 |
Gazeta do Povo, 12 de julho
de 2010
Trabalho
Ritmo de contratações no
país tem perspectiva melhor que a da China
Mesmo com a desaceleração econômica
prevista para o trimestre, pesquisa mostra que a abertura de vagas crescerá
em velocidade recorde; setor imobiliário é destaque
Enquanto os especialistas apontam
para uma desaceleração da economia brasileira, a expectativa
de contratações para este terceiro trimestre do ano vai
em sentido contrário e deve levar o mercado de trabalho do país
a crescer mais que o da China. Se confirmado, o desempenho do emprego
no Brasil seria o segundo melhor em todo o mundo. Esse cenário
é apontado em pesquisa realizada pela multinacional de recursos
humanos Manpower, que entrevistou 61 mil diretores e gerentes de empresas
públicas e privadas em 36 países.
De acordo com o levantamento
– que ouviu 850 empregadores no Brasil –, o país
terá uma geração de vagas 40% maior do que entre
os meses de julho e setembro de 2009; resultado inferior apenas ao da
Índia, que deve apresentar expansão de 42% no mesmo período.
Nesse bom contexto nacional, o Paraná está em destaque,
com a maior perspectiva de contratações dentre as cinco
regiões pesquisadas, ao lado da cidade de São Paulo –
a expectativa para ambos é de crescimento de 44% na abertura
de vagas.
“A posição
do país confirma a visão de que o Brasil fez o dever de
casa, e que a situação econômica aponta para o progresso”,
avalia o diretor comercial da Manpower do Brasil, Pedro Guimarães.
Todos os oito setores econômicos avaliados apontam para um forte
crescimento no volume de contratações, oscilando de um
piso de 24% na administração pública e educação
ao teto de 52% no setor de serviços.
Com o maior número de
lançamentos dos últimos cinco anos, o setor imobiliário
deve apresentar uma expansão de quase 50% no número de
empregos neste trimestre. Os números da pesquisa são comprovados
pela expectativa dos agentes do mercado local.
Salto
De acordo com o Conselho Regional
dos Corretores de Imóveis do Paraná (Cresci-PR), o número
de inscritos ativos no órgão saltou de 8 mil em janeiro
para 9 mil em junho, e deve fechar o ano com 10 mil corretores –
um crescimento de 25% em 12 meses.
O diretor de atendimento da
Lopes Consultoria de Imóveis, Luiz Augusto Brenner Rose, estima
um crescimento acima dos 30% no número de corretores contratados
pela empresa na mesma base de comparação da pesquisa mundial.
“O mercado retomou [a expansão] com muito vigor. E os corretores
são apenas a ponta de um iceberg de toda uma cadeia, que também
envolve engenheiros e empresas de publicidade, transporte e logística”,
avalia.
O diretor-geral da Galvão
Vendas, Gerson Carlos da Silva, explica que o setor passa por um
intenso processo de contratação nos últimos meses
para atender à demanda atual e aos lançamentos futuros.
Nos últimos 18 meses, a Galvão quase quadruplicou seu
número de colaboradores, passando de 80 no início de 2009
para os atuais 300 – patamar recorde que supera o período
pré-crise. “Devemos contratar outros 200 corretores para
os 20 lançamentos programados até o fim do ano. Enfrentamos
um verdadeiro blacaute de mão de obra no setor, e estamos contratando
pessoas sem qualificação prévia para passarem por
um processo de formação”, diz.
Evolução financeira
Incentivado pela esposa, corretora
de imóveis, o técnico em redes de informática Alex
Cordeiro trocou o mundo dos mouses e teclados pela pasta de couro. Segundo
ele, a recém-iniciada carreira de corretor lhe abriu perspectivas
de evolução pessoal e financeira. “Trabalhando com
informática, eu conseguia apenas pagar as contas e não
tinha condições sequer para trocar de carro. Trabalhando
oito meses como corretor de imóveis consegui juntar dinheiro
para casar e, até o fim do ano, pretendo comprar meu primeiro
imóvel na planta como forma de investimento”, conta. O
salário saltou de R$ 1,7 mil para uma renda média de R$
5 mil ao mês. “Na área imobiliária tem meses
em que você não vende nada, mas o mês seguinte pode
compensar e ainda render umas sobras”, garante.
Falta
de preparo da mão de obra é entrave para os empresários
A expectativa de aumento nas contratações deve elevar
ainda mais a dificuldade de alguns setores da economia que já
encontram barreiras para encontrar mão de obra especializada.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metal-Mecânicas
do Paraná (Sindimetal-PR), Alcino de Andrade Tigrinho, ressalta
o trecho da pesquisa da Manpower que diz que 64% dos empresários
brasileiros têm dificuldades para preencher as vagas com profissionais
qualificados.
O dirigente lamenta o fato de
as empresas terem perdido capital humano qualificado durante a crise.
“Esses profissionais ou já estão trabalhando
[em outras empresas], ou mudaram de área. Agora,
os empresários precisam investir novamente em treinamento”,
diz.
O tema da escassez de mão
de obra também foi debatido durante o seminário “Projeto
País: Governança e Gestão –
Desafios da Infraestrutura”, realizado
no mês passado pelo Instituto de Engenharia do Paraná
(IEP). O evento reuniu engenheiros de todo o país em Curitiba
para elaborar estratégias que deverão ser entregues aos
candidatos à Presidência da República
em um congresso nacional da categoria, em agosto. Segundo
o IEP, o Brasil forma 32 mil engenheiros por ano, número considerado
insuficiente para a atual demanda do mercado de trabalho.
Números
Estudo indica alta de 40% sobre 2009
A pesquisa realizada pela Manpower,
multinacional norte-americana da área de recursos humanos, mostra
que o número de contratações no Brasil terá
um aumento de 40% neste trimestre em relação ao mesmo
período do ano passado. Caso os números do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho,
sejam usados como base, o levantamento indica que o país poderá
criar 880 mil vagas entre os meses de julho e setembro de 2010. Trata-se
de uma marca que superaria os resultados de 2008, ano em que houve recorde
de contratação no período, com abertura de 725
mil postos de trabalho. No terceiro trimestre do ano passado, os mercados
ainda se recuperavam da crise econômica mundial e foram gerados
633 mil empregos.
Metodologia
Vale ressaltar, entretanto,
que o estudo da Manpower capta a expectativa de empresários e
executivos do setor de recursos humanos para os próximos meses,
enquanto o Caged é o número oficial de criação
de empregos com carteira assinada no Brasil.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
12 de julho de 2010 | Economia
Paraná é o estado que mais
investe no Sul do País
AE Notícias
Pesquisa divulgada pelo Dieese e pelo Sindicato dos Engenheiros (Senge-PR)
revela que o Paraná é o estado que mais investiu, em termos
absolutos, no Sul do Brasil, de 2000 a 2009. O mesmo estudo coloca o
Estado no 7.º lugar em todo o País, no total de investimentos
empenhados. O secretário do Planejamento e Coordenação
Geral, Allan Jones, afirma que todos os recursos investidos pelo Estado
é receita própria.
"Até bem pouco tempo,
em função da multa pelo não pagamento de títulos
adquiridos com a privatização do Banestado, o Paraná
não podia contrair qualquer tipo de empréstimo para alavancar
investimentos. Com o empenho pessoal do governador Pessuti, o Estado
ficou livre desta multa".
Ao comentar a pesquisa, Jones
disse que o Governo do Paraná fez opção pelas pessoas,
construindo hospitais, clínicas da mulher e da criança
e escolas. Enquanto outros Estados, por força da lei, destinam
25% do seu orçamento para a educação, o Paraná
é o único que destina 30%. Além desse percentual,
o governo estadual também cumpre a lei e destina 12% do seu orçamento
para a saúde.
Superação
Segundo dados da Fundação
Getúlio Vargas, o índice de pobreza teve queda de 8,25
pontos percentuais de 2003 a 2008, no Paraná. De acordo com o
instituto, em 2003, 16% dos paranaenses (cerca de 1,6 milhão
de pessoas), viviam na chamada linha da pobreza. Cinco anos depois,
com um milhão de habitantes a mais, o índice caiu para
7,75% (813 mil pessoas).
A queda mais acentuada aconteceu
de 2005 a 2007. A redução do índice de pobreza
foi mais sentida no interior, que passou de 16,8% para 8,46% em cinco
anos. Na Região Metropolitana de Curitiba, o índice recuou
de 10,5% para 3,92%; e na periferia da região metropolitana,
de 18,7% para 9,09%.
Ao mesmo tempo em que as classes
mais pobres foram diminuindo, aumentaram as classes mais abastadas.
As classes A e B, por exemplo, em 2003, representavam 8,8% da população
e, em 2008, o índice saltou para 13,7%.
Crescimento
A pesquisa divulgada, nesta
sexta-feira (9), pelo Dieese, revela que, entre 2008 e 2009, o investimento
no Paraná cresceu 9% e, entre 2007 e 2008, já havia crescido
19,8%. Segundo dados da Secretaria do Planejamento e Coordenação
Geral, 86% de toda a receita do Estado está previamente vinculada,
restando 14% para os gastos que são efetivamente decididos pela
administração. Se for considerado apenas a receita líquida,
o percentual que o Paraná investe é um dos maiores do
País.
Os investimentos privados no
Estado também crescem em ritmo acelerado. Segundo dados divulgados
pelo IBGE, na última terça-feira (6), a produção
industrial do Paraná em maio de 2010 avançou 17,7% na
comparação com o mês anterior. O resultado foi o
melhor dentre todas as regiões pesquisadas. Em relação
a maio de 2009, o avanço foi de 31,3%, o melhor resultado desde
agosto de 1993, quando o índice atingiu 35,2%. A taxa acumulada
nos últimos 12 meses é de 5,6%, à frente da média
nacional de 4,5%.
Tais resultados são
decorrentes do bom desempenho de uma variada gama de setores industriais.
Cabem destaques: edição e impressão (106%), veículos
automotores (55,5%), máquinas e equipamentos (52,5%), bebidas
(50,4%) mobiliário (38,4%), produtos de metal (36%), celulose,
papel e produtos de papel (30,9%), máquinas, aparelhos e materiais
elétricos (19,3%), borrachas e plásticos (18,1%), madeira
(10,7%), outros produtos químicos (3,2%), minerais não
metálicos (2,9%) e alimentos (1,0%). A rigor o único setor
que apresentou resultado negativo foi refino de petróleo e álcool,
com queda de -2,0%. Esta queda pode ser atribuída à redução
na produção de diesel e GLP, e também na queda
no refino de álcool no Estado.
|
Folha de S.Paulo, 12 de
julho de 2010
TENDÊNCIAS/DEBATES
Por um PAC 3, do trabalhador
MIGUEL TORRES
--------------------------------------------------------------------------------
Grandes empresas investem seus recursos na qualificação
de profissionais para suas vagas, mas as pequenas e médias não
têm como fazê-lo
--------------------------------------------------------------------------------
O governo está apostando todas as suas fichas na solidez da economia
e nos Programas de Aceleração do Crescimento (PACs), mas
as atuais condições de trabalho e a falta de profissionais
qualificados para sustentar o crescimento e a conclusão das obras
podem transformar nosso futuro num pesadelo.
Por isso, defendo um PAC 3 -o PAC da qualificação e da
valorização do trabalhador, de forma a garantir os PACs
1 e 2. E o que seria o PAC 3? Um programa para a qualificação
profissional com investimentos em programas de treinamento e para a
criação de condições efetivas para mais
segurança no trabalho (menos horas extras), mais tempo para consumir
cultura, educação (redução da jornada semanal
para 40 horas) e se relacionar de forma democrática com o empregador,
buscando mais qualidade e produtividade.
Qual é a situação hoje? Jornadas extenuantes, com
excesso de horas extras, acidentes de trabalho, pouco tempo para a cultura
e educação, relações conflituosas com empregadores
e desemprego por falta de qualificação (6,5 milhões
de desempregados). Uma empresa como a ThyssenKrupp, que acabou de inaugurar
uma siderúrgica no Rio, mandou 210 empregados estudarem na Alemanha,
treinou por sua própria conta outros 1.700 e "importou"
600 chineses para a obra.
O estaleiro Atlântico Sul (PE) trouxe de volta do Japão
200 soldadores brasileiros. Isso acontece porque Senai, Senac e Senar,
órgãos do "Sistema S", treinam apenas 20% de
sua mão de obra, com recursos milionários arrecadados
das folhas de pagamento. E cobram para fazer isso, numa atitude a meu
ver irregular, que o MEC tentou, mas não conseguiu mudar.
As grandes empresas investem recursos próprios na qualificação
de profissionais para suas vagas, mas as pequenas e médias não
têm esses recursos, embora sejam quem mais oferece empregos.
De pouco vale os ministérios do Trabalho, da Educação
e da Ciência e Tecnologia afirmarem que também as empresas
têm de contribuir. Têm, mas poucas podem fazer isso por
terem acesso ao crédito barato do BNDES. As menores, não.
Faltam soldadores, operadores de máquinas, técnicos de
manutenção, pedreiros, azulejistas, padeiros, caixas,
garçons etc. Embora perto de 6 milhões de trabalhadores
já recebam, anualmente, algum tipo de qualificação,
será preciso formar mais 1,3 milhão neste ano, quando
mais 1,7 milhão de pessoas entrarão no mercado de trabalho.
Os programas de qualificação do governo FHC, que chegaram
a treinar 2 milhões de trabalhadores por ano, foram interrompidos
e muito pouco foi colocado no lugar. O programa similar, tocado pelo
Ministério do Trabalho, não treina 300 mil pessoas por
ano!
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, tem pregado no deserto,
pleiteando mais recursos para a qualificação, mas a equipe
econômica cortou o orçamento. No último ano de seu
governo, Lula precisa ouvir três ministérios (Trabalho,
Educação, Ciência e Tecnologia), aprovar créditos
suplementares e iniciar programa de qualificação significativo.
Basta ir ao Sine (Site Nacional de Empregos) ou ao Centro de Solidariedade
da Força Sindical para ver a tragédia: empresas oferecendo
vagas, trabalhadores se candidatando, mas não as preenchendo
por falta de qualificação. O governo precisa criar um
PAC 3 e apoiar, entre outras coisas, a redução da jornada
semanal para 40 horas, sem horas extras. Com mais tempo livre, o trabalhador
poderá melhorar sua qualidade de vida consumindo cultura ou requalificando-se
profissionalmente.
MIGUEL TORRES, 51, é presidente
em exercício da Força Sindical e presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi.
|
ESTADÃO.COM, 12 de
julho de 2010 | Economia
Estados querem mais verba federal para
habitação
Bandeira de Dilma (PT), Minha Casa Minha Vida
aquece setor à baixa renda, mas faz dobrar preço da terra
e vira alvo dos tucanos
Secretários estaduais de Habitação e Desenvolvimento
Urbano querem verba federal para colocar em prática um plano
de erradicação das áreas de risco e o monitoramento
de regiões inundáveis no Brasil. Estados afetados por
desastres naturais, como as fortes chuvas que devastaram Alagoas e Pernambuco
essa semana, teriam prioridade na transferência de recursos dos
programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida.
Bandeira da candidata governista,
Dilma Rousseff (PT), o programa enfrenta uma espécie de efeito
às avessas. O aporte de subsídios federais para a construção
de 1 milhão de casas pela iniciativa privada provocou uma verdadeira
corrida a terrenos, o que fez sumir os espaços ainda vazios para
construção e o preço do metro quadrado disparar
nas periferias. É justamente nessas áreas, onde as favelas
e assentamentos precários crescem à revelia da lei, que
vivem as famílias mais afetadas pelas chuvas.
Reunidos no Fórum Nacional
de Habitação e Desenvolvimento Urbano, os secretários
estaduais querem que o governo federal libere verbas para o mapeamento
das áreas de maior risco. E recursos da habitação
destinados, prioritariamente, para a retirada das famílias dessas
áreas.
Das 8 milhões de unidades
necessárias para acabar com o déficit habitacional no
Brasil, cerca de 3 milhões estão em zonas de risco. Presidido
pelo secretário de Habitação de São Paulo,
Lair Krähenbühl, o Fórum definiu uma agenda nacional
para o setor que será entregue aos candidatos a presidência.
Entre as reivindicações estão aumento de 35% no
valor do subsídio nas regiões metropolitanas, que passaria
a R$ 70 mil, e de 25% nos municípios, para R$ 53 mil. Nas cidades
com até 50 mil habitantes, o fórum propõe mínimo
de R$ 20 mil em subsídios por unidade.
O Minha Casa Minha Vida oferece
subsídios e financiamento facilitado para a compra da casa própria
a famílias com renda de até dez salários mínimos.
Mas, tanto secretários quanto a iniciativa privada alegam dificuldades
para atender à classe mais baixa desse universo, com renda de
até 3 salários mínimos - justamente, onde o déficit
por moradia é maior - por causa do aumento no preço dos
terrenos.
"É a lógica
do mercado: quanto maior a demanda, maior o preço. E isso prejudicou
a oferta de unidades para a classe baixa", disse o vice-presidente
de Habitação da Associação dos Empresários
de Obras Públicas (Apeop), Osvaldo Garcia. O aumento no valor
dos terrenos e a escassez da mão de obra, explica Garcia, não
são efeitos apenas do programa, mas do bom momento da construção
civil graças, principalmente, à ascensão de 31
milhões de brasileiros para a classe média no governo
Lula. "O mercado imobiliário está aquecido em todas
as faixas", diz.
É como se o feitiço
tivesse virado contra o feiticeiro. "Mas, o programa não
pode ser considerado um fracasso", ressalva. "A grande dificuldade
é na faixa de até 3 salários mínimos nas
capitais, que paga mais pelo metro quadrado." A expectativa do
governo federal com o Minha Casa Minha Vida era de que os estados complementassem
os recursos federais.
Na capital paulista, a Prefeitura
dá os terrenos e um complemento à verba federal de R$
5 mil por unidade. "Preciso de R$ 300 bilhões para acabar
com o déficit em São Paulo. O programa está destinando
R$ 20 bilhões para cá. É pouco? É. Mas,
é melhor do que nada. Encaramos o Minha Casa Minha Vida como
mais um financiador", diz o engenheiro Luiz Ricardo Pereira Leite,
presidente da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab).
Fila. Mãe de David, de
9 anos, Lucas, de 7, e o recém-nascido Daniel, Rosimeire espera
há 1 ano na fila do Minha Casa Minha Vida em São Paulo.
Está entre as 600 mil famílias que se inscreveram, somente
na capital, quando o programa foi lançado. O cadastramento foi
feito pela Prefeitura e somado a uma lista de outras 400 mil famílias
paulistanas que esperam pela casa própria.
Enquanto esse dia não
chega, Rosimeire, o marido e os três filhos moram com a mãe
dela. A renda da família é de um salário mínimo.
"O mercado, sozinho, não consegue atender a essa faixa,
então nós entramos com terrenos e recursos, do Fundo Municipal
da Habitação", diz Leite. Moradores de áreas
de risco serão os primeiros beneficiados.
O loteamento com 500 unidades
em Sapopemba, na Zona Leste, um dos mais precários e violentos
da cidade, será o primeiro, com entrega prevista para dezembro.
Outras 5 mil unidades foram licitadas. A crítica de Leite ao
programa é a burocracia e normas muito rígidas que impedem
a construção unidades menores, que poderiam atender a
casais, por exemplo. "Mas, se ficarmos reclamando, não fazemos
nada", diz Leite. "Os problemas de moradia que enfrentamos
nas capitais são graves e não comportam mais brigas políticas."
Efeito
colateral
OSVALDO GARCIA
VICE-PRESIDENTE DE HABITAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO
DOS EMPRESÁRIOS DE OBRAS PÚBLICAS (APEOP)
"É a lógica do mercado: quanto maior a demanda,
maior o preço. E isso prejudicou a oferta de unidades para a
classe baixa.
Mas o mercado imobiliário está aquecido em todas as faixas"
Ministério das Cidades terá
recursos extra para AL e PE
O Ministério das Cidades
prometeu destinar recursos adicionais para a construção
de moradias às famílias afetadas por inundações
em Alagoas e Pernambuco. O dinheiro seria alocado ao Minha Casa Minha
Vida. Mas, os valores, número de unidades e prazos para a retirada
das famílias das áreas de risco não foram definidos.
Segundo o Ministério, isso terá de ser feito por meio
de medida provisória. No Rio, 594 unidades do programa foram
entregues, essa semana, a famílias do complexo de favelas Alemão,
desabrigadas pela chuva desde abril. Na quarta-feira passada, o governo
federal anunciou R$ 44 bilhões, em 2011, para o PAC e o Minha
Casa Minha Vida.
|
BEM
PARANÁ, 12 de julho de 2010 | Economia
Manutenção de condomínios
Com mais prédios, falta mão-de-obra
no setor
Porteiros, seguranças, jardineiros e zeladores
são profissionais raros em Curitiba
Ana Ehlert
Na Facop, curso de limpeza profissional ensina a trabalhar com equipamentos
(foto: Franklin de Freitas) O ritmo acelerado da construção
civil tem gerando demanda de mão-de-obra não apenas nos
canteiros de obras, mas também na outra ponta — os condomínios.
Com mais prédios, cresce a procura por profissionais que atuam
na manutenção destes empreendimentos, como porteiros, profissionais
de limpeza, segurança e jardinagem, entre outros. Em Curitiba,
por mês, há a oferta mínima de 600 vagas, conforme
a reportagem apurou ouvindo as principais empresas de recrutamento de
pessoal para atuar em condomínios.
De acordo com o gerente comercial do grupo Mariah, empresa que presta
serviços de recrutamento, seleção e terceirização
de mão-de-obra em geral, Rudimar Vargas, há uma enorme escassez
de mão-de-obra qualificada no mercado e os profissionais encontrados,
em sua maioria, não possuem experiência. “Há
cerca de 6 meses a demanda por profissionais desse segmento aumentou”,
comenta Vargas.
Segundo o gerente comercial do grupo Mariah, a empresa tem 500 vagas abertas
para profissionais de limpeza, segurança, manutenção
predial e jardinagem, na empresa. Para atender a demanda, empresa que
atende 200 condomínios em Curitiba, precisou buscar profissionais
no interior. A medida, segundo Vargas, será mantida até
que ocorra uma melhora no mercado em Curitiba.
A empresa Pessoal Terceirização
de Mão-de-Obra e Serviços , que atende cerca de 10 prédios
na capital, também está encontrando muita dificuldade
na hora de conseguir profissionais para os serviços de manutenção
predial. Para tentar driblar as dificuldades, a empresa não está
exigindo qualificação e, por isso, está fazendo
treinamento dos candidatos. Segundo Tatiane Andressa da Silva, responsável
pelo departamento pessoal da empresa, a grande escassez é de
profissionais do sexo masculino e para o serviço de limpeza.
“Devido à falta de profissionais homens a empresa está
substituindo algumas vagas por profissionais do sexo feminino, mas alguns
serviços são muito pesados para as mulheres”, diz
Tatiane.
Tatiane acredita que o problema é a soma do crescimento da construção
civil com a falta de interesse de profissionais para trabalharem nessa
área. No momento há 10 vagas disponíveis na empresa,
para homens.
A OLM, Soluções em Instalações e Manutenção
Predial, encontra dificuldade para encontrar profissionais para serviços
de manutenção predial, como limpeza e jardinagem, desde
o ano passado. Segundo Felipe de Oliveira, responsável por marcar
os orçamentos da empresa, a OLM trabalha só com profissionais
capacitados e está fazendo propaganda da empresa para tentar
encontrar profissionais.
No grupo Higi Serv, especializado na prestação de serviços,
mensalmente há entre 80 e 100 vagas disponíveis, segundo
as informações do diretor-presidente Adonai Aires Arruda,
que também preside o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação
do Paraná (Seac-PR) e da Fundação de Asseio e Conservação
do Estado do Paraná (Facop).
Colaborou
Clarissa Herrig
|
Gazeta do Povo, 12 de julho
de 2010
Aquecimento global
Construções deverão
ser mais resistentes
Cenas de municípios arrasados por enxurradas e terremotos fazem
com que questionemos se a cidade em que moramos está protegida
de desastres como esses. Um aspecto observado é certo. O clima
não faz vítimas de acordo com a classe social. Todos nós
estamos vulneráveis a tragédias ambientais. “O efeito
climático é bastante democrático”, resume
o climatologista José Marengo.
Com episódios de chuvas
torrenciais mais frequentes, o especialista alerta que grandes cidades
também estão suscetíveis a inundações
por estarem completamente impermeabilizadas por construções
que impedem a vazão necessária das águas. O engenheiro
civil Alexandre Guetter, professor do Departamento de Hidráulica
e Saneamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica
que as estruturas são projetadas para um determinado risco. Ou
seja, existe um limite de situações extremas a que as
estruturas devem ser submetidas em um certo período de tempo.
Para calcular essa resistência,
um dos pontos considerados pelos engenheiros são estatísticas
de chuvas. “As estatísticas que valiam no passado deveriam
ser revistas hoje. O cenário com que nos deparamos hoje é
diferente do que existia em 1960”, avalia Guetter. Ele sugere
que o planejamento de futuras obras desconsidere dados antigos de chuvas.
“É desejado que essas estatísticas sejam revisadas
para cima.”
Entretanto, Curitiba está
em uma posição mais segura. “Os riscos e as políticas
urbanas em Curitiba são bastante consolidados”, afirma
Guetter. Para ele, a criação de parques com lagos que
servem como válvula de controle das chuvas é uma medida
positiva que deveria ser estendida a outros municípios da região
metropolitana.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
12 de julho de 2010 | Economia
Lei eleva rombo do INSS de R$ 48 bi para
R$ 118 bi
O rombo na Previdência Social pode aumentar ainda mais com a aprovação
da emenda do senador Paulo Paim (PT-RS) que indexa os reajustes dos
benefícios previdenciários ao aumento do salário
mínimo. Se a emenda estivesse valendo de 1998 a 2008, o déficit
saltaria de R$ 48,5 bilhões - valor próximo ao estimado
para este ano - para estratosféricos R$ 117,9 bilhões,
aponta estudo do próprio Congresso Nacional.
Em 2008, as despesas com os
benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - urbanos
e rurais, sem considerar os assistenciais com idosos e deficientes -,
que foram de R$ 199,5 bilhões, chegariam a R$ 269 bilhões.
Os dados são do estudo Salário mínimo e reajustes
dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social -
RGPS, elaborado pela consultora legislativa Sandra Cristina Filgueiras.
Com o impacto, analisa a autora,
as despesas deixariam o patamar de 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB)
para atingir 9,3%. "Há um preconceito contra discutir essa
questão, ninguém quer debater, mas é preciso tocar
na ferida. O lobby dos aposentados é forte, é uma população
que tem uma base eleitoral crescente e ninguém quer se voltar
contra ela. O trabalho mostra que eles não tiveram perdas reais",
disse Sandra.
O senador considerou as
críticas à indexação um "terrorismo
deslavado" e negou que a emenda comprometa as finanças públicas.
Ao longo do mandato, Paim apresentou uma série de propostas para
"repor o poder de compra dos aposentados e do salário mínimo".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
|
Folha de S.Paulo, 12 de
julho de 2010
Fazenda quer teto de 12% para juros
Para equipe do ministro Guido Mantega, desaceleração
da economia se confirmou e taxa pode ficar em 11,5% | Mesmo acreditando
em desaceleração, Fazenda aumentou sua previsão
de crescimento para 2010, de 6,5% para 7%
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
Na queda de braços sobre
os rumos da política monetária dentro do governo, o Ministério
da Fazenda avalia que sua previsão de desaceleração
da economia se confirmou e que não há motivos para os
juros do Banco Central ficarem acima de 12% no final do ano.
Apesar da desaceleração, a equipe do ministro Guido Mantega
fará uma revisão da estimativa de crescimento neste ano,
que pode passar dos atuais 6,5% para algo próximo de 7%. A do
Banco Central hoje é de 7,3%. A nova previsão só
será fechada com a volta do ministro a Brasília nesta
semana.
A equipe de Mantega acredita que o Copom (Comitê de Política
Monetária) poderia fazer apenas mais um aumento de juros em 2010,
na reunião deste mês, e suspender o processo de ajuste
na política monetária iniciado em abril último.
A expectativa no governo, porém, é de que o Copom acabe
fazendo pelo menos mais um aumento na taxa de juros no encontro de setembro,
durante o primeiro turno da eleição presidencial.
Deve adotar esse caminho mesmo no caso de os indicadores econômicos
mostrarem que o ajuste na política monetária pode ser
interrompido. Motivo: o BC sinalizou ao mercado que a alta dos juros
seguiria no segundo semestre e, se fizer o contrário, pode perder
credibilidade.
A equipe econômica espera, então, que os juros não
passem de 11,5% até o final do ano. A taxa hoje está em
10,25%, depois de duas altas (abril e junho) de 0,75 ponto percentual.
Em julho, o Copom pode promover mais um aumento em dose idêntica,
o que levaria a taxa para 11%.
Para justificar suas avaliações, a equipe de Mantega cita
uma série de indicadores divulgados recentemente que mostraram
desaceleração da economia.
O IPCA de junho ficou em 0%, a taxa de desemprego registrou leve aumento
em maio e o nível de utilização da capacidade instalada
da indústria registrou uma pequena queda no mesmo mês.
Esses dados, segundo assessores de Mantega, mostram que o aumento da
inflação até agora veio mais de choques sazonais
em alguns setores, como açúcar, etanol e hortifrutigranjeiros,
do que pressões de demanda.
AJUSTE
CORRETO
Ninguém questiona, contudo, o BC por ter iniciado o ajuste na
política monetária. Pelo contrário, dizem que ele
está correto porque realmente há também pressões
inflacionárias por conta do aumento no ritmo de crescimento da
economia, que já desacelerou.
Esse ritmo de desaquecimento é o que leva a equipe econômica
a avaliar que os juros podem ficar na casa dos 11,5%, enquanto no mercado
a expectativa é de que fiquem em 12,13% no final do ano.
Cálculos do Ministério da Fazenda mostram que, se a previsão
de crescimento econômico feita pelo BC se confirmar, a alta média
trimestral ficará entre os percentuais de 0,8% e 1%, depois de
bater em 2,7% nos três primeiros meses de 2010.
Ou seja, a confirmação dos 7,3% do BC indica uma redução
no ritmo da economia, que pode fechar o ano com um crescimento numa
velocidade entre 4,5% e 5% anualizados.
Apesar das avaliações divergentes dentro do governo, o
presidente Lula e sua equipe econômica não querem fazer
uma pressão ostensiva sobre o BC. Afinal, não desejam
sinalizar ao mercado, em plena eleição, que pode haver
uma interferência política na condução da
política monetária.
|
Folha de S.Paulo, 12 de julho de 2010
''Maracanazo''social é o
maior risco da Copa-2014
O que aconteceria com o Brasil
se, em 2014, ocorresse uma reedição do "Maracanazo"
de 1950, e a seleção voltasse a fracassar em casa? Para
Hilário Franco Júnior, professor da pós-graduação
em história social da USP e autor de "A Dança dos
Deuses - Futebol, Sociedade, Cultura", quase nada mudaria. O historiador
diz que o maior risco que o país corre não é uma
derrota esportiva em 2014, mas a falta de mudanças estruturais
durante a preparação para o próximo Mundial.
A entrevista é de Carolina
Araújo
Há pontos em
comum entre a preparação para a Copa de 1950 e de 2014?
A comparação entre
os dois momentos históricos é inevitável e útil,
mas não pode ser levada muito longe. Nem o país nem o
futebol e, menos ainda, o mundo são os mesmos. Mas há
pontos comuns inegáveis e preocupantes. Planejamento e abundância
de recursos não caracterizam nem aquela época nem agora.
A agenda política facilita os oportunismos, com dois meses e
meio separando o fim da Copa e as eleições presidenciais
e estaduais, tanto em 1950 como em 2014. E a população,
nos dois momentos, considera a vitória esportiva inevitável
e obrigatória.
Que consequências
um revés em 2014 pode trazer para o Brasil? Como foi em 1950?
O Brasil de 1950 pesava pouco
no mundo em termos políticos, econômicos e futebolísticos.
Então, a derrota externamente não mudou nada. Internamente,
o gigante de pés de barro que caíra, em casa, diante do
nanico vizinho reforçou aquilo que Nelson Rodrigues chamaria
de "complexo de vira-latas". Mas, considerando os dados de
Copas recentes, parece que, se a vitória de um país estimula
o consumo interno e mesmo a produtividade, a derrota não altera
muita coisa. O eventual "Maracanazo" de 2014 que deve preocupar
não é tanto esportivo, mas social. Vamos aproveitar a
chance para fazer as obras de infraestrutura necessárias? Vamos
conseguir evitar o desvio de dinheiro público? Vamos controlar
a violência com a vinda de centenas de milhares de estrangeiros?
Apesar do intervalo
de seis décadas entre as duas Copas, os desafios são os
mesmos?
Ainda não foi entre 1950
e 2014 que conseguimos mudar nosso modo de ser coletivo baseado no improviso,
no jeitinho, nas meias soluções de última hora.
Nosso desafio é comportamental. Não conseguimos ou não
queremos antecipar um problema. Só vamos pensar nele quando estiver
grande, e a solução for mais difícil ou cara. Nos
anos 50 e 60, o slogan de São Paulo era "a cidade que mais
cresce no mundo", mas o que se fez para acompanhar esse crescimento?
O metrô ou o Rodoanel não deveriam ser obras de hoje, mas
de décadas atrás. Não era preciso ter uma Copa
para diagnosticar que nossos aeroportos são insuficientes e obsoletos.
Falta mobilização
no país para a Copa de 2014? Houve essa mobilização
em 1950?
Raramente ocorre mobilização
nacional, em qualquer país, na fase de preparativos. As decisões
são, ou deveriam ser, técnicas, logísticas, econômicas,
politicas. Os maiores debates se dão entre grupos de interesse,
como ocorreu na construção do Maracanã. Também
não vejo a Copa-2014 criando grande frisson muito antes de começar,
a não ser na Copa das Confederações, em 2013. Até
lá, as questões serão sobre o estádio paulistano,
a reforma do Maracanã e o andamento das obras de infraestrutura.
|
PARANÁSHOP, 12 de julho
de 2010
Construção civil terá
programa especial em tevê aberta
A TV Tarobá em Cascavel
vai transmitir, a partir deste domingo, dia 11, um programa especial
sobre o segmento da construção civil. O “Construindo
o Paraná – programa obra nota 10”, fruto de uma parceria
entre o Sebrae/PR, Sistema FIEP/SENAI e Conselho Regional de Engenharia,
Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (CREA/PR), vai exibir,
semanalmente, reportagens especiais e informações úteis
sobre o setor para o público em geral.
Na avaliação do
gerente da Regional Oeste do Sebrae/PR, Orestes Hotz, essa será
uma ótima oportunidade para mostrar o setor que mais faz crescer
a economia do País. “O programa visa apresentar o que há
de melhor nas empresas participantes do Projeto Obra Nota 10, com as
melhores práticas construtivas, as inovações e
informações úteis a qualquer cidadão que
queira adquirir ou construir uma casa, loja, ou prédio”,
afirma o gerente do Sebrae/PR.
Segundo Orestes Hotz, é
o programa de tevê é algo inédito no Paraná
e no Brasil, fruto de um esforço conjunto de várias instituições
e entidades. “A comunidade ganhará muito com esse programa
que pretende conectar empresas e profissionais do setor com o consumidor.”
Com duração de
30 minutos, das 8 horas às 8h30, o programa trará temas
como design, arquitetura e decoração, engenharia, artes,
entre outros. “É um programa voltado tanto para os profissionais
que trabalham no setor da Construção Civil, quanto para
aquelas pessoas que estão pensando em construir ou reformar”,
afirma o consultor do Sebrae/PR em Cascavel, Volmir Valentini.
No programa deste domingo, o
telespectador vai conhecer novidades como a instalação
de um jardim no telhado e a construção de casas com materiais
pré-moldados, além de dicas sobre qual o melhor material
para se tapar pequenos buracos na parede e como diminuir o consumo de
energia elétrica em casa.
Dividido nos quadros “Inovação”,
“Fique Atento”, “Mão na Massa”, “Obra
Nota 10” e “Construindo o Saber”, o programa será
apresentado pelo jornalista Márcio Pina e trará reportagens
da, também jornalista, Suzana Ferreira. A produção
levará a assinatura da VS Comunicação, sob a orientação
e consultoria da equipe do Sebrae/PR.
Sobre o Sebrae/PR
O Sebrae/PR - Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Paraná
é uma instituição sem fins lucrativos que foi criada
para dar apoio aos empresários de pequenos negócios. No
Brasil, são 27 unidades e 750 postos de atendimentos espalhados
de norte a sul do País. No Paraná, 5 regionais e 11 escritórios.
A entidade chega aos 399 municípios do Estado por meio do atendimento
itinerante, pontos de atendimento e de parceiros como associações,
sindicatos, cooperativas, órgãos públicos e privados.
O Sebrae/PR oferece palestras, capacitações empresariais,
treinamentos, projetos, programas e soluções empresariais,
com foco no empreendedorismo, setores estratégicos, políticas
públicas, tecnologia e inovação, orientação
ao crédito, acesso ao mercado, internacionalização,
redes de cooperação e programas de lideranças.
|
Folha de S.Paulo, 12 de julho
de 2010
MELCHIADES FILHO
Minha Casa, minha vida
BRASÍLIA - O PT caminha
a passos largos para ampliar seu time no Senado e dar à presidente
Dilma a maioria na Casa que nem Lula obteve com tanta popularidade -ou
dar ao presidente Serra (e ao futuro senador Aécio Neves) a canseira
que não estava no roteiro tucano.
O PT tem hoje a quarta bancada (nove representantes), atrás de
PMDB (18), PSDB e DEM (14 cada).
Dois assentos já estão garantidos: Eduardo Suplicy (SP)
e Tião Viana (AC), ambos no meio do mandato. Tião deve
se eleger ao governo, mas seu suplente é do PT.
Também são petistas os substitutos de dois outros candidatos
que pintam como favoritos ao governo, Alfredo Nascimento (PR-AM) e Renato
Casagrande (PSB-ES).
O partido lançou 18 nomes ao Senado neste ano. Graças
à projeção pessoal e à sólida aliança
política local, seis deles são considerados imbatíveis:
Delcídio Amaral (MS), Humberto Costa (PE), Jorge Viana (AC),
Marta Suplicy (SP), Paulo Paim (RS) e Wellington Dias (PI).
Mas os demais 12 estão no páreo. A maioria duela diretamente
com alguém da oposição a Lula.
Fernando Pimentel, por exemplo, desafia o ex-presidente Itamar Franco
(PPS) em Minas Gerais. Na Bahia, Walter Pinheiro conta com a dobradinha
com o governador Jaques Wagner para tentar derrotar José Carlos
Aleluia (DEM).
No Paraná, o tira-teima é entre Gleisi Hoffman e Gustavo
Fruet (PSDB). No Pará, entre Paulo Rocha e Flexa Ribeiro (PSDB).
Em Mato Grosso, entre Carlos Abicalil e Antero Paes de Barros (PSDB).
Se o PT ganhar mais da metade desses 12 mata-matas, tem chances de sair
da eleição com a maior bancada no Senado. O PMDB projeta
eleger no máximo 17; PSDB e DEM rezam para não encolher
muito.
Aí, além de garantir protagonismo no Senado, o PT poderá
exercer o direito regimental de escolher o presidente da Casa. Nunca
a posição de José Sarney, hoje um aliado petista,
pareceu tão ameaçada.
|
Valor Econômico, 12
de julho de 2010
Empresários temem Estado
de Dilma e BC de Serra
Dirigentes de 45 grandes empresas
brasileiras resumiram em três pontos suas principais preocupações
em relação ao sucessor do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, ao participarem de um encontro recente em São
Paulo. Querem saber o limite da participação do Estado
na economia, quem poderá manter o ciclo de crescimento econômico
registrado no governo Lula e se haverá mudanças em câmbio,
juros e na autonomia do Banco Central.
A reportagem é de Cristiane
Agostine
Na comparação
entre as propostas já feitas pelos presidenciáveis Dilma
Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), pairam mais dúvidas
entre os empresários em relação ao tucano e suas
ideias para a política macroeconômica. Um dos questionamentos
é sobre a independência do Banco Central. O tucano defendeu
o modelo chileno de BC, no qual as decisões são tomadas
em conjunto com o Ministério da Fazenda, mas não deixou
claro se pretende fazer mudanças no modelo brasileiro. Ao sinalizar
em direção a um BC mais integrado com a Fazenda, o tucano
despertou nos empresários dúvidas sobre o grau de controle
que pretende ter nos rumos da política monetária. Também
afirmam não saber ao certo como o candidato do PSDB poderá
baixar as taxas de juros, tampouco se intervirá no câmbio
-- e se intervir, como fará.
Reunidos pela consultoria Prospectiva,
os empresários demonstraram mais preocupação sobre
o peso do Estado num eventual governo Dilma. A candidata, na visão
desses dirigentes, é favorável a que o governo fomente
política de crédito e a capitalização do
BNDES, enquanto o tucano prefere a regulação, sem interferência
direta do Estado. Mediador do debate, o economista e cientista político
Ricardo Sette descreveu que o receio de empresários é
de o Estado ganhar "muita musculatura" e alterar a lógica
do mercado num eventual governo Dilma.
Os dirigentes empresariais,
segundo Sette, ainda têm dúvidas sobre o modelo de política
industrial. A análise preliminar é que a petista deve
desenvolver uma política "vertical", ao eleger setores
da economia que considera estratégicos e investir fortemente
neles, enquanto o tucano poderá aplicar uma política "horizontal",
ao gerar incentivos fiscais independente do setor e as empresas que
estiverem mais capacitadas ao desenvolvimento se beneficiarão.
Existem muitas incertezas sobre
os dois candidatos, resumiu Sette. Professor da PUC, o diretor da consultoria
foi chamado pelos empresários para apresentar o cenário
sucessório. Participaram dirigentes dos setores automobilístico,
aéreo, de alimentação, transportes, construção
civil, entre outros.
De acordo com o relato de Sette,
os empresários estão divididos em relação
ao candidato que poderá dar continuidade a alta taxa de crescimento
registrada pela economia brasileira nos últimos anos, no governo
Lula. A predileção de alguns por um candidato é
clara, mas mesmo os que já escolheram em quem votar na eleição
de outubro têm dúvidas sobre propostas e ações.
"Um empresário me disse que como pessoa física vota
no Serra, mas que como pessoa jurídica prefere a Dilma",
comentou. "Os empresários têm mais medo do Serra",
disse Sette.
Mais do que as propostas os
candidatos têm para áreas como Saúde, Educação,
Política Externa e Política Industrial, os empresários
preocupam-se com as futuras nomeações para os ministérios.
Sette relatou os temores apontados pelos empresários sobre os
dois presidenciáveis. Em relação a Dilma, a preocupação
é como a petista lidará com o apetite dos aliados sobre
as pastas, sobretudo do PMDB. Dirigentes analisam que o governo da candidata
poderá ampliar o aparelhamento da máquina e o loteamento
de cargos, com mais nomeações políticas do que
técnicas. Já sobre Serra, a percepção é
que o perfil centralizador do tucano poderá restringir a autonomia
das equipes ministeriais.
|
Agência Câmara,
12 de julho de 2010
Projeto cria ficha limpa para ONGs
e entidades e atinge parentes de 3º grau
Proposta também proíbe que pessoas
condenadas criminalmente e seus parentes ocupem cargos e funções
de confiança no Poder Público e trabalhem em emissoras
de rádio e TV.
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 7396/10, do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que cria um
sistema de "ficha limpa" — similar à lei aprovada
para os políticos — para impedir que pessoas condenadas
criminalmente ocupem cargos de direção ou em conselhos
fiscais e de administração das seguintes entidades: partido
político, organização não-governamental,
sindicato, associação classista legalmente constituída,
entidade esportiva, entidade de utilidade pública, pessoa jurídica
de direito privado sem fins lucrativos e organização da
sociedade civil de interesse público (Oscip).
Em todos os casos, as proibições
se estendem a cônjuges, companheiros e parentes até o terceiro
grau — como tios, cunhados e sobrinhos — das pessoas que
sofrerem sanções. Ou seja, o tio de uma pessoa condenada
não poderá ocupar cargo de direção nas entidades
elencadas no projeto, como uma ONG ou um clube de futebol que receba
incentivos públicos.
Se aprovada, a restrição
também valerá para os cargos de direção
e assessoramento superior (DAS) e para funções de confiança
nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O condenado
e seus parentes também serão proibidos de exercer qualquer
função em emissoras de rádio e televisão,
por serem concessões públicas.
A justificativa de Luiz Carlos
Hauly para a medida são os casos de “feudos familiares”
envolvidos em corrupção.
Crimes
previstos
Segundo o projeto, a restrição abrangerá as pessoas
condenadas, em decisão transitada em julgadoExpressão
usada para uma decisão (sentença ou acórdão)
da qual não se pode mais recorrer, seja porque já passou
por todos os recursos possíveis, seja porque o prazo para recorrer
terminou. ou proferida por órgão judicial colegiado, desde
a condenação até oito anos após o cumprimento
da pena, pelos seguinte crimes:
- Contra a economia popular,
a fé pública, a administração pública
e o patrimônio público;
- Contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado
de capitais e os previstos na lei que regula a falência;
- Contra o meio ambiente e a saúde pública;
- Eleitorais, para os quais a lei estabeleça pena privativa de
liberdade;
- De abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação
à perda do cargo ou à inabilitação para
o exercício de função pública;
- De lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores;
- De tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura,
terrorismo e hediondos;
- De redução à condição análoga
à de escravo;
- Contra a vida e a dignidade sexual;
- Praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando.
Também ficarão
impedidos de ocupar os cargos os militares considerados, por tribunal,
indignos do oficialato; as pessoas que tiverem suas contas relativas
ao exercício de funções públicas rejeitadas;
e, ainda, os detentores de cargo na administração pública
que se beneficiarem por abuso de poder econômico ou político
condenados em decisão transitada em julgado.
Proposta
controversa
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante,
apoia a proposta no que diz respeito a ampliar o conceito da transparência
e da moralidade para todos os setores. “O conceito de ficha limpa
abarca todas as pessoas que têm relação com o Estado,
seja as que têm uma participação direta no Estado
ou as que têm uma participação indireta, recebendo
verbas públicas”, explica. Porém, ele considera
perigosa a extensão da pena para os parentes. “É
um princípio basilar do Direito que a pena não se estende
além da pessoa do condenado. Isso seria condenar ad eternum gerações
e gerações de uma família de alguém que
tenha cometido algum erro em sua vida um dia.”
Apesar de considerar o projeto
válido, o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil,
Claudio Abramo, também acha excessivo incluir na medida os parentes
até terceiro grau. Para ele, bastaria restringir a proibição
aos parentes de primeiro grau, além dos cônjuges e companheiros.
“Terceiro grau é muito longe”, diz.
Prestação de
contas
Por fim, o projeto obriga as entidades relacionadas que receberem recursos
públicos a prestar contas ao Tribunal de Contas da União
(TCU) e a divulgar a utilização dos recursos na internet,
na página do tribunal [www.contaspublicas.gov.br].
Se o TCU julgar irregular a prestação, a entidade não
poderá participar temporariamente de licitação
e não receberá recursos públicos por dois anos
Hauly argumenta que essas entidades
não são obrigadas a prestar contas. Claudio Abramo concorda
com a medida.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivoRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto
perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por
51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará
ser votado pelo Plenário. e será analisado pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-7396/2010
Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Patricia Roedel
|
Agência Câmara,
12 de julho de 2010
Câmara rejeita isenção
de custos processuais para entidades de classe
A Comissão de Finanças e Tributação rejeitou
nesta quarta-feira (7) o Projeto de Lei 1584/07,
do deputado Vander Loubet (PT-MS), que pretendia isentar as entidades
fiscalizadoras de exercício profissional do pagamento de custos
processuais na Justiça do Trabalho. Como tramita em caráter
conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não
precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões
designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter
em duas situações: - se houver parecer divergente entre
as comissões (rejeição por uma, aprovação
por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver
recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos
dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário.,
o projeto será arquivado, a não ser que haja recurso para
o texto ser votado pelo Plenário.
O relator, deputado Márcio
Reinaldo Moreira (PP -MG), considerou a proposta incompatível
e inadequada do ponto de vista financeiro e orçamentário.
Ele argumentou que o projeto fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei
Complementar 101/00), já que não apresenta estimativa
do impacto que a medida provocará para a União, que teria
de arcar com a renúncia de receita.
"As custas judiciais constituem
receita orçamentária da União. Para 2010, há
previsão de arrecadar R$ 348,5 milhões nesta rubrica",
apontou Moreira.
A proposta havia sido aprovada
anteriormente pela Comissão de Trabalho, de Administração
e Serviço Público.
Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - Daniella Cronemberger
|
ABN NEWS, 12 de julho de
2010
Acidentes na construção
civil aumentam no país
Falta de comunicação dos acidentes
prejudica trabalhadores
BRASÍLIA [ ABN NEWS ]
- A construção civil ainda lidera o ranking de acidentes
de trabalho no país. Somente neste ano, dos 534 acidentes analisados
pela Inspeção em Segurança e Saúde no Trabalho,
do Ministério do Trabalho, 162 ocorreram no setor entre janeiro
e abril. Este número superou o total de acidentes contabilizados
na construção civil no ano passado, onde o segmento registrou
489 casos para o total de 1.821. Estes números podem ser ainda
maiores, já que são identificados apenas os acidentes
que envolvem trabalhadores formais.
No Distrito Federal, os acidentes
de trabalho também são uma realidade. No ano passado,
o operário Lúcio Claudio Oliveira da Silva, 22 anos, caiu
do 12º andar de um prédio em construção em
Águas Claras e ficou pendurado pela corda de segurança
por aproximadamente 15 minutos. Desde então, Lúcio sofre
desmaios constantes, tem tonturas e insônia. Ele chegou a voltar
a trabalhar, mas sofreu outro acidente após desmaiar e cair de
uma altura de dois metros.
Ao procurar o INSS, o trabalhador
recebeu como benefício o auxílio-doença. De acordo
com as regras previdenciárias, ele deveria receber o auxílio
doença-acidentário, que exige um período mínimo
de 12 meses de contribuição. Mas, como a empresa não
fez a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para a
Previdência Social, Lúcio não teve direito ao benefício.
“Em nenhum momento a empresa me ofereceu ajuda, bem pelo contrário,
me despediram. Fui ao INSS, mas como eu trabalhei na empresa por 11
meses, não tive direito ao outro auxílio” , conta.
Sem poder trabalhar, Lúcio vende o que tem de valor em sua casa,
em Samambaia, para custear parte dos 20 remédios que precisa.
“Eu não tenho como pagar as consultas e nem como comprar
todos os remédios. Minha esposa deixou o serviço dela
para cuidar de mim porque não posso ficar sozinho”, desabafa.
De acordo com a advogada trabalhista,
Eryka De Negri, apesar da Lei 8.213 exigir que haja um período
mínimo de 12 meses de contribuição para que o trabalhador
tenha direito ao auxílio-doença acidentário, há
exceções, como no caso de Lúcio. “Ele sofreu
um típico acidente de trabalho e não uma doença
profissional. Portanto, de acordo com o artigo 26 da Lei 8.213/91, para
ter direito ao auxílio-doença acidentário, não
precisa ter tempo de contribuição”, explica.
Eryka ainda explica que trabalhadores
na situação de Lúcio, que receberam benefícios
previdenciários inadequados, podem ingressar com ação
judicial contra o INSS. “É importante que esse trabalhador
recorra administrativamente com um Pedido de Revisão ou procure
um advogado para que possa discutir judicialmente na vara de acidente
do trabalho. E a ação judicial será movida contra
o INSS”, diz.
Para o diretor do Sindicato
dos Trabalhadores da Indústria Civil do DF, João Barbosa,
a criação do novo cálculo de Seguro Acidente de
Trabalho, que beneficia com a redução de impostos as empresas
que não possuem ocorrências de acidentes, prejudicou ainda
mais os trabalhadores. “As empresas estão deixando de emitir
a Comunicação de Acidente de Trabalho para receber o imposto
reduzido enquanto os trabalhadores ficam sem a contribuição
previdenciária”, denuncia. A empresa que Lucio trabalhava
também não emitiu a Comunicação de Acidente
de Trabalho em nenhum dos incidentes.
A maioria dos casos de acidentes
ocorre por negligência das empresas. Ainda de acordo com dados
da pesquisa, foram realizadas 39 mil fiscalizações entre
janeiro e abril de 2010. E, deste total, a construção
civil sofreu 4 mil autuações e 876 embargos em todo o
país.
Eryka recomenda aos trabalhadores
que sofreram acidentes ocasionados por falta de treinamento ou uso de
equipamentos de proteção a procurarem assessoria jurídica.
“Mesmo após deixar o emprego, o trabalhador deve entrar
com ação até os dois anos seguintes, podendo recuar
o período de até cinco anos para reivindicar seus direitos”,
diz. “Nestes casos, cabe indenização tanto por dano
moral, quanto material. O trabalhador deverá ser ressarcido de
todos os gastos que teve, inclusive, com medicamentos. Se ele ficar
inválido, por exemplo, poderá ser aposentado por invalidez”,
conclui.
De acordo com o Sindicato
da Indústria da Construção Civil (Sinducon-DF),
é responsabilidade do empregador fornecer e orientar o uso dos
equipamentos de segurança. O próprio sindicato colabora
com as empresas instruindo-as sobre os deveres e obrigações
no que se refere à prevenção de acidentes de trabalho.
Vale ainda ressaltar que o setor da construção civil do
DF conta com cerca de 2.700 empresas, das quais apenas 345 são
associadas à entidade.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
12/07/2010
Intoxicação por agentes químicos
gera indenização por dano moral
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão regional que condenou a empresa paulista
Basf S/A ao pagamento de indenização por danos morais,
no valor de R$ 50 mil, a um empregado que ficou doente em decorrência
de prolongada exposição a produtos químicos. A
partir de 1997, ele trabalhou por cinco anos como auxiliar de produção,
em atividadades de formulação de herbicidas e inseticidas,
ocasião em a própria empresa denunciou que o solo e a
água do terreno em que estava localizada a fábrica haviam
sido contaminados com agentes químicos. Em conseqüência,
o trabalhador foi acometido por transtornos físicos e psicológicos,
danos que levou a empresa a ser condenada.
Não concordando com a
sentença, a empresa interpôs recurso de revista no TST,
contra decisão do Tribunal Regional da 15ª Região
(Campinas/SP). O relator na Sexta Turma, ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, avaliou que o apelo não poderia ser conhecido, uma
vez que qualquer decisão contrária à determinada
pelo TRT demandaria novo exame dos fatos e provas, o que não
é permitido pela Súmula 126 do TST.
O relator explicou que
o dano moral sofrido pelo empregado foi causado pelas atividades que
ele realizava na empresa, conforme provas colhidas em relatórios
médicos e avaliação toxicológica. Esclareceu
ainda que, a despeito de as funções hepáticas do
empregado terem sido normalizadas, conforme alegou a empresa, isso não
a absolve, pois o trabalhador continua sofrendo de outros problemas
orgânicos, físicos e psicológicos relacionados à
intoxicação química. A decisão da Turma
foi por unanimidade. (RR-11900-75.2005.5.15.0126)
|
12/07/2010
Para não pagar bônus, cabe à
empresa comprovar descumprimento de metas
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou (não conheceu) recurso da Ambev
e manteve, na prática, decisão do Tribunal Regional do
Trabalho da Quarta Região (RS) que transferiu à empresa
a obrigação de provar que trabalhador não cumpriu
as metas necessárias para ter direito ao plano de produtividade
anual.
No caso, a Ambev não pagou as parcelas de 2003, 2004, 2005 e
2007 do seu Prêmio de Excelência em Vendas (PEV), sob o
argumento de que o setor do ex-empregado não atingiu as metas
de produção exigidas para o recebimento do bônus.
Inconformado, o vendedor entrou com ação na Justiça
do Trabalho, e obteve êxito nas duas primeiras instâncias:
Vara do Trabalho e TRT.
Ao não acatar recurso
da empresa, o Tribunal Regional considerou a que Ambev não apresentou
documentos que comprovassem que o ex- empregado não atingiu a
produção exigida no PEV. O TRT não aceitou o argumento
de que seria inviável, pelo porte da Ambev, apresentar dados
financeiros complexos para demonstrar essa produtividade, cuja análise
mostrar-se-ia incompatível com o rito do processo do trabalho.
“Aceite-se, por um instante apenas, a tese empresarial de que
seria inviável a exigência de prova. Quem, então,
poderia produzir tal prova? Os empregados? Pouco razoável, eis
que, se a própria empresa, notória multinacional no setor
(...), não se mostra capaz de produzir tal prova, não
será o (...) empregado que o fará”, concluiu o TRT.
Submetida ao TST, por meio de
recurso de revista interposto pela empresa, a questão foi julgada
pela Terceira Turma, onde o relator, ministro Alberto Luiz Bresciani
de Fontan Pereira, manifestou-se pelo não conhecimento, na medida
em que, para o acolhimento das razões da Ambev, seria necessário
uma nova análise de “fatos e provas, procedimento não
permitido nesta instância recursal, a teor da Súmula 126
do TST”. No entanto, o ministro afirmou ainda que “a cerne
da controvérsia (...) guarda correspondência com as regras
de distribuição do ônus da prova, corretamente aplicadas
pelo Regional”. (RR-28400-38.2008.5.04.-0121)
|
FETRACONSPAR, 12 de julho de 2010 | Eventos
Visita
RAMTHUN recebe Coordenador da FIEP
|
|
AMILTON
STIVAL e GERALDO RAMTHUN |
O Presidente da FETRACONSPAR,
DEPACOM e Secretário Regional da CNTI – GERALDO
RAMTHUN, recebeu na tarde de hoje (12/07), AMILTON
STIVAL Coordenador do Conselho de Relações do
Trabalho da FIEP, na sede da Federação.
|