A previsão é da Confederação Nacional da Indústria

Por Carin Petti, Para O Valor, Valor — São Paulo

Até 2025 será necessário qualificar 9,6 milhões de pessoas somente em ocupações industriais, das quais 2 milhões em formação inicial para reposição e preenchimento de novas vagas. A previsão é da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ainda assim, no ano passado, apenas 1,07 milhão dos 7,9 milhões de estudantes do ensino médio optou pelo ensino técnico concomitante, segundo o Censo Escolar, do governo federal.

Se incluídos cursos técnicos de quem já concluiu o ensino médio, o total vai para 2,1 milhões de matrículas — menos da metade da meta de 4,8 milhões prevista para 2024 pelo Plano Nacional de Educação (PNE). E mais: 43% dos estudantes desconhecem a existência do ensino técnico, aponta pesquisa realizada em 2021 pelo Itaú Educação e Trabalho e pela Fundação Roberto Marinho com estudantes do nono ano do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio da rede pública. A parcela salta para 77% quando incluídos também os jovens que afirmam ter baixo conhecimento da modalidade.

“O ensino técnico é muito mal compreendido pela sociedade”, diz Fausto Augusto Junior, diretor-técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudo Sócio-Econômicos). “De um lado temos boas escolas, como Etecs, institutos federais e unidades do Senai, bastante concorridas e com boa entrada no mercado de trabalho. Do outro, temos o diploma do ensino técnico diminuído por parte dos alunos e empresas, principalmente fora do setor industrial, que preferem compensar a defasagem escolar com a exigência de formação universitária mesmo para funções que não exigiriam ensino superior.”