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FOLHA DE LONDRINA, 20 de julho
de 2010 | Economia
Construção civil bate recorde
em contratações
No Paraná setor gerou 15,4 mil empregos
no primeiro semestre - 5,9 mil só em Londrina
O nível de emprego da
construção civil brasileira aumentou 10,2% no acumulado
do ano até junho. O saldo líquido de empregos foi de 230
mil, sendo 15,4 mil só no Paraná - o que representa 12,4%
de acréscimo no emprego deste setor, de janeiro a junho; 5.210
em Curitiba (12%) e 5.901 em Londrina (21,57%), de acordo com o Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged), registro administrativo
do Ministério do Trabalho e Emprego.
Em 12 meses (de junho de 2009
a junho de 2010), a variação de emprego na construção
atingiu 29,53% no município, com o saldo de 2.251 novas vagas.
Apenas em junho, o setor fechou 892 admissões e 815 desligamentos,
que resultaram numa variação de 0,81% no número
de trabalhadores da construção. Em maio, o saldo de empregos
no Brasil ultrapassou os 39 mil, enquanto no Paraná foram 3.725
e em Curitiba 1.590.
Para Euclésio Finatti,
vice-presidente técnico na área de Política e Relações
Trabalhistas do Sinduscon Paraná, o cenário nacional é
positivo e o índice de contratação tem experimentado
grande acréscimo devido à facilidade de financiamento
para obras de infraestrutura, como o Minha Casa Minha Vida, por exemplo.
''Houve muita contratação de obras como esta neste semestre,
por isso o volume foi maior'', observa.
Ele prevê que, embora
estejam previstas novas obras de infraestrutura para o segundo semestre,
haverá contratações, mas não com a mesma
velocidade dos primeiros seis meses. ''Imaginamos que não vai
repetir até porque não temos trabalhadores para isso'',
justifica. Finatti acredita que o PIB do setor deverá ser maior
que o nacional.
O saldo da construção
civil municipal do período de janeiro a junho deste ano, que
somou 1.694 novas vagas, segundo a economista do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Lenina
Formaggi, significou 23% do saldo total de empregos gerados em Londrina
no período.
Aline Vilalva
Reportagem local
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BEM PARANÁ, 20 de
julho de 2010 | Economia
Em 10 anos
Curitiba teve no 1º semestre maior
aumento de empregos
Nos primeiros seis meses de 2010 Curitiba gerou
24.763 empregos formais
Nos primeiros seis meses de 2010 Curitiba gerou 24.763 empregos formais,
de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi o maior saldo
e a maior variação de emprego em Curitiba em 10 anos,
de acordo com a série histórica do Caged, iniciada em
2000.
No mês de junho, foram
criados 2.233 empregos formais. O saldo é resultado da contratação
de 33.003 trabalhadores e do desligamento de 30.770. Curitiba foi a
nona capital com maior variação de emprego e a oitava
com maior saldo de vagas no mês de junho. Com o resultado de junho,
a capital chegou ao estoque total de 649.645 trabalhadores com carteira
assinada.
O saldo de 2.233 empregos formais
em junho é 76% superior ao apresentado no mesmo mês de
2009. Naquele período foram criados 1.267 empregos. Os setores
de serviços e indústria tiveram o melhor desempenho na
geração de vagas formais no mês passado. Juntos
criaram 1.696 empregos, o que equivale 76% do total de novos postos
na capital.
A criação de 2.233
postos representou um aumento de 0,3% sobre o número de trabalhadores
existentes em maio. No Paraná foram criadas 10.446 vagas em junho,
variação de 0,5% no estoque de trabalhadores. A Região
Metropolitana de Curitiba criou 3.591 novos empregos no mês passado,
variação de 0,4% em relação ao estoque do
mês anterior.
A coleta e preparação
do relatório são feitas pelo Observatório do Trabalho,
uma parceria entre o Dieese e a Secretaria Municipal do Trabalho Emprego.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de julho de 2010 | Economia
Jovens reduzem pressão sobre mercado
de trabalho
Nos últimos seis anos, cerca de 425 mil jovens de 18 a 24 anos,
ocupados ou em busca de ocupação, deixaram de pressionar
o mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas
do Brasil. A grosso modo, se quantidade semelhante de jovens estivesse
no mercado, a taxa de desemprego metropolitano, hoje em 7,5% da população
economicamente ativa (PEA), poderia ficar próxima de 10%.
A questão é que
o ritmo de crescimento da população brasileira está
diminuindo a uma velocidade maior que a esperada. Mais que isso, as
dinâmicas são diferentes, e até opostas, entre diferentes
grupos por faixas etárias. Enquanto a participação
dos mais jovens na força de trabalho encolhe, a da população
de mais de 50 anos é a que mais cresce, refletindo a forte expansão
demográfica do passado.
Os jovens de 18 a 24 anos, que representavam 15,1% da população
em idade economicamente ativa das principais regiões metropolitanas
do País em 2003, passou a responder por 12,6% no ano passado.
"Três pontos porcentuais é uma queda e tanto",
diz o gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituo Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Nesse mesmo período,
a fatia dos trabalhadores com 50 anos ou mais saltou de 24,9% para 30,2%.
A população
está envelhecendo porque a taxa de natalidade tem caído
num ritmo maior que o da mortalidade. Em pouco mais de 40 anos, da metade
da década de 1960 até 2006, a taxa de fecundidade brasileira
passou de 6,2 filhos por mulher para 1,8 filho, segundo dados mais recentes
da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança
e da Mulher (PNDS), divulgados pelo IBGE em 2008.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 20 de julho de 2010 | Economia
Bernardo critica indexação
a reajuste do mínimo
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, criticou hoje a indexação
dos benefícios previdenciários ao aumento do salário
mínimo. Atualmente, o piso dos benefícios da Previdência
é reajustado pelo mesmo índice do salário mínimo,
enquanto os benefícios acima desse valor têm como base de
correção o Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC). Uma emenda do senador Paulo Paim (PT-RS) pretende indexar os reajustes
dos benefícios previdenciários - inclusive os que estão
acima do piso - ao aumento do salário mínimo. A proposta
foi incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO),
e depende de sanção do presidente Lula.
"Não sou adepto dessa medida. Se
a gente olhar o que está acontecendo em termos demográficos,
a questão das aposentadorias, da previdência no País,
e olhar a longo prazo, só tem um jeito de atrelar o salário
mínimo e os outros benefícios, é não dar
aumento real para nenhum deles. Como nós estabelecemos uma política
de dar aumento real para o salário mínimo, vamos ter de
enfrentar esse debate e ver se a gente consegue superar isso. Se você
falar, 'tem que ser tudo igualzinho', com certeza vai todo mundo receber
só inflação", disse Paulo Bernardo.
Questionado se o governo deveria barrar a medida,
o ministro respondeu que espera "que sim". "Vou conversar
com o presidente ainda, quem tem a caneta e o poder na hora de sancionar
ou vetar é o presidente Lula, mas vamos ponderar essas coisas
com ele."
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de julho de 2010 | Economia
Crédito imobiliário cresce
88% no Paraná
Helio Miguel
O programa Minha Casa Minha
Vida provocou uma explosão na quantidade e valor dos financiamentos
da Caixa Econômica Federal. Ontem, o banco anunciou os números
do primeiro semestre, que mostram um crescimento de 88% nos valores
financiados, em relação ao mesmo período do ano
passado, no Paraná. Só nesses seis meses do ano, o banco
já financiou R$ 2,161 bilhões, mais do que os R$ 1,535
bilhão emprestados durante todo o ano de 2008, e valor já
próximo dos R$ 3,182 bilhões creditados em 2009. A expectativa,
este ano, é de que o total ultrapasse os R$ 4 bilhões.
Do total financiado este ano
no Estado, R$ 1,246 milhão faz parte do programa Minha Casa Minha
Vida. O valor já ultrapassou os R$ 854 milhões disponibilizados
em 2009. Desde abril do ano passado, quando o programa foi lançado,
quase 35 mil unidades foram disponibilizadas através dessa linha,
e há mais 33 mil moradias em análise. A meta do governo
federal para o Estado é de 44,2 mil unidades. Em Curitiba, onde
a meta é de 12 mil financiamentos, dois terços (8 mil)
já foram realizados, e 7,3 mil estão em análise.
De acordo com o superintendente regional da Caixa em Curitiba, Hermínio
Basso, a grande quantidade de contratos está causando uma “drástica
redução” no déficit habitacional do Estado,
que já é um dos mais baixos do País. “O Paraná
é um dos líderes na corrida para acabar com o déficit
imobiliário. Nos próximos quatro anos, esperamos reduzi-lo
em 30% a 40%”, prevê.
Ele também destaca uma
mudança de perfil nos mutuários. Pessoas de até
30 anos, por exemplo, já representam 24% dos contratos, e maiores
de 46 anos são outros 29%. “Boa parte dessas pessoas não
tinha acesso a financiamentos de imóveis, anteriormente. Os mais
novos estão iniciando suas famílias, e os mais velhos,
saindo do aluguel”, analisa.
Outra mudança importante,
segundo Basso, foi o aumento na proporção de famílias
com renda entre zero e três salários mínimos. Se,
em 2003, elas compunham apenas 6% dos financiamentos, este ano já
são 24%. A fatia só é menor que a das famílias
que ganham 10 ou mais salários mínimos, que assinam, hoje,
38% dos contratos.
Estabilidade
Basso explica que a meta de
R$ 4 bilhões financiados até o final do ano é até
conservadora, já que o mercado imobiliário normalmente
fica mais aquecido no segundo semestre. Para ele, a explosão
tem várias causas, que vão desde a maior estabilidade
da economia até a desburocratização na hora do
cadastro das construtoras no banco. A medida, diz ele, abriu espaço
para empresas menores.
Segundo a gerente regional
de Negócios da Construção Civil da Caixa em Curitiba,
Suely Molinari, hoje as pessoas têm mais tranquilidade para assumir
financiamentos de maior valor e a longo prazo. “A formatação
dos empréstimos mudou. Antigamente, a inflação
aumentava o valor das parcelas”, lembra, comparando com o sistema
atual, no qual as parcelas diminuem ao longo do tempo. A inadimplência
nos financiamentos do banco, que já chegou a 18% há 20
anos, está hoje em 1,5%, informa ela.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de julho
de 2010 | Economia
Paraná pode ter R$ 4 bilhões
para a casa própria
Recursos serão liberados pela Caixa em
2010; juros baixos e maior prazo de financiamento favorecem baixa renda
Curitiba - A Caixa Econômica
Federal pretende fechar o ano de 2010 com um valor total financiado
em crédito para a compra da casa própria de R$ 4 bilhões
no Paraná, volume 25% maior do que o disponibilizado no ano passado.
Desse total, cerca de 30% a 40% serão destinados para a população
com renda de até três salários mínimos. Só
no primeiro semestre deste ano, o banco já ofereceu um total
de R$ 2,161 bilhões em crédito com o fechamento de 29.063
contratos ou 88% a mais que no mesmo período de 2009 e sete vezes
mais que em 2003. Foram beneficiadas 117.996 pessoas. Esse montante,
já é maior do que todo o recurso liberado no ano de 2008
que foi de R$ 1,5 bilhão. Só o programa Minha Casa, Minha
Vida (MCMV) representou 57% do total de recursos liberados nos primeiros
seis meses do ano.
Em Curitiba, foram liberados
R$ 852 milhões em crédito imobiliário - 76% a mais
que no primeiro semestre de 2009 - em 12.235 contratos que beneficiaram
49.451 pessoas. A meta é fechar 2010 com R$ 1,9 bilhão.
Do total financeiro, R$ 293 milhões foram para o programa MCMV
que deve atingir 12.018 contratos neste ano.
Um dado interessante do levantamento
divulgado ontem pelo banco, em Curitiba, é que 21% dos financiamentos
são para pessoas até 30 anos, ou seja, o público
que está formando uma nova família. O curioso é
que 29% dos contratos são de pessoas acima de 46 anos que, muitas
vezes, estão saindo do aluguel, para conseguir o primeiro imóvel
próprio. O superintendente da Caixa em Curitiba, Hermínio
Basso, disse que essa faixa etária da população
não tinha acesso ao crédito e, portanto, à moradia.
Além disso, essas pessoas foram beneficiadas pela estabilidade
econômica. Hoje, 24% do crédito liberado é para
famílias que ganham até três salários mínimos.
Segundo ele, os principais fatores
que levaram a esse crescimento do crédito imobiliário
foram a redução da taxa de juros, o aumento do prazo de
financiamento que chega a até 30 anos, as prestações
decrescentes, o aumento da renda, a redução do desemprego,
a simplificação operacional, a flexibilização
da comprovação da renda, a realização dos
feirões da Caixa e o crescimento do número de construtoras,
entre outras razões.
Redução de juros
Um dos motivos que levou à
redução de juros foi a diminuição da inadimplência
acima de 90 dias que já chegou a patamares de 18% no final da
década de 80, a 2% em maio de 2009 e hoje é de 1,5%. Isso
é importante porque os juros são formados por três
fatores: o custo do dinheiro, os impostos e as perdas que as empresas
incorporam. Atualmente, os juros anuais da Caixa variam de 4,5% a 10,5%
ao ano e já foram de 18% ao ano na década de 90. Com a
inadimplência baixa, o banco pode fazer a reaplicação
dos recursos no sistema.
Ainda dentro do programa MCMV,
foram realizados 34.447 contratos desde a criação em abril
de 2009 até agora, no valor total de R$ 2,1 bilhões. A
meta é atingir 44.172 contratos e o Paraná já alcançou
78% do objetivo.
O banco tem 81,8% do mercado
de habitação no País. De acordo com ele, o Paraná
e Curitiba tem um volume de deficit habitacional menor do que o restante
do Brasil. Do total de 1 milhão de moradias previstas para 2010
no Brasil, 12% são na região Sul. A ideia, de acordo com
o superintendente, é que o deficit no Paraná seja reduzido
ou termine antes de outros estados brasileiros. O Estado tinha um deficit
no final de 2009 de 44 mil unidades ou 14%. Ele acredita que o MCMV
vai tornar-se permanente por meio de lei mesmo com a mudança
de governo federal. ''Estamos no caminho para zerar o deficit habitacional'',
destacou.
O aumento do crédito
imobiliário também traz repercussões positivas
para a economia porque gera impostos e movimenta desde o comércio
de móveis até o caminhão de mudança, segundo
ele.
Basso destacou que o banco também
promoveu mudanças na formatação dos empréstimos
que hoje oferecem prestações decrescentes e um sistema
de amortização que não deixa saldo residual no
final dos contratos. ''Hoje, as famílias têm condições
de pagar as moradias'', disse. Hoje, a amortização mais
utilizada é o Sistema de Amortização Crescente
(SAC).
Ele acredita que o setor
tem um espaço grande para crescer. Atualmente, o crédito
imobiliário representa de 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB)
do País. A meta é chegar a 10% do PIB até o final
de 2015. Na Espanha, já atinge 60% do PIB.
Andréa Bertoldi com Agência
Estado Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 20 de julho
de 2010
Casa própria
Recurso para habitação será
insuficiente em 3 anos
Para manter ritmo atual de alta nos empréstimos
imobiliários, Caixa precisa buscar fonte alternativa de suporte
à modalidade, que hoje é sustentada pela poupança
e pelo FGTS
Os sucessivos recordes do crédito
habitacional estão levando a Caixa Econômica Federal a
começar a procurar fontes alternativas de financiamento, além
dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
e da poupança.
“Temos mais uns três
anos para conseguir equacionar essa questão”, disse Jorge
Hereda, vice-presidente de governo do banco, ao anunciar a alta de 95,1%
nos empréstimos no primeiro semestre ante igual período
em 2009, para R$ 34,1 bilhões. O montante já ultrapassou
o valor registrado em todo o ano de 2008 (R$ 23,3 bilhões), levando
à preocupação com o crescimento sustentável.
Caso a Caixa – responsável por 80% dos empréstimos
imobiliários do país – não consiga novas
formas de financiar o crédito, é possível que o
ritmo de elevação nos desembolsos para o setor diminua
nos próximos anos.
Por lei, os bancos são
obrigados a destinar 65% dos depósitos em poupança para
o crédito habitacional, mas há o temor de que o crescimento
da caderneta não acompanhe o dos empréstimos. No acumulado
deste ano até maio, a Caixa contabilizou 55% dos empréstimos
feitos com essa fonte. O patamar é semelhante ao registrado em
todo o ano de 2009 (57%), que teve forte alta nos valores financiados
pelo banco estatal devido ao receio das outras instituições
em emprestar após o agravamento da crise econômica global.
Ideia
Até dezembro, a Caixa
deve fazer a emissão do primeiro pacote de securitização
de sua carteira de crédito, que chegou a R$ 81,7 bilhões
em junho. A ideia é usar essa operação como nova
fonte de recursos para o crédito habitacional. A estimativa inicial
de emitir R$ 500 milhões para o Certificado de Recebível
Imobiliário (CRI), “para testar o mercado” neste
ano, nas palavras de Hereda, está sendo reavaliada. De acordo
com o executivo, R$ 20 bilhões já estariam prontos para
um processo de securitização.
A securitização
consiste na transformação da carteira de crédito
em um ativo financeiro. A instituição divide a carteira
em partes e as vende como títulos no mercado. Assim, o banco
encontra uma maneira de dar novo suporte aos financiamentos já
concedidos.
Por esse mecanismo, o comprador
é remunerado no longo prazo com uma taxa de juros que varia de
acordo com o papel. O banco, por sua vez, consegue, ao vender esses
títulos, antecipar o recebimento dos recursos dos financiamentos.
“As instituições
precisam ter um colchão. A poupança é recurso de
curto prazo, que pode ser sacado no momento seguinte”, explica
Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção
da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Considerando apenas o crédito
com fonte na poupança no primeiro semestre (R$ 14,9 bilhões),
a expansão foi de 62% em relação ao mesmo intervalo
em 2009. Com FGTS (R$ 14,2 bilhões), o acréscimo atingiu
109%, com o impulso do Minha Casa, Minha Vida, que usa essa fonte de
financiamento. O programa teve 543 mil contratos assinados até
junho.
A vez das classes mais baixas
Os dados da Caixa apontam um
crescimento de contratação de crédito imobiliário
por pessoas jovens e das classes mais baixas. Cerca de 20% dos beneficiários
dos programas de financiamento têm até 30 anos, e outros
50% têm, no máximo, 45 anos. E quase um terço dos
beneficiados recebe no máximo três salários mínimos
por mês.
“Os jovens estão
se planejando melhor”, avalia Hermínio Basso, superintendente
regional da Caixa para Curitiba. “O acesso ao imóvel é
bom para a autoestima das famílias, que passam a conquistar um
bem de raiz, além de ter um impacto em escala na economia, estimulando
desde a venda de imóveis e utensílios até serviços
como mudança e consertos”, acrescenta.
O vendedor Nerildo Carriel de
Lima, 36 anos, funcionário de uma loja de materiais de construção,
adquiriu sua casa própria em junho de 2009 por meio do programa
Minha Casa, Minha Vida. Com uma renda de aproximadamente R$ 1,7 mil,
Nerildo vai pagar uma parcela decrescente de R$ 430 ao longo de 25 anos.
“Quando minha esposa engravidou do segundo filho, fui procurar
uma casa com três dormitórios. Consegui bem na hora em
que a minha filha ia nascer”, conta. Com o dinheiro que economizará
do aluguel, planeja fazer melhorias na casa. “Pretendo fechar
a lavanderia e aumentar a cozinha. E, para o começo do ano, quero
aumentar a sala”, relata.
Colaborou Taysa Dias

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Folha de S.Paulo, 20 de
julho de 2010
Recurso para habitação é
insuficiente
Após alta de 95% nos empréstimos,
Caixa diz que precisará de fontes alternativas à poupança
em três anos | 65% dos depósitos em poupança são
para crédito habitacional, mas empréstimo cresce mais
que caderneta
TATIANA RESENDE
DE SÃO PAULO
Os sucessivos recordes do crédito
habitacional estão levando a Caixa Econômica Federal a
começar a procurar fontes alternativas de financiamento, além
dos recursos do FGTS e da poupança.
"Temos mais uns três anos para conseguir equacionar essa
questão", disse ontem Jorge Hereda, vice-presidente de Governo
do banco, ao anunciar a alta de 95,1% nos empréstimos no primeiro
semestre ante igual período em 2009, para R$ 34,1 bilhões.
Por lei, os bancos são obrigados a destinar 65% dos depósitos
em poupança para o crédito habitacional, mas há
o temor de que o crescimento da caderneta não acompanhe o dos
empréstimos.
No acumulado do ano até maio, a Caixa contabilizou 55% dos financiamentos,
em valor, feitos com essa fonte.
O patamar é semelhante à participação registrada
em todo o ano de 2009 (57%), que teve forte elevação ante
a fatia em 2008 (31%) devido ao temor dos outros bancos após
o agravamento da crise.
Apesar disso, a Caixa cumpre apenas o estipulado na legislação:
65%.
De acordo com o executivo, R$ 20 bilhões -de uma carteira de
crédito imobiliário de R$ 82 bilhões- já
estariam prontos para uma securitização, mas ele não
quis detalhar quais contratos fariam parte da emissão. A estimativa
inicial de uma emissão de R$ 500 milhões até dezembro
"para testar [a atratividade do papel para] o mercado, nas palavras
de Hereda, está sendo reavaliada.
A securitização consiste na transformação
de uma dívida em um papel para investimento no mercado de capitais.
O investidor é remunerado com uma taxa de retorno que varia de
acordo com as características do financiamento, descontados os
custos e o ganho do banco.
A instituição financeira, por sua vez, recicla o dinheiro
sem ter de esperar até o último pagamento do tomador do
empréstimo. O risco de inadimplência, normalmente, fica
com o investidor.
"A poupança é um recurso de curto prazo, que pode
ser sacado no momento seguinte [ao depósito]. As instituições
precisam ter um colchão", afirmou Ana Maria Castelo, coordenadora
de projetos da FGV.
Considerando apenas o crédito com essa fonte no primeiro semestre
(R$ 14,9 bilhões), o aumento foi de 62%.
"MINHA
CASA"
Já com recursos do FGTS (R$ 14,2 bilhões), o acréscimo
atingiu 109%, com o impulso do Minha Casa, Minha Vida. O programa teve
543 mil contratos assinados até junho, pouco mais da metade da
meta de 1 milhão de unidades, que deve ser batida até
o final deste ano.
Até setembro, Hereda disse que a Caixa deve parar de contratar
projetos de construtoras para famílias com renda de até
R$ 1.395 por prever já ter alcançado a meta de 400 mil
moradias. As propostas excedentes serão avaliadas no próximo
ano.
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Rede
Brasil Atuaç, 20 de julho de 2010
PIB deve crescer 7,2% neste ano,
segundo projeção do BC
Expectativa para a alta da produção
industrial em 2010 subiu para 12,12%; para inflação, recuou
para 5,42%
A projeção de crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano manteve-se em 7,2%
pela segunda semana seguida, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central
(BC), divulgado nesta segunda-feira (BC). Para 2011, a expectativa de
alta permaneceu em 4,5% pela 32ª semana.
A projeção para a inflação
(IPCA) em 2010 voltou a recuar, passando de 5,45% para 5,42% –
quatro semanas atrás, era de 5,61%. Em relação
a 2011, a expectativa continua em 4,80%, a mesma há 14 semanas.
O mercado acredita que a taxa básica
de juros (Selic) chegará a 12% no fim deste ano e a 11,75% no
final de 2011.
A expectativa para a produção
industrial continou em alta, chegando a 12,12% em 2010, ante 11,91%
na semana anterior. Para 2012, a projeção foi mantida
em 5% pela 20ª semana.
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BEM PARANÁ, 20 de
julho de 2010 | Economia
No Paraná
Desenvolvimento de Curitiba ajuda
a erradicar pobreza
Capital detém aproximadamente 23% do
total do PIB do estado, que foi de R$ 161,58 bilhões em 2007
SMCS
O setor econômico de Curitiba terá papel importante para
o Paraná conseguir erradicar a pobreza absoluta até 2013
e a miséria até 2012. Curitiba tem o maior Produto Interno
Bruto (PIB) do Paraná. Em 2007, último dado oficial do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital
teve um PIB de R$ 37,79 bilhões. O valor representa aproximadamente
23% do total do PIB do estado, que foi de R$ 161,58 bilhões em
2007.
Segundo o diretor-presidente
da Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A, Juraci Barbosa Sobrinho,
Curitiba tem vários programas de desenvolvimento econômico
sustentável, como o Bom Negócio, que leva conteúdos
de gestão empresarial para micro e pequenos empresários
e para novos empreendedores. O programa é totalmente gratuito
e passa por todos os bairros e microrregiões da cidade.
As indústrias de tecnologia
também trazem desenvolvimento para a capital. "O parque
tecnológico, por exemplo, é um programa que busca o desenvolvimento
de tecnologia de ponta, em especial na área de informática.
Curitiba criou o programa Curitiba Tecnoparque para transformar a cidade
num importante centro de excelência em tecnologia de software,
de nível internacional", disse Juraci Barbosa.
Essa força econômica
da capital paranaense irá ajudar na erradicação
da pobreza no Paraná. Estudo publicado nesta semana pelo Instituto
Brasileiro de Pesquisas Econômicas (Ipea) afirma que o Paraná
deverá ser o primeiro estado brasileiro a não ter mais
famílias vivendo em condição de pobreza absoluta,
quando o rendimento médio familiar por pessoa é de meio
salário mínimo mensal. De acordo com o Ipea, a erradicação
da pobreza absoluta deve ocorrer em 2013.
O estudo também aponta
que Paraná e Santa Catarina devem acabar com a pobreza extrema
(miséria) até 2012. A miséria é caracterizada
pelo rendimento médio domiciliar per capita de até um
quarto de salário mínimo por mês.
Histórico - Em 2007,
Curitiba apresentou o maior crescimento do PIB entre as cidades brasileiras.
De R$ 32,15 bilhões em 2006 o PIB passou para R$ 37,79 bilhões,
crescimento de 17,5%. Na sequência os maiores crescimentos do
PIB foram de Belo Horizonte (16,7%), São Paulo (13,3%), Brasília
(11,5%) e Rio de Janeiro (9%).
O resultado do PIB em
2007 colocou Curitiba na 5.ª colocação de cidade
mais rica do Brasil, com 1,42% do Produto Interno Bruto brasileiro.
Entre os 5.564 municípios brasileiros, São Paulo foi o
mais rico, com 12% do PIB nacional em 2007. Rio de Janeiro (5,24%),
Brasília (3,76%) e Belo Horizonte (1,44%) completam o ranking
dos primeiros colocados. Os cinco municípios detinham 24% da
economia nacional em 2007.
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Folha de S.Paulo, 20 de
julho de 2010
Dilma promete criar Prouni para
alunos do ensino médio
Se efetivado, programa deverá ampliar
o abismo entre escolas públicas e privadas
DO RIO
A promessa da presidenciável
petista Dilma Rousseff de adaptar o modelo do ProUni ao ensino médio,
a julgar pelas suas declarações à rádio
Paiquerê, é perfeitamente viável. A dúvida
é aonde ela quer chegar com isso.
No ensino superior, apenas 24% das matrículas são públicas.
Com poucas vagas gratuitas, muitos alunos de baixa renda deixam de estudar
por não ter como pagar.
O ProUni ataca o problema alocando esses jovens em instituições
privadas, mas com dinheiro público.
No ensino médio, a rede pública responde por 86% das matrículas.
O problema, portanto, não é de falta de vagas gratuitas,
mas de má qualidade do ensino.
Para definir quem seria beneficiado pelo "ProMédio",
o governo provavelmente precisará submeter estudantes a um concurso,
do qual passarão apenas os melhores.
Será um incentivo para que os talentos que hoje estão
no ensino público migrem para o particular.
De um lado, pode-se argumentar que os jovens selecionados terão
acesso a um ensino de melhor qualidade caso migrem para uma escola top,
pois vale lembrar que há particulares de péssima qualidade
também.
Quem certamente ganhará com isso, no entanto, serão as
escolas particulares, que receberão os melhores alunos do setor
público e, sem muito esforço, aumentarão ainda
mais sua vantagem. (ANTÔNIO GOIS)
|
Agência Senado, 20
de julho de 2010
As 54 vagas do Senado serão
disputadas por 268 candidatos
Para as 54 vagas de senador
que estarão em disputa nas eleições de outubro
há 268 candidatos. Trata-se de um grupo composto majoritariamente
por homens - 86,89% - que têm, em sua maioria (54%), entre 45
e 59 anos.
Os casados são mais presentes
(59%) sendo que apenas 12% são solteiros. E a escolaridade dos
candidatos é alta, a maior parte (74,6%) concluiu o ensino superior,
sendo que três (1,19%) possuem apenas o ensino fundamental.
Já as profissões
dos candidatos são variadas - há agricultores, policiais,
músicos, mas os professores são os que têm a maior
representação, se somados os de ensino médio (5,59%)
e superior (5,97%). A segunda profissão com mais candidatos ao
Senado é a de advogado, com 9,32% das candidaturas.
A maior parte dos candidatos
ao Senado já tem experiência na política, principalmente
como deputados (11,5%).
Os candidatos à Câmara
dos Deputados somam, em todo o país, 5.764; os candidatos às
Assembleias Legislativas e à Câmara Distrital do DF chegam
a 13.739; e nove candidatos disputarão os votos dos eleitores
para a Presidência da República.
As informações
são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As candidaturas aguardam
julgamento do tribunal e podem vir a ser impugnadas. Outros dados estatísticos
podem ser verificados no site http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/
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Congresso em Foco, 20 de julho
de 2010
Veja quem declarou guardar dinheiro em
casa
CANDIDATOS À
PRESIDÊNCIA
Dilma Rousseff (PT) - R$ 133,3 mil
ALAGOAS
GOVERNADOR
Galba Novais (PRB)- R$ 20 mil (vice de Fernando Collor, do PTB)
AMAZONAS
GOVERNADOR
Omar Aziz (PMN) – R$ 50 mil
José Melo (PMDB) – R$ 200 mil (vice de Omar Aziz, do PMN)
SENADOR
Eduardo Braga (PMDB) – R$ 100 mil
Vanessa Grazziottin (PCdoB) – R$ 30 mil
AMAPÁ
GOVERNADOR
Lucas (PTB) – R$ 85 mil
Vice: Jaime Nunes (PSDC) – R$ 240 mil
BAHIA
GOVERNADOR
Nilo Coelho (PSDB) – R$ 912,6 mil (vice de Paulo Souto, do PSDB)
RIO GRANDE DO SUL
GOVERNADOR
Nubem Medeiros (PCB) – R$ 5,4 mil
SENADOR
Germano Rigotto (PMDB) – R$ 160 mil
CEARÁ
SENADOR
Eunício Oliveira (PMDB) – R$ 153 mil
DISTRITO FEDERAL
GOVERNADOR
Filipelli (PMDB) – R$ 20 mil (vice de Agnelo Queiroz, do PT)
Toninho do Psol – R$ 2 mil
Joaquim Roriz (PSC) – R$ 160 mil
Jofran Frejat (PR) – R$ 250 mil (vice de Joaquim Roriz)
GOIÁS
GOVERNADOR
José Éliton (DEM) – R$ 20 mil (vice de Marconi Perillo,
do PSDB)
Ernesto Roller (PP) – R$ 68 mil (vice de Vanderlan, do PR)
SENADOR
Lúcia Vânia (PSDB) – R$ 320 mil
MATO GROSSO DO SUL
GOVERNADOR
Zeca do PT – R$ 60 mil
SENADOR
Dagoberto Nogueira (PDT) – R$ 160 mil
MINAS GERAIS
GOVERNADOR
Hélio Costa (PMDB) – R$ 24 mil
Zé Fernando Aparecido (PV) – 37 mil
PARÁ
SENADOR
Flexa Ribeiro (PSDB) – R$ 265 mil
PARAÍBA
SENADOR
Wilson Santiago (PMDB) – R$ 200 mil
Vitalzinho (PMDB) – R$ 215 mil
PARANÁ
GOVERNADOR
Amadeu Felipe (PR) – R$ 55 mil
Rodrigo Rocha (PMDB) – R$ 10 mil (vice de Osmar Dias, do PDT)
SENADOR
Roberto Requião (PR) – R$ 400 mil
PIAUÍ
GOVERNADOR
João Vicente Claudino (PTB) – R$ 350 mil
Raimundo de Sá Filho (PSDB) – R$ 125,7 mil (vice de Silvio
Mendes, do PSDB)
Wilson Martins (PSB) – R$ 50 mil
SENADOR
Ciro Nogueira (PP) – R$ 210 mil
Mão Santa (PSC) – R$ 95 mil
RIO DE JANEIRO
GOVERNADOR
Fernando Peregrino (PR) – R$ 2,5 mil
SENADOR
Carlos Dias (PT do B) – R$ 38 mil
Marcelo Cerqueira (PPS) – R$ 380 mil
RIO GRANDE DO NORTE
GOVERNADOR
Alvaro Dias (PDT) – R$ 120 mil (vice de Carlos Eduardo, do PDT)
Robinson Farias (PMN) – R$ 55 mil (vice de Rosalba Ciarlini, do
DEM)
RORAIMA
SENADOR
Lauro Barreto (PHS) – R$ 50 mil
Romero Jucá (PMDB) – R$ 545 mil
SANTA CATARINA
GOVERNADOR
Angela Amin (PP) – R$ 63 mil
Ideli Sanvati (PT) – R$ 50 mil
Manoel Dias (PDT) – R$ 80 mil (vice de Ângela Amin, do PP)
SENADOR
Hugo Bihel (PP) – R$ 130 mil
Paulo Bauer (PSDB) – R$ 27 mil
SÃO PAULO
GOVERNADOR
Fábio Feldmann (PV) – R$ 20 mil
Paulo Skaf (PV) – R$ 20 mil
Eliana Ferreira (PSTU) –R$ 60 mil
Afif Domingos (DEM) – R$ 380 mil
SENADOR
Aloyisio Nunes (PSB) – R$ 50 mil
Toni Curiati (PP) – R$ 30 mil
Orestes Quercia (PMDB) – R$ 1,3 milhão
SERGIPE
SENADOR
João Augusto Nascimento (PSDC) – R$ 100 mil
TOCANTINS
GOVERNADOR
Siqueira Campos (PSDB) – R$ 30mil
SENADOR
Vicentinho Alves (PR) – R$ 100 mil
|
BEM
PARANÁ, 20 de julho de 2010 | Política
Exclusivo
Bancada do Paraná é a mais
rica do País
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que
média de deputados fica em R$ 39 milhões
A bancada do Paraná é a mais rica do país, mas não
apenas pela presença de Marcelo Almeida. Contando com os seus bens,
a média por deputado fica em R$ 39 milhões. Sem ele, seria
de R$ 8,5 milhões, ainda assim, é a maior do país.
Os bens de Alfredo Kaefer (PSDB) – avaliados em R$ 95.728.260,00
- também contribuem para a liderança no ranking.
Outros patrimônios que colaboram são de Dilceu Sperafico
(PP) – R$ 7.680.293,03, Affonso Camargo (PMDB) – R$ 7.761.261,43,
Luiz Carlos Setim (DEM) – R$ 6.008.493,60 e Abelardo Lupion (DEM)
– R$ 5.898.464,13.
Embaixo do colchão
Candidatos que guardam mais dinheiro em casa
André Zacharow (PMDB) – R$ 450 mil
Roberto Requião (PMDB) – R$ 400 mil
Abelardo Lupion (DEM) - R$ 395 mil
Moacir Micheletto (PMDB) - R$ 282 mil
Hidekazu Takayama (PSC) - R$ 235 mil
Marcelo Almeida (PMDB) - R$ 100 mil
Os maiores patrimônios entre
os federais
Marcelo Almeida (PMDB) – R$ 683 milhões
Alfredo Kaefer (PSDB) – R$ 95 milhões
Affonso Camargo (PMDB) – R$ 7,7 milhões
Dilceu Sperafico (PP) – R$ 7,6 milhões
Luiz Carlos Setim (DEM) – R$ 6 milhões
Abelardo Lupion (DEM) – R$ 5,9 milhões
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral
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Gazeta do Povo, 20 de julho
de 2010
Eleição 2010
Candidatos não refletem o perfil
do eleitorado do Paraná
Enquanto 51,6% dos concorrentes dizem possuir
ensino superior completo, apenas 4% dos 7,5 milhões de eleitores
têm instrução semelhante
O perfil médio dos 974
candidatos paranaenses às eleições de outubro não
reflete as principais características do eleitorado do estado.
A maior parte dos candidatos é homem, concluiu o ensino superior,
tem entre 45 e 59 anos e atua como empresário. Já o eleitorado
é composto na sua maioria por mulheres e por pessoas nem que
sequer concluíram a educação básica. A única
característica do eleitor médio que bate com a do candidato
médio é a faixa etária: 45 e 59 anos. Para especialistas,
a diferença mostra que o estado é governado por uma elite
que se perpetua no poder.
Enquanto 51,6% dos candidatos
dizem possuir ensino superior completo, apenas 4% dos 7,5 milhões
de eleitores têm instrução semelhante, de acordo
com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A maioria dos votantes
não concluiu a educação básica – ensino
fundamental e médio (55,5%).
Segundo Ricardo Oliveira, professor
de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná,
as incongruências evidenciam uma tendência na política
local. “Se a análise dos candidatos mostra este quadro,
quando se faz a análise dos eleitos percebe-se que se trata de
um grupo restrito, que detém poder econômico e capital
político. Cria-se uma casta hereditária. Quando há
trocas é para entrarem os ‘juniores’”, explica.
Oliveira afirma que a disparidade
se acentua depois das eleições, quando a renovação
é praticamente nula. A análise do perfil dos candidatos
demonstra que muitos nomes já cumpriram mandatos no poder público.
Entre as seis profissões mais citadas pelos candidatos estão
a de deputado (em terceiro lugar, com 6,1%) e a de vereador (em sexto
lugar, com 4,6%). As ocupações mais comuns são
a de empresário (12,5%) e a intitulada como “outros”
(8,8%) nos registros do TSE.
Já as mulheres, que são
maioria do eleitorado, representam apenas 24,7% dos candidatos. O índice
está abaixo do que exige a legislação eleitoral,
que determina que cada partido ou coligação deve preencher
no mínimo 30% e no máximo 70% das vagas da chapa com candidaturas
de cada sexo.
A pequena participação
feminina na política local é um fator que “preocupa”,
segundo o cientista político Carlos Strapazzon. Para ele, a democracia
representativa brasileira não possui mecanismos de inclusão,
ao contrário das diretrizes da Constituição Federal.
“O sistema representativo precisa ser democrático e tem
o desafio da inclusão. As ditaduras também têm sistemas
representativos, com critérios obtusos.”
Segundo Strapazzon, em alguns
países da Europa e das Américas Latina e Central foram
feitas alterações para garantir cadeiras legislativas
às mulheres, enquanto no Brasil tudo parece ser feito para evitar
que apareçam mulheres dispostas a concorrer a cargos eletivos,
diz o cientista político. “É inadmissível
a quantidade de barreiras que a estrutura eleitoral e política
oferece às mulheres, a começar pela barreira cultural
da jornada tripla [dificuldade em conciliar a vida profissional, familiar
e a campanha].” De acordo com ele, a questão de gênero
está mais mal resolvida na política do que em qualquer
outro setor da sociedade.
Um indicativo de que a realidade
começa a mudar é que a participação feminina
nestas eleições para a Câmara dos Deputados
e Assembleia Legislativa mais que dobrou em relação
a 2006 no Paraná.
PV
é o partido que mais lançou concorrentes no estado
O Partido Verde (PV) é a legenda que lançou mais candidatos
no Paraná, entre os 974 inscritos. De acordo com as estatísticas
publicadas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 11,9% dos candidatos
pertencem ao partido. O índice equivale a 116 nomes e a maior
parte está na disputa à Assembleia Legislativa. Em segundo
lugar em número total de candidatos está o PMN, com 8,8%,
seguido pelo PPS, com 8,1%.
Segundo o cientista político
Carlos Strapazzon, o fato de o maior número de candidatos pertencer
a partidos pequenos se explica pela estrutura das regras eleitorais.
“Estes partidos não têm um grande nome que ‘puxe’
os votos necessários para a legenda”, afirma. “Quanto
menos conhecidos, maior o número de candidatos no partido. Esta
é uma estratégia que muitos partidos de pequeno e médio
porte brasileiros usam por conta desta peculiaridade da legislação
eleitoral.”
O PMDB, partido que governa
o estado, lançou 63 candidatos, o equivalente a 6,5% do total.
O PSDB aparece com 6% e o PDT está com índice de 3,2%.
A legenda com o menor índice de candidatos no estado é
o PCdoB, com 0,8%. A legenda lançou dois nomes para a disputa
de deputado federal e outros seis para a de deputado estadual.

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Folha de S.Paulo, 20 de
julho de 2010
Com SP, impugnações chegam
a 2.967
Argumentos usados contra candidaturas vão
de falta de documentos a denúncias contra políticos "fichas-sujas"
| TSE finaliza hoje lista de candidatos que são questionados
na Justiça Eleitoral; Minas lidera o ranking dos pedidos
DE SÃO PAULO
A entrada de São Paulo
no ranking de impugnações elevou para quase 3.000 o número
de candidatos com problemas na Justiça Eleitoral.
Ontem, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) começou a divulgar
os dados de candidaturas impugnadas no Estado. Até as 20h, a
corte havia registrado o questionamento de 301 registros dos 3.154 políticos
que se lançaram na disputa por cargos.
Com isso, o total de candidaturas impugnadas na Justiça Eleitoral
chegou a 2.967.
Pelo sistema disponibilizado pelo tribunal, não é possível
detalhar quantas impugnações foram pedidas pelo Ministério
Público, e quantas foram solicitadas por partidos e candidatos.
A impugnação é a contestação do registro
de um candidato na Justiça Eleitoral. Esse questionamento pode
ser feito pelo Ministério Público, por siglas e por candidatos
para impedir a aprovação do registro.
As falhas apontadas podem ir desde a falta de documentos a denúncias
para impedir que "fichas-sujas" disputem as eleições.
Os tribunais regionais têm até o dia 5 de agosto para julgar
as impugnações.
O TSE não havia registrado até ontem nenhum pedido de
impugnação dos nove candidatos que disputam a Presidência
da República.
O nome do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) não figura entre
os candidatos com problemas na Justiça. Isso porque o número
de concorrentes com candidaturas impugnadas ainda deve aumentar. O TSE
tem até o fim do dia de hoje para finalizar a lista de candidatos
questionados na Justiça Eleitoral.
Por enquanto, Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral
do país, atrás apenas de São Paulo, lidera o ranking
dos pedidos de impugnação.
De um total de 1.701 registros de candidatura, 614 foram impugnados,
segundo balanço divulgado pelo TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral)
na última sexta-feira.
O Estado de Alagoas ocupa a segunda posição em números
absolutos, mas em cálculo proporcional -quando são comparados
o número de candidaturas registradas e o número de questionamentos-,
o Estado lidera.
Dos 438 políticos que se lançaram candidatos, 429 tiveram
a candidatura impugnada, o equivalente a 97,9% dos registros.
Até ontem, Rondônia ocupava o terceiro lugar, com 327 candidaturas
impugnadas, de um total de 477 políticos registrados.
Há ainda números expressivos de impugnações
nos Estados de Goiás, onde 230 das 800 candidaturas enfrentam
problemas na Justiça; Amazonas, com 117 políticos questionados
e Bahia, com 110.
Paraíba com 98 impugnações e o Distrito Federal
com 76, e Mato Grosso do Sul fecham os dez Estados com o maior número
de candidaturas questionadas.
O Amapá é o Estado que contabiliza o menor número
de impugnações. Das 368 candidaturas registradas, apenas
11 foram alvo de questionamento na Justiça Eleitoral do Estado.
(DANIELA LIMA)
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Folha de S.Paulo, 20 de
julho de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Serra endossa vice e repete que PT tem
elo com as Farc
Candidato e dirigente tucano evitam ligar partido
de Dilma ao narcotráfico | No Twitter, candidato a vice suaviza
as críticas; presidente do PSDB diz que estratégia petista
é tentar "esconder Dilma"
RODRIGO VIZEU
DE BELO HORIZONTE
BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
CATIA SEABRA
ENVIADA ESPECIAL A DIVINÓPOLIS (MG)
O candidato do PSDB à
Presidência, José Serra, endossou ontem a associação
entre o PT e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia), feita por seu candidato a vice, Indio da Costa (DEM),
mas evitou referendar a ligação entre o partido e o narcotráfico,
como o deputado havia feito.
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, também engrossou
o coro de ataques ao partido de Dilma Rousseff.
"A ligação do PT é com as Farc", disse
Serra, em Belo Horizonte. "Isso todo mundo sabe, tem muitas reportagens,
tem muita coisa. Apenas isso. Agora, as Farc são uma força
ligada ao narcotráfico, isso não significa que o PT faça
o narcotráfico."
Em São Paulo, Guerra também procurou caracterizar o ataque
do vice como uma mera citação de notícias sobre
a suposta ligação do PT com a guerrilha.
"O Indio disse o que a gente sabe: as Farc se sustentam com dinheiro
do narcotráfico, e o PT é ligado às Farc. É
um sócio incômodo que o PT tem", afirmou.
Pelo Twitter, o próprio Indio tentou suavizar o tom de suas declarações,
feitas em bate-papo com tucanos na internet e noticiadas pela Folha
no domingo.
"PT não faz narcotráfico. As Farc, sim", escreveu.
Em seguida, o vice publicou links para duas reportagens de jornais colombianos
vinculando o PT à guerrilha.
Na entrevista que deu origem à polêmica, o vice de Serra
foi claro ao vincular o PT ao tráfico: "Todo mundo sabe
que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico,
ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma
disso", disse, na ocasião.
EXAGERO
Em conversa reservada com o ex-governador Aécio Neves, candidato
do PSDB ao Senado por Minas Gerais, Serra admitiu que Indio exagerou
nos ataques, mas argumentou que é preciso ultrapassar o episódio
e tocar a campanha adiante.
Em público, ele procurou manter o tema das drogas na ordem do
dia. Sem que fosse questionado, defendeu o combate ao crack e criticou
o policiamento das fronteiras.
Serra insinuou que o PT usa a polêmica em torno da declaração
de Indio para encobrir a violação do sigilo fiscal de
Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, o que chamou
de "uma coisa mais séria".
"É quebra de sigilo de tucanos como arma de baixaria eleitoral.
É um crime muito grave", afirmou.
Diante do anúncio de processos contra o vice de Serra, Sérgio
Guerra chamou o partido adversário de "campeão do
mensalão", lembrou o escândalo dos aloprados e acusou
Dilma de não ter opinião.
"A Dilma não tem a menor condição de liderar
este país ou coisa nenhuma. O povo não é bobo.
A ideia deles é: "Vamos esconder a Dilma e enganar o povo".
Nós temos um candidato e um projeto. Eles têm uma fraude",
afirmou o presidente tucano.
Ele mirou no ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que disse que
Indio age "como idiota". "Qual autoridade ele tem para
chamar alguém de idiota? Ele produz um Orçamento vergonhoso
todo ano. Não vou dizer que a cabeça dele é grande
e a inteligência é menor."
Os tucanos anunciaram que pedirão ao Ministério Público
para apurar a suposta existência de fitas que registrariam encontro
de Dilma com Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal.
Em agosto do ano passado, Lina disse ter sido pressionada ao investigar
empresas de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP).
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IHU-Online, 20 de julho de
2010
Entrevista especial com Deputado
Edson Duarte, pelo banimento do amianto em todo Brasil
O amianto é uma fibra
natural muito utilizada em telhas e caixas d’água. No entanto,
o contato, tanto por parte do produtor quanto do consumidor, com esse
recurso pode trazer inúmeras e sérias doenças,
principalmente respiratórias. O problema é tão
grande que o amianto é totalmente proibido na Europa, além
de Argentina e Chile. O Brasil é um dos principais produtores
de materiais com amianto, mas está começando a discutir
o banimento dele. Nesse sentido, depois de dois anos de estudos, a Câmara
dos Deputados, através do Grupo de Trabalho do Amianto, da Comissão
de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, apresentou, recentemente,
o relatório do amianto e propôs o banimento de todas as
formas da fibra em todo o território nacional.
A IHU On-Line entrevistou, por
telefone, o relator do dossiê, o deputado federal Edson Duarte
(PV-BA). Ele falou sobre o conteúdo do documento, explicou os
impactos que o banimento pode trazer ao país e analisou a cadeia
de produção do amianto e os principais problemas que ele
tem causado aos trabalhadores. “É preciso, também,
que o governo brasileiro acompanhe todos aqueles que trabalharam ou
que tiveram contato com a produção ou produtos feitos
a partir desse mineral. Essas pessoas precisam de acompanhamento e tratamento.
E o governo deve exigir que isso seja bancado pelas empresas”,
disse Duarte.
Confira a entrevista.
IHU On-Line –
O que diz o dossiê do amianto?
Edson Duarte - Esse relatório
tem mais de 700 páginas e é um estudo profundo sobre a
situação do amianto no Brasil. Nós temos diversos
projetos tramitando na Câmara dos Deputados e no Senado a respeito
do amianto e este relatório é o resultado de um grupo
de trabalho que foi formado na Câmara dos Deputados para garantir
subsídios em relação ao tema. Esse assunto é
extremamente relevante e, no Brasil, foi motivado pelo banimento do
amianto em toda a Europa e em alguns países da América
do Sul.
Alguns estados, como São
Paulo, já proibiram o uso do amianto. Há, portanto, um
debate intenso, mas que não tinha subsídios para ir adiante.
Desta forma, o grupo de trabalho elaborou este relatório de modo
que pudesse garantir conteúdo para a realização
do debate em torno das conseqüências do uso do amianto. Creio
que, a partir de agora, vamos ter as condições e subsídios
necessários para fazer um debate profundo e, com isso, espero
que o Brasil tenha coragem de tomar a decisão de proibir o amianto
de uma vez por todas em todo o país.
IHU On-Line –
Há impactos sociais caso a lei seja aprovada?
Edson Duarte – Há.
Isso porque temos, logicamente, empregos ligados à cadeia do
amianto, desde a mina até o comércio. Mas não teremos
grandes impactos com a proibição do uso desse recurso,
porque a partir do momento em que o amianto seja banido, teremos outras
matérias diversas que podem substituí-lo. Não haverá
impacto significativo, até porque a cadeia do amianto é
hoje uma cadeia bastante restrita. O único local que poderia
sofrer um impacto maior é a cidade de Minas Sul, no interior
de Goiás, onde está localizada a única mina de
amianto do mineral no Brasil.
De qualquer forma, independente
do banimento, o amianto é um mineral não renovável,
então não tem como a cidade de Minas Sul ficar dependendo
deste mineral como única fonte de renda, como acontece hoje.
O que temos percebido é que em Goiás não há
uma preocupação das autoridades em fazer uma transição
necessária e inadiável.
IHU On-Line –
É verdade que as doenças do amianto não ocorrem
mais no Brasil?
Edson Duarte - Não é
verdade. Há uma invisibilidade das doenças do amianto
no Brasil. Há uma precariedade nos diagnósticos das doenças.
Hoje, o acompanhamento das pessoas é feito quase que exclusivamente
pelos médicos das empresas. Os trabalhadores não têm
a quem recorrer porque o sindicato do setor é comprometido também
com as empresas. É um sindicato que faz parte do movimento de
lobby pró-amianto. Assim, estes trabalhadores não tem
como receber outra avaliação, não há estrutura
pública que ofereça tanto exames quanto diagnósticos
que possam associar os problemas de saúde com o amianto.
O que nós sabemos é
que algumas das doenças que são associadas ao amianto
só aparecem depois de 30, 40 anos que o trabalhador teve contato
com a fibra. Hoje não podemos dizer de forma segura que não
há doentes no Brasil. É claro que os processos industrial
e de mineração mudaram muito no país, mas não
conseguiram garantir que o trabalho com amianto seja seguro e sem riscos.
Todas as formas de amianto são agressivas e prejudiciais à
saúde em todos os níveis de exposições e
em todos os níveis em relação ao número
de partículas em suspensão no ar. Isso é consenso
médico e científico.
IHU On-Line –
Antes mesmo da elaboração do dossiê, o senhor já
havia tomado posição contrária ao uso do amianto.
Por quê?
Edson Duarte - Eu encontrei
tantos doentes em função do amianto no Brasil e isso me
preocupou muito. Quando visitei as cidades Poções e Bom
Jesus da Serra, no interior da Bahia, fiquei assustado com o número
de doentes com problemas respiratórios que trabalharam na mina
de amianto da região ou tiveram algum contato com ela. Acredito
que precisamos conhecer esse assunto com profundidade e, definitivamente,
tomarmos a decisão de proibir o amianto no Brasil.
Não há razão
econômica, científica, tecnológica e comercial que
justifique a continuidade do uso desta fibra. Se Europa, Argentina,
Chile, Uruguai baniram, é preciso que o Brasil faça isso
logo. É preciso, também, que o governo brasileiro acompanhe
todos aqueles que trabalharam ou que tiveram contato com a produção
ou produtos feitos a partir do amianto. Essas pessoas precisam de acompanhamento
e tratamento e o governo deve exigir que isso seja bancado pelas empresas.
IHU On-Line –
Como é a cadeia de produção do amianto no Brasil?
Edson Duarte - A cadeia de produção
do amianto hoje no Brasil se restringe a uma mina que é uma das
maiores do mundo. Ela é de propriedade da SAMA S.A. - Minerações
Associadas que, por sua vez, pertence ao Grupo Eternit. Este é
o maior grupo econômico que transforma amianto em produtos como
telhas. Das novas empresas do Brasil, apenas três ainda usam filtros
a base de amianto, sendo que duas delas já anunciaram o interesse
de fazer a substituição. No setor de telhas já
temos uma série de produtos similares, feito com outros recursos
e com preços compatíveis. A própria Eternit já
oferece telhas sem o amianto.
IHU On-Line –
Como é feito o controle social na vigilância dos trabalhadores
expostos ao amianto e qual a efetividade dessa regulação?
Edson Duarte - Não há
controle, porque não existe estrutura pública para fiscalização
e acompanhamento. No Ministério do Trabalho nós contamos
apenas com uma profissional, que é uma das maiores especialistas
no Brasil em relação ao amianto. A Fundacentro, que deveria
acompanhar a questão da saúde, tem uma estrutura muito
limitada de profissionais para dar atenção a um problema
como o do amianto.
IHU On-Line –
Há alternativas, portanto, para o uso do amianto?
Edson Duarte – Existem
muitas alternativas. Os produtos que eram feitos com fibra do amianto
já estão utilizado recursos à base do petróleo,
fibras naturais e celulose. Há no mercado hoje material disponível
e não há necessidade de continuarmos explorando o amianto.
O Brasil deveria investir e financiar pesquisas para o aprimoramento
das alternativas, não só para o amianto, mas para toda
e qualquer produto que ofereça risco à saúde para
a população. Hoje, utilizando o amianto, estamos tendo
dois custos: 1) com o uso de uma tecnologia inadequada; e 2) com a saúde
pública daqueles que estão ficando doentes.
|
Gazeta do Povo, 20 de julho de 2010
Campo Largo
Schmidt paga salários e greve
termina
Os funcionários da Porcelana Schmidt, em Campo Largo (região
metropolitana de Curitiba), devem voltar ao trabalho hoje. O salário
do mês de junho, que deveria ter sido depositado no dia 5 de
julho, foi pago na manhã de ontem. Os 500 trabalhadores da
unidade paranaense da empresa estavam em greve desde o dia 13. Além
do pagamento dos salários de junho, ficou acertado que, amanhã,
a empresa vai quitar os R$ 60 referentes ao vale-mercado do mês
e, no dia 27, fará o depósito de 50% do valor do vale-transporte
que ainda não foi pago. Segundo Paulo Andrade, presidente do
sindicato que representa a categoria, os funcionários não
voltaram ao trabalho ontem porque o sindicato entendeu que eles precisavam
de um dia para pagar as contas e fazer compras, já que o salário
só foi pago com 15 dias de atraso. De acordo com o sindicato,
o piso salarial dos ceramistas é de R$ 688.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
19/07/2010
SDI-1: soldador de indústria de cana
de açúcar não é empregado rural
A função de soldador
de prensa hidráulica para extração de caldo de
cana-de-açúcar, que remete à atividade industrial,
pode ser considerada como a de um empregado rural? Para a Seção
I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho, não. Este é o posicionamento assumido pelo
colegiado, ao manter decisão da Terceira Turma que havia negado
o enquadramento como empregado rural a um ex-soldador da Usina São
Martinho S/A, com base na Súmula 196 do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com o STF, “ainda que exerça atividade rural,
o empregado de empresa industrial ou comercial é classificado
de acordo com a categoria do empregador”. No caso analisado, a
Terceira Turma havia negado o enquadramento a um soldador com base na
Súmula 126 do TST (impossibilidade de se rever provas). O empregado
recorreu da decisão por meio de embargos de declaração
e, posteriormente, opôs embargos, que foram analisados pela SDI-1.
Sustentou, nos recursos, que a decisão da Turma contrariava a
Súmula 196 do STF.
Ao analisar a matéria
na SDI-1, o relator, ministro Aloysio Correa da Veiga, afirmou, em seu
voto, ter tido o cuidado de buscar entender como é exercida a
atividade de um soldador na indústria de cana de açúcar.
Fazendo referência a um vídeo extraído da internet,
em que é demonstrada a função de um soldador durante
o processo de esmagamento contínuo da cana de açúcar,
o relator pode verificar que o empregado da Usina São Martinho
estava integrado ao processo de transformação industrial
da cana de açúcar.
Para o ministro “não
há como se entender que o simples fato de estar a indústria
instalada no campo possibilite que se considere rurícola seu
empregado”, portanto, a Súmula 196 do STF foi corretamente
aplicada pela Turma, que não enquadrou o empregado como rural.
Salientou ainda que “na medida em que ocorrendo a primeira transformação
do produto agrário, alterando a sua natureza e retirando-lhe
a condição de matéria prima, a atividade exercida
já se enquadraria como industrial.
Ficaram vencidos (negaram provimento),
quanto ao conhecimento do recurso, os ministros Lelio Bentes Corrêa,
Rosa Maria Weber e Luiz Philippe Vieira de Mello Filho; o ministro João
Oreste Dalazen, vice-presidente do TST, ressalvou seu entendimento quanto
ao mérito da questão.
O empregado já
recorreu da decisão por meio de recurso extraordinário.
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FETRACONSPAR, 20 de julho de 2010 | Eventos
Campanha Salarial/ Instalações
Elétricas
Fetraconspar e Sindicatos realizam 5ª
rodada de negociação com o SINELTEPAR
A FETRACONSPAR e
os Sindicatos de Trabalhadores, juntamente com o Sindicato
Patronal , realizaram nesta terça-feira (20/07), às 08h30,
na sede do Sindicato das Empresas de Eletricidade, Gás, Água,
Obras e Serviços do Estado do Paraná – SINELTEPAR,
sito à Rua Piauí, 1761 - Vila Guaira, Curitiba/PR, 5ª
reunião para discutir a Pauta de Reivindicações
dos trabalhadores da categoria visando a Convenção Coletiva
de Trabalho (CCT) 2010/2011. A data base da categoria é no mês
de junho.
A reunião foi entre a Comissão de Negociação
formada por diretores da Federação e dos Sindicatos de
Trabalhadores com os representantes do SINELTEPAR.
Participaram os companheiros: DENILSON PESTANA DA COSTA
(FETRACONSPAR/ SINTRACOM Londrina), JOSÉ CAETANO FERREIRA
(SOE Curitiba), JOSÉ THOMAZ (SOE Maringá)
e ALMIR DO ROSÁRIO ANDRADE PRADO (STICC Ponta
Grossa).
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