Ano 7        -        Nº 2344        -        Curitiba (PR), 30 de julho de 2010.

AGÊNCIA BRASIL, 30 de julho de 2010
CNI divulga Sondagem da Construção Civil do segundo trimestre
Da Agência Brasil

Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga hoje (30) nova edição da Sondagem da Construção Civil, com informações referentes ao segundo trimestre deste ano.

Feita com 320 empresas entre os dias 30 de junho e 20 de julho, a pesquisa reúne dados sobre o número de empregados, a margem de lucro operacional, o nível de atividade e a expectativa dos empresários para novos empreendimentos nos próximos seis meses, entre outros indicadores.

O documento será detalhado às 10h em entrevista coletiva do gerente executivo da Unidade de Pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, na sede da entidade.

Edição: Juliana Andrade

 

IPEA, 30 de julho de 2010
Ipea eleva previsão de crescimento do PIB para 6,5%

O setor produtivo dá mostras de otimismo com os rumos da economia brasileira. Ao menos é o que indica a pesquisa Sensor Econômico, divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O resultado indica que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer, em média, 6,5%. Na pesquisa anterior, a expectativa era de um crescimento de 5,5%.

Com a elevação, a perspectiva do setor produtivo para o PIB se iguala à divulgada na semana passada pelo Ministério do Planejamento. O número, no entanto, fica abaixo do das declarações públicas recentes do ministro Guido Mantega, que diz trabalhar com uma expansão do PIB entre 6,5% e 7%, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse que o Brasil cresceria não menos que 7% neste ano. Também fica abaixo dos 7,3% previstos pelo Banco Central.

Inflação

Para a taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a aposta é de que ela fique em torno de 5,5% - ante 5,2% da última pesquisa. Realizado a cada bimestre, o levantamento apresenta as perspectivas para os principais indicadores macroeconômicos para o ano, conforme projeções feitas por entidades associativas do setor produtivo.

A média das expectativas para a taxa básica de juros da economia, a Selic, ficou em 11,5%. Para o dólar, o setor aposta numa cotação em torno de R$ 1,82. O Sensor Econômico traz ainda a expectativa de criação de empregos para 2010. Para o setor, devem ser abertos 1.550.000 postos de trabalho ao longo deste ano.

Espera-se, ainda, um aumento de 15% na taxa de crescimento do investimento. Os indicadores do comércio exterior apontam para um volume de US$ 180 bilhões em exportações e de US$ 160 milhões em importações.

Com relação às duas pesquisas Sensor Econômico divulgadas este ano, todos os índices registraram crescimento, com exceção da cotação do dólar, que, na primeira pesquisa, apontava para um valor de R$ 1,89.

Com agências


Vermelho, 30 de julho de 2010
Enfim, BC admite que risco de inflação é menor

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (29) a Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que, para não variar muito, o órgão tomou a polêmica decisão de elevar em 0,5% a taxa básica de juros (Selic), para 10,75% ao ano. A instituição admite, com certo atraso, que o risco de inflação é menor, o que, de resto, é sinalizado por todos os índices que medem a evolução dos preços no país.

"Note-se ainda que há sinais de que a economia tem se deslocado para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo", salienta o documento. "É plausível afirmar, entretanto, que os fatores de sustentação desses riscos mostram desaceleração na margem", acrescentou. Já a influência do cenário internacional sobre a inflação doméstica "passou a revelar um viés desinflacionário".

Contramão

"No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado a suas projeções", sustenta a nota.

Todavia, embora as autoridades do BC não reconheçam, é preciso observar que a previsão de que a inflação tendia à desaceleração já tinha sido feita por vários economistas para respaldar a opinião de que não havia (nem há) justificativa plausível para o aumento da taxa básica de juros (Selic) definido pelo Copom nas suas três últimas reuniões.

A política conservadora do BC, na contramão dos interesses do povo e da nação, reduz as possibilidades de crescimento da economia e, ao mesmo tempo, aumenta a transferência de renda em mãos do governo para os credores da dívida pública.

Atividade econômica

Segundo o Copom, as perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis, embora em ritmo menos intenso do que observado no início deste ano, com base nos dados sobre comércio, estoques e produção industrial.

"Essa avaliação é sustentada pelos sinais de expansão mais moderada da oferta de crédito, em especial para pessoas físicas, pelo fato de a confiança de consumidores e de empresários se encontrar em níveis historicamente elevados, mas com alguma acomodação na margem, e pela trajetória recente dos níveis de estoques em alguns setores industriais".

De qualquer maneira, a ata do Copom diz que o dinamismo da atividade doméstica continuará a ser favorecido, entre outros fatores, pelos efeitos remanescentes dos estímulos fiscais, pelas políticas dos bancos oficiais e, em escala menor do que a esperada anteriormente, pela atividade global que, de resto, apresenta sinais de moderação.

Gasolina

O Comitê de Política Monetária (Copom) permanece com a aposta de que nem a gasolina nem o gás de botijão terão os preços reajustados neste ano. A informação consta da ata do encontro realizado na semana passada, quando a taxa básica de juro Selic foi elevada em 0,5%, para 10,75% ao ano.

Desde o começo do ano o comitê sustenta a previsão de reajuste zero para os dois produtos, que têm influência sobre a inflação.

O BC notou "certa estabilidade" nos preços do petróleo desde a reunião anterior (no começo de junho), mas insistiu que a volatilidade continua alta. "A incerteza que envolve esses preços segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da demanda, em contexto de retomada assimétrica da economia mundial, das incertezas quanto à recuperação da economia européia, da perspectiva de evolução da oferta global, condicionada pelo ritmo de maturação de investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria", diz o documento.

Da redação, com agências


PINIWEB, 30 de julho de 2010
Caixa lança portal para atender a construção civil
Site pretende agilizar crédito imobiliário e integrar informações do setor
Mauricio Lima

A Caixa Econômica Federal (CEF) lançou o Portal da Construção Civil, que tem como objetivo integrar informações para atender as diferentes empresas do setor, como construtoras, imobiliárias, entidades, profissionais da construção e a indústria.


Página inicial do Portal da Construção Civil


No site, o banco oferece informações sobre programas do Governo Federal, como o Minha Casa Minha Vida, financiamentos e fornecimento de crédito. A comunicação com cada tipo de empresa será feita de forma segmentada, detalhando produtos e serviços específicos para cada um.

A criação do portal é reflexo da grande procura por financiamento e crédito imobiliário. Apenas no primeiro semestre de 2010, o financiamento da casa própria atingiu 95,1% de crescimento, em relação ao mesmo período do ano passado, movimentando um volume de R$ 34,10 bilhões e mais de 575 mil contratos assinados.


Folha de S.Paulo, 30 de julho de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Campanha de Dilma cria G7 para centralizar decisões
Núcleo que define estratégias não conta com membros de partidos aliados | Além da candidata e de Lula, cúpula inclui Dutra, Palocci, Franklin Martins, João Santana e Gilberto Carvalho
ANA FLOR
DE SÃO PAULO

A campanha petista ampliou há poucas semanas sua coordenação política para integrantes de partidos aliados, mas quem dá as cartas na estratégia eleitoral há pelo menos seis meses são apenas sete pessoas.

Sob a liderança do presidente Lula e a chancela da candidata Dilma Rousseff, a cúpula inclui o ex-ministro Antonio Palocci, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o publicitário João Santana, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente.

Foi nos jantares semanais no Palácio da Alvorada que se decidiu as alianças nos Estados -Minas, por exemplo, consumiu horas de debates.

Na última reunião do grupo, dia 19 -ela não ocorreu nesta semana- ficou definido que o PT não iria entrar com representação no Conselho Nacional do Ministério Público contra a vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau.

Um dia após o encontro, tanto Dilma como Dutra já apresentavam um discurso mais ameno em relação ao episódio. Cureau fez críticas à participação de Lula na campanha presidencial.

Outra decisão tomada pelo núcleo é a agenda política do presidente durante a campanha, a agenda de Dilma e os compromissos em que ambos participariam juntos.

As reuniões se iniciaram no final de 2009 e desde fevereiro deste ano se tornaram semanais. O encontro ocorre em geral em um jantar no Alvorada no domingo ou na segunda. Entre terça e quarta se reúne o grupo ampliado, com outros petistas e aliados.

LULA

Os jantares são de conhecimento de líderes do PT. Petistas que não fazem parte do grupo justificam dizendo que essa é a única forma de Lula se envolver na campanha.

Desde o início da pré-campanha, quando Dilma começou a viajar pelo país, seus encontros com Lula, que também tem uma agenda de viagens intensa, são garantidos pelo encontro semanal.

As reuniões sempre têm uma análise de conjuntura, onde se debatem pesquisas e comportamento da oposição.

Segundo um líder petista, as reuniões começaram quando a aliança ainda não estava formalizada, por isso se restringiu ao PT.

Outro líder afirma que, com a entrada da coordenação política, que reúne representantes dos outros nove partidos, as decisões tendem a ficar "diluídas".

A principal consequência das reuniões do G7 é enfraquecer os demais grupos -além do conselho político, há a recém-criada "coordenação operativa". Aliados dizem estar insatisfeitos. Eles têm pouco acesso a Lula e Dilma não participa regularmente dos encontros.

Gazeta do Povo, 30 de julho de 2010
Eleições 2010
Lula tenta impulsionar Dilma e Osmar no PR
Presidente participa de comício na Boca Maldita ao lado da candidata petista e do senador do PDT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje ao Paraná para tentar impulsionar a candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência no estado e a de Osmar Dias (PDT) ao governo estadual. Amanhã, Lula participa de um comício na Boca Maldita ao lado de Dilma e Osmar. A esperança da coligação PDT, PMDB e PT é que a presença do presidente em Curitiba reverta o quadro de intenções de voto, que atualmente favorece os candidatos do PSDB Beto Richa e José Serra.

Hoje, Lula e Dilma participam de um encontro com empresários, organizado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O evento faz parte de uma série de debates que a entidade está promovendo com os principais candidatos ao Palácio do Planalto.

“É o momento de apresentarmos aos candidatos qual é a agenda de desenvolvimento para que o estado possa ter um crescimento sustentável e harmonioso, que seja benéfico para todos”, disse Rodrigo da Rocha Loures, presidente da Fiep. O evento será às 20 horas no Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores do Estado do Paraná (Cietep).

Palanque

Amanhã, Lula, Dilma e Osmar, além dos candidatos ao Senado Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), sobem juntos no palanque montado na Boca Maldita. Para Gleisi, a vinda do presidente vai fortalecer a campanha. “A união entre os governantes é fundamental, pois quando todos trabalham na mesma direção, é muito mais fácil desenvolver ações em benefício do povo paranaense”, disse.

A expectativa é que o comício reúna um grande público no centro de Curitiba. Ônibus devem trazer pessoas de cidades vizinhas. Ontem, durante um encontro de campanha em Quatro Barras, que reuniu os principais candidatos da coligação, foi anunciado que haveriam ônibus à disposição para quem quisesse participar do comício na capital.

Em 2006, a participação de Lula em um comício também na Boca Maldita é apontada por analistas políticos como um dos fatores que favoreceu a reeleição de Roberto Requião ao Palácio Iguaçu. Na ocasião, Requião venceu Osmar Dias. Hoje, ambos estão na mesma chapa.

Lula e Dilma dividiram o palanque pela primeira vez nesta campanha no Rio de Janeiro no último dia 16. O evento reuniu cerca de 6 mil pessoas. Na semana passada, a comitiva escolheu Garanhuns, reduto do presidente Lula, para um “comício reservado”. Ontem, foi a vez de Porto Alegre, onde Dil­­­ma iniciou sua carreira política.

Durante a visita à capital gaúcha, Lula negou que irá se licenciar do cargo para participar de alguma etapa da campanha da petista. “Não seria justo ser presidente da República e se licenciar para disputar uma campanha eleitoral”, disse. “O presidente precisa governar até 31 de dezembro, e ainda agir como se o fosse até as 10 horas [do dia 1.º de janeiro], quando o eleito for homologado pelo Congresso”, justificou. “Aí, sim, estarei de licença para outras campanhas.”

Encontro
Ciro almoça com ex-ministra e fecha acordo com o PT
Agência Estado

Em meio a uma intensa troca de elogios, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) anunciou ontem o seu apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Após almoço no escritório político do PT em Brasília, Ciro garantiu apoio à candidatura petista, mas não revelou se gravará programas para a tevê declarando voto nela. “Apoio nunca esteve em discussão. Meu partido tem uma posição formal [à candidatura de Dilma Rousseff], e eu sou disciplinado”, disse. Agradecida, Dilma destacou a “relação muito forte” com o deputado. “Tem pessoas na vida que a gente nunca deixa de encontrar porque tem o pensamento muito parecido”. “Ciro foi uma pessoal muito leal e corajosa na hora que a gente mais precisou, na hora mais difícil”, disse, referindo-se ao período do mensalão petista, em 2005.

Descontraído, o deputado revelou que teve uma boa conversa com Dilma e que eles falaram sobre grandes figuras mundiais admiradas por ambos como Wilson Churchill e Barack Obama. Ciro disse que seu apoio à chapa petista estava garantido desde o dia em que o PSB decidiu que não o apoiaria em voo solo. O deputado disse, no entanto, que continua achando que o partido errou ao negar-lhe a candidatura.


Blog do Milton Alves, 30 de julho de 2010
A ciranda dos números das pesquisas eleitorais no Paraná

Nesta última semana dois importantes institutos de pesquisas divulgaram resultados de recentes levantamentos de intenções de voto do eleitor paranaense, o DataFolha/RPC e o Vox Populi. Ambas pesquisas divulgadas, com métodos diferentes e universo de abrangência com pesos diferenciados, chegaram praticamente aos mesmos resultados. Os institutos classificaram os resultados como um empate técnico entre os principais postulantes: Osmar Dias (PDT) e Beto Richa (PSDB).

Na atual fase da campanha, é preciso enxergar além dos números e buscar prospectar tendências e, mesmo, avaliar, verificar o potencial real de crescimento de cada bloco de forças na disputa. Neste sentido, os números das pesquisas eleitorais expressaram ainda um quadro em formação e, principalmente, um determinado estágio de desenvolvimento das campanhas.

É inegável que o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) começou a sua campanha mais cedo. É, também, necessário constatar que Osmar Dias reuniu uma ampla e forte coligação e conta com o apoio do governador Pessuti (PMDB) e do presidente Lula. Fatores políticos objetivos que ainda não se expressaram em toda a sua extensão e magnitude.

Portanto, a ciranda dos números apresentadas nas duas pesquisas eleitorais aponta claramente para um cenário de polarização, com um território definidor da disputa -Curitiba/RM- e também para uma disputa pelo imaginário e anseios do eleitor, elementos subjetivos que ganharão contornos mais nítidos durante a propaganda eleitoral pela televisão e o rádio em agosto. Outro dado relevante das pesquisas, é a vantagem da coligação encabeçada por Osmar Dias na disputa pelas duas vagas do Senado, tanto Gleisi Hoffmann (PT) como Requião (PMDB) lideram com certa folga. Vamos aguardar a vinda de Lula no sábado, sem dúvida, um fato político que impulsionará mais ainda a nau capitaneada por Osmar Dias.

Clique aqui para ver os números da última pesquisa Vox Populi no Paraná


Folha Online, 30 de julho de 2010
TV é a principal fonte de informação do eleitor, internet ainda não é popular

A televisão é o principal meio de comunicação utilizado pelos eleitores brasileiros para se informar sobre os candidatos que disputam as eleições neste ano. Segundo o Datafolha, 65% dos entrevistados afirmam que a TV é a mídia preferida para obter informações.

Os jornais aparecem em segundo lugar, com 12% de preferência, e a internet e o rádio vêm em terceiro, com 7% cada um. Conversas com amigos ou familiares são apontadas por 6%.

Internet

Nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2008, segundo informações do Pew Research Center, instituto de pesquisa americano, a internet era a principal fonte de informação de um quinto do eleitorado do país.

No Brasil, a popularidade da rede é baixa mesmo quando o Datafolha pede para os entrevistados citarem três meios de comunicação usados para se informar: 27% mencionam a internet, que fica atrás de conversas com amigos e familiares (32%).

A TV é lembrada por 88% e continua em primeiro lugar. Em segundo vêm os jornais, com 54%, e rádio aparece em terceiro, com 52%. O Datafolha ouviu 10.905 eleitores em 379 municípios de todo o país (exceto Roraima). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

Segmentos

Entre os principais candidatos à Presidência, a internet tem maior penetração entre os eleitores de Marina Silva (PV): 11% dizem que a rede mundial de computadores é a principal fonte de informação, contra 7% dos que têm intenção de votar em José Serra (PSDB) e 7% dos que afirmam querer votar em Dilma Rousseff (PT).

Acima da média nacional, 70% dos nordestinos afirmam que a TV é a principal fonte de informação sobre os candidatos, e os moradores do Sudeste são os que menos preferem essa mídia (60%).

A TV é também o veículo mais citado pelos mais pobres: 68% entre os que têm renda familiar mensal acima de dois salários mínimos, em contraposição aos 47% dos que ganham acima de dez salários mínimos.

O jornal, por sua vez, tem maior penetração entre os mais ricos: 24% dos que têm renda familiar mensal acima de dez mínimos. O melhor desempenho da internet ocorre entre os mais escolarizados (20% entre os que têm ensino superior), os mais ricos (18%) e os mais jovens (14% dos que têm de 16 a 24 anos).


Agência Brasil, 30 de julho de 2010
Aumento da renda muda perfil do eleitor brasileiro, afirmam especialistas
Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, quem antes trocava o voto por um prato de comida nas eleições, poderá agora demonstrar preocupações menos imediatistas e mais estruturais
Por Mariana Jungmann,
Na Agência Brasil

Com a saída de 9,5 milhões de pessoas da indigência e de 18,4 milhões da pobreza entre 2004 e 2008, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os candidatos brasileiros se deparam este ano com um novo perfil eleitoral no país.

Na avaliação de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, esses eleitores terão preocupações diferentes na hora de votar.

Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, quem antes trocava o voto por um prato de comida nas eleições, poderá agora demonstrar preocupações menos imediatistas.

'Essas pessoas que tiveram uma ascensão social estarão mais preocupadas em preservar algum patrimônio. Elas provavelmente mudaram o lugar de moradia, seus filhos agora estudam, e elas estarão preocupadas com essas coisas', disse.

Na opinião de Fleischer, esses eleitores podem se tornar mais maduros no que se refere a questões como educação e saúde. Outro reflexo que pode ser sentido, segundo ele, é o de um maior conservadorismo ao analisar as propostas dos candidatos.

'Esse ex-pobre tende a estar mais preocupado com questões como segurança pública e invasões de terra, e menos preocupado com os outros que continuam pobres', avalia o cientista político.

O economista e pesquisador do Centro de Estudos Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Nery, concorda que a chamada 'nova classe C' irá imprimir mudanças no perfil dos eleitores no pleito de outubro.

Segundo ele, os cidadãos que se enquadram nessa categoria já somam aproximadamente 50% da população e poderiam escolher sozinhos as eleições se votassem num único candidato.

'É uma classe poderosa, mas não é homogênea', ressalva o economista. Nery concorda que esses eleitores devem 'cobrar mais caro' por seus votos agora e tendem a ser menos vulneráveis à manipulação eleitoral. 'Quando as pessoas saem da condição de miserabilidade, mudam o horizonte delas', afirmou.

Esses resultados, de acordo com o economista, não são fruto apenas do aumento direto da renda - segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média do trabalhador brasileiro subiu de R$ 1.694, em 2001, para R$ 1.808, em 2007.

O crescimento constante da escolaridade - que começou há mais tempo, segundo ele - tem influência mais significativa na consciência eleitoral.

'O brasileiro fez o seu dever de casa e pôs o filho na escola. Se você olhar e ver que coisas mais estruturantes como a educação estão crescendo junto com a renda, isso permite vislumbrar no futuro um nível maior de consciência e, no presente, um número menor de oportunismo', explicou.

O pesquisador da FGV disse ainda que o processo de amadurecimento é natural quando se atinge um período longo de democracia, como está acontecendo agora com o Brasil. 'Como democracia é uma coisa que se pratica, vamos começar a ver o resultado disso', afirmou Nery.

 

Congresso em Foco, 30 de julho de 2010
Site mostra os dados dos candidatos ficha limpa
Renata Camargo

A sociedade ganhou hoje (29) mais uma ferramenta na internet para fiscalizar a vida pregressa e as contas de campanha de candidatos nesta eleição. A Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci), em parceria com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), lançou nesta quinta-feira o site Ficha Limpa. No espaço, os candidatos podem comprovar, voluntariamente, que são “ficha limpa”.

No site – com dois endereços: www.fichalimpa.org.br e www.fichalimpaja.org.br – os candidatos devem apresentar certidões que comprovem que não foram condenados pela Justiça nem renunciaram para não sofrer cassação. Além disso, os candidatos devem tornar públicas as contas de campanha, sendo possível se cadastrar candidatos a presidente da República, governador, deputado federal e senador.

“A maior contribuição desse site é a multiplicação da transparência sobre a vida pregressa dos candidatos. Se nós temos eleições corretas, nós vamos ter uma representação política adequada. A campanha ficha limpa caminha no sentido de melhorar a participação política”, disse o juiz Márlon Reis, do MCCE.

O cadastro será feito voluntariamente pelo próprio candidato. Segundo os organizadores, só serão aceitos cadastros que comprovem publicamente o financiamento da campanha. Durante o dia de hoje, dez candidatos a deputado tentaram se cadastras, mas seus cadastros foram rejeitados por não comprovarem as contas da campanha.

“Se não tiver um link imediato a uma página pública com os gastos de campanha, não entra no site. Quem doou, quanto doou, quando doou e quais os gastos realizados. Sem essas informações, não entra no site”, avisou o representante da Abracci, Caio Magri.

O site está disponível para consulta livre dos internautas. Os eleitores podem consultar os cadastros de diversas formas: por estado, por partido, nome/número do candidato, cargo eleito, gênero, idade e outros. Também será possível fazer denúncias sobre prestação irregular de contas de campanha e sobre a vida pregressa dos candidatos.

“A denúncia será sobre esses aspectos. Outro tipo de denúncia não será aceito”, explica Magri. Segundo os organizadores, as denúncias somente serão publicadas após investigação prévia para verificar a veracidade da informação. Os conteúdos das denúncias serão encaminhas à Justiça Eleitoral.

Leia também:

Um guia para votar em ficha limpa

Ajude a limpar a política

Lista de impugnações com base no ficha limpa

Parlamentares que respondem a processo no STF

Tudo sobre o ficha limpa


Estadão, 30 de julho de 2010
Ficha Limpa pode atingir pelo menos 338 candidatos

A Lei da Ficha Limpa, pelas mãos das procuradorias eleitorais em todo o País, pode atingir pelo menos 338 candidatos, entre eles nomes fortes da política nacional. O prazo final para julgamento dos pedidos de impugnação é dia 5 de agosto, mas os TREs já começaram a indeferir registros de candidatura.

O Estado que mais tem candidatos atingidos pela lei é São Paulo, com 46 pedidos de impugnação. Entre eles está o do deputado Paulo Maluf (PP), que tenta a reeleição. A Procuradoria Eleitoral considerou que o deputado foi condenado por decisão colegiada e está inelegível. Cabe recurso. Por meio de sua assessoria, Maluf afirmou que "confia na Justiça".

A lista em São Paulo ainda pode aumentar, já que na segunda-feira o órgão paulista lança seu terceiro e último edital de candidatos enquadrados na Lei da Ficha Limpa.

O segundo Estado com mais candidaturas ameaçadas é o Maranhão, com 40. Candidato à reeleição, o deputado Zequinha Sarney (PV), conseguiu ter a candidatura deferida pelo TRE, mas a Procuradoria vai recorrer.

Na ocasião, Zequinha afirmou, em nota, que votou a favor da Lei da Ficha Limpa e que sua condenação foi por propaganda irregular em 2006. "Em nenhum momento meu nome foi impugnado por conduta que comprometa o meu passado político."

Minas aparece com 31 nomes ameaçados de impugnação, e Rondônia, com 25 postulantes sub judice. A Procuradoria Regional Eleitoral de Rondônia enquadrou os principais nomes da corrida eleitoral do Estado. Entre eles, dois candidatos a governador - o ex-senador Expedito Júnior (PSDB) e João Cahulla (PPS), que disputa a reeleição - além de Ivo Cassol (PP), que concorre ao Senado.

Expedito Júnior foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e teve os direitos políticos suspensos por oito anos. Para sua defesa, porém, a lei não pode retroagir.

No Piauí três dos principais candidatos ao Senado estão na mira: Mão Santa (PSC), Wellington Dias (PT) e Heráclito Fortes (DEM). A condenação que levou ao pedido de impugnação de Mão Santa, no entanto, foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Piauí. Cabe agora ao TRE avaliar a candidatura dos três.

Sem temor

Em Alagoas, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) é o principal nome enquadrado na Ficha Limpa. Mas ele não teme. "Se eu não pudesse ser candidato, não teria me candidatado, caso contrário estaria cometendo estelionato eleitoral."

Até ontem à noite, os TREs indeferiram, de acordo com levantamento do Estado, 14 candidaturas com base na Lei da Ficha Limpa - 4% das impugnações propostas pelas procuradorias.

São sete casos em Minas Gerais, três no Espírito Santo, dois no Ceará, um no Paraná e um em Santa Catarina, Estados onde os julgamentos estão em curso e os números podem aumentar.

São Paulo não julgou nenhum pedido, assim como outros 16 Estados consultados pela reportagem. "A lei, que veio para ficar, está pegando e vai pegar. Aliás, já está cumprindo seus efeitos e por isso estamos vendo uma chuva de impugnações de gente que jamais poderia se candidatar", disse o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew. O Ethos integra o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que criou a Ficha Limpa.


Agência Câmara, 30 de julho de 2010
Proposta cria bolsa de qualificação para o setor madeireiro
Diógenis Santos

O Projeto de Lei 7324/10, em análise na Câmara, cria uma bolsa de qualificação profissional para os trabalhadores do setor madeireiro que estiverem sem ocupação em razão de interdição de empresa por desrespeito às leis ambientais. Pela proposta, do deputado Lupércio Ramos (PMDB-AM), a bolsa será custeada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A principal fonte de recursos do FAT são as contribuições para o PIS/Pasep. Hoje, o Fundo financia apenas o seguro-desemprego, o abono salarial e programas de desenvolvimento econômico.

O valor da bolsa não é definido pelo projeto. Segundo o texto, ela será paga por até três meses e não pode ser acumulada com o seguro-desemprego. Além disso, o funcionário que receber a bolsa fica impedido de ganhar o mesmo benefício durante os 12 meses seguintes ao recebimento da última parcela.

A proposta diz ainda que a qualificação do trabalhador no período sem ocupação deverá priorizar o desenvolvimento de atividades ecologicamente sustentáveis. Para Lupércio Ramos, a proposta deve garantir proteção aos trabalhadores que, muitas vezes, são prejudicados pelas empresas que desrespeitam a legislação ambiental.

"A proteção ambiental é importante para a sociedade, mas as penas aplicadas pela fiscalização devem atingir somente o empregador, que assume o risco da atividade econômica e as consequências da inobservância das leis", justificou o parlamentar.

Tramitação

A proposta, que tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será analisada nas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

PL-7324/2010

Reportagem - Carolina Pompeu
Edição - Daniella Cronemberger


Agência Câmara, 30 de julho de 2010
Empresa poderá ser obrigada a comprovar recolhimento previdenciário

A Câmara analisa o Projeto de Lei 7318/10, do deputado Ratinho Junior (PSC-PR), que obriga as empresas a entregar aos trabalhadores, todos os meses, cópia do comprovante de recolhimento da contribuição previdenciária descontada do salário.

Segundo o autor da proposta, a medida vai garantir que os empregados conheçam sua situação previdenciária. "São frequentes os casos em que o empregado se vê irremediavelmente prejudicado pela falta de recolhimento das contribuições", justificou.

Ratinho Junior também acredita que a proposta deverá estimular o aumento das arrecadações da Previdência Social. "É uma oportunidade para reduzir o déficit previdenciário e solucionar o problema da sonegação do sistema", afirmou o deputado.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

PL-7318/2010

Reportagem - Carolina Pompeu
Edição - Daniella Cronemberger


Agência Diap, 30 de julho de 2010
Ministério do Trabalho faz esclarecimentos acerca do ponto eletrônico

Nos últimos dias, questões referentes à portaria que disciplina o Ponto Eletrônico têm sido trazidas ao Ministério do Trabalho e Emprego por milhares de empresas e entidades sindicais, geralmente com interpretação equivocada de notícias divulgadas em veículos de comunicação, sem que tenham sido levadas em conta importantes informações a respeito.

A nova exigência passa a valer a partir do dia 26 de agosto, mas as empresas só podem ser autuadas a partir de 26 novembro, segundo normas do Ministério do Trabalho.

Diante disto, o MTE esclarece:

1) Quanto à alegação de que o MTE não se preocupou com as pequenas empresas
A Portaria 1.510/09 não alterou as demais opções da CLT contidas no artigo 74, parágrafo 2º.

As pequenas empresas, assim entendidas as que possuem até 10 empregados, estão desobrigadas de utilizar qualquer sistema de ponto. As empresas que possuem mais de 10 empregados podem utilizar um dos dois outros sistemas permitidos: manual ou mecânico.

Assim, a utilização do sistema eletrônico é opcional.

Em regra, o empregador decide pelo controle de ponto eletrônico quando o número de trabalhadores faz com que a apuração manual da jornada torne-se mais custosa que a eletrônica. Ou seja, as empresas que precisam do registro eletrônico de ponto são as que possuem porte econômico suficiente para tal.

É de interesse da micro e pequena empresa um controle de ponto seguro para que não seja desconsiderado pelas autoridades trabalhistas ou pelo Judiciário

2) Quanto à alegação de não sustentabilidade e agressão ao meio ambiente pela emissão do comprovante para o trabalhador
Segundo os atuais conceitos de sustentabilidade devemos desenvolver políticas para os 3R, ou seja, reduzir, reutilizar e reciclar. Desta maneira estaremos promovendo a sustentabilidade. A emissão do comprovante para o trabalhador é indispensável para garantir a segurança jurídica e a bilateralidade nas relações de emprego.

O pequeno comprovante em papel trará imenso benefício para os empregados, para a segurança jurídica nas relações de emprego e para toda a sociedade, pois impedirá uma enorme sonegação de horas extras efetuadas pelos empregados e os respectivos reflexos nas contribuições ao INSS e ao FGTS.

O papel empregado será 100% reciclável e, como todo papel fabricado em nosso país, terá suas fibras retiradas de madeira originada de reflorestamento de eucaliptos ou pinus, manufaturados por um setor da economia que gera milhares de empregos.

3) Quanto à alegação de alto custo do equipamento (REP)
Os que são contra a regulamentação apontaram, desde a edição da Portaria 1.510/09, que os fabricantes não iriam conseguir colocar os produtos (REP) no mercado dentro do prazo. Erraram em suas previsões. Hoje temos mais de 66 modelos registrados no MTE, diversos outros em processo de registro e outros tantos sob análise dos órgãos técnicos.

Divulgaram que o REP teria um custo altíssimo devido às suas funcionalidades e que este custo inviabilizaria a adoção por um grande número de empresas. Fizeram projeções, inicialmente, que o REP sairia por mais de quinze mil reais. Depois reduziram para sete mil reais.

Estas projeções foram desmentidas. Segundo pesquisa na rede internet, podemos encontrar equipamento REP, modelo registrado no MTE após certificação de conformidade por órgão técnico, com preço de venda ao consumidor na faixa de R$ 2.850, preço muito próximo dos equipamentos anteriores que não possuíam nenhuma segurança quanto à manutenção da inviolabilidade e integralidade das marcações efetuadas pelos trabalhadores e que não emitiam o comprovante para o empregado.

4) Quanto a alegação do tempo gasto pelo trabalhador para marcar o ponto e colher o comprovante e formação de fila
Em pesquisa realizada na data de 27/07/10 nos sítios dos fabricantes com REP registrados no MTE, verificou-se naqueles que informam sobre a velocidade de impressão do "Comprovante de Registro de Ponto do Trabalhador" que há REPs que imprimem em 0,20 segundos.

Levando em conta, inclusive, que há modelos de REP que possuem a opção de corte automático do comprovante, o que facilita a sua extração pelo trabalhador, não se vislumbra qualquer possibilidade de ser os REPs mais lentos que os relógios anteriores.

Se a fila não existia antes da adoção do REP, não passará a existir por conta de um acréscimo ínfimo de tempo. Inclusive a demora de uma eventual necessidade de troca de bobina, quando do término do papel, pode ser minimizada na escolha de modelos já registrados no MTE que possuem duas impressoras com comutação automática.

5) Quanto a alegação de impedimento do uso do "ponto por exceção"
A Portaria 1.510/09 não altera o poder de negociação dos sindicatos, pois não revoga a Portaria 1.120/95 que permite ao empregador, desde que autorizado por instrumento coletivo, adotar sistema alternativo de controle de ponto, tal como o chamado controle por exceção.

6) Quanto a alegação de dificuldades de deslocamento do empregado entre as diversas unidades/filiais/agências do mesmo grupo econômico
Empresas de um mesmo grupo econômico podem determinar a consignação das marcações de ponto no mesmo REP dos seus empregados que compartilhem o mesmo local de trabalho ou que estejam trabalhando em outra empresa do mesmo grupo econômico.

Desta forma, inexiste qualquer dificuldade de deslocamento do trabalhador entre as empresas do mesmo grupo econômico.

7) Quanto a ser ou não obrigatório o trabalhador guardar o "Comprovante de Registro de Ponto do Trabalhador"
A Portaria não exige que o trabalhador mantenha a guarda do comprovante. A Portaria determina que o comprovante será impresso e retirado pelo trabalhador do REP a cada batida. A guarda do documento, entretanto, depende de sua decisão.

O trabalhador, naturalmente, guardará o documento apenas quando tiver dúvida sobre parcelas remuneratórias relativas a horas extras e outras, após confrontá-lo com o seu recibo de pagamento.

8) Quanto ao controle de acesso dos empregados às dependências da empresa
Algumas empresas alegam que ficarão impedidas de controlar o acesso dos empregados às dependências da empresa pelo fato do REP ser exclusivo para o controle de jornada. Cabe esclarecer que o sistema SREP não proíbe que as empresas tenham controles de acesso.

A Portaria 1.510/09 não afeta o poder diretivo do empregador sobre seu estabelecimento, trata exclusivamente do controle de jornada de trabalho.

O acesso ao local de trabalho, seja por catraca eletrônica ou qualquer outro meio, por empregados ou qualquer pessoa é determinado pelo poder diretivo do empregador sobre seu estabelecimento.


Repórter Brasil, 30 de julho de 2010
Nova ação liberta trabalhadores do corte de árvores de pinus

Grupo de fiscalização rural da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/SC) encontrou cinco pessoas submetidas a um quadro caracterizado como de escravidão contemporânea em Correia Pinto (SC).

Por conta do atraso de mais de um mês no pagamento do salário, um funcionário da Fazenda Rincão, localizada em Correia Pinto (SC), resolveu fazer uma denúncia à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Santa Catarina (SRTE/SC). Quando chegou ao local, o grupo de fiscalização rural da SRTE/SC se deparou com trabalhadores submetidos a um quadro caracterizado pelos agentes como de escravidão contemporânea.

A operação que averiguou a propriedade pertencente à empresa L Schmaedecke Comércio e Indústria Ltda. perdurou ao longo dos dias 16 e 21 de junho. Os empregados trabalhavam no corte de árvores de pinus e estavam sem receber salários desde o último mês de maio.

Ao todo, os auditores fiscais do trabalho identificaram 26 trabalhadores na Fazenda Rincão, todos contratados de forma irregular e sem registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Contudo, a situação de cinco deles era mais grave, o que fez com que os responsáveis da SRTE/SC promovessem a libertação deste último grupo.

As vítimas do trabalho escravo conviviam com a precariedade e dormiam em camas feitas com toras de madeira, de forma completamente improvisada. Eles dividiam um único banheiro em péssimo estado. O restante dos trabalhadores retornava para sua residência diariamente.

Conforme informações da fiscalização, os empregados foram contratados por Domingos da Silva Martins, proprietário da empresa Comércio Madeiras Sulfurosas. A contratação dos trabalhadores se dava da seguinte forma: cada grupo de cinco pessoas era contratado por um "gato" (intermediário de mão de obra) na região próxima à fazenda.

Os "gatos" recebiam o pagamento dos salários dos trabalhadores diretamente de Domingos e, somente depois disso, repassavam osa recursos aos empregados.

Por consequência de apurações dos agentes de inspeção, ficou comprovado que a atividade-fim da empresa de Domingos não correspondia ao serviço prestado pelos trabalhadores e era uma atividade-fim da L Schmaedecke.

"Foi constatado que havia um contrato de venda da madeira ´no pé´ entre as empresas. No Contrato Social da Comércio Madeiras Sulfurosas Ltda consta que o objeto social desta empresa é o comércio varejista e atacadista de madeiras e o transporte rodoviário de cargas. A L Schmaedecke tem como atividades-fim o florestamento, reflorestamento, extração de madeiras, entre outros", informa o grupo de fiscalização rural. A L Schmaedecke possui 19 fazendas para exploração do pinus, segundo a inspeção.

Irregularidades

O empregador não instalou sanitários nas frentes de trabalho e os empregados eram obrigados a utilizar o mato como banheiro (expostos a animais peçonhentos como cobras e escorpiões). Não havia abrigo de proteção contra o sol ou chuva, mesa ou cadeiras para a realização das refeições e os cortadores utilizavam barracas improvisadas durante o almoço.

A comida trazida pelos próprios empregados costumava azedar porque não havia formas adequadas para guardar os alimentos. Além disso, a água também era trazida pelos próprios trabalhadores, em garrafas de plástico.

A jornada de trabalho se iniciava às 6h da manhã e se estendia até às 18h. O transporte dos alojados na Fazenda Rincão era feito numa perua Kombi improvisada ou num carro emprestado por Domingos.

Nenhum Equipamento de Proteção Individual (EPI) estava sendo fornecido aos empregados que trabalhavam na extração de madeira. De acordo com a fiscalização, a extração de pinus apresenta muitos riscos. Dentro de uma escala de riscos crescentes de atividades que vai de 1 a 4, a atividade ocupa a posição 3 e faz parte do rol das mais perigosas.

Os trabalhadores relataram que ferramentas de trabalho, como motosserras e machados, eram deles próprios - e não do empregador. Outro agravante que colocava em risco a segurança dos empregados era o fato de que eles manuseavam motosserras e conduziam tratores pela propriedade sem ter feito cursos obrigatórios para exercer tais tarefas.

Um dos operadores de motosserra, por exemplo, não utilizava protetor auricular e já estava quase surdo, segundo relato dele mesmos. Outro trabalhador que exercia a mesma função não soube sequer acionar a trava de segurança enquanto operava a máquina diante dos auditores.

Os alojamentos foram interditados e a produção na Fazenda Rincão foi paralisada. A SRTE/SC lavrou 16 autos contra a empresa L Schmaedecke. A ação foi finalizada em 21 de julho, após o pagamento das verbas rescisórias dos cinco trabalhadores libertados de trabalho escravo e a regularização dos outros 21 empregados, que tiveram as carteiras assinadas com data de admissão retroativa ao início da prestação de serviços.

De acordo com Eduardo Branco Schmaedecke, diretor-adjunto da L Schmaedecke, a empresa não terceirizou a extração de madeira e sim "vendeu" a floresta para Domingos, que era responsável pelos empregados.

"Nós não temos nada a ver com isso. O comprador que teve problemas com funcionários e a fiscalização nos responsabilizou. Nunca tivemos problemas. Estamos há 50 anos no mercado", disse Eduardo à reportagem. Segundo ele, a empresa já entrou com um recurso na Justiça contra os autos de infração lavrados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).


Notícias do Tribunal Superior do Trabalho

30/07/2010
Trabalhador será indenizado porque era obrigado a ficar nu para vigilância

A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho garantiu a um trabalhador o pagamento de indenização por danos morais no valor de dez salários (aproximadamente sete mil reais) pelo fato de ter sido obrigado a ficar nu diante de vigilantes das empresas para as quais prestava serviços e, eventualmente, até na frente de colegas. A decisão foi unânime e fundamentada em voto relatado pela ministra Kátia Magalhães Arruda.

No entendimento da relatora, a violação da intimidade da pessoa não pressupõe necessariamente o contato físico entre empregado e supervisor. A revista visual, em que o trabalhador é constrangido a exibir seu corpo nu ou em peças íntimas, é suficiente para configurar o ato abusivo. No caso, mais constrangedor ainda, afirmou a ministra, quando a revista era realizada na presença de outros empregados.

Assim, embora as empresas do mesmo grupo e para as quais o trabalhador prestava serviços indistintamente (Transpev – Transportes de Valores e Segurança e Prosegur Brasil – Transportadora de Valores e Segurança) tenham argumentado que não houve excesso nas revistas, na medida em que não ocorria contato físico entre os envolvidos, a relatora considerou que as regras de convivência social e a ordem jurídica foram desrespeitadas.

O Tribunal do Trabalho mineiro (3ª Região) tinha reformado a sentença de primeiro grau para excluir da condenação o pagamento da indenização por danos morais ao empregado. No TRT, prevaleceu a tese de que, como ele foi contratado em julho/1998, e somente no momento da dispensa, em abril/2005 (quando já não existiam mais as tais revistas) reclamou do vexame a que era submetido, não era razoável o pedido de indenização após ter ficado em silêncio sobre o assunto por tantos anos.

No entanto, segundo a ministra a Kátia, o silêncio do empregado se justifica pelo temor de provocar a própria demissão. Logo, ao contrário da conclusão do TRT, o fato de a reclamação trabalhista ter sido apresentada após o rompimento do contrato não afasta a caracterização do dano moral. A relatora ainda destacou que não se exige prova do dano moral, mas sim do fato que gerou a dor e o sofrimento da vítima – o que foi feito, na hipótese.

Então, considerando o dano, a repercussão da ofensa na vida do profissional e a condição econômica dos envolvidos, a relatora arbitrou o valor da indenização em sete mil reais, equivalente a dez salários recebidos pelo trabalhador. O caráter pedagógico da indenização não foi observado porque a revista íntima não é mais adotada pelas empresas, que passaram a utilizar sistema de vigilância por meio de câmeras. (RR- 163400-87.2005.5.03.0106)

(Lilian Fonseca)


30/07/2010
Autenticação carbonada em guia de depósito recursal não se confunde com cópia reprográfica

A regularidade na comprovação de depósito recursal, feita através da juntada de cópia com autenticação carbonada, foi reconhecida pela Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao julgar um recurso de revista. O colegiado, ao destacar que cópia carbonada não se confunde com cópia reprográfica, mudou o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (PE), que havia rejeitado o recurso ordinário da empresa Nordeste Segurança de Valores Ltda., por não considerar válida a cópia apresentada.

A decisão da Quarta Turma deu um novo destino ao processo, que será devolvido ao TRT/PE, para que julgue o recurso ordinário. Segundo o Regional, a guia de depósito recursal juntada ao processo era cópia inautêntica e não podia ser admitida como válida, concluindo que a reprodução carbonada não pode substituir ou ser equiparada à via original. Com esses fundamentos, não conheceu do recurso ordinário.

Quando a empresa interpôs recurso de revista ao TST, a relatora, ministra Maria de Assis Calsing, verificou que o documento é uma guia de depósito recursal com autenticação mecânica carbonada. Nesse caso, destaca a relatora, por diversas vezes o TST já se posicionou “estabelecendo que a juntada de cópias carbonadas do depósito recursal e das custas processuais não se confunde com a cópia reprográfica”.

A ministra citou, inclusive, um julgado da Seção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1), da relatoria do ministro Aloysio Corrêa da Veiga, em que a decisão foi no sentido de que a guia de recolhimento do depósito recursal, em que a autenticação mecânica se apresenta de forma carbonada, “não se trata de documento apresentado em fotocópia, mas de original”.

Seguindo esse posicionamento, o voto da relatora foi por afastar a deserção (perecimento do recurso por falta de pagamento do depósito recursal) que levou ao não conhecimento do recurso ordinário pelo TRT/PE. Por unanimidade, a Quarta Turma acompanhou o entendimento da ministra Calsing, ao dar provimento ao recurso de revista, e, afastando a deserção, determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que prossiga no exame do recurso ordinário. RR - 142300-36.2007.5.06.0102


FETRACONSPAR, 30 de julho de 2010 | Eventos
Campanha Salarial/ Instalações Elétricas
Fetraconspar e Sindicatos realizam 7ª rodada de negociação com o SINELTEPAR, na DRT

Diretores da Federação e dos Sindicatos de Trabalhadores com representantes do SINELTEPAR e assistida pelo mediador da DRT.

A FETRACONSPAR e os Sindicatos de Trabalhadores, juntamente com o Sindicato das Empresas de Eletricidade, Gás, Água, Obras e Serviços do Estado do Paraná – SINELTEPAR, realizaram nesta sexta-feira (30/07), às 14h00, na sede Delegacia Regional do Trabalho – DRT/PR, em Curitiba/PR, 7ª reunião para discutir a Pauta de Reivindicações dos trabalhadores da categoria visando a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2010/2011. A data base da categoria é no mês de junho.

Os Trabalhadores na Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias podem entrar em greve a partir de 10 de agosto, de acordo com os Sindicatos e Federação. O movimento pode ser iniciado se não houver acordo com o SINELTEPAR, sobre o reajuste salarial e outras reivindicações.

A reunião foi entre a Comissão de Negociação formada por diretores da Federação e dos Sindicatos de Trabalhadores com os representantes do SINELTEPAR.

Confira a ATA

Participaram os companheiros: DENILSON PESTANA DA COSTA (FETRACONSPAR/ SINTRACOM Londrina), JOSÉ CAETANO FERREIRA (SOE Curitiba) ADEMIR DIAS e ALMIR DO ROSÁRIO ANDRADE PRADO (STICC Ponta Grossa) e foi assistida pelo Auditor Fiscal do Trabalho - LUIS FERNANDO FAVARO BUSNARDO.

Diretores da Federação e dos Sindicatos de Trabalhadores com representantes do SINELTEPAR e assistida pelo mediador da DRT.