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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de junho de 2010 | Cidades
Construção civil puxa geração
de empregos
Helio Miguel, com agências
Arquivo

Saldo acumulado do ano em admissões
está em mais de 90 mil vagas.
Com quatro importantes setores
da economia paranaense aumentando significativamente o número
de vagas, o Estado fechou o mês de maio com a criação
de 19.131 empregos formais, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE).
Com o desempenho do mês
passado, que foi o terceiro melhor da história para o período,
o estoque de vagas disponíveis com carteira assinada, no Paraná,
cresceu 0,84% em relação a abril.
Em maio, as atividades que mais
contribuíram para o saldo positivo foram a indústria (6.435
postos), serviços (4.847), construção civil (3.725)
e comércio (3.207).
A maior evolução,
a exemplo do que aconteceu em abril, foi na construção
civil, que aumentou seu efetivo em 2,77%, seguida pela indústria
(1%). A agropecuária, que gerou 839 vagas no último mês,
teve o terceiro maior aumento (0,78%).
Com o resultado de maio, o saldo
de admissões menos demissões no ano está em 90.542
vagas. O número representa um avanço de 4,11% sobre o
número de postos de trabalho existentes no início do ano,
e é o segundo melhor da série histórica do Caged
para o período, sendo superado apenas pelo desempenho de 2008,
quando foram gerados mais de 95 mil postos. Nos últimos 12 meses,
o crescimento no estoque de empregos é de 5,77%, ou 125.079 novas
vagas de trabalho.
Municípios
Na Região Metropolitana
de Curitiba, o desempenho do mês passado foi o melhor da série
histórica do Caged para maio. O avanço foi de 6.802 novos
empregos formais em relação a abril, que aumentaram em
0,74% o número de postos de trabalho na região.
A maior participação
foi de Curitiba, que teve 4.414 vagas criadas no mês, avançando
0,69% em relação a abril. Araucária, que ficou
com o quinto melhor saldo do Estado, fechou maio com 807 novos empregos
(1,93% de crescimento) e veio em seguida, na região.
O segundo município do
Estado que mais gerou empregos em maio foi Maringá, que teve
saldo de 1.199 vagas e cresceu 1,01% em relação a abril.
Cascavel ficou na terceira posição, com 1.156 empregos
e crescimento de 1,55%, enquanto Londrina teve o quarto melhor desempenho,
com 863 vagas e avanço de 0,64%. Dos municípios com mais
de 30 mil habitantes, os únicos saldos negativos ficaram com
Palmas (51 vagas fechadas), Piraquara (-48) e Paranaguá (-19).
Nacional
O saldo líquido de empregos
criados com carteira assinada no Brasil, em maio, foi de 298.041. O
volume representa um novo recorde para o mês em que é comemorado
o Dia do Trabalho.
O recorde anterior para meses
de maio havia sido em 2004, de 292 mil vagas. No acumulado dos cinco
primeiros meses de 2010, as contratações formais de emprego
superaram as demissões em 1.260.368 postos de trabalho. Em maio
do ano passado, foram criados 131.557 postos de trabalho com carteira
assinada.
O ministro Lupi ressaltou
o fato de a criação de vagas formais de trabalho ter passado
a marca dos 2 milhões em 12 meses: de junho de 2009 a maio deste
ano, o saldo está positivo em 2.075.467 de postos.
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Valor
Econômico, 22 de junho de 2010
Em maio foram criados 298 mil empregos
com carteira assinada
O governo Lula continua batendo recorde na geração de empregos
formais. Em maio, foi registrada a criação de 298.041 vagas
com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) do Ministério do Trabalho.
O número foi recorde para meses de maio, superando a marca de 212,2
mil empregos gerados em maio de 2007. É uma diferença substancial
em relação ao comportamento do mercado de trabalho nos governos
tucanos liderado por FHC, quando a taxa de desemprego subiu a mais de
20% nas principais regiões metropolitanas do país.
Alta rotatividade
O comportamento do mercado de trabalho, segundo
o Caged, é porém ainda fortemente marcado pela rotatividade
da mão de obra. Isto fica claro quando se constanta que em maio
os admitidos somaram 1.693.332, enquanto os demitidos totalizaram 1.395.291.
O número absurdamente elevado de demissões, no mais das
vezes sem justa causa, é explicado pela liberdade abusiva que
os patrões dispõe para demitir.
Não é um fenômeno comum
em outros países, sobretudo os países capitalistas mais
desenvolvidos, onde a legislação restringe a possibilidade
de demissão. No Brasil o movimento sindical batalha pela ratificação
da Convenção 158 da Organização Mundial
do Trabalho (OIT), que coíbe a demissão imotivada. O forte
lobby capitalista no Congresso Nacional tem sido um obstáculo
à ratificação desta convenção.
Expansão generalizada
Todos os 25 subsetores analisados registraram
expansão no emprego, sendo que 14 apresentaram saldo recorde.
O maior destaque foi para o setor de serviços, com 86.104 vagas
geradas.
No acumulado do ano até maio foram contabilizados
1,260 milhão de empregos, o que corresponde a metade da meta
do governo para o ano, de 2,5 milhões.
De acordo com o ministério, entre janeiro
de 2003 a maio de 2010, que corresponde ao governo Lula, foram gerados
13,013 milhões de empregos com carteira assinada.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de junho de 2010 | Economia
Lupi prevê criação
recorde de 320 mil empregos em junho
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, previu hoje que a criação
de vagas formais de trabalho em junho será recorde histórico
não só para junho, mas para toda a série produzida
pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mensalmente.
Até então, o melhor saldo para emprego com carteira de
trabalho assinada foi em junho de 2008, quando houve criação
líquida (já descontadas as demissões) de 309 mil
postos. "Vamos viver o melhor junho da história. Vamos passar
das 309 mil vagas e podemos chegar perto de 320 mil", previu.
De acordo com o ministro, a
Copa do Mundo e a proximidade das eleições são
dois pontos importantes para fomentar a atividade produtiva, com consequente
geração de empregos. Além disso, o ministro citou
a robustez da economia e a perspectiva de novos postos de trabalho criados
na Região Centro-Oeste do País, com o início de
safras de inverno. Lupi brincou também com a possibilidade de
o Brasil ganhar a Copa do Mundo. "Se o Brasil for campeão,
refaço a previsão (para o saldo de empregos formais a
serem criados em 2010)", disse. O ministro alterou, em maio, sua
projeção de criação de 2 milhões
de vagas de trabalho para 2,5 milhões.
Lupi ressaltou o fato de a criação
de vagas ter ultrapassado a marca dos 2 milhões no período
acumulado de 12 meses. Dados do Caged divulgados esta tarde revelaram
que de junho de 2009 a maio deste ano, o saldo está positivo
em 2.075.467 de postos.
Nos primeiros cinco meses
do ano, o número total de empregos gerados com carteira, já
descontadas as demissões, foi de 1.260.368. "Já atingimos
metade da meta", comentou o ministro. Ele salientou que desde o
início do governo Lula, em 2003, foram criados 13.013.131 postos
de trabalho no País. "Minha previsão continua a de
que mais de 15 milhões de empregos formais serão gerados
desde início do governo Lula", reforçou.
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Gazeta do Povo, 22 de junho
de 2010
Trabalho
Sobra de vagas faz salários aumentarem
O reaquecimento da economia e o aumento da oferta de vagas estão
permitindo que candidatos a um novo emprego possam escolher entre várias
oportunidades. O crescente interesse das empresas em contratar se reflete
nos números da Agência do Trabalhador do Paraná.
Em maio, a oferta de vagas foi 40% maior do que no mesmo mês de
2009. Em Curitiba, a alta no período foi de 80%. A abundância
favorece o trabalhador, que pode optar por vagas com salários
maiores e mais benefícios – o que inclui trabalhar menos
horas por semana e mais perto de casa.
“A oferta hoje é
muito maior do que nos outros anos, principalmente pela retomada da
indústria e da construção civil. Há setores
com dificuldade de preencher as vagas”, diz a coordenadora de
Intermediação de Mão de Obra da Secretaria de Estado
do Trabalho, Angela Carsten. “Para esses casos, nós orientamos
a empresa a aumentar o salário ou os benefícios.”
O motorista de caminhão
da Construtora Elofer, por exemplo, ganharia, a princípio, R$
800. Depois de um mês de procura, a empresa passou a oferecer
R$ 1 mil, e preencheu o cargo na semana passada. “Antes, uma vaga
não ficava aberta mais de três dias”, diz a chefe
de setor dos recursos humanos da construtora, Andreia Porto. “A
realidade é que não há mão de obra qualificada.
Só aparecem pessoas que sobram no mercado de trabalho.”
Qualificação
A maior dificuldade, diz a coordenadora
da Secretaria do Trabalho, é preencher as ocupações
que exigem baixa qualificação e pouca experiência
– e que, por isso, oferecem salários pouco atraentes. “Não
se acha cozinheiras, padeiros ou açougueiros, por exemplo”,
diz Angela.
Com uma vaga para marceneiro
aberta há dois meses, o empresário João Gross acredita
que a questão não é simplesmente o salário,
mas a grande demanda por profissionais. Pouco otimista, ele diz que
a dificuldade deve ser ainda maior nos próximos anos. “A
mão de obra qualificada está empregada”, reclama.
Gloss já aumentou o salário oferecido de R$ 750 para R$
800, mas continua na busca. No passado, diz ele, uma vaga era preenchida
em menos de uma semana. “Tudo que envolve construção
está super valorizado. Você aumenta a demanda mas não
há tempo para qualificar esse profissional.”
Do outro lado
A secretária Michele
Cordeiro, de 33 anos, foi contratada na semana passada pela empresa
de lavagem de carpetes Above. Inicialmente, a anúncio oferecia
salário de R$ 702. Mas só foi ocupado por ela quando subiu
para R$ 950. “O salário que estou recebendo agora é
bem melhor do que na empresa onde trabalhava antes, pois tem mais comissão
e benefícios”, comemora. Ela reclama, porém, da
dificuldade em encontrar um trabalho cujo salário seja condizente
com as atribuições reais do cargo oferecido. “Muitas
vezes as vagas são divulgadas como recepcionista. Entretanto,
ao chegar para a entrevista as exigências aumentam e a oferta
de salário continua a mesma”, afirma.
RMC
São José vive “boom”
de oportunidades
A unidade da Agência do
Trabalhador de São José dos Pinhais, na região
metropolitana de Curitiba (RMC), oferece hoje entre 900 e 1 mil vagas.
Em maio, número de contratações pelo departamento
foi 40% maior do que no mesmo mês do ano passado, com resultado
recorde, segundo o secretário municipal de Trabalho, Adilson
Stuzata. “Março e maio foram os melhores meses da história”,
comemora. Stuzata diz que os trabalhadores estão mais “seletivos”
na busca por uma recolocação, o que tem elevado alguns
salários, especialmente na faixa do mínimo. “O que
se percebe é uma ascensão profissional. As pessoas estão
buscando serviços considerados mais tranquilos, do ponto de vista
de horas trabalhadas e de distância”, diz. Na área
de produção, por exemplo, os salários variam entre
R$ 566 e R$ 1,4 mil, mas as ofertas abaixo de R$ 800 dificilmente estão
sendo ocupadas. A cidade tem se beneficiado da retomada dos investimentos
que ficaram represados durante a crise, diz o secretário.
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Folha de S.Paulo, 22 de junho
de 2010
ANÁLISE
A geração de novos empregos
e a agenda futura do país
O BRASIL CONSEGUIU COM ÊXITO ENFRENTAR
A CRISE, COM UM DESEMPENHO INÉDITO NO PERÍODO REPUBLICANO
CLAUDIO SALVADORI DEDECCA
ESPECIAL PARA A FOLHA
O mercado de trabalho se assemelha
a uma escala de cores, tendo as situações de desemprego
aberto e de emprego formal como polos.
Ambas se apresentam como termômetros valiosos do comportamento
de curto prazo do mercado de trabalho e da atividade econômica.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados cumprem com competência
uma das funções. Uma vez mais seus resultados revelam
a capacidade atual da economia brasileira em dinamizar o mercado formal
de trabalho.
Quase 300 mil postos foram criados em maio, movimento que se espraia
nas diversas regiões geográficas do país e na estrutura
produtiva como um todo.
Tendo alcançado 1,2 milhão de postos nos cinco primeiros
meses, é cada vez mais provável que 2,5 milhões
de novos postos sejam criados em 2010.
O Brasil conseguiu com êxito enfrentar a crise, com um desempenho
inédito no período republicano.
Alguns elementos estruturais contribuíram para o bom resultado,
como a estabilidade de preços, o baixo endividamento externo
com reserva adequada de divisas e associado à capacidade de exportação,
a gestão do endividamento interno com controle das contas públicas
apesar da taxa de juros estratosférica e a quase total autonomia
energética.
Ademais, as políticas de fortalecimento da base produtiva e do
mercado interno foram decisivas para tal desempenho, devendo receber
menção aquelas de financiamento do investimento privado,
de ampliação da infraestrutura, de difusão do crédito
produtivo e ao consumo, de salário mínimo e de transferência
de renda.
Apesar dos resultados, não se deve tomar como eterna a capacidade
de esses instrumentos dinamizarem o mercado formal de trabalho.
É fundamental que o país elabore políticas de longo
prazo visando fortalecer a relação entre a atividade econômica
e geração de emprego, como ações para a
qualificação da mão de obra e a associação
do padrão de investimento à geração de empregos,
visando o aumento da produtividade.
As agendas das candidatas e do candidato à Presidência
são uma boa oportunidade para começar a enfrentar tal
desafio.
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CLAUDIO SALVADORI DEDECCA é professor
titular do Instituto de Economia da Unicamp, com especialidade em trabalho
e políticas sociais.
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Agência Brasil, 22
de junho de 2010
Projeção para crescimento
econômico em 2010 aumenta para 7,06%
Por Kelly Oliveira,
Na Agência Brasil
A projeção de
analistas do mercado financeiro para o crescimento da economia neste
ano aumentou pela 14ª semana consecutiva. A estimativa de analistas
consultados pelo Banco Central (BC) para a expansão do Produto
Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos
na economia, passou de 6,99% para 7,06%.
Para 2011, foi mantida a expectativa
de 4,5%. As informações são do boletim Focus, publicação
semanal elaborada com base em projeções do mercado financeiro
para os principais indicadores da economia.
Para o crescimento da produção
industrial, não houve alteração nas projeções
de 11,32% para este ano e de 5% para 2011.
A estimativa para a relação
entre a dívida líquida do setor público e o PIB
passou de 41,20% para 41%, neste ano, e de 39,85% para 39,70%, em 2011.
Para a cotação
do dólar, foi mantida a projeção de R$ 1,80, neste
ano. Para 2011, a estimativa passou de R$ 1,86 para R$ 1,89.
A previsão para o superávit
comercial (saldo positivo de exportações menos importações)
para este ano foi ajustada de US$ 15 bilhões para R$ 15,10 bilhões.
No próximo ano, os analistas esperam um superávit comercial
de US$ 6 bilhões, contra os US$ 6,23 bilhões previstos
anteriormente.
Para o déficit em transações
correntes (registro das transações de compra e venda de
mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), neste ano,
os analistas alteraram a estimativa de US$ 48,20 bilhões para
US$ 47,57 bilhões.
Para 2011, eles ajustaram a
projeção de US$ 57,40 bilhões para US$ 57,99 bilhões.
A expectativa para o investimento
estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do
país) passou de US$ 36 bilhões para US$ 35 bilhões,
em 2010, e permaneceu em US$ 40 bilhões, em 2011.
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Agência Diap, 22 de
junho de 2010
Finanças da família:
brasileiro troca cheque especial por cartão de crédito
Após reinar por anos como principal linha de crédito dos
brasileiros, o cheque especial tem perdido adeptos. Dados do Banco Central
mostram que, proporcionalmente, o uso dessa opção nunca
foi tão baixo. Hoje, o limite da conta é fonte de 34%
dos empréstimos realizados pelas famílias. Há dez
anos, eram 60%.
Mas a troca embute um problema
grave: os clientes têm migrado para uma opção ainda
mais cara, o cartão de crédito - que tem o maior juro
entre as operações bancárias. Em abril, 26,8% de
todo o crédito da pessoa física foi tomado no dinheiro
de plástico, novo recorde. Bancos admitem que "pode haver
problema" se a expansão continuar no atual ritmo por muito
tempo.
Como meio de pagamento, a migração
do cheque para o dinheiro de plástico é um movimento esperado
e que aconteceu em praticamente todos os países. Mas, no Brasil,
a troca tem uma particularidade: gerou mudança no perfil do endividamento
das famílias.
É aí que mora
o problema, já que o juro do cartão é muito maior
do que o praticado no cheque: o uso do limite da conta cobra 161,3%
ao ano; o rotativo do cartão cobra 238,3%. Em outras palavras,
os brasileiros trocam um juro caro por outro mais caro ainda.
A Federação Brasileira
dos Bancos (Febraban) diz que a mudança do perfil de endividamento
não traz preocupação por enquanto, mas admite que
"pode haver problema" se o atual ritmo continuar por muito
tempo.
"Estamos em um período
de aprendizado de bancos e clientes. Na medida em que o mercado cresce,
o instrumento de crédito é ajustado à sua finalidade.
Imagino que existem clientes que usam as operações de
forma incorreta. As instituições sabem que, se isso continuar
por muito tempo, podemos ter problemas lá na frente", afirma
o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg. "Mas acho que
isso não vai acontecer", minimiza.
Carteira
Mais seguro que o cheque e mais prático que carregar cédulas
e moedas, o cartão nadou de braçada nos últimos
anos. Hoje, brasileiros carregam 586,6 milhões de plásticos
que têm as funções crédito, débito
e de loja.
só olhar na carteira:
já são três para cada habitante. Separados, os que
funcionam apenas no crédito somam 142,2 milhões, quase
um por brasileiro.
Em tempos de otimismo e crescimento
da economia, esses cartões passaram a ser utilizados como nunca:
em abril, R$ 17,1 bilhões foram usados no crédito rotativo,
financiamento parcelado e em saques em caixa eletrônico.
Segundo a Associação
Brasileira de Cartões de Crédito (Abecs), abril teve 224,4
milhões de operações ou 87 transações
no cartão a cada segundo.
Enquanto isso, a vantagem do
cheque cai mês a mês. Em abril, brasileiros usaram R$ 21,9
bilhões do limite da conta corrente.
Apesar de ainda ser a
principal operação de crédito de pessoa física
no Brasil - com 34,4% das concessões, a trajetória é
cadente e o patamar, o menor da série iniciada em 2000.
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Agência Brasil, 22
de junho de 2010
Analistas mantêm em 5,61%
estimativa da inflação oficial este ano, diz Focus
Por Kelly Oliveira,
Na Agência Brasil
Analistas do mercado financeiro
consultados pelo Banco Central (BC) mantiveram a estimativa para o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 5,61%, neste ano. Para
2011, também não houve alteração (4,80%),
segundo o boletim Focus, publicação semanal elaborada
com base em projeções para os principais indicadores da
economia.
As expectativas para o IPCA
estão acima do centro da meta de inflação para
este ano e 2011, de 4,5%. Essa meta tem margem de 2 pontos percentuais
para mais ou para menos. Cabe ao BC perseguir a meta de inflação
e, para isso, a instituição usa como instrumento a taxa
básica de juros, a Selic.
Quando considera que a economia
está aquecida e a trajetória e a perspectiva de inflação
são de alta, o BC aumenta os juros básicos. A projeção
para a Selic ao final de 2010 passou de 11,75% para 12% ao ano. Para
o fim de 2011, foi mantida em 11,75% ao ano.
O boletim Focus também
traz projeção de outros índices de inflação,
como o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna
(IGP-DI), que, na avaliação dos analistas, deve ficar
em 9,08% neste ano, contra os 9,12% previstos anteriormente.
Para o Índice Geral de
Preços de Mercado (IGP-M), a estimativa passou de 9% para 9,07%,
em 2010. A projeção para esses dois índices no
próximo ano permaneceu em 5%.
A estimativa para o Índice
de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), neste ano, foi alterada de 5,34%
para 5,30%. Para 2011, foi mantida a projeção de 4,5%.
A estimativa para os preços
administrados permaneceu em 3,60%, em 2010, e foi ajustada de 4,70%
para 4,80%, em 2011.
Os preços administrados
são aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis,
energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação,
saneamento, transporte urbano coletivo, entre outros.
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Vermelho, 22 de junho de
2010
China flexibiliza política
cambial e yuan sofre forte valorização
No último sábado (19), o governo chinês anunciou
a flexibilização da política cambial do país,
numa concessão à pressão internacional, liderada
pelos EUA, contra o câmbio fixo estabelecido em 2008 para fazer
frente à crise econômica mundial. A mudança, que
não significa a adoção do câmbio livre ou
flutuante, resultou numa forte valorização do yuan.
A moeda chinesa subiu nesta segunda-feira (21) para o maior valor de
fechamento em relação ao dólar desde a mudança
cambial de julho de 2005, com o banco central (BC) tolerando a forte
alta do primeiro dia de operações após o fim da
cotação fixa da moeda diante do dólar.
Poucas vezes na história
moderna do yuan o BC se negou a intervir e, aparentemente, a autoridade
monetária chinesa quer que o mercado conduza as operações,
cumprindo a promessa do fim de semana de permitir maior flexibilidade.
Controle
Mas operadores disseram que
é improvável que o yuan repita os ganhos na mesma escala
nos próximos dias, com o ponto médio de terça-feira
(referência definida pelo BC chinês para as operações
no mercado de câmbio) servindo como um importante termômetro
sobre o tamanho da apreciação que será permitida
pelo Banco Popular da China.
"Não se pode esperar
que o yuan dispare 5% em duas ou três semanas, como o ritmo da
alta de segunda-feira infere", disse um operador do banco North
American em Xangai.
Vários operadores disseram
esperar que o BC mantenha o ponto médio na terça-feira,
ou mesmo que o eleve em até 50 pontos, para efetivamente controlar
quanto o yuan pode subir. É permitido que o yuan suba ou caia
0,5% ante o ponto médio, mas a moeda raramente oscilou para os
extremos dessa variação.
O yuan fechou a 6,7976 por dólar
nesta segunda-feira, com valorização de 0,42% ante o fechamento
de sexta-feira, a 6,8262 yuans. Durante as operações,
a taxa chegou a subir a 6,7958 yuans, recorde desde a mudança
cambial, com alta de 0,47%, e muito próximo do limite de 0,5%
adotado pelo BC.
Sob intensa pressão para
agir antes da reunião do G20 no Canadá mais tarde nesta
semana, a China encerrou a fixação do yuan ao dólar
-- uma medida de emergência usada para proteger a economia da
crise financeira global e da recessão resultante.
Sem mudanças
O banco central chinês
descartou no domingo uma mudança cambial similar à de
julho de 2005 e disse que não há base para uma apreciação
grande, acrescentando que manterá a taxa de câmbio em um
nível basicamente estável.
Antes do início dos negócios
nesta segunda-feira, o banco central estabeleceu o ponto médio
diário do yuan no mesmo patamar de sexta-feira -- 6,8275 --,
decepcionando alguns investidores estrangeiros que esperavam um sinal
claro de apreciação.
Porém, o banco não
realizou suas frequentemente pesadas intervenções diárias,
e bancos chineses e investidores internacionais fizeram o yuan subir
com força, sugerindo que o banco central está permitindo
que a moeda seja mais conduzida pelo mercado durante o dia.
"Se ele (o BC) quiser,
ele pode fazer suas intenções serem claramente sentidas
com o ponto médio de amanhã, o que dirá aos mercados
o quanto permitirá que o yuan suba em um dia", disse o operador
de um banco europeu em Xangai.
Com agências
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Vermelho, 22 de junho de
2010
Itália terá greve
geral em 25 de junho
A Confederazione Generale Italiana del Lavoro (CGIL) convocou uma greve
geral de 24 horas para o 25 de junho do funcionalismo público
e de no mínimo quatro horas no setor privado, com manifestações
por todo o país. O protesto organizado pela CGIL vem responder
ao "plano de ajuste" do governo italiano, acusado pela CGLI
como "injusto e errado".
“O governo aprovou uma medida injusta, desigual e com as escolhas
que deprimem mais e mais a economia”, diz a central sindical no
panfleto que convoca a greve geral, anunciada em conferência de
imprensa em 17 de Junho.
Segundo os sindicatos, o plano
é ruim porque prevê medidas de apoio ao emprego e de crescimento
econômico, além de ser desigual porque divide o país,
fazendo recair o custo do ajuste sobre funcionários públicos
e privados de forma diferenciada, além de afetar regiões,
autoridades locais e os cidadãos mais vulneráveis.
O plano do governo Berlusconi
é defendido pelo FMI e por Bruxelas e pretende cortar 24,9 bilhões
de euros em investimentos públicos durante os próximos
anos.
Berlusconi quer aprovar um plano
de austeridade que cortará investimento regional e científico
(cerca de 40%), congelará salários dos funcionários
públicos em geral e reduzirá salários de juízes
e dos médicos. Metade dos terceirizados que trabalham para o
governo serão demitidos, além de impedir durante um ano
os pedidos de aposentadoria.
Além disso, estabelece
que em 2012 as funcionárias públicas verão a idade
da aposentadoria estabelecida para 65 anos, baseando-se num critério
sexista para limitar o direito à aposentadoria.
Da redação, com agências
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Blog do Emir, 22 de junho
de 2010
Emir Sader : O que está
em jogo nas eleições de 2010
Em quatro meses o Brasil terá
decidido quem será o próximo(a) presidente(a). Destacam-se
muitos aspectos da particularidade desta campanha, desde o de que Lula
não será candidato, pela primeira vez, desde que o fim
da ditadura trouxe as eleições, até o do protagonismo
de duas mulheres entre os três principais candidatos.
por Emir Sader em seu blog
Mas o tema mais importante é
o do julgamento de um governo até aqui sui generis na história
política do país. Um presidente de origem operária,
imigrante do Nordeste, chega ao final do seu mandato com a maior popularidade
da história do país e submete democraticamente seu governo
a uma consulta popular, mediante a apresentação como sua
possível sucessora da coordenadora do seu governo.
Um governo que começou
rompendo o caminho do Área de Livre Comércio das Américas,
conduzido pelo governo anterior, que teria levado o Brasil e todo o
continente à penosa situação do México:
90% do seu comércio exterior com os EUA, como reflexo disso na
crise retrocedeu 7% seu PIB no ano passado, foi ao FMI de novo, assinando
a Carta de Intenções (deles).
O novo governo promoveu uma
reinserção internacional do Brasil, privilegiando os processos
de integração regional e as alianças com o Sul
do mundo. A China tornou-se o primeiro parceiro comercial do Brasil,
o segundo é a América do Sul como um todo, em terceiro
os EUA. A crise revelou os efeitos dessa mudança: pudemos superá-la
rapidamente pela diversificação do comercio internacional
e a menor dependência das relações com os EUA, a
Europa e o Japão. (Além do papel importante do mercado
interno de consumo populasr.)
Esse é um dos temas que
está em jogo: o lugar do Brasil no mundo. Seguir aprofundando
essa nova inserção ou voltar à aliança subordinada
com os EUA e as potências centrais do sistema.
O outro tema – em que
igualmente houve maior mudança na passagem do governo FHC para
o de Lula: as políticas sociais. No governo anterior, a distribuição
de renda seria resultado mecânico da estabilidade monetária.
Controlada a inflação – “um imposto aos pobres”
-, se recuperaria capacidade de compra dos salários.
No governo Lula, as políticas
sociais tiveram um papel reitor. O modelo econômico não
separava o crescimento econômico e a distribuição
de renda. A recuperação da capacidade do Estado de promover
o desenvolvimento – este um tema abolido no governo FHC –
foi também um aspecto novo, junto à extensão do
mercado interno de consumo de massas. Mudou a direção
do comercio exterior e seu peso, reforçando-se o mercado interno.
Esse tema também está
em jogo. Os governos neoliberais deram prioridade ao ajuste fiscal,
ao controle inflacionário. O governo Lula priorizou a esfera
social.
Está em jogo também
o papel do Estado. Como costuma acontecer, o candidato opositor considera
excessiva a presença do Estado, a carga tributária, os
gastos estatais, os investimentos e os custos da maquina estatal. As
criticas ao supostos “corporativismo” e a comparação
com Luis XIV tem como direção o Estado mínimo e
a presença maior do mercado.
No seu sentido geral, podemos
dizer que as eleições deste ano definem se o governo Lula
é um parêntese, com o retorno das coalizões tradicionais
que governaram o Brasil ao longo do tempo ou se é uma alavanca
para definitivamente sair do modelo neoliberal e construir uma sociedade
justa, solidária, democrática e soberana. Caso se dê
esta última alternativa, os setores conservadores sofrerão
uma derrota de proporções, com toda uma geração
dos seus representantes políticos praticamente terminando suas
carreiras e abrindo espaço para grandes avanços na direção
das orientações do governo Lula.
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Agência Diap, 22 de
junho de 2010
Editorial do DIAP: Avanço
no combate à corrupção e à fraude eleitoral*
As três leis punitivas cuidam de apenar
- com a cassação do registro, do diploma ou do mandato
- quem for flagrado doando, oferecendo, prometendo ou entregando bens
ou vantagens de qualquer natureza em troca de voto, ainda que de forma
dissimulada. Leis abrem novo ciclo
Por Antônio Augusto de Queiroz**
O combate à corrupção
e à fraude eleitoral, bem como ao abuso de poder econômico,
tem avançado no Brasil, sempre por pressão popular. Isso
é produto de quatro importantes leis tratando do tema, sendo
três punitivas e uma preventiva, além de lenta mudança
cultural em curso na sociedade e no Poder Judiciário.
As três leis punitivas
cuidam de apenar - com a cassação do registro, do diploma
ou do mandato - quem for flagrado doando, oferecendo, prometendo ou
entregando bens ou vantagens de qualquer natureza em troca de voto,
ainda que de forma dissimulada.
A lei preventiva, com as hipóteses
de inelegibilidade, melhora o filtro de candidatura, com critérios
mais rígidos de probidade e decoro para concorrer a cargos eletivos,
e amplia os prazos de impedimentos para efeito de disputa eleitoral.
A legislação eleitoral,
com um pequeno avanço de cada vez, tem sido acompanhada por importante
mudança cultural, tanto da sociedade quanto do Poder Judiciário,
no sentido de denunciar e punir aqueles que agirem em desacordo com
os critérios de probidade, de ética e de decência.
As centenas de condenações
com perda de mandato no plano municipal - prefeito e vereadores - são
exemplos disto e a tendência é que o Poder Judiciário,
especialmente os tribunais superiores, dê maior celeridade aos
julgamentos dos processos.
O Supremo Tribunal Federal,
com apenas onze ministros, não dispunha de estrutura para instruir
e julgar os milhares de processos contra os políticos com fórum
privilegiado.
Recentemente, entretanto, inovou
ao solicitar que os juízes de primeira instância instruam
os processos, ouvindo as testemunhas, como forma de viabilizar um julgamento
mais célere, o que já começa a apresentar resultados.
A seguir o número e o
enunciado das leis que vêm contribuindo para moralizar e qualificar
a disputa eleitoral:
1ª) Lei de iniciativa popular
9.840/99, que tipifica como fraude o que antes era definido como crime.
Isso permite punição mais rápida.
2ª) Lei 10.300/06, que
proíbe a concessão de vantagens, prêmios ou favor
ao eleitor. Também reduz os gastos de campanha.
3ª) Lei 12.039/09, que
autoriza a punição por evidência do dolo e amplia
até a data da diplomação do eleitor o prazo para
representar contra as condutas vedadas.
4ª) Lei Complementar de
iniciativa popular 135/10, que atualiza e complementa a lei de inelegibilidades
(LC 64/90) - Ficha Limpa.
A mais recente das leis - conhecida
como Ficha Limpa, que considera a vida pregressa dos candidatos a cargos
eletivos - já terá vigência plena em outubro de
2010, segundo decisões do Tribunal Superior Eleitoral.
Com isto, quem renunciou ao
mandato para fugir de cassação; o funcionário demitido
após processo administrativo, por decisão judicial, por
infração ética ou profissional fica inelegível
por oito anos.
Também ficarão
inelegíveis por oito anos, os condenados em segunda instância
da Justiça pelos crimes de abuso de autoridade; lavagem ou ocultação
de bens; racismo; tortura; terrorismo; crimes hediondos; trabalho escravo;
crimes contra a vida; abuso sexual; formação de quadrilha
ou bando; ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão
ao patrimônio público, e enriquecimento ilícito;
entre outros.
Trata-se de um processo de mudança
legislativa e cultural, que culminará com uma reforma política
que dê consistência ideológica e programática
aos partidos, que combata a corrupção e promova equidade
na disputa eleitoral.
(*) Editorial do Boletim do DIAP,
Nº 239, de junho de 2010
(**) Jornalista, Analista Político e Diretor de Documentação
do Diap
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Gazeta do Povo, 22 de junho
de 2010
Eleições 2010
Deputados do PMDB dão aval à
desistência de Orlando Pessuti
A bancada do PMDB na Assembleia Legislativa assinou um manifesto no
qual dá apoio ao governador Orlando Pessuti caso ele decida abrir
mão de disputar a reeleição. Com isso, cresce a
expectativa de que os peemedebistas se aliem ao senador Osmar Dias (PDT)
na disputa pelo governo do estado juntamente com o PT.
Ontem à noite, os líderes
dos três partidos no âmbito nacional e estadual se reuniram
em Brasília na tentativa de bater o martelo pela
candidatura de Osmar. Estiveram no encontro os presidentes nacionais
do PDT, Carlos Lupi, do PMDB, Michel Temer, e do PT, José Eduardo
Dutra. Caciques do PMDB nacional, como Renan Calheiros, também
participaram das negociações.
Além dos dois pré-candidatos
à sucessão estadual envolvidos na discussão, também
estavam na reunião os presidentes estaduais dos três partidos:
o pedetista Augustinho Zucchi, o peemedebista Waldyr Pugliesi e o petista
Ênio Verri.
A carta, assinada por 15 dos
17 deputados estaduais do PMDB – Alexandre Curi e Luiz Claudio
Romanelli não teriam concordado com o documento –, seria
o aval para que Pessuti fosse a Brasília amparado pelo partido
para abrir mão da candidatura em favor de Osmar. Com a desistência
do governador, estaria aberto o caminho para a concretização
da aliança sonhada pelo governo federal no Paraná: unir
PDT, PMDB e PT no mesmo palanque no estado, dando força à
candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff.
A desistência de Pessuti,
porém, esbarra no pedido de aliança feito pelo PSDB aos
pedetistas (veja matéria ao lado). Na última quinta-feira,
o diretório estadual do PDT enviou um fax para a executiva nacional,
solicitando autorização para fazer “coligação
com o PSDB”. Se a cúpula nacional da legenda aprovar o
acordo, Osmar poderá disputar a reeleição ao Senado
e Augustinho Zucchi poserá ser o vice na chapa encabeçada
pelo tucano Beto Richa. Por isso, dependendo da decisão que deve
ser divulgada hoje pelo diretório nacional do PDT, Pessuti necessariamente
seria o adversário de Richa na disputa ao Palácio Iguaçu.
Os favoráveis à
candidatura de Osmar ao governo, entretanto, garantem que Carlos Lupi
não permitirá a aliança com os tucanos no Paraná,
sobretudo porque o senador é um dos únicos candidatos
pedetistas em todo o país com chances reais de ser eleito governador.
Sob orientações do presidente Lula, os petistas também
trabalham fortemente para ter Osmar como candidato com o objetivo de
evitar que o PSDB repita o desempenho das últimas eleições
e conquiste ampla maioria dos votos no Paraná. “A expectativa
é que saia o acordo. Não iríamos reunir todas essas
pessoas para dizer que estamos pensando [no assunto]”, afirmou
um confiante Ênio Verri, horas antes da reunião que ocorreria
em Brasília na noite de ontem.
Requião
é acusado de propaganda irregular
Rosana Félix
O ex-governador Roberto Requião
e o diretório do PMDB em Curitiba são alvo de uma representação
proposta pelo Ministério Público Eleitoral por causa de
propaganda irregular. Segundo os promotores, o site do partido desviou-se
de sua finalidade ao promover a candidatura de Requião à
Presidência da República – que já foi indeferida
em convenção nacional realizada em 12 de junho. Pela irregularidade,
o ex-governador e o diretório municipal do PMDB podem ser condenados
a pagar multa de R$ 25 mil cada um.
O processo está com o
ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Joelson Dias. A vice-procuradora-geral
eleitoral Sandra Cureau, que assina a petição
inicial, sustenta que desde fevereiro deste ano o site do PMDB de Curitiba
(www.pmdbdobrasil.com) divulga “diversas matérias ressaltando
os atos de governo e qualidades pessoais de Roberto Requião”,
que tinha conhecimento do fato, “haja vista a quantidade de matérias
em que é referido e pela presença em diversos vídeos
em que faz discursos.”
Segundo a Lei Eleitoral (9.504/97),
a punição pela propaganda extemporânea pode variar
de R$ 5 mil a R$ 25 mil ou o equivalente ao custo da propaganda, se
este for maior.
A reportagem tentou contato
com advogados de Requião e do PMDB de Curitiba, mas
não houve retorno até o fechamento desta edição.
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Folha de S.Paulo, 22 de junho de 2010
JUSTIÇA ELEITORAL
Tribunal de Contas entrega ao TSE lista
com 4.922 fichas sujas
DE BRASÍLIA - O TCU (Tribunal de Contas da União) entregou
ontem uma lista de 4.922 "fichas sujas" ao TSE (Tribunal
Superior Eleitoral). São gestores públicos que tiveram
as contas rejeitadas por irregularidade insanável em decisão
irrecorrível no tribunal nos últimos 8 anos.
Mas a decisão se esses prefeitos, secretários e dirigentes
de órgãos e autarquias públicas poderão
concorrer este ano será dada pelos juízes eleitorais,
analisando caso a caso, segundo o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski.
Conforme a Folha antecipou, a mudança em artigo específico
da lei das inelegibilidades, promovida pelos autores do projeto Ficha
Limpa, poderá causar dúvidas na exclusão de quem
for punido por irregularidades em contas.
Pela lei antiga, a condenação dos Tribunais de Contas
era suficiente para causar a inelegibilidade. Agora, a lei fala que
é necessário uma condenação por improbidade,
que é dada pela Justiça em processo distinto do TCU.
Para alguns procuradores, a lista do TCU se tornou inócua.
O presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, disse que a nova redação
não muda a função do TCU de enviar os que estão
com irregularidades insanáveis. Para ele, a lei poderá
ser aplicada e impedir que os condenados concorram.
Para Lewandowski, os que estão com contas irregulares, mesmo
se concorrerem, poderão ter mandatos cassados depois, caso
o entendimento dos tribunais seja diferente. A lista está disponível
no site do TCU (www.tcu.gov.br).
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Congresso em Foco, 22 de
junho de 2010
Quase cinco mil podem ser inelegíveis,
diz TCU
Mário Coelho
O presidente do Tribunal de
Contas da União (TCU), Ubiratan Aguiar, entregou nesta segunda-feira
(21) ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski,
a lista de gestores públicos, ocupantes de cargos ou funções,
que tiveram suas contas julgadas irregulares. A relação
aponta que 4.922 pessoas foram consideras responsáveis por 7.854
contas que o TCU rejeitou. De acordo com a corte de contas, essa lista
será atualizada até o fim das eleições.
Leia
aqui a relação completa
Do total, a maioria das pessoas
passíveis de inelegibilidade estão no Maranhão
(728), seguido da Bahia (700), Distrito Federal (614) e Minas Gerais
(575). O número, segundo a relação divulgada, praticamente
dobrou em relação à quantidade de declarados inelegíveis
pelo TCU nas últimas eleições majoritárias,
em 2006, quando 2,9 mil se encontravam nesta situação.
Entre 2006 e 2008, o número aumentou pouco, com 3 mil gestores
públicos apresentando problemas em suas contas.
Os candidatos que não
tiveram contas aprovadas pelo TCU têm até o dia 5 de julho
para apresentar documentos relativos às contas analisadas pelo
tribunal e regularizar suas situações para que possam
disputar o pleito. O TCU não tem competência para declarar
candidatos inelegíveis, o que cabe à Justiça Eleitoral
com base nos dados apresentados pelo tribunal. “Até o dia
31 de dezembro deste ano, julgaremos todos os processos até 2009
que não estejam em grau de recurso. Isso pode ter colaborado
esse aumento vertiginoso do número de pessoas que podem ser inelegíveis”,
afirmou Aguiar, de acordo com a Agência Brasil.
De acordo com o presidente do
TCU, a entrega dessa lista acontece há 20 anos. “Esperamos
que essa lista possa subsidiar a ação da Justiça
Eleitoral no momento em que o país aprova a Lei da ficha limpa,
lei de origem popular”, afirmou.
Em seguida, o presidente do
TSE disse que entregará a lista ao procurador-geral Eleitoral,
Roberto Gurgel, para as providências cabíveis, e também
a todos os Tribunais Regionais Eleitorais. “A partir dessa lista,
a justiça eleitoral decretará, no caso concreto, a inelegibilidade
dos maus gestores do dinheiro público”, afirmou.
Veja as condenações
por estado desde 2002:
Maranhão 728
Bahia 700
Distrito Federal 614
Minas Gerais 575
São Paulo 455
Pará 421
Piauí 386
Pernambuco 372
Amazonas 297
Paraíba 286
Rio Grande do Norte 286
Ceará 273
Mato Grosso 251
Tocantins 239
Rio de Janeiro 211
Alagoas 199
Paraná 197
Goiás 191
Amapá 181
Sergipe 179
Rio Grande do Sul 151
Rondônia 148
Espírito Santo 117
Mato Grosso do Sul 115
Roraima 101
Acre 92
Santa Catarina 86
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Folha de S.Paulo, 22 de
junho de 2010
Presidente do STF afrouxa regra
contra nepotismo
Peluso contrata marido e mulher, o que contraria
interpretações da súmula | Decisão de 2008
veta a contratação de parentes; parecer do STF defende
que proibição não pode ser levada ao extremo
ANDREZA MATAIS
FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA
Ao montar sua equipe na presidência
do Supremo Tribunal Federal em abril deste ano, Cezar Peluso afrouxou
a regra que impede o nepotismo no serviço público.
Peluso nomeou um casal para o STF com base no entendimento de que é
legal a contratação de parentes num mesmo órgão
se não houver subordinação entre eles.
José Fernando Nunes Martinez, servidor concursado da Polícia
Civil de São Paulo cedido para o Supremo, assumiu a coordenadoria
de segurança de instalação e transporte do tribunal,
e a mulher dele, Márcia Maria Rosado, que não é
servidora pública, a coordenadoria de processamento de recursos.
Nos dois casos, são cargos de confiança do presidente.
Em agosto de 2008, o STF editou a súmula vinculante proibindo
a contratação de parentes até terceiro grau nos
três Poderes para cargos comissionados. O presidente do STF na
época era Gilmar Mendes, com quem Peluso teve uma série
de atritos desde que assumiu.
Após a edição da súmula ocorreram demissões
pelo entendimento de que é proibido que parentes não concursados
trabalhem no mesmo órgão, independentemente de subordinação.
A Folha teve acesso ao parecer assinado pela chefe da assessoria jurídica
do STF, Mônica Madruga Ribeiro, para justificar a contratação
do casal - Márcia Rosado, que veio do gabinete de Peluso, foi
nomeada em 26 de abril, e José Martinez, transferido do TSE,
tomou posse em maio.
Mônica escreveu que a preocupação maior da súmula
é evitar a relação entre o servidor e quem o nomeia.
Pelo parecer, um "entendimento diverso, sem considerar o "poder
de favorecimento", levaria ao travamento da administração
pública".
A avaliação é a mesma que Peluso teve no julgamento
da súmula. Na época, considerou que a proibição
não poderia ser levada ao extremo.
A decisão de Peluso contraria ao menos duas decisões do
CNJ (Conselho Nacional de Justiça), tomadas em 2009 -o STF não
é obrigado a seguir a orientação do CNJ.
Ao analisar dois casos, o CNJ considerou que "configura nepotismo
a nomeação de servidor ocupante de cargo comissionado,
que possua parente até terceiro grau exercendo cargo de direção,
chefia ou assessoramento ainda que ausente de subordinação
hierárquica" e determinou a demissão.
O conselheiro Jefferson Kravchychyn, relator de um dos casos, criticou
a decisão do Supremo. "Se caísse na minha mão,
votaria da mesma forma. Tem 200 milhões de pessoas para escolher,
por que logo um parente?"
Depois que a súmula foi publicada, Senado e Executivo entenderam
que parentes estavam proibidos de ocuparem cargos em comissão,
ainda que não subordinados.
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Gazeta do Povo, 22 de junho
de 2010
Problema recorrente
Assembleia mantém “furos”
na numeração de atos oficiais
Das 2.196 decisões do Legislativo nos
últimos três meses, 207 não constam dos diários
publicados no período
A Assembleia Legislativa do
Paraná manteve a prática de não divulgar parte
de seus atos oficiais, três meses após o início
da publicação da série de reportagens “Diários
Secretos”, da Gazeta do Povo e da RPC TV, iniciada em 15 de março.
Dos 2.196 atos oficiais assinados nos últimos três meses
pela comissão executiva do Legislativo, 207 não constam
dos diários oficiais. A comissão executiva é formada
pelo presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), e pelo primeiro-secretário,
Alexandre Curi (PMDB).
A descoberta dos 207 atos é
resultado de um levantamento da reportagem feito com base em todos os
diários publicados pela Assembleia em 2010. Os atos divulgados
nesses diários são numerados. Mas a lista tem saltos de
números. Ou seja, algumas decisões não aparecem
– prática conhecida como “atos secretos” (veja
infográfico).
O levantamento ainda mostra
que o Legislativo continua a publicar atos muito tempo depois de serem
assinados. Em algumas situações, a diferença é
de semanas, mas há casos em que o período entre a assinatura
do ato oficial e a publicação dele é de mais de
um mês.
Em março, a Gazeta do
Povo e a RPC TV mostraram, com base em um levantamento elaborado a partir
de todos os diários oficiais da Assembleia publicados de 2006
a março de 2009, que o Legislativo estadual omitiu 2.178 atos
no período. São decisões oficiais que nunca foram
publicados em nenhum diário oficial numerado ou que estão
em diários avulsos – sem que a população
possa ter acesso ao seu conteúdo, o que dificulta a fiscalização
dos atos da Assembleia pela sociedade.
Avulsos mantidos
O levantamento ainda revela
que a Assembleia manteve a edição de diários avulsos,
não numerados. Desde o dia 31 de maio, quando começou
a divulgar seus diários oficiais na internet, o Legislativo estadual
disponibilizou 12 edições. Três delas não
receberam número – ou seja, são avulsas.
Os diários avulsos publicados
no período não trazem informações sobre
atos administrativos, como gastos públicos ou movimentação
funcional (demissões e contratações de servidores).
As três edições são republicações
de propostas de emendas constitucionais (PECs) apresentados pelos deputados
estaduais.
O Ministério Público
Estadual (MP) já havia pedido na Justiça que a Assembleia
não voltasse a publicar diários oficiais não numerados.
A ação está na 3.ª Vara de Fazenda Pública
desde 13 de maio.
Sem a numeração
que permitiria o acompanhamento das publicações, os diários
avulsos facilitariam a utilização deles como uma saída
para a regularização, a qualquer tempo, de atos oficiais
que deveriam ter sido publicados, por exigência legal, em uma
determinada data, mas só muito tempo depois acabavam sendo publicados.
A Assembleia chegou a contestar,
em meados de março, a existência de diários avulsos.
Já no início de abril, o deputado Nelson Justus concordou
que a existência de um diário oficial sem numeração
dificulta a fiscalização e que esse seria o momento para
acabar com a prática. “Isto aconteceu. Não vai acontecer
mais? Não vai, porque tudo isto vai estar on-line. Acabou-se!”,
declarou. Ontem, ele voltou a falar do assunto garantindo que os diários
avulsos que continuam a ser publicados são legais (veja reportagem
abaixo).
Desvios
Segundo denúncia do MP,
a criação de dificuldades de acesso da população
aos diários oficiais foi o meio que integrantes da Assembleia
usaram para legalizar contratações de servidores fantasmas
ou laranjas, que recebiam salário sem trabalhar – o que
caracteriza desvio de recursos públicos.
A denúncia apontou o
ex-diretor-geral da Assembleia Abib Miguel, o Bibinho, como o chefe
do esquema. O Ministério Público estima que pelo menos
R$ 100 milhões possam ter sido desviados da Assembleia por meio
desse esquema.
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Gazeta do Povo, 22 de junho
de 2010
Problema recorrente
Justus ataca RPC e Legislativo explica
saltos na numeração e edição de avulsos
O presidente da Assembleia, Nelson Justus (DEM), fez ontem o ataque
mais incisivo à imprensa desde o início das denúncias
que atingem a Casa, que deflagraram a maior crise institucional do Legislativo
estadual. Durante a sessão plenária, Justus classificou
como “mentirosas, caluniosas e deturpadas” as últimas
reportagens publicadas pela Gazeta do Povo e e divulgadas pela RPC TV
na série “Diários Secretos”. Em tom de ameaça,
o parlamentar afirmou que irá processar judicialmente o Grupo
RPC pelos “danos materiais e morais” supostamente causados
ao Legislativo.
“As recentes reportagens
do grupo RPC abusaram do direito de errar, descumprindo o compromisso
que os veículos de comunicação possuem que é
o dever de informar com independência e responsabilidade”,
declarou Justus. “Mesmo com várias medidas de transparência
adotadas pela Assembleia, o grupo RPC, além de não os
divulgar, realiza novas matérias com graves erros, mesmo depois
de receber as informações corretas da Casa”, complemetou
o presidente da Casa.
Afirmando que fazia o pronunciamento
em virtude do “espanto” que as últimas reportagens
tinham causado nos outros deputados, Justus disse que não irá
“mais tolerar matérias mentirosas e sensacionalistas”
e “acusações maliciosas” do grupo RPC. “Tudo
será ressarcido na Justiça. Nunca esta Casa trabalhou
com tanto zelo para jamais voltar a correr o risco de cometer os mesmos
erros do passado”, disse.
Furos nos diários
Procurada pela reportagem para
esclarecer o motivo de haver 207 atos que não constam dos diários
oficiais deste ano, a direção da Assembleia se pronunciou
apenas por meio de nota oficial.
De acordo com o texto, os números
de atos que não foram usados são anulados – ou seja,
os pulos na numeração não significam que existam
atos secretos. “Não existem portarias ou atos já
assinados que não foram ou serão publicados. A data da
publicação de cada ato ou portaria sempre depende do tempo
de trâmite, em cada fase, do procedimento que os engloba”,
destaca o texto.
A resposta da Assembleia ainda
salienta que todos os atos e portarias necessitam da devida publicação
para surtir os efeitos legais. E que “qualquer menção
a ‘atos secretos’ na atual administração da
Casa é fantasiosa e visa a criar factoides para confundir a opinião
pública”, diz a nota.
A Assembleia ainda informou,
por nota oficial, que continua publicando diários avulsos porque
o regimento interno do Legislativo determina que as propostas de emenda
constitucional (PECs) sejam publicadas desta forma.
A nota enfatiza ainda que o
presidente da Assembleia assegura que não serão publicados
diários avulsos com movimentações funcionais –
como contratação e demissões de servidores. “A
expressão ‘diário avulso’ permanece sendo
adotada apenas nas questões que o próprio regimento interno
da Assembleia prevê”, diz a nota oficial.
Transparência:
Projeto está tramitando
O presidente da Assembleia, Nelson Justus, criticou a matéria
“Transparência engavetada na AL”, publicada ontem
pela Gazeta do Povo. A reportagem informava que, apesar de ter sido
protocolado na Casa há duas semanas, o projeto de lei que estabelece
mecanismos para garantir mais transparência na administração
pública do estado permanecia parado à espera de ser encaminhado
à Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) para entrar em tramitação.
Ontem, Justus afirmou que a
proposta passou a tramitar na CCJ no dia seguinte em que foi protocolada.
Questionada sobre o assunto antes da publicação da reportagem,
porém, a assessoria da Assembleia não tinha se manifestado
sobre a tramitação do projeto até o fechamento
da edição de ontem. A única posição
oficial sobre a proposta havia sido dada pelo deputado Tadeu Veneri
(PT), que protocolou a matéria na Assembleia. Segundo ele, o
projeto ainda dependia de que o diretor legislativo, Severo Olympio
Sotto Maior, o encaminhasse à análise da CCJ. (ELG)
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de junho de 2010 | Economia
Projeto pode mudar exigências para
aposentadoria
Redação
A Previdência Social poderá ter que incluir na contagem
do tempo para fins de aposentadoria do trabalhador, as decisões
judiciais da Justiça do Trabalho que reconhecerem créditos
trabalhistas não recolhidos pelas empresas. A medida está
incluída em projeto que tramita no Congresso Nacional, e receberá
solicitação para um trâmite mais ágil na
casa de leis.
Atualmente, mesmo que haja uma
decisão da Justiça do Trabalho exigindo o pagamento de
créditos como hora-extra, 13.º salário, aviso prévio,
e com isso o recolhimento previdenciário, esses valores não
são computados como contribuição para fins de aposentadoria
do trabalhador, caso as decisões judiciais não tenham
se baseado em provas materiais, ou seja, em documentos.
Porém, como explica a
desembargadora Eneida Melo Correia de Araújo, coordenadora do
Colégio de Presidentes e Corregedores de TRTs (Coleprecor), que
esteve reunido na semana passada em Curitiba, “nem sempre o trabalhador
dispõe de documentos. Muitas vezes a prova é meramente
testemunhal”.
Ela explica que a Previdência
Social, ao relativizar uma sentença, afronta vários princípios
do Direito: “parte do princípio da má-fé,
quando o princípio é da boa-fé. Desde os romanos
as relações entre as pessoas são baseadas na boa-fé.
Isso não significa que a relação não possa
ser impugnada, contrariada, caso a decisão judicial esteja baseada
em simulação, em fraude”, disse a desembargadora.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de junho de 2010 | Cidades
Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil mostra resultado
De acordo com uma pesquisa
divulgada ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate
à Fome (MDS), 95% dos gestores municipais de assistência
social confirmaram uma redução do trabalho precoce após
a implementação do Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil (Peti). No Paraná, 31.981 crianças
são atendidas pelo programa, adotado em 211 municípios.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de junho de 2010 | Economia
Padilha vê manutenção
do fator previdenciário
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha,
e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza
(PT-SP), disseram hoje não acreditar que o Congresso vai derrubar
o veto feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao fim
do fator previdenciário. Quanto ao projeto de aumento para funcionários
do Senado, Padilha disse que a tendência do presidente Lula é
sancioná-lo porque, a exemplo do aumento dos servidores da Câmara,
já existe previsão orçamentária para isso.
"Eu não acredito
que o Congresso vá derrubar (o veto ao fim do fator previdenciário)",
declarou Padilha. "Não vamos permitir que qualquer clima
eleitoral venha a gerar desequilíbrio fiscal ou orçamentário
no país", avisou o ministro, lembrando que, no caso do reajuste
de 7,7% dos aposentados, o presidente Lula "fez questão
de sentir que os ministros (da área econômica) estavam
confortáveis no sentido de que era possível dar o reajuste,
sem inviabilizar o equilíbrio fiscal e orçamentário,
mostrando de onde seriam retirados os recursos e feitos cortes".
Já Vaccarezza respondeu
à tentativa das centrais sindicais de se mobilizarem pela derrubada
do veto do fator previdenciário dizendo que "quem pauta
o Congresso é o presidente Sarney (presidente do Congresso, José
Sarney) e para derrubar o veto, tem que ter sessão do Congresso
e maioria absoluta na Câmara e no Senado para derrubá-lo
e isso não tem a mínima condição porque,
até as eleições, não vai ter sessão
no Congresso para discutir veto".
Questionado se ocorrerem novos
reajustes, sem recursos no orçamento ou se o fator previdenciário
for derrubado, se virão mais cortes no orçamento, Padilha
respondeu: "É lógico que sim. O governo não
vai permitir que exista qualquer tipo de desequilíbrio fiscal
e orçamentário no País. Nós lutamos muito
para garantir esta responsabilidade fiscal, este equilíbrio fiscal
e fizemos grandes esforços para garantir o controle da inflação",
afirmou.
O ministro disse ainda que "não acredita" que os parlamentares
venham a "contribuir para o desequilíbrio orçamentário
do País", mas avisou: "o governo tem seus instrumentos
para manter este equilíbrio orçamentário e fiscal
e tem tomado as medidas em relação a isso. Inclusive,
quando teve de aceitar a proposta do Congresso Nacional, deixou claro
de onde retira os recursos para a proposta ser aprovada sem gerar desequilíbrio,
que foi o caso dos aposentados".
Fator previdenciário
Criado em 1999 pelo governo
Fernando Henrique Cardoso, o fator previdenciário funciona como
um redutor na hora de calcular o valor da aposentadoria. O objetivo
do instrumento é incentivar a maior permanência do brasileiro
no mercado de trabalho e assim reduzir as pressões sob o déficit
da Previdência Social, que neste ano esta na casa dos R$ 50 bilhões.
A fórmula de cálculo
do fator diminui o valor dos benefícios porque considera a expectativa
de vida do trabalhador -- que aumenta a cada ano. Por isso, mesmo tendo
contribuindo por 35 anos (homem) ou 30 anos (mulher) para a previdência,
o trabalhador precisa ficar um pouco mais no mercado para impedir descontos
no valor do benefício.
Justamente por reduzir
benefício para desestimular as aposentadorias precoces que o
fator previdenciário sempre é alvo de críticas.
Para os representantes de sindicatos dos aposentados, o redutor pune
as pessoas que começaram a trabalhar muito jovens. O governo
federal, no entanto, defende a permanência do instrumento que,
em 10 anos, proporcionou uma economia de R$ 10 bilhões para os
cofres públicos.
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Gazeta do Povo, 22 de junho
de 2010
Greve
Trabalhadores da Sanepar ameaçam
parar no dia 30
Os funcionários da Sanepar que pararam as atividades ontem em
todo o Paraná prometem retomar a paralisação por
tempo indeterminado a partir do dia 30 caso não haja um acordo
com a empresa. Eles reivindicam melhores condições de
trabalho, incorporação de um abono salarial de R$ 408
para todos os trabalhadores, auxílio alimentação,
gratificação de férias e estabilidade.
Os servidores rejeitaram a proposta
apresentada pela empresa, que ofereceu aumento real de 2%, mais reajuste
de 5%. A decisão foi tomada em assembleia, após o término
da reunião intermediada pelo Ministério Público
do Trabalho entre diretores e representantes de 15 sindicatos em Curitiba.
Em Cascavel, dos 31 servidores
que participaram da assembleia, 25 optaram em não aceitar a proposta,
quatro foram favoráveis e houve duas abstenções.
A representante do sindicato nos Campos Gerais, Josiane de Oliveira,
disse que cerca de 70 dos 110 trabalhadores da Sanepar não trabalharam
ontem. “Se a Sanepar não apresentar outra proposta, será
deflagrada uma greve”, ameaça. Se isso acontecer, o atendimento
ao público pode sofrer alteração, tendo em vista
que ontem os consumidores puderam contar com todos os serviços
da Sanepar.
Segundo o sindicato da categoria
de Cascavel e região, as negociações com a empresa
tiveram início em março, mês da data-base, mas não
houve avanços. A paralisação de ontem não
afetou o abastecimento.
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Valor Econômico, 22
de junho de 2010
Estado do Rio de Janeiro aperta
cerco ao uso do amianto
Em iniciativas que apertam o cerco contra o uso do amianto, a Assembleia
Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) apresentou uma lista
de empresas que desrespeitam as leis estaduais que proíbem a
fabricação e comercialização de produtos
com amianto. O assunto foi discutido ontem em audiência pública
da Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa
do Estado (Alerj).
O deputado Carlos Minc, ex-ministro
do Meio Ambiente e presidente da comissão, disse que vai liderar
uma série de manifestações nas portas das empresas
que estariam burlando a lei para esclarecer os consumidores e convencê-los
a não usar produtos feitos com amianto branco (crisotila). Essa
matéria-prima, único tipo de amianto com uso permitido
no Brasil, é proibida no Estado do Rio.
Ao mesmo tempo, o presidente
do Sindicato da Indústria da Construção do Rio
de Janeiro (Sinduscon-RJ), Roberto Kauffmann, disse que a entidade está
recomendando a seus associados que não utilizem nas suas obras
produtos à base de amianto branco. Segundo Kauffmann, o uso do
amianto prejudica o "foco na sustentabilidade com inovação
tecnológica" recomendado pelo sindicato aos seus associados.
Além do Rio de Janeiro,
São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul também têm
legislação proibindo qualquer tipo de amianto em seus
territórios. Os defensores da proibição total do
amianto argumentam que o contato com ele pode causar doenças
letais, como asbestose, câncer do pulmão e mesotelioma,
um tipo de câncer muito grave. Pessoas que contraíram alguma
forma de doença associada ao amianto compareceram ontem à
audiência na Alerj.
A Comissão de Meio Ambiente
e Desenvolvimento Sustentável da Câmara de Deputados deverá
votar nas próximas semanas relatório do deputado federal
Edson Duarte (PV-BA) favorável à proibição
total do uso de amianto no Brasil a exemplo do que já ocorre
em 54 outros, entre eles Alemanha, França, Japão e os
vizinhos Uruguai e Argentina. A votação do relatório
foi adiada nas reuniões do dia 9 e do dia 16 deste mês
e também não está na pauta da reunião de
amanhã.
Na audiência de ontem,
o próprio Minc apresentou uma "lista suja" de empresas
que usam amianto branco no Estado e que estariam desobedecendo a lei
de 2001 que dava quatro anos de prazo para que elas passassem a utilizar
matérias-primas alternativas. Segundo ele, a pressão direta
sobre essas empresas é mais eficiente para inibi-las do que a
punição pelo não cumprimento da lei que, segundo
ele, acaba transformando-se em processos intermináveis e sem
efeito prático.
A Eternit, uma das empresas
citadas por Minc, enviou nota dizendo que sua atuação
está amparada pela 9.055/95 (permite o uso controlado de amianto
branco no país) e que as leis estaduais que proíbem a
matéria-prima estão "sub-judice", sendo que
a do Rio de Janeiro estaria sem efeito por força de mandado de
segurança impetrado pelo Sindicato da Indústria de Artefatos
de Cimento Armado do Estado.
A nota diz que desde o início
da década de 1980, "quando a empresa adotou o uso controlado"
que não há registro de trabalhadores que contraíram
doenças causadas pelo amianto. O texto também "repudia"
a expressão "lista suja" usada por Minc e lamenta não
ter sido procurada pelo deputado para debater o tema. A Eternit é
e controladora da S. A. Minerações Associadas (Sama),
dona da mina de amianto de Cana Brava, em Goiás.
O presidente da Associação
Brasileira das Indústrias e Distribuidores de Produtos de Fibrocimento
(Abifibro), João Carlos Duarte Paes, disse que o banimento total
do amianto no país, substituído por fibras alternativas
- basicamente o polipropileno (PP) e o poliálcool vinílico
(PVA), este, importado -, aumentaria em média os preços
dos produtos de fibrocimento feitos hoje com amianto crisotila em 4%
a 5% na média, e no máximo em 10%.
Paes sustenta que os preços
cairão quando houver a substituição e aumentar
a escala de fabricação de produtos com fibras alternativas.
"A diferença (de preço) máxima de 10% não
compensa a eliminação do risco à saúde?",
pergunta o executivo.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/06/2010
Oitava Turma considera legítima ação
do MPT exigindo recolhimento de FGTS pelo emrpegador
Considerando legítima
o ajuizamento de Ação Civil Pública para que o
empregador efetue o pagamento do de Garantia Por Tempo de Serviço
(FGTS), a Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho acolheu recurso
do Ministério Público do Trabalho, que buscava a condenação
da Sociedade Agro Industrial do Nordeste LTDA a fazer o depósito
desse direito social aos seus empregados.
O MPT da 7ª Região
(CE) ingressou com Ação Civil Pública para que
a Sociedade Agro Industrial do Nordeste realizasse o recolhimento do
FGTS de seus funcionários, referente ao período de janeiro
de 2001 a julho de 2003, o que foi aceito pelo juiz de primeiro grau
(Vara do Trabalho), com a consequente condenação da empresa.
Entretanto, a sentença foi reformada pelo Tribunal Regional da
7ª Região (CE), que, ao analisar recurso do empregador,
extinguiu o processo sem resolução de mérito, por
considerar a impossibilidade jurídica do pedido. Para o TRT,
a Lei n° 7.347/85, no artigo 1°, excetua a ação
civil pública de veicular pedidos referentes a tributos, contribuições
previdenciárias ou fundos de natureza institucional, cujos beneficiários
possam ser individualmente determinados.
Diante da decisão do
TRT, o MPT interpôs recurso de revista ao TST, pedindo a reforma
do acórdão regional, para que fosse reconhecida a possibilidade
jurídica de se pleitear depósitos do FGTS em ação
civil pública. A relatora do processo na Oitava Turma, ministra
Dora Maria da Costa, destacou que, embora a Lei n° 7.347/85 tenha
vedado o ajuizamento da ação civil pública envolvendo
FGTS, não se pode esquecer a natureza dúplice do FGTS
– também uma espécie de salário diferenciado,
uma vez que representa a única proteção conferida
ao trabalhador diante da dispensa arbitrária ou sem justo motivo,
podendo, assim, levantar os depósitos desse direito, acrescidos
de uma indenização de 40%, conforme os artigos 7°,
I da Constituição Federal e 10, I do ADCT e a Lei n°
8.036/90. Neste sentido, observou a ministra, o Ministério Público
do Trabalho está defendendo interesse coletivo relacionado a
toda categoria profissional envolvida, cujos membros buscam o direito
indisponível, social e constitucional de serem remunerados pelos
serviços prestados, ainda que de maneira diferenciada. Dora Maria
da Costa ressaltou ainda que a SDI-I, no julgamento do E-RR-748290/1998.8,
conferiu interpretação conforme a constituição
ao parágrafo único do artigo 1° da Lei n° 7.347/85,
reconhecendo a legitimidade do MPT para ajuizar ação civil
pública obrigando a empresa fazer o recolhimento do FGTS.
Assim, por maioria de votos,
a Oitava Turma reformou o acórdão do TRT, afastando a
extinção do processo por impossibilidade jurídica
do pedido e restabeleceu a sentença que condenou a empresa ao
recolhimento do FGTS ao período de janeiro de 2001 a julho de
2003. Ficou vencida a ministra Maria Cristina Peduzzi. (RR-77600.06.2003.5.07.2004)
(Alexandre Caxito)
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22/06/2010
Gerente de banco que teve família
sequestrada é indenizado em R$ 78 mil
A Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, reformando sentença do Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas-SP), condenou o Banco ABN Amro Real
S/A, ao determinar o pagamento de indenização por dano
moral no valor de R$ 78 mil a um ex-gerente com 25 anos de serviço,
que teve sua família sequestrada e mantida em cárcere
privado.
No caso analisado, o então
gerente, enquanto trabalhava no banco, à noite, teve seus familiares
– a mulher e duas filhas – sequestradas e mantidas em cárcere
privado. Os sequestradores exigiram que ele fosse, na manhã seguinte,
à agência bancária em que trabalhava e levantasse
a importância de R$ 150 mil, como pagamento do resgate de seus
familiares. O gerente conseguiu R$ 50 mil e entregou o valor aos sequestradores,
que libertaram a família. Entretanto, alguns dias depois, a empresa
o demitiu sem justa causa.
Alegando que sua demissão
teria sido decorrente do episódio do qual foi vítima e
que, além disso, sofreu humilhação em função
do desfecho do caso, ele ajuizou ação trabalhista visando
obter indenização por dano moral. Após ter reconhecido,
em sentença de primeiro grau (Vara do Trabalho), o dano moral
foi excluído da condenação pelo TRT, ao analisar
recurso em que o empregador argumentou que simplesmente utilizou seu
poder diretivo para demitir o empregado, com o pagamento das verbas
previstas na legislação. Quanto à humilhação
que teria sido vítima, o TRT avaliou que o fato de o trabalhador,
na ocasião em que pediu dinheiro para pagar o resgate, ter se
ajoelhado e chorado, é atitude previsível de quem está
sob forte emoção motivada pelo sequestro de sua família.
Diante desse posicionamento
do Tribunal Regional, o ex-gerente recorreu ao TST, em recurso de revista.
Defendeu a reforma da decisão, sob o argumento de que o sequestro
era direcionado ao banco, fonte de dinheiro, e a ele, mero empregado.
Insistiu na tese de que foi demitido em função do incidente,
numa atitude desonrosa e desumana.
Ao analisar o recurso na Quinta
Turma, a relatora, ministra Kátia Magalhães Arruda, considerou
que o sequestro sofrido pelo gerente e familiares decorreu do vínculo
de emprego com o banco. Acrescentou que a atividade desenvolvida pelo
gerente põe em risco não apenas a vida e integridade física
dos clientes do banco, mas também a de seus empregados. Constatou,
ainda, que o banco agiu com abuso de direito, ao dispensar o gerente
após o trauma vivido e que, numa situação dessas,
“caberia ao empregador oferecer o suporte necessário à
recuperação de seu empregado para o seu pleno restabelecimento
psicológico, o que não ocorreu”.
Para a ministra ao definir
o valor da indenização, há necessidade de se averiguar
a repercussão da ofensa na vida do empregado, bem como a sua
posição social, profissional e familiar, a intensidade
do seu sofrimento, o dolo do ofensor e a situação econômica
deste. Salienta ainda que se deve ter em vista que “a indenização
por dano moral tem como finalidade compensar o empregado pela violação
do seu patrimônio moral e desestimular o empregador da prática
reputada abusiva”. Diante disso fixou em 25 vezes a remuneração
do gerente à época (pouco mais de três mil reais).
(RR-197000-80.2002.5.15.0006 C/J AIRR-197040-62.2002.5.15.0006)
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22/06/2010
Excesso de calor dá adicional
de insalubridade a cozinheiro
Comprovado que o cozinheiro
de uma empresa de alimentação de São Paulo desenvolvia
suas atividades em ambiente com temperatura excessiva para os padrões
legais, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso
do empregador e, com isso, manteve decisão regional que concedeu
adicional de insalubridade em grau médio ao empregado.
A temperatura do ambiente em
que o cozinheiro trabalhava variava de 29,6 a 29,3º C, e a portaria
NR-15, Anexo 03, do Ministério do Trabalho e Emprego estabelece
que níveis de temperatura acima de 26,7º IBUTG (índice
usado para avaliação da exposição ao calor)
são considerados insalubres. Com base nesses elementos, o Tribunal
Regional da 2ª Região havia julgado que, diferentemente
da alegação da empresa de que o empregado ficava exposto
àquelas condições somente em situações
eventuais, diligência pericial atestou que a atividade era desenvolvida
de forma contínua, sendo o excesso de calor constatado tanto
na bancada como junto ao fogão. De acordo com o perito, em laudo
que fundamentou a decisão nos autos, não há equipamento
de proteção individual capaz de eliminar aquele agente
insalubre.
Inconformada com a decisão
do TRT, a empresa recorreu ao TST, mediante recurso de revista. O relator
da matéria na Sexta Turma, ministro Aloysio Corrêa da Veiga,
considerou correta a decisão regional. Ao manifestar-se pela
rejeição (não conhecimento) do recurso de revista,
ele esclareceu que não se trata de discussão de tese jurídica,
mas de fato controvertido, o que exigiria novo exame dos fatos e provas
constantes dos autos, não permitido nessa instância recursal,
como dispõe a Súmula 126 do TST. (RR-47800-15.2007.5.02.0255)
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22/06/2010
Terceirização ilícita
por meio de cooperativa leva a vínculo de emprego
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou recurso da Pepsico do Brasil Ltda., que
visava reformar sentença que reconheceu o vínculo empregatício
entre a empresa e um pretenso associado da Cooperativa de Trabalho dos
Profissionais da Área de Logística (Cooperben), contratada
pela empresa para prestar serviços de carregamento e descarregamento
de produtos. No entanto, desde a primeira instância ficou configurada
a fraude na contratação.
Segundo o Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP), trata-se de uma
típica terceirização ilícita, em que a real
empregadora, a Pepsico, por intermédio de cooperativa fraudulenta,
contratou trabalhadores para executarem parte de suas atividades essenciais,
na evidente tentativa de burlar a legislação trabalhista.
Além de depoimentos de testemunhas, a sentença foi baseada
em procedimento investigatório do Ministério Público
do Trabalho/Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região,
que reconheceu a ilicitude da intermediação de mão
de obra, promovida pela então Cooperativa de Trabalhos Múltiplos
(Cooperben), em favor da Pepsico, no Município de Itu.
As provas demonstraram, segundo
o TRT/SP, a existência de uma cooperativa fraudulenta, em que
os elementos caracterizadores de uma cooperativa estavam ausentes, como
independência, autonomia, autogestão e finalidade comum
entre os cooperados. Na verdadeira cooperativa, ressalta o Tribunal
Regional, o sócio cooperado apresenta uma dupla condição:
“além de prestar serviços é beneficiário
direto dos serviços realizados pela entidade”. No entanto,
o que foi verificado é que todos os cooperados trabalhavam na
Pepsico e que os representantes da cooperativa já haviam sido
empregados da companhia.
Uma das testemunhas procurou
emprego na Pepsico e foi informada que a cooperativa iria contratar
trabalhadores para trabalhar na empresa. Pelos depoimentos, o Regional
pôde constatar que as metas de produção eram estabelecidas
pela Pepsico, que as repassava para os representantes da cooperativa.
O horário de trabalho, determinado no momento da contratação,
deveria ser cumprido pelos cooperados e, caso não o fosse, o
associado era dispensado. Além disso, foi informado em juízo
que quem dava ordens para os cooperados era um preposto da Pepsico,
algumas vezes por intermédio do gestor da cooperativa, outras
diretamente.
A Pepsico sustenta que não
foram preenchidos os requisitos estabelecidos no artigo 3º da CLT,
necessários para a configuração do vínculo
empregatício entre as partes, mas o relator do recurso de revista
na Terceira Turma, ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira,
considerou que não foram violados os dispositivos legais apontados.
Além disso, diz o relator, “a verificação
dos argumentos da empresa, no que concerne à intermediação
de mão de obra, demandaria o reexame do conjunto fático-probatório
dos autos, procedimento não permitido nesta esfera extraordinária”.
E conclui: “O recurso de revista se concentra na avaliação
do direito posto em discussão. Assim, em tal via, já não
são revolvidos fatos e provas, campo em que remanesce soberana
a instância regional, a teor da Súmula 126 do Tribunal
Superior do Trabalho”. (RR - 47100-11.2007.5.15.0018)
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22/06/2010
SDI-1 discute prescrição
de direitos de empregado rural
Em julgamento recente, a Seção
I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho analisou caso envolvendo prescrição de direitos
de empregado rural. A SDI-1 reafirmou entendimento de que a regra da
prescrição quinquenal para pretensões de rurícolas,
prevista na Emenda Constitucional nº 28 de 2000, não pode
retroagir para prejudicar os trabalhadores.
Por unanimidade, o colegiado
acompanhou voto da relatoria do ministro Horácio Senna Pires,
no sentido de que a nova regra, por estabelecer prazo prescricional
mais restritivo que a norma anterior, só pode ser aplicada aos
pedidos formulados em ações propostas cinco anos após
a entrada em vigor da emenda, ou seja, depois de 29/05/2005.
Na hipótese em discussão,
a rescisão contratual do empregado ocorreu em 24/11/2000, e a
reclamação trabalhista foi apresentada em 22/06/2001 –
portanto, quando já vigente a alteração constitucional.
Por essa razão, a Bonfim Nova Tamoio BNT Agrícola Ltda.
defendeu a aplicação da prescrição quinquenal
aos pedidos feitos por ex-empregado da empresa na Justiça do
Trabalho.
O Tribunal do Trabalho de Campinas
(15ª Região) rejeitou a incidência da prescrição
quinquenal com o argumento de que o trabalhador tinha prestado serviços
em período anterior à vigência da emenda constitucional,
logo a regra não poderia retroagir no tempo para prejudicar direito
adquirido (garantido pela Constituição, no artigo 5º,
XXXVI).
O recurso de revista da empresa
na Quinta Turma do TST nem chegou a ter o mérito apreciado (não
foi conhecido), pois os ministros concluíram que a decisão
regional estava de acordo com a jurisprudência do Tribunal. No
mais, a Turma destacou a inaplicabilidade da prescrição
quinquenal à hipótese dos autos, porque o novo prazo criado
pela norma não pode alcançar direitos nascidos antes de
sua vigência.
Na SDI-1, a empresa sustentou
que a Quinta Turma negou vigência ao artigo 7º, XXIX, da
Constituição, ao deixar de aplicar a prescrição
quinquenal ao contrato de trabalho extinto após a promulgação
da EC nº 28/2000. E como havia acórdão da Sétima
Turma admitindo a incidência da prescrição para
caracterizar divergência jurisprudencial, a matéria foi
examinada pelo relator, ministro Horácio Pires. No entanto, o
ministro negou provimento aos embargos da empresa, por concluir que,
de fato, a aplicação retroativa da emenda desrespeita
a garantia constitucional do direito adquirido.
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FETRACONSPAR, 22 de junho de 2010 | Eventos
Campanha Salarial/ Instalações
Elétricas
Fetraconspar e Sindicatos realizam 3ª
rodada de negociação com o SINELTEPAR
A FETRACONSPAR e
os Sindicatos de Trabalhadores, juntamente com o Sindicato
Patronal , realizaram nesta terça-feira (22), às 09h00,
na sede do Sindicato das Empresas de Eletricidade, Gás, Água,
Obras e Serviços do Estado do Paraná – SINELTEPAR,
sito à Rua Piauí, 1761 - Vila Guaira, Curitiba/PR, 3ª
reunião para discutir a Pauta de Reivindicações
dos trabalhadores da categoria visando a Convenção Coletiva
de Trabalho (CCT) 2010/2011. A data base da categoria é no mês
de junho.
A reunião foi entre a Comissão de Negociação
formada por diretores da Federação e dos Sindicatos de
Trabalhadores com os representantes do SINELTEPAR.
Participaram os companheiros: JOSÉ CAETANO FERREIRA
(SOE Curitiba), ALMIR DO ROSÁRIO ANDRADE PRADO
(STICC Ponta Grossa) e JOSÉ ÁVIDO PACHECO
(STICM Paranaguá).
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FETRACONSPAR, 22 de junho
de 2010 | Eventos
Campanha Salarial/ Mármores e Granitos
Fetraconspar e SINDIMÁMORE
realizam 2ª rodada de negociações com o SIMAGRAN
Foi realizado nesta manhã,
na sede da Federação das Indústrias do Estado do
Paraná - FIEP, sito à Av. Candido de Abreu, 200 - Centro
Cívico, Curitiba/PR, 2ª reunião para
discutir a Pauta de Reivindicações dos trabalhadores da
categoria visando a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)
2010/2011. A data base da categoria é no mês de junho.
A reunião foi entre os diretores da FETRACONSPAR,
SINDIMÁRMORE e dos Sindicatos de Trabalhadores
com os representantes do Sindicato da Indústria de Mármores
e Granitos do Estado do Paraná – SIMAGRAN.
Estiveram presentes os companheiros
REINALDIM BARBOZA PEREIRA (FETRACONSPAR),ILSON
KONDRATOSKI (SINDIMÁRMORE) e ELÓI MARTIM
KELM (STICM GUARAPUAVA).
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