 |
Agência Câmara,
20 de março
de 2010
44h: “argumentos
dos empresários não são corretos”, diz
Lupi
"A quase totalidade dos países do mundo desenvolvido, grupo no
qual o Brasil pretende estar, utiliza carga horária de trabalho
de 36, 37 horas. Então, quando dizem que em nenhum lugar do
mundo se aplica esse tipo de escala, não faz sentido",
diz ministro do Trabalho, Carlos Lupi
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi afirmou, na última
quarta-feira (17), que o debate sobre a redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas (PEC 231/95) não tem sido tratado
com sinceridade por parte do empresariado. De acordo com o ministro,
boa parte dos argumentos dos empresários não são
corretos, entre eles o de que a redução da jornada levaria
as empresas à falência.
"A quase totalidade dos países do mundo desenvolvido,
grupo no qual o Brasil pretende estar, utiliza carga horária
de trabalho de 36, 37 horas. Então, quando dizem que em nenhum
lugar do mundo se aplica esse tipo de escala, não faz sentido.
Quanto ao argumento de que empresas vão quebrar por causa disso,
sabemos que esse também não é verdade", disse
Lupi durante audiência pública na Comissão de Trabalho
da Câmara dos Deputados para discutir as metas e programas do
ministério para 2010.
Lupi lembrou que os empregados gastam entre uma a duas horas para
ir ao local de trabalho e outro tanto para voltar para casa. "Por
que o Brasil não pode evoluir?", questionou o ministro.
Juros altos
As declarações foram aplaudidas pelo deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT/SP) que também pediu ao ministro que utilize sua
voz no governo para tentar impedir uma nova escalada no valor dos juros
no País.
O deputado criticou a política de juros adotada pelo Banco
Central. "O Henrique Meirelles [presidente do BC] vai aumentar
outra vez os juros para beneficiar banqueiros e, logo em seguida, vai
sair para ser candidato. Não podemos concordar com isso, ministro",
disse o deputado.
Carlos Lupi respondeu que não pode criticar outro setor do
Governo como ministro, mas disse que não vê realmente
sentido em ampliar outra vez a taxa de juros.
"A minha opinião de cidadão é de que os
juros altos prejudicam o Brasil. Podem gerar dinheiro para a especulação,
podem ampliar os lucros dos bancos, mas não geram nenhum emprego",
afirmou. Ele ressaltou que é preciso valorizar a indústria
nacional, que emprega, ao invés dos especuladores.
Licença-maternidade
Na audiência, a deputada Emilia Fernandes (PT/RS) afirmou que
o ministério precisa priorizar políticas para as mulheres.
A parlamentar pediu maior empenho do ministério na aprovação
da licença-maternidade de 180 dias (PEC 30/07) para as trabalhadoras
do setor privado.
"Estamos pedindo o mínimo. Na Suécia, por exemplo,
o período é de um ano e, além disso, eles não
falam licença-maternidade, pois ela pode ser repartida entre
a mãe e o pai. O importante é que haja sempre um dos
pais com a criança durante esse período-chave que é o
primeiro ano na vida", disse.
O ministro afirmou que a ampliação da licença é uma
das prioridades do ministério, junto com a diminuição
da carga horária de trabalho. "Temos nos esforçado
muito para diminuir o hiato entre a renda dos homens e das mulheres
em nosso País", afirmou.
ProJovem
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse que precisa da ajuda de
deputados e de senadores para assegurar as verbas do Programa Nacional
de Inclusão de Jovens (ProJovem). Destinado aos jovens desempregados
de 18 a 29 anos, o ProJovem Trabalhador tem como objetivo a preparação
para o mercado de trabalho e em ocupações alternativas
geradoras de renda. O jovem participante desta modalidade poderá receber
um máximo de seis auxílios financeiros de R$ 100.
Lupi lembrou que o Orçamento de 2009 previa R$ 1 bilhão
para a qualificação profissional, mas apenas R$ 400 milhões
foram liberados em virtude de cortes e contingenciamentos. Ele ressaltou
que o ProJovem tem grande relevância na área social, pois
90% dos jovens que frequentam os cursos do programa são de famílias
que ganham menos de um salário mínimo.
As declarações foram em resposta aos deputados Manato
(PDT/ES) e Manuela D'Ávila (PCdoB/RS), que pediram prioridade
aos programas de qualificação como o ProJovem.
"No meu estado, mais de 8 mil estudantes foram qualificados com
o ProJovem. Todos os municípios do Espírito Santo com
mais de 20 mil habitantes tiveram esse benefício, qualificando,
estimulando e mudando a mentalidade deles para permitir o crescimento
pessoal e do País também", disse Manato.
Royalties do petróleo
O ministro criticou a aprovação, pela Câmara, dos
novos critérios de distribuição dos royalties
para exploração de petróleo (substitutivo ao PL
5.938/09, do Executivo). Segundo Lupi, essa discussão não
ocorre da maneira correta, pois essa não é uma luta entre
a Federação e o estado do Rio de Janeiro.
"Não sou candidato a nada, mas não posso ficar
contra o estado que me acolheu, assim como acolheu também 1
milhão de mineiros e 2 milhões de nordestinos",
disse.
|
MTE, 20 de março
de 2010
Todos setores expandiram
nível de emprego em fevereiro; dados do MTE
Em fevereiro, todos os setores e subsetores de atividade econômica
registraram expansão no nível de emprego, com a criação
de 209.425 empregos com carteira assinada no Brasil, comportamento
inédito na série histórica do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged). Os números foram anunciados,
na última quarta-feira (17), pelo Ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi.
O resultado recorde para o mês de fevereiro foi decorrência,
principalmente, do bom desempenho nos setores de Serviços, com
criação de 85.607 postos de trabalho, Indústria
de Transformação, com 63.024, e Construção
Civil, com 34.735 novas vagas.
De acordo com o ministro Carlos Lupi, esses setores estão respondendo
a demanda do mercado. "O setor de serviços foi impulsionado
pelo Carnaval e férias, contratando para atender ao crescimento
do turismo. A indústria cresce porque precisa repor os estoques,
que estão baixos, e a construção civil está sendo
alavancada pelas obras do PAC (Plano de Aceleração do
Crescimento) e do Programa Minha Casa, minha Vida", afirma Lupi.
A elevação de 0,65% no setor de Serviços ocorreu
devido ao crescimento de seus subsetores: dentre os seis ramos do setor,
dois obtiveram recordes para o mês, três os segundos melhores
resultados e, apenas um, o terceiro melhor desempenho.
Os recordistas foram Serviços de Comércio e de Administração
de Imóveis e Serviços Técnicos Profissionais (18.508)
e Serviços de Transportes e Comunicações (10.543).
Os ramos de Ensino (32.305) e Serviços de Alojamento e Alimentação
(17.738) tiveram o segundo melhor saldo para o período.
A Indústria de Transformação, que registrou um
crescimento de 0,84%, mostrou um forte dinamismo quando comparado ao
recorde anterior, obtido em fevereiro de 2008 com a criação
de 46.812 postos. O bom desempenho deve-se a elevação
recorde em sete dos doze ramos que compõem o setor, fato ímpar
na história do Caged.
Os subsetores que registraram expansão recorde foram Indústria
Metalúrgica (10.104); Indústria de Calçados (10.026);
Indústria Têxtil (6.428); Indústria Química
(5.128); Indústria de Material de Transporte (5.096); Indústria
de Madeira e Mobiliário (2.457); e Indústria de Minerais
Não Metálicos (2.107).
Segundo Lupi, esse crescimento demonstra que a economia está crescendo. "Nenhum
empresário contrata se não estiver lucrando e se não
estiver com boas perspectivas de crescimento econômico. Então,
este aumento no número de contratações significa
que nossa economia vai muito bem, e melhora a cada dia".
Além disso, três dos oito setores e treze dos vinte e
cinco subsetores apresentaram recordes. O Comércio gerou 10.682
novas vagas, com um crescimento de 0,14% e a Agricultura apresentou
crescimento de 0,27% em fevereiro, oriundo da criação
de 3.976 postos de trabalho. Os setores de Administração
Pública, Extrativa Mineral e Serviço Industrial de Utilidade
Pública, juntos, geraram 11.401 postos de trabalho com carteira
assinada.
Bimestre
Nos dois primeiros meses do ano foram geradas 390.844 vagas de emprego
formal no Brasil, com todos os setores criando novas vagas. Os destaques
no bimestre também foram o setor de Serviços, com a
criação de 143.496 postos, Indústria de Transformação
com 131.944 e a Construção Civil com 89.065. O resultado
do período é o melhor da série histórica
do Caged, superando em cerca de 66% a média dos melhores desempenhos,
ocorridos entre 2003 e 2008.
No acumulado dos últimos 12 meses, 583.703 novas vagas foram
criadas no setor de Serviços, 254.395 na Indústria de
Transformação e 252.084 na Construção Civil.
No total, foram geradas 1.478.523 empregos formais no pais, um crescimento
de 4,63%.
|
Gazeta do Povo, 20 de março
de 2010
Habitação
PAC motiva mais ocupações
em Piraquara
Governo regulariza terrenos no Guarituba.
Atraídas pelo programa,
mais mil famílias chegaram. Elas não serão beneficiadas
O maior projeto de habitação
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Paraná está motivando
uma nova onda de ocupações irregulares no Guarituba,
bairro de Piraquara onde vivem em torno de 55 mil pessoas – 70%
delas sem os títulos dos terrenos. O PAC Guarituba, promovido
pelo governo federal, pretende regularizar a situação
quase 9 mil famílias. No entanto, estima-se que outras mil,
atraídas pela possibilidade de ter seu próprio terreno,
tenham chegado à região depois do início do processo.
Elas não serão beneficiadas.
Algumas das famílias recém-chegadas ocupam áreas
reservadas à preservação ambiental e terão
de ser removidas no futuro. Outras mudaram-se para terrenos que até podem
ser regularizados. Mas nenhuma delas participou do cadastramento das
famílias, em 2007. O cadastro define quem será beneficiado
pela regularização. Como não entraram na lista,
não se sabe ao certo quantas são. A equipe do Programa
de Regularização Fundiária do município
estima o número em mil famílias – o que significa
cerca de quatro mil pessoas.
O número é realista. De 2007 para cá, o bairro
cresceu 8% ao ano. Desde então, seriam 10 mil novos moradores.
O levantamento da situação dos lotes está em andamento,
mas aponta, até agora, a proporção de um terreno
regular para cada dois irregulares. Isso permite concluir que a maioria
do crescimento se deu na área irregular.
O processo de regularização segue o plano de zoneamento
ocupacional da região, elaborado em 2007 com a intenção
de conter o aumento do bairro. O Guarituba é uma área
reservada à preservação ambiental que começou
a ser ocupada na segunda metade dos anos 90. A área foi divida
em duas zonas. Uma de adensamento urbano, passível de regularização
e onde estão 8.090 famílias beneficiadas pelo PAC. Outra
de restrição ambiental, onde a ocupação é combatida.
As 800 famílias que já moravam nessa área em 2007
vão ganhar novas casas em outros locais.
Há poucos lotes vagos na zona de adensamento, o que favorece
a existência de um intenso comércio irregular de terrenos.
Os recém-chegados fecham negócio com os “donos” da
casa em contratos de boca ou de gaveta. Esses perdem a vez na fila
do programa quando se mudam. Outros moradores ainda vendem partes do
terreno que ocupam. Como os lotes são regularizados da forma
como são ocupados, a parte fracionada permanece irregular.
Esse tipo de negócio ganhou mais fôlego com a chegada
do PAC. A melhoria da urbanização da região e
a perspectiva equivocada de que “estão dando as escrituras” têm
feito o preço dos imóveis subir vertiginosamente. O agricultor
aposentado José Vieira, 73 anos, morador do bairro há 9
anos, começou a vender partes do seu terreno por R$ 1 mil, em
2007. Hoje ele próprio vai se mudar e pede R$ 18 mil na casa
em que mora. “Quero tirar alguma coisa para comprar no norte.
Lá você compra chácara com papel e tudo por esse
preço”, planeja.
Restrição
Quem ocupa um terreno na zona de restrição ambiental
não está menos seguro do seu futuro. A própria
história da ocupação do bairro – uma década
sem qualquer coibição do poder público – injeta
confiança. O PAC transforma essa sensação de estabilidade
em uma perspectiva de melhora. “Dizem que vão tirar faz
10 anos e nunca acontece”, desdenha o mecânico Sérgio
Luiz Gregório, 27 anos, que ergueu, há seis meses, um
barraco de compensado na zona restrita, onde mora com a mulher e dois
filhos. “Se for para sair daqui, vão ter de dar uma casa,
como vão fazer com o pessoal da margem do rio”, completa.
Sua motivação, como a de muitos outros, é simples:
fugir do aluguel. A dona de casa Clarice Janetzky Radtke, 43 anos,
o marido e seus dois filhos saíram de uma casa no Sítio
Cercado para poupar R$ 300 que gastavam com o aluguel e as contas – eles
têm ligações irregulares de água e luz na
nova casa. Ela duvida que não possa ficar. “Não
tenho papel, mas todo mundo aqui veio e foi ficando”, diz.
|
Gazeta do Povo, 20 de março
de 2010
Eleição
2010
Serra anuncia candidatura e Lula agiliza PAC de Dilma
Governador paulista diz que “falta pouco” para se lançar
na disputa. Enquanto isso, Planalto tenta fechar nova versão
para dar visibilidade à petista
São Paulo e Brasília -
Enquanto o governador de São Paulo, José Serra (PSDB),
deixava claro em um programa de tevê sua candidatura ao Planalto,
ontem de manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e sua equipe se reunia no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) para
fechar a nova versão do Programa de Aceleração
do Crescimento. Na avaliação de auxiliares de Lula, o
PAC 2, mais que dar visibilidade à ministra da Casa Civil e
pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff,
concluirá o “legado” do governo para o desenvolvimento
do país.
Com a proximidade do prazo máximo de desincompatibilização – 3
de abril, seis meses antes da eleição deste ano –,
os protagonistas da disputa começam a agilizar suas estratégias.
Serra afirmou ontem que falta pouco para lançar sua candidatura à Presidência
da República. “Eu não estou negando (a candidatura).
Mas eu não estou em campanha. Só estou dizendo que neste
momento eu sou governador”, afirmou em entrevista ao jornalista
José Luiz Datena, da TV Bandeirantes,
gravada no Palácio dos Bandeirantes.
Durante a entrevista, Serra foi chamado de candidato diversas vezes
por Datena, mas em nenhum momento confirmou ou rejeitou o que o jornalista
disse. Após a entrevista, Serra negou que admitiu a candidatura. “Não
fui eu quem disse (que serei candidato), foi o Datena quem disse”,
afirmou Serra após participar da assinatura de convênio
para a construção de uma escola técnica.
Apesar do posicionamento de Serra, aliados do DEM consideraram que
ele demorou muito para assumir sua candidatura, o que prejudicou a
formação de palanques regionais. “Se o Serra tivesse
confirmado isso há mais tempo, a Dilma não teria crescido
tanto nas pesquisas, embora eu ainda aposte que ela vai cair. Afinal
de contas, a candidata do PT é como uma criança que só sabe
andar de bicicleta com rodinhas, ou seja, cresceu alavancada pelo presidente
Lula. Mas ele não vai poder debater por ela”, alfinetou
o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).
Largada
Do outro lado da disputa, Lula pretende que o PAC 2 seja visto como
a consolidação da ideia de planejamento em áreas
como logística, saneamento e energia e avisou que está preparado
para rebater críticas de que o programa tem objetivos de curto
prazo. Para o presidente, a “largada” da disputa de 2010
já foi dada, segundo um auxiliar. Ele avaliou que o PAC 2 vai
qualificar o debate e exigir que os concorrentes na eleição
presidencial de outubro se posicionem sobre suas principais metas.
Lula cuida pessoalmente dos preparativos do anúncio do PAC
2, na manhã do dia 29, no Centro de Convenções
Brasil 21, em Brasília, e da festa de despedida de Dilma e outros
ministros que vão deixar seus cargos para concorrer nas próximas
eleições, na tarde do dia 1.º, no Itamaraty.
|
Gazeta do Povo, 20 de março
de 2010
América do Sul
PIB argentino cresce 0,9% em 2009
A
economia argentina, a segunda maior da América
do Sul, teve em 2009 crescimento de 0,9% e foi uma das poucas que conseguiram
se expandir no ano da pior da crise global em mais de 60 anos. O resultado
foi melhor que o do Brasil, que registrou queda de 0,2% no PIB do ano
passado.
Os gastos dos consumidores e os do governo foram os dois principais
fatores para o crescimento econômico. Os dados da economia argentina
são recebidos com ceticismo por analistas. Isso porque as informações
divulgadas pelo Indec (o IBGE local) são suspeitos de serem
manipulados desde o governo de Néstor Kirchner (2003-2007).
Para analistas privados, o PIB do país vizinho, na verdade,
teve retração de entre 3,5% e 4%, o que significaria
o fim do ciclo de seis anos de expansão.
|
Folha de S.Paulo, 20 de março
de 2010
Serra elogia Lula e admite
candidatura à Presidência
Em entrevista na TV, tucano diz que aposta no confronto entre sua
biografia e a de Dilma
Numa prévia do que deve ser sua tática na eleição,
governador evita criticar presidente e afirma que objetivo é melhorar
o país
DA REPORTAGEM LOCAL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM HORTOLÂNDIA (SP)
O governador de São Paulo, José Serra, assumiu ontem,
publicamente, a candidatura à Presidência da República. O tucano chamou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), para
o embate ao afirmar que o eleitor fará "um juízo
mais pessoal a respeito dos candidatos". Em entrevista ao apresentador
José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, elogiou o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Mas, dizendo que aposta no confronto de
biografias, tentou minimizar sua influência no processo eleitoral.
"
Tem que ver quem é que vai ser presidente [...] O presidente é insubstituível",
justificou.
Minutos depois, insistiu: "Não há ninguém
que governe com alguém paralelamente mandando. Nem acho que
o Lula pretenda fazer isso. Mas isso não funcionaria no Brasil
e em nenhum lugar no mundo".
Dois dias depois de afirmar que não comentaria pesquisas até as
eleições, Serra atribuiu o bom desempenho de Dilma à exposição
da petista. E rechaçou a comparação dos governos
Lula e FHC na campanha: "
Há uma introdução a ela favorável neste
momento. Mas a partir de um certo momento a população
vai julgar não quem já foi presidente ou quem é,
mas quem é candidato".
Na entrevista, concedida no heliponto do Palácio dos Bandeirantes,
Serra adiantou o discurso da campanha: "O Lula fez dois mandatos,
está terminando bem o governo. O que nós queremos para
o Brasil? Que continue bem e até melhore".
Embora não tenha anunciado formalmente, Serra confirmou para
abril o lançamento oficial da candidatura e, questionado, disse
que não a negava. Só não faria campanha enquanto
estivesse no governo.
O governador, que faz tratamento de combate ao estresse, disse que,
na campanha, o eleitor poderá conhecer sua história e
a de Dilma. Tratado como candidato a presidente, agradeceu quando Datena
-que elogiou o "bom aspecto" do governador- desejou-lhe "boa
sorte na corrida presidencial".
Repercussão
Assustado com a repercussão da entrevista -que incomodou concorrentes
da Bandeirantes- Serra tentou reduzir sua importância. "Não
falei nada de especial. Não vejo razão para essa histeria
coletiva", disse. "Tudo já foi dito antes." Há 15 dias, a Folha informou que Serra anunciara a aliados a
disposição de concorrer. Mas ontem foi a primeira vez
que o governador admitiu abertamente que será candidato.
Em conversas, Serra fez questão de explicar que não estava
previamente programada a aparição de crianças
no programa. Na abertura da entrevista, alunos da creche do Palácio
cantaram "Parabéns a Você" em comemoração
ao 68º aniversário de Serra, ontem.
Nas conversas, o tucano disse temer que a entrevista reforce a pressão
para que se manifeste publicamente sobre candidatura nos últimos
12 dias de governo, quando pretende fazer uma série de inaugurações.
Serra insistiu que não planejara lançar candidatura ontem.
Segundo disse a aliados, pretendia, originalmente, levar Datena à AME
(Ambulatório Médico de Especialidades) em Heliópolis.
Mas, como atrasara devido a uma consulta, ficou constrangido e não
se recusou a responder às perguntas.
Ibope baixo
O programa tem, em média, dois pontos de audiência, segundo
o Ibope. Ontem, não foi diferente. Quando Serra estava no ar, às
14h20, ficou em 1,6. O pico do programa de foi 3,4. Na semana, o melhor
dia foi a terça-feira, com 3,7 de média. À
tarde, Serra negou que tenha anunciado a sua candidatura. "Não
vou falar [que sou candidato]. Quem disse foi o Datena. Eu aqui vim
no trabalho de governo e eu não vou misturar as coisas",
disse Serra.
Em Hortolândia, funcionários de uma fábrica e políticos
aliados cantaram parabéns ao governador.
Em discurso, Serra apelidou o pacote de obras viárias de "bolsa
transporte". "O trem que vai atender a turma de Osasco a
Itapevi, que o Metrô e a CPTM estão fazendo, é uma
espécie de bolsa transporte para as pessoas, porque nós
estamos passando renda para as pessoas, renda através do conforto,
do tempo menor e da segurança."
|
Folha de S.Paulo, 20
de março de 2010
Emenda Ibsen é inconstitucional,
diz Dilma
Para ministra, Senado deve retomar
proposta que preserva royalties do petróleo para Estados produtores
EDUARDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Antes de participar de sua última reunião como presidente
do Conselho de Administração da Petrobras, a ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil) lamentou a aprovação na Câmara
do Deputados da emenda que propõe a divisão dos royalties
do petróleo de forma igual entre todas as unidades da Federação.
Para a pré-candidata do PT à Presidência, a chamada
emenda Ibsen é inconstitucional e deve ser alterada no Senado
em favor da proposta original enviada pelo governo ao Congresso, que
preservava a remuneração superior aos Estados produtores.
"
Uma coisa que chama a atenção é que a Constituição
prevê que os Estados produtores ou que tenham algum equipamento
relativo ao processo de exploração sejam contemplados
diferenciadamente", afirmou Dilma. "Infelizmente perdemos
essa votação. Agora nós estamos esperando [que
não seja aprovada no Senado], em vista do fato de que há sem
sombra de dúvidas uma falha."
Além dos rendimentos da exploração do pré-sal,
a polêmica emenda também altera o atual marco regulatório
redividindo o bolo dos royalties dos postos de petróleo já licitados
e em operação. Em meio às diversas manifestações
contra a proposta aprovada pelos deputados, o governador do Rio, Sérgio
Cabral (PMDB), chegou a chorar em público.
De acordo com a ministra, apesar de o governo federal ter encaminhado
o projeto ao Congresso em regime de urgência, Lula teria tentado
evitar que o assunto royalties fosse tratado neste ano para que não
seja discutido em meio às "emocionalidades que cercam essa
questão em ano eleitoral".
Segundo Dilma, o presidente não trabalha com a hipótese
da manutenção da mudança polêmica e, consequentemente,
com uma eventual necessidade de veto. "Esperamos no Senado que
isso seja revertido e se busque um consenso, que é muito melhor
que uma disputa fratricida entre Estados."
Conselheira da Petrobras desde 2003, quando assumiu o Ministério
de Minas e Energia, Dilma passou a presidência do colegiado para
o ministro Guido Mantega (Fazenda). A vaga da ministra será ocupada
pelo secretário-executivo do MME, Márcio Zimmermann.
|