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GAZETA DO POVO, 21 de julho
de 2010 | Imóveis
Mercado
Setor moveleiro deve crescer 10% neste
ano
Redução do IPI e expansão
do crédito são os principais fatores apontados para o
crescimento do setor
Publicado em 21/07/2010 | Isadora Rupp, especial
para a Gazeta
A Associação Brasileira
das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel)
prevê que o crescimento do setor deve ser de 10% em 2010, índice
reiterado pelos sindicatos moveleiros do sul do país e por grandes
redes de varejo. A redução do IPI, expansão do
mercado imobiliário, ascensão da classe C e crédito
facilitado são alguns fatores que impulsionarão o setor
moveleiro neste ano, recuperando as perdas do final de 2008 e 2009,
por conta da crise econômica.
Arapongas, o segundo maior polo
moveleiro do país e primeiro do Paraná, teve um crescimento
de 6% em relação ao primeiro semestre do ano passado,
conseguiu diminuir a capacidade ociosa nas fábricas e espera
um segundo semestre ainda melhor. “Historicamente, o
fim do ano é positivo para o setor, esperamos superar os 10%”,
diz o presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis
de Arapongas (Sima), Nelson Poliseli. A Abimóvel também
aguarda uma melhora nos índices da mão de obra ociosa
nas fábricas. “Conseguimos uma recuperação
de pelo menos 5%”, salienta o presidente da associação,
José Luiz Diaz Fernandez.
Em Bento Gonçalves (RS),
que concentra 30% da produção nacional, a indústria
moveleira também espera uma retomada nas vendas, principalmente
as destinadas para seus compradores internacionais como Argentina,
Reino Unido, Chile e Uruguai. “Viemos de um 2009 muito
recessivo, 2010 será essencial para adequação do
mercado”, ressalta o presidente do Sindicato do setor de Bento
Gonçalves (Sindmóveis), Glademir Ferrari.
Investimento em design, produção
com materiais sustentáveis e foco no mercado interno foi a saída
encontrada pelo polo de São Bento do Sul (SC) para recuperar
as perdas de 2008. Em 2009, o faturamento foi de R$ 815,5 milhões
e, para 2010, a expectativa é de faturamento 10% maior, segundo
o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção
de Mobiliário da cidade (Sindusmobil), Daniel Lutz.
“Criamos novos produtos e solidificamos a ideia do biomóvel
para todo o país. O nosso principal empecilho é conseguir
competir com os preços dos produtos asiáticos.”
A região tem investido na fabricação de móveis
sustentáveis, que respeitam normas ambientais nacionais e internacionais,
utilizam madeira renovável e tecnologia limpa. Atualmente, 25
empresas integram o Arranjo Produtivo Local (APL) e estão diretamente
ligadas ao modelo ecologicamente correto no setor.
Porém, os três
sindicatos moveleiros da região sul reclamam de um problema que
encarece os produtos: o aumento de, em média, 9% nas matérias-primas
e insumos como chapas e painéis de madeira. “Isso encareceu
o produto final e foi inviável repassar o preço ao varejo”,
diz Ferrari, do Sindmóveis. “O governo reduziu o IPI, mas
os painéis subiram. No fim das contas, o reflexo foi menor do
que o esperado, o preço poderia ter sido reduzido para
o consumidor”, acredita Poliseli, do Sima.
No varejo, redes como a Tok&Stok
preveem um crescimento acima do índice da Abimóvel.
“É uma boa recuperação após um 2009
abaixo do esperado. Devemos crescer na casa dos dois dígitos”,
diz o gerente de expansão e novos negócios Paul Dubrule.
Na mega loja inaugurada em Curitiba em abril do ano passado, as vendas
estão 20% acima da expectativa inicial.
A Rede Etna, cuja inauguração
na capital está prevista para outubro, no Park Shopping Barigui,
também espera boas vendas na cidade e pretende crescer mais de
10%. “É um negócio que deu certo, por isso estamos
com uma estratégia bem agressiva para os próximos cinco
anos, com meta de abrir 60 lojas em vários estados”, diz
o gerente de expansão, Heitor Soubihe.
A Lojas KD, de Curitiba,
cujo foco são as vendas pela loja virtual, se beneficiou, além
da redução do IPI, com o crescimento nas compras pela
internet e pretende vender 10% a mais do que em 2009. “Uma redução
de preço sempre ajuda a alavancar as vendas. Já estamos
nos preparando para o fim do ano com compras e estoque, esperamos um
bom movimento”, diz o proprietário Nelso Fiorin.
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GAZETA DO POVO, 21 de julho
de 2010 | Economia
Trabalho
Com economia aquecida, cresce a
pressão por reajustes salariais
Total de categorias com aumento superior à
inflação deve bater recorde em 2010. Sindicatos prometem
ganhos reais de até 10% acima do INPC
Publicado em 21/07/2010 | Fernando Jasper
O forte crescimento da economia,
a escassez de mão de obra qualificada e a queda do desemprego
devem inflar os reajustes salariais deste segundo semestre. Embalados
pelo sucesso das negociações do ano passado, quando a
economia brasileira mal havia saído da crise, sindicatos paranaenses
prometem exigir aumentos reais – acima da inflação
– ainda maiores em 2010. Enquanto em 2009 os ganhos reais no estado
ficaram entre 1% e 2% na maioria dos casos, desta vez os trabalhadores
prometem exigir porcentuais de 3% a 10% superiores ao Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado como referência
pelos sindicatos.
Segundo o Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a tendência
é que o total de categorias profissionais com reajuste superior
à inflação bata recorde neste ano, superando a
marca de 2007, quando 87,7% das negociações de todo o
Brasil terminaram com ganhos reais para os trabalhadores. No ano passado,
apesar da crise econômica, o índice foi de 79,9% no país,
o terceiro maior da série histórica iniciada em 1996.
“Neste ano deve subir não apenas o total de acordos com
ganho real, como os próprios reajustes obtidos pelos trabalhadores.
Os índices devem ser de, no mínimo, 2% acima do INPC”,
prevê Cid Cordeiro, economista do escritório paranaense
do Dieese.
Os acordos fechados no primeiro
semestre servirão de combustível extra às negociações
dos próximos meses. Entre janeiro e junho, funcionários
da rede privada de saúde do Paraná conseguiram aumento
de 1,4% acima da inflação; no comércio, os ganhos
foram de 1,65% e, no setor de serviços, chegaram a 3,53%. Operários
das indústrias de bebidas e eletroeletrônicos receberam
1% e 3%, respectivamente.
“Os sindicatos ligados à central devem pedir de 5% a 10%
de aumento real”, avisa Marisa Stédile, secretária-geral
da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Na Força Sindical,
a ordem é conseguir índices de ganho real maiores que
os obtidos no primeiro semestre, que ficaram entre 1,5% e 2%, diz o
secretário-geral da Força no Paraná, Clementino
Vieira. A Fetiep, federação que reúne categorias
industriais não organizadas em sindicatos, pretende exigir INPC
mais metade da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) –
ou seja, 3,6% de aumento real, considerando-se a estimativa de que o
PIB crescerá 7,2% neste ano.
O Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba (SMC) pretende arrancar das montadoras e de outras
empresas do setor um reajuste real superior a 3,7%. “Esse foi
o índice mais baixo que conseguimos em 2009, um ano que começou
bastante complicado. Como 2010 é um ano muito melhor, o índice
tem de ser mais alto”, diz Jamil Dávila, secretário-geral
do SMC.
“Astronômicos”
Os bancários devem fechar
sua pauta de reivindicações no próximo fim de semana,
em sua conferência nacional. Mas já anunciam que vão
pedir, no mínimo, o repasse do INPC acumulado em 12 meses –
que deve ficar em 5,5% em setembro, segundo previsão do Dieese
– mais 5% de aumento real. “Os bancos fazem parte de um
setor que, com crise ou sem crise, sempre apresenta resultados astronômicos.
Nada mais justo que dividi-los com os trabalhadores”, argumenta
Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários de
Curitiba e Região.
Aumento
eleva custos e gera mais inflação, dizem empresários
Sindicalistas costumam argumentar que, ao elevar o poder de compra dos
trabalhadores, gordos reajustes salariais beneficiam toda a economia.
Mas empresários e economistas ponderam que, ao elevar os custos
das empresas e estimular fortemente o consumo, aumentos muito superiores
à inflação podem gerar ainda mais inflação.
“Além da questão
inflacionária, no Paraná temos um piso regional que é
um dos maiores do país. Para a indústria, é de
R$ 714, enquanto em São Paulo é de R$ 570. Nessa situação,
pedir aumento real de 3% é extrapolar a realidade do mercado”,
diz Amílton Stival, coordenador do conselho temático de
relações de trabalho da Federação das Indústrias
do Paraná (Fiep).
“Há espaço
para aumento real, mas é preciso cuidar com o tamanho dele. Pressões
adicionais sobre os preços vão se refletir em juros mais
altos no futuro, que por sua vez frearão a economia. E aí
todos perdem”, alerta o economista Luciano Nakabashi, professor
da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Despesas
Para o bancário Luiz
Pizetta, no entanto, os ganhos dos últimos anos foram “reais”
apenas em relação ao INPC. “As despesas da classe
média sobem muito mais que a inflação medida pelo
INPC. A gente ganha aumento de 7%, mas o colégio particular sobe
12%. Então eu não posso dizer que meu poder aquisitivo
cresceu.”

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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de julho de 2010 | Economia
Saneamento básico aumenta renda
de trabalhador
A implantação da rede de esgoto reflete positivamente
na qualidade de vida do trabalhador, o que aumenta sua produtividade
e sua renda, além de contribuir para a valorização
dos imóveis. A conclusão é da pesquisa "Benefícios
econômicos da expansão do saneamento básico",
divulgada hoje pelo Instituto Trata Brasil e pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV). Segundo a pesquisa, apesar dos investimentos
feitos no setor, apenas 43,5% dos brasileiros são atendidos pela
rede de esgoto.
A pesquisa revela ainda que,
por ano, 217 mil trabalhadores precisaram se afastar de suas atividades
devido a problemas gastrointestinais ligados à falta de saneamento.
A cada afastamento são perdidas 17 horas de trabalho, em média.
A probabilidade de uma pessoa com acesso à rede de esgoto faltar
às suas atividades por diarreia é 19,2% menor que uma
pessoa que não tem acesso à rede. Considerando o valor
médio da hora de trabalho no País de R$ 5,70 e os afastamentos
provocados apenas pela falta de saneamento básico, os custos
chegam a R$ 238 milhões por ano em horas pagas e não trabalhadas.
Segundo o estudo, ao ter acesso à rede de esgoto, um trabalhador
aumenta sua produtividade em 13,3% permitindo assim o crescimento de
sua renda na mesma proporção. A estimativa é que
a massa de salários, que hoje gira em torno de R$ 1,1 trilhão,
se eleve em 3,8%, provocando um aumento na renda de R$ 41,5 bilhões
por ano.
O estudo também
apurou que em 2009, de acordo com Datasus - o banco de dados do Sistema
Único de Saúde (SUS) -, dos 462 mil pacientes internados
por infecções gastrointestinais, 2.101 morreram no hospital.
Cada internação custa, em média, R$ 350. "Com
a universalização do acesso à rede esgoto teríamos
uma economia de R$ 745 milhões em internações ao
longo dos anos. Com o acesso universal ao saneamento, haveria uma redução
de 25% no número de internações e de 65% na mortalidade,
ou seja, 1.277 vidas teriam sido salvas", afirma Fernando Garcia,
coordenador da pesquisa da FGV.
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BEM PARANÁ, 21 de
julho de 2010 | Artigos
Nível de emprego
Gilmar Mendes Lourenço
Uma observação da experiência internacional permite
constatar a falta de correlação entre a redução
da jornada de trabalho e aumento do nível de emprego. Por exemplo,
na França, enquanto a atropelada diminuição do
tempo dedicado ao trabalho, feita em 1982, reduziu em 4,0% a oferta
de trabalho – o que provocou a migração de investimentos
para outros países da União Européia com jornadas
maiores e legislação trabalhista mais flexível
–, a contração negociada de 1998 promoveu, na melhor
das hipóteses, a estabilização do emprego.
Na verdade, as organizações,
em especial as privadas, priorizam, estruturalmente, a perseguição
da neutralização dos acréscimos nas despesas de
produção, por meio da intensificação do
uso da mão de obra já contratada, com a instituição
de turnos adicionais de trabalho e com a modernização
e automação dos processos produtivos e gerenciais, mediante
à introdução de inovações tecnológicas
e de gestão, sob pena de contabilização de perdas
de produtividade e competitividade.
Já a lógica conjuntural
do ajuste de custos é mais nociva, pois preconiza a preservação
das margens de rentabilidade, ou a anulação da impulsão
de gastos, por meio de deliberações e atitudes de contração
da produção e do pessoal empregado, abrindo espaço
para a ascensão dos dispêndios associados à ociosidade
do capital fixo, e/ou da ativação da espiral salário/custo/preço,
principalmente em cenários de diminuta concorrência e/ou
elevado grau de oligopolização setorial. Em qualquer dessas
situações, delineiam-se círculos viciosos de queda
na renda, investimento e emprego.
No Brasil, a reestruturação
defensiva acontecida nos primórdios da década de 1990,
em resposta ao clima de abertura com recessão, imposto pelo encaixe
na globalização financeira, e a ofensiva pós 2003,
no sentido da diversificação dos da pauta e dos mercados
de destino das exportações, ladeadas pela consolidação
da estabilização monetária, recuperação
do crédito e disseminação das iniciativas oficiais
de transferência de renda, ensejaram notável realinhamento
da estrutura de preços relativos e reorganização
arrumação das posições dentro do conflito
distributivo, particularmente na equação lucros versus
salários, integrante da matriz de apropriação do
resultado da atividade econômica.
Gilmar Mendes Lourenço
é Economista, Coordenador do Curso de Ciências Econômicas
e Editor da Revista “Vitrine da Conjuntura” da FAE Centro
Universitário, Conselheiro do Conselho Regional de Economia do
Paraná (Corecon) e Diretor do Sindicato dos Economistas do Estado
do Paraná (Sindecon). Autor do livro “Conjuntura Econômica:
Modelo de Compreensão para Executivos”. Ele escreve às
quartas-feiras neste espaço
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Blog do Planalto, 21 de julho
de 2010
Jovens querem trabalhar, empresários
querem contratar – boa equação
O Brasil tem muitos jovens beneficiários
do Bolsa Família que estão procurando qualificação
profissional e empresários interessados em contratar mão-de-obra
para os muitos projetos em andamento no País hoje, principalmente
nos setores de construção civil e turismo.
Pensando em ambos, os ministérios
do Trabalho e Emprego (MTE) e do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome (MDS) estão divulgando o caminho das pedras para que os
novos profissionais e os empresários possam se encontrar por
meio de folhetos que trazem a lista de entidades conveniadas para execução
das ações de qualificação do programa nos
dois setores.
Atualmente, o programa Próximo
Passo (que qualifica os jovens beneficiários do Bolsa Família)
oferece 172 mil vagas de qualificação em construção
civil e turismo - setores aquecidos graças aos muitos projetos
em andamento no País hoje, principalmente visando a Copa do Mundo
de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Os interessados devem procurar
os centros de referência de assistência social (Cras) ou
postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine) mais próximos para
se inscreverem nos cursos. O candidato deve ter mais de 18 anos e ter
concluído a quarta série do ensino fundamental.
A assessora da Casa Civil Isabel
Costa explicou que as empresas que tenham interesse na contratação
de jovens e adultos que passaram pelos bancos do Próximo Passo
podem buscar em cada unidade da federação entidades, sejam
no âmbito dos estados ou municípios (rede de trabalho e
rede de assistência social), bem como instituições
executoras dos cursos de qualificação profissional (como
por exemplo o Senai) e entidades empresariais, que fazem a aproximação
com jovens e adultos qualificados por intermédio do Próximo
Passo.
Os empresários interessados
em contratar os trabalhadores recém-formados podem ligar para
0800 707 2003 ou (61) 3317-6995 ou 3317-6931 e obter a lista dos qualificados.
Clique aqui
e aqui
para ver as listas do setor de construção civil.
Clique aqui
e aqui
para ver as listas do setor de turismo.
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O Globo, 21 de julho de
2010
Analistas preveem juro básico
a 11%. Copom decide nesta quarta (21)
"Ainda é cedo para o BC reduzir
o seu ritmo de alta. As expectativas de inflação melhoraram
para este ano, mas não para 12 meses", afirmou o economista-chefe
da Austin Asis, Alex Agostini, para quem a Selic encerra este ano a
12,25%. Copom se reúne hoje e nesta quarta-feira (21)
Por Patrícia Duarte,
Na Agencia O Globo
Apesar dos sinais claros de
desaceleração da economia e da inflação,
o mercado segue apostando que o Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central (BC) elevará a taxa básica de
juros (Selic) em 0,75 ponto percentual amanhã, ou seja, para
11% ao ano, segundo o boletim Focus. Mas essa não é a
avaliação geral.
No levantamento, há visões
divergentes, que acreditam numa redução desse ritmo, para
alta de 0,50 ponto percentual.
Se confirmada a elevação
maior, será a terceira seguida nessa magnitude e vem, sobretudo,
na esteira de expectativas elevadas de inflação para 2011.
Para o ano, as contas permaneceram em 12%.
- Ainda é cedo para o
BC reduzir o seu ritmo de alta. As expectativas de inflação
melhoraram para este ano, mas não para 12 meses - afirmou o economista-chefe
da Austin Asis, Alex Agostini, para quem a Selic encerra este ano a
12,25%.
No mercado futuro de juros e
para alguns especialistas, há estimativas de que a autoridade
monetária reduzirá o ritmo de alta dos juros nesta semana.
O aumento viria em 0,5 ponto percentual, como defendeu ontem a equipe
do Bradesco.
Pelo Focus, o mercado reduziu
as estimativas sobre o IPCA deste ano, de 5,45% para 5,42%, e manteve
a de 2011 em 4,80%. Para a inflação em 12 meses, subiu
de 4,90% para 4,96%.
Bovespa
avança com "commodities" e construtoras
Impulsionada por ações ligadas a commodities e construção,
a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta ontem.
O Ibovespa subiu 1,54%, aos 63.297 pontos.
O volume negociado foi de R$
6,758 bilhões, influenciado pelo exercício de contratos
de opções sobre ações, que movimentou R$2,42
bilhões. Entre as maiores altas do Ibovespa, Cyrela ON (3,93%),
MRV ON (3,78%) e Gafisa ON (3,21%).
A ação Vale PNA
(preferencial, sem direito a voto) subiu 2,61%, e a ON, 2,80%. A maior
alta do Ibovespa foi Brasil Telecom PN (4,61%), seguida por Usiminas
ON, de 4,08%. Petrobras PN avançou 0,41% e a ON, 0,72%. A despeito
da alta da Bovespa, o dólar fechou com valorização
de 0,23%, a R$1,786. Esta foi a quarta alta seguida da moeda.
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Folha de S.Paulo, 21 de
julho de 2010
Guerra ao terror já custa US$ 1
trilhão
Valor só é menor que o dos confrontos
de entre 1939 e 1945; cifra equivale a mais da metade do PIB brasileiro
| Guerra do Iraque consumiu sozinha US$ 784 bilhões; mas EUA
lembram que paralelos são "problemáticos"
CRISTINA FIBE
DE NOVA YORK
O custo das operações
militares dos EUA pós-11 de Setembro ultrapassou US$ 1 trilhão
(quase R$ 1,8 tri), fazendo da "guerra ao terror" a segunda
mais cara desde a Independência (em 1776), atrás apenas
da Segunda Guerra.
O valor gasto até agora, que exclui assistência financeira
a aliados e benefícios pagos a veteranos, é equivalente
a mais da metade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro -de R$ 3,143
trilhões (US$ 1,75 tri) em 2009.
Segundo o relatório do Serviço de Pesquisas do Congresso,
a Segunda Guerra custou mais de US$ 4,1 trilhões, corrigidos
para hoje -ou US$ 296 bilhões à época, equivalentes
a 35,8% do PIB dos EUA de então.
A Guerra do Iraque, sozinha, já custou aos bolsos americanos
US$ 784 bilhões; no Afeganistão e em outras operações
antiterrorismo foram gastos outros US$ 321 bilhões. Juntas, as
operações consumiram o equivalente a 8% do PIB dos EUA
de 2009, que foi de US$ 14,4 trilhões.
PROBLEMAS
Apesar de comparar as guerras em que os EUA se envolveram nos últimos
230 anos, o documento ressalva que os paralelos são "problemáticos".
"Uma questão é separar os custos das operações
militares dos custos das forças em tempos de paz", diz.
"Outra é comparar preços de épocas diferentes."
O relatório cita ainda o fato de as guerras "parecerem mais
caras ao longo do tempo conforme a sofisticação e o custo
da tecnologia avançam, tanto para atividades civis quanto militares".
O documento também ressalta que o Congresso americano está
considerando um pedido de orçamento suplementar de US$ 33 bilhões
para o ano fiscal de 2010 e que o governo pediu outros US$ 159 bilhões
para 2011.
Segundo dados do 2007 do Congresso, o custo dos combates no Afeganistão
e Iraque pode chegar a US$ 2,4 trilhões em 2017, mais que o dobro
da cifra atual. No início da guerra no Iraque, em 2003, o governo
Bush estimou seu custo entre US$ 50 e US$ 60 bilhões.
Pouco antes de o conflito começar, o conselheiro econômico
da Casa Branca, Larry Lindsey, causou constrangimento ao afirmar que
ela poderia custar US$ 200 bilhões. Em 2008, o Nobel de Economia
Joseph Stiglitz calculou que a conta iria a US$ 3 trilhões, fora
o Afeganistão.
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TSE, 21 de julho de 2010
Eleitorado cresce 8,5% e chega
a quase 136 milhões de brasileiros
Os números do eleitorado das Eleições 2010 mostram
que houve um crescimento de 8,5% em relação a 2006, ano
das últimas eleições gerais. Ao todo, estão
aptos a votar no próximo dia 3 de outubro 135.804.433 eleitores
em todo o País. Em 2006, eram pouco mais de 125 milhões.
Dois anos depois, quando os brasileiros votaram nas eleições
municipais, já havia crescido 4%. Essa evolução
inclui os eleitores de 16 e 17 anos, que nas Eleições
2010 representam 1,7% do eleitorado, sendo no total 2.391.352.
Mulher é Maioria
Assim como nas eleições
gerais de 2006 e 2002, as mulheres continuam a compor a maioria do eleitorado
brasileiro em 2010, correspondendo a 51,8%, ou 70.373.971 eleitoras.
Já o eleitorado masculino representa 48%, somando 65.282.009.
Em 2006, o eleitorado feminino
correspondia a 51,5% (64.882.283) e o masculino somava 48,3% (60.853.563).
Faixa etária
Em geral, a maioria do eleitorado
está concentrada na faixa etária de 25 a 34 anos, com
32.790.487 eleitores (24,1%). Em seguida estão os eleitores que
têm entre 45 a 59 anos, com 30.753.427 (22,6%).
Distribuição por Estado
O Estado de São Paulo
é o maior colégio eleitoral do país e concentra
22,3% dos eleitores, sendo 30.301.398 votantes no total. Minas Gerais
ocupa o segundo lugar, com 10,6%, somando 14.522.090 eleitores.
Em seguida, Rio de Janeiro,
com 11.589.763 (8,5%); Bahia, com 9.550.898 (7%); e Rio Grande do Sul,
com 8.112.236 (5,9%). Do total, 200.392 eleitores vão votar no
exterior, apenas para os cargos de presidente e vice-presidente da República.
Os números de eleitores
por Estado podem ser alterados em razão do voto em trânsito.
Fonte: TSE
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Valor Econômico, 21
de julho de 2010
Eleições 2010: com
Ficha Limpa, candidaturas impugnadas chegam a 3 mil
A entrada de São Paulo no ranking de impugnações
elevou para quase 3 mil o número de candidatos com problemas
na Justiça Eleitoral. Ontem, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
começou a divulgar os dados de candidaturas impugnadas no estado.
Até as 20h, a Corte havia
registrado o questionamento de 301 registros dos 3.154 políticos
que se lançaram na disputa por cargos.
Com isso, o total de candidaturas
impugnadas na Justiça Eleitoral chegou a 2.967. Pelo sistema
do tribunal, não é possível detalhar quantas impugnações
foram pedidas pelo Ministério Público, e quantas foram
solicitadas por partidos e candidatos.
As impugnações
podem ser solicitadas por Ministério Público, siglas e
candidatos para impedir a aprovação do registro pela Justiça
Eleitoral.
As falhas apontadas na impugnação
podem ir desde a falta de documentos a denúncias com intuito
de impedir que políticos "fichas-sujas" disputem as
eleições.
Os tribunais regionais, no entanto,
informaram que a maioria das impugnações foi motivada
por falhas na documentação enviada pelos candidatos, como
falta de certidões negativas na Justiça.
O TSE não havia registrado
até nenhum pedido de impugnação dos nove candidatos
que disputam a Presidência da República.
O nome do deputado federal Paulo
Maluf (PP-SP) não figura entre os candidatos com problemas na
Justiça. É um indício de que o número de
candidaturas impugnadas ainda deve aumentar. O TSE tem até o
fim do dia amanhã para finalizar a lista de candidatos questionados
na Justiça Eleitoral.
Por enquanto, Minas Gerais,
o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás
apenas de São Paulo, lidera o ranking dos pedidos de impugnação.
De um total de 1.701 registros
de candidatura, 614 foram impugnadas, segundo balanço divulgado
pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) na última sexta-feira
(14).
O estado de Alagoas ocupa a
segunda posição em números absolutos, mas em cálculo
proporcional - quando são comparados o número de candidaturas
registradas e o número de questionamentos -, o estado lidera.
Dos 438 políticos que
se lançaram candidatos, 429 tiveram a candidatura impugnada,
o equivalente a 97,9% dos registros.
Até agora, Rondônia
ocupava o terceiro lugar, com 327 candidaturas impugnadas, de um total
de 477 políticos registrados.
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Folha de S.Paulo, 21 de julho
de 2010
Candidato de R$ 92 mi vive em casebre
na periferia de SP
Sexto mais rico, Selmo Santos declarou faculdade
de R$ 80 mi que não existe | Candidato pelo DEM já foi
preso pela PF por tráfico e responde a processos por falsidade
ideológica e estelionato
BRENO COSTA
DE SÃO PAULO
Dono do sexto maior patrimônio
entre os mais de 5.700 candidatos a deputado federal no país,
Selmo Santos (DEM-SP) declarou à Justiça Eleitoral possuir
participação de R$ 80 milhões numa universidade
que não existe.
Apesar de declaradamente milionário, o endereço oficial
da candidatura de Selmo Santos, 37, é uma casa simples, com tijolos
à mostra, sem campainha, vigiada por um vira-lata e com roupas
estendidas em um varal.
Segundo vizinhos, Selmo mora no local com a mãe, mas eles disseram
não saber o telefone da residência. Seu advogado, André
Luiz Stival, confirma que ele reside na casa. A Folha foi ao local na
segunda-feira, mas não havia ninguém em casa.
Procurado desde sexta, Santos, por meio do advogado, não deu
explicação sobre a discrepância entre patrimônio
declarado e realidade.
"Aí é com ele e com a Receita Federal", afirmou.
Em março deste ano, Santos foi condenado a um ano e dois meses
de prisão, em regime semiaberto, por estelionato. A sentença
é da 11ª Vara Criminal de São Paulo.
Em 2004, ele já havia sido preso em flagrante pela Polícia
Federal por tráfico de drogas. Ainda responde a dois outros processos:
um por falsidade ideológica, e outro por estelionato.
No registro de sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral, Santos
se diz "diretor de estabelecimento de ensino" e dono de bens
num total de R$ 91,6 milhões.
Além de diretor da Unilma (Centro Universitário Livre
do Meio Ambiente), Santos tem carteira de estagiário da OAB e
já atuou como defensor de acusados por tráfico e roubo
em processos.
O Ministério da Educação não tem nenhum
registro da Unilma. A faculdade, apesar de não existir, conta
com brasão e estatuto registrado em cartório. Está
formalmente sediada numa casa na zona leste de São Paulo, segundo
registros na Receita Federal. A família que mora ali diz nunca
ter ouvido falar da instituição ou de Santos.
O estatuto da entidade prevê, como uma de suas fontes de renda,
"doações e contribuições de pessoas
físicas e jurídicas nacionais, estrangeiras e internacionais".
Além da participação na universidade, a declaração
de bens de Santos inclui, entre outros, dois imóveis em regiões
de luxo em São Paulo e R$ 4 milhões aplicados em caderneta
de poupança.
Ele consta como um dos três fundadores da entidade, em maio de
2002. À época, tinha 29 anos. Além dele, outras
duas pessoas assinam a ata de fundação da instituição:
o reitor Luiz Alberto Ribeiro e a pró-reitora acadêmica
Maria das Dores Oliveira.
Na ata, ambos declaram morar numa mesma casa na Vila Brasilândia,
uma das regiões mais pobres de São Paulo, na zona norte.
Selmo é um dos 31 candidatos à Câmara pelo DEM-SP.
O processo de definição dos nomes do partido foi acompanhado
de perto pelo presidente do diretório estadual e prefeito de
São Paulo, Gilberto Kassab.
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Agência Senado, 21
de julho de 2010
PEC de Arthur Virgílio prevê
eleição em caso de vacância no cargo de presidente
da República
Tramita na Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) proposta
de emenda à Constituição do senador Arthur Virgílio
(PSDB-AM) que retira do vice-presidente da República e dos suplentes
de senador a condição de sucessores dos respectivos titulares.
Outra das alterações sugeridas é a realização
de eleição para senador no caso de o cargo ficar vago
pelo titular a mais de 15 meses do final do seu mandato.
O relator da proposta (PEC
32/06), senador Demóstenes Torres (DEM-GO), apresentou voto
favorável a sua aprovação, na forma de um substitutivo.
Ele excluiu da PEC, por exemplo, a questão dos suplentes de senador.
Demóstenes lembrou que no início de 2008 a própria
CCJ já aprovou substitutivo à PEC
11/03 estipulando que cada senador será eleito com um suplente,
desde que ele não seja seu cônjuge, parente consanguíneo
ou por afinidade, até o segundo grau ou por adoção.
Também determina que se ocorrer vaga de senador, o suplente será
convocado para exercer o mandato até a eleição
geral ou municipal mais próxima.
"Por ter sido aprovada
recentemente uma mudança no texto constitucional para alterar
a forma de eleição de suplente de senador e que contempla,
em boa medida, o que aqui se propõe quanto a essa matéria,
sugere-se a apresentação de substitutivo à PEC
32, de 2006, para tratar apenas de eleição para deputado,
quando não houver suplente, e para o caso de vacância da
Presidência da República", explica Demóstenes
Torres.
O substitutivo de Demóstenes
estipula que ocorrendo vaga de deputado e não havendo suplente,
será realizada eleição para preenchê-la desde
que faltem mais de 15 meses para o término do mandato. Também
estabelece que havendo vaga no cargo de presidente da República
o vice-presidente assume interinamente e será feita eleição
90 dias depois de aberta a vaga. Se a vacância ocorrer nos últimos
dois anos do período presidencial, a eleição será
realizada em 30 dias após a abertura da vaga, pelo Congresso
Nacional. O eleito deverá completar o período do seu antecessor.
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Agência Câmara,
21 de julho de 2010
Câmara aumentou índice
de reajuste de aposentadorias
Como parte do balanço de votações
do primeiro semestre na Câmara, leia agora as matérias
sobre Previdência e agricultura.
O aumento do reajuste dos aposentados
da Previdência Social de 6,14% para 7,72% foi uma das maiores
mudanças feitas pela Câmara na Medida Provisória
475/09, aprovada em maio. O reajuste vale para as aposentadorias acima
de um salário mínimo e já é lei (12.254/10).
Nas negociações
feitas na Casa, o governo defendeu o índice de 7%, mas a maior
parte dos partidos manteve os 7,72%, que correspondem à inflação
acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPCMede a variação de preços da cesta de consumo
das famílias de baixa renda, com salário de um a seis
mínimos, entre os dias 1º e 30 do mês de referência.
Abrange nove regiões metropolitanas do País (São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza,
Belém, Porto Alegre e Curitiba), além do município
de Goiânia e de Brasília. O índice é calculado
pelo IBGE desde 1979 e é muito utilizado como parâmetro
para reajustar salários em negociações trabalhistas.)
mais 80% da variação do Produto Interno Bruto (PIBIndicador
que mede a produção total de bens e serviços finais
de um país, levando em conta três grupos principais: -
agropecuária, formado por agricultura extrativa vegetal e pecuária;
- indústria, que engloba áreas extrativa mineral, de transformação,
serviços industriais de utilidade pública e construção
civil; e - serviços, que incluem comércio, transporte,
comunicação, serviços da administração
pública e outros. A partir de uma comparação entre
a produção de um ano e do anterior, encontra-se a variação
anual do PIB.) de 2008 para 2009.
O fim do fator previdenciárioO
fator previdenciário atinge apenas as aposentadorias do regime
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ao qual são vinculados
trabalhadores do setor privado e servidores públicos regidos
pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Hoje, a
aposentadoria por tempo de contribuição pode ser requerida
após 35 anos de contribuição para homens, ou 30
para mulheres. O valor da aposentadoria resulta do cálculo das
médias dos maiores salários de contribuição
a partir de julho de 1994 – entram no cálculo apenas os
8 maiores em cada 10 salários de contribuição.
O valor da média obtida por essa conta deve ser multiplicado,
então, pelo fator previdenciário — calculado com
base na alíquota de contribuição, na idade do trabalhador,
no tempo de contribuição e na expectativa de vida. A expressão
salário de contribuição não é um
equivalente perfeito de salário, porque os segurados com um salário
maior que o teto da Previdência terão um salário
de contribuição limitado a esse último valor. a
partir de 1º de janeiro de 2011 foi outro ponto incluído
pelos deputados, mas foi vetado pelo presidente da República.
Esse fator é uma fórmula que reduz, na maioria das vezes,
os valores dos benefícios da Previdência em relação
ao salário de contribuição.
Aposentadoria
especial
Para as pessoas com deficiência, o Plenário da Câmara
aprovou o Projeto de Lei Complementar 277/05, que permite a aposentadoria
com menos tempo de contribuição à Previdência
Social. A matéria está sendo analisada pelo Senado.
No caso de deficiência
moderada, os homens poderão se aposentar com 27 anos de contribuição
e as mulheres com 22 anos. São três a menos que a regra
atual. Se a deficiência for grave, a pessoa poderá se aposentar
com 25 anos de contribuição (homem) e 20 anos (mulher).
A redução é de cinco anos sobre a norma vigente.
De acordo com o texto aprovado,
os segurados terão de comprovar que possuíam a deficiência
durante todo o período de contribuição.
A aposentadoria por idade também
poderá ser requisitada aos 60 anos, no caso do homem, e aos 55
anos, para a mulher. O benefício reduz em cinco anos o tempo
exigido atualmente.
O grau de deficiência
será atestado por perícia médica do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS) a cada cinco anos. No caso de agravamento da
doença, o segurado poderá pedir uma perícia antecipada.
Isso possibilitaria a mudança de enquadramento de deficiência
moderada para grave, por exemplo.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
21/07/2010
Quinta Turma decide regra de correção
monetária em débito trabalhista
Por unanimidade de votos, a
Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento a recurso
do Banco Mercantil de São Paulo (adquirido pelo Bradesco) para
determinar a incidência de correção monetária
pela demora no pagamento de débitos trabalhistas a partir do
primeiro dia do mês seguinte ao da prestação de
serviço.
Segundo a relatora do recurso
de revista do banco, ministra Kátia Magalhães Arruda,
essa matéria já está consolidada na Súmula
nº 381 do Tribunal, ao prever que o pagamento dos salários
até o quinto dia útil do mês subseqüente ao
vencido não está sujeito à correção
monetária. Se essa data for ultrapassada, aí sim incidirá
o índice da correção monetária do mês
subseqüente ao da prestação dos serviços,
a partir do dia primeiro.
O banco recorreu ao TST depois
de ter sido condenado pelo Tribunal do Trabalho de São Paulo
(2ª Região) a pagar correção monetária
sobre os débitos de forma diferente. Para o TRT, comprovado o
recebimento de salários no mês da prestação
de serviços, a correção monetária deve ser
calculada a partir do próprio mês da prestação
de serviços em caso de inadimplência.
De fato, reconheceu a relatora,
a atualização pela demora no pagamento de débitos
trabalhistas é cabível entre a data de vencimento da obrigação
e a do seu efetivo pagamento, nos termos do artigo 39 da Lei nº
8.177/1991. Na hipótese de salário mensal, portanto, o
pagamento deve ser efetuado até o quinto dia útil do mês
subseqüente ao da prestação do trabalho.
Assim, como o empregador só
fica inadimplente se não efetuar o pagamento até o quinto
dia útil do mês subseqüente ao vencido, o término
do mês de trabalho não implica o automático vencimento
da obrigação de pagar o salário. Isso significa
que a aplicação de eventual correção monetária
por atraso no pagamento do débito deve seguir a orientação
da Súmula nº 381 do TST. (RR- 133200-14.2005.5.02.0078)
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21/07/2010
Quinta Turma: Volkswagen terá que
pagar horas in itinere
Para a Quinta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, que acompanhou por unanimidade o voto de relatoria
do ministro João Batista Brito Pereira, a Volkswagen do Brasil
deve pagar as horas in itinere de um ex-empregado, correspondentes ao
tempo gasto por ele no percurso entre a portaria da empresa e o seu
local de serviço. Na ação trabalhista, o trabalhador
fundamentou seu pedido sob o argumento de que, no período utilizado
no trajeto da portaria até o setor de trabalho, ele manteve-se
à disposição da empresa, e que a Orientação
Jurisprudencial Transitória 36 da SDI-1 do TST é aplicável
a todos os casos em que o local de trabalho seja distante da portaria.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região – TRT/SP teve entendimento diferente.
Ele considerou que o tempo de deslocamento entre a portaria e o setor
de trabalho não significa que o empregado esteja à disposição
da empresa. Além disso, para o Regional, o caso não se
enquadra na Orientação Jurisprudencial Transitória
36 da SDI-1 do TST, visto que esta objetivava atender particularidades
de trabalhadores de outra empresa.
Diante desse entendimento,
o trabalhador recorreu ao TST. Para o relator da matéria na Quinta
Turma, ministro João Batista Brito Pereira, a Orientação
Jurisprudencial em questão de fato se aplica ao caso apresentado
pelo trabalhador, tendo em vista as distâncias percorridas por
ele dentro da sua área de trabalho. Por fim, o ministro manifestou-se
pelo provimento ao recurso do empregado da Volkswagen do Brasil, julgando
procedente o pagamento das horas in itinere referentes ao trecho percorrido
por ele, da portaria até o local de trabalho. (RR-272100-54.2003.5.02.0463).
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 21 de julho de 2010
Lobby do amianto gasta US$ 100
milhões no mundo
JIM MORRIS
DA BBC/ICIJ, ESPECIAL PARA A FOLHA
Uma rede mundial de grupos de
lobby gastou quase US$ 100 milhões desde a metade dos anos 80
a fim de preservar o mercado internacional do amianto, carcinógeno
conhecido que já tirou milhões de vidas e tem seu uso
proibido ou restrito em 52 países, constatou o ICIJ (International
Consortium of Investigative Journalists) depois de nove meses de investigação.
Com apoio de verbas públicas
e privadas e a assistência de cientistas e governos simpáticos
à causa, os grupos ajudaram a facilitar a venda de dois milhões
de toneladas de amianto no ano passado, em sua maior parte a países
em desenvolvimento. Ancorada pelo Chrysotile
Institute, sediado em Montreal (Canadá), a rede se estende
de Nova Delhi (Índia) à Cidade do México, passando
pela cidade de Asbest, (Rússia). Sua mensagem é a de que
o amianto pode ser usado em segurança sob condições
"controladas".
Como resultado, o uso do amianto
está crescendo rapidamente em países como China e Índia,
o que leva especialistas em saúde a alertar sobre futuras epidemias
de câncer de pulmão, asbestose e mesotelioma, um câncer
maligno altamente agressivo que costuma atacar o revestimento dos pulmões.
A OMS (Organização
Mundial da Saúde) informa
que 125 milhões de pessoas continuam a encontrar amianto em seus
locais de trabalho, e a OIT (Organização Internacional
do Trabalho) estima que 100 mil trabalhadores morram a cada ano de doenças
relacionadas ao amianto.
Outros milhares perecem de exposição
ambiental ao material. James Leigh, diretor do Centro de Saúde
Ocupacional e Ambiental na Escola de Saúde Pública de
Sydney, Austrália, previu que haverá um total de cinco
milhões a 10 milhões de mortes causadas por cânceres
relacionados ao amianto até 2030, uma estimativa que ele considera
como "conservadora".
"É totalmente antiético",
disse Jukka Takala, diretor da Agência de Segurança e Saúde
no Trabalho e antigo dirigente da OIT, sobre a campanha de promoção
do uso do amianto. "É quase um crime. O amianto não
pode ser usado de maneira segura. É claramente carcinógeno.
Mata pessoas".
De fato, um painel de
27 especialistas formado pela Agência Internacional de Pesquisa
do Câncer, da OMS, reportou no ano passado que "as provas
epidemiológicas vêm mostrando associação
cada vez maior entre todas as formas de amianto e risco ampliado de
câncer de pulmão e mesotelioma".

PESQUISAS
A indústria do amianto,
no entanto, sinalizou que lutará para proteger as vendas da fibra
bruta do minério e dos produtos com ele fabricados, como telhas
e encanamentos produzidos com cimento de amianto. Entre seus aliados
estão pesquisadores cujos trabalhos são bancados pelo
setor e que produziram centenas de artigos, aceitos por publicações
científicas, para alegar que o crisotilo --o amianto branco,
única forma do minério à venda atualmente-- é
muitíssimo menos perigoso que o amianto marrom ou o azul.
A Rússia é o maior
produtor mundial de crisotilo, e a China o maior consumidor do minério.
"Trata-se de um material
extremamente valioso", argumenta J. Corbett McDonald, professor
emérito de epidemiologia na Universidade McGill, em Montreal,
que começou a estudar trabalhadores expostos ao crisotilo nos
anos 60, com apoio da Associação Mineradora de Crisotilo
de Quebec. "É muito barato. Se tentarem reconstruir o Haiti
sem usar amianto, o custo será muito maior. Quaisquer efeitos
[do crisotilo] sobre a saúde serão triviais, se é
que existirão".
A visão otimista de McDonald
sobre o crisotilo pressupõe que os empregadores forneçam
controles de poeira, ventilação e equipamentos de proteção
apropriados para os trabalhadores. Os especialistas em saúde
pública afirmam que essas medidas são incomuns nos países
em desenvolvimento. "Quem quer que fale sobre uso controlado de
asbestos é ou mentiroso ou tolo", afirma Barry Castleman,
consultor ambiental da região de Washington que assessora a OMS
quanto aos problemas do amianto.
CANADÁ
Resistente ao calor e ao fogo,
forte e barato, o amianto --um metal fibroso de ocorrência natural--
no passado era considerado como um material de construção
de propriedades mágicas, Por décadas, os países
industrializados, dos Estados Unidos à Austrália, o empregaram
para incontáveis produtos, entre os quais encanamentos e isolamento
para teto, materiais de construção naval, sapatas para
freios, tijolos e pisos.
No começo do século
20, começaram a surgir informações sobre os danos
que o material podia causar aos pulmões. Pelo final do século,
milhões de pessoas estavam doentes ou haviam morrido por exposição
a amianto, e bilhões de dólares em indenizações
haviam sido pagas aos queixosos. Do total de amianto utilizado, 95%
provém do crisotilo, agora proibido ou de uso severamente restrito
em pelo menos 51 países.
Essa história sórdida,
porém, não bastou para deter a ação do lobby
do amianto, liderado há muito tempo pelo Canadá. O governo
federal canadense e o governo da província de Quebec, onde o
crisotilo é minerado há décadas, doaram 35 milhões
de dólares canadenses ao Chrysotile Institute, anteriormente
conhecido como Asbestos Institute.
O Canadá não emprega
muito amianto em seu território, mas exportou 153 mil toneladas
do minério em 2009; mais de metade desse total foi enviado à
Índia. As autoridades canadenses lutaram para impedir que o crisotilo
fosse incluído na lista do Anexo 3 da Convenção
de Roterdã, um tratado que requer que exportadores de substâncias
tóxicas usem rótulos claros e alertem os importadores
quanto a quaisquer restrições ou proibições.
A despeito da crescente pressão
por parte de autoridades de saúde pública de todo o mundo,
que desejam a suspensão das exportações de amianto
canadense, as autoridades do país continuam a defender o setor.
"Desde 1979, o governo do Canadá vem promovendo o uso seguro
e controlado do crisotilo, e nossa posição continua a
mesma", afirmou Christian
Paradis, ministro do Meio Ambiente no governo conservador do Canadá
e antigo presidente da Câmara do Comércio e Indústria
do Amianto, em comunicado por escrito ao ICIJ.
Amir
Attaran, professor associado de direito e medicina na Universidade
de Ottawa, classifica a posição do governo como inaceitável.
"Fica absolutamente claro que [o primeiro-ministro] Stephen Harper
e seu governo aceitaram a realidade de que o curso atual de ação
causa mortes, e consideram o fato tolerável", diz Attaran.
Clement Godbout, presidente
do Chrysotile Institute, insiste em que a mensagem de sua organização
vem sendo mal interpretada. "Dizemos que o crisotilo é um
produto com risco potencial, e que é preciso controlar esse risco.
Não é algo que se deva adicionar ao café a cada
manhã".
O instituto é uma central
de distribuição de informações, enfatiza
Godbout, e não uma agência internacional de policiamento.
"Não temos o poder de interferir em quaisquer países,
porque eles têm seus poderes, sua soberania", diz. Godbout
se declarou convencido de que as grandes fábricas de cimento
feito de amianto, na Índia, têm bons procedimentos de controle
de poeira e de vigilância médica, ainda que reconheça
que possa haver operações menores "nas quais as regras
não são seguidas rigorosamente. Mas isso não representa
um retrato fiel do setor. Se alguém dirige seu carro a 300 km/h
em uma rodovia dos Estados Unidos, não quer dizer que todo mundo
mais faça a mesma coisa".
ORGANIZAÇÕES IRMÃS
O Chrysotile Institute oferece
o que descreve como "assistência técnica e financeira"
a uma dúzia de organizações irmãs em todo
o mundo. Essas organizações, por sua vez, tentam influenciar
a pesquisa científica e a política em seus países
e regiões.
Considere a situação
do México, que importa do Canadá a maior parte de seu
amianto. A promoção do uso do crisotilo é a tarefa
de Luis Cejudo Alva, que comanda o IMFI (Instituto Mexicano de Fibro
Industrias) há 40 anos. Cejudo declara manter contato regular
com o Chrysotile Institute e com organizações relacionadas
na Rússia e Brasil, e faz palestras no México e no exterior
sobre o uso prudente do crisotilo.
Guadalupe Aguilar Madrid, médica
e pesquisadora do Instituto de Seguro Social do governo federal mexicano,
diz que o IMFI exerce grande influência sobre as regras trabalhistas
e ambientais mexicanas, que continuam a ser frouxas. O país está
à beira de uma epidemia de mesotelioma e outras doenças
relacionadas ao amianto que poderia custar 5.000 vidas ao ano, diz a
médica.
No Brasil, um promotor de Justiça
quer dissolver o Instituto
Brasileiro do Crisotila, que se descreve como grupo de interesse
público e opera com isenção tributária.
Em petição judicial, o promotor acusa o instituto de servir
como mal disfarçado agente de vendas para a indústria
brasileira do amianto. O instituto nega a alegação, afirmando
"garantir a saúde e a segurança dos trabalhadores
e usuários".
Na Índia, onde o mercado
do amianto vem crescendo em 25% ao ano, a poderosa Asbestos Cement Products
Manufacturers Association desfruta de estreito relacionamento com os
políticos e recebeu US$ 50 milhões das empresas do setor
desde 1985, de acordo com fontes do governo. Uma das especialidades
da organização são "editoriais publicitários"
--falsos artigos noticiosos que louvam a segurança e o valor
dos produtos de amianto. Um anúncio veiculado no jornal "Times
of India" em dezembro é típico. Alegava, entre outras
coisas, que o flagelo do câncer causado pelo amianto no Ocidente
havia surgido em um "período de ignorância",
quando a manipulação pouco cautelosa de materiais de isolamento
feitos de amianto resultou em exposição excessiva. Esse
tipo de exposição já não acontece, afirmava
o anúncio.
PATROCINADOS
O argumento do lobby do amianto
depende em larga medida de cientistas que caracterizam o amianto branco
como relativamente benigno. Pesquisas sobre o crisotilo financiadas
pelo setor começaram a ser conduzidas de maneira mais efetiva
a partir da metade dos anos 60, quando estudos que comprovavam os efeitos
nocivos do amianto atraíram atenção indesejada
para as então prósperas minas de Quebec. Minutas da reunião
da Quebec Asbestos Mining Association em novembro de 1965 sugerem que
o grupo adotou o setor de tabaco como paradigma: "Foi mencionado
que o setor de tabaco havia lançado um programa próprio
[de pesquisa] e agora sabe que posição ocupa. A indústria
sempre faz bem ao cuidar de seus próprios problemas".
Os estudos se provaram benéficos
para um setor que vem sofrendo crescente pressão pela cessação
de suas atividades. São vigorosamente contestados por outros
cientistas, segundo os quais o crisotilo é claramente capaz de
causar mesotelioma e câncer de pulmão.
"Existe base científica
legítima para a alegação de que o amianto branco
pode ser menos nocivo [que o marrom ou o azul]? Sim", diz Arthur
Frank, médico e professor na escola de saúde pública
da Universidade Drexel, em Filadélfia. "Mas isso significa
que seja seguro? Não".
Esta história é
parte de uma investigação
conjunta conduzida pelo ICIJ e pela BBC News. Colaboraram ANA AVILA,
na Cidade do México; DAN ETTINGER, em Washington; MURALI KRISHNAN,
em Nova Delhi; ROMAN SHLEYNOV, em Moscou; e MARCELO SOARES, em São
Paulo.
TRADUÇÃO DE PAULO
MIGLIACCI
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 21 de julho de 2010
"Erin Brockovich" brasileira
combate indústria do amianto no país
JIM MORRIS
DA BBC/ICIJ, ESPECIAL PARA A FOLHA
Avançando lentamente
em meio ao trânsito paulistano da hora do rush em seu velho Chevrolet
Corsa, Fernanda Giannasi brinca sobre a reputação negativa
que adquiriu junto ao setor brasileiro de amianto: "Não
tenho nome", diz. "Sou chamada de 'aquela mulher'".
Não admira. Giannasi,
fiscal do Ministério do Trabalho, há um quarto de século
vem tentando impedir que o setor opere. Ela diz que o amianto branco
--minerado no Estado de Goiás, centro do país, transformado
em cimento e outros produtos para o mercado interno, e exportado com
cada vez mais frequência-- custou número incontável
de vidas e continuará a fazê-lo a menos que seu uso seja
proibido em todo o Brasil. A ideia de que é possível usar
o material de forma segura, alega, "é ficção".
Giannasi, 52, conta com muitos
admiradores na comunidade mundial da saúde pública. Um
médico a define como "a Erin Brockovich brasileira",
em referência à ativista californiana que trabalhava em
um escritório de advocacia e denunciou um caso de poluição
de água pela Pacific Gas & Electric, episódio que
inspirou um filme. Mas as pessoas que Giannasi verdadeiramente representa
vivem em lugares como Osasco (Grande São Paulo), que abrigou
por 54 anos a mais notória fábrica de cimento feito de
amianto do Brasil.
A fábrica, controlada
pela empresa Eternit, foi inaugurada em 1939 e, pela maior parte da
sua existência, vivia repleta de fibras de amiantos, dizem antigos
operários. Eliezer João de Souza, 68, trabalhou lá
de 1968 a 1981 como cortador de folhas de amianto e telhas corrugadas,
em diversos tamanhos. "A poeira estava em toda parte", diz
Souza. "Era visível à luz do sol". Os operários
não tinham proteção respiratória até
1977, quando receberam máscaras baratas de papel, diz Souza,
que em 2000 teve pequenos tumores removidos de sua pleura, a membrana
fina que recobre os pulmões e reveste a cavidade peitoral. Em
dado momento, "eles convocaram os operários e tiraram radiografias
de todos, mas nunca nos mostraram os resultados", acrescenta. "Foi
sempre um jogo de mentiras".
João Batista Momi, 81,
trabalhou na fábrica por 32 anos --"era suja o tempo todo",
diz--, e sofre de asbestose. Processou o antigo empregador em 1998 e
venceu mas, devido a um recurso da empresa que continua à espera
de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda não recebeu
qualquer indenização. José Antonio Domingues, 71,
teve seu pulmão direito removido devido a um câncer em
2008, 17 anos depois que se demitiu da fábrica na qual havia
trabalhado por 15 anos. "O pulmão estava todo preto por
dentro", diz. "Estou feliz por ainda estar vivo".
GRANDE EXPORTADOR
Os três homens pertencem
à Abrea
(Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto), um dos
70 grupos de vítimas formados em todo o mundo, em geral nas duas
últimas décadas, à medida que o uso da fibra de
amianto se expandiu aos países de rápido crescimento e
seus perigos se tornaram mais conhecidos. No passado extensamente usado
nos Estados Unidos e Europa, como material de construção
e isolamento, o amianto agora está proibido na União Europeia
e tem emprego limitado a apenas alguns produtos, como revestimentos
de freios automobilísticos, nos Estados Unidos. Cinquenta e dois
países proibiram ou restringiram severamente o uso desse mineral
fibroso, por muito tempo apreciado devido à sua resistência
ao calor e fogo.
Fomentado por uma agressiva
campanha setorial, no entanto, o uso da fibra de amianto cresceu de
maneira considerável nos países em desenvolvimento, especialmente
na China, Índia e Brasil. Com a vida nova que o produto ganhou
em mercados emergentes, o número total de mortes causadas pelo
amianto pode atingir os 10 milhões de vítimas até
2030, dizem especialistas.
Grande número dessas
mortes acontecerá no Brasil, hoje o terceiro maior produtor
mundial de amianto. O Brasil é também o terceiro maior
exportador
mundial do mineral, e vende o produto principalmente na Ásia
e a países como Colômbia e México. E se tornou o
quinto maior usuário mundial de amianto, consumindo 94
mil toneladas em 2007, mais de 50 vezes o volume do material usado
nos Estados Unidos naquele ano.
O setor brasileiro de amianto
alega gerar R$ 2,5 bilhões para a economia do país a cada
ano. As 11 empresas que mineram amianto e fabricam produtos que contém
amianto no Brasil tem 3.500 mil empregados diretos mas dizem responder
por 200 mil empregos, se considerados os postos de trabalho correlatos
criados no setor de construção, vendas e outros.
O cerne do setor é o
Instituto
Brasileiro do Crisotila. "Crisotila" é o nome do
amianto branco, a única forma usada hoje. Dados públicos
demonstram que o instituto, sediado em Goiás, recebeu mais de
US$ 8 milhões do setor desde 2006, e usou essa verba para promover
o uso do amianto em todo o Brasil. Um promotor de Justiça daquele
Estado está tentando fechar as portas do instituto, que se descreve
como organização de interesse público e opera com
isenção de impostos. Em petição judicial,
o promotor acusa o instituto de funcionar como uma mal disfarçada
ferramenta de vendas para o setor brasileiro de amianto, o qual responde
por virtualmente todo o orçamento da organização.
Por ter infligido "danos sociais derivados de suas práticas
ilegais", o instituto deveria pagar indenização de
R$ 1 milhão, bem como uma multa diária de R$ 5.000 caso
se mantenha em operação, alega o promotor em sua petição.
Em declaração ao ICFJ, um porta-voz do instituto negou
as alegações, afirmando que a organização
"garante a saúde dos trabalhadores e usuários, a
proteção do meio ambiente e [o fornecimento de] informações
à sociedade".
"BILL GATES DA SUÍÇA"
Quando a Abrea foi fundada,
em 1995, tinha cerca de 470 membros, a maioria dos quais ex-trabalhadores
da fábrica da Eternit em Osasco. "Pelo menos 30% deles morreram
nos últimos 14 anos", diz Souza, o presidente da organização.
Pelo menos 10 dentre eles morreram de mesotelioma, uma forma rara de
câncer que frequentemente surge na pleura e está sempre
vinculada à exposição a fibra de amianto.
Furiosos quanto ao que acreditam
ter sido um sério caso de conduta empresarial indevida, Souza
e seus companheiros aposentados vêm acompanhando um julgamento
criminal em Turim, Itália, no qual dois antigos acionistas da
Eternit suíça --entre os quais Stephan Schmidheiny, ex-presidente
do conselho do grupo e filantropo descrito como "o Bill Gates da
Suíça" pela revista "Forbes",
devido ao bilhão de dólares em doações que
fez para ajudar empresários de baixa renda na América
Latina-- respondem a acusações de terem causado um desastre
ambiental.
As acusações se
relacionam às condições em uma fábrica de
cimento produzido com amianto na cidade italiana de Casale Monferrato;
cerca de 2.000 pessoas que trabalharam na fábrica ou viviam em
suas imediações morreram de doenças relacionadas
ao amianto.
"Considerando que a exposição
perigosa acontecida na Itália foi reproduzida em outros locais,
deve haver centenas de milhares de pessoas que morreram por exposição
aos produtos de amianto da empresa", diz Laurie Kazan-Allen, coordenadora
do International
Ban Asbestos Secretariat, em Londres.
Em e-mail, o porta-voz Peter
Schürmann escreveu que Schmidheiny "não consegue compreender
por que deveria caber a ele, como acusado principal, a responsabilidade
por todos os 80 anos de história da Eternit na Itália".
O grupo Eternit suíço foi o maior acionista da fábrica
italiana apenas em seus 10 anos finais de operação, escreveu
Schürmann, e implementou "medidas de segurança no trabalho
que atendiam aos mais elevados padrões".
De acordo com Schürmann,
o grupo suíço vendeu suas ações na fábrica
de Osasco mais de 25 anos atrás. Ele se recusou a comentar sobre
as alegações dos ex-trabalhadores, mas acrescentou que
"Stephan Schmidheiny trabalhou como trainee na Eternit brasileira,
sob as mesmas condições de trabalho que os demais funcionários".
Giannasi não tem muita
simpatia para com Schmidheiny, que alega em seu site pessoal ter sido
"perigosamente exposto a fibras de amianto durante meu período
de treinamento no Brasil". Sua reprovação quanto
à maneira pela qual a fábrica de Osasco era dirigida a
levou a co-fundar a Abrea. Ela continua a comparecer às reuniões
mensais, e mantém os membros doentes da organização
e seus familiares a par dos acontecimentos na guerra do amianto. Eles
parecem apreciar suas histórias.
Giannasi reteve embarques de
amianto em portos e rodovias, e realizou inspeções de
surpresa em empresas suspeitas de vender ilegalmente produtos que contêm
amianto. Recebeu ameaças de morte e foi processada pela indústria
do amianto. Por algum tempo, se viu exilada a um pequeno escritório
no Ministério do Trabalho, sem computador, telefone ou funções.
Acostumou-se a desafiar seus superiores hierárquicos, que a consideram
como provocadora e interessada apenas em manchetes; suas atividades
de fiscalização foram restringidas apenas ao Estado de
São Paulo, embora seja funcionária federal. "A cada
dia há um novo problema", diz Giannasi.
A indústria brasileira
do amianto provou ser um oponente ferrenho. A Sama, que opera a mina
de Cana Brava, em Goiás, e a Eternit S. A., que opera quatro
fábricas que produzem telhas e outros produtos, de amianto ou
não, juntas doaram mais de R$ 2 milhões a candidatos a
cargos eletivos federais, estaduais e municipais, entre 2002 e 2008,
de acordo com os registros públicos. "Eles têm muitos
tentáculos, como um polvo", diz Giannasi.
Apenas quatro dos 26 Estados
brasileiros, entre os quais São Paulo, adotaram leis que proíbem
o uso do amianto. Perguntado sobre a campanha de Giannasi, um dirigente
da Sama falou apenas sobre o processo de produção da empresa,
afirmando que o nível de fibras de amianto presente na mina é
"20 vezes inferior ao que a lei requer" e que "os operários
não têm contato físico com o mineral". Uma
porta-voz da Eternit S. A., que não tem conexão com a
Eternit suíça, se recusou a comentar.
GIANNASI X INDÚSTRIA
Criada durante a ditadura militar
de direita brasileira, nos anos 60, Giannasi recorda ouvir os gritos
dos acusados de subversão que estavam sendo torturados em um
quartel do exército próximo à casa de sua família,
na região nordeste do Estado de São Paulo. A repressão
que definiu a era e as inclinações progressistas de seus
pais, ambos professores do ensino público, conduziram Giannasi
ao papel que viria a assumir como defensora dos trabalhadores portadores
de doenças relacionadas à fibra de amianto, que ela compara
a vítimas de genocídio.
Giannasi fez sua primeira visita
à fábrica da Eternit em Osasco em 1986, e considerou que
a higiene do local era precária e os registros médicos
dos funcionários, inadequados. Por volta de 1991, ela já
havia inspecionado centenas de outras fábricas empoeiradas e
concluído que o uso controlado do amianto era impossível.
Foi transferida de São Paulo a Osasco --"um posto para criadores
de casos"--, onde imediatamente criou caso com a Eternit, impedindo
a demolição da fábrica da empresa, em 1995, até
que houvesse um plano em vigor para a disposição dos resíduos
deixados por décadas de trabalho com amianto.
Por volta de 1998, ela se havia
tornado uma ativista conhecida em todo o país, e costumava se
referir ao setor de amianto como "uma máfia", acusando-o
de "chantagear" os trabalhadores doentes ao lhes oferecer
quantias modestas em acordos. A Eternit a processou por difamação,
mas um juiz encerrou o caso.
Os anos posteriores foram marcados
por choques esporádicos com o setor e com seus superiores no
ministério, e por decepção com o governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, antigo dirigente sindical. A produção
de amianto caiu no Brasil no começo dos anos 90 e depois voltou
a crescer gradualmente até 2002, o ano em que Lula foi eleito.
Depois disso, o ritmo de produção se acelerou. Giannasi
não hesitou em expressar sua insatisfação, e terminou
suspensa de seus deveres de fiscalização por 45 dias.
Sua autoridade só foi restaurada depois que ela foi à
imprensa, diz. Giannasi parece próxima à exaustão,
hoje, dado seu ritmo frenético, insustentável. O objetivo
final de seu trabalho --a proibição federal ao uso de
amianto-- parece inatingível.
Ainda assim, "a situação
seria muito pior se ela não estivesse trabalhando nisso",
diz Eduardo Algranti, diretor da divisão de medicina da Fundacentro,
uma organização paulista de assistência a trabalhadores
doentes. "Ela é muito rígida, muito coerente em suas
ações. É absolutamente dedicada".
BOMBA-RELÓGIO
O médico Ubiratan de
Paula Santos, especialista em medicina pulmonar na Escola de Medicina
da USP, diz que trata de cerca de 20 casos de mesotelioma ao ano, número
que vem subindo lentamente. A maioria de seus pacientes, se bem que
não todos, são trabalhadores do setor de amianto. Uma
mulher desenvolveu um mesotelioma depois de lixar e pintar seu telhado,
feito com amianto, a cada Natal, por um período de alguns anos.
"Não importa o quanto a exposição seja intensa",
diz Paula Santos. "Algumas pessoas sofreram exposição
por apenas um mês". Em média, as vítimas sobrevivem
por 12 a 16 meses depois do diagnóstico, sofrendo dor extrema
e o terrível conhecimento de que sua doença é incurável.
"Sabem que estão com o pescoço na guilhotina",
diz o médico.
É em nome dessas pessoas
que Giannasi persiste. No final do ano passado, ela permitiu que um
repórter do ICIJ acompanhasse sua inspeção de surpresa,
em companhia do colega Antonio Carlos Rodrigues Pimentel, a duas lojas
que supostamente estariam vendendo produtos contendo amianto em São
Paulo, em violação das leis estaduais. Na primeira das
lojas, na zona norte da cidade, ela e Pimentel foram recebidos por um
homem barrigudo, de cara amarrada, que tentou impedir que entrassem.
Giannasi exibiu seu distintivo governamental e exigiu que a porta fosse
aberta. Assim que entraram, ela e Pimentel rapidamente encontraram gaxetas
de amianto no estoque da loja. Inicialmente hostil, o proprietário
da loja logo se tornou deferente quando Giannasi ameaçou fechar
o estabelecimento a menos que todas as peças contendo o mineral
tóxico fossem jogadas no lixo. O proprietário prometeu
cumprir a instrução e ordenou aos seus funcionários
que começassem a recolher os itens proibidos. "Todos seguem
o mesmo roteiro, dizendo que não usam amianto, que jogaram o
estoque fora", diz Giannasi. "Mas sempre encontramos alguma
coisa".
Quatro dias antes, Giannasi
e Pimentel, em companhia de Kazan-Allen, a ativista que combate o uso
das fibras de amianto, haviam viajado extraoficialmente a Poços
de Caldas (MG). A Alcoa, gigante norte-americana do alumínio
que opera uma usina lá desde 1970, havia acabado de se tornar
alvo do primeiro processo judicial por mesotelioma no Brasil, aberto
por um antigo funcionário de 58 anos de idade. O caso causou
certo escândalo na cidade, que depende fortemente da companhia,
mas Giannasi o viu como oportunidade de levar sua mensagem a uma nova
audiência em Minas Gerais, Estado no qual está proibida
de exercer atividades como fiscal.
Depois de contatar a mídia
local, ela foi à prefeitura e fez sua apresentação
usual, com fervor evangélico, exibindo imagens de vítimas
de câncer moribundas, distribuindo panfletos sobre os perigos
do amianto e conduzindo uma entrevista coletiva improvisada, na saída.
Kazan-Allen foi ao microfone e alertou que "o Brasil está
no início de uma curva muito grande. Uma bomba-relógio
cancerígena está a ponto de detonar".
Na mesma noite, Giannasi visitou
Dante Untura, o antigo funcionário da Alcoa, na casa dele.
Untura foi membro da equipe
de manutenção da fábrica, que produz pó
e lingotes de alumínio, e outros itens, de 1970 a 1987. Cortava
e perfurava placas de Marinite, um produto de isolamento feito de amianto
fabricado nos Estados Unidos pela Johns Manville. "Não usávamos
máscaras", diz Untura. Ele recebeu um diagnóstico
de mesotelioma em agosto de 2009; depois disso, diz, "tudo mudou.
Perdi a vida de vista. Não há mais cores. Tudo é
cinzento".
Naquela noite quente da metade
de novembro, Untura não parecia especialmente doente e nem estar
sofrendo dores. Sua mulher e sua filha adotiva serviram café
e um bolo, e se esforçavam ao máximo para fingir que nada
havia de errado. Untura só demonstrou emoção ao
discutir sua família; foi por eles, afirmou, que processou a
Alcoa no Brasil, e planejava fazer o mesmo em um tribunal norte-americano.
O processo norte-americano foi
aberto em 20 de janeiro. Untura morreu 17 dias mais tarde. A Alcoa se
recusou a comentar o caso.
Esta história é
parte de uma investigação
conjunta conduzida pelo International Consortium of Investigative
Journalists e pela BBC News. Colaborou MARCELO SOARES, em São
Paulo.
TRADUÇÃO DE PAULO
MIGLIACCI
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FETRACONSPAR, 21 de julho de 2010 | Eventos
Eleições 2010
CARLÃO visita a FETRACONSPAR
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REINALDIM
BARBOZA PEREIRA,
CARLÃO ZIMMER e GERALDO RAMTHUN |
O candidato a Deputado Estadual
pelo PSB - CARLÃO ZIMMER, esteve na manhã
de hoje (21/07), para visita ao Presidente – GERALDO RAMTHUN,
ocasião em que apresentou as propostas que irá defender
na Assembléia Legislativa, acompanhou também o Secretário
Geral – REINALDIM BARBOZA PEREIRA.
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FETRACONSPAR, 21 de julho de 2010
| Eventos
Arauco
Diretores da FETRACONSPAR participarão
de Reunião em Buenos Aires/ Argentina
O Sr. NILTON ANTUNES
BETIM - Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias Madeireiras, Moveleiras e Similares de Jaguariaíva
– SITIM, esteve na manhã de hoje (21/07) na sede
da FETRACONSPAR - Federação dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção e do Mobiliário
do Estado do Paraná, para apresentar material a ser entregue
na quinta-feira (22/07), em Buenos Aires/ Argentina, por ocasião
da reunião com o Grupo G.I.T.A., referente a empresa ARAUCO.
Participarão também
desta reunião os companheiros: ANTONIO SARTOR
(Secretário de Assuntos Sindicais da FETRACONSPAR e Presidente
do SOMSJOP São José dos Pinhais), JOÃO
MARIA VIANA (2º Vice-Presidente da FETRACONSPAR
e Presidente do SOMPAR/ Paraná) e ANTONIO BARROS
FRANÇA (Secretário para Assuntos Internacionais
da FETRACONSPAR e Presidente do SITREACOCIFOZ/ Foz do Iguaçu).
Com a seguinte pauta:
Los puntos que serán
discutidos en la reunión son:
1) Presentación
de ICM acerca del actual estado del grupo:
a. contexto de la
empresa Arauco (con breve retrospectiva de la situación
de la empresa en el MERCOSUR – base es el ya conocido
reporte hecho acerca de la empresa);
b. cronología del GITA y desafíos/dificultades
para la consolidación del grupo;
2) Evaluación
de las relaciones sindicales nacionales con la empresa Arauco:
particularidades locales, dificultades, logros (conquistas);
3) Evaluación de los sindicatos nacionales y de ICM acerca
del GITA. Debilidades del GITA (fraquezas do GITA)
4) Presentación de las actividades de planeadas y ejecutadas
por USIMRA y CTF con apoyo de ICM con respecto a Arauco;
5) Debate acerca de las perspectivas futuras: que hacer ahora
(o que fazer agora)? Cómo ICM puede apoyar para que la
acción internacional con respecto al GITA tenga resultados
concretos;
6) VISITA A LA PLANTA DE ARAUCO EN ARGENTINA (PARA CONFIRMAR).
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| Da
esq,: ANTONIO BARROS FRANÇA (SITRACOCIFOZ
Foz do Iguaçu), ANTONIO SARTOR (SOMSJOP
São José dos Pinhais),
NILTON BETIM (SITIM Jaguariaíva) e JOÃO
MARIA VIANA (SOMPAR Paraná). |
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