Relatório da Onu revela que o problema não diminuiu na última década. No mundo, 90% dos pesquisados têm algum preconceito contra mulheres.

A reportagem é de Marcelo Menna Barreto, publicada por Extra Classe, 13-06-2023.



O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) apresenta um dado pessimista para quem luta contra a discriminação entre homens e mulheres. O relatório “Índice de Normas Sociais de Gênero” apresentado segunda-feira, 12, registra que no Brasil, mais de 80% da população manifesta preconceito contra mulheres. Já o índice mundial chega a 90% e estudo cobriu 85% da população do planeta.

Quase metade dos pesquisados acreditam que os homens são melhores como líderes políticos, 25% dos acreditam que é justificável agredir suas parceiras e que duas em cada cinco pessoas acreditam que eles também se saem melhor como executivos.

Segundo o Pnud, essa relação de preconceito não diminuiu desde a última década e gera obstáculos para as mulheres que vêm reduzindo seus direitos em muitas partes do mundo com movimentos contra a igualdade de gênero ganhando força.

Este cenário também reflete na representação feminina em posições de liderança.

Em média, a proporção de mulheres como chefes de Estado ou de governo se manteve em torno de 10% desde 1995. No mercado de trabalho, elas ocupam menos de um terço dos cargos gerenciais.

O Brasil foi o único país de língua portuguesa do estudo e mostra uma situação não menos preocupante em quatro dimensões analisadas: integridade física, educação, política e econômica.

No geral, apenas 15,5% da população do Brasil afirma não ter preconceito contra as mulheres, um avanço de 5% desde 2012.

A pior avaliação foi no quesito físico. Em média, mais de 75% dos brasileiros entrevistados têm preconceitos em questões de violência e direito de decisão sobre ter filhos.

No entanto, mais de 9% avaliam que ter nível universitário é importante apenas para os homens.

Sobre a participação feminina na política, 39% dos entrevistados acreditam que mulheres não desempenham este papel tão bem quanto os homens no Brasil.

Além disso, 31% dos brasileiros acham que homens têm mais direito a vagas de trabalho ou são melhores em cargos executivos.

IHU-UNISINOS

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