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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de agosto de 2010 | Economia
País encontrou o caminho da geração
de empregos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou hoje, em seu
programa semanal de rádio "Café com o Presidente",
os números da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais) de 2009, divulgados pelo Ministério do Trabalho
na semana passada. Segundo ele, em sua gestão (de 2003 até
o ano passado) foram criados 14 milhões de empregos no País,
enquanto a Europa e os Estados Unidos perderam, apenas no ano passado,
cerca de 16 milhões de postos de trabalho.
"Os números mostram aquilo que a gente vem dizendo já
há algum tempo. O Brasil encontrou o caminho do desenvolvimento,
o Brasil encontrou o caminho da criação de oportunidades
de trabalho, da geração de empregos, porque nós
estamos fazendo o que não acontecia desde 1975, quando nós
entramos numa crise de desemprego no Brasil, de desativação
das atividades econômicas no Brasil", disse Lula, emendando:
"Eu acho isso extraordinário."
Ainda no programa de rádio,
o presidente disse que o Brasil "se encontrou consigo mesmo e finalmente
vai se transformar numa grande economia" e que "fica muito
feliz" com a divulgação dos números do Caged
(Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e da Rais. Lula lembrou
que essa recuperação no nível de emprego ocorreu
após o País ter registrado a perda de milhões de
postos de trabalho, em vários setores. E citou como exemplo o
fato de a Volkswagen, na década de 70, ter cerca de 44 mil trabalhadores
e hoje contar com apenas 17 mil.
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ESTADÃO.COM,
10 de agosto de 2010 | Economia
Construção paga mais que indústria
Salário médio dos recém-contratados
pelas construtoras chegou a R$ 888 em junho; aumento é de 35,2%
em relação ao início do governo Lula
Raquel Landim - O Estado de S.Paulo
A construção civil está
pagando melhor os trabalhadores iniciantes do que qualquer outro setor
da economia, incluindo a indústria. Em junho deste ano, o salário
médio dos profissionais recém-contratados pelas construtoras
atingiu R$ 888. A indústria pagou R$ 858 e o setor de serviços,
R$ 872,5.
Em relação ao início do
governo Lula, o salário médio dos empregados com carteira
assinada admitidos na construção civil subiu 35,2%. Em
janeiro de 2003, estava em R$ 657, enquanto um operário iniciante
na indústria recebia R$ 704.
Os dados são do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, e consideram
apenas os trabalhadores formais. Fábio Romão, economista
da LCA Consultores, pondera que a informalidade é maior na construção,
logo os baixos salários podem não estar sendo considerados.
"O mercado está muito aquecido na
construção civil pela falta de mão de obra qualificada",
diz o diretor de relações capital e trabalho do Sindicato
da Indústria da Construção Civil (Sintracon) de
São Paulo, Antonio de Sousa Ramalho Junior.
A agricultura registrou o melhor reajuste para
os recém-contratados entre todos os setores: 41,1%. A remuneração
da área agrícola ainda é bastante indexada ao salário
mínimo, mas os salários ainda são os piores: R$
600.
Barganha. Os trabalhadores têm hoje de
um poder de barganha significativo na hora de negociar salários.
"Os resultados das campanhas salariais deste ano serão muito
bons", acredita o coordenador de relações sindicais
do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio
Econômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira.
Ele estima que, em 2010, quase 100% das negociações
salariais vão pelo menos repor a inflação. Até
hoje, 2007 foi o melhor ano para os trabalhadores, com 97% das negociações
repondo a inflação e 88% com ganho real. A construção
civil, cuja data-base é maio, obteve ganho real pelo sexto ano
consecutivo.
De acordo com o presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, a categoria adotou
a política de elevar os salários iniciais, para inibir
a rotatividade. Nos últimos oito anos, os metalúrgicos
acumularam ganho real de 23%, mas a alta chegou a 32% no piso da categoria.
Com as autopeças, o ganho real é de 18%, enquanto o reajuste
real do piso chegou a 37%.
Segundo o economista-chefe da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco, os
reajustes estão compatíveis com a recuperação
da produção. "Até o momento não detectamos
uma pressão forte de custos vinda dos salários."
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Folha de S.Paulo, 10 de agosto
de 2010
SINDICALISMO
Frase de Dilma sobre redução
de jornada gera críticas de centrais
DE SÃO PAULO - Com apoio
quase irrestrito no meio sindical, a candidata à Presidência
Dilma Rousseff (PT) desagradou às centrais sindicais ao tergiversar
no debate da Band sobre a redução da jornada de trabalho
para 40 horas semanais.
A declaração da petista foi debatida pelas principais
centrais no final de semana. A conclusão foi que Dilma será
pressionada nas próximas agendas com trabalhadores a se manifestar
sobre o tema.
A primeira chance será dia 17, em ato com mulheres sindicalistas.
O evento é organizado pela CTB (Central dos Trabalhadores do
Brasil), em parceria com CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil),
CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical,
Nova Central e UGT (União Geral dos Trabalhadores).
A diminuição da jornada é a maior bandeira da classe.
Provocada por Plínio Sampaio (PSOL) na TV, ela evitou se posicionar:
"Não é papel do governo substituir o movimento social
e determinar qual jornada de trabalho que esse ou aquele setor deve
ter".
Até agora, Dilma não atendeu ao pedido para receber a
"Agenda da Classe Trabalhadora", documento formulado em evento
de 1º de junho.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de agosto de 2010 | Economia
Infraestrutura do Brasil é reprovada
em estudo
A qualidade da infraestrutura brasileira é das piores no mundo,
mesmo com a arrancada dos investimentos nos últimos quatro anos.
Comparado a outros 20 países, com os quais concorre no mercado
global, o Brasil ficou apenas na 17.ª colocação no
quesito qualidade geral da infraestrutura, empatado com a Colômbia.
Numa escala de 1 a 7, o País teve nota 3,4, abaixo da média
mundial, de 4,1.
As informações
são de um estudo inédito da LCA Consultores, cuja fonte
foi o relatório de competitividade 2009/2010 do Fórum
Econômico Mundial, localizado em Genebra, na Suíça.
A avaliação é feita por empresários e especialistas
de cada nação. No Brasil, 181 questionários foram
respondidos. A má qualidade de estradas, portos, ferrovias e
aeroportos brasileiros não chega a ser novidade. Mas faltava
uma comparação internacional que desse uma noção
mais clara de quão atrasado está o País.
A distância que separa o Brasil das primeiras posições
é enorme. A França, que ocupa o topo da lista, teve nota
6,6, seguida de Alemanha (6,5) e dos Estados Unidos (5,9). Entre as
outras nações que deixaram o País na rabeira estão
o México, a China, a Turquia, a África do Sul e o Chile.
"Ficamos décadas sem investir e isso fez com que acumulássemos
gargalos que ainda se refletem no estado atual da nossa infraestrutura",
diz o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, autor do
estudo.
Foi no item qualidade
da infraestrutura portuária que o Brasil teve o pior desempenho.
Com 2,6 pontos, o País foi o lanterninha do ranking, bem distante
da média mundial de 4,2. No setor ferroviário, o padrão
de qualidade brasileiro só não é pior que o da
Colômbia: teve nota 1,8, ante uma média mundial de 3,1.
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Gazeta
do Povo, 10 de agosto de 2010
Internet
Banda larga popular chega em um mês
Governador assina hoje plano que prevê pacotes econômicos
com velocidades limitadas, de até 512 kbps – tecnicamente
abaixo do conceito de conexão rápida
A Copel vai passar a vender conexão de
internet no atacado com preços subsidiados, exigindo em troca
que os provedores locais ofereçam aos clientes opções
de pacotes econômicos de banda larga, que custarão entre
R$ 15 e R$ 30. O decreto que oficializa o Plano Estadual de Banda Larga
será assinado hoje pelo governador do Paraná, Orlando
Pessuti, e a estimativa é que os primeiros pacotes comecem a
ser oferecidos em um mês.
Segundo a Copel, o plano possibilitará
a universalização da oferta de banda larga no Paraná
até 2013. A iniciativa estadual antecipa a criação
do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que almeja atingir 40 milhões
de domicílios brasileiros até 2014.
Subsídio
Para oferecer conexão à internet
no atacado, a estatal de energia elétrica vai utilizar a sua
rede de cabos de fibra óptica, que chega hoje a 227 cidades do
Paraná e será aumentada. A internet da Copel será
vendida aos provedores por R$ 230 por Mbps (megabits por segundo, medida
de velocidade de conexão), um valor mais de 50% abaixo do preço
médio do mercado. O subsídio é derivado da diminuição
da margem de lucro da empresa e da isenção do pagamento
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS). Além dos provedores, as prefeituras do interior também
receberão o serviço da Copel. Segundo levantamento da
consultoria Teleco, 90% dos municípios paranaenses são
atendidos por algum provedor de internet.
Para Carlos Eduardo Moscalewsky, superintendente
de Telecomunicações da Copel, o Plano Estadual de Banda
Larga representa um esforço para antecipar os benefícios
do similar nacional. “Estudos do Banco Mundial comprovam que cada
10% de penetração de banda larga corresponde a um aumento
de 1,3% do PIB da região”, informa.
Pacotes
Os pacotes populares oferecerão conexões
de 256 kb (R$ 15) e 512 kb (R$ 30). As velocidades estão abaixo
da conexão mínima de banda larga, segundo a União
Internacional de Telecomunicações – agência
da ONU para padronização do setor. “Apesar da velocidade
limitada, reconhecemos ser importante universalizar o acesso à
internet convencional. No longo prazo, o desejo é que os clientes
passem a receber o fornecimento em banda larga”, almeja Moscalewsky.
A Copel também está investindo
em uma rede de fibra óptica que ofereça conexões
entre 20 e 100 Mbps diretamente ao consumidor, sem intermediação
de provedores. O piloto do projeto Banda Extra Larga está sendo
instalado na região central de Curitiba, e espera fornecer internet
para empresas e escritórios. A Copel almeja ampliar também
este serviço e oferecê-lo no interior do estado.
Plano nacional pretende atingir 40 milhões
de residências
Lançado oficialmente em maio deste ano,
o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) pretende capilarizar a oferta
de banda larga no Brasil, triplicando o número de domicílios
com acesso a internet. Previsto para alcançar 40 milhões
de residências até 2014, o plano criou polêmica em
torno da reativação da estatal Telebrás, que gerenciava
o mercado de telecomunicações antes das privatizações
no setor.
Para reativar a Telebrás, que será
usada como “espinha dorsal” do plano, o governo deve investir
na estatal R$ 3,2 bilhões, através de recursos do Tesouro
Nacional. A empresa precisa de R$ 5,7 bilhões para voltar a operar.
O custo total do PNBL é estimado em R$
12,8 bilhões. Mais da metade deste valor será emprestada
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo o governo, empresas privadas poderão participar do PNBL
de forma complementar, levando o serviço até o consumidor
final.
O custo da tarifa deve ser de R$ 15, para o
plano com incentivos, com velocidade de até 512 kbps, e de R$
35 para o plano comum, com velocidade entre 512 e 784 kbps.
Web barata
Apenas provedores locais poderão se beneficiar com o Plano Estadual
de Banda Larga
O que é
A Copel passa a usar sua rede de fibra óptica
para vender conexão de internet no atacado – para provedores
locais – que deverão oferecer pacotes econômicos
para clientes de baixa renda.
Incentivos
Além da redução da margem
de lucro da Copel, os provedores locais também estarão
isentos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS).
Contrapartida
A cada megabit comprado da Copel, o provedor
deverá oferecer ao mercado consumidor seis contratos de 256 Kb
por R$ 15 e três contratos de 512 Kb por R$ 30.
Meta
Presente hoje em 227 municípios, a rede
de fibra óptica da Copel deve alcançar as 399 cidades
do Paraná até 2013.
Fonte: Copel
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Folha de S.Paulo, 10 de agosto
de 2010
"Brasil ficará mais
dono da Petrobras"
Diretor da Agência Nacional do Petróleo
quer preço das reservas "o mais alto possível",
antes de capitalização | Quanto maior o valor das reservas,
mais ações a União poderá adquirir da empresa,
o que prejudica minoritário
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
O diretor-geral da ANP (Agência
Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, defende que o governo saia
"mais dono" da Petrobras após a capitalização
da empresa e que o preço das reservas de petróleo que
a União usará na operação seja o "mais
alto" possível, porque é "bom para os brasileiros".
Lima avalia como "baixo" um preço entre US$ 5 e US$
6 para o barril de petróleo das reservas que a União cederá
à estatal como sua parte no aumento de capital -esse valor é
citado por analistas de mercado e criticado internamente pelo governo.
Em entrevista à Folha, ele disse que nem minoritários
nem Petrobras podem querer "ganhar" à custa da União
pressionando por um preço que não seja "vantagem"
para os brasileiros. A ANP contratou a Gaffney, Cline & Associates
para avaliar o volume e o valor dos 5 bilhões de barris de petróleo
que a União dará à Petrobras na capitalização
da empresa. Quanto maior o valor, mais ações poderá
adquirir.
Apesar de a consultoria considerar o prazo "estreito", prometeu
entregar no final do mês o laudo a ser usado nas negociações
entre o governo e a estatal para definir o preço do barril. Leia
trechos da entrevista.
Folha - Quando fica
pronta a certificação das reservas e do preço dos
barris de petróleo que a União usará na capitalização
da Petrobras?
Haroldo Lima - Fizemos um cronograma com a certificadora, que
foi revisto há poucos dias, e foi reconfirmado para o final de
agosto. Não há atraso previsto. Pode ser que aconteça,
mas até o presente instante a previsão é de cumprir
o prazo.
Até o final deste
mês saem tanto o cálculo das reservas como do preço
dos barris?
A certificação é do cálculo volumétrico
e uma apreciação de valor. As avaliações
estão sendo feitas nos campos de Franco e de Libra [na região
do pré-sal]. A lei da capitalização prevê
a cessão onerosa à Petrobras de 5 bilhões de barris
de petróleo. Se puder ser medido somente em Franco, será
uma vantagem para a União.
Qual a estimativa?
Ainda não temos o número fechado. Estimamos 4,5 bilhões
de barris em Franco, antes da certificação.
No mercado se fala num
preço do barril de petróleo entre US$ 5 e US$ 6.
Fica difícil para dizer. A certificação está
sendo feita e um dos pontos mais controvertidos é a questão
do valor. Eu acho que um preço entre US$ 5 e US$ 6 está
baixo. É uma opinião pessoal minha.
Quanto maior o preço
do barril, melhor para a União?
Daí achar que um barril baixo, entre US$ 5 e US$ 6, não
é vantagem para a União, para os brasileiros. Um barril
mais alto é bom para os brasileiros. Claro que não podem
aumentar de forma aleatória, irrealista. Também não
podemos baixar e prejudicar o Brasil.
Qual a sua expectativa
com a capitalização? Que o país fique mais dono
ou menos dono da Petrobras?
Espero que o Brasil fique mais dono da Petrobras. Toda vez que nós
discutíamos isso na antiga comissão, a que discutiu o
novo marco regulatório do petróleo, dizia que nós
estávamos projetando muitos favorecimentos à Petrobras,
como a cessão de 5 bilhões de barris, a condição
de operadora única.
Tudo isso se justificava, posto que nós poderíamos sair
mais donos da Petrobras.
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Folha de S.Paulo, 10 de agosto
de 2010
ÁSIA
China quer fechar 2.000 fábricas
para economizar energia
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
- O governo chinês anunciou que pretende fechar 2.087 fábricas,
em sua maioria ligadas ao setor da indústria pesada, para atingir
as suas metas de eficiência energética.
As unidades (que incluem, entre outras, siderúrgicas e fábricas
de cimento) deverão ser fechadas até o dia 30 do mês
que vem, segundo Pequim.
No início do ano, o líder chinês Wen Jiabao prometeu
"mão de ferro" para aumentar a eficiência energética
do país.
E o anúncio das empresas que devem ser fechadas é o sinal
mais recente de que o governo chinês realmente pretende tomar
medidas -ainda que analistas duvidem que o fechamento seja definitivo.
Há cinco anos, Pequim prometeu reduzir em 20% até este
ano o consumo de energia por unidade do PIB, mas vem enfrentando dificuldades
para conseguir atingir a meta.
Até o fim de 2009, a queda tinha sido de 15,6% em relação
ao nível de 2005, porém o consumo de energia cresceu no
primeiro trimestre deste ano.
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Vermelho, 10 de agosto de
2010
No Jornal Nacional, Dilma Rousseff
(PT) mostra por que foi escolhida por Lula
A candidata Dilma Rousseff estreou,
nesta segunda-feira (9), a rodada de entrevistas com os principais candidatos
presidencias na bancada do principal telejornal da Globo, o Jornal Nacional,
e se saiu muito bem. Confiante, elegante e bem treinada para dialogar
com as câmeras e os entrevistadores, nem parecia a nervosa Dilma
do debate na TV Bandeirantes
A candidata Dilma Rousseff estreou, nesta segunda-feira (9), a rodada
de entrevistas com os principais candidatos presidencias na bancada
do principal telejornal da Globo, o Jornal Nacional, e se saiu muito
bem. Confiante, elegante e bem treinada para dialogar com as câmeras
e os entrevistadores, nem parecia a nervosa Dilma do debate na TV Bandeirantes.
Em recente entrevista à
revista IstoÉ, o presidente Luis Inácio Lula da Silva
disse que quando conheceu Dilma percebeu que estava diante de um "animal
político não trabalhado". Era um elogio. Hoje, após
ver a performance da ministra na entrevista do Jornal Nacional, Lula
certamente deve estar convencido de que agora está diante de
uma "fera política trabalhada" e preparada para encarar
o desafio de disputar e vencer a corrida presidencial.
O casal global Willian Bonner
e Fátima Bernardes, no papel de entrevistadores, passaram menos
segurança do que a entrevistada. Bonner chegou a ser grosseiro
com Dilma em alguns momentos. Mesmo assim, a ex-ministra não
perdeu a tranquilidade, nem deixou-se pegar em eventuais saias justas
como a que Bonner tentou criar ao citar o apoio de "aliados incômodos"
como Collor, Renan Calheiros e Jader Barbalho à candidatura petista.
Apesar de demorar um pouco para
entrar propriamente no tema, Dilma conseguiu deixar claro que "a
ampla aliança" que o presidente Lula construiu foi o que
permitiu que se aprovassem medidas que possibilitaram o sucesso de seu
governo.
"O PT percebeu que governar
um país com a complexidade do Brasil implica necessariamente
na capacidade de construir uma aliança ampla", disse Dilma.
A candidata ainda frisou que foram alianças onde os aliados é
que se submetiam às diretrizes do governo e não o contrário.
O release do JN sobre a série
de entrevistas já avisava que as sabatinas iriam abordar "pontos
polêmicos de cada candidatura". E Dilma pareceu preparada
para encará-los. Mas apenas a pergunta sobre os aliados tratou
de tema realmente polêmico, as demais serviram de gancho para
Dilma expor as muitas realizações do governo Lula.
Ela respondeu a perguntas dos
entrevistadores durante 12 minutos. A primeira pergunta feita por Bonner
à candidata foi quase um presente para Dilma mostrar que, para
além de sua "falta de experiência em eleições",
ela tem muita experiência administrativa acumulada.
A candidata mencionou todas
funções públicas importantes que ocupou desde a
Secretaria de Planejamento da prefeitura de Porto Alegre, até
a chefia da Casa Civil da Presidência da República. "Eu
considero que eu tenho experiência administrativa suficiente [para
governar o país].
Mais do que isso, eu conheço
o Brasil de ponta a ponta, conheço os problemas do governo brasileiro",
garantiu. E aproveitou para reafirmar sua ótima relação
com o presidente Lula. "Fui o braço direito e esquerdo dele
nesse processo de transformar o Brasil em um país diferente,
que cresce, que distribui renda", afirmou.
Dilma também marcou um
golaço ao comparar sua fama de "durona" com uma mãe
que busca ser firme com os filhos para que eles não se desviem.
Apesar de ter sido neste momento que Bonner perdeu a compostura com
a ex-ministra - a ponto de Fátima Bernardes ter que intervir
na discussão - Dilma terminou sua fala sobre este tema passando
a mensagem de pessoa "firme" que controla com rédias
curtas os subordinados para que as coisas possam efetivamente acontecer.
"Tem uma hora que você tem que cobrar resultado", afirmou.
E aproveitou a pergunta para
atacar seu principal adversário, José Serra (PSDB). "Você
nunca vai ver o governo do presidente Lula tratando qualquer movimento
social a cassetete", numa referência às várias
manifestações sindicais que foram duramente reprimidas
pelo polícia paulista durante a gestão de Serra como governador
de São Paulo.
Para além do destempero,
Willian Bonner ainda mostrou desinformação quando tentou
menosprezar o crescimento econômico do Brasil. Contrariando todos
os indicadores que mostram que o Brasil está vivendo um de seus
melhores momentos na economia, Bonner questionou Dilma sobre o porquê
que o Brasil não cresce como os outros países emergentes
e alguns países vizinhos.
O resultado da pergunta mal
elaborada foi ter de ouvir de Dilma a reafirmação de que
o Brasil está crescendo sim e que só não cresceu
antes pois teve que arrumar a casa depois de pegar um país destruído
economicamente pelo governo anterior.
No final, Dilma disse que pretende
"dar continuidade ao governo do presidente Lula". "Mas
não é repetir, é avançar. Eu acredito que
é a hora e a vez do Brasil".
Repercussão
A repercussão mais imediata da entrevista ocorreu no Twitter,
onde ficou clara a percepção de que a ex-ministra foi
bem e que a nota negativa ficou para o casal de entrevistadores.
"Willian, Fátima,
deixem a mulher responder e melhorem o nível das perguntas";
"O que foi essa entrevista da Dilma? Sério que a Globo não
tem ninguém mais preparado que o casal Bonner pra fazer uma entrevista?";
"O q foi esse ataque à Dilma no JN? Bonner não deixava
ela falar nada. Fora q não teve uma pergunta de verdade, só
acusações.", foram algumas das postagens feitas por
internautas logo após a entrevista.
Até o blogueiro Ricardo
Noblat, alinhado com a oposição, teve que reconhecer:
"Dilma não foi mal" disse, e depois explicou: "Foram
8 perguntas. Dilma enrolou ao responder a 5. Mas fez isso com talento.
Dominou a cena. Pareceu + à vontade q os entrevistadores".
O presidente do PT, José
Eduardo Dutra, também gostou do desempenho da candidata. "Excelente
participacao da Dilma no JN. Firme, sem perder a calma, nem cair nas
provocacoes. Quem dizia que ela nao aguenta pressao?", disse o
dirigente petista em seu perfil no Twitter.
O único escorregão
da candidata foi ter confundido Baixada Santista com Baixada Fluminense.
Mas depois ela se corrigiu. Porém, a correção não
bastou para que muitos twitteiros pegassem no pé da candidata
por causa disso, numa atitude típica de internautas, sem maiores
consequências para a avaliação positiva da entrevista.
Os termos "Willian Bonner", "Fátima Bernardes",
"Dilma Rousseff" e "Baixada Santista" rapidamente
ocuparam o "Top Trending Brasil" do Twitter.
O desafio de Serra e Marina,
que serão entrevistados nesta terça e quarta-feira (11),
respectivamente, será não ficar muito atrás do
desempenho de Dilma e enfrentar entrevistadores que, espera-se, estejam
mais preparados para fazer as perguntas do que estavam nesta primeira
entrevista.
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Congresso em Foco, 10 de
agosto de 2010
Por que Dilma, no final, ganhou
o debate
“Se o debate da Band
foi amistoso de luxo, para testar estratégias e corrigir os erros,
o próximo, a ser promovido pelo UOL e pela Folha no dia 19, tende
a ser jogo duro pra valer”
O primeiro debate entre os presidenciáveis,
na Band, teve audiência baixíssima. Foi fragorosamente
derrotado pelo jogo entre o Internacional e o São Paulo na semifinal
da Taça Libertadores, transmitido pela Globo. Além disso,
entre os candidatos no debate, quem se destacou foi alguém que
tem traço ou, no máximo, 1% nas pesquisas de intenção
de voto. Ora, se pouca gente viu, e se boa parte de quem viu gostou
de alguém que está praticamente fora da disputa, quem,
de fato, venceu o debate? Quem tinha mais a perder e saiu, por conta
dessas duas circunstâncias citadas acima, ilesa de tudo. Ou seja:
Dilma Rousseff, a candidata do PT.
Será preciso ser petista
de carteirinha, daqueles que já perderam a noção
da realidade (e desconfio que alguns assim acabarão aparecendo
aqui na seção de comentários) para considerar que
Dilma tenha tido uma boa atuação no debate. Nervosa, prolixa,
Dilma não conseguiu ter concisão para completar as respostas
na maioria das ocasiões. Ela melhorou na segunda metade do debate,
quando ficou ainda mais forte a polarização entre ela
e José Serra, do PSDB. Sua sorte é que Serra, de forma
surpreendente para quem já tem sua tarimba, também estava
nervoso. Não conseguiu aproveitar-se do momento em que sua adversária
parecia mais tensa. Até de certa forma ajudou Dilma no começo
permitindo a ela completar a resposta sobre o que faria em segurança
pública, educação e saúde, que tinha deixado
inconclusa. Marina Silva, do PV, imprensada pela polarização
entre os dois, não conseguiu deixar claras quais são suas
diferenças com relação à dupla que lidera
as eleições.
Ficou aberto, então,
o terreno para Plínio de Arruda Sampaio, do Psol. Ao contrário
de Dilma, principalmente, ele não tinha absolutamente nada a
perder. Tudo o que viesse para ele, a partir do fato de simplesmente
estar sentado ali, já era lucro. Por isso, Plínio estava
absolutamente à vontade. E, aí, é óbvio
que ganhou. Se antes era desconhecido da grande maioria do eleitorado,
e deixou de ser, ganhou. Se antes não aparecia na mídia
e depois passou a ser acompanhado nos noticiários até
das emissoras concorrentes, ganhou. Se passar de 1% das intenções
de voto nas pesquisas para 2%, continuará sendo um candidato
sem qualquer chance de vencer, mas terá tido um crescimento de
100% no seu desempenho eleitoral. Ganhará.
Mas o que temos de considerar
é que o debate entre os candidatos não é um programa
televisivo em si. Ele é parte do contexto que levará alguém
a se eleger presidente ou não. E é nesse sentido que,
no final, a maior vantagem foi de Dilma. Pouquíssimas pessoas
viram que ela estava nervosa e não conseguia completar as respostas.
Os que viram testemunharam que seu principal adversário, Serra,
não conseguiu aproveitar-se disso de forma substantiva. Quem
se aproveitou foi um velhinho simpático com umas ideias estranhas
de quem a grande maioria nunca ou muito pouco tinha ouvido falar antes.
Visto por poucos, tendo se destacado um candidato que era traço,
o efeito do debate da Band nas pesquisas eleitorais provavelmente será
nenhum. O que não muda, portanto, beneficia quem está
na frente, é claro.
O que ficou então, para
Dilma, foi um bom treino, com os adversários em campo, para buscar
corrigir seus erros para os debates e aparições posteriores.
A assessoria de Dilma comemorou um bocado o resultado do debate. Não
porque acharam que ela tenha arrasado. Um pouco pelo raciocínio
descrito acima, e um pouco por conta dos bastidores anteriores à
rodada da Band. Eles insistiram para treinar melhor Dilma. Insistiram
em fazer com ela um treinamento pesado, com saias-justas e armadilhas.
Especialmente para treinar a capacidade de concisão, que já
haviam identificado como um problema. Dilma resistiu. Autossuficiente,
julgava-se preparada. Agora, eles ganharam argumentos para prepará-la
melhor para as ocasiões seguintes. Sem que ela tenha tido, de
fato, um prejuízo muito grande.
Porque o próximo embate
pode não vir a ser tão moleza assim. Se na Band desenrolou-se
um debate longo e às vezes chato, onde houve agitação
foi na internet e sua redes sociais. Na internet, o debate aconteceu.
O próximo encontro entre os presidenciáveis, dia 18 de
agosto, será justamente na rede, no debate promovido pelo UOL
e pela Folha de S. Paulo. O Congresso em Foco será um dos veículos
que irão transmiti-lo ao vivo. Interação, perguntas
de internautas, uso de várias mídias. Durante o dia, sem
concorrência com clássico de futebol. Não será
prudente contar-se com a baixa audiência e com o auxílio
de um franco-atirador como aliados. Se o debate da Band foi amistoso
de luxo, para testar estratégias e corrigir-se os erros, o próximo
tende a ser jogo duro, pra valer.
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Valor Econômico, 10
de agosto de 2010
Eleições 2010: biografia
é insuficiente para vencer, diz cientista político
A comparação de
biografias no horário eleitoral gratuito tende a não funcionar
como estratégia para captar mais votos na disputa presidencial
deste ano, analisa o cientista político e professor universitário
Alberto Carlos Almeida.
Nesta eleição,
o voto tende a ser menos "personalista" e mais "institucional",
afirma Almeida, diretor do Instituto Análise e autor dos livros
"A cabeça do brasileiro" e "Como são feitas
as pesquisas eleitorais e de opinião".
"O eleitor não vai
votar só no mais bem preparado, mas sim em quem tem mais condições
de melhorar a vida dele", disse Almeida. "Nesta eleição
as pessoas vão às urnas para comemorar o aumento do poder
de compra", afirmou. "E a tendência dos candidatos é
reforçar a imagem de defensor dos pobres", comentou.
O fato de ter mais experiência
administrativa ou de ser o "mais preparado" não é
suficiente para o candidato ganhar o voto do eleitor, considerou o diretor
do Instituto Análise.
Em 2006, lembrou o Almeida,
o então candidato do PSDB, Geraldo Alckmin terminou a eleição
com a imagem de "mais bem preparado" do que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, mas o eleitor preferiu a continuidade de
um governo que melhorou a vida dele. O voto "institucional"
prioriza o projeto de governo que leva o eleitor a "ganhar mais".
O principal meio de comunicação
para defender esse projeto é a televisão. A análise
do impacto do programa eleitoral gratuito sobre as intenções
de voto nas duas últimas eleições, no entanto,
mostra cenários divergentes. Em 2002, Lula cresceu de 37% para
45% com o início da propaganda na televisão e no rádio.
Seu principal adversário,
o tucano José Serra, manteve-se na faixa de 19%. Na disputa presidencial
seguinte, em 2006, Lula manteve-se estável, com 49%, e o candidato
do PSDB, Geraldo Alckmin, ampliou a margem de intenção
de votos de 25 % para 38%, segundo pesquisa do instituto Datafolha.
Ter a maior fatia do horário
eleitoral gratuito na televisão e no rádio, no entanto,
não garante vitória a ninguém, segundo analistas
políticos e de marketing. Apesar da alta exposição,
há dezenas de casos recentes de derrota.
O exemplo clássico citado
por especialistas em marketing eleitoral é o de Ulysses Guimarães
(PMDB), que na disputa pela Presidência, em 1989, terminou a eleição
em sétimo lugar, apesar de ter 37% a mais de tempo na televisão
do que o segundo colocado na escala de tempo na propaganda oficial.
O importante, destacam marqueteiros,
é que o tempo na propaganda eleitoral seja usado para passar
uma "mensagem positiva" e para o debate de propostas. São
citados os casos da eleição de Fernando Henrique Cardoso
(PSDB), que ganhou a disputa pela Presidência após o Plano
Real, em 1994 e a reeleição, em 1998.
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Valor Econômico, 10
de agosto de 2010
Plínio pode ajudar a levar
disputa ao segundo turno, avalia cientista político
Troca de empurrões e
até xingamentos entre repórteres e operadores de câmera
costumavam caracterizar até aqui coletivas dos três primeiros
colocados na disputa presidencial. Promotor público aposentado,
80 anos, Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL à
presidência da República, era até a semana passada
um coadjuvante pouco requisitado pela imprensa. Quem com ele quisesse
conversar depois dos eventos o faria sem entreveros. Destaque do debate
promovido pela TV Bandeirantes, semana passada, Plínio se tornou
peça-chave nas pretensões de seu partido na Câmara
dos Deputados e pode, involuntariamente, ajudar o tucano José
Serra (PSDB) a levar a eleição presidencial ao segundo
turno.
"Marina Silva [candidata
do PV] deve alcançar algo como 10% dos votos válidos.
Se Plínio continuar a se destacar nos debates, pode fazer 3%.
Contando que os outros candidatos menores somem 2%, são 15 pontos
percentuais, uma margem muito grande para Dilma ou Serra abrirem um
do outro no primeiro turno", avalia o cientista político
Antonio Lavareda, que compara o quadro atual com 2006: "Heloísa
Helena [PSOL] teve 6,8% e os outros candidatos, somados, 2,9%. Heloísa
tinha um discurso mais estreito e menos tempo de TV do que Marina".
Naquela eleição, os dois ponteiros, Geraldo Alckmin (PSDB)
e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tiveram, respectivamente, 41,6%
e 48,6% dos votos no primeiro turno. Segundo a última pesquisa
realizada pelo Ibope, Dilma Rousseff (PT) tem 39% das intenções
de voto. José Serra (PSDB), 34%.
Para o deputado federal Chico
Alencar (PSOL-RJ), "a marca PSOL ganhou visibilidade com a performance
de Plínio no debate. Pode influenciar no número de federais
e estaduais que vamos eleger". O PSOL tem apenas três deputados
estaduais e outros três na Câmara. "Somos muito cautelosos
para falar em números, mas espero crescimento. Somos um partido
jovem e com uma proposta diferenciada, temos o nosso eleitorado",
diz Alencar. Em 2006, o PSOL lançou 189 candidatos a deputado
federal em todo o país. Em 2010, são 335.
No encontro com as associações
comerciais, em São Paulo, Plínio não se furtou
de defender a redução da jornada de trabalho sem diminuição
dos salários, disse que "camaradas" como o presidente
boliviano Evo Morales e o venezuelano Hugo Chávez seriam bem
recebidos em seu gabinete e que todos os indicadores sociais cubanos
são melhores que os brasileiros. Mas salientou não ser
favorável à perseguição política
empreendida pelo governo da ilha.
"Defendo, defendi e defenderei
o MST porque defendo a reforma agrária, motivo pelo qual fui
exilado 12 anos. Liberdade sem igualdade econômica não
existe", bradou Plínio, que disse considerar uma "indignidade"
o programa de promoção por mérito instaurado por
Serra na educação paulista. Ao empresariado, pediu: "Estudem
nosso programa de governo, sem preconceito. Alimento a esperança
de conseguir algum voto aqui, o que não é fácil".
Defendeu ainda Previdência Social de piso único para o
país: "Eu, que fui promotor público, vou me prejudicar,
porque recebo como um marajá hoje. Mas é preciso haver
coerência no que se fala", arrematou.
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Congresso em Foco, 10 de
agosto de 2010
25% dos candidatos barrados foram
pela ficha limpa
Cassações já chegam a 136.
Número, porem, pode ficar maior por conta de discrepância
de informações em Pernambuco e por julgamentos que ainda
acontecerão | Decisões dos tribunais eleitorais já
barraram 136 candidatos com base na ficha limpa
Mário Coelho
Com julgamentos realizados nesta
segunda-feira (9), o número de candidatos barrados pela Lei da
Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10) chega a 136. A quantidade representa
aproximadamente 25% das candidaturas contestadas pelo Ministério
Público Eleitoral (MPE) em todo o Brasil. O número tem
como base informações prestadas por 19 dos 27 tribunais
eleitorais espalhados pelo país. Nos próximos dias, o
grupo dos barrados deve aumentar, já que as cortes da Bahia,
do Distrito Federal, do Mato Grosso do Sul, do Paraná e de Santa
Catarina ainda não terminaram de analisar todos os registros
de candidatura.
Até o momento, o estado
com o maior número de candidatos barrados é o Ceará,
com 25. Depois dele vem Rondônia, que teve 24 registros indeferidos
pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RO). Eles são seguidos
por Minas Gerais (16), Paraíba (10), Rio de Janeiro (10), Acre
(9), Espírito Santo (6), Alagoas (5), Mato Grosso (5), Rio Grande
do Sul (5), Pará (4), Mato Grosso do Sul (3) Paraná (3),
Pernambuco (3), Santa Catarina (3), Piauí (2), Amapá (1),
Distrito Federal (1) e Tocantins (1).
O levantamento é baseado
nas listas divulgadas pelo Ministério Público Eleitoral
(MPE) nos estados e o resultado dos julgamentos pelos Tribunais Regionais
Eleitorais (TREs). O site mostrou hoje que pelo menos cinco cortes locais
adotaram pontos de vista diferentes na aplicação da Lei
da Ficha Limpa. O resultado foi considerado "esquizofrênico"
pelo procurador eleitoral de Tocantins, por exemplo. E a mesma confusão
se repete na divulgação dos dados.
Em Pernambuco, por exemplo,
a corte local divulgou que 15 candidatos foram barrados por conta das
novas regras de inelegibilidade. Porém, a Procuradoria Regional
Eleitoral (PRE-PE) divulgou que apenas três ações
de impugnação de candidatura tinham como base a Lei da
Ficha Limpa. O mesmo aconteceu em Tocantins, onde o TRE entendeu que
duas impugnações feitas a partir da nova lei foram aceitas
com a justificativa de que já estavma presentes na redação
antiga da legislação eleitoral.
Sobre todas as decisões,
cabe recurso. A parte perdedora pode entrar com embargo de declaração
no próprio TRE. O instrumento jurídico não contesta
o mérito da decisão, mas sim alguma parte que não
esteja clara ou aponta erros no acórdão publicado. Ou,
se preferir, recorrer diretamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
por meio de recursos ordinários. Enquanto não houver decisão
final - transitada em julgada - os candidatos podem continuar suas campanhas.
Um dos casos julgados nesta
segunda-feira (9) foi do delegado da Polícia Civil de Santa Catarina
Marcos Aurélio Marcucci. Candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa
local pelo PSDB, ele teve o registro negado por ter sido condenado por
crime contra a administração pública. O tucano
não chegou a ser impugnado pela PRE-SC ou por partidos políticos.
Mas, na análise da documentação, os integrantes
do TRE-SC entenderam que ele não poderia concorrer.
Segundo a corte local, Marcucci
foi condenado a pena de cinco anos e nove meses de reclusão,
em regime semi-aberto, pela prática de crime de peculato. A decisão,
de acordo com o TRE, foi confirmada pelo Tribunal de Justiça
(TJSC), em órgão colegiado de segundo grau. O tucano afirmou
na defesa que recebeu indulto total e que sua pena foi extinta. No entanto,
o relator do caso apontou que o indulto extingue somente as sanções,
permanecendo os efeitos secundários da sentença condenatória.
Ou seja, sua condenação permanece na ficha corrida.
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Folha de S.Paulo, 10 de
agosto de 2010
28% dos candidatos não fizeram
prestação parcial
Um quarto dos tucanos e 20% dos petistas ignoraram
balanço para TSE Não há punição para
quem não enviou dados agora, mas TSE diz que isso pode pesar
contra em julgamento futuro
FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA
A legislação eleitoral
foi ignorada por 28% dos candidatos, que deixaram de apresentar a prestação
parcial de contas da campanha na última sexta-feira. O TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) contabilizou 6.244 políticos que desrespeitaram
o prazo para divulgar o primeiro balanço de receita e despesa.
Um quarto dos tucanos e 20% dos petistas não prestaram contas.
Entre os partidos com candidatos a presidente mais bem colocados nas
pesquisas, o PV é o que tem o maior número de candidatos
que não prestaram contas: 31% do total de 1.446.
O TSE diz que não há sanção para quem deixou
de apresentar receitas e despesas parciais. Contudo, a ausência
dessa prestação é registrada no processo do candidato
e pode ser agravante no julgamento das contas.
No topo da lista dos que ignoraram a norma, estão os nanicos:
PT do B, PTC e PRP, todos com 40% ou mais de candidatos listados pelo
TSE.
O secretário de Comunicação do PT, André
Vargas, pondera que o TSE pode ter contabilizado candidatos que desistiram
da candidatura entre os 283 do PT que deixaram de fazer a prestação.
"Deve ter um percentual que não é candidato, mas
ainda não renunciou oficialmente", diz.
Para o secretário de Finanças do PV, Reinaldo Morais,
os candidatos podem ter enfrentado dificuldades técnicas e operacionais.
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Gazeta do Povo, 10 de agosto
de 2010
Verba eleitoral
Autodoação é principal
forma de financiamento de deputados
Parlamentares federais e estaduais costumam
investir dinheiro do próprio bolso para bancar suas campanhas
eleitorais
A autodoação de
dinheiro é a forma de financiamento de campanha mais recorrente
entre os candidatos paranaenses a reeleição para cargos
legislativos nesta campanha eleitoral. Segundo dados divulgados pelo
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos à reeleição
para a Câmara dos Deputados ou à Assembleia são
os maiores doadores desta eleição, investindo grandes
quantias em suas próprias campanhas (ver tabela ao lado).
Entre os candidatos a um novo
mandato na Câmara, quem mais colocou dinheiro do próprio
bolso foi o deputado Odílio Balbinotti (PMDB). Agropecuarista,
Balbinoti doou a si mesmo cerca de R$ 1 milhão – o que
torna sua campanha, até o momento, a mais cara entre todas os
candidaturas paranaenses para cargos de deputado.
Segundo a assessora financeira
da campanha de Balbinotti, Míriam Miguel, caso a soma arrecadada
não seja suficiente para os próximos dois meses de campanha,
o candidato já afirmou que fará um novo aporte. “As
campanhas são dinâmicas. Se for necessário, o deputado
fará mais investimentos. Ele não aceita doações
de fora pois não gosta de ficar devendo obrigação
a ninguém”, garante Míriam. De todo o valor arrecadado
até agora na campanha de Balbinotti cerca de R$ 400 mil já
foram gastos – a maior parte na impressão de material gráfico,
locações de imóveis para comitês e gastos
com transporte.
No outro extremo das autodoações
de deputados federais, Hidekazu Takayama (PSC) declarou ao TSE a arrecadação
de apenas R$ 1,00 – doado por ele mesmo. Até agora, esse
é o valor divulgado como o único gasto de campanha de
Takayama, classificado na declaração ao TSE no item “despesas
diversas a especificar”. Procurada pela reportagem da Gazeta do
Povo, a assessoria de Takayama não retornou as ligações.
Da atual bancada paranaense
em Brasília, 27 dos 30 deputados vão tentar um novo mandato.
Dos que estão na disputa, Alceni Guerra (DEM) e Dr. Rosinha (PT)
não entregaram a prestação de contas ao TSE. Andre
Zacharow (PMDB), Cesar Silvestri (PPS) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) declararam
que ainda não tiveram qualquer arrecadação ou gasto
nas respectivas campanhas.
Deputados estaduais
Entre os candidatos a um novo
mandato na Assembleia Legislativa, o recordista em arrecadação
é Alexandre Curi (PMDB). O atual primeiro-secretário,
além de outras doações recebidas, colocou R$ 400
mil em recursos próprios na sua campanha. Curi afirma que a doação
serve como uma ajuda financeira para esse início de campanha.
O primeiro-secretário da Assembleia diz que espera arrecadar
cerca de R$ 1 milhão na eleição deste ano. Plauto
Miró (DEM) também investiu, assim como Curi, R$ 400 mil
do próprio bolso em sua campanha de reeleição.
Segundo o professor de Ciência
Política Ricardo Oliveira, da UFPR, o alto investimento nas próprias
campanhas feitas por parlamentares mostra a vantagem que os deputados
têm em relação aos demais candidatos. “Quem
não é parlamentar fica em grande desvantagem em relação
aos que detêm este capital político e econômico”,
diz Oliveira.
De acordo com a legislação
eleitoral, os comitês financeiros precisavam apresentar até
a última terça-feira o primeiro balanço parcial
de arrecadação e gastos ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). Na sexta-feira, a Justiça Eleitoral tornou públicas
as informações. Neste primeiro balanço, no entanto,
ainda não está indicado quem são financiadores
“externos” que fizeram doações aos candidatos.
Pela lei, esses nomes só precisam ser divulgados no dias 2 de
novembro, após as eleições, quando TSE divulgará
a prestação de contas consolidada de todas as campanhas.
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Agência Senado, 10 de agosto de 2010
PEC permite a bolsista e estagiário
contar tempo trabalhado para aposentadoria
O tempo de trabalho na condição
de estagiário ou bolsista poderá ser contado para fins
de aposentadoria e outros benefícios previdenciários caso
seja aprovada a Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) 16/04 do senador
Sérgio Zambiasi (PTB-RS). A matéria está na pauta
da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
(CCJ) e tem parecer do relator, senador Alvaro Dias (PSDB-PR), pela
rejeição.
A proposta de Zambiasi é
que possam contar com o tempo trabalhado para a aposentadoria os bolsistas
e estagiários, tanto do setor público quanto do privado,
que tenham contribuído com o regime geral da Previdência.
A PEC chegou a tramitar conjuntamente com algumas outras atendendo a
requerimento apresentado pelo então presidente da CCJ, senador
Marco Maciel (DEM-PE). Porém, foi aprovado pedido do senador
Paulo Paim (PT-RS), primeiro signatário da maioria das PECs que
tramitavam em conjunto, para o desapensamento das matérias.
Em parecer apresentado anteriormente,
Alvaro Dias posicionou-se a favor da PEC 16/04. Ele, no entanto, mudou
de posição. Apesar de contrário à matéria,
o senador pelo Paraná não encontrou impedimentos constitucionais
à tramitação da matéria nem observou restrições
quanto à sua juridicidade, regimentalidade e técnica legislativa.
No mérito, Alvaro Dias defendeu a rejeição sob
a alegação de que bolsistas e estagiários já
podem contar o tempo se contribuírem com a Previdência
na condição de "facultativos".
Contribuinte facultativo
O artigo 14 da Lei 8.212/91
define como segurado "facultativo" o maior de 14 anos de idade
que se filiar ao Regime Geral da Previdência Social, mediante
contribuição. Já a Lei 11.788/08, que regulamenta
o estágio de estudantes, em seu artigo 12, define que o estudante
poderá se inscrever e contribuir como segurado facultativo da
Previdência Social.
"Sendo assim, os direitos
dos estagiários estão duplamente assegurados. A questão
que resta, quanto ao mérito, é se esse direito do estagiário
merece ser alçado à condição de constitucional",
considera Alvaro Dias.
Para o senador, normas fundamentais
como universalidade, uniformidade e solidariedade na proteção
dos segurados mais desvalidos, devem constar da Constituição
federal. Porém, ele observa que minúcias, quando constitucionalizadas,
mais confundem do que esclarecem sobre o alcance dos direitos.
Roberto Homem / Agência Senado
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Agência Senado, 10 de
agosto de 2010
CLT poderá garantir benefícios
a trabalhadores expostos ao sol
Quem trabalha a céu aberto,
exposto aos efeitos nocivos dos raios solares, poderá ter limitação
na carga de trabalho, desfrutar de intervalos para descanso e receber
remuneração extra. Esses benefícios serão
introduzidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
caso seja aprovado projeto de lei (PLS
552/09) da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). A proposta está
pronta para ser votada, em decisão terminativa, pela Comissão
de Assuntos Sociais (CAS).
Se a CLT passar a regular as
atividades a céu aberto, sob o sol, a jornada de trabalho nessas
circunstâncias será limitada a seis horas diárias
ou 36 horas semanais. A empresa também será obrigada a
conceder, a cada 90 minutos de trabalho consecutivo, intervalo de dez
minutos para repouso, não incluído no expediente do trabalhador.
O PLS 552/09 classifica o trabalho
exercido nessas condições como penoso, situação
que garantiria ao empregado um adicional de 30% sobre o salário,
descontando-se as incorporações resultantes de gratificações
e prêmios. Abre ainda a possibilidade de o trabalhador optar por
receber o adicional de insalubridade que eventualmente lhe seja devido.
O direito a qualquer dos benefícios cessa, entretanto, com a
eliminação do risco à saúde ou à
integridade física do trabalhador.
Fator de risco
Serys buscou dados da Sociedade
Brasileira de Dermatologia (SBD) sobre câncer de pele para justificar
a proteção adicional aos trabalhadores expostos ao sol.
Estatísticas do Programa Nacional de Controle do Câncer
de Pele (PNCCP) revelaram que, em 2002, 69,2% das vítimas da
doença apresentavam como fator de risco "exposição
ao sol sem proteção".
"Não importa que
a comunidade médica seja uníssona quanto ao fato de a
exposição ao sol acarretar inúmeros prejuízos
à saúde do trabalhador, incluindo a grande incidência
de neoplasia maligna. Se não está na lei, não está
no mundo", lamentou Serys na justificação do projeto,
que aponta ainda a tendência da Justiça de negar adicional
de insalubridade nesses casos, por não estarem previstos na legislação
trabalhista.
A mesma preocupação
foi demonstrada pela relatora, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO),
que ressaltou no parecer pela aprovação do PLS 552/09:
"Deve a legislação cuidar desses trabalhadores que,
se não podem evitar a exposição ao sol para executar
as tarefas que lhe cabem, merecem, ao menos, receber alguma compensação
pelo risco a que se submetem".
A proposta chegou a constar
da pauta da CAS no esforço concentrado de votações
da semana passada, mas teve sua análise adiada por pedido de
vista do senador Regis Fichtner (PMDB-RJ).
Simone Franco / Agência Senado
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STJ, 10 de agosto de 2010
STJ reconhece direito à
desaposentação. Concessão de benefício mais
vantajoso
Desaposentação,
embora o termo seja esquisito, é a possibilidade de o beneficiário
ou beneficiária abrir mão da aposentadoria e tentar receber
outra com valor maior. Pode se candidatar a um novo benefício
quem já se aposentou e continuou a trabalhar e a contribuir com
a Previdência Social
O STJ (Superior Tribunal de
Justiça) inovou na possibilidade da desaposentação.
A situação típica é quando a pessoa se aposenta
proporcionalmente, mas continua trabalhando e contribuindo para o INSS
e, posteriormente, usa esse tempo para conseguir aposentadoria integral.
Desaposentação
é a possibilidade de abrir mão da aposentadoria e tentar
receber outra com valor maior. Pode se candidatar a um novo benefício
quem já se aposentou e continuou a trabalhar e a contribuir com
a Previdência Social.
Na primeira e segunda instância,
tem sido admitida essa possibilidade, mas é exigida a devolução
dos benefícios já pagos.
Já o STJ tem entendido
que, como a pessoa já contribuiu com a seguridade, não
haveria por que devolver os benefícios pagos.
O ministro Hamilton Carvalhido
considerou que abdicar da aposentadoria é um direito do beneficiado
que depende apenas de sua própria deliberação.
"A aposentadoria é
um direito patrimonial disponível [a pessoa pode abrir mão]
e o interessado pode escolher o sistema que melhor lhe assiste",
afirmou o magistrado.
A ministra Laurita Vaz também
entendeu nesse sentido, admitindo que um aposentado abrisse mão
do benefício que recebia como trabalhador rural para poder receber
outro mais vantajoso como trabalhador urbano.
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DCI - DIÁRIO, COMÉRCIO
E INDÚSTRIA, 10 de agosto de 2010
JUDICIÁRIO
Construção civil é
líder em ações na Justiça do Trabalho
Andréia Henriques
SÃO PAULO - O crescimento
da construção civil brasileira, em forte alta desde 2009,
trouxe também um aumento no número de ações
no Judiciário, nas áreas civil, ambiental, trabalhista
e do consumo. "A construção civil é o ramo
que mais gera ações na Justiça do Trabalho",
afirma o advogado Haroldo Baraúna, sócio do escritório
Scheer & Advogados Associados e especialista em Direito Empresarial.
Segundo ele, a cada obra, se
existem cem contratados, existem cem potenciais ações
na Justiça trabalhista. O advogado afirma, ainda, que o crescimento
da atividade é intrínseco ao aumento de casos que vão
parar na Justiça. Segundo a Confederação Nacional
das Indústrias (CNI), o setor apresentou sólida evolução
no primeiro semestre - o nível de atividade atingiu 53,8 pontos,
o que mostra crescimento.
Para o especialista, o que mais
chama atenção, hoje, é a questão dos acidentes
do trabalho, que têm reflexos econômicos diretos por conta
do impacto na Previdência Social. Segundo o órgão,
foram registrados 49 mil acidentes na construção civil
em 2008, 70% de aumento em relação a 2004. Mas os riscos
são inúmeros, na esfera judicial e administrativa. Baraúna
lembra que, no Município de São Paulo, o corte de um exemplar
arbóreo no logradouro público leva ao pagamento de multa
de R$ 10 mil.
"Não há limite:
há embargos de obras, ações de vizinhos, consumidores
reclamando de atrasos, passivo ambiental, autuações dobradas
por estado e município, juros das condenações na
Justiça", diz. O advogado fala de uma ação
de sua responsabilidade em que uma construtora derrubou o muro de uma
residência vizinha para a passagem de uma máquina, formalizando
o ato e comprometendo-se a reconstruir a parede. No entanto, por não
prever o prazo no acordo, foi acionada na Justiça, caso que ainda
não foi julgado.
O aumento das ações
na Justiça relaciona-se com o fato do País não
ter estrutura para o boom do setor, impulsionado pela Copa do Mundo
de 2014 e Olimpíadas de 2016. A opinião é do advogado
Carlos Artur Leite sócio do Salusse Marangoni Advogados e especializado
em direito imobiliário e contratual. "O excesso de demanda
gerou a desorganização dos cronogramas e o atraso de muitas
obras", afirma.
De acordo com o especialista,
no entanto, o número de reclamações trabalhistas
cresceu, mas não no mesmo ritmo do setor. "A busca pela
Justiça, nesses casos, está relacionada à crise
e ao desemprego, o que não ocorre hoje", afirma. Segundo
ele, é maior o número de demandas para fazer negócios,
evitar litígios e tentar acordos do que o contencioso.
Precauções
Diante de um cenário
de insegurança, o melhor remédio é cautela. "Sempre
falo que tudo deve estar formalizado nos contratos, que deve haver uma
investigação prévia do local da obra e que as regras
de segurança do trabalho precisam ser respeitadas", afirma
Baraúna. Ele destaca que o contrato deve ter o objeto, a forma
e quantia do pagamento e os prazos. Além disso, aconselha as
empresas a investirem na investigação do passivo ambiental
oculto, como contaminações do solo. "A falta de diligência
gera efeito dominó e os problemas podem não ter solução".
Outra precaução, segundo o advogado, é investir
em seguros, que hoje têm grandes coberturas. "Nada é
tão caro quanto uma indenização fixada por um Tribunal",
diz.
Hoje, os tribunais têm
aplicado, conforme explica Baraúna, apenas o resultado do dano
e o fato de haver um ato (ativo ou omissivo) para condenar as empresas
em casos de reparação material ou moral. "Os juízes,
na construção, não consideram a subjetividade da
conduta, ou seja, se o empregador agiu ou não com culpa. O fato
de o trabalhador estar lá e ter ocorrido um acidente já
gera responsabilidade da empresa", diz. Mas esse entendimento não
é pacífico e depende de cada situação em
análise.
Carlos Leite afirma que as empresas
devem planejar o cronograma de obras de forma mais conservadora e não
apertada. Há também a preocupação de equilibrar
os contratos. "Hoje, é usual que exista uma cláusula
condicionando possíveis atrasos ao pagamento de multas para que
o cidadão não fique refém dos fornecedores. Isso
equilibra o relacionamento", afirma.
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SÓ
NOTÍCIAS, 10 de agosto de 2010
MT/ Sinop: trabalhadores da construção
civil ameaçam fazer greve
Trabalhadores da construção
civil em Sinop podem entrar em greve a partir da segunda quinzena de agosto.
A confirmação foi feita, ao Só Notícias, pelo
presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção
e do Mobiliário da Região Norte de Mato Grosso (Siticom),
Eder Pessine. O motivo é que até o momento o Sinduscon (Sindicato
das Indústrias da Construção Civil), não aceitou
o acordo que reajuste em 10% o salário dos trabalhadores da construção
civil. A categoria também pede cesta básica, 1% de anuência
(por cada ano trabalhado) e piso salarial de R$ 765. A resposta para a
greve será dada em assembleia que será provavelmente na
próxima semana. Atualmente, são aproximadamente 800 trabalhadores
em 15 empresas no município.
A última proposta apresentada pelo Sinduscon
foi de 7% de reajuste e piso de R$ 587, mesmo percentual apresentado
aos trabalhadores da indústria madeireira. O presidente do Siticom
não descartou a possibilidade dos trabalhadores da indústria
madeireira também entrarem em greve. "Vamos esperar a assembleia,
porém, há possibilidade dos dois setores paralisarem atividades
caso não paguem os 10%", disse Eder.
Sexta-feira (6), 4 indústrias de móveis
assinaram o acordo coletivo com o sindicato e o piso ficou em R$ 600
para os trabalhadores sem qualificação, R$ 650, após
6 meses de trabalho e R$ 765, após um ano. Os que possuem um
tempo maior de serviço receberão 8% de aumento. Já
as fábricas de artefatos de cimento concederam o reajuste de
10%, e piso de R$ 600 para não qualificados, meio-oficial R$
700, e oficial R$ 900. Ao todo são 8 empresas, apenas duas assinaram
o acordo, mas Eder disse que até o final do mês as demais
devem aprovar o acordo.
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BEM PARANÁ, 10 de
agosto de 2010 | Paraná
Construção civil
Operário morre soterrado em obra
no Cristo Rei
Outro rapaz ficou ferido, mas sobreviveu ao
acidente
Redação Bem Paraná, com
Rádio Banda B
Um operário da construção civil morreu soterrado
no bairro Cristo Rei, em Curitiba, na tarde de hoje (9), segundo informações
da Rádio Banda B. Sebastião Luiz de Oliveira Filho, de
22 anos, estava em das perfurações na obra onde são
construídos cinco prédios na avenida Afonso Camargo, quando
uma das paredes cedeu e a terra caiu sobre ele.
Gilmar Rodrigues Medeiros,
também de 22 anos, estava junto com Sebastião no buraco
quando a terra deslizou. O jovem ficou soterrado até o pescoço,
mas sobreviveu e foi resgatado pelo Siate, sendo encaminhado ao Hospital
Cajuru.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
10/08/2010
Bradesco terá que pagar promoção
por omissão em realizar avaliação de desempenho
Considerando existir omissão
do Bradesco em realizar uma avaliação de desempenho anual
dos trabalhadores, a Seção I Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-I) restabeleceu sentença que havia deferido
a uma funcionária do Banco Bradesco o recebimento de diferenças
salariais referentes a promoções anuais por merecimento.
O Plano de Cargos e Salário
de 1990 do banco Bradesco havia estabelecido que os trabalhadores obteriam
um avanço salarial em seu cargo, a partir de uma prévia
avaliação de desempenho realizada anualmente pela empresa.
Com isso, uma trabalhadora propôs
ação trabalhista alegando possuir o direito de receber
diferenças salariais relacionadas a essas promoções
estabelecidas no Plano de Cargos – não efetivadas justamente
por omissão da empresa em não realizar as avaliações
de desempenho.
O juiz de primeiro grau deferiu
o pedido da trabalhadora e condenou a empresa ao pagamento das diferenças
salariais decorrentes das promoções anuais. Diante disso,
o Bradesco recorreu ao Tribunal Regional da 5ª Região (BA),
que reformou a sentença.
Para o TRT, a omissão
do empregador quanto às avaliações não levou,
necessariamente, a perda do direito a uma função superior
ou melhores condições salariais. Para o TRT, a avaliação
não traz a certeza de que o trabalhador irá ascender funcionalmente,
mas expressa mera expectativa de direito.
Inconformada, a trabalhadora
recorreu ao TST. A Quarta Turma, contudo, não conheceu de seu
recurso de revista. Novamente, a funcionária recorreu, agora
à Seção I Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-I), por meio de recurso de embargos.
Ao analisar o caso, a SDI-I
conheceu do recurso de embargos e concedeu o pedido da trabalhadora.
Para o relator, ministro Lelio Bentes Corrêa, a empresa obrigou-se
a realizar as avaliações de desempenho, uma vez que se
fixou esse requisito para se conceder o avanço salarial.
O relator destacou que o gozo
do direito assegurado ficou inviabilizado pela omissão do empregador,
presumindo-se, então, implementada a circunstância para
receber a promoção, com pertinência ao que estabelece
o artigo 129 do Código Civil de 2002 – segundo qual se
considera realizada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição
cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer.
Para o ministro, não representa um elemento central a questão
sobre a maliciosidade da empresa, pois basta a constatação
de que o gozo do direito ficou obstado pela omissão da empresa.
Assim, a SDI-I, por maioria,
deu provimento ao recurso de embargos da trabalhadora e restabeleceu
a sentença que havia deferido as diferenças salariais
decorrentes de promoções a que teria direito. (RR-125300-79.2004.5.05.0191-Fase
Atual:E-ED)
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10/08/2010
Serpro é condenado a reintegrar
empregado e pagar pelo período afastado
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho restabeleceu sentença que determinou ao Serviço
Federal de Processamento de Dados – Serpro reintegrar um empregado,
pagando-lhe todas as verbas referentes ao tempo em que esteve afastado
do emprego, independentemente de ter prestado serviços à
Dataprev no período. A sentença já havia transitado
em julgado e não poderia ter sido modificada, informou o relator,
ministro Fernando Eizo Ono.
Despedido, o funcionário
ajuizou ação pedindo sua reintegração, e
enquanto esperava a decisão conseguiu emprego na Dataprev. Quando
veio a sentença favorável, o Serpro alegou que no período
de afastamento ele havia trabalhado para uma empresa da administração
indireta, a Dataprev, e que a Constituição proíbe
a acumulação de vencimentos. O Juízo autorizou,
então, o Serpro a descontar o que o empregado recebeu daquela
empresa. Não adiantou recorrer: seu recurso de revista foi arquivado
pelo Tribunal Regional da 1ª Região (RJ).
Por esse motivo, ele apelou
ao TST, com agravo de instrumento, e conseguiu reverter a decisão.
Ao examinar o caso na Quarta Turma, o relator avaliou que ele tinha
razão, pois de fato não houve a indevida acumulação
de vencimentos proibida constitucionalmente. Na sessão de julgamento,
o relator manifestou que de alguma forma o empregado teria que buscar
sua subsistência em outra empresa, privada ou estatal, de forma
que “não seria correto fazer o abatimento daquelas parcelas
sob pretexto de que a Constituição veda a acumulação
de vencimentos.”
Ao concluir, o relator explicou
que “não se está negando vigência ao artigo
7º, XVI e XVII, da Constituição, que dispõe
sobre a proibição da acumulação de cargos
ou empregos públicos, apenas se preserva o respeito à
coisa julgada”. Assim, determinou o cumprimento integral da sentença,
sem o desconto das parcelas recebidas da Dataprev. Seu voto foi aprovado
unanimemente na Quarta Turma. (RR-62740-40.1991.5.01.0039)
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10/08/2010
Em condenação, FGTS
não pode ir direto para empregado
Valores de FGTS, deferidos judicialmente,
não podem ser pagos diretamente ao trabalhador. O empregador
deve depositar a quantia, determinada na condenação, em
conta vinculada do empregado. Nesse sentido, a Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou um apelo de um trabalhador que tem visto
seu pedido negado desde a primeira instância. Um aspecto fundamental
para a decisão é que esse tipo de reclamação
envolve direitos não apenas do trabalhador, mas também
do órgão gestor do FGTS, referente à multa pelo
atraso nos recolhimentos.
Persistente, o autor da reclamação
vem argumentando em seus recursos que a sentença lhe acarreta
maior ônus, em razão da demora. Insiste ser cabível
o pagamento direto ao empregado e alega que o acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), negando
provimento a seu apelo, viola o artigo 20, I, da Lei 8.036/90. No entanto,
ao examinar o recurso na Sexta Turma, o ministro Augusto César
Leite de Carvalho, relator, verificou que há precedentes no TST
indicando a impossibilidade do pagamento direto ao trabalhador dos valores
do FGTS pleiteados em juízo.
A respeito das alegações
do trabalhador, o ministro informa que, apesar de o artigo 20, I, da
Lei 8.036/90 possibilitar a movimentação da conta vinculada
do trabalhador em caso de dispensa sem justa causa, o “dispositivo
legal não autoriza que os valores dos depósitos do FGTS
decorrentes da condenação judicial sejam pagos diretamente
ao empregado, pois as ações trabalhistas que envolvem
recolhimentos fundiários englobam direitos não só
do trabalhador, mas também do órgão gestor do FGTS,
relativamente à multa pelo atraso nos recolhimentos, razão
pela qual o depósito na conta vinculada deve ser observado”.
Com essa fundamentação,
o relator considerou correto o entendimento do TRT/RS, ao determinar
que os valores relativos ao FGTS sejam depositados diretamente na conta
vinculada do trabalhador. A Sexta Turma acompanhou o voto do relator,
e negou provimento ao recurso de revista. (RR - 102741-38.1999.5.04.0028)
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10/08/2010
Bancária alega vício,
mas não consegue anular acordo
A simples alegação
de prejuízo ao dar “quitação geral e irrestrita
do contrato de trabalho” não é razão suficiente
para que se possa constatar a existência de vício em acordo
de processo trabalhista. Até porque é próprio da
conciliação não só extinguir, mas prevenir
futuras reclamações.
Com esse entendimento, a Seção
II Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho (SDI-2) não acatou recurso de ex-funcionária
do Banco Rural S/A, que pretendia anular acordo feito na época
de sua demissão, e confirmou decisão anterior do Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), que entendeu não
haver prova de vício de consentimento (dolo, erro ou coação)
capaz de invalidar a transação.
A bancária alegou em
sua ação rescisória no TRT que foi induzida a fazer
o acordo e que por isso houve “vício” no procedimento
do juiz que o homologou, o que teria resultado em prejuízo no
recebimento dos seus direitos trabalhistas. No entanto, o Tribunal Regional
não constatou irregularidade no caso, o que levou a trabalhadora
a recorrer ao TST.
Ao julgar o recurso, o ministro
Barros Levenhagem, relator na SDI-2, destacou que, “sobressai
a evidência de ter sido intenção das partes a de
pôr fim ao litígio (a reclamação), mediante
o pagamento da importância avençada, cujo recebimento implicaria
a quitação (...) dos pedidos formulados na ação
trabalhista”. Acrescentou, ainda, que constou “expressamente
da ata” que a bancária comparecera perante o juízo,
“não havendo nenhum indício” de que esta não
tivesse noção do ato que praticou ou que tivesse sido
coagida a concordar com a amplitude do acordo. (RO-29300-86.2009.5.03.0000)
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10/08/2010
JT julga ação de indenização
por danos morais e materiais proposta por herdeiro de trabalhador
A Justiça do Trabalho
tem competência para julgar ação com pedido de indenização
por danos morais e materiais decorrentes de acidente de trabalho, apresentada
pelos herdeiros do empregado falecido. Essa é a jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho, que foi aplicada pela Quinta Turma
em julgamento recente de recurso de revista da Metalenge Ltda.
De acordo com a relatora, ministra
Kátia Magalhães Arruda, a Emenda Constitucional nº
45/2004 , que deu nova redação ao artigo 114, VI, da Constituição,
estabeleceu expressamente o alcance da competência da Justiça
do Trabalho para processar e julgar ações de indenização
por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação
de emprego.
No caso, esclareceu a ministra
Kátia, o pedido de indenização feito por filho
menor de idade, representado pela mãe, decorre do acidente de
trabalho sofrido pelo empregado, que resultou na sua morte, portanto,
não há dúvida de que o pedido deriva da relação
de emprego. Além do mais, os dependentes da vítima podem
propor ação de reparação por não
se tratar de direito personalíssimo do falecido - a ação
de indenização é de natureza patrimonial.
A relatora citou ainda precedentes
do TST e do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. Ela chamou
a atenção para a Súmula nº 392 da Seção
I Especializada em Dissídios Individuais do TST, que prevê
a possibilidade de julgamento pela Justiça do Trabalho das controvérsias
referentes à indenização por dano moral derivada
de relação de trabalho.
Desde a primeira instância,
entre outros pontos, a empresa defendeu a tese de que a Justiça
do Trabalho não poderia analisar o pedido dos herdeiros do empregado
falecido, pois a competência era da Justiça Comum, uma
vez que a situação envolve normas de Direito Civil. Alegou
também que o sofrimento existente na hipótese diz respeito
à dor da perda do ente querido, e não tem relação
com o contrato de trabalho.
No entanto, a sentença
condenou a empresa ao pagamento de indenização por danos
morais no valor de R$ 80 mil e a decisão foi mantida pelo Tribunal
do Trabalho catarinense (12ª Região). A Metalenge ainda
ficou obrigada a pagar pensão mensal de R$ 492,00 ao filho menor
até a idade de 25 anos.
A Justiça concluiu que
a queda do andaime que resultou na morte do trabalhador ocorrera pelo
uso inadequado do calçado, ou seja, ele usava as botinas dobradas
e com calcanhar de fora. Assim, a culpa do patrão, por falta
de realização de treinamentos de segurança do trabalho
e fiscalização do uso correto dos equipamentos de proteção,
absorveu eventual culpa da vítima quanto à utilização
incorreta do calçado.
Como a Quinta Turma do
TST, por unanimidade, negou provimento ao recurso de revista da Metalenge
quanto à incompetência da Justiça do Trabalho para
analisar a ação dos herdeiros do empregado falecido, a
empresa não conseguiu modificar o resultado da condenação.
(RR-74200-75.2005.5.12.0023)
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BWINT.ORG, 10 de agosto de 2010
ICM - Internacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e da Madeira
Tercera reunión del GITA evalúa
sus conquistas y próximos pasos
El Grupo Internacional de los Trabajadores de
Arauco (GITA) se reunió por tercera vez, los días 22 y
23 de julio, en Buenos Aires. El evento se efectuó en la sede
de USIMRA, afiliada de ICM. El objetivo de la reunión fue para
evaluar los avances de los sindicatos en sus negociaciones y relacionamiento
con la empresa multinacional de capital chileno, como también
evaluar los avances del GITA y sus perspectivas futuras.
Los sindicatos forestales afiliados a la ICM evaluaron como importante
la alianza con las ONG’s centradas en el tema de la certificación
forestal, pero al mismo tiempo, valoraron como insuficiente, la disposición
de la empresa Arauco en dialogar con los líderes de los trabajadores.
Los líderes de FETRACONSPAR y CTF destacaron respectivamente,
que tanto en Brasil como en Chile la construcción de la unidad
y solidaridad entre los sindicatos locales y sus líderes, ya
es algo concreto que sigue una planificación estratégica.
En Argentina, se informó el mejoramiento significativo en las
relaciones entre USIMRA y Arauco, luego de un inicio lleno de conflictos
cuando la empresa se instaló en la región de Zárate.
Con relación a las negociaciones en Argentina, Chile y Brasil,
los dirigentes sindicales argentinos, resaltaron los beneficios logrados
en las negociaciones paritarias establecidas legalmente en el país.
Los chilenos subrayaron las mejoras que obtuvieron durante los conflictos
ocurridos en el 2009; mientras que los dirigentes sindicales brasileños
relataron las dificultades encontradas en las negociaciones entre los
tres sindicatos y la empresa por algunas diferencias dentro de un mismo
estado.
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FETRACONSPAR, 10 de agosto
de 2010 | Eventos
Campanha Salarial/ Mármores e Granitos
Fetraconspar e SINDIMÁMORE
realizam 3ª rodada de negociações com o SIMAGRAN
Foi realizado nesta manhã,
na sede da Federação das Indústrias do Estado do
Paraná - FIEP, sito à Av. Candido de Abreu, 200 - Centro
Cívico, Curitiba/PR, 3ª reunião para
discutir a Pauta de Reivindicações dos trabalhadores da
categoria visando a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)
2010/2011. A data base da categoria é no mês de junho.
A reunião foi entre os diretores da FETRACONSPAR,
SINDIMÁRMORE e dos Sindicatos de Trabalhadores
com os representantes do Sindicato da Indústria de Mármores
e Granitos do Estado do Paraná – SIMAGRAN.
Estiveram presentes os companheiros
REINALDIM BARBOZA PEREIRA (FETRACONSPAR),ILSON
KONDRATOSKI (SINDIMÁRMORE) e ELÓI MARTIM
KELM (STICM GUARAPUAVA).
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FETRACONSPAR, 10 de agosto de 2010 | Eventos
Campanha Salarial/ Instalações
Elétricas
FETRACONSPAR e Sindicatos realizam 8ª
rodada de negociação com o SINELTEPAR, na DRT
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Diretores
da Federação e dos Sindicatos de Trabalhadores com
representantes do SINELTEPAR e assistida pelo mediador da DRT. |
A FETRACONSPAR
e os Sindicatos de Trabalhadores, juntamente
com o Sindicato das Empresas de Eletricidade, Gás, Água,
Obras e Serviços do Estado do Paraná – SINELTEPAR,
realizaram nesta terça-feira (10/08), às 15h30, na sede
Delegacia Regional do Trabalho – DRT/PR, em Curitiba/PR,
8ª reunião para discutir a Pauta
de Reivindicações dos trabalhadores da categoria visando
a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2010/2011. A data
base da categoria é no mês de junho.
Os Trabalhadores na Indústria
de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas
e Sanitárias podem entrar em greve a partir de 17 de agosto.
O movimento pode ser iniciado se não houver acordo com o SINELTEPAR
sobre o reajuste salarial e outras reivindicações.
A reunião foi entre a
Comissão de Negociação formada por diretores da
Federação e dos Sindicatos de Trabalhadores com os representantes
do SINELTEPAR.
Confira
a ATA
Participaram os companheiros:
REINALDIM BARBOZA PEREIRA (FETRACONSPAR/ SINTRACOM
Paranavaí), JOSÉ CAETANO FERREIRA (SOE
Curitiba), ALMIR DO ROSÁRIO ANDRADE PRADO (STICC
Ponta Grossa), JOSÉ THOMAZ (SOE Maringá)
e foi assistida pelo Auditor Fiscal do Trabalho - NIUSIBER DOS
SANTOS SILVA e o Administrador - CLAURI CARLOS HENN.
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Diretores
da Federação e dos Sindicatos de Trabalhadores com
representantes do SINELTEPAR e assistida pelo mediador da DRT. |
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