pagas no
seguinte, não seriam deduzidas da sanção jurídica.
(RR – 1880200-29.2003.5.09.0012)
(Lilian Fonseca)
|
02/03/2010
Carregador de tacos de golfe foi reconhecido
como empregado
Um carregador de bolsa com tacos
de golfe para o atleta jogar – denominado “caddie”
– foi reconhecido como empregado do clube, apesar dos argumentos
da outra parte de que não havia entre os dois nenhuma relação
de emprego, tanto que sua remuneração era paga diretamente
pelos jogadores. A relação empregatícia, reconhecida
em sentença de primeiro grau, mantém-se, após a
Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho negar rejeitar agravo
de instrumento do clube.
A circunstância de o trabalhador
ser pago diretamente pelos usuários, ao invés de receber
do empregador, não é motivo para desnaturar a relação
de emprego, pois existem exceções à regra, a exemplo
do caso dos garçons, informou o ministro Walmir Oliveira da Costa,
que analisou o recurso do clube na Primeira Turma. Ficou claro que o
empregador beneficiava-se da força de trabalho do empregado,
pois o seu serviço estava diretamente ligado à atividade-fim
do clube, esclareceu.
De acordo com o relator, o acórdão
do 15º Tribunal Regional (Campinas-SP) atestou que os serviços
prestados pelo “caddie” caracterizaram a relação
empregatícia, de forma que qualquer decisão contrária
demandaria o revolvimento de fatos e provas, que não é
permitido nesta instância recursal, como estabelece a Súmula
nº 126 do TST.
Por unanimidade, a Primeira
Turma rejeitou o agravo de instrumento do empregador, ficando reconhecida
a relação empregatícia. (AIRR-206040-50.2002.5.15.0018)
(Mário Correia)
|
02/03/2010
Petição eletrônica em
desacordo com as regras da Instrução Normativa 30 é
irregular
Apesar de um agravo de instrumento
se encontrar tempestivo (dentro do prazo) e com representação
regular, o seu conhecimento foi negado pela Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, pois não constava da petição
eletrônica do recurso de revista o nome do remetente da petição
e, ainda, pelo fato de o credenciamento da assinatura eletrônica
ter sido feito pelo TRT fora da data limite estabelecida pela Instrução
Normativa nº 30.
A Instrução Normativa
nº 30 do Tribunal Superior do Trabalho regulamenta, no âmbito
da Justiça do Trabalho, a Lei 11.419, que dispõe sobre
a informatização do processo judicial. No seu art. 9º
orienta que o Sistema Integrado de Protocolização e Fluxo
de Documentos (e-Doc), ao receber a petição da parte,
expede um recibo da entrega e da petição e dos documentos
que a acompanham, em que consta entre outras informações
a identificação do remetente da petição
e do usuário que assinou o documento.
Os credenciamentos para se fazer
uso da assinatura eletrônica já feitos pelos regionais
antes da publicação da IN 30 e que estivessem em desacordo
com as regras nela estabelecidas tiveram um prazo de validade estabelecido
de 180 da última publicação da IN 30, devendo os
usuários efetuar o credenciamento até a data-limite estabelecida.
Foi exatamente isto que não ocorreu no caso analisado pela 3ª
Turma do TST, pois o credenciamento se deu em 06/04/2009, quando a data-limite
seria 17/03/2008, visto que a última publicação
da IN 30 ocorrera em 18/09/07.
Desta maneira o relator Ministro
Horácio de Senna Pires observou que a “apresentação
de petição eletrônica em desacordo com as regras
da Instrução Normativa nº 30, enseja a irregularidade
na interposição do recurso de revista, em cujo recibo
não consta a identificação do remetente”.(AI-RR-24040-34.2008.5.08.0126)
(Dirceu Arcoverde)
|
02/03/2010
Terceirizado consegue manter enquadramento
como bancário
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho negou provimento a um recurso de revista da Cobra
Computadores e do Banco do Brasil, o que mantém, na prática,
decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região
(Goiás) que enquadrou como bancário um empregado terceirizado,
em razão das atividades que ele exercia, e determinou a responsabilidade
subsidiária das empresas envolvidas em sua contratação.
Ele era contratado por empresa prestadora de serviços para a
Cobra Tecnologia S/A que, por sua vez, colocou-o à disposição
do Banco do Brasil.
As empresas, nas razões
apresentadas no TRT da 18ª Região, assim alegaram: o Banco
do Brasil, apontando violação de lei e contrariedade a
súmulas do TST, considerou meramente acessórias as atividades
exercidas pelo trabalhador, visto que não eram funções
ligadas à sua atividade-fim; a Cobra Tecnologia, por seu lado,
ressaltou que parte do seu capital (85%) estava em poder do Banco do
Brasil e, tendo ela, por isso, o mesmo regime jurídico daquela
instituição bancária, não via razão
para o reconhecimento de vínculo de emprego.
A juíza convocada Maria
Doralice Novaes, relatora do processo na Sétima Turma, ressalta
a demonstração do Tribunal Regional de que o empregado
trabalhava nas dependências do banco, onde classificava e preparava
documentos recolhidos dos caixas eletrônicos, destinados à
compensação bancária. Portanto, as atividades do
empregado (classificação e preparação de
documentos), eram tipicamente bancárias, embora não fossem
idênticas àquelas desempenhadas pelos funcionários
do Banco.
A Sétima Turma, seguindo
as considerações da relatora do processo, e ressaltando
a impossibilidade do reexame de fatos e provas, conforme a Súmula
126 do TST, unanimemente rejeitou os recursos das empresas. (Processo
RR-51500-08.2007.5.18.0011)
(Raimunda Mendes)
|
FETRACONSPAR, 2 de março de 2010 |
Eventos
Eleições Sindicais
Encerrado o prazo para registro de chapas
nas eleições do SINDIMONT
|
|
Comissão
Eleitoral, recebendo a chapa do candidato |
Nesta terça-feira
(02/03), foi encerrado o prazo para registro de chapas da eleição
que será realizada nos dias 10 e 11 de junho de 2010, no SINDICATO
DOS TRABALHADORES NAS EMPRESAS DE MONTAGEM, MANUTENÇÃO
E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NAS ÁREAS INDUSTRIAIS
DO ESTADO DO PARANÁ – SINDIMONT.
GERALDO RAMTHUN – Presidente da FETRACONSPAR
e Diretor Secretário Regional da CNTI e RONI ANDERSON
BARBOSA – Presidente da Central Única dos Trabalhadores
(CUT/PR), acompanharam o registro da chapa que foi apresentada a Comissão
Eleitoral.
A chapa será encabeçada pelo companheiro ANTONIO
LEMOS DO PRADO, atual presidente da entidade.
|
| Gilmar
Carlos Lisboa apresenta a chapa a Comissão Eleitoral |
|