Ação do Facebook no Brasil foi noticiada junto à remoção de páginas de Roger Stone, aliado próximo de Donald Trump.

A ação recente do Facebook, que derrubou uma rede de fake news administrada por funcionários do clã Bolsonaro, inclusive de dentro do Palácio do Planalto, e de aliados da família, repercutiu internacionalmente. A medida contra a rede de mentiras no Brasil foi noticiada junto à eliminação pela empresa de contas ligadas a Roger Stone, aliado muito próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que foi condenado a três anos de prisão em fevereiro deste ano.

O Facebook anunciou ontem (8) que derrubou 88 contas, páginas e grupos de funcionários dos gabinetes de Jair Bolsonaro, do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e dos deputados estaduais Alana Passos e Anderson Moraes, ambos do PSL no Rio de Janeiro. Para a empresa, o conjunto removido agia para enganar sistematicamente o público, sem informar a verdadeira identidade dos administradores, desde as eleições de 2018.

Nos Estados Unidos, a rede social eliminou 50 páginas pessoais e profissionais de Roger Stone, que deve começar a cumprir pena na semana que vem por diversos crimes, incluindo obstrução de Justiça e mentir para o Congresso norte-americano.

The New York Times destacou que a rede nos EUA, ligada a Stone e ao Proud Boys, grupo neofascista de extrema direita, mantinha contas falsas que postavam sobre política local da Flórida e os livros, websites e aparições na mídia de Roger Stone. As contas pessoais de Roger Stone no Facebook e Instagram também foram removidas. O jornal noticiou que contas ligadas a funcionários de Jair Bolsonaro foram derrubadas no mesmo dia.

Crise política

Em matéria intitulada “Facebook remove páginas ligadas a Roger Stone e Jair Bolsonaro” o jornal britânico The Guardian disse que “o Facebook suspendeu diversas páginas ligadas ao assessor de longa data de Trump, Roger Stone, assim como uma rede de contas associadas ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em ações distintas contra a desinformação e contas falsas na plataforma”. Citando informações do Facebook, o Guardian afirma que as páginas ligadas à família Bolsonaro espalhavam “mensagens políticas de divisão”.

“As alegações do Facebook agravam uma crescente crise política no Brasil, em que os filhos de Bolsonaro e apoiadores são acusados de comandar uma campanha online coordenada para difamar os opositores ao presidente”, destaca a matéria que lembra ainda o negacionismo e sabotagem do presidente brasileiro à luta contra o novo coronavírus.

Teorias da conspiração

A página da BBC britânica dedicou ao Brasil e a Bolsonaro cinco parágrafos da matéria que anunciou a derrubada das páginas ligadas a Stone. Marianna Spring, repórter especializada em desinformação e mídias sociais, também escreveu uma análise sobre os dois casos.

“As páginas postavam memes políticos, críticas à oposição política, organizações midiáticas e jornalistas e sobre a pandemia do coronavírus”, diz a matéria da BBC, que cita ainda a manifestação do senador Flávio Bolsonaro sobre o caso. O senador afirmou que há milhares de perfis apoiando o governo Bolsonaro e que, até onde ele sabe, “são todos livres e independentes”.

A analista Marianna Spring destaca que algumas das teorias da conspiração espalhadas pelas páginas no Brasil foram promovidas pelo próprio presidente – por exemplo, sugerindo que os números de mortes pelo coronavírus estavam sendo exagerados pelos veículos de mídia. “Isso aumenta a crescente preocupação sobre uso de redes online coordenadas para atingir alvos do senhor Bolsonaro e revela técnicas usadas em todo o mundo para espalhar desinformação”, diz.

Boicote

A Deutsche Welle, agência pública alemã, publicou uma matéria dedicada exclusivamente a Bolsonaro. “Funcionários do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, seus dois filhos e dois parlamentares proeminentes tentaram esconder sua conexão com a rede”, destacou a agência.

A Deutsche Welle lembrou ainda ainda que centenas de anunciantes se juntaram a um boicote destinado a obrigar o Facebook a bloquear conteúdo extremista em suas páginas. “Diversos funcionários [do Facebook] saíram [da empresa] no mês passado devido à decisão do presidente Mark Zuckerberg de não interferir em posts incitadores de Donald Trump.

Vermelho