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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de julho de 2010 | Economia
Trabalhos acima de 55 anos crescem no
Paraná
Mara Andrich
Não é difícil encontrar pessoas que pensam que
não conseguirão mais emprego após os 40 anos de
idade. Porém, no Paraná, os dados estatísticos
contrariam esse senso comum. A quantidade de trabalhadores com idade
acima de 55 anos aumentou 25,22% no primeiro semestre deste ano em relação
ao mesmo período de 2009.
De janeiro a junho deste ano,
de um universo de 93 mil contratados pelas Agências do Trabalhador
do Paraná, 1.807 estavam nessa faixa etária, o que representa
1,94%.
Os números só
não aumentam mais por causa do preconceito. “Quanto mais
idade, mais dificuldade em se inserir no mercado. E isso é um
problema cultural no Brasil. Por que as pessoas com mais de 50 anos
não podem trabalhar?”, indaga o secretário de Estado
do Trabalho e Emprego, Tércio Albuquerque.
Algumas pessoas estão
contribuindo com esse aumento de empregados na faixa etária,
e também com a quebra de alguns valores pré-concebidos.
Carmen Antonello, de 76 anos, é um exemplo disso. Ela trabalha
há 11 anos no hipermercado Extra do Alto da XV, em Curitiba.
Somente nesta unidade são oito profissionais com mais de 55 anos.
O Grupo Pão de Açúcar
(do qual o Extra faz parte) desenvolve um programa de inclusão
social que visa a contratação de pessoas com mais de 50
anos de idade.
Ana Paula Slomp, responsável
pelo setor de Recursos Humanos do grupo avalia que contratar pessoas
com mais idade só traz vantagens. “Elas são mais
dedicadas, comprometidas, pois querem mostrar que conseguem fazer aquilo.
Sem falar na simpatia que elas criam com os clientes”, observou.
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BEM PARANÁ, 27 de julho de 2010 | Economia
Moradias
No PR, déficit habitacional pode
acabar em 10 anos
Previsão é do Sinduscon, caso
mantidas as políticas como o Programa Minha Casa, Minha Vida
Ana Ehlert

Villagio Triestre, no Santa Cândida: integra a 1ªetapa
do Programa Minha Casa, Minha Vida (foto: Giuliano Gomes)
O déficit habitacional
de 200 mil casas no Estado poderá ser zerado em até 10
anos. Essa é a previsão do Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) se
mantidas as políticas atuais de incentivo e o ritmo do setor.
Um dos grandes “motores” do setor, é o Programa Minha
Casa, Minha Vida, do governo federal, que conforme os dados a Caixa,
até o dia 30 de junho, está em estágio bastante
adiantado e no Paraná, próximo de atingir a meta para
o ano. Das 44.172 unidades previstas para o Estado, 34.447 contratos
tinham sido assinados, totalizando R$ 2,1 bilhões.
Ainda de acordo com os
dados da Caixa, em três estados a meta havia sido atingida. Goiás
(meta 27.613 / 27.003 contratado), Rio Grande do Sul (meta 51.795 /
44.263 contratado) e Santa Catarina (meta 24.049 / 20.191 contratado).
No Brasil, a meta é fechar o ano com 542.961 contratos ( R$ 30,58
bilhões).
Em Curitiba foram contabilizados 9.617 contratos (R$ 539 milhões).
Entre os imóveis disponibilizados pelo programa está o
Villagio Triestre, em construção no bairro Santa Cândida.
Segundo as informações da Corretora Casaredo Imóveis,
cerca de 70% da obra já está pronta e as chaves devem
ser entregues no primeiro trimestre de 2011.
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BEM PARANÁ, 27 de julho
de 2010 | Economia
Concessão de tributos
Governo estuda levar às
construtoras
Na semana passada, a notícia
de que o governo federal decidiu estender o benefício tributário
concedido às construtoras no âmbito do Programa Minha Casa,
Minha Vida 2 foi muito bem recebida pelo setor. Com isso, o valor do
imóvel que poderá ser construído com o benefício
subirá de R$ 60 mil para R$ 75 mil.O benefício tributário
atende a um pleito das construtoras, que ganharam mais um incentivo
para atuar na segunda etapa do programa do governo, que pretende construir
2 milhões de moradias entre 2011 e 2014.
A atualização dos valores deve ser anunciada nos próximos
dias, quando o presidente Lula encaminhará ao Congresso projeto
de lei estabelecendo as regras do funcionamento do Minha Casa, Minha
Vida 2.
Já para beneficiar as famílias com renda mensal de até
R$ 4.650, técnicos do governo estudam a possibilidade de aumentar
os preços dos imóveis vendidos no programa e, consequentemente,
os subsídios concedidos para a baixa renda. Mas ainda não
há consenso sobre novos valores, segundo fontes envolvidas na
negociação.
Na primeira etapa do programa,
que vai até o fim do ano, as construtoras foram beneficiadas
com a redução de 7% para 1% da alíquota do Regime
Especial de Tributação da Construção Civil
(RET), que incide sobre a receita mensal, para construção
de imóveis de até R$ 60 mil. Como o valor do imóvel
não teve correção desde que o programa começou
a funcionar, em abril do ano passado, o governo resolveu fazer um ajuste.
A partir de 2011, as construtoras pagarão alíquota de
1% para imóveis de até R$ 75 mil.
Reajuste — O ministro das Cidades, Márcio
Fortes, antecipou ao Estado que haverá um reajuste nos preços
dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida 2, para evitar defasagem
de preços e destravar o programa, especialmente nos grandes centros
urbanos. Hoje, famílias com renda mensal de até R$ 1.395
podem adquirir imóveis de até R$ 40 mil pelo programa.
Já aqueles com orçamento de R$ 1.395 a R$ 2.790, podem
ser beneficiados por imóveis de até R$ 60 mil. O valor
varia de R$ 80 mil a R$ 130 mil para quem ganha entre R$ 2.790 e R$
4.650.
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de julho
de 2010 | Política
Cenário político não
ameaça mudança econômica
Sobre as eleições,
o relatório da Economist Intelligence Unit afirma que não
mais o cenário político apresenta qualquer ameaça
de mudança radical da política macroeconômica. A
candidata Dilma Rousseff é descrita como uma relativamente pouco
carismática ex-chefe da Casa Civil e ex-ministra de Minas e Energia
que tentará defender o legado de Luiz Inácio Lula da Silva.
Já seu oponente José Serra é visto como um político
que, em maior ou menor grau, também defende uma estratégia
de desenvolvimento movida pelo Estado.
O Brasil é colocado como
a economia mais diversificada da América Latina, exportando de
petróleo a aviões. As receitas com exportações
quase triplicaram entre 2000 e 2010, com a ''exploração
eficiente dos recursos naturais e alta de preço das commodities''.
A EIU ressalta, porém, que as receitas com exportações
de manufaturados recuaram proporcionalmente de 60% do total em 2000
para 40% em 2010.
Na educação,
as principais fraquezas apontadas estão na formação
para o mercado de trabalho. Pelo menos um terço dos investidores
entrevistados diz que a falta de capacitação representa
um dos principais problemas operacionais e quase metade (47%) das companhias
americanas aponta este como o principal desafio do Brasil. A carência
de profissionais com curso universitário é vista como
um entrave. Há poucos formandos, embora eles sejam percebidos
como de primeira classe. Já os estudantes de nível secundário
são enquadrados entre os menos instruídos em todo o mundo.
(S.V.)
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BEM PARANÁ, 27 de
julho de 2010 | Economia
Impostômetro
Brasileiro já pagou R$ 700
bi de impostos em 2010
Em 2009, a marca de R$ 700 bilhões foi
atingida 41 dias depois
Agência Estado
Do início do ano até hoje, os brasileiros já pagaram
mais de R$ 700 bilhões em impostos estaduais, municipais e federais.
A marca foi registrada hoje pelo Impostômetro da Associação
Comercial de São Paulo (ACSP), que está instalado no centro
da cidade.
Em 2009, a marca de R$ 700 bilhões
foi atingida 41 dias depois, no dia 4 de setembro. Pela internet (www.impostometro.org.br),
é possível acompanhar o avanço do Impostômetro
no Brasil, nos Estados e nos municípios. Inaugurado em abril
de 2005, o sistema também informa o valor total pago de impostos
desde janeiro de 2000 e faz estimativas de quanto será pago de
impostos até dezembro de 2010.
A metodologia utilizada
considera impostos, taxas, contribuições, juros, multas
e correções monetárias pagos às três
esferas de governo.
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Valor Econômico, 27
de julho de 2010
Governo federal estuda medidas
que podem adiar reforma da Previdência
Por Luciana Otoni,
No Valor Econômico
O ministro da Previdência
Social, Carlos Eduardo Gabas, prepara um conjunto de medidas infraconstitucionais
(projetos de lei) que será deixado para o próximo governo
para corrigir distorções no pagamento de pensões
e aposentadorias e adiar a realização de uma reforma.
Entre essas alterações
que podem ser feitas sem mexer na Constituição constará
a proposta de convergência entre as regras em vigor no regime
geral de previdência social e as que compõem o regime de
previdência dos servidores.
A intenção é,
conforme defende o ministro, tornar público o balanço
de contas do regime previdenciário do funcionalismo federal,
cujos números não são divulgados regularmente.
Esse sistema público
de pensões e aposentadorias dos servidores federais, que atende
938 mil funcionários, encerrou 2009 com déficit de R$
47 bilhões. Em contraposição, o regime geral, que
paga 27 milhões de benefícios mensais, fechou o ano passado
com saldo negativo de R$ 43,6 bilhões.
"Quando se fala em previdência,
me sinto responsável por discutir também a do servidor
público, porque o custo para o país é imenso e
a sociedade precisar saber que paga essa conta", afirma Carlos
Eduardo Gabas.
"A sociedade precisa saber
que é possível que um servidor ou servidora que tem 90
anos se case com uma pessoa de 18, e deixe para essa pessoa uma pensão
integral que será recebida pela vida inteira", acrescenta.
O custo da previdência
dos servidores e a abrangência restrita desse sistema é
um dos aspectos que irão compor o estudo técnico em formulação
no ministério. "Quero discutir esse custo, que não
está sob o nosso comando, está sob o comando do Paulo
Bernardo (ministro do Planejamento)", reitera o ministro.
No diagnóstico em elaboração,
há, até o momento, pelo menos 10 itens em análise
para efeito de mudança infraconstitucional: acúmulo de
benefícios previdenciários; direitos de transferência
de pensão vitalícia; pagamento de benefício a pessoa
que mantém vínculo formal com o mercado de trabalho; cálculo
do benefício temporário; separação contábil
dos regimes de previdência urbano e rural; transferência
dos benefícios rurais para o Tesouro Nacional; mudanças
na cobrança da dívida ativa de R$ 400 bilhões;
e aproximação entre os sistemas de previdência geral
e o dos servidores.
Ao defender as alterações
infraconstitucionais em detrimento de uma reforma constitucional, Carlos
Eduardo Gabas reforça que a conjuntura econômica de crescimento
favorece o debate sobre a sustentabilidade do pagamento das pensões
e aposentadorias.
"Quando se discutem mudanças
de regras, sejam elas constitucionais ou infraconstitucionais, pressionado
por um horizonte sombrio, corre-se o risco de fazer uma discussão
enviesada, de fazer alterações em que se erre na medida.
Quando se faz o debate sobre necessidade de sustentabilidade sem que
haja uma espada sob a cabeça, se faz com mais tranquilidade",
sugere o ministro.
Carlos Eduardo Gabas proporá
a separação dos regimes de previdência urbano e
rural. No primeiro semestre deste ano, o regime urbano gerou superávit
de R$ 3,2 bilhões, enquanto o sistema rural apurou déficit
de R$ 20,3 bilhões.
A proposta é que as contribuições
rurais façam parte da contabilidade do Tesouro. "Está
errado quando se diz que o Tesouro cobrirá o "rombo"
da Previdência. Está errado esse discurso. Precisamos separar
as contas porque a responsabilidade do regime rural é do Tesouro",
diz. Essa mudança, porém, enfrenta forte resistência
no Ministério da Fazenda.
O aumento da expectativa de
sobrevida do brasileiro permeará o diagnóstico e sustentará
o argumento da necessidade de mudanças infraconstitucionais.
No passado recente essa expectativa de sobrevida não chegava
a 70 anos e foi recentemente elevada para 82 anos. "Isso está
subindo em cada recálculo do IBGE", lembra Gabas.
Defensor do sistema de proteção
social institucionalizado pelo INSS, o ministro diz que os benefícios
previdenciários foram um dos fatores que levaram a economia brasileira
a enfrentar bem a crise financeira global.
No ano passado, o pagamento
de pensões e aposentadorias totalizou R$ 176 bilhões,
recursos que, frisa Carlos Eduardo Gabas, "foram usados em consumo
e para fazer girar a roda da economia em um contexto em que o mercado
interno foi crucial". Neste ano até junho, esses benefícios
somaram R$ 118,3 bilhões.
Para 2010, Gabas projeta déficit
de R$ 47 bilhões no regime geral de benefícios previdenciários.
No entanto, os ministérios da Fazenda e do Planejamento são
mais otimistas e estimam R$ 45,7 bilhões.
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2010
População
IBGE inicia contagem do Censo no próximo
domingo
Rio de Janeiro - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) vai dar início ao Censo Demográfico 2010
no próximo domingo. Uma campanha publicitária chamada
“Você responde, o Brasil corresponde” vai informar
a população sobre a importância da pesquisa e de
responder corretamente às perguntas dos recenseadores. Até
outubro serão visitados 58 milhões de domicílios
do país. A divulgação dos dados está prevista
para começar em novembro e se estenderá até 2011.
Por meio de licitação
pública, o IBGE selecionou a agência Youg & Rubicam
para a elaborar a campanha. As peças para jornal, revista e televisão
custaram R$ 30 milhões do orçamento de R$ 1,6 bilhão
destinado para o censo.
De acordo com o IBGE, para identificar
os recenseadores, os entrevistados devem prestar atenção
ao crachá, boné e um pequeno computador de mão
de cor azul. Em caso de dúvida, é possível confirmar
a matrícula do recenseador pelo telefone 0800-721-8181.
Nesta edição do
censo, o entrevistado pode responder às perguntas pela internet.
A opção só estará disponível depois
que o morador receber a visita do recenseador, que lhe passará
os códigos de acesso ao questionário.
Além das campanhas publicitárias,
para mobilizar a população, o IBGE conta com o auxílio
das Comissões Censitárias Estaduais e Municipais,
formadas por representantes do instituto, lideranças comunitárias
e entidades representativas da sociedade civil.
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Congresso em Foco, 27 de
julho de 2010
Qual o Brasil que você propõe?
Várias entidades da sociedade civil já
entregaram aos candidatos à Presidência suas propostas
de governo. O Congresso em Foco lança a todos os brasileiros
o mesmo desafio: qual o seu projeto de país? | A CNM, presidida
por Paulo Ziulkoski, é uma das entidades que apresentaram propostas
aos presidenciáveis. E você, qual seu projeto de país?
Rudolfo Lago e Renata Camargo
Para a Confederação
Nacional da Agricultura (CNA), um eventual apoio do governo ao Movimento
Sem Terra gera insegurança jurídica, por conta das invasões
de propriedade que são promovidas. Já para a Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), o apoio à
reforma agrária tem que ser ainda mais aprofundado pelo próximo
governo. Para os municípios produtores de petróleo do
Rio, como Campos, é fundamental que o próximo governo
garanta a manutenção do atual sistema de pagamento de
royalties pela exploração. Para a Confederação
Nacional dos Municípios (CMN), que congrega cidades de todo o
país, os royalties têm de ser distribuídos de forma
equitativa,de modo a que 50% do total pago seja redistribuído
via Fundos de Participação dos Estados e Municípios.
A Confederação Nacional da Indústria acredita possuir
uma fórmula que garantirá ao Brasil dobrar a sua atual
renda per capita em 15 anos. E o Conselho Nacional de Turismo espera
que o próximo presidente incremente o turismo interno, protegendo
o patrimônio histórico e cultural e propiciano ao brasileiro
que conheça seu próprio país.
São diferentes projetos
de país, vistos sob o ângulo das instituições
que compõem a sociedade organizada. Ao longo do ano, elas apresentaram
agendas e planos aos candidatos, esperando que eles encampassem suas
propostas. Algumas, como a Contag, definiram de saída apoio a
um dos candidatos (no caso, Dilma Rousseff). Outros, como a CNA, não
declararam formalmente o apoio, mas deixam clara sua preferência
por José Serra, do PSDB (até porque a entidade é
presidida por uma senadora do DEM, Kátia Abreu).
Um dos papéis pretendidos
pelo Congresso em Foco nestas eleições, além de
simplesmente noticiar os fatos políticos, é tentar propiciar
ao leitor o máximo de informações que garantam
um voto consciente. Nossa pretensão é dotar o eleitor
dos dados necessários para que seu voto seja o menos intuitivo
e o mais racional possível. Ao mesmo tempo, o site deseja ser
um canal mobilizador das aspirações do eleitorado, tornando-se
o espaço para um debate que enriqueça, qualifica, a disputa
política.
Para tanto, duas ferramentas
estão criadas no site. Na seção "Ajude
a limpar a política", estão reunidos os dados
que colaboram para um voto consciente. Lá, será incorporada
essa matéria, que traz os links para que o eleitor conheça,
na íntegra, os documentos elaborados pelas organizações
da sociedade civil com propostas para os presidenciáveis. À
medida em que novos documenos foram surgindo, eles também serão
agregados aqui.
Ao mesmo tempo, o Congresso
em Foco quer estimular a participação dos cidadãos
que não têm a força da voz de instituições
como a CNA, a Contag ou a CNI. Uma
ferramenta interativa, de fácil uso, foi criada na Etherped
para a construção conjunta de um rol mínimo de
compromissos que todos os candidatos a cargos eletivos deveriam assumir.
Tomando como texto-base uma proposta do jornalista José Carlos
Salvagni, o espaço é aberto para as intervenções
de quem queira. Elaborado em conjunto pelos leitores do site, essa carta
de compromissos será submetida aos candidatos que queiram engajar-se
a ela.
Veja abaixo que entidades
já tornaram públicas as suas agendas de compromissos aos
candidatos:
Confederação
Nacional da Agricultura
A CNA defende a reunificação da discussão de todos
os temas ligados à agricultura num único ministério,
extinguindo-se o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Para a CNA, a relação do governo com o Movimento Sem Terra
ou outras entidades que defendem a invasão de propriedade para
fins de reforma agrária geram insegurança jurídica.
A entidade condena ainda os critérios de elaboração
da "lista suja" do trabalho escravo, com a exposição
do nome de proprietários de terra que mantêm em suas terras
condições análogas à escravidão:
para a CNA, há injustiças e distorções nessa
lista. A CNA defende ainda a redução da carga tributária
hoje imposta ao setor produtivo.
Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Agricultura
A Contag encaminhou seu conjunto de propostas diretamente para a candidata
do PT, Dilma Rousseff. Elas visam, segundo o documento, "valorizar
o campo brasileiro". Para tanto, a Contag considera que é
preciso "continuar, intensificar e aprimorar a reforma agrária"
e "ampliar e fortalecer a agricultura familiar".
Confederação
Nacional da Indústria
A CNI acredita ser possível dobrar a renda per capita brasileira
nos próximos 15 anos. Para isso, propõe um modelo capaz
de aumentar a renda per capita em 4,5% a cada ano. O caminho, acredita
a confederação, está em aumentar a participação
da indústria, reduzindo o "custo Brasil" (o conjunto
de situações que aumentam o custo do investimento no país).
Conselho
Nacional de Turismo
O Conselho congrega associações ligadas ao setor, como
a Associação Brasileira dos Agentes de Viagem, mas também
tem participação do governo, com o Ministério do
Turismo e a Casa Civil. O documento faz projeções e apresenta
propostas para incrementar o setor do turismo no Brasil nos próximos
anos, com a alavancagem que deve vir da promoção da Copa
do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016. O conselho prega
um incremento do turismo interno, que propicie ao "brasileiro conhecer
o Brasil".
Confederação
Nacional dos Municípios
Na Marcha dos Prefeitos, em maio, a Confederação Nacional
dos Municípios apresentou aos três principais candidatos
à Presidência, Dilma Rousseff, do PT, José Serra,
do PSDB, e Marina Silva, do PV, seu conjunto de propostas. A partir
delas, sabatinou os três candidatos. Entre as sugestões
da CMN está a fixação de um percentual mínimo
de responsabilidade da União para os investimentos em saúde
(hoje, só estão fixados os percentuais de responsabilidade
dos Estados - 12% - e dos municípios - 15%) e uma distribuição
nacional e mais equânime dos royalties da exploração
do petróleo.
Via
Campesina
A reunião das entidades que defendem a luta pela reforma agrária,
como o MST, considera que "o atual modelo imposto ao Brasil pelas
forças do capital e das empresas é prejudicial aos interesses
do povo". A Via Campesina prega "urgentemente a construção
de um novo modelo agrícola baseado numa sociedade mais justa
e igualitária".
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Valor Econômico, 27 de julho de 2010
Vox e Datafolha convergem na espontânea,
com Dilma à frente de Serra
Espontaneamente instados a se pronunciar sobre
seu voto, o eleitor, em ambas as pesquisas, coloca Dilma à frente,
por 21% (Datafolha) ou 28% (Vox Populi). O Datafolha colhe ainda respostas
no "candidato do Lula" e no "candidato do PT" em
separado que somam quatro pontos percentuais
Por Maria Cristina Fernandes,
No Valor Econômico
Significativas nos resultados
estimulados, quando os leitores são chamados a responder em quem
pretendem votar diante de uma ficha com o nome dos candidatos, as diferenças
trazidas entre as pesquisas de intenção de voto do Datafolha
e do Vox Populi do fim de semana são muito mais reduzidas no
cenário em que o eleitor fala espontaneamente em quem vai votar.
A começar pela indefinição.
A dois meses e meio do primeiro
turno, metade dos eleitores, quando o entrevistador começa a
abordagem, ainda não sabe em quem votar. No Datafolha, a indefinição
crava 50% e, no Vox Populi, fica em 45%. O alheamento do eleitor diante
das eleições é medido ainda por uma das perguntas
incluídas na pesquisa do Vox Populi.
"Que você se lembre,
esta semana você conversou sobre política, governo, partidos
ou eleições? (Se sim) Com quem você conversou?".
Oito em cada dez entrevistados não conversaram sobre política
naquela semana em que os jornais trouxeram profusões de notícias
sobre as acusações da chapa José Serra/Indio da
Costa de envolvimento do PT com as Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia (Farc).
Entre aqueles que, espontaneamente,
declaram ter candidato, as divergências são menores do
que nas perguntas estimuladas, quando o Datafolha apresenta a vantagem
de Serra por um ponto percentual e o Vox Populi vê Dilma Rousseff
oito pontos à frente.
Espontaneamente instados a se
pronunciar sobre seu voto, o eleitor, em ambas as pesquisas, coloca
Dilma à frente, por 21% (Datafolha) ou 28% (Vox Populi). O Datafolha
colhe ainda respostas no "candidato do Lula" e no "candidato
do PT" em separado que somam quatro pontos percentuais.
Na suposição de
que esses eleitores descobrirão nos próximos 75 dias que
Dilma é a candidata que se encaixa nesta resposta, a adesão
espontânea a seu nome pularia para 25%, o que deixa o Datafolha
ainda mais próximo do Vox Populi.
Serra tem 16% na espontânea
do Datafolha e 21% na do Vox Populi. Ambas as pesquisas ainda colhem
4% para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também
praticamente coincidem no que registram para Marina (PV) - 4% (Datafolha)
e 5% (Vox Populi).
Um ponto importante nas diferenças
metodológicas é que o Datafolha faz entrevistas na rua
e o Vox Populi vai à casa dos entrevistados. Ambos os institutos
utilizam dados do IBGE para montar suas amostras.
O Vox Populi argumenta contra
a pesquisa feita na rua que não há como checá-la
- e 20% dos questionários têm que passar por esse processo
para cumprir padrão internacionalmente estabelecido - a não
ser por telefone, o que restringe a amostra. Nos cruzamentos do Vox,
os resultados colhidos exclusivamente junto ao universo de eleitores
com telefone coincidem com os da pesquisa geral do Datafolha. Ao fazer
essa amostra, o Vox Populi avalia excluir 35% do eleitorado.
Em defesa da pesquisa de rua,
o Datafolha argumenta que a sondagem em domicílio exclui moradores
de alguns prédios e favelas que não permitem a entrada
do entrevistador e que há outros meios de checagem além
do telefone.
Ainda que estas metodologias
distintas ajudem a explicar as diferenças, não há
uma extraordinária relevância estatística nos números
da discórdia. Além disso, margens de erro não são
um simples colchão de conforto para os institutos, e sim a admissão
de que a metodologia não é imune a falhas.
As equipes dos candidatos, que,
neste momento da disputa, usam os números para passar o chapéu
entre os financiadores, sempre vão achar que a pesquisa que os
favorece é a melhor. Em qualquer lugar do mundo, é natural
que pesquisas divirjam, especialmente a esta altura da campanha, com
tamanho grau de indefinição do eleitorado.
Os institutos de pesquisa vivem
de sua credibilidade e o restrospecto das campanhas eleitorais no Brasil
ensina que os erros mais abissais são nela debitados. É
pelo acúmulo de erros e acertos que as metodologias são
afinadas em busca de um resultado mais fidedigno. Exatidão mesmo,
só no resultado das urnas e este, felizmente, não há
como prever.
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O Estado de S.Paulo, 27 de
julho de 2010
Horário eleitoral: Lula
fará na TV papel de apresentador de Dilma
Principal apoiador da candidatura de Dilma Rousseff
ao Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá
ser o personagem principal do primeiro programa de TV da ex-ministra.
A propaganda eleitoral no rádio e na TV começa oficialmente
no dia 17 de agosto.
Num papel até agora pouco comum para ele — o de apresentador
de TV —, Lula pretende mostrar Dilma ao eleitorado não
só como a responsável pelas grandes obras de seu governo,
previstas nos PACs 1 e 2 (Programa de Aceleração do Crescimento).
Ele também dará a garantia de que nenhum programa social
— como o Bolsa-Família e o Minha Casa, Minha Vida —
será mudado caso Dilma seja eleita. E, se houver mudança,
será para incluir mais gente nos programas.
O jornalista e marqueteiro João
Santana, responsável pelos programas da candidata da coligação
“Para o Brasil Seguir Mudando”, tem feito de tudo para manter
segredo sobre o conteúdo da propaganda eleitoral. O veto ao acesso
aos locais onde os pilotos dos programas têm sido gravados inclui
até mesmo a assessoria do comando da campanha.
A ideia, segundo os coordenadores
da campanha de Dilma, é fazer um programa leve, com muita informação
a respeito do governo de Lula e do que a candidata poderá fazer
a mais do que o seu padrinho fez nos quase oito anos de governo.
Sempre que Dilma aparecer, haverá
ao lado uma bola com o Cruzeiro do Sul, num azul que, aos poucos, vai
mudando de cor, até se tornar branco e, em seguida, verde-amarelo.
Como o programa é longo, com mais de dez minutos, João
Santana está armazenando o máximo possível de cenas
externas, que serão enxertadas entre uma fala e outra da candidata.
Didatismo
Tudo às escondidas dos
meios de comunicação, ele gravou uma visita de Dilma ao
Chuí, aproveitando uma passagem da candidata pelo Rio Grande
do Sul; levou-a a um projeto de agricultura familiar bem-sucedido em
Padre Bernardo (GO), a cerca de 120 quilômetros de Brasília;
e fez com que a candidata caminhasse pela Esplanada dos Ministérios
por volta das 6 horas, com imagens do belo nascer do sol.
A exemplo do que fez nos programas
da candidatura de Lula à reeleição, em 2006, Santana
pretende usar muitos efeitos especiais, com bastante didatismo. Sempre
que fizer menção ao petróleo existente na camada
do pré-sal, por exemplo, mostrará gráficos com
a profundidade do óleo e a engenharia e a logística para
retirá-lo. A intenção é atrair a curiosidade
do telespectador.
Em tom ufanista, o programa
de Dilma dirá que o Brasil tornou-se autossuficiente em petróleo
devido ao apoio dado à Petrobrás pelo governo de Lula.
Sempre que se falar em petróleo, haverá o contraponto
da energia limpa dos biocombustíveis.
O Brasil será sempre
apresentado como líder no mundo na produção de
energia que não emite gases de efeito estufa, entre eles o carbônico.
O tema será associado às hidrelétricas, que emitem
o mínimo de gases. A construção de Jirau e Santo
Antonio, no Rio Madeira, será automaticamente associada a Dilma,
assim como a licitação para a Usina de Belo Monte, no
Rio Xingu.
Um locutor vai dizer que o Brasil
não corre mais o risco de ter um apagão na energia elétrica,
como ocorreu em 2001 e 2002, durante o governo de Fernando Henrique
Cardoso. Para a propaganda de Dilma Rousseff, com Lula e a candidata,
esse tipo de ameaça não existe mais.
Europa
Dilma contará ainda com
imagens que pelo menos até agora seu principal adversário,
o tucano José Serra, não tem. Trata-se dos encontros que
manteve na Europa com os presidentes da França, Nicolas Sarkozy,
e da União Europeia (UE), José Manuel Durão Barroso,
e com os primeiros-ministros da Espanha, José Luís Zapatero,
e de Portugal, José Sócrates.
Essas reuniões ocorreram
imediatamente depois de Dilma ser confirmada candidata à Presidência
por convenção do PT. A viagem dela à Europa durou
oito dias. O encontro com Sarkozy no gabinete do presidente francês
não pôde ser gravado.
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2010
Datafolha
Richa lidera na capital e Osmar no interior
O tucano tem 43 pontos porcentuais a mais das
intenções de voto na RMC em relação ao seu
concorrente do PDT
O candidato do PSDB, Beto Richa,
lidera a disputa pelo governo do estado entre os eleitores de Curitiba
e da região metropolitana com vantagem de 43 pontos porcentuais
em relação ao segundo colocado, o senador Osmar Dias (PDT).
No interior o quadro se inverte e o pedetista aparece com 10 pontos
à frente do tucano. Os dados são da pesquisa Datafolha,
divulgada na sexta-feira, mostram Richa com 65% da intenções
de voto na capital e nas cidades da região metropolitana, enquanto
Osmar aparece com 22%. Paulo Salamuni (PV) e Amadeu Felipe (PCB) receberam
1% da intenções cada. Nas cidades do interior Osmar lidera
com 45% enquanto Richa aparece com 35%. O candidato do PV também
foi citado por 1% dos entrevistados.
O total de eleitores que declaram
que votariam em branco ou nulo é de 3% tanto no interior quanto
em Curitiba. Já o índice de indecisos é bem maior
no interior do estado; 16% do total dos entrevistados. Na capital, o
porcentual de eleitores que não sabia em quem iria votar é
de 9%.
Para tentar reverter o quadro,
o dois principais candidatos têm dado prioridade, na hora de fazer
campanha, para as regiões onde apresentam os índices mais
baixos. No último fim de semana, Richa percorreu, ao lado do
candidato tucano à Presidência da República, José
Serra, quatro municípios do Noroeste do estado. Ele já
inaugurou comitês regionais em cinco cidades.
Na última sexta-feira,
Osmar visitou quatro cidades do Vale do Ribeira, na região metropolitana.
Os votos da região foram decisivos para a vitória do adversário
do pedetista na eleição estadual de 2006, Roberto requião
(PMDB). A agenda de Osmar para esta semana inclui visitas a Tunas do
Paraná e outras cidades da região metropolitana.
Rejeição
Dos sete candidatos que disputam
o governo do estado, Osmar é o que tem o maior índice
de rejeição. O pedetista foi citado por 15% do entrevistados
quando perguntados em quem não votariam nas próximas eleições.
Na sequência aparecem Beto Richa e Amadeu Felipe com 12%
cada. Paulo Salamuni e Robinson de Paula atingiram índice de
rejeição de 10%, cada, Avanilson Araújo aparece
com 8% e Luiz Felipe Bergmann com 7%.
A taxa de rejeição
do ex-prefeito de Curitiba é de 11% entre os eleitores da capital
e da região metropolitana e de 12% no restante do estado. Já
Osmar Dias apresenta maior rejeição na capital e região
metropolitana, 24%, enquanto no interior o índice é de
12%. Entre os eleitores, 19% dizem que não rejeitam nenhum candidato
e 2% não votariam em nenhum. Não souberam indicar qualquer
nome 32% do total.
Richa é preferido principalmente
pelos mais jovens. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, 47% afirmam votar
no tucano e 40% em Osmar. Richa atinge 56% entre os mais escolarizados,
Osmar tem 33% de intenções desse grupo.
Esta foi a primeira pesquisa
realizada pelo Datafolha após a oficialização das
candidaturas ao governo do Paraná. Foram ouvidos 1.225 eleitores
do estado, com 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 23 de julho de 2010.
A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais
ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) com o número 20.158/2010.
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2010
Declaração de bens
Patrimônio de deputados cresce em
média 150% em quatro anos
Dos 72 parlamentares federais e estaduais paranaenses
que disputarão as eleições ao Legislativo, 55 enriqueceram
desde 2006. Em um caso, aumento foi de 3.250%
Os 72 deputados estaduais e
federais do Paraná que disputam vagas na Assembleia Legislativa
do Paraná e na Câmara Federal tiveram um aumento médio
de 150% no seu patrimônio entre 2006 e 2010. As declarações
de bens dos candidatos disponíveis no site do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) mostram que 55 parlamentares enriqueceram durante o
mandado, com aumentos de até 3.520% – caso do deputado
federal Wilson Picler (PDT). Apenas 17 parlamentares declararam diminuição
no valor dos bens. A maior queda foi a do deputado federal Odílio
Balbinotti (PMDB). Ele viu seu patrimônio diminuir 87% em quatro
anos.
O fato de um candidato ter muito
dinheiro ou aumentar seus bens de forma exponencial não representa
nenhuma irregularidade, até porque muitos parlamentares possuem
outras fontes de renda, que não o salário de deputado.
O próprio Picler é um empresário do setor de educação
e só assumiu uma vaga na Câmara em 2009, no lugar do atual
prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT).
Picler explica que o aumento
foi fruto de compra de ações, em 2008, do Centro Integrado
de Educação, Ciência e Tecnologia (Cenect), mantenedora
do Grupo Uninter de educação. Ele ficou como sócio
único da empresa e, até entrada de novo sócio,
diz ter feito redistribuição dos lucros. “Foi feita
redistribuição de lucro e a empresa está me devendo
esse valor”, explica o deputado.
No entanto, a média de
crescimento de 150% em um período em que o aumento do Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro não passou de 50% desde 2006 e
os investimentos de renda fixa mais rentáveis ficaram na casa
dos 10% anuais mostra que a classe política é, do ponto
de vista econômico, uma casta diferenciada da maioria da população.
“Alguém que viva
única e exclusivamente da política e apresenta variação
acima da média das aplicações financeiras é
uma coisa que foge ao comum. Ninguém enriquece da noite para
o dia”, diz José Guilherme Vieira, professor de economia
financeira da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Herança
O segundo parlamentar que mais
enriqueceu em quatro anos foi o deputado estadual Fabio Camargo (PTB),
que declarou ter patrimônio de R$ 64,6 mil em 2006 e de R$ 763,4
mil neste ano – variação de 1.082%. O candidato
afirma que a variação se deve a uma herança obtida
com o falecimento da mãe. “Na eleição de
prefeito houve a mesma indagação e não tenho nada
a esconder”, diz o deputado.
Já outros 17 deputados
que concorrem a novos mandatos no Legislativo tiveram variação
negativa de patrimônio. O deputado federal Odílio Balbinotti
(PMDB) teve queda patrimonial de 87% em quatro anos. A assessoria de
imprensa do candidato explica que ele transferiu bens, na maioria fazendas,
para os dois filhos e a esposa, em uma espécie de pagamento de
herança ainda em vida.
A segunda maior queda patrimonial
desde 2006, de acordo com os dados divulgados pelo TSE, foi a do primeiro-secretário
da Assembleia do Paraná, deputado Alexandre Curi (PMDB). O patrimônio
dele, em quatro anos, caiu 67%, passando de R$ 4,9 milhões em
2006 para R$ 1,6 milhão em 2010.
Fonte
de renda
Candidatos mais ricos são empresários
Os deputados mais ricos que
concorrem a novos mandatos possuem outras fontes de renda e não
vivem exclusivamente da política. O deputado federal Marcelo
Almeida (PMDB), candidato mais rico do Paraná e o segundo do
Brasil, é sócio do grupo empresarial CR Almeida.
Marcelo Almeida declarou ter
patrimônio de R$ 683,3 milhões, que incluem participações
na empresa da família, sete apartamentos, oito veículos,
entre outros bens. Em 2006, o candidato declarou possuir R$ 86,7 milhões
em bens – o que significa que teve um aumento de 688% no valor
de seus bens.
Almeida explica que o aumento
patrimonial se deve à morte do pai dele e à herança
que recebeu.
Na segunda posição
entre os candidatos paranaenses mais ricos está o deputado federal
Alfredo Kaefer (PSDB), empresário do setor de agronegócio.
Ele é seguido por Wilson Picler (PDT), deputado federal e mantenedor
do Grupo Educacional Uninter.
Kaefer declarou ter R$ 95,7
milhões em bens. Considerado o nono candidato mais rico do país,
Kaefer é fundador do Grupo Diplomata, que inclui frigoríficos
e supermercados, entre outras empresas. Já Picler aparece tem
R$ 23 milhões em bens.
Curiosidade
Parlamentar declara trator por 1 centavo
A declaração de
bens do deputado estadual Plauto Miró (DEM) é uma das
mais completas entre os parlamentares paranaenses. Miró prestou
conta de 278 bens, somando um patrimônio total de R$ 3 milhões.
Nas últimas eleições, em 2006, foram apenas 34
bens, que somavam R$ 1,7 milhão.
O detalhe da declaração
do parlamentar fica por conta dos mais de 100 bens avaliados em um centavo.
Entre os itens que valeriam apenas um centavo estão uma picape
Ford modelo F 350, 50% de dois tratores John Deere 6615 e uma carreta
graneleira JAM, modelo Tanker 10.000.
Segundo Miró, a lista
de seus bens seguiu o que foi informado em sua declaração
de Imposto de Renda. “Para não ter problemas, fiz uma declaração
muito completa, incluindo realmente tudo que estaria em meu nome”,
diz o parlamentar.
De acordo com ele, o valor de
um centavo se explica pela depreciação dos produtos. “Eles
vão perdendo o valor.
A própria Receita diz
isso. Depois de cinco anos de uso, praticamente não têm
valor.” Esse é um mecanismo contábil muito usado
por empresas.
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Gazeta do Povo, 27 de julho
de 2010
DECLARAÇÃO DE BENS
“Não voto em quem tem patrimônio
baixo”
O professor de Finanças Mauro Halfeld, da UFPR, tem uma visão
diferente do senso comum. Ele diz que se assusta quando o candidato
apresenta poucos bens: “Não voto em quem tem patrimônio
baixo porque entendo que aquele que já teve cargo público
e tem patrimônio baixo é muito incompetente, administra
mal o recurso dele”.
Segundo o professor, com os
salários que recebem, os políticos “não deveriam
ser pessoas pobres”. Um deputado federal, por exemplo,
recebe R$ 16,5 mil de salário, uma cota parlamentar de R$ 29.154,13
(que inclui de refeições a passagens aéreas) e
R$ 3 mil de auxílio moradia em Brasília.
Halfeld analisa também
que o candidato com poucos recursos pode estar ocultando bens. “Tenho
medo de quem declara um valor baixo. Prefiro votar em quem tem patrimônio
razoável”, diz. “Acho que as pessoas que têm
patrimônio declarado e coerência merecem mais crédito
do que aquele que está posando de pobrezinho”, afirma o
professor.
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Folha de S.Paulo, 27 de
julho de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Ficha Limpa provoca impugnação
de Maluf
Justiça rejeita recurso do deputado e
Procuradoria apresenta até amanhã ação para
tentar impedir candidatura | Congressista teria participado de esquema
para superfaturar uma compra de frangos na Prefeitura de São
Paulo
FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO
A Procuradoria Eleitoral de
São Paulo vai impugnar o pedido de registro de candidatura do
deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) com base na Lei da Ficha Limpa.
O principal fundamento para considerar Maluf "ficha-suja"
é a condenação do deputado pela suposta participação
em um esquema para superfaturar uma compra de frangos da Prefeitura
de São Paulo. O ex-prefeito da capital foi condenado pelo TJ
(Tribunal de Justiça) de São Paulo em abril deste ano.
A definição sobre a impugnação da candidatura
ocorreu ontem, após o TJ rejeitar um recurso de Maluf contra
a condenação nesse caso.
Além dessa punição, a Procuradoria está
buscando outros processos nos quais Maluf é parte, inclusive
na Justiça Eleitoral, para tornar ainda mais robusta a impugnação
contra o congressista.
O prazo para apresentar a ação contra a candidatura de
Maluf termina amanhã.
A impugnação será julgada pelo TRE (Tribunal Regional
Eleitoral) de São Paulo, que tem até o dia 5 de agosto
para decidir o caso. Se a ação for julgada procedente,
ele ainda poderá recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
A eventual impugnação de Maluf pode comprometer a formação
da bancada do PP na Câmara dos Deputados, uma vez que ele é
o maior "puxador de votos" da legenda no Estado. Nas eleições
de 2006 ele foi o deputado federal mais votado do país, com cerca
de 740 mil votos.
No recurso julgado ontem pelo TJ, a defesa do deputado alegou que o
cálculo dos supostos prejuízos decorrentes da compra dos
frangos está incorreto, e a operação não
causou danos ao município.
Porém os desembargadores da 7ª Câmara de Direito Público
do TJ-SP julgaram que a defesa de Maluf utilizou um tipo de recurso-
tecnicamente chamado embargos de declaração- inapropriado
para a apresentação desse tipo de alegação.
Por unanimidade, eles rejeitaram o recurso do deputado sem analisar
os argumentos da tese da defesa.
O advogado de Maluf, Eduardo Nobre, afirmou ontem que o congressista
ainda tem direito a outro tipo de recurso ao próprio TJ, intitulado
embargos infringentes, e espera que o tribunal reverta a condenação
de seu cliente.
Além de alegar que ex-prefeito de São Paulo não
cometeu irregularidades na operação da compra dos frangos,
Nobre disse que Maluf não pode ser enquadrado na Lei da Ficha
Limpa porque no caso não está provado que houve dolo (intenção
de cometer o delito) e enriquecimento ilícito do deputado.
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Folha de S.Paulo, 27 de
julho de 2010
Político de MG é
o 1º vetado pela nova legislação
DE SÃO PAULO
Foi barrado o primeiro candidato
com base na Lei da Ficha Limpa. Athos Avelino Pereira, que concorre
a deputado estadual pelo PPS-MG, teve ontem seu registro de candidatura
negado por cinco votos a zero no Tribunal Regional Eleitoral de Minas.
Segundo o TRE, as causas do indeferimento foram a ausência de
documentos para o registro (certidões criminais e cíveis)
e a inelegibilidade decretada em 2009.
O TRE considerou Pereira como inelegível por três anos
por cometer abuso de poder em 2008, quando tentou a reeleição
para prefeito em Montes Claros (MG). Segundo a decisão, o candidato
também fez uso indevido dos meios de comunicação.
O PPS disse que o partido vai recorrer.
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Valor Econômico, 27 de julho de 2010
UGT atrai sindicalistas avessos
ao lulismo
Era domingo, 30 de agosto do ano passado, quando
a União Geral dos Trabalhadores (UGT) realizou sua primeira plenária
nacional, na Praia Grande (SP). No evento, quase mil representantes
de todos os seus 584 sindicatos. O presidente da UGT, Ricardo Patah,
convidara José Serra e Aécio Neves, do PSDB, Lula e Dilma
Rousseff, do PT, Marina Silva, do PV, e Ciro Gomes, do PSB. Apenas Serra
compareceu. Na ocasião, segundo noticiou o Valor, o atual candidato
do PSDB à Presidência declarou: "Me considero aliado
dos bons sindicalistas e por isso me considero aliado da UGT".
O destino de uma central que administra dirigentes filiados a PPS, DEM,
PV e PSDB estava selado - não apoiaria a candidatura do PT.
À exceção da festa de 1º
de maio deste ano, quando Dilma, Lula e Marina, em horários diferentes,
compareceram, Serra esteve presente em todos os grandes eventos promovidos
pela UGT: sua fundação, em 19 de julho de 2007, sua primeira
plenária nacional, em agosto do ano passado, e o lançamento
de seu manifesto eleitoral, na semana passada.

O Valor acompanhou o desenrolar
das discussões no movimento sindical, tendo acompanhado reuniões
entre presidentes e dirigentes das seis centrais sindicais reconhecidas
pelo governo. A trajetória da UGT, que foge do consenso instaurado
no movimento sindical, galvaniza atenções. Mais que isso:
sindicalistas descontentes com suas centrais veem na UGT um atrativo
para negociarem espaços na direção de suas entidades
- ou mesmo migrarem.
"Do início do ano
para cá", diz um dirigente da UGT que não quis se
identificar, "dois grandes sindicatos e uma federação
representativa, de São Paulo, já nos procuraram para conversar".
Eles procuram uma bandeira fora do lulismo.
O movimento sindical, que rachara
em 1982 após a realização da Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), iniciou trajetória
de aproximação há quatro anos, pouco depois que
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República.
As últimas fissuras ocorreram em 2007, quando o rol de centrais
atingiu o número atual: seis entidades, que desde então
passaram a dividir entre si quase R$ 150 milhões repassados pelo
governo federal.
"O governo Lula fez a missão
impossível dos anos 1990: uniu CUT e Força Sindical",
diz um dirigente de alto escalão de uma central sindical. A percepção
de ineditismo é generalizada no movimento. Na década passada,
a disputa era acirrada. De um lado, a Central Única dos Trabalhadores
(CUT), assentada no sindicato dos metalúrgicos do ABC, que fora
presidido por Luiz Inácio Lula da Silva, também fundador
do PT. Do outro, a Força Sindical, sustentada pelo sindicato
dos metalúrgicos de São Paulo, presidido por Luiz Antônio
de Medeiros, que surgia, à época, como o "sindicalismo
de resultados", se opondo ao "sindicalismo de conflitos"
da CUT. Uma estava com Lula. Outra, com Collor.
A Força Sindical, que
optara por Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006, apoia Lula há quatro
anos e seus dirigentes já manifestaram apoio à candidatura
de Dilma Rousseff (PT) - a primeira vez, desde sua fundação,
há 20 anos, que a Força apoia o petismo. Surge como símbolo
de um fenômeno que a une com CUT, CTB, CGTB e NCST. Das centrais
que recebem uma parte do bolo arrecadado pelo Estado por meio da contribuição
sindical, apenas a UGT não compartilha do caminho que uniu as
eternas rivais CUT e Força às outras entidades.
A relação entre
partidos e centrais é clara. Dirigentes da CUT pertencem ao PT,
enquanto a CTB é ligada ao PC do B, a CGTB, em sua maior parte,
ao PMDB e a Força Sindical predominantemente ao PDT. Todos os
partidos formam a base aliada da candidatura Dilma à Presidência.
A UGT, por outro lado, conta com dirigentes filiados a PPS, DEM, PSDB
e PMDB paulista, todos apoiando a candidatura de José Serra,
e outros ao PV, que lançou Marina Silva como candidata.
Dos sete vice-presidentes da
entidade, quatro são filiados a partidos. Antonio Carlos dos
Reis, o Salim, é deputado federal pelo DEM e tenta a reeleição.
David Zaia é presidente do PPS em São Paulo, Roberto Santiago
é deputado federal pelo PV e Laerte Teixeira da Costa, é
filiado ao PMDB. Além deles, Chiquinho Pereira, secretário
de Organização Sindical, é tesoureiro do PPS em
São Paulo e é um dos principais defensores da candidatura
Serra na entidade, além de articular o trânsito de Roberto
Freire, presidente nacional do PPS, na central.
Dirigentes, líderes e
estrategistas de outras centrais avaliam que a posição
"isolada" da UGT é, na verdade, "ideológica".
Para Wagner Gomes, presidente da CTB, a posição da UGT
"não é moderna, ao não se definir por um ou
outro candidato", diz. Para Gomes, é "natural"
que a UGT fique próxima de Serra, uma vez que seus dirigentes
são militantes de partidos coligados ao PSDB.
Em evento realizado pela UGT
na Faap em maio, que o Valor acompanhou, duas presenças evidenciam
o desconforto das demais centrais: Roberto Freire e Antônio Ramalho
- Freire preside o PPS e Ramalho, presidente do sindicato dos trabalhadores
da construção civil de São Paulo, filiado à
Força Sindical, é candidato à deputado estadual
pelo PSDB. A reportagem apurou que as relações de Ramalho
na Força não veem bem desde 2006 e sua presença
em eventos da UGT pode sinalizar uma migração, dizem sindicalistas.
Em abril, membros da CTB entraram
em conflito com os da UGT, quando as duas realizaram manifestações
em frente ao Consulado de Cuba, no mesmo dia. "Enquanto eles defendiam
os dissidentes, nós estávamos lá manifestando apoio
ao povo e ao governo cubano", diz Gomes, da CTB. Segundo Ricardo
Patah, presidente da UGT, "o tempo mostrou que estávamos
do lado certo, porque o regime de Castro liberou presos políticos
à Espanha". Os dirigentes das centrais colocaram panos quentes
no episódio, especialmente porque a relação entre
seus presidentes, Gomes e Patah, é boa.
Poucos depois, durante os preparativos
finais para a realização da 2ª Conclat, a UGT decidiu
romper o acordo fechado em janeiro, em reunião na sede da CUT
em São Paulo, que o Valor esteve presente. Quando da realização
da Conclat, no Estádio do Pacaembu, a UGT foi a única
central que não participou. Na Conclat, as cinco centrais aprovaram
documento de demandas sindicais aos candidatos à Presidência.
A UGT resolveu realizar evento
em separado, promovido há duas semanas em São Paulo, quando
entregou documento próprio à Marina, Serra e Aldo Rebelo
(PC do B), que representava Dilma. A constante presença de Serra,
que no evento da entidade declarou que "está junto dos sindicalistas
da UGT", sensibiliza o alto escalão da entidade.
Até o fim do ano, o próximo
grande evento da central será a inauguração de
sua sede nacional, em São Paulo. Desde 2007, os dirigentes da
UGT ocupam o mesmo espaço do sindicato dos comerciários
de São Paulo, cuja sede no Vale do Anhangabaú é
uma das maiores do país. A nova sede da UGT - um prédio
alugado de dez andares no Centro de São Paulo - será inaugurada
em setembro, a um mês das eleições. Até lá,
diz Patah, "teremos regularizado quase mil sindicatos".
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Valor Econômico, 27
de julho de 2010
Patah, presidente da entidade,
tem formação de elite
No início de julho, a
direção estadual da UGT no Paraná promoveu uma
pesquisa interna entre suas lideranças para apurar suas convicções
eleitorais. José Serra (PSDB) ficou com 50%, Dilma Rousseff (PT)
com 39% e Marina Silva (PV) com 11%. O PSDB também leva vantagem
na contagem para senador, uma vez que Gustavo Fruet ficou com 41% dos
votos, dez pontos percentuais à frente de Gleisi Hoffman (PT),
esposa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Disputa mais acirrada
foi entre candidatos ao governo paranaense: 58% dos dirigentes da UGT
vão votar em Osmar Dias (PDT), que dará palanque à
Dilma no Estado, enquanto 42% garantiram ir de Beto Richa (PSDB), ex-prefeito
de Curitiba, aliado de Serra. Na preferências partidárias,
os líderes da UGT no Paraná não estão sozinhos:
das 20 representações estaduais da entidade, 12 já
formalizaram apoio a Serra e apenas duas à Dilma.
Enquanto quatro centrais já
declararam apoio à candidata do PT - CUT, CTB, NCST e CGTB -
e os principais dirigentes da Força Sindical também -
como o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT) e Miguel Torres,
presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo
- a UGT permanece neutra. "Acho que Lula foi o melhor presidente
da história do Brasil", diz Ricardo Patah, presidente nacional
da UGT, "mas não posso atravessar a opinião das bases".
Patah administra diferentes colorações partidárias.
Há na UGT dirigentes graúdos do PPS e do DEM, que apoiam
Serra, além de partidários do PV, que lançou Marina
Silva.
Quando não está
em viagem, Patah despacha do 10º andar da sede do sindicato dos
comerciários de São Paulo, que preside desde 2003. Ex-tesoureiro
da Força Sindical, Patah costurou o processo de fusão
entre as três centrais que apoiavam o governo Fernando Henrique
Cardoso (PSDB).
"Pouco antes do primeiro
turno das eleições de 2006, a Força fez uma plenária
nacional para discutir posicionamento. Como tesoureiro, tive grande
espaço para falar. Defendi o governo e disse que iria votar no
Lula mais uma vez. Fui muito vaiado", diz Patah, que, um ano depois,
estava fora da Força, presidindo a UGT, que ajudara a fundar.
Na mesma época, a Força, que apoiara o PSDB em 2006, passou
a se aliar ao governo.
O núcleo duro da UGT
é formado por Patah, Chiquinho Pereira, presidente do sindicato
dos padeiros de São Paulo e tesoureiro do PPS, e Canindé
Pegado, secretário-geral. Os três são muito atentos
ao noticiário. Para assessorá-los há uma equipe
de ao menos dez pessoas, que, entre outras funções, mantém
o twitter, o blog e o site da entidade. "Queremos nos aproximar
das universidades e quebrar o preconceito que existe na opinião
pública quanto a sindicalistas", diz Patah, que mantém
twitter e blog pessoal.
A trajetória de Patah
é um tanto distante do perfil usual de líder sindical.
Estudou no Colégio Dante Alighieri, tradicional escola privada
de São Paulo, nos anos 1960, e é formado em administração
pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde também
obteve pós-graduação. Começou a trabalhar
como comerciário em 1972, aos 19 anos, no extinto Bazar 13, que
depois seria incorporado ao Pão de Açúcar. Filiado
ao sindicato desde 1978, só deixou de exercer a profissão
em 1991, quando passou a ser integralmente sindicalista.
Ganhou proeminência no
movimento sindical em 2003, quando foi eleito presidente do sindicato
dos comerciários de São Paulo e escolhido para ser o tesoureiro
da Força Sindical. "Mas o que ele sempre quis ser era presidente
de central. Como não teria espaço para isso na Força,
onde o Paulinho domina e, antes dele, dominava o Medeiros, Patah fez
o que tantos outros já fizeram: saiu para fundar uma central
dele", diz um dirigente sindical.
Ao aglutinar três tendências
diferentes e cinco partidos, a UGT tem na figura de Patah o relações
públicas perfeito. Não é filiado a nenhum partido
e mantém ótimas relações com todos os principais
dirigentes sindicais e lideranças partidárias.
Há cerca de um mês
se reuniu com Guilherme Afif Domingos (DEM), candidato à vice
na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo de São Paulo, na
casa de José Serra. "Não podemos fechar nenhuma porta,
ainda que estejamos neutros na disputa", diz Patah, para quem a
divulgação das pesquisas eleitorais nas regionais "pegou
mal para quem não quer se posicionar".
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Congresso em Foco, 27 de
julho de 2010
Ampliação da licença-maternidade:
uma reflexão
"Apesar da crescente conquista de espaço
das mulheres no mercado de trabalho, o fato de se afastarem de suas
incumbências por meio ano pode fazer com que enfrentem o desinteresse
das empresas em sua contratação"
Daniela Laubé Zarza Santos*
A licença-maternidade é assegurada à mulher trabalhadora
devidamente empregada – inclusive à doméstica –
pela Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º,
inciso XVIII. Trata-se de garantia que consiste na concessão
de licença remunerada de 120 dias que pode ser gozada pela gestante
a partir do último mês de gestação, conforme
disposto também pela Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT).
A recente Lei 11.770, de 9 de setembro de 2008, prorrogou o benefício
em 60 dias, de forma facultativa e mediante incentivo fiscal, às
empregadas de empresas que aderissem ao programa “Empresa Cidadã”,
regra que vem sendo aplicada desde 1º de janeiro de 2010.
No dia 7 de julho, o Senado
aprovou, de forma unânime, a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) que pode tornar obrigatória a extensão da licença
à gestante, por ora aplicada apenas facultativamente. A PEC ainda
será submetida a um segundo turno de votação no
Senado, sendo em seguida encaminhada à Câmara.
A questão a ser discutida é: qual será o impacto
dessa mudança para o mercado de trabalho, em especial para a
mulher?
Em diversos órgãos públicos, a licença-maternidade
já foi estendida com sucesso. Entretanto, é impossível
fechar os olhos para as gritantes diferenças entre as carreiras
públicas e aquelas desenvolvidas na iniciativa privada.
O ingresso na carreira pública realizado (em regra) por meio
de concursos e a estabilidade tornam a situação da mulher
bem menos frágil.
Do ponto de vista da saúde pública, é indiscutível
que a amamentação regular e exclusiva (sem introdução
de água, chás e quaisquer outros alimentos) durante os
seis primeiros meses de vida é uma vantagem. Os bebês que
dela desfrutam, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), têm
reduzidas, de forma significativa, as chances de contrair pneumonia,
desenvolver anemia e padecer com crises de diarréia. Conforme
a SBP, o país gasta cerca de R$ 300 milhões ao ano para
atender a crianças com doenças que poderiam ser evitadas
caso houvesse ocorrido amamentação regular durante os
primeiros seis meses de vida.
Outra vantagem da licença-maternidade de 180 dias seria o possível
retorno de mulheres mais produtivas no desempenho de suas funções
e a diminuição das faltas e atrasos.
Contudo, apesar da crescente conquista de espaço das mulheres
no mercado de trabalho, o fato de se afastarem de suas incumbências
por meio ano pode fazer com que enfrentem o desinteresse das empresas
em sua contratação (principalmente se forem jovens, em
idade reprodutiva), ou, ainda, pode fazer que sejam vistas como dispensáveis
em seu retorno após longo período de afastamento, por
vezes, sendo substituídas por outros profissionais treinados
e capacitados.
As situações que conciliam essas duas facetas da questão
parecem mais equilibradas. O retorno da mulher ao trabalho, decorridos
os 120 dias usuais, de forma gradual (em jornadas parciais), o auxílio
do trabalho nos moldes “home office” e a disponibilidade
de berçários instalados nos locais de trabalho para que
a mãe possa amamentar seu bebê em intervalos regulares,poderiam
ser maneiras sensatas de se ajustar a problemática à realidade
do mercado de trabalho brasileiro.
Atualmente, apenas grandes empresas têm aderido ao programa “Empresa
Cidadã”, oferecendo como benefício a possibilidade
de extensão da licença por 60 dias.
É possível que o desaquecimento dos mercados para a mulher
seja apenas um mal transitório a ser transposto até que
a sociedade compreenda e se adapte à nova garantia, não
focando o bem estar das mães, mas, principalmente, a saúde
das crianças.
Fato é que tal avaliação apenas poderá ser
feita em médio e longo prazo, ficando, por ora, por conta das
empresas a averiguação das vantagens e prejuízos
da concessão da licença maternidade de 180 dias, enquanto
ainda facultativa.
* Daniela Laubé Zarza Santos é
advogada de Direito do Trabalho do escritório Rodrigues Jr. Advogados
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Agência Câmara,
27 de julho de 2010
Porteiro poderá ter crédito
especial para casa própria
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 7615/10, do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que institui financiamento
especial para porteiros e funcionários de edifícios e
condomínios para aquisição da casa própria.
O texto prevê linhas de crédito com tratamento diferenciado
— taxas de juros subsidiadas e eventual ampliação
do prazo de pagamento — operadas por instituições
oficiais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
Segundo a proposta, esses profissionais
terão acesso automático a cartas de crédito para
a compra da casa própria quando se aposentarem.
Otavio Leite argumenta que os
porteiros e funcionários de condomínios têm “relevância
indiscutível para o cotidiano de milhares de brasileiros”.
É um segmento, acrescenta ele, em geral mal remunerado e que
precisa de apoio.
A garantia do acesso desses
trabalhadores à casa própria, de acordo com o deputado,
“é um dever da sociedade brasileira” e uma questão
de justiça.
Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivoRito de
tramitação pelo qual o projeto não precisa ser
votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas
para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter
em duas situações: - se houver parecer divergente entre
as comissões (rejeição por uma, aprovação
por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver
recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos
dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário.
pelas Comissões de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-7615/2010
Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição – João Pitella Junior
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Agência Câmara,
27 de julho de 2010
Projeto prevê reserva de vaga de
trabalho para adolescente infrator
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 7391/10, do deputado Odair
Cunha (PT-MG), que prevê a reserva de vagas para adolescentes
infratores nas contratações de mão de obra terceirizada
feitas pela Administração Pública. A proposta,
que engloba os governos federal, estadual e municipal, não fixa
os percentuais a serem respeitados.
O autor explica que o texto,
que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei
8.069/90), foi encaminhado à Câmara pelo Conselho Nacional
de Justiça (CNJ). O parlamentar subscreveu o projeto porque o
Judiciário não tem competência para esse tipo de
iniciativa.
Pela proposta, as condições
de trabalho dos jovens em conflito com a lei deverão ser as mesmas
previstas para os presos. A Lei de Execução Penal (7.210/84)
determina que o pagamento pelo trabalho dos presos deve ser usado para
manutenção da família, pequenas despesas pessoais,
investimento em poupança e eventuais indenizações
a vítimas de seus atos.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivoRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto
perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por
51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará
ser votado pelo Plenário., será analisado pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Seguridade Social e Família; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-7391/2010
Reportagem - Vania Alves
Edição - Marcelo Oliveira
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Agência Câmara,
27 de julho de 2010
Projeto amplia a lista de doenças
do trabalho
Tramita na Câmara o Projeto
de Lei 7212/10, do deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) e outros, que inclui
entre as doenças do trabalho, a critério do médico
perito da Previdência Social: a doença degenerativa; a
inerente a grupo etário; a que não produza incapacidade
laborativa; e a doença endêmica adquirida por segurado
habitante de região em que ela se desenvolva, resultante de exposição
ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.
Atualmente, a Lei 8.213/91 estabelece
que essas doenças não são doenças do trabalho.
Entretanto, permite que o perito, em caráter excepcional, considere
qualquer doença como sendo do trabalho, desde que resulte das
condições de trabalho.
Considerando essa possibilidade
prevista pela lei, Berzoini quer retirar o caráter de excepcionalidade
das doenças acima, já que o que conta é o critério
do perito da Previdência.
A Previdência Social,
por intermédio do INSS, é responsável pela concessão
e manutenção dos benefícios previdenciários
por incapacidade e benefícios assistenciais, concedidos a partir
de laudos periciais emitidos pela perícia médica do órgão.
Condições
especiais
Com a redação atual, a lei determina que essas enfermidades
não podem constituir doença do trabalho. No entanto, afirma
que poderão ser assim classificadas caso se comprove que foram
adquiridas em função de condições especiais
de atuação profissional.
Para Berzoini, uma vez que cada
caso deve ser analisado individualmente pelo INSS, "não
faz sentido o texto atual da lei, que considera essas situações
como exceção".
Tramitação
O projeto terá análise conclusivaRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto
perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por
51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará
ser votado pelo Plenário. das comissões de Seguridade
Social e Família; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-7212/2010
Reportagem - Maria Neves
Edição - Wilson Silveira
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CONTRAF, 27 de julho de 2010
Trabalhadores protestam pelo
Brasil contra acidentes de trabalho
Na terça-feira (27), trabalhadores de todo o país realizarão
atos e manifestações em defesa das vítimas e
pela prevenção dos acidentes de trabalho. O Brasil foi
a primeira nação a ter um serviço obrigatório
de Segurança e Medicina do Trabalho em empresas com mais de
100 funcionários.
A decisão foi aprovada após muita luta e mobilização
dos trabalhadores que, em 1972, comemoraram a publicação
das portarias 3.236 e 3.237 de regulamentação da formação
técnica em Segurança e Medicina do Trabalho e atualização
do Artigo 164 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Naquele período, o número de
acidentes de trabalho era tão acentuado que o Banco Mundial
chegou a ameaçar a retirada de empréstimos ao país
caso o quadro não fosse alterado.
Atualmente, 38 anos após a legislação,
a situação não mudou muito e em diversas categorias
os acidentes de trabalho são mascarados, sem o devido encaminhamento
das notificações à Previdência Social.
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O ESTADO DO PARANÁ, 27 de julho de
2010 | Cidades
Escritório é provável
local de acidentes de trabalho
Newton Almeida
No Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho,
comemorado hoje, especialistas chegam a uma conclusão que há
muito parece já estar clara para milhares de trabalhadores. O
perfil dos acidentes de trabalho ou dos motivos que levam ao afastamento
do trabalhador tiveram uma mudança de perfil. Ao contrário
do que acontecia há 30 anos, quando os acidentes vitimavam o
trabalhador braçal, hoje a maior parte dos afastamentos caracterizam-se
por efeitos psicológicos seguido dos Distúrbios Osteo-musculares
Relacionados ao Trabalho (DORT).
De acordo com o fisioterapeuta do Trabalho, Alison Klein, essa mudança
do perfil dos afastamentos acompanha a evolução do perfil
dos postos de trabalho. Diferentemente do que era verificado na década
de 70, quando o trabalhador era mais exposto a problemas físicos,
hoje os afastamentos estão mais ligados aos riscos do “trabalho
de escritório”.
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Agência Câmara,
27 de julho de 2010
INSS poderá ser obrigado
a informar resultado de perícia por escrito
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 7209/10, do deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), que obriga o Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) a prestar informações
por escrito ao segurado sobre o resultado da perícia médica
para concessão de auxílio-doença. Nesse relatório
deverá constar a caracterização do benefício
como acidentário ou previdenciário.
Atualmente, a legislação
não prevê um meio para informar o cidadão que solicita
o benefício. Segundo Berzoini, a comunicação informal
do resultado da perícia ao interessado é prática
usual no INSS. Ele afirma que há casos em que o segurado nem
sequer recebe o diagnóstico. "Essa situação
gera insegurança e prejuízo para o trabalhador",
afirmou.
A proposta regulamenta também
que a concessão de auxílio-doença será concedida
sempre por prazo determinado. Ao fim de cada período, deverá
ser feita mova perícia até comprovar-se a recuperação
do paciente.
Tramitação
O projeto, que tramita caráter conclusivoRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto
perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por
51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará
ser votado pelo Plenário., será analisado pelas comissões
de Seguridade Social e Família; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-7209/2010
Reportagem - Maria Neves
Edição - Tiago Miranda
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/07/2010
CUT é condenada a pagar férias
em dobro a trabalhadora
A Central Única dos Trabalhadores
(CUT ) foi condenada a pagar férias em dobro de uma ex-empregada,
por quitá-las após o prazo legal. Embora a concessão
das férias ocorresse no período correto, a Terceira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho entendeu, ao reformar decisão
anterior do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
(DF), que esse atenuante não liberava a CUT do desembolso dobrado.
No caso, a CUT só efetuou
os pagamentos após o retorno da trabalhadora das férias,
quando deveria fazê-lo até dois dias antes de seu início
(artigo 145 da CLT). Inconformada, ela ajuizou ação na
Justiça do Trabalho.
Para defender-se, a CUT argumentou
que o simples fato de não ter pago o adiantamento de férias
não a obrigaria à penalidade do pagamento em dobro, na
medida em que sua concessão foi feita dentro do prazo legal.
Essa argumentação foi aceita pelo TRT, que, ao analisar
recurso da CUT, afastou a condenação, com base no artigo
137 da CLT, que dispõe: “Sempre que as férias forem
concedidas após o prazo de que trata o art. 134, o empregador
pagará em dobro a respectiva remuneração.”
Inconformada, a trabalhadora
recorreu ao TST. O relator da matéria na Terceira Turma, ministro
Horácio Senna Pires, após mencionar julgamentos anteriores
do TST sobre o mesmo tema, manifestou-se em sentido contrário
do posicionamento adotado pelo Regional. De acordo com essa jurisprudência,
destacou o ministro, quando as férias são pagas fora do
prazo previsto no artigo 145 da CLT, ou seja, até dois dias antes
do seu início, a multa do art. 137 deve ser aplicada por analogia.
Isso porque a remuneração paga após o gozo das
férias frustra a finalidade de propiciar ao trabalhador o “período
remunerado de descanso” em toda a sua plenitude, concluiu o relator.
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26/07/2010
Sétima Turma garante estabilidade
a trabalhador em período eleitoral
Na época de eleições
municipais, a proibição legal de dispensa de trabalhador
sem justa causa se aplica a qualquer agente público que tenha
empregados no Município, mesmo que o órgão seja
da esfera estadual ou federal. Com essa interpretação,
a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho concluiu que
a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), do Estado do
Rio Grande do Sul, não poderia ter demitido uma de suas empregadas
no período de eleições municipais, porque ela estava
protegida por lei.
O relator do recurso e presidente
da Turma, ministro Pedro Paulo Manus, esclareceu que a lei eleitoral
nº 9.504/97, no seu artigo 73, inciso V, proíbe a nomeação,
contratação, aumento ou supressão de vantagem salarial
e a demissão imotivada de funcionário na circunscrição
do pleito, no prazo de três meses antes da eleição
até a posse dos eleitos.
Na hipótese em discussão,
a trabalhadora foi demitida em 03/12/2004, portanto, depois da eleição
municipal, mas antes da posse dos eleitos. Em princípio, observou
o relator, ela teria direito à estabilidade provisória
até a posse dos eleitos e, por conseqüência, ao recebimento
das diferenças salariais decorrentes. A questão polêmica
era quanto à abrangência do termo “circunscrição
do pleito”, isto é, saber se, no caso de eleições
municipais, as restrições da lei se aplicam também
à administração estadual.
Para o relator, não há
dúvida de que a vedação dirige-se a qualquer agente
público que tenha empregados no município onde será
realizada a eleição – esse é o sentido do
termo “circunscrição do pleito”. Na medida
em que órgãos e entidades de âmbito estadual e até
federal se envolvem, ainda que indiretamente, nas eleições
municipais, tendo em vista interesses partidários, a estabilidade
no emprego em período eleitoral deve ter a maior abrangência
possível, a fim de evitar pressões políticas sobre
o empregado.
Desse modo, o ministro
Pedro Manus manteve o entendimento do Tribunal do Trabalho gaúcho
(4ª Região) quanto ao direito da empregada à estabilidade
provisória no período de eleições municipais,
e aos créditos salariais decorrentes do direito, e negou provimento
ao recurso de revista da empresa. A decisão foi acompanhada pelos
demais integrantes da Turma. (RR- 124140-83.2004.5.04.0017)
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CNTI/PARANÁ, 27 de julho de 2010 |
Eventos
Visita
CNTI/Paraná recebe Diretores do
SINTRAG
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Da
Esq.: CARLINHOS XAVIER, RAMTHUN E JOÃO FREIRE |
Na manhã desta terça-feira
(27/07), o Presidente Licenciado - JOSÉ CARLOS ARDIZZONE
XAVIER e o Secretário de Saúde - JOÃO
ANTONIO FREIRE do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos
de Jornais e Revistas e de Empregados em Empresas de Jornais e Revistas
do Estado do Paraná – SINTRAG, estiveram
na sede da 1ª Secretaria da CNTI, para visita
ao Secretário Regional e Presidente da FETRACONSPAR
- GERALDO RAMTHUN.
O Sr. JOSÉ CARLOS ARDIZZONE
XAVIER – CARLINHOS XAVIER é Candidato
à Deputado Estadual pelo PRTB - Partido Renovador Trabalhista
Brasileiro.
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FETRACONSPAR, 27 de julho de 2010 | Eventos
Sistema Homologonet e Mediador
FETRACONSPAR participa de Reunião
na SRTE
A FETRACONSPAR
– Federação dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná,
através do colaborador LINDOMAR MAXIMIANO KSZYVY,
esteve nesta tarde (27/07), participando de reunião realizada
com a presença da Secretária de Relações
do Trabalho Dr.ª ZILMARA DAVID ALENCAR, na Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego – SRTE, com a
seguinte pauta:
- Sistema Homologonet;
- Sistema Mediador;
- Outros assuntos de interesse
sindical.
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