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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de março de 2010 | Política
Audiência do salário mínimo
termina em confusão
Elizabete Castro
A audiência pública para debater o projeto que reajusta
o piso regional não chegou ao fim, ontem, no plenário
da Assembleia Legislativa. O presidente da Comissão de Constituição
e Justiça, Durval Amaral (DEM), interrompeu a audiência
quarenta minutos depois do seu início quando trabalhadores ligados
à Força Sindical, que ocupavam as galerias, vaiaram a
presidente da Associação Comercial do Paraná, Avani
Rodrigues, que considera elevado o índice de reajuste do salário
mínimo proposto pelo governo e defendeu a livre negociação
entre empregados e patrões.
A proposta corrige o piso entre
9,5% e 21,5%, variando entre R$ 663 e R$ 765, dependendo do setor de
atividade, e vale para os trabalhadores de categorias que não
dispõem de acordo ou convenção coletiva de trabalho.
Amaral também anunciou
que estão canceladas as reuniões que estavam agendadas
para Londrina e Maringá, na próxima semana. “Eu
não presidirei mais nenhuma audiência. Esses baderneiros,
que não representam de verdade os trabalhadores, não respeitaram
quem estava usando a palavra”, afirmou o presidente da CCJ, que
também foi vaiado pelo público que considerou que ele
estava concedendo mais tempo do que os cinco minutos combinados para
os representantes dos empregadores contrários ao piso.
O líder do governo, Luiz
Claudio Romanelli (PMDB), que estava ao lado de Amaral na mesa que coordenava
a audiência, disse que faltou habilidade ao presidente da CCJ.
“Ele deveria saber que
o processo democrático é assim mesmo. Alguns oradores
vão receber manifestação de aplausos e outros de
reprovação”, afirmou. Se Amaral não quiser
mais fazer as audiências públicas, Romanelli avisou que
irá antecipar a apresentação do seu parecer ao
projeto na Comissão de Constituição e Justiça.
Antes de ser vaiada, a presidente
da Associação Comercial também havia extrapolado
o tempo de cinco minutos para criticar declarações feitas
por alguns deputados, após a primeira das audiências, realizada
em Foz do Iguaçu, na semana passada, quando afirmaram que votariam
favoravelmente ao projeto, independente dos argumentos contrários
dos empresários.
“Se já estava tudo
decidido, então, não entendo por que nos chamam para participar
das audiências”, protestou a empresária, que havia
começado seu discurso afirmando que se sentia pouco à
vontade para expor sua posição.
O presidente da Força
Sindical, Sérgio Butka, que havia defendido a proposta, antes
da presidente da ACP, reagiu à interrupção da audiência.
“Isso aí foi um pretexto para tentar derrubar o piso. Eles
não tinham mais argumento contra e resolveram acabar com o debate”,
afirmou.
O vice-presidente da Federação
das Indústrias do Paraná, Helio Pampi, e o presidente
da Federação das Associações Comerciais
e Empresariais do Paraná, Ardisson Naim Akel, defenderam negociações
salariais específicas para cada um dos setores da economia -
indústria, comércio e serviços e agricultura. “Cada
setor produtivo deve sentar com os sindicatos e fazer um acordo coletivo
de acordo com as especificidades de cada área”, disse o
representante da Fiep.
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BEM PARANÁ, 19 de março de 2010
| Política
Sob vaias, deputados suspendem audiência
pública na Assembleia

Foto: Franklin de Freitas
A Assembleia acaba de suspender
a audiência pública para discussão da proposta de
reajuste do salário mínimo regional.
Os populares, que lotavam as
galerias, não permitiram que a reunião tivesse continuidade.
Cada deputado que tentava discursar era interrompido por uma avalanche
de vaias.
O episódio é clara
reação a série de denúncias de corrupção
apresentadas pela Rede Globo contra o Legislativo paranaense.
Em tempo: As vaias
na verdade eram direcionadas aos representantes da classe empresarial,
obviamente contrários ao reajuste do mínimo.
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Gazeta
do Povo, 19 de março de 2010
Polêmica
Vaias suspendem audiência pública sobre piso regional

Integrantes da Força Sindical e
da CUT ocuparam as galerias da Assembléia
Vaias de sindicalistas a representantes da classe
empresarial acabaram com a discussão sobre o projeto de reajuste
do salário mínimo regional ontem na Assembleia Legislativa.
Integrantes da Força Sindical e da Central
Única dos Trabalhadores (CUT) foram acusados de serem os pivôs
da suspensão da audiência pública que estava sendo
realizada para debater a proposta do governo do estado de aumento do
piso regional, que varia de 11,9% a 21,5%. A sessão especial
havia começado há 40 minutos quando foi suspensa pelo
presidente da Comissão da Constituição
e Justiça (CCJ), Durval Amaral, que comandava os trabalhos.
A interrupção ocorreu durante
a fala do quarto convidado a usar a tribuna, a presidente da Associação
Comercial do Paraná (ACP), Avani Slomp Rodrigues. Ela fazia um
alerta para os reflexos que o aumento salarial pode provocar na economia,
quando foi interrompida por vaias de representantes das sindicais de
trabalhadores.
O presidente da CCJ, Durval Amaral, ameaçou
suspender a audiência pública se os ocupantes das galerias
não fizessem silêncio durante os pronunciamentos. Como
não foi atendido, encerrou os trabalhos. Ele defendeu inclusive
o cancelamento das próximas audiências públicas,
marcadas para o dia 25, em Londrina e Maringá. Segundo Durval
Amaral, os mesmos manifestantes participaram da audiência pública,
realizada em Foz do Iguaçu, na última sexta-feira.
O cancelamento agradou aos empresários,
mas irritou os representantes dos sindicatos. “Queriam
um motivo para não aprovar o projeto de reajuste e encerraram
a sessão porque não tinham mais argumentos contra o projeto”,
declarou o presidente da CUT, Sérgio Butka, que considerou a
decisão infeliz. Segundo Butka, as centrais sindicais se manifestaram
porque os empresários contrários ao piso estariam tendo
mais tempo para usar a tribuna do que os defensores do aumento. O prazo
para cada orador foi fixado em 5 minutos. O líder do governo,
Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), disse que Durval Amaral é
“equilibrado”, mas teria praticado um ato impensado. “Não
dá pra fazer audiência pública sem manifestações
contra ou a favor”, argumentou.
Com o novo aumento proposto pelo governo, a
faixa salarial, que atualmente varia de R$ 605,52 e R$ 629,45 vai passar
para R$ 663,00 e R$ 765,00. O piso é pago aos trabalhadores que
não têm acordo coletivo e está dividido em quatro
faixas salariais, dependendo da categoria profissional.
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FOLHA DE LONDRINA, 19 de
março de 2010 | Política
Vaias põem fim à audiência
sobre mínimo regional
Curitiba - Terminou em confusão uma audiência realizada
ontem na Assembleia Legislativa do Paraná para discutir o salário
mínimo regional do Estado. O deputado estadual Durval Amaral
(DEM), que presidia o encontro, decidiu encerrar a audiência devido
às vaias de trabalhadores que estavam nas galerias do plenário.
Até o encerramento da
audiência, haviam se pronunciado representantes da Federação
das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do
Paraná (Faciap), da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego
e Promoção Social, da Força Sindical, do Instituto
Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e da
Associação Comercial do Paraná (ACP). Durante a
fala da representante da ACP, Durval Amaral disse que, se as vaias não
acabassem, a audiência seria interrompida. Como os protestos continuaram,
o deputado encerrou a audiência. As próximas discussões,
marcadas para Maringá e Londrina foram suspensas. Atualmente,
três projetos de lei sobre o salário mínimo regional
do Paraná tramitam na Assembleia Legislativa. Um sugere a criação
de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para que o mínimo
seja incorporado à Constituição do Estado, com
reajuste pela variação do PIB do Paraná e à
inflação. Outro projeto trata da aumento para 2010, variando
entre 9,5% e 21,5%. O terceiro, obrigaria as prestadoras de serviços
ao Governo a adotarem o piso estadual.
Fábio Galão
Equipe da Folha
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Folha de S.Paulo, 19 de
março de 2010
Salários:
Novos pisos em São Paulo valerão
a partir de 1º de abril
O menor valor, para os trabalhadores domésticos, serventes e
motoboys, passará de R$ 505 para R$ 560, com aumento de 10,89%.
A segunda faixa passa de R$ 530 para R$ 570 (reajuste de 7,55%). A maior
faixa sobe 6,42%, passando de R$ 545 para R$ 580. Com o aumento, empregados
domésticos e patrões pagarão mais ao INSS. Os empregados
pagarão R$ 44,80 (hoje, R$ 40,80). Já os empregadores
pagarão R$ 67,20 (hoje, R$ 61,20). No total, serão R$
112 (hoje, R$ 102).
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de março de 2010 | Economia
Curitiba registra 3.639 novos empregos
formais em fevereiro
SMCS
O número de vagas de emprego formal em Curitiba voltou a crescer
em fevereiro, com a criação de 3.639 vagas no município,
o que representa aumento de 0,6% em relação a janeiro
passado. Com as novas vagas Curitiba alcança um estoque de 631.773
trabalhadores com carteira de trabalho assinada.
Este foi o melhor saldo positivo
de empregos para o mês de fevereiro na capital paranaense desde
2000 e representa um desempenho cinco vezes superior a fevereiro de
2009, quando foram criadas 721 vagas de emprego formal no município,
um dos períodos mais intensos da crise financeira mundial. "Tudo
aponta para que tenhamos um excelente ano para o emprego em Curitiba.
Por isso estamos correndo contra o tempo para capacitar jovens para
ocupar estas vagas que serão abertas", afirma o secretário
do Trabalho e Emprego, Jorge Bernardi.
As informações são do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, e foram analisadas
pelo Observatório do Trabalho, convêni entre a prefeitura
de Curitiba e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Socioeconômicos).
Nos dois primeiros meses do
ano de 2010, o saldo do emprego em Curitiba foi de 6.891 novos postos
de trabalho, o que corresponde a uma variação de 1,1%
sobre o estoque do emprego em 31 de dezembro de 2009 no município.
Os destaques foram os
setores de atividades de serviços e construção
civil, que juntos acumularam saldo positivo de 3.013 novos postos formais.
Na construção civil o aumento foi de 1,1% em fevereiro
de 2010, com 401 novos postos de trabalho.
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Vermelho, 19 de março
de 2010
Diesse: valorização
do salário mínimo beneficia quem ganha mais
A política de valorização do salário mínimo
adotada pelo governo Lula não beneficia apenas os que recebem
o modesto piso nacional (que são milhões). Também
está impactando positivamente as campanhas salariais de categorias
com salários superiores ao mínimo, segundo o Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), que divulgou nesta quinta (18) o balanço das negociações
salariais de 2009.
A pesquisa abrange 692 negociações realizadas nas diferentes
regiões e em todos os setores da economia (indústria,
comércio e serviços), com exceção da agropecuária.
O Dieese concluiu que “os reajustes salariais foram poucos afetados
pela crise internacional deflagrada nos últimos meses de 2008.
Um dado concreto que corrobora essa tese é a sequencia ininterrupta
de seis anos, iniciada em 2004, que mostra que 80% ou mais das categorias
afetadas conquistaram reajustes em percentual no mínimo igual
ao INPC-IBGE – Índice Nacional de Preços ao Consumidor,
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas”.
Impacto positivo
O estudo observa que, apesar
de ainda discreta, “cresce (de 1%, em 2008, para 3% em 2009) a
presença de unidades de negociação com mais de
4% de ganho real. É possível dizer que este incremento
está diretamente relacionado à política de valorização
do salário mínimo nacional, pois quando são identificadas
as categorias que atingiram ganho acima de 4% observa-se que os pisos
salariais destas categorias são muito próximos do mínimo
nacional e que os ganhos reais praticados no salário mínimo
foram transferidos não só para aqueles que recebem o piso
salarial, mas também para as faixas imediatamente superiores
de salários.”
Deste modo, “o comportamento
do salário mínimo nacional, ao menos para as categorias
de menor remuneração, tornou-se um aliado não só
na elevação dos pisos salariais, mas também no
reajustamento dos salários mais baixos, provocando um efeito
cascata sobre as faixas salariais próximas do novo salário
mínimo. Este fenômeno ocorre para que os trabalhadores
com menos tempo de casa, que recebem o piso da categoria, não
venham a ter remuneração igual ou até superior
aos mais antigos da mesma função”, opina o Dieese.
Setores
Por setores da economia, a indústria,
que sofreu o maior impacto da crise, registra “um recuo na quantidade
de categorias com ganho real nos salários, ainda assim pouco
expressivo (regride de 88% para 85%). No comércio [que não
entrou em recessão], o percentual se manteve estável no
patamar de 88%, enquanto no setor de serviços observa-se uma
melhora expressiva: uma elevação de 11 pontos percentuais
na proporção dos reajustes com ganho real.”
Ao analisar os reajustes acumulados
em duas datas-base (2008 e 2009), o Dieese constatou que cerca de 85%
das 692 negociações pesquisadas “obtiveram aumentos
reais na comparação com a inflação do biênio;
5% reajustes apenas suficientes para repor o poder de compra dos salários;
e 11% acumularam perdas”, sendo que “apenas 22 categorias
profissionais negociaram índices inferiores ao INPC-IBGE em ambos
os anos, o que representa pouco mais de 3% das unidades de negociação
estudadas. Por outro lado, 472 negociações (68% do painel)
obtiveram aumentos reais tanto em 2008 quanto em 2009”.
Regiões
Foi na indústria que
os trabalhadores obtiveram ganhos mais significativos, de acordo com
o estudo, “pois aproximadamente 11% das negociações
salariais ultrapassaram 5% de aumento real”. Já no setor
de serviços “o retrospecto é o menos favorável.
Um indício é a quantidade de categorias com perdas salariais
acumuladas no intervalo 2008-2009 que totaliza algo em torno de 19%”.
Por regiões, “em
2009, as unidades da federação que compõem o Centro-Oeste
registraram a menor proporção de percentuais de reajuste
abaixo da inflação (4%), seguidas de perto pela região
Sul (5%). A situação do Norte e nos documentos de âmbito
nacional foi um pouco diferente: 15% sequer alcançaram a inflação
acumulada na data-base. No Sudeste, onde há o maior número
de unidades de negociação, 77% das categorias garantiram
reajustes superiores ao INPC-IBGE, 15% igualaram e 8% ficaram abaixo
do índice.”
Valorização do trabalho
e desenvolvimento
Refletindo a recuperação
da economia, “as negociações com datas-base no segundo
semestre foram as que apresentaram maior de reajustes acima da inflação
em 2009. Enquanto nas datas-bases de julho a dezembro ao menos 85% conquistaram
ganhos reais de salários, no primeiro semestre [quando a crise
ainda se fazia sentir com certa força] apenas em um mês
(janeiro) a marca dos 80% foi atingida.”
O comportamento dos salários
foi fundamental para o crescimento do consumo doméstico. E o
fortalecimento do mercado interno foi o fator que amorteceu os impactos
da crise e conduziu a economia ao caminho da recuperação
e expansão. Os fatos dão razão aos que defendem
a valorização do trabalho como fonte do desenvolvimento
nacional.
Otimismo
A evolução da
inflação também teve um impacto positivo nas negociações,
segundo o Dieese. “Sabe-se que a negociação do percentual
de reajuste é facilitada em momentos nos quais não há
risco de descontrole inflacionário”.
Para este ano as expectativas
são otimistas. “As estimativas apontam para um ano de crescimento
econômico robusto e expansão do nível de emprego.
Se ao longo dos demais meses as expectativas favoráveis que os
indicadores econômicos vêm revelando se confirmarem, é
razoável supor um ano ainda mais positivo para a negociação
coletiva de salários”, conclui o estudo.
Da redação, Umberto
Martins
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Folha de S.Paulo, 19 de
março de 2010
Retomada da economia reforça
ganho salarial
Dieese mostra que inflação baixa
e volta da confiança elevaram número de reajustes acima
da inflação
VERENA FORNETTI
DA REDAÇÃO
A desaceleração
da inflação e o crescimento da economia no segundo semestre
de 2009 beneficiaram as negociações salariais feitas entre
sindicatos e empresas a partir de julho e reverteram a tendência
dos acordos e convenções coletivas observada no início
de 2009, quando os trabalhadores tiveram ganhos menos favoráveis.
Segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos), 79,9% das 692 negociações
monitoradas em 2009 obtiveram aumentos salariais acima da inflação.
O número é melhor que o do ano anterior, quando o percentual
registrado foi de 77,2%. O resultado é pior, porém, que
o dos dois anos anteriores.
Considerados os reajustes acima ou, pelo menos, iguais ao INPC (Índice
Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE, o percentual alcança
92,6%.
O economista Fábio Romão, da LCA Consultoria, afirma que
a inflação mais baixa no ano passado favoreceu as negociações.
"A inflação escorregou três pontos percentuais,
na taxa anualizada, ao longo do ano passado", afirma. Com a inflação
baixa, é mais fácil para os sindicatos igualar o índice
de preço nos reajustes salariais.
Por outro lado, a amplitude do reajuste foi afetada pela recessão
econômica. Em pouco mais da metade das negociações,
os aumentos reais -ou seja, acima da inflação- foram menores
que 1%. Em 2007, ano que não sofreu influência da crise,
ocorreu o inverso: em 48,5% dos acordos os reajustes reais variaram
de 1% a 3%.
O levantamento do Dieese também mostra que alguns setores ainda
tiveram dificuldades para repor a inflação nas negociações
coletivas. Na indústria urbana (que inclui setores ligados ao
saneamento e à energia), 20,6% dos acordos não conseguiram
sequer repor a inflação no ano passado.
Perspectiva
favorável
José Silvestre, coordenador de relações sindicais
do Dieese, afirma que a tendência positiva para as negociações
salariais deve se repetir neste ano, caso a inflação se
mantenha em patamar próximo ao de 2009.
O economista da LCA acrescenta que, embora não haja perspectiva
de desaceleração para a inflação neste ano,
o que impulsiona os aumentos reais, a retomada da economia favorecerá
os ganhos salariais acima da inflação neste ano.
"Passaremos de uma retração do PIB de 0,2% em 2009
para um crescimento em torno de 5,8% em 2010. Sem dúvida será
um ano favorável para os ganhos reais", diz Romão.
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Gazeta do Povo, 19 de março
de 2010
Trabalho
80% das categorias têm aumento real
nos salários
Resultado é referente às negociações
do ano passado, quando a economia brasileira encolheu. Para 2010, a
expectativa é de que os números sejam os melhores das
últimas três décadas
Oito em cada dez categorias
profissionais conseguiram aumentos reais de salário em 2009,
na contramão do desempenho da economia, que encolheu pela primeira
vez em 17 anos. Para os trabalhadores, foi o terceiro melhor resultado
das negociações salariais desde 1996, início da
série histórica do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Incluindo na conta os profissionais
que conseguiram reajustes iguais à variação dos
preços, quase 93% das campanhas salariais do ano passado terminaram
com a reposição da inflação, informou ontem
o Dieese.
Um desempenho que, para especialistas,
reforça as chances de que 2010 seja o melhor ano para o mercado
de trabalho brasileiro nas últimas três décadas,
com geração recorde de empregos e aumentos salariais ainda
mais generosos. “Se ao longo dos próximos meses as expectativas
favoráveis que os indicadores econômicos vêm revelando
se confirmarem, é razoável supor um ano ainda mais positivo
para a negociação coletiva de salários”,
afirma o documento do Dieese.
Anselmo Santos, professor de
Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),
avalia que o primeiro passo para isso já foi dado – trata-se
do vigoroso aumento do salário mínimo. Em janeiro, ele
subiu de R$ 465 para R$ 510, com aumento nominal de 9,7%. Descontando-se
a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC), o reajuste real chega a 4,4%. O novo patamar do
benefício, explica o economista, deve influenciar boa parte das
campanhas deste ano, em especial as de categorias com salários
mais próximos do mínimo.
“A expectativa é
que as negociações reflitam também o crescimento
do mercado formal de trabalho, que tende a ficar em pelo menos 2 milhões
de novos empregos. Some-se a isso uma inflação relativamente
baixa, um crescimento expressivo do Produto Interno Bruto (PIB) e o
fato de que estamos em ano eleitoral, e o resultado é que 2010
tende a ser a melhor temporada para o mercado de trabalho dos últimos
30 anos”, diz Santos. A previsão atual do mercado financeiro
é que o PIB avance cerca de 5,5% e que a inflação
termine o ano próxima de 5%, pouco acima do centro da meta perseguida
pelo Banco Central (4,5%).
No balanço das negociações
divulgado ontem, que compilou os resultados de quase 700 negociações
coletivas, o Dieese destacou o apoio dado pelos sindicatos a “iniciativas
governamentais de caráter anticíclico como fator importante
para a rápida recuperação da economia nacional,
em grande parte respaldada pelo crescimento do consumo interno”.
2º semestre
O melhor momento para as negociações,
por sinal, foi no segundo semestre, quando os indicadores econômicos
já evidenciavam o bom desempenho do mercado doméstico.
Prova disso é que mais de 90% das categorias com data-base entre
setembro e novembro conseguiram aumento real. Durante a maior parte
do primeiro semestre, esse índice ficou abaixo de 75% –
na data-base de fevereiro, por exemplo, apenas 62% dos profissionais
tiveram reajuste superior à inflação.
Outra questão importante,
afirmou o Dieese, foi o comportamento dos preços – que
em 2009 avançaram 4,11%, segundo o INPC, indicador usado como
referência pelos sindicatos. “A negociação
do porcentual de reajuste é facilitada em momentos nos quais
não há risco de descontrole inflacionário”,
diz o documento. A série do Dieese (veja quadro ao lado) mostra
que, no período 2001-2003, em que a inflação ficou
sempre próxima ou acima de 10%, nem metade das categorias profissionais
conseguiam reajuste real.
Regiões
No Sul, desempenho é ainda melhor
Os trabalhadores do Sul foram
os que mais tiveram ganho real em 2009. Cerca de 85% das categorias
profissionais da região conseguiram tal benefício. O pior
desempenho foi o da Região Norte do país. Embora 74% dos
trabalhadores tenham obtido aumento acima da inflação,
um índice razoável, 15% dos nortistas não tiveram
nem sequer a reposição da variação dos preços.
A pesquisa não dividiu
os dados por estado, mas, segundo o economista Cid Cordeiro, do escritório
paranaense do Dieese, “o comportamento do Paraná não
foi diferente do nacional”. Dados preliminares divulgados na semana
passada mostram que a média de aumento real de todas as categorias
no segundo semestre do ano passado ficou entre 1% e 2% no Paraná.
Os funcionários do polo automotivo da Grande Curitiba, por exemplo,
conseguiram reajuste de 3,8% acima da inflação, o maior
em cinco anos – um ganho que acabou forçando renegociações
em São Paulo, onde os sindicatos haviam concordado com reajustes
menores. (FJ)
Negociação
avança no setor de serviços
Maior gerador de empregos em 2009, o setor de serviços foi também
um dos responsáveis pelo grande número de negociações
coletivas encerradas com aumento real de salário. As campanhas
salariais do setor não são tão fortes quanto as
da indústria e do comércio, mas a melhora significativa
que elas tiveram no ano passado acabou por influenciar o resultado geral.
Em 2008, apenas 59% das negociações
dos profissionais de serviços culminaram em ganho real; no ano
passado, o índice subiu para 70%. Esse resultado contrabalançou
o recuo observado na indústria, setor em que a proporção
de categorias beneficiadas por reajuste real segue alta, mas caiu de
87,5% para 84,8% entre 2008 e 2009. No comércio, por sua vez,
o índice se manteve no patamar de 87,5% no ano passado.
Divisões
Das 692 negociações
acompanhadas pelo Dieese em todo o país, 336 (49%) são
da indústria, 252 (36%) de serviços e 104 (15%) do comércio.
(FJ)

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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de março de 2010 | Economia
Inflação baixa deve
favorecer reajustes salariais
Redação
A inflação baixa e o crescimento econômico elevado
deverão contribuir para que todas as categorias trabalhistas
acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese) consigam reajustes salariais
iguais ou acima da inflação neste ano. A previsão
é do coordenador de Relações Sindicais da entidade,
José Silvestre Prado de Oliveira. Em 2009, 93% de 692 categorias
obtiveram esse resultado.
Segundo ele, se confirmada
a tendência de uma inflação semelhante à
de 2009 e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 5% e 6%,
“a proporção de categorias com reajustes iguais
ou maiores que a inflação vai chegar a 100% em 2010, superando
o resultado de 2009”, afirmou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de março de 2010 | Economia
Dieese prevê reajustes salariais
acima da inflação
A inflação baixa e o crescimento econômico elevado
deverão contribuir para que todas as categorias trabalhistas
acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese) consigam reajustes salariais
iguais ou acima da inflação neste ano. A previsão
é do coordenador de Relações Sindicais da entidade,
José Silvestre Prado de Oliveira. Em 2009, 93% de 692 categorias
obtiveram esse resultado.
Segundo ele, se confirmada a
tendência de uma inflação semelhante à de
2009 e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 5% e 6%,
"a proporção de categorias com reajustes iguais ou
maiores que a inflação vai chegar a 100% em 2010, superando
o resultado de 2009", afirmou.
Silvestre explicou que, em 2009,
a inflação teve mais influência que o PIB na definição
dos reajustes salariais. No ano passado, o INPC ficou, em média,
em 5,26% em cada data-base, e o PIB caiu 0,12%. Em 2008, por exemplo,
a economia cresceu 5,1%, a inflação registrou média
de 6,46% e a porcentagem de categorias com reajustes iguais ou maiores
que a inflação foi de 88,5%, menos que os 93% de 2009.
"Nos momentos em que a inflação é mais alta,
os resultados dos acordos costumam ser piores", avaliou. Em outro
exemplo, em 2003 o INPC médio ficou 17,42%, o PIB cresceu 1,1%
e apenas 42,3% das categorias obtiveram reajustes iguais ou maiores
que a inflação.
Embora o País não
tenha apresentado crescimento econômico em 2009, o ano foi extremamente
positivo para os trabalhadores, principalmente para aqueles cuja data-base
é no segundo semestre do ano, lembrou o coordenador. Em março,
por exemplo, 62,4% das categorias obtiveram reajustes acima do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em outubro, o porcentual
chegou a 97,1%. "Os primeiros meses do ano foram marcados pelos
efeitos da crise e pela incerteza. As categorias com data-base nesse
período foram particularmente prejudicadas", disse, ressaltando
que a economia costuma apresentar um crescimento mais forte na segunda
metade do ano e que as categorias de maior peso no País, como
bancários, petroleiros e metalúrgicos, fazem suas negociações
nesse período.
O Dieese mostrou que 38%
das categorias obtiveram reajuste entre 0,01% e 1% acima do INPC; 26,2%
entre 1,01% e 2,0%; 12,7% igual o INPC, 10,4% entre 2,01% e 3% e 5,8%
entre 0,01% e 1% abaixo do INPC. "De forma geral, a crise atingiu
muito pouco as negociações salariais no Brasil",
afirmou Silvestre. "Desde 2004, os trabalhadores estabeleceram
um piso em que não se negocia reajustes abaixo da inflação.
A luta tem sido por ganhos salariais."
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BEM PARANÁ, 19 de março de 2010
| Economia
Negociações salariais
Resultado foi bom para trabalhador
A indústria foi o segundo setor mais beneficiado em 2009 (foto:
Divulgação) Apesar de 2009 ter sido marcado pela crise
econômica mundial, 92,6% das negociações salariais
no país conseguiram, pelo menos, repor a inflação
dos 12 meses anteriores ao reajuste, de acordo com os dados divulgados
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) ontem.
Segundo o Dieese, o ano passado completa uma sequência ininterrupta
de seis anos em que 80% ou mais das categorias conseguiram pelo menos
a reposição da inflação. Data-base no segundo
semestre beneficia trabalhador.
O desempenho, na avaliação do órgão, foi
influenciado pela boa capacidade de negociação dos sindicatos
em meio à crise internacional, pelo apoio às iniciativas
de governo para minimizar os efeitos da turbulência, e pela inflação
sob controle no período, facilitando as negociações
com as empresas.
O levantamento analisou 692 negociações no ano passado
e considera a inflação medida pelo Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE. O resultado
é superior ao contabilizado em 2008 (88,6%), considerando as
negociações comuns — o número total atingiu
782 naquele ano.
A comparação com anos anteriores não é possível
por causa da discrepância entre o número de acordos e convenções
coletivas analisadas em cada período.
Ganho real — Segundo o órgão, 79,9%
das negociações garantiram reajustes superiores à
variação do índice, 12,7% obtiveram percentual
igual e outros 7,4% não conseguiram repor o poder de compra dos
trabalhadores em 2009.
O ganho real no rendimento foi de até 3% em 74,6% das negociações
e superior a esse patamar para 5,3% do total. O incremento está
diretamente relacionado à política de valorização
do salário mínimo.
Na avaliação por setor, o comércio apresentou o
melhor desempenho, com apenas 3,8% dos acordos e convenções
firmados pelas categorias de trabalhadores analisadas tendo reajuste
abaixo da inflação. Na indústria, 6,8% ficaram
nessa situação, enquanto em serviços foram 9,5%.
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Folha
de S.Paulo, 19 de março de 2010
Tempo de contribuição
para previdência privada vai subir
Contribuinte terá de pagar de um a seis
meses a mais para ter o mesmo benefício | Mudança decorre
de nova tabela de expectativa de vida, a qual também deve ter o
efeito de baratear apólice de seguro de vida
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
O Brasil ganhou um cálculo próprio
de expectativa de vida para os clientes de seguros de vida e de previdência
privada.
Os impactos são distintos: no primeiro caso, a previsão
é que o custo das apólices caia; no segundo, o contribuinte
terá de pagar de um (homens) a seis meses (mulheres) a mais para
receber o mesmo benefício.
Iniciativa da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência
Privada e Vida) -aprovada pela autarquia federal Susep (Superintendência
de Seguros Privados)-, a tábua atuarial de mortalidade e sobrevivência
estima a expectativa de vida de 81,9 anos para homens e 87,2 anos para
mulheres. A atual é de 80 anos para homens e 86 para mulheres.
Essas regras só valerão para os novos seguros e planos.
Os antigos permanecem corrigidos pelo modelo atual.
Elaborada pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a tábua
tem como base de dados 32 milhões de CPFs (um cliente pode ter
mais de um seguro) de consumidores com dados dos anos de 2004, 2005
e 2006. Antes, a referência usada era a dos clientes do mercado
norte-americano para o ano 2000.
Mas um dos problemas das novas medidas é justamente a base de
cálculo. Isso porque o mercado cresce a um ritmo médio
de 10% ao ano, segundo a própria Fenaprevi, e incorpora pessoas
de menor renda. Elas tendem a ter uma esperança de vida mais
baixa. Ou seja, a expectativa de vida pode ter sido inflada ao se optar
por uma base de dados mais antiga.
O superintendente da Susep, Armando Vergílio, nega tal hipótese,
mas reconhece que os dados estão defasados. Disse, porém,
que a base de 2004 a 2006 foi a mais viável para estimar a esperança
de vida. "É melhor do que a dos EUA de 2000. Reflete muito
mais a realidade brasileira." A cada cinco anos a base será
atualizada.
Segundo Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi, a nova tábua
mostra que o risco do seguro de vida caiu, o que indica custos menores
para o cliente. Na faixa dos 40 anos -que mais consome o produto-, a
previsão é de redução de 10% a 15%, de acordo
com a seguradora e o perfil do cliente.
Já no caso dos planos de previdência, a maior esperança
de vida vai elevar o tempo de contribuição, mas o setor
espera uma redução das taxas de administração.
Tanto Rosi como Vergílio dizem que a tendência será
cobrar taxas de administração mais baixas, já que
os planos antigos e com tábuas desatualizadas obrigam bancos
e seguradoras a fazerem provisões (reservas de recursos) maiores
para cobrir eventuais rombos futuros em caso de desequilíbrio
entre os benefícios pagos e as contribuições recolhidas.
Ajustada ao perfil do mercado brasileiro, dizem, a nova tábua
de expectativa de vida reduz o risco desse descasamento. Mas as taxas
são livres e só uma maior concorrência poderá
derrubá-las.
No Brasil, os clientes possuem reservas de R$ 170 bilhões em
seguros de vida e afins (acidentes, auxílio funeral e outros)
e planos de previdência.
A tendência, diz Vergílio, é uma expansão
mais acelerada daqui para a frente, com a popularização
dos planos de previdência e dos seguros.
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Portal CUT, 19 de março
de 2010
Conferência Nacional da Classe
Trabalhadora: ultimando preparativos finais
Por Leonardo Severo,
No Portal da CUT
Dirigentes nacionais da CUT,
CGTB, CTB, Força e Nova Central se reuniram, nesta terça-feira
(16), em São Paulo, ultimando os preparativos para a Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora, que tem assembleia marcada para 1º
de junho na capital paulista.
Até o evento, que reunirá
dezenas de milhares de lideranças sindicais de todo o país,
as centrais irão construir um documento a ser entregue aos candidatos
à Presidência sobre as propostas da classe trabalhadora.
Entre os pontos principais que
vêm sendo debatidos para a conformação da Plataforma
da Classe Trabalhadora estão o crescimento com distribuição
de renda e fortalecimento do mercado interno, a valorização
do trabalho com igualdade e inclusão social, o Estado como indutor
do desenvolvimento socioeconômico e ambiental, democracia participativa
e universalização dos serviços públicos.
São estes também
os eixos que darão o norte para a Jornada Nacional de Debates,
que será realizada nos 26 estados e no Distrito Federal pelas
centrais e pelo Dieese, de 23 de março a 8 de abril, o que além
de antecipar a mobilização, qualificará ainda mais
a intervenção dos cerca de 1.500 dirigentes que participarão
das mesas.
De acordo com Adeilson Telles,
que representou a CUT na reunião das centrais, há uma
compreensão comum entre todos os sindicalistas de que é
necessário concentrar as energias na defesa do projeto.
"Mais do que não
permitir que haja retrocesso, queremos somar forças para pisar
no acelerador e aprofundar as mudanças em curso. Para isso é
fundamental que tenhamos a presença na nossa assembléia
dos milhares de sindicatos do conjunto dos estados, a fim de que o documento
aprovado saia com o respaldo necessário", sublinhou.
Sobre os caminhos da negociação
rumo à construção de um grande evento, Adeilson
lembrou da fábula de Alice no país das maravilhas, quando
a menina pergunta ao coelho qual direção a seguir: "depende
de onde se quer chegar".
"Por isso, para nós,
o fundamental é a unidade e a mobilização da base,
a construção de uma plataforma comum que aponte para a
disputa de hegemonia", assinalou.
Para Carlos Alberto Pereira,
da executiva da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), "o
programa comum reflete um amadurecimento do movimento sindical, que
valoriza a sua força e o protagonismo da classe trabalhadora
em defesa do seu projeto de país: desenvolvido, justo e soberano.
Daí a importância de mobilizarmos o maior número
de dirigentes sindicais para a nossa Conferência".
Esta compreensão também
foi expressa pelo secretário geral da Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Pascoal Carneiro, para quem "um
número expressivo de sindicatos, vindos de todos os Estados,
dará maior densidade política ao ato".
A recomendação
das lideranças para que os sindicatos se façam presentes,
acrescentou Geraldino dos Santos, da executiva da Força Sindical,
será essencial para que o evento ganhe a dimensão necessária
da disputa colocada na sociedade.
Na avaliação de
Sebastião Soares, da Nova Central Sindical dos Trabalhadores
(NCST), merece destaque e atenção a comunicação
das propostas ao conjunto da sociedade, onde as lideranças sindicais
terão um papel fundamental para fazer o contraponto às
desinformações da chamada grande mídia.
Enquanto debatem as propostas
a serem socializadas no dia 1º de junho, possivelmente em um estádio
de futebol, a CUT continua contatando os parlamentares dentro do Congresso
Nacional em apoio à campanha pela redução da jornada
de trabalho para 40 horas sem redução de salários.
Nesta semana, as centrais voltam
à carga junto às lideranças partidárias
para que priorizem o tema, cuja aprovação, apontam os
estudos, pode gerar 2,2 milhões de novos empregos.
Em defesa da propriedade da
União no pré-sal e contra os leilões do petróleo,
as centrais vão se somar às mobilizações
convocadas para os dias 22, na sede do Clube de Engenharia do Rio de
Janeiro, e 29, na Assembleia Legislativa de São Paulo.
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Gazeta do Povo, 19 de março
de 2010
Minha Casa
Nova fase terá até 3 milhões
de unidades
Fortaleza - A fase dois do programa Minha Casa, Minha Vida deverá
prever a construção de dois a três milhões
de novas residências no país, informou ontem o presidente
da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
Civil (CBIC), Paulo Safady Simão. Segundo ele, que participa
das discussões sobre o tema com o governo, os estudos consideram
uma duração de quatro anos para a nova etapa, de 2011
a 2014.
O Minha Casa, Minha Vida 2 deve
ser mais ambicioso, beneficiando de forma mais ampla as famílias
com renda até três salários mínimos. Segundo
Safady, pelo menos 50% das unidades serão destinadas a essa faixa
de renda. No Minha Casa 1, o governo definiu que 40% de 1 milhão
de unidades previstas vão para o grupo de até três
salários. Até agora, segundo ele, foram contratadas 750
mil unidades.
O subsídio do Tesouro
será tanto maior quanto for a meta do programa. Se o alvo for
a construção de dois milhões de casas, o subsídio
total do Tesouro em quatro anos será de R$ 48 bilhões.
Se a meta for de três milhões de unidades, o subsídio
para os anos de 2011 a 2014 será de R$ 72 bilhões, nos
cálculos dele. Dentro do governo, ainda há divisão
sobre se é mais adequado trabalhar com um número maior
ou menor como alvo, não só pela questão do subsídio,
mas também por causa da viabilidade prática, dados os
gargalos que existem no país, como mão de obra, material
para construção e falta de terrenos. “Eu mesmo sou
a favor de dois milhões de unidades”, disse Safady.
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JB Online, 19 de março
de 2010
Dilma comenta pesquisa e evita
"salto alto"; Serra fica calado
A diminuição para cinco pontos percentuais nas intenções
de voto para o seu principal rival, o governador de São Paulo,
José Serra (PSDB), foi recebida com tranquilidade pela ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência
da República. "Vou repetir o que repito há horas:
a pesquisa é retrato do momento", afirmou a ministra durante
visita a Monte Alegre (MG).
"Estamos em março, a eleição é em outubro
e ninguém sobe de salto alto. É só o momento e
a eleição ainda tem muito caminho para a gente andar."
A ministra também preferiu
não confirmar se irá ou não participar de eventos
ou inaugurações do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva após deixar o cargo na Casa Civil.
"A relação,
a partir da minha saída, é mais o presidente indo nas
minhas atividades, nas atividades de campanha como militante que ele
é. Não estamos dando muito destaque e ênfase a isso",
disse.
Para a ministra, a cartilha
da Advocacia-Geral da União (AGU) apenas indica o que estaria
proibido sob o "ponto de vista legal". A ministra não
se arriscou a garantir que não participará de qualquer
inauguração oficial do governo, mas também não
desconsiderou essa hipótese. "Não te digo isso (não
participar de inaugurações oficiais), porque posso participar,
mas não é essa a atividade central."
Serra: "não comento pesquisa
até outubro"
Já o presidenciável
tucano e governador de São Paulo, José Serra, evitou comentar
o resultado da pesquisa CNI/Ibope divulgada quarta-feira. "Não
comento pesquisa nem quando estou disparado nem quando não estou
disparado", afirmou o governador. "Pesquisa, até outubro
ou novembro, eu nunca vou comentar."
O presidente nacional do PSDB,
Sérgio Guerra, minimizou o crescimento de Dilma nas pesquisas.
Em conversa com internautas no Twitter, Guerra disse que o governador
de São Paulo, José Serra (PSDB), se manteve "estável"
na pesquisa porque não faz campanha eleitoral antecipada, ao
contrário do que diz ocorrer com a pré-candidata petista.
"Nós mantivemos
uma posição estável com um governador em São
Paulo, sem andar pelo Brasil, sem aparecer nas redes de TV, senão
governando seu próprio Estado. O governador tomou essa decisão
de governador de São Paulo", afirmou. "Essa decisão
não foi fácil de manter. O Serra operou esse tempo todo
como governador."
"A Dilma subiu 15 pontos,
mas sabe de onde vieram os votos? Vieram 6% do Ciro (Gomes, PSB)",
afirmou o senador. "Eles estão desidratando a candidatura
do Ciro. Vieram 2% da Marina, que não fez campanha."
O PSDB pretende lançar
oficialmente a candidatura de Serra no dia 10 de abril, segundo Guerra.
De acordo com o tucano, a pré-convenção do partido
para anunciar a candidatura do governador será em Brasília,
em um evento que vai reunir a cúpula e a militância tucana.
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Folha de S.Paulo, 19 de
março de 2010
SUCESSÃO
FHC diz que PSDB deve lançar campanha
antes de candidato
DA SUCURSAL DO RIO
O ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso defendeu ontem, no Rio, que o PSDB deveria ter mais autonomia
e não esperar o governador José Serra assumir que é
candidato à Presidência para começar a fazer propaganda.
"Uma coisa é o candidato, outra coisa é a campanha.
Não sei por que o partido tem que esperar alguém lhe dizer
que é candidato para começar a fazer propaganda. Deve
fazer o quanto antes", disse FHC, após palestra sobre Joaquim
Nabuco na Academia Brasileira de Letras.
Apesar de defender que o seu partido faça propaganda de Serra
já, FHC criticou novamente Lula por ter, em sua avaliação,
precipitado a campanha, o que teria dado a impressão de que os
demais candidatos estavam atrasados. Ontem, Lula foi multado pela Justiça
Eleitoral por campanha antecipada.
Mesmo em sua palestra sobre o centenário da morte de Nabuco,
FHC não deixou de fazer, ironicamente, uma referência a
Lula. Lembrou que o abolicionista, após conhecer de perto a realidade
dos Estados Unidos como diplomata brasileiro no país no início
do século 20, defendeu maior alinhamento do Brasil com os americanos.
"Que o presidente Lula não me ouça, e não
estou falando do Irã, mas, quem sabe, Nabuco não estivesse
já delineando naquela época para o Brasil uma relação
mais estreita com os Estados Unidos, que desse espaço para o
país se afirmar mais em sua área de influência naquela
época, exercendo uma ação de moderação
na América Latina", afirmou.
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O Estado de S.Paulo, 19
de março de 2010
Serra dobra teto de seu "Bolsa-Família"
A sete meses das eleições
presidenciais, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB),
provável candidato tucano ao Palácio do Planalto, ampliou
um dos principais programas sociais de sua gestão, o Renda Cidadã.
O programa, que só atendia famílias com renda per capita
de até R$ 100, agora fará pagamentos mensais às
que chegarem a R$ 200. Ao dobrar o teto de renda, Serra deve beneficiar
cerca de 45 mil famílias. A comparação entre programas
sociais deve ser um dos principais tópicos da campanha eleitoral
deste ano. A abrangência dos programas federais é vista
como um trunfo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na promoção
de sua candidata, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
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BEM PARANÁ, 19 de março d
e2010 | Economia
Por tempo indeterminado
Ministério do Trabalho faz greve a partir de abril
Categoria encerra hoje uma paralisação
de 48 horas que teve adesão parcial em Curitiba
Ana Ehlert
Com paralisação do Ministério do Trabalho deve
ser afetado o setor de confecção de carteiras de trabalho
(foto: Jonas Oliveira) A partir do dia 6 de abril, os servidores do
Ministério do Trabalho e Emprego entram em greve por tempo
indeterminado, segundo as informações do sindicato da
categoria. Eles reivindicam a implantação de um plano
de carreira, conforme promessa do governo firmada no ano passado para
findar uma greve de 45 dias, além de aumento salarial uma vez
que alegam terem o piso menor do funcionalismo federal. Ontem a categoria
iniciou uma paralisação de 48 horas. Em Curitiba ficaram
parados os setores de protocolo e relações do trabalho,
comprometendo o início e andamento de novos processos.
Nas demais cidades do Estado os
serviços de atendimento ao público foi total foram totalmente
suspensos, segundo o comando estadual da greve. Em Ponta Grossa, Apucarana,
Maringá, Londrina, Cascavel e Foz do Iguaçu a adesão
foi total.
Com a paralisação geral deverão ser afetados,
além de todos os processos trabalhistas, a confecção
de novas carteira de trabalho, a exemplo do que ocorreu no ano passado.
Segundo as informações do sindicato, alguns servidores
não aderiram a paralisação em virtude do número
de trabalho acumulado ainda da greve.
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Agência Brasil, 19
de março de 2010
Trabalhadores poderão usar
FGTS para saldar dívidas de consórcio imobiliário
Trabalhadores poderão usar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS) para liquidar e pagar parte das prestações
de consórcios imobiliários a partir da quinta-feira. A
medida foi aprovada pelo Conselho Curador do FGTS no final do ano passado
e regulamentada pela Caixa Econômica Federal esta semana.
A instituição
lembra que o trabalhador já pode usar o saldo da conta vinculada
para complementar a carta de crédito e para composição
de lance. Para essas modalidades, as regras são as mesmas. Segundo
a Caixa, o trabalhador interessado em usar o saldo da conta vinculada
deve procurar a administradora de seu consórcio, que tomará
as providências necessárias.
O novo serviço estará
disponível para trabalhadores inscritos em consórcios
que já tenham sido contemplados com a carta de crédito
e adquirido o imóvel.
Para ter direito ao benefício,
é preciso observar algumas regras. É necessário
que o imóvel adquirido seja localizado onde o trabalhador exerça
ocupação principal ou resida há mais de um ano
(incluídos os municípios vizinhos ou da mesma região
metropolitana).
Outra regra é que o trabalhador
não pode ser proprietário de imóvel no local onde
exerça ocupação principal, nem ser detentor de
financiamento ativo do Sistema Financeiro da Habitação
(SFH) em qualquer parte do território nacional, na data de aquisição.
O imóvel e a cota de consórcio devem estar em nome do
trabalhador titular da conta vinculada.
Além disso, o imóvel
tem que ser residencial urbano e deve ter sido adquirido com os recursos
da carta de crédito do consórcio. O valor avaliado para
o bem, na data da aquisição, deve respeitar o limite estipulado
pelo SFH, atualmente de R$ 500 mil reais.
De acordo com dados da Associação
Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), mais de 65
mil consorciados foram contemplados em 2009. No primeiro mês de
2010, esse número chegou a 5,2 mil.
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Expresso da Notícia,
19 de março de 2010
Trabalhador forçado a fazer
horas extras será indenizado por assédio moral
A 6ª Turma do TRT-MG reconheceu o assédio moral sofrido
por um reclamante, que recebia ameaças de perder o emprego, caso
se recusasse a fazer horas extras. Além de ter que conviver com
as constantes ameaças, o trabalhador ainda era vítima
da conduta abusiva do superior hierárquico, que agia de forma
velada para transformar o local de trabalho em ambiente hostil.
De acordo com os relatos das
testemunhas, o reclamante e outros colegas de trabalho sofriam muitas
pressões, principalmente os empregados estudantes. Eles sempre
recebiam o aviso de que poderiam ser dispensados se não ficassem
para prestar horas extras.
Conforme declarou uma testemunha,
o superior hierárquico costumava dizer aos empregados que não
podiam fazer horas extras, que o mercado estava cheio de candidatos
disputando uma vaga na empresa.
Aos empregados que estavam fazendo
faculdade, ele costumava dizer também que o estudo era um erro
e que eles passariam fome se tentassem se dedicar a outra área.
As testemunhas acrescentaram
ainda que o preposto da empresa tinha o estranho hábito de chamar
cada empregado numa sala reservada, onde ele permanecia durante horas
denegrindo a imagem profissional da pessoa e submetendo-a a constrangimentos
e humilhações.
Como essas "reuniões"
eram realizadas de forma individual, nunca havia por perto uma testemunha
para presenciar os fatos.
O relator do recurso, juiz convocado
Fernando Antônio Viégas Peixoto, destacou que, apesar da
dificuldade de comprovação dos fatos, é possível
identificar, na situação em foco, uma forma velada de
assédio moral.
Como observou o magistrado,
o infrator agia estrategicamente de modo a apagar os rastros do seu
ato ilícito. Mas, na avaliação do relator, a prova
testemunhal foi suficiente para evidenciar a existência do assédio
moral.
Isso porque vários empregados
foram vítimas das mesmas condutas abusivas e seus depoimentos
revelaram que havia uma obrigatoriedade implícita de prestação
de horas extras, além da intenção do preposto de
deteriorar o ambiente de trabalho.
Portanto, entendendo que ficou
caracterizado o assédio moral, a Turma deferiu ao reclamante
indenização no valor de R$ 10 mil.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/03/2010
SDI1 concede horas in itinere a empregado da Volkswagen
O tempo gasto pelo empregado
para fazer o percurso entre a portaria da empresa e o local de serviço
é considerado como horas in itinere. Assim decidiu a SDI-1 –
Seção I Especializada em Dissídios Individuais
do Tribunal Superior do Trabalho, ao rejeitar embargos da Volkswagen
do Brasil Ltda. – Indústria de Veículos Automotores.
O relator na SDI-1, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, concluiu pela aplicação
analógica da Orientação Jurisprudencial nº
36 da SDI-1 – Transitória, segundo a qual configura-se
como hora ‘in itinere’ o tempo gasto pelo empregado para
alcançar seu local de trabalho a partir da portaria da Açominas.
A Volkswagen já havia
recorrido à Sétima Turma do TST contra decisão
do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (2ª Região).
Entretanto, a Turma entendeu que ela se harmoniza com a jurisprudência
do TST, ou seja: o tempo despendido pelo empregado entre a portaria
da empresa e o efetivo local de trabalho configura-se como horas ‘in
itinere’, pois representa tempo à disposição
do empregador.
A empresa recorreu à
SDI-1, sob o argumento de que a OJ 36 não se aplicava ao caso,
tese rejeitada pelo ministro relator Aloysio Corrêa da Veiga,
sob o entendimento que, embora a OJ se refira à Açominas,
o acordo nele contido aplica-se perfeitamente à Volkswagen, porque
idênticas as situações tratadas.
O ministro afirmou ainda que
“a disponibilidade de transporte a partir dos portões principais
em razão das dimensões físicas da empresa gera
o consumo de tempo que se caracteriza como horas “in itinere”
”, justificando o pagamento das horas consumidas no trajeto como
extras. Do mesmo modo entenderam os demais ministros. (E-RR-36500-76.2005.5.0465)
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19/03/2010
Sexta turma: reabilitado só pode ser
demitido com a contratação de outro na mesma situação
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho decidiu que empregado reabilitado, após fim do auxílio
doença, só pode ser demitido com a contratação
de outro na mesma situação, como ocorre com os portadores
de deficiência. Os ministros acataram recurso de trabalhador demitido
da Brasil Telecom S.A e determinaram a sua reintegração
à empresa.
Essa decisão reformou
julgamento anterior do Tribunal Regional do Trabalho da Quarta Região
(RS) favorável à Brasil Telecom. O TRT entendeu que não
existe na Lei 8.213/91, que garante a cota reservada a deficientes físicas
e reabilitadas, a estabilidade de emprego. Que a norma da lei que determina
a contratação de trabalhador na mesma situação
após demissão imotivada, não garante a reintegração
do empregado, mas apenas na aplicação de “multa
meramente pecuniária”.
O Tribunal Regional cita o artigo
133 da lei: “A infração a qualquer dispositivo desta
lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada,
sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração
à multa variável de R$ 665,50 a R$ 66.550,11”.
Ao julgar recurso do reclamante, o relator na Sexta Turma, ministro
Maurício Godinho Delgado, explicou que o art. 7º, XXXI,
da Constituição estabelece a “proibição
de qualquer discriminação no tocante a salário
e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência.”
Por isso a legislação teria “agregado restrição
indireta à dispensa de empregados com necessidades especiais”,
como a contratação de outro trabalhador na mesma situação.
Para o relator, trata-se,
portanto, de norma autoaplicável, que traz uma limitação
ao poder do empregador, “de modo que, uma vez não cumprida
a exigência legal, devida é a reintegração
no emprego, sob pena de se esvaziar o conteúdo constitucional
a que visa dar efetividade.”. (RR-1127176-23.2003.5.04.0900)
(Augusto Fontenele)
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19/03/2010
Oitava Turma eleva valor de indenização
de empregado que perdeu a visão do olho direito no trabalho
Por considerar incompatível
com o dano sofrido por empregado o valor de indenização
estipulado pelo Tribunal Regional da 9.ª Região (PR), a
Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho restabeleceu sentença
de primeiro grau e elevou a quantia a ser recebida pelo funcionário,
a titulo de danos morais.
O empregado perdeu a visão
do olho direito em decorrência de uma explosão quando trocava
o filtro de óleo do compressor da máquina de refrigeração.
Além disso, as queimaduras por gás amônia provocaram-lhe
outras sequelas como a perda completa do olfato e a diminuição
do paladar.
Em primeira instância,
o valor da indenização foi estipulado em R$ 100 mil tendo
em vista a comprovação da culpa da empresa em não
ter realizado o treinamento adequado do funcionário (pois a máquina
era nova) nem ter disponibilizado equipamentos de proteção
individual. Contudo, analisando recurso ordinário da empresa,
o Tribunal da 9ª Região reduziu o valor para R$ 30 mil,
pois considerou a culpa concorrente do empregado por não ter
chamado o superior hierárquico (treinado com o fabricante do
equipamento) para manusear a máquina. O trabalhador então
recorreu ao TST.
A relatora do processo na Turma,
ministra Maria Cristina Peduzzi, não concordou com a redução
fixada pelo Regional. Ela explicou que, embora seja impossível
delimitar com precisão o dano imaterial sofrido, deve o juiz
adotar um critério de razoabilidade entre a lesão, o grau
do lesado e a capacidade econômica da empresa, impondo-se o incremento
do valor da sentença. “Como visto, o autor sofreu acidente
de trabalho que lhe causou perda total da visão do olho direito,
perda do olfato e diminuição do paladar. Além disso,
restou caracterizada a negligência por parte da empresa, tendo
em vista a falta de equipamento de segurança e de treinamento”,
concluiu.
Com isso, a Oitava Turma
acolheu o voto da ministra por unanimidade e restabeleceu a sentença
do juiz de primeiro grau, que valorava a indenização em
R$ 100 mil. (RR-9951500-89.2005.5.09.0093-Novo)
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