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Gazeta
do Povo, 16 de julho de 2010
Trabalho
Construção e serviços
puxam recorde de vagas
País criou 1,5 milhão de empregos
com carteira assinada no primeiro semestre de 2010, o melhor desempenho
em 11 anos

O Ministério do Trabalho
anunciou ontem que foram criadas, no primeiro semestre de 2010, quase
1,5 milhão de vagas com carteira assinada no Brasil. O número,
fornecido pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
é recorde para os seis primeiros meses do ano. E a atividade
individual que mais contratou nesse período foi a construção
civil, responsável por 15% das novas vagas tanto no país
quanto no Paraná, que, entre janeiro e junho abriu 101 mil postos
de trabalho.
Para Euclésio Manoel
Finatti, vice-presidente da área técnica de políticas
e relações trabalhistas do Sindicato da Indústria
da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR), o
dado reflete o papel da construção como termômetro
da atividade econômica do país. “Quando o país
está bem, normalmente o setor cresce a taxas maiores que as da
economia como um todo, mas quando a situação é
ruim, o tombo da construção também é maior”,
descreve.
Em outras regiões do
país, o crescimento da área foi alavancado por grandes
obras. A construção das usinas hidrelétricas de
Santo Antônio e de Jirau, dentro do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), por exemplo, permitiu que Rondônia apresentasse
o maior crescimento porcentual dos empregos formais no primeiro semestre
do ano. No Paraná, Finatti não descarta o impacto que
as obras na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária,
na região metropolitana de Curitiba, têm sobre as contratações,
mas acredita que o mercado imobiliário ainda é o principal
responsável pelas 15 mil vagas abertas pela construção
civil no estado. “O Paraná não tem obras de vulto,
temos apenas aqueles trabalhos básicos de infraestrutura do dia
a dia”, afirma. “Por outro lado, a taxa de juros e a oferta
maior de crédito impulsionaram o mercado imobiliário”,
acrescenta.
Minha Casa, Minha Vida
Finatti ainda considera que
o programa governamental Minha Casa, Minha Vida teve uma participação
pequena nas contratações do semestre, mas acrescenta que
esse impacto deve aumentar nos próximos meses. “Especialmente
no interior temos algumas barreiras burocráticas. Em Curitiba
e na região metropolitana temos a questão da disponibilidade
de terrenos, que vêm se tornando mais escassos”, explica.
Serviços
Na esteira do aquecimento do
mercado imobiliário, a segunda atividade que mais abriu vagas
no Paraná e no Brasil foi a de comércio e administração
de imóveis – o saldo nacional foi de 178,2 mil novos trabalhadores
na área. A atividade integra o setor de serviços, que
criou a maior quantidade de postos formais de trabalho no primeiro semestre
deste ano e também agrega as áreas de bancos, alojamento
e alimentação, transporte e comunicação,
medicina e odontologia, e ensino – o único que não
teve desempenho recorde no semestre, e ainda por cima perdeu vagas no
mês de junho.
“Eu previa mais, é
verdade, mas isso não altera a previsão para o ano”,
disse ontem o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sobre o resultado dos
primeiros seis meses de 2010. A meta do governo é atingir 2,5
milhões de empregos novos este ano. Para este mês, Lupi
fez um prognóstico otimista, acrescentando que a eleição
tende a aquecer o mercado nas áreas de telecomunicações,
gráficas e produção de papel e celulose.
Frustração
O resultado nacional de junho
– abertura de 212.952 postos de trabalho – interrompeu a
curva de recordes dos primeiros cinco meses de 2010. Foram mais de 305
mil vagas em abril e quase 300 mil em maio. O mês passado frustrou
também as expectativas relacionadas ao recorde histórico
de junho, registrado em 2008, com a criação de 309,4 mil
novos postos.
Para o economista Rafael Bacciotti,
da consultoria Tendências, o número “evidencia uma
redução do ritmo de crescimento da ocupação”
e acompanha “o cenário de desaquecimento no segundo trimestre”.
O economista Sergio Vale, da MB Associados, afirma que a alta na geração
de empregos “tende a permanecer nos próximos anos, mas
não no nível atual”.
Interior cria mais postos que grandes
cidades
O interior empregou mais trabalhadores
com carteira assinada na primeira metade do ano do que as regiões
metropolitanas, segundo dados do Caged. “Em parte, isso ocorreu
por causa do ciclo agrícola. Não sou especialista, mas
vamos ter uma safra recorde de grãos este ano e isso ajuda a
produção e a contratação”, comentou
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
De acordo com o Caged, as áreas
metropolitanas foram responsáveis pela criação
líquida de 513.530 postos de trabalho de janeiro a junho, enquanto
o interior gerou 677.585 postos no mesmo período.
Em números absolutos,
os destaques das áreas metropolitanas foram São Paulo
(219.334 postos), Rio de Janeiro (62.109 postos), Belo Horizonte (60.196)
e Porto Alegre (46.363). Já as cidades do interior que se sobressaíram
foram as de São Paulo (326.409), Minas Gerais (172.376) e Paraná
(60.665).
Renda
Salário de admissão sobe
4,86%
O salários médios
de admissão apresentaram um aumento real de 4,86% no primeiro
semestre deste ano na comparação com o mesmo período
do ano passado, segundo dados do Caged. Nesse intervalo, o valor subiu
de R$ 783,08 para R$ 821,13. “Foi um crescimento acima da inflação.
Isso é prova inequívoca da aceleração da
economia”, disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
De acordo com o ministro, o
dado é positivo porque ele acompanha apenas o pagamento feito
pela primeira vez ao trabalhador e isso revela, segundo ele, que, ao
contrário do que sempre se disse, as novas contratações
não estão sendo realizadas por salários mais baixos.
Desde 2003, o salário médio de admissão subiu 29,14%,
segundo o Caged.
Mulheres
O Ministério do Trabalho
ainda divulgou que as mulheres tiveram aumento real de 4,33% nos salários
médios no primeiro semestre, ante 4,86% dos homens. O único
estado onde as mulheres ganham mais do que homens é Sergipe.
O salário médio delas é de R$ 737,07 e o deles,
R$ 639,97.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2010 | Economia
Lupi aponta melhor semestre na criação
de vaga formal
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, destacou hoje que a criação
de empregos formais na primeira metade do ano foi recorde no País.
No período, foram criados 1.473.320 postos de trabalho com carteira
assinada. Até então, o resultado mais expressivo de janeiro
a junho de um ano havia sido verificado em 2008, quando chegou a 1.361.388
vagas.
No ano passado, com o impacto
da crise financeira internacional sobre a economia brasileira, o acumulado
de empregos criados no período foi de apenas 299.506 empregos
formais. Especificamente em relação a junho, foram criadas
212.952 vagas, o segundo melhor resultado para o mês da história,
perdendo para junho de 2008, quando atingiu 309.442 mil vagas. No mês
passado, o saldo foi proveniente de 1.623.079 trabalhadores admitidos
e de 1.410.127 desligados.
Contudo, os dados compilados
pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes
ao mercado de trabalho formal em junho interromperam uma série
de cinco meses de recorde. Além disso, não foram suficientes
para ajudar a atingir a marca de 1,5 milhão de empregos com carteira
assinada prevista pelo ministro na primeira metade do ano. "Eu
previa mais, é verdade, mas isso não altera previsão
para o ano", disse Lupi. A meta do governo é atingir a criação
de 2,5 milhões de empregos líquidos este ano, o que, se
for confirmado, colaborará para um saldo total de 15 milhões
de empregos desde o início do governo Lula. "A cada dia,
nos aproximamos mais do número da meta."
Lupi enfatizou que, apesar do número mais baixo no mês
passado, em relação a meses anteriores, não se
trata de uma queda na geração de vagas. "É
que vocês estão acostumados a ganhar de goleada de 6 a
0 e agora, foi 3 a 0", brincou o ministro com jornalistas. "Não
houve redução. Aliás, o número é
mais do que o dobro do gerado em 2009, mas é claro que está
havendo acomodação na contratação",
admitiu. Ele explicou que parte deste movimento deve-se a término
de obras da construção civil e parte pode ser atribuída
à diminuição de contratações no setor
de serviços, em especial, de educação, por conta
das férias escolares.
Para o ministro, o dado de junho
não gera qualquer preocupação em relação
à economia brasileira ou ao mercado de trabalho. "O Brasil
terá um dos melhores segundos semestres da história. Será
um saldo de emprego de mais de 1 milhão de vagas", previu.
"Estes dados mostram que o Brasil será uma das principais
locomotivas da economia mundial", acrescentou.
Julho
Para o resultado deste mês,
Lupi voltou a fazer um prognóstico otimista. "Em julho volta
a crescer bem. Não posso afirmar que voltará a ser recorde,
mas a safra da soja começa a crescer", exemplificou. Ele
acredita que, mesmo na comparação com o resultado do segundo
semestre do ano, quando o Brasil já apresentava robustez da economia
após o impacto da crise financeira internacional, haverá
crescimento na segunda metade deste ano. "Será igual ou
um pouco melhor."
Um dos motivos que levam o ministro
a não apostar em números muito maiores a partir de agora
foi a saída do Brasil da Copa mais cedo do que "o imaginado".
"Muitos empresários se prepararam para que o Brasil fosse
mais longe no mundial", comentou. Em compensação,
lembrou, a eleição tende a aquecer o mercado de trabalho.
Ele citou que os segmentos mais afetados pelo advento político
são os de telecomunicações, de gráficas
e de produção de papel e celulose. Indagado sobre se não
se tratariam de vagas criadas informalmente, o ministro evitou entrar
no mérito inicialmente, mas, depois, comentou: "Claro que
deve crescer o mercado informal também. Não sou cego!"
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2010 | Economia
Interior do País criou mais empregos
no 1º semestre
O interior empregou mais trabalhadores com carteira assinada na primeira
metade do ano do que as regiões metropolitanas, segundo dados
divulgados hoje pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
do Ministério do Trabalho e Emprego. "Em parte, isso ocorreu
por causa do ciclo agrícola. Não sou especialista, mas
vamos ter uma safra recorde de grãos este ano e isso ajuda a
produção e a contratação", comentou
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
De acordo com os números
do Caged, as áreas metropolitanas foram responsáveis pela
criação líquida de 513.530 postos de trabalho de
janeiro a junho, enquanto o interior gerou 677.585 postos no mesmo período.
A previsão de safra de grãos para 2010 é de 146,92
milhões de toneladas.
Em números absolutos, os destaques das áreas metropolitanas
foram: São Paulo (219.334 postos), Rio de Janeiro (62.109 postos),
Belo Horizonte (60.196) e Porto Alegre (46.363). Já o interior
dos Estados que se sobressaíram foram: São Paulo (326.409),
Minas Gerais (172.376) e Paraná (60.665).
Especificamente em junho, os
dados do Caged mostram que, em São Paulo, a geração
de empregos foi de 70.265 postos formais. Este é o segundo melhor
desempenho da série para o período e deve-se, principalmente,
aos setores agropecuário (24.336), de serviços (18.941),
da indústria de transformação (16.075) e de comércio
(10.356 postos). No primeiro semestre, houve acréscimo de 545.743
vagas e, em 12 meses, de 683.711.
No Rio, a geração
de vagas no mesmo período foi de 16.337. Tal crescimento deveu-se
aos saldos dos setores de serviços (7.227 postos), construção
civil (3.432), indústria de transformação (3.165)
e comércio (1.994). Na primeira metade do ano, o aumento de empregos
formais foi de 88.591 e, em 12 meses, de 162.299.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2010 | Economia
Paraná gera 10.446 empregos em
junho
AE Notícias
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados
nesta quinta-feira (15) pelo Ministério do Trabalho, mostram
que o Paraná gerou, mês passado, 10.446 novos empregos.
O resultado é o melhor
entre os estados da região Sul e o 5.º do Brasil, depois
de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco.
Com os novos números,
chegaram a 100.988 as novas vagas criadas no ano, fazendo com que o
saldo seja o segundo melhor para o semestre, desde o início do
cadastro, em 1992. Desde 2003, foram gerados 747.124 empregos no Estado.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2010 | Economia
Setor de serviços teve o melhor
desempenho em junho
Entre as atividades da economia
paranaense, o setor de serviços foi o que alcançou melhor
desempenho em junho. Foram 3.469 novas contratações no
mês e 33.454 no primeiro semestre do ano. Em seguida, aparece
a indústria da transformação, com 2.810 empregos
gerados no último mês e a agropecuária com 1.819
postos de trabalho. A construção civil colocou 1.259 trabalhadores
no mercado formal e o comércio, 984.
Dos subsetores contabilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego,
o maior saldo de empregos no mês de junho no Paraná veio
da produção de alimentos e bebidas (1.205) e transporte
e comunicação (1.193), seguidos pelos setores de administração
de imóveis (1.084) e comércio varejista (873).
As cidades do interior
do Estado foram responsáveis por 65,6% do total de empregos gerados
no Paraná em junho: 6.755 postos de trabalho. Já os 26
municípios que compõem a Região Metropolitana de
Curitiba abriram 3.691 mil oportunidades, o que equivale a 34,3% do
total de vagas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de julho de 2010 | Economia
Salários de admissão tiveram
alta de 4,86% no semestre
Os salários médios de admissão apresentaram um
aumento real (descontada a inflação) de 4,86% no primeiro
semestre deste ano, na comparação com o mesmo período
do ano passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), divulgados hoje. Nesse intervalo, o valor subiu de R$ 783,08
para R$ 821,13. "Foi um crescimento acima da inflação.
Isso é prova inequívoca da aceleração da
economia", comemorou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
De acordo com o ministro, o
dado é positivo porque diz respeito somente ao pagamento feito
pela primeira vez ao trabalhador. Isso revela, segundo Lupi, que ao
contrário do que sempre se disse as novas contratações
não estão sendo realizadas por salários mais baixos.
"Este é o dado mais importante para mim de todos da economia
brasileira", disse o ministro. "É o dado que mostra
a geração do círculo virtuoso da economia: emprego,
renda, consumo, produção, emprego", citou.
Para o ministro, o indicador
continuará forte no segundo semestre deste ano. Indagado se não
teme que dados extremamente positivos do mercado de trabalho sejam usados
como argumento pelo Banco Central (BC) para aumentar os juros, Lupi
disse esperar que isso não ocorra. "O Banco Central tem
que ajudar o Brasil a gerar mais empregos. Sou seguidor do (vice-presidente
da República) José Alencar nisso e repito o mantra",
afirmou, referindo-se aos pedidos feitos por Alencar desde o início
do governo, em 2003, para que a autoridade monetária seja menos
rigorosa com o aumento da Selic (a taxa básica de juros da economia).
Desde 2003, primeiro ano do
governo Lula, o salário médio de admissão subiu
29,14%, segundo o Caged, passando de R$ 635,85 para R$ 821,13. De acordo
com o cadastro, a elevação foi generalizada em todas as
unidades da federação, com destaque para Rondônia
(59,46%), Piauí (55,19%), Maranhão (46,50%) e Bahia (46,14%).
Emprego nos Estados
A construção de
duas usinas hidrelétricas, dentro do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), permitiu que o Estado de Rondônia apresentasse
o maior crescimento porcentual de empregos formais no primeiro semestre
do ano, na comparação com o período do ano anterior,
segundo informou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ele se referia
às usinas de Santo Antonio e de Jirau. De acordo com os dados
do Caged, o crescimento porcentual de vagas líquidas de trabalho
com carteira assinada em Rondônia foi de 8,31% nos primeiros seis
meses do ano ante o mesmo período de 2009, o que significa um
total de 16.734 postos de trabalho.
Pela mesma medição,
o segundo Estado a apresentar maior crescimento porcentual na geração
líquida de empregos foi Goiás: 7,63% ou 70.155 vagas.
Neste caso, de acordo com o ministro, a explicação para
o desempenho positivo é a agropecuária. Em terceiro lugar
ficou Minas Gerais: 6,64% ou 232.572 postos criados. "O dado positivo
de Minas Gerais deve ser atribuído ao café", disse
Lupi. Entre todas as unidades da federação, a única
a apresentar mais demissões que contratações no
primeiro semestre do ano foi Alagoas, com recuo de 11,71% e saldo negativo
de 35.450 vagas.
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IHU-Online, 16 de julho de
2010
Imposto sobre grandes fortunas: 22 anos
sem regulamentação
Entrevista especial com Rodrigo Vieira
de Ávila e Luciana Genro
Apesar de aparecer na Constituição
de 1988, o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) passou a virar realidade
recentemente, quando foi aprovado pela Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. No projeto da
deputada federal Luciana Genro (PSol-RS), brasileiros com fortunas maiores
a R$ 2 milhões devem pagar o novo imposto a fim de equalizar
a questão tributária no país. A luta agora é
para que a proposta seja votada pelo Plenário da Câmara
e também pelo Senado Federal.
“Grande parte dos parlamentares
representa os interesses da burguesia, que é quem detém
grandes fortunas. Por isso, há 22 anos este projeto não
foi aprovado”, disse a parlamentar, em entrevista, realizada por
e-mail, à IHU On-Line. Para o economista Rodrigo Vieira de Ávila,
que também participou da entrevista, é possível
fazer “uma revolução na educação pública,
ou melhorar significativamente o sistema de saúde no nosso país”
com a arrecadação obtida com o Imposto sobre Grandes Fortunas.
Confira a entrevista.
IHU On-Line –
O Imposto sobre Grandes Fortunas resultaria em benefícios diretos
à população? Quais?
Rodrigo Vieira de Ávila
- O Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) está previsto na Constituição
desde 1988, mas jamais foi regulamentado, e, por isso, não é
cobrado. Ele visa alterar a injusta estrutura tributária brasileira
que hoje é baseada em tributos sobre os assalariados e o consumo
dos mais pobres, enquanto as grandes rendas e riquezas são aliviadas.
Portanto, o IGF permitiria uma redução dos tributos incidentes
sobre grande parte da população.
IHU On-Line – Quantos brasileiros, aproximadamente, passariam
a contribuir com o IGF após a aprovação do projeto?
Em quanto resultaria o recolhimento do imposto anualmente?
Rodrigo Vieira de Ávila
- Não há estatísticas disponíveis para se
saber quantas pessoas pagariam o IGF. Porém, conforme mostra
o Atlas da Exclusão Social, as cinco mil famílias mais
ricas do Brasil (0,001%) têm patrimônio correspondente a
42% do PIB, dispondo cada uma, em média, de R$ 138 milhões.
De acordo com o projeto, haveria uma arrecadação aproximada
de mais de R$ 30 bilhões anuais, apenas com a tributação
destas cinco mil famílias, dinheiro que seria suficiente para
dobrar todos os gastos federais com educação, ou aumentar
em 70% todos os gastos federais com saúde. Portanto, com o IGF
poderíamos fazer uma revolução na educação
pública ou poderíamos melhorar significativamente o sistema
de saúde no nosso país, marcado pelas longas filas de
espera e pela péssima qualidade no atendimento.
IHU On-Line –
R$ 2 milhões é um piso “interessante” para
o imposto? O IGF atende o princípio de capacidade contributiva?
Rodrigo Vieira de Ávila
- Este piso está em valores de 2008, sendo que o projeto prevê
a atualização monetária, que hoje já está
em R$ 2,15 milhões. Ou seja: quem possui um patrimônio
de R$ 2,1 milhões não pagaria nada de IGF. Apenas a parcela
do patrimônio que excede R$ 2,15 milhões pagaria, a uma
alíquota de 1%, e pessoas que possuem este patrimônio certamente
possuem capacidade contributiva para tanto.
A fatia do patrimônio
que vai de R$ 2,15 milhões a R$ 5,37 milhões pagaria 1%,
percentual este que vai crescendo, atingindo 5% apenas para riquezas
acima de R$ 53,7 milhões, o que prova que tal tributo é
socialmente justo.
IHU On-Line –
Como será realizado o levantamento de quem são os “ricos”
brasileiros?
Rodrigo Vieira de Ávila
- O projeto prevê que os contribuintes declarem seus bens, na
forma da atual declaração do Imposto de Renda. Além
do mais, o artigo 8º do projeto prevê que o tributo também
deva ser pago sempre que houver indícios de dissimulação
do verdadeiro proprietário dos bens ou direitos que constituam
o seu patrimônio ou a sua apresentação sob valor
inferior ao real. Na própria justificativa do projeto, consta
a importância da fiscalização tributária,
para que o pagamento do tributo seja devidamente fiscalizado.
IHU On-Line – O Imposto sobre Grandes Fortunas poderia
desestimular a poupança?
Rodrigo Vieira de Ávila
- No Brasil, a principal forma de poupança se chama "títulos
da dívida pública", que rendem cerca de 13% ao ano
atualmente (cerca de 8% ao ano, descontada a inflação)
aos donos de bancos e grandes especuladores, às custas do Tesouro,
ou seja, do povo pobre que paga imposto. Caso seja implementado o IGF,
na forma proposta pelo PLP 277/08, com a maior alíquota de 5%,
parte desta renda apropriada pelos rentistas seria devolvida ao povo.
IHU On-Line – Serão deduzidos do imposto outros tributos
sobre patrimônios incidentes sobre bens imóveis e veículos
e Imposto de Renda?
Rodrigo Vieira de Ávila
- Não, pois se fosse permitida a dedução, a arrecadação
do IGF seria muito menor, inviabilizando o objetivo do imposto, que
é aumentar a fatia da carga tributária financiada pelos
mais ricos e aliviar os mais pobres.
IHU On-Line –
Há experiências positivas com tributos semelhantes em outros
países?
Rodrigo Vieira de Ávila
- O IGF existe em países desenvolvidos, como a Alemanha, França
e Suíça, o que prova que é viável a sua
implementação, principalmente em um dos países
campeões de concentração de riqueza, como o Brasil.
IHU On-Line – De que forma o Imposto sobre Grandes Fortunas
(IGF) reacende o debate sobre reforma tributária?
Luciana Genro - Discutir o IGF
é discutir a necessidade de uma ampla reforma da estrutura tributária
brasileira. Por isso eu propus a regulamentação do IGF
por meio do Projeto de Lei Complementar nº 277/2008, que foi recentemente
aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Câmara dos Deputados. Essa aprovação levou
a uma acalorada discussão entre os representantes da burguesia
– que escrevem diariamente na grande imprensa artigos atacando
o IGF - e os representantes dos trabalhadores.
IHU On-Line –
O que leva a senhora a afirmar que a carga tributária é
mal distribuída no país?
Luciana Genro - A carga tributária
brasileira segue sendo uma das mais injustas do mundo: em 2008, ela
atingiu 34,33% do PIB, sendo que os tributos sobre a renda do capital
representaram somente 5,63% do PIB, e sobre o patrimônio somente
1,19% do PIB, o que é insignificante. São os trabalhadores
e consumidores mais pobres que sustentam a maior parte da carga tributária,
enquanto os rentistas e capitalistas em geral possuem diversas isenções
fiscais.
Enquanto os trabalhadores pagam
até 27,5% de imposto de renda sobre seus salários, a distribuição
de lucros das empresas aos seus sócios é isenta de imposto
de renda. Também são isentos os ganhos dos estrangeiros
com a dívida interna brasileira, que paga os maiores juros do
mundo. Apesar de o Brasil ser um dos países com maior concentração
de renda e riqueza no mundo, o Imposto sobre Grandes Fortunas jamais
foi regulamentado.
IHU On-Line –
O que atrasa a votação do projeto? Que manobras ocorreram
recentemente para que a proposta não fosse votada?
Luciana Genro - Grande parte
dos parlamentares representa os interesses da burguesia, que é
quem detém grandes fortunas. Por isso, há 22 anos este
projeto não foi aprovado. Durante a discussão na CCJ,
houve resistência de vários parlamentares, apesar da Comissão
ter a função de zelar pelo cumprimento da Constituição,
que pede a regulamentação do IGF em seu art. 153, inciso
VII. Felizmente, conseguimos a aprovação na CCJ, mas o
projeto ainda precisa ser votado pelo Plenário da Câmara
e também pelo Senado Federal. Portanto, a luta será grande.
IHU On-Line –
O imposto pode ser considerado como "um imposto ideológico"?
Luciana Genro - Diversos representantes
da burguesia têm escrito artigos em jornais utilizando este argumento,
tentando caracterizar a ideologia como algo irreal, incapaz de alterar
a realidade. A burguesia tenta dar a entender que o IGF não teria
efetividade, ou seja, não poderia ser cobrado, pois os milionários
iriam esconder o seu patrimônio. A ideia de que os capitais fugiriam
do país não resiste à importante proposta de controle
sobre o fluxo de capitais, implementada com sucesso em vários
países. Aqueles que divulgam estes argumentos equivocados é
que estão exercendo a sua inconfessável ideologia burguesa,
segundo a qual os ricos jamais podem contribuir para o financiamento
do Estado.
IHU On-Line –
Alguns especialistas defendem que o imposto abranja somente fluxo de
renda. É possível que seja feita essa alteração
no projeto?
Luciana Genro - É impossível,
pois a fortuna representa o estoque de riqueza, e não o fluxo.
Muitos argumentam que, por isso, o IGF seria uma bi-tributação,
pois a fortuna existente hoje teria sido obtida por meio das rendas
anteriores já tributadas. Porém, é a própria
Constituição, ou seja, a Lei Maior do País, que
prevê o IGF, portanto, o mesmo jamais poderia ser considerado
ilegal.
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Gazeta do Povo, 16 de julho
de 2010
Desmatamento
Corte ilegal de madeira cai 75% em 10
anos
Estudo revela que a derrubada de árvores
com fins comerciais diminuiu nos três maiores fornecedores do
mundo: Brasil, Camarões e Indonésia
A exploração ilegal
de madeira caiu significativamente na última década. Em
três dos principais fornecedores de madeira do mundo – Brasil,
Camarões e Indonésia –, a queda foi de até
75%. Com a redução, uma área de 17 milhões
de hectares de floresta, equivalente ao Reino Unido, deixou de ser desmatada
ilegalmente e pelo menos 1,2 bilhão de toneladas de gases de
efeito estufa não foram lançadas na atmosfera.
O diagnóstico foi divulgado
ontem em estudo inédito do instituto britânico Chatham
House. A redução da exploração ilegal teve
reflexo direto no contrabando da matéria-prima. A importação
de madeira ilegal pelos principais países consumidores caiu pelo
menos 30%, segundo o levantamento.
Os pesquisadores analisaram
a cadeia produtiva da madeira ilegal em cinco países tropicais
detentores de florestas (Brasil, Indonésia, Camarões,
Malásia e Gana), em países consumidores (Estados Unidos,
Japão, Reino Unido, França e Holanda), na China e no Vietnã,
que processam a madeira e fornecem produtos para o mundo industrializado.
De acordo com o relatório,
a redução mundial da exploração e do comércio
de madeira ilegal se deu graças a ações de governos,
da sociedade civil e do setor privado. O resultado pode ser explicado
pela combinação entre as políticas de combate ao
desmatamento ilegal nos países produtores, com regras mais severas,
e exigências de certificação nos mercados compradores.
No Brasil, segundo a Chatham
House, o desmatamento ilegal na Amazônia caiu 75% na última
década, principalmente nos últimos cinco anos, quando
o governo intensificou o combate às derrubadas na região
e modernizou o sistema de transporte e comércio de madeira, com
o Documento de Origem Florestal (DOF).
O relatório elogia o
sistema brasileiro de monitoramento de florestas e cita o aumento no
número de operações policiais na Amazônia
para combater o desmate. Exemplos disso são as operações
Delta, que apreendeu 5 mil metros cúbicos de madeira ilegal no
Pará em abril deste ano, e Tolerância Zero, que combateu
o desmatamento em 11 cidades do Paraná em novembro do ano passado.
Falhas
No entanto, os pesquisadores
ainda apontam falhas no cumprimento das sanções aplicadas
nas infrações ocorridas na floresta amazônica, onde
a derrubada ilegal ainda representa de 35% a 70% de todo o desmatamento.
“As penas nem sempre são aplicadas. No Brasil, por exemplo,
apenas 2,5% das multas são recolhidas”, acrescenta o texto.
O estudo alerta ainda para o
risco de legislação ambiental incoerente – crítica
levantada recentemente por organizações não governamentais
por causa das alterações no Código Florestal, aprovadas
em comissão especial da Câmara dos Deputados e que só
deve ir a plenário após as eleições de outubro.
Apesar do declínio nos
últimos anos, “a exploração ilegal de madeira
continua a ser um grande problema”, segundo o estudo. O relatório
prevê que, daqui para frente, o combate à extração
irregular e ao contrabando pode se tornar mais difícil, por causa
da multiplicação dos desmates em menor escala, mais difíceis
de monitorar, e pelo crescimento da venda da madeira ilegal
nos mercados internos dos países produtores.
Para os países consumidores,
aumentou a dificuldade de identificar a origem da madeira, que já
chega aos mercados transformada em móveis. Nesses países,
a criação de barreiras para madeira ilegal depende da
criação e implementação de leis que proíbam
a entrada de produtos sem origem comprovada. “Apesar de os EUA
já terem aprovado uma lei nesse sentido e a União Europeia
estar prestes a fazer o mesmo, o Japão, que é um grande
mercado, continua aberto à madeira ilegal”, diz o estudo.
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Prensa Latina, 16 de julho
de 2010
Crescimento chinês supera
expectativas: 11,1% no 1º semestre
A economia chinesa cresceu 11,1% no primeiro semestre do ano com relação
a igual etapa anterior, taxa superior à meta fixada para 2010,
informaram nesta quinta (15) fontes oficiais.
De acordo com o Birô Nacional de Estatísticas (BNE), o
valor da produção de bens e serviços de janeiro
a junho passados elevou-se a 3 trilhões e 550 bilhões
de dólares. Medido pelo Paridade do Poder de Compra, que tem
a vantagem de anular a defasagem cambial entre o dólar e o iuen
(estimada entre 30 a 40%), o valor é bem maior e a China já
é a segunda maior economia do mundo.
O crescimento ultrapassou em
3,7% o balanço do mesmo período do ano passado, quando
a crise econômica global golpeava com mais força.
Sheng Laiyun, porta-voz do BNE,
assinalou que em sentido geral a economia nacional se comportou bem
na referida etapa e em correspondência com as macrorregulações
do governo.
No segundo trimestre, o aumento
foi de 10,3% ao compará-lo com igual período de 2009,
inferior em 1,6% ao do primeiro.
A China se propôs uma
expansão de seu Produto Interno Bruto de ao redor do oito por
cento para este ano. Em 2009 o crescimento econômico foi de 9,1%,
depois de ser revisado recentemente.
Enquanto isso, o Índice
de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou 2,9% no mês passado
em relação ao ano passado, frente a 3,1% em maio.
Em junho, os alimentos registraram
um aumento anual de 5,7%. As autoridades chinesas esperam controlar
a alta do IPC, o principal barômetro da inflação,
limitando-a a 3% neste ano.
Outros dados referem-se ao investimento
em ativos fixos, que mostrou um crescimento anual de 25% no primeiro
semestre em comparação com as estatísticas de janeiro-junho
de 2009, com um valor estimado em 1 trilhão e 670 bilhões
de dólares.
Os investimentos no setor industrial
subiram 22,3% e no dos serviços, 28,4%. Por outro lado, as vendas
verejistas aumentaram 18,2% na primeira metade do ano, atingindo 1 trilhão
e 60 bilhões de dólares.
Entre as altas destacam-se a
de automóveis, de 37,1% com relação a igual período
do ano passado, móveis (38,5%) e aparelhos eletrodomésticos
(15,6%).
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Agência Senado, 16 de
julho de 2010
Pequenos municípios poderão
ser dispensados de contrapartida em programas habitacionais federais
A União poderá
reduzir ou dispensar a contrapartida financeira nas transferências
voluntárias destinadas a programas habitacionais. Proposta com
essa finalidade, de autoria da então senadora Roseana Sarney,
poderá ser votada pela Comissão de Desenvolvimento Regional
e Turismo (CDR) em agosto.
A autora ressaltou, ao justificar
a proposta (PLS
331/06), que o objetivo é favorecer municípios sem
condições financeiras para contribuir nos custos de programas
habitacionais realizados com recursos federais. Para tal, o projeto
altera o Estatuto da Cidade (lei
10.257/01) e a lei que fixa as diretrizes gerais da Política
Nacional de Saneamento (lei
11.445/07). Já aprovada pela Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE), a matéria receberá decisão
terminativa na CDR.
Poderão ser dispensados
da contrapartida os municípios com população inferior
a 25 mil habitantes e localizados nas regiões Norte, Nordeste
ou Centro-Oeste ou na Metade Sul ou Noroeste do Rio Grande do Sul -
outras áreas equiparadas a essas regiões também
poderão ser beneficiadas pela proposta. Além disso, os
municípios deverão ter indicadores de desenvolvimento
econômico ou social inferiores à média nacional.
Na avaliação da
relatora da matéria na CDR, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT),
os municípios de pequeno porte e reduzida capacidade de arrecadação
possuem dificuldades para promover investimentos. Assim, a senadora
defendeu a ampliação dos gastos compensatórios
da União. Ela apresentou um substitutivo para consolidar as emendas
apresentadas, muitas de redação.
"O inadiável empenho
nacional no combate à pobreza não admite que se tratem
igualmente os desiguais. Os municípios mais pobres das regiões
mais carentes não podem ser instados a contribuir com recursos
orçamentários de que não dispõem",
diz Serys Slhessarenko no seu relatório.
Iara Farias Borges / Agência
Senado
(Reprodução autorizada mediante citação
da Agência Senado)
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Valor Econômico, 16
de julho de 2010
Sindicato canadense diz que mantém
seu poder de negociação com a Vale
O sindicato canadense Local
6500, que representa os trabalhadores da Inco, controlada pela Vale,
diz que continua no papel de representante dos funcionários da
mineradora e não teve seu papel reduzido. John Fera, presidente
do sindicato, vinculado ao UnitedSteelWorkers (USW) , discorda da avaliação
do diretor-executivo de Metais Básicos da Vale, Tito Martins,
feita ao Valor, de que o sindicato teve seu poder diminuído após
quase um ano de greve nas minas de níquel. "O sindicato
não teve seu poder diminuído de forma alguma. Permanecemos
no papel de único e exclusivo agente negociador em nome de todos
os integrantes do USW Local 6500 e do Local 6200. Somos a voz coletiva
dos trabalhadores da Vale", rebateu Fera em entrevista por email.
A declaração de
Martins de que a greve foi uma "briga pelo poder" foi entendida
pelo sindicalista como parte "da arrogância da Vale para
com os trabalhadores e as comunidades canadenses que não tem
precedentes em nosso país". Segundo Fera, após enfrentar
os ataques da Vale por um ano inteiro, "o sindicato permanece unido
e forte".
Do seu ponto de vista, o acordo
assinado com a mineradora não alterou a relação
sindicato, empregado e empregador. "Negociamos um acordo coletivo
que inclui concessões nossas em algumas questões, mas
também prevê muitas melhorias, inclusive em nossos salários
e em nosso plano de pensão", explicou. O acordo coletivo
com a Vale foi assinado e aprovado pelos trabalhadores das minas de
Sudbury e Port Colborne porque representou aumentos salariais anuais
mais a reposição de perdas inflacionárias. E significou
a retirada, por parte da Vale, de todos os processos judiciais contra
os mineiros.
Os termos do novo contrato não
desvincula o preço do níquel dos benefícios dos
trabalhadores, disse. Os trabalhadores da Vale nas minas de Sudbury
ainda receberão o abono que reflete o preço do níquel.
"O abono do níquel agora permitirá que nossos membros
ganhem até 15 mil dólares canadenses por ano, além
de seus ganhos regulares". Do total, 75% do abono são determinados
pelo preço do níquel e 25%, pelo lucro geral da Vale.
O gatilho foi fixado em 3,75 dólares canadenses, o que é
mais alto que o nível anterior de 2,25 dólares canadenses.
Sobre a falta de envolvimento
do governo do Canadá na greve, o sindicalista disse que muitos
trabalhadores e trabalhadoras canadenses creem que é uma total
"irresponsabilidade" o governo de Stephen Harper - primeiro
ministro canadense - se manter calado, "enquanto uma empresa multinacional
de grande porte descumpre suas promessas legais e trava uma batalha
perniciosa contra os trabalhadores e as comunidades canadenses".
A greve teve repercussões
nas relações nacionais e internacionais do USW, informou
Fera. "Essa luta ajudou a criar o movimento internacional dos atingidos
pela Vale, que trabalha no Brasil, Canadá, Moçambique,
Chile, Peru, Argentina, Nova Caledônia e Indonésia para
resistir ao que ele denominou de "táticas truculentas que
a Vale emprega onde chega".
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Valor Econômico, 16
de julho de 2010
Em evento na UGT em SP, Serra diz
que CUT virou entidade 'super-pelega'
Por Fernando Taquari,
No Valor Econômico
O candidato do PSDB à
Presidência, José Serra criticou em evento, nesta quarta-feira
(14), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) ao acusar a entidade
de ter se tornado "pelega" no Governo Luiz Inácio Lula
da Silva. No domingo, a CUT divulgou manifesto com a Força Sindical,
CGBT, CTB e a Nova Central em que contestam a informação
de que Serra teria criado o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o
seguro-desemprego.
"A CUT era uma entidade
sindical anti-pelega até o PT chegar ao governo. Depois virou
uma entidade super-pelega. Aquilo que havia na época do Jango
(João Goulart), quando se falava de pelego, não tem nada
a ver com o que tem agora. Eles eram aprendizes de pelegos com relação
ao que se tem hoje", afirmou Serra após receber propostas
da União Geral dos Trabalhadores (UGT) para os presidenciáveis.
Das seis centrais sindicais
reconhecidas pelo Ministério do Trabalho, quatro (CUT, CGBT,
CTB e Nova Central) já declararam apoio à candidata do
PT, Dilma Rousseff. A Força Sindical está dividida, embora
seu presidente, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), tenha aderido
à petista. A UGT anunciou que permanecerá neutra.
Ao justificar a decisão,
Ricardo Patah, presidente da central, alegou que a entidade tem dirigentes
filiados a partidos de oposição, como PPS e DEM. Mesmo
assim, Patah agradeceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
por conquistas do sindicalismo em seu governo, como o reconhecimento
das centrais e a medida provisória que indexa o reajuste do salário
mínimo ao crescimento do PIB de dois anos anteriores, além
da inflação medida pelo IPCA.
"Liberei os sindicatos,
mas sou lulista. Foi o maior presidente que o Brasil já teve",
disse. Majoritariamente formada por sindicatos de comerciários,
em 2009 a UGT recebeu R$ 24 milhões do imposto sindical.
Apesar de se declarar neutra,
as propostas da UGT para os presidenciáveis não diferem
substancialmente das reivindicações das demais centrais.
Todas defendem a redução da jornada de trabalho para 40
horas semanais, a reforma sindical e a abertura de órgãos
federais, como o Conselho de Política Monetária (Copom),
à representantes dos trabalhadores.
Dilma não compareceu
ao evento, mas foi representada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP).
A candidata do PV, Marina Silva,
foi a segunda a discursar para uma plateia de 250 trabalhadores e foi
aplaudida em diversos momentos. À vontade, lembrou do seu tempo
de sindicalista, em 1984, quando era coordenadora da CUT no Acre ao
lado do ambientalista Chico Mendes.
"Tenho uma origem muito
parecida com os que estão aqui", destacou Marina, que defendeu
a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
Último a falar, Serra
fez um discurso técnico e para uma plateia cansada e menor do
que aquela que havia assistido à sua antecessora. Em meio à
polêmica com as centrais, o tucano reafirmou que participou da
autoria do FAT e do seguro-desemprego.
"No final dos anos 80 cheguei
a publicar um manual dos direitos dos trabalhadores e também
fiz a emenda que vinculou o PIS/Pasep ao seguro-desemprego. Meu projeto
é que falava no FAT, mas nessa campanha os profissionais da mentira
ficam buscando coisas novas que é para a gente ficar desmentindo
a mentira", disse Serra.
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Congresso em Foco, 16 de
julho de 2010
Todos os candidatos a governador
e vice 'milionários'
Veja a lista dos 75 nomes que concorrem a um dos dois cargos e declararam
à Justiça eleitoral patrimônio superior a R$ 1 milhão:
CENTRO-OESTE
DISTRITO FEDERAL
Governador: Agnelo (PT) – R$ 1.150.322,00
Governador: Joaquim Roriz (PSC) – R$ 5.241.152,60
Vice: Filippelli (PMDB) – R$ 3.970.537,00
Vice: Jofran Frejat (PR) – R$ 5.364.387,74
GOIÁS
Governador: Iris Rezende (PMDB) – R$ 14.638.948,31
Governador: Marconi Perillo (PSDB) – R$ 1.637.136,72
Governador: Vanderlan (PR) – R$ 6.824.395,02
Vice: José Eliton (DEM) – R$2.546.000,00
MATO GROSSO
Governador: Mauro Mendes (PSB) – R$ 57.155.336,45
Vice: Otaviano Pivetta (PDT) – R$ 415.727.180,51*
Governador: Silval Barbosa (PMDB) – R$ 2.056.670,97
Vice: Chico Daltro (PMDB) – R$ 5.240.764,47
Vice: Dilceu Dal Bosco (DEM) – R$ 2.325.362,68
* O candidato está pedindo à Justiça eleitoral
retificação do valor do patrimônio. Segundo sua
assessoria, foi somada - em vez de ser considerada - uma dívida
de R$ 141 milhões. Ainda de acordo com a assessoria do candidato,
seu patrimônio líquido é de R$ 132.693.349,00. Foi
este o valor considerado na reportagem.
MATO GROSSO DO SUL
Governador: André Puccinelli (PMDB) – R$ 5.378.828,63
Governador: Nei Braga (Psol) – R$ 1.000.000,00
Governador: Zeca do PT (PT) – R$ 2.299.723,00
Vice: Simone Tebet (PMDB) – R$ 1.595.867,88
Vice: Tatiana Ujacow (PV) – R$ 1.520.446,00
NORTE
ACRE
Vice: Cesar Messias (PP) – R$ 1.438.482,12
AMAZONAS
Governador: Alfredo Nascimento (PR) – R$ 1.092.676,35
Governador: Omar Aziz (PMN) – R$ 1.177.149,91
AMAPÁ
Governador: Jaime Nunes (PSDC) – R$ 5.630.870,94
Governador: Pedro Paulo (PP) – R$ 1.950.220,07
PARÁ
Governador: Juvenil (PMDB) – R$ 1.412.487,13
Governador: Simão Jatene (PSDB) – R$ 6.076.826,00
Vice: Helenilson Pontes (PPS) – R$ 2.176.225,71
Vice: Hildegardo Nunes (PMDB) – R$ 1.403.330,49
RONDÔNIA
Governador: Confúcio Moura (PMDB) – R$ 8.554.881,14
Governador: Expedito Junior (PSDB) – R$ 1.165.750,62
Vice: Tiziu Jidalias (PP) – R$ 6.317.985,00
RORAIMA
Governador: Dr. Petrônio (PHS) – R$ 1.140.000,00
Vice: Chico Rodrigues (DEM) – R$ 1.939.730,56
Vice: Marília Pinto (PSB) – R$ 1.352.583,38
TOCANTINS
Governador: Carlos Gaguim (PMDB) – R$ 2.976.292,19
NORDESTE
ALAGOAS
Governador: Fernando Collor (PTB) – R$ 7.724.383,41
Governador: Teotônio Vilela (PSDB) – R$ 14.623.903,60
Vice: Nonô (DEM) – R$ 4.271.390,87
BAHIA
Governador: Geddel Vieira Lima (PMDB) – R$ 3.798.442,64
Governador: Jaques Wagner (PT) – R$ 1.041.452,92
Governador: Paulo Souto (DEM) – R$ 1.179.101,70
Vice: Otto Alencar (PP) – R$ 1.853.375,98
Vice: Nilo Coelho (PSDB) – R$ 22.233.424,25
CEARÁ
Governador: Lúcio Alcântara (PR) – R$ 1.438.423,53
Vice: Claudio Vale (PPS) – R$ 12.161.081,06
Vice: Pedro Fiuza (PSDB) – R$ 38.927.749,28
MARANHÃO
Governador: Roseana Sarney (PMDB) – R$ 7.838.530,34
PARAÍBA
Governador: José Maranhão (PMDB) – R$ 7.429.880,68
PERNAMBUCO
Governador: Jarbas Vasconcelos (PMDB) – R$ 1.241.560,85
Governador: Sérgio Xavier (PV) – R$ 1.809.920,00
Vice: Mirian Lacerda (DEM) – R$ 1.518.981,06
Vice: João Lyra (PDT) – R$ 1.669.670,09
PIAUÍ
Governador: Wilson Martins (PSB) – R$ 2.881.888,50
Vice: Flávio Nogueira (PDT) – R$ 1.137.314,09
Vice: Morais Filho (PMDB) – R$ 1.083.151,98
Vice: Sá Filho (PSDB) – R$ 1.684.816,38
RIO GRANDE DO NORTE
Governador: Carlos Eduardo (PDT) – R$ 3.076.019,23
Governador: Iberê (PSB) – R$ 2.436.470,15
Vice: Alvaro Dias (PDT) – R$ 1.048.562,57
Vice: Robinson Faria (PMN) – R$ 3.708.882,88
SERGIPE
Governador: João Alves (DEM) – R$ 1.038.102,47
SUDESTE
MINAS GERAIS
Governador: Hélio Costa (PMDB) – R$ 1.347.805,42
Vice: Alberto Pinto Coelho (PP) – R$ 2.267.902,72
Vice: Leonardo Mattos (PV) – R$ 1.052.000,00
SÃO PAULO
Governador: Celso Russomanno (PP) – R$ 1.129.077,00
Governador: Skaf (PSB) – R$ 10.838.896,75
Vice: Afif Domingos (DEM) – R$ 49.211.803,00
Vice: Dra. Marianne Pinotti (PSB) – R$ 1.225.580,51
RIO DE JANEIRO
Vice: Márcio Fortes (PSDB) – R$ 4.442.412,71
SUL
PARANÁ
Governador: Osmar Dias (PDT) – R$ 5.191.343,40
Governador: Beto Richa (PSDB) – R$ 4.238.112,00
Governador: Rocha Loures (PMDB) R$ 1.669.227,00
RIO GRANDE DO SUL
Governador: Tarso Genro (PT) – R$ 2.972.627,05
Vice: Pompeo de Mattos (PDT) – R$ 1.430.812,21
SANTA CATARINA
Governador: Angela Amin (PP) – R$ 1.646.754,53
Governador: Raimundo Colombo (DEM) – R$ 1.812.700,35
Fonte: Congresso em Foco com base
em levantamento na página do TSE.
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Agência Diap, 16 de
julho de 2010
Bancada sindical: 47 dos 61 parlamentares
irão tentar reeleição em outubro
Para efeito de comparação,
na legislatura passada, de 2003 a 2007, havia 74 sindicalistas no Legislativo
federal. No início da atual legislatura (2007 a 2011), a bancada
tinha 64 sindicalistas, ou seja, 10% da composição do
Parlamento federal, com 594 congressistas - deputados e senadores
Levantamento do DIAP revela
que 47 dos 61 parlamentares que compõem a atual bancada sindical
são candidatos à reeleição - são
45 deputados e dois senadores - que irão tentar renovar o mandato
parlamentar. A bancada sindical representa 10,27% da composição
do Congresso.
Para efeito de comparação,
na legislatura passada, de 2003 a 2007, havia 74 sindicalistas no Legislativo
federal. No início da atual legislatura (2007 a 2011), a bancada
tinha 64 sindicalistas, ou seja, 10% da composição do
Parlamento.
Baixou para 61 em razão
da eleição de Maria do Carmo Lara (PT/MG) para a Prefeitura
de Betim (MG) e Tarcísio Zimmermann (PT/RS) para a Prefeitura
de Novo Hamburgo (RS), além do falecimento do deputado Adão
Pretto (PT/RS), em 5 de fevereiro.
Dentre os que não irão
tentar renovar o mandato, uma é candidata à Presidência
da República (Marina Silva), um não irá concorrer
a nenhum cargo eletivo (Cláudio Magrão), três vão
disputar o governo do estado (Eduardo Valverde, Ideli Salvatti e Tião
Viana), seis tentarão uma vaga para o Senado (Carlos Abicalil,
José Pimentel, Paulo Rocha, Vanessa Grazziotin, Vignatti e Walter
Pinheiro), um vai disputar mandato estadual (José Nery) e um
é suplente de senador (Virgílio Guimarães).
Senado
Federal
Da atual bancada sindical no Senado, composta de sete parlamentares,
apenas dois irão tentar a reeleição - Fátima
Cleide (PT/RO) e Paulo Paim (PT/RS).
Os demais - Ideli Salvatti (PT/SC)
vai disputar o governo de estado; José Nery (PSol/PA) disputa
mandato de deputado estadual; Marina Silva (PV/AC) concorre ao Planalto;
e Tião Viana (PT/AC) vai tentar manter a hegemonia do partido
no estado concorrendo ao governo. Ele tem mandato até 2015.
Força
no Congresso
A atual bancada composta por 61 congressistas terá nesta eleição,
pelo menos, que manter seu número e tentar ampliar sua força,
do contrário não conseguirá fazer frente às
demandas dos trabalhadores na próxima legislatura.
Nos próximos anos, mesmo
que seja eleita a candidata do presidente Lula, não há
garantia de fácil acesso ao poder, como existe no governo atual,
nem tampouco a certeza de respeito empresarial e dos outros níveis
de governo - estados e municípios - aos pleitos da classe trabalhadora.
Por isso, é fundamental
que elejamos parlamentares - deputados federais e estaduais e senadores
- para mediar conflitos, intermediar demandas e criar condições
para as saídas negociadas para os impasses. Do contrário,
podemos voltar aquele tempo de conflitos e impasses e, para piorar,
sem os interlocutores, no caso os parlamentares, que davam suporte ao
movimento sindical nos períodos anteriores aos governos Lula.
Pequena,
mas combativa
A atual bancada, apesar de pequena, reagiu às investidas do neoliberalismo
no Congresso, como a aprovação da Emenda 3, vetada pelo
presidente da República, e foi pró-ativa na luta pelo
aumento real do salário mínimo, no arquivamento do projeto
de flexibilização da CLT, na defesa de aumentos reais
do salário mínimo e dos aposentados, na atualização
da tabela do imposto de renda, no apoio ao reajuste dos servidores e
na luta pela eliminação do fator previdenciário.
Mas teve seu trabalho facilitado
na relação com o Governo Federal e foi pouco demandada
na mediação de conflitos com o setor privado.
Uma bancada do tamanho da atual,
ainda que com a mesma combatividade, não dará conta dos
desafios de uma conjuntura diferente da vivenciada no segundo mandato
do presidente Lula.
No cenário de hoje, há
afinidade entre o Governo central e o movimento sindical. Para completar,
os empresários se sentem constrangidos em agredir um segmento
defendido por um presidente da República popular. Qual é
a garantia que esse quadro irá se repetir?
Veja a lista com os
nomes da atual bancada sindical e a situação de cada um
para as eleições:
Deputados
Alice Portugal (PCdoB/BA) -
reeleição
Ângelo Vanhoni (PT/PR) - reeleição
Anselmo de Jesus (PT/RO) - reeleição
Antônio Carlos Biffi (PT/MS) - reeleição
Arlindo Chinaglia (PT/SP) - reeleição
Assis Miguel do Couto (PT/PR) - reeleição
Augusto Carvalho (PPS/DF) - reeleição
Cândido Vaccarezza (PT/SP) - reeleição
Carlos Abicalil (PT/MT) - Senado
Carlos Santana (PT/RJ) - reeleição
Carlos Zarattini (PT/SP) - reeleição
Cláudio Magrão (PPS/SP) - não concorre a cargo
eletivo
Chico D'Angelo (PT/RJ) - reeleição
Chico Lopes (PCdoB/CE) - reeleição
Dalva Figueiredo (PT/AP) - reeleição
Daniel Almeida (PCdoB/BA) - reeleição
Devanir Ribeiro (PT/SP) - reeleição
Domingos Dutra (PT/MA) - reeleição
Dr. Rosinha (PT/PR) - reeleição
Edmilson Valentim (PCdoB/RJ) - reeleição
Eduardo Valverde (PT/RO) - governo de estado
Emília Fernandes (PT/RS) - reeleição
Eudes Xavier (PT/CE) - reeleição
Fátima Bezerra (PT/RN) - reeleição
Fernando Ferro (PT/PE) - reeleição
Fernando Lopes (PMDB/RJ) - reeleição
Geraldo Magela (PT/DF) - reeleição
Gilmar Machado (PT/MG) - reeleição
Henrique Afonso (PT/AC) - reeleição
Ivan Valente (PSol/SP) - reeleição
João Dado (PDT/SP) - reeleição
João Paulo Cunha (PT/SP) - reeleição
Jorge Bittar (PT/RJ) - reeleição
José Pimentel (PT/CE) - Senado
Leonardo Monteiro (PT/MG) - reeleição
Luiz Aberto (PT/BA) - reeleição
Luiz Bassuma (PV/BA) - governo de estado
Luiz Sérgio (PT/RJ) - reeleição
Manuela D'Ávila (PCdoB/RS) - reeleição
Marcelo Serafim (PSB/AM) - reeleição
Maurício Rands (PT/PE) - reeleição
Nelson Pellegrino (PT/BA) - reeleição
Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) - reeleição
Paulo Rocha (PT/PA) - Senado
Paulo Rubem Santiago (PDT/PE) - reeleição
Pepe Vargas (PT/RS) - reeleição
Perpétua Almeida (PCdoB/AC) - reeleição
Ricardo Berzoini (PT/SP) - reeleição
Roberto Santiago (PV/SP) - reeleição
Vander Loubet (PT/MS) - reeleição
Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) - Senado
Vicentinho (PT/SP) - reeleição
Vignatti (PT/SC) - Senado
Virgílio Guimarães (PT/MG) - suplente de senador
Walter Pinheiro (PT/BA) - Senado
Zé Geraldo (PT/PA) - reeleição
Zezéu Ribeiro (PT/BA) - reeleição
Senadores
Fátima Cleide (PT/RO)
- reeleição
Ideli Salvatti (PT/SC) - governo de estado
Inácio Arruda (PCdoB/CE) - mandato até 2015
José Nery (PSol/PA) - deputado estadual
Paulo Paim (PT/RS) - reeleição
Marina Silva (PV/AC) - presidente da República
Tião Viana (PT/AC) - governo de estado
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Congresso em Foco, 16 de julho
de 2010
Centro-Oeste tem maior parcela
de candidatos ricos
Dos 38 nomes que concorrem aos governos dos
estados da região, 18 possuem mais de R$ 1 milhão em bens.
No 'clube dos milionários', estão 22% dos candidatos e
92% de todo o patrimônio declarado | Em termos proporcionais,
maior parcela de candidatos milionários, como Íris Rezende,
está no Centro-Oeste
Impulsionado pelo agronegócio
e pelo poder da capital federal, o Centro-Oeste é a região
brasileira onde estão, em termos proporcionais, os candidatos
a governador e vice com maior patrimônio declarado à Justiça
eleitoral. Dos 38 nomes que concorrem aos governos de Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal, 18 possuem mais
de R$ 1 milhão em bens. Os candidatos mais abastados das quatro
unidades federativas acumulam R$ 250,09 milhões, entre fazendas,
residências, empresas, veículos e aplicações
financeiras.
A concentração
de renda, tão característica ao Brasil, também
se espelha nas declarações de bens repassadas aos tribunais
eleitorais. Dos 334 candidatos a governador e vice que registraram para
as eleições em todo o país, 75 fazem parte do seleto
“clube dos milionários”, que concentram R$ 535,23
milhões dos R$ 579,49 milhões declarados. Em outras palavras,
22% dos postulantes aos dois cargos detêm 92% de todo o patrimônio.
A
relação dos candidatos a governador e vice milionários
O grupo dos candidatos mais
endinheirados reúne 16 partidos políticos. O PMDB, com
17, o PSDB e o DEM, com nove, o PDT e o PP, com sete, são as
cinco legendas com mais nomes na relação dos postulantes
mais ricos aos governos estaduais. Também aparecem seis do PP,
quatro do PR e do PT, três do PV, dois do PMN e do PPS e um do
PSC, do Psol, do PSDC, do PHS e do PTB.
Com cinco representantes cada,
Mato Grosso do Sul e Mato Grosso são os estados com mais candidatos
com patrimônio acima de R$ 1 milhão. No Mato Grosso, apenas
um dos seis candidatos a governador ou vice tem patrimônio inferior
à cifra. Já no Mato Grosso do Sul, a mesma aliança
reúne os dois candidatos mais ricos. O deputado estadual Otaviano
Pivetta (PDT), com patrimônio de R$ 132,69 milhões, é
vice na chapa do empresário Mauro Mendes (PSB), que tem R$ 57,15
milhões.
Goiás e Distrito Federal
também têm quatro nomes na lista dos “milionários”.
Entre os goianos, destaque para o ex-governador Iris Rezende (PMDB).
Com R$ 14,62 milhões, ele é o sexto mais rico. Dono de
um patrimônio declarado de R$ 5,24 milhões, o ex-governador
do DF Joaquim Roriz (PSC) figura como o segundo mais rico na corrida
pelo Palácio do Buriti. Perde apenas para seu companheiro de
chapa, o ex-deputado Jofran Frejat (PR), com bens avaliados em R$ 5,36
milhões.
Em números absolutos,
o Nordeste é a região do país com maior número
de candidatos a governador e vice com patrimônio superior a R$
1 milhão: 26 dos 126 postulantes aos cargos. Juntos, os mais
ricos da região têm R$ 148,85 milhões em bens, móveis
ou imóveis. Quase metade do montante declarado pelos candidatos
do Centro-Oeste.
Dos 13 candidatos a governador
e vice mais ricos do país, segundo informações
prestadas à Justiça eleitoral, sete são do Nordeste:
Pedro Fiúza (PSDB) e Cláudio Vale (PPS), do Ceará;
Nilo Coelho (PSDB), da Bahia; Teotônio Vilela (PSDB) e Fernando
Collor (PTB), de Alagoas; Roseana Sarney (PMDB), do Maranhão,
e José Maranhão (PMDB), da Paraíba. Os quatro primeiros
estão entre os dez mais abastados, como mostrou ontem o Congresso
em Foco.
TVs, Ferrari e avião
Governadora do Maranhão,
Roseana tem o décimo-primeiro maior patrimônio declarado.
Entre os R$ 7,83 milhões informados pela candidata à reeleição,
estão R$ 2,7 milhões referentes a cotas da TV Mirante,
emissora da família Sarney. Depois da participação
na empresa, o bem mais valioso apontado pela peemedebista é uma
casa avaliada em R$ 1,75 milhões. Apesar de constarem o nome
da rua e o número do lote, a cidade onde está localizado
o imóvel não foi informada.
Depois de Roseana, o candidato
mais rico é o senador e ex-presidente da República Fernando
Collor, com patrimônio declarado de R$ 7,72 milhões. Na
relação dos bens de Collor, estão terrenos, prédios,
participação societária na TV e na Rádio
Gazeta, de Alagoas, e dez veículos. Entre eles, uma Ferrari avaliada
em R$ 459,2 mil e um Maserati, estimado em R$ 342,5 mil.
Candidato à reeleição,
o governador da Paraíba, José Maranhão, é
o décimo-terceiro mais rico entre os que disputam os governos
estaduais. O peemedebista informou patrimônio de R$ 7,42 milhões.
Quase metade desse valor se refere a ações da Companhia
Nordestina de Alimentos (Canorte). O ex-senador também é
proprietário de uma aeronave Pipe Comanche, avaliada em R$ 120
mil, e de uma fazenda estimada em R$ 1,49 milhão em Tocantins.
Depois do Centro-Oeste e do
Nordeste, o Norte é a região com maior número de
“milionários” entre os candidatos a governador e
vice. Dos 64 postulantes aos dois cargos, 16 têm bens acima de
R$ 1 milhão. Esse grupo acumula R$ 45,8 milhões. O ex-deputado
Confúcio Moura (PMDB), de Rondônia, tem o décimo
maior patrimônio entre os candidatos aos Executivos estaduais
de todo o país: R$ 8,55 milhões. Depois dele, o ex-governador
do Pará Simão Jatente (PSDB), que tenta retomar o mandato,
é o mais abastado entre os nortistas, com patrimônio declarado
de R$ 6,07 milhões.
Nenhum milionário
Entre os 56 candidatos a governador
ou vice no Sudeste, oito têm pelo menos R$ 1 milhão. É
da região o único estado onde nenhum dos participantes
da corrida eleitoral ao governo informou patrimônio igual ou superior
a essa cifra. Cabe ao senador Renato Casagrande (PSB) o posto de candidato
a governador com maior declaração patrimonial no Espírito
Santo, com R$ 564,09 mil.
Somados, os bens dos mais aquinhoados
do Sudeste chegam a R$ 71,51 milhões. O montante é puxado
pelo candidato a vice-governador Afif Domingos (DEM), que declarou R$
49,21 milhões de patrimônio. Vice de Geraldo Alckmin (PSDB),
ele é o terceiro mais rico entre todos os candidatos aos Executivos
estaduais, segundo as informações prestadas à Justiça
eleitoral. Na disputa ao governo de São Paulo pelo PSB, Paulo
Skaf é o segundo mais abastado da região e o nono do país,
com R$ 10,83 milhões.
A relação dos
“milionários” do Sudeste tem mais um paulista e três
candidatos de Minas Gerais e um do Rio de Janeiro. Vice de Gabeira (PV),
Márcio Fortes (PSDB) tem patrimônio declarado de R$ 4,44
milhões. Em Minas, quem se destaca é outro vice: Alberto
Pinto Coelho (PP), com R$ 2,26 milhões. O ex-senador e ex-ministro
das Comunicações Hélio Costa (PMDB), que busca
se eleger governador, informou possuir R$ 1,34 milhão.
No Sul, sete dos 50 candidatos
aos governos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul declararam
mais de R$ 1 milhão em patrimônio. Juntos, os sete têm
R$ 18,96 milhões. Os mais ricos entre eles são os dois
principais candidatos a governador do Paraná. O senador Osmar
Dias (PDT) declarou R$ 5,19 milhões, enquanto o ex-prefeito de
Curitiba Beto Richa (PSDB), R$ 4,23 milhões. O vice de Osmar,
o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB), informou R$ 1,66 milhão.
Os dados dos candidatos a vice-governador do Paraná só
foram divulgados ontem (15) na página do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE).
Em Santa Catarina, apenas dois
candidatos a governador aparecem com patrimônio “milionário”:
a deputada Angela Amin (PP), com R$ 1,64 milhão, e o senador
Raimundo Colombo (DEM), com R$ 1,81 milhão. No Rio Grande do
Sul, dois também informaram bens acima de R$ 1 milhão:
o ex-governador e ex-ministro da Justiça Tarso Genro (PT), com
R$ 2,97 milhões, e o deputado Pompeo de Mattos (PDT), com R$
1,43 milhão, vice na chapa de Fogaça (PMDB).
A Justiça eleitoral exige
de todos os candidatos que informem, ao pedirem o registro de candidatura,
os bens que mantêm em seus nomes, a exemplo da declaração
anual do Imposto de Renda da Pessoa Física. São participações
em empresas, fazendas, apartamentos, casas, carros, aplicações
financeiras e demais investimentos. Segundo o TSE, os candidatos que
informarem dados incompatíveis com a realidade estão sujeitos
a ficarem fora da disputa eleitoral e a responder por crime de falsidade
ideológica.
Na prática, a declaração
é um instrumento de transparência para que o eleitor e
os partidos políticos apurem eventuais mostras de enriquecimento
incompatível. As denúncias podem ser feitas pelas legendas,
pelas coligações e pelo Ministério Público
Eleitoral. Neste ano, nenhuma resolução foi baixada pelo
tribunal para regular a declaração patrimonial.
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Gazeta do Povo, 16 de julho
de 2010
Dinheiro e política
Patrimônio de candidato tem relação
com sua chance de vencer
Dos seis principais concorrentes a cargos majoritários
nas eleições do Paraná, quatro têm bens acima
de R$ 1 milhão
Dos seis principais candidatos
às eleições majoritárias no Paraná
(governo do estado e Senado), quatro têm patrimônio milionário,
como mostra a declaração de bens que eles apresentaram
ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Entre esses candidatos, o mais
abastado é o senador Osmar Dias (PDT), que declarou ter R$ 5,1
milhões em bens. Em seguida, vem o ex-prefeito de Curitiba Beto
Richa (PSDB), que disse ter um patrimônio de R$ 4,2 milhões.
Os dois concorrem ao governo do estado.
Dos principais candidatos ao
Senado, o que possui maior patrimônio é o deputado federal
Ricardo Barros (PP), com R$ 1,9 milhão. Em seguida, vem Gustavo
Fruet (PSDB), que declarou ter R$ 1,8 milhão. Os outros dois
principais concorrentes ao Senado não ultrapassam a cifra de
R$ 1 milhão em bens, mas têm patrimônios superiores
a meio milhão de reais. O ex-governador Roberto Requião
(PMDB) declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 797,2 mil
e a ex-presidente estadual do PT Gleisi Hoffmann R$ 659,8 mil.
Porém o candidato ao
Senado pelo Paraná com mais bens é o pouco conhecido economista
Rubens Hering, que concorre pelo PV. Ele declarou ter um patrimônio
de R$ 2,7 milhões. A maior parte desse dinheiro está aplicado
em imóveis: R$ 2,2 milhões.
Hering, no entanto, é
uma exceção no quadro da disputa majoritária. Dos
concorrentes “nanicos” ao Senado e ao governo do estado,
nenhum outro possui patrimônio superior ao dos principais candidatos
a esses cargos.
Poder político e econômico
Na avaliação da
cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal
de São Carlos (UFSCar), os números demonstram a relação
que existe entre poder econômico e político. Segundo ela,
o maior poder aquisitivo de alguns candidatos cria uma desigualdade
que pode beneficiá-los na disputa dos cargos públicos.
A cientista política
afirma que pessoas sem tantos recursos financeiros até conseguem
eleger-se a cargos públicos. Mas, na falta de dinheiro, precisam
normalmente ter recursos políticos, como um partido forte ou
a estrutura de um sindicato por trás de sua campanha.
Maria do Socorro lembra ainda
que, como as campanhas estão cada vez mais caras, o poder econômico
passa a ser também cada vez mais importante para o sucesso dos
candidatos. “Existem estudos que mostram que quanto mais recursos
o candidato gasta na campanha, maior é a tendência de ele
vencer o pleito. Isso acaba criando uma desigualdade entre os candidatos
e dificulta que os concorrentes que não conseguem chegar aos
altos patamares de gastos se elejam.”
Outro ponto destacado pela cientista
política é que existe uma relação entre
a carreira política e evolução patrimônio.
Maria do Socorro diz que é comum que os políticos
acabem enriquecendo ao longo da carreira política, o que acaba
reforçando a relação entre patrimônio e poder
político.
Entre os principais concorrentes
a cargos majoritários no Paraná, todos possuem carreira
política e exercem, ou já exerceram, cargos públicos.
Osmar Dias está em seu segundo mandato como senador. Antes disso,
foi secretário estadual da Agricultura – entre 1987 e 1994.
Beto Richa, que vem de uma família tradicionalmente ligada à
política, foi eleito duas vezes deputado estadual e esteve à
frente da prefeitura de Curitiba de 2004 até março deste
ano.
Ricardo Barros está no
seu quarto mandato de deputado federal. Antes de ir para a Câmara
Federal, foi prefeito de Maringá. Fruet, por sua vez, já
foi eleito três vezes deputado federal.
Já Roberto Requião
está na vida política desde 1981, quando foi eleito deputado
estadual. Desde então, foi prefeito de Curitiba e governou o
Paraná por três vezes – além dos anos em que
esteve no Senado. Gleisi Hoffmann, embora nunca tenha sido eleita, já
teve cargos importantes dentro do poder público. Foi uma das
diretoras de Itaipu e participou da equipe de transição
do governo Lula.
Desses concorrentes, o
único que teve uma redução no patrimônio
entre 2006 e este ano foi Requião. A redução neste
período foi de cerca de 47%. Há quatro anos, o ex-governador
declarou à Justiça Eleitoral ter quase R$ 1,4 milhão.

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Agência Brasil, 16
de julho de 2010
Lei da Ficha Limpa deve impugnar de 10%
a 15% das candidaturas, diz TSE
Por Ivan Richard,
Na Agência Brasil
O presidente do TSE, Ricardo
Lewandowski disse, nesta quarta-feira (14), que a implementação
da Lei da Ficha Limpa deve provocar a impugnação de até
15% das candidaturas este ano.
'A ficha limpa pegou sem dúvida
nenhuma. Estou fazendo um cálculo que essas impugnações
devem corresponder entre 10% a 15% dos registros de candidaturas. Isso
é algo esperado, está dento do normal e a Justiça
Eleitoral dará uma resposta rápida a essas impugnações'.
O presidente do tribunal disse
também que a lei prevê algumas hipóteses de inelegibilidades
e ao que, até o momento, todas as impugnações estão
baseadas na Lei da Ficha Limpa.
'Vamos examinar todas essas
impugnações e o que pode, de certa maneira, tranquilizar
a todos que acompanham essas impugnações é que
no momento que o TSE e o STF [Supremo Tribunal Federal] chegaram a um
consenso em relação a certas teses, os processos serão
julgados rapidamente', disse o ministro em relação ao
prazo para a Justiça Eleitoral julgar todos os casos de inelegibilidade.
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Folha de S.Paulo, 16 de julho
de 2010
Número de deputadas deve
crescer 30%
Com base no percentual de candidatas, demógrafo
projeta aumento recorde de mulheres no Poder Legislativo | Especialista
atribui o crescimento à "lei de cotas", que estabelece
percentuais mínimos de homens e mulheres
UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO
O número de mulheres
eleitas deputadas estaduais e federais deve crescer entre 30% e 40%
neste ano.
O aumento, se confirmado nas urnas, será o maior da história
do Brasil (em números absolutos), contribuirá para reduzir
a desigualdade de gênero na política e melhorará
a posição do país em rankings internacionais.
A projeção é do demógrafo José Eustáquio
Diniz Alves, pesquisador titular da Escola Nacional de Ciências
Estatísticas, do IBGE.
Com base na relação entre candidatas e eleitas nas duas
últimas eleições nacionais, Alves calcula que a
Câmara dos Deputados poderá passar das atuais 45 deputadas
federais para pelo menos 63.
No caso das deputadas estaduais, ele estima aumento de 124, em 2006,
para pelo menos 161 em todo o país.
Para fazer as contas, Alves considerou os dados do TSE (atualizados
até as 14h15 de ontem), que mostram um percentual de mulheres
candidatas acima daquele verificado em anos anteriores.
Em 2002, 11,4% dos candidatos a deputado federal eram mulheres. Em 2006,
12,7%. Neste ano, são 21%.
"O aumento de eleitas, porém, não deve ser proporcional
ao crescimento de candidatas, já que, conforme noticiado, partidos
recorrem a "laranjas" para cumprir a "lei de cotas'",
diz Alves.
A julgar pelas projeções, o Brasil chegaria a ter pelo
menos 12,3% de mulheres em seu Parlamento. A taxa ainda estaria abaixo
da média mundial, de 19,1%, mas acima do estágio atual,
de 8,8%.
Com isso, o país poderia saltar cerca de 25 posições
no ranking elaborado pela União Interparlamentar, organização
ligada à ONU que monitora a participação feminina
nos Parlamentos. O Brasil é hoje o 138º colocado.
LEI
DE COTAS
Esse crescimento, contudo, não é "espontâneo".
De acordo com Alves, a mudança na redação da "lei
de cotas" na política terá sido fundamental para
os prováveis resultados positivos.
Aprovada em 1997, a lei 9.504 determinava: "cada partido ou coligação
deverá reservar o mínimo de 30% e o máximo de 70%
para candidaturas de cada sexo". De lá até 2008,
o verbo "reservar" foi a senha para que as legendas apenas
"reservassem" espaço para mulheres, sem se preocuparem
em de fato preencher as vagas.
Em 2009, o trecho "deverá reservar" foi alterado para
"preencherá". Segundo especialistas, a mudança
torna compulsório o cumprimento das cotas. O TSE, segundo sua
assessoria, não tem posição definitiva sobre o
tema.
Partidos e coligações que não tiverem atingido
o percentual mínimo previsto em lei têm até dia
4 de agosto para preencher as cotas.
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Folha de S.Paulo, 16 de
julho de 2010
33 candidatos ao governo são impugnados
Desse total, nove apoiam Dilma, e sete, Serra;
impugnações têm que ser julgadas pelo TSE até
o dia 5 de agosto | Estão supostamente na malha atingida pela
Lei da Ficha Limpa Joaquim Roriz (DF), Jackson Lago e Roseana Sarney
(MA)
DE SÃO PAULO
Uma em cada cinco candidaturas
a governador de Estado está impugnada. Até ontem à
noite, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrava 33 casos (19,7%),
entre 167 candidaturas apresentadas.
As contestações têm como fonte desde o Ministério
Público até coligações adversárias.
Das impugnações, 17 atingem candidaturas nanicas nos Estados.
Entre os outros 16 candidatos competitivos, nove são palanques
para a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). Os
outros sete entram na conta de apoios da campanha de José Serra
(PSDB).
Os casos têm que ser julgados pelo TSE até o dia 5 de agosto
e referem-se tanto a candidatos supostamente incluídos na Lei
da Ficha Limpa, quanto inconsistências nas declarações
de bens, por exemplo.
Estão supostamente na malha da ficha-suja candidatos como Jackson
Lago (PDT) e Roseana Sarney (PMDB), ambos candidatos ao governo do Maranhão,
além do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC),
que tenta voltar ao cargo.
Ontem, o PV apresentou impugnação à candidatura
de Sérgio Cabral (PMDB), que tenta a reeleição
no Rio, mas ainda não tinha entrado no sistema do TSE. (BC)
|
Folha de S.Paulo, 16 de
julho de 2010
Maioria dos candidatos tem mais
de 45 anos
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA
A maioria dos candidatos nas
eleições de outubro são homens, casados, não
têm ensino superior, passaram dos 45 anos e disputam uma vaga
nas Assembleias estaduais.
Os dados são do último levantamento do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral), que contabilizou dados de 20.335 candidatos em todo o país.
Os números foram atualizados ontem e serão consolidados
até o dia 20.
O levantamento mostra que a política brasileira ainda está
longe da juventude. Apenas 12% dos políticos têm entre
18 e 34 anos, enquanto 61% passaram dos 45 anos.
A principal profissão apontada (16%) é "outros",
escolhida pelo candidato que prefere não categorizar sua ocupação.
Em segundo lugar, aparece empresário (8%). Em quinto, consta
"deputado". No total, 1.027 políticos adotaram o cargo
temporário como profissão e disputam a reeleição.
Embalado pela candidatura de Marina Silva à Presidência,
o PV divide com PT e PMDB o topo da quantidade de candidaturas, com
6,25%. PMDB e PT têm 6,11% e 6,02%, respectivamente.
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Agência Câmara,
16 de julho de 2010
Projeto amplia direitos dos empregados
domésticos
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 7570/10, da deputada Angela Portela (PT-RR), que amplia os direitos
dos empregados domésticos. Segundo o texto, esses profissionais
passarão a fazer jus, por exemplo, a uma carga de trabalho de
no máximo oito horas diárias ou 44 semanais. Caso o trabalho
ultrapasse esse período, o empregador terá de pagar remuneração
extraordinária no mínimo 50% superior à normal.
Esses profissionais também
passarão a ter direito a uma remuneração extra
pelo trabalho noturno superior à do diurno. Portela considera
inaceitável “que, em pleno século 21, uma categoria
ainda tenha jornada superior a oito horas diárias".
Ainda conforme o texto, os empregados
domésticos terão assegurado o recebimento de salário-família,
a ser pago pelo empregador. Portela ressalta, no entanto, que essa "aparente
despesa adicional" poderá ser deduzida da contribuição
para o INSS. "A responsabilidade pelo pagamento, em última
instância, será da Previdência Social", sustenta.
Férias
O projeto determina que as férias dos profissionais domésticos
sejam concedidas nos doze meses subsequentes à aquisição
desse direito. Após esse prazo, as férias serão
pagas em dobro.
Quando houver rescisão
contratual, o pagamento a que o empregado tiver direito deverá
ser feito até o primeiro dia útil imediato ao término
do contrato. Se não houver aviso prévio, o pagamento deverá
ocorrer até dez dias depois da notificação. O descumprimento
desses prazos sujeitará o infrator a uma multa de R$ 500 em favor
do empregado.
Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivoRito de
tramitação pelo qual o projeto não precisa ser
votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas
para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter
em duas situações: - se houver parecer divergente entre
as comissões (rejeição por uma, aprovação
por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver
recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos
dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário.
pelas comissões de Trabalho, de Administração e
Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-7570/2010
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BEM PARANÁ, 16 de
julho de 2010 | Paraná
Manifestação
Pedreiros fazem protesto em frente da
Cohab
Eles cobram que os salários sejam pagos
integralmente e em dia
Redação Bem Paraná, com
Rádio Banda B
Um grupo de pedreiros realizou um protesto na manhã de hoje (15)
em frente à sede Companhia de Habitação Popular
(COHAB), segundo informações da Rádio Banda B.
Eles trabalham há cerca de dois anos na Cohab e protestaram contra
o atraso de salários que vem ocorrendo desde o início
do ano.
Atualmente eles trabalham
na construção de um conjunto habitacional no bairro Sítio
Cercado, obra que foi designada pela Cohab. Um dos pedreiros afirmou
que no mês passado eles receberam cerca de 80% do salário
e neste mês o atraso já passa dos 15 dias. A média
de salário destes trabalhadores varia entre R$ 1.400 para pedreiros
e R$ 700 para serventes.
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Gazeta do Povo, 16 de julho
de 2010
Greve
Funcionários da Porcelana Schmidt
queimam pneus
Na manhã de ontem, os cerca de 500 trabalhadores da Porcelana
Schmidt, em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba,
colocaram fogo em pneus na avenida que dá acesso à fábrica
como forma de protesto. Eles estão em greve desde terça-feira,
cobrando o pagamento dos salários de junho. A Polícia
Militar chegou a ser acionada, mas não registrou nenhum problema
mais grave. A empresa estima a folha de pagamento mensal em R$ 300 mil
e programou o pagamento entre hoje e amanhã.
Esta é a terceira paralisação
realizada este ano na Porcelana Schmidt. Na última, em março,
foi acordado que nos três meses subsequentes o pagamento seria
realizado no dia 10 e que, a partir deste mês, voltaria para o
dia 5. “Não saiu nesse dia e demos prazo até o dia
10, mas também não saiu, por isso decidimos parar na terça-feira”,
disse o representante dos funcionários, Divonzir Batista. Segundo
ele, nas tentativas de conversa com a empresa, a informação
era de que somente o pessoal da unidade de Mauá (SP) poderia
tratar de questões financeiras. “Mas eles não vêm
aqui para conversar”, reclamou.
Segundo o gerente de queima
da unidade de Campo Largo, Martin Alfredo, já havia uma conversa
com o sindicato que representa os trabalhadores sobre a possibilidade
de o pagamento sair hoje, mas teria havido desentendimento dos trabalhadores
com a entidade, em razão da interferência do vereador Nelson
de Souza, vice-presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos
e da diretoria da Força Sindical por ser candidato a deputado
estadual.
Alfredo reclamou que a greve
dos trabalhadores dificulta ainda mais o pagamento porque há
peças no valor de R$ 400 mil para serem embaladas e entregues
aos compradores desde terça-feira. Juntas, as unidades de Campo
Largo e Pomerode (SC) produzem cerca de 1,8 milhão de peças
de porcelana por mês. O vereador de Campo Largo disse que foi
chamado pelos trabalhadores para discutir os problemas porque “o
sindicato perdeu a credibilidade e os deixou abandonados”. Na
tarde desta quinta-feira, Souza estava em frente à fábrica
para, segundo ele, orientar os trabalhadores a manter as áreas
essenciais funcionando. Nenhum diretor foi encontrado no Sindicato dos
Trabalhadores em Indústrias de Cerâmica e Porcelana.
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Valor Econômico, 16
de julho de 2010
Metalúrgicos: empresas liberam
operários para aulas sobre sindicalismo
Por João Villaverde,
No Valor Econômico
O Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC paulista, a Mercedes Benz e a Ford começam na próxima
semana a pôr em prática uma experiência inédita.
As duas montadoras vão liberar todos os seus metalúrgicos
de um dia de trabalho por ano para que tenham aulas sobre sindicalismo.
Imagine uma empresa liberar
toda sua mão de obra para ir ao sindicato dos trabalhadores para
um dia de aula sobre sindicalismo. Imagine agora que a empresa, ou as
empresas em questão, não são companhias pequenas,
mas empregadoras de mais de 70 mil trabalhadores.
É o que vai acontecer
em São Bernardo do Campo a partir da semana que vem, quando o
sindicato dos metalúrgicos do ABC dá início às
primeiras turmas de 120 trabalhadores da Mercedes-Benz, primeira fabricante
a ratificar o acordo com o sindicato na convenção coletiva
de outubro de 2009. Aos cerca de 12 mil funcionários da Mercedes
serão somados os 4,5 mil trabalhadores da Ford, que assinaram
acordo semelhante nesta semana.
Na Mercedes as inscrições
para as aulas já estão abertas. Os trabalhadores serão
levados por ônibus ao clube de campo do sindicato, onde ficarão
por um dia inteiro em salas com televisões e professores.
"O mundo mudou. O sindicato,
as empresas e o Estado mudaram ao longo dos últimos 30 anos.
E o trabalhador, mais jovem, não conhece essa evolução",
diz Sérgio Nobre, presidente do sindicato. A ideia vem sendo
discutida desde 2003 quando os membros eleitos nos comitês sindicais
constituídos em 96 empresas da região passaram a incluir
a reivindicação na pauta negociada anualmente.
No ano passado, as montadoras
e fabricantes de autopeças concordaram em liberar seus funcionários
para o curso. A Mercedes foi a primeira a ratificar o acordo, no fim
de junho.
Segundo Marcos Alves, diretor
de administração de pessoal da Mercedes Benz em São
Bernardo, a montadora avalia que o curso vai "consolidar definitivamente"
a relação construída entre empresa e sindicato.
"Temos uma negociação permanente com os sindicalistas",
diz Alves, que conversou com o Valor ontem, depois da reunião
"Quarta Extra", que ocorre semanalmente entre membros da companhia
e diretores da comissão de fábrica.
"O curso vai ensinar também
que negociamos continuadamente há 25 anos", diz Alves, em
referência à comissão de fábrica do sindicato
na Mercedes, criada em 1984 - a primeira da região.
Criticado no ano passado por
conseguir reajuste real nos salários inferior a outros polos
automobilísticos, como São José dos Campos, Campinas
e Paraná, o presidente do sindicato do ABC avalia que "o
trabalhador precisa entender que o sindicato precisa andar junto da
região". Para Nobre, "não se pode afugentar
as empresas e os investimentos daqui, porque de outra forma o resultado
seria pior para os empregos".
Depois de atingir o fundo do
poço em 2003, quando a base de metalúrgicos na região
do ABC atingiu 77,4 mil trabalhadores, o momento é de aquecimento
econômico. No mês passado, a região voltou a bater
a marca dos 100 mil operários, recuperando o patamar de 2008,
então recorde da década. "O emprego cresce e o trabalhador
que entra é cada vez mais jovem", diz Nobre.
Quase 20 mil trabalhadores da
indústria automobilística do ABC têm menos de 24
anos de idade. A parcela dos que têm mais de 40 anos, ainda maioria
- representando cerca de 35% do total - perde espaço. Na Mercedes,
a média de idade do trabalhador, segundo dados do sindicato,
é de 32 anos.
"Isso quer dizer que a
maioria nasceu no fim dos anos 1970, justamente quando ocorreram as
grandes greves e os conflitos do sindicato com as empresas e o Estado.
Agora a situação é completamente diferente das
últimas três décadas", diz Walter Souza, membro
do comitê sindical na Mercedes e coordenador do curso, chamado
de "Programa Trabalho e Cidadania".
Para dar conta do imenso contingente
de trabalhadores, o sindicato já se antecipou. No fim do ano
passado comprou um prédio nas cercanias de sua sede por R$ 1,5
milhão, em leilão municipal. O prédio será
reformado e deve ficar disponível para aulas no fim do ano. Além
disso, realizou em maio aulas-piloto, que serviram de teste para o material
desenvolvido.
"Assistimos a filmes, fomos
apresentados à história do sindicato e das empresas e
recebemos CD-ROM e apostilas", diz Priscila Lucena, que trabalha
na linha de montagem de caminhões da Ford e participou de uma
dessas aulas.
"Não só o
sindicato, mas as empresas têm uma história muito rica.
As duas instituições são muito importantes para
nossa região e eu, que não venho de família de
metalúrgicos, não conhecia nada disso", diz Priscila.
Com 25 anos de idade e pouco mais de dois na Ford, seu primeiro emprego
como metalúrgica, Priscila diz "conhecer agora seu trabalho
melhor".
Segundo dados do Departamento
Intersindical de Estudos e Estatísticas Intersindical (Dieese),
o salário médio dos metalúrgicos das quatro cidades
representadas pelo sindicato do ABC - São Bernardo do Campo,
Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra - é de R$
2,9 mil, sendo R$ 2,1 mil nas autopeças e R$ 5,1 mil nas montadoras
- os mais altos da indústria no país.
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Gazeta do Povo, 16 de julho
de 2010
Subjetividade
Dano moral trabalhista gera processos
e dúvidas
Pesquisa no site do Tribunal Superior do Trabalho
mostra que número de decisões com o termo “dano
moral” cresceu 12 vezes nos últimos cinco anos
Há cerca de cinco anos,
toda a controvérsia envolvendo a temática do dano moral
chegou oficialmente ao Judiciário Trabalhista – com a promulgação
da Emenda Constitucional n.º45, do final de 2004, que incluiu
entre as matérias de competência da Justiça do Trabalho
“as ações de indenização por dano
moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho”.
É verdade que, antes disso, a questão já era enfrentada
na esfera trabalhista*, mas números revelam que a previsão
constitucional abriu as comportas para uma enxurrada de ações
indenizatórias por dano moral nos órgãos da Justiça
do Trabalho. Segundo pesquisa de jurisprudência realizada pela
reportagem no site do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o número
de acórdãos (decisões colegiadas) envolvendo o
termo “dano moral” cresceu 12 vezes entre 2004 e 2009, passando
de 642 para 8.222 – veja quadro abaixo.
Se as ações são
numerosas, também o são as dúvidas que pairam sobre
a matéria, sobretudo em relação às hipóteses
de ocorrência do dano moral e ao valor adequado à indenização.
“Não existem elementos objetivos para a qualificação
do que seria o dano moral e para a quantificação do dano.
A Justiça do Trabalho está desenvolvendo um entendimento
sobre a matéria, mas está muito no início, ainda
existe muita incerteza”, explica o advogado Aramis de Souza Silveira,
presidente da Comissão de Direito do Trabalho da seção
paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Sem critérios legais
objetivos a balizar o dano moral, as velhas máximas segundo as
quais “cada caso é um caso” e “cada cabeça,
uma sentença” são amplificadas quando se trata do
tema. E, por vezes, casos muito parecidos têm decisões
muito diferentes. É o que conta o advogado Cristiano José
Baratto. Ele recorda que atuou em um caso em que duas pessoas envolvidas
no mesmo fato, com a mesma empresa, receberam indenizações
por danos morais com valores totalmente distintos: uma recebeu quase
quatro vezes a mais do que a outra. “Não defendo o tabelamento
das indenizações, é claro, mas para casos similares
as indenizações devem ser próximas. Essa falta
de coerência nos valores causa insegurança jurídica”,
diz Baratto.
Tamanha é a controvérsia
acerca do dano moral que há toda uma seção do site
do TST (www.tst.jus.br) dedicada a notícias sobre o tema –
no lado esquerdo da página, no menu Matérias Temáticas.
Ali, é possível identificar como diversas questões
ainda não estão pacificadas. No final do ano passado,
por exemplo, o TST decidiu que não cabia indenização
por danos morais a um trabalhador que alegava ter sido impedido de utilizar
o banheiro durante o expediente. Meses antes, em junho de 2009, no entanto,
o TST havia condenado uma empresa a pagar indenização
por restringir a quantidade de idas dos funcionários ao sanitário,
entre outros constrangimentos. Cada funcionário recebeu R$ 20
mil. Apenas R$ 10 mil a mais recebeu, em agosto do mesmo ano, um trabalhador
que perdeu dois dedos em um acidente de trabalho – a indenização
por danos morais ficou em R$ 30 mil.
* Em 2003, a Seção
de Dissídios Individuais (SDI) 1, do Tribunal Superior do Trabalho
(TST), chegou a editar a Orientação Jurisprudencial
nº 327 (convertida na Súmula nº 392, em 2005), segundo
a qual: “Nos termos do art. 114 da CF/1988, a Justiça do
Trabalho é competente para dirimir controvérsias referentes
à indenização por dano moral, quando decorrente
da relação de trabalho”
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
15/07/2010
Ação individual deve ser extinta
se já houver outra igual apresentada pelo sindicato
De acordo com a jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho, o ajuizamento pelo empregado de ação
individual não implica a desistência de ação
já proposta pelo sindicato a que pertence, na qualidade de substituto
processual. Nessas condições, o processo individual deve
ser extinto, sem julgamento do mérito, pois ocorre litispendência,
ou seja, duas ações com mesmo objeto e causa de pedir.
Por esse motivo, a Seção
I Especializada em Dissídios Individuais do TST, em decisão
unânime, negou provimento aos embargos de uma trabalhadora e manteve
a extinção do seu processo contra a Fundação
Municipal de Saúde de Teresina (PI). O relator, ministro Aloysio
Corrêa da Veiga, explicou que o sistema jurídico nacional
adota a “teoria da tríplice identidade”, o que significa
que duas ações são idênticas quando têm
as mesmas partes, causa de pedir e objeto.
Assim, segundo o relator, quando
há duas demandas idênticas, a litispendência acarreta
a extinção do processo sem julgamento do mérito,
conforme estabelece o artigo 267, V, do CPC. No entanto, essa teoria
não prevê todas as hipóteses possíveis de
tramitação dos processos, daí a necessidade de
utilizar a “teoria da identidade da relação jurídica”,
concluiu o ministro Aloysio.
Então, também
ocorrerá a litispendência, quando houver, entre as ações
em curso, identidade da relação jurídica de direito
material deduzida em ambos os processos, ainda que haja diferença
quanto a algum dos elementos identificadores da demanda (no caso, o
nome das partes). Como a trabalhadora é titular da relação
jurídica nos dois processos e será beneficiária
de uma eventual decisão judicial favorável, a SDI-1 concluiu
que estava configurada a litispendência, devendo permanecer extinta
a ação individual proposta pela empregada. (E-RR-3900-67.2008.5.22.0003)
(Lilian Fonseca)
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15/07/2010
Limpeza em sanitários de aeroporto
gera adicional de insalubridade
Por considerar que a limpeza
de sanitários de uso coletivo em aeroportos se equipara à
atividade pertinente ao do lixo urbano, a Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho negou provimento a agravo de instrumento em que a Empresa
Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária – Infraero
tentou se livrar do pagamento de adicional de insalubridade a uma trabalhadora.
A Infraero responde subsidiariamente
pelas verbas trabalhistas devidas a uma ex-empregada que prestava serviços
terceirizados em dependências sob a sua supervisão. Segundo
o relator do recurso na Sexta Turma, ministro Maurício Godinho
Delgado, o entendimento pacificado no TST de que é indevido o
adicional de insalubridade às atividades de limpeza em residências
e escritórios, uma vez que não se encontram dentre as
classificadas como lixo urbano em portaria normativa do Ministério
do Trabalho e Emprego, não pode ser estendido a situações
diversas como a do presente caso, sob pena do enfraquecimento da proteção
normativa.
O relator informou que a empregada
ficava em contato permanente com agentes patogênicos altamente
nocivos à saúde, em atividade insalubre que se equipara
perfeitamente às de recolhimento do lixo urbano, nos temos do
Anexo 14 da NR 15 da Portaria 3.214/78 do MTE. Assim considerou devido
o pagamento do adicional de insalubridade em grau máximo à
empregada. Seu voto negando provimento ao agravo de instrumento da empresa
foi aprovado por unanimidade na Sexta Turma.
A empresa recorreu da
decisão e aguarda julgamento. (AIRR-34640-98.2007.5.04.0017)
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FETRACONSPAR, 16 de julho de 2010 | Eventos
Data Base Junho
Sindicatos Filiados reúnem-se
em Maringá
Os Sindicatos filiados à
FETRACONSPAR – Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
do Estado do Paraná, com data base no mês de junho, reuniram-se
na tarde de hoje (16/07), nas dependências do Hotel ELO, em Maringá/PR,
para avaliar conjuntamente os encaminhamentos das negociações.
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