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Folha de S.Paulo, 25 de
agosto de 2010
Produção industrial
ganha força em julho
Sondagem da CNI aponta crescimento mais acentuado
no mês em relação a junho
DE BRASÍLIA
A produção industrial
voltou a crescer de forma mais acentuada em julho, aponta a Sondagem
Industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
O índice que mede a produção avançou de
51,8 em junho para 53,4 em julho. Índices acima de 50 indicam
crescimento da produção, enquanto números abaixo
desse patamar apontam redução.
Contudo, a sondagem apontou ainda que, embora o ritmo de crescimento
tenha aumentado, a utilização da capacidade instalada
ficou um pouco abaixo do que é usualmente registrado para meses
de julho, situando-se aos 49,1 pontos.
A sondagem também mostrou que os estoques da indústria
situaram-se acima do nível planejado pela primeira vez no ano.
Em julho, o índice que mede os estoques ficou em 51,3 pontos.
Resultados acima de 50 pontos indicam que o nível dos estoques
está acima do equilíbrio. Em junho, o resultado foi de
49,2 pontos.
De acordo com o levantamento, os empresários seguem otimistas
em relação aos negócios para os próximos
seis meses. Em agosto (as expectativas referem-se ao mês em curso),
o indicador de expectativa para demanda ficou em 63,1 pontos, um pouco
abaixo do registrado em julho, de 63,5 pontos.
Os empresários também planejam aumentar as compras de
matérias-primas: o índice de expectativa referente a essas
aquisições ficou em 60,7 pontos, ante 60,9 pontos em julho.
Já as perspectivas quanto às exportações
seguem positivas, embora de forma mais modesta.
O índice ficou em 51,8 em agosto ante 52,2 pontos no mês
anterior, um pouco acima do patamar de 50 pontos, que indica otimismo
ou pessimismo.
A pesquisa foi feita entre 2 e 18 de agosto com 1.472 empresas,sendo
817 pequenas, 449 médias e 206 grandes.
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R7, 25 de agosto de 2010
| Economia
Taxa de desemprego no país é
a menor da história para julho
Índice recuou de 12,7% para 12,4% entre
junho e julho; desempregados são 2,79 milhões
Marcel Gugoni, do R7
O desemprego do país
caiu para 12,4% em julho, menor índice da história para
o mês. Em junho, a taxa estava em 12,7%, segundo pesquisa divulgada
nesta quarta-feira (25) pela Fundação Seade e pelo Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Ao menos 66 mil pessoas conseguiram
trabalho ou deixaram de procurar emprego no mês passado (queda
de 2,4% em relação ao mês anterior). Ao mesmo tempo,
o número de vagas aumentou em 49 mil no país (aumento
de 0,3% no total de ocupados).
No levantamento anterior, entre
maio e junho, a taxa havia caído de 13,2% para 12,7%, com os
desempregados somando 2,79 milhões. Em julho de 2009, a taxa
havia sido de 14,8%. Até agora, o mês de abril havia sido
o melhor do ano para o mercado de trabalho.
A economista Patrícia
Lino Costa, do Dieese, diz que esse movimento de redução
no desemprego é comum para esta época do ano. Segundo
ela, a surpresa no país foi o comércio, que passa por
um período de acomodação após as contratações
do primeiro trimestre e antes do novo aquecimento para o fim do ano.
- Em julho, vemos estabilidade
da ocupação e uma saída de pessoas do mercado de
trabalho, que teve um crescimento expressivo frente à primeira
metade de 2009. A indústria se recuperou, mas o comércio
fechou vagas.
A indústria abriu 20
mil vagas entre junho e julho (0,7% a mais do que no mês anterior),
enquanto a construção civil contratou 38 mil (3,1% a mais)
e os serviços, 37 mil (0,4%). No total, os três setores
concentraram 14,5 milhões de empregos. O comércio fechou
17 mil postos (0,5% do total), com 3,1 milhões de vagas.
A pesquisa é feita no
Distrito Federal e em mais seis capitais (São Paulo, Salvador,
Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Fortaleza). Entre elas, o desemprego
só subiu em Salvador (1,2%).
As demais regiões apresentaram
queda no índice de desemprego: Belo Horizonte (-2,4%), Distrito
Federal (-2,1%), Porto Alegre (-6,3), Recife (-2,3%), São Paulo
(-2,3%) e Fortaleza (-2,8%).
A PEA (População
Economicamente Ativa) era formada em julho por 22 milhões de
pessoas ocupadas – diminuição de 0,1% sobre junho
último. O dado reflete o total de pessoas que atualmente possuem
alguma ocupação ou procuraram emprego.
Já o rendimento médio
para aqueles que têm ocupação não formal
ou autônoma cresceu 0,5% entre maio e junho (o dado sai com um
mês de diferença frente aos números de empregos),
de R$ 1.259 para R$ 1.265, enquanto a renda dos assalariados recuou
0,2%, de R$ 1.322 para R$ 1.319.
São Paulo
Na região metropolitana
de São Paulo, que responde pelo maior peso do total de empregos
do país, a taxa de desemprego passou de 12,9% para 12,6% - a
menor desde 1992 para o mês de julho.
O total de desempregados diminuiu
em 37 mil na capital paulista, passando de 1,383 milhão em junho
(o menor desde junho de 2000, quando ficou em 1,719 milhão) para
1,346 milhão.
Na região, a Grande SP
concentrou as contratações do período, com destaque
para a indústria e a construção civil. A taxa de
desemprego caiu de 14,6% para 13,6%, enquanto na cidade de SP esse patamar
foi de 11,8% para 12% no período. O comércio e os serviços
demitiram.
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R7, 25 de agosto de 2010 |
Economia
Sudeste emprega 60,7% do pessoal do setor
de serviços
Brasil tem 879,6 mil empresas deste tipo,
sendo que região Sudeste detém 535,6 mil
Do R7
A região Sudeste emprega
seis em cada dez trabalhadores do setor de serviços, segundo
a PAS (Pesquisa Anual de Serviços) divulgada pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (25).
O levantamento, que leva em
conta os dados de 2008, mostra que os quatro Estados da região
– São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas
Gerais – possuem 5,6 milhões de pessoas no setor. Só
o Estado de São Paulo tem 3,39 milhões de empregados envolvidos
com a prestação de serviços.
O estudo mostra que, no Brasil,
há 9,2 milhões de trabalhadores no segmento. Os serviços
profissionais, administrativos e complementares – que envolve
processos de terceirização ou contratação
de profissionais qualificados ou treinados - respondem pela maior parte
do pessoal ocupado, com 3,643 milhões de pessoas, ou 39,5% do
total.
Por área
Quando se consideram os segmentos,
os serviços ligados à alimentação encabeçam
a lista de mão de obra ocupada, com 1,2 milhão de pessoas
(13,3% do total).
De acordo com o IBGE, os restaurantes,
bares, lanchonetes e outros serviços de fornecimento de alimentação
pronta, para consumo imediato, são 22,7% do total de empresas.
Entretanto, a remuneração média mensal é
baixa, de cerca de 1,4 salários mínimos.
Salários
Os serviços geraram R$
128,1 bilhões de massa salarial (salários, retiradas e
outras remunerações) em 2008. Como tem o maior número
de empregados, o segmento de serviços profissionais, administrativos
e complementares responde por R$ 44,2 bilhões dos salários
pagos durante o ano – isto é, 34,5% do total.

Apesar de ser responsável
pelo grosso dos salários, o segmento tem média salarial
de 2,3 salários mínimos (R$ 954,50) – abaixo da
média global do setor, que é de 2,6 salários mínimos
(ou cerca de R$ 1.080). Os cálculos em reais foram feitos pelo
R7 considerando o mínimo em R$ 415, valor que passou a vigorar
em março de 2008.
A melhor média salarial
é do segmento de serviços de informação
e comunicação, que emprega profissionais das áreas
de tecnologia da informação, agências de notícias
e processos audiovisuais. Esses empregados ganham em média 5,8
mínimos – ou R$ 2.407.
Número de empresas
O número total de empresas
prestadoras de serviços no Brasil ficou em 879,6 mil em 2008,
segundo a pesquisa do IBGE. Só o Sudeste detém 535,6 mil
firmas, ou 60,8% do total.
O segmento com o maior número
de empresas é o de artigos de vestuário e complementos,
com 173,5 mil firmas espalhadas pelo Brasil – ou 12,1% do total.
O setor acompanha a distribuição da população
e as lojas de roupa e acessórios estão espalhadas em grande
número pelos grandes centros urbanos, de acordo com o IBGE.
Receita líquida
As empresas prestadoras de serviços
geraram um total de R$ 680,1 bilhões de receita operacional líquida,
que é o quanto a empresa arrecada com os descontos e os impostos.
O segmento que se destacou nas
receitas líquidas foi telecomunicações - que envolve
TV a cabo, por exemplo – com R$ 122,2 bilhões, ou 18% do
total. O desempenho favorável se explica, segundo o IBGE, por
ser uma atividade com poucas empresas, em geral de grande porte.
Veja o número
de empresas e a mão de obra ocupada no setor de serviços
|
Local
|
Número
de empresas
prestadoras de serviços |
Mão
de obra
ocupada no setor |
|
No Brasil |
879.691
mil |
9,231 milhões |
|
No
Sudeste |
535.689
mil |
5,611
milhões |
|
Em
São Paulo |
337.404
mil |
3,398
milhões |
Fonte:
PAS (Pesquisa Anual de Serviços) do IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística |
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R7, 25 de agosto de 2010 |
Economia
Empresas vão investir na ampliação
da capacidade de produção em 2010
Estudo da FGV mostra motivação
do setor para a realização de investimentos
O número de empresas
que atribuem a realização de investimentos à capacidade
produtiva aumentou nos últimos meses, segundo revela a Sondagem
de Investimentos da Indústria realizada entre os meses de abril
e maio pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). O dado
demonstra que os empresários estão interessados em ampliar
a produção de bens, o que significa um indicador de expansão
da indústria.
Segundo o estudo, no que diz
respeito à expansão dos investimentos em 2010, o aumento
da capacidade produtiva foi a motivação mais citada por
40% das 789 empresas informantes, o segundo maior porcentual da série
iniciada em 1998, inferior apenas aos 50% apurados em abril-maio de
2008.
"O aumento da frequência
de empresas indicando esta motivação para a realização
de investimentos está geralmente associado às boas perspectivas
de crescimento do setor industrial", informa a FGV no documento
de divulgação da Sondagem.
O segundo motivo para a realização
de investimentos produtivos em 2010, de acordo com a sondagem, é
o aumento da eficiência produtiva, assinalado por 28% das empresas.
Já o fator substituição de máquinas e ou
equipamentos registrou a maior frequência da série histórica
(18%) iniciada em 1998. Além disso, a proporção
de empresas que afirmam estar sem programa de investimento em 2010 é
de 14%, o menor porcentual da série, empatado com os valores
registrados em 2007 e 2008.
De acordo com a sondagem, a
percepção das empresas industriais em relação
ao ambiente para a realização de investimentos "modificou-se
bastante em relação ao ano passado". Entre 2009 e
2010, o porcentual de empresas que afirmam encontrar dificuldades para
realizar investimentos em capital fixo reduziu-se de 87% para 33%.
Entre as empresas que percebem
entraves à realização de investimentos, segundo
a pesquisa, o fator mais lembrado foi a limitação de recursos
próprios, mencionado por 42% das empresas, um salto de 7 pontos
porcentuais em relação ao ano passado (35%)e a maior proporção
da série histórica.
Ainda segundo a sondagem, mesmo
que tenha sido indicado por 26% dos informantes, o fator carga tributária
registrou o mais baixo porcentual da série histórica como
entrave aos investimentos. O custo de financiamento também foi
apontado por 26% das empresas, proporção inferior aos
28% do ano passado.
O fator limitativo incertezas
acerca da demanda, que havia sido mais citado em 2009, por 50% das empresas,
foi indicado por apenas 20% este ano, o segundo menor porcentual da
série (o menor foi de 18% em 2008). As citações
à limitação de crédito como um fator limitativo
aos investimentos também diminuíram em relação
a 2009, de 28% para 25%.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de agosto de 2010 | Economia
Atividade industrial sobe a 53,4 pontos
em julho
A produção industrial brasileira voltou a crescer de forma
disseminada em julho, de acordo com Sondagem Industrial divulgada hoje
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Em uma escala onde valores acima dos 50 pontos apontam crescimento,
o indicador que mede a evolução da atividade no setor
chegou a 53,4 pontos, ante 51,8 pontos em junho.
Segundo a CNI, apesar do aumento
na produção, a Utilização da Capacidade
Instalada (UCI) em julho ainda ficou abaixo do usual para o mês.
Seguindo a mesma metodologia, o uso do parque instalado ficou em 49,1
pontos no mês passado, ante 48,4 pontos registrados no mês
anterior.
A sondagem também revela
que, pela primeira vez neste ano, os estoques ficaram acima do planejado
pelos empresários, com indicador em 51,3 pontos. "Esse dado
mostra que a produção da indústria foi mais do
que suficiente para atender à demanda no período",
afirmou o documento.
Realizada com 1.472 empresas
entre os dias 2 e 18 de agosto, a pesquisa também indica que
as expectativas na indústria continuam positivas. O indicador
sobre a perspectiva dos empresários para a demanda nos próximos
seis meses situou-se em 63,1 pontos. Já as perspectivas em relação
às exportações permanecem mais conservadoras, com
índice em 51,8 pontos.
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BEM PARANÁ, 25 de agosto de 2010 |
Economia
Onde está o povo da limpeza?
Faltam candidatos à vaga de serventes
e zeladores
Ana Ehlert
Encontrar zeladoras e serventes,
as populares “tias da limpeza”, tem sido tarefa difícil
para as empresas paranaenses. A mesma escassez de mão de obra
esta presente em todos os segmentos ditos como “base da pirâmide”,
definidos por aquelas funções com teto salarial de até
dois salários mínimos (R$ 1.020), segundo o vice-presidente
regional da Central Brasileira de Serviços (Cebrasse), Adonai
Aires Arruda, e diretor presidente do Grupo de Serviços Higi
Serv. Entram nesta classificação, porteiros, recepcionistas,
telefonistas e vigilantes, por exemplo.
E o cenário para este ano não é nada animador.
Segundo Arruda, atuar na eleições acaba sendo mais atraente.
“As diárias pagas, além de alguns benefícios
sociais, muitas vezes desestimulam a formalidade. Desta forma o trabalhador
força sua demissão, se ancora no seguro desemprego e fica
na informalidade bandeirando nas esquinas. Sabe que como existe carência,
logo após terá sua vaga garantida”, afirma.
Esse apagão da mão de obra foi apontado pela pesquisa
da Cebrasse, por meio do Grupo Ipema, realizada em todo o País,
com empresários do segmento que representam 80 federações,
sindicatos, associações e empresas do segmento de prestação
de serviços. O setor responde por dois terços do Produto
Interno Bruto (PIB) e pelos maiores índices de empregabilidade
tanto no País quanto no Paraná.
Os últimos dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
apontam o setor como um dos principais responsáveis pelos sucessivos
recordes de geração de emprego no Estado, que em julho
deste ano abriu 12.723 postos formais de trabalho. Destes, a liderança
coube à área de serviço com 3.713 vagas.
Em uma pesquisa feita em março,
na avaliação das questões de ordem interna que
afetam o incremento dos negócios, a retenção e
a manutenção de mão de obra qualificada apareciam
em último lugar (27%) entre os seis maiores desafios na gestão
dos negócios. Já em julho, a questão passou para
o segundo lugar (52%), perdendo apenas para a manutenção
de preços competitivos (57%).
Paulo Lofreta, presidente da Cebrasse, diz que a questão é
grave para o setor porque a atividade tem seu maior insumo na mão
de obra empregada. “O apagão da mão de obra, recentemente
alardeado, afeta de forma preocupante os prestadores, notadamente os
de serviços terceirizados e de mão de obra intensiva,
área de atuação de 82% dos entrevistados”.
Dos segmentos envolvidos, 41%
operam na limpeza e conservação, serviços gerais
(34%), segurança e serviços especializados (32%), manutenção
predial e jardinagem (27%), trabalho temporário (23), administrativos
(18%), mecânica (14%), manutenção elétrica,
RH e logística (7%), informática (4,5%), e administração
de restaurantes, engenharia e montagem e promoção (2,3).
As respostas apuradas são das regiões Sudeste (75%), Sul
(39%), Centro-Oeste (23%), Norte e Nordeste (18%) e Distrito Federal
(14%).
Arruda revela que para evitar perdas maiores, as empresas têm
buscado manter o emprego através da oferta de capacitação
constante, possibilidade de construir carreiras e até mesmo premiações
adicionais.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de agosto de 2010 | Economia
Conselho do FGTS libera mais recursos
para a habitação
O Conselho Curador do FGTS aprovou
a verba suplementar de R$ 6 bilhões, em reunião realizada
ontem, para aplicação em programas habitacionais, saneamento
e infraestrutura urbana. A reformulação anual é
prevista no Regulamento Consolidado do FGTS e na Resolução
460/2004.
A área de habitação
popular será beneficiada com mais R$ 3 bilhões, que serão
destinados aos programas de Carta de Crédito Individual, Carta
de Crédito Associativo e Apoio à Produção
de Habitações.
De acordo com Joaquim Lima,
vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias, a suplementação
vai permitir à Caixa a continuidade de contratações
em habitação para o público-alvo do FGTS. “É
um recurso que vai permitir o financiamento de cerca de 75 mil unidades
habitacionais.”
Também foram acrescidos
R$ 3 bilhões para o Programa de Infraestrutura de Transporte
e da Mobilidade Urbana Pró-Transporte, que permitirá a
inclusão de projetos de Pavimentação e Qualificação
de Vias Urbanas.
Esse investimento significa,
para a população beneficiada, um ambiente urbano qualificado,
por meio da implantação de pavimentação
nova em vias existentes, sistema de drenagem de águas pluviais
(microdrenagem) e redes de água e esgoto nas vias objeto das
intervenções, calçadas e guias rebaixadas, além
de sinalização viária.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de agosto de 2010 | Economia
Habitação e vias urbanas
têm reforço de R$ 6 bi do FGTS
Para garantir o ritmo de crescimento da concessão de empréstimos
para a compra da casa própria pela baixa renda e direcionar recursos
para a pavimentação de vias urbanas, o Conselho Curador
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) decidiu hoje
reforçar em mais R$ 6 bilhões os repasses para os programas
habitacionais e infraestrutura urbana. Com isso, o orçamento
para habitação popular subiu de R$ 20 bilhões para
R$ 23 bilhões. Já o recurso destinado para infraestrutura
urbana aumentou de R$ 8 bilhões para R$ 11 bilhões.
Apesar de liberação
adicional ter sido aprovada às vésperas das eleições
presidenciais, o vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da
Caixa Econômica Federal, Joaquim Lima, explicou à reportagem
que, normalmente em agosto, é feita uma revisão de como
está a liberação dos financiamentos com recursos
do FGTS para verificar se há ou não necessidade de complementação
de recursos. "Já fazíamos essas revisões em
agosto. Não mudou nada", ressaltou, frisando que uma nova
reunião do Conselho Curador do FGTS só acontecerá
no final de outubro.
No caso da habitação,
explicou Lima, a principal linha de crédito tinha um orçamento
de R$ 10,1 bilhões para o ano. "Já foi contratado
R$ 8 bilhões dessa linha. No ritmo em que está a liberação,
o recurso restante acabaria em 30 dias. Por isso, decidimos fazer uma
suplementação de R$ 3 bilhões, que deverá
suficiente para atender a demanda até o final do ano", contou
o vice-presidente da Caixa. Com esse recurso extra, Lima ressaltou que
será suficiente para financiar 75 mil unidades habitacionais.
Infraestrutura
Os outros R$ 3 bilhões
adicionais do FGTS serão destinados ao Programa de Infraestrutura
de Transporte e da Mobilidade Urbana - Pró-Transporte, que permitirá
a inclusão de projetos de Pavimentação e Qualificação
de Vias Urbanas. Pela primeira vez, são liberados recursos desse
programa para pavimentação de vias urbanas com foco nas
obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo Lima, o recurso será repassado para a Caixa, mas a contratação
deve acontecer apenas após as eleições de 3 de
outubro. Isso porque, o banco começará a partir de agora
a selecionar os projetos que serão atendidos.
De acordo com dados da
Caixa, com o aporte de R$ 6 bilhões, o novo orçamento
para operações de empréstimo em Habitação
Popular, Saneamento Ambiental e Infraestrutura Urbana passa para R$
41,5 bilhões. Somados aos orçamentos já definidos
para aplicações no FI-FGTS, descontos concedidos e investimento
nas Carteiras Administradas de Habitação, Saneamento Ambiental
e Infraestrutura Urbana, o orçamento total alcança o recorde
histórico de R$ 71,6 bilhões.
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Agência Diap, 25 de
agosto de 2010
Entra no ar nova TV. Mundo do trabalho
do ponto de vista dos trabalhadores
A TV dos Trabalhadores (TVT)
entrou no ar nesta segunda-feira (23). O Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC firmou dois convênios para a transmissão da programação
da emissora.
Assim como em outros episódios
da vida nacional, os metalúrgicos do ABC dão mais um passo
histórico ao colocar na televisão brasileira o mundo do
trabalho sob o ponto de vista dos trabalhadores.
O evento, desta segunda-feira,
no Centro de Formação dos Profissionais da Educação
de São Bernardo foi acompanhado por mais de mil companheiros
e companheiras, lideranças políticas, sindicais, do movimento
social e contou com a presença do presidente Lula.
Caberá a Rede NGT levar
o sinal às cidades brasileiras e a Associação dos
Canais Comunitários do Estado de São Paulo (Acesa) fazer
a tevê chegar às cidades paulistas.
Os convênios são
necessários porque, neste início, as transmissões
ficarão restritas à região de Mogi das Cruzes.
"Já pedimos ao Ministério
das Comunicações autorização par montar
uma rede de transmissão própria para poder levar nossa
programação para outras regiões", disse Valter
Sanches, diretor de Comunicação do Sindicato. (Fonte:
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC)
Serviço:
Onde sintonizar
Canal 48 UHF no ABC e Grande São Paulo.
Canal 46 em Mogi das Cruzes e Alto Tietê.
TV a Cabo no ABC - ECO TV- canais 96 (analógico) e 9 (digital)
NET.
TV a Cabo em São Paulo - TV Aberta - canais 9 e 72 TVA (analógico)
NET e 186 (digital) TVA.
E no site da TVT: www.tvt.org.br
- disponível a partir do dia 23.
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Agência Senado, 25 de
agosto de 2010
Voto do eleitor é disputado
por 19.458 candidatos
Os votos dos 135,8 milhões
de eleitores brasileiros estão sendo disputados por 19.458 candidatos
- o número pode sofrer pequenas mudanças em razão
da avaliação de candidaturas pela Justiça Eleitoral.
Nesta eleição, há 1.346 candidatos a mais do que
no último pleito em que se disputaram cargos estaduais e federais,
em 2006.
São nove candidatos a
presidente; 155 a governadores; 220 a senadores; 5.147 a deputados federais;
12.525 a deputados estaduais; e 814 a deputados distritais, além
dos suplentes de senadores e dos vices, no caso dos cargos do Executivo.
Instrução
Dos 19.458 candidatos, quatro
são analfabetos; 109 apenas leem e escrevem; 658 têm ensino
fundamental incompleto; 1.427, ensino fundamental completo; 667, ensino
médio incompleto; 5.245, ensino médio completo; 2.078,
ensino superior incompleto; e 9.270, ensino superior completo.
O percentual de candidatos com
curso superior completo mantém-se praticamente estável:
há quatro anos, era de 47,06% e, nestas eleições,
teve pequena variação, para 47,64%. O número de
candidatos que apenas sabem ler e escrever dobrou de 57, em 2006, para
109 este ano.
Em situação inversa,
apenas 3,78% dos eleitores têm curso superior completo. Os eleitores
que se declararam analfabetos, no ato de alistamento, correspondem a
5,9% do total. Uma parcela expressiva - 14,58% - sabe apenas ler e escrever.
Apesar de constituir 51,8% do
eleitorado, as mulheres ainda são insuficientemente representadas
na política, com apenas 5.021 candidatas, ou seja, 22,29% do
total dos aspirantes a cargos políticos. O número de candidatas
a cargos eletivos, quatro anos atrás, era bem menor do que hoje:
2.561, ou seja, 14,14% do total.
Mesmo com o aumento do número
de aspirantes do sexo feminino, as agremiações políticas
estão longe de cumprir o parágrafo 3º do artigo 10
da Lei 9.504/97, que determina a cada partido ou coligação
reservar o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas
de cada sexo.
Djalba Lima / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação
da Agência Senado)
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Agência Senado, 25 de
agosto de 2010
Nulos e brancos não têm
grande importância no resultado das eleições
Mesmo com cerca de 20 mil candidatos
disputando a preferência dos brasileiros, parcela expressiva do
eleitorado não consegue identificar um candidato a quem possa
dar seu voto. Quando o Brasil ainda adotava a cédula de papel,
eram frequentes os casos de voto nulo em massa, como movimento político
espontâneo da sociedade insatisfeita com os rumos da política.
O caso mais famoso foi o do
rinoceronte Cacareco, que, transferido do Zoológico do Rio de
Janeiro para a inauguração do Zoológico de São
Paulo, obteve grande popularidade na capital paulista e, nas eleições
de outubro de 1958, alcançou cerca de 100 mil votos para vereador
- o partido mais votado não chegou a 95 mil votos.
De acordo com o entendimento
da Justiça Eleitoral para a legislação em vigor,
o voto anulado por vontade própria ou erro dos eleitores, mesmo
se em quantidade superior à metade do eleitorado, não
invalida a eleição. Para que um pleito seja considerado
inválido, provocando então nova eleição,
é preciso que mais de 50% dos votos sejam declarados nulos pela
própria Justiça Eleitoral - em decorrência de fraudes,
falsidades, coação, interferência do poder econômico
e desvio e abuso de poder, além de propaganda ilegal.
Voto em branco
Mesmo comparecendo a seu local
de votação, o eleitor pode votar em branco. O Código
Eleitoral de 1932 mandava contar os votos em branco para definição
do quociente eleitoral no sistema proporcional.
A Constituição
de 1988 excluiu os votos em branco e os nulos do cálculo para
determinação da maioria absoluta nas eleições
majoritárias - presidente da República, senadores, governadores
e prefeitos.
Mas houve interpretações
divergentes sobre os efeitos dos votos em brancos nas eleições
proporcionais - vereadores e deputados estaduais, distritais e federais.
A polêmica, conforme Walter Costa Porto (Dicionário do
Voto; Brasília: UnB, 2000), foi encerrada com a Lei 9.504/97:
"nas eleições proporcionais, contam-se como válidos
apenas os votos dados a candidatos regularmente inscritos e às
legendas partidárias".
Na prática, voto nulo
e voto em branco se igualam no efeito. Muitos entendem que significam
uma forma consciente de expressar descontentamento com o sistema político
ou com os candidatos escolhidos pelos partidos para disputar as eleições.
Mas há quem considere o voto nulo ou em branco uma abdicação
do direito de escolher - a indiferença que, segundo Antonio Gramsci,
representa o "peso morto da história".
Djalba Lima / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação
da Agência Senado)
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Agência Senado, 25
de agosto de 2010
Doações por meio
de cartões de crédito: novidade vira problema
Anunciada como uma das principais
novidades na campanha eleitoral de 2010, a doação de recursos
por meio de cartão de crédito tem tido uma utilização
extremamente limitada e tem ensejado disputas entre a Justiça
Eleitoral e as administradoras dos cartões. Dos dez candidatos
a presidente da República, apenas as duas mulheres - Marina Silva
(PV) e Dilma Rousseff (PT) - oferecem em suas páginas na internet
a possibilidade de o cidadão comum fazer doações
com o cartão.
A doação por cartão
foi instituída pela Lei 12.034/09. Resolução estabelecida
posteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que
somente as pessoas físicas podem fazer esse tipo de doação.
A resolução proibiu o uso de cartões corporativos,
como os utilizados por órgãos da administração
pública ou empresas, e também os cartões emitidos
no exterior. Também limitou a doação a até
10% dos rendimentos brutos recebidos pelo doador no ano anterior à
eleição (que é o limite estipulado em lei para
doações eleitorais por pessoas físicas). Por fim,
incumbiu os partidos e os candidatos a emitir recibo eleitoral com o
nome e o número de CPF do doador.
A resolução também
determinava que as administradoras de cartão de crédito
deveriam obrigatoriamente fornecer aos partidos políticos, aos
candidatos e aos comitês de campanha a identificação
o CPF do doador. Mas as empresas alegaram que essa obrigação
seria inviável, pois precisariam alterar todo o seu sistema de
transações.
Cedendo às reclamações
das administradoras, o TSE alterou a resolução no final
do mês de junho. Assim, a informação do número
do CPF passou a ser uma obrigação do próprio doador,
feita pela internet, no momento da doação.
Fraudes
Já no começo de
agosto, o TSE cedeu a outra reclamação da Associação
Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços.
O tribunal repassou aos partidos, comitês eleitorais e candidatos
a obrigação de devolver as doações feitas
com cartões mediante fraudes ou que tiveram erros em seu encaminhamento,
mesmo não sendo estes os responsáveis pelos problemas
detectados.
Outra alteração
feita pelo TSE, também no começo deste mês, estipulou
que as doações por meio de cartões de crédito
deverão ter regras e procedimentos definidos em contratos estabelecidos
com os partidos. No caso de descumprimento de alguma das cláusulas
do contrato, o valor não será repassado aos candidatos.
Também determinou que, caso o titular do cartão rejeite
a doação, ou não a reconheça, o valor doado
será estornado.
Entre as regras a serem estipuladas
em contrato estão, por exemplo, o prazo para o repasse do dinheiro
doado ao caixa de campanha, que gira em torno de 30 dias. Também
deve ser estipulado no contrato a taxa que o partido ou candidato deverá
pagar para que o recebimento dessas doações possa ser
antecipado e ingressar no caixa de campanha, de forma a ser cumprido
o prazo estipulado em lei, que é até o último dia
antes das eleições.
Tantas idas e vindas podem explicar
por que somente as duas candidatas têm em suas páginas
na internet espaços destinados a doações por meio
de cartões de crédito. Este tipo de doação
não consta na página do principal candidato de oposição,
o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB). Sua assessoria
informou à imprensa que chegou a cogitar a forma de arrecadação
de campanha, mas, em virtude da grande burocracia no processo, desistiu.
Os candidatos José Maria
Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Zé Maria
(PSTU), Rui Pimenta (PCO) e Mário de Oliveira (PTdoB) sequer
têm espaços destinados a doações, seja de
que tipo for, em suas páginas. Já o candidato Plínio
de Arruda Sampaio (PSOL) reservou uma página em seu portal para
ensinar o eleitor que quiser contribuir financeiramente com sua campanha
a fazê-lo por meio de depósito bancário.
Contencioso entre as campanhas
e os cartões de crédito foi divulgado pelo jornal O Globo
no último dia 11. De acordo com a reportagem publicada pelo diário
carioca, as doações para candidatos a deputados estaduais,
federais e senadores, por exigência das administradoras de cartão
de crédito, somente poderão ser feitas em contas correntes
no nome dos partidos, não podendo ser direcionada para as contas
dos respectivos candidatos. Assim, não há como saber quem
doou qual quantia para qual candidato. De acordo com a reportagem, as
operadoras alegam ser impossível estabelecer contratos individuais
com os milhares de candidatos nesta eleição.
José Paulo Tupynambá
/ Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação
da Agência Senado)
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Agência Diap, 25 de
agosto de 2010
Nova pesquisa mostra Dilma com
18 pontos de vantagem sobre Serra
Pesquisa CNT/Sensus divulgada
na manhã desta terça-feira (24) mostra a presidenciável
Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando,
à frente das intenções de voto, com 46 %.
Seu principal oponente, o candidato
demo-tucano, José Serra (PSDB), despencou para 28,1%.
Em terceiro lugar, está
a senadora Marina Silva (PV) com 8,1%. Votos em branco, nulos e indecisos
somam 16,8 %. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para
cima ou para baixo.
Na última pesquisa, a
ex-ministra da Casa Civil do Governo Lula liderava com 41,6%. Já
Serra aparecia com 31,6%, enquanto Marina registrava 8,5%. Votos em
branco, nulo e indecisos representavam 14,3%.
A pesquisa fez também
uma simulação de segundo turno. Nela, Dilma aparece com
52,9%, contra 34 % do ex-governador de São Paulo. Dentro desse
cenário, brancos, nulos e indecisos chegam a 13,2 %.
Na pesquisa espontânea
- a que os nomes de candidatos não são indicados aos entrevistados
- Dilma aparece com 37,2 % das intenções de votos, contra
21,2 % de Serra e 6% de Marina Silva. Brancos, nulos e indecisos representam
30,6%.
Para a 103ª Pesquisa CNT/Sensus,
foram entrevistadas 2 mil pessoas, em 136 municípios de 24 estados,
entre os dias 20 e 22 de agosto de 2010.
A pesquisa foi registrada no
TSE com o número 24903/2010. (Com agências)
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Vermelho, 25 de agosto de
2010
São Paulo, Minas, Paraná e Goiás: as últimas
'cidadelas' do PSDB
São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás. É
nestes estados que o tucanato espera alavancar a candidatura de Serra,
usando os candidatos a governador do PSDB como puxadores do voto nacional.
A construção de cidadelas foi um recurso muito usado na
idade média para proteger os feudos. Posteriormente, alguns séculos
depois, continuou sendo usada para proteger cidades maiores da invasão
de povos vizinhos. Um destes exemplos é Barcelona, onde uma grande
cidadela foi construída em 1714 para intimidar os catalães
contra qualquer repetição das revoltas contra o governo
central espanhol ocorridas no meio do século XVII e início
do século XVIII. No século XIX, quando a cidade já
havia se liberalizado politicamente o bastante, o próprio povo
de Barcelona derrubou a cidadela e a transformou no principal parque
da cidade, o Parc de la Ciutadella. Outro exemplo semelhante é
a Citadella, emBudapeste, na Hungria. A Citadelle de Quebec ainda sobrevive,
e é a maior cidadela ainda em uso oficial por forças militares
na América do Norte, depois de mais de duzentos anos de existência.
Como se vê na história,
as cidadelas tanto podem ser libertadas pelo povo, como aconteceu com
Barcelona, como podem cair nas mãos do inimigo e ficar com eles
por muito tempo, como acontece com Quebec. Simbolicamente, nos dias
de hoje, aqui no Brasil, também se travam lutas para manter cidadelas
e impedir que um feudo se desfaça.
Tucanos miram seus alvos
Uma destas lutas é protagonizada
pelo tucanato nas eleições de 2010. Apeados do poder central
em 2002, com a vitória de Lula, e sob risco de continuarem de
fora, dado que as pesquisas indicam provável vitória de
Dilma, os tucanos resolveram concentrar seus últimos esforços
em estados chaves, onde possuem candidaturas a governador mais competitivas.
No início deste mês,
o senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, disse
que seu partido esperava eleger até oito governadores. Seria
uma proeza e significaria que os tucanos administrariam para mais da
metade do eleitorado brasileiro. Na lista, além dos estados de
São Paulo, Paraná, Piauí e Goiás, onde lideram
as pesquisas, Guerra ainda somava o Pará, Alagoas, Minas Gerais
e Roraima. Àquela altura, o Rio Grande do Sul, onde a tucana
Yeda Crusius tenta a reeleição, já estava fora
de cogitação.
Agora, os tucanos já
acham que está de bom tamanho se a vitória nas urnas acontecer
em quatro estados: São Paulo, Paraná, Minas e Goiás.
É neles que o tucanato espera alavancar a candidatura de Serra,
usando os candidatos a governador como puxadores do voto nacional. "Há
certos campos onde é mais fácil crescer do que em outros
campos. Crescer em Minas é provável, em São Paulo
vai acontecer. Em Goiás é possível e no Paraná
também", disse Guerra. Também falou que o crescimento
recente de Dilma Rousseff nas pesquisas é apenas uma "onda".
Vejamos como está
a disputa nestes quatro estados:
SÃO PAULO:
A disputa pelo apoio do maior
eleitorado do país promete se converter na mais emblemática
queda de braços regional entre governo e oposição.
Para o presidente Lula, derrotar os tucanos no ninho seria a consagração
de sua influência política. Mas entre desejo e realidade
há uma distância grande a ser percorrida. O PSDB moverá
mundos e fundos para não perder a hegemonia em São Paulo,
onde são governo há quase duas décadas. As pesquisas
até agora os deixam tranquilos, dando ao candidato ao governo
paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), 54% das intenções de
voto, enquanto seu adversário petista, Aloísio Mercadante,
patina nos 16%. Resta pouco tempo de campanha para tirar o favoritismo
do tucano.
A vantagem da oposição em SP é que há outros
candidatos competitivos, como Celso Russomano (PP) e Paulo Skaf (PSB),
que podem contribuir para levar a disputa para o segundo turno. Aí
sim, no segundo turno as chances do tucanato derrapar são maiores.
Com ajuda de Lula, o PT e aliados prometem intensificar a campanha em
SP para alavancar a candidatura de Dilma num dos únicos estados
onde ela ainda perde para Serra. A intenção inicial dos
tucanos, que era garantir 4 milhões de votos de vantagem para
Serra em SP já foi pro beleléu. Agora, eles lutam para
que a diferença não seja menor que 1 milhão.
Senado Já na disputa pelo Senado, os tucanos não têm
força. Lançaram um candidato (Aloysio Nunes) sem nenhuma
chance de emplacar. Quem lidera a corrida senatorial, por enquanto,
é Marta Suplicy (PT). Sua provável vitória apenas
reporá a vaga que o PT perde com a saída de Mercadante.
A segunda vaga está em disputa. Netinho (PCdoB), Quércia
(PMDB) e Romeu Tuma (PTB) travam uma batalha acirrada e sem favoritos.
Mas a campanha de Quércia, aliado dos tucanos, está muito
forte, gastando milhões para tentar superar os adversários.
Romeu Tuma também surge competitivo pois cativa o eleitorado
mais conservador, que é grande entre os paulistas. A eventual
eleição de Netinho seria uma vitória das forças
populares e significaria um apoio importante para Dilma no Congresso.
Ao mesmo tempo, a direita paulista ficaria sem representantes no Senado,
o que nos faz deduzir que tudo farão para evitar que isto aconteça.
Já começaram a jogar sujo contra Netinho e poderão
apelar ainda mais se o candidato comunista, apoiado por Lula, continuar
subindo nas pesquisas. Com 71% de indecisos, segundo levantamento do
Ipespe, tudo pode acontecer na disputa pelo Senado. Com tantos indecisos,
nem a eleição de Marta Suplicy está assegurada.
MINAS GERAIS:
Como era de se esperar, o atual
governador Antônio Anastasia (PSDB), candidato do ex-governador
Aécio Neves, começa a subir com a propaganda eleitoral
no rádio e na TV. Será muito difícil para Hélio
Costa (PMDB) conter o crescimento do adversário tucano. Sem outros
concorrentes de peso, a disputa pode se resolver no primeiro turno.
Senado: Na disputa pelo Senado, Aécio é praticamente imbatível
na conquista da primeira vaga. Segundo o Ibope, ele tem hoje 69% das
intenções de voto. A segunda vaga, pelo que indicam as
pesquisas até agora, ficará com o também oposicionista
Itamar Franco (PPS), que tem 43%. Pode ser o único senador que
o PPS irá eleger em 2010. Pimentel (PT), por enquanto, come poeira
(19% segundo o Ibope) e nada indica que tenha fôlego para alcançar
os adversários. Confirmando-se estes resultados, Aécio
sai das eleições de 2010 como o líder mais forte
do PSDB e da oposição de direita. O consolo da base aliada
ao governo Lula em Minas é que está quase certa a derrota
de Serra para Dilma neste que é o Estado com o segundo maior
colégio eleitoral do país e terra natal da candidata petista.
Os partidos aliados de Dilma também devem aumentar um pouco sua
participação na bancada mineira de deputados federais.
PARANÁ:
O ex-prefeito de Curitiba, Beto
Richa (PSDB), lidera a disputa pelo governo paranaense com 46% das intenções
de voto, mas seu adversário Osmar Dias (PDT) mantem-se competitivo
com 34%. A ideia da campanha de Serra, no caso do Paraná, é
“colar” em Richa para tentar capitalizar a vantagem que
o candidato do PSDB ao governo tem no Estado para o presidenciável.
A estratégia, porém, vai na direção contrária
do que vem sendo feito na campanha de Richa, onde Serra até agora
foi praticamente esquecido na propaganda eleitoral no rádio e
na televisão. E o presidente estadual do PSDB, deputado Valdir
Rossoni, não demonstrou nenhuma empolgação com
a estratégia de Serra de querer “colar” em Richa
para capitalizar os votos de seu aliado tucano no Estado.
Senado: Já na disputa para o Senado, os tucanos patinam. As pesquisas
indicam, até o momento, que o ex-governador Roberto Requião
(PMDB), com 50%, e Gleisi Hoffmann (PT), com 31%, continuam à
frente. Ambos apoiam a candidatura de Osmar Dias. O deputado federal
Ricardo Barros (PP) com 15% das intenções de voto e o
também deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) com 13% são
aliados de Richa e terão que contar com mudanças repentinas
na opção do eleitorado para terem alguma chance. A tradição
no Paraná tem sido eleger um senador de cada grupo político.
Desta vez, porém, a regra poderá ser quebrada.
GOIÁS:
O estado é um osso duro
de roer para a base aliada do governo. O próprio presidente Lula
tem interesse particular numa vitória dos aliados em Goiás.
Em relação à Dilma, parece não ser difícil.
Mas na disputa pelo governo local e pelas duas vagas ao Senado, a direita
goiana, por enquanto, é quem leva a melhor. O tucano Marconi
Perillo, que Lula considera um político desleal, lidera a corrida
eleitoral no Estado com 45%, segundo o Ibope. O ex-prefeito de Goiânia,
Iris Rezende (PMDB), vem em seguida com 34%.
Senado: Para o Senado, os candidatos à reeleição
Demóstenes Torres (DEM) e Lúcia Vânia (PSDB), dois
ferrenhos adversários do governo federal, lideram a disputa.
O candidato do DEM tem 43% das intenções de voto, diante
de 36% da tucana. Na terceira posição está Pedro
Wilson (PT), com distantes 16%. O refresco para a esquerda é
a liderança de Dilma, que tem o apoio de 43% dos eleitores goianos,
enquanto Serra aparece com 32%. É esta diferença de 11
pontos que a cúpula tucana vai tentar superar colando Serra a
Marconi. Resta saber se um não vai acabar servindo de âncora
para o outro, afundando ambos.
Da redação, com agências
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Gazeta
do Povo, 25 de agosto de 2010
Sucessão estadual
Richa foca no interior e Osmar falha na
capital
Enquanto tucano segue agenda intensa pelo estado,
pedetista cancela participação em caminhada com eleitores
de Curitiba
Curitiba e Maringá - As estratégias
dos dois principais candidatos ao governo do Paraná, Beto Richa
(PSDB) e Osmar Dias (PDT), estão definidas, mas só um
dos lados pôs o plano em prática ontem. Enquanto o tucano
seguiu em busca de votos e apoios nas regiões Norte e Noroeste
do estado, já que tem a maioria das intenções de
voto na capital, o pedetista faltou a uma caminhada programada para
a Cidade Industrial de Curitiba (CIC) – justamente a região
onde ele mais precisa crescer, segundo as pesquisas.
Em Arapongas, Richa participou da inauguração
de um comitê e recebeu o apoio do prefeito Beto Pugliese, do PMDB
– partido que integra a coligação de Osmar Dias.
Em seguida seguiu para Maringá, onde gravou programa para o horário
eleitoral. Em entrevista na Cocamar Cooperativa Agroindustrial,
Richa ressaltou o apoio de prefeitos do PMDB, em especial o de Moacir
Fadel, prefeito de Castro e presidente da Associação dos
Municípios do Paraná (AMP). Hoje o candidato segue para
Toledo.
Caminhada
A caminhada programada para partir do terminal
rodoviário da CIC reuniria Osmar Dias e o candidato do PMDB ao
Senado, Roberto Requião, mas eles não compareceram. A
assessoria de Osmar disse que a participação foi cancelada
por causa de um atraso na gravação do programa eleitoral
de tevê.
No lugar dos dois principais nomes da coligação,
participaram do ato cabos eleitorais, porta-bandeiras e candidatos a
deputado. Antes de saber que Osmar não compareceria, o deputado
federal e candidato à releição Ratinho Júnior
(PSC) disse que a caminhada era parte de uma nova estratégia,
que apostaria no “corpo a corpo”. “Agora é
a reta final, a hora da campanha tomar as ruas. É o momento de
caminhar e ter contato direto com o eleitor”, disse.
O terminal CIC é um dos pontos de integração
das linhas de ônibus com o maior fluxo de passageiros de Curitiba
e da região metropolitana. Exatamente a região onde a
campanha do pedetista mais precisa se fortalecer. De acordo com a última
pesquisa divulgada pelo Datafolha, em 13 de agosto*, na RMC está
a maior diferença entre Dias e Richa: o tucano tem 60%, contra
23% de Dias. O Datafolha ouviu 1.221 pessoas em 46 municípios.
A margem de erro é de 3 pontos porcentuais. A pesquisa está
registrada no TSE (22.777) e no TRE-PR (18.123/2010).
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de agosto de 2010 | Política
Deputados aprovam a Lei da Transparência
Elizabete Castro
Com apenas dois votos contrários
e 46 favoráveis, os deputados estaduais aprovaram ontem o texto
da Lei da Transparência, que obriga Legislativo, Executivo, Judiciário,
Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas do Estado
a publicarem no Diário Oficial do Estado todos os seus atos administrativos
e contratos.
A Lei, formulada pela Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), no Paraná, e Associação
Paranaense dos Juizes Federais (Apajufe), recebeu uma versão
feita pelo relator, Luiz Claudio Romanelli (PMDB). O substitutivo foi
votado no início da tarde na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) e em sessão extraordinária no plenário.
O texto de Romanelli estendeu
às empresas de economia mista e as paraestatais a obrigação
de divulgar as informações sobre como usam os recursos
públicos. O relator também decidiu manter no substitutivo
a determinação para que todos os Poderes divulguem os
salários dos servidores efetivos e comissionados.
O Tribunal de Justiça
havia encaminhado um parecer se posicionando contra a divulgação
dos salários alegando que a Constituição Federal
garante a privacidade dos servidores. Mas o relator afirmou que já
há decisão do Supremo Tribunal Federal autorizando o estado
de São Paulo a publicar os valores individuais.
Outro ponto que estava sendo
questionado é a necessidade de divulgação dos extratos
dos cartões corporativos e das notas fiscais das despesas dos
Poderes e das instituições.
Romanelli prevê que, quando
a lei entrar em vigor, haverá necessidade de criação
de um departamento destinado a escanear os documentos para a publicação
nos portais da internet.
No Diário Oficial, será
dada publicidade apenas aos contratos, aditivos e atos oficiais. Na
internet, serão publicados os detalhes da movimentação
financeira oficial.
Placar
Os dois votos contrários
ao projeto foram de Edson Praczyk (PRB) e Jocelito Canto (PTB). Outros
quatro deputados, Valdir Rossoni (PSDB), Artagão Mattos Leão
Junior (PMDB), Luiz Fernandes Litro (PSDB) e Fábio Camargo (PTB)
deixaram o plenário na hora da votação.
Canto reafirmou que pretende
ajuizar uma ação direta de inconstitucionalidade contra
a lei aprovada ontem. Ele argumenta que o Legislativo não pode
interferir nas regras dos demais Poderes.
O projeto foi protocolado na
Assembleia pelos deputados Marcelo Rangel (PPS), Ney Leprevost (PP)
e Tadeu Veneri (PT). Rangel defendeu a proposta na tribuna, ressaltando
que o projeto surgiu de um movimento feito pela sociedade em defesa
da transparência. Já Veneri afirmou que a lei provoca uma
mudança nas relações da sociedade com o poder público.
“Acabou o tempo dos Diários Secretos”, afirmou.
A OAB e a Apajufe elaboraram
o projeto após a série de denúncias de desvio de
recursos públicos na Assembleia Legislativa, que começou
a ser investigado pelo Ministério Público Estadual e Polícia
Federal.
As denúncias foram
publicadas em uma série de reportagens do jornal Gazeta do Povo
e Rede Paranaense de Comunicação e deram origem ao Movimento.
O Paraná que Queremos, formado por várias entidades.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de agosto de 2010 | Política
Parlamentares fazem autodoações
maiores aos bens que têm
Luciana Cristo
Trinta e nove parlamentares em exercício que buscam a reeleição
ou concorrem a outros cargos fizeram autodoações superiores
aos bens que declararam possuir na prestação de contas
obrigatória entregue à Justiça Eleitoral.
Entre esses 39, um é
do Paraná: a deputada estadual Rosane Ferreira (PV), que tenta
uma vaga entre os deputados federais. Os recursos próprios transferidos
para a conta de sua campanha superam em 100% o patrimônio declarado,
de acordo com a organização Transparência Brasil,
comprometida com o combate à corrupção.
A doação registrada por Rosane foi de R$ 100 mil, enquanto
que a soma de seus bens é de pouco mais de R$ 74 mil. A deputada
esclareceu que o valor doado por ela por sua campanha é proveniente
de seu salário na Assembleia Legislativa do Paraná, de
cerca de R$ 9 mil mensais, além do que ela deixou aplicado no
ano passado.
“Não uso dinheiro
público para a minha vida pessoal e aí (no estudo) eles
não têm os valores do meu impostos de renda deste ano”,
afirmou. Rosane já havia sido citada em estudo anterior da Transparência
Brasil pelo mesmo motivo de maior autodoação do que seus
bens indicavam na campanha eleitoral de 2008. Na época, ela deu
a mesma justificativa.
O Paraná não tem
nenhum parlamentar entre os que aplicou de 30% a 100% do patrimônio
declarado, levando-se em conta os que doaram mais de R$ 20 mil. Mas
há alguns paranaenses entre as quantias mais elevadas, que declararam
ter doado a si próprios mais de R$ 100 mil.
Quem lidera a lista nacional é o deputado federal paranaense
Odílio Balbinotti (PMDB), que tenta a reeleição.
Ele doou R$ 1.010.000 e declarou ter mais de R$ 16 milhões em
bens. O segundo da lista é Fernando Collor (PTB), candidato a
governador de Alagoas, com autodoação de R$ 650 mil.
Outros paranaenses da lista
são Wilson Picler (PDT), candidato a deputado federal, com doação
de R$ 432 mil e bens estimados em R$ 23 milhões, e Alexandre
Curi (PMDB), candidato a deputado estadual, com autodoação
de R$ 400 mil e bens de R$ 8,7 milhões.
Também aparecem Marcelo
Almeida (PMDB), para deputado federal, com doação de R$
200 mil e bens avaliados em R$ 708 milhões, além de Nereu
Moura (PMDB), candidato a deputado estadual, com doação
de R$ 130 mil e bens de R$ 1 milhão.
Para a Transparência Brasil, as discrepâncias desses valores
deveriam ser alvo de investigação. “Não apenas
casos patentes de omissão patrimonial, mas também desproporções
gritantes entre os bens declarados e os recursos próprios usados
em campanha deveriam ser objeto de atenção tanto do Ministério
Público Eleitoral quanto da Receita Federal”, diz o documento
da entidade.
Não há limite
para as autodoações dos candidatos, desde que não
ultrapassem os gastos previstos para a campanha. Já pessoas físicas
que não são candidatas são sujeitas ao limite de
doação de 10% da renda auferida no ano anterior.
Até as eleições,
os candidatos não são obrigados a informar quais são
os doadores de suas campanhas. Porém, um dos itens da declaração
da prestação de contas parcial diz respeito às
autodoações. A segunda prestação de contas
deve ser feita até 3 de setembro.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de agosto de 2010 | Política
Eleição 2010 é a
principal em décadas, diz cientista
Ao contrário do que muitos afirmam, a eleição presidencial
deste ano é a mais importante de todas as próximas eleições
brasileiras, "pelo menos num espaço de tempo de uma ou duas
décadas". A avaliação é do cientista
político Carlos Melo, doutor pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP), professor de Sociologia
e Política do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e autor
de "Collor, o ator e suas circunstâncias".
Para Melo, "pessoas cheias
de fastio e rasa sabedoria se ufanam em dizer que a eleição
deste ano é um não-fato", sob argumento de que a
economia "dá as cartas" e ela vai muito bem, pelo menos
no Brasil. Além disso, os presidenciáveis do PT, Dilma
Rousseff, e do PSDB, José Serra, pouco se diferem, são
desenvolvimentistas e devem manter a economia em ritmo de crescimento.
Mas para o cientista político,
dizer que a eleição de 2010 é um "não-fato"
significa uma "sandice perigosa" porque tira o foco das mazelas
atuais e não enxerga problemas ainda maiores que estão
na linha do horizonte do próximo governo. Na década que
se abre, a agenda brasileira estará completamente voltada para
o desenvolvimento. E as questões voltadas a este tema - tais
como investimento em infraestrutura, incentivo, regulação
clara e ambiente econômico favorável - dependem de lei
"e as leis requerem um sistema político adequado e disposto
a propô-las, reformá-las, aprová-las".
O professor de Sociologia e
Política do Insper adverte que a ignorância dos fatos desconhece
que não há sistema político para isso no País.
Apesar da premissa de que o presidencialismo de coalizão conseguiu
- contra tudo e todos os prognósticos - aprovar medidas que têm
mudado a face econômica e social do País, deve-se levar
em conta que "necessariamente nada terá de ser assim apenas
porque um dia foi assim".
Fórceps
Melo cita que o Brasil dos últimos
20 anos "pariu uma série de transformações",
algumas, porém, "vieram à luz a fórceps, causando
traumas". Segundo ele, quase todas se deram por meio de um sistema
de troca de favores entre o Executivo e sua base aliada, baseada na
ocupação de cargos, liberação de recursos
e efetivação de esquemas políticos. "Seria
o custo da modernização. A 'graxa', a 'gordura', como
dizem os americanos, para azeitar a máquina. Entretanto, nos
últimos tempos o sistema político passou a exigir nova
negociação a cada votação", complementa.
"A tal da base sólida
se transformou em algo gelatinoso, volátil. A voracidade cresceu
e os custos também. A infraestrutura requerida por isso e por
eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada não pode depender
de negociações tão lentas quanto obscuras. O salto
que o Brasil precisa e, finalmente, pode dar requer projeto, inteligência,
coesão, liderança e instituições",
destaca o cientista político, questionando: "As eleições
deste ano nos garantirão isto?"
Segundo Melo, nada disto
está assegurado porque os candidatos ainda não expressaram,
até aqui, essa disposição e essa capacidade. E
argumenta que o desenvolvimento econômico e a inclusão
social, "que até aqui apenas ensaiamos", dependerão
muito da condução política que se dê ao País,
incluindo reformas, boas escolhas, articulação de qualidade
e visão de futuro. "E, sobretudo, da política. É
sim, a política", reitera.
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BEM PARANÁ, 25 de agosto
de 2010 | Economia
Aposentados
Previdência envia carta a 1.300
idosos
Trabalhadores urbanos
que completam as condições para se aposentar por idade
em setembro devem receber nos próximos dias cartas do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). A correspondência vai avisar
ao cidadão que ele pode requerer o benefício a partir
da data de seu aniversário.
Segundo o INSS, devem ser enviadas 1.373 cartas-aviso para os homens
que completam 65 anos e mulheres que completam 60 a partir do dia 1º
de setembro. O comunicado contém um código de segurança
que permite ao segurado confirmar a sua autenticidade, protegendo-o
contra fraudes. A comprovação, em caso de dúvida,
deve ser feita pela Central 135 ou no portal www.previdencia.gov.br.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/08/2010
Trabalhador temporário acidentado
obtém estabilidade provisória
Por entender que não
há distinção legal entre contrato por prazo fixo
e contrato por prazo indeterminado, a Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho reconheceu o direito à estabilidade provisória
de um empregado baiano, que se acidentou em serviço quando trabalhava
temporariamente para a empresa ABB Ltda. Impossibilitado de ser reintegrado
ao emprego, ele vai receber indenização substitutiva.
O trabalhador exercia a função
de caldeireiro, quando se acidentou e sofreu deslocamento de retina,
em um dos olhos. Inconformado com a decisão do Tribunal Regional
da 5ª Região em lhe negar a estabilidade, porque seu contrato
era por prazo a termo, o empregado recorreu ao TST, alegando que a lei
não faz distinção entre contratos por prazo determinado
e indeterminado.
Ao analisar o recurso na Quinta
Turma, a ministra Kátia Magalhães Arruda, relatora, discorreu
sobre os preceitos constitucionais e legais a respeito dos direitos
sociais e individuais do trabalhador na sociedade democrática
brasileira, principalmente no que respeita à garantia do “mínimo
necessário ao Homem-Trabalhador-Cidadão na sua realidade”.
A relatora ressaltou que “a
estabilidade provisória em razão de acidente de trabalho
avulta-se como garantia social constitucional em face da proteção
ao trabalho, à saúde, à previdência, à
assistência social e à própria existência
da pessoa, independentemente da modalidade contratual”.
Com base na análise,
a ministra avaliou que não há como se concluir que o trabalhador
temporário, acometido de doença ocupacional, seja excluído
do benefício da garantia de doze meses no emprego, estabelecido
no artigo 118, da Lei 8.213/91. Seja qual for a modalidade contratual,
a empresa tem a obrigação de garantir a estabilidade ao
trabalhador acidentado. É o que se depreende da interpretação
dos dispositivos legais, salientou.
Assim, reformando a decisão
do 5º Tribunal Regional, a relatora concedeu ao trabalhador o referido
benefício, e diante da impossibilidade de sua reintegração,
determinada pela Súmula 396, I, do TST, o pagamento de indenização
substitutiva, compreendida de “salários vencidos e vincendos,
equivalente a doze meses contados da cessação do auxílio-doença
acidentário, independentemente de percepção de
auxílio-acidente”. Essa súmula estabelece que, exaurido
o período de estabilidade, são devidos apenas os salários
do período de estabilidade. A Quinta Turma aprovou por unanimidade
o seu voto. (RR-700-37.2002.5.05.0132)
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25/08/2010
Processo seletivo não substitui
contrato de experiência
Alegações de fraude
à legislação trabalhista, feitas por um administrador
de empresa, que, em contrato de experiência, foi dispensado em
menos de um mês, após ter se submetido a processo seletivo
por dois meses, não convencem a Justiça do Trabalho a
lhe deferir o que pleiteou na reclamação: nulidade do
contrato de experiência, danos morais e materiais e diferença
salarial. Ao chegar à Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
o agravo de instrumento do administrador foi rejeitado, por não
conseguir comprovar violação a artigos da CLT, da Constituição
Federal e do Código Civil, conforme argumentava o trabalhador.
O relator do agravo na Sexta
Turma, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, observou que “o
termo de experiência firmado no contrato de trabalho, por si só,
não caracteriza fraude a legislação trabalhista,
não tendo o processo seletivo, ainda que rigoroso, o condão
de substituir o contrato de experiência - este fundado na realidade
do contrato de trabalho e aquele nas aptidões do empregado -,
revelando, quando muito, potencial para o exercício das atividades
requeridas na função”.
O processo
O caso teve início em
2006, com um anúncio oferecendo emprego com salário de
R$ 2 mil. Interessado, o administrador se submeteu a dois meses de processo
seletivo realizado pelo grupo Catho. Foi, então, selecionado
para um contrato de experiência por trinta dias, para exercer
a função de coordenador administrativo na Fiação
Itabaiana Ltda., com salário de R$ 1 mil. O trabalhador, que
exercia cargo em comissão em Aracaju (SE), pediu exoneração
para iniciar o trabalho na Fiação, em Ribeirópolis,
também no estado de Sergipe, passando a residir em uma república,
com outros funcionários da empresa.
Dispensado com apenas 25 dias
de serviço, com a justificativa de que seu perfil era inadequado
à empregadora, o administrador ajuizou a reclamação,
alegando nulidade do contrato de experiência, porque, segundo
ele, a exigência de experiência posterior à contratação
constitui fraude à legislação trabalhista, pois
já havia se submetido a rigoroso processo seletivo. Pleiteou
também o recebimento da diferença de salário oferecido
no anúncio (R$ 2 mil) e o que efetivamente recebeu (R$ 1 mil)
e indenização por danos morais e materiais, por ter sido
obrigado a mudar de residência, a pedir exoneração
do cargo em comissão, a solicitar trancamento da escola dos filhos
e da faculdade da esposa para que pudesse residir em Ribeirópolis,
e que, com a dispensa, foi visto como empregado relapso e incompetente,
além de ter provocado seu descontrole financeiro.
Negados os pedidos na primeira
instância, o administrador recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho
da 20ª Região (SE), que não reformou a sentença,
e destacou haver, no contrato de experiência juntado aos autos,
com vigência de trinta dias, a possibilidade de as partes verificarem
reciprocamente a conveniência ou não de se vincularem em
caráter definitivo a um contrato de trabalho. Assim, o TRT/SE
entendeu que o processo seletivo a que se submeteu o autor não
tem a faculdade de substituir o prazo de experiência, “nem
se afigura abuso do poder patronal”.
Após esse resultado,
o trabalhador interpôs recurso de revista, cujo seguimento foi
negado no TRT, provocando o agravo de instrumento ao TST. O ministro
Aloysio considerou, então, que, no caso do pedido de nulidade
do contrato, não houve violação ao artigo 9º
da CLT, como afirmou o administrador, pois o processo seletivo, ainda
que rigoroso, não substitui o contrato de experiência.
Quanto à indenização, o relator verificou que o
trabalhador não comprovou suas alegações de danos
materiais. Concluiu, também, que não caracteriza dano
moral a dispensa realizada no contrato de experiência, “ainda
que o autor tenha sido submetido a processo seletivo, uma vez que tal
conduta se inseriu no poder potestativo do empregador”. Neste
tema, o relator entendeu não haver ofensa aos artigos 1º,
II, da Constituição Federal; 8º da CLT; e 442 do
Código Civil.
Quanto à diferença
salarial, o relator destacou que o TRT/SE registra a assinatura de contrato
com salário diverso do anunciado publicamente, em que o administrador
aceitou livremente as condições de trabalho, e que o salário
de R$ 2 mil estava previsto para funções diferentes daquelas
para as quais o trabalhador foi contratado. Além disso, segundo
o TRT, o documento a que se refere o maior salário “não
identifica a empresa para qual se recrutava pessoal, inexistindo prova
de que a Fiação Itabaiana se comprometeu ou tenha se comprometido
a pagar salário superior ao que fora firmado”. O ministro
Aloysio concluiu, então, não ter ocorrido a violação
indicada pelo autor ao artigo 427 do Código Civil, por não
haver prova do direito à diferença em relação
ao salário pleiteado de R$2 mil.
Com esses fundamentos, a Sexta
Turma acompanhou o voto do relator e negou provimento ao agravo de instrumento
do administrador. (AIRR - 48040-84.2006.5.20.0013)
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FETRACONSPAR, 25 de agosto de 2010 | Eventos
Eleições 2010
CARLÃO visita a FETRACONSPAR
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| CARLÃO
ZIMMER e GERALDO RAMTHUN |
O candidato a Deputado Estadual
pelo PSB - CARLÃO ZIMMER, esteve na manhã
de hoje (25/08), para visita ao Presidente – GERALDO RAMTHUN,
ocasião em que apresentou as propostas que irá defender
na Assembléia Legislativa.
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