 |
Valor Econômico, 19
de agosto de 2010
Recorde: com volta do IPI e massa
salarial, arrecadação federal cresce 12%
Por Luciana Otoni,
No Valor Econômico
Com um resultado recorde pelo
sétimo mês consecutivo, a arrecadação de
tributos federais atingiu R$ 67,9 bilhões em julho. Ignorando
a desaceleração do crescimento econômico, as receitas
tiveram aumento real de 10,5% sobre junho e de 10,8% frente a igual
mês de 2009. Com esse desempenho, o acumulado no ano soma R$ 450,9
bilhões, 12,2% a mais que o verificado em igual período
de 2009.
As estatísticas da Receita
Federal mostram que a arrecadação não recuou em
julho e provavelmente não diminuirá em agosto. A possibilidade
maior, conforme o subsecretário de Tributação e
Contencioso, Sandro Serpa, é que o recolhimento de tributos exiba
taxa mensal de aumento entre 10% e 12% até o término do
ano.
Três fatores atuam simultaneamente
para amortecer os efeitos da redução do ritmo de expansão
da economia sobre a receita: a retirada parcial de incentivos tributários,
o crescimento da massa salarial e o efeito defasado do comportamento
da economia sobre os impostos e contribuições.
A retirada de parte dos benefícios
fiscais na virada do primeiro para o segundo trimestre provocou aumento
imediato nos resultados do Imposto sobre Produtos Industriais (IPI),
cuja arrecadação subiu 25,7% entre janeiro e julho.
Automóveis é um
exemplo. Em julho último, a incidência do imposto sobre
a venda de veículos gerou R$ 443 milhões, 112% acima do
verificado em igual mês de 2009. No acumulado do ano, essa arrecadação
soma R$ 2,7 bilhões, equivalente a uma elevação
de 206%.
A alta de 11,32% da massa salarial
também é um reforço. Além de alimentar o
consumo, ela ampliou a arrecadação da contribuição
previdenciária em 10,2%, totalizando R$ 125,5 bilhões
no ano. Com o mercado de trabalho aquecido, a tendência é
de expansão.
O efeito do nível de
atividade sobre os tributos é o terceiro fator que impede a arrecadação
de exibir os sinais de desaceleração. Sandro Serpa explica
que, de uma maneira geral, os impostos levam de um a dois meses para
exibir sinais de mudança na conjuntura.
Ainda assim, o subsecretário
é cuidadoso em não atestar que haverá uma desaceleração
por considerar que há outras particularidades com repercussão
positiva no caixa do governo como a elevação das alíquotas
do IOF e da Cide e, também, operações de cobrança.
"Se houver uma redução será bastante amainada",
avaliou.
Favorecido pelo aumento da alíquota
para 2% nas operações de liquidação de operações
de câmbio, o IOF rendeu R$ 14,4 bilhões nos sete primeiros
meses, representando um crescimento de 33%. O retorno da tributação
sobre o diesel e a gasolina recompôs a receita da Cide e o resultado
passou de R$ 1,8 bilhão entre janeiro e julho de 2009, para R$
4,3 bilhões, uma alta de 138%.
A Receita Federal pondera que
o mundo tributário é distinto da economia real. A evolução
do PIB, salienta Serpa, diz muito da trajetória da arrecadação,
mas não explica tudo.
Há os tributos com aderência
maior aos resultados mensais da arrecadação, com Cofins,
PIS/Pasep e IPI, que incidem sobre o faturamento e as vendas e permitem
análises mais diretas a partir do comportamento do nível
de atividade.
Outros, como o IRPJ e a CSLL,
que são recolhidos com base no lucro real ou presumido, não
têm essa mesma aderência e dificultam a análise.
|
Folha de S.Paulo, 19 de agosto
de 2010
"Mundo está só
com um motor, a China"
Para diretor da consultoria da "Economist",
potência asiática compensa desaceleração
global, mas tem risco de bolha | "Brasil desperdiçou chance
de atacar problemas estruturais", critica consultor da britânica
EIU
ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
Com crescimento baixo nos principais
países avançados, a China se tornou o único motor
importante da economia global.
Mas há riscos importantes associados a bolhas de ativos formadas
em anos recentes, principalmente no mercado imobiliário chinês.
Um deles é que o nível de inadimplência na China
comece a subir. Isso poderia causar problemas no setor bancário,
provocando uma desaceleração mais forte do que o esperado
da economia chinesa e levando o mundo a reboque.
Essas são as opiniões de Leo Abruzzese, diretor de pesquisas
para o hemisfério Ocidental da consultoria britânica Economist
Intelligence Unit (EIU).
Em entrevista à Folha, ele disse que o Brasil perdeu a oportunidade
de fazer reformas importantes em 2010, quando a economia crescerá,
segundo a EIU, pouco abaixo de 8%, e que, dificilmente, haverá
vontade política para isso a partir de 2011, quando a trajetória
de expansão voltará para cerca de 4.5%.
Leia os principais trechos da entrevista de
Abruzzese.
Dependência da
China
Os EUA terão crescimento reduzido por muitos anos, a Europa e
o Japão também. Todos estão contando com a China
para compensar essa fraqueza. Sem a China, é quase como ter um
avião em que nenhum dos motores funcione bem. Teríamos
um período sustentado de baixo crescimento global, não
uma recessão, mas uma taxa de crescimento não muito acima
do nível de uma recessão.
Risco de bolha
Nossa visão é que a China será capaz
de promover uma desaceleração controlada.
Mas há um risco de que ao longo dos próximos três
anos o nível de inadimplência comece a subir, colocando
algum estresse no sistema bancário. Isso reduziria investimentos
na China e a taxa de crescimento econômico.
Isso poderia colocar alguma pressão na economia chinesa. A China
tem bolhas de ativos muito grandes, principalmente no setor imobiliário.
Grandes bolhas de ativos são muito perigosas e é incomum
que um país supere uma bolha sem algum tipo de dano para a economia.
Deficiências do
Brasil
O Brasil avançou nos últimos anos, mas ainda há
muitos problemas. A taxa de investimento é muito baixa. Eu ouço
muitas reclamações de empresários sobre o sistema
tributário e a qualidade da infraestrutura.
Algumas mudanças têm ocorrido. Mas nenhum dos empresários
com quem tenho conversado aqui pensa que o país está atacando
esses problemas de forma agressiva. E, com a economia crescendo a quase
8%....este era o ano quando isso deveria estar sendo feito. Quando a
economia se desacelerar para 4,5% no próximo ano, a vontade política
para promover reformas diminuirá.
Crise nos EUA
Nós acabamos de reduzir a projeção de crescimento
nos EUA. Os dados recentemente divulgados têm sido piores do que
esperávamos.
Mas isso não muda nossa visão geral. Já esperávamos
que 2011 seria muito fraco à medida que os estímulos e
o processo de recomposição de estoques expirassem.
"Duplo mergulho"
Não estamos esperando uma nova recessão. Em parte isso
se explica porque o estímulo da política monetária
nos EUA ainda é muito forte.
Além disso, os lucros das empresas têm sido fortes nos
EUA por conta de cortes de gastos agressivos, demissões. Ainda
que o crescimento em si não venha sendo muito forte, o investimento
em equipamentos e software tem sido elevado.
Parece que as empresas estão aproveitando essa fase de baixas
taxas de juros e menores custos de capital para começar a investir.
|
Correio Braziliense, 19
de agosto de 2010
Aposentado recebe o 13º salário
este mês; primeira parcela será de R$ 9,5 bi
Por Vânia Cristino,
No Correio Braziliense
Pelo quarto ano consecutivo
os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) vão receber, antecipadamente, a primeira parcela do 13º
salário. Decreto nesse sentido, assinado pelo presidente Lula,
foi publicado ontem no Diário Oficial.
O adiantamento de 50% da gratificação
é pago desde 2006, resultado de acordo firmado entre o Governo
e as entidades representativas de aposentados e pensionistas.
A expectativa é de que
o desembolso da Previdência Social chegue a R$ 9,5 bilhões,
já incluindo todas as correções dos benefícios,
engordando o orçamento de 23,1 milhões de pessoas. Os
outros 50% serão pagos em dezembro.
Segundo o decreto, o pagamento
da primeira parcela será feito entre os últimos cinco
dias úteis de agosto e os primeiros cinco dias úteis de
setembro, com o crédito referente à folha de julho. No
ano passado, o 13º salário foi antecipado a 22,8 milhões
de segurados e representou uma injeção de R$ 7,9 bilhões
na economia.
"Com certeza, os pagamentos
deste ano serão maiores, devido ao reajuste do salário
mínimo no início do ano para R$ 510 e ao aumento de 7,72%
sobre os benefícios de valor acima do mínimo. Será
um reforço e tanto ao consumo", destacou um técnico
da Previdência.
Restrições
A maioria dos aposentados e pensionistas receberá 50% do valor
do benefício mensal a título de gratificação.
A exceção é para quem passou a receber o benefício
este ano. Neste caso, o valor será calculado proporcionalmente.
Também recebem uma parcela menor que os 50% os segurados que
estão em auxílio-doença.
Como o benefício é
temporário, o INSS calcula a antecipação proporcional
ao período. Por exemplo, um benefício iniciado em janeiro,
e ainda em vigor em agosto, terá o 13º terceiro salário
calculado sobre oito meses.
Em dezembro, caso ainda esteja
afastado, o segurado receberá o restante. Se tiver alta antes,
o valor da gratificação será calculado até
o mês em que o benefício vigorar.
Por lei, não têm
direito ao 13º salário os seguintes benefícios: amparo
previdenciário do trabalhador rural, renda mensal vitalícia,
amparo assistencial ao idoso e ao deficiente, auxílio-suplementar
por acidente de trabalho, pensão mensal vitalícia, abono
de permanência em serviço, vantagem do servidor aposentado
pela autarquia empregadora e salário-família.
|
Gazeta do Povo, 19 de agosto
de 2010
Operação
Preso grupo acusado de traficar madeira
Uma operação conjunta entre Polícia Federal e Ibama
resultou na prisão de três pessoas acusadas de envolvimento
com a exploração e comércio ilegais de madeira.
Segundo os órgãos, o grupo trabalha com a extração
de castanheiras na região de Marabá (PA), de onde eram
transportadas clandestinamente para o Rio Grande do Sul. Uma pessoa,
que também teve o mandado de prisão emitido, ainda está
foragida. Os nomes das empresas e dos envolvidos está sendo mantido
sob sigilo pelo Ibama e pela PF. Desde abril, foram apreendidos duas
carretas com um total de 100 m3 de castanheira. O material era extraído
por uma madeireira da região de Marabá (PA) e usado em
uma fábrica de carrocerias de caminhão em Três Cachoeiras,
região litorânea do Rio Grande do Sul.
De acordo com a Polícia
Federal, o grupo fazia o transporte da castanheira utilizando documentação
falsa, declarando outro tipo de madeira. Os responsáveis devem
ser multados em R$ 30 mil.
Segundo o Ibama, a operação
de ontem, chamada de Acuti, é o desdobramento de outras 35 autuações
que o órgão tem feito desde 2007 – Operação
Jaguar. Todas elas envolvem um mesmo grupo familiar que usa empresas
de fachada no comércio clandestino da castanheira. Até
janeiro deste ano, o grupo já foi multado em R$ 931 mil.
|
Congresso em Foco, 19 de
agosto de 2010
“Estamos com medo”,
dizem los hermanos
“Os vizinhos temem, sobretudo, que a redução
de áreas protegidas no Brasil afete a qualidade da água
no continente e leve à perda de biodiversidade”
Se o rio Paraná corresse
somente em território nacional, paraguaios e argentinos estariam
neste momento tranquilos e sossegados. A ameaça ao rio Paraná,
no entanto, assim como a outros cursos d’água e recursos
naturais de regiões fronteiriças, tem causado temor aos
nossos vizinhos. O motivo da preocupação é o relatório
do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) com mudanças no Código
Florestal brasileiro, aprovado em julho na comissão especial
da Câmara.
Representantes da Rede Latinoamericana
do Ministério Público Ambiental estiveram ontem (18) em
Brasília para fazer um alerta ao Congresso: “Os danos ambientais
não reconhecem fronteiras”. Os fiscais latinos –
que representam procuradores e promotores de diversos países
como Paraguai, Argentina, Peru, Bolívia, Panamá e México
– temem que a redução de áreas protegidas
no Brasil possa trazer consequências ambientais graves para seus
países.
“O Brasil é fronteiriço
com vários países e os ecossistemas são compartilhados.
É preciso entender que as fronteiras políticas são
simples monumentos, são linhas imaginárias, e a natureza
não reconhece fronteiras. É preciso ter muito cuidado
nessas mudanças, porque estamos em locais compartilhados e os
efeitos são desconhecidos”, disse o promotor de Justiça
Ricardo Merlo Faella, coordenador do setor de crimes ambientais do Ministério
Público do Paraguai.
Os vizinhos temem, sobretudo,
que a redução de áreas protegidas no Brasil afete
a qualidade da água no continente e leve à perda de biodiversidade.
Os representantes da rede olham com receio os mesmos artigos do relatório
criticados por ambientalistas brasileiros: o artigo que reduz dos limites
de área de preservação permanente (APP) nas margens
dos rios, o que extingue a obrigatoriedade de reserva legal em propriedades
de até quatro módulos (até 400 hectares na Amazônia)
e o que anistia desmatamentos feitos até julho de 2008.
Levantamentos indicam que,
se aprovado conforme está, a proposta de mudança do Código
Florestal isenta 90% das propriedades rurais do país da obrigação
de preservar a vegetação nativa em uma parcela das terras.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), além da perda
dessas reservas legais em pequenas propriedades, também haverá
a perda de 80 milhões de hectares dessas áreas protegidas
em grandes propriedades. No caso, o projeto de Aldo também garante
a isenção de quatro módulos de reserva legal em
propriedades com 10, 15, 20 módulos, por exemplo.
Outro medo de los hermanos
latinos em relação aos rumos da mudança no Código
Florestal brasileiro se refere ao marco legal de seus próprios
países. Segundo o fiscal geral adjunto do MP do Paraguai, Jorge
Sosa García, a legislação ambiental brasileira
serviu de parâmetro para a construção do marco legal
ambiental de países como Paraguai, Peru e Costa Rica. Esses países
adotam, ou estudam adotar, seguindo o modelo brasileiro, instrumentos
similares a reserva legal e a proteção de cerca de 100m
nas margens dos rios.
A legislação
ambiental brasileira é considerada uma das mais rigorosas do
mundo. Só para se ter uma ideia da influência do Brasil
no debate ambiental na América Latina, Sosa afirma que, inspirado
na legislação brasileira, o Paraguai instituiu em 2004
a Lei de Deforestación Cero (Lei do Desmatamento Zero). O detalhe
é que o Brasil ainda não possui lei de desmatamento zero
e esse debate é relativamente recente no país.
O projeto que modifica o Código
Florestal brasileiro tramita na Câmara e ainda precisa passar
pelo plenário da Casa, antes de seguir para o Senado. Inicialmente
encampado pelo setor agrícola, o debate por mudanças na
legislação brasileira está tomando dimensões
continentais. O que se nota é que países, especialmente
na América Latina, que hoje imitam o exemplo do Brasil em termos
de legislação ambiental, agora se vêem diante de
uma proposta que retroage em relação a preservar a vegetação
nativa.
Não se trata mais de
discutir se o Brasil quer mais ou menos árvores no seu território.
A responsabilidade brasileira quanto suas decisões sobre as mudanças
no Código Florestal ultrapassou fronteiras e agora tem a interferência
de seus vizinhos. No Parlamento brasileiro, não será mais
possível ignorar a influência ambiental do Brasil.
Também não há
como ignorar a própria relação sistêmica
da natureza, pois como diz um amigo do promotor paraguaio Ricardo Faella,
“a natureza não sabe se defender, porém sabe se
vingar”. Esse amigo, no caso, é o ministro brasileiro Antônio
Herman Benjamin.
|
CONGRESSO EM FOCO, 19 de agosto
de 2010
Assista aqui à íntegra
do debate dos presidenciáveis
Leia também: Serra
parte para cima de Dilma
Bloco 1
Dilma
cita ameaça ao Prouni e Serra diz que ela é “muito
ingrata”
Bloco 2
Segundo
bloco aborda vazamento e Marina ataca
Bloco 3
Dilma
diz que tucanos não devem discutir saneamento
Bloco 4
Candidatos
saem de saias justas dos internautas
Bloco 5
Sobre
preço de pedágio, Serra fala de qualidade de estrada
Bloco 6
No
final, Dilma fala de preconceito contra câncer
|
O ESTADO DO PARANÁ,
19 de agosto de 2010 | Política
Marina e Serra discutem reforma sindical
A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, prometeu
hoje que, se eleita, fará uma reforma sindical, para ajudar a
mediar os conflitos trabalhistas. Já o presidenciável
José Serra (PSDB) defendeu o estímulo do governo federal
à negociação direta entre sindicatos e empresas.
Os dois participaram de um painel no Congresso Nacional sobre Gestão
de Pessoas (CONARH), onde responderam perguntas de representantes do
setor sobre qualificação e trabalho. A candidata do PT,
Dilma Rousseff, foi convidada, mas declinou.
Serra disse não ver necessidade
de mudanças nas legislação trabalhista, expressa
pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). "A
Constituição foi detalhista na matéria trabalhista.
Um ponto de partida é não mexer nesses direitos e procurar
se mover a partir daí, no sentido de estimular a negociação
entre sindicatos e empresas", disse o tucano. Para o candidato,
há sindicatos maduros para essa negociação e o
diálogo direto com as empresas permite o respeito a diferenças
entre setores e regiões. "Isso não significa revogar
nada nem jogar direitos pela janela", afirmou.
Marina colocou a reforma
sindical como uma maneira de "diminuir conflitos trabalhistas"
e disse que esta é a hora das grandes reformas. "É
fundamental olhar as grandes reformas, em um país jovem como
o nosso, como uma forma de organizar o futuro das pessoas sem prejudicar
os direitos já conquistados", disse. A candidata não
detalhou a proposta de reforma sindical, mas disse que vê necessidade
de "simplificar a burocracia" e "facilitar os dissídios
coletivos". Marina também criticou os governo de Fernando
Henrique Cardoso (PSDB) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por
terem deixado de fazer a reforma tributária.
|
Folha de S.Paulo, 19 de
agosto de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Aliados estaduais deixam Serra fora de
propaganda
Em ao menos 5 locais, candidatos não
citam nem mostram o tucano na TV | Candidato só aparece de forma
discreta nas propagandas exibidas nos Estados; Lula é destaque
em programas
DE SÃO PAULO
Na estreia da propaganda gratuita
dos candidatos a governador, o candidato do PSDB à Presidência,
José Serra, foi deixado de lado ou fez apenas aparições
discretas nos programas de rádio e TV de seus aliados nos Estados.
Já na propaganda dos candidatos da base do governo federal, o
presidente Lula foi a principal estrela -e a presidenciável petista
Dilma Rousseff, sua coadjuvante.
Serra não teve sua imagem mostrada nem seu nome citado nas propagandas
dos candidatos a governador Yeda Crusius (PSDB-RS), Joaquim Roriz (PSC-DF),
Marcos Cals (PSDB-CE), Paulo Souto (DEM-BA) e Rosalba Ciarlini (DEM-RN).
Em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) só mostrou imagens do
tucano no programa da noite.
O início da propaganda na TV coincide com o momento em que Serra
aparece pela primeira vez atrás de Dilma em pesquisa Datafolha.
No último levantamento do instituto, a petista teve 41% das intenções
de voto, contra 33% do tucano. Ele contava com o apoio nos Estados para
reverter a vantagem da adversária.
Em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, Dilma
chegou a falar três vezes nos programas dos aliados, inclusive
pedindo voto para Hélio Costa (PMDB).
Serra ficou em clara desvantagem. Nos programas dos tucanos Aécio
Neves, para o Senado, e Antonio Anastasia, para o governo, Serra não
fala nem é citado. Mas a imagem dele aparece.
No de Anastasia, Serra é visto de relance em quatro ocasiões.
Em apenas uma Serra está em primeiro plano. Em outra está
de costas.
Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin não mostrou a imagem
de Serra na TV e só citou duas vezes o nome do presidenciável.
Na TV, Mercadante ignorou Dilma -não apareceu nem foi citada-,
mas exibiu depoimento de Lula.
Em sua fala, Mercadante colou sua candidatura ao governo Lula, colocando-se
como participante das realizações federais.
No Paraná, o programa da tarde de Beto Richa (PSDB) só
mostrou Serra em imagens de campanha. Mas, no programa da noite, exibiu
depoimento do presidenciável.
No Ceará, nem o nome nem a imagem de Serra apareceram no programa
de Cals e do candidato tucano ao Senado, Tasso Jereissati.
No Rio, o TRE determinou que o senador Marcelo Crivella (PRB) não
utilize o depoimento de Lula em seu programa de TV.
O pedido foi feito pela coligação Juntos Pelo Rio, da
qual o próprio PT faz parte, minutos depois do horário
eleitoral da tarde. Mas, à noite, Crivella usou novamente o depoimento
de Lula.
O presidente gravou depoimento para Crivella, que não faz parte
da coligação do PT, e para Lindberg Farias (PT). Alijou
assim Jorge Picciani (PMDB), candidato apoiado pelo governador Sérgio
Cabral Filho (PMDB).
SERRA
É CITADO
No Rio Grande do Norte, o apoio de Serra foi usado contra a candidata
ao governo Rosalba Ciarlini (DEM).
O atual governador e candidato à reeleição Iberê
Ferreira (PSB) usou parte de seu programa de rádio para ressaltar
que a candidata do DEM é apoiada por Serra.
"A candidata do DEM é apoiada por Serra", dizem os
locutores.
|
Folha de S.Paulo, 19 de agosto
de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Estreia na TV abre crise na campanha de
Marina
Programa foi "desastre ecológico",
afirma coordenador Alfredo Sirkis | Críticas geram mal-estar
na cúpula verde; vice cobra mudanças e reconhece que senadora
precisa aparecer mais
BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
O programa de estreia de Marina
Silva no horário eleitoral gratuito abriu uma crise no PV. Coordenador
da campanha no Rio, o presidente regional do partido, Alfredo Sirkis,
definiu a peça como um "desastre ecológico".
Ele cobrou mudanças publicamente, em seu blog. "Não
estamos numa situação que nos permita cometer erros básicos
de comunicação política", escreveu Sirkis,
que coordenou a campanha nacional até junho.
O vice Guilheme Leal admitiu a repercussão negativa e defendeu
alterações na linha da propaganda. A estreia exibiu imagens
ecológicas e limitou a aparição da senadora a quatro
segundos. Para o empresário, a imagem de Marina precisa ser mais
usada a partir de hoje, no segundo dia de campanha presidencial na TV.
"Foi só um start", justificou, referindo-se à
estreia.
Na avaliação de Sirkis, a peça inicial fez a candidata
encolher diante dos adversários Dilma Rousseff (PT) e José
Serra (PSDB), que já têm mais tempo no ar.
"Nos ananicamos por um dia. Fizemos pés de chumbo para os
dois grandes", disse.
"Como puderam escondê-la no programa de estreia? Como concordar
com isso?" Ele também criticou a insistência no tema
ambiental, no momento em que Marina tenta exibir conhecimento sobre
outros assuntos, como educação e segurança.
A peça seria "um bom documentário para o National
Geographic", mas "jamais um programa inicial", disse.
Na saída do debate Folha/UOL, a presidenciável tentou
atenuar as críticas: "Apareci pouco para mostrar o tamanho
do problema".
Colaborou BRENO COSTA, de São
Paulo
|
Folha de S.Paulo, 19 de
agosto de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Serra e Dilma protagonizam embate mais
duro; Marina centra críticas em tucano
Candidato do PSDB diz que PT aposta no "quanto
pior, melhor'; petista afirma que FHC não investiu em saneamento
| Atrás nas pesquisas, tucano tenta mostrar diferenças
com Dilma; estratégia da verde mira votos das classes A e B
DE SÃO PAULO
Principais adversários
na disputa pela Presidência, o tucano José Serra e a petista
Dilma Rousseff protagonizaram ontem, no debate online Folha/UOL, o mais
duro embate da corrida eleitoral.
Adotando tom mais agressivo, Serra, oito pontos atrás da petista
no Datafolha, a chamou de "ingrata" e a acusou de mentir.
Ela revidou, acusando-o de "calúnia".
Os dois trocaram insultos e farpas nas quase três horas de debate.
Dilma chegou a pedir direito de resposta quando Serra afirmou que o
governo era marcado por um "troca-troca desavergonhado". Não
obteve.
Já na primeira questão a Serra, Dilma afirmou que o DEM
entrara na Justiça contra o ProUni. E questionou:
"Se a Justiça aceitasse o pedido do PFL, partido do seu
vice, como você explicaria essa atitude para 704 mil estudantes?".
Serra, que chegou ao Tuca (teatro da PUC onde foi o evento), preparado
para um debate ácido, subiu o tom.
Lembrando que o PT se opôs ao Plano Real, à Lei de Responsabilidade
Fiscal e até à eleição de Tancredo Neves,
disse que os petistas são imbatíveis no "torneio
do quanto pior melhor".
"FIXAÇÃO
NO PASSADO"
"Você tem fixação no passado, no Fernando Henrique
Cardoso. Muito ingrata com FHC. Você é ingrata com o Itamar
e com FHC, porque eles fizeram Plano Real, LRF, Fundef", atacou
Serra.
Num mesmo disparo, o tucano disse que Dilma copiou sua proposta de implantação
de AMEs (Ambulatório Médico Especializado) e insinuou
que o PT deixava o trabalho sujo a cargo de sindicalistas.
Mais uma vez, Serra lançou dúvidas sobre a competência
de Dilma."Esse negócio do DEM parece brincadeira. Você
também não está preocupada. Aí, algum assessor
te deu isso e você vem querer criar dificuldade."
A discussão invadiu o segundo bloco, quando Serra disse que,
após o vazamento da prova e de dados, o Enem estava "desmoralizado".
"Acho um absurdo um candidato à Presidência vir aqui
dizer que o Enem está desmoralizado", reagiu ela.
Como a petista repetiu que uma lei impedia investimento em saneamento
sem que houvesse custeio de Estados e municípios, Serra disse
que ela divulgava uma "mentira". Valendo-se do termo "vazamento",
voltou à carga:
"Vocês quebraram o sigilo bancário de um vice-presidente
do PSDB [Eduardo Jorge]. Você disse que não tinha acontecido,
chegou até ameaçar a processar e depois isso aconteceu",
disse.
Dilma rebateu:
"A gente tem que ter cuidado para que o termo de calúnia
não seja aquele que recaia sobre aqueles que caluniam e não
provam. Nós processamos em todos os casos aqueles que falaram
que vazamos qualquer coisa. Não se pode caluniar".
A petista rompeu a estratégia de manter-se calma quando o assunto
foi carga tributária em contraposição à
falta de investimentos em saneamento. Dilma disse que os números
de Serra eram antigos, de 2008.
"É bom atualizar o número para saber se de fato essa
afirmação tem consistência", ironizou ela,
evitando olhar para o adversário.
Em resposta, Serra disse que ela estava desinformada sobre o que acontecia
no próprio governo: "PIS/Cofins sobre saneamento aumentou
de 3% para 7,6%. Isso foi feito no seu governo e com você, segundo
se diz, coordenando o governo".
A petista reagiu: "Discutir saneamento é algo que você
não deveria tentar porque vocês não fizeram nada
no Brasil nesse período [FHC]".
ESTRATÉGIA
TUCANA
A adoção de um tom mais incisivo era a estratégia
do comando da campanha de Serra, que avalia que chegou a hora de reforçar
as diferenças entre as candidaturas.
Embora a posição agrade ao PSDB, o tucano subiu uns decibéis
além do planejado.
A escalada é atribuída ao nervosismo do candidato e também
ao fato de ter sido surpreendido por ataques da verde Marina Silva.
Mais incisiva que o habitual, Marina atacou Serra duas vezes. Criticou
a qualidade do ensino em São Paulo, que o PSDB governa há
16 anos, e ironizou o uso de uma favela cenográfica no programa
de TV do tucano.
Ela lembrou visita a uma comunidade em Diadema (SP). "Não
entendi, já que no seu programa ontem teve uma favela virtual,
quando temos uma favela tão real".
A mudança foi incentivada por assessores de Marina, que ficou
apagada na Band. Além disso, o PV avaliou que a queda de Serra
nas pesquisas abriu um flanco para crescimento, especialmente nas classes
A e B.
Preservada pelos oponentes, Marina só atacou Dilma no fim do
debate, ao lamentar a falta de infraestrutura, "mesmo com essa
história de pai, de mãe, de tio, de avô" -a
petista é sempre chamada por Lula de "mãe do PAC".
Mais tarde, Serra negou em evento que tenha sido agressivo e disse que
foi "gentil como sempre".
|
Folha de S.Paulo, 19 de
agosto de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Marqueteiro pede a Serra que baixe o tom
Faltando cerca de 30 minutos para o fim do debate,
Gonzalez recomenda a tucano que amenize ataques a Dilma | Publicitário
do PT faz elogios ao desempenho de Marina, que recebeu conselhos de
sua equipe dos tempos de governo
DE SÃO PAULO
No intervalo do quarto para
o quinto bloco do debate, o assessor de comunicação de
José Serra (PSDB), Marcio Aith, passa o celular para o candidato.
Na linha, está o marqueteiro Luiz Gonzalez, que acompanha à
distância o desempenho de seu cliente.
A recomendação, já na reta final do confronto,
é clara: hora de baixar o tom, já significativamente mais
elevado do que o do debate na Band, semana passada.
Era o primeiro contato entre os dois. Serra seguiu o conselho, assim
como a dica de sua assessoria para falar de internet, de forma a atingir
o público alvo do debate.
Antes, o tucano já falara ao telefone com a mulher, Monica Serra,
com a filha Verônica e com uma das netas. A todos, perguntou:
"Como você acha que eu fui?".
Os conselhos que se seguiam à pergunta tinham como fio condutor
o tom e os gestuais de Serra. "A temperatura está boa",
cochichou Felipe Sotello, assistente de Gonzalez, um bloco antes da
ligação do marqueteiro.
Quanto ao conteúdo, tudo foi preparado com antecedência.
Um caderno dividido em quatro guias: "Dilma", "Marina",
"internautas" e "repertório", este último
para "refrescar a memória" de Serra, segundo Sotello,
autor do levantamento.
Na bancada, o tucano tinha ao alcance das mãos uma armadura para
resistir a eventuais ofensivas nas perguntas de adversários,
internautas e jornalistas.
Tratava-se de um resumo com números e tabelas sobre, entre outros
temas espinhosos, enchentes em SP e a epidemia de dengue que coincidiu
com sua passagem pelo Ministério da Saúde. Não
precisou usar.
MARINA
Nos intervalos, Marina Silva (PV) era cercada pelo staff dos tempos
do Ministério do Meio Ambiente, incorporado à campanha:
João Paulo Capobianco, Tasso Azevedo e Bazileu Margarido.
O marqueteiro Paulo de Tarso Santos estava na plateia, mas não
subiu ao palco em nenhum momento.
Nos bastidores, atrás do palco, quem referendava o desempenho
da candidata era o marqueteiro João Santana, da rival Dilma Rousseff
(PT). Em dois momentos, elogiou o desempenho da candidata verde.
O primeiro deles quando Marina lançou uma frase de efeito sobre
doações de campanha: "Se não foi por amor,
que seja com pudor".
"Excelente a minha candidata, não?", perguntou Capobianco,
coordenador da campanha, a Santana.
|
Gazeta do Povo, 19 de agosto
de 2010
Comunicação eleitoral
Na tevê, eleição paranaense
vira “disputa” entre capital e interior
No 1.º dia do horário eleitoral
para governador, Richa mostra sua experiência administrativa em
Curitiba. Osmar diz conhecer “cada palmo” do resto do estado
Os dois principais candidatos
ao governo do Paraná usaram o primeiro dia do horário
eleitoral gratuito no rádio e na televisão, ontem, para
mostrar suas biografias e qualidades. E a propaganda acabou se transformando
em uma espécie de “disputa” entre Curitiba e o interior
do estado. Beto Richa (PSDB) falou de sua experiência como prefeito
da capital durante dois mandatos. Osmar Dias (PDT) fez questão
de mostrar que conhece todo o interior do estado.
Richa garantiu que vai levar
alguns projetos que tocou como prefeito de Curitiba para o resto do
estado. Um deles é o Mãe Curitibana, criado na gestão
do ex-prefeito curitibano Cassio Taniguchi, que serve para dar acompanhamento
às gestantes desde o exame pré-natal até o momento
do parto. Na área da segurança pública, o tucano
prometeu combater as drogas, especialmente o crack. E citou o fato de
que criou em Curitiba a Secretaria Antidrogas. No programa de rádio,
já havia dito que saúde e segurança serão
suas duas prioridades.
Osmar falou no rádio
da vida que levou no campo, quando era estudante. Disse que todos os
dias, depois da escola, ia para a “lida na roça”.
No programa de tevê, mostrou trechos de seu discurso no mês
passado na Federação das Indústrias do Estado do
Paraná (Fiep), em que apresentou suas propostaa. “Conheço
cada palmo desse estado”, afirmou, enquanto defendia duplicações
de estradas importantes no interior.
Bom moço x caipira simpático
Para Adriano Codato, professor
de Ciência Política da UFPR, o primeiro programa eleitoral
estadual reforçou a imagem de que a eleição será
disputada entre o “bom moço” e o “caipira simpático”.
“Os coordenadores de campanha criam essas imagens simples. E não
percebem que o eleitor é mais politizado do que isso”,
afirma.
Codato diz que, embora as campanhas
apostem em imagens diferentes, que criam um clima de metrópole
versus interior, o discurso dos dois candidatos não facilita
ao eleitor saber as reais intenções de cada um. “As
imagens são diferentes, mas os discursos não.”
Como é tradicional em
início de campanha, os candidatos também aproveitaram
a programação da tevê e do rádio para relembrar
aos eleitores suas biografias. Beto Richa colocou no ar a imagem de
seu pai, o falecido governador José Richa, e de outros políticos
com quem conviveu em sua infância e adolescência, em função
da militância do pai. Mostrou também a mulher e os filhos.
Osmar, de modo semelhante, falou
de suas origens, principalmente no rádio, onde contou como foi
dura sua vida no campo. E igualmente falou do pai, Silvio Dias, como
um exemplo de vida.
O cientista político
Ricardo Costa de Oliveira, da UFPR, diz que o programa dos dois candidatos
foi tradicional. “Os dois fazem parte de famílias que estão
há bastante tempo na política paranaense. E fizeram questão
de destacar as suas origens”, afirma.
Apoio de Lula
Osmar também aproveitou
o primeiro programa para deixar claro que é o candidato apoiado
pelo presidente Lula no Paraná – tanto no programa de rádio
como no da televisão.
No programa de Beto Richa, o
presidenciável tucano José Serra teve uma presença
bem mais discreta. No rádio, não foi citado. Na televisão,
surgiu apenas caminhando ao lado de Richa durante sua última
passagem por Curitiba.
|
Agência Senado, 19 de
agosto de 2010
TSE confirma: Ficha Limpa vale
para as eleições de outubro
A Lei da Ficha Limpa, aprovada
pelo Senado em maio, passou pelo primeiro teste no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). Por cinco votos a dois, os ministros do TSE mantiveram
o entendimento de que a lei é aplicável para as eleições
gerais deste ano, mesmo tendo sido publicada há menos de um ano
da data das eleições.
Em
junho, o TSE já havia afirmado que a norma valeria para as
eleições de 3 de outubro, em resposta a uma consulta feita
pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). A
posição foi confirmada em votação realizada
nesta terça-feira (17), por ocasião do julgamento de recurso
interposto por Francisco das Chagas Rodrigues Alves, que teve sua candidatura
a deputado estadual no Ceará negada pelo Tribunal Regional Eleitoral
do estado, com base na Lei da Ficha Limpa.
Na avaliação do
ministro Ricardo Lewandowski, presidente do TSE, a lei não promoveu
alteração no processo eleitoral capaz de ferir as regras
atuais, o que sustenta a decisão do tribunal. Para Lewandowski,
só se poderia justificar o adiamento da validade da lei se isso
representasse "rompimento da igualdade entre os partidos"
na disputa eleitoral.
Segundo informações
do TSE, o julgamento do recurso de Francisco das Chagas Rodrigues Alves
ainda não terminou. Um pedido de vista feito pela ministra Carmem
Lúcia adiou pela segunda vez a análise do caso.
A Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar
135/10), que altera a Lei das Inelegibilidades (LC 64/90), proíbe
as candidaturas de condenados pela Justiça em decisão
colegiada. Pela nova legislação, os políticos condenados
ficam inelegíveis por oito anos. Os que ainda assim quiserem
disputar alguma eleição terão de obter uma liminar
na Justiça. Até segunda-feira (16), ao menos 169 candidatos
haviam protocolado recursos contra decisões tomadas pelos Tribunais
Regionais Eleitorais (TREs).
Da Redação / Agência
Senado
|
Gazeta do Povo, 19 de agosto
de 2010
Ibope lança pesquisa para
deputado
O Ibope lançou ontem uma pesquisa que irá avaliar a intenção
de voto da população de 11 estados, entre eles o Paraná,
mais o Distrito Federal, para os cargos de deputado estadual e federal.
Mais informações no site www.ibope.com/deputados2010.
O estudo traz a intenção de voto espontânea para
deputado estadual e federal.
|
Gazeta
do Povo, 19 de agosto de 2010
Trabalho
Novo ponto eletrônico fica para março
Falta de máquinas para o controle e impressão
de recibo levou Ministério do Trabalho a adiar mudança,
que deveria ocorrer na próxima semana
O governo adiou novamente o prazo para que o
novo ponto eletrônico entre em vigor. Antes prevista para 26 de
agosto, a medida passará a valer em 1.º de março
de 2011. A partir daí, as empresas terão 90 dias para
se adequar à norma. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse
que a falta de equipamento disponível no mercado causou a mudança.
Segundo ele, serão necessários mais de 1 milhão
de máquinas de ponto com impressoras agregadas. A portaria 1.510,
de agosto de 2009, prevê a impressão de um recibo cada
vez que o funcionário bater ponto de entrada e saída do
trabalho.
O ministério calculou que, nos últimos
dois meses, foram fabricados, em média, 184,5 mil equipamentos,
quantidade insuficiente diante da demanda das empresas.
Paraná
Ontem, horas antes do anúncio de Lupi,
a Federação das Indústrias do Paraná
(Fiep) havia obtido liminar que beneficia empresas associadas a 97 sindicatos
patronais filiados à entidade. Elas não seriam
obrigadas a adotar o novo modelo de ponto. A Coopavel e a Copacol,
da região Oeste do estado, e a Associação Comercial
e Empresarial de Maringá (Acim) já
haviam obtido decisões semelhantes nas últimas semanas.
Na liminar, ficou estabelecido que as empresas
ligadas à Fiep têm até 12 de março de 2011
para se adaptar à legislação. As micro e pequenas
têm prazo maior: até 12 de março de 2012. O juiz
Eduardo Milléo Baracat, da 9.ª Vara do Trabalho de Curitiba,
considerou que o prazo para adoção do novo ponto deveria
ser contado a partir do dia em que as empresas fornecedoras do aparelho
foram cadastradas pelo ministério, em 12 de março passado.
O juiz considerou também que as novas
regras violam o artigo 179 da Constituição Federal, que
determina tratamento jurídico diferenciado a micro e pequenas
empresas. Por isso, decidiu pela ampliação do prazo para
essa categoria. A portaria não faz distinção entre
grandes e pequenas companhias. As regras só valem para as empresas
que já adotam o registro de ponto eletrônico, que não
será obrigatório. Ainda será possível utilizar
o ponto manual e o mecânico.
Críticas
O presidente da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), Robson Andrade, desaprova a portaria, por
criar, na sua visão, muita burocracia para o trabalhador e custos
altos para as empresas. Serão gastos R$ 5 bilhões para
fabricação dos equipamentos, calcula a CNI.
As centrais sindicais também contestam
a medida. Para a Força Sindical, é um “desperdício”
eliminar acordos entre sindicatos e empresas. Algumas categorias já
tiraram a hora do almoço do ponto. Outras só batem cartão
quando atrasam, faltam ou fazem horas extras.
O ministro Carlos Lupi defendeu o novo ponto.
“O empregado passará a ter o controle do seu
ponto, como o empregador já tem. Quando apenas um lado
tem a informação, quando apenas um
lado controla, não funciona”, disse ele.
Impostos
Maioria ignora peso de tributos sobre
salário
Pesquisa realizada pela Federação
das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que
65,8% dos paulistanos não sabem qual é o peso dos tributos
que recaem sobre o salário, como Imposto de Renda e contribuição
ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em Porto Alegre esse
porcentual sobe para 80,2%. O levantamento foi realizado em seis capitais.
Além de São Paulo e Porto Alegre, inclui Rio de Janeiro,
Belo Horizonte, Salvador e Recife. A pesquisa procurou medir a percepção
da população quanto ao uso dos tributos. Questionados
sobre o que fariam com uma sobra de 10% da renda, os entrevistados,
em sua maioria, disseram que poupariam mais. O aumento no consumo é
a segunda opção mais citada, seguido da quitação
de dívidas.
|
Agência Câmara,
19 de agosto de 2010
Comissão aprova novas 56
varas trabalhistas em 8 estados
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público aprovou nesta quarta-feira nove projetos de lei que alteram
a composição de tribunais regionais do Trabalho. No total,
os projetos criam 56 varas em 8 estados brasileiros, além de
709 cargos, entre efetivos, funções comissionadas, cargos
em comissão e vagas destinadas a juízes.
Todas as propostas foram apresentadas
pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e receberam pareceres favoráveis
dos relatores na comissão.
Os deputados que estudaram as
proposições concordaram com a justificativa do TST de
que a criação das varas vai atender o aumento da demanda
da justiça trabalhista, provocado pela aprovação
da Emenda Constitucional 45, de 2004, que incluiu novas atribuições
e exigiu celeridade na tramitação dos processos.
Os textos ainda serão
analisados pelas comissões de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em
seguida, serão votados pelo Plenário.
As propostas aprovadas
pela Comissão de Trabalho foram as seguintes:
- PL 7573/10,
que cria 2 Varas do Trabalho, 4 cargos de juiz do Trabalho (sendo 2
substitutos), 30 de nível superior e 12 de técnico na
jurisdição do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 12ª
região, sediado em Florianópolis (SC). As varas serão
criadas nas cidades de São Bento do Sul e Navegantes. O relator
foi o deputado Edinho Bez (PMDB-SC);
- PL 7574/10,
que cria 12 Varas do Trabalho no âmbito do Tribunal Regional do
Trabalho da 18ª Região, com sede em Goiânia (GO).
Para aparelhar as novas varas, a proposta também cria 1 cargo
de juiz de tribunal, 12 de juiz do Trabalho, 12 de juiz do Trabalho
substituto, 22 de analista judiciário e 12 cargos em comissão.
As varas e os cargos serão criados nas cidades de Goiânia,
Goianésia, Goiatuba, Inhumas, Itumbiara, Pires do Rio, Quirinópolis
e Rio Verde. O relator foi o deputado Jovair Arantes (PTB-GO);
- PL 7575/10,
que cria duas varas trabalhistas na área do Tribunal Regional
da 19ª Região, sediado em Maceió (AL). São
criados ainda 2 cargos de juiz do Trabalho, 1 de juiz do Trabalho substituto,
20 de analista judiciário, sendo 4 na especialidade de execução
de mandados, 15 de técnico judiciário e 2 cargos em comissão
de diretor de secretaria. As novas varas serão criadas nos municípios
de São Miguel dos Campos e União dos Palmares. A matéria
teve como relator o deputado Roberto Santiago (PV-SP);
- PL 7576/10,
que cria três varas trabalhistas na área de jurisdição
do Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região, na cidade
de Aracaju (SE). A proposta cria 3 cargos de juiz do Trabalho, 3 de
juiz do Trabalho substituto, 17 de analista judiciário, sendo
1 na especialidade de execução de mandados, 12 de técnico
judiciário e 3 cargos em comissão de diretor de secretaria.
O relator foi o deputado Roberto Santiago;
- PL 7621/10,
que cria seis varas do Trabalho no interior de Mato Grosso (23ª
Região). Também são criados 12 cargos de juiz (sendo
6 substitutos), 18 de analista judiciário e 30 de técnico
judiciário, além de 30 funções comissionadas
e 6 cargos em comissão. Segundo a proposta, as varas e os cargos
serão criados nos municípios de Alto Araguaia, Colniza,
Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Peixoto de Azevedo e Sapezal. A relatora
foi a deputada Thelma de Oliveira (PSDB-MT);
- PL 7622/10,
que altera a composição do Tribunal Regional do Trabalho
(TRT) da 9ª Região, de 28 para 31 juízes. Também
serão criados 7 cargos em comissão e 12 funções
comissionadas nesse TRT, que tem sede em Curitiba (PR). O relator da
proposta foi o deputado Alex Canziani (PTB-PR);
- PL 7623/10,
que cria no âmbito do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª
Região (Rio Grande do Sul) 17 varas do Trabalho. Para dar funcionamento
a elas, também são criados 17 cargos de juiz do Trabalho,
114 cargos efetivos de analista judiciário, 39 de técnico
judiciário e 17 cargos em comissão. O projeto beneficia
os municípios de Canoas, Caxias do Sul, Erechim, Esteio, Estrela,
Gravataí, Lajeado, Passo Fundo, Rio Grande, Santa Rosa, São
Leopoldo e Taquara. A matéria teve como relator do deputado Luiz
Carlos Busato (PTB-RS);
- PL 7624/10,
que cria cinco Varas do Trabalho no Rio Grande do Norte (21ª Região).
Também serão criados 2 cargos de juiz do tribunal, 5 de
juiz do Trabalho, 5 de juiz do Trabalho substituto, 46 de analista judiciário
e 14 de técnico judiciário, além de 8 cargos em
comissão. Serão beneficiadas as cidades de Natal, Ceará-Mirim,
Goianinha e Macau. A relatora foi a deputada Sandra Rosado (PSB-RN);
- PL 7625/10,
que cria nove Varas do Trabalho na 6ª Região, em Pernambuco.
Para o funcionamento dessas varas, também são criados
1 cargo de juiz de tribunal, 9 de juiz do Trabalho, 2 de juiz substituto,
96 de analista judiciário e 24 de técnico judiciário,
além de 11 cargos em comissão. As varas e os cargos serão
distribuídos, segundo o projeto, entre os municípios de
Carpina, Igarassu, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Nazaré
da Mata, Palmares, Petrolina, O relator foi o deputado Edgar Moury (PMDB-PE).
|
Agência Senado, 19 de
agosto de 2010
Níura Demarchi (PSDB) alerta
para consequências da redução da jornada de trabalho
A senadora Níura Demarchi
(PSDB-SC), em discurso nesta quarta-feira (18), alertou para as consequências
da aprovação da proposta de emenda à Constituição
(PEC 231/05) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais,
sem perda salarial, e aumenta a hora extra de 50% para 75% sobre a hora
trabalhada. Na opinião da senadora, a adoção dessas
medidas poderia prejudicar o progresso do país.
Apesar da expectativa de que
a redução da jornada de trabalho leve ao aumento da oferta
de empregos, a senadora observou que a criação de novas
vagas de trabalho nas empresas não depende só disso, mas
está ligada a uma soma de fatores que proporcionam um ambiente
favorável para a economia.
- Instituir uma lei que irá
gerar aumento de custo significa, por outro lado, que haverá
recuo na competitividade e, consequentemente, o enxugamento de quadros
profissionais, contrariando exatamente a boa intenção
desse projeto original, especialmente nas micro e pequenas empresas
- afirmou.
Para Níura Demarchi,
a proposta em vez de atualizar a legislação trabalhista,
tornando-a mais flexível e condizente com o panorama global;
ou criar mecanismos capazes de aumentar a competitividade; em vez de
realizar investimentos em ciência, tecnologia, infraestrutura
e qualificação profissional, engessa ainda mais o aparato
legal histórico que rege as relações de trabalho
no Brasil.
- Para gerar empregos, o país
precisa de incentivos aos agentes produtivos, assim, as empresas aumentam
a produção, contratam mais funcionários para atender
à necessidade de mercado e incrementam as contratações,
sem necessidade de uma medida legal que onera as empresas - alertou.
Da Redação / Agência
Senado
|
DIÁRIO DE PERNAMBUCO,
19 de agosto de 2010 | Brasil
Indenização por trabalho escravo
Denúncia // TST confirma que empresa
alagoana terá que pagar R$ 5 milhões por explorar 180
pessoas em duas fazendas
Larissa Leite | larissaleite.df@dabr.com.br
Brasília - O maior processo
por trabalho escravo no Brasil resultou ontem na condenação
ao pagamento de R$ 5 milhões pela utilização de
trabalho forçado de cerca de 180 trabalhadores - entre eles nove
adolescentes e uma criança. A Construtora Lima Araújo
Ltda, sediada em Alagoas, foi condenada à indenização
por dano moral coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). O
crime ocorreu nas fazendas Estrela de Alagoas e Estrela de Maceió,
de propriedade da construtora.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 8ª Região (PA) definiu o valor da multa em resposta a
uma ação civil pública movida pelo Ministério
Público do Trabalho - que inicialmente havia pedido uma indenização
de R$ 85 milhões. A construtora acionou o TST para a revisão
do valor, mas ele foi mantido por unanimidade pela 1ª Turma. Por
meio de nota, a construtora definiu a ação como "absurda",
e informou que irá recorrer à decisão devido à
improcedência da acusação. "Na verdade, nossa
defesa está substanciadacom farta documentação,
que não deixa dúvidas que em momento algum praticamos
'trabalho escravo'. Na verdade por trás desta cortina de acusação
existem outros interesses", afirmou a empresa.
Esta, porém, não
é a realidade observada pelas políticas de combate ao
trabalho escravo. De acordo com o TST, as fazendas, localizadas em Piçarra,
no sul do Pará, foram alvo de cinco fiscalizações
de equipes do grupo móvel do Ministério do Trabalho e
Emprego, entre 1998 e 2002, que geraram 55 autos de infração.
Ao confirmar a condenação, o ministro Luiz Philippe Vieira
de Mello Filho, relator do processo no TST, ainda destacou que as "empresas
reclamadas" também foram fiscalizadas pela Delegacia Regional
do Trabalho e que, em todas elas, foram constatada a existência
de trabalhadores em condições análogas à
de escravo. "A punição estabelecida pelo tribunal
tem sentido pedagógico. Em pleno século XXI, não
se pode conceber esse tipo de tratamento ao ser humano. E de acordo
com nossa documentação, era indiscutível a caracterização
do trabalho forçado", afirmou ao Correio Braziliense/Diario
o ministro Vieira de Mello Filho.
Segundo o processo, as infrações
cometidas pela construtora incluem: não fornecer água
potável; manter empregados em condições subumanas
e precárias de alojamento, em barracos de lona e sem instalações
sanitárias; não fornecimento de materiais de primeiros
socorros; manter empregado com idade inferior a 14 anos; existência
de trabalhadores doentes sem assistência médica; limitação
da liberdade para dispor de salários; ausência de normas
básicas de segurança e higiene; não efetuar pagamento
dos salários até o quinto dia útil do mês;
deixar de conceder o descanso semanal remunerado de 24 horas; e venda
de equipamentos de proteção individual.
A Construtora Lima Araújo
já foi alvo de outras duas ações coletivas, que
resultaram no pagamento de indenização moral coletiva
de R$ 30 mil. Já o ministro do TST Lelio Bentes Corrêa
enfatizou a importância do julgamento de ontem: "Fica a expectativa
de que essa situaçãosirva de exemplo a outras pessoas,
no sentido de que a Justiça do Trabalho não vai tolerar
esse tipo de situação. Estamos em um pais desenvolvido
economicamente, com condições tecnológicas que
poucos países do mundo possuem. Precisamos aprimorar nossas relações
sociais", disse.
|
Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
19/08/2010
Trabalhador de desossa em frigorífico
receberá, como extras, verbas de intervalo para recuperação
térmica
Ao considerar equivalentes os
conceitos de câmara frigorífica e ambiente artificialmente
frio dispostos no artigo 253 da CLT, a Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional da 18ª
Região (GO) que concedeu, como horas extras, o pagamento do intervalo
intrajornada de 20 minutos para “recuperação térmica”
a um empregado que trabalhava em câmara fria da empresa Marfrig
Frigoríficos.
O empregado trabalhava no setor
de desossa da empresa situada na cidade de Mineiros (GO), cujo ambiente
era artificialmente frio (temperatura variando entre 8°C a 10°C).
Diante disso, ele requereu o pagamento de um intervalo de 20 minutos
para recuperação térmica, disposto no artigo 253
da CLT.
O artigo 253 da CLT estabeleceu,
para os empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas
e para os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para
o frio e vice-versa, o direito a um intervalo de 20 minutos após
uma hora e quarenta minutos de trabalho contínuo. Além
disso, o parágrafo único do artigo classifica os ambientes
artificialmente frios.
Ao analisar o pedido do empregado,
o juiz de primeiro grau concedeu o pedido de horas extras e a empresa
recorreu ao TRT da 18ª Região (GO), mas a sentença
foi mantida.
A Marfrig, insatisfeita, interpôs
recurso de revista ao TST, alegando que o empregado não trabalhava
no interior de câmara frigorífica. Para ela, o conceito
de câmara frigorífica, cuja temperatura seria inferior
a 0°, não se equipara ao de ambiente artificialmente frio,
onde seria o verdadeiro local de trabalho do empregado.
A relatora do processo na Terceira
Turma, ministra Rosa Maria Weber, destacou que se deve dar interpretação
extensiva ao artigo 253, de modo a destinar o direito ao intervalo aos
empregados que, embora não trabalhem no interior de câmaras
frias, nem movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para
o frio, permaneçam, durante toda a jornada, em ambientes artificialmente
frios.
Segundo a ministra, a ampliação
dada ao artigo 253 também se expressa no disposto pelo Ministério
do Trabalho e Emprego, por meio do Anexo 9 da Norma Regulamentar n°
15, que trata de atividades insalubres. Essa regulamentação
busca resguardar das consequências prejudiciais do frio não
apenas os trabalhadores de câmaras frias, mas também aqueles
que trabalhavam em “locais que apresentem condições
similares, que exponham os trabalhadores ao frio”.
Rosa Maria Weber observou ainda
que a necessidade dos intervalos para reabilitação térmica
do trabalhador deve ser norteada pela ideia da prevenção
da saúde, pois, segundo estudos, o prejuízo ao trabalhador
submetido a temperaturas inferiores a 12° C, próprias da
sala de corte e desossa, é maior do que o dos empregados de câmaras
frigoríficas.
Isso porque, nas câmaras,
geralmente os tempos de exposição são curtos e
os empregados usam vestimentas adequadas, enquanto os empregados das
salas de cortes trabalham efetivamente em local frio ao longo de uma
jornada de oito horas, gerando doenças reumáticas e respiratórias
pela exposição prolongada.
Assim, com esse entendimento,
a Terceira Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso de revista
da Marfrig, ficando mantida a decisão do Tribunal Regional que
deferiu, como horas extras, o pagamento do intervalo intrajornada de
20 minutos para recuperação térmica ao empregado.
(RR-204800-95.2008.5.18.0191)
|
19/08/2010
Banco comprova que despesa com veículo
próprio de empregado é verba indenizatória
A Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reformou decisão do 19º Tribunal Regional
que determinou ao Unibanco AIG Seguros S. A. integrar ao salário
de um empregado alagoano o reembolso de despesas que ele realizou com
seu veículo particular a serviço da empresa.
O trabalhador ajuizou ação
pedindo que fosse incorporado ao seu salário o que havia recebido
de reembolso pelas despesas que realizou com o seu veículo, mais
despesas com alimentação e aluguel de imóvel. O
juiz de Primeira Instância, considerando que as despesas foram
realizadas para o trabalho e que se constituíam em acréscimos
indiretos da sua remuneração, deferiu-lhe o pedido.
O Tribunal Regional confirmou
a sentença e a empresa recorreu à instância superior,
alegando que tais verbas tinham caráter indenizatório,
uma vez que eram pagas em função do trabalho e não
caracterizavam vantagens pessoais que se incorporavam ao patrimônio
do trabalhador.
Ao analisar o recurso na Segunda
Turma, o relator, ministro Caputo Bastos, conclui que não havia
dúvida de que as verbas relativas aos gastos com imóvel
e alimentação tinham natureza salarial, pois “o
seu reembolso se dava pelo trabalho e não para o trabalho”.
Quanto aos gastos com veículo, a situação era outra,
uma vez que o Regional registrou que seu reembolso não “era
pelo trabalho, mas para o trabalho”. Nesse caso, as verbas têm
caráter indenizatório, informou o relator.
Assim, entendendo que a decisão
regional contrariou a Súmula nº 367 do TST, o ministro Caputo
Bastos excluiu da condenação imposta ao banco a integração
da referida verba ao salário do empregado. A Segunda Turma aprovou
por unanimidade o seu voto. (RR-53900-97.2004.5.19.0002)
(Mário Correia)
|
19/08/2010
Reconhecimento de estabilidade decenal permite
reintegração de empregado da Bayer
Estabilidade decenal: um tema
já esquecido que veio à baila na Sétima Turma do
Tribunal Superior do Trabalho, com o julgamento do recurso de um trabalhador
pleiteando a reintegração na Bayer S.A. por contar com
mais de dez anos de trabalho antes da promulgação da Constituição
Federal de 1988, que extinguiu o instituto da estabilidade decenal.
Além de receber o pagamento dos depósitos de FGTS após
5/10/1988, o autor da reclamação, com vínculo de
emprego reconhecido em juízo para o período de maio de
1977 a setembro de 2002, obteve agora, na Sétima Turma, decisão
favorável à sua reintegração aos quadros
da Bayer S.A.
O trabalhador recorreu ao TST
contra o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª
Região (RS), que manteve a sentença proferida na primeira
instância, negando a possibilidade da reintegração
decorrente da estabilidade decenal. O TRT/RS entendeu que, ao pleitear
o FGTS do período posterior à promulgação
da Constituição de 1988, o empregado renunciou à
estabilidade decenal conferida por lei e concluiu que o trabalhador
“não pode querer se beneficiar com os dois regimes, ou
seja, gozar de estabilidade e, de forma concomitante, pretender o recolhimento
de FGTS”.
Ao examinar o caso, o ministro
Pedro Paulo Manus, relator do recurso na Sétima Turma, esclareceu
que a Súmula 98, II, do TST, que trata da incompatibilidade entre
a estabilidade decenal e o regime do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço,
refere-se a empregados que optaram pelo FGTS. Segundo o relator, a súmula
trata apenas da opção voluntária do empregado,
formalizada antes da promulgação da Constituição
de 1988.
No entanto, ressalta o ministro
Manus, “a filiação compulsória estabelecida
nesta Constituição não equivale à opção
voluntária, que representa renúncia à estabilidade
em discussão”. O relator observou que o artigo 14 da Lei
8.036/90 garante expressamente o direito à estabilidade decenal
aos trabalhadores que, em 05/10/1988, já tinham dez anos de serviço
na empresa. O ministro afirmou, então, que “o fato de a
opção formal pelo FGTS, antes de 1988, ter sido inviabilizada
pela própria informalidade do contrato de trabalho, não
pode excluir o direito do trabalhador, como entendeu o TRT/RS”.
O ministro Pedro Manus
finalizou sua fundamentação acrescentando, ainda, que
“a exploração da força de trabalho, à
margem da legislação trabalhista e previdenciária,
sem garantia dos direitos mínimos do empregado, jamais pode reverter
em benefício da empresa. Trata-se de conduta fraudulenta, que
deve ser duramente combatida, e não incentivada”. A Sétima
Turma acompanhou por unanimidade o voto do relator, ao conhecer do recurso
por violação ao artigo 14 da Lei 8.036/90, e determinar
a reintegração do trabalhador ao emprego, condenando a
Bayer a lhe pagar os salários e demais efeitos legais, referentes
ao período de afastamento. (RR - 65840-93.2003.5.04.0331)
|
19/08/2010
TST decide interditar máquina que
causava mutilações em empregados
A constatação
da ausência de precauções para evitar graves e repetidas
mutilações em empregados da Calçados Azaléia
Nordeste S.A., em acidentes envolvendo a operação de uma
máquina denominada Matriz Injetora de Acetato de Etil Vinil (EVA),
motivou a Seção II Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho a julgar improcedente mandado
de segurança da empresa e manter decisão da 20ª Vara
do Trabalho de Salvador, determinando a interdição do
equipamento por meio de liminar.
O ministro Alberto Luiz Bresciani
de Fontan Pereira, relator, esclareceu aos demais ministros da SDI-2
que, na fábrica da Azaléia, ocorreram acidentes com a
amputação de dedos, punhos, mãos e antebraço
dos empregados. Explicou, ainda, que, segundo documento técnico
e notificação emitidos pelo Centro de Estudos da Saúde
do Trabalhador (Cesat), órgão do Governo do Estado da
Bahia, a “empresa teria alterado o ciclo de funcionamento da máquina
para obter maior produtividade e, com essa alteração,
a situação tem ensejado esses reiterados acidentes do
trabalho com graves consequências”. A seguir, o ministro
Bresciani propôs o restabelecimento da decisão liminar.
Diversos ministros se manifestaram,
sensibilizados com o caso. O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello
Filho fez referência a uma reportagem televisiva sobre a questão,
em um município do Estado da Bahia, “revelando um exército
de mutilados, em decorrência da atuação dessa mesma
empresa”. Em decisão unânime, a SDI-2 manteve o inteiro
teor da liminar concedida pela 20ª Vara do Trabalho de Salvador,
com a interdição dos equipamentos, até que a empresa
comprove que as máquinas injetoras contam com dispositivos de
segurança suficientes para impedir o seu fechamento enquanto
ocorre o manuseio interno pelo trabalhador.
O processo
A origem da reclamação
está em uma ação civil pública, ajuizada
pelo MPT em 2003, com o objetivo de que a Azaléia adotasse medidas
para proteção e saúde dos empregados na sede em
Itapetinga e nas filiais no interior da Bahia. Para verificar se as
obrigações proferidas na sentença, já transitada
em julgado, estavam sendo cumpridas, o MPT solicitou, em 2008, inspeção
e relatório ao Cesat e à Superintendência Regional
do Trabalho.
Foi constatado, então,
em fevereiro de 2008, que haviam ocorrido na empresa seis acidentes
graves, com mutilações de membros dos empregados. Segundo
documento técnico do Cesat, as medidas adotadas pela empresa
não foram suficientes para prevenir a ocorrência de outros
eventos com a mesma gravidade. Diante do risco iminente, o Cesat notificou
a empresa. Novos casos foram registrados e o MPT, então, requereu
a liminar, em ação cautelar, na 20ª Vara do Trabalho
em Salvador, a qual foi concedida diante da situação de
perigo.
A empresa, porém, impetrou
mandado de segurança ao Tribunal Regional do Trabalho da 5ª
Região (BA), que mandou cessar os efeitos da liminar da 20ª
Vara. Em sua fundamentação, o TRT/BA afirma que a decisão
da Vara do Trabalho atenta contra exigências constitucionais e
que “o fechamento da fábrica, cujo funcionamento foi regularmente
autorizado pelos poderes públicos, na forma da lei em vigor,
representaria inaceitável abuso de autoridade”.
Contra esse resultado, o Ministério
Público do Trabalho interpôs recurso ordinário em
mandado de segurança ao TST, defendendo a legalidade do ato da
Vara do Trabalho, porque a máquina injetora continuava a oferecer
perigo aos trabalhadores, com risco de novas mutilações,
o que provocaria perdas irreparáveis. Ao examinar o recurso,
o ministro relator verificou a importância dos fatos registrados
pelo documento técnico emitido pelo Cesat e a necessidade de
celeridade da decisão da SDI-2.
Mais produção
Segundo a descrição
do Cesat, verifica-se a falta de adequado treinamento dos empregados
e a extrema pressão a que são submetidos para não
deixarem a matriz passar com sobra de solado, sob pena de advertência
e suspensão. Além disso, trabalhadores que auxiliavam
na organização do processo de produção foram
designados para substituir operadores mais experientes durante a hora
de almoço e em outras ocasiões, para não prejudicar
a produção.
O documento relata, ainda, que
durante as atividades de extração de solado os trabalhadores
são obrigados a acessar o interior da máquina injetora
sob risco de acidente, e que, um dos casos de mutilação
somente ocorreu porque “o sistema de proteção da
máquina falhou, acionando o comando de fechamento das matrizes
de moldagem antes do tempo previsto, enquanto o trabalhador estava com
os braços no interior da máquina realizando atividade
de extração e limpeza dessas matrizes”.
Reconhecendo a gravidade
do caso, a SDI-2, então, restabeleceu a decisão da liminar
proferida pela Vara do Trabalho, inclusive assegurando aos empregados,
que operam as máquinas injetoras de EVA, os salários e
outros direitos decorrentes do contrato de trabalho, bem como estabilidade
temporária pelo período que durar a medida. (ROMS - 63100-85.2008.5.05.0000)
|
FETRACONSPAR, 19 de agosto de 2010
GTFAT/CODEFAT
RAMTHUN participa de Reunião em
Brasília/DF
GERALDO RAMTHUN,
Presidente do DEPACOM, da FETRACONSPAR, 3º Vice-Presidente da NCST,
e Secretário Regional da CNTI no Paraná, está em
Brasília/DF, onde participa da 105ª Reunião Ordinária
do GTFAT/CODEFAT, com a seguinte pauta:
PAUTA
DA 105ª REUNIÃO ORDINÁRIA
Brasília, 19 de agosto de 2010
14h 30min às 18h
Sala de Reuniões do 4º andar, Sala 433, Bloco F da Esplanada
dos Ministérios
I – APROVAÇÃO DE ATA
1. Atas da 104ª Reunião Ordinária e da 17ª Reunião
Extraordinária, realizadas em 20 de maio e 17 de junho de 2010,
respectivamente;
II – ASSUNTOS PARA DISCUSSÃO
PRESTAÇÃO DE CONTAS
2. Prestação de Contas do Abono Salarial PIS, exercício
2008/2009;
3. Prestação de Contas do Abono Salarial PASEP, exercício
2008/2009;
DEPÓSITOS ESPECIAIS
4. Proposta de Resolução que altera a de nº 544,
de 11 de julho de 2007, que estabelece formas de envio de informações
sobre contratações no âmbito dos programas financiados
com recursos do FAT, alocados em depósitos especiais remunerados
nas instituições financeiras;
5. Solicitação do BNB de alteração do prazo
de carência, no âmbito do Programa FAT – Infraestrutura
Econômica; (altera a Resolução CODEFAT nº 582)
PROGRAMA NACIONAL DE MICROCRÉDITO PRODUTIVO ORIENTADO
- PNMPO
6. Prorrogação de termos de parcerias celebrados pela
SPPE/MTE com Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público – OSCIP, objetivando a concessão de microcrédito
produtivo orientado a beneficiários do Programa Bolsa Família,
no âmbito do Programa PNMPO;
SEGURO DESEMPREGO
7. Proposta de Resolução que dispõe sobre a concessão
do Seguro-Desemprego aos pescadores profissionais, categoria artesanal,
durante os períodos de defeso, instituído pela Lei nº
10.779, de 25 de novembro de 2003, e dá outras providências;
(revoga a Resolução nº468/2005)
8. Proposta de Resolução que altera a de nº 467,
de 21 de dezembro de 2005, visando regulamentar o pagamento do benefício
Seguro – Desemprego por meio de crédito em conta direta
ao correntista da Caixa Econômica Federal;
III – OUTROS ASSUNTOS
9. Entrega dos seguintes documentos:
Boletim de Informações Financeiras
do FAT – junho/2010;
Relatório da Execução da PDE
– REL-PDE;
Informe PROGER, elaborado pela Coordenação
do PROGER/CGER/DES
|