A renda per capita das mulheres pode cair 17%, enquanto a dos homens tende a se manter estável, ampliando a diferença de renda entre gêneros.

A informação é de Luigi Pinzetta publicada por ExtraClasse.

O aumento dos gastos com dívida pública externa pode retirar milhões de mulheres do mercado de trabalho e reduzir sua renda, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com base em dados de 85 países em fase de desenvolvimento.

O estudo estima que até 55 milhões de empregos femininos estão em risco no curto prazo e 92,5 milhões no longo prazo. A renda per capita das mulheres pode cair 17%, enquanto a dos homens tende a se manter estável, ampliando a diferença de renda entre gêneros.

O relatório aponta que o pagamento de dívidas públicas externas reduz a capacidade de investimento dos governos e leva a cortes em áreas como saúde, assistência social e sistemas de cuidado. Ainda, países em desenvolvimento pagam juros de 2 a 12 vezes maiores que economias como Estados Unidos e Alemanha.

Os cortes afetam mais as mulheres porque a falta de investimento em infraestrutura social, como creches, saúde e transporte, amplia a carga de trabalho doméstico. Essa sobrecarga é a principal barreira para que elas busquem empregos remunerados em outros setores. O efeito não se repete entre os homens, devido à divisão desigual das tarefas domésticas.

As mulheres realizam 76,2% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo e gastam 3,2 vezes mais tempo nessas atividades do que os homens. Segundo o relatório, o acesso universal a creches e serviços de cuidado pode elevar a taxa de emprego feminino em até 10 pontos percentuais. Esse investimento permite a saída do trabalho informal ou doméstico e facilita a entrada em setores mais produtivos da economia.

Na educação, a pressão fiscal tende a reduzir os anos de estudo. Em crises, meninos são retirados da escola para trabalhar, enquanto meninas deixam os estudos para cuidar da casa. O documento aponta que esse padrão amplia a desigualdade entre gerações.

A agência defende que estratégias de gestão da dívida tenham foco em proteger os empregos, os serviços e a segurança econômica das mulheres. Nesse sentido, o Pnud orienta os governos a integrar avaliações baseadas em gênero na tomada de decisões e proteger investimentos críticos em infraestrutura social e de cuidados.

O relatório incluiu oito países da América do Sul em sua análise: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru, além de 40 países do continente africano e 27 países localizados na Ásia e Oceania.

Para a realização da pesquisa e coleta de indicadores, foram consultadas bases de dados e estatísticas de instituições, como o Banco Mundial, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

IHU - UNISINOS

https://www.ihu.unisinos.br/665669-55-milhoes-de-empregos-femininos-estao-em-risco-diz-estudo


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