 |
O ESTADO DO PARANÁ,
15 de junho de 2010 | Economia
Cresce o número de alvarás
para construção
Helio Miguel
O aquecimento no mercado imobiliário
está impactando diretamente no movimento de órgãos
públicos municipais, em Curitiba. Estatísticas do setor
mostram que, de janeiro a abril deste ano, as construtoras pediram 31%
mais alvarás de construção do que no mesmo período
do ano passado.
Mas o movimento não necessariamente
significará um maior número de lançamentos nos
próximos meses. Isso porque as empresas estão se precavendo
em relação a possíveis atrasos nas liberações
das obras.
Os números foram informados
pelo consultor Marcos Kahtalian, do Sindicato da Indústria da
Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR).
Para ele, por mais que haja a possibilidade de nem todos os alvarás
liberados resultarem em obras, o número é bem visto pelo
mercado.
“É um indicativo
de que há a intenção de construir. E, se há
intenção, é positivo”, avalia, ressaltando
que o avanço mostra claramente o aquecimento no setor de construção
civil. “Quando o mercado está aquecido, as construtoras
se animam e tiram os projetos da gaveta para liberá-los”,
afirma o consultor.
Mas o crescimento não
é só atribuído ao maior movimento no mercado da
construção civil. Segundo o presidente da Associação
dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná
(Ademi-PR), Gustavo Selig, as construtoras estão adiantando seus
pedidos de alvarás para não serem surpreendidas por atrasos
na liberação, na hora que precisarem começar a
construção.
“As empresas estão
fazendo estoques de terrenos com projetos aprovados, por causa da morosidade
da prefeitura para liberar os alvarás de execução
de obras”, afirma.
De acordo com Selig, esse tipo
de atitude não só causa uma distorção nas
avaliações de mercado, mas também acaba não
sendo produtivo para as empresas, já que as necessidades dos
consumidores podem mudar muito rapidamente, obrigando-as a alterarem
os projetos. “Aí pode acarretar em nova demora. Ainda não
sabemos como a prefeitura vai lidar com alterações de
projetos, quando acontecerem”, observa.
Mão-de-obra
Mesmo com essa possível
distorção nos números, Selig e Kahtalian concordam
que há uma grande quantidade de obras programadas. De acordo
com Kahtalian, isso reflete diretamente nas contratações:
só em Curitiba, o setor gerou cerca de 7 mil empregos este ano,
até maio. Em alguns empreendimentos, ele conta que as construtoras
estão treinando novos funcionários, com pouca experiência,
já no canteiro de obras.
Habite-se
Ao mesmo tempo em que os pedidos
de alvarás de execução de obras aumentaram, o setor
de construção registrou uma queda no número de
habite-se - documentos que averbam a conclusão das obras e autorizam
a entrega dos imóveis - expedidos este ano: no mesmo período,
foram 3.115, contra 4.192 nos primeiros quatro meses do ano passado,
uma queda de quase 26%.
Porém, de acordo
com o consultor do Sinduscon-PR, não existe uma relação
direta entre os dois números. “Essa queda é normal.
Muito do que foi lançado há dois ou três anos ainda
não foi concluído”, diz.
|
Gazeta do Povo, 15 de junho
de 2010
Caixa Econômica
Crédito habitacional sobe 113%
Os empréstimos habitacionais da Caixa cresceram 113% entre 1º
de janeiro e 11 de junho em relação ao mesmo período
de 2009 e alcançaram R$ 28,3 bilhões. De acordo com o
banco, foram assinados 473 mil contratos, aumento de 69%. O banco espera
chegar a R$ 60 bilhões neste ano, impulsionado, entre outros
fatores, pelos negócios com os feirões realizados em todo
o país em maio e junho. A Caixa encerrou no domingo a sexta edição
do Feirão da Casa Própria. Foram 93.560 negócios,
com um volume de R$ 8,4 bilhões, aumento de 70% em relação
aos eventos do ano passado. Dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida
foram oferecidos 200 mil imóveis para famílias com renda
superior a três salários mínimos, cerca de 45% do
total de unidades habitacionais disponíveis para o feirão.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
15 de junho de 2010 | Economia
Feirão da Caixa em 13 cidades movimentou
R$ 8,4 bi
O Feirão da Casa Própria, da Caixa Econômica Federal,
movimentou R$ 8,4 bilhões desde a sua abertura, em 7 de maio,
até o encerramento ontem. O evento, que passou por treze cidades
brasileiras, recebeu 576.194 visitantes e o total chegou a 93.560 negócios.
Os números representam um aumento de 70% em comparação
ao volume movimentado nos eventos do ano passado, quando foram assinados
ou encaminhados para agências aproximadamente 67.100 contratos,
equivalente a R$ 5 bilhões.
A Caixa emprestou R$ 28,29 bilhões,
com a assinatura de 472.823 financiamentos imobiliários. O montante
é 113,5% maior do que o financiado no mesmo período do
ano anterior (R$ 13,25 bilhões). Em quantidade, o salto é
de 68,7% (acréscimo de 192.649 financiamentos).
Por meio do Programa Minha
Casa, Minha Vida, destaque nesta edição, foram oferecidos
200 mil imóveis para famílias com renda superior a três
salários mínimos, cerca de 44,4% do total de unidades
habitacionais disponíveis para o evento. Nesta edição,
o Feirão da Caixa contou com a participação de
693 construtoras e de 602 imobiliárias, além de cartórios
e prefeituras, entre outros.
|
BEM PARANÁ, 15 de
junho de 2010 | Paraná
Curitiba
Prefeitura investe em junho R$ 138 milhões
em 337 obras
Desde o início do ano, Secretaria Municipal
de Obras Públicas tem começado uma média de 7 obras
por dia
SMCS
A Prefeitura de Curitiba está investindo no mês de junho
R$ 138,8 milhões em novas obras na cidade. Ao todo são
320 obras, entre pavimentação de ruas, construção
e ampliação de equipamentos públicos, melhorias
na iluminação pública e na rede drenagem das águas
da chuva da cidade. Desde o início do ano, a Secretaria Municipal
de Obras Públicas tem começado uma média de 7 obras
por dia.
"A Prefeitura está ampliando a sua rede de equipamentos
públicos e melhorando a malha viária, favorecendo especialmente
os bairros distantes da região central", disse o prefeito
Luciano Ducci.
O prefeito anuncia que outros
R$ 72,9 milhões estão em licitação, e entre
as concorrências está a Linha Verde Norte.
No setor de pavimentação,
a cidade começou importantes obras viárias. Ao todo, estão
sendo investidos R$ 60,5 milhões. São obras com as revitalizações
das avenidas Toaldo Túlio, Fredolin Wolf e as construções
da trincheira da rua Gustavo Rattman e do binário Chile-Guabirotuba.
Em toda a cidade, estão em andamento 56,5 quilômetros de
pavimentações, sendo que 96% estão localizadas
nos bairros da cidade.
Na área de edificações,
a Prefeitura está investindo R$ 70,9 milhões em novos
equipamentos ou na reforma e ampliação de antigos prédios
públicos. Ao todos estão em obras 32 obras na área
de educação, com a construção de uma escola,
7 centros de municipais de educação infantil (CMEIs),
8 quadras cobertas e uma Unidade de Educação Integral,
além da ampliação de 2 escolas e 13 creches.
Também estão em
construção o Hospital do Idoso, no Pinheirinho, as Unidades
de Saúde Abranches, Barreirinha e Santa Amélia e mais
15 novos Espaços Saúde. O investimento nesta área
é de R$ 18,3 milhões.
Outra obra importante é
a construção do Restaurante Popular Pinheirinho, que servirá
mil almoços por dia, ao preço de R$ 1,00. Também
estão em construção os Armazéns da Família
Monteiro Lobato, No Tatuquara, e o Osternack, no Ganchinho, além
da ampliação do Armazém da Família Bairro
Novo, o Mercado Municipal de Curitiba e o Depósito Central do
Capão da Imbuia.
Em fase avançada está
o Clube da Gente da CIC, que vai atender mais de duas mil pessoas, oferecendo
gratuitamente aulas de natação e hidroginástica.
As equipes estão colocando a nova cobertura do imóvel.
Outra obra é a revitalização da Rua 24 Horas, onde
a Prefeitura está investindo R$ 3,8 milhões na reforma
deste ícone da cidade.
Na área de iluminação,
está programada a melhoria na Estrada do Ganchinho, com a colocação
de novas luminárias e de postes. Também será feita
melhoria na Rua Riachuelo, que recebe a nova iluminação,
dando mais segurança ao comércio local.
O setor de drenagem da
cidade também está sendo atendido. O córrego Capão
da Imbuia, no Cajuru, está sendo recuperado. Também está
acontecendo a limpeza do Rio Barigui. Desde o início do ano,
a Prefeitura já recolheu 311 toneladas de lixo jogado em galerias
e rios da cidade.
|
Folha de S.Paulo, 15 de
junho de 2010
MERCADO DE LUXO
Ultrarricos ganham força no Brasil,
afirma "Financial Times"
DE SÃO PAULO - O desempenho
econômico brasileiro dos últimos anos está fazendo
o número de ultrarricos (pessoas que têm investimentos
de ao menos US$ 30 milhões) crescer, ao mesmo tempo em que o
mercado de luxo se expande no país, afirma o jornal "Financial
Times".
A reportagem do jornal britânico menciona que marcas como Gucci
e Diane von Furstenberg abriram butiques no país desde a crise
global, com bons resultados financeiros.
Afirma ainda que o mercado de luxo não está mais restrito
a Rio e São Paulo e se expande para outros centros, como Brasília.
Em 2008, o Brasil tinha 131 mil ultrarricos e era o décimo país
com mais investidores com US$ 30 milhões ou mais, de acordo com
levantamento da Capgemini. No ano anterior, o país era o 12º
com mais ultrarricos, com um total de 143 mil milionários.
|
Gazeta do Povo, 15 de junho
de 2010
Bolsas
ProUni abre inscrições hoje
Programa exige desempenho de pelo menos 400
pontos no Enem 2009; candidatos têm até sábado para
escolher três cursos de instituições particulares
de ensino superior
São Paulo - O Ministério
da Educação (MEC) abre hoje as inscrições
do Programa Universidade para Todos (ProUni) para o segundo semestre.
Serão oferecidas 60.488 bolsas de estudo, sendo 39.113 bolsas
integrais e 21.375 bolsas parciais (de 50% da mensalidade) em 1.255
instituições de ensino superior. As inscrições
vão até o dia 19.
Podem concorrer às bolsas
os candidatos que tenham realizado o Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) em 2009 e alcançado no mínimo 400 pontos na média
das cinco notas do exame (ciências da natureza e suas tecnologias;
ciências humanas e suas tecnologias; linguagens, códigos
e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; e redação).
A inscrição será feita exclusivamente pela internet.
O candidato poderá escolher até três opções
de curso e instituição. Para efetuar sua inscrição,
o estudante deverá informar seu número de inscrição
no Enem e seu CPF.
A relação dos
candidatos pré-selecionados na primeira chamada será divulgada
no dia 21. Esses estudantes deverão comprovar suas
informações nas instituições de ensino de
22 de junho a 2 de julho. Caso sobrem bolsas, poderá
haver mais cinco chamadas.
Podem se candidatar às
bolsas integrais estudantes com renda familiar de até um salário
mínimo e meio por pessoa da família. As bolsas parciais
são destinadas a candidatos com renda familiar de até
três salários mínimos por pessoa. Além de
ter feito o Enem 2009, o candidato deve ter cursado todo o ensino médio
em escola pública ou, em caso de escola particular, ter cursado
na condição de bolsista integral.
Professores da rede pública
de ensino básico que concorrem a bolsa em curso de licenciatura,
normal superior ou Pedagogia não precisam cumprir o critério
de renda, desde que estejam em efetivo exercício e integrem o
quadro permanente da escola.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
15 de junho de 2010 | Economia
CPF poderá ser obtido na hora a
partir de agosto
A Receita Federal publicou no Diário Oficial a Instrução
Normativa 1.024, que organiza as regras do Cadastro de Pessoa Física
(CPF) e viabiliza que o contribuinte obtenha na hora o número
do CPF. Hoje, o processo, se não houver pendências, leva
em média sete dias úteis. O novo sistema, previsto pela
Receita para entrar em operação em agosto, vai eliminar
a emissão de cartões de plástico com o número
do CPF.
Segundo a coordenadora-geral
de Atendimento e Educação Fiscal da Receita, Maria Helena
Cotta Cardozo, atualmente os bancos que prestam o serviço de
atendimento para o CPF não trabalham com base de dados online
para a pronta emissão do documento. Esse processo de integração
está em andamento e, no caso do Banco do Brasil, já foi
homologado. Os outros emissores, Caixa Econômica Federal e Correios,
ainda estão trabalhando com a Receita no processo de integração
de sistemas.
Ela explicou que, uma vez finalizada
a fase de integração e de testes do sistema, as instituições
têm que assinar os convênios com a Receita para que as emissões
automáticas de CPF possam ser realizadas. O custo para o contribuinte
obter o número do CPF seguirá em R$ 5,50, disse Maria
Helena. Hoje, são emitidos cerca de 500 mil novos CPFs por mês
e a base de dados conta com cerca de 180 milhões de números.
A emissão imediata
do CPF pelos bancos, segundo a técnica, é o primeiro passo
para que o documento possa ser obtido diretamente na internet.
|
Diário.Info, 15 de
junho de 2010
Corrida ao Petróleo põe
em perigo o Planeta
Pois é, o petróleo que está
a jorrar do fundo do Golfo do México em quantidades impressionantes
pode vir a constituir um dos maiores desastres ecológicos da
história da humanidade. Mas pensem nisso como sendo apenas o
prelúdio da Idade da Escassez de Petróleo, uma época
cada vez mais dependente de fontes de energia problemáticas e
de difícil acesso. Não se iludam: estamos a entrar na
zona de perigo. E prestem atenção, pode estar em jogo
o destino do planeta.
Michael T. Klare*
Pode nunca vir a ser possível definir a causa exata da enorme
explosão que destruiu a plataforma de perfuração
Deepwater Horizon em 20 de Abril e matou 11 dos seus 126 trabalhadores.
Os possíveis culpados incluem uma ligação defeituosa
no furo submarino e um deficiente aparelho de corte conhecido por corte
de explosão. Evidentemente, uma fiscalização governamental
inadequada dos procedimentos de segurança também contribuiu
para este desastre, que pode ter sido desencadeado por uma conjugação
de equipamento defeituoso e falha humana. Mas, quer venha a ser determinada
ou não a causa imediata da explosão, não há
dúvidas quanto à causa subjacente: a tendência,
apoiada pelo governo, de explorar as reservas de petróleo e de
gás natural em ambientes extremamente difíceis e em condições
de operação cada vez mais arriscadas.
A Nova Corrida ao Petróleo
e os seus Perigos
Os Estados Unidos entraram na
era dos hidrocarbonetos com uma das maiores jazidas de petróleo
e gás natural. A exploração deste produto valioso
e versátil contribuiu desde o início para a riqueza e
poder da nação, assim como para a rentabilidade das gigantescas
empresas energéticas como a BP e a Exxon. Mas, neste processo,
esgotou-se a maior parte dos nossos reservatórios de petróleo
e de gás em terra firme, de acesso fácil, restando apenas
reservas menos acessíveis nas áreas costeiras, o Alasca
e o Ártico em fusão. Para garantir um abastecimento prolongado
de hidrocarbonetos - e a continuação da prosperidade das
gigantescas companhias energéticas - as sucessivas administrações
têm apadrinhado a exploração dessas opções
energéticas difíceis, com um total desprezo pelos perigos
daí resultantes. Dada a sua natureza, esses esforços envolvem
um risco cada vez maior de catástrofe humana e ambiental - uma
coisa que nunca foi devidamente considerada!
A prospecção de
petróleo e gás sempre conteve certa dose de risco. Afinal,
a maior parte das reservas energéticas está profundamente
escondidas sob a superfície da Terra por baixo de formações
rochosas sobrepostas. Quando perfuradas pelas brocas petrolíferas,
têm tendência para jorrar numa libertação
explosiva de hidrocarbonetos, o bem conhecido efeito “jorro de
petróleo”. Na fase inicial da embriaguez aventureira da
indústria petrolífera, este fenômeno - que nos é
familiar através de filmes como Sangue Negro (There Will Be Blood)
- provocou frequentemente danos humanos e ambientais. Mas, com o passar
dos anos, as companhias petrolíferas tornaram-se muito mais adeptas
em prever esses acontecimentos e evitar os danos para os trabalhadores
e para a paisagem envolvente.
Agora, na corrida para explorar
as reservas de difícil acesso do Alasca, do Ártico e das
águas profundas, estamos a regressar a uma versão especialmente
perigosa daqueles dias de embriaguez aventureira. À medida que
as companhias energéticas se deparam com riscos novos e inesperados,
chega-se à conclusão de que as suas tecnologias atuais
- que se desenvolveram, sobretudo em ambientes benignos - são
incapazes de responder adequadamente aos novos desafios. E a verdade
é que, quando acontece um desastre, como cada vez se torna mais
provável, o resultante dano ambiental é cada vez mais
devastador do que qualquer outro já conhecido nos anais industriais
dos séculos dezenove e vinte.
A operação Deepwater
Horizon é um bom exemplo desta tendência. A BP, a companhia
concessionária do poço e que estava a supervisionar o
trabalho da perfuração, há anos que anda numa azáfama
para extrair petróleo de locais cada vez mais profundos no Golfo
do México. O poço em questão, conhecido por Mississipi
Canyon 252, está situado a 1 500 metros abaixo do nível
das águas, a cerca de 80 km a sul da costa da Louisiana; o furo
do poço propriamente dito estende-se por mais 4 km pela terra
dentro. A uma profundidade destas, todos os trabalhos no fundo do oceano
têm que ser executados por aparelhos robóticos controlados
à distância que são supervisionados por técnicos
na plataforma. Logo à partida, a margem de erro era diminuta
e, segundo parece, a operação Deepwater Horizon caracterizava-se
por ser uma solução mais barata, de apertada contenção
de custos e de fiscalização frouxa. Logo que apareceram
os problemas previsíveis, claro que foi impossível enviar
especialistas humanos a mil e quinhentos metros abaixo da superfície
do oceano para avaliar a situação e planear uma solução.
Na verdade, a perfuração
no Alasca e no Ártico ainda coloca desafios mais perigosos, dadas
as condições ambientais e climáticas extremamente
difíceis que ali se enfrentam. Quaisquer plataformas de perfuração
instaladas em águas costeiras, como por exemplo, nos mares Beaufort
ou Chuckchi do Alasca, têm que ser reforçados para resistirem
às colisões dos gelos flutuantes, um perigo permanente,
e poderem aguentar temperaturas extremas e poderosas tempestades. Para,
além disso, em locais de tão difícil acesso, os
jorros de petróleo estilo BP, quer sejam no mar ou em terra,
serão ainda mais difíceis de tratar do que no Golfo. Em
qualquer destas situações, um jorro de petróleo
fora de controlo será provavelmente mortal para muitas espécies,
ameaçadas ou não, que tenham pouca tolerância para
com os riscos ambientais.
As principais empresas energéticas
insistem que adotaram salvaguardas rígidas contra tais perigos,
mas o desastre no Golfo já ridicularizou essas afirmações,
tal como o registro histórico. Em 2006, por exemplo, rompeu-se
uma tubagem de petróleo, com uma fraca manutenção,
numa instalação da BP, vomitando 267 000 galões
de petróleo na Encosta Norte do Alasca numa área frequentada
pela rena migradora. (Como o derrame aconteceu no inverno, não
havia renas presentes na altura e foi possível retirar o petróleo
das margens circundantes; se tivesse acontecido no verão, o risco
para as manadas de renas teria sido substancial).
Se é Petróleo, tudo
bem
Apesar dos riscos e perigos
óbvios, assim como das práticas de segurança inadequadas,
uma sucessão de administrações, incluindo a de
Barack Obama, têm apadrinhado as estratégias empresariais
que favorecem fortemente a exploração dos reservatórios
de petróleo e de gás nas águas profundas do Golfo
do México e de outras áreas ambientalmente sensíveis.
Do lado do governo, esta atitude
foi perfeitamente articulada pela primeira vez na Política Energética
Nacional (National Energy Policy - NEP) adotada pelo presidente George
W. Bush a 17 de Maio de 2001. Tendo à cabeça o antigo
diretor-geral da Halliburton, o vice-presidente Dick Cheney, os inspiradores
desta política lançaram o alerta de que os Estados Unidos
estavam a ficar cada vez mais dependentes da energia importada, pondo
assim em perigo a segurança nacional. Exigiam uma confiança
cada vez maior nas fontes de energia internas, principalmente no petróleo
e no gás natural. “Um objetivo primordial da Política
Energética Nacional é aumentar o abastecimento a partir
de várias fontes”, declarava o documento. “Ou seja,
petróleo, gás e carvão nacionais”.
Mas, conforme o NEP esclarecia,
os Estados Unidos estavam a ficar sem reservatórios convencionais,
de fácil acesso, de petróleo e de gás natural,
situados em terra ou em águas costeiras superficiais. “Prevê-se
que a produção de petróleo americano diminua durante
os próximos vinte anos, [enquanto que] a procura de gás
natural provavelmente vai continuar a ultrapassar a produção
interna”, sublinhava o documento. A única solução,
afirmava-se, seria aumentar a exploração das reservas
de energia não convencionais - petróleo e gás encontrado
nas profundas águas do mar alto do Golfo do México, da
Plataforma Exterior Continental, do Alasca, e do Ártico americano,
assim como em complexas formações geológicas sob
a forma de petróleo argiloso e gás. “A produção
de petróleo e gás a partir de áreas geologicamente
desafiantes, protegendo simultaneamente o ambiente, é muito importante
para os americanos e para o futuro da segurança energética
da nossa nação”, afirmava essa política.
(Claro que a frase em itálico foi acrescentada pela Casa Branca,
para contrariar as críticas - dolorosamente verdadeiras, como
se veio a verificar - de que a administração não
se importava com as consequências ambientais das suas políticas
energéticas).
Primeiro e acima de tudo, por
entre as recomendações da NEP encontrava-se a exploração
do Refúgio Nacional Ártico da Vida Selvagem, uma proposta
que gerou um interesse intenso dos meios de comunicação
e provocou uma forte oposição dos ambientalistas. Mas
igualmente significativo foi a sua exigência para a exploração
e perfuração acrescida das águas profundas do Golfo,
assim como dos Mares Beaufort e Chukchi ao largo do norte do Alasca.
Embora a perfuração no Refúgio Nacional Ártico
da Vida Selvagem tenha acabado por ser bloqueada pelo Congresso, a corrida
à exploração das outras áreas continuou
com pouca oposição governamental. Na verdade, como agora
se tornou evidente, o braço regulador profundamente corrupto
do Serviço de Gestão de Minerais (Minerals Management
Service - MMS) facilitou durante anos a atribuição de
concessões para exploração e perfuração
no Golfo do México, ignorando sistematicamente as regulamentações
e preocupações ambientais. Prática comum durante
os anos Bush, continuou sem alteração quando Barack Obama
assumiu o cargo da presidência. Com efeito, este aprovou um possível
aumento maciço da perfuração no mar alto quando,
a 30 de Março - três semanas antes do desastre do Deepwater
Horizon - anunciou que vastas áreas do Atlântico, do Golfo
do México ocidental, e das águas do Alasca iriam ser abertas
pela primeira vez à perfuração do petróleo
e do gás.
Para além de acelerar
a exploração do Golfo do México, ignorando simultaneamente
cientistas governamentais e outros funcionários que alertavam
para os perigos, o MMS também aprovou a perfuração
no alto mar nos Mares Chukchi e Beaufort. Tudo isto aconteceu apesar
da forte oposição dos ambientalistas e dos povos nativos
que receiam o risco para as baleias e outras espécies ameaçadas
e que são vitais para a sua forma de vida. Por exemplo, em Outubro,
o MMS concedeu à Shell Oil uma aprovação prévia
para efetuar perfuração exploratória em dois blocos
no alto mar no Mar Beaufort. Os opositores a este plano alertaram para
que quaisquer furos de petróleo produzidos por essas atividades
representariam uma grave ameaça para animais ameaçados,
mas essas preocupações foram ignoradas, como de costume.
(A 30 de Abril, 10 dias depois da explosão do Golfo, o presidente
Obama suspendeu subitamente a aprovação final do plano,
que ficou dependente duma reanálise das atividades de perfuração
no alto mar).
A Sala da Vergonha da BP
As principais empresas energéticas
têm razões urgentes para um envolvimento crescente na exploração
de opções energéticas em condições
radicais. Todos os anos, para evitar que o valor das suas ações
desça, estas companhias têm que substituir o petróleo
extraído dos seus atuais reservatórios por novas reservas.
Mas a maior parte das bacias de petróleo e de gás nas
suas áreas tradicionais de abastecimento estão esgotadas,
enquanto que atualmente os muitos campos promissores do Médio
Oriente, da América latina e da antiga União Soviética
estão sob o exclusivo controlo de companhias petrolíferas
nacionais estatais, como a Saudi Aramco, a Pernex do México e
a PDVSA da Venezuela.
Isto faz com que as empresas
privadas, largamente conhecidas como as empresas petrolíferas
internacionais (International Oil Companies - IOC), fiquem com cada
vez menos áreas onde podem reabastecer os seus fornecimentos.
Ficam assim profundamente envolvidas numa corrida ao petróleo
em curso na África subsaariana, onde a maioria dos países
ainda permite alguma participação das IOC’s, mas
enfrentam uma competição assustadoramente dura por parte
das companhias chinesas e outras companhias apoiadas pelo estado. As
únicas áreas em que ainda têm praticamente mão
livre são o Ártico, o Golfo do México, o Atlântico
norte e o Mar do Norte. Não é de admirar, que tenha sido
aí que concentraram os seus esforços, indiferentes aos
perigos para nós ou para o planeta.
A BP, por exemplo. Inicialmente
conhecida por Anglo-Persian Oil Company (depois por Anglo-Iranian Oil
Company, e a seguir por British Petroleum), a BP começou no sudoeste
do Irão, onde antigamente gozou de um monopólio na produção
das ramas de petróleo. Em 1951, as suas propriedades iranianas
foram nacionalizadas pelo governo democrático de Mohammed Mossadeq.
A companhia regressou ao Irão
em 1953, na sequência de um golpe apoiado pelos EU que colocou
o Xá no poder, e acabou por ser expulsa de novo em 1979 na sequência
da Revolução islâmica. A companhia conserva ainda
uma propriedade significativa na Nigéria, uma antiga colônia
britânica uma antiga colônia britânica, rica em petróleo
mas com uma situação política instável,
e no Azerbaijão. Mas, desde que passou a controlar a Amoco (outrora
a Standard Oil Company da Indiana) em 1998, a BP concentrou as suas
energias na exploração das reservas do Alasca e em locais
de petróleo difícil nas águas profundas do Golfo
do México e da costa africana.
“Operando nas Fronteiras
da Energia” é o título da Annual Review da BP para
2009, que começa orgulhosamente assim: “A BP opera nas
fronteiras da indústria energética. Desde as profundezas
do oceano até aos complexos ambientes de refinação,
desde as longínquas ilhas tropicais aos bicombustíveis
da próxima geração - uma BP revitalizada está
a promover uma eficiência maior, um ímpeto sustentado e
o crescimento do negócio”.
Neste mandato, ainda por cima,
o Golfo do México ocupava o ponto central. “A BP é
a operadora líder no Golfo do México”, afirmava
o relatório. “Somos os maiores produtores, os principais
detentores de recursos e temos a maior posição em superfície
de exploração… Com novas descobertas, arranques
cheios de êxito, operações eficazes, e uma forte
carteira de novos projetos, estamos excepcionalmente bem colocados para
sustentar o nosso êxito nas águas profundas do Golfo do
México em longo prazo”.
Claramente, os executivos de
topo da BP acreditavam que um aumento na produção no Golfo
era essencial para a saúde financeira da companhia em longo prazo
(e na verdade, poucos dias depois da explosão do Deepwater Horizon
a companhia anunciou que tinha feito 6,1 mil milhões de dólares
de lucros só no primeiro trimestre de 2010). Ainda está
por apurar até que ponto a cultura corporativa da BP contribuiu
para o acidente Deepwater Horizon. Mas há algumas indicações
de que a companhia estava numa corrida insana para terminar a cimentagem
do poço 252 do Mississipi Canyon - um procedimento que o iria
tapar até que a companhia estivesse pronta a empreender a extração
comercial do petróleo armazenado lá em baixo. Nessa altura,
poderia remover o equipamento, alugado à Transocean Ltd. por
500 000 dólares por dia, para outra possível plataforma
para continuar a procurar mais petróleo.
Mesmo que se venha a provar
que a BP é o principal vilão neste processo, há
outras grandes empresas energéticas - encorajadas pelo governo
e funcionários estatais - que também estão empenhados
em atividades imprudentes semelhantes para extrair petróleo e
gás natural de locais de ambientes radicais. Essas companhias
e os seus apoiantes governamentais insistem em que, tomadas as devidas
precauções, é seguro operar nessas condições,
mas o incidente Deepwater Horizon demonstra que quanto mais radical
for o ambiente, mais improvável é que essas afirmações
correspondam à verdade.
A explosão Deepwater
Horizon, de certeza que é o que nos vão dizer, foi um
acaso infeliz da confluência de uma gestão inadequada e
de um equipamento deficiente. Irão dizer que, sob uma apertada
fiscalização, esses acidentes podem ser evitados - e por
isso não há problema em voltar às águas
profundas e perfurar à procura de petróleo a mil e quinhentos
metros ou mais da superfície do oceano.
Não acreditem. Embora
uma fiscalização fraca e um equipamento deficiente possam
ter desempenhado um papel fundamental na catástrofe da BP, no
Golfo, a causa remota do desastre é o ímpeto compulsivo
do grande petróleo para compensar o declínio nas suas
reservas de petróleo convencional procurando abastecimento em
áreas de risco natural - malditos riscos! Enquanto prevalecer
esta compulsão, vão ocorrer mais desastres destes. Podem
apostar.
* Michael T. Klare é professor
de Estudos sobre a Paz e a Segurança Mundial no Hampshire College.
Este texto foi publicado originalmente em www.huffingtonpost.com/michael-t-klare/the-era-of-xtreme-energy_b_295304.html.
Reproduzido por Diario.info, com tradução de Margarida
Ferreira
|
Vermelho, 15 de junho de 2010
Lutas de classe intensificam-se
na Grécia
Os trabalhadores na Grécia posicionam-se
hoje na frente avançada das lutas de classe europeias contra
a tentativa do grande capital de fazer o povo trabalhador pagar os custos
da sua crise.
por Dimitris Fasfalis [*]
Mobilizações contra a austeridade estão a difundir-se
por toda a Europa. Na França houve greves e manifestações
no dia 27 de maio e está previsto para 24 de junho um dia de
ações. Em Portugal, 300 mil trabalhadores manifestaram-se
nas ruas de Lisboa em 29 de Maio para exprimir a sua rejeição
ao plano de austeridade do governo. Na Espanha, funcionários
públicos foram às ruas em 2 de junho. Na Itália,
foi realizada uma manifestação nacional em Roma dia 5
de junho, com greves e outras ações planeadas para 12
de junho. Na Grã-Bretanha, os sindicatos e organizações
de esquerda estão convocando um dia de manifestações
para 22 de Junho. No Romênia, funcionários públicos
foram às ruas no dia 4 de junho.
A resistência contínua
na Grécia mostra aos trabalhadores ativistas e militantes da
esquerda anti-capitalista que as suas lutas podem abrir novos caminhos
de avanço e determinar o resultado da atual crise econômica.
A mais recentes greve geral de 24 horas na Grécia, efetuada em
20 de maio, registrou um êxito do movimento dos trabalhadores
na ultrapassagem da campanha de propaganda da mídia hegemônica
e das calúnias provenientes do governo PASOK (Movimento Socialista
Pan-Helénico). Mais de 50 mil pessoas tomaram as ruas de Atenas
e realizaram-se manifestações nos principais centros urbanos
do país [1] . Os professores do ensino público tomaram
parte maciçamente na manifestação de Atenas. A
participação na greve foi muito alta no setor público,
mas menor no privado. As principais federações sindicais
também organizaram um dia de comícios a 5 de junho. Este
combate está longe do fim.
A greve geral de 5 de Maio
A greve geral e as manifestações
de 5 de maio foram um êxito esmagador. Lançada pela Confederação
Geral dos Trabalhadores da Grécia (GSEE) e pelo sindicato dos
empregados do estado (ADEDY), o apelo para cessar o trabalho durante
24 horas foi cumprido maciçamente tanto pelos trabalhadores do
setor público como do privado. Foram efetuadas manifestações
em todas as principais cidades por toda a Grécia, exceto Larissa.
Elas realizaram-se em Tripoli e Patra no Peloponeso, em Ioannina e Igoumenitsa
no Épiro, em Herakleion (Creta) e também em Salônica,
a metrópole ao Norte da Grécia onde milhares de manifestantes
tomaram as ruas.
As maiores manifestações
ocorreram em Atenas. As ruas do centro de Atenas foram tomadas por uma
inundação humana de 250 mil cidadãos. A sua composição
refletiu a da classe trabalhadora da metrópole grega em toda
a sua diversidade: trabalhadores do setor privado, tais como os dos
estaleiros Skaramanga do Pireu, trabalhadores de empresas de serviços
públicos e do estado, tais como os da companhia de eletricidade
(DEI), os professores e os enfermeiros do sistema de saúde pública,
desempregados e trabalhadores reformados, imigrantes e trabalhadores
não documentados, estudantes da universidade e do secundário.
Todas as palavras de ordem vindas das fileiras de manifestantes exprimiram
a recusa do povo a pagar os custos da crise capitalista desencadeada
pela finança global: "Não à tempestade anti-trabalhadores",
"Não à flexibilidade, sim à semana de 35 horas",
"Trabalhadores, levantem-se! Eles estão a tomar tudo o que
obtivemos", "Nós pagamos os seus lucros, não
pagaremos a sua crise" [2] .
Johanna, de 30 anos, manifestou-se
para "dizer não ao FMI. Eles querem fazer-nos acreditar
que vieram aqui para ´resgatar´ as finanças do estado,
mas não acredito nisso minimamente. Quem aceitaria tal tratamento?"
Um profundo sentimento de injustiça
está a guiar os protestos da multidão. Yanni, um professor
de 30 anos, explicou ao repórter de l'Humanité:
"Toda a gente sente que
não há justiça. O dinheiro está ali mas
eles não querem ir buscá-lo... Não vejo outro caminho
de saída: eles só nos apresentaram uma opção"
[3] .
A causas dos movimento contra
o FMI/União Europeia/plano de austeridade do governo do PASOK
grego foram explicadas por Ilias Vretakou, vice-presidente do sindicato
ADEDY:
"Estamos a enviar de Atenas
uma mensagem de luta e resistência para os trabalhadores de todos
os países europeus, contra a barbárie dos mercados de
capital, do governo e da União Europeia. O governo, o FMI e a
União Europeia decidiram levar os trabalhadores, a sociedade
grega, para a mais selvagem barbárie social que alguma vez conhecemos.
Eles estão a nivelar por baixo os trabalhadores e a sociedade.
Estão a roubar os nossos salários, estão a roubar
nossas pensões, estão a roubar nossos direitos sociais,
estão a roubar nosso direito à vida. Eles estão
a impor a lei da selva nas relações de trabalho,... reduzindo
a taxa salarial para horas extras. Eles tornaram possível para
os patrões despedirem um empregado mais velho e contratarem,
com o mesmo dinheiro, três ou quatro jovens trabalhadores em condições
precárias" [4]
Este discurso provocou aplauso
entusiástico da multidão que havia acabado de apupar o
líder do GSEE, Panagopoulos, criticado pelos sindicalistas de
base pela relutância de fevereiro no combate às medidas
de austeridade [5] . Dentre outros oradores, Claus Matecki (do sindicato
alemão DGB) e Paul Fourier (da CGT francesa) também provocaram
aplausos vivos, especialmente quando este último declarou: "Hoje,
todos nós somos gregos! Obrigado e boa sorte" [6] .
Dentre as forças políticas
da esquerda, a Coligação da Esquerda Radical (SYRIZA)
e o Partido Comunista Grego (KKE) participaram maciçamente nos
protestos. Os social-democratas (PASOK) não tiveram uma presença
organizada, apesar das lutas internas da ala esquerda do partido contra
o plano de austeridade implementado pelo governo PASOK.
Muitos dos manifestantes votaram
PASOK em outubro de 2009. Eles agora estão desapontados e irados
ao descobrir que a esquerda triunfante que expulsou do governo o corrupto
governo de direita de Kostas Karamanlis (Nova Democracia) cedeu, sem
qualquer combate, à política neoliberal do capital financeiro.
Dimitra, uma reformada residente na região de Atenas, esperava
que a vitória do PASOK "faria as coisas melhor". Desapontada,
ela está furiosa quando pensa no primeiro-ministro George Papandreu,
do PASOK: "Quando penso que votei no idiota!" [7]
A cobertura feita pela mídia
das manifestações de 5 de maio centrou-se nos "kukuloforoi",
os "mascarados", que atacaram fisicamente símbolos
da cultura de mercado e do capitalismo financeiro. O banco Marfin e
a rua Stadiu no centro de Atenas foram atacados por coquetéis
molotov e queimados. Três empregados do banco perderam as suas
vidas no incêndio. Os empregados do Marfin foram obrigados a trabalhar
naquele dia apesar do apelo à greve e foram literalmente trancados
no banco. Não havia plano para saída de emergência,
tornando a sua evacuação ainda mais difícil.
A resposta do movimento dos
trabalhadores foi imediata e clara como cristal. Na noite de 5 de maio,
o presidente da ADEDY explicou que estas "práticas fascistas
pretendem assustar o povo num momento em que a luta de massa é
necessária para travar as medidas que lançam a vida dos
gregos na adversidade" [8] . No dia seguinte, 6 de maio, uma multidão
de luta reuniu-se na Praça Sintagma, em frente ao Bouli (parlamento
grego), a fim de denunciar a adoção do plano de austeridade
pelos representantes eleitos da Assembleia Nacional [9] .
Este desencadear da violência
de rua não deixa de se relacionar com a exasperação
para com o governo Papandreu. O plano de austeridade imposto ao povo
grego pelos mercados financeiros – as principais instituições
financeiras, o FMI e a União Europeia – é uma flagrante
negação da soberania nacional e da democracia. Além
disso, o governo aguenta-se no chão desde fevereiro e recusa-se
a atender à mensagem das ruas. Ao invés disso, intensifica
o autoritarismo do plano de austeridade: desde que foi aprovado pela
Assembleia Nacional em 6 de maio (com os votos dos socialistas PASOK,
da Nova Democracia e dos nacionalistas-racistas do LAOS), ele será
aplicado através de uma série de ordens do Ministério
das Finanças, não deixando qualquer espaço para
a interferência parlamentar e limitando os representantes eleitos
do povo a uma capacidade consultiva puramente formal.
A falta de legitimidade democrática
do plano portanto abre a porta, em alguns componentes nas margens do
movimento social, a conceitos de legitimidade da violência de
rua (choques com a polícia, queima de vários símbolos
da ordem capitalista, etc). O partido da ordem capitalista encabeçado
pelo PASOK tem portanto como corolário a violência dos
"kukuloforoi" nas mobilizações. Totalmente alheio
aos "mascarados", o flagrante impulso autoritário das
medidas de austeridade alimenta uma aguda tendência anti-parlamentar
dentro de seções do movimento dos trabalhadores. Slogans
tais como "Deixe-os queimar!" ou "Entreguem os ladrões
ao povo!" foram gritadas várias vezes na manifestação.
Dúzias de manifestantes também tentaram cortar as linhas
de segurança do Parlamento, até serem violentamente repelidas
pelas forças policiais [10] .
Olhar o antes e o após 5 de
maio
As ações de 5
de maio registraram um êxito porque foram preparadas: a unidade
da mobilização em massa não foi uma resposta espontânea,
mas antes o resultado de três meses de mobilizações
dos sindicatos de trabalhadores. Já em 24 de Fevereiro, o movimento
sindical comprometeu-se a combater o anunciado plano de austeridade,
negando portanto à classe dominante e seus porta-vozes um monopólio
da informação e da política. É precisamente
este criticismo, efetuado através de ações nas
ruas e lugares de trabalho, os quais permitiram ao movimento social
comunicar possíveis cenários diferentes daquele escrito
pelo capital financeiro. Portanto, a noção reacionária
e desmobilizadora de que este plano é um mal necessário
foi abalada, abrindo o caminho para o contra-ataque popular.
Em 24 de fevereiro, a primeira
greve geral respondeu às medidas de austeridade anunciadas pelo
governo. Em Atenas, 45 mil pessoas estiveram nas ruas; em Salônica,
havia 10 mil. Na manifestação de Atenas, Dimitri, um engenheiro
civil de 28 anos, explicou as razões da mobilização:
"Queremos um emprego, salários decentes e um verdadeiro
sistema de segurança social. Nosso país tem de respeitar
normas da União Europeia que são injustas" [11] .
Uma segunda greve geral de 24 horas teve lugar a 11 de março,
juntamente com manifestações nas principais cidades do
país.
As greves gerais de 24 horas
(24 de fevereiro, 11 de março, 5 de maio e 20 de maio) foram
sem dúvida os exemplos mais visíveis das mobilizações
populares contra a austeridade. Mas outras ações, de âmbito
mais limitado, desempenharam um papel crucial para elevar a força
e assegurar a continuidade do movimento de resistência. Fabrien
Perrier, repórter do diário l'Humanité, do PCF,
sublinhou a atmosfera de agitação social que tomava conta
de Atenas no fim de abril. "Em Atenas, a cada dia, as ruas estão
a refletir os gritos dos manifestantes e a ira de corpos profissionais"
[12] .
Muitas destas mobilizações
ajudaram a preparar a greve geral. Em 5 de março, por exemplo,
foram efetuadas reuniões em massa em muitas cidades para preparar
a greve geral de 11 de março. A reunião em Volos (uma
cidade na costa da Tessália, Norte de Atenas) reuniu não
só sindicalistas como também trabalhadores despedidos
da METKA, antecedendo um concerto de solidariedade de muitos artistas.
Da mesma maneira, o 1º de Maio estimulou as mobilizações
de massa antes da greve geral de 5 de maio. O sindicato dos empregados
do estado (ADEDY) apelou à greve de 4 de maio pela mesma razão.
O seu apelo foi seguido e foram efetuadas manifestações
naquele dia.
Estas mobilizações
limitadas também permitiram ao movimento dos trabalhadores empenhar-se
na batalha para ganhar a opinião pública. Muitas ações
portanto responderam ao governo a cada volta da crise. Portanto, quando
George Papandreu efetuou uma conferência de imprensa em 25 de
abril para anunciar que desencadearia o mecanismo europeu de apoio financeiro,
centenas de manifestantes responderam nas ruas do centro de Atenas a
gritar: "A luta do povo destruirá a carnificina do FMI"
[13] . Dois dias depois, a 27 de Abril, funcionários públicos
estavam em greve e professores estavam acampando na Praça Sintagma,
em frente ao Parlamento, para denunciar a hemorragia sofrida pelo sistema
público de educação. Nesse meio tempo, o porto
de Pireu foi bloqueado por uma greve de 24 horas dos trabalhadores marítimos
que responderam ao apelo do seu sindicato, o PNO.
Passo a passo, o que parecia
inevitável na cabeça da maioria tornou-se uma questão
a ser resolvida pela correlação de forças. Um inquérito
de opinião do jornal grego To Vima estimou a proporção
daqueles contra a redução de salários em 79,5%
da população [14] . Dentro do movimento social, os participantes
estão a ganhar confiança e a ideia de que o resultado
da luta ainda não está estabelecido ganha terreno. Despina,
de 27 anos, não tomou parte nas manifestações de
4 de maio dos empregados públicos. Ela sublinhou contudo ao repórter
do Humanité que "aqueles que estão no movimento estão
certos: eles entenderam as causas deste movimento. Os funcionários
públicos são as primeiras [vítimas diretas das
medidas de austeridade], mas todos na Grécia vão sofrer.
Os sindicatos estão unidos e o governo está começando
a abalar" [15] .
Todas as pessoas progressistas
saúdam a resistência dos trabalhadores gregos à
ditadura do capital financeiro. As mobilizações dos últimos
três meses têm sido dignas da herança política
da luta contra a junta ditatorial (1967-1974) e da resistência
anterior ao fascismo. Muitas questões cruciais ainda estão
para ser resolvidas.
Antes de mais nada, a estratégia
seguida pela liderança sindical está aberta ao questionamento.
Face a um governo que se recusa a atender aos protestos do povo nas
ruas e além disso obriga o parlamento a aplicar medidas ditadas
pelos grandes negócios, não haverá um risco de
que repetidas greves de 24 horas acabassem por ser a prova da impotência
do movimento para alterar o curso dos acontecimentos? O movimento dos
trabalhadores em França sofreu um retrocesso desmoralizante na
primavera do ano passado após três rodadas de greves gerais
de 24 horas. O desenlace dos acontecimentos ainda não está
decidido na Grécia.
Mas o tempo poderia estar do
lado dos trabalhadores, desde que os seus líderes tenham a coragem
necessária. Até quando, por exemplo, poderia o governo
PASOK e seus parceiros europeus suportar uma greve geral ilimitada dirigida
por assembleias-gerais do movimento de massa?
Uma segunda questão relaciona-se
com a estrutura organizativa do movimento social. Será ela capaz
de unir-se numa voz ou plataforma única? Será capaz de
estabelecer um órgão democrático e unificado que
fale pelos seus diferentes componentes nas ruas e assegure controle
autônomo das suas mobilizações?
Estas questões parecem
cruciais uma vez que determinarão durante os próximos
meses o êxito ou o fracasso da tentativa dos trabalhadores de
dar nascimento a novas possibilidade e portanto repelir a fatalidade
da barbárie neoliberal. As apostas são altas: o futuro
imediato do estado social está a ser decidido hoje nas ruas de
Atenas.
Notas
1. Ver "Grèce, après la grève" by Andreas
Sartzekis.
2. Avgi, May 6.
3. L'Humanité, May 6.
4. Avgi, May 6.
5. A primeira greve contra as medidas de austeridade foi lançada
pela ADEDY dos empregados do estado em 11 de fevereiro, ao passo que
as lideranças de topo do GSEE recusaram-se a aderir argumentando
que os interesses dos trabalhadores do setor privado não eram
postos em perigo pelos anúncios do governo. É útil
sublinhar que Panagopoulos é membro do Movimento Socialista Pan-helénico
(PASOK) encabeçado pelo primeiro-ministro George Papandreu. Face
à crescente pressão das bases, os líderes do GSEE
alinharam com a ADEY a 24 de fevereiro durante a primeira greve geral
de 24 horas. L'Humanité, May 6.
6. L'Humanité, May 6.
7. L'Humanité, May 11.
8. Avgi, May 6.
9. Avgi, May 7.
10. Avgi, May 6.
11. L'Humanité, February 25.
12. L'Humanité, April 27.
13. Avgi, April 25.
14. L'Humanité, May 5.
15. L'Humanité, May 5.
[*] Natural de Quebec, vive em Paris.
Uma versão anterior deste artigo foi publicada em francês
com o título "La résistance sociale en Grèce:
bilan et perspectives". O original encontra-se em http://www.socialistproject.ca/bullet/366.php
|
O ESTADO DO PARANÁ,
15 de junho de 2010 | Economia
Sindicatos ameaçam greve contra
reformas na Espanha
Os principais sindicatos da Espanha convocarão uma greve geral
contra o plano do governo de reformar as leis trabalhistas, afirmou
hoje Fernando Lezcano, porta-voz do Comisiones Obreras, o maior sindicato
do país. "As datas (para a greve) serão decididas
amanhã", informou.
Na quarta-feira, o governo espanhol
deve decretar uma reforma nas leis trabalhistas do país. Após
meses de negociações, sindicatos e empregadores não
chegaram a um acordo para propor mudanças sobre o tema. "A
proposta por decreto merece nossa rejeição", disse
Lezcano. Há uma forte divisão no país entre empregados
e empregadores sobre os contratos inflexíveis de longo prazo
ou contratos mais curtos e flexíveis. Essa divisão e a
falta de mudanças na legislação trabalhista é
apontada como parcialmente culpada pelo alto desemprego no país
europeu.
O governo afirmou que, para
dar mais incentivo à criação de contratos de longo
prazo, planeja limitar os contratos mais curtos. Além disso,
pretende tornar as demissões mais simples e baratas. O desemprego
na Espanha atingiu 20% em meio à crise no setor de construção,
um dos que mais empregam no país.
Instituições
como o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmam que é
preciso que a Espanha realize uma reforma radical em sua legislação
trabalhista. Segundo o FMI, isso é necessário para gerar
mais crescimento na Espanha e reduzir o nível historicamente
alto de desemprego. Na semana passada, os funcionários do setor
público espanhol fizeram um dia de greve, em resposta às
medidas de austeridade anunciadas pelo governo e contra as mudanças
trabalhistas. O governo estimou que apenas 12% dos funcionários
públicos cruzaram os braços, enquanto o sindicato Comisiones
Obreras afirmou que 75% não trabalharam. As informações
são da Dow Jones.
|
Agência Diap, 15 de
junho de 2010
Desincompatibilizações:
datas importantes no mês julho para os candidatos
Para as eleições de 3 de outubro próximo, três
datas importantes devem ser observadas para aqueles que desejam disputar
o pleito geral.
O primeiro trata da licença
do servidor público, o segundo se refere as convenções
eleitorais e o terceiro diz respeito ao período da propaganda
eleitoral e seu disciplinamento quanto ao uso de carros de som, comício,
rádio, TV e internet.
Servidor
público
O servidor público que pretenda se candidatar às eleições
gerais deve pedir licença do seu cargo ou emprego público
até o dia 3 de julho - três meses antes das eleições.
É garantido ao servidor o direito à percepção
dos vencimentos integrais durante o período de licença.
São considerados servidores
públicos, para este efeito, todos os funcionários da Administração
Direta, das autarquias, das fundações e da Administração
Indireta, inclusive empresas públicas e sociedades de economia
mista, dos três níveis de Governo: União, estados
e municípios. Enfim, todos os servidores, estatutários
ou não, incluindo os funcionários de estatais.
Convenções
partidárias
A escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação
sobre coligações, também conhecida como convenções
partidárias, devem ser realizadas no período de 10 a 30
de junho.
A ata da reunião com
os candidatos escolhidos para os cargos em disputa deve ser rubricada
e lavrada pela Justiça Eleitoral. Nestas eleições,
os brasileiros irão votar para presidente e vice, governador
e vice, senador, deputado federal, estadual ou distrital.
Propaganda
eleitoral
O calendário eleitoral prevê vários prazos para
a propaganda eleitoral.
O primeiro deles tem início
em 1° de julho, quando fica proibida a veiculação
de propaganda política gratuita ou paga em rádio e TV.
Isto significa que as emissoras
de rádio e televisão não poderão, por exemplo,
utilizar sua programação normal e o noticiário
para veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer
outro programa com alusão ou crítica a candidato, partido
político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos
ou debates políticos.
Carro
de som, comício, rádio, TV e internet
A propaganda eleitoral, conforme estabelece a Lei 9.504, será
permitida a partir de 6 de julho. Cartazes, filipetas e faixas, carros
de som, começarão a circular pelas cidades.
Os candidatos, partidos políticos
e as coligações poderão realizar comícios
e utilizar aparelhagem de sonorização fixa das 8h às
24h.
Clique aqui
e veja o calendário eleitoral elaborado pelo DIAP.
|
Congresso em Foco, 15 de
junho de 2010
Uma surra no passado
"Quem quiser pureza e coerência,
vai ter dificuldades de encontrá-las nas urnas eletrônicas
de outubro"
A greve de fome que fazem o
deputado Domingos Dutra e o militante Manoel da Conceição,
ambos do PT do Maranhão, são apenas a face mais dramática
de uma situação que, na verdade, permeia todas as três
principais candidaturas à Presidência da República.
Em todas elas, há arranjos eleitoreiros que podem mesmo constranger
alguns correligionários mais empedernidos e ainda crentes dos
princípios originais professados por seus candidatos e partidos.
Qualquer democracia –
não apenas a nossa – tem o “defeito”, digamos
assim, de pender seus governos para o centro. A escolha do líder
vira uma média do pensamento nacional. E essa média elimina,
na maioria das vezes, os extremos, à esquerda e à direita.
No nosso caso, essa tendência se agrava ainda mais por duas razões:
a primeira é a falta de partidos ideologicamente consistentes
e coerentes, a segunda é o conservadorismo político da
maioria da nossa sociedade. O primeiro aspecto faz com que nossos partidos-geléia
se amoldem facilmente às circunstâncias colocadas pelo
jogo eleitoral do momento. O segundo afasta maiores chances de quem
faz discursos mais radicais (como o próprio presidente Lula e
o PT puderam verificar antes de 2002, nas vezes em que perderam as eleições).
Nesse jogo de conveniências,
apanham a história e o passado dos candidatos e de seus partidos.
Na convenção do PMDB, no sábado (12), por exemplo,
Dilma foi inicialmente saudada pelo presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP). E, no seu discurso, discorreu sobre a história
peemedebista, especialmente quanto ao papel que o partido exerceu na
redemocratização do Brasil. Erradamente, ela atribuiu
a frase “Navegar é preciso, viver não é preciso”
a Ulysses Guimarães. É verdade, ela é o mote do
famoso discurso de Ulysses como anti-candidato à Presidência
em 1973. Mas Ulysses a tirou de um poema de Fernando Pessoa. Que, no
poema, já a atribuía a “navegadores antigos”.
Finalmente, atribui-se a origem da frase ao general romano Pompeu.
Da frase que não era
de Ulysses, Dilma falou da campanha das Diretas, da articulação
para eleger Tancredo Neves no Colégio Eleitoral e da Constituinte.
Faltou dizer que PT e PMDB só estiveram juntos nas Diretas. O
PT chegou a expulsar seus deputados que votaram em Tancredo no Colégio
Eleitoral. E recusou-se a assinar a Constituição comandada
por Ulysses. Mais constrangedor: no segundo turno da eleição
em 1989, o partido (registre-se que contra a vontade de Lula) proibiu
Ulysses de subir em seu palanque (para o PT, Ulysses era “à
direita demais” para ser parceiro na campanha). Se Ulysses não
podia, imagine Sarney, que agora provoca a greve de fome de Domingos
Dutra ...
Não é apenas o
PT de Dilma que se transforma. Quando foi criado, o PSDB pretendia recuperar
os valores que o PMDB, no poder durante o governo Sarney, havia perdido.
Seria um partido de centro-esquerda, social-democrata, que não
faria acertos com qualquer um nem aceitaria qualquer um nas suas fileiras.
Essas premissas já quase ruíram no governo Fernando Collor.
O PSDB só não aderiu a Collor e afundou com ele graças
à mão firme de Mário Covas, que reverteu a tendência
com um duro discurso.
Depois, quando chegou ao poder,
virou o que Sérgio Motta batizou de “partido-ônibus”:
sempre cabia mais um na legenda. E, ainda conforme Sérgio Motta,
começou a ter conversas que só deveriam acontecer com
os interlocutores “pelados, numa sauna”. Hoje, sem conseguir
arranjar um candidato a vice, o PSDB vê-se atrelado ao conservador
DEM.
Certamente, esse não
era o sonho de poder do líder estudantil José Serra.
Já Marina Silva, além do seu discurso ambientalmente correto,
passou na convenção da semana passada pela saia-justa
de ouvir críticas pesadas a José Sarney. Ao lado dela,
estava o filho do presidente do Senado, Sarney Filho. O deputado verde
com vários anos de PFL e de bigodes vastos como os de Sarney
na história.
Enfim, quem quiser pureza e
coerência, vai ter dificuldades de encontrá-las nas urnas
eletrônicas de outubro.
|
Gazeta do Povo, 15 de junho
de 2010
Palácio Iguaçu
Osmar fechou com Beto, diz líder
tucano
Presidente do PSDB afirma que a aliança
com o PDT estaria fechada, mas deputado pedetista nega
Para o presidente estadual do
PSDB, deputado Valdir Rossoni, a novela Osmar Dias terminou. Com um
final feliz para os tucanos. “O anúncio deve acontecer
quarta-feira. O Osmar vai com a gente”, afirma Rossoni. Segundo
ele, o senador aceitou a proposta do PSDB em firmar uma aliança
entre as duas legendas que, nacionalmente, estão em lados opostos.
Osmar seria candidato ao Senado e o presidente estadual do PDT, Augustinho
Zucchi, seria o vice do ex-prefeito de Curitiba Beto Richa.
Se o acordo for confirmado realmente,
Osmar Dias tentaria a reeleição. Na chapa, o deputado
federal Ricardo Barros, do PP, buscaria a segunda vaga no Senado. “Nos
nossos entedimentos e em nossas conversas está tudo certo. A
única dúvida é saber se o Beto e Osmar estarão
em Curitiba nesta data”, diz Rossoni.
O acordo, celebrado pelo presidente
tucano, não foi confirmado pelos pedetistas. Procurado pela reportagem,
Osmar Dias não atendeu aos telefonemas durante todo o dia. Augustinho
Zucchi também manteve o mistério. Segundo ele, a proposta
“tucana” é boa, mas ainda não há acerto.
“A Executiva Nacional terá uma reunião amanhã
[hoje] para analisar situações específicas dos
estados. Ainda estamos no aguardo. Mas essa semana será decisiva.”
A movimentação
de ontem na Assembleia Legislativa mostra que a situação
parece menos definida do que prega Rossoni. Ontem, a bancada do PMDB
na Assembleia Legislativa se reuniu por cerca de meia hora numa sala
ao lado do plenário para discutir o quadro eleitoral no estado.
Na saída da reunião, os deputados evitaram comentar publicamente
o que foi discutido entre eles. Entretanto, nos bastidores, comenta-se
que, às vésperas da definição de alianças,
alguns peemedebistas temem não se reeleger na eleição
de outubro.
O principal motivo desse receio
seria a descrença de que o governador Orlando Pessuti consiga
um bom desempenho na disputa ao governo do estado e não seja
um cabo eleitoral eficiente para os parlamentares. Por isso, a saída
defendida ontem por alguns deputados seria uma aliança com o
PDT do senador Osmar Dias – mesmo posicionamento defendido pelo
ex-governador Roberto Requião.
Na última quinta-feira,
na abertura da executiva estadual do PDT, Osmar Dias confirmou que recebeu
ligações de Requião, que tem feito críticas
públicas a Pessuti.
Candidato próprio
Já o PT, que ensaiou
uma coligação com Osmar Dias, fala em lançar candidato
próprio ao governo depois de longas negociações,
infrutíferas até aqui, com PMDB e PDT. O ex-prefeito de
Londrina Nedson Micheleti é cotado para a vaga.
Rachado
PTB também deve compor a chapa
de Richa
O PTB deve fechar uma aliança
com o PSDB de Beto Richa na disputa pelo governo do estado. O acordo
pode sair nos próximos dias, mas a aliança não
agrada a dois deputados estaduais do partido. Jocelito Canto já
disse que vai fazer campanha para o governador Orlando Pessuti (PMDB),
que tenta a reeleição. Fábio Camargo, que disputou
a prefeitura de Curitiba contra Beto Richa, também não
concorda com a aproximação com os tucanos. Na eleição
municipal de 2008, Camargo atacou Richa no episódio da suposta
compra de apoio político de candidatos a vereador pelo PRTB.
A legenda havia fechado uma aliança com o PTB para apoiar Fábio
Camargo. A maioria dos candidatos desistiu da eleição
para fazer campanha para Beto. O apoio teria sido pago com dinheiro
de caixa 2. A Justiça Eleitoral ainda não analisou a denúncia.
(GV)
|
Agência Brasil, 15
de junho de 2010
Lula decide nesta terça
(15) se sanciona ou veta reajuste aos aposentados
Lula não fará "extravagância"
ao decidir se veta ou não reajuste de 7,7% para aposentados
Por Yara Aquino,
Na Agência Brasil
Na véspera de decidir
se veta ou não o reajuste aprovado pelo Congresso de 7,7% para
aposentados e pensionistas que recebem mais de um salário mínimo
por mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que
não fará nenhuma "extravagância" motivado
pelo período eleitoral, mas o que for melhor para o País.
"Estamos vivendo um momento
tão bom que vou fazer aquilo que for melhor para o Brasil. Não
pensem que me deixarei seduzir por qualquer extravagância que
alguém queira fazer por conta do processo eleitoral. Minha cabeça
não funciona assim, a eleição é uma coisa
passageira e o Brasil não jogará fora no século
21 as oportunidades que ele jogou fora no século 20", disse
a jornalistas após uma solenidade em Queluzito (MG).
A proposta do governo, expressa
em uma medida provisória (MP), era conceder aumento de 6,14%.
A área econômica do Governo recomendou ao presidente que
vete o reajuste aprovado no Congresso.
No domingo (13), o ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que se a área econômica
convencer o presidente a vetar o aumento aprovado pelo Congresso, os
6,14% previstos na MP original serão mantidos.
O fim do fator previdenciário,
outra mudança feita na MP pelo Congresso, também deve
ser vetado pelo presidente Lula.
|
Valor Online, 15 de junho
de 2010
Lula deve manter os 7,7% e vetar
fim do fator previdenciário
O ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, já admite
que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá sancionar
amanhã o reajuste de 7,7% para os aposentados. O presidente terá
uma reunião de manhã com o ministro da Previdência,
Carlos Eduardo Gabas, e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, antes
de anunciar a decisão.
O fim do fator previdenciário, que também foi aprovado
nas duas casas do Congresso Nacional, deverá ser vetado pelo
presidente, de acordo com informações provenientes do
Palácio do Planalto.
Dilema
Gabas, que participou de um
encontro com sambistas no Rio de Janeiro para debater os benefícios
previdenciários, afirmou que o veto ao patamar de 7,7% significaria
um reajuste de apenas 3,45% a partir de julho, o mínimo determinado
pela lei. Com isso, haveria a necessidade de uma nova medida provisória
(MP) com a alta de 6,14% dos benefícios, que teria que ser apreciada
pelo Congresso até meados de agosto para não trancar a
pauta.
"O dilema do presidente
hoje é se sanciona ou edita outra MP. E outra MP significa que
o mesmo Congresso que aprovou os 7,7% vai avaliar (novamente a questão)",
frisou Gabas, que não quis revelar que sugestão fará
amanhã a Lula. "Está na pasta, amanhã vocês
vão saber", acrescentou.
Controvérsia
Gabas lembrou que o momento
atual é de restrição nas verbas disponíveis
para o reajuste e ponderou que uma das alternativas poderia passar pela
identificação de uma nova fonte de recursos para arcar
com o reajuste de 7,7%. O ministro voltou a destacar que só havia
acordo para a concessão dos 6,14% e existia apenas uma possibilidade
de estender esse patamar para 7%, o que nunca ficou acertado entre o
governo e as lideranças parlamentares. O ministro confirmou ainda
que, uma vez tomada a decisão, o reajuste já será
pago nos contracheques de julho, inclusive, com o depósito dos
valores retroativos a janeiro.
Herança maldita
A alegação do
governo não sensibiliza o movimento sindical, que reivindica
não só a sanção do 7,7% como também
do fim do fator previdenciário, considerada por muitos sindicalistas
como mais relevante do ponto de vista econômico e social.
“O fator é uma
das heranças malditas do governo FHC, que reduz em até
40% o valor das novas aposentadorias. O fim deste mecanismo odioso é
uma questão de justiça com a classe trabalhadora, por
isto esperamos que o presidente Lula não vete”, declarou
o presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil),
Wagner Gomes.
Da redação, com Valor
Online
|
Folha de S.Paulo, 15 de
junho de 2010
Lula diz que não dará
reajuste eleitoral
Presidente afirma ter carinho pelos aposentados,
mas que não se deixará seduzir por "qualquer extravagância'
| Questionado sobre o projeto do pré-sal, Lula disse já
ter se definido: "Vou fazer aquilo que é melhor para o país"
RODRIGO VIZEU
ENVIADO ESPECIAL A QUELUZITO (MG)
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse que não vai se deixar levar por "qualquer
extravagância" ao decidir se vetará ou não
o reajuste de 7,7% aos aposentados que ganham mais de um salário
mínimo, aprovado pelo Congresso Nacional. O prazo para a decisão
é hoje.
"Não pensem que eu me deixarei seduzir por qualquer extravagância
que alguém queira fazer por conta do processo eleitoral. Minha
cabeça não funciona assim. A eleição é
uma coisa passageira, e o Brasil não jogará fora no século
21 as oportunidades que jogou fora no século 20", disse
Lula.
O presidente concedeu uma entrevista após participar da inauguração
de um gasoduto da Petrobras no município de Queluzito (131 km
de Belo Horizonte).
Ao afirmar que não quer estragar a relação que
tem com os aposentados, Lula disse já ter tomado a decisão,
mas que só se pronunciará hoje, depois de uma última
reunião com ministros.
Segundo Lula, o Brasil vive um momento bom e ele não vai "estragá-lo".
"Todo mundo sabe o carinho que eu tenho pelos aposentados brasileiros.
Eu vou fazer aquilo que eu achar que é melhor para o Brasil,
para os aposentados. Eu não vou estragar minha relação
com os aposentados, não vou estragar minha relação
com ninguém", disse Lula.
PRÉ-SAL
Questionado se já definiu se vetará as mudanças
feitas pelo Senado no projeto do pré-sal, Lula disse já
ter posição formada desde que o texto foi enviado à
Câmara dos Deputados. "Vou fazer aquilo que é melhor
para o país", declarou o presidente.
Lula não quis antecipar posição sobre possível
veto. O presidente indicou, porém, sua contrariedade com o projeto
aprovado ao dizer que os royalties não deveriam ser discutidos
em momento eleitoral porque "as pessoas deixam de discutir as coisas
com racionalidade".
"Quando chegar à minha mesa, eu chamo as pessoas que têm
que dar parecer, a Fazenda, a Previdência, o Planejamento. Se
o parecer deles for de acordo com o meu, muito bem. Se eles quiserem
vetar, e eu não quiser, eu não veto", afirmou Lula.
|
Agência Diap, 15 de
junho de 2010
MTE ratifica Convenção
151, da OIT, sobre negociação coletiva do servidor
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, fará o depósito
da ratificação da Convenção 151, da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), nesta terça-feira (15), durante
a 99ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra,
na Suíça.
O documento foi assinado em
1978 por diversos países, entre eles o Brasil, e traz normas
gerais sobre o processo de negociação dos trabalhadores
do serviço público.
As convenções
da OIT são tratados internacionais aprovados pela Conferência
Internacional do Trabalho. A ratificação pode ser feita
pelos países membros, desde que seja apreciada pelas suas autoridades
competentes.
Se a convenção
for ratificada pelo país, ela, em geral, entra em vigor após
um ano de aprovação da ratificação, tendo
que aplicá-la em sua legislação e em suas práticas
nacionais.
A Conferência Internacional
do Trabalho ocorre entre os dias 2 e 18 de junho. Este ano, entre os
principais debates do evento estão as formas de preparar o caminho
para a recuperação de postos de trabalho e promover um
crescimento mais sustentável e equilibrado. (Fonte: MTE)
|
O Estado de S.Paulo, 15
de junho de 2010
Relatório dos EUA critica
Brasil por trabalho escravo
O Departamento de Estado assinalou ontem que o Brasil não está
ainda em "total conformidade" com as regras e as práticas
necessárias para eliminar o tráfico de pessoas e o trabalho
escravo. A situação brasileira não piorou nem melhorou,
dentre os 175 países analisados no Relatório sobre Tráfico
de Pessoas de 2010, divulgado ontem. Mas foi destacada pelo prêmio
concedido pela secretária de Estado Hillary Clinton ao frei dominicano
Xavier Passat, da Comissão Pastoral da Terra, um duro crítico
das omissões do governo e do setor privado brasileiros sobre
o trabalho escravo.
O anúncio do relatório,
em Washington, ocorreu poucas horas após o chanceler Celso Amorim
ter destacado no Evento de Alto Nível da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, o compromisso do Brasil
em combater o trabalho infantil e promover o "trabalho decente".
Tratou-se de uma referência indireta às modernas facetas
da escravidão e à informalidade trabalhista no País.
"O Brasil é uma
fonte de homens, mulheres, garotas e garotos sujeitos ao tráfico
de pessoas, especialmente forçados à prostituição
no País e no exterior, assim como é uma fonte de homens
e de garotos forçados a trabalhar no País", assinala
o relatório. "O governo do Brasil não está
em total conformidade com o padrão mínimo para a eliminação
do tráfico (de pessoas). Mas está fazendo esforços
significativos", completa o texto
O relatório é
elaborado há dez anos pelo Departamento de Estado. As análises
de todos os países, até mesmo dos EUA, são feitas
com base nos requisitos do Ato de Proteção às Vítimas
do Tráfico (TVPA, na sigla em inglês), de 2000. Com exceção
de 2006, quando figurou na lista de observação, o Brasil
mantém-se desde o primeiro relatório no patamar dos que
fizeram esforços significativos, mas não atenderam totalmente
os requisitos do TVPA. Em especial, no que diz respeito à adoção
de instrumentos legais de punição.
O texto ressalta, por exemplo,
que continua em tramitação um projeto de lei, de 2001,
que permitiria ao governo o confisco de terras nas quais se registrou
trabalho escravo. Além disso, a paridade das penas aplicadas
ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo não entrou
em vigor.
Segundo o relatório,
12,3 milhões de adultos e crianças em todo o mundo são
forçados ao trabalho escravo ou à prostituição.
|
Agência Envolverde,
15 de junho de 2010
Licença maternidade mais
longa ou para todas as chilenas?
“No Chile, a carga da maternidade fica toda para a mulher”,
diz a professora Fabiola Quiñones, que saúda a proposta
do governo de estender para seis meses a licença pré e
pós-natal das trabalhadoras, mas apenas se “todas”
puderem optar pelo beneficio.
Quando seu filho Vicente tinha
apenas quatro meses, Quiñones foi demitida por não contar
com o foro maternal que protege por um ano as trabalhadoras com contrato
indefinido, após o término da licença maternidade
pós-parto remunerada de 12 semanas.
Até então, esta
professora de ensino básico de 29 anos não sabia que seu
contrato temporário não lhe dava tal proteção.
O estresse “secou seu leite” e Vicente, agora com seis meses,
tem de se alimentar com caros substitutos do leite materno.
“Para meu empregador não
convinha assumir todos os benefícios aos quais tinha direito
como mãe. Me processou e os tribunais me retiraram o foro”,
disse Quiñones à IPS. Ao buscar trabalho em outras escolas
privadas, viu que não era aceita justamente por causa de sua
recente maternidade.
O presidente direitista Sebastián
Piñera criou, em 29 de abril, a Comissão Mulher, Trabalho
e Maternidade, integrada por 14 especialistas, homens e mulheres, que
em 90 dias deverão entregar ao mandatário suas recomendações
para modernizar a legislação trabalhista de proteção
à maternidade no país.
Piñera, um multimilionário
que começou seu mandato em 11 de março, prometeu estender
e flexibilizar a licença maternidade, considerando os benefícios
do apego e da amamentação para o desenvolvimento das crianças,
além de reverter outros obstáculos que atualmente impedem
o ingresso das mulheres no mercado de trabalho.
A taxa de fecundidade no Chile
é de apenas 1,9 filho por mulher, insuficiente para a substituição
de geração e, apesar dos avanços das últimas
décadas, a porcentagem de mulheres ocupadas está em 50%
do total, em um país com uma população de 17 milhões,
sendo pouco mais da metade de mulheres.
A licença maternidade
no Chile é paga integralmente pelo Estado e é de 18 semanas:
seis antes do parto e 12 após o nascimento.
“A licença maternidade
no Chile não é um direito de todas as mulheres. Nem mesmo
de todas as trabalhadoras. É só daquelas que têm
um contrato indefinido. Isso é pouco menos de 50% das mulheres
ocupadas”, assegurou à IPS Teresa Valdés, coordenadora
do não governamental Observatório de Gênero e Equidade.
“Por isso, mais do que
discutir a prorrogação da licença maternidade para
seis meses, a preocupação do movimento de mulheres é
que toda mãe trabalhadora tenha esse direito assegurado”,
ressaltou.
Para Silvia Aguilar, vice-presidente
nacional da Central Única de Trabalhadores, a principal organização
sindical do país, “a licença maternidade de seis
meses seria de grande ajuda para os bebês e as famílias”,
e também alertou para que não seja esquecido o problema
principal.
Muitas trabalhadoras, como as
temporárias agrícolas, não podem cuidar de seus
filhos recém-nascidos com segurança de renda, disse a
dirigente à IPS. E as mulheres que trabalham por conta própria
só podem ter acesso a esses benefícios se suas contribuições
para a previdência estiverem em dia.
Os empregadores, por seu lado,
se queixam dos numerosos “custos” associados à contratação
de mulheres em idade fértil.
Como exemplo, citam a impossibilidade
de demiti-las durante a licença maternidade, a necessidade de
contratar substitutas quando “abusam” das licenças
médicas por doenças de seus filhos menores de um ano,
e a perda de produtividade pela permissão de uma hora diária
para alimentar os menores de dois anos.
Alguns especialistas da Comissão
pensam que, com a extensão da licença maternidade, muitos
desses custos seriam atenuados, mas algumas organizações
de mulheres temem que com isso se acabe inibindo ainda mais a contratação
de mulheres e freando sua ascensão profissional, se não
forem estabelecidas reformas baseadas no princípio da “corresponsabilidade”.
Até agora, Piñera
se mostra partidário da reforma da legislação que
obriga os empregadores a financiar berçários se têm
20 ou mais mulheres contratadas, para que esta “carga” seja
compartilhada pelos pais trabalhadores.
Desde 2005, os pais chilenos
têm direito a cinco dias de folga remunerada depois do nascimento
do filho. Outros países, sobretudo europeus, implementaram fórmulas
mais avançadas de permissões maternais e paternais compartilhados
e de licenças parentais, que beneficiam ambos uma vez terminada
a licença pós-natal.
Nas atas das sessões
da comissão presidencial, que deve entregar seus resultados em
11 de julho, fica evidente a complexidade do tema.
Por exemplo, Francisca Dussaillant,
da Faculdade de Governo da privada Universidade de Desenvolvimento,
propôs que a licença maternidade estendida seja obrigatória
para as mulheres de baixa renda e voluntário para as que têm
renda maior, o que foi considerado discriminatório por outra
integrante da Comissão.
Tampouco há clareza sobre
o financiamento da prorrogação deste beneficio.
Além disso, para aumentar
a participação trabalhista feminina são necessárias
outras políticas públicas e mudanças culturais,
afirmam os especialistas. Entre elas, a ampliação dos
serviços de cuidados infantis e de outras pessoas dependentes,
como idosos ou doentes, já que este trabalho não remunerado
recai majoritariamente sobre as mulheres.
A isto se soma a distribuição
equitativa das tarefas domésticas.
O Convênio 183 sobre Proteção
da Maternidade da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), que entrou em vigor em 2002 e já foi ratificado por 18
países, estabelece um mínimo de 14 semanas de licença
maternidade, paga pela assistência social ou por fundos públicos.
No entanto, a recomendação
da OIT é que a licença seja de 18 semanas ou mais, o que
na América Latina só é cumprido por Chile, Cuba
e Venezuela, enquanto no Brasil e na Costa Rica é de 16 semanas.
Na região, 72% dos países oferecem entre 12 e 13 semanas
de licença maternidade, de acordo com um informe deste ano da
organização.
|
BEM PARANÁ, 15 de
junho de 2010 | Paraná
Paraná
Empresa que comprou dados criminais de
empregados é multada
Higi Serv Limpeza foi condenada a pagar R$ 200
mil por dano moral coletivo
Redação Bem Paraná com
TST
A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou em R$
200 mil, por dano moral coletivo, a Higi Serv Limpeza e Conservação
Ltda, pela compra de banco de dados da empresa Innvestig, com informações
sobre antecedente de crimes, reclamações trabalhistas
e crédito de empregados e candidatos a emprego.
Com a decisão, a Quinta
Turma acatou recurso do Ministério Público do Trabalho
no processo de ação civil pública e, com isso,
reverteu decisão anterior do Tribunal Regional do Trabalho da
9ª Região (PR). O TRT havia liberado a Higi Serv da indenização
por danos morais imposta pelo juiz de primeiro grau, sob o argumento
de que o banco de dados com as informações dos trabalhadores
não teria, comprovadamente, influenciado em contratações
ou demissões de empregados.
Assim, não existiria
prejuízo efetivo que pudesse gerar o dano moral a que a Higi
Serv foi condenada. Inconformado, o Ministério Público
recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho. O ministro Emmanoel Pereira,
relator do processo na Quinta Turma, entendeu que "o simples fato
de a reclamada violar a intimidade do empregado, por si só",
já contrariaria o artigo 5º, X, da Constituição
Federal que garante a intimidade e a vida privada das pessoas.
"Tem-se que não
existe necessidade de aferição dos prejuízos ou
mesmo de sua comprovação para fins de configurar o dano
moral. Esse decorre na mera invasão de privacidade, na qualidade
de empregadoras do autor, ao investigar a vida íntima do trabalhador
sem a sua autorização", ressaltou o ministro, ao
dar provimento ao recurso do Ministério Público e restabelecer
a condenação a indenização de R$ 200 mil
destinada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
15/06/2010
Oitava Turma: cobrança de honorários
advocatícios não é de competência da Justiça
do Trabalho
A oitava turma do Tribunal Superior
do trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas/SP) que declarou a incompetência
material da Justiça do Trabalho para julgar ação
de cobrança de honorários advocatícios de advogado
que atuara em causa da Usina da Barra S.A. – Açúcar
e Álcool.
O caso analisado trata de ação visando a reforma da decisão
do TRT-15, que declarou a Justiça do Trabalho incompetente para
julgar ação de cobrança de honorários advocatícios
que buscava a condenação da Usina da Barra S/A Açúcar
e Álcool ao pagamento dos honorários advocatícios
decorrentes do trabalho prestado em processo que questionava o PIS sobre
o faturamento decorrente da comercialização de combustíveis,
determinando que os autos fossem enviados à Justiça comum.
Contra esta decisão,
o advogado interpôs Recurso de Revista no TST, alegando violação
do artigo 114, I da Constituição Federal, que trata da
competência da Justiça do Trabalho, dentre as quais o julgamento
dos conflitos decorrentes da relação de trabalho. Ao analisar
o recurso, a relatora Ministra Maria Cristina Peduzzi observa que a
jurisprudência do TST orienta no sentido de que, “se a ação
de cobrança objetiva o pagamento de honorários de sucumbência,
em razão de vínculo contratual, a competência para
processar e julgar a causa é da Justiça Comum Estadual.”
A relatora salientou que a Oitava Turma já havia se pronunciado
neste sentido, e citou acórdão da ministra Dora Maria
da Costa, além de outras decisões de Turmas. Também
mencionou acórdão da Seção I de Dissídios
Individuais, em que o ministro Aloysio Corrêa da Veiga observa
tratar-se de uma “relação de consumo, e não
de trabalho” e que a “competência da Justiça
do Trabalho estará assegurada apenas quando não houver,
pela natureza dos serviços realizados, relação
contratual de consumo”.
|
15/06/2010
Alteração na CLT: agravo
em ações trabalhistas exigirá depósito recursal
de 50%
Para interpor Agravo de Instrumento
em ação trabalhista, a parte interessada terá que
efetuar depósito de 50%, correspondentes ao recurso que teve
denegado seu prosseguimento. Esse é o teor do Projeto de Lei
(PLC-46/2010), encaminhado nesta segunda-feira (14/6) pelo presidente
do Senado Federal, senador José Sarney, para sanção
do presidente da República, Luís Inácio Lula da
Silva. O objetivo da alteração na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) é impedir o uso abusivo desse recurso,
frequentemente interposto com intuitos meramente protelatórios,
gerando, pelo menos, dois efeitos perversos: de um lado, retardam o
pagamento de direitos trabalhistas, e, de outro, entulham os Tribunais
Regionais do Trabalho e, em especial, o Tribunal Superior do Trabalho,
prejudicando o julgamento de outros processos. O volume desse mecanismo
recursal tem sido muito elevado nos últimos anos. Dos recursos
interpostos no Tribunal Superior do Trabalho, cerca de 75% são
Agravos de Instrumento. Em 2008, houve um aumento de 208% em sua utilização,
sendo que 95% desses agravos, julgados naquele ano, foram desprovidos
por não terem apresentado condições mínimas
de prosseguimento . Para o presidente do TST, ministro Milton de Moura
França, a mudança representa uma “mini-reforma recursal”
na CLT e irá contribuir, em grande medida, com a celeridade do
processo trabalhista, onde todos ganham – magistrados, trabalhadores
e a sociedade em geral.
Apesar de aprovado, em ambas
as Casas, em caráter terminativo (situação em que
não precisa ser votado pelo Plenário, mas segue direto
para sanção presidencial), a proposição
ainda foi objeto de resistências durante toda a sua tramitação,
desde o início, em 2009, até a semana passada, quando
expirou o prazo para recurso no Senado Federal. Na quarta-feira (9/6),
último dia do prazo para interpor recurso contra a apreciação
conclusiva, o presidente do TST recebeu a informação de
que já havia iniciativas neste sentido. Alguns parlamentares
haviam assinado requerimento que impediriam a remessa imediata do PLC
para sanção presidencial e, na prática, imporiam
o seu retorno para discussão na Câmara dos Deputados.
Diante desse fato, o ministro
Moura França deslocou-se, no final da tarde da quarta-feira,
ao Senado Federal, onde passou cerca de duas horas explicando e esclarecendo
dúvidas dos parlamentares sobre a importância do envio
imediato do PLC para sanção presidencial. Conversou com
vários dos senadores que haviam assinado o requerimento e, finalmente,
conseguiu obter a compreensão dos parlamentares e, como consequência,
o PLC pôde, enfim, seguir para ser sancionado.
HISTÓRICO
Em 2009, o presidente do TST
elaborou minuta de alteração da CLT, no capítulo
Recurso, que foi entregue ao deputado Regis de Oliveira (PSC-SP), que,
após analisar a proposição, a protocolou na Câmara
dos Deputados. Com apoio do presidente da Câmara, Michel Temer
(PMDB-SP), a proposta começou a tramitar, na forma de Projeto
de Lei sob o nº 5468/2009, sendo apreciado em duas Comissões
Permanentes da Casa. Posteriormente, a matéria seguiu para o
Senado Federal, onde também foi analisada por duas Comissões.Durante
o período das discussões da proposição,
o presidente do TST, ministro Milton de Moura França, fez-se
presente, pessoalmente, na Câmara e no Senado, onde participou
de audiências. Igualmente, recebeu, em seu gabinete, senadores
e deputados, com o objetivo de esclarecer eventuais dúvidas sobre
a proposição e reiterar pedidos de apoio para aprovação
da matéria.
Tramitação na Câmara
dos Deputados:
- Comissão de Trabalho,
de Administração e Serviço Público (CTASP)
– Início em 29/06/2009 e aprovação em 04/11/2009,
tendo como relator o deputado Roberto Santiago (PV-SP).
- Comissão de Cidadania,
Constituição e Justiça (CCJ) – Início
11/11/2009 e aprovação em 27/04/2010 tendo como relator
o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA). O relator da redação
final, na Câmara dos Deputados, foi o deputado Marçal Filho
(PMDB-MS).
Em 05/05/2010, a matéria
ingressou no Senado Federal como Projeto de Lei da Câmara 46/2010.
No dia seguinte, foi feita a leitura do Projeto em Plenário e,
na sequência, foi encaminhada às seguintes Comissões:
- Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) – Início em 06/05/2010 e aprovação,
por unanimidade, em 25/05/2010, tendo como relator o senador Paulo Paim
(PT-RS).
- Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) – Aprovação, por
unanimidade, em 26/05/2010, tendo como relator o senador Marco Maciel
(DEM/PE) e relator /ad hoc/ o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
(Ribamar Teixeira, com informações
da Assessoria Parlamentar)
Veja
o texto aprovado
|
15/06/2010
Se estipulada em contrato, dedução
de IPI e ICMS na apuração das comissões de vendas
não fere CLT
É lícito o pagamento
das comissões pelo valor líquido das vendas, já
descontados o IPI e o ICMS, desde que pactuado no contrato de trabalho.
Por esse motivo, um vendedor da Hilti do Brasil Comercial Ltda., que
pretendia receber as diferenças referentes ao valor bruto, não
obteve êxito em seu recurso de revista, julgado pela Primeira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Segundo o relator, ministro
Vieira de Mello Filho, baseando-se no artigo 444 da CLT, “as cláusulas
do contrato de trabalho podem ser objeto de livre estipulação
das partes envolvidas, desde que não contrárias às
disposições de proteção ao trabalho, normas
coletivas e decisões das autoridades competentes”.
Apesar de, na primeira instância,
o pedido do trabalhador ter sido julgado procedente porque o juízo
considerou que a empresa transferiu “ilicitamente a responsabilidade
dos tributos ao empregado”, as diferenças requeridas pelo
empregado foram excluídas logo no julgamento do recurso ordinário,
realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP), que deferiu à empresa a exclusão da condenação
da devolução das comissões. Para o TRT, é
incontroverso, pelas provas dos autos, que, no ato da admissão
do vendedor, ficou acertado que a comissão seria paga considerando
o valor líquido recebido pela empresa, com a dedução
do IPI e do ICMS.
O Tribunal da 2ª Região
concluiu que não se trata de desconto salarial - o qual implica
a subtração de uma parcela do salário ajustado.
“No caso, o salário convencionado adotou como base de cálculo
o valor líquido recebido pela empregadora, não havendo
que se falar em transferência de encargos tributários”,
registrou o Regional. Após essa decisão, o trabalhador
apelou ao TST. No exame do recurso de revista, o ministro Vieira de
Mello, relator na Primeira Turma, observou haver precedentes em consonância
com seu entendimento, pelos quais, na legislação trabalhista,
não há nada que impeça a incidência dos percentuais
para cálculo das comissões apenas sobre o valor líquido
das vendas efetuadas pelo trabalhador.
Segundo o ministro Ives Gandra
Martins Filho, em um recurso de revista em que atuou como relator, “é
válida a cláusula de contrato individual de trabalho que
estipula como base de cálculo das comissões o valor líquido
da venda, excluídos impostos e taxas”. No mesmo sentido,
o ministro Horácio Senna Pires, ao relatar recurso de revista,
afirmou que, havendo previsão em cláusula contratual para
que o vendedor só obtenha comissões sobre o valor líquido
das vendas, excluindo o direito a comissões sobre o valor bruto,
“deve-se respeitar o que foi livremente pactuado”.
Para o ministro Vieira
de Mello Filho, a cláusula estipulada no contrato de trabalho
para apuração das comissões pelo valor líquido
das vendas, descontados o IPI e o ICMS, “não se traduz
em desconto ilícito no salário do trabalhador, mas estipula
critério de cálculo das comissões, previamente
acordado pelas partes, não dissentindo das disposições
de proteção do salário e emprego, razão
por que deve ser observada”. Com esses fundamentos, a Primeira
Turma acompanhou o voto do relator e negou provimento ao recurso de
revista.
(RR - 261400-18.2002.5.02.0022)
|
FETRACONSPAR, 15 de junho de 2010 | Eventos
Campanha Salarial/ Construção
Civil
FETRACONSPAR e Sindicatos filiados realizam
2ª Rodada de Negociação com o SINDUSCON NORTE
|
|
Mesa
de Negociação: Diretores da FETRACONSPAR e dos Sindicatos
de Trabalhadores da Região Norte
com representantes do SINDUSCON NORTE. |
A Federação dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do
Mobiliário do Estado do Paraná - FETRACONSPAR
e os Sindicatos de Trabalhadores da Região Norte
do Estado, realizaram na manhã de ontem (14), às 09h00,
na sede Sindicato da Indústria da Construção Civil
do Norte do Paraná – SINDUSCON NORTE,
sito à Av. Maringá, 2400 - Jd. Maringá, Londrina/PR,
2ª reunião para discutir a Pauta
de Reivindicações dos trabalhadores da categoria visando
a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2010/2011. A data
base da categoria é no mês de junho.
A reunião foi entre Membros
da Federação e dos Sindicatos de Trabalhadores da Região
Norte (Sintracom Londrina, Sintracom Arapongas, Sintracom Ponta Grossa,
Sintracom Telêmaco Borba e Sintracom Jataizinho/Ibiporã),
com os representantes do SINDUSCON NORTE.
As próximas reuniões
ficaram agendadas para os dias: 21/06/2010 às 09h00 e 28/06/2010
às 09h00.
|
| Mesa
de Negociação: Diretores da FETRACONSPAR e dos Sindicatos
de Trabalhadores da Região Norte
com representantes do SINDUSCON NORTE. |
|