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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de novembro de 2010 | Economia
Produção industrial cresceu
5,7% no Estado em setembro
Magaléa Mazziotti
O ano de 2010 se aproxima do encerramento, mas o ímpeto da produção
industrial no Paraná mostra um fôlego notável. No
levantamento mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) sobre a produção da indústria, divulgado
ontem, das 14 regiões analisadas, o Paraná foi o que apresentou
o maior percentual de crescimento, 5,7% em relação a agosto.
Tal índice foi alcançado
em um mês onde nove das regiões pesquisadas apresentaram
queda na produção industrial na comparação
com o mês anterior. “O percentual mês a mês
costuma oscilar bastante e não reflete muito bem o contexto,
mas, quando avaliamos os demais números da produção
paranaense, observamos que no acumulado do ano o Estado também
se destaca perante a média nacional”, avalia o pesquisador
do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
(Ipardes), Julio Suzuki.
Entre janeiro e setembro deste
ano, a indústria do Paraná acumula 18,4% de alta na produção,
contra 13,1% da média nacional. É o terceiro melhor desempenho
dentre as 14 regiões.
O segundo colocado é
o Amazonas, com alta de 21,1%, no qual a produção é
determinada pela Zona Franca. A primeira posição, na soma
dos índices de 2010, está com o Espírito Santo
com crescimento de 28,8% no ano.
Na economia capixaba é
a Indústria Extrativista, principalmente a de mineração,
o setor que responde por boa parte da alta. “No acumulado do ano,
todos os estados apresentam percentuais positivos devido à base
de comparação deprimida que apresentou o ano de 2009 em
função dos reflexos da crise mundial.”
No caso do Paraná, o
setor automotivo permanece alavancando o índice estadual. “O
dinamismo do setor automotivo tem sido determinante nos números
globais da produção industrial do Estado. Além
disso, ele tem reflexos em outros segmentos da nossa economia”,
afirma Suzuki.
Na avaliação do
pesquisador, mesmo sendo a demanda interna o grande pilar da expansão
da indústria automotiva no Estado, as exportações
também vêm se recuperando e impactando positivamente nos
números do setor.
O setor de Edição
e impressão voltou a impactar positivamente na produção
industrial paranaense com crescimento de 28,7%. Tamanho desempenho se
deve ao caráter sazonal do setor.
“Em setembro, as encomendas
de materiais didáticos ditaram o incremento na produção,
as encomendas para o novo ano letivo garantem esse crescimento”,
explica Suzuki.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de novembro de 2010 | Economia
Indústria
Produção do PR sobe com
volta da Repar
Publicado em 11/11/2010 | Alexandre Costa
Nascimento
Após três meses
seguidos de queda, a indústria paranaense reagiu em setembro,
crescendo 5,7% sobre o mês de agosto e atingindo o melhor resultado
dentre as 14 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Na média nacional, houve
recuo de 0,2%, com retração em nove regiões.
Na comparação
com setembro de 2009, a atividade da indústria nacional avançou
6,3%. Nesse critério, o Paraná também apresenta
o melhor desempenho nacional, com alta de 22,5%, no 12.º mês
consecutivo de expansão nessa base de comparação.
De janeiro a setembro, a alta acumulada é de 18,4%, a terceira
mais forte do país.
O bom resultado de setembro,
entretanto, não fez a indústria recuperar o patamar em
que operou no mês de maio. Ela havia recuado 15,4% em três
meses, em grande parte por causa da paralisação técnica
da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária,
na Grande Curitiba, ocorrida entre julho e agosto. A própria
recuperação da indústria em setembro é efeito
da retomada da produção da Repar, embora o nível
de produção da refinaria ainda tenha ficado abaixo do
registrado em julho. No acumulado entre janeiro e setembro, a atividade
do setor de refino de petróleo e álcool recuou 10% em
relação ao mesmo período de 2009.
Destaques
Em termos de influência
no resultado estadual, a indústria de veículos automotores
ocupa a primeira posição, cuja produção
mais que dobrou em relação a setembro do ano passado.
O número também exige ressalva, pois é consequência
da fraca base de comparação – a longa paralisação
dos metalúrgicos em setembro de 2009 derrubou a produção
daquele mês. Desde o início do ano, as montadoras produziram
72,3% mais que em igual período do ano passado.
Outros setores com desempenho
expressivo são a indústria de alimentos, que cresceu 23,5%
sobre setembro do ano passado, impulsionada pela produção
de açúcar cristal, óleo de soja bruto e carnes
e miudezas de aves; edição e impressão, cujo avanço
de 26,7% foi puxado pela demanda por livros, brochuras e impressos didáticos;
e máquinas e equipamentos, cuja expansão de 12,5% foi
puxada por refrigeradores, tratores agrícolas e máquinas
para colheita – os dois últimos, ligados ao agronegócio
e à perspectiva de crescimento da safra.
“Neste ano temos um mercado
doméstico mais forte do que o mercado exterior. Estimamos uma
produção anual de 57 mil tratores contra 45 mil do ano
passado, isso ajuda a ‘puxar’ o indicador”, explica
Francesco Pallaro, vice-presidente da CNH América Latina, que
tem fábrica de máquinas agrícolas na Cidade Industrial
de Curitiba. De janeiro a setembro, o setor de máquinas e equipamentos
– que inclui o mercado de tratores e colheitadeiras – cresceu
33%. Segundo o executivo, as exportações vêm crescendo
gradualmente, mas ainda sem retomar os níveis de setembro de
2008. Pallaro avalia que o mercado de tratores e colheitadeiras deverá
apresentar uma “queda natural” nos próximos meses
em razão da sazonalidade desse mercado. “Não há
razão para se prever uma queda acentuada”, garante.
Importações
Além do setor de refino
de petróleo e álcool, o segmento de produtos químicos
também apresentou números negativos, com queda de 16%
no acumulado do ano na compração com 2009. O resultado
é reflexo do crescimento no volume de importações
de adubos químicos e fertilizantes, que tornou o produto estrangeiro
mais competitivo que o nacional.
“Após atingir seu ápice em março, a indústria
nacional vem apresentando quedas, como resultado do câmbio sobrevalorizado
que restringe as exportações. Já no desempenho
mensal, apenas dois setores tiveram resultados negativos. O cenário
geral, é de acomodação”, avalia o economista
da Coordenação de Indústria do IBGE, Fernando Abritta.

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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de novembro de 2010 | Economa
Centrais iniciam campanha por mínimo
de R$ 580
Mesmo diante da resistência do governo, as centrais sindicais
iniciaram um corpo-a-corpo em defesa do salário mínimo
de R$ 580 em 2011, aproximadamente US$ 300. Hoje, líderes sindicais,
sob o comando do deputado e presidente da Força Sindical, Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), se reuniram com o vice-presidente da Câmara,
Marco Maia (PT-RS), e com o presidente do Senado, José Sarney
(PMDB-AP), na tentativa de sensibilizar os congressistas para aprovação
do salário mínimo no valor desejado. Na mesma tarde, Paulinho
apresentou duas emendas ao Orçamento para tentar garantir o reajuste
do mínimo e aumento das aposentadorias acima do salário
mínimo em 9,1%.
"Há espaço
para negociar e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)
já prevê mínimo de R$ 540. A decisão, ao
final, será política", anotou, antes de se reunir
com Maia e Sarney. Segundo Paulinho, todas as categorias têm conseguido,
em média, reajustes entre 9% e 10%. "Com o mínimo
não pode ser diferente." Atualmente, o salário mínimo
é de R$ 510. O mínimo de R$ 580 é resultado da
aplicação do índice de 5,5% (inflação
prevista para 2010) sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 7,5%, estimado
para o ano de 2010. "O resultado é um aumento de 13% ou
de R$ 70 sobre o salário atual. Adotar tais parâmetros
é a melhor maneira de corrigir a distorção decorrente
da aplicação da variação do PIB em 2009",
justificou Paulinho ao apresentar uma das emendas hoje na Câmara.
O presidente da Força
Sindical lembrou que na véspera a entidade fechou acordo de reajuste
de 9% mais 24% de abono para os 800 mil metalúrgicos do Estado
de São Paulo.
Para os aposentados que ganham
acima do mínimo, o pleito das centrais sindicais é de
reajuste de 9,1%. "Vamos negociar até onde for possível,
mas a decisão é política. Esse debate só
vale até quando a presidente eleita (Dilma Rousseff) falar",
afirmou Paulinho.
Na próxima terça-feira,
representantes das centrais sindicais devem se reunir com o relator
da Comissão Mista de Orçamento, senador Gim Argello (PTB-DF),
e com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Previdência,
Carlos Eduardo Gabas, para discutir o reajuste do mínimo. No
Senado, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), apresentou emenda para garantir
o mínimo em R$ 600. O valor foi o mesmo defendido na campanha
pelo então candidato tucano à Presidência, José
Serra.
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DIÁRIO DO GRANDE
ABD, 11 de novembro de 2010
Construção civil se mobiliza
contra reedição da CPMF
da Abr
A Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
manifestou-se ontem contra a reedição da CPMF ou de qualquer
outro tributo com o mesmo fim. Segundo o presidente da Cbic, Paulo Safady
Simão, a medida é incoerente.
Ele concorda com o posicionamento
da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que
encaminhou documento alertando para os prejuízos à competitividade
da economia, no caso da reedição da CPMF, extinta em 2007.
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Vermelho, 11 de novembro de
2010
Mantega botou o dedo na ferida:
o mundo precisa de uma nova moeda
A reunião de cúpula do G20 será
aberta nesta quinta-feira (11) em Seul à sombra de uma guerra
cambial que ameaça degenerar em conflitos comerciais e políticos
mais sérios entre as nações. O ministro da Fazenda,
Guido Mantega, botou o dedo na ferida ao defender a substituição
do dólar como moeda mundial. Mas é pouco provável
que a proposta seja debatida ou acatada. O encontro na capital da Coreia
do Sul lembra o ruidoso parto da montanha que gerou um rato.
Por Umberto Martins
Mantega defende uma reforma
no sistema monetário internacional que subtraia do dólar
a condição de moeda mundial, aceita universalmente como
meio de pagamento, unidade de referência para contratos e preços
e reserva de valor.
O dinheiro de Tio Sam, que não
leva em conta o interesse alheio na definição de sua política
monetária, seria substituído por um novo papel, supranacional,
cujo valor seria estabelecido com base nas principais moedas da atualidade:
o dólar, o iuane (chinês), o euro, o iene (japonês),
a libra esterlina (britânica) e, segundo a sugestão do
ministro, o real brasileiro.
Privilégio americano
Mantega citou como exemplo o
Direito Especial de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional
(FMI), também baseado numa cesta das principais moedas (excluindo,
entre as citadas, o real). A proposta não chega a ser propriamente
uma novidade. A China já tinha lançado ideia parecida
no ano passado, mas o debate não prosperou.
O ministro tem razão.
O pano de fundo da chamada guerra cambial (expressão que ele
usou pela primeira vez para caracterizar a instabilidade monetária
desses dias) é a posição especial ocupada pelo
dólar na economia internacional, ao mesmo tempo em que cabe aos
EUA o privilégio da emissão, ou seja, a atribuição
de estabelecer o valor relativo das verdinhas ou pelo menos influenciar
poderosamente nesta direção, através das políticas
monetária e fiscal.
Não se pode negar às
autoridades estadunidenses a soberania sobre a política monetária
e o direito de emitir dólares, do mesmo modo que não se
pode negar à China a soberania sobre a política cambial.
O problema, no primeiro caso, é que o dólar é a
moeda mundial. Não circula apenas nos Estados Unidos, mas em
todo o mundo. É a referência dos preços das mercadorias,
a começar pelo petróleo, e dos contratos.
Inflação mundial
Sendo assim, é inevitável
que a emissão excessiva de dólares (como no caso dos 600
bilhões para compra de títulos do Tesouro anunciado pelo
Federal Reserve) resulte em desalinhamento cambial, gerando conflitos
nos preços relativos das moedas (guerra cambial), reações
unilaterais das nações e inflação mundial.
Boa parte da alta das commodities, por exemplo, ocorre em contrapartida
ao declínio do dólar.
A instabilidade cambial, conforme
notaram vários empresários, é pior do que a valorização
ou desvalorização da moeda para os negócios, pois
inviabiliza o planejamento, sujeita exportadores e importadores a ganhos
ou prejuízos inesperados, fomenta a especulação
e, como inflação, transforma o comércio exterior
num jogo perigoso.
Crise da hegemonia
Vítima dos desequilíbrios
colossais e do crescente parasitismo cultivados pelo imperialismo, decorrentes
de quatro décadas de acumulação de déficit
comercial e refletidos numa escandalosa necessidade de financiamento
externo, o padrão dólar há muito não é
capaz de garantir estabilidade aos mercados de câmbio. Não
tem mais condições de desempenhar as funções
de moeda mundial. Daí o clamor crescente por sua substituição.
O diabo é que este tipo
de problema não será resolvido apenas no campo da economia.
Depende de condições políticas que certamente ainda
não estão maduras. Afinal, a supremacia do padrão
dólar é emblemática da hegemonia americana. A crise
do dólar é mais uma expressão da crise da hegemonia
dos EUA e sua solução envolve mudanças mais amplas
em direção a uma nova ordem mundial. Mas não creio
que isto seja sequer sinalizado pela cúpula de Seul. E tampouco
que virá sem luta.
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de novembro de 2010 | Política
Estado poderá receber 74 obras
da nova fase do PAC 2
Luciana Cristo
O Paraná teve 74 obras pré-selecionadas para receber recursos
da nova fase do Programa de Aceleração de Crescimento
2 (PAC 2), em um total de 963 obras por todo o País.
Na lista divulgada pelo Ministério
das Cidades aparecem municípios pertencentes a duas divisões
feitas pelo governo federal: o grupo 2 (para credenciamento de cidades
entre 50 a 100 mil habitantes) e grupo 3 (com população
inferior a 50 mil habitantes).
O pacote engloba obras de urbanização
de assentamentos precários, abastecimento de água, esgoto
sanitário, drenagem urbana e manejo das águas pluviais,
pavimentação e qualificação de vias urbanas
(confira municípios paranaenses contemplados no quadro). São
50 obras para cidades do Paraná com até 50 mil habitantes
e outras 24 nas cidades com até 100 mil pessoas.
O próximo passo é
a realização de entrevistas e análises técnicas
dos projetos junto com as prefeituras, fase que começa na próxima
terça-feira e continua até 10 de dezembro.
Caso representantes dos municípios
não compareçam na hora marcada para a reunião ou
não apresentem os documentos exigidos pelo governo federal, os
projetos ficam excluídos de participação na seleção
final do PAC 2. Caso sejam aprovados, os projetos são autorizados
a entrar em processo de licitação.
Os projetos de pavimentação
para o Paraná com recursos do orçamento geral da União
incluem uma obra em Assis Chateaubriand, por exemplo, estimada em R$
7,9 milhões, que inclui drenagem pluvial, passeio, acessibilidade
e plantio de grama.
A pavimentação
de um trecho em Nova Londrina foi calculada em R$ 3,4 milhões
e, em Candói, R$ 1,23 milhão. Outras obras não
tiveram o valor informado nesta fase, o que por enquanto não
permite calcular o total dos recursos previstos. Na área da habitação,
o projeto cadastrado pelo município de Santo Antônio do
Sudoeste é orçado em R$ 3,9 milhões.
Para os municípios menores,
os projetos são basicamente de pavimentação e moradia.
No caso de Jacarezinho, pelo Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social (FNHIS), a intervenção prevista é
na favela Nossa Senhora das Graças e, em Paiçandu, nos
jardins Canadá e Santa Paula.
O remanejamento da população
em beira de rio e em beira de rodovia é outro projeto previsto
pela prefeitura de Vitorino, assim como para os habitantes em área
de risco em Campina da Lagoa.
Em reunião com prefeitos
do Brasil todo, no primeiro semestre, o ministro Márcio Fortes
ressaltou a importância da qualidade dos projetos apresentados,
não apenas na fase de elaboração e entrega dos
documentos ao governo federal, mas também no acompanhamento das
obras, posteriormente.
Em relação ao
primeiro PAC, o volume de recursos disponíveis para o eixo social
e urbano aumentou 63%. Enquanto o primeiro PAC reservou investimento
de R$ 239 bilhões para obras desse eixo, o PAC 2 prevê
um investimento total de R$ 389 bilhões.
Municípios com menos
de 50 mil habitantes não terão necessidade de dar contrapartida.
O governo federal anunciou que irá estruturar uma rede de assistência
técnica para apoiar essas prefeituras.
Na primeira fase do PAC 2 constavam
obras logísticas maiores do Estado, como a ampliação
do terminal de passageiros e construção da terceira pista
no aeroporto Afonso Pena, usinas hidrelétricas, o corredor ferroviário
de Cascavel a Dourados (MS) e um trem de alta velocidade entre Curitiba
e São Paulo.

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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de novembro de 2010 | Cidades
Nova diretoria do Sindimoc quebra hierarquia
de 20 anos
Flávio Laginski
Após uma campanha eleitoral bem tumultuada, toma posse hoje,
às 9h, a nova diretoria do Sindicato dos Motoristas e Cobradores
de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc).
O pleito foi vencido com 69%
dos votos pelo cobrador e candidato da oposição, Anderson
Teixeira que, segundo o mesmo, quebra uma hierarquia de 20 anos de poder
nas mãos de um mesmo grupo, que era presidido pelo vereador Denílson
Pires.
Ainda ontem, houve trabalhos
para fazer a transição da gestão. Pouco antes de
iniciar o processo de mudança, Teixeira reclamou que iria pegar
o Sindimoc às escuras.
“A assessoria jurídica
e contábil não teve acesso permitido para verificar se
temos dinheiro em caixa, como estão os patrimônios, entre
outras coisas. Não temos ideia do que encontrar pela frente”,
responde.
Questionado sobre como seria
a linha de atuação, o sindicalista garante que fará
uma gestão voltada ao trabalhador. “Uma das queixas que
a gente ouvia era o de que a antiga diretoria tinha certo alinhamento
com a Prefeitura de Curitiba. Vamos trabalhar para que os motoristas
e cobradores tenham melhor qualidade no trabalho”, diz.
Ele comentou ainda sobre supostas irregularidades da antiga gestão
do Sindimoc, que resultaram na prisão de Pires. “Não
temos muitas informações sobre os trabalhos do Gaeco.
Contudo, vamos realizar uma auditoria para saber o que aconteceu na
administração do Sindimoc nesta última gestão”,
informa.
O ex-presidente do sindicato
afirmou que toda a transação será feita com lisura
e que questiona alguns pontos de Teixeira. “Estamos fazendo isso
de maneira limpa. Não entendo o comportamento do meu adversário.
Vamos entregar o Sindimoc com superávit nas contas, livre de
qualquer ônus e com a parte patrimonial funcionando. Exceto por
um período contábil de dois meses, cujos documentos estão
com o Gaeco, toda a parte financeira está auditada”, conta
Pires.
O vereador informa também
que não houve aproximação junto à Prefeitura.
“Nós sempre trabalhamos em defesa dos nossos colegas. Tínhamos
o 17.º salário do país e hoje (ontem) entrego com
o terceiro maior rendimento da categoria. Conseguimos muitas coisas
na minha gestão”, encerra.
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Congresso em Foco, 11 de novembro
de 2010
Biscaia: deputados partilham salário
de servidores
Após ler a reportagem sobre a montanha-russa
salarial do PSC, deputado do PT afirma, sem citar o caso concreto, que
não é incomum colegas ficarem, criminosamente, com parte
das remunerações de seus servidores | Em entrevista ao
Congresso em Foco, Biscaia denuncia que há deputados que ficam
com parte do salário de seus funcionários
Eduardo Militão
O deputado Antônio Carlos
Biscaia (PT-R), ex-promotor de Justiça, associou a reportagem
do Congresso em Foco sobre a montanha-russa salarial dos funcionários
do PSC a um expediente que existe em alguns gabinetes no Congresso:
deputados ficam com parte do salário dos seus funcionários
para fazer caixa para si mesmos ou para seus partidos. Sem citar o caso
concreto da reportagem, o parlamentar petista afirmou que existe atualmente
na Câmara uma prática “ilegal” e “criminosa”
de retenção de salários dos funcionários
de gabinetes em favor dos congressistas.
Conforme noticiou o site, num
grupo de 14 comissionados ligados à Liderança do PSC na
Câmara, dez tiveram aumentos de até 569% e reduções
de até 87% num período de 18 meses. O senador Demóstenes
Torres (DEM-GO) defendeu uma investigação do caso e o
corregedor da Câmara, ACM Neto (DEM-BA), considerou as movimentações
“estranhas”.
No início da noite de terça-feira (9), no plenário
da Câmara, Biscaia conversou com o Congresso em Foco. Afirmou
categoricamente que, a exemplo do que acontece em outras casas legislativas,
há deputados que ficam com parte dos salários de seus
funcionários do gabinete, sob os mais diversos pretextos.
“Alguns parlamentares
até admitem isso. Dizem: ‘Ah, não, espontaneamente
alguém é contratado por R$ 5 mil e contribui com 20% para
uma caixinha do mandato”, diz o deputado. Outra pretexto usado
é que o desvio no salário é contribuição
“para o partido”.
Atualmente, a Câmara oferece
a cada um dos 513 deputados verba de R$ 60 mil para contratar até
25 funcionários sem concurso nos gabinetes e escritórios
estaduais. O maior salário é de R$ 8 mil (SP-28). Para
as lideranças partidárias e comissões, o número
de não-concursados varia: os cargos de natureza especial (CNEs)
têm salários que chegam a R$ 12 mil (CNE-7).
Biscaia disse que a situação
descrita por ele é difícil de ser comprovada. Mas se essa
prática ou outra semelhante for atestada, o caso é de
quebra de decoro parlamentar. Ou seja, o deputado pode ter o mandato
cassado e ficar inelegível por oito anos.
A prática é tão
comum que ela chegou a ser proposta ao próprio Biscaia por uma
pessoa que lhe pediu emprego. Em 1999, ao assumir seu primeiro mandato
na Câmara, um funcionário do antigo parlamentar do gabinete
pediu encarecidamente para ser mantido no trabalho. Para convencer Biscaia,
o funcionário propôs a ele receber o salário mais
alto possível, entregar todo o dinheiro ao deputado recém-chegado
e ficar apenas com o tíquete-alimentação, atualmente
de R$ 600 por mês. O deputado rejeitou a proposta e mandou o servidor
embora.
Ao reler a reportagem sobre
o sobe e desce salarial, Biscaia acredita que os indícios relatados
justificam uma investigação. Para ele, deve haver pelo
menos um pedido de explicações sobre a montanha-russa
do PSC.
Veja a entrevista:
Congresso em Foco
– Deputado, estamos querendo saber a opinião do senhor
e de outros deputados sobre a reportagem da montanha-russa salarial.
Biscaia – Veja, o caso concreto eu nem sei, porque
eu estou apenas...
O senhor chegou
a ver a alegação do líder do partido?
Existem coisas que acontecem efetivamente na atividade do Poder Legislativo
em todos os níveis, que é uma participação
dos deputados nos vencimentos daqueles que integram o gabinete. De uma
maneira geral, isso tem em câmaras municipais, assembleias legislativas
estaduais e aqui na Câmara dos Deputados, sob os mais diversos
pretextos. Isso é uma.... Não estou me referindo ao caso
concreto, mas de uma maneira geral. Alguns parlamentares até
admitem isso. Eles dizem isso.
Ah, é? Eles
dizem?
Eles dizem: “Ah, não, espontaneamente, alguém é
contratado por R$ 5 mil e, espontaneamente, ele contribui com 20% para
uma caixinha do mandato”. É uma prática que ocorre
e...
O senhor já
ouviu isso?
Já ouvi.
O senhor acha que
isso é ilegal?
Não só é ilegal como é criminoso. Você
contratar alguém por um valor e se apropriar de uma parcela.
Quer dizer, se essa prática existe com relação
àqueles assessores parlamentares, isso é possível
que exista também com relação a outros cargos,
como CNE [cargos de natureza especial].
Aqui no levantamento do
Congresso em Foco há assessores e CNEs. Porque nós pegamos
os CNEs das comissões e vimos a trajetória deles pelos
gabinetes do partido e liderança do partido.
E eles começavam com pouquinho?
Eles estão sempre no gabinete do partido, na liderança
do partido, na comissão do partido.
No caso, as justificativas são as mais diversas. Alguns dizem
isso aqui. Primeiro, uma caixa para o mandato. Outros dizem que é
pro partido, né? Até para isso.
Para o partido?
O senhor acha que a Câmara deve fazer alguma coisa com relação
a esse caso específico e aos outros, que o senhor conhece?
Com relação aos outros casos, evidentemente,
é uma questão de difícil comprovação.
Mas eu acho que pelo menos, é evidente, o Código de Ética
proíbe. Isso tem todo tipo de proibição. Agora,
uma fiscalização maior...
O Código
de Ética proíbe isso?
Lógico.
Dá cassação
de mandato?
Se ficar comprovado, sim, claro.
Então, o
que a Câmara deve fazer nesse caso específico, em que não
há uma pessoa falando?
Aí, você tem apenas indícios. Aí
fica difícil, né? A pessoa... porque eu não sei
qual é a justificativa. É só PSC que tem aí?
Só foi analisado
esse caso concreto. Não tem como levantar todos os partidos.
O senhor conhece outras histórias?
Houve um caso no primeiro mandato que eu tive, em 1999. Não
tinha ninguém nomeado para o gabinete. Eu fui assediado por uma
pessoa que disse: “Meu deputado não foi eleito e eu estou
procurando um lugar. Por favor, por favor, por favor, bota lá
o vencimento que quiser que eu lhe devolvo. Eu só quero ficar
com os 600 reais, que é do auxílio-refeição”.
Eu respondi: “Procurou a pessoa errada. Eu sou do Ministério
Público e você está me pedindo para cometer um crime.
Vá procurar outro”.
E o que aconteceu
com esse cidadão?
Ah, não sei. Mas a gente sabe que isso acontece aqui,
lamentavelmente.
O senhor acha que
a Presidência e a Corregedoria podem tomar, neste momento, alguma
medida concreta sobre o caso do PSC?
Os indícios aqui justificam, a meu ver justificam. Agora,
vai depender lá do critério. O corregedor não precisa
de provocação. Basta que ele tome conhecimento disso.
Pelo menos um pedido de explicações, não explicações
que são dadas a um jornalista.
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Congresso em Foco, 11 de novembro
de 2010
Para parlamentares, prática é
desvio de dinheiro
Demóstenes recebe cumprimento. Para senador,
montanha-russa salarial é ”mais um expediente para enfiar
dinheiro no bolso”
Eduardo Militão
Parlamentares ouvidos pelo Congresso em Foco na tarde de ontem (9) não
têm dúvida: a montanha-russa salarial aplicada pelo PSC
a seus funcionários tem todas as características de ser
um esquema de desvio de dinheiro. Como mostrou o site, em um período
de no máximo 18 meses, 10 funcionários tiveram aumentos
de até 569% nas remunerações seguidas de reduções
de até 87%, o que fez os ordenados oscilarem entre R$ 1.200 e
R$ 12 mil.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) defendeu a investigação
da Corregedoria da Câmara, da Polícia Federal e do Ministério
Público. “Evidentemente, trata-se de mais um expediente
para enfiar dinheiro no bolso”, disse o senador, taxativo. O corregedor
da Câmara, ACM Neto (DEM-BA), estranhou as movimentações
financeiras por suspeitar serem indicadores de que parte dos salários
dos funcionários, na verdade, não fica com eles. Cauteloso
disse que, para ser configurada a irregularidade, “é preciso
ficar evidente que essas pessoas não recebiam integralmente os
seus salários”.
Demóstenes acredita que, para comprovar o delito, é preciso
haver uma investigação profunda. Isso inclui ouvir os
funcionários e quebrar os sigilos bancários para se verificar
se houve transferências entre contas correntes e saques de dinheiro
em espécie.
Demóstenes acredita que a investigação é
que vai apontar o nome do beneficiário da suposta irregularidade.
“Aí tem que ver, mas evidentemente tem que estar acima
do servidor”, disse.
Ilegal e criminoso
O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) preferiu não
falar do caso concreto, mas ao ler a reportagem do Congresso em Foco,
lembrou-se de expedientes anteriores que demonstram a prática
de desviar dinheiro dos servidores do gabinete para os parlamentares
ou para seus partidos. De acordo com Biscaia, existem exemplos disso
na Câmara, assim como em outras casas legislativas Brasil afora,
fato classificado por ele como “ilegal” e “criminoso”.
Leia
íntegra de entrevista com Biscaia
Sobre o caso do PSC, o deputado defendeu que a Corregedoria investigue
a situação. “Os indícios aqui, a meu ver,
justificam”, disse o parlamentar na tarde de ontem. Para Biscaia,
deve haver pelo menos um pedido de explicações sobre a
montanha-russa salarial verificada no levantamento do Congresso em Foco.
Estranhamento
Não foi apenas o corregedor da Câmara, ACM Neto, que considerou
estranhas as movimentações de cargos e remunerações
do PSC. Ontem, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) teve a mesma sensação.
Ele disse que, se algum funcionário teve que entregar parte de
seus salários, deve contar tudo o que aconteceu. “É
estranho, mas eu não posso dizer se tem alguém lesado
ou não, porque não tem denúncia”, afirmou
Rosinha.
O deputado do PT entende que a redução salarial, apontada
no levantamento do Congresso em Foco, pode ser justificada pelo fato
de o funcionário assumir um cargo de menor responsabilidade.
Mas é estranho, para o deputado, que alguns dos servidores ouvidos
tenham dito que a perda salarial não atrapalhou em nada seus
orçamentos, mesmo não sendo negociada com antecedência
com os parlamentares.
“Então, eu não sei”, conclui Rosinha. “Por
que, para mim, daria dificuldade, a menos que eu fosse avisado. ‘Olha,
você vai trabalhar um tanto com tal remuneração
e depois vai ser reduzido para tanto. Porque aí eu pouparia,
né?”
Leia
tudo sobre a montanha-russa salarial
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Valor Econômico, 11
de novembro de 2010
Voto do nordestino vale o mesmo
que o do paulista
"Todos os partidos, sem exceção,
estão diante de um quadro de profundas mudanças no país
e terão que se adaptar a isso", avalia Maria Inês
Nassif, jornalista.
Segundo ela, "fora a mobilidade
social e regional que ocorreu no período, houve nas últimas
décadas um grande avanço de escolaridade. A isso, os programas
de transferência de renda agregaram consciência de direitos
de cidadania. O país é outro. Não se ganha mais
eleição com preconceito - até porque o voto do
alvo do preconceito tem o mesmo valor que o voto da velha elite. Se
os grandes partidos não se assumirem ideologicamente, outros,
menores, tomarão o seu espaço".
Eis o artigo.
O Brasil elegeu, por dois mandatos,
um ex-metalúrgico como presidente da República. Agora
elege uma mulher. Ambos de centro-esquerda. Para quem assistiu de fora
a eleição de Dilma Rousseff e os dois mandatos do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, pode parecer que o país avança
celeremente para uma civilizada socialdemocracia e busca com ardor o
Estado de bem-estar social. Para quem assistiu de dentro, todavia, é
impossível deixar de registrar a feroz resistência conservadora
à ascensão de uma imensa massa de miseráveis à
cidadania.
Ocorre hoje um grande descompasso
entre classes em movimento e as que mantêm o status quo; e, em
consequência de uma realidade anterior, onde a concentração
de renda pessoal se refletia em forte concentração da
renda federativa, há também um descompasso entre regiões
em movimento, tiradas da miséria junto com a massa de beneficiados
pelo Bolsa Família ou por outros programas sociais com efeito
de distribuição de renda, e outras que pretendem manter
a hegemonia. A redução da desigualdade tem trazido à
tona os piores preconceitos das classes médias tradicionais e
das elites do país não apenas em relação
às pessoas que ascendem da mais baixa escala da pirâmide
social, mas preconceitos que transbordam para as regiões que,
tradicionalmente miseráveis, hoje crescem a taxas chinesas.
A onda de preconceito contra
os nordestinos, por exemplo, é semelhante ao preconceito em estado
puro jogado pelos setores tradicionais no presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e na própria eleita, Dilma Rousseff, durante a
campanha eleitoral. É a expressão do temor de que os "de
baixo", embora ainda em condições inferiores às
das classes tradicionais, possam ameaçar uma estabilidade que
não apenas é econômica, mas que no imaginário
social é também de poder e status.
São Paulo foi a expressão
mais acabada da polarização eleitoral entre pobres de
um lado, e classe média e ricos de outro. Os primeiros aderiram
a Dilma; os últimos, mesmo uma parcela de classe média
paulista que foi PT na origem, reforçaram José Serra (PSDB).
A partir de agora, pode também polarizar a mudança política
que fatalmente será descortinada, à medida que avança
o processo de distribuição regional de renda e de aumento
do poder aquisitivo das classes mais pobres. A hegemonia política
paulista está em questão desde as eleições
de 2006 - e Lula foi poupado do desgaste de ter origem política
em São Paulo porque era também destinatário do
preconceito de ter nascido no Nordeste; e, principalmente, porque foi
o responsável pela desconcentração regional de
renda.
Com a expansão do eleitorado
petista no Norte e no Nordeste do país, houve uma natural perda
de força dos petistas paulistas, diante do PT nacional. Do ponto
de vista regional, o voto está procedendo a mudanças na
formação histórica do PT, em que São Paulo
era o centro do poder político do partido. Isso não apenas
pelo que ganha no Nordeste, mas pelo que não ganha em São
Paulo: o partido estadual tem dificuldade de romper o bloqueio tucano
e também de atrair de novos quadros, que possam vencer a resistência
do eleitorado paulista ao petismo.
No caso do PSDB, todavia, a
quebra da hegemonia paulista será mais complicada. Os tucanos
continuam fortes no Estado, têm representação expressiva
na bancada federal e há cinco eleições vencem a
disputa pelo governo do Estado. No resto no do país, têm
perdido espaço. Parte do PSDB concorda com o diagnóstico
de que a excessiva paulistização do partido, se consolida
seu poder no Estado mais rico da Federação, tem sido um
dos responsáveis pelo seu encolhimento no resto do Brasil. Mas
é difícil colocar essa disputa interna no nível
da racionalidade, até porque o partido nacional não pode
abrir mão do trunfo de estar estabelecido em território
paulista; e, de outro lado, o partido de Serra tem uma grande dificuldade
de debate interno - como disse o governador Alberto Goldman em entrevista
ao Valor, é um partido com cabeça e sem corpo, isto é,
tem mais caciques do que base. Não há experiência
anterior de agregação de todos os setores do partido para
discutir uma "refundação" e diretrizes que permitam
sair do enclave paulista. Não há experiência de
debate programático. E aí o presidente Fernando Henrique
Cardoso tem toda razão: o PSDB assumiu substância ideológica
apenas ao longo de seu governo. É essa a história do PSDB.
A política de abertura do país à globalização,
a privatização de estatais e a redução do
Estado foram princípios que se incorporaram ao partido conforme
foram sendo assumidos como políticas de Estado pelo governo tucano.
Todos os partidos, sem exceção,
estão diante de um quadro de profundas mudanças no país
e terão que se adaptar a isso. Fora a mobilidade social e regional
que ocorreu no período, houve nas últimas décadas
um grande avanço de escolaridade. A isso, os programas de transferência
de renda agregaram consciência de direitos de cidadania. O país
é outro. Não se ganha mais eleição com preconceito
- até porque o voto do alvo do preconceito tem o mesmo valor
que o voto da velha elite. Se os grandes partidos não se assumirem
ideologicamente, outros, menores, tomarão o seu espaço.
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Terra Magazine, 11 de novembro
de 2010
DEM rechaça fusão
e já espera que Kassab migre para o PMDB
O DEM admite que o prefeito
da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM), migre para o PMDB antes
do fim de seu mandato, em 2012. O democrata, que trabalha por uma fusão
entre DEM e PMDB - descartada pela maioria de seu partido -, estreitou
as relações com o vice-presidente eleito, Michel Temer
(PMDB), nos dias que sucederam as eleições presidenciais.
Lideranças nacionais do DEM garantem ser inviável a fusão
entre as siglas e apontam motivos pessoais para a movimentação
de Kassab. Agora, tanto o DEM quanto o PSDB pretendem esvaziar a estratégia
de fusão. Sem diálogo com o governador eleito de São
Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e sem perspectivas de nova candidatura
na aliança PSDB-DEM, Kassab buscaria no PMDB futuro político,
ainda segundo seus colegas de partido.
O Democrata foi patrocinado
pelo ex-presidenciável José Serra (PSDB) na sua reeleição
contra Alckmin em 2008. Com a recente proximidade entre o governador
eleito e Serra, tucanos afirmam que dificilmente ele deixaria de dar
sustentação a Alckmin numa eventual disputa contra Kassab.
Interlocutores do prefeito apostam
numa possível candidatura dele ao governo do Estado. A curto
prazo, a preocupação de Kassab é com a sua própria
sucessão, dizem democratas. O prefeito prevê uma articulação
de Alckmin na prefeitura para eleger um dos seus homens. E o DEM não
teria quem apresentar com opção para o posto.
Sem a adesão de seu partido
à fusão, restaria a Kassab migrar para o PMDB, base governista.
Embora o momento não seja o mais propício para isto, dado
o recente fim da campanha presidencial em que ele apoiou a oposição,
aliados do prefeito acreditam que ele postergue a decisão para
evitar ataques virulentos de seus colegas de partido.
O DEM tem garantido a seus aliados
tucanos que Kassab só sensibilizou a senadora Kátia Abreu
(TO) e o presidente de honra da sigla, Jorge Bornhausen.
Caso Kassab consiga levar consigo
deputados do DEM, a sigla já alertou que pretende cobrar o mandato
por infidelidade partidária. Contudo a punição
não se estenderia ao prefeito. A medida seria para dar exemplo
aos demais parlamentares que quiserem aderir ao governismo. Do contrário,
os democratas e tucanos temem uma debandada para a base de sustentação
de Dilma.
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BEM PARANÁ, 11 de
novembro de 2010 | Política
Governo
Tamanho do partido não será
critério para definir cargos
“Vai se formar um novo governo e a presidenta
é quem vai decidir", disse presidente do PT
Agência Brasil
O crescimento dos partidos da base governista não será
levado em conta na definição da composição
do governo de Dilma Rousseff, de acordo com o presidente do PT, José
Eduardo Dutra. Hoje (10), ele concluiu as conversas sobre a formação
do novo governo com todas as legendas da coligação que
elegeu a presidenta.
“Como todos os partidos
da base aliada cresceram, quem diminuiu foi a oposição,
você não pode estabelecer que isso seja um critério
para participação no governo. Isso indicaria a necessidade
de se ampliar os cargos para atender o conjunto dos partidos. Não
é essa a intenção”, disse Dutra. No próximo
sábado (13), o presidente do PT deverá entregar um relatório
com os pedidos de cada legenda à presidenta eleita.
“Vamos manter as conversas,
mas temos que ter claro que nenhum ministério é propriedade
de algum”, disse Dutra. “Vai se formar um novo governo e
a presidenta é quem vai decidir. Ela pode optar por continuar
a ocupação dos espaços nos moldes do governo ou
propor modificações. Não há regra definida
em relação a isso.”
Todos os partidos da base
aliada manifestaram vontade de manter a participação que
já têm no governo do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e, se possível, ampliá-la no governo de Dilma
Rousseff. Esse é um desejo compartilhado até pelo PT,
que já tem o principal cargo do governo, a Presidência
da República. “É claro que todos os partidos querem
manter e ampliar [a participação]”, assinalou Dutra.
Ele ressaltou, entretanto, que a escolha será feita unicamente
pela presidente eleita.
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Folha de S.Paulo, 11 de
novembro de 2010
FOCO
"Faz-tudo" de Dilma, ex-office-boy
é nome certo para o futuro governo
MÁRCIO FALCÃO
LEILA COIMBRA
DE BRASÍLIA
Ministros, presidentes de partidos,
integrantes de legendas aliadas travam nos bastidores uma guerra por
cargos no futuro governo Dilma. Enquanto as peças desse quebra-cabeça
são mantidas em sigilo, um ex-office-boy já garantiu seu
lugar ao lado da presidente eleita nos próximos quatro anos.
Anderson Braga Dorneles, 31, é uma espécie de "faz-tudo".
Assessor pessoal de Dilma, se transformou na "sombra" da petista.
Suas tarefas incluem segurar a bolsa, acompanhar a ex-ministra em reuniões,
filtrar telefonemas, verificar e-mails e até mesmo administrar
sua casa e contas pessoais.
O vínculo com Dilma vai além das tarefas do dia a dia.
O assessor mantém relação com a família
da presidente, em especial com a filha, Paula, e a mãe, Dilma
Jane.
A relação de confiança teve início há
17 anos, na Fundação de Economia e Estatística
do Rio Grande do Sul, então comandada por Dilma, e onde Anderson
trabalhava como office-boy.
Dilma o levou como estagiário para a Secretaria de Minas e Energia
gaúcha e depois para o governo de transição do
presidente Lula, em Brasília, em 2002.
Os dois ficaram mais próximos quando ela assumiu o Ministério
de Minas e Energia. Nessa época, Anderson passou a frequentar
a casa de Dilma e se tornou um "assessor para todas as horas".
Anderson tem informações sobre a reservada vida de Dilma:
preferências gastronômicas, manias e exigências, por
exemplo. Está sempre à disposição, mesmo
nos fins de semana, sendo o último a ser liberado.
A dedicação fez com que trancasse a faculdade de direito
durante a campanha.
Em comum, eles têm a torcida pelo Internacional.
Mas, apesar da lealdade à presidente eleita, Anderson passou
dificuldades com o temperamento de Dilma. Por mais de uma ocasião
chegou a pedir demissão. Em 2004, largou tudo e voltou para Porto
Alegre, onde ficou por oito meses.
Durante a campanha presidencial, Anderson afastou-se por uma semana
devido a uma crise de estresse.
Discreto, recusa-se a dar entrevistas. Argumenta que não quer,
e não deve, falar sobre Dilma. Pessoas próximas relatam
que ele tem com a presidente uma espécie de relação
de "mãe e filho".
Sobre o futuro, Anderson diz a amigos que não espera cargos no
governo, somente a alcunha de "assessor pessoal" da presidente
eleita.
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Blog do Noblat, 11 de novembro
de 2010
O dia em que Sílvio Santos
fez a imprensa de boba
Sílvio Santos não poderá
mais repetir o seu famoso bordão: “Quem quer dinheiro?”.
Abriu-se na sexta-feira o baú
de infelicidades do mais famoso animador de auditório da TV brasileira,
dono do SBT, a terceira maior rede do país no ranking de audiência,
transmitida por 106 emissoras (15 próprias e 91 afiliadas).
O seu banco, o Panamericano,
queria dinheiro, muito dinheiro, para cobrir o rombo de 2,5 bilhões
de reais no seu balanço fraudado.
O banco de SS repassava carteiras
de créditos de suas operações para outros bancos,
mas não contabilizava essa transferência no balanço,
que justificaria hoje o bordão de Santos no programa Tentação:
”Vale dez reais?”
No melhor estilo Lula, Sílvio
Santos apressou-se a declarar: “Eu não sabia de nada”.
A fraude do lucro inflado no
banco do apresentador de Topa Tudo por Dinheiro representa 40% dos ativos
do Panamericano, que somam R$ 6,5 bilhões, e passou batido por
uma das mais respeitadas empresas de auditoria do mercado, a Deloitte.
A solução engenhosa
para sair da enrascada estava embutida num dos bordões mais conhecidos
de SS: “Vem pra cá, vem pra cá”.
Foi o que ele disse ao governo
Lula, que foi lá para o SBT em apuros, já que tinha interesse
no caso — a Caixa Econômica Federal adquiriu no ano passado
49% das ações do banco –, por meio do camarada FGC,
o Fundo Garantidor de Crédito, mantido pelos bancos mas sensível
a apelos federais. Sobretudo quando o Banco Central recomenda que apóie
determinadas operações.
O FGC, a quem SS ofereceu 44
empresas de seu grupo como garantia, disse que a recomendação
de socorro feita pelo Banco Central tinha por objetivo evitar o “risco
sistêmico” que poderia abalar a área financeira do
país.
Quando o PT de Lula era oposição,
essa desculpa do PSDB de FHC era motivo de zombaria para a inclemente
confraria petista.
O sempre bem informado Guilherme
Barros, colunista de economia do portal iG, informou que o BC, ao contrário
de Lula e de Silvio Santos, sabia de “inconsistência contábil”
no Panamericano há dois meses, ou seja, desde setembro.
Foi examente em setembro, uma
quarta-feira, 22, dez dias antes do primeiro turno da eleição
presidencial, que Sílvio Santos visitou Lula inesperadamente
no Palácio do Planalto, causando o alvoroço previsível.
Naquele dia, o sorridente SS
avisou que estava ali apenas para convidar o presidente para a abertura
do Teleton, um programa que arrecada recursos para crianças e
adolescentes com necessidades especiais.
No embalo, ainda arrancou uma doação de R$ 12 mil de Lula.
Silvio atropelou a agenda presidencial,
tirando do caminho uma reunião prevista para aquele horário
justamente com Henrique Meirelles, o presidente camarada do BC que dois
meses depois seria fiador do SOS para SS.
O que espanta, neste processo,
é a inconsistência sistêmica da imprensa brasileira,
que cobriu burocraticamente a surpreendente visita de SS ao Planalto:
“Não venho aqui desde o governo Itamar Franco”, avisou
ele, ou seja, fazia já 18 anos.
E os repórteres e editores
engoliram, em seco, a explicação boboca sobre o Teleton.
Se não fosse tão preguiçoso, habituado ao declaratório
e ao oficialiesco, um jornalismo esperto poderia ter percebido ali as
fagulhas do rolo do Panamericano que enfiou o FGC, o governo e Sílvio
Santos no mesmo baú de desinformação e incertezas.
O desprezo de SS pela notícia
já faz parte do folcore nacional. Na noite de 17 de julho de
2007, as maiores redes de TV do país interromperam a cobertura
dos Jogos Panamericanos do Rio para mostrar as primeiras imagens fumegantes
do Airbus da TAM que explodiu no aeroporto de Congonhas, em São
Paulo. O SBT foi o último a informar sobre a tragédia.
Nem Bin Laden conseguiu desfazer
o sorriso de plástico de SS. No 11 de setembro de 2001, o dia
do maior ataque terrorista da história, que as TVs do mundo inteiro
cobriram ao vivo para o mundo estarrecido, o SBT continuou, impávido,
a transmitir sua programação normal, quebrada apenas por
breves flashes de plantão nos horários comerciais.
Naquele dia, o SBT atingiu um
dos menores índices de audiência de sua história.
Prova de que o povo, apesar
de Sílvio Santos e alguns de nossos jornalistas, não é
bobo.
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Valor Econômico, 11
de novembro de 2010
Grupo Sílvio Santos financiou
9 parlamentares
O Grupo Silvio Santos, por meio da Liderança
Capitalização, gastou nestas eleições pelo
menos R$ 1,59 milhão para financiar a campanha de candidatos.
De acordo com dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
dez postulantes a deputado federal e dois concorrentes a deputado estadual
receberam recursos da empresa. Destes, nove foram eleitos nesta eleição.
A reportagem é de Cristiane Agostine
Das empresas do grupo, apenas
a Liderança Capitalização Sociedade Anônima
aparece entre as empresas doadoras no TSE. O valor da doação
a campanhas pode ser ainda maior, já que os candidatos que disputaram
o segundo turno das eleições ainda não entregaram
suas prestações de conta.
Assim como as demais empresas
que fazem parte do patrimônio empresarial de Silvio Santos, a
Liderança Capitalização foi dada como garantia
para a obtenção de empréstimo para salvar o Banco
Panamericano, após fraude que causou prejuízo ao banco
de R$ 2,5 bilhões. O patrimônio de Silvio é estimado
em R$ 2,7 bilhões, segundo o Fundo Garantidor de Créditos
(FGC).
A empresa doou recursos para candidatos de diferentes partidos: DEM,
PTB, PV, PSB, PMDB, PR e PMN. O maior volume de recursos foi destinado
ao deputado reeleito Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que recebeu
R$ 301,3 mil. Na sequência aparecem Armando Vergílio (PMN-GO),
que recebeu R$ 300 mil, Jovair Arantes (PTB-GO), com R$ 250 mil e Walter
Ihoshi, com R$ 145 mil.
Dos doze candidatos que receberam
recursos da empresa, seis disputaram o cargo em São Paulo, Estado
que concentra a atividade empresarial de Silvio Santos. Também
receberam recursos três candidatos de Goiás, um da Bahia,
um de Sergipe e outro de Minas Gerais.
O grupo Silvio Santos, por meio
de sua assessoria, informou ontem ter feito as doações
que considerou "pertinentes", de acordo com as regras determinadas
pela legislação eleitoral. Segundo a assessoria do grupo
, as doações fazem parte da política da empresa.
O próprio Silvio Santos
já foi candidato. Em 1989, o apresentador e empresário
disputou a Presidência da República pelo nanico Partido
Municipalista Brasileiro. Silvio chegou a fazer algumas gravações
para a propaganda eleitoral, pedindo votos aos eleitores, mas sua candidatura
foi impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral, por ter sido registrada
fora do prazo legal.
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de novembro de 2010 | Política
CCJ do Senado aprova flexibilização
da Voz do Brasil
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
do Senado aprovou hoje o projeto de lei que flexibiliza a transmissão
do programa "Voz do Brasil". Pela proposta, o programa poderá
ser exibido - sem cortes - entre as 19 horas e 23 horas. Hoje, o programa,
conhecido pelo bordão "Em Brasília, 19 horas",
é transmitido entre as 19 horas e 20 horas por todas as emissoras
de rádio. O programa serve como instrumento de divulgação
da atuação dos parlamentares, um tempo de vitrine midiática
de alcance nacional.
A maior reclamação
das rádios, no entanto, é de que a audiência cai
muito quando a programação é interrompida para
transmitir a Voz do Brasil - de 19,42% para 2,44%, segundo pesquisa
do InterMeios. "A flexibilização do horário
de transmissão do programa atende à desejável liberdade
a ser conferida aos radiodifusores de determinar o momento mais adequado
para a transmissão do programa", afirma o senador Flexa
Ribeiro (PSDB-PA), relator do projeto.
Pelas alterações feitas pelo Senado, as rádios
deverão informar aos ouvintes, às 19 horas, o novo horário
de transmissão da Voz do Brasil. Apenas as rádios educativas
não poderão alterar o horário do programa.
Os senadores também
incluíram emenda ao projeto para que rádios ligadas aos
poderes Executivo e Legislativo, como a Rádio Senado e a Rádio
Câmara, poderão flexibilizar o horário quando estiver
havendo sessão plenária. O texto ainda precisa ser aprovado
pela Comissão de Educação e pelo plenário
do Senado, antes de voltar para uma segunda rodada de votação
na Câmara dos Deputados.
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Congresso em Foco, 11 de
novembro de 2010
Câmara estabelece prazo de
validade para RG
Edson Sardinha
A carteira de identidade poderá
ter prazo de validade. Uma proposta aprovada hoje (10) na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara
prevê que o documento de Registro Geral terá de ser revalidado
a cada 20 anos. Caso a carteira tenha sido emitida antes de o cidadão
completar 18 anos de idade, a renovação terá de
ser feita em até dez anos. Atualmente, não há prazo
de validade para a carteira de identidade.
O texto foi aprovado em caráter conclusivo (ou seja, não
precisará ser analisado pelo Plenário a não ser
que haja apresentação de recurso) e será enviado
ao Senado. O projeto também assegura a validade em todo o território
nacional dos documentos de identificação expedidos pelo
Ministério da Defesa.
O projeto ainda cria duas categorias
de documentos de identificação. A carteira de identidade
será considerada documento de identificação primário.
O passaporte, a carteira de habilitação e as carteiras
funcionais e profissionais passam a ser classificadas como documento
de identificação secundária.
O relator, deputado Régis
de Oliveira (PSC-SP), manteve os pareceres aprovados pelas comissões
de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e de Segurança
Pública a uma proposta enviada pelo Executivo.
O projeto inicialmente assegurava
a validade em todo o território nacional da carteira de identidade
expedida pelo Ministério da Defesa. Segundo o governo, nem sempre
os documentos emitidos pelos comandos do Exército, da Marinha
e da Aeronáutica eram aceitos em processos para obtenção
de passaporte e carteira de habilitação. O texto, porém,
foi alterado substancialmente na Comissão de Relações
Exteriores, onde foi relatado pelo deputado Antonio Carlos Mendes Thame
(PSDB-SP).
A proposta também admite
que a União, o Distrito Federal e os estados firmem convênio,
sob supervisão do Ministério da Justiça, para atualizar
os dados do cartão do registro de identidade civil – novo
documento que terá um chip com informações sobre
cada cidadão.
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Agência Câmara,
11 de novembro de 2010
Comissão aprova equiparação
de ofensa a acidente de trabalho
A Comissão de Trabalho,
de Administração e Serviço Público aprovou
nesta quarta-feira proposta que equipara ao acidente de trabalho a doença
decorrente de ofensa moral sofrida pelo empregado em sua atividade.
O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Vicentinho
(PT-SP), ao Projeto de Lei 7202/10,
do deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) e outros. A proposta altera a Lei
de Benefícios da Previdência Social (8.213/91).
De acordo com o relator, a proposta
original limitaria a equiparação da ofensa moral somente
se o segurado sofresse algum acidente por esse motivo no local e no
horário de trabalho. "Caso o empregado não sofresse
tal acidente, a ofensa moral não poderia ser equiparada",
afirmou Vicentinho.
O parlamentar ressaltou que
a ofensa moral pode causar sérios danos à saúde
física e mental não só do trabalhador, mas também
de colegas trabalho e da própria família.
A legislação atual
prevê a equiparação a acidente de trabalho de, por
exemplo, doenças provenientes de contaminação acidental
e acidentes sofridos por agressão, imprudência ou imperícia
de terceiros. Acidentes sofridos fora do local e horário de trabalho
também são equiparados a acidente de trabalho se o empregado
estiver a serviço da empresa.
O empregado que sofre acidente
de trabalho recebe 91% do salário como benefício. Nos
primeiros 15 dias de afastamento, o pagamento é feito pela empresa
e, depois, pela Previdência Social. Enquanto recebe auxílio-doença
por acidente de trabalho, o trabalhador é considerado licenciado
e tem estabilidade por 12 meses após o retorno às atividades.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivoRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto
perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por
51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará
ser votado pelo Plenário. e ainda será analisado pelas
comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-7202/2010
Reportagem - Tiago Miranda
Edição - Wilson Silveira
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Gazeta do Povo, 11 de novembro
de 2010
Campanha salarial
Metalúrgicos fazem greve em Curitiba
e Cascavel
Em greve há oito dias,
metalúrgicos da fabricante de próteses Neodent prometem
fazer um protesto hoje, em frente à sede administrativa da empresa,
na Avenida Visconde de Guarapuava, no bairro Batel, em Curitiba.
Além de reajuste salarial de 10,08%, os 560 funcionários
da empresa – que tem fábrica na Cidade Industrial de Curitiba
– pedem abono salarial, vale-mercado, aumento do piso salarial,
adicional noturno, participação nos lucros e resultados
(PLR) e redução de jornada. Segundo nota do Sindicato
dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), a Neodent
diz não ter condições financeiras de negociar a
pauta de benefícios.
Em Cascavel (Oeste do estado),
metalúrgicos da montadora de ônibus Mascarello deflagraram
greve na segunda-feira. Ontem, eles rejeitaram proposta da empresa e
decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado.
De acordo com o sindicato local, os trabalhadores reivindicam reajuste
de 15%, mas a empresa oferece 3,3% mais o INPC acumulado em 12 meses.
O sindicato afirma que mais da metade dos 1,6 mil funcionários
cruzou os braços, mas a empresa diz que a adesão é
de apenas 5%. O piso regional gira em torno de R$ 600 e, segundo o sindicato,
a Mascarello paga em média R$ 640. Em nota, a empresa afirmou
que não reconhece como legítima a paralisação
e que “voluntariamente foi reajustada a base salarial de todo
o quadro de funcionários, sendo oferecido e aplicado piso superior
ao da categoria”.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
11/11/2010
Indenização de gestante é
contada a partir da dispensa imotivada
Trabalhadora receberá
indenização correspondente à garantia de emprego
da gestante a partir do dia da demissão, e não da data
de ajuizamento da ação, como havia sido decidido na primeira
instância. A Seção II Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho resolveu que a
sentença que determinou o início do pagamento da indenização
somente a partir do dia do ajuizamento da reclamação trabalhista
afrontou literalmente a lei que veda a dispensa imotivada de empregada
gestante - artigo 10, II, “b”, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias (ADCT). Vencido o relator, a maioria
dos ministros da SDI-2 entendeu que o marco inicial é a data
da demissão.
A 90ª Vara do Trabalho
de São Paulo (SP) reconheceu à empregada gestante o direito
à indenização compensatória, correspondente
aos salários e demais efeitos legais, mas determinou que o pagamento
fosse feito desde a data do ajuizamento da reclamação
trabalhista até o término da estabilidade provisória
em 30/06/2006. Inconformada com o marco inicial estabelecido na primeira
instância, a trabalhadora ajuizou a ação rescisória
pretendendo invalidar a sentença, mas o Tribunal Regional do
Trabalho da 2ª Região (SP) julgou improcedente o pedido.
Por recurso ordinário
em ação rescisória interposto ao TST, a trabalhadora
alegou que a indenização compensatória a que as
empregadoras foram condenadas a pagar é devida desde a dispensa
imotivada. Para isso, utilizou como fundamentos a Súmula 244
e o artigo 10, II, “b”, do ADCT. Ao analisar o recurso,
o ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, relator, afastou a possibilidade
de rescisão pela Súmula 244 por não constituir
preceito de lei.
Quanto ao outro fundamento,
o relator entendeu que o artigo 10, II, “b”, do ADCT não
se refere, de forma literal, explícita, ao marco inicial do pagamento
da indenização. Por essa razão, o ministro Caputo
Bastos considerou, então, ser inviável o reconhecimento
de afronta literal ao dispositivo e a consequente rescisão da
sentença da 90ª Vara de SP. Para a maioria da SDI-2, porém,
a norma é pertinente e possibilita a rescisão. A divergência
foi aberta pelo ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, que havia
pedido vista regimental em 5 de outubro.
Norma pertinente
Ao expor seu voto para julgar
procedente o pedido de rescisão, condenando as empresas ao pagamento
de indenização a partir da data da dispensa, o ministro
Vieira de Mello ressaltou, referindo-se ao artigo 10, II, “b”,
do ADCT, que “o preceito constitucional assegura à empregada
gestante meios para sua subsistência e do nascituro, desde a concepção
até cinco meses após o parto, vedando a sua dispensa do
emprego”. O ministro acrescentou, ainda, que a indenização
“não é um direito independente da garantia de emprego
assegurada à gestante de modo a exigir uma norma específica
regulamentadora, mas apenas uma forma de retribuir os direitos da gestante
e do nascituro quando inviabilizada a reintegração no
emprego em face do transcurso do período estabilitário”.
Segundo o ministro Antônio
José de Barros Levenhagen, que votou com a divergência,
a norma é pertinente à questão apresentada pela
trabalhadora. Para o ministro, os efeitos pecuniários da indenização
não podem ser limitados à propositura da reclamação,
por “diminuir a expressão patrimonial da indenização”.
O ministro Barros ressaltou que o direito é contemporâneo
à concepção e que não se exige que a trabalhadora
dê conhecimento ao empregador da gravidez, destacando que “a
própria empregada pode ignorar, logo nos primeiros dias, que
esteja grávida”.
De acordo com o ministro Alberto
Luiz Bresciani de Fontan Pereira, “há alusão suficiente
na norma - o artigo 10, II, “b”, do ADCT - a autorizar o
corte rescisório”. Por fim, o ministro João Oreste
Dalazen, vice-presidente do TST e que presidia naquele momento a sessão,
também acompanhou o entendimento do ministro Vieira de Mello.
Para o ministro Dalazen, se é “nulo o ato jurídico
da despedida imotivada da empregada gestante, há que se repor
as partes ao status quo anterior à prática desse ato,
seja pela reintegração ou, quando não viável
mais a reintegração, pela indenização a
partir do ato que gerou a nulidade, correspondente, no caso, à
despedida imotivada”.
A SDI-2, então, por maioria,
vencido o relator, ministro Caputo Bastos, julgou procedente a pretensão
e, em juízo rescisório, condenou as empresas ao pagamento
da indenização substitutiva da estabilidade da gestante
desde a dispensa imotivada da autora até cinco meses após
o parto. O ministro Vieira de Mello redigirá o acórdão.
(RO - 1260500-74.2008.5.02.0000)
(Lourdes Tavares)
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11/11/2010
Sexta Turma invalida cláusula
arbitral firmada entre a ONU e um trabalhador brasileiro
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho considerou inválida cláusula arbitral firmada
entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD) - órgão da Organização das Nações
Unidas (ONU) - e um digitador, com o objetivo de solucionar conflito
trabalhista por meio da arbitragem. A Sexta Turma reformou acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/Tocantins)
que entendeu ser a ONU/PNUD imune à jurisdição
trabalhista brasileira.
Segundo a petição
inicial, o trabalhador havia sido contratado pela ONU/PNUD em dezembro
de 1999 para prestar serviços de digitação em órgãos
públicos federais. Contudo, em agosto de 2001, o digitador sofreu
acidente automobilístico, ficando tetraplégico. Após
o acidente, o contrato foi rompido e o trabalhador não recebera
qualquer verba rescisória da entidade.
Diante disso, a família
do digitador propôs ação trabalhista contra o organismo
internacional, requerendo o pagamento de indenização por
danos morais e materiais e o recebimento de verbas trabalhistas como
FGTS, 13° salário e horas extras. Entretanto, a entidade
alegou possuir imunidade de jurisdição quanto à
justiça do trabalho, conforme disposto no artigo II, Seção
2, da Convenção sobre Privilégios e Imunidade das
Nações Unidas.
Esse dispositivo estabeleceu
que a Organização das Nações Unidas, os
seus bens e patrimônio, onde quer que estejam situados e independentemente
do seu detentor, gozam de imunidade de qualquer procedimento judicial,
salvo na medida em que a Organização a ela tenha renunciado
expressamente num determinado caso.
A imunidade de jurisdição
é um instituto do direito internacional que impede que os Estados
estrangeiros e os organismos internacionais se submetam forçosamente
ao alcance jurisdicional das cortes nacionais de outras nações.
Ao analisar o pedido da família,
o juízo de primeiro grau rejeitou a alegação do
organismo internacional e confirmou a sua jurisdição para
julgar a ação.
Diante disso, a ONU/PNUD recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/Tocantins),
reiterando a sua imunidade de jurisdição. O TRT, por sua
vez, entendeu que a entidade possuía, sim, a imunidade, pois
havia cumprido a obrigação imposta pelo artigo VIII, Seção
29, da Convenção sobre Privilégios e Imunidade
das Nações Unidas. Esse artigo dispôs que a Organização
das Nações Unidas deverá adotar meios adequados
para a resolução de controvérsias resultantes dos
contratos com particular.
Para o TRT, a ONU/PNUD - ao estabelecer cláusula compromissória
no contrato de serviço com o digitador, pelo qual remeteria a
solução de eventuais litígios à arbitragem
– atendeu a exigência imposta pelo artigo VIII, Seção
29, fazendo jus, assim, à imunidade de jurisdição.
O acórdão do Regional
reiterou ainda que a obrigação de remeter o litígio
à arbitragem era ônus do trabalhador, não havendo
que se falar em omissão por parte do organismo internacional,
aspecto alegado pela família do digitador. Com isso, o TRT extinguiu
o processo sem resolução de mérito, pela não
submissão da ação ao processo arbitral. A arbitragem
é o meio alternativo de solução de litígios
sem intervenção de um juiz de direito ou qualquer outro
órgão estatal. Essa modalidade foi estabelecida pela Lei
n° 9.307/96.
Inconformada, a família
do trabalhador interpôs recurso de revista ao TST, alegando ser
a arbitragem uma mera faculdade das partes, e não obrigação,
sob pena de se impedir o acesso ao Poder Judiciário.
O relator da revista na Sexta
Turma, ministro Augusto César de Carvalho, deu razão à
família do trabalhador. Segundo o ministro, a jurisprudência
dominante no TST é de que o organismo internacional possui imunidade
de jurisdição absoluta. Contudo, quanto à cláusula
arbitral, ressaltou o relator, o Tribunal considera ser vedada a aplicação
de cláusula compromissória arbitral para a resolução
de conflitos perante a Justiça do Trabalho. Isso porque os direitos
trabalhistas são bens jurídicos indisponíveis e
irrenunciáveis, pois oriundos de uma relação desigual
(empregado e empregador).
Por fim, Augusto César
de Carvalho ressaltou que a decisão do TRT - ao conceder validade
à cláusula arbitral – violou o princípio
do amplo acesso à Justiça (artigo 5°, XXXV, da Constituição
Federal de 1988), na medida em que impediu o trabalhador de ter sua
pretensão imediatamente analisada pelo Poder Judiciário.
Assim, a Sexta Turma, ao seguir
o voto do relator, decidiu, por unanimidade, afastar a extinção
do processo sem resolução do mérito e determinou
o retorno dos autos ao TRT para prosseguir no julgamento. (RR-94200-84.2003.5.10.0003)
(Alexandre Caxito)
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11/11/2010
Sindicato terá que pagar honorários
advocatícios porque perdeu ação de cobrança
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho condenou o Sindicato da Micro e Pequena Indústria
do Tipo Artesanal a pagar honorários advocatícios de sucumbência
(por ter perdido a causa) em processo contra o Sindicato das Indústrias
de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas
e Sanitárias, ambos do Estado de São Paulo.
O colegiado acompanhou, por
unanimidade, voto de relatoria da juíza convocada, Maria Doralice
Novaes, no sentido de que, como a discussão no caso era sobre
cobrança de imposto sindical, ou seja, matéria de natureza
civil, os honorários advocatícios não recebem o
mesmo tratamento dado aos honorários advocatícios assistenciais,
nos termos da Súmula nº 219 do TST.
Pela súmula, a condenação
ao pagamento de honorários advocatícios não ocorre
apenas pela perda da causa, mas a parte também pode estar assistida
por sindicato da categoria profissional, comprovar que recebe menos
de dois salários mínimos ou declarar que não tem
condições de pagar as despesas processuais sem prejuízo
do próprio sustento ou da família.
De acordo com a juíza
Doralice, os honorários advocatícios assistenciais são
devidos apenas quando se trata de trabalhador individual, beneficiário
da justiça gratuita, cuja assistência jurídica é
promovida pelo sindicato (Orientação Jurisprudencial nº
305 da Seção I de Dissídios Individuais do TST).
Já os honorários advocatícios do processo em exame
são devidos em razão da mera sucumbência, tendo
em vista a natureza civil da ação.
A relatora destacou ainda que
essa condenação em honorários advocatícios
é conseqüência das novas atribuições
da Justiça do Trabalho, previstas na Emenda Constitucional nº
45/2004. Foi a partir da promulgação da emenda que a Justiça
do Trabalho ganhou competência para julgar ações
de representação sindical: entre sindicatos, entre sindicatos
e trabalhadores e entre sindicatos e empregadores.
Para se adaptar à nova
realidade, o TST, inclusive, regulamentou o assunto na Instrução
Normativa nº 27/2005 (artigo 5º), ao determinar que, “exceto
nas lides decorrentes da relação de emprego, os honorários
advocatícios são devidos pela mera sucumbência”.
O Tribunal do Trabalho da 2ª
Região (SP) tinha entendido que não era possível
a condenação em honorários advocatícios
no caso. Para o TRT, nas ações trabalhistas, a responsabilidade
pela verba honorária não é definida pela sucumbência,
e deve seguir o que estabelece a Lei nº 5.584/70.
Entretanto, a relatora Maria
Doralice concluiu que a sistemática adotada na mencionada lei
para a condenação em honorários advocatícios
não pode mais ser exigida para as ações propostas
na Justiça do Trabalho, em função das novas competências
trazidas pela EC nº 45/2004. Assim, nas ações de
natureza civil, os honorários são devidos pela mera sucumbência.
A Sétima Turma deu provimento
ao recurso de revista do Sindicato das Indústrias para condenar
o Sindicato da Micro e Pequena Indústria ao pagamento dos honorários
advocatícios de sucumbência, no percentual de 15%, na forma
do artigo 20, §3º, do CPC, segundo o qual o vencido pagará
ao vencedor as despesas que antecipou e os honorários advocatícios.
( RR-18040-21.2007.5.02.0061)
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11/11/2010
JT reverte justa causa em demissão
de trabalhador que brigou com colega
Um trabalhador demitido por
justa causa por ter agredido um colega no ambiente de trabalho, consegue
reverter a modalidade da dispensa por comprovar que agiu em legítima
defesa. A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em decisão
unânime, manteve o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho
do Paraná (9ª Região) que julgou irregular a despedida
justificada do empregado.
O empregado da empresa Gralha
Azul Indústria e Comércio de Estofados Ltda. foi admitido
como embalador de estofados em janeiro de 1995. Cinco meses depois,
foi demitido porque, segundo o empregador, ele teria dado um soco no
olho de um colega de trabalho, durante o expediente e no interior da
loja. O trabalhador, ao ajuizar a reclamação trabalhista,
com pedido de desconstituição da justa causa e indenização
por dano moral, contou outra história. Disse que foi provocado,
xingado e empurrado pelo colega e que apenas revidou o empurrão,
como forma de defesa.
Ouvidas as testemunhas, todas
confirmaram a versão do embalador. Disseram perante o juiz que
o “agredido” era contumaz na prática de xingar os
colegas e partir para a briga. Negaram que o trabalhador demitido tivesse
dado um soco no outro e confirmaram a tese de legítima defesa.
O juiz da Vara do Trabalho decidiu
reverter a modalidade da dispensa, mandando pagar os direitos do empregado
pela demissão sem justa causa. Negou, porém, o pedido
de indenização por dano moral. Segundo o magistrado, não
houve prova do alegado dano moral, como ofensa à sua reputação,
dignidade ou integridade física que ensejasse o dever de indenizar.
“Não restou evidenciado que a empregadora tenha realizado
qualquer ato com intuito de prejudicar a honra e dignidade do ex-empregado”,
destacou. O mesmo entendimento prevaleceu no TRT, ao analisar recurso
da empresa.
A Gralha, no entanto, recorreu
ao TST insistindo na justa causa. O relator do acórdão
na Corte Superior, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, destacou
em seu voto que a dispensa por justa causa tem como condição
indispensável a prática de falta grave pelo empregado,
conforme estabelece o artigo 482 da CLT. “Na hipótese sob
exame, o Tribunal local, ao decidir o litígio, empreendeu acurada
análise do acervo probatório para a formação
de seu convencimento, em especial a prova oral - e concluiu que não
ficou evidenciada nos autos a suposta agressão física
(soco) perpetrada pelo autor contra colega de trabalho e os atos praticados
foram em legítima defesa”, salientou.
De acordo com o ministro, os
Tribunais Regionais são soberanos na avaliação
do conjunto fático-probatório e ao Tribunal Superior do
Trabalho cabe somente a apreciação das questões
de direito. Para concluir de forma diversa do TRT, no sentido de reconhecer
a validade da justa causa, seria necessário rever as provas,
o que não é permitido na atual instância recursal
(Súmula nº 126 do TST).
RR - 37300-30.2005.5.09.0653 RR - 37300-30.2005.5.09.0653
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11/11/2010
TST garante a trabalhador direito
à justiça gratuita
Os ministros da Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho garantiram a ex-empregado da Alimentos Modernos
do Brasil Comércio de Alimentos o benefício da Justiça
gratuita. Essa decisão significa que o trabalhador terá
um recurso analisado mesmo não tendo providenciado o recolhimento
de custas e despesas do processo.
Quando a sentença de origem julgou improcedente
a ação do empregado e indeferiu o pedido de Justiça
gratuita, ele recorreu ao Tribunal do Trabalho de São Paulo (2ª
Região), sem renovar o requerimento de concessão da Justiça
gratuita. Como o trabalhador não recolheu as custas processuais
devidas, o TRT entendeu que o recurso estava deserto.
Mas o trabalhador reivindicou
o benefício da Justiça gratuita por meio de mandado de
segurança. Assim, enquanto o recurso ordinário era julgado
por uma Turma do Regional, foi comunicado ao colegiado que a Seção
Especializada de Dissídios Individuais do mesmo tribunal autorizara
o benefício – num primeiro momento, por decisão
liminar, depois cassada, e, em seguida, em caráter definitivo.
Contudo, os integrantes da Turma
concluíram que o trabalhador não utilizou o recurso adequado
para solicitar a Justiça gratuita, além do mais, a verificação
dos requisitos de admissibilidade do recurso ordinário caberia
à própria Turma, e não à Seção
Especializada do TRT por meio de mandado de segurança.
No julgamento do recurso de
revista do empregado no TST, o relator, ministro José Roberto
Freire Pimenta, explicou que o artigo 4º da Lei nº 1.060/50
prevê a concessão da Justiça gratuita para aqueles
que recebem salário igual ou inferior ao dobro do mínimo
legal ou declarem que não estão em condições
de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio
ou da família.
A Lei nº 5.584/70 (artigo
14, §1º) reafirma que o benefício de que trata a Lei
nº 1.060/50 é devido àqueles que estiverem em situação
de insuficiência econômica. Portanto, afirmou o relator,
presume-se pobre, quem declarar essa condição.
Ainda segundo o ministro José
Roberto, essa declaração pode ser apresentada a qualquer
tempo e grau de jurisdição, como estabelece a Orientação
Jurisprudencial nº 269 da Seção de Dissídios
Individuais do TST, desde que, na fase recursal, o requerimento seja
formulado no prazo do recurso.
No caso examinado, o relator
observou que a parte não renovou o pedido de Justiça gratuita
porque o benefício tinha sido concedido em mandado de segurança
– o que lhe garantia a isenção do recolhimento das
custas processuais. Desse modo, na interpretação do ministro
José Roberto, a Turma do TRT não poderia ter desconsiderado
essa decisão para declarar deserto o recurso do empregado.
O fato de o pedido da Justiça
gratuita ter sido feito no mandado de segurança, e não
no recurso ordinário, não invalida o direito do trabalhador
ao benefício, destacou o relator. Em reforço, o empregado
apresentou novo requerimento no recurso de revista dirigido ao TST.
Por essas razões, a Segunda
Turma, em decisão unânime, conforme voto relatado pelo
ministro José Roberto, afastou a deserção do recurso
ordinário do trabalhador e determinou o retorno dos autos ao
TRT para que prossiga o julgamento. ( RR-160100-03.2003.5.02.0014 )
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FETRACONSPAR, 11 de novembro de 2010 | Eventos
Federações
FETRACONSPAR participa de reunião
da CFT/PR
O presidente da FETRACONSPAR,
do DEPACOM e Secretário Regional da CNTI/PR,
GERALDO RAMTHUN, esteve na tarde de ontem (10/11),
reunido com o Comitê Coordenador e o Conselho de Representantes
da CFT/PR – Coordenação Federativa de Trabalhadores,
para debater e deliberar sobre a seguinte pauta:
1) Ata Anterior,
2) Informes,
3) Avaliação
das eleições 2010,
4) Portarias do MTE -
186/08, 982/03, 2.092 e 2.093/10,
5) MPT - Resolução
Administrativa da CONALIS - efeitos práticos e
6) Assuntos gerais.
A reunião foi realizada na sede na sede na FECEP – Rua
Marechal Hermes, n.º 910 – Centro Cívico - Curitiba/PR.
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