É o pior resultado para negociações coletivas desde que o Dieese começou a fazer o acompanhamento, em 2018.

Cerca de 64% das negociações coletivas de data-base em maio de 2021 resultaram em reajustes abaixo da inflação, segundo informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). É o pior resultado desde que a entidade começou a acompanhar as negociações, em 2018.

Segundo a pesquisa de maio, reajustes acima da inflação foram observados em 19% dos casos e reajustes no mesmo patamar da inflação, em 17% das negociações. Para o levantamento, é levado em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Luís Ribeiro, técnico do Dieese, a piora nas condições para trabalhadores negociarem pode ser atribuída à pandemia e ao desemprego. No entanto, ele vê como fator de maior destaque a escalada da inflação.

“Mês a mês vem subindo e isso impacta as negociações coletivas. Está mais difícil para os trabalhadores fazerem campanhas salariais. Fazer greve, fazer com que a negociação se alongue”, comenta.

Segundo Ribeiro, a reforma trabalhista, em 2017, teve impacto nas negociações que se seguiram conforme foi sendo implementada.

“Caiu bastante o número de acordos que foram feitos. Isso tinha a ver com a fragilidade do trabalhador e uma conjuntura econômica ruim. Agora, falando só dos reajustes, a gente observa que, de 2020 para cá, as coisas têm piorado. A conjuntura em 2018 e 2019 era outra. Agora aumentou o desemprego e a economia foi para o buraco. O risco de perder o emprego e colocarem outro no lugar [ao tentar negociar] está dado”, diz.

Ele afirma, entretanto, que há uma perspectiva de melhora no cenário das negociações conforme dados preliminares também referentes a maio. Segundo Luís Ribeiro, algumas categorias cuja data-base foi no mês passado ainda não concluíram as negociações.

“A gente sempre dá o retrato do momento, mas esse número continua a ser registrado. Há acordos da data-base de maio não registrados, mas que vão ser. O que dá para perceber é que melhorou um pouquinho. Esse número [de reajustes abaixo da inflação] caiu para 50%”, diz.

Segundo Ribeiro, no entanto, é preciso esperar o fim de todas as negociações antes de ajustar os dados.

A pesquisa referente a maio mostrou ainda que o setor de serviços teve os piores resultados nas negociações, com correções abaixo da inflação em 68% dos casos. De acordo com Ribeiro, trata-se de um setor bastante heterogêneo.

“É muito díspare. Algumas categorias são organizadas e outras, muito pouco organizadas, com pouca capacidade de negociação e em situação mais precarizadas”, comenta.

No recorte geográfico, a Região Sul teve os melhores resultados da pesquisa – com reajustes abaixo da inflação em 29,8% dos casos e acima em 28,6%. As regiões Centro–Oeste e Sudeste tiveram os piores resultados – perdas em mais de 70% das negociações e aumentos reais em cerca de 8%.

Fonte: VERMELHO

https://vermelho.org.br/2021/06/28/cerca-de-64-dos-reajustes-ficaram-abaixo-da-inflacao-em-maio/