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Conexão Digital, 24
de junho de 2010
PE: redução de jornada
de trabalho na Basf [Suvinil], de 44 horas para 38h28
Começa a vigorar, a partir de agosto de 2010, o acordo de jornada
de trabalho firmado entre o Sindiquímica-PE, Comissão
de fabrica, e a Basf de Jaboatão, cuja jornada de trabalho, que
antes era de 44h semanais, vai passar agora a ser de 38h28 por semana,
sem redução de salário, pelo sistema de 6x3.
O acordo foi aprovado em assembléia
realizada no dia 17 de junho com os trabalhadores dos três turnos
da localidade.
"Com este novo modelo,
os setores que foram contemplados como a produção de tintas,
laboratório de controle de qualidade e almoxarifado irão
passar por uma reformulação e conseqüentemente terão
que admitir e promover algumas pessoas, pois mexe com toda estrutura
hoje existente", diz Vandré Silva dirigente do sindicato
dos químicos de PE e trabalhador da Basf.
E acrescenta: "E também
melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, pois antes eles tinham
54 dias de folgas por ano e neste novo modelo passarão a ter
no mínimo 116 e no máximo 126 dias, sendo assim o trabalhador
poderá fazer toda uma programação e voltar a ter
a sua vida social ativa", complementa Ramiro Canuto membro da comissão
de fabrica da Basf Jaboatão.
Os setores de logística
externa [expedição] e resinas, também tiveram seus
horários modificados e reduzidos, a carga horária semanal
que antes era de 44h passara a ser de 42h.
Na avaliação feita
pelo sindicato e comissão de fabrica este acordo vai trazer muitos
benefícios para os trabalhadores da unidade de Jaboatão,
e foi uma grande vitoria para toda a categoria química.
"Foi um acordo onde saíram
ganhando ambas as partes, a Basf ganha com o aumento da produtividade
e os trabalhadores ganham em qualidade de vida e novos postos de trabalho",
finaliza Vandré Silva.
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de junho de 2010 | Economia
Paranaenses extrapolam orçamento
familiar
Helio Miguel, com agências
Só os paranaenses mais ricos conseguem equalizar as receitas
e as despesas mensais. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre as famílias
do Estado que ganham até R$ 4.150, a média dos rendimentos
é sempre menor que a média dos gastos.
A informação faz
parte da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2008 e 2009, que
detectou, também, que em média, as mais de 3,3 milhões
de famílias paranaenses mais ganham (R$ 2.901,27) do que gastam
(R$ 2.818,42).
A pesquisa do IBGE apontou que,
na faixa mais baixa de renda, a diferença entre as despesas e
os rendimentos é maior. Entre as famílias que recebem
até R$ 830 por mês, a média de ganhos é de
R$ 570,36, enquanto os gastos chegam a R$ 927,42. O déficit mensal
para essas famílias chega, portanto, a R$ 357,06.
Os gastos também superam
os ganhos na faixa de renda em que há mais famílias, no
Paraná. Entre as mais de 1,1 milhão de famílias
cujo rendimento está entre R$ 1.245 e R$ 2.490, os rendimentos
médios são de R$ 1.808,37, enquanto as despesas atingem
R$ 1.887,20. O analista do IBGE, Luís Alceu Paganotto, afirma
que o fenômeno ajuda a aumentar o endividamento da maioria das
famílias paranaenses.
Ainda assim, a pesquisa traz
dados positivos, como um aumento real no rendimento médio das
famílias do Estado. Em 2002 e 2003, quando a pesquisa foi realizada
pela penúltima vez, as famílias recebiam R$ 1.858 mensais.
Já em 2008 e 2009, o valor passou para R$ 2.818.
Descontada a variação
da inflação no período, a evolução
ainda fica em 9,9%. No entanto, a renda, no Paraná, é
inferior à encontrada nos outros estados da Região Sul:
em Santa Catarina, o rendimento médio é de R$ 3.509 e
no Rio Grande do Sul, de R$ 2.962. A média nacional é
de R$ 2.626.
Distribuição
Paganotto destaca que, com o
aumento no rendimento, as famílias puderam distribuir melhor
os seus gastos. Se, há seis anos, os paranaenses gastavam 35,4%
do que recebiam com habitação, no ano passado a proporção
caiu para 34,8%.
A alimentação
também passou a representar uma parcela menor dos gastos, caindo
de 19% para 18,2%. Por outro lado, as despesas com transporte aumentaram
de 21,6% para 23,1%, bem como as com assistência à saúde
(6,1% para 7,5%).
Outra mudança que o analista
do IBGE considera importante foi na fonte dos rendimentos das famílias
do Estado. Na pesquisa anterior, 65,3% da renda vinha do trabalho. Agora,
a taxa caiu para 63,8%.
Em contrapartida, a proporção
de rendimentos obtidos através de transferências - como
aposentadorias e programas como bolsa-família, por exemplo -
aumentou significativamente, de 11% para 18%.
Nacional
Assim como no Paraná,
a maior parte das famílias brasileiras também gasta mais
do que ganha. Nada menos que 68,4% das famílias do País
têm, em média, uma despesa mensal superior ao rendimento,
segundo a última POF.
Na camada mais baixa de renda
da pesquisa, para rendimentos mensais de até R$ 830, as despesas
médias mensais, no ano passado, totalizavam R$ 744,98, enquanto
o rendimento médio era de R$ 544,21.
Como resultado desse aperto
nas contas familiares, 75,2% das famílias entrevistadas revelaram
que têm dificuldade para esticar a renda até o fim do mês.
O resultado também é inferior à POF anterior (85,5%).
Por outro lado, as famílias com “muita facilidade”
para fechar o mês não ultrapassam 1% do total.

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Gazeta do Povo, 24 de junho
de 2010
Consumo
68% das famílias brasileiras gastam
mais do que ganham
Há sete anos o índice era ainda
maior: 85% da população fechava o mês no vermelho.
Pesquisa do IBGE também revela que gasto com transporte já
é igual a despesas com alimentação
Quase 40 milhões de famílias
brasileiras – 68,4% do total – chegam ao fim do mês
sem fechar suas contas. Suas despesas mensais superam seus rendimentos,
segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009.
Mas tal realidade estava presente em um universo ainda maior de famílias
em 2002-2003: 85,3% do total.
Quando perguntadas sobre sua
percepção com relação ao orçamento
familiar, 75,2% das pessoas relatam ter dificuldade para chegar ao fim
do mês com o seu orçamento. O déficit na conta bancária,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
ocorre nas famílias com rendimento de até R$ 2.490. “Essas
pessoas certamente têm de recorrer ao endividamento para consumir
e fazer frente a outras despesas”, diz Sônia Rocha, economista
do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets).
Ainda assim, a maior parte dos
dados revelados ontem pelo IBGE mostra uma melhora no perfil das despesas
do brasileiro. Os alimentos, por exemplo, passaram a pesar menos no
orçamento das famílias. Eles representavam 20,8% das despesas
de consumo de um lar em 2002 e 2003, e atualmente correspondem a 19,8%.
Já os gastos com transporte cresceram no mesmo período
e correspondem a 19,6% das despesas mensais. Boa parte desse incremento
pode estar associada ao aumento do crédito para a compra de automóveis.
Segundo o presidente do IBGE,
Eduardo Nunes, esse movimento representa uma mudança de padrão
do consumo das famílias brasileiras, rumo a um patamar mais próximo
de países desenvolvidos. “Além de observar essa
mudança de peso de gastos com alimentação e transporte,
outros componentes ganham lugar, como despesas de habitação
e os bens de consumo adquiridos”, afirmou.
Para Marcia Quintslr, coordenadora
do IBGE, os dados da pesquisa mostram que “mais famílias
estavam numa situação de equilíbrio orçamentário”
em 2009 do que na pesquisa anterior, encerrada em 2003. É que
nesse intervalo, diz, cresceu o emprego e o rendimento, o que permitiu
a um número maior de famílias equilibrar as suas contas.
Os dados da POF mostram que
as despesas totais das famílias (com consumo, impostos, encargos
e outras) cresceram menos no intervalo entre 2002-2003 e 2008-2009 (5,98%)
do que o rendimento (11%) total oriundo do trabalho, de aposentadorias
e outras fontes. Isso possibilitou folga de caixa para mais famílias.
Segundo o economista Marcelo
Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o rendimento total
cresceu mais ainda se for levado em conta que o tamanho médio
das famílias brasileiras caiu nesse intervalo de tempo: de 3,6
para 3,3 pessoas.
Desse modo, a renda familiar
per capita, calcula, subiu 22% em termos reais e possibilitou a melhora
na situação financeira de alguns domicílios.
Insuficiente
Ao responder sobre sua percepção
da quantidade de alimentos consumida, 35,5% das famílias avaliam
que ela é, em algum nível, insuficiente. Esse porcentual,
no entanto, também era mais alto na pesquisa anterior: 47%. A
restrição no acesso a alimentos é mais grave nas
áreas rurais, onde 45,6% fizeram referência à falta,
em algum grau, de gêneros alimentícios à mesa.
População come cada
vez mais fora de casa
As famílias brasileiras
destinaram uma fatia menor do seu orçamento para a alimentação
nos últimos anos. Ao mesmo tempo, passaram a comer mais fora
de casa. As duas tendências indicam expansão da renda e
maior inserção no mercado de trabalho, apontam os dados
da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).
As despesas com alimentação
cederam espaço para gastos em transporte (que incluem a compra
de veículos), saúde e lazer, entre outros.
“Aumentou a oferta de
produtos e serviços, e o consumo ficou mais diversificado”,
diz Marcia Quintslr, coordenadora do IBGE. Nos anos 70, a alimentação
representava mais de um terço do orçamento familiar, e
o transporte, pouco mais de 10%. Em 2008-2009, ambos praticamente se
igualaram em pouco mais de 19%. O maior gasto é com habitação:
35,9%. Em 1974-1975, era de apenas 30,4%. A alimentação
fora de casa corresponde a 31,1% do total de gastos com a compra de
comida – era de 24,1% em 2002-2003. Entre os mais ricos, quase
metade do gasto com comida ocorre fora do domicílio. “Esse
tipo de despesa embute um pouco de lazer, de vida social, como sair
para jantar. Mas reflete também o maior poder de compra”,
diz Sônia Rocha, economista do Instituto de Estudos do Trabalho
e Sociedade (Iets).
Educação
Os gastos com educação
caíram de 4,1% do orçamento em 2003 para 3% em 2009. O
ensino, por sinal, é determinante no padrão de consumo
das famílias: naquelas cujo chefe tem mais de 11 anos de estudo,
as despesas superam em 207% as lideradas por chefes com escolaridade
inferior a um ano – essa diferença era, porém, de
400% em 2003.
Saúde
As famílias brasileiras
estão gastando bem mais com plano de saúde. De acordo
com a pesquisa, o gasto com assistência médica ganhou peso
em relação ao último levantamento realizado seis
anos atrás, passando de 6,5% para 7,2%. A especialista em saúde
pública Lígia Bahia, professora da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que o reajuste dos planos de saúde
e dos preços dos medicamentos acima da inflação
pode explicar o gasto maior das famílias com assistência
médica. “O efeito disso no orçamento familiar é
grande e preocupa muito. As pessoas são obrigadas a desviar recursos
destinados à cultura e lazer para a saúde”, disse
Lígia.
Para a professora da UFRJ, o
ideal seria que as agências reguladoras inibissem os reajustes
considerados exagerados. O peso dessa classe de despesas é o
mesmo para ricos e pobres. A diferença fica no destino dos gastos.
Entre os mais ricos a despesa é maior com plano de saúde
e entre os mais pobres, com remédios.


Mudança
Alimento pesa menos, mas carro pressiona
as contas do mês
Da Redação
A família da empregada
doméstica Orandina Prado Silveira Silva, de 46 anos, é
um exemplo da mudança dos gastos das famílias nos últimos
anos. De acordo com ela, o peso das despesas com alimentação
em casa diminuiu, em parte porque dois dos quatro filhos que moram com
ela – Alessandro e Saila – passaram a almoçar nas
empresas onde trabalham. Orandina consegue uma renda de R$ 350 e o marido,
que trabalha na construção de viadutos, recebe mais R$
1 mil. Mas, se por um lado o custo com alimentação caiu,
subiram os gastos com transporte. Orandina vai trabalhar de ônibus
e gasta em média R$ 35 por mês. As filhas, Camila e Débora,
estudam em colégio público e gastam com transporte em
média outros R$ 90. “As meninas gostam de estudar nesse
colégio, então é preciso dar um jeito para pagar
o ônibus”, revela Orandina. Atualmente, a ajuda para pagar
o transporte de uma das filhas vem da renda do filho Alessandro, que
ganha cerca de R$ 950 e que adquiriu um carro recentemente – o
que lhe custa, além das despesas com combustível, parcelas
mensais de R$ 500 para quitar o financiamento.
Plano de saúde
A família tem planos
de saúde, pago com mensalidade de R$ 65 através da empresa
em que o marido trabalha. “Antes era preciso utilizar os serviços
do Sistema Único de Saúde (SUS). De uns quatro anos pra
cá é que temos plano de saúde, e é muito
bom”, conta.
Colaborou Taysa Giniescki Dias.
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Gazeta do Povo, 24 de junho
de 2010
Regiões
Despesa no Sul é 78% maior que
no Nordeste
Habitação, alimentação
e transporte consomem cerca de 75% da renda das famílias paranaenses,
gaúchas e catarinenses
A pesquisa do IBGE mostra diferenças
significativas entre as regiões quando o assunto é despesa
familiar. As famílias do Sul gastam em média 78% mais
do que as do Nordeste. Os gastos mensais dos sulistas somam de R$ 3.030,44,
contra 1.700,26 dos nordestinos. O Sul gasta em média 15% a mais
do que a média brasileira – de R$ 2.626,31 – e fica
atrás apenas do Sudeste (R$ 3.135,80).
A diferença é
fruto também da desigualdade de renda entre as regiões,
lembra o analista do IBGE José Mauro de Freitas. “Mesmo
com os avanços nos últimos anos ainda há uma enorme
distância entre o Sul e o Nordeste em termos de receita das famílias.
O Sul gasta mais porque também ganha mais”, diz. Enquanto
no Sul o rendimento médio é de R$ 3.050,82, no Nordeste
esse montante é de R$ 1.764,62.
De acordo com o levantamento,
o gasto médio das famílias no Paraná é de
R$ 2.818,42, bem abaixo das que moram no Distrito Federal, que lidera
o ranking, com R$ 3.963,99 por mês – 50,9% superior à
média nacional. Em seguida, estão Santa Catarina (R$ 3.509,58)
e Rio de Janeiro (R$ 3.386,78). Por sua vez, Alagoas (R$ 1.223,94),
Ceará (R$ 1.431,96) e Maranhão (R$ 1.466,96) têm
as menores despesas mensais.
Divisão
Os gastos com habitação,
alimentação e transporte são os mais pesados no
orçamento das famílias da Região Sul, absorvendo
75% da renda. Na comparação com a média brasileira,
a população da região gasta mais (21,9%) com transporte
do que o restante do país (19,6%). Segundo o IBGE, esses gastos
englobam desde as despesas com transporte urbano e gasolina até
as prestações relativas à compra de um automóvel.
“O que vimos nos últimos anos foi um aumento dos gastos
com transporte provocado também pelo crescimento da frota de
veículos”, afirma Ferreira. Em compensação,
o comprometimento do orçamento com educação, saúde
e alimentos é ligeiramente menor no Sul do que a média
nacional.
Nos últimos anos as famílias
do Sul foram as que tiveram maior ampliação de ativos
– compra de imóveis, construção e melhoramento
de imóveis próprios e outros investimentos como títulos
de capitalização, títulos de clube, dentre outros.
O chamado aumento de patrimônio familiar absorveu 8,3% da renda
dos sulistas, contra a média de 5,8% da renda nacional.
Menos desigual
O Sul também é
a região com a maior despesa média familiar per capita,
tanto entre os mais pobres quanto os mais ricos (R$ 406 e R$ 2.799,
respectivamente). É também onde a diferença entre
as duas classes de rendimento é menor, com uma relação
de 6,9 vezes. O Nordeste é a mais desigual – distância
de 11,3 vezes entre despesas médias per capita entre ricos e
pobres.
Ativos
Investimento em imóvel tem mais
relevância
O avanço do crédito
imobiliário e da renda fez crescer, nos últimos anos,
o investimento das famílias em aquisição e reforma
de imóveis, revela a Pesquisa de Orçamentos Familiares
do IBGE. A fatia do orçamento destinada ao item chamado de “aumento
do ativo”, no qual estão inseridos os gastos com a casa
própria, subiu de 4,8% para 5,8%, desde 2002-2003. Para Sônia
Rocha, economista do Iets, as mudanças nas regras do setor –
como a que permite retomar imóvel em caso de inadimplência
– e a estabilidade da economia permitiram o crescimento do crédito
à habitação. Marcia Quintslr, coordenadora do IBGE,
afirma que taxas de juros menores e ganho real da renda ajudaram. Apesar
da expansão, o investimento em imóveis está ainda
muito distante dos níveis registrados nos anos 70, quando as
taxas de poupança do país eram maiores.
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de junho de 2010 | Economia
Um terço da população
brasileira ainda tem fome
Newton Almeida
Mesmo com a distribuição de mais de R$ 1,2 bilhão
para 12,6 milhões de famílias no País, através
do programa Bolsa Família, mais de um terço da população
brasileira encontra dificuldades para colocar alimentos na mesa.
De acordo com a Pesquisa de
Orçamentos Familiares (POF) 2008/09 do IBGE, 35,5%, do total
de entrevistados declararam que falta comida no prato durante o mês.
Segundo a pesquisa, falta alimento frequentemente para 9,2% das famílias
brasileiras.
No Paraná, onde, segundo
o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em junho 480.867
famílias receberam R$ 38,9 milhões do Bolsa Família,
a realidade não é tão diferente. Segundo a pesquisa
do IBGE, 27,4% das famílias paranaenses declararam encontrar
dificuldades para comprar os alimentos.
A pesquisa revela que houve
uma melhora nos índices do Paraná, na comparação
com o último levantamento realizado entre 2002 e 2003, quando
34,43% dos entrevistados paranaenses declararam que os alimentos são
normalmente ou às vezes insuficiente. Na ocasião 8,62%
dos paranaenses entrevistados afirmaram que o alimento é normalmente
insuficiente.
Para o coordenador do curso
de economia da Universidade Positivo, Jackson Bittencourt, os números
divulgados pelo IBGE revelam um percentual aproximado da população
que se encontra em miséria absoluta. “É lamentável
que, no estado que é o principal exportador de grãos do
País há famílias passando fome”, comenta.
Uma das explicações
para o pífio avanço paranaense no combate à fome,
segundo Bittencourt, é o crescimento econômico praticamente
estático do Estado na última década.
“O Paraná manteve
a média de praticamente 6% de participação no PIB
nacional desde a implementação do Plano Real”, afirma.
Para mudar o quadro, o professor diz que é preciso aplicar uma
dinâmica de crescimento mais forte e mais significativo.
Na avaliação de
Bittencourt, faltam políticas públicas de geração
renda mínima no Paraná. “Tem que haver um aumento
no crescimento econômico, que possibilite a geração
de atividades, sejam elas formais ou não”, afirma.
Bittencourt acredita que
é fundamental focar as ações de fomento à
economia nas regiões mais pobres do Estado. Ele lembra que a
região do centro sul do Paraná e do Vale da Ribeira mantém
níveis de pobreza comparáveis com as regiões mais
necessitadas do nordeste brasileiro.
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de junho de 2010 | Economia
IBGE: em 7 anos, renda cresce quase o
dobro da despesa
O rendimento das famílias brasileiras cresceu acima dos gastos
desde o início do governo Lula. Segundo o IBGE, o rendimento
total médio mensal familiar chegava a R$ 2.763,47 em 2009 - de
acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) -, 10,8%
maior do que no início da atual gestão presidencial, em
2003. No mesmo período, as despesas aumentaram 5,98%.
A elevação de
renda ocorrida em sete anos ocorreu nas transferências, que incluem
os programas sociais federais, como o Bolsa Família, mas também
aposentadorias e pensões e registraram um aumento, em valor,
de 36,5% entre 2003 e 2009. No mesmo período, o rendimento do
trabalho aumentou 9,17%.
No que diz respeito aos gastos,
o destaque no período ficou com elevação das despesas
com a compra e reforma de imóveis (ou aumento do ativo, com 29%
de alta nos gastos médios mensais) e no pagamento de dívidas,
com alta de 11% nos sete anos de intervalo entre a POF relativa a 2002/2003
e a de 2008/2009, divulgada hoje.
Entre as regiões do País,
o maior aumento de renda nos sete anos de governo foi registrado no
Norte (19%), puxado sobretudo pelas transferências (alta de 47%).
A menor variação no rendimento, abaixo da média
nacional, ficou com o Sudeste (8,97%).
O aumento da renda familiar
foi bem maior no campo do que na cidade. Enquanto na área urbana
o rendimento médio mensal familiar foi de R$ 2.999,98 em 2009,
com alta de 10,14% em relação a 2003, na área rural,
apesar de bem inferior (R$ 1.481,91), o acréscimo foi bem maior
no período, de 21,7%. Enquanto a renda com transferências
nas cidades aumentou 35,2% em sete anos, no campo houve alta de 53%.
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Gazeta do Povo, 24 de junho de 2010
Habitação
PAC ganhará mais subsídio
para moradia
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o investimento
do governo federal no Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) e no programa Minha Casa, Minha Vida vai aumentar de R$ 25 bilhões
neste ano para, pelo menos, R$ 44 bilhões em 2011. “Essa
é a parte que o governo federal tem que pagar de subsidio dos
financiamentos [das obras executadas dentro dos dois programas]”,
disse o ministro, após reunião da Junta Orçamentária
com o presidente Lula, em Brasília. Bernardo confirmou ao presidente
na reunião a perspectiva de que a economia brasileira cresça
5,5% no ano que vem e de que a inflação fique em torno
de 4,5%. Os dados devem constar da proposta de orçamento para
2011 que vai ser enviada ao Congresso em agosto. Lula também
recebeu números da receita e previsão de despesas.
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Folha
de S.Paulo, 24 de junho de 2010
Financiamento habitacional deve ganhar
espaço no crédito
PAULO MIGUEL
ESPECIAL PARA A FOLHA
As últimas informações
sobre crédito no Brasil confirmam o bom momento da atividade
econômica. A concessão de crédito destinada a pessoas
físicas (descontado o crédito rotativo) manteve ritmo
de crescimento próximo a 20% ao ano em maio, impulsionado principalmente
pelo crescimento de 78% no financiamento de veículos.
Tal crescimento deve ter alguma acomodação nos próximos
meses, em razão da esperada perda de fôlego nas vendas
de automóveis com o fim dos incentivos tributários e da
expectativa de que o aperto monetário comece a ter algum efeito.
Do lado das empresas, os resultados recentes também são
bastante favoráveis. Após um período de estagnação
até o final de 2009, a concessão de crédito tem
acelerado rapidamente nesse setor. As concessões de financiamento
de médio e longo prazo para empresas cresceram 41% em maio ante
o mesmo período de 2009. Tal comportamento é uma confirmação
da alta disposição para investimento.
O avanço do crédito foi notável nos últimos
anos: em 2004 o estoque de crédito da economia mal alcançava
25% do PIB, relação que atingiu 46% em maio deste ano,
impulsionada especialmente pelo crédito pessoal. Parte importante
do dinamismo da economia brasileira no período decorre desta
transformação.
HABITAÇÃO
EM ALTA
O que esperar para o futuro? Estudo recente publicado pelo BNDES sugere
que em 2014 a relação crédito/PIB ultrapassará
os 70%. Fica claro que o crescimento dependerá de outras modalidades,
pois o crédito pessoal já atingiu nível próximo
ao padrão internacional. O grande vetor de dinamismo deverá
ser o segmento habitacional, no qual o Brasil ainda se situa muito abaixo
da média, mesmo em relação a outros países
em desenvolvimento.
Para que essas projeções se confirmem, será necessário
que o país continue convergir para uma taxa de juros real mais
baixa e mantenha a estabilidade econômica. O crédito imobiliário
será um grande instrumento para acelerar o crescimento econômico,
mas deve ser bem regulado para evitar os erros e excessos dos muitos
países que hoje se veem em dificuldades.
PAULO MIGUEL é sócio-diretor da Quest
Investimentos
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BEM PARANÁ, 24 de
junho de 2010 | Economia
PIB de Curitiba
Copa de 2014 terá impacto de R$
343,2 milhões
Número é de estudo da FGV e representa
aumento de 0,7% na geração de riquezas municipal
Da Redação
Os investimentos para a Copa do Mundo de 2014 devem trazer um impacto
direto sobre o PIB de Curitiba de R$ 343,2 milhões — um
aumento de 0,7%, considerando-se a geração municipal de
riquezas em 2010. A informação é do estudo Brasil
Sustentável — Impactos socioeconômicos da Copa do
Mundo 2014, desenvolvido pela Ernst & Young em parceria com Fundação
Getúlio Vargas (FGV), divulgado ontem sobre os impactos socioeconômicos
da realização da competição para o País.
O estudo aponta que os investimentos demandados pela cidade para solucionar
os gargalos e poder receber jogos da Copa chegam a R$ 720,2 milhões.
Nesta conta estão incluídos os gastos em estádios,
parque hoteleiro, reurbanização, segurança e aeroportos.
No total, as 12 cidades-sede receberão investimentos de infraestrutura
da ordem de R$ 14,54 bilhões, que vão muito além
da construção e/ou modernização dos estádios,
com significativo impacto sobre os PIBs municipais. Só na reurbanização
e embelezamento das cidades, os gastos estão estimados em R$
2,84 bilhões.
Há ainda investimentos
representativos na base de tecnologia de informação em
cada cidade, em mídia e publicidade, segurança pública,
na expansão e adequação de complexos hoteleiros,
soluções de mobilidade urbana e instalação
de fan parks, isto é, grande parques transformados em espaços
de lazer para quem não vai acompanhar os jogos no estádio.
Em âmbito nacional, o estudo aponta que a Copa 2014 terá
um efeito multiplicador capaz de quintuplicar os investimentos diretos
realizados no País para viabilizar o evento, injetando no total
R$ 142,39 bilhões na economia brasileira até 2014. Além
do investimento direto de R$ 22,46 bilhões para garantir infraestrutura
e organização, a realização da competição
deve acarretar em R$ 112,79 bilhões adicionais, considerando-se
os impactos provocados em inúmeros setores interligados. Serão
gerados 3,63 milhões de empregos-ano e R$ 63,48 bilhões
de renda para a população.
A arrecadação
terá um adicional de R$ 18,13 bilhões para reforçar
cofres públicos. O impacto direto sobre o PIB no período
2010-2014 é de R$ 64,5 bilhões — valor que corresponde
a 2,17% do valor estimado do PIB para 2010, de R$ 2,9 trilhões.
Os setores mais beneficiados pela Copa do Mundo no Brasil serão
os de construção civil, alimentos e bebidas, serviços
prestados às empresas, serviços de utilidade pública
(eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana) e serviços
de informação. No total, essas áreas deverão
ter incremento da produção de R$ 50,18 bilhões.
Do total de R$ 29,6 bilhões que correspondem aos gastos estimados
relacionados à Copa (incluindo despesas de visitantes), R$ 12,5
bilhões terão como origem o setor público (42%)
e R$ 17,16% bilhões serão provenientes do setor privado
(58%).
A perspectiva é
de que o número de visitantes internacionais para o Brasil pode
crescer 79% até a Copa, podendo ter impacto superior nos anos
seguintes. O estudo aponta que, no período 2010-2014, o número
de turistas internacionais deve crescer em 2,98 milhões de pessoas.
O estudo mostra também que o evento vai gerar um impulso significativo
sobre milhares de micro e pequenas empresas, assim como médias
e grandes, dos setores industrial, comercial e de serviços.
São pelo menos 11 setores listados em que há um contingente
expressivo de micro, pequenas e médias que também serão
diretamente atingidas pela Copa — um impacto total estimado em
quase R$ 3 bilhões.
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Folha de S.Paulo, 24 de
junho de 2010
ESTUDO SOBRE INDÚSTRIA
Brasil passará EUA em competitividade
Segundo estudo da Deloitte,
a competitividade da indústria brasileira passará do quinto
para o quarto lugar no mundo, ultrapassando a dos EUA. Os "amplos
recursos naturais" e a realização da Copa do Mundo
e da Olimpíada são alguns dos motivos do avanço.
A China permanecerá como líder.
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Gazeta do Povo, 24 de junho
de 2010
INSS
Déficit da Previdência tem
crescimento de 5,4% no ano
As contas da Previdência Social já acumulam déficit
de R$ 20,075 bilhões neste ano. O valor é 5,4% superior
ao registrado nos cinco primeiros meses de 2009, já descontada
a inflação. Apesar do aumento, o ministro da Previdência,
Carlos Gabas, reviu estimativas para o ano e avalia que, em vez de R$
50 bilhões, o saldo negativo de 2010 ficará entre R$ 45
bilhões e R$ 47 bilhões.
Os dados já incluem o
impacto do aumento de 7,7% aprovado para os aposentados que ganham acima
de um salário mínimo. Para o ministério, o bom
desempenho do mercado de trabalho contribuirá para elevar as
receitas previdenciárias, reduzindo o déficit projetado.
Gabas justificou o aumento real
do rombo nas contas entre janeiro e maio com o reajuste concedido ao
salário mínimo em janeiro. No mês passado, a diferença
entre arrecadação e despesas da Previdência foi
de R$ 2,589 bilhões. O número é menor que o apurado
em maio de 2009 (queda de 14,4%) e em abril deste ano (redução
de 14,4%).
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Agência Senado, 24
de junho de 2010
Copom poderá ser obrigado
a divulgar justificativa de voto de seus integrantes
A Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF) deve incluir dispositivo prevendo a divulgação dos
votos dos membros do Comitê de Política Monetária
(Copom), assim como os motivos que orientaram a decisão de cada
um sobre as correções da taxa básica de juros -
a Selic. A medida consta de substitutivo do senador Arthur Virgílio
(PSDB-AM) aprovado nesta quarta-feira (23) pela Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ).
O texto funde três projetos
que modificam em profundidade o modelo de elaboração e
a execução dos orçamentos públicos, inclusive
no que se refere à contabilidade e ao controle dos gastos. Assinam
as propostas os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), autor do PLS
229/09, Renato Casagrande (PSDB-ES, propositor do PLS
248/09, e Raimundo Colombo (DEM-SC), que elaborou o PLS
175/09. Em tramitação conjunta com os anteriores,
o PLS
450/09, de César Borges (PR-BA), foi considerado prejudicado,
por tratar de aspectos conjunturais já superados com o fim da
crise financeira que o país viveu no ano passado.
No fim do ano passado, a CCJ
já havia aprovado um primeiro substitutivo de Arthur Virgílio
modificando a legislação orçamentária e
contábil, assim como tópicos da LRF. O texto consolidava
apenas as propostas de Jereissati e Casagrande, que depois seguiram
para exame na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Com
a aprovação de requerimentos para a tramitação
conjunta de todos eles, uma nova distribuição voltou a
incluir o tema na pauta da CCJ.
Promessas de campanha
Na CCJ, a análise deveria
compreender apenas aspectos relativos à constitucionalidade e
juridicidade das matérias. No entanto, Arthur Virgílio
optou por adiantar a análise de mérito reservada à
CAE, para onde as matérias vão retornar agora para a retomada
do exame. Uma das inovações do substitutivo que passou
na CCJ é a previsão de que os programas das campanhas
dos candidatos à Presidência da República sejam
registradas no Superior Tribunal Eleitoral, já que as propostas
deverão ser incorporadas ao Plano Plurianual (PPA).
O relator definiu ainda novas
atribuições ao Conselho de Gestão Fiscal (CGF),
órgão que deve contar com representação
da área fazendária de todos os entes federativos, concebido
pela LRF (LC 101/00), mas até hoje não implantado. Ele
sugere atribuir ao conselho a verificação do cumprimento
dos limites e condições relativos à realização
de operações de créditos de estados e municípios,
tarefa hoje exercida pelo Ministério da Fazenda.
Para Arthur Virgílio,
devido a seu caráter supra-federativo, o CGF poderá examinar
com mais "imunidade" os pleitos de todos os governos, inclusive
do próprio governo federal, que passaria a ter suas operações
também sob prévio crivo desse órgão.
Legislação defasada
Os projetos em exame modernizam
legislação orçamentária e financeira que
alcança todos os níveis de governo. Muitas lacunas foram
abertas desde o início de vigência da Constituição
de 1988, texto que introduziu inovações em matéria
orçamentária e financeira até hoje nunca regulamentadas.
Sem a produção
das normas previstas no texto constitucional, continuam valendo as normas
básicas da lei geral de finanças públicas, a Lei
4.320, de 1964, aprovada pouco antes do golpe militar de março
daquele ano. Nas questões em que a legislação vigente
é omissa ou não possuem aplicação, as regras
são fixadas anualmente, no corpo da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO), texto que devido a isso acaba demasiadamente ampliado.
No debate, Arthur Virgílio
classificou de "balela" comentários de que o substitutivo
estaria "arranhando" princípios fundamentais da LRF.
Jereissati destacou que o texto aprovado contou para sua elaboração
com o apoio de autores da própria LRF e, como afirmou, deve ganhar
a mesma relevância para vida do país que aquela lei alcançou.
Segundo ele, a legislação atual será regulamentada
e modernizada, com mais transparência para que a opinião
pública e todos os interessados possam conhecer os orçamentos
públicos, suas prioridades e ainda, conhecimento sobre o que
foi ou não executado.
Gorette Brandão / Agência
Senado
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Folha
de S.Paulo, 24 de junho de 2010
Transferências são 2ª
fonte de renda
Rendimentos provenientes do Estado crescem 36%
de 2003 a 2009, ante 9% dos ganhos obtidos com o trabalho | Distância
entre os gastos dos mais ricos e dos mais pobres recua, revela POF (Pesquisa
de Orçamentos Familiares)
PEDRO SOARES
DO RIO
O Estado brasileiro ampliou, por meio do pagamento
de aposentadorias e benefícios sociais, de 15% para 18,5% seu
peso no rendimento das famílias entre os períodos de 2002-2003
e 2008-2009, revela a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares),
divulgada ontem pelo IBGE.
A mão do Estado cresceu na esteira do reajuste real do salário
mínimo (que indexa aposentadorias), de mais benefícios
pagos por causa do envelhecimento populacional e da extensão
de programas como o Bolsa Família.
As transferências são a segunda mais importante fonte de
renda familiar e avançaram sobre a parcela vinda do trabalho
-cujo peso caiu para 61,1% do rendimento total em 2009, ante 62% em
2003.
Ocupou também parte do espaço do rendimento não
monetário (trocas, produção própria e doações).
A parcela desse lado menos visível da economia alcançou
12,8% do rendimento das famílias -nas de menor renda (até
dois salários), supera um quarto do rendimento total.
Ao detalhar o consumo, a POF serve para atualizar as ponderações
de itens e grupos de produtos pesquisados pelos índices de preços
do IBGE, aproximando-os do seu real peso no orçamento.
Diferentemente da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),
a pesquisa investiga todas as fontes de despesa (mesmo as não
monetárias), e não apenas os rendimentos.
"Só a POF revela essa economia primitiva, que se desenvolve
sem troca de moeda, sem Estado e sem mercado, muito importante entre
os mais pobres e nas áreas rurais", diz Marcelo Neri, economista
da FGV.
PONTO NEGATIVO
Segundo Sônia Rocha, economista do Iets (Instituto de Estudos
do Trabalho e Sociedade), o "desejável" é sempre
o crescimento da renda pela via do trabalho.
Para Neri, o fato de a renda de transferências crescer mais que
a do trabalho (36% ante 9%, de 2003 a 2009) é o ponto negativo
da pesquisa.
O economista diz que o intervalo entre 2003 e 2009 foi marcado pela
alta da renda e do emprego formal e pela consolidação
da estabilidade dos preços, o que permitiu a redução
da desigualdade e o maior acesso ao consumo.
Segundo o IBGE, caiu a distância entre os gastos dos mais ricos
e dos mais pobres -que era de 10,1 vezes e passou para 9,6 vezes.
Apesar da melhora, o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, considera
que o Brasil está distante de uma condição de equidade.
"Há uma persistência da desigualdade. As distâncias
estão diminuindo, mas numa velocidade que não é
compatível com o desenvolvimento da economia brasileira nos últimos
anos."
Um dado ilustra tal realidade: as famílias que têm mais
de uma pessoa com ensino superior gastam, em média, 389% mais
do que aquelas sem graduados.
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G1, 24 de junho de 2010
Pesquisa CNI/Ibope aponta Dilma (PT) com
40% e Serra (PSDB) com 35%
Levantamento foi encomendado pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI). Pesquisa é a primeira após
as convenções. Marina Silva (PV) aparece com 9%. Avaliação
pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atinge 85% de
aprovação. Já seu Governo tem 75% de ótimo
ou bom

Por Robson Bonin,
No G1
Pesquisa Ibope divulgada, nesta
quarta-feira (23), em Brasília, mostra a candidata do PT, Dilma
Rousseff, com 40% e o candidato do PSDB, José Serra, com 35%
na corrida eleitoral pela Presidência da República. Marina
Silva (PV) tem 9% das intenções de voto, segundo o levantamento,
encomendado ao instituto pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI).
O cenário da pesquisa
que apresentou esses resultados é o que inclui somente Dilma,
Serra e Marina. No cenário que reúne 12 candidatos, Dilma
soma 38,2%, Serra, 32,3% e Marina, 7%.
É a primeira vez que
Dilma aparece à frente de Serra numa pesquisa de intenção
de voto para presidente. Na pesquisa CNI/Ibope anterior, realizada em
março, Serra tinha 38%, Dilma, 33% e Marina, 8%.
No início de junho, em
outro levantamento do Ibope, divulgado no último dia 5 e feito
por encomenda da TV Globo e do jornal "O Estado de S.Paulo",
Dilma e Serra apareciam empatados com 37% das intenções
de voto. Marina Silva acumulava 9%.
A margem de erro do levantamento
divulgado nesta quarta é de dois pontos percentuais para mais
ou para menos. Portanto, Dilma pode ter entre 38% e 42%; Serra, entre
33% e 37%; e Marina, entre 7% e 11%.
Disseram que votarão
em branco ou nulo 6% dos entrevistados. Os que responderam que ainda
não sabem em quem votar são 10%, segundo o Ibope.
A pesquisa é a primeira
realizada após a oficialização das candidaturas
de Dilma, Serra e Marina pelas convenções partidárias.
O Ibope entrevistou 2.002 eleitores entre os dias 19 e 21 em 140 cidades.
A pesquisa está registrada no TSE sob o número 16292/2010.
Segundo
turno
Na simulação de segundo turno, Dilma teria 45% e Serra,
38%, segundo o Ibope. Na hipótese de segundo turno entre Dilma
e Marina, a petista venceria por 53% a 19%.
Serra ganharia de Marina por
49% a 22%.
Conhecimento
O Ibope mediu também o grau de conhecimento do candidato apoiado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em março, 58%
reconheciam Dilma como a candidata de Lula. Na pesquisa divulgada nesta
quarta, o grau de conhecimento é de 73%.
Quando os pesquisadores perguntaram
aos entrevistados o grau de conhecimento de cada um dos candidatos,
13% disseram conhecer "bem" Dilma; 32%, "mais ou menos"
; 28%, "pouco"; 23% "ouviram falar" e 4% disseram
não conhecer.
O candidato tucano é
"bem conhecido" por 24% dos entrevistados; "mais ou menos"
por 39%; "pouco" por 22%; 13% só "ouviram falar".
Ninguém respondeu que não conhece José Serra.
Segundo a pesquisa, Marina Silva
é "bem" conhecida por 6%; "mais ou menos"
por 21%; "pouco" por 26%; 33% "ouviram falar" e
13% disseram não conhecer a candidata do PV.
Rejeição
Dentre os entrevistados, 23% disseram que não votariam em hipótese
nenhuma em Dilma Rousseff.
Os que rejeitam Serra são
30% e os que nunca votariam em Marina somam 29%.
Influência
de Lula
A capacidade de Lula influenciar no voto dos eleitores registrou uma
leve redução entre os entrevistados pelo Ibope. Em março
a preferência dos entrevistados por um candidato indicado por
Lula era de 53%. Já no levantamento divulgado nesta quarta 48%
dos entrevistados disseram votar no candidato do presidente.
A disposição de
votar em um candidato de oposição foi manifestada por
10% dos entrevistado, mesmo cenário registrado em março.
Avaliação
do Governo
Segundo o levantamento, 75% consideram ótimo ou bom o governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já a avaliação
pessoal do presidente atinge 85% de aprovação, recorde
na série histórica da pesquisa CNI/Ibope.
O percentual dos que consideram
o governo ruim ou péssimo é de 3%, segundo a pesquisa.
Os que julgam o governo regular são 20%.
Na avaliação pessoal
do presidente, 11% desaprovam Lula, o índice mais baixo já
registrado pelo levantamento.
A pesquisa também
mediu a confiança dos entrevistados no presidente Lula: 81% disseram
confiar no presidente e 15% afirmaram que não confiam; 4% não
responderam ou não souberam dizer.
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Folha de S.Paulo, 24 de
junho de 2010
ANÁLISE
Para os tucanos, pior que os números,
é a prova de que tática atual não funciona
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA
A pesquisa Ibope sobre intenção
de voto para presidente representa uma péssima notícia
para a oposição. Menos pelos números apurados e
mais pelo que projeta como cenário futuro.
O candidato do PSDB, José Serra, fez todos os movimentos possíveis
neste mês para alavancar seu projeto presidencial. Apareceu como
estrela única no programa partidário de dez minutos em
rede nacional de rádio e TV. Foi o protagonista de dezenas de
comerciais de 30 segundos.
Ainda assim, apareceu com 35%, contra 40% de Dilma Rousseff (PT) no
Ibope.
Serra disse logo no início de seu programa na TV que vai dar
continuidade ao Bolsa Família. De maneira cirúrgica, em
suas entrevistas, critica o governo e sempre preserva o presidente Lula.
Esse delicado equilíbrio no discurso tem sido suficiente para
segurar o tucano nos últimos meses no patamar dos 35%. Mas a
tática se mostra imprópria para impedir o avanço
de Dilma, ancorado no crescimento da economia e na popularidade de Lula.
Pior um pouco para o PSDB: houve agora uma demonstração
prática de que, quando Dilma vai à TV ao lado de Lula,
sobe. Foi o que se passou em maio. Já Serra, ao adotar um caminho
semelhante (não tem Lula), não conseguiu impulso extra.
Há também um aspecto de marketing local não muito
explorado. PSDB e seus aliados DEM, PPS e PTB concentraram suas propagandas
para a atual fase da campanha. O PT preferiu diluir seus comerciais
ao longo do ano. Também separou o que era mídia nacional
da regional.
Enquanto Serra aparecia em mídia nacional neste mês, Dilma
também estava presente em comerciais regionais do PT em vários
Estados. Pelos cálculos do QG dilmista, a candidata de Lula atingiu
quase 80% do eleitorado com essas inserções.
Quando se observa o percentual de 35% conquistado por Serra, não
se pode afirmar que é uma marca ruim. O problema não é
esse. A equação ainda não resolvida é como
fazer para crescer e estancar o avanço da candidata do PT. Apresentar-se
na TV como alternativa não teve a eficácia desejada pelo
PSDB.
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Congresso em Foco, 24 de
junho de 2010
Veja lista de 42 políticos
na mira do ficha limpa
Levantamento do Congresso em Foco identifica
nomes de expressão nacional ou regional que poderão ficar
inelegíveis, conforme a interpretação que a Justiça
der às regras estabelecidas na lei
Thomaz Pires
A publicação da
lei ficha limpa tira o sono de nomes importantes no cenário político.
Levantamento feito pelo Congresso em Foco identificou o nome de 42 políticos,
entre pré-candidatos e agentes públicos de expressão
nacional ou regional, que devem ter as candidaturas impugnadas pela
Justiça eleitoral. Com as ameaças de inegibilidade, a
largada aos Tribunais Regionais Eleitorais em busca de recursos deverá
ser dada a partir do próximo dia 5, prazo final para a homologação
das campanhas.
A lei ficha limpa (veja
a legislação) pode pegar um número bem maior
de pessoas. Apenas a lista do Tribunal de Contas da União com
administradores que tiveram suas contas rejeitadas beira as cinco mil
pessoas. O levantamento feito pelo site buscou identificar nomes de
políticos mais conhecidos, que teriam chances reais de eleição,
dada a sua projeção. A relação mostra que
os casos de renúncia lideram os motivos de inegibilidade. Dos
42 nomes identificados, 12 políticos renunciaram aos mandatos
para evitar a perda dos direitos políticos. Também há
11 casos de cassação de mandato e 11 prestações
de contas rejeitadas, que resultaram em condenações por
grupo de juízes. Na outra ponta da lista aparecem condenações
de menor incidência, como sentenças por improbidade administrativa
(3), abuso do poder econômico (2) e um caso de crime de responsabilidade
fiscal.
Veja
a lista dos ameaçados pelo ficha limpa
A data limite para o julgamento
de todos os recursos apresentados nos Tribunais Regionais Eleitorais,
transitado em julgado, é 19 de agosto. Até lá,
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá ter uma lista preliminar
com as candidaturas impugnadas pela Justiça eleitoral nos estados.
Algumas das contestações das assessorias jurídicas
dos pré-candidatos já estão sendo encaminhadas
para evitar problemas no momento da homologação dos pré-candidatos.
Pré-candidato ao governo
do Rio de Janeiro, Antony Garotinho é um dos que figura na lista
dos possíveis inelegíveis e que já começar
a tomar suas providências para evitar a hipótese. Nesta
quarta-feira (23), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou um pedido
de liminar do ex-governador para suspender a decisão da Justiça
eleitoral do Rio que o decretou inelegível. Garotinho foi condenado
por abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação
social nas eleições de 2008.
Conforme a carta de defesa apresentada
pelos advogados de Garotinho, a preocupação com as nova
regras eleitorais ficaram ainda mais evidentes após a publicação
da lei do ficha limpa. “A decisão da Justiça do
Rio de Janeiro cria sérios problemas para a escolha de seu nome
(Garotinho) na convenção de seu partido (PR), prevista
para o dia 27 de junho, e traz prejuízos irreparáveis
à campanha eleitoral”, argumenta a defesa de Garotinho.
Na mira da Lei
Também na mira da nova
legislação eleitoral, o deputado federal Jader Barbalho
(PMDB-PA), que aparece nas pesquisas como favorito para o governo do
Pará, pode ter o projeto político comprometido pelas regras
do ficha limpa. O parlamentar, que renunciou ao mandato de senador em
2001 para escapar da cassação, divulgou nas últimas
semanas mensagens em sua página pessoal defendendo-se e alegando
que não se dá por ameaçado pelo ficha limpa.
Amparado pelas estratégias
jurídicas dos advogados, Jader afirma que permanece sem qualquer
risco de elegibilidade. Pelos argumentos, o parlamentar sustenta que
na época da renúncia a lei o amparava, ou seja, permitia
que renunciasse para evitar que seu mandato eventualmente fosse cassado
pelo Legislativo, não perdendo assim os direitos políticos.
O Congresso em Foco consultou
juristas e especialistas em direito eleitoral. A interpretação
da maior parte é que o deputado Jader deverá ter problemas
no momento da homologação da campanha. Na avaliação
deles, a questão foi ultrapassada pela decisão do Tribunal
Superior Eleitoral, que estabeleceu que inelegibilidade não é
pena, mas critério, condição. Assim, ninguém
poderia alegar em sua defesa o princípio constitucional de que
uma lei não pode retroagir para prejudicar. No caso, mudou-se
apenas o critério. De qualquer modo, como todos os casos ficam,
de acordo com a lei, passíveis de julgamento caso o candidato
recorra pedindo um efeito suspensivo, todas as situações
dependerão em tese da opinião da Justiça.
Sem entrar em casos específicos,
o presidente da Associação Brasileira de Magistrados,
Procuradores e Promotores Eleitorais (Abramppe), o juiz de direito Márlon
Reis, considera claro que todos os senadores que renunciaram que tinham
mandato terminando de 2006 em diante estão inelegíveis.
“A lei estabelece que a inelegibilidade vai até o final
do mandato e oito anos depois dessa data. Então, qualquer senador
que tenha renunciado para não ser cassado com mandato terminando
de 2006 em diante está inelegível”. No caso de Jader,
que renunciou em 2001, devem-se contar os anos até 2006 e os
oito anos seguintes. Ele ficaria inelegível até fevereiro
de 2015.
O Procurador regional eleitoral
do estado do Pará, Daniel Cesar Avelino, também refuta
a linha de defesa que deverá servir de arcabouço para
o recurso a ser apresentado por Jader. Embora não tenha citado
nomes. “Os agentes públicos que renunciaram a seus mandatos
nos últimos oito anos - prazo contado da data do final do mandato
ao qual renunciaram – estarão inelegíveis nas eleições
de outubro”, disse ele.
Formação de palanques
É uma situação
semelhante a que tornaria inelegível o ex-senador Joaquim Roriz,
líder das pesquisas de intenção de voto no Distrito
Federal, como candidato do PSC. Roriz renunciou ao seu mandato em 2007
para não ser cassado por conta de denúncias de desvio
de recursos públicos. O mandato de Roriz ia até 2014.
Se forem computados oito anos após o final do mandato, ele, pela
regra do ficha limpa, ficaria inelegível até 2022. Na
avaliação de juristas e especialistas ouvidos pelo site,
o ex-senador já está inelegível e carece de argumentos
contundentes para barrar uma impugnação de campanha à
luz do ficha limpa.
O Congresso em Foco entrou em
contato com a assessoria de Roriz, mas não obteve qualquer retorno
sobre a linha de defesa que deverá ser apresentada á Justiça
Eleitoral. Há informações de que ele deverá
alegar que, no momento em que renunciou, não estava instalado
qualquer procedimento no Senado visando à cassação
de seu mandato. Para um jurista ouvido pelo site, porém, tal
argumento não prosperaria porque, no momento da renúncia,
já tinha havido manifestação da Corregedoria do
Senado e uma representação do Psol contra Roriz já
havia sido encaminhada ao Conselho de Ética.
Fiscalização permanente
Envolvida nas discussões
do ficha limpa desde o início da tramitação no
Congresso, a Ordem dos Advogados (OAB) também assumiu o papel
de fiscalizador do cumprimento da nova legislação eleitoral.
A entidade criou uma comissão que deverá acompanhar os
julgamentos nos Tribunais Regionais Eleitorais em todas as seccionais
do país. Além disso, a entidade irá contar com
uma linha direta, uma espécie de serviço de disk-denúncia,
em que poderão ser encaminhadas as informações
e serem repassadas ao Ministério Público eleitoral.
“Estaremos muito atento
a todo esse processo. Não há dúvidas que esse enfrentamento
irá ocorrer nos tribunais, mas estamos otimistas e sabemos que
a Justiça está preparada para isso. Mas ainda assim, vamos
acompanhar tudo bem de perto”, disse ao Congresso em Foco o presidente
da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcanti.
Sobre as possíveis lacunas
na lei, a OAB diz estar tranqüila. Para a ordem, são os
candidatos que, ameaçados, ventilam falhas na lei que, na verdade,
não existem. “O ficha limpa é um enorme avanço.
E não há como negar isso. Agora, essa queda-de-braço
entre justiça eleitoral e candidatos será apenas o primeiro
enfrentamento, o que é algo natural e esperado”, completa
o presidente da OAB.
Leia também:
- TSE
diz: ficha limpa total para eleições deste ano
- Quem
aprovou o ficha limpa: veja como os deputados votaram
- Ameaçado
pelo ficha limpa, Dagoberto busca recurso
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Folha Online, 24 de junho
de 2010
FHC diz não crer em vitória
de Serra; crise toma conta do PSDB
Segundo a colunista Mônica Bergamo, FHC “confidenciou a
interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que
tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de José
Serra vencer a eleição presidencial. ‘E olha que
estou tentando ajudar’, disse o ex-presidente, atualmente em tour
pelo exterior”.
No início de junho, convocada
por FHC, a cúpula do PSDB se reuniu em São Paulo para
pregar uma correção de rumo da campanha de Serra à
sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos
principais alvos de apreensão do grupo é o risco de desgaste
com a demora na definição da vice de Serra.
Para piorar a situação
dos tucanos, o presidente do PSDB e um dos principais cotados para ser
vice, o senador Sérgio Guerra (PE), foi flagrado empregando uma
família de funcionários "fantasmas" no Senado.
Oito parentes de Caio Mário Mello Costa Oliveira, assessor de
Guerra, foram nomeados em seu escritório de apoio em Recife,
mas não dão expediente nem são conhecidos por quem
trabalha lá. Cinco foram nomeados no mesmo dia, em 17 de setembro
de 2009. Juntos, recebem cerca de R$ 20 mil mensais.
Palanques indefinidos
Os problemas da campanha de
Serra não param por aí. A falta de diálogo e os
recentes rompantes do presidenciável tucano também incomodam
a cúpula tucana, que cobra informações. A avaliação
foi a de que Serra deveria dedicar mais atenção aos aliados
e à montagem de palanques, em vez de desperdiçar energia
com a rotina da campanha.
A uma semana do prazo final
para convenções partidárias, o PSDB corre contra
o tempo para debelar crises nos estados. As trepidações
ocorrem em todo o país e foram objeto de uma reunião,
na tarde desta terça-feira (22), em São Paulo. Pela legislação,
os partidos têm até 5 de julho para registrar as candidaturas
aprovadas em suas convenções.
Presente à reunião,
o candidato do PSDB ao governo do Pará, Simão Jatene,
reivindica que a deputada Valéria Pires Franco (DEM) desista
do Senado para ocupar a vice de sua chapa. Representado por seu presidente,
deputado Rodrigo Maia (RJ), o DEM resiste à ideia. Já
o candidato do PMDB ao governo de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, que
decidiu concorrer a pedido de Serra, cobra estrutura.
Cogitada para disputar o governo
do Distrito Federal, a tucana Maria Lúcia Abadia avisou que só
aceitaria o risco com o apoio do ex-governador Joaquim Roriz (PSC).
Ainda segundo participantes do encontro, ela diz não haver espaço
para terceira via no DF.
Ficha limpa
A pauta da reunião incluiu
também as candidaturas ameaçadas pela exigência
de ficha limpa nas eleições. O candidato do PSDB ao Senado
pela Paraíba, Cássio Cunha Lima, e o candidato do PDT
ao governo do Maranhão, Jackson Lago, manifestaram a disposição
de recorrer à Justiça pelo direito de disputar as eleições.
Os dois foram chamados a São Paulo para discutir a hipótese
de um "plano B", caso suas candidaturas sejam suspensas por
decisão judicial.
Serra ficaria sem palanque na
Paraíba e no Maranhão, onde o PSDB apoiará o PDT.
Acompanhados dos advogados, Cunha Lima e Lago afirmaram que manterão
as candidaturas. No Ceará, o PSDB anunciou o inexpressivo deputado
estadual Marcos Cals para disputar o governo. Embora o lançamento
dê a Serra palanque no estado, o PSDB preferia ver o senador Tarso
Jereissati na disputa — mas ele resistia à indicação.
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Gazeta do Povo, 24 de junho
de 2010
Corrida eleitoral
Só Alvaro na vice de Serra impede
candidatura de Osmar Dias
Mas pedetista deve anunciar hoje que disputará
o governo em uma aliança com o PMDB e PT
Brasília - Só
uma improvável indicação do irmão Alvaro
Dias (PSDB) como vice do tucano José Serra na disputa presidencial
impedirá o senador Osmar Dias (PDT) de confirmar hoje a candidatura
ao governo do estado. O impasse familiar foi o motivo, segundo o pedetista,
para a demora nas negociações com PT e PMDB. O acordo
deve reunir até mais oito legendas que apoiam o governo Lula.
Além disso, o candidato
a vice deve ser indicado pelos peemedebistas, enquanto as vagas para
o Senado ficarão com Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião
(PMDB), rival de Osmar desde as eleições de 2006. Ainda
não há consenso sobre uma coligação nas
eleições proporcionais. Até o momento, os petistas
não aceitam disputar as vagas para deputado estadual e federal
em uma chapa com os peemedebistas.
Osmar disse ontem à noite
que esperaria por uma resposta do PSDB quanto à situação
de Alvaro até hoje pela manhã. “Falam que eu sou
indeciso, mas na verdade o que ninguém diz é que eu tenho
caráter. Estou aguentando essa situação no ‘osso
do peito’ porque para mim a família vem em primeiro lugar
e eu não posso impedir que um irmão chegue à Vice-Presidência
da República.”
O pedetista explicou que tem
sido procurado há duas semanas pelos dirigentes nacionais tucanos
com o argumento de que a escolha de Alvaro estaria muito próxima
de ser concretizada. “Se eles não anunciarem, eu vou ter
de seguir o meu caminho.”
Osmar preferiu não antecipar
o anúncio que deve fazer hoje, mas já programou uma entrevista
coletiva para a tarde, em Curitiba.
Sobre a possibilidade de chamar
os jornalistas para dizer que seria candidato ao Senado, brincou: “Se
fosse para dizer que eu concorreria à reeleição
eu mandava uma notinha e não convocaria uma coletiva”.
Além disso, a direção nacional do PDT já
anunciou que não permitirá que ele faça uma coligação
com o PSDB. Se concorrer ao Senado, ele terá de formar uma chapa
independente – hipótese que ainda depende de um aval da
Justiça Eleitoral.
A hipótese de que Alvaro
seja vice de Serra cresceu nos últimos dias, mas está
longe de ser unanimidade. O paranaense estaria em uma disputa interna
com o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).
O pernambucano perdeu força ontem com a divulgação
de uma matéria em que é acusado de contratar funcionários
fantasmas pelo Senado (leia ao lado). Por outro lado, cresceram os apelos
para que o vice seja nordestino e mulher.
Os pré-requisitos foram
reforçados pelo avanço de Dilma Rousseff (PT) na última
pesquisa CNI/Ibope, divulgada ontem, em que ela aparece com 40% das
intenções de voto contra 35% de Serra. “Para mim,
não faz sentido. Se o eleitor prefere uma mulher vai votar na
Dilma e não por causa de uma vice”, disse Alvaro.
Outro adversário seria
o DEM, principal parceiro dos tucanos. O presidente nacional do partido,
Rodrigo Maia, reiterou ontem que não permitirá a indicação
de um vice do PSDB que não seja Aécio Neves. “Essa
é uma decisão tomada há meses, não vejo
o Alvaro com condições de reverter isso”, explicou
o presidente estadual da legenda, Abelardo Lupion.
Por último, Serra declarou
ontem em São Paulo que demoraria mais “três ou quatro
dias” para escolher o vice, o que inviabilizaria qualquer acordo
com Osmar. PMDB e PT realizam convenções estaduais no
domingo e precisam de uma definição do senador para levar
a votação. “Acho que se a direção
nacional do PSDB não se manifestar até amanhã (hoje)
fica mesmo muito difícil segurar o Osmar”, afirmou Alvaro.
O tucano enfatizou que apoiará
qualquer posicionamento do irmão. “Vou ficar do lado dele.”
Sobre uma possível campanha pessoal para ser vice de Serra, disse
que não está se esforçando porque a decisão
deve caber apenas ao candidato, sem interferências externas.
Caso o desfecho seja mesmo anunciado
hoje, é provável que seja realizada uma convenção
coletiva entre peemedebistas, petistas e pedetistas para consagrar a
candidatura de Osmar. Dilma deve participar do evento.
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Agência Câmara,
24 de junho de 2010
Comissão aprova testemunho como
única prova para aposentadoria rural
Projeto beneficia principalmente as trabalhadoras
rurais que têm dificuldade de comprovar sua atividade
A Comissão de Agricultura,
Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou hoje
proposta que autoriza o uso exclusivo de prova testemunhal para comprovar
a atividade rural do trabalhador, para fins de aposentadoria. A nova
regra está prevista no Projeto de Lei 6147/09, do Senado.
Atualmente, a Lei 8.213/91 prevê
o testemunho como prova, mas exige pelo menos uma prova documental,
como documentos fiscais e licença de ocupação outorgada
pelo Incra.
O projeto permite apenas a prova
testemunhal, desde que o INSS inspecione previamente o local onde o
trabalhador exerceu a atividade rural e entreviste a testemunha.
O autor da proposta, senador
Marcelo Crivella (PRB-RJ), afirma que a nova regra vai corrigir uma
injustiça que se comete, principalmente, contra mulheres trabalhadoras
rurais. Como a maioria dos documentos é emitida em nome do marido
ou companheiro, muitas têm dificuldade para comprovar sua condição
de segurada especial ao INSS.
Falso
testemunho
A Comissão de Agricultura aprovou o projeto na forma de substitutivo
elaborado pelo relator, deputado Osvaldo Reis (PMDB-TO). O substitutivo
retirou do projeto o aumento de pena a quem pratica falso testemunho
para fraudar a Previdência.
“Essa alteração
é desnecessária, pois o Código Penal já
prevê aumento de pena se o crime for cometido em processo civil
em que for parte entidade da administração pública
direta ou indireta”, afirmou Osvaldo Reis.
Atualmente, o Código
Penal prevê pena de um a três anos para o crime de falso
testemunho. O projeto pretendia aumentar essas penas de 1/3 até
o dobro e aplicar multa de R$ 1 mil a R$ 100 mil.
Tramitação
A proposta tramita em regime de prioridadeDispensa das exigências
regimentais para que determinada proposição seja incluída
na Ordem do Dia da sessão seguinte, logo após as que tramitam
em regime de urgência e ainda será analisada pelas comissões
de Seguridade Social e Família; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para o Plenário.
Íntegra
da proposta:
PL-6147/2009
Reportagem – Tiago Miranda
Edição - Pierre Triboli
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Agência Senado, 24 de
junho de 2010
Paim apresenta emenda à LDO para
estender aumento real do salário mínimo aos aposentados
O senador Paulo Paim (PT-RS)
comunicou ao Plenário do Senado que apresentou emenda ao projeto
da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2011, em
discussão no Congresso, que estende aos aposentados do INSS o
mesmo reajuste real que poderá ser concedido ao salário
mínimo, em janeiro próximo.
O relator do projeto da LDO,
senador Tião Viana (PT-AC), decidiu colocar na proposta um artigo
estabelecendo que o salário mínimo receberá em
janeiro de 2011, além da inflação, um aumento real
equivalente à média do crescimento da economia em 2008
e 2009. Isso representará um reajuste real de pelo menos 2,55%,
fora a inflação dos 12 meses anteriores, que deverá
ficar próxima de 5%.
Paulo Paim ponderou não
ser justo que os aposentados e pensionistas recebam no próximo
ano apenas a inflação passada.
- Eles devem ter ganhos reais,
assim como os trabalhadores que recebem apenas o salário mínimo
- disse, prevendo que o mínimo poderá chegar a R$ 550
em janeiro, contra os atuais R$ 510.
No mesmo discurso, o senador
gaúcho leu trechos de editorial do jornal Zero Hora, de Porto
Alegre, de domingo (20), com o título "Espírito de
conciliação", que trata da aprovação,
pelo Senado, do projeto que cria o Estatuto da Igualdade Racial. O projeto
é de autoria de Paulo Paim. Ele também registrou artigo
publicado na internet pelo presidente da Legião da Boa Vontade
(LBV), Paiva Neto, com elogios ao estatuto.
Paim cumprimentou ainda o desembargador
Paulo de Tarso Vieira Sanseverino, do Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Sul, por sua indicação para o cargo de ministro
do Superior Tribunal de Justiça.
Da Redação / Agência
Senado
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de
junho de 2010 | Cidades
Seu Direito - Aprendiz
Com que idade o jovem pode começar
a trabalhar com carteira assinada?
Para efeitos das Leis Trabalhistas, considera-se menor todo jovem trabalhador
com idade entre 14 e 18 anos. A partir dos 16 anos completos até
a maioridade, o jovem poder exercer trabalho normalmente, sempre com
carteira assinada, desde que observadas algumas restrições,
tais como a não realização de trabalho noturno,
trabalhos perigosos ou insalubres, ou mesmo em locais prejudiciais à
sua moralidade ou que não permitam sua frequência escolar
habitual. Tais restrições visam à preservação
da formação moral, física e social do trabalhador
adolescente.
Vale lembra ainda, que dos 16
aos 18 anos, o jovem trabalhador, embora esteja apto a assinar seus
recibos de salário, não pode pactuar seus próprios
contratos de trabalho ou modificar suas cláusulas devendo sempre
estar assistido expressa ou mesmo verbalmente por seus representantes
legais ou por autorização judicial.
Já o menor com idade
entre 14 e 16 anos pode trabalhar unicamente na condição
de trabalhador aprendiz, igualmente registrado em carteira de trabalho
e com todos os direitos trabalhistas e previdenciários assegurados.
A condição de aprendiz também é facultada
aos jovens com 18 anos incompletos.
Contudo, este contrato de trabalho
especial, deve ser ajustado por escrito e por prazo determinado não
superior a dois anos, comprometendo-se o empregador a assegurar ao jovem
aprendiz sua inscrição em programa de aprendizagem ou
formação técnico-profissional. O trabalho deve
ser exercido sem prejuízo da frequência escolar do trabalhador
aprendiz e em carga horária máxima de 6 horas diárias,
incluídas as aulas teóricas do curso profissionalizante.
Gustavo Vissoci Reiche - advogado
(Londrina)
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de junho de 2010 | Política
Grevistas do Ministério do Trabalho
recebem vencimentos
Por unanimidade, os ministros do Superior Tribunal de Justiça
(STJ) decidiram, ontem, proibir a União de cortar os vencimentos
dos grevistas do Ministério do Trabalho e Emprego. A decisão
foi tomada com a alegação de que "o vencimento é
verba alimentar e cortá-lo significaria suprimir o sustento do
servidor e da sua família".
Ainda segundo os ministros,
o direito de greve não pode ser negado aos servidores públicos
e o corte nos vencimentos não é obrigatório. Para
o ministro Hamilton Carvalhido, o não pagamento dos salários
seria uma "retaliação, punição, represália
ou modo direto de reduzir a um nada esse legítimo direito consagrado
na Constituição da República".
Em decisão anterior,
o STJ havia determinado a manutenção dos serviços
essenciais, como a expedição da carteira de trabalho e
o pagamento do seguro-desemprego. A paralisação iniciou
em 6 de abril.
Os grevistas reivindicam
melhores condições de trabalho, implantação
imediata de plano de carreira específico para a categoria e a
regulamentação da jornada de 30 horas semanais, com dois
turnos de seis horas cada.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de junho
de 2010 | Geral
Greve atinge peritos do INSS no PR
Curitiba - Médicos peritos
do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) no Paraná aderiram
ontem à paralisação nacional da categoria. Segundo
estimativas da Associação Nacional dos Médicos
Peritos da Previdência Social (ANMP), a adesão chegou a
60% nas agências do INSS em Curitiba e a 50% em Londrina. ''Estamos
atendendo, mas colocando como prioridade idosos, gestantes e pessoas
com deficiência. Podem estar ocorrendo transtornos, mas o objetivo
do movimento é realmente melhorar o atendimento à população,
no sentido de buscar condições para prestar um serviço
melhor e valorizar os profissionais que trabalham na Previdência'',
explicou ontem Fábio Fontes Farias, membro do comando de greve
em Curitiba.
Por lei, ao menos 30% dos peritos
têm que continuar trabalhando. Em municípios com poucos
médicos peritos, a associação orientou para que
não fosse feita greve, para que o atendimento à população
não fosse interrompido.
A paralisação
por tempo indeterminado teve início na terça-feira. A
ANMP informou que o estopim para a greve foi a publicação,
no Diário Oficial da União, do Projeto de Lei de Conversão
com veto nas tabelas que se referiam às 30 horas semanais sem
redução de vencimentos. O veto já era esperado
e, em Assembleia Geral Extraordinária da ANMP no dia 11 de junho,
os peritos haviam decidido pela greve.
A associação apontou
em comunicado que ''o veto é apenas o marco simbólico,
o gatilho que disparou a deflagração'' do movimento. A
categoria entrou em greve, segundo a ANMP, ''por lutas antigas que parecem
perpétuas'': mais segurança; implementação
do Grupo de Trabalho (GT) do Ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão (MPOG); regulamentação da Gratificação
de Desempenho de Atividade de Perícia Médica Previdenciária
(GDAPMP); preenchimento de todas as vagas do último concurso
para contratação de peritos; reestruturação
da jornada de trabalho, entre outras reivindicações.
A assessoria do Ministério
da Previdência Social informou que a pasta está acompanhando
a mobilização. Mas não foram marcadas reuniões
de negociação.
Fábio Galão
Equipe da Folha
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Folha de S.Paulo, 24 de
junho de 2010
MONTADORA
Greve para unidade da Honda na China
Duas unidades da montadora japonesa
voltaram a interromper a produção devido à greve
em uma fornecedora de componentes. É a terceira vez em dois meses
que esse tipo de paralisação ocorre.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
24/06/2010
Professora de inglês ganha horas extras
e indenização por dano moral
Uma professora de uma grande
instituição de ensino de língua inglesa no estado
de São Paulo ganhou na Justiça o direito de receber horas
extras e indenização por danos morais no valor de R$ 20
mil, em decorrência de ter sido vítima de constantes ofensas
morais da sua chefe. A sentença foi confirmada pela Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao negar recurso da empresa.
A trabalhadora não foi
contratada como professora, mas exercia exercia atividades típicas
do magistério. Diante dessa constatação, o Tribunal
Regional da 15ª Região (Campinas-SP) avaliou que a falta
da habilitação e do registro no Ministério da Educação
não poderiam impedir que o seu enquadramento na categoria profissional
de professor, o que, consequentemente, gerou o reconhecimento às
horas extras a que fazia jus. É o que estabelecem as regras do
artigo 318 da CLT.
Ao julgar o recurso empresarial
na Sétima Turma, a juíza convocada Maria Doralice Novaes
explicou que a despeito de o art. 317 da CLT dispor que “o exercício
remunerado do magistério, em estabelecimentos particulares de
ensino, exigirá apenas habilitação legal e registro
no ministério da Educação”, o direito do
trabalho privilegia “o princípio da realidade, que dá
prevalência à efetividade dos fatos em detrimento dos registros
formais”. No caso, a empresa contratou a empregada como “técnica
do ensino de inglês”, mas lhe incumbiu das atividades de
professora. Negar-lhe as vantagens da categoria profissional “seria
dar guarida à má-fé e ao locupletamento ilícito”.
DANO MORAL
O reconhecimento a indenização
por dano moral foi sentenciado ante a comprovação de que
sua chefe a tratava com abuso de autoridade, excesso de rigor e atitudes
ofensivas, tendo o Tribunal Regional registrado que não se tratava
de um fato isolado, “era comum os professores saírem chorando
de sua sala”, informou a juíza convocada Maria Doralice.
Assim, diante do sofrimento
da empregada, gerado pela pressão psicológica, desmerecimento
profissional, conduta desmedida no uso do poder hierárquico e
utilização de expressões agressivas, o assédio
moral foi mais do que evidenciado e demonstra que o 15º Tribunal
Regional decidiu “em estrita observância aos princípios
legais e constitucionais pertinentes”, afirmou a relatora. O voto
foi aprovado por unanimidade na Sexta Turma. (RR-70000-54.2008.5.15.0114)
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24/06/2010
Trabalhador rural também tem direito
a adicional de intervalo se não usufruir uma hora de descanso
Usinas açucareiras recorreram
ao Tribunal Superior do Trabalho para não pagarem, além
de mais trinta minutos de intervalo, o adicional de 50% do intervalo
intrajornada a um trabalhador rural, alegando que não se aplica
aos rurículas, ante a falta de previsão legal. Se depender
da decisão da Segunda Turma do TST, as empresas terão
mesmo que pagar o acréscimo a que foram condenadas pela Justiça
do Trabalho de São Paulo. O caso refere-se a um mecânico
de máquinas agrícolas que usufruía somente de uma
pausa de 30 minutos para refeição.
Em primeira instância,
as empresas foram condenadas, com fundamento no artigo 71, parágrafo
4º, da CLT, ao pagamento de trinta minutos diários, de forma
indenizada. Porque não foram atendidos todos os seus pedidos,
o trabalhador ajuizou recurso ordinário. Ao examinar a questão,
o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (SP) manteve
o adicional intrajornada, além de deferir-lhe horas extras a
partir da sexta, durante o período em que houve o trabalho em
regime de revezamento de turnos, entendendo serem inaplicáveis
os instrumentos normativos apresentados pelas empregadoras.
Enquanto o juízo de primeira
instância tratou o mecânico como trabalhador urbano, o TRT
considerou-o “trabalhador tipicamente do campo, desenvolvendo
atividades preponderantemente rurais, pouco importando o fato de que
houve recolhimento de contribuições a sindicato diverso
do rural” - o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
de Alimentação e Afins de Jaboticabal. Com a condenação
ampliada, as empresas recorreram ao TST, onde a Segunda Turma manteve
o acórdão regional em todos os seus aspectos, ao não
conhecer do recurso patronal.
De acordo com o juiz convocado
Roberto Pessoa, relator do recurso de revista, a aplicação
do adicional do intervalo intrajornada ao trabalhador rural já
é matéria pacificada no TST. Para o juiz, se não
foi observado o intervalo mínimo de uma hora - ou qualquer outro,
decorrente de usos e costumes da região, conforme estabelece
a lei que trata do trabalhador rural –, deve ser considerada a
aplicação do disposto no parágrafo 4º do artigo
71 da CLT, que estabelece o adicional, e que não colide com a
lei que regula o trabalho rural - Lei 5.889/73, regulamentada pelo Decreto
73.626/74.
Ao tratar da argumentação
das usinas de que o trabalhador rural não faz jus ao intervalo
intrajornada, o relator lembra que o artigo 7º da Constituição
Federal equiparou os trabalhadores urbanos aos rurais, “não
permitindo tão odiosa discriminação, principalmente
se considerarmos a harmonia existente entre a legislação
específica e aquela destinada exclusivamente ao trabalhador do
campo”. E conclui seu pensamento ressaltando que, se permanecesse
a interpretação das usinas, “não haveria
nenhuma sanção ao empregador que não permitisse
que o seu empregado gozasse do intervalo para descanso e refeição,
senão apenas o pagamento do período correspondente”.
(RR - 50800-73.2002.5.15.0081)
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24/06/2010
Município é responsabilizado por créditos de empregada
de associação conveniada
O município paulista
de Susano foi responsabilizado subsidiariamente pelas verbas trabalhistas
de uma trabalhadora contratada pela Associação Amigos
de Bairro da Chácara Ceres, Vila Helena e Adjacências de
Susano, com a qual a cidade mantinha convênio. O recurso do município
foi rejeitado (não conhecido) na Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho e, consequentemente, a sentença regional ficou mantida.
Contrariado com a condenação
imposta pelo Tribunal Regional da 2ª Região, o município
interpôs recurso de revista pretendendo a reforma da decisão.
Alegou que o convênio foi firmado com entidade de direito privado
com o propósito de desenvolver atividades destinadas ao atendimento
gratuito de crianças. Mas a relatora na Oitava Turma, ministra
Dora Maria da Costa, ressaltou que, ainda assim, o município
tinha a obrigação de fiscalizar a execução
do projeto, tal como disposto no inciso IV da Súmula nº
331 do TST.
Ao final da análise
do apelo de Susano, a relatora avaliou que o Tribunal Regional decidiu
de acordo com a jurisprudência do TST e assim o conhecimento da
revista ficava inviabilizado, por violação dos dispositivos
legais indicados ou por divergência jurisprudencial, conforme
entendimento do § 4º do artigo 896 da CLT e da Súmula
nº 333/TST. (RR-39500-20.2008.5.03.0023)
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FETRACONSPAR, 24 de junho
de 2010 | Eventos
Empresas Multinacionais do Setor da Construção
FETRACONSPAR participa de Seminário
da ICM
O Presidente da FETRACONSPAR,
do DEPACOM e Secretário Regional da CNTI - GERALDO RAMTHUN,
juntamente com o Secretário para Assuntos Internacionais da Federação
e Presidente do SITRACOCIFOZ - ANTONIO BARROS FRANÇA,
estiveram em São Paulo/SP, na data de ontem (24/06), participando
do "Seminário sobre Empresas Multinacionais do
Setor da Construção", no hotel San Raphael,
Largo do Arouche n º 150. Cidade de São Paulo/SP, evento
organizado pela Internacional dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção e da Madeira ( ICM ).
Confira
a programação
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| GERALDO
RAMTHUN
(Presidente
da FETRACONSPAR, do DEPACOM e Secretário Regional da CNTI)
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ANTONIO
BARROS FRANÇA
(Secretário
para Assuntos Internacionais da Federação e Presidente
do SITRACOCIFOZ ) |
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