Na quinta-feira (16/12) foi dia de greve geral em Itália convocada por duas das maiores centrais sindicais do país. CGIL, Confederação Geral de Itália do Trabalho, e UIL, União Italiana do Trabalho, que em conjunto têm mais de 7,5 milhões de sócios, apelaram a uma paralisação de oito horas contra o Orçamento do Estado proposto pelo governo de Mario Draghi. Estão contra cortes fiscais de oito mil milhões de euros que beneficiarão sobretudo os mais ricos, a precariedade e a alteração às regras das reformas.

Apesar de apresentada como greve geral, de fora ficam os setores da saúde, devido ao estado de emergência que se vive no país, e da educação, porque já tinha feito greve no passado dia dez, e os trabalhadores da limpeza de ruas e recolha de lixo.

De fora da convocatória ficou também o CISL, Confederação Italiana dos Sindicatos de Trabalhadores, de orientação democrata-cristã, que justifica a decisão com a pandemia e a situação frágil em que o país se encontra, mas que organizará uma manifestação no próximo sábado pelos mesmos motivos.

Os outros dois sindicatos afirmam que a greve era necessária face a um Orçamento que “não redistribui riquezas, não reduz as desigualdades e não gera desenvolvimento equilibrado e estrutural e empregos estáveis”. Com o lema, “juntos pela justiça”, é a primeira greve geral convocada desde que em 2014 os trabalhadores italianos saíram às ruas contra a reforma laboral de Matteo Renzi. Será sem dúvida o maior teste que Draghi enfrenta desde que tomou posse. Na próxima segunda-feira, sentar-se-á à mesa das negociações com os sindicatos com pouca margem de manobra para retroceder nas propostas acordadas com os parceiros de governo.

A paralisação foi acompanhada de manifestações em algumas das principais cidades do país. Em Roma, os secretários gerais das duas federações sindicais exigiram que quem ganha mais deve contribuir mais, que se tem de combater a “epidemia social e salarial” e que deve prestar mais atenção aos trabalhadores afetados pela pandemia.

Segundo o jornal italiano Il Fatto Quotidiano, Maurizio Landini, dirigente da CGIL, respondeu às críticas sobre uma greve em contexto pandémico afirmando que “o que divide o país não é a greve geral, mas sim a evasão fiscal, a precariedade do emprego, a injustiça com as classes mais desfavorecidas”. Pierpaolo Bombardieri, da UIL, salientou as “cinco praças cheias” de gente que tornam “estranho dizer que não representamos o verdadeiro país, o que ficou para trás”.

FonteEsquerda
Data original da publicação: 16/12/2021

DMT

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