Ano 7        -        Nº 2334        -        Curitiba (PR), 20 de julho de 2010.

FOLHA DE LONDRINA, 20 de julho de 2010 | Economia
Construção civil bate recorde em contratações
No Paraná setor gerou 15,4 mil empregos no primeiro semestre - 5,9 mil só em Londrina

O nível de emprego da construção civil brasileira aumentou 10,2% no acumulado do ano até junho. O saldo líquido de empregos foi de 230 mil, sendo 15,4 mil só no Paraná - o que representa 12,4% de acréscimo no emprego deste setor, de janeiro a junho; 5.210 em Curitiba (12%) e 5.901 em Londrina (21,57%), de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), registro administrativo do Ministério do Trabalho e Emprego.

Em 12 meses (de junho de 2009 a junho de 2010), a variação de emprego na construção atingiu 29,53% no município, com o saldo de 2.251 novas vagas. Apenas em junho, o setor fechou 892 admissões e 815 desligamentos, que resultaram numa variação de 0,81% no número de trabalhadores da construção. Em maio, o saldo de empregos no Brasil ultrapassou os 39 mil, enquanto no Paraná foram 3.725 e em Curitiba 1.590.

Para Euclésio Finatti, vice-presidente técnico na área de Política e Relações Trabalhistas do Sinduscon Paraná, o cenário nacional é positivo e o índice de contratação tem experimentado grande acréscimo devido à facilidade de financiamento para obras de infraestrutura, como o Minha Casa Minha Vida, por exemplo. ''Houve muita contratação de obras como esta neste semestre, por isso o volume foi maior'', observa.

Ele prevê que, embora estejam previstas novas obras de infraestrutura para o segundo semestre, haverá contratações, mas não com a mesma velocidade dos primeiros seis meses. ''Imaginamos que não vai repetir até porque não temos trabalhadores para isso'', justifica. Finatti acredita que o PIB do setor deverá ser maior que o nacional.

O saldo da construção civil municipal do período de janeiro a junho deste ano, que somou 1.694 novas vagas, segundo a economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Lenina Formaggi, significou 23% do saldo total de empregos gerados em Londrina no período.

Aline Vilalva
Reportagem local

 

BEM PARANÁ, 20 de julho de 2010 | Economia
Em 10 anos
Curitiba teve no 1º semestre maior aumento de empregos
Nos primeiros seis meses de 2010 Curitiba gerou 24.763 empregos formais

Nos primeiros seis meses de 2010 Curitiba gerou 24.763 empregos formais, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi o maior saldo e a maior variação de emprego em Curitiba em 10 anos, de acordo com a série histórica do Caged, iniciada em 2000.

No mês de junho, foram criados 2.233 empregos formais. O saldo é resultado da contratação de 33.003 trabalhadores e do desligamento de 30.770. Curitiba foi a nona capital com maior variação de emprego e a oitava com maior saldo de vagas no mês de junho. Com o resultado de junho, a capital chegou ao estoque total de 649.645 trabalhadores com carteira assinada.

O saldo de 2.233 empregos formais em junho é 76% superior ao apresentado no mesmo mês de 2009. Naquele período foram criados 1.267 empregos. Os setores de serviços e indústria tiveram o melhor desempenho na geração de vagas formais no mês passado. Juntos criaram 1.696 empregos, o que equivale 76% do total de novos postos na capital.

A criação de 2.233 postos representou um aumento de 0,3% sobre o número de trabalhadores existentes em maio. No Paraná foram criadas 10.446 vagas em junho, variação de 0,5% no estoque de trabalhadores. A Região Metropolitana de Curitiba criou 3.591 novos empregos no mês passado, variação de 0,4% em relação ao estoque do mês anterior.

A coleta e preparação do relatório são feitas pelo Observatório do Trabalho, uma parceria entre o Dieese e a Secretaria Municipal do Trabalho Emprego.


O ESTADO DO PARANÁ, 20 de julho de 2010 | Economia
Jovens reduzem pressão sobre mercado de trabalho

Nos últimos seis anos, cerca de 425 mil jovens de 18 a 24 anos, ocupados ou em busca de ocupação, deixaram de pressionar o mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil. A grosso modo, se quantidade semelhante de jovens estivesse no mercado, a taxa de desemprego metropolitano, hoje em 7,5% da população economicamente ativa (PEA), poderia ficar próxima de 10%.

A questão é que o ritmo de crescimento da população brasileira está diminuindo a uma velocidade maior que a esperada. Mais que isso, as dinâmicas são diferentes, e até opostas, entre diferentes grupos por faixas etárias. Enquanto a participação dos mais jovens na força de trabalho encolhe, a da população de mais de 50 anos é a que mais cresce, refletindo a forte expansão demográfica do passado.

Os jovens de 18 a 24 anos, que representavam 15,1% da população em idade economicamente ativa das principais regiões metropolitanas do País em 2003, passou a responder por 12,6% no ano passado. "Três pontos porcentuais é uma queda e tanto", diz o gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Nesse mesmo período, a fatia dos trabalhadores com 50 anos ou mais saltou de 24,9% para 30,2%.

A população está envelhecendo porque a taxa de natalidade tem caído num ritmo maior que o da mortalidade. Em pouco mais de 40 anos, da metade da década de 1960 até 2006, a taxa de fecundidade brasileira passou de 6,2 filhos por mulher para 1,8 filho, segundo dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), divulgados pelo IBGE em 2008.


O ESTADO DO PARANÁ, 20 de julho de 2010 | Economia
Bernardo critica indexação a reajuste do mínimo

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, criticou hoje a indexação dos benefícios previdenciários ao aumento do salário mínimo. Atualmente, o piso dos benefícios da Previdência é reajustado pelo mesmo índice do salário mínimo, enquanto os benefícios acima desse valor têm como base de correção o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Uma emenda do senador Paulo Paim (PT-RS) pretende indexar os reajustes dos benefícios previdenciários - inclusive os que estão acima do piso - ao aumento do salário mínimo. A proposta foi incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), e depende de sanção do presidente Lula.

"Não sou adepto dessa medida. Se a gente olhar o que está acontecendo em termos demográficos, a questão das aposentadorias, da previdência no País, e olhar a longo prazo, só tem um jeito de atrelar o salário mínimo e os outros benefícios, é não dar aumento real para nenhum deles. Como nós estabelecemos uma política de dar aumento real para o salário mínimo, vamos ter de enfrentar esse debate e ver se a gente consegue superar isso. Se você falar, 'tem que ser tudo igualzinho', com certeza vai todo mundo receber só inflação", disse Paulo Bernardo.

Questionado se o governo deveria barrar a medida, o ministro respondeu que espera "que sim". "Vou conversar com o presidente ainda, quem tem a caneta e o poder na hora de sancionar ou vetar é o presidente Lula, mas vamos ponderar essas coisas com ele."


O ESTADO DO PARANÁ, 20 de julho de 2010 | Economia
Crédito imobiliário cresce 88% no Paraná
Helio Miguel

O programa Minha Casa Minha Vida provocou uma explosão na quantidade e valor dos financiamentos da Caixa Econômica Federal. Ontem, o banco anunciou os números do primeiro semestre, que mostram um crescimento de 88% nos valores financiados, em relação ao mesmo período do ano passado, no Paraná. Só nesses seis meses do ano, o banco já financiou R$ 2,161 bilhões, mais do que os R$ 1,535 bilhão emprestados durante todo o ano de 2008, e valor já próximo dos R$ 3,182 bilhões creditados em 2009. A expectativa, este ano, é de que o total ultrapasse os R$ 4 bilhões.

Do total financiado este ano no Estado, R$ 1,246 milhão faz parte do programa Minha Casa Minha Vida. O valor já ultrapassou os R$ 854 milhões disponibilizados em 2009. Desde abril do ano passado, quando o programa foi lançado, quase 35 mil unidades foram disponibilizadas através dessa linha, e há mais 33 mil moradias em análise. A meta do governo federal para o Estado é de 44,2 mil unidades. Em Curitiba, onde a meta é de 12 mil financiamentos, dois terços (8 mil) já foram realizados, e 7,3 mil estão em análise.

De acordo com o superintendente regional da Caixa em Curitiba, Hermínio Basso, a grande quantidade de contratos está causando uma “drástica redução” no déficit habitacional do Estado, que já é um dos mais baixos do País. “O Paraná é um dos líderes na corrida para acabar com o déficit imobiliário. Nos próximos quatro anos, esperamos reduzi-lo em 30% a 40%”, prevê.

Ele também destaca uma mudança de perfil nos mutuários. Pessoas de até 30 anos, por exemplo, já representam 24% dos contratos, e maiores de 46 anos são outros 29%. “Boa parte dessas pessoas não tinha acesso a financiamentos de imóveis, anteriormente. Os mais novos estão iniciando suas famílias, e os mais velhos, saindo do aluguel”, analisa.

Outra mudança importante, segundo Basso, foi o aumento na proporção de famílias com renda entre zero e três salários mínimos. Se, em 2003, elas compunham apenas 6% dos financiamentos, este ano já são 24%. A fatia só é menor que a das famílias que ganham 10 ou mais salários mínimos, que assinam, hoje, 38% dos contratos.

Estabilidade

Basso explica que a meta de R$ 4 bilhões financiados até o final do ano é até conservadora, já que o mercado imobiliário normalmente fica mais aquecido no segundo semestre. Para ele, a explosão tem várias causas, que vão desde a maior estabilidade da economia até a desburocratização na hora do cadastro das construtoras no banco. A medida, diz ele, abriu espaço para empresas menores.

Segundo a gerente regional de Negócios da Construção Civil da Caixa em Curitiba, Suely Molinari, hoje as pessoas têm mais tranquilidade para assumir financiamentos de maior valor e a longo prazo. “A formatação dos empréstimos mudou. Antigamente, a inflação aumentava o valor das parcelas”, lembra, comparando com o sistema atual, no qual as parcelas diminuem ao longo do tempo. A inadimplência nos financiamentos do banco, que já chegou a 18% há 20 anos, está hoje em 1,5%, informa ela.


FOLHA DE LONDRINA, 20 de julho de 2010 | Economia
Paraná pode ter R$ 4 bilhões para a casa própria
Recursos serão liberados pela Caixa em 2010; juros baixos e maior prazo de financiamento favorecem baixa renda

Curitiba - A Caixa Econômica Federal pretende fechar o ano de 2010 com um valor total financiado em crédito para a compra da casa própria de R$ 4 bilhões no Paraná, volume 25% maior do que o disponibilizado no ano passado. Desse total, cerca de 30% a 40% serão destinados para a população com renda de até três salários mínimos. Só no primeiro semestre deste ano, o banco já ofereceu um total de R$ 2,161 bilhões em crédito com o fechamento de 29.063 contratos ou 88% a mais que no mesmo período de 2009 e sete vezes mais que em 2003. Foram beneficiadas 117.996 pessoas. Esse montante, já é maior do que todo o recurso liberado no ano de 2008 que foi de R$ 1,5 bilhão. Só o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) representou 57% do total de recursos liberados nos primeiros seis meses do ano.

Em Curitiba, foram liberados R$ 852 milhões em crédito imobiliário - 76% a mais que no primeiro semestre de 2009 - em 12.235 contratos que beneficiaram 49.451 pessoas. A meta é fechar 2010 com R$ 1,9 bilhão. Do total financeiro, R$ 293 milhões foram para o programa MCMV que deve atingir 12.018 contratos neste ano.

Um dado interessante do levantamento divulgado ontem pelo banco, em Curitiba, é que 21% dos financiamentos são para pessoas até 30 anos, ou seja, o público que está formando uma nova família. O curioso é que 29% dos contratos são de pessoas acima de 46 anos que, muitas vezes, estão saindo do aluguel, para conseguir o primeiro imóvel próprio. O superintendente da Caixa em Curitiba, Hermínio Basso, disse que essa faixa etária da população não tinha acesso ao crédito e, portanto, à moradia. Além disso, essas pessoas foram beneficiadas pela estabilidade econômica. Hoje, 24% do crédito liberado é para famílias que ganham até três salários mínimos.

Segundo ele, os principais fatores que levaram a esse crescimento do crédito imobiliário foram a redução da taxa de juros, o aumento do prazo de financiamento que chega a até 30 anos, as prestações decrescentes, o aumento da renda, a redução do desemprego, a simplificação operacional, a flexibilização da comprovação da renda, a realização dos feirões da Caixa e o crescimento do número de construtoras, entre outras razões.

Redução de juros

Um dos motivos que levou à redução de juros foi a diminuição da inadimplência acima de 90 dias que já chegou a patamares de 18% no final da década de 80, a 2% em maio de 2009 e hoje é de 1,5%. Isso é importante porque os juros são formados por três fatores: o custo do dinheiro, os impostos e as perdas que as empresas incorporam. Atualmente, os juros anuais da Caixa variam de 4,5% a 10,5% ao ano e já foram de 18% ao ano na década de 90. Com a inadimplência baixa, o banco pode fazer a reaplicação dos recursos no sistema.

Ainda dentro do programa MCMV, foram realizados 34.447 contratos desde a criação em abril de 2009 até agora, no valor total de R$ 2,1 bilhões. A meta é atingir 44.172 contratos e o Paraná já alcançou 78% do objetivo.

O banco tem 81,8% do mercado de habitação no País. De acordo com ele, o Paraná e Curitiba tem um volume de deficit habitacional menor do que o restante do Brasil. Do total de 1 milhão de moradias previstas para 2010 no Brasil, 12% são na região Sul. A ideia, de acordo com o superintendente, é que o deficit no Paraná seja reduzido ou termine antes de outros estados brasileiros. O Estado tinha um deficit no final de 2009 de 44 mil unidades ou 14%. Ele acredita que o MCMV vai tornar-se permanente por meio de lei mesmo com a mudança de governo federal. ''Estamos no caminho para zerar o deficit habitacional'', destacou.

O aumento do crédito imobiliário também traz repercussões positivas para a economia porque gera impostos e movimenta desde o comércio de móveis até o caminhão de mudança, segundo ele.

Basso destacou que o banco também promoveu mudanças na formatação dos empréstimos que hoje oferecem prestações decrescentes e um sistema de amortização que não deixa saldo residual no final dos contratos. ''Hoje, as famílias têm condições de pagar as moradias'', disse. Hoje, a amortização mais utilizada é o Sistema de Amortização Crescente (SAC).

Ele acredita que o setor tem um espaço grande para crescer. Atualmente, o crédito imobiliário representa de 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. A meta é chegar a 10% do PIB até o final de 2015. Na Espanha, já atinge 60% do PIB.

Andréa Bertoldi com Agência
Estado Equipe da Folha


Gazeta do Povo, 20 de julho de 2010
Casa própria
Recurso para habitação será insuficiente em 3 anos
Para manter ritmo atual de alta nos empréstimos imobiliários, Caixa precisa buscar fonte alternativa de suporte à modalidade, que hoje é sustentada pela poupança e pelo FGTS

Os sucessivos recordes do crédito habitacional estão levando a Caixa Econômica Federal a começar a procurar fontes alternativas de financiamento, além dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da poupança.

“Temos mais uns três anos para conseguir equacionar essa questão”, disse Jorge Hereda, vice-presidente de governo do banco, ao anunciar a alta de 95,1% nos em­­préstimos no primeiro semestre ante igual período em 2009, para R$ 34,1 bilhões. O montante já ultrapassou o valor registrado em todo o ano de 2008 (R$ 23,3 bilhões), levando à preocupação com o crescimento sustentável. Caso a Caixa – responsável por 80% dos empréstimos imobiliários do país – não consiga novas formas de financiar o crédito, é possível que o ritmo de elevação nos desembolsos para o setor diminua nos próximos anos.

Por lei, os bancos são obrigados a destinar 65% dos depósitos em poupança para o crédito habitacional, mas há o temor de que o crescimento da caderneta não acompanhe o dos empréstimos. No acumulado deste ano até maio, a Caixa contabilizou 55% dos empréstimos feitos com essa fonte. O patamar é semelhante ao registrado em todo o ano de 2009 (57%), que teve forte alta nos valores financiados pelo banco estatal devido ao receio das outras instituições em emprestar após o agravamento da crise econômica global.

Ideia

Até dezembro, a Caixa deve fazer a emissão do primeiro pacote de securitização de sua carteira de crédito, que chegou a R$ 81,7 bilhões em junho. A ideia é usar essa operação como nova fonte de recursos para o crédito habitacional. A estimativa inicial de emitir R$ 500 milhões para o Certificado de Recebível Imobiliário (CRI), “para testar o mercado” neste ano, nas palavras de Hereda, está sendo reavaliada. De acordo com o executivo, R$ 20 bilhões já estariam prontos para um processo de securitização.

A securitização consiste na transformação da carteira de crédito em um ativo financeiro. A instituição divide a carteira em partes e as vende como títulos no mercado. Assim, o banco encontra uma maneira de dar novo suporte aos financiamentos já concedidos.

Por esse mecanismo, o comprador é remunerado no longo prazo com uma taxa de juros que varia de acordo com o papel. O banco, por sua vez, consegue, ao vender esses títulos, antecipar o recebimento dos recursos dos financiamentos.

“As instituições precisam ter um colchão. A poupança é recurso de curto prazo, que pode ser sacado no momento seguinte”, explica Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Considerando apenas o crédito com fonte na poupança no primeiro semestre (R$ 14,9 bilhões), a expansão foi de 62% em relação ao mesmo intervalo em 2009. Com FGTS (R$ 14,2 bilhões), o acréscimo atingiu 109%, com o impulso do Minha Casa, Minha Vida, que usa essa fonte de financiamento. O programa teve 543 mil contratos assinados até junho.

A vez das classes mais baixas

Os dados da Caixa apontam um crescimento de contratação de crédito imobiliário por pessoas jovens e das classes mais baixas. Cerca de 20% dos beneficiários dos programas de financiamento têm até 30 anos, e outros 50% têm, no máximo, 45 anos. E quase um terço dos beneficiados recebe no máximo três salários mínimos por mês.

“Os jovens estão se planejando melhor”, avalia Hermínio Basso, superintendente regional da Caixa para Curitiba. “O acesso ao imóvel é bom para a autoestima das famílias, que passam a conquistar um bem de raiz, além de ter um impacto em escala na economia, estimulando desde a venda de imóveis e utensílios até serviços como mudança e consertos”, acrescenta.

O vendedor Nerildo Carriel de Lima, 36 anos, funcionário de uma loja de materiais de construção, adquiriu sua casa própria em junho de 2009 por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. Com uma renda de aproximadamente R$ 1,7 mil, Nerildo vai pagar uma parcela decrescente de R$ 430 ao longo de 25 anos. “Quando minha esposa engravidou do segundo filho, fui procurar uma casa com três dormitórios. Consegui bem na hora em que a minha filha ia nascer”, conta. Com o dinheiro que economizará do aluguel, planeja fazer melhorias na casa. “Pretendo fechar a lavanderia e aumentar a cozinha. E, para o começo do ano, quero au­­mentar a sala”, relata.

Colaborou Taysa Dias


Folha de S.Paulo, 20 de julho de 2010
Recurso para habitação é insuficiente
Após alta de 95% nos empréstimos, Caixa diz que precisará de fontes alternativas à poupança em três anos | 65% dos depósitos em poupança são para crédito habitacional, mas empréstimo cresce mais que caderneta
TATIANA RESENDE
DE SÃO PAULO

Os sucessivos recordes do crédito habitacional estão levando a Caixa Econômica Federal a começar a procurar fontes alternativas de financiamento, além dos recursos do FGTS e da poupança.

"Temos mais uns três anos para conseguir equacionar essa questão", disse ontem Jorge Hereda, vice-presidente de Governo do banco, ao anunciar a alta de 95,1% nos empréstimos no primeiro semestre ante igual período em 2009, para R$ 34,1 bilhões.

Por lei, os bancos são obrigados a destinar 65% dos depósitos em poupança para o crédito habitacional, mas há o temor de que o crescimento da caderneta não acompanhe o dos empréstimos.

No acumulado do ano até maio, a Caixa contabilizou 55% dos financiamentos, em valor, feitos com essa fonte.

O patamar é semelhante à participação registrada em todo o ano de 2009 (57%), que teve forte elevação ante a fatia em 2008 (31%) devido ao temor dos outros bancos após o agravamento da crise.

Apesar disso, a Caixa cumpre apenas o estipulado na legislação: 65%.

De acordo com o executivo, R$ 20 bilhões -de uma carteira de crédito imobiliário de R$ 82 bilhões- já estariam prontos para uma securitização, mas ele não quis detalhar quais contratos fariam parte da emissão. A estimativa inicial de uma emissão de R$ 500 milhões até dezembro "para testar [a atratividade do papel para] o mercado, nas palavras de Hereda, está sendo reavaliada.

A securitização consiste na transformação de uma dívida em um papel para investimento no mercado de capitais. O investidor é remunerado com uma taxa de retorno que varia de acordo com as características do financiamento, descontados os custos e o ganho do banco.

A instituição financeira, por sua vez, recicla o dinheiro sem ter de esperar até o último pagamento do tomador do empréstimo. O risco de inadimplência, normalmente, fica com o investidor.

"A poupança é um recurso de curto prazo, que pode ser sacado no momento seguinte [ao depósito]. As instituições precisam ter um colchão", afirmou Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da FGV.

Considerando apenas o crédito com essa fonte no primeiro semestre (R$ 14,9 bilhões), o aumento foi de 62%.

"MINHA CASA"

Já com recursos do FGTS (R$ 14,2 bilhões), o acréscimo atingiu 109%, com o impulso do Minha Casa, Minha Vida. O programa teve 543 mil contratos assinados até junho, pouco mais da metade da meta de 1 milhão de unidades, que deve ser batida até o final deste ano.

Até setembro, Hereda disse que a Caixa deve parar de contratar projetos de construtoras para famílias com renda de até R$ 1.395 por prever já ter alcançado a meta de 400 mil moradias. As propostas excedentes serão avaliadas no próximo ano.


Rede Brasil Atuaç, 20 de julho de 2010
PIB deve crescer 7,2% neste ano, segundo projeção do BC
Expectativa para a alta da produção industrial em 2010 subiu para 12,12%; para inflação, recuou para 5,42%

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano manteve-se em 7,2% pela segunda semana seguida, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central (BC), divulgado nesta segunda-feira (BC). Para 2011, a expectativa de alta permaneceu em 4,5% pela 32ª semana.

A projeção para a inflação (IPCA) em 2010 voltou a recuar, passando de 5,45% para 5,42% – quatro semanas atrás, era de 5,61%. Em relação a 2011, a expectativa continua em 4,80%, a mesma há 14 semanas.

O mercado acredita que a taxa básica de juros (Selic) chegará a 12% no fim deste ano e a 11,75% no final de 2011.

A expectativa para a produção industrial continou em alta, chegando a 12,12% em 2010, ante 11,91% na semana anterior. Para 2012, a projeção foi mantida em 5% pela 20ª semana.


BEM PARANÁ, 20 de julho de 2010 | Economia
No Paraná
Desenvolvimento de Curitiba ajuda a erradicar pobreza
Capital detém aproximadamente 23% do total do PIB do estado, que foi de R$ 161,58 bilhões em 2007
SMCS

O setor econômico de Curitiba terá papel importante para o Paraná conseguir erradicar a pobreza absoluta até 2013 e a miséria até 2012. Curitiba tem o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná. Em 2007, último dado oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital teve um PIB de R$ 37,79 bilhões. O valor representa aproximadamente 23% do total do PIB do estado, que foi de R$ 161,58 bilhões em 2007.

Segundo o diretor-presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A, Juraci Barbosa Sobrinho, Curitiba tem vários programas de desenvolvimento econômico sustentável, como o Bom Negócio, que leva conteúdos de gestão empresarial para micro e pequenos empresários e para novos empreendedores. O programa é totalmente gratuito e passa por todos os bairros e microrregiões da cidade.

As indústrias de tecnologia também trazem desenvolvimento para a capital. "O parque tecnológico, por exemplo, é um programa que busca o desenvolvimento de tecnologia de ponta, em especial na área de informática. Curitiba criou o programa Curitiba Tecnoparque para transformar a cidade num importante centro de excelência em tecnologia de software, de nível internacional", disse Juraci Barbosa.

Essa força econômica da capital paranaense irá ajudar na erradicação da pobreza no Paraná. Estudo publicado nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas (Ipea) afirma que o Paraná deverá ser o primeiro estado brasileiro a não ter mais famílias vivendo em condição de pobreza absoluta, quando o rendimento médio familiar por pessoa é de meio salário mínimo mensal. De acordo com o Ipea, a erradicação da pobreza absoluta deve ocorrer em 2013.

O estudo também aponta que Paraná e Santa Catarina devem acabar com a pobreza extrema (miséria) até 2012. A miséria é caracterizada pelo rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo por mês.

Histórico - Em 2007, Curitiba apresentou o maior crescimento do PIB entre as cidades brasileiras. De R$ 32,15 bilhões em 2006 o PIB passou para R$ 37,79 bilhões, crescimento de 17,5%. Na sequência os maiores crescimentos do PIB foram de Belo Horizonte (16,7%), São Paulo (13,3%), Brasília (11,5%) e Rio de Janeiro (9%).

O resultado do PIB em 2007 colocou Curitiba na 5.ª colocação de cidade mais rica do Brasil, com 1,42% do Produto Interno Bruto brasileiro. Entre os 5.564 municípios brasileiros, São Paulo foi o mais rico, com 12% do PIB nacional em 2007. Rio de Janeiro (5,24%), Brasília (3,76%) e Belo Horizonte (1,44%) completam o ranking dos primeiros colocados. Os cinco municípios detinham 24% da economia nacional em 2007.


Folha de S.Paulo, 20 de julho de 2010
Dilma promete criar Prouni para alunos do ensino médio
Se efetivado, programa deverá ampliar o abismo entre escolas públicas e privadas
DO RIO

A promessa da presidenciável petista Dilma Rousseff de adaptar o modelo do ProUni ao ensino médio, a julgar pelas suas declarações à rádio Paiquerê, é perfeitamente viável. A dúvida é aonde ela quer chegar com isso.

No ensino superior, apenas 24% das matrículas são públicas. Com poucas vagas gratuitas, muitos alunos de baixa renda deixam de estudar por não ter como pagar.

O ProUni ataca o problema alocando esses jovens em instituições privadas, mas com dinheiro público.

No ensino médio, a rede pública responde por 86% das matrículas. O problema, portanto, não é de falta de vagas gratuitas, mas de má qualidade do ensino.

Para definir quem seria beneficiado pelo "ProMédio", o governo provavelmente precisará submeter estudantes a um concurso, do qual passarão apenas os melhores.

Será um incentivo para que os talentos que hoje estão no ensino público migrem para o particular.

De um lado, pode-se argumentar que os jovens selecionados terão acesso a um ensino de melhor qualidade caso migrem para uma escola top, pois vale lembrar que há particulares de péssima qualidade também.

Quem certamente ganhará com isso, no entanto, serão as escolas particulares, que receberão os melhores alunos do setor público e, sem muito esforço, aumentarão ainda mais sua vantagem. (ANTÔNIO GOIS)

Agência Senado, 20 de julho de 2010
As 54 vagas do Senado serão disputadas por 268 candidatos

Para as 54 vagas de senador que estarão em disputa nas eleições de outubro há 268 candidatos. Trata-se de um grupo composto majoritariamente por homens - 86,89% - que têm, em sua maioria (54%), entre 45 e 59 anos.

Os casados são mais presentes (59%) sendo que apenas 12% são solteiros. E a escolaridade dos candidatos é alta, a maior parte (74,6%) concluiu o ensino superior, sendo que três (1,19%) possuem apenas o ensino fundamental.

Já as profissões dos candidatos são variadas - há agricultores, policiais, músicos, mas os professores são os que têm a maior representação, se somados os de ensino médio (5,59%) e superior (5,97%). A segunda profissão com mais candidatos ao Senado é a de advogado, com 9,32% das candidaturas.

A maior parte dos candidatos ao Senado já tem experiência na política, principalmente como deputados (11,5%).

Os candidatos à Câmara dos Deputados somam, em todo o país, 5.764; os candidatos às Assembleias Legislativas e à Câmara Distrital do DF chegam a 13.739; e nove candidatos disputarão os votos dos eleitores para a Presidência da República.

As informações são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As candidaturas aguardam julgamento do tribunal e podem vir a ser impugnadas. Outros dados estatísticos podem ser verificados no site http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/


Congresso em Foco, 20 de julho de 2010
Veja quem declarou guardar dinheiro em casa

CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA

Dilma Rousseff (PT) - R$ 133,3 mil

ALAGOAS

GOVERNADOR
Galba Novais (PRB)- R$ 20 mil (vice de Fernando Collor, do PTB)

AMAZONAS

GOVERNADOR
Omar Aziz (PMN) – R$ 50 mil
José Melo (PMDB) – R$ 200 mil (vice de Omar Aziz, do PMN)

SENADOR
Eduardo Braga (PMDB) – R$ 100 mil
Vanessa Grazziottin (PCdoB) – R$ 30 mil

AMAPÁ

GOVERNADOR
Lucas (PTB) – R$ 85 mil
Vice: Jaime Nunes (PSDC) – R$ 240 mil

BAHIA

GOVERNADOR
Nilo Coelho (PSDB) – R$ 912,6 mil (vice de Paulo Souto, do PSDB)

RIO GRANDE DO SUL

GOVERNADOR
Nubem Medeiros (PCB) – R$ 5,4 mil

SENADOR
Germano Rigotto (PMDB) – R$ 160 mil

CEARÁ

SENADOR
Eunício Oliveira (PMDB) – R$ 153 mil

DISTRITO FEDERAL

GOVERNADOR
Filipelli (PMDB) – R$ 20 mil (vice de Agnelo Queiroz, do PT)
Toninho do Psol – R$ 2 mil
Joaquim Roriz (PSC) – R$ 160 mil
Jofran Frejat (PR) – R$ 250 mil (vice de Joaquim Roriz)

GOIÁS

GOVERNADOR
José Éliton (DEM) – R$ 20 mil (vice de Marconi Perillo, do PSDB)
Ernesto Roller (PP) – R$ 68 mil (vice de Vanderlan, do PR)

SENADOR
Lúcia Vânia (PSDB) – R$ 320 mil

MATO GROSSO DO SUL

GOVERNADOR
Zeca do PT – R$ 60 mil

SENADOR
Dagoberto Nogueira (PDT) – R$ 160 mil

MINAS GERAIS

GOVERNADOR
Hélio Costa (PMDB) – R$ 24 mil
Zé Fernando Aparecido (PV) – 37 mil

PARÁ

SENADOR
Flexa Ribeiro (PSDB) – R$ 265 mil

PARAÍBA

SENADOR
Wilson Santiago (PMDB) – R$ 200 mil
Vitalzinho (PMDB) – R$ 215 mil

PARANÁ

GOVERNADOR
Amadeu Felipe (PR) – R$ 55 mil
Rodrigo Rocha (PMDB) – R$ 10 mil (vice de Osmar Dias, do PDT)

SENADOR
Roberto Requião (PR) – R$ 400 mil

PIAUÍ

GOVERNADOR
João Vicente Claudino (PTB) – R$ 350 mil
Raimundo de Sá Filho (PSDB) – R$ 125,7 mil (vice de Silvio Mendes, do PSDB)
Wilson Martins (PSB) – R$ 50 mil

SENADOR
Ciro Nogueira (PP) – R$ 210 mil
Mão Santa (PSC) – R$ 95 mil

RIO DE JANEIRO

GOVERNADOR
Fernando Peregrino (PR) – R$ 2,5 mil

SENADOR
Carlos Dias (PT do B) – R$ 38 mil
Marcelo Cerqueira (PPS) – R$ 380 mil

RIO GRANDE DO NORTE

GOVERNADOR
Alvaro Dias (PDT) – R$ 120 mil (vice de Carlos Eduardo, do PDT)
Robinson Farias (PMN) – R$ 55 mil (vice de Rosalba Ciarlini, do DEM)

RORAIMA

SENADOR
Lauro Barreto (PHS) – R$ 50 mil
Romero Jucá (PMDB) – R$ 545 mil

SANTA CATARINA

GOVERNADOR
Angela Amin (PP) – R$ 63 mil
Ideli Sanvati (PT) – R$ 50 mil
Manoel Dias (PDT) – R$ 80 mil (vice de Ângela Amin, do PP)

SENADOR
Hugo Bihel (PP) – R$ 130 mil
Paulo Bauer (PSDB) – R$ 27 mil

SÃO PAULO

GOVERNADOR
Fábio Feldmann (PV) – R$ 20 mil
Paulo Skaf (PV) – R$ 20 mil
Eliana Ferreira (PSTU) –R$ 60 mil
Afif Domingos (DEM) – R$ 380 mil

SENADOR
Aloyisio Nunes (PSB) – R$ 50 mil
Toni Curiati (PP) – R$ 30 mil
Orestes Quercia (PMDB) – R$ 1,3 milhão

SERGIPE

SENADOR
João Augusto Nascimento (PSDC) – R$ 100 mil

TOCANTINS

GOVERNADOR
Siqueira Campos (PSDB) – R$ 30mil

SENADOR
Vicentinho Alves (PR) – R$ 100 mil


BEM PARANÁ, 20 de julho de 2010 | Política
Exclusivo
Bancada do Paraná é a mais rica do País
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que média de deputados fica em R$ 39 milhões

A bancada do Paraná é a mais rica do país, mas não apenas pela presença de Marcelo Almeida. Contando com os seus bens, a média por deputado fica em R$ 39 milhões. Sem ele, seria de R$ 8,5 milhões, ainda assim, é a maior do país. Os bens de Alfredo Kaefer (PSDB) – avaliados em R$ 95.728.260,00 - também contribuem para a liderança no ranking.

Outros patrimônios que colaboram são de Dilceu Sperafico (PP) – R$ 7.680.293,03, Affonso Camargo (PMDB) – R$ 7.761.261,43, Luiz Carlos Setim (DEM) – R$ 6.008.493,60 e Abelardo Lupion (DEM) – R$ 5.898.464,13.

Embaixo do colchão

Candidatos que guardam mais dinheiro em casa


André Zacharow (PMDB) – R$ 450 mil

Roberto Requião (PMDB) – R$ 400 mil

Abelardo Lupion (DEM) - R$ 395 mil

Moacir Micheletto (PMDB) - R$ 282 mil

Hidekazu Takayama (PSC) - R$ 235 mil

Marcelo Almeida (PMDB) - R$ 100 mil

Os maiores patrimônios entre os federais

Marcelo Almeida (PMDB) – R$ 683 milhões

Alfredo Kaefer (PSDB) – R$ 95 milhões

Affonso Camargo (PMDB) – R$ 7,7 milhões

Dilceu Sperafico (PP) – R$ 7,6 milhões

Luiz Carlos Setim (DEM) – R$ 6 milhões

Abelardo Lupion (DEM) – R$ 5,9 milhões

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral


Gazeta do Povo, 20 de julho de 2010
Eleição 2010
Candidatos não refletem o perfil do eleitorado do Paraná
Enquanto 51,6% dos concorrentes dizem possuir ensino superior completo, apenas 4% dos 7,5 milhões de eleitores têm instrução semelhante

O perfil médio dos 974 candidatos paranaenses às eleições de outubro não reflete as principais características do eleitorado do estado. A maior parte dos candidatos é homem, concluiu o ensino superior, tem entre 45 e 59 anos e atua como empresário. Já o eleitorado é composto na sua maioria por mulheres e por pessoas nem que sequer concluíram a educação básica. A única característica do eleitor médio que bate com a do candidato médio é a faixa etária: 45 e 59 anos. Para especialistas, a diferença mostra que o estado é governado por uma elite que se perpetua no poder.

Enquanto 51,6% dos candidatos dizem possuir ensino superior completo, apenas 4% dos 7,5 milhões de eleitores têm instrução semelhante, de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A maioria dos votantes não concluiu a educação básica – ensino fundamental e médio (55,5%).

Segundo Ricardo Oliveira, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná, as incongruências evidenciam uma tendência na política local. “Se a análise dos candidatos mostra este quadro, quando se faz a análise dos eleitos percebe-se que se trata de um grupo restrito, que detém poder econômico e capital político. Cria-se uma casta hereditária. Quando há trocas é para entrarem os ‘juniores’”, explica.

Oliveira afirma que a disparidade se acentua depois das eleições, quando a renovação é praticamente nula. A análise do perfil dos candidatos demonstra que muitos nomes já cumpriram mandatos no poder público. Entre as seis profissões mais citadas pelos candidatos estão a de deputado (em terceiro lugar, com 6,1%) e a de vereador (em sexto lugar, com 4,6%). As ocupações mais comuns são a de empresário (12,5%) e a intitulada como “outros” (8,8%) nos registros do TSE.

Já as mulheres, que são maioria do eleitorado, representam apenas 24,7% dos candidatos. O índice está abaixo do que exige a legislação eleitoral, que determina que cada partido ou coligação deve preencher no mínimo 30% e no máximo 70% das vagas da chapa com candidaturas de cada sexo.

A pequena participação feminina na política local é um fator que “preocupa”, segundo o cientista político Carlos Strapazzon. Para ele, a democracia representativa brasileira não possui mecanismos de inclusão, ao contrário das diretrizes da Constituição Federal. “O sistema representativo precisa ser democrático e tem o desafio da inclusão. As ditaduras também têm sistemas representativos, com critérios obtusos.”

Segundo Strapazzon, em alguns países da Europa e das Américas Latina e Central foram feitas alterações para garantir cadeiras legislativas às mulheres, enquanto no Brasil tudo parece ser feito para evitar que apareçam mulheres dispostas a concorrer a cargos eletivos, diz o cientista político. “É inadmissível a quantidade de barreiras que a estrutura eleitoral e política oferece às mulheres, a começar pela barreira cultural da jornada tripla [dificuldade em conciliar a vida profissional, familiar e a campanha].” De acordo com ele, a questão de gênero está mais mal resolvida na política do que em qualquer outro setor da sociedade.

Um indicativo de que a realidade começa a mudar é que a participação feminina nestas eleições para a Câmara dos De­­­putados e Assembleia Legis­­lativa mais que dobrou em relação a 2006 no Paraná.

PV é o partido que mais lançou concorrentes no estado

O Partido Verde (PV) é a legenda que lançou mais candidatos no Paraná, entre os 974 inscritos. De acordo com as estatísticas publicadas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 11,9% dos candidatos pertencem ao partido. O índice equivale a 116 nomes e a maior parte está na disputa à Assembleia Legislativa. Em segundo lugar em número total de candidatos está o PMN, com 8,8%, seguido pelo PPS, com 8,1%.

Segundo o cientista político Carlos Strapazzon, o fato de o maior número de candidatos pertencer a partidos pequenos se explica pela estrutura das regras eleitorais. “Estes partidos não têm um grande nome que ‘puxe’ os votos necessários para a legenda”, afirma. “Quanto menos conhecidos, maior o número de candidatos no partido. Esta é uma estratégia que muitos partidos de pequeno e médio porte brasileiros usam por conta desta peculiaridade da legislação eleitoral.”

O PMDB, partido que governa o estado, lançou 63 candidatos, o equivalente a 6,5% do total. O PSDB aparece com 6% e o PDT está com índice de 3,2%. A legenda com o menor índice de candidatos no estado é o PCdoB, com 0,8%. A legenda lançou dois nomes para a disputa de deputado federal e outros seis para a de deputado estadual.


Folha de S.Paulo, 20 de julho de 2010
Com SP, impugnações chegam a 2.967
Argumentos usados contra candidaturas vão de falta de documentos a denúncias contra políticos "fichas-sujas" | TSE finaliza hoje lista de candidatos que são questionados na Justiça Eleitoral; Minas lidera o ranking dos pedidos
DE SÃO PAULO

A entrada de São Paulo no ranking de impugnações elevou para quase 3.000 o número de candidatos com problemas na Justiça Eleitoral.

Ontem, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) começou a divulgar os dados de candidaturas impugnadas no Estado. Até as 20h, a corte havia registrado o questionamento de 301 registros dos 3.154 políticos que se lançaram na disputa por cargos.

Com isso, o total de candidaturas impugnadas na Justiça Eleitoral chegou a 2.967.

Pelo sistema disponibilizado pelo tribunal, não é possível detalhar quantas impugnações foram pedidas pelo Ministério Público, e quantas foram solicitadas por partidos e candidatos.

A impugnação é a contestação do registro de um candidato na Justiça Eleitoral. Esse questionamento pode ser feito pelo Ministério Público, por siglas e por candidatos para impedir a aprovação do registro.

As falhas apontadas podem ir desde a falta de documentos a denúncias para impedir que "fichas-sujas" disputem as eleições.

Os tribunais regionais têm até o dia 5 de agosto para julgar as impugnações.

O TSE não havia registrado até ontem nenhum pedido de impugnação dos nove candidatos que disputam a Presidência da República.

O nome do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) não figura entre os candidatos com problemas na Justiça. Isso porque o número de concorrentes com candidaturas impugnadas ainda deve aumentar. O TSE tem até o fim do dia de hoje para finalizar a lista de candidatos questionados na Justiça Eleitoral.

Por enquanto, Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, lidera o ranking dos pedidos de impugnação.

De um total de 1.701 registros de candidatura, 614 foram impugnados, segundo balanço divulgado pelo TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral) na última sexta-feira.

O Estado de Alagoas ocupa a segunda posição em números absolutos, mas em cálculo proporcional -quando são comparados o número de candidaturas registradas e o número de questionamentos-, o Estado lidera.

Dos 438 políticos que se lançaram candidatos, 429 tiveram a candidatura impugnada, o equivalente a 97,9% dos registros.

Até ontem, Rondônia ocupava o terceiro lugar, com 327 candidaturas impugnadas, de um total de 477 políticos registrados.

Há ainda números expressivos de impugnações nos Estados de Goiás, onde 230 das 800 candidaturas enfrentam problemas na Justiça; Amazonas, com 117 políticos questionados e Bahia, com 110.

Paraíba com 98 impugnações e o Distrito Federal com 76, e Mato Grosso do Sul fecham os dez Estados com o maior número de candidaturas questionadas.

O Amapá é o Estado que contabiliza o menor número de impugnações. Das 368 candidaturas registradas, apenas 11 foram alvo de questionamento na Justiça Eleitoral do Estado.

(DANIELA LIMA)

Folha de S.Paulo, 20 de julho de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Serra endossa vice e repete que PT tem elo com as Farc
Candidato e dirigente tucano evitam ligar partido de Dilma ao narcotráfico | No Twitter, candidato a vice suaviza as críticas; presidente do PSDB diz que estratégia petista é tentar "esconder Dilma"
RODRIGO VIZEU
DE BELO HORIZONTE
BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
CATIA SEABRA
ENVIADA ESPECIAL A DIVINÓPOLIS (MG)

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, endossou ontem a associação entre o PT e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), feita por seu candidato a vice, Indio da Costa (DEM), mas evitou referendar a ligação entre o partido e o narcotráfico, como o deputado havia feito.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, também engrossou o coro de ataques ao partido de Dilma Rousseff.

"A ligação do PT é com as Farc", disse Serra, em Belo Horizonte. "Isso todo mundo sabe, tem muitas reportagens, tem muita coisa. Apenas isso. Agora, as Farc são uma força ligada ao narcotráfico, isso não significa que o PT faça o narcotráfico."

Em São Paulo, Guerra também procurou caracterizar o ataque do vice como uma mera citação de notícias sobre a suposta ligação do PT com a guerrilha.

"O Indio disse o que a gente sabe: as Farc se sustentam com dinheiro do narcotráfico, e o PT é ligado às Farc. É um sócio incômodo que o PT tem", afirmou.

Pelo Twitter, o próprio Indio tentou suavizar o tom de suas declarações, feitas em bate-papo com tucanos na internet e noticiadas pela Folha no domingo.

"PT não faz narcotráfico. As Farc, sim", escreveu. Em seguida, o vice publicou links para duas reportagens de jornais colombianos vinculando o PT à guerrilha.

Na entrevista que deu origem à polêmica, o vice de Serra foi claro ao vincular o PT ao tráfico: "Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso", disse, na ocasião.

EXAGERO

Em conversa reservada com o ex-governador Aécio Neves, candidato do PSDB ao Senado por Minas Gerais, Serra admitiu que Indio exagerou nos ataques, mas argumentou que é preciso ultrapassar o episódio e tocar a campanha adiante.

Em público, ele procurou manter o tema das drogas na ordem do dia. Sem que fosse questionado, defendeu o combate ao crack e criticou o policiamento das fronteiras.

Serra insinuou que o PT usa a polêmica em torno da declaração de Indio para encobrir a violação do sigilo fiscal de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, o que chamou de "uma coisa mais séria".

"É quebra de sigilo de tucanos como arma de baixaria eleitoral. É um crime muito grave", afirmou.

Diante do anúncio de processos contra o vice de Serra, Sérgio Guerra chamou o partido adversário de "campeão do mensalão", lembrou o escândalo dos aloprados e acusou Dilma de não ter opinião.

"A Dilma não tem a menor condição de liderar este país ou coisa nenhuma. O povo não é bobo. A ideia deles é: "Vamos esconder a Dilma e enganar o povo". Nós temos um candidato e um projeto. Eles têm uma fraude", afirmou o presidente tucano.

Ele mirou no ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que disse que Indio age "como idiota". "Qual autoridade ele tem para chamar alguém de idiota? Ele produz um Orçamento vergonhoso todo ano. Não vou dizer que a cabeça dele é grande e a inteligência é menor."

Os tucanos anunciaram que pedirão ao Ministério Público para apurar a suposta existência de fitas que registrariam encontro de Dilma com Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal.

Em agosto do ano passado, Lina disse ter sido pressionada ao investigar empresas de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

IHU-Online, 20 de julho de 2010
Entrevista especial com Deputado Edson Duarte, pelo banimento do amianto em todo Brasil

O amianto é uma fibra natural muito utilizada em telhas e caixas d’água. No entanto, o contato, tanto por parte do produtor quanto do consumidor, com esse recurso pode trazer inúmeras e sérias doenças, principalmente respiratórias. O problema é tão grande que o amianto é totalmente proibido na Europa, além de Argentina e Chile. O Brasil é um dos principais produtores de materiais com amianto, mas está começando a discutir o banimento dele. Nesse sentido, depois de dois anos de estudos, a Câmara dos Deputados, através do Grupo de Trabalho do Amianto, da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, apresentou, recentemente, o relatório do amianto e propôs o banimento de todas as formas da fibra em todo o território nacional.

A IHU On-Line entrevistou, por telefone, o relator do dossiê, o deputado federal Edson Duarte (PV-BA). Ele falou sobre o conteúdo do documento, explicou os impactos que o banimento pode trazer ao país e analisou a cadeia de produção do amianto e os principais problemas que ele tem causado aos trabalhadores. “É preciso, também, que o governo brasileiro acompanhe todos aqueles que trabalharam ou que tiveram contato com a produção ou produtos feitos a partir desse mineral. Essas pessoas precisam de acompanhamento e tratamento. E o governo deve exigir que isso seja bancado pelas empresas”, disse Duarte.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que diz o dossiê do amianto?

Edson Duarte - Esse relatório tem mais de 700 páginas e é um estudo profundo sobre a situação do amianto no Brasil. Nós temos diversos projetos tramitando na Câmara dos Deputados e no Senado a respeito do amianto e este relatório é o resultado de um grupo de trabalho que foi formado na Câmara dos Deputados para garantir subsídios em relação ao tema. Esse assunto é extremamente relevante e, no Brasil, foi motivado pelo banimento do amianto em toda a Europa e em alguns países da América do Sul.

Alguns estados, como São Paulo, já proibiram o uso do amianto. Há, portanto, um debate intenso, mas que não tinha subsídios para ir adiante. Desta forma, o grupo de trabalho elaborou este relatório de modo que pudesse garantir conteúdo para a realização do debate em torno das conseqüências do uso do amianto. Creio que, a partir de agora, vamos ter as condições e subsídios necessários para fazer um debate profundo e, com isso, espero que o Brasil tenha coragem de tomar a decisão de proibir o amianto de uma vez por todas em todo o país.

IHU On-Line – Há impactos sociais caso a lei seja aprovada?

Edson Duarte – Há. Isso porque temos, logicamente, empregos ligados à cadeia do amianto, desde a mina até o comércio. Mas não teremos grandes impactos com a proibição do uso desse recurso, porque a partir do momento em que o amianto seja banido, teremos outras matérias diversas que podem substituí-lo. Não haverá impacto significativo, até porque a cadeia do amianto é hoje uma cadeia bastante restrita. O único local que poderia sofrer um impacto maior é a cidade de Minas Sul, no interior de Goiás, onde está localizada a única mina de amianto do mineral no Brasil.

De qualquer forma, independente do banimento, o amianto é um mineral não renovável, então não tem como a cidade de Minas Sul ficar dependendo deste mineral como única fonte de renda, como acontece hoje. O que temos percebido é que em Goiás não há uma preocupação das autoridades em fazer uma transição necessária e inadiável.

IHU On-Line – É verdade que as doenças do amianto não ocorrem mais no Brasil?

Edson Duarte - Não é verdade. Há uma invisibilidade das doenças do amianto no Brasil. Há uma precariedade nos diagnósticos das doenças. Hoje, o acompanhamento das pessoas é feito quase que exclusivamente pelos médicos das empresas. Os trabalhadores não têm a quem recorrer porque o sindicato do setor é comprometido também com as empresas. É um sindicato que faz parte do movimento de lobby pró-amianto. Assim, estes trabalhadores não tem como receber outra avaliação, não há estrutura pública que ofereça tanto exames quanto diagnósticos que possam associar os problemas de saúde com o amianto.

O que nós sabemos é que algumas das doenças que são associadas ao amianto só aparecem depois de 30, 40 anos que o trabalhador teve contato com a fibra. Hoje não podemos dizer de forma segura que não há doentes no Brasil. É claro que os processos industrial e de mineração mudaram muito no país, mas não conseguiram garantir que o trabalho com amianto seja seguro e sem riscos. Todas as formas de amianto são agressivas e prejudiciais à saúde em todos os níveis de exposições e em todos os níveis em relação ao número de partículas em suspensão no ar. Isso é consenso médico e científico.

IHU On-Line – Antes mesmo da elaboração do dossiê, o senhor já havia tomado posição contrária ao uso do amianto. Por quê?

Edson Duarte - Eu encontrei tantos doentes em função do amianto no Brasil e isso me preocupou muito. Quando visitei as cidades Poções e Bom Jesus da Serra, no interior da Bahia, fiquei assustado com o número de doentes com problemas respiratórios que trabalharam na mina de amianto da região ou tiveram algum contato com ela. Acredito que precisamos conhecer esse assunto com profundidade e, definitivamente, tomarmos a decisão de proibir o amianto no Brasil.

Não há razão econômica, científica, tecnológica e comercial que justifique a continuidade do uso desta fibra. Se Europa, Argentina, Chile, Uruguai baniram, é preciso que o Brasil faça isso logo. É preciso, também, que o governo brasileiro acompanhe todos aqueles que trabalharam ou que tiveram contato com a produção ou produtos feitos a partir do amianto. Essas pessoas precisam de acompanhamento e tratamento e o governo deve exigir que isso seja bancado pelas empresas.

IHU On-Line – Como é a cadeia de produção do amianto no Brasil?

Edson Duarte - A cadeia de produção do amianto hoje no Brasil se restringe a uma mina que é uma das maiores do mundo. Ela é de propriedade da SAMA S.A. - Minerações Associadas que, por sua vez, pertence ao Grupo Eternit. Este é o maior grupo econômico que transforma amianto em produtos como telhas. Das novas empresas do Brasil, apenas três ainda usam filtros a base de amianto, sendo que duas delas já anunciaram o interesse de fazer a substituição. No setor de telhas já temos uma série de produtos similares, feito com outros recursos e com preços compatíveis. A própria Eternit já oferece telhas sem o amianto.

IHU On-Line – Como é feito o controle social na vigilância dos trabalhadores expostos ao amianto e qual a efetividade dessa regulação?

Edson Duarte - Não há controle, porque não existe estrutura pública para fiscalização e acompanhamento. No Ministério do Trabalho nós contamos apenas com uma profissional, que é uma das maiores especialistas no Brasil em relação ao amianto. A Fundacentro, que deveria acompanhar a questão da saúde, tem uma estrutura muito limitada de profissionais para dar atenção a um problema como o do amianto.

IHU On-Line – Há alternativas, portanto, para o uso do amianto?

Edson Duarte – Existem muitas alternativas. Os produtos que eram feitos com fibra do amianto já estão utilizado recursos à base do petróleo, fibras naturais e celulose. Há no mercado hoje material disponível e não há necessidade de continuarmos explorando o amianto. O Brasil deveria investir e financiar pesquisas para o aprimoramento das alternativas, não só para o amianto, mas para toda e qualquer produto que ofereça risco à saúde para a população. Hoje, utilizando o amianto, estamos tendo dois custos: 1) com o uso de uma tecnologia inadequada; e 2) com a saúde pública daqueles que estão ficando doentes.


Gazeta do Povo, 20 de julho de 2010
Campo Largo
Schmidt paga salários e greve termina

Os funcionários da Porcelana Schmidt, em Campo Largo (região metropolitana de Curitiba), devem voltar ao trabalho hoje. O salário do mês de junho, que deveria ter sido depositado no dia 5 de julho, foi pago na manhã de ontem. Os 500 trabalhadores da unidade paranaense da empresa estavam em greve desde o dia 13. Além do pagamento dos salários de junho, ficou acertado que, amanhã, a empresa vai quitar os R$ 60 referentes ao vale-mercado do mês e, no dia 27, fará o depósito de 50% do valor do vale-transporte que ainda não foi pago. Segundo Paulo Andrade, presidente do sindicato que representa a categoria, os funcionários não voltaram ao trabalho ontem porque o sindicato entendeu que eles precisavam de um dia para pagar as contas e fazer compras, já que o salário só foi pago com 15 dias de atraso. De acordo com o sindicato, o piso salarial dos ceramistas é de R$ 688.


Notícias do Tribunal Superior do Trabalho

19/07/2010
SDI-1: soldador de indústria de cana de açúcar não é empregado rural

A função de soldador de prensa hidráulica para extração de caldo de cana-de-açúcar, que remete à atividade industrial, pode ser considerada como a de um empregado rural? Para a Seção I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, não. Este é o posicionamento assumido pelo colegiado, ao manter decisão da Terceira Turma que havia negado o enquadramento como empregado rural a um ex-soldador da Usina São Martinho S/A, com base na Súmula 196 do Supremo Tribunal Federal. De acordo com o STF, “ainda que exerça atividade rural, o empregado de empresa industrial ou comercial é classificado de acordo com a categoria do empregador”. No caso analisado, a Terceira Turma havia negado o enquadramento a um soldador com base na Súmula 126 do TST (impossibilidade de se rever provas). O empregado recorreu da decisão por meio de embargos de declaração e, posteriormente, opôs embargos, que foram analisados pela SDI-1. Sustentou, nos recursos, que a decisão da Turma contrariava a Súmula 196 do STF.

Ao analisar a matéria na SDI-1, o relator, ministro Aloysio Correa da Veiga, afirmou, em seu voto, ter tido o cuidado de buscar entender como é exercida a atividade de um soldador na indústria de cana de açúcar. Fazendo referência a um vídeo extraído da internet, em que é demonstrada a função de um soldador durante o processo de esmagamento contínuo da cana de açúcar, o relator pode verificar que o empregado da Usina São Martinho estava integrado ao processo de transformação industrial da cana de açúcar.

Para o ministro “não há como se entender que o simples fato de estar a indústria instalada no campo possibilite que se considere rurícola seu empregado”, portanto, a Súmula 196 do STF foi corretamente aplicada pela Turma, que não enquadrou o empregado como rural. Salientou ainda que “na medida em que ocorrendo a primeira transformação do produto agrário, alterando a sua natureza e retirando-lhe a condição de matéria prima, a atividade exercida já se enquadraria como industrial.

Ficaram vencidos (negaram provimento), quanto ao conhecimento do recurso, os ministros Lelio Bentes Corrêa, Rosa Maria Weber e Luiz Philippe Vieira de Mello Filho; o ministro João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST, ressalvou seu entendimento quanto ao mérito da questão.

O empregado já recorreu da decisão por meio de recurso extraordinário.


FETRACONSPAR, 20 de julho de 2010 | Eventos
Campanha Salarial/ Instalações Elétricas
Fetraconspar e Sindicatos realizam 5ª rodada de negociação com o SINELTEPAR

A FETRACONSPAR e os Sindicatos de Trabalhadores, juntamente com o Sindicato Patronal , realizaram nesta terça-feira (20/07), às 08h30, na sede do Sindicato das Empresas de Eletricidade, Gás, Água, Obras e Serviços do Estado do Paraná – SINELTEPAR, sito à Rua Piauí, 1761 - Vila Guaira, Curitiba/PR, 5ª reunião para discutir a Pauta de Reivindicações dos trabalhadores da categoria visando a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2010/2011. A data base da categoria é no mês de junho.

A reunião foi entre a Comissão de Negociação formada por diretores da Federação e dos Sindicatos de Trabalhadores com os representantes do SINELTEPAR.

Participaram os companheiros: DENILSON PESTANA DA COSTA (FETRACONSPAR/ SINTRACOM Londrina), JOSÉ CAETANO FERREIRA (SOE Curitiba), JOSÉ THOMAZ (SOE Maringá) e ALMIR DO ROSÁRIO ANDRADE PRADO (STICC Ponta Grossa).